Boa noite.
terça-feira, outubro 31, 2006
segunda-feira, outubro 30, 2006
O Quitoso
As sonoridades do chiqueiro incomodam-me.
Talvez seja um comichoso, mas arranjo solucção. Dou uma volta, ouço música, mudo de sala ou qualquer coisa do género e o barulho é abafado.
Já com o Glorioso a coisa pia diferente. Digo que não ligo, imagino que não me incomoda, penso até que continuo sem olhar para trás.
Mas não...nada disso. Fica aqui a moer, moer, moer e chateia-me. Maldita paixão primata. Chateia mesmo!!
Este fim-de-semana não vi o jogo (pensei ver via Skype, mas por tradição este clássico sai sempre mal para os meus lados..). No intervalo passei na net e já lá moravam dois. Achei normal. Voltei no fim para ver se tinham chegado aos quatro, mas não, 3-2 tinha sido o resultado final.
Sem ver uma única imagem e apenas com algumas linhas lidas, eis o que deduzo:
- Os tripeiros deram um banho de bola na primeira parte e na segunda deixaram-se dormir. O Glorioso correu um bocadito, fez tremer o Dragão e sobrou apenas a vitória moral.
Ora, como eu não gosto de vitórias morais e defendo que os campeonatos não se ganham nos "clássicos", gostava de pedir ao nosso presidente ex-rei do pneu, para aproveitar aquela votação de 96% (até o Saddam ficou com inveja!) e correr com o Fanã para bem longe (Atenção: a Grécia é próxima demais!!).
Este tóino, é aquilo que o Sousa Tavares chamava ao Co Adrianse (não sei se se escreve assim e não me apetece ver no Google!) o ano passado: um perdedor nato. Este desgraçado nasceu para perder e pensar nas desculpas e chavões do dia seguinte. A equipa não é má. Tirando o Tiago e o Miguel, estão lá todos os que interessam...porque razão não ganham? O Chalana, com metade daquela equipa fazia melhor figura e ainda cortava a relva nos intervalos dos treinos.
Fanã, deixa-me que te diga que és a maior NÓDOA que por aí passou depois do Damásio e da dupla Nelo & Tavares (e isto porque ainda não se sabe se também molharias as cuecas como este fez em San Siro!).
Sporting, Boavista, Celtic, Porto e mais não sei quantos coxos já nos aplicaram chapa 3. Tudo isto já é mau que chegue, mas este fim-de-semana até o Postiga marcou um golo. Onde é que vamos parar?
Vá...deixem-se lá de vitórias morais e toca a usar o cérebro.
Fanã na rua (com preparador físico incluído) e Chalana a ajeitar o bigode enquanto grita para o relvado: "Na bola Petit, na bola!!"
É melhor que Quitoso....fácil, barato e com resultados imediatos.
Talvez seja um comichoso, mas arranjo solucção. Dou uma volta, ouço música, mudo de sala ou qualquer coisa do género e o barulho é abafado.
Já com o Glorioso a coisa pia diferente. Digo que não ligo, imagino que não me incomoda, penso até que continuo sem olhar para trás.
Mas não...nada disso. Fica aqui a moer, moer, moer e chateia-me. Maldita paixão primata. Chateia mesmo!!
Este fim-de-semana não vi o jogo (pensei ver via Skype, mas por tradição este clássico sai sempre mal para os meus lados..). No intervalo passei na net e já lá moravam dois. Achei normal. Voltei no fim para ver se tinham chegado aos quatro, mas não, 3-2 tinha sido o resultado final.
Sem ver uma única imagem e apenas com algumas linhas lidas, eis o que deduzo:
- Os tripeiros deram um banho de bola na primeira parte e na segunda deixaram-se dormir. O Glorioso correu um bocadito, fez tremer o Dragão e sobrou apenas a vitória moral.
Ora, como eu não gosto de vitórias morais e defendo que os campeonatos não se ganham nos "clássicos", gostava de pedir ao nosso presidente ex-rei do pneu, para aproveitar aquela votação de 96% (até o Saddam ficou com inveja!) e correr com o Fanã para bem longe (Atenção: a Grécia é próxima demais!!).
Este tóino, é aquilo que o Sousa Tavares chamava ao Co Adrianse (não sei se se escreve assim e não me apetece ver no Google!) o ano passado: um perdedor nato. Este desgraçado nasceu para perder e pensar nas desculpas e chavões do dia seguinte. A equipa não é má. Tirando o Tiago e o Miguel, estão lá todos os que interessam...porque razão não ganham? O Chalana, com metade daquela equipa fazia melhor figura e ainda cortava a relva nos intervalos dos treinos.
Fanã, deixa-me que te diga que és a maior NÓDOA que por aí passou depois do Damásio e da dupla Nelo & Tavares (e isto porque ainda não se sabe se também molharias as cuecas como este fez em San Siro!).
Sporting, Boavista, Celtic, Porto e mais não sei quantos coxos já nos aplicaram chapa 3. Tudo isto já é mau que chegue, mas este fim-de-semana até o Postiga marcou um golo. Onde é que vamos parar?
Vá...deixem-se lá de vitórias morais e toca a usar o cérebro.
Fanã na rua (com preparador físico incluído) e Chalana a ajeitar o bigode enquanto grita para o relvado: "Na bola Petit, na bola!!"
É melhor que Quitoso....fácil, barato e com resultados imediatos.
O Hoover
Eu mereço. Eu realmente mereço.
O relógio marca as 8 da manhã, está um frio de rachar e a cama já se despediu de mim há umas horas.
Não posso dizer que esteja contente da vida. O glorioso perdeu com os tripeiros, avizinha-se novo assalto do bate-chapas e por esta hora da manhã este cromo aqui atrás já arrotou 3 vezes. O que comerá este animal ao pequeno almoço??? Deve ser em "fartura", como diz a minha avó!! Não é a segunda-feira que mais desejaria, mas...
Sentado no meu sítio tento concentrar-me numa tarefa. Há silêncio. Há um enorme silêncio no departamento.
Eis quando vejo o sueco-sem-lábios a passar para apanhar um café. É o sinal.
O silêncio passou a ecoar um estrondoso "sluuuuuuuurp"!! Só se ouve o gajo a chupar café como se estivesse a fazê-lo por um megafone e mesmo assim não se manca. "Sluuurp" se quer um golinho, "sluuuuuuuuuuuuuuurp" se quer encher aquela boquifarra de café!! Ahhhhhhhhhhhh...logo de manhã esta banda sonora deixa-me aos saltos na cadeira.
Podia ignorar, podia não ligar, podia abstrair-me, mas não consigoooooooooo!!!!! Isto dá-me cabo do neurónio!!!!!
Apetece-me dar-lhe dois gritos, mas como reconheço que não é a mais brilhante das ideias, vou simplesmente circular e dar-lhe tempo para esquartejar o pobre café.
O relógio marca as 8 da manhã, está um frio de rachar e a cama já se despediu de mim há umas horas.
Não posso dizer que esteja contente da vida. O glorioso perdeu com os tripeiros, avizinha-se novo assalto do bate-chapas e por esta hora da manhã este cromo aqui atrás já arrotou 3 vezes. O que comerá este animal ao pequeno almoço??? Deve ser em "fartura", como diz a minha avó!! Não é a segunda-feira que mais desejaria, mas...
Sentado no meu sítio tento concentrar-me numa tarefa. Há silêncio. Há um enorme silêncio no departamento.
Eis quando vejo o sueco-sem-lábios a passar para apanhar um café. É o sinal.
O silêncio passou a ecoar um estrondoso "sluuuuuuuurp"!! Só se ouve o gajo a chupar café como se estivesse a fazê-lo por um megafone e mesmo assim não se manca. "Sluuurp" se quer um golinho, "sluuuuuuuuuuuuuuurp" se quer encher aquela boquifarra de café!! Ahhhhhhhhhhhh...logo de manhã esta banda sonora deixa-me aos saltos na cadeira.
Podia ignorar, podia não ligar, podia abstrair-me, mas não consigoooooooooo!!!!! Isto dá-me cabo do neurónio!!!!!
Apetece-me dar-lhe dois gritos, mas como reconheço que não é a mais brilhante das ideias, vou simplesmente circular e dar-lhe tempo para esquartejar o pobre café.
sexta-feira, outubro 27, 2006
8 anos depois
Passaram 8 anos desde o último referendo ao aborto.
Em 98, lembro-me de ouvir argumentos de defesa do "NÃO", tão brilhantes como:
- Se for aprovado, as mulheres começam a usá-lo como contraceptivo!
- Se não querem engravidar, não tenham relações sexuais!
- Só Deus pode tirar uma vida!
...e parvoíces do género.
Passou para a opinião pública a imagem da mulher a entrar na pastelaria, pedir uma bica e um aborto com manteiga, como se fosse a coisa mais trivial do mundo.
Os azares, os fetos condenados a uma vida de sofrimento, a decisão que a mulher tem que tomar, o risco físico que corre, o drama que em última análise tem que enfrentar e tudo mais, foi simplesmente posto de lado.
Paulinhos Portas e amélias do género usaram a ignorância do povo como vitória política, com slogans de "defesa da vida".
Defesa da vida é garantir educação, segurança e estabilidade aos vivos e proporcionar condições para que a população tenha condições de se rejuvenescer.
Defesa da vida não é obrigar uma mulher a atirar-se duma escada ou a recorrer a uma parteira manhosa, só porque o marido chegou embriagado e os 300 eur por mês não chegam para ter o quinto filho.
Depois, há o clássico "não é nada comigo" de alguns homens e o "eu já nem posso ter filhos" de mulheres mais idosas. Tudo somado resultou naquele "Não" que enquanto Português me envergonhou.
8 anos depois os mesmo argumentos defendem o "Não".
Já não sinto vergonha. Constato apenas que o meu País parou no tempo e assim quer ficar.
Em 98, lembro-me de ouvir argumentos de defesa do "NÃO", tão brilhantes como:
- Se for aprovado, as mulheres começam a usá-lo como contraceptivo!
- Se não querem engravidar, não tenham relações sexuais!
- Só Deus pode tirar uma vida!
...e parvoíces do género.
Passou para a opinião pública a imagem da mulher a entrar na pastelaria, pedir uma bica e um aborto com manteiga, como se fosse a coisa mais trivial do mundo.
Os azares, os fetos condenados a uma vida de sofrimento, a decisão que a mulher tem que tomar, o risco físico que corre, o drama que em última análise tem que enfrentar e tudo mais, foi simplesmente posto de lado.
Paulinhos Portas e amélias do género usaram a ignorância do povo como vitória política, com slogans de "defesa da vida".
Defesa da vida é garantir educação, segurança e estabilidade aos vivos e proporcionar condições para que a população tenha condições de se rejuvenescer.
Defesa da vida não é obrigar uma mulher a atirar-se duma escada ou a recorrer a uma parteira manhosa, só porque o marido chegou embriagado e os 300 eur por mês não chegam para ter o quinto filho.
Depois, há o clássico "não é nada comigo" de alguns homens e o "eu já nem posso ter filhos" de mulheres mais idosas. Tudo somado resultou naquele "Não" que enquanto Português me envergonhou.
8 anos depois os mesmo argumentos defendem o "Não".
Já não sinto vergonha. Constato apenas que o meu País parou no tempo e assim quer ficar.
Teste...1, 2, som!!
Ps - Por acaso desse lado as letras dos meus post's aparecem em tamanho garrafal???
Ps1 - Obrigado Catarina pela dica.
Ps2 - É favor "clicar" no botão rosa.
quinta-feira, outubro 26, 2006
Festa
Ao meu ouvido esquerdo chega o arroto do Neo-Zelandês, cuja sonoridade indica o fim do mundo.
O ouvido direito recebe a dor de um café a 40 graus, chupado por um aflito Sueco, que não deve ter lábios.
Distam os dois menos de 1m.
Estou numa rave de pocilgas. Mas com som stereo.
O ouvido direito recebe a dor de um café a 40 graus, chupado por um aflito Sueco, que não deve ter lábios.
Distam os dois menos de 1m.
Estou numa rave de pocilgas. Mas com som stereo.
O logótipo vermelho

Não gosto de decisões.
Gosto de fazer tudo para ter hipótese de decidir. Mas decidir não quero.
Quero ter a certeza que é a melhor decisão. Que cobre o cenário A, que prevê o cenário B, que me desenrasca no caso do cenário C, que me deixa satisfeito no dia-a-dia, que me faz sentir útil, que me reconhece como algo, que assegura o futuro, que,que,que...
Análises científicas, provas dos nove, prós e contras, altos e baixos. Tudo o que a razão manda fazer nos manuais da maturidade e sensatez.
Começa aí o problema. A ciência já provou que eu não estou maduro para consumo. Também provou que a razão não é o meu forte. Emoção, precipitação e decisões erradas. Isso sim. Isso já é mais o meu estilo.
Os sábios da teoria repetem do alto da sua cátedra: "Prefiro arrepender-me do que fiz, do que arrepender-me de não o ter feito". Para mim fazer e remendar é já um modo de vida. Pior fica quando me apercebo que será sempre assim.
"A razão deve imperar", é um conceito extraordinariamente abstracto. Eu não acredito em fatalidades e continuo a pensar que arranjo solução para todas as asneiras. Até pode ser. Mas cansa muito mais.
Qual escolher?
Lembro-me que em Portugal, adoraria ter trabalhado na Vodafone. Não sei porquê mas era minha empresa fetiche. Nunca fui cliente, nunca entrei naquele peculiar edifício da expo, mas gostava da publicidade, gostava do "aspecto" da empresa e achava aquelas letras vermelhas do logótipo muito séc.XXI. Modernos e agressivos, era assim que os via. Não havia qualquer motivo racional para gostar, mas gostava. Emoção apenas.
Agora tento usar a razão: o "A" produz baralhos de cartas para jogar na Lua, o "B" está a desenvolver um telefone para falar com os Marcianos, o "C" trabalha na criação da primeira gillette a laser para babuínos.
Tudo parece muito giro e há uma infinidade de boas razões para tomar uma decisão.
O meu subconsciente amigo, pouco dado a componentes racionais diz-me de 5 em 5 minutos: "Escolhe a que tiver um logótipo vermelho!!!".
O Sousa Tavares
Estava a ler neste blog um texto sobre o assunto do momento (pelo menos na blogosfera), sobre o alegado plágio do "Ecuador".
Sinceramente, admiro e muito (poderia ser o meu herói, mas conheci o James Bond primeiro !!!) o Miguel Sousa Tavares.
Gosto do que escreve e de como o faz. Também gostava bastante de o ouvir no jornal da TVI. Aliás, quando alguém se dispõe a ouvir a MMGuedes por mais do que 2 seg, percebe-se de imediato que há uma razão forte. Para mim o MST valia esse sacrifício.
Este rumor de plágio deixa-me um pouco surpreendido. Custa-me um pouco a acreditar, mas como se dizia lá por casa: "Há razões que a própria razão desconhece". De qualquer forma, o que eu queria mesmo era ver essa "notícia" algures, mais não seja para perceber qual é a reacção do MST a tudo isto.
Tenho procurado nos jornais mas não encontro nada.
Alguém me sabe dizer se apareceu alguma declaração do MST nos media?
Sinceramente, admiro e muito (poderia ser o meu herói, mas conheci o James Bond primeiro !!!) o Miguel Sousa Tavares.
Gosto do que escreve e de como o faz. Também gostava bastante de o ouvir no jornal da TVI. Aliás, quando alguém se dispõe a ouvir a MMGuedes por mais do que 2 seg, percebe-se de imediato que há uma razão forte. Para mim o MST valia esse sacrifício.
Este rumor de plágio deixa-me um pouco surpreendido. Custa-me um pouco a acreditar, mas como se dizia lá por casa: "Há razões que a própria razão desconhece". De qualquer forma, o que eu queria mesmo era ver essa "notícia" algures, mais não seja para perceber qual é a reacção do MST a tudo isto.
Tenho procurado nos jornais mas não encontro nada.
Alguém me sabe dizer se apareceu alguma declaração do MST nos media?
quarta-feira, outubro 25, 2006
"Manoooooo"
Quando era pequeno, o meu irmão começava quase todas as frases por: "Manoooooo, um dia vamos..."
Invariavelmente eu respondia que sim a tudo. Primeiro porque não sei dizer NÃO e depois, porque sim. Alguns "um dia" ainda estão por cumprir, mas lá chegaremos.
Hoje tenho um "um dia" que me assalta o desejo.
"Um dia" gostava de conhecer um mecânico honesto. Se isto não fosse possível, saltar-me-ia logo outro "um dia" que seria: "um dia" gostaria de conhecer um constructor civil que não roubasse nos materiais.
Entenda-se, não tenho nada contra estas profissões e até as gostaria de respeitar, mas ainda não conheci um único que não roubasse descaradamente.
O constructor civil com nome paga luvas nas Autarquias e ganha concessões. Rouba os contribuintes, ou seja, um pouco a todos nós. O constructor mais "pequenito" engana o pobre desgraçado que vai ao BES pedir um empréstimos a 70 anos e que compra uma casa de papel a julgar que tem cimento.
Mas os mecâââânicos....esses sim, são malta refinada. Em vez daquela placa com ar sério que colocam ao lado do calendário da Gina dizendo: "Não nos responsabilizamos pelos objectos no interior do veículo", poderiam ter uma com: "Vamos gamar tudo o que estiver no carro, mas como temos esta placa aqui, será legal e não te vais poder queixar". Depois há o preço praticado. A hora é paga como se estivessem a investigar o aquecimento global do planeta e naquelas mãos sujas de óleo estivesse a salvação da espécie humana. Por uma vez na vida gostava de conhecer um mecânico que cobrasse exactamente o tempo que trabalha, ou vá lá, não gamasse mais do que meia hora.
Há umas semanas atrás fui fazer a revisão dos 170 000Km. Levei o manual, que em sueco explicava os testes que deviam ser feitos. O mecânico também sueco disse que sim a tudo e que sabia o que fazer. Eu, que percebo quase o mesmo de sueco e mecânica, confiei.
Uma semana mais tarde, parado na autoestrada com a panela de escape partida e a arrastar no chão, percebi que ele me cobrara 40 cts para mudar o óleo e não fazer qualquer teste. Mesmo sendo leigo na matéria, deduzo que se verificasse o carro, dificilmente aquele cromo deixaria escapar uma fenda na panela de escape que parecia o Grand Canyon.
A tira da minha mala e o cinto do meu colega Boliviano seguraram o escape até à oficina seguinte. "Tens sorte", disse ele. "Conheço um brasileiro aqui perto e blá,blá". De súbito fiquei com a sensação que poderia estar a estrear-me na categoria de "mecânicos-honestos". "Que diabo...falamos a mesma língua neste fim de mundo. O gajo não vai ter lata de me gamar!!", pensei.
Mal cheguei, o meu colega apresentou-me ao senhor, que me perguntou: "fala Português?"
Fulminante como um raio, rápida como uma bala e antes que a minha língua batesse no céu da boca, uma senhora disse: "Porrtuguéiz num fálá Porrtuguéiz...Porrtuguéiz fálá Russú!"
Desloquei as minhas duas cavidades oculares para a esquerda, onde uma imagem roliça, caracóis-década-de-80 e carnes a extravasar a elasticidade dos tecidos, me recebeu. Era a "Patroa". Não por trabalhar, mas por ser a mulher do "Patrão".
Ajustes explicados, o "camarada" despediu-se com a frase: "traga dinheiro que eu não aceito cartões". Fico sempre desconfiado quando um gajo que cobra este mundo e o outro, não quer pagar as míseras taxas multibanco e obriga os clientes a levar o dinheiro em alcofas, mas...
No dia seguinte liguei e fiquei espantado com o preço. A peça custara 7 contos e o arranjo pouco mais do que 10. Fiquei radiante. Saltei pela casa enquanto dizia a mim próprio: "Brasileiro! Mecânico!Honesto!" Esta combinação de palavras tinha tanto de utopia que fui a correr, saltando de nenúfar em nenúfar, até ao multibanco mais próximo.
Quando lá cheguei, ainda tinha um sorriso estampado na cara quando vi a factura. Era exactamente o dobro.
Recolhi todos os dentes enquanto lhe disse que ele me tinha dito metade. Porque assim e assado, coisa e tal e troca o passo e por isso o dobro. Eu repeti, dizendo que não havia forma de confundir os dois valores, principalmente quando falo na minha lingua materna. Com toda a lata do mundo, cobrava-me mais de 30 contos por fazer uma solda e apertar dois parafusos. Estávamos a falar de 10 minutos de trabalho no máximo e para os atingir, teria que executar as tarefas com luvas de boxe.
Sentia-me roubado até ao osso. O que fazer? O que se pode fazer numa altura destas? Deixar lá o carro? Gritar e pagar na mesma? O sentimento de impotência nossa e impunidade destes gajos, ainda me atormentava mais o espírito.
Se me apontassem uma arma e me pedissem a carteira sentir-me-ia mais confortável. Pelo menos assumiam.
Mas "um dia" eu sei que vou conhecer um luvas-de-óleo honesto. "Um dia".
"Manoooo, se um dia fores mecânico, prometes que não me gamas??"
Invariavelmente eu respondia que sim a tudo. Primeiro porque não sei dizer NÃO e depois, porque sim. Alguns "um dia" ainda estão por cumprir, mas lá chegaremos.
Hoje tenho um "um dia" que me assalta o desejo.
"Um dia" gostava de conhecer um mecânico honesto. Se isto não fosse possível, saltar-me-ia logo outro "um dia" que seria: "um dia" gostaria de conhecer um constructor civil que não roubasse nos materiais.
Entenda-se, não tenho nada contra estas profissões e até as gostaria de respeitar, mas ainda não conheci um único que não roubasse descaradamente.
O constructor civil com nome paga luvas nas Autarquias e ganha concessões. Rouba os contribuintes, ou seja, um pouco a todos nós. O constructor mais "pequenito" engana o pobre desgraçado que vai ao BES pedir um empréstimos a 70 anos e que compra uma casa de papel a julgar que tem cimento.
Mas os mecâââânicos....esses sim, são malta refinada. Em vez daquela placa com ar sério que colocam ao lado do calendário da Gina dizendo: "Não nos responsabilizamos pelos objectos no interior do veículo", poderiam ter uma com: "Vamos gamar tudo o que estiver no carro, mas como temos esta placa aqui, será legal e não te vais poder queixar". Depois há o preço praticado. A hora é paga como se estivessem a investigar o aquecimento global do planeta e naquelas mãos sujas de óleo estivesse a salvação da espécie humana. Por uma vez na vida gostava de conhecer um mecânico que cobrasse exactamente o tempo que trabalha, ou vá lá, não gamasse mais do que meia hora.
Há umas semanas atrás fui fazer a revisão dos 170 000Km. Levei o manual, que em sueco explicava os testes que deviam ser feitos. O mecânico também sueco disse que sim a tudo e que sabia o que fazer. Eu, que percebo quase o mesmo de sueco e mecânica, confiei.
Uma semana mais tarde, parado na autoestrada com a panela de escape partida e a arrastar no chão, percebi que ele me cobrara 40 cts para mudar o óleo e não fazer qualquer teste. Mesmo sendo leigo na matéria, deduzo que se verificasse o carro, dificilmente aquele cromo deixaria escapar uma fenda na panela de escape que parecia o Grand Canyon.
A tira da minha mala e o cinto do meu colega Boliviano seguraram o escape até à oficina seguinte. "Tens sorte", disse ele. "Conheço um brasileiro aqui perto e blá,blá". De súbito fiquei com a sensação que poderia estar a estrear-me na categoria de "mecânicos-honestos". "Que diabo...falamos a mesma língua neste fim de mundo. O gajo não vai ter lata de me gamar!!", pensei.
Mal cheguei, o meu colega apresentou-me ao senhor, que me perguntou: "fala Português?"
Fulminante como um raio, rápida como uma bala e antes que a minha língua batesse no céu da boca, uma senhora disse: "Porrtuguéiz num fálá Porrtuguéiz...Porrtuguéiz fálá Russú!"
Desloquei as minhas duas cavidades oculares para a esquerda, onde uma imagem roliça, caracóis-década-de-80 e carnes a extravasar a elasticidade dos tecidos, me recebeu. Era a "Patroa". Não por trabalhar, mas por ser a mulher do "Patrão".
Ajustes explicados, o "camarada" despediu-se com a frase: "traga dinheiro que eu não aceito cartões". Fico sempre desconfiado quando um gajo que cobra este mundo e o outro, não quer pagar as míseras taxas multibanco e obriga os clientes a levar o dinheiro em alcofas, mas...
No dia seguinte liguei e fiquei espantado com o preço. A peça custara 7 contos e o arranjo pouco mais do que 10. Fiquei radiante. Saltei pela casa enquanto dizia a mim próprio: "Brasileiro! Mecânico!Honesto!" Esta combinação de palavras tinha tanto de utopia que fui a correr, saltando de nenúfar em nenúfar, até ao multibanco mais próximo.
Quando lá cheguei, ainda tinha um sorriso estampado na cara quando vi a factura. Era exactamente o dobro.
Recolhi todos os dentes enquanto lhe disse que ele me tinha dito metade. Porque assim e assado, coisa e tal e troca o passo e por isso o dobro. Eu repeti, dizendo que não havia forma de confundir os dois valores, principalmente quando falo na minha lingua materna. Com toda a lata do mundo, cobrava-me mais de 30 contos por fazer uma solda e apertar dois parafusos. Estávamos a falar de 10 minutos de trabalho no máximo e para os atingir, teria que executar as tarefas com luvas de boxe.
Sentia-me roubado até ao osso. O que fazer? O que se pode fazer numa altura destas? Deixar lá o carro? Gritar e pagar na mesma? O sentimento de impotência nossa e impunidade destes gajos, ainda me atormentava mais o espírito.
Se me apontassem uma arma e me pedissem a carteira sentir-me-ia mais confortável. Pelo menos assumiam.
Mas "um dia" eu sei que vou conhecer um luvas-de-óleo honesto. "Um dia".
"Manoooo, se um dia fores mecânico, prometes que não me gamas??"
"Little London"
Por entre o nevoeiro avanço.
Algures no chão está a luz que me podia ajudar, mas que me remete à escuridão. Sigo o carro da frente para não me perder.
"Pequena Londres" é como chamam a Gotemburgo por causa da constante chuva-molha-parvos. Com o nevoeiro fica apenas a faltar o Big Ben e o Sherlock Holmes.
O rádio passa o "Remar,Remar". A melhor canção que os Xutos alguma vez fizeram e que curiosamente não foi editada em nenhum álbum de originais.
Vou bem disposto. A banda sonora agrada-me e o sorriso ainda reflecte o Mini Me. Ontem quando o vi não estava com o fato do Ken. Tinha daquelas calças mais desportivas, com os bolsos a meio da perna ao estilo aventureiro. Ficou claro para mim que foi o GI Joe que passou o dia de ceroulas, mas pelo menos o Ken safou-se...fiquei contente.
A viagem é longa e quase que consigo ouvir os 18 temas do álbum.
Uma só faixa de rodagem, camiões com fartura e esse momento glorioso, onde atinjo os 70Km/h durante 8,4 segundos. Nada atrapalha a minha boa disposição, rigorosamente nada.
Já muito perto do destino, a bruma abre passagem e vejo o azul do céu pela primeira vez. Não há nada como o Sol!
Com o Sol vem a Mariana. Ela é a minha nova luz. Conto os minutos para lhe telefonar. Será que já fala?
Algures no chão está a luz que me podia ajudar, mas que me remete à escuridão. Sigo o carro da frente para não me perder.
"Pequena Londres" é como chamam a Gotemburgo por causa da constante chuva-molha-parvos. Com o nevoeiro fica apenas a faltar o Big Ben e o Sherlock Holmes.
O rádio passa o "Remar,Remar". A melhor canção que os Xutos alguma vez fizeram e que curiosamente não foi editada em nenhum álbum de originais.
Vou bem disposto. A banda sonora agrada-me e o sorriso ainda reflecte o Mini Me. Ontem quando o vi não estava com o fato do Ken. Tinha daquelas calças mais desportivas, com os bolsos a meio da perna ao estilo aventureiro. Ficou claro para mim que foi o GI Joe que passou o dia de ceroulas, mas pelo menos o Ken safou-se...fiquei contente.
A viagem é longa e quase que consigo ouvir os 18 temas do álbum.
Uma só faixa de rodagem, camiões com fartura e esse momento glorioso, onde atinjo os 70Km/h durante 8,4 segundos. Nada atrapalha a minha boa disposição, rigorosamente nada.
Já muito perto do destino, a bruma abre passagem e vejo o azul do céu pela primeira vez. Não há nada como o Sol!
Com o Sol vem a Mariana. Ela é a minha nova luz. Conto os minutos para lhe telefonar. Será que já fala?
terça-feira, outubro 24, 2006
O Mini Me
Se algum dia na vossa vida experimentaram esta combinação de situações:
- Estar em casa com uma perna partida em frente à TV
- O comando distar mais de 5m e o chão se apresentar repleto de vidros partidos
- À distância de um braço terem apenas o Correio da Manhã
- A TVI estar a passar a amiga Olga e o seu famoso: "A Chááábe ou ú dinhéirúúúú???"
- As dores não deixarem dormir
Entao, existe a hipótese (não garantida, porque com algum espírito de sacrifício podiam rastejar por cima dos vidros e mudar o canal ou simplesmente ver os classificados do CM) de terem alguma desculpa ao admitirem que viram o Austin Power e desperdiçaram duas preciosas horas no planeta terra.
Se isto vos aconteceu, então sabem quem é o Mini Me. Se não sabem, podem ver aqui.
Feita esta pequena introdução, chego onde realmente quero e sem mais legendas digo: ontem fui entrevistado pelo Mini Me.
Depois de todos os passos intermédios: nasci aqui, fui para ali, sou simpático e dou-me bem com toda a gente, gosto de pescar em mar alto e no chinquilho ninguém me apanha, etc, o Mini Me apresentou a companhia e mandou-me para casa para pensar se gostava da empresa e se era mesmo aquilo que queria. Seguiu-se a fase "tira-teimas" com as perguntas técnicas: "Sim senhor...huumm...huumm...estou a ver. Estiveste na Lua, lutaste contra os Romanos, inventaste o Donut de chocolate e tal, mas...e o nosso Benfica? E o Fanã? Também tens explicação para isso?"
Aí é que o Mini Me me entalou....fiquei um bocado atrapalhado, mas deu para passar.
Seguiram-se as chamadas para as minhas referências que confirmaram tudo e ainda acrescentaram aquela epopeia na Sierra Maestra com o Che. Hoje vamo-nos encontrar pela 3ª vez para os finalmentes.
De todas as vezes que o vi, enquanto discutíamos questões técnicas ou sociais, a palavra "Mini Me" toldava-me a mente e atrapalhava-me a concentração. Por muito maravilhoso que o mundo seja, como é que posso respeitar um chefe que sentado, fica com os pés a 20 cm do chão e veste fatos das zara cintados feitos de encomenta para o Ken? Ainda por cima a voz foge-lhe para aquele tom-Ricardo-frangueiro-do-Montijo e quando se ri, é o fim da picada. Quando olha para mim fá-lo em 3 direcções diferentes e com os olhos cruzados. Tenho que sorrir para a esquerda e levantar os braços para a direita, tentando assim cobrir todas as hipóteses de visibilidade que ele me proporciona. Saio de lá de rastos...nem quero imaginar uma reunião de 3h com um gajo destes. Seria como trabalhar como "Follow Me" com aqueles sinais laranja num aeroporto de tráfego intenso. Com todos estes azares, ainda teve tempo para arranjar um alfaiate incompetente que nem uns ajustes nas medidas do Ken faz, quando recebe os fatos da Concentra Mattel. Na perna fica-se pelo joelho e na cabeça as orelhas são o limite. Espero com alguma ansiedade pelo encontro de hoje para perceber se o Mini Me afinal tem pescoço ou não.
Tenho conhecido tanta gente esquisita que das duas uma: ou me apresentam o Capitão América e concluo que estou num filme, ou então sou obrigado a admitir que a minha mente procura a futilidade do detalhe.
De uma forma ou de outra, hoje quando entrar na sala de reuniões vou ajudar o Mini Me a subir para a cadeira. Será a minha boa acção do dia!
- Estar em casa com uma perna partida em frente à TV
- O comando distar mais de 5m e o chão se apresentar repleto de vidros partidos
- À distância de um braço terem apenas o Correio da Manhã
- A TVI estar a passar a amiga Olga e o seu famoso: "A Chááábe ou ú dinhéirúúúú???"
- As dores não deixarem dormir
Entao, existe a hipótese (não garantida, porque com algum espírito de sacrifício podiam rastejar por cima dos vidros e mudar o canal ou simplesmente ver os classificados do CM) de terem alguma desculpa ao admitirem que viram o Austin Power e desperdiçaram duas preciosas horas no planeta terra.
Se isto vos aconteceu, então sabem quem é o Mini Me. Se não sabem, podem ver aqui.
Feita esta pequena introdução, chego onde realmente quero e sem mais legendas digo: ontem fui entrevistado pelo Mini Me.
Depois de todos os passos intermédios: nasci aqui, fui para ali, sou simpático e dou-me bem com toda a gente, gosto de pescar em mar alto e no chinquilho ninguém me apanha, etc, o Mini Me apresentou a companhia e mandou-me para casa para pensar se gostava da empresa e se era mesmo aquilo que queria. Seguiu-se a fase "tira-teimas" com as perguntas técnicas: "Sim senhor...huumm...huumm...estou a ver. Estiveste na Lua, lutaste contra os Romanos, inventaste o Donut de chocolate e tal, mas...e o nosso Benfica? E o Fanã? Também tens explicação para isso?"
Aí é que o Mini Me me entalou....fiquei um bocado atrapalhado, mas deu para passar.
Seguiram-se as chamadas para as minhas referências que confirmaram tudo e ainda acrescentaram aquela epopeia na Sierra Maestra com o Che. Hoje vamo-nos encontrar pela 3ª vez para os finalmentes.
De todas as vezes que o vi, enquanto discutíamos questões técnicas ou sociais, a palavra "Mini Me" toldava-me a mente e atrapalhava-me a concentração. Por muito maravilhoso que o mundo seja, como é que posso respeitar um chefe que sentado, fica com os pés a 20 cm do chão e veste fatos das zara cintados feitos de encomenta para o Ken? Ainda por cima a voz foge-lhe para aquele tom-Ricardo-frangueiro-do-Montijo e quando se ri, é o fim da picada. Quando olha para mim fá-lo em 3 direcções diferentes e com os olhos cruzados. Tenho que sorrir para a esquerda e levantar os braços para a direita, tentando assim cobrir todas as hipóteses de visibilidade que ele me proporciona. Saio de lá de rastos...nem quero imaginar uma reunião de 3h com um gajo destes. Seria como trabalhar como "Follow Me" com aqueles sinais laranja num aeroporto de tráfego intenso. Com todos estes azares, ainda teve tempo para arranjar um alfaiate incompetente que nem uns ajustes nas medidas do Ken faz, quando recebe os fatos da Concentra Mattel. Na perna fica-se pelo joelho e na cabeça as orelhas são o limite. Espero com alguma ansiedade pelo encontro de hoje para perceber se o Mini Me afinal tem pescoço ou não.
Tenho conhecido tanta gente esquisita que das duas uma: ou me apresentam o Capitão América e concluo que estou num filme, ou então sou obrigado a admitir que a minha mente procura a futilidade do detalhe.
De uma forma ou de outra, hoje quando entrar na sala de reuniões vou ajudar o Mini Me a subir para a cadeira. Será a minha boa acção do dia!
segunda-feira, outubro 23, 2006
O movimento
A vida não pára.
Os momentos sucedem-se e ainda bem.
O preenchimento de espaços retira o tempo de lágrimas e ensina-nos a aceitar a mudança.
A semana que passou foi vivida num misto de emoções, praticamente desconhecidas para mim e também por isso, complicadas de gerir.
Descobrir algo que não me agradou no emprego levou-me aos píncaros da raiva. Ouvir: "o Sebastião morreu", deixou-me numa tristeza como nunca tinha vivido. Já na madrugada de Sábado, as primeiras imagens da Mariana e um sentimento de ternura enorme. Uma alegria a encher-me o coração e uma lágrima no canto do olho quando aqui cheguei e vi o relato fotográfico do seu primeiro dia de vida. Já percebi que vai ser um sufoco até lhe poder tocar...
No meio disto tudo, as entrevistas já agendadas anteriormente, resultantes da tal descoberta, seguem. Não me sinto com grande paciência para dizer aquelas tretas que os empregadores gostam de ouvir, acompanhado do sorriso e olhos a brilhar, mas o facto de existir movimento ocupa e prende-me o cérebro. Para já é tudo o que desejo.
Neste mundo frio dos números, apanhei o meu chefe na curva da desonestidade e não esperei 1 dia para enviar o meu CV. Foi com alguma supresa que constatei que experiência na minha área por estes lados é equivalente a 20 litros de água na Faixa de Gaza. Pede-se e muito.
O percurso normal de um sueco depois do secundário é ser "hippie". Faz biscates, corre mundo, aprende sobre o que quer e sobretudo o que não quer e mais tarde, já na casa dos 20 e qualquer coisa vai tirar um curso. Isto significa que no fim dos "vintes" chegam ao mercado de trabalho. É normal uma pessoa com 28 anos estar a trabalhar na sua área pela primeira vez. Claro que sendo uma prática frequente o mercado tem a flexibilidade para os receber, o que é bom.
O mesmo é dizer que encontrar pessoas com 5 anos de experiência e menos de 30 anos, não é nada frequente. Coisa que eu não sabia. Até agora!
Talvez seja uma altura boa, talvez seja um pequeno "boom", talvez tenha sido sempre assim...não sei. Noto apenas que áreas técnicas de engenharia como Informática (desenvolvimento), IT,Electrónica, Aeronáutica, Mecânica, Qualidade, Desenho (CAD/CATIA/UG), etc "saiem" como pãezinhos quentes .
A necessidade de contratar é tal, que a cada sítio onde vou me perguntam se conheço mais Portugueses (Hugo, Rui e companhia: isto até não é tão frio :)) que queiram vir para a Suécia ou Alemanha, onde estão maior parte das vagas (se bem que também já pedem para a China).
Isto deixa-me numa posição nunca experimentada até aqui. Em vez de sorrir e relatar todas as minhas epopeias; como "aquela vez que estive na Lua com o Nelo Braço Forte" ou a outra em que "construí a Muralha da China ao pé coxinho"; para tentar convencer o empregador que sou a pessoa certa, basta-me estar quieto a ouvi-los publicitar a empresa, explicando porque razão ela é a maior do mundo e quem sabe, até de Gotemburgo!!
Agrada-me. Deixa-me mais descansado.
No entanto, não me livro de algum sentimento de culpa por querer sair da minha empresa. Não lhes devo nada, mas sou assim. Gosto de agradar a gregos e troianos (como se o meu chefe perdesse mais do que 5 seg a pensar nisso..). Mas não fui eu o desonesto da história, portanto, que se lixe a taça!!
Hoje vou a duas entrevistas e se o meu chefe for esperto, dispensa-me de grandes explicações.
Basta olhar para mim e ver que estou de camisa. A última vez que tal aconteceu foi quando o conheci e lhe contei como tinha chegado à América na Nina, Pinta e Santa Maria :)
Os momentos sucedem-se e ainda bem.
O preenchimento de espaços retira o tempo de lágrimas e ensina-nos a aceitar a mudança.
A semana que passou foi vivida num misto de emoções, praticamente desconhecidas para mim e também por isso, complicadas de gerir.
Descobrir algo que não me agradou no emprego levou-me aos píncaros da raiva. Ouvir: "o Sebastião morreu", deixou-me numa tristeza como nunca tinha vivido. Já na madrugada de Sábado, as primeiras imagens da Mariana e um sentimento de ternura enorme. Uma alegria a encher-me o coração e uma lágrima no canto do olho quando aqui cheguei e vi o relato fotográfico do seu primeiro dia de vida. Já percebi que vai ser um sufoco até lhe poder tocar...
No meio disto tudo, as entrevistas já agendadas anteriormente, resultantes da tal descoberta, seguem. Não me sinto com grande paciência para dizer aquelas tretas que os empregadores gostam de ouvir, acompanhado do sorriso e olhos a brilhar, mas o facto de existir movimento ocupa e prende-me o cérebro. Para já é tudo o que desejo.
Neste mundo frio dos números, apanhei o meu chefe na curva da desonestidade e não esperei 1 dia para enviar o meu CV. Foi com alguma supresa que constatei que experiência na minha área por estes lados é equivalente a 20 litros de água na Faixa de Gaza. Pede-se e muito.
O percurso normal de um sueco depois do secundário é ser "hippie". Faz biscates, corre mundo, aprende sobre o que quer e sobretudo o que não quer e mais tarde, já na casa dos 20 e qualquer coisa vai tirar um curso. Isto significa que no fim dos "vintes" chegam ao mercado de trabalho. É normal uma pessoa com 28 anos estar a trabalhar na sua área pela primeira vez. Claro que sendo uma prática frequente o mercado tem a flexibilidade para os receber, o que é bom.
O mesmo é dizer que encontrar pessoas com 5 anos de experiência e menos de 30 anos, não é nada frequente. Coisa que eu não sabia. Até agora!
Talvez seja uma altura boa, talvez seja um pequeno "boom", talvez tenha sido sempre assim...não sei. Noto apenas que áreas técnicas de engenharia como Informática (desenvolvimento), IT,Electrónica, Aeronáutica, Mecânica, Qualidade, Desenho (CAD/CATIA/UG), etc "saiem" como pãezinhos quentes .
A necessidade de contratar é tal, que a cada sítio onde vou me perguntam se conheço mais Portugueses (Hugo, Rui e companhia: isto até não é tão frio :)) que queiram vir para a Suécia ou Alemanha, onde estão maior parte das vagas (se bem que também já pedem para a China).
Isto deixa-me numa posição nunca experimentada até aqui. Em vez de sorrir e relatar todas as minhas epopeias; como "aquela vez que estive na Lua com o Nelo Braço Forte" ou a outra em que "construí a Muralha da China ao pé coxinho"; para tentar convencer o empregador que sou a pessoa certa, basta-me estar quieto a ouvi-los publicitar a empresa, explicando porque razão ela é a maior do mundo e quem sabe, até de Gotemburgo!!
Agrada-me. Deixa-me mais descansado.
No entanto, não me livro de algum sentimento de culpa por querer sair da minha empresa. Não lhes devo nada, mas sou assim. Gosto de agradar a gregos e troianos (como se o meu chefe perdesse mais do que 5 seg a pensar nisso..). Mas não fui eu o desonesto da história, portanto, que se lixe a taça!!
Hoje vou a duas entrevistas e se o meu chefe for esperto, dispensa-me de grandes explicações.
Basta olhar para mim e ver que estou de camisa. A última vez que tal aconteceu foi quando o conheci e lhe contei como tinha chegado à América na Nina, Pinta e Santa Maria :)
domingo, outubro 22, 2006
22.45h
Apresento-vos: A Mariana !Pensou que dia 21 fosse uma boa altura e por isso às 22.45h resolveu ver como estavam as coisas cá fora. É o mais novo elemento da minha família e recebê-la é uma alegria enorme.
Sinto-me num estado de euforia controlada, depois de passar o dia de ontem bastante nervoso (a mãe parecia mais calma do que eu quando falámos ao telefone...). Falar com o Tiago pouco depois do nascimento foi como descobrir um novo mundo. Mal vi a fotografia da Mariana, identifiquei logo as bochechinhas da Carolina e confesso que acho particularmente interessante a indumentária com que conheço a minha sobrinha. 45 minutos de vida, mas o conceito fashion já lá está!
Espero com alguma ansiedade pelo nosso primeiro encontro!
Bem-vinda sejas Mariana e muitos parabéns para os jovens papás, Tiago e Carolina!
sexta-feira, outubro 20, 2006
Pequena nota
Gostava de agradecer as palavras que de um forma ou de outra chegaram até mim, demonstrando simpatia pelo Sebastião, tanto daqueles que tiveram a sua dose de baba, como de outros que o conheceram através dos meus relatos.
Em seu nome, o meu sincero obrigado.
Tiago
Em seu nome, o meu sincero obrigado.
Tiago
quarta-feira, outubro 18, 2006
10 Out 97 - 16 Out 2006
Com palavras. Escritas e não faladas. Apenas isso.
Perdi a conta ao número de pessoas que gostavam de ti. Já nem me lembro de quantos te olhavam como um membro da família, uma companhia residente ou um "habitué" do local.
Num jantar, numa festa, num passeio ou em qualquer convívio era normal a tua presença.
Em regra, distribuias a tua baba acompanhada de muitos pedidos de festas. Na verdade foi tudo o que alguma vez pediste. Festas. Muitas e de forma a não deixar dúvidas. Também é verdade que nunca alguém foi capaz de as recusar. Quem não acha piada a um pequeno pónei de pernas para o ar e quem resiste a esses olhos profundos como o mar? Ninguém. Rigorosamente ninguém.
No que me diz respeito, há muito que havias ultrapassado a simples companhia. Eras um amigo. És um amigo.
E é por isso que a partida dói tanto. Eu sei que não falávamos a mesma língua, mas continuo a achar que me entendias na perfeição. O que fizeste durante estes anos? Afecto, afecto e mais afecto. Incondicionalmente ofereceste afecto a quem contigo conviveu. É isso que me atravessa a memória.
Sabes Sebastiao? É como se nada tivesse acontecido. O mundo real é algures cá em baixo e não é neste que estou. De vez em quando vem a frase, aquela maldita frase "o Sebastião morreu".
O Sebastião? O meu Sebastião? Mas porquê Sebastião? Porquê?
E nessa altura, por alguns segundos as lágrimas invadem-me a pele. Mas rapidamente volto para o meu mundo e nesse, o abraço que te dei não foi o último. Nesse, eu estou no aeroporto para te receber. Nesse, tu ainda tens muitas festas para receber.
Será que ainda há algo que possa fazer Sebastião? Seja o que for...eu faço, prometo que faço!
Grito para aqui porque não o consigo fazer em mais lado nenhum. Quero escrever e despejar toda esta dor. Como se as minha palavras te pudessem trazer de volta.
Gosto tanto de ti. Tinha tanta esperança que pudéssemos estar juntos novamente. Estava tão perto, tão perto Sebastião.
Apesar de saber que não mais terei a hipótese de te abraçar, fico feliz quando constato que ao longo destes 9 anos foste tratado com a dignidade e carinho que qualquer amigo merece.
E aqui, convém mandar um beijinho muito grande à minha Avó que te dispensou toda a atenção neste último ano e meio, ao meu Pai que me trouxe sempre a tua voz desde que esta aventura começou e à Xana, que nos apresentou naquele Natal de 97 e que contigo passou maior parte da tua vida.
Enche-me de alegria ter partilhado parte da minha vida com um ser como tu. Deixas-me saudades, muitas. Apetece-me gritar ao mundo como te adorava.
Esta dor passará. Eu sei que passará Sebastião.
Mas é intensa sabes? Muito.
É o normal entre amigos.
Na minha memória está guardado o teu espaço. Com um sorriso acenarei sempre que por lá passares.
Não demores muito. Ainda tenho um abraço para te dar.
Até sempre Sebastião.
Perdi a conta ao número de pessoas que gostavam de ti. Já nem me lembro de quantos te olhavam como um membro da família, uma companhia residente ou um "habitué" do local.
Num jantar, numa festa, num passeio ou em qualquer convívio era normal a tua presença.
Em regra, distribuias a tua baba acompanhada de muitos pedidos de festas. Na verdade foi tudo o que alguma vez pediste. Festas. Muitas e de forma a não deixar dúvidas. Também é verdade que nunca alguém foi capaz de as recusar. Quem não acha piada a um pequeno pónei de pernas para o ar e quem resiste a esses olhos profundos como o mar? Ninguém. Rigorosamente ninguém.
No que me diz respeito, há muito que havias ultrapassado a simples companhia. Eras um amigo. És um amigo.
E é por isso que a partida dói tanto. Eu sei que não falávamos a mesma língua, mas continuo a achar que me entendias na perfeição. O que fizeste durante estes anos? Afecto, afecto e mais afecto. Incondicionalmente ofereceste afecto a quem contigo conviveu. É isso que me atravessa a memória.
Sabes Sebastiao? É como se nada tivesse acontecido. O mundo real é algures cá em baixo e não é neste que estou. De vez em quando vem a frase, aquela maldita frase "o Sebastião morreu".
O Sebastião? O meu Sebastião? Mas porquê Sebastião? Porquê?
E nessa altura, por alguns segundos as lágrimas invadem-me a pele. Mas rapidamente volto para o meu mundo e nesse, o abraço que te dei não foi o último. Nesse, eu estou no aeroporto para te receber. Nesse, tu ainda tens muitas festas para receber.
Será que ainda há algo que possa fazer Sebastião? Seja o que for...eu faço, prometo que faço!
Grito para aqui porque não o consigo fazer em mais lado nenhum. Quero escrever e despejar toda esta dor. Como se as minha palavras te pudessem trazer de volta.
Gosto tanto de ti. Tinha tanta esperança que pudéssemos estar juntos novamente. Estava tão perto, tão perto Sebastião.
Apesar de saber que não mais terei a hipótese de te abraçar, fico feliz quando constato que ao longo destes 9 anos foste tratado com a dignidade e carinho que qualquer amigo merece.
E aqui, convém mandar um beijinho muito grande à minha Avó que te dispensou toda a atenção neste último ano e meio, ao meu Pai que me trouxe sempre a tua voz desde que esta aventura começou e à Xana, que nos apresentou naquele Natal de 97 e que contigo passou maior parte da tua vida.
Enche-me de alegria ter partilhado parte da minha vida com um ser como tu. Deixas-me saudades, muitas. Apetece-me gritar ao mundo como te adorava.
Esta dor passará. Eu sei que passará Sebastião.
Mas é intensa sabes? Muito.
É o normal entre amigos.
Na minha memória está guardado o teu espaço. Com um sorriso acenarei sempre que por lá passares.
Não demores muito. Ainda tenho um abraço para te dar.
Até sempre Sebastião.
domingo, outubro 15, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
A escala
Há dias maus. Daqueles em que a chuva estraga o ambiente, que o frio parece querer puxar dos galões ou que a cabeça está tão dorida que o horizonte parece uma linha do imaginário. Nesses dias fico quieto e ouço música ou tomo um aspegic.
Depois há aquele tipo de dias em que tudo corre mal. Trocamos tudo, baralhamos acções, não acertamos o passo. Queremos mas não conseguimos. Neste caso corro o mais que posso, esponjo-me no sofá e vejo um filme que não me obrigue a pensar. Durmo e espero pela manhã seguinte.
Depois há os dias como o de hoje. Aqueles cujo sentimento reinante se assemelha ao que teríamos se nos sentássemos num cacto com cuecas de seda. Nesses dias, eu actualizo o meu CV e envio-o.
Bom fim-de-semana.
Depois há aquele tipo de dias em que tudo corre mal. Trocamos tudo, baralhamos acções, não acertamos o passo. Queremos mas não conseguimos. Neste caso corro o mais que posso, esponjo-me no sofá e vejo um filme que não me obrigue a pensar. Durmo e espero pela manhã seguinte.
Depois há os dias como o de hoje. Aqueles cujo sentimento reinante se assemelha ao que teríamos se nos sentássemos num cacto com cuecas de seda. Nesses dias, eu actualizo o meu CV e envio-o.
Bom fim-de-semana.
quinta-feira, outubro 12, 2006
E não é que está gira?
O dia chega ao fim.
Encosto a cabeça e deixo a música entrar.
Obrigado Mariza por safares o Timóteo.
Amanhã há mais.
Encosto a cabeça e deixo a música entrar.
Obrigado Mariza por safares o Timóteo.
Amanhã há mais.
O Euzebiusz
Acabo de ler aqui que este Sumol é filho do outro Sumol que nos entalou em 86...
Custava-lhe muito respeitar quem lhe deu o nome???
Custava-lhe muito respeitar quem lhe deu o nome???
O esquisito
Talvez eu seja um gajo esquisito.
Talvez encare o detalhe como uma obra de arte.
Pode ser que seja isso...
Mas continuo a pensar: serei o único nesta sala que tem um comportamento normal?
Terei perdido a noção do que faz sentido? Normalmente quando nós estamos bem e o resto do mundo mal, é melhor começar a rever tudo. Em regra somos nós que estamos mal...mas neste caso ....huuummm.
Vejamos:
- Há um cromo que chupa maçãs o dia todo e nos intervalos chupa café. Quando não faz uma coisa nem outra pragueja para o computador em inglês digno de qualquer doca. Pelo menos 5 vezes por dia arrota de boca aberta e diz: "Ohhhhh F*** !!" Em qualquer um dos casos a banda sonora está garantida.
- Há outro que sempre que me quer pedir qualquer coisa, por muito complexa que seja, faz circulos com a mão na mesa ou desenha quadrados numa folha de papel. Todo e qualquer desenvolvimento de software se resume a essas duas formas geométricas. O engraçado é que ele acredita piamente que eu realmente entendo o que ele quer dizer...
(agora tenho que fazer uma pausa porque me lembrei de outro artista das figuras geométricas)
Quando andava no ciclo, na escola de Vila do Porto (Santa Maria), tinha um professor de educação visual que me corrigia de 10 em 10 minutos com os "circulos". "Circulos, chamam-se circulos!!", repetia ele de cada vez que eu me queixava das "bolas" que o mau jeito me impedia de desenhar na perfeição.
Nessa altura, lembro-me das dificuldades extremas de desenhar com tinta da china sem borrar tudo...o que acho nunca aconteceu. As minhas "bolas" de então, desenhadas num papel enrugado com o suor das mãos e bem salpicadas de tinta da china, seriam hoje valiosas caso o meu último nome fosse Miró.
Esse meu professor era bastante simpático, paciente e engraçado, pelo menos eu achava piada ao "pá" que ele usava como muleta para disfarçar a gaguez.
Não havia aula que não chegasse perto de mim com a sua emblemática frase: "Epá Tiago, já está tudo borrado de tinta-pá-da-china, pá!!"
Ficou para todo o sempre o "tinta-pá-da-china" e sempre que este sueco começa a desenhar circulos (não são bolas!!) com a mão, lembro-me do saudoso "tinta-pá-da-china"!!!
Voltando ao tema...
- Chegou um alemão esta semana que se assoa de 10 em 10 minutos, com uma sonoridade e fôlego, que faria inveja a muito dotado saxofonista de jazz
- Há também aquele artista que limpa a boca 7 vezes entre cada garfada e olha para a cadeira 10 minutos antes de se sentar.
- Outro alemão (carinhosamente chamado Donkey) sempre que vem falar comigo diz "olááááá Tiago" com um sorriso rasgado, que mantém durante 20 segundos enquanto fica parado de olhos bem abertos na minha frente. Para ser simpático retribuo o sorriso e aguento as dores no maxilar sorrindo de igual forma durante esse período de silêncio, no qual me entretenho a pensar: "Mas o que é que este gajo quer?? Porque é que não começa a falar depois do olá???"
- Outro acha perfeitamente normal meter o indicador e o polegar em simultâneo na boca, puxando todo e qualquer resto esquecido no maxilar superior, deliciando-se posteriormente com tão sumptuoso repasto enquanto fala à minha frente, numa distância compreendida entre os 10 e 20 cm.
Por vezes sinto-me como aquele ministro do Saddam que dizia em directo para a Al Jazzera que não havia invasores em Bagdad, que o exército iraquiano estava a fazer o agressor bater em retirada, etc,etc e do outro lado da rua já se comia por 3 eur no McDonald's.
Talvez os detalhes me ocupem muito espaço no processamento cerebral ou o meu conceito de normalidade seja muito pouco tolerante.
Pode ser....pode ser isso.
(...)
(yoga para reflectir...)
(...)
Não pá! Não pode ser nada! Estes gajos são mesmo esquisitos!
Talvez encare o detalhe como uma obra de arte.
Pode ser que seja isso...
Mas continuo a pensar: serei o único nesta sala que tem um comportamento normal?
Terei perdido a noção do que faz sentido? Normalmente quando nós estamos bem e o resto do mundo mal, é melhor começar a rever tudo. Em regra somos nós que estamos mal...mas neste caso ....huuummm.
Vejamos:
- Há um cromo que chupa maçãs o dia todo e nos intervalos chupa café. Quando não faz uma coisa nem outra pragueja para o computador em inglês digno de qualquer doca. Pelo menos 5 vezes por dia arrota de boca aberta e diz: "Ohhhhh F*** !!" Em qualquer um dos casos a banda sonora está garantida.
- Há outro que sempre que me quer pedir qualquer coisa, por muito complexa que seja, faz circulos com a mão na mesa ou desenha quadrados numa folha de papel. Todo e qualquer desenvolvimento de software se resume a essas duas formas geométricas. O engraçado é que ele acredita piamente que eu realmente entendo o que ele quer dizer...
(agora tenho que fazer uma pausa porque me lembrei de outro artista das figuras geométricas)
Quando andava no ciclo, na escola de Vila do Porto (Santa Maria), tinha um professor de educação visual que me corrigia de 10 em 10 minutos com os "circulos". "Circulos, chamam-se circulos!!", repetia ele de cada vez que eu me queixava das "bolas" que o mau jeito me impedia de desenhar na perfeição.
Nessa altura, lembro-me das dificuldades extremas de desenhar com tinta da china sem borrar tudo...o que acho nunca aconteceu. As minhas "bolas" de então, desenhadas num papel enrugado com o suor das mãos e bem salpicadas de tinta da china, seriam hoje valiosas caso o meu último nome fosse Miró.
Esse meu professor era bastante simpático, paciente e engraçado, pelo menos eu achava piada ao "pá" que ele usava como muleta para disfarçar a gaguez.
Não havia aula que não chegasse perto de mim com a sua emblemática frase: "Epá Tiago, já está tudo borrado de tinta-pá-da-china, pá!!"
Ficou para todo o sempre o "tinta-pá-da-china" e sempre que este sueco começa a desenhar circulos (não são bolas!!) com a mão, lembro-me do saudoso "tinta-pá-da-china"!!!
Voltando ao tema...
- Chegou um alemão esta semana que se assoa de 10 em 10 minutos, com uma sonoridade e fôlego, que faria inveja a muito dotado saxofonista de jazz
- Há também aquele artista que limpa a boca 7 vezes entre cada garfada e olha para a cadeira 10 minutos antes de se sentar.
- Outro alemão (carinhosamente chamado Donkey) sempre que vem falar comigo diz "olááááá Tiago" com um sorriso rasgado, que mantém durante 20 segundos enquanto fica parado de olhos bem abertos na minha frente. Para ser simpático retribuo o sorriso e aguento as dores no maxilar sorrindo de igual forma durante esse período de silêncio, no qual me entretenho a pensar: "Mas o que é que este gajo quer?? Porque é que não começa a falar depois do olá???"
- Outro acha perfeitamente normal meter o indicador e o polegar em simultâneo na boca, puxando todo e qualquer resto esquecido no maxilar superior, deliciando-se posteriormente com tão sumptuoso repasto enquanto fala à minha frente, numa distância compreendida entre os 10 e 20 cm.
Por vezes sinto-me como aquele ministro do Saddam que dizia em directo para a Al Jazzera que não havia invasores em Bagdad, que o exército iraquiano estava a fazer o agressor bater em retirada, etc,etc e do outro lado da rua já se comia por 3 eur no McDonald's.
Talvez os detalhes me ocupem muito espaço no processamento cerebral ou o meu conceito de normalidade seja muito pouco tolerante.
Pode ser....pode ser isso.
(...)
(yoga para reflectir...)
(...)
Não pá! Não pode ser nada! Estes gajos são mesmo esquisitos!
quarta-feira, outubro 11, 2006
Smolarek? Pode ser um de laranja sff !
O puzzle
Li no Blasfémias que a Ryan Air abriu duas novas ligações para Portugal (Porto/Faro - Madrid).
Já tinha visto no Metro que a mesma Ryan Air estabelecera uma nova rota entre Madrid e Gotemburgo.
Não resisti a fazer uma simulação em www.ryanair.com
Por menos de 20 contos estaria a comer pastéis de belém acabadinhos de sair, com uma fauna abundante de bigodaças em redor.
De repente senti o meu bolso mais confortável e a minha pele mais quente.
Pode ser um mero exercício de ilusão, mas sabe bem.
Já tinha visto no Metro que a mesma Ryan Air estabelecera uma nova rota entre Madrid e Gotemburgo.
Não resisti a fazer uma simulação em www.ryanair.com
Por menos de 20 contos estaria a comer pastéis de belém acabadinhos de sair, com uma fauna abundante de bigodaças em redor.
De repente senti o meu bolso mais confortável e a minha pele mais quente.
Pode ser um mero exercício de ilusão, mas sabe bem.
O Tágio
- Olá Sr. Lars, o meu nome é Tiago e estou a ligar por causa do anúncio na internet.
- Olá. Está interessado na casa? Como disse que era o seu nome?
- Tiago, é Tiago.
- Ok. E Tágio, diga-me lá. De que país chega?
- De Portugal, venho de Portugal e chamo-me Tiago.
- Ahhh Portugaaal...humhum...estou a ver. E tem emprego?
- Sim, sim e até já tenho identificação sueca e tudo. Posso legalmente entrar no clube de video e alugar um filme.
- Ahh...assim sim Tágio. E quer ver a casa?
- Claro Sr.Lars, até estou aqui por perto...
- Muito bem. Suba então.
(já em casa)
- Muito giro e tal, blábláblá, renda não sei quê, blábláblá e por isso sim. Ficamos com ela.
- Muito bem. Parecem simpáticos e por isso fico mais descansado Tágio....como disse que era o seu nome? Não o quero pronunciar de forma esquisita.
- Tiago. Tiiii-ááááá-guuuuuu.
- Ahh....Tiii-á-gue!!
- Não, não Sr. Lars.....Tiiiiii-áááá-guuuuuuu!!! Como o Santiago de Espanha, mas sem o "San".
- Ti-á-gô !!
- Exacto Sr. Lars!
(1 semana depois no IKEA, onde mais poderia ser?)
- Olá Sr. Lars, que surpresa vê-lo.
- Olá como estão? Falta algo na casa que precisem aqui do IKEA?
- Não, não...íamos a caminho da praia e parámos para um xixi.
- Olhem, deixem-me apresentar-vos a minha namorada. Inga, este é o tal casal de portugueses: a Sofia e o Tágio.
- Franco...Tágio Franco. Muito prazer Inga!
- Olá. Está interessado na casa? Como disse que era o seu nome?
- Tiago, é Tiago.
- Ok. E Tágio, diga-me lá. De que país chega?
- De Portugal, venho de Portugal e chamo-me Tiago.
- Ahhh Portugaaal...humhum...estou a ver. E tem emprego?
- Sim, sim e até já tenho identificação sueca e tudo. Posso legalmente entrar no clube de video e alugar um filme.
- Ahh...assim sim Tágio. E quer ver a casa?
- Claro Sr.Lars, até estou aqui por perto...
- Muito bem. Suba então.
(já em casa)
- Muito giro e tal, blábláblá, renda não sei quê, blábláblá e por isso sim. Ficamos com ela.
- Muito bem. Parecem simpáticos e por isso fico mais descansado Tágio....como disse que era o seu nome? Não o quero pronunciar de forma esquisita.
- Tiago. Tiiii-ááááá-guuuuuu.
- Ahh....Tiii-á-gue!!
- Não, não Sr. Lars.....Tiiiiii-áááá-guuuuuuu!!! Como o Santiago de Espanha, mas sem o "San".
- Ti-á-gô !!
- Exacto Sr. Lars!
(1 semana depois no IKEA, onde mais poderia ser?)
- Olá Sr. Lars, que surpresa vê-lo.
- Olá como estão? Falta algo na casa que precisem aqui do IKEA?
- Não, não...íamos a caminho da praia e parámos para um xixi.
- Olhem, deixem-me apresentar-vos a minha namorada. Inga, este é o tal casal de portugueses: a Sofia e o Tágio.
- Franco...Tágio Franco. Muito prazer Inga!
No mesmo prato...
...e bem misturado encontrei arroz, milho, banana, galinha, bróculos, repolho, chili e amendoins.
"Almoço" era como lhe chamavam. "Amendoins??", pensava eu.
Triturei e gostei.
Mais integrado do que isto, só com cuecas de couro, tranças no cabelo e capacete com chifres...
"Almoço" era como lhe chamavam. "Amendoins??", pensava eu.
Triturei e gostei.
Mais integrado do que isto, só com cuecas de couro, tranças no cabelo e capacete com chifres...
No "King"
Não consigo deixar de me surpreender diariamente com as ciclovias. Talvez denote um certo espírito rural, mas fico fascinado com as condições proporcionadas aos ciclistas. Estradas com duas faixas de rodagem, linhas pintadas no chão, placas de direcção em cada cruzamento, pequenos semáforos com o símbolo da bicicleta, viadutos, tuneis, parques de estacionamento. Sinto-me no "mundo encantado da playmobil", mas desta vez o "boneco" sou eu.
Rodávamos no outro dia numa destas vias quando passámos por um pequeno cinema. Na porta estavam anunciados 3 filmes, sendo que um deles era o "Volver" do Almodovar. Pensámos: "Será o King cá do sítio?". Até ao momento ainda só tínhamos descoberto o "Colombo", o "Vasco da Gama" e as suas doses maciças de "Born in Hollywood" regadas com litros de Cola e toneladas de pipocas (e gomas).
Foi uma alegria geral quando percebemos que aquele espaço passava filmes que em Lisboa costumam aparecer no King ou no Quarteto e em Setúbal, essa bela localidade, no Charlot.
Ontem fomos até lá ver um filme de produção europeia, que retrata a década de 20 na Rep. da Irlanda, no antes e depois da assinatura do tratado com Londres. Para quem viu o "Michael Collins", este filme vai um pouco mais além no período histórico abordado e mostra parte do conflito que estalou entre a facção que concordava com o tratado e a que exigia a independência total da coroa.
É um relato cru e duro de uma das épocas mais sangrentas da história da Rep. da Irlanda. Deixa um pouco de lado o conceito de "luta popular contra o invasor" (embora o ódio aos ingleses seja uma constante) para se centrar mais no indivíduo e na crença de determinado ideal. Há cenas que não me sairão tão cedo da cabeça. Não é um filme fácil de "encaixar" porque contém uma série de momentos que impressionam, tanto durante a ocupação inglesa como depois.
Por outro lado, é absolutamente impossível sair da sala de cinema indiferente. O filme toca-nos, mexe com os nossos sentimentos e faz-nos pensar. A realização está dividida por vários países (entre os quais a Inglaterra e a Rep.Irlanda) e talvez por isso, se evite o clássico conceito "bons" vs "maus".
O Homem e a defesa a qualquer custo dos seus ideiais, parece-me uma boa frase de síntese.
O título original é "THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY" e para quem quiser saber mais qualquer coisa, pode dar um salto aqui.
Rodávamos no outro dia numa destas vias quando passámos por um pequeno cinema. Na porta estavam anunciados 3 filmes, sendo que um deles era o "Volver" do Almodovar. Pensámos: "Será o King cá do sítio?". Até ao momento ainda só tínhamos descoberto o "Colombo", o "Vasco da Gama" e as suas doses maciças de "Born in Hollywood" regadas com litros de Cola e toneladas de pipocas (e gomas).
Foi uma alegria geral quando percebemos que aquele espaço passava filmes que em Lisboa costumam aparecer no King ou no Quarteto e em Setúbal, essa bela localidade, no Charlot.
Ontem fomos até lá ver um filme de produção europeia, que retrata a década de 20 na Rep. da Irlanda, no antes e depois da assinatura do tratado com Londres. Para quem viu o "Michael Collins", este filme vai um pouco mais além no período histórico abordado e mostra parte do conflito que estalou entre a facção que concordava com o tratado e a que exigia a independência total da coroa.
É um relato cru e duro de uma das épocas mais sangrentas da história da Rep. da Irlanda. Deixa um pouco de lado o conceito de "luta popular contra o invasor" (embora o ódio aos ingleses seja uma constante) para se centrar mais no indivíduo e na crença de determinado ideal. Há cenas que não me sairão tão cedo da cabeça. Não é um filme fácil de "encaixar" porque contém uma série de momentos que impressionam, tanto durante a ocupação inglesa como depois.
Por outro lado, é absolutamente impossível sair da sala de cinema indiferente. O filme toca-nos, mexe com os nossos sentimentos e faz-nos pensar. A realização está dividida por vários países (entre os quais a Inglaterra e a Rep.Irlanda) e talvez por isso, se evite o clássico conceito "bons" vs "maus".
O Homem e a defesa a qualquer custo dos seus ideiais, parece-me uma boa frase de síntese.
O título original é "THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY" e para quem quiser saber mais qualquer coisa, pode dar um salto aqui.
terça-feira, outubro 10, 2006
Sebastião (10/10/97)

Se eu tivesse hipótese era isto que te fazia.
Uma festa. Uma bela festa com ambas as mãos para te conseguir apanhar essa cabeça do tamanho do mundo. Depois apertava-te um pouco as bochechas e nem me importaria quando me oferecesses um pouco de baba quente. Limpar-me-ia às calças para evitar o "efeito gel" na tua cabeça em novo apertão. Depois abraçava-te enquanto repousavas o queixo no meu ombro. De seguida, com uma lista de baba no ombro a combinar com a da calças, levantar-me-ia e olharia para ti. Apenas para contemplar esse teu eterno olhar de pachorrento.
Depois dava-te algo proibido. Aquelas coisas que o meu pai te dava por baixo da mesa e que tu por norma não recusavas. Um bolo, presunto, sei lá...qualquer coisa que não venha no saco da racção. Eu sei que não és esquisito. Se te oferecem sardinhas enquanto passas não recusas, se um miúdo come uma sandes à beira-mar tu ajudas, se alguém abre a porta do frigorífico tu acordas, se alguém mexe num plástico tu levantas as orelhas (pode ser que seja um donuts, uma bolacha,etc,etc). Se alguém come tu sentas-te a 10 cm e fazes o "olhar-tenho-tanta-fome" ou o clássico "estou-tão-magrinho", que em 95% das vezes resulta em gulodice extra. Falta de apetite nunca foi o teu problema. Lembro-me das recomendações do médico quando eras pequeno: açucar em demasia pode provocar cegueira, ossos finos podem romper o estômago e mais uma panóplia de coisas. Quando eu dizia que não ias ter com o meu pai que dizia: "coitado do cão, só come chocapic!". Era o teu tiro de sorte...uma fatia de queijo, um pedaço de pão (com manteiga, que seco fica açorda no meio da baba ), uma bolacha e por aí fora. Só as uvas é que te aborreciam. Saltavam muito e não as conseguias comer. Mesmo assim, habituei-me também a dizer menos vezes não. Na altura de ir passear levava sempre qualquer coisa a dobrar para dividir contigo. Tal como eu, também ficaste fã dos míticos biscoitos de orelha, de Santa Maria. Hoje é dia de festa. Sim, desde aquele momento em que nasceste na pátria dos Hunos, já passaram 9 anos.
A minha avó deve estar a acordar. Vou ligar para te ouvir. Como é o teu aniversário ela vai deixar-te entrar na sala para te aproximares do telefone.
Se não for assim, vou mover as minhas influências no local e pelo menos o queque de laranja está garantido. Não te preocupes!
segunda-feira, outubro 09, 2006
O miradouro
Fogo de artifício em Gotemburgo (ontem à noite)

Há ideias que o passar do anos amadurecem. Há pensamentos que se reformulam, teorias que se adaptam, momentos que se diluem nas águas do passado. Lembro-me de filosofias lançadas em noites de luar alentejano, de resoluções debatidas no reflexo do Tejo, de cenários tão perfeitamente imaginados que a sua não realização parecia um ultraje.
Não posso dizer que mantenha todos os conceitos com que cresci. Alguns também cresceram (evoluiram?) comigo, outros simplesmente desapareceram. Há um cuja definição se mantém para mim inalterada: felicidade. Não existe como modo de vida. Vive-se a espaços, tão só e apenas. Isso gera em mim uma série de questões, começadas invariavelmente por: "e agora, estás feliz?". Segue-se a constante procura e o infindável cansaço. Planos, objectivos, metas. Traçá-los estabelece o trilho, alcançá-los provoca a felicidade. Mas...e depois? Já está? Já acabou? Começam novos objectivos, novos trilhos, nova busca...o mesmo cansaço.
Passo às coisas mais simples. Os meus familiares estão bem. A Mariana já dá pontapés com fartura e para a semana deve estar "cá fora". O Sebastião está gordo e fala com a minha avó. O meu irmão gosta do novo curso e o futuro parece mais fácil.
Os amigos mais próximos fazem-se notar e não negam as palavras. Todos os pedaços que me formam parecem estar em ordem. Não consigo parar de me preocupar, nunca consigo, não é do meu feitio. Seguro em várias cordas as peças deste puzzle que sou eu. Como qualquer outro ser humano. Uma voz, umas palavras, uma notícia. A felicidade vivida no momento que a define, com a intensidade que o afecto escolhe.
A pergunta repete-se: "Feliz?". Olho então para dentro e observo em redor. Perto de mim tudo parece feito por medida, tudo se parece encaixar, tudo parece ser como sonhei em questionários internos a mim mesmo.
"Feliz então?", volto a insistir.
Como se procurasse um miradouro. Nesse miradouro apenas um banco. Silêncio, paz, descanso e uma vista dislumbrante. Lá sentado eu diria: "Finalmente cheguei e que feliz isso me deixa. Estou descansado."
Depois percebo que não é bem assim.
Quanto mais procuro, mais tenho a certeza que não existe...ou pelo menos não existe como um destino. É apenas um ponto de passagem. Nisso sim, nisso acredito piamente. Todos os dias passo por esse miradouro, sento-me e respiro fundo. Aprecio a paisagem e sigo caminho. Se lá ficasse parado deixaria de ser eu. Percebo agora isso. O que me deixa feliz.
sexta-feira, outubro 06, 2006
O céu
Já há algum tempo que não experimentava esta sensação.
Olhar para cima e não ver o azul do céu, o dourado do sol ou os contornos das nuvens.
Gosto de um "céu definido". Daqueles onde se percebe o fim de uma nuvem e o início de outra, sempre com um fundo azul celeste. Como aqueles que todos desenhámos no jardim escola. A árvore em cima de terra castanha e de copa verde, as nuvens gordas e esponjosas e o sol, sempre no cantinho da folha, de amarelo pintado e com um sorriso radioso. É esse o céu que gosto.
Nunca parei muito tempo a pensar nisso. Talvez porque toda a vida vivi debaixo desse céu e nunca lhe dei a importância devida. Será por isso que todos o desenhávamos da mesma forma? Teríamos todos a mesma "musa"?
Por esta altura do ano, quando o sol nasce já eu estou a meio caminho do trabalho. Hoje esperei, esperei, mas nada. Não apareceu de manhã, não apareceu na hora de almoço e já não aparecerá. Todo o dia debaixo de uma cortina de cinzento.
O verão foi anormalmente longo para estes lados e já me tinha habituado ao sol novamente. Deduzo que seja a chegada do frio e do tempo mais escuro, anunciado nesta obscura cortina que mandou o sol para outras paragens. Talvez por isso me tenha lembrado do "meu céu", talvez por isso constate como são importantes alguns detalhes a que nunca liguei. Tudo parece mais fácil, alegre e feliz quando acompanhado pela luz.
A adaptação, a verdadeira integração neste novo espaço geográfico acontece quando as diferenças são marcantes. A chuva, a neve e o frio, obrigam a uma busca de actividades nada comuns para um europeu do sul. Todos têm os seus "hobbies", de forma a enfrentarem as longas estadias caseiras no período que se aproxima. É normal coleccionarem carros com mais de 50 anos e passarem o inverno enfiados nas garagens a brincar aos "bate-chapas". Não é o meu estilo sinceramente. Ainda me lembro da cara de espanto (e estupefacção!!) do meu pai quando abrimos um "capot" de um carro pela primeira vez e eu não sabia qual era o cabo do acelerador. "Como é que não sabes??", perguntava ele. Eu sou aquele tipo de homem que quando o carro tem uma avaria não vai a correr abrir o "capot" e olhar para o motor com cara de caso. É indiferente fazê-lo ou não. Depois, tenho a certeza que o melhor que conseguiria era partir algo, o que também não ajuda. Sinceramente brincar aos "bate-chapas" não me seduz. Até sou "caseiro", até gosto de "engonhar" pela casa, mas quantos livros de podem ler, quantos filmes se podem ver, quanto karaokes se podem cantar na playstation antes de ficar farto?
Eles têm as rotinas já definidas porque toda a vida viveram assim. "Não há mau tempo na Suécia, só há roupas inadequadas", dizem eles. Se chove vestem o fato impermeável e vão fazer jogging, vão para os ginásios ou usam um casaco melhor para andar na bicicleta. Se neva, tiram os skis to armário e vão andar à volta de casa. Adaptam as acções do dia ao que o dia lhes permite. E depois, acho-os "rijos". Não se encolhem com a chuva, com a neve ou com o frio. Os putos deixam de "chapinhar" nos lagos e passam a rebolar-se na neve. Ver tudo isto é muito giro, mas não tão fácil de "seguir".
É como se o último passo ficasse por dar. Eu acho que a verdadeira integração numa sociedade passa por adaptar como próprios, os costumes locais. Se eles fazem algo com uma camisola para combater o frio, eu farei com duas, mas não deixarei de fazer.
Sou normalmente optimista e penso em tudo antecipadamente aí uns.....bem uns.....epá....3,4 seg antes de acontecer. O que significa que sabendo de antemão o frio que iria enfrentar, pensei sempre: "Na altura desenrasco-me". O primeiro inverno foi passado no "quente" de casa, tipo urso polar. Cheguei em fevereiro e só queria tentar fugir do frio. Agora, já o enfrentarei de uma forma mais tradicional, não abdicando de actividades exteriores.
Há pouco tempo uma amiga perguntava-me se já me tinha arrependido de ter saído de Portugal. Honestamente, continuo a achar que não existe o sítio perfeito. Por muito que procure, haverá sempre algo que não me agradará. Mais por defeito meu do que propriamente do local. Por aqui, os ventos frios do norte são certamente o que mais me desagrada e o que mais pesa no lado "mau" da balança. Contudo, ainda não chega sequer para equilibrar com o lado "bom" da balança, que dia após dia me vai provando que o frio até se aguenta e é um mal menor.
Apesar disso, não deixo de notar como o cinzento do dia altera o meu estado de espírito, deixando-me mais melancólico e triste. É também uma sensação nova, a que terei que me habituar. Em Portugal, por ter um céu tão radioso e uma quase constante luminosidade, nunca percebi a sua influência no meu bem estar. Aprendi a dar-lhe valor, o que já não é mau.
Olhar para cima e não ver o azul do céu, o dourado do sol ou os contornos das nuvens.
Gosto de um "céu definido". Daqueles onde se percebe o fim de uma nuvem e o início de outra, sempre com um fundo azul celeste. Como aqueles que todos desenhámos no jardim escola. A árvore em cima de terra castanha e de copa verde, as nuvens gordas e esponjosas e o sol, sempre no cantinho da folha, de amarelo pintado e com um sorriso radioso. É esse o céu que gosto.
Nunca parei muito tempo a pensar nisso. Talvez porque toda a vida vivi debaixo desse céu e nunca lhe dei a importância devida. Será por isso que todos o desenhávamos da mesma forma? Teríamos todos a mesma "musa"?
Por esta altura do ano, quando o sol nasce já eu estou a meio caminho do trabalho. Hoje esperei, esperei, mas nada. Não apareceu de manhã, não apareceu na hora de almoço e já não aparecerá. Todo o dia debaixo de uma cortina de cinzento.
O verão foi anormalmente longo para estes lados e já me tinha habituado ao sol novamente. Deduzo que seja a chegada do frio e do tempo mais escuro, anunciado nesta obscura cortina que mandou o sol para outras paragens. Talvez por isso me tenha lembrado do "meu céu", talvez por isso constate como são importantes alguns detalhes a que nunca liguei. Tudo parece mais fácil, alegre e feliz quando acompanhado pela luz.
A adaptação, a verdadeira integração neste novo espaço geográfico acontece quando as diferenças são marcantes. A chuva, a neve e o frio, obrigam a uma busca de actividades nada comuns para um europeu do sul. Todos têm os seus "hobbies", de forma a enfrentarem as longas estadias caseiras no período que se aproxima. É normal coleccionarem carros com mais de 50 anos e passarem o inverno enfiados nas garagens a brincar aos "bate-chapas". Não é o meu estilo sinceramente. Ainda me lembro da cara de espanto (e estupefacção!!) do meu pai quando abrimos um "capot" de um carro pela primeira vez e eu não sabia qual era o cabo do acelerador. "Como é que não sabes??", perguntava ele. Eu sou aquele tipo de homem que quando o carro tem uma avaria não vai a correr abrir o "capot" e olhar para o motor com cara de caso. É indiferente fazê-lo ou não. Depois, tenho a certeza que o melhor que conseguiria era partir algo, o que também não ajuda. Sinceramente brincar aos "bate-chapas" não me seduz. Até sou "caseiro", até gosto de "engonhar" pela casa, mas quantos livros de podem ler, quantos filmes se podem ver, quanto karaokes se podem cantar na playstation antes de ficar farto?
Eles têm as rotinas já definidas porque toda a vida viveram assim. "Não há mau tempo na Suécia, só há roupas inadequadas", dizem eles. Se chove vestem o fato impermeável e vão fazer jogging, vão para os ginásios ou usam um casaco melhor para andar na bicicleta. Se neva, tiram os skis to armário e vão andar à volta de casa. Adaptam as acções do dia ao que o dia lhes permite. E depois, acho-os "rijos". Não se encolhem com a chuva, com a neve ou com o frio. Os putos deixam de "chapinhar" nos lagos e passam a rebolar-se na neve. Ver tudo isto é muito giro, mas não tão fácil de "seguir".
É como se o último passo ficasse por dar. Eu acho que a verdadeira integração numa sociedade passa por adaptar como próprios, os costumes locais. Se eles fazem algo com uma camisola para combater o frio, eu farei com duas, mas não deixarei de fazer.
Sou normalmente optimista e penso em tudo antecipadamente aí uns.....bem uns.....epá....3,4 seg antes de acontecer. O que significa que sabendo de antemão o frio que iria enfrentar, pensei sempre: "Na altura desenrasco-me". O primeiro inverno foi passado no "quente" de casa, tipo urso polar. Cheguei em fevereiro e só queria tentar fugir do frio. Agora, já o enfrentarei de uma forma mais tradicional, não abdicando de actividades exteriores.
Há pouco tempo uma amiga perguntava-me se já me tinha arrependido de ter saído de Portugal. Honestamente, continuo a achar que não existe o sítio perfeito. Por muito que procure, haverá sempre algo que não me agradará. Mais por defeito meu do que propriamente do local. Por aqui, os ventos frios do norte são certamente o que mais me desagrada e o que mais pesa no lado "mau" da balança. Contudo, ainda não chega sequer para equilibrar com o lado "bom" da balança, que dia após dia me vai provando que o frio até se aguenta e é um mal menor.
Apesar disso, não deixo de notar como o cinzento do dia altera o meu estado de espírito, deixando-me mais melancólico e triste. É também uma sensação nova, a que terei que me habituar. Em Portugal, por ter um céu tão radioso e uma quase constante luminosidade, nunca percebi a sua influência no meu bem estar. Aprendi a dar-lhe valor, o que já não é mau.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Solidariedade
Manuela Moura Guedes vai "voltar" (acho piada a este termo neste contexto) a cantar por causas solidárias.
Rui Veloso será o companheiro de tão dedicada tarefa, o que não se pode deixar de considerar um acto de solidariedade para com a MMG e espectadores da TVI.
Rui Veloso será o companheiro de tão dedicada tarefa, o que não se pode deixar de considerar um acto de solidariedade para com a MMG e espectadores da TVI.
"With the sound of music..."
Falando em música, acabei de ter o meu momento cultural do dia.
Um arroto anunciando um pequeno almoço de ovos e bacon ecoou nestas paredes.
De seguida o regozijo do dever cumprido com um :"Ohhh mennnnn!!" de imediato secundado com o refrão de "Música no Coração".
Meus amigos, isto é pura arte em movimento.
Ainda bem que o único Neo-Zelandês presente na Escandinávia se senta a meio metro de mim...
Um arroto anunciando um pequeno almoço de ovos e bacon ecoou nestas paredes.
De seguida o regozijo do dever cumprido com um :"Ohhh mennnnn!!" de imediato secundado com o refrão de "Música no Coração".
Meus amigos, isto é pura arte em movimento.
Ainda bem que o único Neo-Zelandês presente na Escandinávia se senta a meio metro de mim...
Pagam?
Dizem-me que as músicas que passam na rádio têm direitos de autor. Ou seja, cada vez que passam um tema, são obrigados a pagar uma quantia que reverte a favor do autor/grupo que a fez. Isso já justifica a enormidade de antiguidades que se ouve nas antenas do FM. Talvez haja um "pack" de leve 10 e pague 5, se incluirem os Roxette, a Cindy Lauper, a Mariah Carey, a Whitney Houston, o M. Jackson (na fase: "...for you and for me and the entire human race... ") e os Technotronic (sim, também já ouvi...). Até me parece um sistema justo e talvez evite que os músicos morram à fome, mas o que me deixou a pensar foi o que de seguida me perguntaram: "Não acontece o mesmo em Portugal?".
Sinceramente não sei. Ao que parece esta lei dos direitos de autor é "mundial" (se é que isso existe), não se restringe a um país ou a um estado.
Nunca tal ouvi em Portugal. Será que as nossas rádios pagam direitos de autor por cada música que tocam?
Fiquei curioso. Gostava de saber.
Sinceramente não sei. Ao que parece esta lei dos direitos de autor é "mundial" (se é que isso existe), não se restringe a um país ou a um estado.
Nunca tal ouvi em Portugal. Será que as nossas rádios pagam direitos de autor por cada música que tocam?
Fiquei curioso. Gostava de saber.
O teatro
Nós homens somos uns seres, no mínimo estranhos, para não dizer limitados.
Quando nos aproximamos uns dos outros, não levantamos a perna junto a uma árvore, não nos cheiramos ou lambemos, mas temos os nossos rituais.
A forma mais fácil para uma primeira abordagem, é o clássico tema da bola, dos carros, dos copos ou quem sabe de uma outra loura, se o nivel de "sou-o-maior-lá-da-rua" de um dos "aproximantes" for elevado.
Este ritual não se restringe à tasca do Xico em Cuba do Alentejo ou às oficinas da Lisnave em Cacilhas. Acontece à escala planetária.
Enquanto escrevo, está um chinês do outro lado do mundo a dizer: "Então e o nosso Bê-Fica-san?". É um fenómeno global.
Assim sendo, quando percebem que não sou sueco (o que não é facil porque ao longe pareço o Bnorj Borg, mas mais alto) usam uma destas aproximações clássicas. Carros, por serem o tema de trabalho, não têm tanta piada e poupa-me a algumas vergonhas que passei no meu antigo emprego. Lembro-me do primeiro colega com quem trabalhei (na 1a semana) que me bombardeava com perguntas do modelo x1, v2, z4 ou y7, julgando-me também um aficionado (como 90% das pessoas que trabalham com carros), mas infelizmente (para ele) eu não era um companheiro à altura. Nunca liguei a carros e depois de trabalhar nesse ramo, ainda lhes ligo menos. Lembro-me do "carinho" com que me mostrou as suas fotografias do carro nos pastéis de belém. Eu achei estranho alguém ir aos pasteis com o carro, mas se calhar além do sumol e galão, também servem 1/4 de oleo fresco para acompanhar. Adiante.
O tema dos copos também não é o ideal porque como apanham bebedeiras monstruosas ao fim-de-semana, durante o resto do tempo convém esquecer as figuras tristes. Mulheres...bom, mulheres não porque aqui ainda não desenvolveram o assobio ao ponto de o lançarem do 4ö andar de um andaime, acompanhado da devida legenda de caractér gustativo.
Ora isto quer dizer que sobra a bola. A clássica bola. Para eles a coisa é simples. Internamente pouco mais há do que amadores com boa vontade, pelo que seguem com especial afinco o que alguns compatriotas fazem no estrangeiro. O mesmo é dizer que passam os jogos dessas equipas. O herói nacional do momento chama-se Zlatan Ibrahimovic (e que por acaso é descendente de croatas) e joga na mesma equipa do Figo, que por sua vez é casado com uma sueca (do norte! Essas diferenças também existem por aqui....).
Quando entre eles dizem: "Epá, aquele gajo afinal não é o Bjorn Borg!!" e percebem que sou português, recorrem aos cérebros tripartidos (1 parte bola, 1 parte copos e 1 parte de reserva) e retiram do espaço "bola" a recorrente piada: "Olha lá, os jogadores portugueses fazem todos escola no teatro??"
"Ahahahahahahaha", bradam as hordas Vikings. Da primeira vez ouvi e sorri, da segunda só mostrei 3 dentes, a partir da terceira já fechei mais a boca e abri mais os olhos (sempre na hora de almoço que é quando se pode dicutir :)). Desenhei bandeiras portuguesas onde eles metem suecas (o que é praticamente em todo lado...ó que raio de fascínio pelo trapo), imprimi uma imagem bem grande do Obikwelu a vencer um sueco ao sprint e de vez em quando chateio-os com o facto do herói nacional nem ser um "blablaSSON" qualquer. Resultou. Acabaram-se as piadinhas.
Agora quando abordam o meu país perguntam coisas na vertente turística. Que sitio aconselho, se é caro, como são as praias, que cidades são mais interessantes e por aí fora. Não tarda, recorrendo um pouco ao espírito judeu, estou a montar um negócio de nome "Viking and Son" e a alugar apartamento em Lisboa, para as férias de verão desta malta. O que para o clima a que estão habituados seria todo o ano, tomando Portugal como referência.
Huuuuum....agora que penso nisso....
Quando nos aproximamos uns dos outros, não levantamos a perna junto a uma árvore, não nos cheiramos ou lambemos, mas temos os nossos rituais.
A forma mais fácil para uma primeira abordagem, é o clássico tema da bola, dos carros, dos copos ou quem sabe de uma outra loura, se o nivel de "sou-o-maior-lá-da-rua" de um dos "aproximantes" for elevado.
Este ritual não se restringe à tasca do Xico em Cuba do Alentejo ou às oficinas da Lisnave em Cacilhas. Acontece à escala planetária.
Enquanto escrevo, está um chinês do outro lado do mundo a dizer: "Então e o nosso Bê-Fica-san?". É um fenómeno global.
Assim sendo, quando percebem que não sou sueco (o que não é facil porque ao longe pareço o Bnorj Borg, mas mais alto) usam uma destas aproximações clássicas. Carros, por serem o tema de trabalho, não têm tanta piada e poupa-me a algumas vergonhas que passei no meu antigo emprego. Lembro-me do primeiro colega com quem trabalhei (na 1a semana) que me bombardeava com perguntas do modelo x1, v2, z4 ou y7, julgando-me também um aficionado (como 90% das pessoas que trabalham com carros), mas infelizmente (para ele) eu não era um companheiro à altura. Nunca liguei a carros e depois de trabalhar nesse ramo, ainda lhes ligo menos. Lembro-me do "carinho" com que me mostrou as suas fotografias do carro nos pastéis de belém. Eu achei estranho alguém ir aos pasteis com o carro, mas se calhar além do sumol e galão, também servem 1/4 de oleo fresco para acompanhar. Adiante.
O tema dos copos também não é o ideal porque como apanham bebedeiras monstruosas ao fim-de-semana, durante o resto do tempo convém esquecer as figuras tristes. Mulheres...bom, mulheres não porque aqui ainda não desenvolveram o assobio ao ponto de o lançarem do 4ö andar de um andaime, acompanhado da devida legenda de caractér gustativo.
Ora isto quer dizer que sobra a bola. A clássica bola. Para eles a coisa é simples. Internamente pouco mais há do que amadores com boa vontade, pelo que seguem com especial afinco o que alguns compatriotas fazem no estrangeiro. O mesmo é dizer que passam os jogos dessas equipas. O herói nacional do momento chama-se Zlatan Ibrahimovic (e que por acaso é descendente de croatas) e joga na mesma equipa do Figo, que por sua vez é casado com uma sueca (do norte! Essas diferenças também existem por aqui....).
Quando entre eles dizem: "Epá, aquele gajo afinal não é o Bjorn Borg!!" e percebem que sou português, recorrem aos cérebros tripartidos (1 parte bola, 1 parte copos e 1 parte de reserva) e retiram do espaço "bola" a recorrente piada: "Olha lá, os jogadores portugueses fazem todos escola no teatro??"
"Ahahahahahahaha", bradam as hordas Vikings. Da primeira vez ouvi e sorri, da segunda só mostrei 3 dentes, a partir da terceira já fechei mais a boca e abri mais os olhos (sempre na hora de almoço que é quando se pode dicutir :)). Desenhei bandeiras portuguesas onde eles metem suecas (o que é praticamente em todo lado...ó que raio de fascínio pelo trapo), imprimi uma imagem bem grande do Obikwelu a vencer um sueco ao sprint e de vez em quando chateio-os com o facto do herói nacional nem ser um "blablaSSON" qualquer. Resultou. Acabaram-se as piadinhas.
Agora quando abordam o meu país perguntam coisas na vertente turística. Que sitio aconselho, se é caro, como são as praias, que cidades são mais interessantes e por aí fora. Não tarda, recorrendo um pouco ao espírito judeu, estou a montar um negócio de nome "Viking and Son" e a alugar apartamento em Lisboa, para as férias de verão desta malta. O que para o clima a que estão habituados seria todo o ano, tomando Portugal como referência.
Huuuuum....agora que penso nisso....
quarta-feira, outubro 04, 2006
A escorrer baba
É a minha deixa!
O Neo-Zelandês acabou de chegar.
Como se fosse um transatlântico a encostar na doca, enviou um sonoro e audível "blaaarghhhh" quando estava a 10 passos da sua secretária. Satisfeito por tamanho arroto sorriu com um sonoro "ohohohoh".
Orgulhoso da obra feita, sentou-se e antes que a cadeira aquecesse puxou de uma maçã.
Começou a "sorvê-la" como se fosse um calipo.
É claramente a minha deixa. Vou para o laboratório!
Como se fosse um transatlântico a encostar na doca, enviou um sonoro e audível "blaaarghhhh" quando estava a 10 passos da sua secretária. Satisfeito por tamanho arroto sorriu com um sonoro "ohohohoh".
Orgulhoso da obra feita, sentou-se e antes que a cadeira aquecesse puxou de uma maçã.
Começou a "sorvê-la" como se fosse um calipo.
É claramente a minha deixa. Vou para o laboratório!
Os "pan pipes"
Sou um compulsivo e intratável consumidor de música.
É para mim perfeitamente natural, chegar a casa carregado e sem colocar qualquer saco no chão (ou tirar os sapatos como manda o costume local), ligar o rádio ou o pc para seleccionar a música do momento.
E existe sempre uma música adequada a cada ocasião. Sempre. Se vou para a casa de banho, se me vou vestir, se estou a cozinhar, se estou a escrever,etc,etc...tudo, mas rigorosamente tudo tem que ter banda sonora à altura.
Em Portugal, todas as manhãs a caminho do trabalho ouvia o P.Ribeiro. Na Best, na Comercial, no RCP, não interessava. Continuo a achar que é o melhor locutor de rádio (pelo menos no período em que habitualmente ouvia rádio) e como tal era a minha "companhia" matinal. Teria ouvido a "Romântica" ou o "jogo da mala" na Renascença se ele o apresentasse. Durante os períodos publicitários, fazia "zapping radiofónico" a uma tal velocidade, que não chegava a ouvir nada. Óbviamente aqui não apanho a Comercial ou qualquer outra estação onde esteja o P.Ribeiro e sinceramente tenho pena. Por outro lado, também não apanho nenhuma onde esteja a Lamy, o Malato ou o Nilton (quem é que fez este gajo acreditar que tem piada?) e isso já não é tão mau.
Mas ao fim de 7 meses de rádio "polar", chego à conclusão que nós (portugueses), podemos estar na cauda da Europa em toda e qualquer estatística de crescimento económico, mas meus amigos, nas influências musicais e respectivo acompanhamento, estamos no primeiríssimo mundo.
Até ao momento só distingui dois tipos de emissão.
1 - A "orbital": que passa todo e qualquer "remix" do mais rasco possível. Daqueles tão maus, tão maus, que uma discoteca da beira interior com um sem número de Famel's e Zundapp's 77 na porta, se recusaria a passar.
2 - A "Nostalgia": que passa a malta dos 80's e 90's, com especial relevância para os Roxette (produto local), a Whitney Houston e o seu "One moment in time" e a Mariah Carey na sua fase saia-maior-do-que-o-cinto.
Ora, entre estas duas hipóteses, escolho sempre a "Nostalgia". É normal por isso, vaguear entre alces e vikings abanando o capacete, enquanto canto:
"There's a hero, if you look inside your heart...." ou "give me one moment in timeeeeeeee..."
Hoje um pequeno 25 de Abril aconteceu naquele carro. Não me esqueci da caixa de CD's em casa e pude dar algum descanso à malta do pop electrónico.
O boliviano, companheiro de viagem, disse-me que na terra dele a música "pan pipes" é tradicional. Confesso que esse tipo de música me faz lembrar sempre um elevador de um edifício de escritórios, mas tentei encontrar algo que fosse próximo.
O melhor que arranjei foi um álbum dos resistência. Claro que saltei as canções que o Tim canta, para não alterar aquele conceito "pan pipe".
A coisa funcionou, porque passados 20 minutos ele puxou de uma "almofada de piscina", que encheu com 3 sopros. Encostou-se e dormiu o resto de caminho. De imediato comecei a trocar CD's como quem troca berlindes. Uma música daqui, outra dali, ora canta esta, ora berra aquela. Não há zapping de rádio, tenho que o fazer com o CD. Clã, Jobim, Caetano e uma chegada triunfal com o Jeremy dos Pearl Jam.
Enquanto as ouço lembro-me sempre de alguém. A cada pessoa que me está "próxima" associo sempre um música. Não sei porquê.
Sai de forma natural e é mais um motivo de conforto enquanto me delicio com alguns temas.
Para descrever este actual estado de espírito, usarei uma frase imortalizada por um craque da bola, lá dos lados do Douro:
"Estou feliz por estar contente!"
É para mim perfeitamente natural, chegar a casa carregado e sem colocar qualquer saco no chão (ou tirar os sapatos como manda o costume local), ligar o rádio ou o pc para seleccionar a música do momento.
E existe sempre uma música adequada a cada ocasião. Sempre. Se vou para a casa de banho, se me vou vestir, se estou a cozinhar, se estou a escrever,etc,etc...tudo, mas rigorosamente tudo tem que ter banda sonora à altura.
Em Portugal, todas as manhãs a caminho do trabalho ouvia o P.Ribeiro. Na Best, na Comercial, no RCP, não interessava. Continuo a achar que é o melhor locutor de rádio (pelo menos no período em que habitualmente ouvia rádio) e como tal era a minha "companhia" matinal. Teria ouvido a "Romântica" ou o "jogo da mala" na Renascença se ele o apresentasse. Durante os períodos publicitários, fazia "zapping radiofónico" a uma tal velocidade, que não chegava a ouvir nada. Óbviamente aqui não apanho a Comercial ou qualquer outra estação onde esteja o P.Ribeiro e sinceramente tenho pena. Por outro lado, também não apanho nenhuma onde esteja a Lamy, o Malato ou o Nilton (quem é que fez este gajo acreditar que tem piada?) e isso já não é tão mau.
Mas ao fim de 7 meses de rádio "polar", chego à conclusão que nós (portugueses), podemos estar na cauda da Europa em toda e qualquer estatística de crescimento económico, mas meus amigos, nas influências musicais e respectivo acompanhamento, estamos no primeiríssimo mundo.
Até ao momento só distingui dois tipos de emissão.
1 - A "orbital": que passa todo e qualquer "remix" do mais rasco possível. Daqueles tão maus, tão maus, que uma discoteca da beira interior com um sem número de Famel's e Zundapp's 77 na porta, se recusaria a passar.
2 - A "Nostalgia": que passa a malta dos 80's e 90's, com especial relevância para os Roxette (produto local), a Whitney Houston e o seu "One moment in time" e a Mariah Carey na sua fase saia-maior-do-que-o-cinto.
Ora, entre estas duas hipóteses, escolho sempre a "Nostalgia". É normal por isso, vaguear entre alces e vikings abanando o capacete, enquanto canto:
"There's a hero, if you look inside your heart...." ou "give me one moment in timeeeeeeee..."
Hoje um pequeno 25 de Abril aconteceu naquele carro. Não me esqueci da caixa de CD's em casa e pude dar algum descanso à malta do pop electrónico.
O boliviano, companheiro de viagem, disse-me que na terra dele a música "pan pipes" é tradicional. Confesso que esse tipo de música me faz lembrar sempre um elevador de um edifício de escritórios, mas tentei encontrar algo que fosse próximo.
O melhor que arranjei foi um álbum dos resistência. Claro que saltei as canções que o Tim canta, para não alterar aquele conceito "pan pipe".
A coisa funcionou, porque passados 20 minutos ele puxou de uma "almofada de piscina", que encheu com 3 sopros. Encostou-se e dormiu o resto de caminho. De imediato comecei a trocar CD's como quem troca berlindes. Uma música daqui, outra dali, ora canta esta, ora berra aquela. Não há zapping de rádio, tenho que o fazer com o CD. Clã, Jobim, Caetano e uma chegada triunfal com o Jeremy dos Pearl Jam.
Enquanto as ouço lembro-me sempre de alguém. A cada pessoa que me está "próxima" associo sempre um música. Não sei porquê.
Sai de forma natural e é mais um motivo de conforto enquanto me delicio com alguns temas.
Para descrever este actual estado de espírito, usarei uma frase imortalizada por um craque da bola, lá dos lados do Douro:
"Estou feliz por estar contente!"
terça-feira, outubro 03, 2006
O fabuloso destino de John e Abib
John era uma americano, culturalmente falando, acima da média.
Todos os dia almoçava um Big Mac. Ao contrário da maioria dos seus colegas não o fazia com as mãos e recusava-se a empurrar a salada com o dedo.
Usava garfo e faca. Despojos de uma educação europeia. A mãe nascera em Toulose e o pai viera de Nancy. Casaram-se no escaldante Maio de 68, procurando depois refúgio na terra prometida, onde viria a nascer John. Foram operários anos a fio, na companhia onde hoje em dia, John tinha uma importante posição. Envolventes janelas o circundavam no seu elegante escritório, algures no 57ö piso de um arranha céus em Detroit. John, era dos poucos naquele piso que sabiam que do outro lado do rio estava o Canadá. Era por isso respeitado.
Vivia sozinho. Uma vida dedicada ao trabalho e ao estudo do mundo que rodeava Detroit, não deixou a John tempo para a contrução de uma família.
Certo dia, em busca do conforto de uma pelo sedosa, John vagueou pela baixa de Detroit até entrar num bar de nome "Rasputine".
Entre um cognac e um vermute, John reparou numa rapariga de pele branca e cabelo dourado. Pela ausência de raízes pretas, deduziu que não era pintado. John era esperto e de imediato pensou que tão cristalina aparência devia ser de outras paragens.
Estava certo. Inga chegara recentemente da europa, mais concretamente de söfar, uma pequena aldeia no círculo polar ártico, conhecida pelo sol da meia noite. John, apesar de comer de garfo e faca (como os pais ensinaram), tinha estudado nos liceus de Detroit, pelo que para ele a Europa era um conjunto de países até Veneza e a partir daí até ao Japão ficava o território Siberiano. O manual por onde John estudara tinha sido escrito pelo senador McCarthy e por isso, falar com Inga tinha sido como descobrir que o mundo afinal não era plano.
Muito afoito regressou para o escritório, a sua verdadeira casa, e releu os relatórios de contas. Finalmente percebeu que aquela "sucursal" que apresentava sempre resultados negativos não estava encerrada num "gulag", nem era gerida por pessoas movidas a vodka. Afinal até nem estava tão longe assim da sua Veneza-limite-europeu. Animado e aproveitando a diferença horária, John ligou para o escritório do Ártico. Aí pediu para falar com o chefe local. Este, ouvindo aquele cujas fotografias estavam espalhadas pelo corredor, não conseguiu conter uma certa flautulência resultante da emoção. John tinha sido claro. Queria resultados, queria lucros e não aceitava mais as habituais desculpas do frio. "Frio é na Sibéria! Se forem bem agasalhados nas gôndolas, não sentem o frio aí no Ártico!!", dizia.
Totosson, o chefe local não perdeu tempo. Convocou todos os trabalhadores e formou equipas, exigindo resultados, nem que para isso fosse necessário trabalharem 24h sobre 24 horas.
Abib, era um emigrante curdo. O único que não nascera no Ártico e cuja pele não refletia o sol. Fora destacado para trabalhar com Falamuitosson, uma rapariga da terra. Abib já tinha reparado que Falamuitosson gostava de reuniões, de falar, de traçar planos, de dizer "nós", mas quando chegava a altura de "sujar as mãos", ficava normalmante com problemas gástricos e desaparecia.
"Desta vez será diferente! Foi uma ordem do John", pensou Abib.
Quando as 17h chegaram Abib estava só. "Já terão passado as 24h?", pensou. Ainda não tinha visto a sua colega de trabalho e tinha estado a fazer as tarefas de ambos sozinho, durante todo o dia. Estava um pouco aborrecido, mas de repente avistou a sua colega ao longe. Parecia que vinha na sua direcção quando algo interrompeu a passada. Surgira a hipótese de uma boa conversa e Falamuitosson não queria deixar os seus créditos por mão alheias.
Falou calma e descontraídamente durante 3h, esticando de quando em vez o polegar a Abib, dizendo: "Está a correr tudo bem?".
Ao fim das primeiras 2h Abib estava mesmo chateado e prestes a retornar para o seu antigo negócio de Kebab. O limite foi atingido 1h depois, quando o relógio batia as 20h e Falamuitosson continuava descontraídamente a esgotar a gramática local.
No seu Curdistão natal, Abib ter-se-ia levantado e em tom de voz ligeiramente alto diria: "Olha lá, por acaso tenho uma bola vermelha no nariz?? Achas que tenho cara de palhaço??". Abib sentia uma urticária enorme e uma vontade incontrolável de pregar ao profeta, mas no Ártico não se discute e está sempre tudo bem.
Assim, quando 3h depois Falamuitosson se dirigiu a Abib dizendo: "Sabes Abib, estou muito cansada. Dói-me a cabeça e preciso de ir descansar para o conforto do lar. Amanhã é que me vou concentrar nisto a 100%"
Abib sorriu e disse: "Então vemo-nos amanhã. Melhoras e descansa, que hoje foi um dia puxado."
Todos os dia almoçava um Big Mac. Ao contrário da maioria dos seus colegas não o fazia com as mãos e recusava-se a empurrar a salada com o dedo.
Usava garfo e faca. Despojos de uma educação europeia. A mãe nascera em Toulose e o pai viera de Nancy. Casaram-se no escaldante Maio de 68, procurando depois refúgio na terra prometida, onde viria a nascer John. Foram operários anos a fio, na companhia onde hoje em dia, John tinha uma importante posição. Envolventes janelas o circundavam no seu elegante escritório, algures no 57ö piso de um arranha céus em Detroit. John, era dos poucos naquele piso que sabiam que do outro lado do rio estava o Canadá. Era por isso respeitado.
Vivia sozinho. Uma vida dedicada ao trabalho e ao estudo do mundo que rodeava Detroit, não deixou a John tempo para a contrução de uma família.
Certo dia, em busca do conforto de uma pelo sedosa, John vagueou pela baixa de Detroit até entrar num bar de nome "Rasputine".
Entre um cognac e um vermute, John reparou numa rapariga de pele branca e cabelo dourado. Pela ausência de raízes pretas, deduziu que não era pintado. John era esperto e de imediato pensou que tão cristalina aparência devia ser de outras paragens.
Estava certo. Inga chegara recentemente da europa, mais concretamente de söfar, uma pequena aldeia no círculo polar ártico, conhecida pelo sol da meia noite. John, apesar de comer de garfo e faca (como os pais ensinaram), tinha estudado nos liceus de Detroit, pelo que para ele a Europa era um conjunto de países até Veneza e a partir daí até ao Japão ficava o território Siberiano. O manual por onde John estudara tinha sido escrito pelo senador McCarthy e por isso, falar com Inga tinha sido como descobrir que o mundo afinal não era plano.
Muito afoito regressou para o escritório, a sua verdadeira casa, e releu os relatórios de contas. Finalmente percebeu que aquela "sucursal" que apresentava sempre resultados negativos não estava encerrada num "gulag", nem era gerida por pessoas movidas a vodka. Afinal até nem estava tão longe assim da sua Veneza-limite-europeu. Animado e aproveitando a diferença horária, John ligou para o escritório do Ártico. Aí pediu para falar com o chefe local. Este, ouvindo aquele cujas fotografias estavam espalhadas pelo corredor, não conseguiu conter uma certa flautulência resultante da emoção. John tinha sido claro. Queria resultados, queria lucros e não aceitava mais as habituais desculpas do frio. "Frio é na Sibéria! Se forem bem agasalhados nas gôndolas, não sentem o frio aí no Ártico!!", dizia.
Totosson, o chefe local não perdeu tempo. Convocou todos os trabalhadores e formou equipas, exigindo resultados, nem que para isso fosse necessário trabalharem 24h sobre 24 horas.
Abib, era um emigrante curdo. O único que não nascera no Ártico e cuja pele não refletia o sol. Fora destacado para trabalhar com Falamuitosson, uma rapariga da terra. Abib já tinha reparado que Falamuitosson gostava de reuniões, de falar, de traçar planos, de dizer "nós", mas quando chegava a altura de "sujar as mãos", ficava normalmante com problemas gástricos e desaparecia.
"Desta vez será diferente! Foi uma ordem do John", pensou Abib.
Quando as 17h chegaram Abib estava só. "Já terão passado as 24h?", pensou. Ainda não tinha visto a sua colega de trabalho e tinha estado a fazer as tarefas de ambos sozinho, durante todo o dia. Estava um pouco aborrecido, mas de repente avistou a sua colega ao longe. Parecia que vinha na sua direcção quando algo interrompeu a passada. Surgira a hipótese de uma boa conversa e Falamuitosson não queria deixar os seus créditos por mão alheias.
Falou calma e descontraídamente durante 3h, esticando de quando em vez o polegar a Abib, dizendo: "Está a correr tudo bem?".
Ao fim das primeiras 2h Abib estava mesmo chateado e prestes a retornar para o seu antigo negócio de Kebab. O limite foi atingido 1h depois, quando o relógio batia as 20h e Falamuitosson continuava descontraídamente a esgotar a gramática local.
No seu Curdistão natal, Abib ter-se-ia levantado e em tom de voz ligeiramente alto diria: "Olha lá, por acaso tenho uma bola vermelha no nariz?? Achas que tenho cara de palhaço??". Abib sentia uma urticária enorme e uma vontade incontrolável de pregar ao profeta, mas no Ártico não se discute e está sempre tudo bem.
Assim, quando 3h depois Falamuitosson se dirigiu a Abib dizendo: "Sabes Abib, estou muito cansada. Dói-me a cabeça e preciso de ir descansar para o conforto do lar. Amanhã é que me vou concentrar nisto a 100%"
Abib sorriu e disse: "Então vemo-nos amanhã. Melhoras e descansa, que hoje foi um dia puxado."
Um despertar diferente
A minha manhã começa com um sorriso.
Será um sorriso gerado por um sentimento de uma basicidade atroz? Sim.
Mas ainda assim dá-me um certo gozo e um alento extra para ir trabalhar? Sim.
Devia disfarçá-lo para não parecer um cromo da bola? Devia.
Consigo? Não.
Desde pequenino, mesmo pequenino, quase de berço que gosto do Braga?Sim, sim,sim.
Era daqueles que há uns meses dizia que o Marcel, esse prodígio do rodízio e do fubá, era um coxo? Sim.
Continuo com a mesma opinião? Sim.
E isso ainda me dá mais gozo? SIM,SIM,SIM.
Será um sorriso gerado por um sentimento de uma basicidade atroz? Sim.
Mas ainda assim dá-me um certo gozo e um alento extra para ir trabalhar? Sim.
Devia disfarçá-lo para não parecer um cromo da bola? Devia.
Consigo? Não.
Desde pequenino, mesmo pequenino, quase de berço que gosto do Braga?Sim, sim,sim.
Era daqueles que há uns meses dizia que o Marcel, esse prodígio do rodízio e do fubá, era um coxo? Sim.
Continuo com a mesma opinião? Sim.
E isso ainda me dá mais gozo? SIM,SIM,SIM.
segunda-feira, outubro 02, 2006
A ofensa
Quim, não fazias a coisa por menos?
Pela conversa do Karim e do Abdul, parece que isso de fingir que te estás a virar para Meca, quando o que queres mesmo é apanhar uma bola, é ofensivo para o profeta.
Não passes por aqueles lados (imagino que comecem a queimar retratos teus), que ainda ficas com a roupa a cheirar a patuscada.
Pela conversa do Karim e do Abdul, parece que isso de fingir que te estás a virar para Meca, quando o que queres mesmo é apanhar uma bola, é ofensivo para o profeta.
Não passes por aqueles lados (imagino que comecem a queimar retratos teus), que ainda ficas com a roupa a cheirar a patuscada.
Não me lixem!
" Pedro Feist propõe o aluguer de 379 veículos, considerando que a autarquia disponibiliza viaturas ao presidente, vereadores, directores municipais, directores de departamento e chefes de divisão e apoio aos serviços.
Como tal, a proposta para a abertura de um concurso público internacional para o aluguer das 379 viaturas especifica que, dessas, 18 a 23 terão de ter cilindrada entre 1800 a 2000 centímetros cúbicos (CC), pois destinam-se aos directores municipais ou equiparados, 45 a 60 terão 1500 a 1800 cc, uma vez que serão usadas por directores de departamento ou equiparados, e 200 a 230 terão 1300 a 1500 cc de cilindrada pois destinam-se a chefes de divisão e apoio aos serviços.
Além das viaturas para os quadros municipais acima referidos, a Câmara quer alugar para os serviços 65 a 85 veículos com 1250 a 1600 cc de cilindrada e 7 a 15 veículos com 700 cc de cilindrada.
A proposta de Pedro Feist refere ainda que, no âmbito deste concurso, a autarquia irá alienar do seu parque automóvel, que totaliza 607 viaturas, 178 veículos por 946 mil euros. Das viaturas a alienar, 18 datam de 2003, sendo que oito estavam afectas aos directores municipais ou equiparados.
A proposta refere ainda que alugadas as 379 viaturas, a Câmara ficará com um encargo, a pagar em quatro prestações anuais (2007 a 2010) de 1375 mil euros.
O executivo municipal de Lisboa dispõe de 49 motoristas afectos aos vários gabinetes: oito para o Gabinete da Presidência, seis para o gabinete de Fontão de Carvalho (Finanças e Património), três para Marina Ferreira (Mobilidade), cinco para Pedro Feist (Obras e Higiene Urbana), seis para Gabiela Seara (Urbanismo), quatro para António Prôa (espaço público), quatro para Amaral Lopes (Cultura), três para Sérgio Lipari (Acção Social e Educação), cinco para Maria José Nogueira Pinto (Habitação Social), dois para o gabinete do PS, um para o gabinete do PCP e dois para o gabinete do Bloco de Esquerda. "
(...)
Apetece-me gritar e dar pontapés no Neo-Zelandês que não pára de arrotar atrás de mim. Mas na verdade, não é com ele que estou chateado...O que me enerva neste preciso momento é ter nascido num país de saloios, que comem sardinha e arrotam camarão, que fazem do novo riquismo um estilo de vida e que
à custa do erário público definem, criam e arranjam previlégios impensáveis para funcionários públicos de um país rico, quanto mais para Portugal.
É um país pobre o nosso, sabiam? Porque é que um mero vereador de uma câmara, que espalhou por toda a comunicação social que ia trabalhar sem receber nada (M.Nogueira Pinto) tem 5 motoristas? Porque é que qualquer vereador (e até mesmo presidente) tem um motorista que seja??
Quando é que os altos cargos públicos da nação vão deixar de ser uma autêntica feira de vaidades, um desfile de saloismos terceiro-mundistas e começam realmente a fazer algo pelo país?
Por segundos (apenas isso), consigo ver um sentido na fuga aos impostos.
É muita incompetência, é muita confusão, é muita corrupção e já enjoa, já não é suportável.
Trabalhem e justifiquem o salário, pelo menos isso, cambada de saloios!!
E tu Sócrates, não te encolhas e corta a direito nas despesas da função pública. Começa nas câmaras (incluindo aquela de Viseu do "Mr. Tacho" Fernando Ruas) e acaba nos "institutos públicos" criados uns em cima dos outros, com tarefas repetidas, para albergar a malta do cartão rosa e laranja...
Vá, faz-me lá esse favor Zé. Deixa-me a pensar que os meus impostos não servem para pagar o carro da Maria-ai-que-saudades-do-Salazar-Nogueira Pinto.
Obrigado.
Como tal, a proposta para a abertura de um concurso público internacional para o aluguer das 379 viaturas especifica que, dessas, 18 a 23 terão de ter cilindrada entre 1800 a 2000 centímetros cúbicos (CC), pois destinam-se aos directores municipais ou equiparados, 45 a 60 terão 1500 a 1800 cc, uma vez que serão usadas por directores de departamento ou equiparados, e 200 a 230 terão 1300 a 1500 cc de cilindrada pois destinam-se a chefes de divisão e apoio aos serviços.
Além das viaturas para os quadros municipais acima referidos, a Câmara quer alugar para os serviços 65 a 85 veículos com 1250 a 1600 cc de cilindrada e 7 a 15 veículos com 700 cc de cilindrada.
A proposta de Pedro Feist refere ainda que, no âmbito deste concurso, a autarquia irá alienar do seu parque automóvel, que totaliza 607 viaturas, 178 veículos por 946 mil euros. Das viaturas a alienar, 18 datam de 2003, sendo que oito estavam afectas aos directores municipais ou equiparados.
A proposta refere ainda que alugadas as 379 viaturas, a Câmara ficará com um encargo, a pagar em quatro prestações anuais (2007 a 2010) de 1375 mil euros.
O executivo municipal de Lisboa dispõe de 49 motoristas afectos aos vários gabinetes: oito para o Gabinete da Presidência, seis para o gabinete de Fontão de Carvalho (Finanças e Património), três para Marina Ferreira (Mobilidade), cinco para Pedro Feist (Obras e Higiene Urbana), seis para Gabiela Seara (Urbanismo), quatro para António Prôa (espaço público), quatro para Amaral Lopes (Cultura), três para Sérgio Lipari (Acção Social e Educação), cinco para Maria José Nogueira Pinto (Habitação Social), dois para o gabinete do PS, um para o gabinete do PCP e dois para o gabinete do Bloco de Esquerda. "
(...)
Apetece-me gritar e dar pontapés no Neo-Zelandês que não pára de arrotar atrás de mim. Mas na verdade, não é com ele que estou chateado...O que me enerva neste preciso momento é ter nascido num país de saloios, que comem sardinha e arrotam camarão, que fazem do novo riquismo um estilo de vida e que
à custa do erário público definem, criam e arranjam previlégios impensáveis para funcionários públicos de um país rico, quanto mais para Portugal.
É um país pobre o nosso, sabiam? Porque é que um mero vereador de uma câmara, que espalhou por toda a comunicação social que ia trabalhar sem receber nada (M.Nogueira Pinto) tem 5 motoristas? Porque é que qualquer vereador (e até mesmo presidente) tem um motorista que seja??
Quando é que os altos cargos públicos da nação vão deixar de ser uma autêntica feira de vaidades, um desfile de saloismos terceiro-mundistas e começam realmente a fazer algo pelo país?
Por segundos (apenas isso), consigo ver um sentido na fuga aos impostos.
É muita incompetência, é muita confusão, é muita corrupção e já enjoa, já não é suportável.
Trabalhem e justifiquem o salário, pelo menos isso, cambada de saloios!!
E tu Sócrates, não te encolhas e corta a direito nas despesas da função pública. Começa nas câmaras (incluindo aquela de Viseu do "Mr. Tacho" Fernando Ruas) e acaba nos "institutos públicos" criados uns em cima dos outros, com tarefas repetidas, para albergar a malta do cartão rosa e laranja...
Vá, faz-me lá esse favor Zé. Deixa-me a pensar que os meus impostos não servem para pagar o carro da Maria-ai-que-saudades-do-Salazar-Nogueira Pinto.
Obrigado.
O Buda e a Peste
Não sei se passou um ovni, se alces resolverem atravessar a linha ou se procuravam um gajo de turbante com uma bomba na cintura.
Sei que o comboio parou, sei que esteve imóvel uns bons minutos, sei que me atrasei. O que foi bom.
Fiquei até chateado quando aqui cheguei. Não por ser segunda-feira ou o início da semana, ou qualquer outra coisa do género. Fiquei aborrecido porque não consigo andar no meio de pessoas e ler ao mesmo tempo sem tropeçar. Foi por isso que me custou chegar ao trabalho e ter que, a contra gosto, fechar o "Budapeste".
O livro está no seu último capítulo e o enredo envolve-me cada vez mais. Sentia-me tão "dentro" da história que não estranharia ouvir húngaro quando entrasse nestas portas. Foi até estranho ter que falar inglês. Vizualizava palavras húngaras cuja pronúncia nem sequer imagino e da boca, queriam sair apenas legendas de Camões com sotaque de Vera Cruz.
De volta à realidade, o desejo expresso de que o almoço venha rápido. Ninguém me tira da mesa enquanto não perceber o que vai acontecer ao (K)Costa :)
Depois de olhar para o cartão de ponto pensei nos "profissionais-da-inpiração". Escrevem, cantam, desenham quando querem ou quando a musa criadora dá sinal. Não têm horários, não têm regras rígidas. Esperam pelo momento. A música certa, a paisagem exacta, o acontecimento específico, tudo, mesmo tudo pode funcionar como o "click" criador. E depois, é soltar e deixar ir.
Admiro e invejo essas pessoas. Imagino-os sempre de roupão vermelho, a despertarem num "loft" nova iorquino com chão de madeira, espreguiçando-se enquanto pelas longas janelas vislumbram o corre-corre dos aflitos. Táxis circulam, pessoas correm, toda uma azáfama em torno de um objectivo, prazo ou horário do momento. Esses momentos somados formam os dias, que repetidos originam meses, anos e vidas. O corre-corre garante o salário, denominador comum da sobrevivência e quem sabe algo mais. Mas para ele (o escritor), esse salário também aparece. Só que para isso, não necessita de exercer algo que um diploma lhe diz que sabe, que um CV obriga a saber ou que o mercado necessita desesperadamente. Tem um dom e usa-o. Tão só.
E é por isso que os admiro. Fazem o que realmente gostam, são pagos por isso e não têm horários para falar com a inspiração.
Inventam histórias. Pode existir algo melhor do que inventar histórias? Não o fazemos a toda a hora por toda e qualquer razão? Mesmo que não seja em público ou voz alta, não andamos sempre a contar histórias ao nosso imaginário?
Já admirava o Chico Buarque enquanto "escritor de canções" e acho-o extraordinariamente imaginativo neste seu romance, "Budapeste".
Admiro este tipo de pessoas, admiro muito. Invariavelmente, ocorre-me a mesma pergunta: "Como se entrará neste mundo?"
Bolas...até a Margarida Rebelo Pinto escreve livros.
Sei que o comboio parou, sei que esteve imóvel uns bons minutos, sei que me atrasei. O que foi bom.
Fiquei até chateado quando aqui cheguei. Não por ser segunda-feira ou o início da semana, ou qualquer outra coisa do género. Fiquei aborrecido porque não consigo andar no meio de pessoas e ler ao mesmo tempo sem tropeçar. Foi por isso que me custou chegar ao trabalho e ter que, a contra gosto, fechar o "Budapeste".
O livro está no seu último capítulo e o enredo envolve-me cada vez mais. Sentia-me tão "dentro" da história que não estranharia ouvir húngaro quando entrasse nestas portas. Foi até estranho ter que falar inglês. Vizualizava palavras húngaras cuja pronúncia nem sequer imagino e da boca, queriam sair apenas legendas de Camões com sotaque de Vera Cruz.
De volta à realidade, o desejo expresso de que o almoço venha rápido. Ninguém me tira da mesa enquanto não perceber o que vai acontecer ao (K)Costa :)
Depois de olhar para o cartão de ponto pensei nos "profissionais-da-inpiração". Escrevem, cantam, desenham quando querem ou quando a musa criadora dá sinal. Não têm horários, não têm regras rígidas. Esperam pelo momento. A música certa, a paisagem exacta, o acontecimento específico, tudo, mesmo tudo pode funcionar como o "click" criador. E depois, é soltar e deixar ir.
Admiro e invejo essas pessoas. Imagino-os sempre de roupão vermelho, a despertarem num "loft" nova iorquino com chão de madeira, espreguiçando-se enquanto pelas longas janelas vislumbram o corre-corre dos aflitos. Táxis circulam, pessoas correm, toda uma azáfama em torno de um objectivo, prazo ou horário do momento. Esses momentos somados formam os dias, que repetidos originam meses, anos e vidas. O corre-corre garante o salário, denominador comum da sobrevivência e quem sabe algo mais. Mas para ele (o escritor), esse salário também aparece. Só que para isso, não necessita de exercer algo que um diploma lhe diz que sabe, que um CV obriga a saber ou que o mercado necessita desesperadamente. Tem um dom e usa-o. Tão só.
E é por isso que os admiro. Fazem o que realmente gostam, são pagos por isso e não têm horários para falar com a inspiração.
Inventam histórias. Pode existir algo melhor do que inventar histórias? Não o fazemos a toda a hora por toda e qualquer razão? Mesmo que não seja em público ou voz alta, não andamos sempre a contar histórias ao nosso imaginário?
Já admirava o Chico Buarque enquanto "escritor de canções" e acho-o extraordinariamente imaginativo neste seu romance, "Budapeste".
Admiro este tipo de pessoas, admiro muito. Invariavelmente, ocorre-me a mesma pergunta: "Como se entrará neste mundo?"
Bolas...até a Margarida Rebelo Pinto escreve livros.
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