segunda-feira, janeiro 08, 2007

O atestado

Rezam as crónicas que nos meus 800 Km de terra preferidos os professores voltaram a "vencer uma batalha". Os respectivos sindicatos, com a ajuda dos tribunais, conseguiram anular uma reforma governativa.
Não conseguiram aumentos salariais, progressões justas na carreira, salas em condições para preparar ou dar aulas e muito menos alguma organização e estabilidade. Conseguiram apenas evitar a substituição de colegas "doentes" por outros que estivessem presentes no local de trabalho e com horário livre.
Todos os argumentos apresentados pelos sindicatos (especificidade da matéria, falta de conhecimentos do professor substituto, recusa de "entretenimento" dos alunos durante 1h, etc, etc) caíram por terra quando exigiram que esse mesmo tempo fosse pago como hora extra. No fundo, mais dinheiro traria mais conhecimento ou imaginação para "entreter". Foi essa a mensagem que passaram.
O que a classe disse a todo o país (quando o sindicato fala o país ouve a "classe") é que quer continuar a baldar-se com atestados fraudulentos (outro flagelo da função pública: o atestado) e durante esse período nada pode ser feito para continuar a actividade, porque os restantes professores continuarão de braços cruzados. Claro que a aprovação de uma medida destas colocaria os professores como primeiros juízes da própria classe e foi isto que quiseram evitar.
Eu percebo que o sindicato (dirigido pelos mesmos há 20 anos) queira uma medida destas. Já não percebo que as novas gerações de professores continuem a pactuar com algo que está manifestamente mal há décadas. Acho normal a existência de ideias "diferentes" antes de se apanhar os "vícios" de vários anos de profissão. Contudo, parece exactamente ser a classe mais nova de professores que entra para a função pública não para ensinar e passar conhecimento, mas sim para fugir ao desemprego crónico de cursos sem saída e usar todos os buracos que a lei permite (ainda) para não fazer nada.
Nunca tomando a parte pelo todo, é esta a justificação que encontro para não haver uma renovação nos quadros sindicais.
Por outro lado, também não consigo perceber como é que um tribunal pode anular uma decisão de um governo democráticamente eleito. Ou melhor, percebendo que isso está contemplado na nossa constituição, pergunto-me apenas o que terá passado pela cabeça do juíz deste processo para tomar tal decisão?
E que tal incluir nas reformas um "toquezinho" na constituição?
Vá Zé, pensa lá nisso.

4 comentários:

Florença disse...

Tb descordo totalmente com a merda da decisão. Enfim...

S. disse...

Não são as novas gerações de professores que compactuam com os sindicatos. Aliás, a cisão entre ambos está cada vez mais acentuada. As VERDADEIRAS batalhas destes que se querem afirmar como professores não conseguem, infelizmente, vir a público. Falo de problemas concernentes às paredes - muito pouco burocráticas ou políticas - de uma sala de aula. Concordo,na generalidade, com o que é dito, mas o instinto de defesa pessoal impeliu-me ao comentário.
Parabéns pelo blogue, que sigo há algum tempo.

tiago disse...

Obrigado "S" :)
Imagino que sejas professor(a) e da nova geração e se concordas com o que escrevo, imagino então que te preocupem os reais problemas da classe.
Volta sempre :)

Rui Silva disse...

Eu não distingo entre professores da nova e velha guarda. Distingo entre aqueles que amam ensinar, que o fazem por gosto, que ficam a preparar aulas e a corrigir trabalhos como se fosse a coisa mais agradável do mundo, e aqueles que não gostam de dar aulas, não gostam de aturar alunos, odeiam corrigir testes e trabalhos, e não preparam sequer aulas. Este segundo grupo só é professor pelas razões indicaste: fuga ao desemprego crónico, bom vencimento, regalias e balda constante. Se lhes tiraram isso, acabam as únicas razões pelo que seguiram a carreira.