Domingo, Fevereiro 07, 2010

O Zorro

Confesso que não esperava por este tropecão com os choquinhos. Há que dizer que esta equipa não é a mesma que levou 8 na Luz. Tem jogadores novos e o Manuel "eu também enganei os árbitros" Fernandes percebe um pouco mais de bola que o Azenha. Mas ainda assim...esperava mais 3 pontos. Curiosamente, depois de ver o jogo e quando o minuto 93 chegou, fiquei com a certeza que a bola não entraria. Não era justo, não era natural. O Benfica não fez por merecer e, se tirar as lentes vermelhas por um segundo, não custa admitir que os 15 penalties que o Zoro fez ao longo do jogo, me caíram mal. Isso fica para os amigos do norte, nomeadamente quando jogam com este mesmo Setúbal...é sempre uma taca amizade bonita de se ver. Já contra o Benfica, joga-se sempre a final da liga dos campões. Mas é assim mesmo e já sabemos qual a música que temos que dancar na corrida pelo título. Ontem fomos uns verdadeiros pés-de-chumbo. Mas a coisa vai. O título será nosso.
Tenho no entanto uma curiosidade: o que fará o Porto nas Antas contra o Braga? Vence o satélite e corre sozinho ou deixa a equipa B vencer e aposta tudo neles para fazer frente ao Benfca? É tempo de decisões, sendo certo que daqui a até Maio, muita fruta passará de mão em mão.

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Estes romanos são doidos!


A lei das financas regionais foi aprovada esta tarde no parlamento. O PS votou contra (menos um deputado que no verão joga à sueca com o Alberto em Porto Santo) e a oposicão votou em bloco a favor.
Para mim, se provas ainda fossem necessárias, isto vem demonstrar por A+B que a oposicão vota contra seja qual for a proposta do governo. Então se o voto contra der uns votos com base no mais primário populismo, ainda melhor.
Trocando a lei por miudos a Região Autónoma da Madeira vai receber mais dinheiro do governo central. E isto é que é o fantástico da questão...é que a Madeira, por acaso, é o maior exemplo de corrupcão e despesismo que existe em Portugal. São estradas feitas para pagar promessas a educadoras de infância, são políticos que em 10 anos passaram de vendedores de retretes a donos de n empresas com negociatas com o governo regional (a sério??), são cunhas em cima de cunhas para membros e apoiantes do PSD, é o corte de verbas a autarquias de outra cor (como foi o caso do Porto Santo até há uns anos), é o Alberto João a passear à grande em Londres com a mulher, é o endividamento da região constantemente perdoado apesar do chorrilho de insultos que aquele animal envia de cada vez que lhe metem um microfone na boca, é uma comunicacão social totalmente controlada, enfim...podia estar aqui até amanhã.
Todos (vocês, que eu já não dou para esse peditório!) os contribuintes a largar o dinheiro dos impostos para o Alberto João o gastar à grande e à francesa. E agora, ainda mais. O que no caso dele significa que em vez de comecar a aumentar a dívida da Madeira dentro de 3 meses, talvez aguente uns 6 quem sabe. Sim, porque estourá-lo todo nem é questão...
Estou convencido que se o Sócrates disser que vai limpar o ar em Portugal para as pessoas terem mais oxigénio, a oposicão vota contra. Até o BE que passa a vida a usar exemplos do despesismo na Madeira....não compreendo, sinceramente não compreendo. Como dizia Sócrates (o outro): "só sei que nada sei".
O Ministro das Financas disse que vai tentar usar todos os meios legais para engatar a lei até 2013.
Acho muito bem e espero que consiga.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

The show must go on

Olha, olha, olha!
Reparei agora que passam hoje 4 anos sobre o dia em que aterrei junto dos esquimós.
Se não é hoje é amanhã, se não é amanhã foi ontem. Princípio de Fevereiro é o que me lembro...
Não me apetece fazer qualquer balanco. Se ainda aqui estou, o balanco está feito...
Mas é ainda assim uma data curiosa. O período de "vamos por 2 anos ver no que dá" já passou. A situacão económica em Portugal não melhora e dificilmente chegará ao pelotão da frente na UE, pelo menos durante o meu tempo de trabalho. Vou vendo regularmente as vagas de emprego desse lado e as palavras chave são "Angola", "Junior" e "Estágio profissional". Leio também as recomendacões do FMI que sugerem uma reducão dos salários para sermos mais competitivos. Desculpe? Seremos o Bangladesh da Europa?
Ao mesmo tempo passou a existir um miúdo cujo futuro e respectivas oportunidades estarão ligadas ao sítio onde crescer. Estes 4 anos ensinaram-me que só pelo facto de se crescer num país escandinavo (qualquer um), a vida torna-se mais fácil e recheada de oportunidades. Eu sei que em teoria todos percebem que uma crianca em Portugal (na maior parte dos casos) não terá as mesmas oportunidades que outra na Suécia, mas, constatar isso no dia-a-dia obriga pelo menos a pensar.
E é isso o assustador da história. Comecar a perceber que o regresso não vai existir. Ou pelo menos nas próximas décadas. A reforma numa casa azul e branca no Alentejo está garantida mas até lá...são muitos invernos.
Claro que, como dizia o rapaz que corria, a vida é como uma caixa de chocolates. Tudo pode acontecer mas, tenho que admitir, o Sol já esteve mais perto.

A walk in the park

Sempre que vejo alguém comer um pastel de nata com a colher do café sinto pena. Do pastel. Não é um fim digno. Toda a gente sabe que o pastel é apertado entre o indicador e o polegar, para atingir a forma de uma canoa e possibilitar assim a sua degustacão sem ser necessário abrir a boca ao ponto de mostrar as cuecas. Depois, uma dentada, máximo duas e rega com sumol. Fecha a matraca e liga a cisterna. Mistura, mistura, mistura. Sempre de bochechas bem cheias. Engole tudo e recupera a forma facial original. É assim que se respeita o pastel e se faz justica ao seu sabor. Qualquer outra forma de o comer não faz sentido.
E isso, como rapidamente se percebe, leva-nos ao jogo de ontem. Também não faz sentido, neste caso, falar dele.
O Leiria não rematou na direccão da baliza uma só vez em 92 minutos. Zero.
O que é que há para dizer?
Assim de repente voto em "nada".

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

O espantalho

Não morder a mão do dono parece-me positivo.
Mas não era preciso exagerar. Dois golitos bastavam. Assim até parece que eles jogam alguma coisa.


Ps - jogo entre o clube do guarda Abel e os calimeros do Lumiar. O que se ouve na bancada? "Quem não salta é lampião!".....ahhh....a grandeza traduzida em música para os meus ouvidos.

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

James on ice



Missão: chegar ao fim das escadas com todos os ossos do lado de dentro da pele.

Já só lá vai de chaimite...

Ouvi ontem uma notícia que me deixou os cabelos de 4 mm em pé.
Estou convencido que não percebi bem ou que estou a interpretar mal.
O Ministro das Financas disse que o orcamento de estado contempla uma verba para cobrir parte do buraco do BPP. O governo assegura os depósitos até 250 000 euro.
Ora como o euro me diz pouco comecei a converter para contos. O raciocinio foi este: "ora a casa que comprei em 2002 custou 100 000 euro e eu lembro-me que isso valia 20 000cts...eh lá...ele está a falar de 50 000 cts!!"
"Mas está tudo doido??", foi a minha primeira reaccão.
A notícia segue e aparece um dirigente de uma associacão que representa esta malta. Diz ele: "A associacão acha esta medida discriminatória".
Bom...fiquei sem adjectivos e senti-me dentro de um filme do Fellini. Confusão, barulho e gritaria.
Aparece então o João Rendeiro a apresentar o seu livro, onde entre outras coisas, diz que não tem culpa nenhuma no que aconteceu já que era "só" o presidente e não lidava com as aplicacões. Enfim, sacudiu a água para cima dos administradores.
Ora, várias interrogacões me assaltam a mente. A primeira e mais incómoda para o meu pobre espírito é esta: "ISTO É MESMO VERDADE OU FUI EU QUE PERCEBI MAL???"
Um grupo de pessoas, de quem eu sinceramente tenho pena porque foram enganadas, decidiu investir o seu dinheiro num banco que oferecia melhores contrapartidas que qualquer outro. Não acharam estranho que o dinheiro se multiplicasse apenas com oxigénio e acreditaram que "o retorno garantido" num mundo capitalista (onde ninguém dá nada a ninguém) era uma verdade absoluta. Ou seja...naquele banco, ao contrário dos demais, o dinheiro multiplicava-se e ninguém se interrogou como era isto possível?
A coisa deu para o torto e comecaram a pedir a intervencão do governo. A maior asneira de Sócrates foi sem qualquer dúvida nacionalizar o BPN. Há 1 ano que os clientes do BPP exigem o mesmo. No caso do BPN usaram a desculpa do "risco de contaminacão da banca" (uma daquelas tangas que deixará uma factura para os nosso netos), no caso do BPP não havia mesmo ponta para pegar. Poucos clientes e poucos balcões não justificavam qualquer "risco de contaminacão".
Mas o pessoal não se calou. Compreendo-os. Se tivesse todas as minhas economias no BPP também gritava pelo Sócrates.
Mas...e esta é a questão, o que é que os demais portugueses têm a ver com essa merda? Porque têm os restantes pagadores de impostos que contribuir para tapar mais este buraco? Por acaso os clientes do BPP distibuiram dinheiro por quem agora os vai safar na altura em que este se multiplicava com base em especulacão?
Como é que se pode criar na populacão um sentido de responsabilidade se ao menor deslize o governo, escudado no dinheiro dos contribuintes, aparece para desenrascar?
Uma pessoa investe dinheiro em aplicacões de risco (se não perceberam que eram de risco é porque acreditavam mesmo no pai natal...) e depois, quando perde dinheiro, os contribuintes restituem-lhe o investimento. Mas isto faz algum sentido?
E, ainda assim, como o governo "só" cobre os depósitos até 50 000 cts as associacões de clientes do BPP ainda reclamam? Mas perdemos a nocão da realidade? Andamos a viver no mundo encantado de Oz?
E o Rendeiro? Passeia tranquilamente na rua, a escrever livros sobre o seu "génio financeiro" em vez de estar na estiva a trabalhar para pagar as dívidas?
Fico indeciso entre comecar a ignorar as notícias de Portugal ou continuar a carregar a bílis.
É nestas alturas que brado aos céus por saber que o dinheiro dos meus impostos fica deste lado do mundo.
Caminhamos a passos largos para a tragédia grega.

Sábado, Janeiro 30, 2010

Cold & Play

Ouco por aqui que este é o inverno mais bonito dos últimos anos.
A definicão de "bonito" varia de boca para boca. Para mim um inverno bonito é aquele em que uso t-shirt. Para os habitantes da costa oeste, mais precisamente Gotemburgo, bonito é um inverno sem chuva e com temperaturas negativas que permitam a chegada da neve.
O prato favorito da cidade é mesmo chuva e vento, pelo que, a ausência destes torna tudo mais harmonioso.
Até sou capaz de concordar. Detesto chuva. E diga-se em abono da verdade que zero graus, chuva e vento aborrecem mais do que os discursos do Chavez nas manhãs de domingo.
Mas...vamos lá a ver uma coisa, não é necessária tanta "beleza".
Estão -13 graus lá fora. À noite a coisa aperta até aos -20. Um pouco abaixo de zero já é bonito qb, assim, mal meto os pés na rua já estou a chorar por um duche quente.
A pele rasga-se com o frio, os ossos congelam e o cérebro roda em torno da mesma mensagem "quero ir para casa, quero ir para casa, quero ir para casa!".
Decididamente é beleza a mais para mim.

Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Debate na AR sobre o OE

Morno, muito morno.
Um Sócrates visivelmente cansado que ainda assim chegou para as encomendas.
Um cafuné à direita para Portas por viabilizar o OE. Este, como tem feito nos últimos 15 dias, cobriu-se de elogios pelo servico prestado à Nacão. Não realcou o papel do CDS entenda-se, foi mesmo ele, Paulo Portas, o Robin dos Bosques.
Manuela ao seu nível. Péssima a debater e a dar tiros nos pés em cada 2 frases.
Loucã e Jerónimo, infelizmente, usaram a mesma táctica e desviaram do orcamento para falar dos enfermeiros que estavam na rua aos gritos. Continuam a tirar aproveitamento político de toda e qualquer luta corporativa. É pena. Não me parece a melhor maneira de fazer oposicão e muito menos de se constituirem como alternativa. Ganha Portas que perante a nulidade reinante comanda a oposicão com o clássico "em terra de cegos quem tem um olho é rei".
E isso sim, é mais preocupante.
Nota positiva: a intencão do governo de comecar a reduzir o défice.
Veremos.

A marselhesa



A Argélia perdeu o acesso à final da taca das nacões africanas depois de uma derrota por 4-0 com o Egipto.
O jogo aconteceu em Angola.
Em Marselha, noutro Continente, uns quantos argelinos, chateados com o resultado, resolveram partir e incendiar tudo por onde passaram.
Pergunto-me: qual será a reaccão do comum francês, habitante em Marselha, ao ver tamanho caos? Porque que raio tem ele que sofrer as consequências de um protesto violento sobre algo que aconteceu a milhares de quilómetros de sua casa?
E isto claro, se esquecermos entretanto que um jogo de futebol não pode servir de desculpa para a destruicão. Aqui ou na China.
Quererá esse francês receber mais Argelinos em Marselha?
Quererá receber mais Africanos em Marselha?
Quererá receber imigrantes de qualquer paragem?
Eu acho que não.
E mesmo sabendo que os franceses são conhecidos pela sua xenofobia, quem é que os pode criticar ao ver a destruicão que os imigrantes, nomeadamente do Magreb, causam todos os anos?
Honestamente, se tivesse no lugar de um habitante de Marselha, depois de ver esta confusão desejaria com todos os átomos que a polícia os metesse no barco de regresso.
Au revoir.