domingo, fevereiro 11, 2007

Sim!

Dissémos nós pondo fim a um isolamento europeu, pelo menos nesta matéria.
A TSF andou aqui por casa e trouxe-nos o referendo a diferentes vozes. O "SIM" recebido às 21h (locais) originou o sorriso e a satisfação de quem prefere ver o País caminhar na direcção do séc.XXI em vez de se perder em utopias. (Foi também uma bela desculpa para uma ginginha de Óbidos!)
63% dos votantes pensaram o mesmo e graças a eles Portugal juntou-se à lista de países onde a mulher não penalizada judicialmente por uma decisão que em si já representa uma penalização (ou ainda alguém tem dúvidas disso?). Nota negativa para a abstenção. Mostrámos uma vez mais que enquanto povo temos algo a aprender com a cidadania.
Ouvi as intervenções de alguns movimentos e dos partidos com assento parlamentar e não consegui deixar de ter pena da dupla Ribeiro Casto & M. Mendes. Não pela derrota (embora o segundo não tenha assumido uma posição) mas pelos discursos.
M. Mendes, optando sempre pelo discurso neutro e pela repetição da posição partidária de há 8 anos atrás, não se cansou de dizer que esta não era uma votação de cariz partidário. O que é falso. Qualquer campanha que seja feita com partidos políticos na defesa e debate de ideias, tem obviamente cariz político/partidário (conclusão Laplaciana ou "Delgadiana"). Além do mais, Mendes no seu discurso "politicamente correcto" endereçou os parabéns aos movimentos de defesa da despenalização e aos movimentos de defesa da vida! Ups..para quem quer ser "neutro", essa dos "movimentos de defesa da vida" fez-te cair o pézinho para o chinelo. "Gaffe chefinho!!", dir-te-á um desses assessores que te lê o jornal enquanto tu tentas subir para a cadeira. Posição assumida (ainda que de forma subtil) e como tal, derrota política. A prova de que este referendo é uma cartada política (ou que pode ser), é que exactamente a mesma discussão serviu de trampolim para P.Portas iniciar a vida política fora do "Independente". Na altura, orfão de vitórias eleitorais, Paulinho das Feiras fez do referendo a "Fénix" do PP. Agarrou-se então a esse resultado como se de um sufrágio presidencial se tratasse e a verdade é que o PP não mais parou de crescer até "obrigar" o PSD a ter que os gramar no governo. O mesmo referendo serviu agora de "última marcha" para R.Castro (o Paulinho já está há espera para voltar ao trono). Ao discursar R.Castro explicou porque é que o PP parece o ministro da informação do Saddam. Vivem numa realidade que apenas eles conhecem e que há muito se desligou do exterior. Apesar dos resultados nacionais (e das restantes posições europeias na matéria - detalhe MUITO importante), mostrou-se convicto da razão continuar do seu lado e dos restantes brasonados do Largo do Caldas. "Toda a Europa se equivocou. Sei onde estou e para onde quero ir!", esqueceu-se de acrescentar. Nada me move contra a direita, mas a nossa é patética, ridícula e saudosista do estado-novo.
Politiquices à parte fica a nova lei. Isso sim, o que mais importa.
Parabéns a nós, os Portugueses.
Estou doido para ver o "Metro" de amanhã!

6 comentários:

Inês disse...

Eu estou muito decepcionada. Confesso que os valores da abstenção me deixaram surpresa. Sempre fui contra este referendo mas, por todos os que o defenderam, ao menos que fosse vinculativo! Não entendo como mais de metade dos portugueses deixa passar uma oportunidade destas para mostrar a sua opinião em relação a uma lei. Esta descrença na democracia e o espírito do "vou ficar aqui no sofá porque está chuva lá fora e a minha opinião não conta para nada, os políticos é que decidem tudo" preocupa-me... Muito...
De qualquer forma, acredito que a lei vai ser mudada, e ao menos isso, é uma boa notícia.

Semolina disse...

Ó Inês, também não se pode partir do princípio que quem não votou fê-lo porque não quiz. Há-que não esquecer dos estudantes deslocados que não podem ir a casa, os professores deslocados que também não podem ir a casa, os portugueses que trabalham fora do país e que também não conseguem cá vir, etc...
Eu tenho pena de fazer parte da abstenção. Não foi por escolha, mas porque não tenho dinheiro para pagar uma viagem de dois dias aos Açores para votar. E sei que muita, muita gente está na mesma situação. Eu, a minha mãe e os meus dois irmãos, e muito mais gente...
Depois sim, há aquelas pessoas que não votaram mesmo por opção.
É uma pena mesmo...
Cheguei mesmo a capacitar-me de que o Não ganhava. Foi de certa forma uma surpresa a vitória do sim.
Agora sim, bem-vindas ao século XXI! :D

Florença disse...

Finalmente um passo à frente. Tb estou com um grande orgulho em ser portuguesa :)

marília disse...

Eu também fiquei muito feliz! Finalmente, deixamos de ser um país do terceiro mundo que persegue asmulheres que se submeteram a um aborto.
Mas esta manhã fiquei muito preocupada com as declarações do bastonário da ordem dos médicos, dizendo que se SNS não tem capacidade para responder a uma crise de gripe, quanto mais para garantir o aborto como método contraceptivo!!...Esta gente continua com este discurso...
Cheira-me que vai haver por ai algum boicote velado por parte dos senhores doutores...

Sandrinha disse...

Parabéns a nós!

Anónimo disse...

Estou Feliz! Além de tudo e de tudo, é também a primeira vitória (no nosso país) sobre esse grande lobby Igreja (instituição)!!!!!
Beijinhos M.