sexta-feira, abril 05, 2013

A bater punho com o camarada Miguel!




Alertado por uma publicacão de um familiar no facebook, sobre o novo profeta português, resolvi ver os videos e passar os olhos pelo site da “empresa” do camarada. Fui fazer aquilo a que o próprio chamaria, ”bater punho”. E como me dói agora.
Comecando pelo que interessa…toda e qualquer capacidade de iniciativa, especialmente num país como o nosso, são sempre de louvar. Tal como Sousa Tavares, também aprecio o poeta: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Contudo, aprecio ainda mais quando o que se faz tem alguma utilidade.
O jovem Miguel fala bem, parece acreditar no que diz e mexe muito as mãos, “dizQue” é uma técnica boa, dá credibilidade ao discurso. Mistura termos “lá de fora” com os “Bs” fora do sítio. Define-se como um ”idea starter” e a sua ”empresa” criou conceitos tão espectaculares como o “sushi cycle”. Está lá…tudo no site.
Mas, dizendo o camarada que os portugueses precisam de trabalhar e mantendo um discurso tão aguerrido e determinado, qual é o “produto” que a sua “empresa” vende? Qual é a mais valia empresarial do profeta que “não passa mais de 3 dias sem ver um TEDx”? Explica como é que se trabalha…
Não explica ao padeiro a que temperatura deve estar o forno e muito menos ao jardineiro como regar. O camarada senta-se com pessoas e ensina-as a pensar, explica-lhes como fazer um telefonema e motiva-as para a luta do dia-a-dia. Em linguagem mais simples, o jovem Miguel vende oxigénio.
E está tudo bem. Só compra quem quer.
Vendedores de oxigénio em regra safam-se em dois tipos de sociedade:
-          Aquelas muito desenvolvidas que já completaram a pirâmide das necessidades e precisam de sarna artificial  para se cocarem
-          Sociedades que querem largar o terceiro mundo mas não conseguem e onde, quem tem um olho, ainda é rei

Não preciso explicar em qual delas está o jovem Miguel pois não? Mas safa-se. Tem iniciativa e isso é sempre de louvar. Ele Bende, Bocês compram. Não é ele que está errado.
"Um CV é spam", diz. Há que abordar de forma diferente, fazer outras perguntas e criar novos sushi cycles on the rocks.
Não jovem Miguel, não é nada disso. Repetir as mesmas perguntas, ainda que com diferentes abordagens, e esperar novas respostas é apenas idiota. Aquele rapaz, como é que ele se chamava….o do E=MC2, parece que escreveu umas coisas sobre isso. Mas lá está….era um mono, nem sabia o que era a técnica das “10 negas”.
Um CV é spam se estiver cheio de merda. Se por acaso disser qualquer coisa que seja necessária no mercado de trabalho para o qual é enviado, torna-se uma barra de ouro.
Há pessoas espalhadas pelos 4 continentes (África não) cuja única funcão, emprego, trabalho, é o de correram bases de dados cheias de CVs à procura da pessoa certa para o lugar certo. Estarão todos enganados? Ou será que o oxigénio com cores só tem saída no nosso pequeno canto?
A vida é simples camarada. Toma nota.
Vais estudar um tema que tenha saída profissional.  A partir daqui tens metade do “bater punho garantido”, com ou sem crises.
Se não quiseres estudar, segue uma via de especializacão para aquelas profissões que existem desde o Togo até ao Japão. Canalizador, padeiro, mecânico. Nenhuma sociedade vive sem servicos.
Não é preciso ser um “criativo de ideias” para perceber como o mundo funciona. Basta não ser estúpido.
Todos podemos ser aquilo que queremos, só temos é que perceber em que parte do globo isso está.
Queres ser tratador de Zebras no Guadiana? Talvez não seja a melhor escolha, mesmo que facas muitos “brainstormings”. Ou vais atrás das Zebras ou mudas de profissão, por exemplo, para vendedor de ideias super-mega-criativas.
E depois...que raio de emprego é esse de “ensinar como se trabalha”? Não, não caro Miguel. Portugal não precisa de gurus do sushi. O que o nosso país precisa é de gente que SAIBA FAZER. Um agricultor que consiga plantar, um arquitecto que desenhe casas, de um medico que me endireite os ossos, de um cozinheiro que prepare uma boa refeicão, de um mecânico que me desenrasque o filtro, de um artista que me faca esquecer por 2 horas a crise em que estamos ou de um engenheiro que suba a uma antena para que tu consigas ver mails no telefone.
É assim que uma sociedade se constrói. Com gente que mexe e faz mexer. Com gente que de facto muda a vida do próximo. Agora…no meio desta malta aparece um gajo a explicar como sorrir numa  entrevista ou como vender pipocas no centro comercial? Percebes? Não faz sentido.
Malta para mandar postas, já temos aos pacotes. Pessoal com conhecimento e vontade de o aplicar, é que é mais difícil.
Queres bater punho? Vai carimbar impressos para o centro de emprego. Sempre te tornavas útil.

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