segunda-feira, julho 06, 2015

OXI...e agora?



Tenho lido um pouco por toda a parte as posicões, normalmente extremadas, de esquerda e direita sobre o referendo na Grécia. Confesso que me irritam posicões de sim porque sim, ou não porque não.
Existem dois tipos de comentadores. Os Camilos desta vida que, perante a miséria que os rodeia, preferem despejar gráficos e passar a cartilha do governo ad nauseum. E depois há os outros que tentam perceber o que se passa.
Para os que defendem que os gregos são uns caloteiros e por aí fora, vamos esclarecer uma coisa. É verdade que sucessivos governos andaram a martelar relatórios e a criar dívida disparatadamente? Sim, é verdade. São os gregos culpados pela sua própria dívida? Sim, em parte sim. E devem ser abandonados à sua sorte? Não, claro que não. Mas "porque não", perguntas tu jovem centrista cujo sonho é distribuir sacos de plástico. Porque, se mais argumento nenhum colher, digamos apenas que é mais barato salvar a Grécia do que correr com ela do euro e da UE.
Mas vamos por partes...
A dívida da Grécia apareceu hoje? Não, não apareceu. Tal como a portuguesa, espanhola, francesa ou italiana. Ahh..falta aqui a narrativa dos povos do sul. Somos todos uns bandalhos que queremos sol e deixamos o trabalho para os alemães. Mas espera! Então e os Irlandeses e Islandeses? Também fazem a siesta?
Já é altura de perceberemos como funciona a UE e de deixarmos o papel ridículo a que o nosso governo nos sujeita.
Não acho que faca sentido entrar na conversa da diferenca entre as dividas de cada país e como foram criadas, acho que já escrevi 200 vezes sobre isso. Mas convém lembrar duas coisas:
- na UE os países não são tratados de igual forma
- o jogo de interesses é controlado por uma minoria
Um dos exemplos mais citado é a história do material de guerra. Já com a Grécia em plena crise, uma das condicões do resgate era que parte do dinheiro fosse usado para comprar material bélico à Alemanha. Será talvez uma gota no oceano mas explica em parte a solidariedade que não existe. O FMI não é uma instituicão fantasma que imprime dinheiro. É uma espécie de um saco azul onde cada membro (país) mete dinheiro (a quota depende do tamanho do país) e recolhe depois os dividendos gerados. Podem ver aqui.
Como perceberão, o FMI não é controlado por todos os seus membros. Tal como na UE, os pesos são diferentes. Quando o FMI entra num país isso é um negócio da China...os lucros são monstruosos e ainda se está para ver um país "ajudado" que não tenha ficado de joelhos.
Não podemos pedir a um povo inteiro que voluntariamente empobreca para contribuir para os lucros dos países mais ricos e tapar as asneiras feitas pelos seus políticos. Banqueiros e políticos que criaram o buraco, que o paguem, como aconteceu na Islândia. Eu nem percebo os portugueses que apoiam a austeridade. Não aprenderam nada nos últimos 4 anos? A dívida externa aumentou, o desemprego também, mais pessoas foram para a pobreza e tudo o que fazemos é pagar juros. Não conseguem perceber que este é um ciclo vicioso que não tem saída possível porque não permite qualquer crescimento económico?
Os gregos perceberam isso e arriscaram enfrentar os poderosos. Pior do que estão não ficarão e eu acho que fizeram bem. Quem me dera que Passos Coelho tivesse metade do sentido de estado que Tsipras mostrou.
Se um dia alguém escrever um livro a explicar por A+B porque falhou a austeridade na zona euro, usará Portugal como estrela da companhia.
No meio desta confusão, pessoal que consegue ver mais longe (Camilo, agora podes voltar para dentro que já não é para ti), lá se lembrou que a Grécia está a sul dos balcãs, ao lado da turquia e a fazer de tampão aos emigrantes que usam a rota do mediterrâneo para fugirem do médio oriente (lembram-se da Síria? Parece que está mau por lá...). O Putin, aproveitando a chantagem da UE com um estado membro, já disse ao Tsipras que o gasoduto passa pela praca Syntagma e por isso, energia não faltará.
Os estados mais pequenos (entre os quais Portugal) queixam-se que não querem ficar a arder com o dinheiro que colocaram na dívida grega, o que se compreende. Também se poderia perguntar porque razão lá foram meter dinheiro, mas adiante.
Tentemos pois a solucão da Europa solidária...o empréstimo à Grécia é feito sem juros obscenos e os cortes exigidos vão, por exemplo, para a gigantesca máquina estatal (tal como em Portugal se prometeu um dia...). Não tocam em pensões e não aumentam impostos às empresas que podem dinamizar a economia. Ao mesmo tempo fazem um perdão de dívida que inclua a Finlândia, Suécia, Alemanha, Holanda e malta dessa. Os bancos alemães e franceses também ficam a arder um bocadinho, já que se lambuzaram para duas vidas. E pronto...está ou não aqui a verdadeira solidariedade?  A Alemanha também já teve perdões de dívida depois de andarem a queimar pessoas no forno e de arrasarem meia europa, e ninguém se indignou.
A UE não pode continuar a ser este entreposto onde os mais pobres criam dívida para importar produtos dos mais ricos. Nem pode continuar a ter estas diferencas de impostos, salários e classes sociais, Porque razão ganha um engenheiro 1000 euros em Portugal e 4000 na Suécia mas, se for um político/gestor/boy, a ordem já se inverte? É em quem nos exige os sacrifícios que deve comecar o verdadeiro corte. Onde vai a tão famosa "gordura" do Estado apregoada em 2011? E o mesmo se aplica à Grécia. Não é certamente o desgracado que depende do seu trabalho, paga renda de casa e creche do puto, que deve passar a doar quase metade do salário para encher BPNs e BPPs. Em Lisboa, Madrid ou Atenas. Aqui somos mesmo todos iguais. Não perceber isto é não entender o básico de toda esta embrulhada.
Eu não tenho dúvidas que os mangas de alpaca gregos devem vir da mesma escola dos nossos, agora, o que me parece óbvio é que não pode ser um povo inteiro a pagar os crimes de alguns. Isso foi exactamente o que aconteceu em Portugal. Quem roubou continua impunemente a mandar e quem se limita a viver do seu trabalho, ficou com a fatura. Podemos culpar os gregos por não quererem o mesmo para eles? Eu acho que não.

sexta-feira, julho 03, 2015

O fim de uma etapa


A minha memória não é grande coisa. Lembro-me de factos históricos ou acontecimentos épicos, mas o que fiz ou disse naquela noite de trovoada, vai com a espuma dos dias. Sou o melhor amigo de uma mulher numa discussão. "Lembras-te que disseste não sei quê?". Epá...não. Perco sempre a bicicleta.
Há contudo momentos de que não me esqueco pela sua importância na minha vida. O facto de gostar de escrever também ajuda a arquivar as memórias.
Corria Agosto de 2010, o Diogo tinha 17 meses e eu escrevi isto.
Sentia-me emocionado. Era o primeiro passo fora das "asas" dos pais. Nestas coisas do crescimento, videos e fotografias são muito giros mas, o que conta mesmo é estar lá. E eu estava. Como estive sempre em cada momento, estivessem as portas fechadas ou abertas.
Lembro-me de tudo. Do sítio, da sala, das professoras, das conversas.
Hoje, quase 5 anos depois e muitas histórias passadas, chega o último dia na creche.
O Diogo comeca dentro de pouco mais de um mês o ensino primário na Suécia, o ano zero (que não existe em Portugal). Os putos serão os mesmos e, imagino eu, as brincadeiras também. A escola "desloca-se" 400 metros e inicia-se a próxima etapa.
Nem sei o que me comove mais nisto tudo. O ritmo a que este miudo está a crescer, o ritmo a que estou a envelhecer ou o ápice que é uma vida. Não sei bem porquê mas nestes momentos lembro-me sempre de uma desconhecida que, há uns anos, meteu conversa comigo enquanto passeava com o Diogo na rua. Disse-me: "o seu filho é muito bonito. Esteja sempre perto dele...está numa idade óptima, depois dos 12 já não nos ligam nenhuma". E seguiu o seu caminho entre palavras que partilhava com o vento. Recordo isto vezes sem conta.
É tempo de meter os pés na areia, ver amigos e familiares, comer bacalhau cheio de azeite e ouvir sons conhecidos. Depois, bom, depois logo voltaremos às futeboladas no bairro com os outros miudos, à piscina, às regras da mesa, aos horários e aprendizagem de novas matérias,
Regressaremos ao sítio que eu escolhi para vivermos, esperando que dentro de uns anos ele esteja contente com a decisão tomada. A intencão foi boa, diga-se.
Venha de lá a próxima etapa. Cá estarei para servir de rede. Para amparar ou deixar voar.
É tempo de calor.

sábado, junho 20, 2015

Porque não basta criticar...fica a minha tentativa de contributo.



Hoje é dia de votar nas eleições primárias do Tempo de Avançar. Este processo interno, aberto a todos, decidirá que candidatos farão parte das listas deste novo movimento à Assembleia da República.
Fico feliz por fazer parte da discussão e de poder espalhar a palavra por amigos e conhecidos. Se não servir para mais nada, que sirva pelo menos para que tomemos consciência que todos podemos (devemos) participar na vida do nosso país. 
Podem ver a minha candidatura aqui.
Eu estarei a concorrer pelos círculos de Lisboa, Setúbal e Açores, por serem essas as zonas com que mais me identifico e cujas realidades conheço melhor. Nasci em Lisboa e cresci na margem sul. Vivi nos Açores, na bonita ilha de Santa Maria, onde mantenho residência ainda hoje. Voltei para Lisboa para concluir o ensino secundário e tirar engenharia no ISEL - Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Trabalhei na VW Autoeuropa , em Palmela, até que aos 28 anos decidi emigrar para a Suécia.
Mantenho contacto diário com Portugal desde então e, políticamente, continuo a ver uma espécie de círculo fechado onde amigos, conhecidos e boys dividem os cargos mas nunca as responsabilidades. E é por isso que há décadas vemos as mesmas caras, alternando entre o governo e a oposição, em nefastos pactos de regime que procuram, a todo o custo, manter a rede de interesses que vagueia em redor do Estado.
Movimentos como o Tempo de Avançar, abrem a discussão/participação a todos nós. É a forma mais democrática de dar voz a quem tem algo para dizer. Só por isso, só pela iniciativa, eu acho que já está ganho. Quando percebemos que o maior partido da oposição (PS), em 8 meses consegue perder a vantagem percentual para uma coligação que representa o governo mais incompetente que me lembro de ver, fico mesmo com a certeza que é uma questão de tempo até a vida política em Portugal mudar radicalmente.
Os candidatos que estão em solo nacional tiveram a oportunidade de participar em debates e de se apresentarem. Eu estou a 3000 km de casa, faço parte da nova geração de "famílias skype" que Passos Coelho tanto aprecia, e não tive por isso a oportunidade de conhecer e debater com os meus camaradas.
Cada candidato deveria escolher um tema da Agenda Inadiável proposta pelo Tempo de Avançar (podem consultar aqui) e apresentar as suas soluções. Eu teria escolhido a renegociação da dívida. É de longe o ponto mais urgente no panorama nacional. E porquê? Porque não podemos atirar 20% da população para a pobreza para pagar os juros do crédito ao FMI (antes do tempo, como orgulhosamente fez Maria Luis). Nem podemos continuar reféns de uma Europa que segue 2 ou 3 vozes. A Alemanha exige cortes nas pensões gregas e o governo eleito sugere que se corte na defesa (onde o material é comprado à Alemanha ). A Europa que segue a senhora Merkel não aceita e faz o que pode para salvar os seus próprios investimentos. Não há solidariedade entre povos. Há apenas grupos financeiros e interesses instalados que devem ser salvos. À custa da Grécia, depois de Portugal. Seguir-se-ão Espanha e Itália.
Mas não chega renegociar a dívida. É preciso saber onde aplicar o dinheiro. É nessa parte que acho que posso dar uma pequena contribuição, com a aprendizagem de coisas simples que observo no meu quotidiano, no país onde vivo há 9 anos.
A educação é, a meu ver, o investimento base de qualquer país que quer ser civilizado e entrar na elite dos desenvolvidos. Escola verdadeiramente universal até ao ensino superior (que não existe em Portugal), rede de creches públicas, empréstimos para estudantes (30% a fundo perdido e 70% pago pelo próprio em prestações, quando entra no mercado de trabalho). A redução de custos para os progenitores com a educação resolve dois problemas: a diminuição da natalidade (a creche em Portugal custa quase o mesmo que uma renda de casa!) e o abandono escolar.
A Suécia tem uma população menor do que a portuguesa num território muito maior. Depois da II GG investiram muito na educação, sendo hoje um país modelo (juntamente com a Finlândia). Pensem agora nas multinacionais suecas que existem, na criação de emprego e no crescimento económico. Em algumas profissões existem mais vagas do que pessoas. Tudo isto resulta de uma aposta de décadas na educação. É este conhecimento que traz retorno ao país. Trata-se apenas de uma questão de estabelecer prioridades. Qualquer criança sueca tem o seu percurso escolar (da creche à universidade) coberto pelo orçamento do Estado, contudo, numa país com 2500 km de comprimento, contam-se pelos dedos de uma mão o número de auto-estradas...
O mais curioso de tudo isto é que a carga fiscal não é superior à portuguesa. O desperdício não é gritante.
Opcões e prioridades na utilização de dinheiro público. Não é preciso ser um génio, basta não ser corrupto e não alimentar PPPs que vivem à sombra do governo.
O Tempo de Avançar é liderado por pessoas cujo percurso admiro e opiniões (quase sempre) partilho, como a Ana Drago, o Daniel Oliveira ou o Rui Tavares . Esse parece-me ser um bom ponto de partida. Se todos contribuirmos com algo e se, pelo menos, conseguirmos abanar um pouco o poder instalado e os interesses que nos amarram ao fundo, já será o suficiente para mudar qualquer coisa.
Eu tentarei dar o meu contributo, peço-vos que façam o mesmo. Votem sff smile emoticon
Obrigado a todos!
Tiago

quarta-feira, maio 27, 2015

Depois do Gustavo Santos, chega o Gustavo Sande...


Corria o meu dia entre um problema e outro, quando me chegou este "artigo" às mãos.
Eu ainda sou do tempo em que a pena nos jornais era manejada por quem tinha algo para dizer, experiência de vida para partilhar, alguma sabedoria, visão global e um cérebro.
Público, DN e Expresso são para mim, ainda, jornais de referência. Depois de ler um artigo como aquele que está ali em cima, pergunto-me, como é que deixam publicar uma barbaridade destas, cheia de generalizacões e banalidades de café, num insulto ignorante a milhões de portugueses.
Gustavo Sande qualquer coisa é o autor das asneiras. Como ele se sentiu confortável para generalizar e banalizar uma realidade que desconhece, acho que posso fazer semelhante exercício.
Gustavo dos 3 nomes é um betinho. Tirou um curso no ano passado daqueles para especialistas de power point. O cv do menino é o que está na foto, disponível no linkedin.
Por onde comecar?
Gustavo fala, com algum desprezo, de quem sai do país. Porque falam mal de Portugal, porque culpam o governo, porque dizem que não há oportunidades, porque "lá fora é que é" e sujeitam-se a trabalhos que não fariam em Portugal. Desculpas e mais desculpas de quem não teve forca de vontade, arte e engenho, para vingar em terras lusas.
Gustavo alerta que também foi um de nós. Também ele emigrou para experimentar viver fora de Portugal. Não por necessidade, por aventura.
Não Gustavo, tu não és um de nós. És um merdas a quem foi dado um espaco para espalhar ofensas gratuitas, como provam os comentários, quase todos melhores do que a merda que alinhavaste no Público.
Diz Gustavo:

"Antes de mais, começo por revelar que também passei pela experiência de viver no estrangeiro. Trabalhei cerca de um ano na minha área de formação e tive que construir sozinho uma base sócio-profissional suficiente para ocupar o meu dia-a-dia. Não fui por falta de oportunidades em Portugal, mas sim pelo desafio de viver num país que não o meu. É, e sempre será, difícil começar tudo do zero (seja em que país for). O nosso não é exceção."

Não Gustavo....estar 10 meses a fazer power points e tirar cafés para o chefe não é a mesma coisa que emigrar. É uma espécie de Erasmus para betos que depois voltam e contam nas férias de Vilamoura como foi. É só isso.
O teu cv, a miséria que apresentas como cv -  uma mão cheia de experiências de meses polvilhadas com lugares comuns do "doing nothing with a cool name" -  obrigar-te-ia, só por si, a estares calado.
Mas não. Querias espalhar um pouco mais de sapiência.

"A ilusão que a vida no estrangeiro é mais fácil leva muitos a arriscar esta mudança. Uns arrependem-se e outros teimam em afirmar que fizeram a melhor escolha possível. Não digo que não tenham feito, mas não me venham dizer que em Portugal era mais difícil. Se calhar a força de vontade em fazer qualquer coisa num país diferente do nosso foi maior. Depois de saírem de Portugal, seria triste se também não conseguissem vingar noutro local"

Não Gustavo, também não é isso. Não é a ilusão meu idiota, é mesmo a falta de emprego, contas para pagar, filhos para sustentar e vidas que se vão desfazendo nas filas do desemprego. É chegar ao fim do mês e não ter como meter comida na mesa. É entrar na pobreza envergonhada, é fazer parte dos 20%  que entraram na classe social POBRE depois da austeridade.
E sim...em Portugal é mesmo mais difícil. Não há um gajo qualquer aí no Público que te explique o que é o INE? Que te explique o que é uma simples estatística? Vamos lá os dois então...com calma. Se Portugal tem das mais altas taxas de desemprego, então Portugal é um dos países onde é mais difícil. Topas? Assim...na base da matemática. Muito simples. Mas não se ensina em cursos de power point e business management on the rocks.
E quando dizes que culpar o governo é um absurdo já entras no domínio da ignorância. Mas eu estou cá para ajudar. Vamos lá de novo. Vários países entram em crise. Uns prendem banqueiros corruptos e despedem governos, outros metem dinheiro na seguranca social e deixam os bancos a arder. Outros, mais espertalhões, metem dinheiro nos bancos (que provocaram a crise) e rebentam com a seguranca social e sistema de saúde. Adivinha lá que países saíram primeiro da crise? Muito bem Gustavo. E adivinha lá quem é que tomou as opcões políticas? Issooooo....os governos! Queijo amarelo para ti.
Numa coisa tens razão. Quando se sai do país e, acrescento eu, se leva uma tristeza enorme na bagagem, seria ainda mais triste não conseguir vingar no país de acolhimento. Ora, vendo este ódio que tens aos emigrantes e o tempo curto que aguentaste a servir cafés ao chefe em Londres, tenho o palpite, aqui entre nós, que sei quem é que não vingou...
Mas dizes mais. Segues com as pérolas.

"Eu até concordo que existam profissões que sejam difíceis de exercer em Portugal. Enfermagem, por exemplo, está limitada em termos de vagas em relação ao total de enfermeiros formados todos os anos. Com cerca de 3000 novos enfermeiros disponíveis para trabalhar todos os anos é óbvio que alguém ficará de fora. Retirando estes casos em que a formação está destinada a expatriar parte dos formandos, os restantes casos de emigração poderão estar associados à falta de esforço e flexibilidade por parte do trabalhador."

Há falta de enfermeiros no país, pá! Com tantos exemplos que podias usar, tipo power point manager, vais logo usar os enfermeiros?? Não é falta de flexibilidade ou esforco, é mesmo não querer ser explorado. Sabias que pessoas que tiram cursos a sério, daqueles que fazem pontes ou desenvolvem iPhones para tirares as fotos do jacuzzi que tens no facebook, recebem em Portugal 1000 euros ou menos? Sabias que o salário médio em Portugal são cerca de 700 eur e já levamos mais de 2 décadas de UE. Percebes em termos de desenvolvimento social o atraso que isto representa? Compreendes que pagamos impostos da Suécia mas recebemos salários da Polónia? Não é falta de esforco, é simplesmente perceber que metade do mundo acolhe os académicos portugueses e lhes proporciona maior qualidade de vida.
Rematas a tua diarreia com perplexidade.

"Outro evento que também me deixa perplexo é a diferente perceção relativamente às carreiras profissionais. Trabalhos que nunca estariam dispostos a ter em Portugal, lá fora parecem ser carreiras de luxo. É incrível a imensidão de casos de emigrantes que acabam por trabalhar em restaurantes "fast food" ou em trabalhos secundários noutros países e que em Portugal nunca assumiram essa hipótese. Atenção, que não tenho nada contra a "fast food". Eu próprio já trabalhei num restaurante deste calibre. Apenas acho peculiar o fato de assumirem como hipótese trabalhar nestas posições noutro local que não Portugal.

Sejam estágios do IEFP, uma baixa remuneração, um trabalho fora da formação, tudo é uma razão para não aceitar o trabalho. Mas lá fora, tudo se torna numa razão completamente credível e razoável para aceitar o trabalho. Lá fora sim, em Portugal não. Para esta falta de vontade, não precisamos cá de vocês. Adeus e boa sorte lá fora. Aqui, nós conseguimos cuidar de nós próprios, não precisamos de vocês para crescer."

Facamos pois o último esforco Sande, que isto de usar a cabeca não é para todos. Imagina que te oferecem 300 eur para limpar sanitas. Tu, em principio e com o teu curso de power point, não queres. Passas anos neste rengo-rengo e não consegues nada melhor. Percebes que 300 eur não chegam sequer para comer. O que fazes? Vais para Londres limpar as mesmíssimas sanitas. Merda inglesa é melhor? Não. Mas o salário permite-te viver. Percebes a diferenca? Chama-se a isto socialismo puro. Uma espécie de sociedade onde os degraus entre classes são mais suaves. Todos, comecando pelo primeiro degrau, conseguem ter um mínimo para uma vida decente. Quem limpa sanitas, quem conduz um autocarro, quem faz power points cheios de oxigénio ou quem inventa um painel solar de bolso. Isto em Portugal não existe porque as decisões tomadas pelo Governo rebentaram com a classe média e passámos a ter saltos enormes entre todos.

Por fim meu jumento, deixo-te uma nota. A última coisa que vocês aí conseguem é tomar conta de vocês próprios. Se assim fosse não viviam de uma linha de crédito, o PM não ia a Berlim pedir autorizacão para mijar e os toscos como tu, de 4 em 4 anos, não votariam nos mesmos que há 41 anos roubam o meu país em total impunidade.
Em 2013 batemos o recorde de saídas do país. Quase 120 000 pessoas, muitos deles formados em áreas técnicas. A última vez que isso aconteceu corria o ano de 66, estávamos em plena guerra colonial. Consegues perceber a calamidade que isto é?
Muitos dos melhores alunos que as escolas e universidades portuguesas preparam, estão hoje a ser aproveitados pelos países de primeiro mundo ou pelos que estão em franco desenvolvimento. E se dúvidas tiveres...basta veres quem ficou desse lado, sem cv, sem nada para dizer, sem qualquer experiência relevante de vida, a verbalizar asneiras e banalidades num jornal que já foi de referência.

sexta-feira, maio 08, 2015

As saudades que eu já tinha...



Comecei esta semana um projecto novo e acho que, desta vez, será uma contribuicão decente para o planeta. O novo carro eléctrico da Volvo e, se percebi bem, 2 modelos que servirão para os táxis de Londres do futuro.
Estive nos últimos dois anos a trabalhar à distância, vindo ao escritório apenas para testar a minha aplicacão. Foram bons tempos...  
Quando eu estiver debaixo do chaparro, a deixar passar os dias entre os jogos do Benfica, as organizacões das empresas serão diferentes e o trabalho remoto, já possivel hoje com toda a tecnologia disponivel, será uma realidade.
Se assim não for...sejam bem-vindos a horas e horas, e mais horas, de reuniões sem fim. E porquê? Porque as reuniões enchem o calendário e dão a sensacão, a quem as frequenta, que algo de útil aconteceu. Não, nada disso. Por cada hora arranjam-se, com jeito, 10 minutos com sentido.
É claro que em organizacões com milhares de pessoas torna-se imperioso, aqui e ali, sentar numa sala e falar. Temos que saber onde estamos e para onde vamos. Temos que garantir que remamos todos para o mesmo lado. Tudo certo.
Outra coisa bem diferente é fazer da reunião a actividade laboral principal. Semana após semana, a repetir as mesmas coisas, a avancar a passo de caracol, a encher agendas com a sensacão de dinamismo quando, na verdade, pouco ou nada acontece.
Percebam isto de uma vez. A mal ou a bem, nós somos engenheiros...não nos pagam para passar 8h enfiados numa sala a falar sobre métodos de trabalho, teorias de gestão ou procedimentos de como fazer. Pagam-nos para desenvolver, criar, fazer acontecer. Já é mau um gajo ter esta vida, quanto mais ter que seguir este caminho num espartilho de regras, papelada, procedimentos e intermináveis power points de desejos.
Quando deixam o carro no mecânico não querem filosofia pois não? Querem o carro pronto, a mexer e fora da oficina o quanto antes. Ora...aqui é igual.
Querem a última app para o iPhone, uma ficha toda porreira para o carro eléctrico ou a possibilidade de usarem o skype em todo o lado? Muito bem. Reduzam o número de gestores (especialmente em empresas de engenharia) e deixem o pessoal "sujar as mãos". A coisa fica feita na mesma e em metade do tempo.
E uma vez por semana sentamo-nos todos, respondemos a perguntas e dizemos ao gajo do power point como está a andar o trabalho no mundo real. Ele faz uma tabela excel e olha para ela até à semana seguinte. O mundo avanca mais depressa e ficamos todos contentes. Nós, ele e vocês.
O momento "palito" (que é o que mais me irrita na mesa do almoco) tem o seu paralelo nas reuniões quando alguém diz: "para isso temos que criar uma nova reunião". Epá...não, não. Não facas isso camarada. Estas duas horas em que estamos aqui sentados, tu falas e ninguém quer saber, e todos olhamos para os nossos portáteis, já são em si um erro. Não facas a ramificacão do erro...pAAAAAlease!
Aqui ao lado vejo um que se chega para trás para ler o Dagens Industri (o Diário Económico cá da terra), os que estão em frente vão escrevendo umas coisas e eu, meto esta prosa em dia. Estamos todos a passar o tempo enquanto o zé do excel olha para o projector. De cada vez que ele pergunta: “podes fazer…” ouve um ”ainda não tive tempo para… ”. Mas claro que não! Como é que podes ter tempo para tarefas de 5 minutos quando passas 8h entre o refeitório, o wc e as reuniões ?
Dizia-me um camarada, há uns anos, uma máxima que teima em permanecer actual : ”o espantoso é que no fim disto tudo sai um carro a funcionar”.
Adoro vida de escritório! A-D-O-R-O!


quinta-feira, abril 30, 2015

Os suspeitos do costume


Eu sou daqueles que acha que as greves são uma arma de protesto válida. Nem poderia pensar de outra forma, tendo em conta o ambiente em que cresci.
Acompanho com alguma atencão o caso da TAP porque, com alguma pena, assisto ao desaparecimento da maior empresa portuguesa. Não tenhamos dúvidas...não é a Autoeuropa, a Portugal Telecom ou qualquer outra que transportam a nossa bandeira. A TAP é, ou foi, o orgulho nacional fora de portas durante mais de 60 anos.
Tendo perceber esta greve dos pilotos. Feita contra tudo e contra todos, inclusivamente contra colegas da TAP e outros pilotos que a tentaram parar. Não faz sentido, não faz mesmo.
A TAP, cuja privatizacão não faz sentido (e sim um saneamento) não tem qualquer valor comercial. A sua dívida é muito maior do que os activos, ou seja, será oferecida a qualquer investidor desconhecido que apareca na Portela.
É um facto e um dado adquirido que a administracão e o governo (enquanto accionista) são os principais responsáveis na dívida da TAP, resultante da compra daquele elefante branco das oficinais de manutencão e seus 2000 funcionários no Brasil. Isto é publico. Tal como o fechar de olhos do governo.
Nada há a apontar aos pilotos neste erro de gestão.
Contudo, já se pode dizer qualquer coisa sobre as suas constantes exigências e chantagens sobre uma empresa que, ano após ano, vive com prejuízo.
Os pilotos são extremamente bem pagos e, como qualquer funcionário da TAP, têm daquelas regalias que são dificeis de engolir ao comum do mortais.
Já trabalhei na Volvo, Jaguar, Ford, Aston Martin, Saab, Land Rover, Ericsson e VW. Nunca me deram borlas nos produtos que ajudei a desenvolver. Nem a mim, nem fosse a quem fosse da minha família. Porque razão viaja metade da família de borla? Porque razão os benefícios se prolongam ad aternum para lá do salário?
No caso da TAP, os pilotos não são apenas bem pagos no panorama nacional, são bem pagos quando comparados com os gigantes da aviacão em países com um custo de vida muito superior ao português.
Contudo, desta vez, a exigência ultrapassa todos os limites do aceitável. Uma minoria de funcionários da empresa quer 10 ou 20% da própria empresa. Os pilotos, para além da sua funcão e regalias, querem também ser os novos patrões. 150 ou 300 que exigem mandar nos restantes milhares. Uma espécie de Ruanda na Portela.
E porque arriscam tudo? Porque se a TAP fechar eles não demorarão 1 semana a encontrar vaga na Emirates ou numa dessas companhias que cresce diariamente. Os outros que se orientem...é a ganância em vez da defesa de uma classe. É o sindicalismo e a greve a serem usados de pernas para o ar.
Pior do que o prejuízo acumulado nestes 10 dias, é a falta de confianca que se instala. Nos dias de hoje só se compra um bilhete na TAP em último caso...todos percebem que compram uma rifa. Se for "mês greve" ficam no chão, se for mês "com os bracos bem abertos" voam.
Se estivesse no lugar de Pedro Passos Coelho ou de Pires de Lima, não permitiria a privatizacão da TAP, ordenava a venda das oficinas no Brasil e exigia o saneamento da empresa, comecando nos pornográficos salários da administracão e acabando nas inaceitáveis regalias do pessoal de bordo.
Depois comprava um A340 novo, daqueles com 4 motores (para o caso de 2 falharem) e fazia 2 vôos semanais, às sextas e segundas, entre Gotemburgo e Vila do Porto.
Mas ninguém me ouve...raisparta.


quarta-feira, abril 29, 2015

Regresso a Portugal. Não, estava só a brincar avó...


Não tenho por hábito debrucar-me muito sobre as encruzilhadas do quotidiano e debater as filosofias que Buda, Ghandi e as frases do Jorge Amado trazem à vida. Falta-me tempo, paciência e jeito.
A excepcão à regra acontece no fim de cada entrevista de trabalho. Como mudo de projecto (nem sempre de empregador) todos os anos ou no máximo de dois em dois, é certo e sabido que há um dia do ano em que me dedico aos "ses" da vida.
Ao contrário de saudosos camaradas, eu não vivo para trabalhar. Trabalho para viver. Se pudesse, não passaria um dia da minha vida num escritório a olhar para um computador, um simulador de um carro, uma estacão base de telecomunicacões ou um esquema eléctrico. Mas, sendo essa a ferramenta que alimenta os sonhos, sigo a danca das cadeiras.
Assim que acabo um projecto, comeca o corre-corre para novas "obras". Ninguém quer ficar parado e não há certezas de nada. Acho que já expliquei isto aqui...tem a vantagem de não me aborrecer, mas tem a desvantagem da competicão constante. Há 9 anos que faco isto. 
Quando acabo as entrevistas comeco a pensar em Portugal, onde comecei, por onde passei e onde estou. Penso nas várias escolhas que fui fazendo ao longo do caminho. Medos que já tive, insegurancas que fui ultrapassando. Invariavelmente chego sempre à mesma questão...porque raio não faco isto no meu próprio país? Porque me sentia tão pouco válido em casa e me sinto reconhecido aqui?
Recordo com saudade os meus colegas de trabalho. Gente boa e divertida. Não penso de igual forma quando me lembro da gestão de pessoas, dos incentivos, das progressões, da aprendizagem ou de uma simples palavra de reconhecimento. Lembro-me de critica fácil e de bota abaixo. Lembro-me de regressar para casa em cada dia pensando: "mas foi para esta merda que andei a estudar?". Lembro-me de me sentir uma perfeita nulidade que nem aquele salário, já de si miserável, merecia.
Se há coisa que devo à Suécia é a auto-estima de conseguir acreditar nas minhas capacidades. Desde o primeiro dia que aqui cheguei. Crítica quando teve que ser, elogio quando acertei. Responsabilidade sempre, para o bem e para o mal. 
Nove anos depois consegui um CV que demoraria 5 vidas para conseguir em Portugal. E, ao contrário do que aconteceria no meu país, com o passar dos anos eu não fico mais velho para o mercado. Fico mais experiente, com mais conhecimento. Em vez de ser colocado numa prateleira. sou antes chamado para projectos mais complicados, com maiores orcamentos e maior exigência técnica. Mais atrativos portanto para quem me emprega (por causa das margens).
Esta semana consegui uma nova vaga entre 260 candidatos. Provavelmente a vez em que tive que competir com mais gente por um lugar. Detesto falsas modéstias e por isso digo, claro que fiquei feliz...muito. E orgulhoso.  
Se por um lado me alegra seguir o trajecto profissional por caminhos que me parecem interessantes, por outro fico revoltado com o facto de precisar de andar 3000km para o conseguir.
Era eu mais estúpido quando trabalhava em Portugal? Tinha menos interesse em aprender? Ganhei neurónios quando passei a fronteira? Não, não me parece. Eu, tal como uns quantos milhares, devia ficar feliz por manter o emprego, afinal os tempos eram dificeis, fazer a mesma merda anos a fio, evoluir entre zero e nada e, no fim, ter aumentos de 20 euros ao ano. E hoje, quando vejo as notícias, há miudos na minha área que se sujeitam a isso por 600 euros...
Nunca fui um aluno exemplar. Nem na escola e muito menos na universidade. Tive colegas absolutamente brilhantes que continuam desse lado, a batalhar para chegar ao fim do mês. Admiro-os. Se tivesse metade da capacidade destes, que me lembro assim de repente, acho que estaria por esta hora em Silicon Valley ou num desses sitios onde desembarcam os génios.
Dou por mim a fazer as contas todas do regresso...mas será que, e se fizer assim, quem sabe se tentar ali. Chego sempre à mesma conclusão. Já não consigo aceitar a mentalidade portuguesa no trabalho, chefes limitados e salários da Roménia. Resta-me esperar pela reforma algures à sombra do chaparro. 
E, já agora, que a próxima entrevista seja lá para 2017 que eu não tenho vida para filosofias da saudade.

terça-feira, abril 07, 2015

Garissa, onde fica isso? Ah...é no Quénia, então passa à frente.


Aqui há uns anos, naquela que ainda é a minha publicacão preferida ("Courrier Internacional"), li um artigo sobre os senhores de guerra no Mali, o controlo do bem mais precioso (água), as lutas de morte para se chegar a um poco e encher uma garrafa e o desabafo de uma mãe, para quem o sonho recorrente, era que os filhos acordassem um dia sem sede. 
Mas o que interessa isso? O que importa que um continente inteiro viva sem lei, regras ou justica? Quem é que quer saber dos campos de refugiados, da divisão do Sudão, da anarquia da Somália, dos resquícios de guerra civil em Mocambique, do tráfico na Guiné Bissau, das ditaduras que vão da Guiné Equatorial até Angola, do ébola na parte oeste e das primaveras falhadas a norte, do Sahara ocupado há décadas e do constante estado de alerta nas fronteiras da Eritreia?
Quem é que quer saber de um continente onde se morre por um copo de água, por um emprego nas montanhas ou porque se arrisca num barco para Itália? Quem é que quer saber dessa merda? Ninguém. Então...porque raio Garissa seria diferente?
12 jornalistas são mortos em Franca e a Europa acende velas. Há a liberdade de expressão, há o somos diferentes e há Merkel e Hollande numa marcha em Paris. Os facebooks são todos "Je suis" e a malta emociona-se. Depois do massacre na redacão, segue-se o massacre nos media.
Meses mais tarde aparece um alemão com distúrbios mentais (mais um) e resolve matar-se, arrastando 149 pessoas com ele. Acontece a tragédia dos Alpes. A Europa fica em choque e a informacão atinge os limites do nojo. Sei, sem perguntar, que pesquisas este gajo fazia no google, o que a ex dele pensa, todos os passos da investigacão e todos os aviões que, nos dias seguintes, tiveram 2 minutos de turbulência.
Entre o "Je suis" e o Andreas, continuaram a morrer mineiros na China, seguem as matanca na Síria e os massacres na Nigéria. E agora...cerca de 150 miudos, numa universidade do Quénia, são mortos a tiro como retaliacão. Retaliacão?? Como é que um assassinato cobarde de miudos, que não fizeram mal a ninguém, pode ser retaliacão seja do que for?? Mas que mundo é este em que vivemos??
E porque razão os polícias do mundo só se mexem quando há interesses financeiros em jogo? Porque razão a vida de um cartoonista (nem vou entrar em discussões sobre o tipo de publicacões, é irrelevante para o que se discute) é mais importante do que a vida de 10 miúdos de Garissa?
Falhámos. Falhamos todos os dias. Entre iPhones, Facebooks e Casas dos Segredos, perdemos algures a nocão do que conta, do que importa e do que faz sentido.

terça-feira, março 31, 2015

O alemão e a minha lógica sem sentido


Desde que o avião da GermanWings ficou pelos Alpes que não tenho conseguido pensar noutra coisa.
Para mim, que não concebo uma vida sem viajar e que tenho pavor de entrar num avião, são os alicerces da lógica que me permitem marcar um bilhete atrás do outro.
Este foi um ano particularmente difícil para a aviacão civil. Bem sei que nenhuma vida tem mais valor do que outra mas, não sendo hipócrita, confesso que não me espanto por aí além se um tupolev cai na Sibéria, um airbus no sudoeste asiático ou um boeing se desmancha a aterrar no Estados Unidos. Não preciso de ver estudos ou de fazer uma simples estatística, basta falar com quem sabe, neste caso, técnicos de seguranca, que me explicaram que as regras são mais apertadas na UE. E mesmo dentro desse espaco temos as ovelhas negras, companhias a evitar. Air France, Iberia e maior parte das companhias do leste europeu. Não quero ofender ninguém, mas os números não enganam.
E dentro desta lógica, ou vá, cinto de seguranca virtual, vou escolhendo os meus destinos, as companhias e não deixando que o medo se sobreponha à vontade de conhecer o mundo.
Calamidades como esta que aconteceu nos Alpes, desafiam toda a lógica. O avião estava em bom estado, apesar da idade, as condicões climatéricas em rota também mas, aparentemente, o co-piloto estava farto de viver. Um alemão, numa empresa subsidiária da maior companhia de aviacão do mundo, a Lufthansa. Para mim isto é o fim da lógica, é o assumir que não há forma de garantir o mínimo dos mínimos. E não consigo parar de pensar no terror de quem conscientemente se apercebe de tudo, mesmo que nos momentos finais.
Depois vem a segunda parte deste drama, que é o massacre de notícias, pelo menos nos jornais portugueses que vou acompanhando. Instala-se um clima de terror insuportável.
Toda a notícia que não o era, passa a ser. Um airbus que pede para aterrar de emergência em São Petersburgo, um Vuelling que não sei quê, um Turkish Airlines que é desviado para Marrocos, um Air Canada que aterra feito num 8 numa pista cheia de neve. Um piloto da British Airways que há 5 anos estava tão triste que pensou estatelar o boeing na ligacão Londres - Lagos. O alemão da German Wings que escondeu a baixa, que via mal e que assustava muito a ex-namorada. E sim, como são importantes os testemunhos das ex-namoradas para o mundo, gente que normalmente fala sempre de forma tão equilibrada.
Não há descanso. De repente todos os aviões, pilotos ou companhias estão com problemas. E diariamente lá continuam cerca de 1 milhão de pessoas no ar. Notem bem: 1 milhão. É como se a populacão inteira da Estónia entrasse num avião.
Não poderíamos assistir em silêncio à tragédia, respeitar os familiares das vítimas e esperar pelo resultado da investigacão? Não há uma lei qualquer que proíba este sensacionalismo com a morte?
Há 4 mistérios graves para resolver nos últimos acidentes aéreos. Este da GermanWings e da LAM (Mocambique), alegadamente causados por pilotos deprimidos, e os dois da Malaysia Airlines. Um boeing enorme não pode desaparecer no oceano e, exige-se a verdade, sobre se foram ou não os ucranianos que abateram propositadamente o avião, tentando chamar mais gente para o conflito com a Rússia.
Tudo o resto são pequenas gotas no oceano. Air Canada, Air France e Tupolevs, não me levem a mal, mas não são notícia. São como atentados à bomba em Bagdad ou Damasco. Acontecem todas as semanas mas já ninguém (infelizmente) liga.
Depois do acidente da Spanair, aqui há uns anos em Madrid, lembro-me de ter entrado num avião e, perante uma falha técnica, perguntei ao piloto se os dois reatores tinham sido testados.
Dentro de uns dias, quando embarcar para Reiquiavique, vou perguntar ao islandês se está tudo bem lá em casa com a mulher e os filhos.



quinta-feira, março 19, 2015

O dia do Pai


Este dia, 19 de Marco, vai ganhando uma importância crescente para mim. Desde logo porque sou pai e há uns anos não era. Depois porque, sendo pai, não consigo ver as coisas com os mesmos olhos. As minhas prioridades não são as mesmas e a definicão de amar também não. Ser pai do Diogo é a melhor coisa que já me aconteceu, não tenho qualquer dúvida disso.
Procuro fazer algo simples que, no meu mundo, tem alguma lógica. Olho para cima e vejo o exemplo. Retiro as partes que não se aplicam ao século XXI (como por exemplo o peixe cozido e os desenhos checos do Vasco Granja) e imito quando olho para baixo. Modéstia à parte acho que não tem corrido muito mal. Para nenhum dos 3.
Nem sempre é fácil porque nenhum deles compreende onde está a razão. O mais novo pensa que já me enrola, o mais velho pensa que ainda me enrola. Mas com tempo chegam lá.
Entre eles os dois estão as razões de ser, estar e fazer. E eu acho isso bom. Não somos nada nesta vida sem referências ou objectivos. Estar aqui tem que ter um sentido.
"Liberdade com responsabilidade" foi a frase que mais ouvi do meu pai. Na altura aquilo parecia-me uma espécie de carta branca a troco de boas notas na escola. Mas não, era muito mais do que isso. Foi o primeiro passo para descobrir o mundo sabendo que tinha um porto seguro. E isso faz toda a diferenca na "criacão da pessoa", como diria a minha estimada avó! Ora...quando vejo o Diogo entoar as mesmas perguntas e vontades, comeco a ensaiar a frase. Não tarda estarei eu a botar discurso.
Estes últimos anos, não tenho muita vergonha de o dizer, têm sido uma espécie de teste constante à minha condicão de pai. Estar com o meu filho não é um dado adquirido para mim. É algo porque luto, praticamente, desde que ele nasceu. Nada porque milhares de pais, um pouco por todo o mundo, não passem todos os dias. Faz parte e abordar o tema, na minha opinião, retira-lhe o tabu. Por outro lado, denunciar leva a que outros percebam que não estão sós. Não há chuva neste planeta que caia apenas na cabeca de uma pessoa...é a analogia que uso quando penso nisto.
Hoje, curiosamente hoje, uma pessoa que trabalha com criancas disse-me: "nunca atire a toalha ao chão, nunca desista". Eu aprecio e agradeco sempre um conselho sincero mas, quem diz uma coisa destas, nunca perceberá quem eu sou. Por mais desesperadas que sejam as tentativas, não há nada, absolutamente nada, que me separe do meu filho ou que me faca desistir desta coisa fantástica que é ser pai.
E porquê? Já expliquei camaradas. Porque olho para cima e faco a cópia. Se ele não desistiu, não serei eu a iniciar esse péssimo hábito.
Feliz dia Pai.

sábado, março 14, 2015

O jogo do título é hoje



Depois da oportunidade perdida em Pacos de Ferreira, onde o título deveria ter ficado decidido, joga-se hoje, na Catedral, o segundo Match Point deste campeonato. Vencendo o Braga, o Benfica será campeão. Se não vencer, o título irá para o Porto. As contas são simples.
Bem sei que Jesus perdeu um campeonato contra o Estoril e outro contra o Pedro Proenca, contudo, não vejo outra equipa com capacidade de tirar pontos ao Benfica até ao jogo contra o fóculporto. Nota-se a tremideira em Jesus. Cheira a Vitor Pereira por todo o lado e a campanha feita nos meios de comunicacão comeca a dar frutos. Gente respeitavel como Sousa Tavares ou Miguel Guedes, alteram a realidade semanalmente tentando pressionar árbitros. Jesus falha mais do que acerta, todos sabemos isto mas não o dizemos em voz alta. Lopetegui com um plantel muito melhor andou metade da época a fazer experiências e isso, parece-me, valeu a um Benfica mais pragmático a lideranca isolada desde a 5a jornada. Desde que o basco acertou nos 11 que qualquer miudo de 12 anos adivinhava desde Agosto, a coisa mudou de figura. O fóculporto joga bem e convence. E não tenho dúvidas de que vencerá na Luz, se tiver hipótese de passar para a frente nesse jogo. E é por isso, depois de Pacos de Ferreira, que hoje frente ao Braga, Jesus não pode falhar. Esta é a esperanca de todos os portistas para chegarem à Catedral com algumas hipóteses.
Pode Sérgio Conceicão fazer o número de virgem ofendida e dar murros na mesa, sempre que quiser. A realidade é a mesma há anos. O porto oferece jogadores e prémios. O braga facilita contra eles e espuma contra nós. Num jogo em que decidia o terceiro lugar e o acesso à liga dos campeões, pareciam uns meninos de coro. No de hoje, que nada decide para eles (já perderam o terceiro lugar), triplicam os prémios dos jogadores.
Mas tudo bem. Não há aqui nada de novo. O porto não joga um campeonato com mais de 4 ou 5 adversários há 30 anos. E tudo isto tem que passar ao lado dos nossos jogadores.
Hoje, quando entrarem num estádio completamente esgotado, Jonas, Lima e os outros, terão que comer a relva e cilindrar o braga. Não são apenas 3 pontos. É uma mensagem que se envia, para que todos percebam que ali ninguém treme. E depois acabou, as esperancas do plantel mais caro da história ficarão por terra e Pinto da Costa, com uma dívida colossal, perderá metade da equipa no verão.
Eles apostaram as fichas todas na roleta e a nossa missão, com o bi-campeonato, não é apenas encher o museu, mas também garantir que o nosso adversário comeca o seu percurso descendente.
Não, decididamente hoje não se jogam apenas os 3 pontos. Eu, como benfiquista que não recebe 4 milhões para estimular a paixão, o que peco ao Rod Stewart da Reboleira é que não invente, não se encolha e que saiba motivar os jogadores. Eles tratarão do resto.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

A Grécia cansa-me


Comeco a ficar farto dos jogos de bastidores da politica internacional. Já olhei com mais paixão para o tema, confesso.
Comecando por nós, os insignificantes lusos no tabuleiro político europeu...porque vibram tanto com a Grécia? Porque os gregos tiveram a coragem de arriscar num partido que não vinha do centrão? Se acham isso tão bom porque é que não fizeram o mesmo? 40 anos de eleicões não foram ensaios suficientes? Este tique muito nosso de nos remetermos à participacão de café, apontando o dedo a quem de facto se mexe, devia dar uma tese de doutoramento. Aliás, aposto que já deu uma tese num daqueles cursos de onde saiem os gurus da vida, dos livros de auto-ajuda e coiso. Em madrugada de estatuetas douradas, o prémio "já chega!" vai claramente para o Bloco de Esquerda. Mas que excitacão e glorificacão do careca sensual da Grécia é essa rapaziada? O BE da Grécia chegou ao poder por desejo do povo grego. Tudo bem, democracia a funcionar. O BE português fugiu da responsabilidade do poder recusando coligacões que o colocariam no governo, numa altura em que chegou aos 10%. Portanto, o BE português é o contrário do BE grego. Quiseram ficar apenas pela crítica fácil sem assumirem responsabilidades na solucão, naquele que foi, porventura, o maior erro político de Xico Loucã. E por isso, hoje, enquanto vão preparando o próprio enterro, vibram com a Grécia. And the winner is...
Sobre Passos Coelho e o seu apoio a Merkel na tentativa de ficar bem na fotografia com os mais fortes, enfim, é mais um capítulo numa triste novela de vergonha alheia a que o nosso país se sujeitou nos últimos anos.
Os alemães conseguem com os acordos económicos o que divisões inteiras de Panzers não conseguiram. A Europa está quase de joelhos.
Por fim os gregos, que prometem impossibilidades em casa e que usam o "bluff" da saída do euro nas reuniões do eurogrupo. Louvo a coragem do governo do Syriza mas, a realidade é mais ou menos o que se viu na semana que passou. Charme e discussões sobre o cachecol de Varoufakis e, na hora do aperto, um pedido de crédito que fez as primeiras divisões internas. É certo que a troika nunca ajudou ninguém (tal como a Alemanha e acho óptimo que insistam nas dívidas de guerra), mas convém que os gregos não se esquecam como é que chegaram aqui. Não foi o resto do mundo que criou o endividamento deles. Foram eles. Tal como nós com os nossos governos corruptos. É claro que a solucão não é, não pode ser, a austeridade. Já todos percebemos isso há anos e os gregos são os primeiros a fazer algo no campo político contra isso. Mas tenhamos calma com o pedestal. Nem os gregos são anjos, nem o resto da europa um conjunto de ditadores. No fundo, cada governo defende os seus interesses numa europa que nunca foi de "União". Nos dias que correm, o fim do euro e o "reset" ao sistema, até me parecem uma solucão.
Sim, Portugal perderia 30 a 40% do poder de compra mas...o que acontece hoje? 2 milhões na pobreza, salário médio de 700 euros, classe média a desaparecer, milhares que emigram, companhias de referência todas privatizadas...digam-me sff, o que pode piorar? A republica dominicana da europa (sol e precos baixos) já nós somos. O objectivo é evitar que cheguemos a Haiti. Mais do que isso é pedir o Olimpo e esse, pelo menos para já, está reservado para o Varoufakis.


segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Diogo, o miúdo que já foi um bebé




Eu já tinha esta teoria antes de ser pai e confirmo-a, empiricamente, todos os meses. Um filho não nos limita a vida ou prende os passos. Não temos que ficar em casa, deixar de viajar, fazer desporto ou ir ao cinema. Troca-se o James Bond pelos pinguins de Madagascar, as pistas vermelhas pelas verdes, o deserto por uma vila simpática junto ao mar, a mochila grande por duas mais pequenas. É só isso.
Um filho é um companheiro, uma companhia. A melhor, se não nos enganarmos em nada ao longo do percurso.
São as pequenas conquistas e os medos ultrapassados que reforcam esse elo. Um e um só, unidos na confianca que a rede de seguranca está ali e que, aconteca o que acontecer, nunca estaremos sós ou desamparados. Ele sente-se seguro, eu sei que sim. Ainda bem que sim.
Com a certeza que há um mundo para descobrir e tanto, tanto para compreender. Para os dois, que ninguém nasce com a receita para ser filho ou pai. Faz-se o caminho e criam-se cumplicidades. Aprende-se. Aprendemos.
O dia comecou com medo. Não conseguia mais do que uns segundos em pé. Queria desisitir.
As horas seguintes foram passadas a descer nos meus bracos. Ganhou confianca e, no fim do dia já nem esperava por mim e deu uso ao capacete, caindo e levantando-se como gente grande.
Na neve a deslizar, na água a nadar, na relva atrás de uma bola ou numa folha com as 28 letras dos dois abecedários que formam a vida dele. Juntos, no nosso passo, a quebrar barreiras e a dar uma forma ao que nos rodeia. A desvendar os eternos porquês que o perseguirão para sempre.
A construir memórias e a dar, pelo menos a mim, uma razão para nunca desistir.
Não se explica. Sente-se. Amo-te.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Magellan Route, portugueses por aí


A grande questão que se coloca é...já passaram por lá? Não? Então porque esperam camaradas?
Ando a escrever menos sobre o Sócrates e mais sobre o mapa, por estes lados:

www.facebook.com/magellanroute

www.magellanroute.com


"Mas porquê Magellan??", perguntam vocês. Porque se fosse Magalhães nenhum estrangeiro perceberia :)
Venham viajar connosco e discutimos a temática da Grécia no caminho para lá.

sábado, fevereiro 07, 2015

Dia de derby










Eu sei que não é dia de derby. Mas é como se fosse. Pelo menos para mim que gosto das camisolas vermelhas.
Sempre foi o meu jogo preferido e, presumo, continuará a ser.
O Sporting é um rival que respeito. Em certos momentos até tenho simpatia. Gosto da forma como os dois clubes se degladiam e os excessos que aqui e ali acontecem, pelo menos para mim, fazem parte da paixão pela bola (tirando "very-lights" e coisas dessas que não fazem parte de nada!). Já com o outro rival, mais a norte, não consigo sentir nada que não seja um profundo desprezo. E como não tenho que ser simpático ou politicamente correcto, assumo sem qualquer problema as minhas palavras. Num país menos corrupto, o FCP teria metade dos títulos, jogaria em divisões inferiores, teria N jogadores apanhados nas malhas do doping e jamais poderia forjar a sua data de fundacão, como está provado que fez. É um clube que construiu 3 décadas de glória assente em esquemas com árbitros, violência e corrupcão. Está provado e sentenciado, embora tenham sido outros a pagar.
A rivalidade com o Sporting, acho eu, ainda se fica pelas quatro linhas.
A história dos últimos anos favorece as minhas cores. Diz a estatística que o Sporting precisa de 10 jogos para vencer um. Dizem também os entendidos que isso não interessa para nada antes de novo derby. Pois eu acho que conta...o peso da história sente-se na camisola e dá, ou retira entenda-se também, confianca a quem corre para novo desafio.
O vizinho de Alvalade tem sido nos últimos anos um óptimo adversário. Daqueles que fazem barulho e metem alguma emocão na coisa mas, na altura de jogar, acabam por perder. Ora...isto é tudo o que espero de um rival.
Contudo, amanhã não será assim. Por portas travessas, e entre o rol de asneiras que Bruno de Carvalho fez, um mérito tem que se reconhecer. Soube recuar no despedimento de Marco Silva quando viu que os sócios estavam com o treinador. E isto é uma má noticia para nós, benfiquistas.
Não concordo quando dizem que o Sporting está mais forte do que no ano passado. O 11 é quase o mesmo e não acho que Nani seja um extra-terrestre. É a minha opinião, vale o que vale. A grande mais valia é o treinador que, ao contrário de outros, insistiu com Carillo, o melhor do Sporting há vários anos e sentou Capel, que chegou a ser um ídolo em Alvalade. Não é preciso ser um Einstein mas é preciso ver o óbvio. Marco Silva vê o óbvio e não complica.
A real diferenca está na aproximacão do Benfica ao Sporting no défice de qualidade. O Sporting não subiu mas o Benfica desceu, muito. No ano passado, Sálvio não tinha lugar no 11 do Benfica que atacava as redes de Patricio com Enzo, Matic, Rodrigo, Lima, Cardozo, Markovic e Gaitán. Hoje discute-se se joga Talisca ou Pizzi...com todo o respeito para quem lá está, eu sinto que claramente não percebo nada disto quando Pizzi passa a ser uma opcão elogiada para o 11 do Benfica. Mas enfim...eu já vi Pringle, o sueco carteiro que um dia jogou na Luz.
O campeonato deveria ter ficado fechado em Pacos de Ferreira. Juntamente com a eliminacão da Taca, são os pecados capitais de Jesus este ano. Quanto à Liga dos Campeões, não há nada a dizer. O plantel não tem qualidade para um grupo sem Maribores ou Borisovs. Simples.
Uma vitória do Benfica encerra, a meu ver, o campeonato. Acho contudo que o jogo de amanhã é aquele onde o Sporting tem melhores hipóteses de vencer, dos que me lembro nos últimos anos.
Confesso o meu nervosismo. Mas isso sou eu, um simples adepto.
Agrada-me contudo a forma como o Benfica lidou com a semana de preparacão. Enquanto o Sporting encomendou notícias sobre o Artur, tentando abalar a estrutura por esse lado, o Benfica ficou em silêncio. Como um campeão confiante nas suas qualidades deve fazer. E era tão fácil rebater...bastaria usar aquele video ali de cima, ainda fresquinho, com mais um frango do Patrício.
Aconteca o que acontecer em Alvalade, continuo a achar que este título se discute, uma vez mais, entre Porto e Benfica. Resta-me esperar que comece a rolar a bola e que o campeonato acabe amanhã.
Forca nisso Pizzi!

sábado, janeiro 24, 2015

O homem do meio


Um dia destes acordei com um telefonema estranho. Voz feminina, lingua inglesa, sotaque da Índia.
Entre esfregar os olhos e comecar a perceber o que me estava a ser transmitido passou uma eternidade. Bem sei que são fluentes, mas aquela pronúncia não facilita. Pelo menos para mim.
A rapariga estava sentada em Pune, se percebi bem, e trabalhava para uma consultora americana com sede em Nova Iorque. Ora, se há alguma coisa que fui aprendendo ao longos dos anos é que, se uma empresa tem sede em NI em princípio não produz nada. Ou vende oxigénio na bolsa ou vende CVs e nomes de pessoas.
Ainda mais intrigado fiquei e resolvi passar água na cara para ver se acordava.
Uma empresa indiana queria entrar no sector automovel. A história comecava aí. Resolveu contratar uma empresa de consultadoria local para fazer um estudo sobre a matéria. Essa consultora indiana contactou a empresa americana, através do escritório local, para saber nomes de pessoas com experiência na área  e que pudessem responder a questões técnicas. Os americanos (através do escritório indiano) foram então ao linkedin e encontraram CVs apropriados, entre os quais o meu.
Depois de ouvir esta história toda, pensei: "porque raio não foram os indianos que querem abrir um negócio directamente ao linkedin? Ou vá...porque não foi a primeira consultora ao linkedin? Porque é que meteram os americanos também ao barulho?"
A rapariga pergunta-me se aceitaria 1h ao telefone a troco de 200 dólares para responder a questões técnicas. Comecei a desconfiar do esquema...não estou habituado a que chova assim para o meu lado.
Mas aceitei.
Passados uns minutos telefona-me o rapaz de Nova Iorque para me meter em contacto com o camarada na Indía. Uma hora depois, quando desligo o telefone, vejo que os meus dados estão na base de dados da tal empresa de NI, para ser utilizado em futuras consultas.
Uma espécie de repositório de ucranianas para casamentos ilegais, mas em versão sofisticada e com venda de conhecimento em vez de carne.
Confesso que não me agradou. A globalizacão terá muitas vantagens e, uma pessoa que está no meio da Índia conseguir, em poucas horas, encontrar um contacto desejado até pode ser uma delas, mas a quantidade de sanguessugas que se alimentam no processo é algo que me enerva.
Criam-se empregos e profissões com nomes pomposos com a única tarefa de andarem no google ou no linkedin à procura do CV certo, para o direcionar e sacar uma comissão.
Não há qualquer mais valia nisto. Qualquer pessoa pode procurar no linkedin e estabelecer contacto pelo seu próprio "dedo".
Talvez esteja a ficar velho ou o mundo avance depressa demais, mas decididamente não me habituo a estas profissões que nascem como cogumelos, sem qualquer tipo de formacão académica ou requisito especial, e que se limitam a usar o conhecimento dos outros a troco de comissões. "We provide the best experts" é normalmente a frase que me leva ao vómito. Não...vocês não providenciam nada. Vocês transferem uma chamada de A para B e, na melhor das hipóteses, copiam um CV do linkedin para o vosso site. É apenas isso. São uma simples central telefónica, uma espécie de PBX dos tempos modernos. Mais ou menos aquele conceito de quando a striper vos tenta convencer que é uma bailarina.
Cada vez tenho menos paciência para isto.


domingo, dezembro 28, 2014

TAP, a jóia da coroa


Durante muitos anos não percebi o milagre da multiplicacão dos pães na TAP. 
Anos e anos com prejuízo, intercalados com uma injeccão de dinheiro no governo de António Guterres e uma empresa que, aparentemente, funcionava sempre no vermelho e sem apoio do orcamento de estado, por ser contra as normas europeias. Confesso que sempre me fez confusão compreender esse milagre económico. Em determinada altura, muito antes de Passos Coelho chegar ao governo, até achei que a privatizacão (dos servicos de ar, não da manutencão) pudesse ser uma solucão para inverter essa perda e, se possível, acabar com regalias inaceitáveis que existem na TAP, já para não falar do autêntico cerco montado pelos pilotos.
Hoje em dia já não penso assim. Garante-me quem está mais perto da turbina que a TAP não recebe apoio estatal. E é publico que hoje em dia que a empresa apresenta lucro. Por outro lado, os buracos da TAP, tal como as suas mais-valias, estão identificados. Assim sendo, não há como defender a privatizacão. Burros velhos afinal conseguem aprender linguas.
Há coisas para mudar...comecando nas borlas aos empregados e familiares, passando na ganância dos pilotos e terminando naquele buraco sem fundo que é a antiga empresa de manutencão da Varig que a TAP comprou. 
Isto não justifica a privatizacão, a meu ver, justifica apenas uma gestão diferente. Os pilotos da TAP são bons, muito bons até. Mas se não querem trabalhar na companhia, há quem queira. A credibilidade da TAP é afectada de cada vez que convocam uma greve, a este ritmo mensal, deixando à beira de um ataque de nervos todos os passageiros que confiam na nossa companhia de bandeira.
Se o governo faz uma requisicão civil para impedir a greve, percebe o interesse estratégico da TAP e, como de costume, dá um tiro nos pés. Se tem interesse estratégico para o país, não pode ser alienada. É tão simples quanto isto.
E depois há a parte boa...uma companhia que com pouco mais de 50 aviões e um hub num país pequeno, liga 3 continentes e é lider de mercado em algumas rotas. Uma companhia que voa diariamente para aeroportos perigosos e que aterra sempre em seguranca. Uma companhia cuja excelência da manutencão é premiada anualmente. Sim, se há alguma coisa de que nós Portugueses nos podemos orgulhar, é da TAP. E não há hospedeira mal encarada ou atraso de 5 horas que vá mudar isso.
E quando vemos a empresa que está na ordem do dia para comprar a TAP, temos mesmo que dar um salto. A Azul é a terceira empresa de aviacão de um país onde a primeira (TAM) já é má. Que me desculpem os amigos brasileiros, mas o povo irmão tem bandeiras muito melhores do que a TAM, Gol e Azul.
Não, não e não.
A TAP tem que continuar pública. Pensem na privatizacão da ANA e nas taxas que subiram 3 vezes num ano, na EDP e por aí fora. Já alguma privatizacão beneficiou os portugueses, seja no preco de consumo ou na reducão de impostos?
A TAP é nossa e assim deve ficar.
Há que fazer uns ajustes que a tornem menos refém de um grupo de funcionários, vender aquele sorvedouro de dinheiro no Brasil e renovar a frota.
De resto, é só não mexer para não estragar.
Os emigrantes agradecem e eu também.
Costa, vê lá se lês o guião.

terça-feira, novembro 25, 2014

Sócrates ao vivo no pelourinho


Já tudo foi dito e escrito sobre Sócrates. O bombardeamento é tal que a moda passou em 3 dias. Enjoou. Falta apenas um anúncio, de preferência junto ao pelourinho da praca do Municipio e lido em papiro, do desmembramento de Sócrates por tração de quatro cavalos.
Embora tenha um pouco a tendência de misturar tudo, gostava aqui de separar o político do cidadão. E gosto de manter a coerência...
Já o escrevi várias vezes que achei Sócrates o melhor PM que tivémos em democracia. Lembro-me de Cavaco, Guterres, Durão, Santana e Passos. E pronto...não preciso de argumentar mais.
E sim, não concordei com tudo mas concordei com muitas das opcões políticas de Sócrates. Não muito com as auto-estradas, mais com o TGV (apenas Lisboa - Madrid) e o aeroporto. Gostei do investimento nas energias e na educacão. E não tinha vergonha quando via Portugal representado por ele nos conselhos europeus. É um político hábil e que não se dobra como Passos ou Durão. Nunca gostei das companhias, como Vara e gente dessa, mas adiante...
Nunca percebi, a não ser por simples ignorância, quem acusa Sócrates de ser o responsável da dívida do país quando a destruicão do tecido industrial portugues e dos subsídios europeus comecou com Cavaco. Antes da troika entrar nos países do sul, a directiva da UE era usar o investimento público, aumentar a dívida e meter a economia a mexer ("à la USA"). Foi o que Sócrates e outros PMs em crise fizeram. Quem se queixa desta estratégia, estará certamente maravilhado hoje com a espiral recessiva e afundamento da populacão em pobreza. Sim, há sempre o "fora da zona de conforto" para onde Passos vos mandou...
Outra história, bem diferente, é o crime (ou crimes) de que Sócrates é acusado. Ninguém está acima da lei. E claro, com todo este espectáculo já a sentenca está feita e mastigada por todos.
Sócrates foi detido no aeroporto, quando chegava a Lisboa (e não quando se estava a ir embora) e com uma TV a postos. No dia seguinte a biógrafa de Passos Coelho já tinha uma peca de investigacão a sair na capa de um jornal. Três dias depois o linchamento está feito. Ora isto, seja Sócrates culpado ou não, é o pior que pode existir no chamado estado de direito.
O julgamento público sem direito a contraditório é normal em sociedades pouco evoluídas, para não dizer terceiro-mundistas. Só quem nunca foi a um tribunal defender-se do que não fez e esteve debaixo de difamacão por terceiros, é que pode sentir algum prazer interno com este caso.
Sócrates está indiciado por crimes de colarinho branco. Acusacões graves que se colam ao seu periodo de governacão e cuja investigacão, espero eu, vá até às últimas consequências.
Aplaudo as tentativas de combate contra a corrupcão mas abomino linchamentos públicos.
Tenho enormes dúvidas quando, antes de um processo comecar, o indiciado já está a ser chicoteado em directo no horário nobre.
Em Portugal as redes de interesses protegem os seus, na política, na banca, na justica, nos negócios. É isso a que se chama corrupcão. Ninguém é atacado até perder o poder, o que também mostra de que é feita a nossa justica. Veja-se o BPN do PSD, o Salgado que caiu em desgraca numa guerra familiar, o Vale Azevedo quando saiu da presidência do Benfica e agora Sócrates.
Por mim, enquanto as teias de corrupcão se forem abatendo e, entre aflitos, as denúncias aumentarem, tudo bem. Seguir-se-ão Relvas, Paulinho dos Submarinos, Passos da Tecnoforma, Alberto da Poncha e por aí fora. Pinto da Costa é que não porque, como já provou a todos, só sai de lá em casco de carvalho, para não correr riscos. Mas o futuro é risonho para Portugal.
O país vai ficar fantástico, limpo desta gente e pronto para um novo inicio. Os emigrantes regressam a casa, a economia dispara para dois digítos ao ano, o Benfica ganha uma final e enterra a estátua do húngaro. O Alentejo continua a ser o nosso melhor segredo e eu serei deputado pelo PCP. Ou pelo Livre. Já não me lembro do fim da história mas sei que acabava com um cowboy, num cavalo branco em direcão ao pôr do sol, a cantar.

terça-feira, novembro 18, 2014

Lisboa a 1 euro, é só hoje freguês!


Aos poucos vou ficando mais tolerante com as notícias que vocês fazem o favor de me enviar.
Este rouba, aquele não é preso, o outro foge...talvez esteja a comer salmão em doses pouco recomendáveis, mas a coisa vai-se esfumando nas brumas da resignacão. Ou então é o Courela de Pias que dá sono, também pode ser isso.
António Costa, o futuro PM de Portugal segue a estratégia do silêncio. Há quem diga que lhe basta estar calado para garantir a maioria absoluta. É quase isso. Contudo, para azar de Costa, ele está à frente de uma autarquia falida que por acaso representa a maior cidade do país. Tem que agir e ao fazê-lo será inevitavelmente julgado. "Se faz assim em Lisboa, como fará no país??", ouve-se em cada paragem nos intervalos do Benfica - Rio Ave. Talisca levanta a cabeca e bate em arco. Luis Freitas Lobo diria que foi um momento de pura harmonia, onde as cores da Bahia se juntaram num arco-iris de potência e cumplicidade, entre a perna de Talisca e a malha da baliza "grande" (Nota: ir ao google para saber o que é a baliza grande). Eu que não sou poeta, diria apenas que foi uma pAdrada das antigas.
Mas com isto desviei-me do tema..
Vou só desligar o youtube senão continuo a misturar assuntos e depois chamam-me nomes.
Voltemos ao Costa.
Taxa para não residentes que entrem pela Portela e utlizacão desse dinheiro para um novo centro de congressos ali no alto do Parque Eduardo VII.
Vejo reclamacões das associacões de turistas, dos emigrantes portugueses espalhados por aí fora e de alguma oposicão que classifica tudo isto como um novo imposto disfarcado. Vamos por partes.
Não me escandaliza de forma alguma uma taxa de 1 euro para entrar em Lisboa. É prática comum nas cidades mais visitadas do mundo. Pagamos para entrar em Pequim, Roma, Moscovo, Istambul, Sydney, Havana e por aí fora. E não pagamos apenas 1 euro....
Não é esse valor que afasta qualquer turista e, se como foi anunciado, a receita reverter a favor de mais investimento na cidade, tudo bem. Não me parece que um centro de congressos, especialmente no Parque Eduardo VII, seja uma prioridade, mas enfim, são opiniões. Ainda assim acho que deviam pedir a opinião do Paulo Portas. Ele, alegadamente, conhece a dinâmica e o urbanismo da zona.
Já me parece um pouco mais disparatado, para ser cordial, aplicar esta taxa a portugueses não residentes em Portugal. Uma taxa, ao contrário de um imposto, é um valor que se paga a troco de um servico. Ora...para muitos portugueses o regresso a casa faz-se pela Portela, já que é esse o hub do país. Não quer dizer que fiquem sequer em Lisboa. E para aqueles que ficam, a taxa é descabida de igual forma. Já não basta muitos terem que sair do país à procura de uma vida melhor, de aguentarem casas e contas em Portugal, que vão dando uns IMIs ao Costa enquanto estão a trabalhar longe, e depois ainda pagam para entrar em casa? Não é o valor irrisório de 1 euro que está em causa, é o princípio. Não se pode fustigar o mesmo par de ossos 3 vezes.
Costa...pensa nisso rapaz. Não se marca a diferenca fazendo as mesmas asneiras.




(Nota: para os meus habituais leitores daquela cidade do interior que fica algumas dezenas de km a norte de Lisboa, obrigado pela vossa atencão e dedicacão. O vosso nome aparece ali naquele mapa do lado. Podem continuar a retirar as minhas palavras do contexto, inventar narrativas e usá-las contra mim, nas habituais tentativas de difamacão mas, peco-o educadamente, tenham alguma elegância. Ou então esforcem-se mais.)

domingo, novembro 09, 2014

O muro da vergonha, 25 anos depois





Berlim é como Coimbra, encanto a rodos mas nem sempre na hora da despedida.
Passam hoje 25 anos sobre as primeiras marteladas que deitaram o muro da vergonha por terra. E digo muro da vergonha porque, entre outras outras coisas, aquela aberracão provou a falência de um sistema.
Já tive esta discussão com várias pessoas e, parece-me, nem sempre consigo explicar a diferenca de opinião política em Portugal ou fora.
Ser simpatizante comunista em Portugal é uma coisa. Sê-lo na Polónia, na Finlândia, na Letónia ou numa cidade do leste alemão, Leipzig por exemplo, não é a mesma coisa. E explico porquê.
Em Portugal o PCP foi o mais importante movimento político na luta pela liberdade. Aos longos dos anos em democracia, nem sempre se conseguiram renovar ou distanciar da base (Estalinismo), mas, honra lhes seja feita, são uma forca importante na defesa dos direitos dos trabalhadores, não há casos de corrupcão e histórias mal contadas com os seus deputados, financiam o partido com os seus salários e fazem um bom trabalho nas autarquias. Claro que eu preferia que não aprovassem regimes como o norte-coreano, invasões como a de Praga ou apoiassem gente como o Mário Nogueira, mas prefiro 1000 vezes uma forca politica como o PCP do que um conjunto de oportunistas sem espinha e/ou ideais, que fazem da política um jogo de corrupcão e troca de interesses. Sim, referia-me ao CDS do Paulinho das Feiras.
Já no leste europeu, comecando em Turingen (Alemanha) onde, se a memória não me falha, comecavam os dominios do Pacto de Varsóvia, a coisa piava mais fino.
No caminho entre Estalinegrado e Berlim, durante a II GG, o Exército Vermelho foi libertando o caminho da Nazis e instalando russos. No fim da guerra, passando a imagem de "povo libertador", os russos criaram a necessidade de abracar todos os territórios ocupados. Portanto, muitos desses povos, limitaram-se a trocar as SS pelo KGB. Ou seja, o regime comunista foi assumido, ao longo das décadas, como o que ocupa, o que instala uma espécie de ditadura. Ora...isto é exactamente o que nós pensamos de Salazar. E quando digo "nós" não me refiro aos saudosistas que votam em programas da RTP. É portanto fácil, espero eu, perceber porque se apoia o PCP em Lisboa mas dificilmente se compreende a sua evolucão histórica dentro dos muros do Pacto de Varsóvia.
Berlim foi dividida em 4 zonas, entre os Aliados, depois de 1945. A parte Este de Berlim comecou a seguir a linha dura da URSS e, com o tempo, os Berlinenses comecaram a perceber que não era bem aquilo que queriam ou esperavam do pós-guerra. Comecaram os movimentos para a zona oeste, ocupada por outras potências, nomeadamente os americanos. O exôdo foi tal ao longo dos anos (mais de 3 milhões) que o regime comunista decidiu construir o muro, tornando a prisão oficial.
O muro isolou a parte ocidental e tirou a liberdade a uns quantos milhões. Com razões diferentes, o fim foi o mesmo de Ramallah, na Cisjordânia. Uma prisão a céu aberto.
O regime comunista tinha a sua lógica e principios. Eu até acho que tinha algumas ideias com sentido. Mas, e o problema é este mas, quando se levanta um muro para forcar a aceitacão de uma ideia, a ideia deixa de fazer sentido.
Berlim é uma cidade absolutamente fascinante. Palco da ascensão do movimento nazi, do fim da II GG, do início da guerra fria, do colapso da URSS. Muito do século XX passou por aqui e isso sente-se em cada esquina.
É uma cidade imperdível, onde nunca me canso de voltar.
Na Potsdamer Platz, daqui a uns dias, de novo com um pé de cada lado, com a certeza de que o tempo não voltará para trás.