quarta-feira, outubro 18, 2006

10 Out 97 - 16 Out 2006

Com palavras. Escritas e não faladas. Apenas isso.
Perdi a conta ao número de pessoas que gostavam de ti. Já nem me lembro de quantos te olhavam como um membro da família, uma companhia residente ou um "habitué" do local.
Num jantar, numa festa, num passeio ou em qualquer convívio era normal a tua presença.
Em regra, distribuias a tua baba acompanhada de muitos pedidos de festas. Na verdade foi tudo o que alguma vez pediste. Festas. Muitas e de forma a não deixar dúvidas. Também é verdade que nunca alguém foi capaz de as recusar. Quem não acha piada a um pequeno pónei de pernas para o ar e quem resiste a esses olhos profundos como o mar? Ninguém. Rigorosamente ninguém.
No que me diz respeito, há muito que havias ultrapassado a simples companhia. Eras um amigo. És um amigo.
E é por isso que a partida dói tanto. Eu sei que não falávamos a mesma língua, mas continuo a achar que me entendias na perfeição. O que fizeste durante estes anos? Afecto, afecto e mais afecto. Incondicionalmente ofereceste afecto a quem contigo conviveu. É isso que me atravessa a memória.
Sabes Sebastiao? É como se nada tivesse acontecido. O mundo real é algures cá em baixo e não é neste que estou. De vez em quando vem a frase, aquela maldita frase "o Sebastião morreu".
O Sebastião? O meu Sebastião? Mas porquê Sebastião? Porquê?
E nessa altura, por alguns segundos as lágrimas invadem-me a pele. Mas rapidamente volto para o meu mundo e nesse, o abraço que te dei não foi o último. Nesse, eu estou no aeroporto para te receber. Nesse, tu ainda tens muitas festas para receber.
Será que ainda há algo que possa fazer Sebastião? Seja o que for...eu faço, prometo que faço!
Grito para aqui porque não o consigo fazer em mais lado nenhum. Quero escrever e despejar toda esta dor. Como se as minha palavras te pudessem trazer de volta.
Gosto tanto de ti. Tinha tanta esperança que pudéssemos estar juntos novamente. Estava tão perto, tão perto Sebastião.
Apesar de saber que não mais terei a hipótese de te abraçar, fico feliz quando constato que ao longo destes 9 anos foste tratado com a dignidade e carinho que qualquer amigo merece.
E aqui, convém mandar um beijinho muito grande à minha Avó que te dispensou toda a atenção neste último ano e meio, ao meu Pai que me trouxe sempre a tua voz desde que esta aventura começou e à Xana, que nos apresentou naquele Natal de 97 e que contigo passou maior parte da tua vida.
Enche-me de alegria ter partilhado parte da minha vida com um ser como tu. Deixas-me saudades, muitas. Apetece-me gritar ao mundo como te adorava.
Esta dor passará. Eu sei que passará Sebastião.
Mas é intensa sabes? Muito.
É o normal entre amigos.
Na minha memória está guardado o teu espaço. Com um sorriso acenarei sempre que por lá passares.
Não demores muito. Ainda tenho um abraço para te dar.
Até sempre Sebastião.

20 comentários:

Inês disse...

Não há palavras que consigam transmitir um "lamento muito" sentido do coração. Apesar de não o conhecer até eu já era amiga do Sebastião. A dor de perder um amigo de 4 patas só é entendida por quem já por lá passou também. Resta-nos o consolo de saber que lhes proporcionámos o melhor enquanto estiveram na nossa companhia.
Não há nada que possa fazer para reconfortar-te mas aqui fica um sincero abraço virtual.

Anónimo disse...

tenho muita pena... 1 xi
n consigo escrever mais nada, as palavras n saem facilmente.

joaninha disse...

ele esta te certamente bastante reconhecido... e tu sabes disso, porque pelo que escreves, era isso que os olhos dele diziam... sei que agora tudo custa muito... ja estive desse lado... e doeu muito, não posso dizer que não... mas ficam as boas recordações que nada conseguirá apagar!

beijinhux

Sandrinha disse...

Olá Sebastião, já não será possivel o teu amigo Tiago ler estas minhas palavras para tu ouvires, mas lá em cima no ceu (se ele existir) procura por uma amiga minha, chamava-se Violeta é linda e cor de mel! Vais ver que ainda vão ser amigos, e já agora, manda-lhe um grande beijinho meu cheio de saudades...

A ti Tiago mando-te um beijino apertado e cheio de força.

Anónimo disse...

Lamento muito. Eu tb sei o que é perder um amigo. A vida anda para a frente...

gifinha disse...

lamento... =(

metralha disse...

Na hora da despedida, fica o abraço do arqui-rival Metralha e um grande abraço para ti!

marília disse...

Muita força para ti. Eu nunca tive um cão, porque a dor de perder o Crespim (que era apenas um canário, mas que me recebia com um cantarolar sempre que eu chegava da escola) foi tão grande que os meus pais decidiram não me voltar a fazer passar pelo mesmo.
Força aí!

Hugo disse...

a surpresa e a tristeza invadiram-me a alma... um nó na garganta e uma lágrima no olho refletem aquilo que sinto...

Adoro cães... sempre adorei mas nunca tive um...

... mas engano-me... as pessoas não "têm" cães, sentimos, vivemos e partilhamos... não os temos!
E eu tive tudo isso sim, tive com o Sebastião!

Sempre pensámos em nele como um bocadinho nosso... pelos vários momentos que partilhámos, pela baba, pelo pêlo, pela comida, pela sua majestosa cabeça sobre as nossas pernas na calcinha de sair à noite...

Não o esquecerei, nunca!

Um grande abraço Tiago.

Nuno disse...

Adeus cão grande !!!

Tou triste por dentro hoje...

Abraço Tiago.

catarina disse...

até sempre, cao gigante de olhos meigos:'( saudade.

(Tiago, passas pelo teu mail do hotmail?)

Patricia disse...

Sinto muito.... mesmo :'(

Et disse...

Apenas deixo um beijinho grande!

P.S. Tenho a certeza que foste o melhor dono, a melhor companhia, o melhor AMIGO que o Sebastião podia ter e, no fim, de contas, saber isso e recordá-lo sempre com carinho e um sorriso é o melhor que podes fazer por ele, e por TI!

Anónimo disse...

quando vi as fotos e o texto pensei que fosse mais um testemunho do quão amas o Sebastião.E foi, aliás, é e será pelo tempo que durar a tua memória e a daqueles com quem ele partilhou decilitros ou simples rasgos de baba.

Lamento.

Um abraço.

Rui R.

Ju disse...

Olá Tiago.

Apesar de não escrever aqui muito, acompanho-te sempre que posso.

Também pensei que daqui a uns tempos terias aqui um post com fotos do Sebastião contigo, aí nas terras frias do Norte.

Nunca tive um amigo assim, de 4 patas, dos que não falam a mesma lingua que nos, mas apesar de tudo entendo lindamente o que sentes.

E apesar de serem só palavras as minhas, e que nao restituem o que perdeste, quero que saibas que o mais importante é que o lugar do Sebastião nunca desapareça em ti.

E sentir-te-às, sempre, acompanhado do teu amigalhaço.

Um beijinho.
Ju*

Rosa disse...

:/ Perder um amigo é uma dor horrível, independentemente do número de patas que ele tiver. Beijinho para ti.

Susana Guerreiro disse...

É muito mau, tens que ter força...
Lamento muito.

Anónimo disse...

Nestas alturas as diferenças tornam-se aberrações.
O meu profundo lamento pela tua perda, sei o quanto gostavas do Sebastião do que eras capaz de fazer por esse lindo cão grande.
Um abraço sentido.
JR (ronca)

Anónimo disse...

Tiaguinho...
Olha, nao fiques triste, foi o Sebastiao e veio a Nuki, que tinha sido abandonada e que nos tem dado tantos momentos simpaticos.
Fomos à PetFil e nao consegui resistir aos olhos da Nuki, a Marta chorava num canto, eu a olhar pra cadelita... enfim... uma cena.
depois no dia seguinte falei com a Sao, a Marta assinou um papel em como se responsabilizava pela Nuki, e eu falei pra senhora da Associacao que tinha recolhido a Nuki, e pronto.
Agora somos 4 lá em casa.
O Sebastiao sabia que ía deixar cá alguém para o lembrar- a Nuki

um abraço miudo
Paulo

nana disse...

....