
Para quem gosta de datas e "ses" da história, o dia de hoje é de algum interesse.
Passam exactamente 34 anos sobre o 25 de Novembro de 75, dia em que se "decidiu" que tipo de "democracia" Portugal iria seguir.
Existem factos, alguns, e especulacão, muita.
Consoante a pessoa que conta a história temos moderados contra radicais, ou fascistas contra socialistas.
De um lado os partidos que hoje estão na AR, excepto o BE que nessa altura andava de G3 nas mãos e do outro lado o PCP com alguns militares mais "devotos".
A teoria diz que PS, PSD e CDS queria um "Portugal democrático e livre" e que o PCP queria criar um satélite russo à imagem de Cuba e dos restante países da Cortina de Ferro. Diz que. Esta parte é importante.
Que eu saiba nunca Cunhal o disse, mas posso estar enganado. Tito seguiu o modelo socialista e afastou-se de Estaline, criando a sua própria linha (depois de seguir a dos chineses). Olhando para as antigas repúblicas da Jugoslávia hoje, tirando a Eslovénia, não me parece que a separacão tenha favorecido muito aquele pessoal. Veja-se a Bósnia partida em 3, a guerra na década de 90, a maioria albanesa do Kosovo e por aí fora.
Ou seja, Cunhal poderia seguir a sua visão do socialismo. Claro que, se tivermos em conta que o PCP nunca condenou a Primavera de Praga, podemos aceitar que o socialismo do Cunhal era como aqueles "calquitos" (suave recordacão!) mas com o Estaline por baixo. Aceito que sim.
Parece que os russos não estavam para grandes salganhadas na Iberia e os cubanos andavam entretidos com Angola.
E assim venceu a malta que queria um Portugal livre. Óptimo. Somos livres, democratas e mais uma série de coisas giras.
Mas somos mesmo? Foi o 25 de Novembro uma grande vitória? Acredito que sim. Provavelmente o outro modelo teria sido bem pior, mas, tudo o que sei do outro são alguns "ses", umas quantas analogias e vastas especulacões.
Agora da faccão que venceu em 75 já sei tudo.
A ideia seria boa, os principios também, mas tudo o que ali se defendia, ou que eu julgo que se defendia, falhou.
Somos um povo livre? Realmente andamos por onde queremos, dizemos o que nos apetece e não temos muros em Elvas. Mas, temos a liberdade de ir onde queremos? De comer o que nos apetece? De viver onde gostaríamos?
Temos a liberdade que a nossa carteira permite num mercado aberto e concorrencial. E essa liberdade é, para ser simpático, limitada. Qual é o nosso crescimento económico? Qual é a melhoria da qualidade de vida de um português médio? Podemos hoje gozar a nossa liberdade? Só se for a crédito…
Para metade das familias portuguesas o filme do dia "acordar-fila de transito-trabalhar-fila de transito-dormir" repete-se durante uma vida. É isto que esperam que um povo livre faca? Quando o salário apenas chega para pagar contas e comer massa com salsichas? Isto para mim é uma espécie de prisão.
E democratas? Somos democratas?
Bem…decidimos tudo pelo voto, é um facto. E até podemos votar em vários partidos. Mas esse voto conta? Com uma classe política que concorre a duas eleicões ao mesmo tempo ou que abdica dos cargos para os quais são eleitos antes do primeiro dia de trabalho, podemos dizer que o voto é respeitado?
E o estado de direito? Existe? E o progresso? Chegou?
Temos um dos maiores (senão o maior) índices de corrupcão da UE. Temos instituicões, autarquias e ministérios minados de arranjos, cunhas e esquemas para sacar dinheiro dos impostos, temos pessoas que entram na política com um par de cuecas no corpo e passados 10 anos são magnatas, temos empresas privadas a pagarem luvas para conseguirem obras públicas, temos o terceiro pior nível de escolaridade da OCDE (que tem um total de 53 países se não me engano), estamos há 20 anos a receber subsídios da UE e quando já devíamos estar entre os países pagadores continuamos a estar entre os mais miseráveis, temos casos que se arrastam nos tribunais sem qualquer condenacão, somos roubados diariamente nos nossos impostos, temos as nossas cidades destruidas pelos patos-bravos do cimento…é isto um país evoluído? É isto um estado de direito?
Sinceramente não me parece.
Tenho pena de o dizer mas hoje não há nada para comemorar. Concordo que a vitória da outra faccão poderia ter criado problemas ainda maiores mas, o que eu realmente sei, é que estes 34 anos de "democracia" e "liberdade" foram um rotundo falhanco.
Poderíamos comecar de novo e não perderíamos nada. Talvez umas auto-estradas.






