segunda-feira, janeiro 15, 2007

A pergunta

Gotemburgo há 1,4 min atrás



Não posso dizer que me agrade.
Não é o céu que procuro e que me apetece ver quando abro os olhos, mas é o que Janeiro resolve trazer.
Já não me deprime. Habituo-me a observá-lo no conforto de casa. Cada vez mais o cognome "Little London" se encaixa nesta cidade.
Consta que escolhi a dedo a altura para cá vir parar. O verão passado foi o mais quente dos últimos anos enquanto o inverno foi o mais gelado das últimas 5 décadas. Este outono foi o mais quente de que há memória e Janeiro traz as temperaturas mais quentes desde 77. Em resumo, desde que cá cheguei que vivo o mês/estação "mais" de qualquer coisa. Tudo bem.
Contemplei o escuro do céu e percorri toda a cidade com o olhar. Passei pela "velha capela" e fixei aí a minha atenção. Clero, vigia e controlo foram as palavras que escorregaram no pensamento.
Por associação de ideias fui ao encontro do referendo que os Portugueses de preparam para votar.
Tenho lido algumas coisas sobre a matéria e fiquei também bastante impressionado com as campanhas publicitárias que correm nas ruas de Lisboa. Sobre este assunto, convém dizer que os apoiantes do "Não" têm sido bem mais objectivos (e nem sempre honestos) na defesa da causa. Imagino que seja propositado, mas ainda assim não acho muito honesto fazer cartazes publicitários defendendo o "Não" sobre questões que nem a voto vão. Baralha, confunde, choca e ajuda a que a ignorância prevaleça. Beneficia por isso o "Não".
Aconselho umas passagens por este blog onde algumas destas questões são abordadas.
No próximo dia 11 não se vai decidir se se concorda com o acto de abortar ou não, se uma vida começa com 1 dia ou 1 mês, se é criminoso trazer à luz do dia uma criança sem condições para a criar, se abortar no estrangeiro é exclusivo das apoiantes do "Não" ou se um colectivo tem o direito de substituir uma mulher numa decisão pessoal. A única pergunta feita aos portugueses é:
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado."

"Despenalização". É esta a palavra chave.
É sobre isto que se deve dizer "SIM" ou "NÃO". Deve ou não ir parar a tribunal uma mulher que decida abortar?
É apenas isto que se pergunta. Tudo o resto são fantochadas e campanhas de desinformação, que volto a dizer, os apoiantes do "NÃO" têm feito com mestria.
Votar "SIM" é mostrar que não queremos mais o nosso crónico atraso em relação ao resto da Europa, mas é acima de tudo mostrar que entendemos a pergunta que nos é feita.

8 comentários:

Rui Silva disse...

Estiveste mesmo bem neste texto. Isto merecia ser divulgado num meio totalmente abrangente, para ver se as bestas do Não se calam de vez. Parabéns.

meh disse...

é isso mesmo!

Diário de um Anjo disse...

Estamos em sintonia, vai la ver ao meu blog:-)

catarina disse...

este era um exercício de português que muitos deveriam fazer... ler a perguntinha di-rei-ti-nho. como tu disseste (e bem), a maior parte da campanhã do não faz-se alicercada em questões falsas... enfim. é o mesmo quando o telejornal passa uma notícia sobre o referendo e, enquanto o apresentador fala, no canto superior direito do ecrã aparece um feto com 4/5 meses. chama-se a isto desinformação. ou isso, ou jogar com a emocionalidade dos votantes. é triste.

iva disse...

Nem mais nem menos!

Sandrinha disse...

Tal e qual!

Gui disse...

Olá...
Já há alguns meses que "te" leio com alguma regularidade... não sei como cá vim parar, mas sei que quando li, gostei e fiquei.
Mais uma vez gostei muito de um dos teus textos, e não resisti em partilhá-lo no meu blog. Estou a deixar este comentário mesmo por isso... para te avisar... e na esperança que não fiques chateado. De qualquer forma, e como podes confirmar, os direitos de autor são teus! Está aqui:

http://guimyselfandi.blogspot.com/2007/01/leram-pergunta.html

Obrigada e já agora... boa sorte para o novo desafio!

tiago disse...

Gui, eu é que agradeço :)
Volta sempre!