terça-feira, fevereiro 06, 2007

O Paulinho

Farto de rádio sueca (eu até me quero integrar, mas já não aguento a Melanie C, os Roxette e a Whitney Houston!!) comecei a aderir às rádios portuguesas na net. Neste caso a Comercial que vai dando notícias e alguma boa música. Parei uma boa meia-hora a ouvir os tempos de antena favoráveis ao SIM e ao NÃO no referendo do próximo domingo. Logo aqui a diferença.
Um único espaço de 3 min dedicado ao SIM (apresentado pelo J.C.Malato) e o restante tempo de antena dividido por uma série de movimentos com nomes de ocasião publicitando o NÃO. Ora, só por aqui se percebe a diferença de apoios. Mas além da luta desigual no plano financeiro, registei também a repetição até à exaustão da frase "liberalização do aborto não!". Uma vez mais publicidade enganosa e construída apenas com o objectivo de criar ruído e confusão. Movimentos e mais movimentos com um discurso comum e totalmente falso. Nem por uma vez a pergunta em questão foi discutida nestes tempos de antena. Não há uma autoridade para a comunicação social que controle este tipo de coisas??
Depois, o momento de ouro: num desses tempos de antena apareceu o Paulinho-das-Feiras-Portas. Com aquele tom sereno e sensato (Há que reconhecer que é um excelente político. Lata não lhe falta... ) foi o único a evitar a frase chavão e disse em tom altivo: "Não há mulheres presas por abortar", tentando com isto refutar os argumentos evocados por parte da esquerda (BE principalmente). De facto não há mulheres presas (mais uma razão para modificar uma lei que de tão absurda só serve para fazer circo nos tribunais) em Portugal por terem abortado. Fico portanto a saber que para o Paulinho, o simples facto de comparecer em tribunal, uma instituição pública, para ser julgado por uma lei da idade média não é mal que baste. Isto dito por alguém, que quando chamado a prestar contas em tribunal por desvios financeiros, respondeu por carta. Elucidativo! Lata não lhe falta, repito.
Apesar das contrariedades da campanha, espero que o País vote para sair da idade média.

8 comentários:

fogacho disse...

se queres que te diga... ando a ficar com um bocado de medo que quase uma década não tenha servido para evitar uma nova regressão

Rui Silva disse...

Eu também espero que sim, mas depois dos prós e contras de ontem, duvido muito que o sim ganhe.

Inês disse...

Eu farei a minha parte.

Diário de um Anjo disse...

Se cada um votar e fizer a sua parte acho que já é positivo, só que no meu caso, que vou votar no sim, desconfio muito de quem verdadeiramente financia a campanha do não e quais os verdadeiros motivos. Diga-se a verdade, os portugueses são hipócritas! Será que todos que votam não é pela vida???

metralha disse...

Votei SIM no ultimo referendo. Agora que sou pai e acompanhei a gravidez desde a 1ª ecografia, na 8ª semana de gestação, faz-me uma certa confusão a questão do aborto.
Eu que nem sou muito moralista, faz-me impressão que se tire assim uma vida por se achar que não existam condições para se criar esse bébé. Por exemplo, quantos de nós somos produtos de uma gravidez indesejada/não planeada?

Eu sou um deles, por exemplo.

Acho que já existem excepções na lei para se poder fazer abortos.

Acho que EU, como defensor da vida e como contribuinte, não deva pagar para as pessoas fazerem abortos nos Hospitais Publicos.

Por mim, descriminalizava o aborto e liberalizava o aborto para Clinicas Privadas. Talvez seja isso que os médicos pretendem, uma vez que é mais uma oportunidade de negócio, mas acho que quando as pessoas têm de pagar por um serviço tendem a pensar/reflectir mais do que quando esse serviço é gratuito.

tiago disse...

Manso,
muitos parabéns :)
(perante tal novidade nem me atrevo a discutir o assunto do post...fica para mais tarde!!)

metralha disse...

Muito obrigado Tiago!

Estás á vontade para me contrariar.

Anónimo disse...

Acho engraçado o facto de a JS dizer nos seus outdoors "para acabar com isto de vez"... lol