E agora para algo ligeiramente diferente, passem lá por aqui.
Querem vir?
segunda-feira, dezembro 28, 2015
quinta-feira, novembro 12, 2015
Dia histórico...o Paulinho ficou sem jogo de anca.
Mesmo com o Costa, este será o governo mais à esquerda desde o PREC.
Portas fora dos ministérios é uma excelente notícia para os portugueses em geral, péssima para a Xerox em particular.
Se daquele power point manhoso que o PS mostrou com as medidas do "vamos fazer tudo", este executivo cumprir metade, já ficamos com 2016 ganho.
Jerónimo no governo. A D O R O.
Concordo com quem diz que hoje é um dia histórico. Goste-se ou não, as regras da AR foram respeitadas e o normal funcionamento também.
Veremos o que aí vem. Pior acho que não fica.
Sócrates, e agora pá?
Portas fora dos ministérios é uma excelente notícia para os portugueses em geral, péssima para a Xerox em particular.
Se daquele power point manhoso que o PS mostrou com as medidas do "vamos fazer tudo", este executivo cumprir metade, já ficamos com 2016 ganho.
Jerónimo no governo. A D O R O.
Concordo com quem diz que hoje é um dia histórico. Goste-se ou não, as regras da AR foram respeitadas e o normal funcionamento também.
Veremos o que aí vem. Pior acho que não fica.
Sócrates, e agora pá?
(Ps - quem fala de sede de poder da esquerda, já se esqueceu o que fizeram Passos e Portas na altura do PEC IV
Ps1 - qualquer acontecimento que meta a Grândola a tocar nas escadarias da AR, vale só por si um momento kodak)
terça-feira, outubro 20, 2015
Quem quer o lugar que o Paulinho inventou?
Andava
aqui a pregar aos meus botões quando me lembrei que Portugal ainda não tem
governo. Primeira questão : já repararam que não se nota ? É o que
acontece normalmente nos protectorados. Temos dois ou três mangas de alpaca e
pensamos todos que existe por ali, entre o Rato e a (introduzir rua da sede do
PSD - eu não me lembro e não vou Googlar detalhes que só estragam a prosa),
algum poder de decisão. Mas não, é ligeiramente irrelevante. As ordens chegam
da UE, da Merkel e de mais dois ou três governos de direita que mandam nos
outros 27. Manda quem paga. É um clássico desde o tempo da Roma de César. Um qualquer, do Júlio ao Augusto.
Mas voltando ao burgo, dizia que
que andamos no limbo e nas reuniões esquerda-direita e coiso e tal. Tenho lido
bons romances nestas últimas duas semanas e alguns mistérios com golpes
palacianos. Não percebo bem o escândalo das esquerdas se unirem…qual é o problema?
Não representam efectivamente a maioria dos votantes? Ah e tal mas não
mostraram esse cenário antes das eleicões? E então? Se mostrassem os outros 50%
teriam ido votar? Passariam a ter interesse na vida política e nas decisões?
Como diria Rui Oliveira e Costa, I don’t sink so.
Das
várias coisas boas que apareceram na imprensa destaco a declaracão de Paulinho :
”Cedo o meu lugar no governo a António Costa”. Muito e muito bom. Qual lugar
Paulinho? Aquele que inventaste em mais um jogo de cintura irrepreensível ou
aquele que achas que terás num governo que ainda não foi empossado? Se algum
dia quisermos contar a um filho, de forma resumida, o que é o lamacal político
português, basta mandá-lo ler o Linkedin do Paulo Portas. Está tudo ali. Da
lata ao esquema, passando pela ambicão desmedida.
Cavaco
vai chamar Passos e dizer um “orienta-te“. Provavelmente
terá a mesma sorte do que o segundo governo de Sócrates. Costa, os Seguristas e
o novo BE vão fazer a cama a PSD e CDS. Cheira a poder dentro de um ano. Se tivesse que apostar
fichas ainda deixava umas de lado para o “animal feroz” que entretanto se
soltou.
Continuo
a achar que a alternativa PS não é uma verdadeira alternativa. Com BE, PCP e o
Livre (a quem os eleitores não deram qualquer hipótese) em lugares de decisão,
já acredito mais. E ao contrário da maioria não vejo como negativa esta
abertura de BE e PCP para a negociacão. Prefiro que neguem alguns dos seus
valores da campanha para entrarem em zona de decisão do que, como até aqui, ter
o Centrão e a sua teia de interesses a gerirem o dinheiro público.
Um
dado que acho interessante, pelo menos visto daqui, é a realidade dos deputados
eleitos pelos círculos fora de Portugal. PS e PSD colocam os mesmos deputados
há anos em representacão dos emigrantes, uma espécie de lugar vitalício, ainda
por cima, segundo vou percebendo, por pessoas que nem sequer residem fora de Portugal
e pouco ou nada conhecem da realidade que representam. É uma simples conta de
distribuir os boys pelos lugares elegíveis. E nós continuamos a votar…fora e
dentro, nos mesmos, com ou sem troika, com ou sem austeridade, com ou sem 100 000
a abandonarem o país por ano.
E no
fim de tudo, o argumento que decididamente não consigo perceber e que me leva
ao descrédito total. Semanas, meses de propaganda económica, com comentadores
laranja em todos os canais, artigos nos jornais e a máquina bem oleada a
explicar que « agora Portugal pode mais », que o esforco valeu a
pena, que as contas estão em ordem e agora é que é. Mais de 30% da populacão
disse que sim e concordou com esta falácia. Ora…dados públicos disponibilizados
pelo INE (qualquer pessoa pode consultar) explicam que a dívida externa do país
subiu brutalmente nestes 4 anos. Percebem ? Uma coisa é o país
endividar-se para segurar os empregos, manter os apoios sociais, manter as
empresas públicas, etc. Outra coisa bem diferente é um país aumentar a sua dívida
externa, ao mesmo tempo que vende as suas empresas estratégicas, em que vê
milhares abandonarem o país, em que aumenta impostos e aumenta as suas receitas
fiscais. Se o que PSD e CDS dizem fosse verdade, todo este sacrifício teria que
se reflectir na descida do nível de endividamente externo. É matemática simples
que qualquer Camilo Lourenco consegue perceber. Mas não foi isso que aconteceu
pois não ? Pois…
Até
poderiam ser peaners e deixávamos a bola rolar. Mas não dá. É muita asneira
junta e várias décadas ao nível do Haiti da Europa que nos esperam. E eu estou
farto de gelar aqui em cima, cappice ?
terça-feira, setembro 29, 2015
Que a realidade não nos tolde a visão...tás a ceber?
Falar
da redondinha baixa logo a audiência. Não combina com as discussões sobre o
Guernica de Picasso, os refugiados a quem insistem chamar migrantes ou, ainda
melhor, com quantos paus se faz uma canoa cheia de banqueiros e austeridade.
Eu
gosto de futebol. E não o acho um tema menor. Discute-se apaixonadamente
política, economia, cultura ou desporto. Desde que não se seja mono-temático,
por mim qualquer debate faz sentido.
Dito
isto…
O
que se passa na tv portuguesa camaradas ??
Eu
gosto de ouvir programas sobre a poda, discussões táticas, opcões de plantel e
por aí fora. Já me aborrecem mais conversas de mão na bola e árbitro ladrão
mas, a questão que se coloca é : qual é o critério na escolha destes
painéis ?
Eu
tenho uma sugestão para a base – domínio da lingua portuguesa. Ao nível da
conjugacão de verbos pelo menos. Outra característica interessante : não
ser aquele tipo de personagem a quem apetece dar pauladas de cada vez que abre
a boca. Podemos juntar não estar metido em processos de corrupcão ou ter um
tipo de discurso absolutamente repetitivo e monótono. A cereja no topo do bolo
seria, mas talvez seja demais pedi-lo, não iniciar uma frase com um “É assim”
ou verbo no infinitivo «dizer ainda que«.
É
que, para um simples e comum mortal, que tem o azar de gostar de bola, torna-se
um processo de vergonha alheia ver um programa destes. E aqui, cores à parte,
todos os clubes têm representantes que nos envergonham.
Miguel
Guedes, João Gobern, Eduardo Barroso, António Simões, Tomáz Morais, Pedro
Ribeiro, Pedro Barbosa e Rogério Alves são aqueles que mais gosto de ouvir. Também
não me desagrada o Manuel « eu digo tudo » José. Defendendo mais
ou menos as suas cores, são educados, com discurso assertivo e não ofendem
ninguém. E não aborrecem, o que também é importante num programa de televisão.
Rui
Oliveira e Costa é de um enfado que não se aguenta. Repete a mesma coisa há 10
anos e mal o homem comeca a discursar, já todos percebemos 10 minutos antes o
que ele vai dizer. Homem…já se percebeu que a arbitragem é suficiente -, os
jogadores bons e os treinadores bons +. Muda o disco e fala menos com os
bracos. E já percebemos que foste deputado e que dominas a estatística. Mete o
lado B. E não é o que é que dissesteS homem! Corta o S, cortaaaaaaa !
Rui
Gomes da Silva, Manuel Serrão, Guilherme « antes pagava-se em dinheiro« Aguiar
e Rodolfo «é assim« Reis também enervam qb à sua maneira. Mas devo dar o
benefício da dúvida ao Serrão. Desde que Pedro Guerra entrou em cena, Serrão
passou a ser uma jóia de moco. Pedro Guerra é uma personagem que, apesar de ser
do meu clube, me envergonha e irrita de cada vez que abre aquela bocarra. É um
sabujo da pior espécie que faz limpezas de imagem ao estilo norte-coreano. Há
gravacões no youtube deste artista a ligar para um programa qualquer, fazendo-se
passar por um adepto de nome diferente, a despejar a propaganda vierista.
Concorde eu ou não com tudo o que o Vieira faz no Benfica, goste mais de umas
coisas e menos de outras, tenho no entanto de algo a absoluta certeza :
nunca, em galáxia alguma, uma avantesma destas pode falar numa televisão de
canal aberto em nome do Benfica. É uma vergonha e um enxovalho semanal.
Pior
do que este Pedro Guerra, ou vá, a par e passo, está o Inácio. Nunca tinha
reparado, porque também não tinha perdido mais do que 5 minutos a ouvi-lo, que
este rapaz faz o Manuel Fernandes parecer um poeta. Em cada frase dá 7
calinadas entre um clássico «tás a ceber ?«. ProntS Inácio ? FizestS
e depois não pagáTeS ? Não Inácio, não ‘tou a ‘ceber como é que falas 2
horas por semana em horário nobre.
Temos
que criar nos estúdios de TV um ambiente de tasca só porque o assunto é bola ?
Por favor…tirem-me os pregos, como dizia o poeta da Nazaré.
Não
podem meter o Carlos Daniel, o Guedes, o Gobern e o Barroso/Alves nos 3 canais ?
Dito
isto, não quero acabar este misto de Eduardo Cintra na TV Guia com Rui Santos
no iPad, sem dar os parabéns ao FóCulDoPorto. Parece que fizeram ontem 122 anos
e eu não quero deixar passar a efeméride. Ao contrário dos meus camaradas
Gloriosos, não fico nada chateado com a falsificacão da data. Aliás, até acho
bem. Por alguma razão os nossos rivais acham que, se conseguirem criar a ilusão
de que foram o primeiro clube a ser formado em Portugal, ganharão nova
dimensão. E por mim tudo bem. Só o facto
de o tentarem já mostra que 1904 é a data a abater.
Além do mais, tendo em conta o
que já falsificaram nas últimas décadas, uma simples data até vai de borla.
Cada um é aquilo que deseja ser, não há limite para o sonho. Não é isso que
ensinamos aos nossos filhos? Não lhes dizemos que o Dartacão existia mesmo quando
eles desconhecem Dumas? Porque razão não pode Jorge Nuno festejar a data que
bem lhe apetecer? Não
nos atrapalhemos por essa coisa cheia de detalhes chamada realidade.
Parabéns
Jorge. Pela forma como saltas décadas, chegas aos 300 não tarda.
quinta-feira, setembro 24, 2015
Como é que a Margarida enche tantas folhas com oxigénio? Como é que o Marinho ainda saca votos? Mistérios.
Não tenho passado por este bairro. Às vezes até me apetece mandar aqui umas pastilhas mais elaboradas, afinal, há tanto e bom material nos dias que correm.
O Passos que não acerta uma, o Costa que já promete o paraíso enquanto faz um "tudo a saltaaaaar", o miúdo à beira mar que fez parar o mundo e o Charlie que o satirizou, provando que a linha entre a comédia e a estupidez é ténue. A Síria que não é problema nosso e os refugiados que vão voltar a conquistar o Alhambra.
Mas não me apetece. Pelo menos hoje.
Apetece-me escrever umas linhas à la Margarida Rebelo Pinto.
Estava um dia quente. Já tinha bebido um gin e sentia o pensamento a vaguear nas ondas que suavemente acariciavam o pontão. Entre a palha do chapéu ofuscavam-me dois raios de sol. Baixei a cabeca incomodada até que uma nuvem me libertasse o olhar. Espreitei, bebi novo trago para disfarcar, era ele, não restavam dúvidas! O Salvador derretia o gelo, ali, a poucos passos de mim na praia do Tamariz. Mudei o estado no facebook para esperancada. Ele não fez like.
Estou a ficar mal disposto, é melhor parar.
O meu sonho era ser escritor. Ou algo do género.
Como diz um primo meu, os bloggers são apenas pessoas com tempo livre e acesso à internet. Está bem visto. Ainda assim alimentava a esperanca de transformar um blog, este ou o de viagens, numa publicacão. Assim qualquer coisa gira, à grande e à francesa, com traducões e tudo.
Recentemente um texto que escrevi aqui foi traduzido e utilizado contra mim em tribunal. Não era bem o tipo de traducão que tinha em mente, mas já é um primeiro passo.
Espera...será que posso dizer isto? Ainda me entalo de novo...
NOTE: this is just a note of humour!
Voltando à poda...
Decidi comprar um carro novo. Aliás, trocar o meu por um mais velho.
Passo sempre momentos de harmonia e paz budista quando entro num stand. Se pudesse organizava uma corrida de bidões movidos a tangas. De um lado a selecão da europa de taxistas, do outro a equipa do resto do mundo de vendedores de carros.
Pergunto-lhe se está interessado em comprar o meu e, em troca, com o dinheiro que recebesse, compraria outro carro no mesmo stand. O vendedor diz que sim e pede-me a matricula do carro. Vai ao computador e a primeira coisa que faz é tentar convencer-me que o motor do meu carro tem menos 400 cc do que aquilo que eu digo. Ele sim, eu não e por ai fora mais umas 10 vezes. Viro o monitor do computador para mim e mostro a linha onde está o que ele diz + 400. Tomo noto da tanga, gosto sempre de aprender material novo, e sigo para o próximo stand.
Dou mais umas voltas e de tanga em tanga, vou petiscando em todos. Gosto daqueles cestos de fruta espalhados entre os carros.
Meto o meu à venda no "custo justo" cá do sítio e passado alguns minutos escreve-me um camarada a perguntar se quero trocar com ele. Tem um Dodge Charger com 400 cavalos. Não faco ideia o que é isso e vou ver ao google. É uma espécie de avião sem asas que se vê muito no Pinhal Novo nas corridas noturnas da Vasco da Gama. Não é bem o target do pai de família a caminho dos 50 anos.
Desisto do assunto e vou para casa. No correio está uma supresa agradável em forma de livro. Passo os olhos por umas linhas familiares e descubro outras sobre gente que também fez a mala. Comeco a ficar mais emotivo e com saudades. A emocão é a pior conselheira numa casa vazia a 3000 km de vocês.
Enfim, ele há dias. Amanhã já quero almôndegas com "lingön sylt" outra vez. Hoje nem tanto.
sexta-feira, setembro 11, 2015
Venda de condomínios em Homs, baixa de precos!
Ando aqui às voltas com um
texto. Não me apetece contribuir para entupir as redes sociais.
Aliás…esse seria um tema
interessante para discutirmos um dia destes, entre um gin ou uma ginja, na
praia ou numa da colinas. Quando é que ficámos tão indiferentes à miséria
humana? É impressão minha ou vivemos a regra do drama diário de há uns anos a
esta parte ? Num
dia somos todos Charlie, no outro o miudo da praia turca. Choramos e insultamos
meio mundo sem sair do sofá. Depois mudamos para a BTV e vemos o golo do Jonas,
entretemos os filhos com os
iQualquerCoisa e está feito. No dia seguinte insultamos o Relvas que já comenta
debates na TVI e vociferamos uma xenofobia básica contra os refugiados. Olha,
está a comecar o Sporting do Jesus. Venha de lá essa cerveja. Sim,
parece que está mau ali para os Mohameds e não sei quê.
Chega a pensão ou o salário.
Ainda com os cortes que prometeram que nunca exisitiriam. "Filhos da puta", dizes tu junto à máquina de café
ao teu colega da contabilidade. Juntos clamam por justica e desejam a maior das diarreias ao Passos, ao
Sócrates e ao Costa. "Em quem vais votar ?”, pergunta o Fernando da logística. « Acho
que no CDS, o Portas pelo menos defende os reformados«, respondes tu enquanto
pensas na tua mãe.
E partilhas connosco no facebook.
Até metes um pedaco do debate entre o Portas e a Catarina. A tua parte preferida foi aquela em que ele passou
20 minutos a falar da Grécia e se escapou a tudo o que era tema nacional. Tens
uns quantos likes. Mas menos do que tiveste naquele post espectacular a
falar dos terroristas que atravessaram a fronteira da Macedónia. Em
termos de activismo já fizeste a tua parte por hoje.
Apetecia-me falar da
estratégia de debate do PSD e CDS. De como se escudam no Syriza ou no Sócrates,
fugindo à avaliacão dos últimos 4 anos. Acho que isso beneficia a esquerda, o
que te parece ? Ou da catástrofe que se vai abater na Europa por causa da
última década de líderes mundiais fracos ou corruptos como Sarkozy, Bush,
Blair, Hollande, Putin e Merkel que sugaram os países em seu redor ou comecaram
guerras sem fim à vista. Afeganistão, Líbia, Iraque, Síria, Ucrânia. Acho
estranho esta coisa dos fluxos migratórios. Quem é que não quer ficar em Homs e
seu novo conceito arquitectónico ? Mais arejado, com mais estacionamento,
menos trânsito. "Esta
malta só quer é vir para a europa sacar subsídios", ouvi o doutor da administracão
a dizer. Ele tinha gravata e tudo, deve perceber dessas coisas.
Também gostava de perguntar
como é que, depois de um pai perder uma família num barco de borracha a fugir
da guerra, tu te indignas com a prioridade que não é dada ao mendigo do Martim
Moniz ? Ou como garantir, aqui entre nós, que a jornalista que agride
miudos refugiados em fuga não é apenas o "sound
byte" do
dia ? Como é que podemos ficar mais humanos e menos interessados na merda
do lancamento do iPhone 247 ?
Apetecia-me discutir isso tudo mas não faz muito
sentido. Tu, o Fernando e todos os outros já o fizeram. Demos todos a volta ao
mundo sem sair do sofá. E partilhámos tudo No Facebook, no Twitter, no
Instagram e naquela que só funciona para os chineses. Mudámos o mundo
deixando-o igual. Entupimos a rede com imagens do Buda a dizer que somos uma
nódoa.
Cansas-me. Tu, o Fernando e o activismo de
sofá.
Vou antes ver o Benfica. E
daqui a bocado vou levar roupa minha e do meu filho para esses mamões dos
sírios que só querem é boa vida.
terça-feira, agosto 25, 2015
Boa sorte, apesar de tudo, é para quem fica...
A imagem não é escolhida ao acaso. Nunca é.
Reflete aquilo que nunca consigo meter na mala em cada regresso e que mais falta me faz. O céu azul e o mar que aconchega a areia com o barulho das ondas. Não vivo propriamente na Suica, convenhamos. Também deste lado há mar a perder de vista. Mas não faz barulho, não tem ondas ou areia macia, daquela que se espalha pelo carro até ao natal seguinte. Adoro.
Sobre o céu azul nem um comentário. A patente foi registada pelo Afonso Henriques.
Tendo em conta os saltos da minha infância, que pelos vistos continuarão até à 3a idade, dificilmente crio raízes onde quer que seja. Não existe o meu bairro, a minha rua, a malta lá da zona. Por outro lado, tenho relativa facilidade de integracão e de travar novos conhecimentos a cada passagem. Um pouco como dizem os russos: "casa é onde pouso a mala". Ao fim de 3 dias e com algumas pecas do IKEA, estou ambientado.
Apesar da minha cidade de referência ser Lisboa, este ano resolvi passar grande parte das férias em Santa Maria (Acores), um dos sítios por onde dividi a minha juventude.
É engracado constatar, ao fim de 30 anos de lá ter passado pela primeira vez e depois de tantas voltas pelo globo, como me senti em casa naqueles 17 km de extensão. As pessoas, as paisagens, o mar quente, os trilhos, as baías. Voltei diferente. As pessoas fazem a diferenca e a natureza também.
Gostei muito.
Mas, ainda assim, não foi dificil voltar para a Suécia. É importante para mim sentir que existe um cantinho no mundo a que posso chamar "porto seguro". Reconheco-o entre Lisboa e Vila do Porto, mas percebo também que isso só fará sentido se continuar deste lado.
Pelo meu filho, por mim e pelo nosso futuro. E percebo a simpatia da "boa sorte" na despedida mas, honestamente e tendo em conta o que vou lendo desde 2008 sobre o nosso país, a sorte desejada é toda para quem fica. Verão após verão vou ouvindo as histórias mais alucinantes sobre falta de emprego, condicões laborais ou exigências patronais que já não entram na minha cabeca. Não consigo perceber esta escravatura dos tempos modernos e muitos menos a miséria a que insistem chamar salário. Não percebo que se trabalhe um mês inteiro para pagar uma creche, um carro e uma casa. Não percebo que se viva no subúrbio porque é mais barato para estar 4h por dia no trânsito. Não percebo como é que se vive com 1 ou 2 semanas de férias. Não percebo porque estudar numa universidade comeca a ser cada vez mais um luxo. Não percebo como é que se pagam 30, 40 ou 45% de impostos para um Estado que nos suga até ao osso para safar banqueiros e distribuir tachos pelos amigos.
Portanto, o meu céu azul está a 4 horas de distância e tudo bem, vivemos bem assim. Eu e ele.
Não nos fartamos um do outro, o que é sempre bom. Dizem as más linguas que sou relativamente chato. Detalhes.
Mesmo sem o sol que me aqueceu em Julho e Agosto, a Escandinávia está há alguns anos com um crescimento económico assinalável. Na minha área continuam a gerar mais empregos do que formandos das universidades. E assim vai continuar durante mais algum tempo.
Para quem me contacta de forma privada e aqui e ali pede dicas sobre vagas, resolvi juntar umas quantas neste post, para não estar a repetir sempre tudo.
Se és de engenharia electrónica, informática, mecânica, telecomunicacões e outras desse género, tens aqui uma lista de pedidos de emprego em várias empresas. É uma amostra muito pequena (o mercado é muito maior) mas usei apenas empresas onde trabalhei ou fiz entrevistas, para poder responder a qualquer pergunta.
Fica a informacão para quem a quiser utilizar e/ou partilhar. E claro....boa sorte.
http://www.semcon.com/sv/Karriar/Lediga-jobb/
http://infotiv.se/karriar
http://www.afconsult.com/sv/Karriar/Lediga-jobb/
http://www.alten.se/jobba-pa-alten/lediga-jobb/
http://www.altran.se/karriaer/lediga-tjaenster/goeteborg/ansvariga-teamcoacher-inom-automotive.html#.VdwzH_ntmko
http://www.mca-sweden.se/careers
http://www.i3tex.com/lediga+tjanster/aktuella+tjanster/8/Page
http://www.hiq.se/#jobb/Lediga-Jobb
http://www.layer10.se/
http://movimentogroup.com/careers/
http://www.bertrandt-karriere.com/en
http://www.qrtech.se/karriar/lediga-tjanster
http://engineeringpartner.se/work-at-ep/index.html
http://www.combitech.se/Om-Combitech/Jobb-och-karriar/Lediga-jobb/
http://www.volvogroup.com/GROUP/SWEDEN/SV-SE/CAREER/LEDIGA%20JOBB/Pages/lediga_tjanster_us.aspx
http://www.volvocars.com/intl/about/our-company/careers/job-portal
http://www.highvision.se/lediga-tjanster/
segunda-feira, julho 06, 2015
OXI...e agora?
Existem dois tipos de comentadores. Os Camilos desta vida que, perante a miséria que os rodeia, preferem despejar gráficos e passar a cartilha do governo ad nauseum. E depois há os outros que tentam perceber o que se passa.
Para os que defendem que os gregos são uns caloteiros e por aí fora, vamos esclarecer uma coisa. É verdade que sucessivos governos andaram a martelar relatórios e a criar dívida disparatadamente? Sim, é verdade. São os gregos culpados pela sua própria dívida? Sim, em parte sim. E devem ser abandonados à sua sorte? Não, claro que não. Mas "porque não", perguntas tu jovem centrista cujo sonho é distribuir sacos de plástico. Porque, se mais argumento nenhum colher, digamos apenas que é mais barato salvar a Grécia do que correr com ela do euro e da UE.
Mas vamos por partes...
A dívida da Grécia apareceu hoje? Não, não apareceu. Tal como a portuguesa, espanhola, francesa ou italiana. Ahh..falta aqui a narrativa dos povos do sul. Somos todos uns bandalhos que queremos sol e deixamos o trabalho para os alemães. Mas espera! Então e os Irlandeses e Islandeses? Também fazem a siesta?
Já é altura de perceberemos como funciona a UE e de deixarmos o papel ridículo a que o nosso governo nos sujeita.
Não acho que faca sentido entrar na conversa da diferenca entre as dividas de cada país e como foram criadas, acho que já escrevi 200 vezes sobre isso. Mas convém lembrar duas coisas:
- na UE os países não são tratados de igual forma
- o jogo de interesses é controlado por uma minoria
Um dos exemplos mais citado é a história do material de guerra. Já com a Grécia em plena crise, uma das condicões do resgate era que parte do dinheiro fosse usado para comprar material bélico à Alemanha. Será talvez uma gota no oceano mas explica em parte a solidariedade que não existe. O FMI não é uma instituicão fantasma que imprime dinheiro. É uma espécie de um saco azul onde cada membro (país) mete dinheiro (a quota depende do tamanho do país) e recolhe depois os dividendos gerados. Podem ver aqui.
Como perceberão, o FMI não é controlado por todos os seus membros. Tal como na UE, os pesos são diferentes. Quando o FMI entra num país isso é um negócio da China...os lucros são monstruosos e ainda se está para ver um país "ajudado" que não tenha ficado de joelhos.
Não podemos pedir a um povo inteiro que voluntariamente empobreca para contribuir para os lucros dos países mais ricos e tapar as asneiras feitas pelos seus políticos. Banqueiros e políticos que criaram o buraco, que o paguem, como aconteceu na Islândia. Eu nem percebo os portugueses que apoiam a austeridade. Não aprenderam nada nos últimos 4 anos? A dívida externa aumentou, o desemprego também, mais pessoas foram para a pobreza e tudo o que fazemos é pagar juros. Não conseguem perceber que este é um ciclo vicioso que não tem saída possível porque não permite qualquer crescimento económico?
Os gregos perceberam isso e arriscaram enfrentar os poderosos. Pior do que estão não ficarão e eu acho que fizeram bem. Quem me dera que Passos Coelho tivesse metade do sentido de estado que Tsipras mostrou.
Se um dia alguém escrever um livro a explicar por A+B porque falhou a austeridade na zona euro, usará Portugal como estrela da companhia.
No meio desta confusão, pessoal que consegue ver mais longe (Camilo, agora podes voltar para dentro que já não é para ti), lá se lembrou que a Grécia está a sul dos balcãs, ao lado da turquia e a fazer de tampão aos emigrantes que usam a rota do mediterrâneo para fugirem do médio oriente (lembram-se da Síria? Parece que está mau por lá...). O Putin, aproveitando a chantagem da UE com um estado membro, já disse ao Tsipras que o gasoduto passa pela praca Syntagma e por isso, energia não faltará.
Os estados mais pequenos (entre os quais Portugal) queixam-se que não querem ficar a arder com o dinheiro que colocaram na dívida grega, o que se compreende. Também se poderia perguntar porque razão lá foram meter dinheiro, mas adiante.
Tentemos pois a solucão da Europa solidária...o empréstimo à Grécia é feito sem juros obscenos e os cortes exigidos vão, por exemplo, para a gigantesca máquina estatal (tal como em Portugal se prometeu um dia...). Não tocam em pensões e não aumentam impostos às empresas que podem dinamizar a economia. Ao mesmo tempo fazem um perdão de dívida que inclua a Finlândia, Suécia, Alemanha, Holanda e malta dessa. Os bancos alemães e franceses também ficam a arder um bocadinho, já que se lambuzaram para duas vidas. E pronto...está ou não aqui a verdadeira solidariedade? A Alemanha também já teve perdões de dívida depois de andarem a queimar pessoas no forno e de arrasarem meia europa, e ninguém se indignou.
A UE não pode continuar a ser este entreposto onde os mais pobres criam dívida para importar produtos dos mais ricos. Nem pode continuar a ter estas diferencas de impostos, salários e classes sociais, Porque razão ganha um engenheiro 1000 euros em Portugal e 4000 na Suécia mas, se for um político/gestor/boy, a ordem já se inverte? É em quem nos exige os sacrifícios que deve comecar o verdadeiro corte. Onde vai a tão famosa "gordura" do Estado apregoada em 2011? E o mesmo se aplica à Grécia. Não é certamente o desgracado que depende do seu trabalho, paga renda de casa e creche do puto, que deve passar a doar quase metade do salário para encher BPNs e BPPs. Em Lisboa, Madrid ou Atenas. Aqui somos mesmo todos iguais. Não perceber isto é não entender o básico de toda esta embrulhada.
Eu não tenho dúvidas que os mangas de alpaca gregos devem vir da mesma escola dos nossos, agora, o que me parece óbvio é que não pode ser um povo inteiro a pagar os crimes de alguns. Isso foi exactamente o que aconteceu em Portugal. Quem roubou continua impunemente a mandar e quem se limita a viver do seu trabalho, ficou com a fatura. Podemos culpar os gregos por não quererem o mesmo para eles? Eu acho que não.
sexta-feira, julho 03, 2015
O fim de uma etapa
A minha memória não é grande coisa. Lembro-me de factos históricos ou acontecimentos épicos, mas o que fiz ou disse naquela noite de trovoada, vai com a espuma dos dias. Sou o melhor amigo de uma mulher numa discussão. "Lembras-te que disseste não sei quê?". Epá...não. Perco sempre a bicicleta.
Há contudo momentos de que não me esqueco pela sua importância na minha vida. O facto de gostar de escrever também ajuda a arquivar as memórias.
Corria Agosto de 2010, o Diogo tinha 17 meses e eu escrevi isto.
Sentia-me emocionado. Era o primeiro passo fora das "asas" dos pais. Nestas coisas do crescimento, videos e fotografias são muito giros mas, o que conta mesmo é estar lá. E eu estava. Como estive sempre em cada momento, estivessem as portas fechadas ou abertas.
Lembro-me de tudo. Do sítio, da sala, das professoras, das conversas.
Hoje, quase 5 anos depois e muitas histórias passadas, chega o último dia na creche.
O Diogo comeca dentro de pouco mais de um mês o ensino primário na Suécia, o ano zero (que não existe em Portugal). Os putos serão os mesmos e, imagino eu, as brincadeiras também. A escola "desloca-se" 400 metros e inicia-se a próxima etapa.
Nem sei o que me comove mais nisto tudo. O ritmo a que este miudo está a crescer, o ritmo a que estou a envelhecer ou o ápice que é uma vida. Não sei bem porquê mas nestes momentos lembro-me sempre de uma desconhecida que, há uns anos, meteu conversa comigo enquanto passeava com o Diogo na rua. Disse-me: "o seu filho é muito bonito. Esteja sempre perto dele...está numa idade óptima, depois dos 12 já não nos ligam nenhuma". E seguiu o seu caminho entre palavras que partilhava com o vento. Recordo isto vezes sem conta.
É tempo de meter os pés na areia, ver amigos e familiares, comer bacalhau cheio de azeite e ouvir sons conhecidos. Depois, bom, depois logo voltaremos às futeboladas no bairro com os outros miudos, à piscina, às regras da mesa, aos horários e aprendizagem de novas matérias,
Regressaremos ao sítio que eu escolhi para vivermos, esperando que dentro de uns anos ele esteja contente com a decisão tomada. A intencão foi boa, diga-se.
Venha de lá a próxima etapa. Cá estarei para servir de rede. Para amparar ou deixar voar.
É tempo de calor.
sábado, junho 20, 2015
Porque não basta criticar...fica a minha tentativa de contributo.
Hoje é dia de votar nas eleições primárias do Tempo de Avançar. Este processo interno, aberto a todos, decidirá que candidatos farão parte das listas deste novo movimento à Assembleia da República.
Fico feliz por fazer parte da discussão e de poder espalhar a palavra por amigos e conhecidos. Se não servir para mais nada, que sirva pelo menos para que tomemos consciência que todos podemos (devemos) participar na vida do nosso país.
Fico feliz por fazer parte da discussão e de poder espalhar a palavra por amigos e conhecidos. Se não servir para mais nada, que sirva pelo menos para que tomemos consciência que todos podemos (devemos) participar na vida do nosso país.
Podem ver a minha candidatura aqui.
Eu estarei a concorrer pelos círculos de Lisboa, Setúbal e Açores, por serem essas as zonas com que mais me identifico e cujas realidades conheço melhor. Nasci em Lisboa e cresci na margem sul. Vivi nos Açores, na bonita ilha de Santa Maria, onde mantenho residência ainda hoje. Voltei para Lisboa para concluir o ensino secundário e tirar engenharia no ISEL - Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Trabalhei na VW Autoeuropa , em Palmela, até que aos 28 anos decidi emigrar para a Suécia.
Mantenho contacto diário com Portugal desde então e, políticamente, continuo a ver uma espécie de círculo fechado onde amigos, conhecidos e boys dividem os cargos mas nunca as responsabilidades. E é por isso que há décadas vemos as mesmas caras, alternando entre o governo e a oposição, em nefastos pactos de regime que procuram, a todo o custo, manter a rede de interesses que vagueia em redor do Estado.
Movimentos como o Tempo de Avançar, abrem a discussão/participação a todos nós. É a forma mais democrática de dar voz a quem tem algo para dizer. Só por isso, só pela iniciativa, eu acho que já está ganho. Quando percebemos que o maior partido da oposição (PS), em 8 meses consegue perder a vantagem percentual para uma coligação que representa o governo mais incompetente que me lembro de ver, fico mesmo com a certeza que é uma questão de tempo até a vida política em Portugal mudar radicalmente.
Os candidatos que estão em solo nacional tiveram a oportunidade de participar em debates e de se apresentarem. Eu estou a 3000 km de casa, faço parte da nova geração de "famílias skype" que Passos Coelho tanto aprecia, e não tive por isso a oportunidade de conhecer e debater com os meus camaradas.
Cada candidato deveria escolher um tema da Agenda Inadiável proposta pelo Tempo de Avançar (podem consultar aqui) e apresentar as suas soluções. Eu teria escolhido a renegociação da dívida. É de longe o ponto mais urgente no panorama nacional. E porquê? Porque não podemos atirar 20% da população para a pobreza para pagar os juros do crédito ao FMI (antes do tempo, como orgulhosamente fez Maria Luis). Nem podemos continuar reféns de uma Europa que segue 2 ou 3 vozes. A Alemanha exige cortes nas pensões gregas e o governo eleito sugere que se corte na defesa (onde o material é comprado à Alemanha ). A Europa que segue a senhora Merkel não aceita e faz o que pode para salvar os seus próprios investimentos. Não há solidariedade entre povos. Há apenas grupos financeiros e interesses instalados que devem ser salvos. À custa da Grécia, depois de Portugal. Seguir-se-ão Espanha e Itália.
Mas não chega renegociar a dívida. É preciso saber onde aplicar o dinheiro. É nessa parte que acho que posso dar uma pequena contribuição, com a aprendizagem de coisas simples que observo no meu quotidiano, no país onde vivo há 9 anos.
A educação é, a meu ver, o investimento base de qualquer país que quer ser civilizado e entrar na elite dos desenvolvidos. Escola verdadeiramente universal até ao ensino superior (que não existe em Portugal), rede de creches públicas, empréstimos para estudantes (30% a fundo perdido e 70% pago pelo próprio em prestações, quando entra no mercado de trabalho). A redução de custos para os progenitores com a educação resolve dois problemas: a diminuição da natalidade (a creche em Portugal custa quase o mesmo que uma renda de casa!) e o abandono escolar.
A Suécia tem uma população menor do que a portuguesa num território muito maior. Depois da II GG investiram muito na educação, sendo hoje um país modelo (juntamente com a Finlândia). Pensem agora nas multinacionais suecas que existem, na criação de emprego e no crescimento económico. Em algumas profissões existem mais vagas do que pessoas. Tudo isto resulta de uma aposta de décadas na educação. É este conhecimento que traz retorno ao país. Trata-se apenas de uma questão de estabelecer prioridades. Qualquer criança sueca tem o seu percurso escolar (da creche à universidade) coberto pelo orçamento do Estado, contudo, numa país com 2500 km de comprimento, contam-se pelos dedos de uma mão o número de auto-estradas...
O mais curioso de tudo isto é que a carga fiscal não é superior à portuguesa. O desperdício não é gritante.
Opcões e prioridades na utilização de dinheiro público. Não é preciso ser um génio, basta não ser corrupto e não alimentar PPPs que vivem à sombra do governo.
O Tempo de Avançar é liderado por pessoas cujo percurso admiro e opiniões (quase sempre) partilho, como a Ana Drago, o Daniel Oliveira ou o Rui Tavares . Esse parece-me ser um bom ponto de partida. Se todos contribuirmos com algo e se, pelo menos, conseguirmos abanar um pouco o poder instalado e os interesses que nos amarram ao fundo, já será o suficiente para mudar qualquer coisa.
Eu tentarei dar o meu contributo, peço-vos que façam o mesmo. Votem sff smile emoticon
Obrigado a todos!
Eu estarei a concorrer pelos círculos de Lisboa, Setúbal e Açores, por serem essas as zonas com que mais me identifico e cujas realidades conheço melhor. Nasci em Lisboa e cresci na margem sul. Vivi nos Açores, na bonita ilha de Santa Maria, onde mantenho residência ainda hoje. Voltei para Lisboa para concluir o ensino secundário e tirar engenharia no ISEL - Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Trabalhei na VW Autoeuropa , em Palmela, até que aos 28 anos decidi emigrar para a Suécia.
Mantenho contacto diário com Portugal desde então e, políticamente, continuo a ver uma espécie de círculo fechado onde amigos, conhecidos e boys dividem os cargos mas nunca as responsabilidades. E é por isso que há décadas vemos as mesmas caras, alternando entre o governo e a oposição, em nefastos pactos de regime que procuram, a todo o custo, manter a rede de interesses que vagueia em redor do Estado.
Movimentos como o Tempo de Avançar, abrem a discussão/participação a todos nós. É a forma mais democrática de dar voz a quem tem algo para dizer. Só por isso, só pela iniciativa, eu acho que já está ganho. Quando percebemos que o maior partido da oposição (PS), em 8 meses consegue perder a vantagem percentual para uma coligação que representa o governo mais incompetente que me lembro de ver, fico mesmo com a certeza que é uma questão de tempo até a vida política em Portugal mudar radicalmente.
Os candidatos que estão em solo nacional tiveram a oportunidade de participar em debates e de se apresentarem. Eu estou a 3000 km de casa, faço parte da nova geração de "famílias skype" que Passos Coelho tanto aprecia, e não tive por isso a oportunidade de conhecer e debater com os meus camaradas.
Cada candidato deveria escolher um tema da Agenda Inadiável proposta pelo Tempo de Avançar (podem consultar aqui) e apresentar as suas soluções. Eu teria escolhido a renegociação da dívida. É de longe o ponto mais urgente no panorama nacional. E porquê? Porque não podemos atirar 20% da população para a pobreza para pagar os juros do crédito ao FMI (antes do tempo, como orgulhosamente fez Maria Luis). Nem podemos continuar reféns de uma Europa que segue 2 ou 3 vozes. A Alemanha exige cortes nas pensões gregas e o governo eleito sugere que se corte na defesa (onde o material é comprado à Alemanha ). A Europa que segue a senhora Merkel não aceita e faz o que pode para salvar os seus próprios investimentos. Não há solidariedade entre povos. Há apenas grupos financeiros e interesses instalados que devem ser salvos. À custa da Grécia, depois de Portugal. Seguir-se-ão Espanha e Itália.
Mas não chega renegociar a dívida. É preciso saber onde aplicar o dinheiro. É nessa parte que acho que posso dar uma pequena contribuição, com a aprendizagem de coisas simples que observo no meu quotidiano, no país onde vivo há 9 anos.
A educação é, a meu ver, o investimento base de qualquer país que quer ser civilizado e entrar na elite dos desenvolvidos. Escola verdadeiramente universal até ao ensino superior (que não existe em Portugal), rede de creches públicas, empréstimos para estudantes (30% a fundo perdido e 70% pago pelo próprio em prestações, quando entra no mercado de trabalho). A redução de custos para os progenitores com a educação resolve dois problemas: a diminuição da natalidade (a creche em Portugal custa quase o mesmo que uma renda de casa!) e o abandono escolar.
A Suécia tem uma população menor do que a portuguesa num território muito maior. Depois da II GG investiram muito na educação, sendo hoje um país modelo (juntamente com a Finlândia). Pensem agora nas multinacionais suecas que existem, na criação de emprego e no crescimento económico. Em algumas profissões existem mais vagas do que pessoas. Tudo isto resulta de uma aposta de décadas na educação. É este conhecimento que traz retorno ao país. Trata-se apenas de uma questão de estabelecer prioridades. Qualquer criança sueca tem o seu percurso escolar (da creche à universidade) coberto pelo orçamento do Estado, contudo, numa país com 2500 km de comprimento, contam-se pelos dedos de uma mão o número de auto-estradas...
O mais curioso de tudo isto é que a carga fiscal não é superior à portuguesa. O desperdício não é gritante.
Opcões e prioridades na utilização de dinheiro público. Não é preciso ser um génio, basta não ser corrupto e não alimentar PPPs que vivem à sombra do governo.
O Tempo de Avançar é liderado por pessoas cujo percurso admiro e opiniões (quase sempre) partilho, como a Ana Drago, o Daniel Oliveira ou o Rui Tavares . Esse parece-me ser um bom ponto de partida. Se todos contribuirmos com algo e se, pelo menos, conseguirmos abanar um pouco o poder instalado e os interesses que nos amarram ao fundo, já será o suficiente para mudar qualquer coisa.
Eu tentarei dar o meu contributo, peço-vos que façam o mesmo. Votem sff smile emoticon
Obrigado a todos!
Tiago
quarta-feira, maio 27, 2015
Depois do Gustavo Santos, chega o Gustavo Sande...
Corria o meu dia entre um problema e outro, quando me chegou este "artigo" às mãos.
Eu ainda sou do tempo em que a pena nos jornais era manejada por quem tinha algo para dizer, experiência de vida para partilhar, alguma sabedoria, visão global e um cérebro.
Público, DN e Expresso são para mim, ainda, jornais de referência. Depois de ler um artigo como aquele que está ali em cima, pergunto-me, como é que deixam publicar uma barbaridade destas, cheia de generalizacões e banalidades de café, num insulto ignorante a milhões de portugueses.
Gustavo Sande qualquer coisa é o autor das asneiras. Como ele se sentiu confortável para generalizar e banalizar uma realidade que desconhece, acho que posso fazer semelhante exercício.
Gustavo dos 3 nomes é um betinho. Tirou um curso no ano passado daqueles para especialistas de power point. O cv do menino é o que está na foto, disponível no linkedin.
Por onde comecar?
Gustavo fala, com algum desprezo, de quem sai do país. Porque falam mal de Portugal, porque culpam o governo, porque dizem que não há oportunidades, porque "lá fora é que é" e sujeitam-se a trabalhos que não fariam em Portugal. Desculpas e mais desculpas de quem não teve forca de vontade, arte e engenho, para vingar em terras lusas.
Gustavo alerta que também foi um de nós. Também ele emigrou para experimentar viver fora de Portugal. Não por necessidade, por aventura.
Não Gustavo, tu não és um de nós. És um merdas a quem foi dado um espaco para espalhar ofensas gratuitas, como provam os comentários, quase todos melhores do que a merda que alinhavaste no Público.
Diz Gustavo:
"Antes de mais, começo por revelar que também passei pela experiência de viver no estrangeiro. Trabalhei cerca de um ano na minha área de formação e tive que construir sozinho uma base sócio-profissional suficiente para ocupar o meu dia-a-dia. Não fui por falta de oportunidades em Portugal, mas sim pelo desafio de viver num país que não o meu. É, e sempre será, difícil começar tudo do zero (seja em que país for). O nosso não é exceção."
Não Gustavo....estar 10 meses a fazer power points e tirar cafés para o chefe não é a mesma coisa que emigrar. É uma espécie de Erasmus para betos que depois voltam e contam nas férias de Vilamoura como foi. É só isso.
O teu cv, a miséria que apresentas como cv - uma mão cheia de experiências de meses polvilhadas com lugares comuns do "doing nothing with a cool name" - obrigar-te-ia, só por si, a estares calado.
Mas não. Querias espalhar um pouco mais de sapiência.
"A ilusão que a vida no estrangeiro é mais fácil leva muitos a arriscar esta mudança. Uns arrependem-se e outros teimam em afirmar que fizeram a melhor escolha possível. Não digo que não tenham feito, mas não me venham dizer que em Portugal era mais difícil. Se calhar a força de vontade em fazer qualquer coisa num país diferente do nosso foi maior. Depois de saírem de Portugal, seria triste se também não conseguissem vingar noutro local"
Não Gustavo, também não é isso. Não é a ilusão meu idiota, é mesmo a falta de emprego, contas para pagar, filhos para sustentar e vidas que se vão desfazendo nas filas do desemprego. É chegar ao fim do mês e não ter como meter comida na mesa. É entrar na pobreza envergonhada, é fazer parte dos 20% que entraram na classe social POBRE depois da austeridade.
E sim...em Portugal é mesmo mais difícil. Não há um gajo qualquer aí no Público que te explique o que é o INE? Que te explique o que é uma simples estatística? Vamos lá os dois então...com calma. Se Portugal tem das mais altas taxas de desemprego, então Portugal é um dos países onde é mais difícil. Topas? Assim...na base da matemática. Muito simples. Mas não se ensina em cursos de power point e business management on the rocks.
E quando dizes que culpar o governo é um absurdo já entras no domínio da ignorância. Mas eu estou cá para ajudar. Vamos lá de novo. Vários países entram em crise. Uns prendem banqueiros corruptos e despedem governos, outros metem dinheiro na seguranca social e deixam os bancos a arder. Outros, mais espertalhões, metem dinheiro nos bancos (que provocaram a crise) e rebentam com a seguranca social e sistema de saúde. Adivinha lá que países saíram primeiro da crise? Muito bem Gustavo. E adivinha lá quem é que tomou as opcões políticas? Issooooo....os governos! Queijo amarelo para ti.
Numa coisa tens razão. Quando se sai do país e, acrescento eu, se leva uma tristeza enorme na bagagem, seria ainda mais triste não conseguir vingar no país de acolhimento. Ora, vendo este ódio que tens aos emigrantes e o tempo curto que aguentaste a servir cafés ao chefe em Londres, tenho o palpite, aqui entre nós, que sei quem é que não vingou...
Mas dizes mais. Segues com as pérolas.
"Eu até concordo que existam profissões que sejam difíceis de exercer em Portugal. Enfermagem, por exemplo, está limitada em termos de vagas em relação ao total de enfermeiros formados todos os anos. Com cerca de 3000 novos enfermeiros disponíveis para trabalhar todos os anos é óbvio que alguém ficará de fora. Retirando estes casos em que a formação está destinada a expatriar parte dos formandos, os restantes casos de emigração poderão estar associados à falta de esforço e flexibilidade por parte do trabalhador."
Há falta de enfermeiros no país, pá! Com tantos exemplos que podias usar, tipo power point manager, vais logo usar os enfermeiros?? Não é falta de flexibilidade ou esforco, é mesmo não querer ser explorado. Sabias que pessoas que tiram cursos a sério, daqueles que fazem pontes ou desenvolvem iPhones para tirares as fotos do jacuzzi que tens no facebook, recebem em Portugal 1000 euros ou menos? Sabias que o salário médio em Portugal são cerca de 700 eur e já levamos mais de 2 décadas de UE. Percebes em termos de desenvolvimento social o atraso que isto representa? Compreendes que pagamos impostos da Suécia mas recebemos salários da Polónia? Não é falta de esforco, é simplesmente perceber que metade do mundo acolhe os académicos portugueses e lhes proporciona maior qualidade de vida.
Rematas a tua diarreia com perplexidade.
"Outro evento que também me deixa perplexo é a diferente perceção relativamente às carreiras profissionais. Trabalhos que nunca estariam dispostos a ter em Portugal, lá fora parecem ser carreiras de luxo. É incrível a imensidão de casos de emigrantes que acabam por trabalhar em restaurantes "fast food" ou em trabalhos secundários noutros países e que em Portugal nunca assumiram essa hipótese. Atenção, que não tenho nada contra a "fast food". Eu próprio já trabalhei num restaurante deste calibre. Apenas acho peculiar o fato de assumirem como hipótese trabalhar nestas posições noutro local que não Portugal.
Sejam estágios do IEFP, uma baixa remuneração, um trabalho fora da formação, tudo é uma razão para não aceitar o trabalho. Mas lá fora, tudo se torna numa razão completamente credível e razoável para aceitar o trabalho. Lá fora sim, em Portugal não. Para esta falta de vontade, não precisamos cá de vocês. Adeus e boa sorte lá fora. Aqui, nós conseguimos cuidar de nós próprios, não precisamos de vocês para crescer."
Facamos pois o último esforco Sande, que isto de usar a cabeca não é para todos. Imagina que te oferecem 300 eur para limpar sanitas. Tu, em principio e com o teu curso de power point, não queres. Passas anos neste rengo-rengo e não consegues nada melhor. Percebes que 300 eur não chegam sequer para comer. O que fazes? Vais para Londres limpar as mesmíssimas sanitas. Merda inglesa é melhor? Não. Mas o salário permite-te viver. Percebes a diferenca? Chama-se a isto socialismo puro. Uma espécie de sociedade onde os degraus entre classes são mais suaves. Todos, comecando pelo primeiro degrau, conseguem ter um mínimo para uma vida decente. Quem limpa sanitas, quem conduz um autocarro, quem faz power points cheios de oxigénio ou quem inventa um painel solar de bolso. Isto em Portugal não existe porque as decisões tomadas pelo Governo rebentaram com a classe média e passámos a ter saltos enormes entre todos.
Por fim meu jumento, deixo-te uma nota. A última coisa que vocês aí conseguem é tomar conta de vocês próprios. Se assim fosse não viviam de uma linha de crédito, o PM não ia a Berlim pedir autorizacão para mijar e os toscos como tu, de 4 em 4 anos, não votariam nos mesmos que há 41 anos roubam o meu país em total impunidade.
Em 2013 batemos o recorde de saídas do país. Quase 120 000 pessoas, muitos deles formados em áreas técnicas. A última vez que isso aconteceu corria o ano de 66, estávamos em plena guerra colonial. Consegues perceber a calamidade que isto é?
Muitos dos melhores alunos que as escolas e universidades portuguesas preparam, estão hoje a ser aproveitados pelos países de primeiro mundo ou pelos que estão em franco desenvolvimento.
E se dúvidas tiveres...basta veres quem ficou desse lado, sem cv, sem nada para dizer, sem qualquer experiência relevante de vida, a verbalizar asneiras e banalidades num jornal que já foi de referência.
sexta-feira, maio 08, 2015
As saudades que eu já tinha...
Comecei esta semana um projecto novo e acho que,
desta vez, será uma contribuicão decente para o planeta. O novo carro eléctrico
da Volvo e, se percebi bem, 2 modelos que servirão para os táxis de Londres do
futuro.
Estive nos últimos dois anos a trabalhar à
distância, vindo ao escritório apenas para testar a minha aplicacão. Foram bons
tempos...
Quando eu estiver debaixo do chaparro, a deixar
passar os dias entre os jogos do Benfica, as organizacões das empresas serão
diferentes e o trabalho remoto, já possivel hoje com toda a tecnologia
disponivel, será uma realidade.
Se assim não for...sejam bem-vindos a horas e horas, e mais horas, de
reuniões sem fim. E porquê?
Porque as reuniões enchem o calendário e dão a sensacão, a quem as frequenta,
que algo de útil aconteceu. Não, nada disso. Por cada hora arranjam-se, com
jeito, 10 minutos com sentido.
É claro que em organizacões com milhares de
pessoas torna-se imperioso, aqui e ali, sentar numa sala e falar. Temos que saber
onde estamos e para onde vamos. Temos que garantir que remamos todos para o
mesmo lado. Tudo certo.
Outra coisa bem diferente é fazer da reunião a actividade laboral
principal. Semana após semana, a repetir as mesmas coisas, a avancar a passo de
caracol, a encher agendas com a sensacão de dinamismo quando, na verdade, pouco
ou nada acontece.
Percebam isto de uma vez. A mal ou a bem, nós somos engenheiros...não nos
pagam para passar 8h enfiados numa sala a falar sobre métodos de trabalho,
teorias de gestão ou procedimentos de como fazer. Pagam-nos para
desenvolver, criar, fazer acontecer. Já é mau um gajo ter esta vida, quanto
mais ter que seguir este caminho num espartilho de regras, papelada,
procedimentos e intermináveis power points de desejos.
Quando deixam o carro no mecânico não querem
filosofia pois não? Querem o carro pronto, a mexer e fora da oficina o quanto
antes. Ora...aqui é igual.
Querem a última app para o iPhone, uma ficha
toda porreira para o carro eléctrico ou a possibilidade de usarem o skype em
todo o lado? Muito bem. Reduzam o número de gestores (especialmente em empresas
de engenharia) e deixem o pessoal "sujar as mãos". A coisa fica feita
na mesma e em metade do tempo.
E uma vez por semana sentamo-nos todos,
respondemos a perguntas e dizemos ao gajo do power point como está a andar o
trabalho no mundo real. Ele faz uma tabela excel e olha para ela
até à semana seguinte. O mundo avanca mais depressa e ficamos todos contentes. Nós, ele e vocês.
O momento "palito" (que é o que mais
me irrita na mesa do almoco) tem o seu paralelo nas reuniões quando alguém diz:
"para isso temos que criar uma nova reunião". Epá...não, não. Não
facas isso camarada. Estas duas horas em que estamos aqui sentados, tu falas e
ninguém quer saber, e todos olhamos para os nossos portáteis, já são em si
um erro. Não facas a ramificacão do erro...pAAAAAlease!
Aqui ao lado vejo um que se chega para trás para ler o Dagens Industri (o Diário Económico cá da terra), os que estão em
frente vão escrevendo umas coisas e eu, meto esta prosa em dia. Estamos todos a
passar o tempo enquanto o zé do excel olha para o projector. De cada vez que ele pergunta: “podes fazer…” ouve um ”ainda não tive tempo
para… ”. Mas claro que não! Como é que podes ter tempo para tarefas de 5
minutos quando passas 8h entre o refeitório, o wc e as reuniões ?
Dizia-me um camarada, há uns anos, uma máxima que teima em permanecer
actual : ”o espantoso é que no fim disto tudo sai um carro a funcionar”.
Adoro vida de escritório! A-D-O-R-O!
quinta-feira, abril 30, 2015
Os suspeitos do costume
Eu sou daqueles que acha que as greves são uma arma de protesto válida. Nem poderia pensar de outra forma, tendo em conta o ambiente em que cresci.
Acompanho com alguma atencão o caso da TAP porque, com alguma pena, assisto ao desaparecimento da maior empresa portuguesa. Não tenhamos dúvidas...não é a Autoeuropa, a Portugal Telecom ou qualquer outra que transportam a nossa bandeira. A TAP é, ou foi, o orgulho nacional fora de portas durante mais de 60 anos.
Tendo perceber esta greve dos pilotos. Feita contra tudo e contra todos, inclusivamente contra colegas da TAP e outros pilotos que a tentaram parar. Não faz sentido, não faz mesmo.
A TAP, cuja privatizacão não faz sentido (e sim um saneamento) não tem qualquer valor comercial. A sua dívida é muito maior do que os activos, ou seja, será oferecida a qualquer investidor desconhecido que apareca na Portela.
É um facto e um dado adquirido que a administracão e o governo (enquanto accionista) são os principais responsáveis na dívida da TAP, resultante da compra daquele elefante branco das oficinais de manutencão e seus 2000 funcionários no Brasil. Isto é publico. Tal como o fechar de olhos do governo.
Nada há a apontar aos pilotos neste erro de gestão.
Contudo, já se pode dizer qualquer coisa sobre as suas constantes exigências e chantagens sobre uma empresa que, ano após ano, vive com prejuízo.
Os pilotos são extremamente bem pagos e, como qualquer funcionário da TAP, têm daquelas regalias que são dificeis de engolir ao comum do mortais.
Já trabalhei na Volvo, Jaguar, Ford, Aston Martin, Saab, Land Rover, Ericsson e VW. Nunca me deram borlas nos produtos que ajudei a desenvolver. Nem a mim, nem fosse a quem fosse da minha família. Porque razão viaja metade da família de borla? Porque razão os benefícios se prolongam ad aternum para lá do salário?
No caso da TAP, os pilotos não são apenas bem pagos no panorama nacional, são bem pagos quando comparados com os gigantes da aviacão em países com um custo de vida muito superior ao português.
Contudo, desta vez, a exigência ultrapassa todos os limites do aceitável. Uma minoria de funcionários da empresa quer 10 ou 20% da própria empresa. Os pilotos, para além da sua funcão e regalias, querem também ser os novos patrões. 150 ou 300 que exigem mandar nos restantes milhares. Uma espécie de Ruanda na Portela.
E porque arriscam tudo? Porque se a TAP fechar eles não demorarão 1 semana a encontrar vaga na Emirates ou numa dessas companhias que cresce diariamente. Os outros que se orientem...é a ganância em vez da defesa de uma classe. É o sindicalismo e a greve a serem usados de pernas para o ar.
Pior do que o prejuízo acumulado nestes 10 dias, é a falta de confianca que se instala. Nos dias de hoje só se compra um bilhete na TAP em último caso...todos percebem que compram uma rifa. Se for "mês greve" ficam no chão, se for mês "com os bracos bem abertos" voam.
Se estivesse no lugar de Pedro Passos Coelho ou de Pires de Lima, não permitiria a privatizacão da TAP, ordenava a venda das oficinas no Brasil e exigia o saneamento da empresa, comecando nos pornográficos salários da administracão e acabando nas inaceitáveis regalias do pessoal de bordo.
Depois comprava um A340 novo, daqueles com 4 motores (para o caso de 2 falharem) e fazia 2 vôos semanais, às sextas e segundas, entre Gotemburgo e Vila do Porto.
Mas ninguém me ouve...raisparta.
quarta-feira, abril 29, 2015
Regresso a Portugal. Não, estava só a brincar avó...
Não tenho por hábito debrucar-me muito sobre as encruzilhadas do quotidiano e debater as filosofias que Buda, Ghandi e as frases do Jorge Amado trazem à vida. Falta-me tempo, paciência e jeito.
A excepcão à regra acontece no fim de cada entrevista de trabalho. Como mudo de projecto (nem sempre de empregador) todos os anos ou no máximo de dois em dois, é certo e sabido que há um dia do ano em que me dedico aos "ses" da vida.
Ao contrário de saudosos camaradas, eu não vivo para trabalhar. Trabalho para viver. Se pudesse, não passaria um dia da minha vida num escritório a olhar para um computador, um simulador de um carro, uma estacão base de telecomunicacões ou um esquema eléctrico. Mas, sendo essa a ferramenta que alimenta os sonhos, sigo a danca das cadeiras.
Assim que acabo um projecto, comeca o corre-corre para novas "obras". Ninguém quer ficar parado e não há certezas de nada. Acho que já expliquei isto aqui...tem a vantagem de não me aborrecer, mas tem a desvantagem da competicão constante. Há 9 anos que faco isto.
Quando acabo as entrevistas comeco a pensar em Portugal, onde comecei, por onde passei e onde estou. Penso nas várias escolhas que fui fazendo ao longo do caminho. Medos que já tive, insegurancas que fui ultrapassando. Invariavelmente chego sempre à mesma questão...porque raio não faco isto no meu próprio país? Porque me sentia tão pouco válido em casa e me sinto reconhecido aqui?
Recordo com saudade os meus colegas de trabalho. Gente boa e divertida. Não penso de igual forma quando me lembro da gestão de pessoas, dos incentivos, das progressões, da aprendizagem ou de uma simples palavra de reconhecimento. Lembro-me de critica fácil e de bota abaixo. Lembro-me de regressar para casa em cada dia pensando: "mas foi para esta merda que andei a estudar?". Lembro-me de me sentir uma perfeita nulidade que nem aquele salário, já de si miserável, merecia.
Se há coisa que devo à Suécia é a auto-estima de conseguir acreditar nas minhas capacidades. Desde o primeiro dia que aqui cheguei. Crítica quando teve que ser, elogio quando acertei. Responsabilidade sempre, para o bem e para o mal.
Nove anos depois consegui um CV que demoraria 5 vidas para conseguir em Portugal. E, ao contrário do que aconteceria no meu país, com o passar dos anos eu não fico mais velho para o mercado. Fico mais experiente, com mais conhecimento. Em vez de ser colocado numa prateleira. sou antes chamado para projectos mais complicados, com maiores orcamentos e maior exigência técnica. Mais atrativos portanto para quem me emprega (por causa das margens).
Esta semana consegui uma nova vaga entre 260 candidatos. Provavelmente a vez em que tive que competir com mais gente por um lugar. Detesto falsas modéstias e por isso digo, claro que fiquei feliz...muito. E orgulhoso.
Se por um lado me alegra seguir o trajecto profissional por caminhos que me parecem interessantes, por outro fico revoltado com o facto de precisar de andar 3000km para o conseguir.
Era eu mais estúpido quando trabalhava em Portugal? Tinha menos interesse em aprender? Ganhei neurónios quando passei a fronteira? Não, não me parece. Eu, tal como uns quantos milhares, devia ficar feliz por manter o emprego, afinal os tempos eram dificeis, fazer a mesma merda anos a fio, evoluir entre zero e nada e, no fim, ter aumentos de 20 euros ao ano. E hoje, quando vejo as notícias, há miudos na minha área que se sujeitam a isso por 600 euros...
Nunca fui um aluno exemplar. Nem na escola e muito menos na universidade. Tive colegas absolutamente brilhantes que continuam desse lado, a batalhar para chegar ao fim do mês. Admiro-os. Se tivesse metade da capacidade destes, que me lembro assim de repente, acho que estaria por esta hora em Silicon Valley ou num desses sitios onde desembarcam os génios.
Dou por mim a fazer as contas todas do regresso...mas será que, e se fizer assim, quem sabe se tentar ali. Chego sempre à mesma conclusão. Já não consigo aceitar a mentalidade portuguesa no trabalho, chefes limitados e salários da Roménia. Resta-me esperar pela reforma algures à sombra do chaparro.
E, já agora, que a próxima entrevista seja lá para 2017 que eu não tenho vida para filosofias da saudade.
terça-feira, abril 07, 2015
Garissa, onde fica isso? Ah...é no Quénia, então passa à frente.
Aqui há uns anos, naquela que ainda é a minha publicacão preferida ("Courrier Internacional"), li um artigo sobre os senhores de guerra no Mali, o controlo do bem mais precioso (água), as lutas de morte para se chegar a um poco e encher uma garrafa e o desabafo de uma mãe, para quem o sonho recorrente, era que os filhos acordassem um dia sem sede.
Mas o que interessa isso? O que importa que um continente inteiro viva sem lei, regras ou justica? Quem é que quer saber dos campos de refugiados, da divisão do Sudão, da anarquia da Somália, dos resquícios de guerra civil em Mocambique, do tráfico na Guiné Bissau, das ditaduras que vão da Guiné Equatorial até Angola, do ébola na parte oeste e das primaveras falhadas a norte, do Sahara ocupado há décadas e do constante estado de alerta nas fronteiras da Eritreia?
Quem é que quer saber de um continente onde se morre por um copo de água, por um emprego nas montanhas ou porque se arrisca num barco para Itália? Quem é que quer saber dessa merda? Ninguém. Então...porque raio Garissa seria diferente?
12 jornalistas são mortos em Franca e a Europa acende velas. Há a liberdade de expressão, há o somos diferentes e há Merkel e Hollande numa marcha em Paris. Os facebooks são todos "Je suis" e a malta emociona-se. Depois do massacre na redacão, segue-se o massacre nos media.
Meses mais tarde aparece um alemão com distúrbios mentais (mais um) e resolve matar-se, arrastando 149 pessoas com ele. Acontece a tragédia dos Alpes. A Europa fica em choque e a informacão atinge os limites do nojo. Sei, sem perguntar, que pesquisas este gajo fazia no google, o que a ex dele pensa, todos os passos da investigacão e todos os aviões que, nos dias seguintes, tiveram 2 minutos de turbulência.Entre o "Je suis" e o Andreas, continuaram a morrer mineiros na China, seguem as matanca na Síria e os massacres na Nigéria. E agora...cerca de 150 miudos, numa universidade do Quénia, são mortos a tiro como retaliacão. Retaliacão?? Como é que um assassinato cobarde de miudos, que não fizeram mal a ninguém, pode ser retaliacão seja do que for?? Mas que mundo é este em que vivemos??
E porque razão os polícias do mundo só se mexem quando há interesses financeiros em jogo? Porque razão a vida de um cartoonista (nem vou entrar em discussões sobre o tipo de publicacões, é irrelevante para o que se discute) é mais importante do que a vida de 10 miúdos de Garissa?
Falhámos. Falhamos todos os dias. Entre iPhones, Facebooks e Casas dos Segredos, perdemos algures a nocão do que conta, do que importa e do que faz sentido.
terça-feira, março 31, 2015
O alemão e a minha lógica sem sentido
Desde que o avião da GermanWings ficou pelos Alpes que não tenho conseguido pensar noutra coisa.
Para mim, que não concebo uma vida sem viajar e que tenho pavor de entrar num avião, são os alicerces da lógica que me permitem marcar um bilhete atrás do outro.
Este foi um ano particularmente difícil para a aviacão civil. Bem sei que nenhuma vida tem mais valor do que outra mas, não sendo hipócrita, confesso que não me espanto por aí além se um tupolev cai na Sibéria, um airbus no sudoeste asiático ou um boeing se desmancha a aterrar no Estados Unidos. Não preciso de ver estudos ou de fazer uma simples estatística, basta falar com quem sabe, neste caso, técnicos de seguranca, que me explicaram que as regras são mais apertadas na UE. E mesmo dentro desse espaco temos as ovelhas negras, companhias a evitar. Air France, Iberia e maior parte das companhias do leste europeu. Não quero ofender ninguém, mas os números não enganam.
E dentro desta lógica, ou vá, cinto de seguranca virtual, vou escolhendo os meus destinos, as companhias e não deixando que o medo se sobreponha à vontade de conhecer o mundo.
Calamidades como esta que aconteceu nos Alpes, desafiam toda a lógica. O avião estava em bom estado, apesar da idade, as condicões climatéricas em rota também mas, aparentemente, o co-piloto estava farto de viver. Um alemão, numa empresa subsidiária da maior companhia de aviacão do mundo, a Lufthansa. Para mim isto é o fim da lógica, é o assumir que não há forma de garantir o mínimo dos mínimos. E não consigo parar de pensar no terror de quem conscientemente se apercebe de tudo, mesmo que nos momentos finais.
Depois vem a segunda parte deste drama, que é o massacre de notícias, pelo menos nos jornais portugueses que vou acompanhando. Instala-se um clima de terror insuportável.
Toda a notícia que não o era, passa a ser. Um airbus que pede para aterrar de emergência em São Petersburgo, um Vuelling que não sei quê, um Turkish Airlines que é desviado para Marrocos, um Air Canada que aterra feito num 8 numa pista cheia de neve. Um piloto da British Airways que há 5 anos estava tão triste que pensou estatelar o boeing na ligacão Londres - Lagos. O alemão da German Wings que escondeu a baixa, que via mal e que assustava muito a ex-namorada. E sim, como são importantes os testemunhos das ex-namoradas para o mundo, gente que normalmente fala sempre de forma tão equilibrada.
Não há descanso. De repente todos os aviões, pilotos ou companhias estão com problemas. E diariamente lá continuam cerca de 1 milhão de pessoas no ar. Notem bem: 1 milhão. É como se a populacão inteira da Estónia entrasse num avião.
Não poderíamos assistir em silêncio à tragédia, respeitar os familiares das vítimas e esperar pelo resultado da investigacão? Não há uma lei qualquer que proíba este sensacionalismo com a morte?
Há 4 mistérios graves para resolver nos últimos acidentes aéreos. Este da GermanWings e da LAM (Mocambique), alegadamente causados por pilotos deprimidos, e os dois da Malaysia Airlines. Um boeing enorme não pode desaparecer no oceano e, exige-se a verdade, sobre se foram ou não os ucranianos que abateram propositadamente o avião, tentando chamar mais gente para o conflito com a Rússia.
Tudo o resto são pequenas gotas no oceano. Air Canada, Air France e Tupolevs, não me levem a mal, mas não são notícia. São como atentados à bomba em Bagdad ou Damasco. Acontecem todas as semanas mas já ninguém (infelizmente) liga.
Depois do acidente da Spanair, aqui há uns anos em Madrid, lembro-me de ter entrado num avião e, perante uma falha técnica, perguntei ao piloto se os dois reatores tinham sido testados.
Dentro de uns dias, quando embarcar para Reiquiavique, vou perguntar ao islandês se está tudo bem lá em casa com a mulher e os filhos.
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