quarta-feira, outubro 31, 2007
O projecto
Ligo-me ao telejornal.
Um rapaz com fato e gravata fala da importância do projecto para a região de Castelo Branco.
Qualquer actividade, nem que seja beber a bica com a mão esquerda, quando descrita por uma pessoa de gravata passa a ter o nome de "projecto".
"Com este projecto pretendemos ligar as pessoas à sua terra nos momentos de lazer, nos momentos de passeio, etc. Agora já não precisam de ir para Lisboa ou Coimbra.", diz visivelmente agradado com o "projecto".
Mas o quê? O que terá acontecido em C. Branco para retirar Albicastrenses dos pastéis de belém?? Um jardim? Um museu? Um oceanário?
Fizeram o primeiro grande centro comercial. 75 lojas, cinemas e um modelo. Uma loucura!
Agora percebo. Já não há necessidade daqueles momentos de lazer fantásticos nos jardins do Colombo ou nas galerias do Vasco da Gama.
E como nestas coisas não fazemos nada por menos, no dia da inauguracão o edil local cortou a fita de uma nova estrada que por acaso passa mesmo lá ao lado. Quando aquele rio de Bruxelas secar, sempre quero ver como é que estes "projectos" importantes para o bem estar da Nacão se realizam.
Uma notícia.
O rectângulo está na mesma.
Ora onde é que está aqueleeee botãoooo....ehhhh...está aqui....off
terça-feira, outubro 30, 2007
Do mesmo pedestal
Depois de um país inteiro andar atrás de uma crianca inglesa (algo que nunca foi feito por qualquer dos desaparecidos lusos e imagino eu, por nenhuma das centenas de criancas que desaparecem no Reino Unido diariamente), da beatificacão precoce que a comunicacão social concedeu aos McCann, do apoio concedido pelos populares (e aqui não foi apenas com palmadinhas nas costas...também houve dinheiro a entrar no banco!) e das intermináveis horas de divulgacão na televisão do estado, temos que ler barbaridades e insultos deste atrasado mental sobre um caso que resulta de uma negligência (na melhor das hipóteses) dos pais e tudo, porque a PJ se limitou a investigar a única hipótese que restava.
Já é muito fish and chips para um dia.
O gajo do lencol

domingo, outubro 28, 2007
Uma semana a contribuir para o crescimento do PIB
Pela primeira vez, esta época, foi um prazer ver um jogo de futebol do Glorioso. O jeito, ou a falta dele continua lá, mas pelo menos as camisolas sairam bem suadas. Correram do princípio ao fim e atenuaram com esforco as falhas tácticas do Camacho.
Gostei. Gostei mesmo.
Ahh...e também gostei do momento humorístico do fim. O treinador de uma equipa que jogou contra 10 durante mais de 1 hora, vem queixar-se da arbitragem.
Clubes pequenos, mentes pequenas.
Além do mais, o Marítimo é uma das equipas que concorre em desigualdade com as demais (100% financiados pelo Tio Alberto, que é como quem diz nós!), por isso a vitória ainda me sabe melhor.
Sim, o PIB português vai levar um empurrão esta semana e cheira-me que o sueco também.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Um conto de Natal *
Quantas vezes escrevemos um número por extenso? Entre 0 e zero vezes.
Dizia…17.30h.
Saio do trabalho e preparo-me para percorrer os 200m de alcatrão que me deixam perto do carro.
Está frio. Não é fresquinho. É um frio bem gostoso.
Sinto-o em cada osso. Um dia comecarei a usar casaco. Prometo.
150m depois avisto o meu carro. Está só no parque. Também, o que se poderia esperar a esta hora da madrugada?
Desvio o olhar para um canteiro. Não tem mais do que 70 cm de largura. Atravessá-lo não é muito civilizado mas evita os último 20m do percurso.
Depois de 180m ao frio, não fazer aqueles 20 parece-me razoável.
Vejo que tenho que pisar uma ou até duas ervas daninhas para atravessar o canteiro. Olho para os lados e não há ninguém da Quercus por perto. Avanco.
Dou umas bicadas com a chave na chapa até conseguir acertar com a fechadura. Luvas também teriam sido umas companheiras fantásticas.
Entro e sinto gelo em estado puro. Ligo o carro e a "sofage" comeca a empurrar ar frio. A/C é para meninos.
Acelero o mais que consigo até ao primeiro semáforo e o cheiro a gasolina mistura-se com o ar. Estou gaseado mas um pouco mais quente.
Vem de baixo o ar. Está apontado para os pés.
Percorre os pedais, atravessa as solas, vem pelos joelhos e quando chega ao pescoco já aconchega.
E cheira.
Cheira?
Não é suposto cheirar.
Mas cheira e não é a ferro de engomar.
Olho em volta e estou só.
Cheira muito mal.
Epá não pode ser. Não acredito. Queres ver que pisei? 180m de alcatrão e 70 cm de terra e pisei? Naqueles 70 cm e dois passos?
As dúvidas arrastam-se até ao terceiro semáforo. Rezo pelo vermelho que acontece. Disparo porta fora e no meio do gelo miro as solas.
O direito. Logo o direito!! Está lá. E agora? E agora?
No minuto que o vermelho me concede olho para o alcatrão em busca de um pauzinho de perna de pau. Nada, rigorosamente nada.
A estrada está extraordinariamente limpa. Só há alcatrão. Que saudades do eixo norte-sul e das suas bermas cheias de latas, paus de gelado e demais utensílios imprescindíveis.
Não quero entrar no carro. Raspo no alcatrão liso e fica tudo na mesma.
Aparece o verde e o gajo de trás apita indiferente ao meu fado.
Entro e procuro solucões.
Mas é o direito. O do acelerador. Não dá para não usar!
E se for de meia?
Epá não dá. O pedal já tem amostras. Sujava a meia.
E se trocar as pernas? Huumm...espalho material pelas calcas.
E agora pá? E agora? Como? Como?
Agora aguenta.
Mas desliga o ar quente está bem?
* - de Charles Dickens (adaptacão livre)
quinta-feira, outubro 25, 2007
O mundo ao contrário
Fala numa cena alta e hiperbólicamente espectacular chamada World Cyber Games.
Diz ele, são as olimpíadas dos jogos electrónicos. O paraíso dos Geeks, digo eu.
Já estou a ver um ginásio enorme em Singapura com malta de óculos e borbulhas a pontapear processadores a cada "game over"!
"Temos jogos de shooting, racing, fighting e futebol", relata entusiasmado.
E futeboling?? Não há futeboling pá??
Orgulhoso explica que em 5 anos a organizacão conseguiu 74 países participantes. Os jogos olímpicos (aqueles onde a malta usa calcões) demoraram décadas para atingir tal marca, completa.
Jogos olímpicos para nhónhós da playstation...
Afinal a profecia estava certa.
PS - Depois admiram-se quando estes putos perguntam qual é o número de telefone da Lara Croft
quarta-feira, outubro 24, 2007
Os rapazes de Glasgow
Guarda-redes passa para o central, sai charuto para a frente e logo se vê o resto. Repetem durante 90 minutos e está a táctica feita. Para quem os vê o pensamento de rótulas partidas torna-se uma constante.
Agora...o que dizer de uma equipa que não consegue ganhar a esta malta?
Ouco o comentador dizer: "10 remates à baliza, bolas no poste e na barra, grandes defesas de Boruc...é muito azar de Cardozo!!!"
Não meu amigo. Azar é tropecar no degrau do autocarro e entre os 32 dentes possíveis de partir, conseguir escavacar aquele que se tinha substituido ontem por um pivot de ouro. Isso é que é azar.
Numa baliza com mais de 7m, acertar em ferros de alguns cm é uma prova de perícia.
É tudo....
(gooooooooooooolooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!)
...
Sim, estava a escrever com o jogo a andar....
E não é que o Cardozo acertou naquele espaco que existe entre os postes?
Espero que isto sirva para acabarem com conversas de "azar" e tangas do género.
Corram e tenham atitude!
E agora deixa lá ver se ganham mesmo isto...afinal, 1,5 minutos contra este colosso ainda pode dar asneira.
Portela+1000
Há que dizer, antes de qualquer coisa, que a razão base da greve é justa. Um piloto com 65 anos a transportar 200 pessoas não é um quadro apetecível. Um avião não é um autocarro da Carris e a especificidade da profissão tem que ser reconhecida, mais não seja, em nome da seguranca.
Os pilotos alegam que devem ter igualdade no tratamento quando comparados com os controladores aéreos (desgaste, risco, etc). Quanto a estes últimos tenho as minhas dúvidas, mas adiante.
Dito que a base da greve é justa, há então que pensar no outro lado da moeda.
Também pela especificidade da profissão de piloto, o respectivo sindicato deve pensar nas consequências de uma greve destas. Um piloto da TAP é extraordinariamente bem pago para fazer o seu trabalho e goza de uma série de regalias que o comum trabalhador não tem. A TAP enquanto empresa, não tem capacidade de resposta para os problemas comuns do dia-a-dia, quanto mais para uma paralizacão deste género. Os prejuízos da TAP são pagos um pouco por todos nós e não me parece que alguém consiga beneficiar com isso. Nem os próprios pilotos.
O sindicato, ao fazer esta greve, sabe que está a atar totalmente os pés da empresa e ao mesmo tempo a chantagear o governo.
O governo por sua vez, justifica o aumento da idade, com o facto dos pilotos de reformarem aos 60 e depois irem voar para outras companhias em Espanha. Embora não concorde com o argumento, gostaria ainda assim de ouvir o sindicato dizer qualquer coisa.
Por fim, e numa altura em que o governo pede ao sindicato uma discussão à mesa, este confirma a greve por mais não sei quantos dias.
Se o governo abre a porta o sindicato deve aproveitar e voltar à greve, apenas e se verificar más intencões do governo. Mas para isto há que falar antes.
Ao agir assim (e admitindo que o tempo para conversar não estava esgotado), mostra que não é um parceiro social, que não se preocupa coma empresa pública que lhe paga as cotas e que não vislumbra qualquer horizonte para lá do próprio umbigo.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Amor com intervalo para socos
Monsenhor Luciano Guerra e publicada no "Notícias de Sábado", suplemento semanal do "DN", de 6 de Outubro 2007)
Jornalista: Havia vidas desgraçadas quando não existiam divórcios…
Monsenhor LG: Havia e hoje também há. No tempo em que não havia divórcios, havia situações bastante dolorosas, mas a pessoa resignava-se. A mulher dizia: calhou-me este homem, não tenho outra possibilidade, vou fazer o que posso. Ao passo que hoje as pessoas querem safar-se de uma situação e caem noutras piores.
Jornalista: Na sua opinião, uma mulher agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Monsenhor LG: Depende do grau da agressão.
Jornalista: O que é isso do grau da agressão?
Monsenhor LG: Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.
Jornalista: Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Monsenhor LG: Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso de gravidade suficiente para deixar o homem que a amava.
Cancro da mama
É fácil, barato (pronto, é de borla porque não são vocês que pagam a internet aí no trabalho), ocupa uns bons 4 segundos e dá muito mais do que milhões.
domingo, outubro 21, 2007
Mariana, uma ano depois

sexta-feira, outubro 19, 2007
O tratado
É muita gente a falar ao mesmo tempo e ninguém se entende.
Muito bem. Há que estabelecer ordem na mesa.
Portugal perde 2 eurodeputados, tal como os países mais pequenos.
Perde o controlo da sua zona económica exclusiva (que é a maior da UE).
O tratado, permite que 6 países (Franca, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e não sei qual é o outro) tenham a maioria do parlamento europeu (56%).
Espanha e Itália ganharam deputados. No caso italiano até tiveram que aumentar o número de lugares no parlamento para os agradar.
Os polacos, que desde o início estavam a encravar o processo, conseguiram tudo o que pretendiam (com o apoio da Franca) e em troca mandam uns quantos rapazes de capacete para o Chade. Um tratado de onde o actual governo polaco sai feliz, é sempre de desconfiar.
Admitindo que em democracia faz algum sentido que os países com mais pessoas (os tais 6) tenham mais peso (de voto) que os restantes, não deixa de ser curioso pensar em como é que o nosso país poderá sair beneficiado com um tratado que coloca 21 a dependerem de 6.
Não nego a justica de "fala mais quem representa mais gente", mas gostava apenas de perceber como ficamos no meio da festa.
Zé, faz-me lá o favor e vai à RTP explicar com calma o que é que ganhámos com isto.
E podes saltar aquela parte de ter "Lisboa" num documento word.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Para onde olhas tu?
terça-feira, outubro 16, 2007
O Pascoal


segunda-feira, outubro 15, 2007
Diga bom dia com Mokambo

Ao nível do micróbio dificilmente encontrarei outro viveiro tão rico como a mesa da sala de reuniões aqui do departamento.
Poderia mesmo dizer, caso fosse um especialista em microbiologia (ciência que como todos sabem estuda o desenvolvimento do micróbio desde a idade da pedra), que a minha flora microbiana humana (vão ao google que eu também tive algum trabalho) aumenta exponencialmente (voltem lá) quando me sento naquela sala.
A mesa é um verdadeiro maná para a bicharada. Papéis, pedacos de bolo, sandochas com molhanga, restos de café e solas de sapatos. Tudo misturado com o requinte que se exige. Aqui há atrasado (como diz a malta a norte do Mondego) enquanto à volta da mesa se discutia algo (devia ser importante mas já não me lembro) o gajo que se sentava na direccão dos meus olhos fazia um piquenique. Numa mão tinha um pacote de leite e na outra uma sandes típica da suécia. Na mesa ficavam apenas os restos da degustacão. Esta sandocha tem algumas particularidades que em princípio a afastariam de qualquer sala de reuniões. Mas aqui e para um gajo que vem trabalhar com calcas de fato de treino e meias brancas nas sandálias impossible is nothing.
A sandes consiste numa fatia de pão com uma folha de alface, um molho roxo e duas almôndegas coladas nessa pasta. Para ser simpático direi apenas que é difícil comer tal repasto sem sujar o queixo e a testa. Ao mesmo tempo.
Contudo, tenho que reconhecer pelo estilo que o artista dominava o terreno de jogo. Enquanto os outros discutiam qualquer coisa (não me lembro mesmo), ele pegava numa almôndega e dava-lhe uma trinca. Depois, com a metade que sobrava voltava a mergulhar na molhanga e comia. No fim, para puxar lustro ao dedos fazia aquele sluurrp tão bom que evita qualquer desperdício. No meio da operacão há um bocado de molhanga roxa que cai na mesa. O drama? O horror? Não.
O mesmo dedo passa pela mesa e salva aquele pedaco de pasta. Dirige-se novamente para a boca para outro sluuuurp, agora com muito mais sumo. No fim, com a cabeca do dedo brilhante e orgulhosa, chega aquele aconchego que só as calcas podem trazer. Foi-se o brilho.
Sempre que lhe perguntavam algo era possível ver a betoneira em accão. Leite, pasta roxa e o castanho da almôndega. De facto não me lembro do que falávamos.
Repasto terminado e nada como esticar as pernas. Quem não gosta de um belo alongar de joanetes? Mas debaixo da mesa? Porquê? Quando se pode meter as solas em cima do tampo e recolher de forma eficiente os restos que o dedo não apanhou.
Por esta altura restava-me apenas uma dúvida. Que contorcionismo usaria para lamber as chanatas?
domingo, outubro 14, 2007
Pernas para que te quero
sexta-feira, outubro 12, 2007
O Al
Excluída que estava a hipótese "Nobel do Ambiente", Al Gore partilhou o Nobel da Paz.O planeta agradece.
Bush e os republicanos é que nem por isso.
quinta-feira, outubro 11, 2007
E já que falo no...
Che e no Camilo Cienfuegos, ei-los a sorrir na primeira fotografia.
Não resisto a deixar aqui a versão dos franceses Zebda.
Lenda por lenda, que tenha uma pouco de bateria à mistura e aquela "concertina" de Buenos Aires.
O Ernesto

Passam este mês 40 anos sobre a morte de Che Guevara ( 9 Outubro 67 ).
Um pouco por toda a blogosfera abordou-se o tema "mito vs carrasco".
A direita e os seus orgãos oficiais (DN por exemplo) apressam-se a desmontar a imagem romântica do revolucionário. A esquerda defende-o, no que é possível defender.
A fotografia que está aí em cima, tirada em 60 por Albert Korda, serviu de inspiracão para a pintura (a vermelho) de Jim Fitzpatrick em 1968. É a segunda imagem mais reproduzida do mundo. Isso acontece porque depois do dia 9 de Outubro de 67, o dia em que Che foi assassinado, criou-se um mito.
Convém referir isto: Che Guevara não morreu em combate. Foi capturado e executado no dia seguinte para ser mostrado ao mundo. Como um animal.
A CIA sem querer criou um herói e Fidel, que foi o primeiro a mandá-lo para a morte, apanhou a onda e transformou-o na bandeira da revolucão.
As ideias de Che Guevara já não faziam sentido no século em que ele viveu. Queria unir a América Latina tal como Bolivar e achava que a luta armada era o caminho.
Uns anos antes alguém disse o mesmo: Estaline.
Por aqui se percebe que para Che Guevara a revolucão não era um meio para atingir a paz mas sim uma forma de vida. Viveu e morreu por esse ideal.
O bom senso obriga a dizer que Che era doido.
O problema é que a história reescreve-se a cada dia que passa e é interpretada individualmente. O bom senso não faz parte disto.
Para mim há um Che Guevara antes da Sierra Maestra e depois desse período.
Confesso a minha simpatia pela personagem que ajudou Cuba a livrar-se de um governo fantoche que servia apenas para gerir uma colónia de jogo e prostituicão para os vizinhos de Miami, que assistia um inimigo ferido como se de um companheiro se tratasse, que trabalhou nos campos cubanos, que ensinou camponeses a ler e que acreditava que o seu esforco poderia melhorar algo na vida dos que o rodeavam. Essa é a parte da lenda, que apesar de romântica, não deixa de ser verdade. Esta é a parte do personagem que para mim forma o mito e não mudará por muitas limpezas que a história da direita faca.
Se Che Guevara soubesse naquilo em que Fidel transformaria Cuba, talvez não tivesse passado 3 anos na Sierra Maestra, mas essa é outra história.
Depois dos primeiros anos em Cuba, regressou a faceta "revolucão a qualquer preco" e a quantidade de disparates não mais terminou até ao dia 9 de Outubro de 67.
Esta mistura de Bolivar com Estaline não cabe no séc.XX.
Contudo, não deixa de ser curioso constatar que, se por acaso Che tivesse continuado em Cuba a governar com Fidel, dificilmente se teria tornado num mito.
Estou certo que estaria igualmente morto, mas não por uma bala inimiga.
Basta pensar no que aconteceu a Cienfuegos e a todos os outros comandantes da revolucão que fizeram sombra a Fidel.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Buda e seu amigo Peste
Tudo o que define uma capital europeia está lá: arquitectura, história, cultura, confusão, trânsito e sujidade. Quase que me senti em casa (nessa desse lado).
A única coisa totalmente nova foi constatar que algumas pessoas vivem em edifícios cravados com marcas de bala. Na revolucão dos cravos bastou-nos a forca da palavra. Parece que não mas poupa a componente arquitectónica.
O tempo de passagem foi curto mas deu para perceber que a cidade merece uma nova visita.
Como qualquer turista que se preze dei uma voltinha no Danúbio e qual não foi o meu espanto quando a bordo a banda tocou o Danúbio Azul! Nem sei como se lembraram desta.
A parte histórica de Buda (império austro-húngaro) é lindíssima e a área cosmopolita de Peste mostra a abertura da cidade ao ocidente. Se é que faz sentido falar disso hoje em dia...
Os banhos de vapor e as águas quentes são por si só um bom cartão de visita.
Há também a experiência para um dia contar aos netos do que significa visitar uma cidade com 50 vikings. Desconfio que esta malta é educada com nestum de cevada e água de alambique.
O único problema de Budapeste, na minha opinião, é ter muitos húngaros.
Que malta ANTIPÁTICA. Falar inglês só mesmo na televisão e no canal da BBC, sorrir é um verbo desconhecido e educacão, também não me parece que seja um dos pontos fortes.
Fiquei com a sensacão que cada um dos húngaros com quem tive de falar (falar aqui é uma forca de expressão) tinha o pior emprego do mundo, tal era o frete para mexer cada braco.
Depois de pedir uma refeicão (se é que a um panado se pode chamar isso) pedi uma cola quando a senhora já distava 10 cm do frigorífico e ao ver a sua expressão de "dasseeeee" agradeci ao deuses o facto de já não existirem por ali os pelotões de fuzilamento.
Para uma cidade tão turistica, uma pequena formacão de "como ser educado em 10 licões" para quem trabalha nos sítios mais visitados, seria uma verdadeira dádiva.
Agora que penso nisso, vou comecar a prestar atencão se nos "sitios do turista" em Lisboa quem nos visita é recebido com sorrisos ou não.
É que eu tenho a sensacão que somos simpáticos.
Ou vá lá, acolhedores.


O regresso ao batente
quinta-feira, outubro 04, 2007
Destino: Budapeste

Os camaradas de labuta, sempre alerta com o bem estar do proletariado, resolveram fazer um "ing" para fortalecer o espírito de grupo.
"Team building" é o nome e consiste num power point a dizer "sei onde estou e para onde quero ir" e coisas do género.
Parece é que o power point está num computador Húngaro e por isso, eu e mais 50 camaradas, temos que dar um salto a Budapeste para o ver.
Regresso 3f a estas lides (é um power point enorme).
Até lá, despeco-me com um out off office sui generis que acabei de receber de um colega.
Hi There!
If you have received this message, you have succesfully sent an email to ...
I´m out of the office until tuesday. (07-10-09)
If this is an Urgent matter, like End of the World urgent and Bruce Willis can't save us, you can contact me via Cell phone ...
Bom fim de semana.
Comer sem mastigar
É muito tempo sem ninguém por perto para falar. E isso é um verdadeiro tormento.
Se o silêncio fosse bom a surdez seria uma dádiva.
Há falta de melhor falo comigo. É óptimo porque na maior parte das vezes acabo por ter razão.
Discutíamos o jogo de ontem. Eu e eu.
Tentei fugir à conversa fingindo que não era coisa que me incomodasse, mas logo percebi que não valia a pena. Não só me incomoda como me tira a boa disposicão.
Fica aqui a bater-me no miolo como um pica-pau. Há que discutir o tema.
Assim, eu e eu, lembrámo-nos da frase lapidar de Nuno Gomes no final do jogo: "Fazemos tudo bem mas não conseguímos chegar ao golo!"
E com isto entro numa subida tramada.
Espero pela recta para organizar ideias.
Já está.
O golo. Comecemos por aqui.
"blá,blá…chegar ao golo".
Os sócios, as recordes do guiness, as pessoas que comem corato com mine na roulotte, a senhora que vende bandeiras em frente ao Colombo, o Máximo taxista, o Barbas, os salários de realeza, os benefícios fiscais, os kits do orelhas, cada bancada do novo estádio, o centro de estágio, os jornais desportivos, o merchandising, o naming e todos os "ing" que se inventam quando não há guita, servem apenas para que essa palavrita tão simples e universal exista: golo.
É para isso que tudo o resto mexe. Para que durante 90 minutos vocês consigam dizer "golo" mais uma vez (pelo menos) do que os mancebos que correm do outro lado.
No fundo é apenas isso.
Ora…se essa parte não existe, há que repensar o que fazer da vida.
Imaginem um cirurgião a dizer:
"epá…eu abro bem com o bisturi e troco umas válvulas no coracão, mas naquela parte de fechar outra vez é que me atrapalho!"
Sim, eu sei. A frase "com o coracão nas mãos" ganharia um novo sentido, mas não seria prático além de que sujaria muito.
Peguem neste exemplo e repitam-no com qualquer área da sociedade.
Faco as paredes mas o tecto não. Lavro a terra mas não coloco sementes. Ensino a ler mas sem falar. Apanho turistas na Portela e levo-os pelo caminho mais curto sem os enganar.
Coisas sem sentido. Percebem?
Se o resto da sociedade seguisse o vosso exemplo, o mundo ficaria muito próximo daquele idealizado pelo Loucã.
Que tal usar esse belo relvado para criar vacas e entrar no mundo dos lacticínios.
O "ing" ficaria assegurado com o merchandisING de chocolates. Estaria na primeira fila para comprar um belo chocolating com o nome "Gloriosing".
Agastado com o debate que tive comigo chego ao trabalho.
As pernas acompanham o desgaste.
Segue-se a banhoca e duas reuniões.
2 fatias de bolo em cada reunião.
Valeu a pena pedalar.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Em Outubro
Mau de mais para ser verdade.
Isto para quem não os vê jogar.
Para quem vê não resta outra hipótese que não seja encarar: não jogam uma merda!
Estes ucranianos (e não quero saber quantos brasileiros do Nordeste compraram) nunca tinham ganho um jogo fora de casa na LC. Assim como o Sportém.
Mais baixo que isto já não dá. A sério. Não dá mesmo.
E agora Orelhas?
Vais assumir responsabilidades ou chutas para canto outra vez?
Visto do céu (Gotemburgo)

"Que gelo!", digo olhando para a pele das mãos.
Não a vejo. A pele.
As luvas não deixam.
Outubro. Ainda agora chegou.
Recebo-o de luvas e forro polar.
Para quê as mariquices? Não largo o polar desde Agosto…Ahh!
Limpo a "cacimba" do banco e sento-me. Ninguém quer um triângulo marcado no rabo. A não ser que goste de asa delta. Mas sem asa.
Escolho a primeira música e acordo o pedal. Monte abaixo deslizando no vento.
Entre a brisa os meus ouvidos filtram a música.
"fuuuuuuu….the girl from…..fchuuuuuuu….ipanema goes walking….fchuuuuuu".
Bem hajas cotonete.
Há uns meses o caminho para o trabalho demorava 2 músicas completas. Ou 0,5 músicas no caso do Danúbio Azul.
Agora, com menos do que 15 não me safo.
Trabalhar na ilha do lado "obriga-me" a passar a 25 de Abril cá do sítio. A cidade vista dali e com a música certa anima qualquer manhã.
O frio? Desapareceu há 7 músicas e algumas corridas na ciclovia.
As pessoas que estão a alguns metros de mim, apesar de não terem conhecimento do facto, estão sempre a disputar a contagem de montanha de 1a categoria.
Estatísticamente, de cada vez que vou naquela pose de "alta montanha" (sorriso aflito, cara de arghhhhh, mãos a deslizar nos punhos e rabo no ar para o balanco) a subir uma qualquer parede do caminho, passa ao meu lado na ciclovia um puto numa scooter para que eu de pulmão bem aberto possa absorver cada uma das octanas libertadas.
Quem foi o jumento que se lembrou de fazer uma lei permitindo scooters numa via para bicicletas? Também eu gostava de saber para lhe dar um calduco na careca.
Os gajos que fazem leis são sempre carecas.
Também se prova estatísticamente.
Quando chego ao trabalho, páro a bicicleta no parque e deixo-me cair para o lado. É a forma mais fácil de descolar.
Noutro sítio talvez me sentisse estranho por entrar no estaminé com calcas à Robin Hood, mas sou claramente o mais discreto. O parque está cheio e o que não falta é malta de collants a caminho dos balneários.
Os balneários.
Essa é outra que também me intriga.
No parque estão dezenas de bicicletas. No balneário conto as toalhas com duas mãos.
Huuummm….
À volta da Volvo só há arbustos. As casas de habitacão mais próximas estão longe e maior parte das pessoas atravessam a ponte.
Para a subir, estou certo que algum suor deve escorrer no meio das costas.
Por outro lado há muita malta a cheirar a Patchouly durante o dia.
Acho que há aqui material para investigar.
Ou então é impressão.
No nariz.
terça-feira, outubro 02, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
O bit
1 ou 0. Em sintonia com ele ou totalmente desligado.
Foi esse o bálsamo do fim de semana.
Fechei a porta do mundo e fiz em dois dias tudo o que não consegui fazer nos últimos meses.
Mar, verde, chuva na janela, música, cinema, água com cloro aquecida, tinto de Estremoz, grelhador, dormir e mais uma série de conceitos misturados sem ordem, critério ou tempo.
Chego segunda a cantar.
"The singing guy is in the building!", diz o meu chefe.
Não me atrapalha o refrão. Sigo com os dentes de fora.
Só então reabro a porta ao mundo.
"É favor entrar", digo-lhe enquanto preparo um chá.
E ele não se faz rogado…"o Menezes não sei quê e o meia leca foi de vela, blá,blá...".
Fico confuso. Para quem é de esquerda ver o PSD a chafurdar na lama é fantástico, mas para quem paga impostos, ter um governo sem oposicão ainda é pior. Mendes era mau, Menezes é claramente pior. Os laranjinhas encontraram o seu Portas (o Paulo) e com o governo de Durão bem presente na memória, não consigo ver nada de bom. Soares resumiu da melhor forma estas eleicões: "Foi uma desgraca! "
Está dito.
Ainda assaltado pelos pensamentos da laranja, continuava a mergulhar o saco de chá.
Já colocava mel em cima do queijo, quando o mundo cheio de saudades minhas me dizia que no derby dos derbys, o Adu foi ceifado na área sem qualquer apito do senhor de preto.
"E pronto…já comecam as cobrancas daquele penalty na taca da cerveja...", pensei deixando cair um pouco de mel no polegar.
O primeiro ranger de dentes da semana. E logo na parte do mel que exige concentracão máxima.
"Mas os queques também tiveram um penalty por mão do...", "Áhh…cala-te!!!", interrompi-o.
"Desde que o Jardel tropecou nos pés e sacou aquele penalty sozinho na área com o Argel a 2m, que os queques gastaram os créditos para o século!!", concluí.
Coloquei a rodela de tomate e acalmei-me.
A primeira dentada foi fabulosa. Um pouco de queijo, um pouco de tomate, um pouco de pão.
Não veio a rodela inteira como naquelas bifanas de elástico em que ficamos com o pão na mão e metade do porco nos lábios.
O mel não escorreu para a mesa.
Bobone orgulhar-se-ia.
Aprecio a metade da rodela que ficou no pão, quando vejo o mundo a correr na minha direccão para dizer "E sabes que mais? A FENPROF não quer que os professores sejam avaliados e blá,blá.. "
A rodela desliza pelo pão e aterra na mesa. Estou nervoso.
"Porque mistura a FENPROF direitos adquiridos com sub-desenvolvimento?", penso eu olhando para a rodela de tomate que nunca chegará a ser cortada por um dente meu.
Escorre um pouco de mel.
O quadro está inevitavelmente estragado.
O mundo a 1 tem os seus encantos.
Mas e a próxima sexta?
Falta muito?







