quarta-feira, outubro 24, 2007

Portela+1000

O aeroporto da Portela, um clássico da confusão lusa, enfrenta por estes dias um caos maior por causa da greve dos pilotos.
Há que dizer, antes de qualquer coisa, que a razão base da greve é justa. Um piloto com 65 anos a transportar 200 pessoas não é um quadro apetecível. Um avião não é um autocarro da Carris e a especificidade da profissão tem que ser reconhecida, mais não seja, em nome da seguranca.
Os pilotos alegam que devem ter igualdade no tratamento quando comparados com os controladores aéreos (desgaste, risco, etc). Quanto a estes últimos tenho as minhas dúvidas, mas adiante.
Dito que a base da greve é justa, há então que pensar no outro lado da moeda.
Também pela especificidade da profissão de piloto, o respectivo sindicato deve pensar nas consequências de uma greve destas. Um piloto da TAP é extraordinariamente bem pago para fazer o seu trabalho e goza de uma série de regalias que o comum trabalhador não tem. A TAP enquanto empresa, não tem capacidade de resposta para os problemas comuns do dia-a-dia, quanto mais para uma paralizacão deste género. Os prejuízos da TAP são pagos um pouco por todos nós e não me parece que alguém consiga beneficiar com isso. Nem os próprios pilotos.
O sindicato, ao fazer esta greve, sabe que está a atar totalmente os pés da empresa e ao mesmo tempo a chantagear o governo.
O governo por sua vez, justifica o aumento da idade, com o facto dos pilotos de reformarem aos 60 e depois irem voar para outras companhias em Espanha. Embora não concorde com o argumento, gostaria ainda assim de ouvir o sindicato dizer qualquer coisa.
Por fim, e numa altura em que o governo pede ao sindicato uma discussão à mesa, este confirma a greve por mais não sei quantos dias.
Se o governo abre a porta o sindicato deve aproveitar e voltar à greve, apenas e se verificar más intencões do governo. Mas para isto há que falar antes.
Ao agir assim (e admitindo que o tempo para conversar não estava esgotado), mostra que não é um parceiro social, que não se preocupa coma empresa pública que lhe paga as cotas e que não vislumbra qualquer horizonte para lá do próprio umbigo.

1 comentário:

Hugo disse...

Olha que eu prefiro um piloto de 65 anos... é que os autocarros da carris precisam mesmo do condutor para andar...