sábado, setembro 27, 2008

90 minutos

. Vitória no clássico dos clássicos
. Limpa e sem espinhas (os Calimeros do Lumiar vão ter que se esforcar para arranjar culpas para o árbitro)
. Notas de destaque:
- do banco saíram Di Maria, Aimar e Katsouranis. Longe vão os tempos de 11 para o ano todo.
- Reyes mexeu e fez mexer!
- As camisolas saíram suadas (pouco jeito mas muito esforco)

Importante: Nada de euforias! Era só uma equipa com o Tonel atrás e o Postiga na frente.

Venham os gajos da Camorra.

85 minutos

. O Maxi Pereira compensa toda a falta de jeito com suor. É um facto.

72 minutos

Vou abrir uma superbock.

67 minutos

. Que delícia.

60 minutos

. O comentador inglês vê Filipe Vieira com António Costa no camarote: "Ohhh Eusébio!! He is a god in Stadium da Luz"

45 minutos

. O Quim trouxe as luvas que o Ricardo lhe ofereceu
. Estou muito esperancado que à vigésima falta sobre o Reyes alguém leve um amarelo.
. Este Yebda, dentro da categoria gajos-que-servem-para-distribuir-fruta-e-que-vêm-para-o-Glorioso-por-200cts+passe+sandes de torresmo é um verdadeiro achado. Depois de ver por ali um Michael Thomas ou um Fernando Aguiar, tudo que passe a perna por cima da bola é um maná.

30 minutos

. O Reyes está a ser o melhor em campo.
. Na dúvida apita-se para o lado verde.
. O Polga acha que está a jogar basket.

sexta-feira, setembro 26, 2008

O BES é que paga? Ah..ok, então escavaca aí!


Dentro da categoria "anúncio para lá de idiota", o BES acaba de estabelecer um novo recorde e criar a categoria "anúncio feito por um acéfalo".
Um pai de família (ou mãe consoante a versão) relatam orgulhosos o desperdício de água, luz e gáz nos banhos quentes do cão, na internet ligada a noite toda, nas lavagens do carro e mais uma série de idiotices que agora não me lembro.
A mensagem, é, para resumir: "Escavaco o ambiente tanto quanto posso, mas além de não ser civilizado o suficiente para me importar com isso ainda sou mais camelo ao ponto de acreditar que o BES que paga. "
Este texto seria bem mais honesto.
Nada contra o BES (até ouvi dizer que têm lá bons funcionários :) ) mas o departamento de marketing precisa claramente de mais entradas de ar fresco.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Let's look at a trailer



Ora meus amigos, isto não tem nada que saber.

É entrar aqui, carregar lá em baixo à esquerda e comecar a contar os minutos.

O vigésimo segundo vem aí.

sábado, setembro 20, 2008

Queiroz...



...nem imaginas o que me aconteceu.

Juntamente com os camaradas do pontapé na bola, fui participar num torneio. Daqueles com taca e tudo.

Escusado será dizer que aquilo estava cheio de altos, louros e espadaúdos. O nível, como de certo perceberás, era o de solteiros contra casados. Assim como aquele que tu e o Nelo tinham quando jogavam lá nos intervalos do ISEF.
Mas, e é isto que acho espantoso, esta malta não brinca nem com a avó. Todo o evento desportivo, por mais amador que seja, é levado com um profissionalismo que até dói. Quando digo dói, é mesmo de dor. Estes gajos correm como cavalos, dão coices como mulas e Queiroz, fazem entradas a pés juntos de envergonhar o Petit. A bola? Sim, também faz parte do jogo, mas eles não lhe ligam muito.

Ao olhar em volta, fiquei com a nítida sensacão que estávamos a entrar na arena. Esta malta espuma da boca enquanto aquece Queiroz. Percebo agora aquela sensacão de pinguinha que o Tavares teve quando entrou no San Siro.
Bom, mas atirámo-nos ao destino.
5h seguidas a correr atrás destes pega-monstro. Foi dose Queiroz.
Ao fim de 30 min já não podíamos com o chamado rabo. Como podes reparar pelas fisionomias, não somos muito o estilo escandinavo. Ostentamos o clássico "cu de croissant", eternizado por essa esperanca da Fashion TV que é o Miguel Veloso. No meio da aflicão ouco: "facam substituicões rápidas no meio-campo, não deixem essa zona morrer!!". Olho para trás e vejo o autor da frase. Era um paquistanês Queiroz. Um paquistanês.
A nossa equipa era formada por paquistaneses, portugueses, kosovares, macedónios e aqui e ali um sueco para colorir. Agora repara nisto Queiroz, até o paquistanês sabia que era no meio-campo que estava o busílis da questão. Não é necessário lembrar-te que no Paquistão o único desporto que se faz com uma bola é o criquete. Há também o tiro ao boneco, mas usam pedras como bem sabes.
Interroguei-me. Se um paquistanês sabe isto, como é que o Queiroz não sabe? Não terá ouvido o Alex nas explicacões? E se sabe porque não o fez com a Dinamarca?
Aquela derrota ainda está aqui na goela Queiroz. Não me leves a mal. Nada tenho contra ti. Aliás, desde aquele glorioso dia (algures em 94) em que tiraste um defesa esquerdo e abriste uma passadeira vermelha para o Paneira, que estás na minha galeria de heróis. Fizeste o Toni parecer um mestre de estratégia e isso está ao alcance de poucos.
Mas voltando à vaca fria, lá fizémos o que o paquistanês disse e arrástamos os nossos croissants o melhor que conseguimos. Aguentando o impacto inicial, fizémos a coisa lógica: bola no chão e as torres que se mexam. Ao fim de 4,5 horas estávamos na final. Aqui veio a parte boa, os oponentes eram dinamarqueses. Não preciso de te explicar que estavam frescos como alfaces. Esta gente é feita a correr Queiroz.
Presos por arames tentámos mais um pouco. Adivinha lá onde ficou a taca Queiroz?
É assim que a coisa deve ser. Esta é a lógica. Se escandinavos jogam hóquei no gelo com latinos, eles ganham. Se jogam qualquer coisa com o pé, nós ganhamos. É assim que a natureza funciona, ou pelos menos funcionava até tu vires com as novas vitórias morais.
Para além destas coincidências na minha escala solteiros&casados, porque é que eu me lembrei de ti Queiroz? Porque corre um livro de apostas aqui no trabalho para o próximo Suécia - Portugal. Apesar do histórico ser favorável à Suécia e de tu estares desse lado, maior parte dos meus colegas suecos apostaram em Portugal. Pátria é pátria, mas com dinheiro parecem os ciganos. E eles acham mesmo que vamos ganhar Queiroz. Não te conhecem ainda.
Agora, o que é que me dava jeito? Era que não inventasses muito e que seguisses a táctica do paquistanês. É simples.
Vamos estar todos num bar local e eu serei o único a equipar de verde-rubro contra uma horda de piriquitos. Não me apetece ser o bombo da festa está bem Queiroz?
Pensa lá nisso.
E não te esquecas do Paquistanês.

quarta-feira, setembro 17, 2008

O Calvário









Hoje o mundo desaba.
Vá lá, também não é preciso exagerar.
Mas mexe.
Um bocadinho pelo menos.
Abana então.
Nem isso?
Pronto...fica tudo na mesma, mas é um dia importante.
Então porquê?
Daqui a pouco, o meu chefe vai entrar numa sala cheia de alemães e suecos para apresentar uma "visão".
A malta de fato pertence à administracão.
Gajos para ganharem alguns 200 contos.
A "visão" que ele vai apresentar, e note-se que aqui o nome não é uma questão estilística - é que não há mais nada para apresentar além de uma visão! - resulta de umas discussões que tivémos ao longo dos últimos meses sobre um novo projecto.
Se os engravatados comprarem a ideia, estou de trouxa aviada. Se não "virem a visão", a vida continua por outro trilho ainda incerto.
Diz-me ele ao telefone: "epá, isto está cheio de gente importante e com fato!"
"E tu?", pergunto eu.
"Eu estou de t-shirt!"
"Corre pá, corre!! Vai a casa, toma banho e veste um fato!!"
"Estou a ficar nervoso", diz ele que é um ferveroso católico.
"Tiago, rezas por mim antes das 15h??"
"Epá..eu não sei!"
"Não sabes o quê? Se tens tempo??"
"Não pá...rezar! Não sei rezar!"
"E agora Tiago e agora??"
"Deixa lá...já discutímos o big bang e essas coisas e..."
"Não comeces com isso Tiago!! Desta vez isto só lá vai com fé!!"
"Hiiiii...e agora?? Onde é que arranjo 1/2 dose de fé??"
"Pronto deixa lá...preocupa-te com o banho, arranja um fato sem nódoas que eu trato da reza!"
"Óptimo, uma simples, daquelas mesmo profundas!!"
"Tudo bem, até logo!!"
Clic...
....
hummm....
avé-maria cheia de graca, a senhora é...
convosco? ou será connosco?
vou à outra...
pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, assim...
assim o quê?
Aiiiiiiiiiiii...porque é que chumbei por faltas na catequeseeeeee???
Só sei aquela dos Xutos " a 13 de maio, na cova de eiria, apareceu brilhando, a virgem maria"...mas acho que não conta como reza....
Que molho de bróculos...
Ora deixa cá ver ....www.google.com
É isso, é isso!! Estou safo!!
Vai António!

terça-feira, setembro 16, 2008

O IKEA que há em nós



Há algo de profundamente injusto com a divisão de tarefas na sociedade sueca.
Cultiva-se o "faca você mesmo".
Tudo muito bem.
É necessário mudar o telhado? Montar uma cozinha? Abrir o motor do carro?
Eles fazem.
Um sueco que não tenha uma bandeira à porta ainda se safa, mas um gajo que não tenha 15 malas de ferramentas da Black&Decker não é ninguém.
Ainda não percebi se esta do "faca você mesmo" é pela extrema forretice local ou se é pelo prazer de usar coisas feitas com suor do próprio.
Diria que é um pouco de ambas.
Admiro e respeito.
Tenho pena de só ter dois dedos em cada mão e não poder contribuir ainda mais para o mundo IKEA.
Mas, e é aqui que a coisa me faz confusão, porque se estende esse mundo a servicos pagos?
Se um gajo escolhe passar o verão em cima do telhado para poupar umas coroas, eu percebo, se eu pagar um servico e ainda assim tiver que trabalhar, aí já não entendo.
O espírito IKEA corre nos restaurantes da cidade. Faca você mesmo, dizem eles. Mas a refeicão é de borla? Não.
Ah, então tudo bem.
Entro no restaurante.
Tiro garfo, faca e guardanapo.
Tiro copo.
Encho copo.
Tiro salada e pão.
Levo manteiga.
Antes de me sentar grito para a cozinha: Abib, queres ajuda para fritar o ovo??
O Abib diz que não.
Óptimo. Com 'p' que o acordo não me diz muito.
Sento-me.
A comida aparece e eu como.
Acabo.
Levanto-me e vou buscar café.
Trago também um bolinho.
Bebo.
Mastigo. Mas pouco que não tenho paciência.
Levanto-me e vou pagar.
Sento-me.
Levanto o prato e separo o lixo.
Restos de comida para aqui, papel para ali, louca suja para lá.
Vou-me embora todo contente.
Elogio o atendimento.
A comida não chega ao estômago.
O exercício feito dentro do restaurante não deixa.
Embrulha corpos danone!
Em nome da justica social, tento alargar o conceito ao meu trabalho. Que diabo, se todos pagam por um servico e fazem metade dele, não deve ser difícil dar-lhes a volta!
Aposto que o meu chefe, apesar de me pagar um salário para trabalhar, não se importa de fazer metade e de nos intervalos me trazer uns cafezinhos. Ah, e de me ler os mails em sueco. Aqueles com mais do que 5 linhas em que tudo parece um concerto de xilofone.
Aí sim, o mundo voltaria a ser um sítio justo.

Hoje no DN




Na semana passada escrevi, nesta mesma coluna, sobre o Cáucaso, o conflito entre a Geórgia e a Rússia (estimulado pela NATO, braço armado dos Estados Unidos) aplacado in extremis pela União Europeia, que percebeu o perigo em que incorria se concretizasse as ameaças feitas. Invocar o regresso à "guerra fria" é um disparate, num mundo de novo multilateral e com diversos centros de poder...


Mais recentemente, Bush permitiu que as forças especiais americanas fizessem incursões no Paquistão, intervindo a partir do Afeganistão, sem sequer avisar o Governo "aliado" do Paquistão. O objectivo era capturar os terroristas da Al-Qaeda e os talibãs nos seus santuários. O que, claro, não aconteceu. A NATO declarou - vá lá! - que as suas tropas não atravessariam a fronteira do Afeganistão, tanto mais que o chefe do Estado-Maior paquistanês, avisou, entretanto, que "o Exército defenderá toda a área da sua soberania"...


Noutra região do mundo - a América Latina -, os conflitos com os Estados Unidos também têm vindo a agudizar-se. Desde, pelo menos, o princípio do séc. XX que a América do Norte considera os seus vizinhos do Sul, incluindo os mexicanos, como seus tutelados, para não dizer "economicamente colonizados". Por isso, após a Segunda Guerra Mundial, a América do Norte interveio militarmente - e sem complexos - em inúmeros países das Caraíbas, da América Central e do Sul. Para tanto, instigada pelos teóricos da "escola de Chicago", promoveu por toda a região ditaduras militares, derrubando, directa ou indirectamente, as democracias existentes. Os casos da República Dominicana, da Guatemala, do Chile, da Argentina, da Nicarágua, pós-Somoza, do Brasil, para não falar da invasão da baía dos Porcos, em Cuba, e do bloqueio ao regime de Fidel Castro, ficaram tristemente célebres.Na década de oitenta do passado século, com o sucesso da Revolução dos Cravos e da transição democrática espanhola, que constituíram uma lição para os Estados Unidos, voltaram as democracias à América Latina, com o beneplácito americano, embora as ambições de tutela económica do grande vizinho do Norte continuassem. Contudo, com os atentados de 11 de Setembro de 2001, no início do primeiro mandato de Bush - fez agora sete anos -, as preocupações prioritárias da América do Norte passaram a ser a "guerra ao terrorismo", com as invasões do Afeganistão e do Iraque e a consequente desestabilização de toda a região do Médio Oriente, incluindo Israel e o agravamento do conflito com a Palestina. Assim, a América Latina passou a um segundo plano e as suas recentes democracias puderam, de algum modo, respirar e consolidar-se. Curiosamente, verificou-se, por via democrática e pacífica, o aprofundamento democrático em toda a região, autonomista, em relação à América do Norte e mais ou menos populista. Do Brasil ao Chile e à Argentina, da Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia ao Paraguai, para só citar os exemplos mais expressivos. Bush parece ter acordado - ou sido alertado pela sineta dos interesses das grandes multinacionais - relativamente a países que procuram gerir os seus interesses, com independência, apoiados pelas populações indígenas, como a Bolívia, mesclados e ricos em petróleo, como a Venezuela. Em tempo de crise, isso gera apetites e invejas. O Brasil de Lula, país emergente, tem sido solidário com os seus vizinhos mais próximos. Daí a infeliz "guerra" de ameaças retóricas - e não só - que levou à expulsão recíproca dos embaixadores. Este facto torna a situação da região bastante explosiva. Quando compreenderá Bush que a sua era terminou e que o melhor para ele - e para a América - seria retirar-se, discretamente, e deixar que a poeira do esquecimento seja benéfica para ele...

segunda-feira, setembro 15, 2008

Churchill, o filósofo

A democracia não é o sistema perfeito, mas é o melhor que se arranja...dizia o Zé do charuto.
Quando um estado de direito proporciona a um criminoso (está provado, mesmo que a sentenca demore 1000 anos!) uma indemnizacão, ficamos com a certeza que o sol nasce mesmo para todos.
Ou não?

Queres ir a Moscovo? Tira o passe da Lufthansa!









Depois de mais um azar com um avião de uma companhia russa, resolvi fazer uma pequena pesquisa em jornais portugueses.
Aqui vai:

3 de Janeiro de 1994 - Um Tupolev-154 que parte de Irkutsk, na Sibéria, para Moscovo despenha-se matando 124 pessoas.



23 de Março de 1994 - Um Airbus A-310, da transportadora aérea russa Aeroflot, cai perto de Novokuznetsk, matando setenta pessoas. Segundo os investigadores o acidente ficou a dever-se ao jovem filho do piloto ter desligado o piloto automático.



26 de Setembro de 1994 - Vinte seis pessoas morreram quando um Yak-40 se despenhou quando tentava chegar ao aeroporto de Vanara, na Sibéria, para tentar uma aterragem de emergência devido ao mau tempo.



29 de Outubro de 1994 - Um avião de carga Antonov An-12 cai ao aproximar-se do aeroporto de Ust-Ilimsk, a 610 quilómetros Norte da cidade de Irkutsk na Sibéria, fazendo 21 vítimas.



16 de Junho de 1995 - Doze pessoas perderam a vida quando um Antonov An-12 é apanhado pelo mau tempo e cai. O voo tinha partido de Poliny Osipenko, na região de Khabarovsk, para a cidade de Nikolayersk-on-Amur.



8 de Abril de 1995 - Um Il-76 com destino a Petropavlovsk-Kamchatsky, capital da região da península de Kamchatka, despenha-se nas encostas de um vulcão matando 14 pessoas.



7 de Dezembro de 1995 - Um Tu-154 desaparece a caminho da cidade de Khabarovsk. Nunca foram encontrados sobreviventes.



29 de Agosto de 1996 - Cento e quarenta e três pessoas morrem quando um Tu-154 choca com o pico de uma montanha. O avião, com destino à ilha de Spizbergen, na Noruega, transportava mineiros russos e ucranianos e suas famílias para trabalhar no Ártico.



14 de Novembro de 1996 - Um Antonov An-2 cai na região semi-autónoma de Komi, no Norte da Rússia, fazendo 13 mortos.



28 de Novembro de 1996 - Um Ilyushin, um avião de carga da força aérea russa, mata 23 pessoas ao cair na Sibéria.



17 de Dezembro de 1996 - Dezassete pessoas, incluindo o comandante militar do ditrito de Leninegrado, perdem a vida quando um Antonov-12 se despenha num campo de aviação perto de Pskov, no Noroeste da Rússia.

18 de Março de 1997 - Um An-24 a caminho da Turquia perde a cauda a meio do voo e cai vitimando cinquenta pessoas e a tripulação a bordo.

6 de Dezembro de 1997 - Quarenta e oito pessoas morrem quando um Antonov-124, carregando dois aviões de combate Sukhoi, se despenha numa zona periférica de Irkutsk, na Sibéria.

11 de Novembro de 1998 - Um An-12 cai ao descolar de Krasnoyarsk, na Sibéria. No acidente perderam a vida 13 pessoas.

25 de Outubro de 2000 - Oitenta e duas pessoas morrem quando um Ilyushin-18 se despenha numa zona montanhosa georgiana, na Rússia.

3 de Julho de 2001 - Cento e trinta e seis passageiros e nove elementos da tripulação morrem quando um Tupolev 135 cai perto da cidade de Irkutsk, na Sibéria



4 de Outubro de 2001 - Um Tupolev 154 despenha-se no Mar Negro vitimando 76 pessoas



22 de Dezembro de 2002 - Um Airbus da Aeroflot, com 210 pessoas a bordo, foi obrigado a fazer uma aterragem de emergência no aeroporto Schoenefeld, de Berlim, devido a uma pena num dos reactores. Sem feridos.



14 de Setembro de 2008 - Boeing 737 da Aeroflot, despenhou-se na zona dos Urales, no centro da Rússia, provocando a morte a todos os 88 ocupantes.



...apenas nos últimos 15 anos.


Se escarafunchar um pouco mais na net, descubro que a Aeroflot (TAP dos Urais) devia pagar portagens, já que passa mais tempo no chão do que o ar.
É ver aqui.
Na mesma base de dados é possível ver que a gloriosa TAP tem apenas um registo fatal (Madeira em 77), que não se deveu contudo a falha mecânica.
Não meus amigos, há coisas na vida que não dependem dos astros.
A tecnologia é uma delas.
A mala tem o pára-quedas que vem com o bilhete.

sexta-feira, setembro 12, 2008

CIA on the block

"Deixem-nos fazer a nossa própria história, construir o nosso próprio mundo". "Nascemos para ser livres não para ser lacaios do imperialismo"

Quem disse?
Fidel, Chavez ou Bolivar?
Foi Chavez, o delfim, que segundo esta notícia largou uns mimos para Washington.
Há confrontos na Bolívia e Chavez, no seu espírito azeiteiro, não perde uma oportunidade (suportado pelo petróleo) de se afirmar como o novo Bolivar do séc.XXI.
Para Evo Morales (Bolívia), os EUA estão a incentivar grupos da oposicão e a patrocinar a violência. Há confrontos e mortes a lamentar.
Assim de repente, parece-me que já vi este filme.
Mas onde?
Ah, já sei, na Guatemala, Brasil, Cuba, Equador, Panamá, Nicarágua, Rep. Dominicana e Chile (num 11 de Setembro que não se celebra em Langley).
Depois, quem pode criticar um lunático como Chavez ao vê-lo rejubilar com a chegada de bombardeiros russos a solo venezuelano?
Caminhamos lentamente para uma nova guerra fria.
Só falta o cowboy McCain ( acompanhado da sua anybody-home?Palin) ganhar as eleicões.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Se tens o tacho ao lume não te sentes, que isto vai demorar.






















































































































Aqui há um bom par de anos, um suico farto da vida perfeita que levava resolveu salvar o mundo.
Pediu licenca de um ano na fábrica de chocolates, meteu um saco às costas e de espeto na mão comecou a correr as estradas da europa em busca de lixo. Doido para uns, ecologista para outros, muito tempo livre para os demais, a verdade é que este Maomé da ecologia chamou a atencão para o facto de usarmos as nossas estradas como caixotes de lixo.
Dirigiu-se a sul passando por Alemanha, Franca e Espanha. A cada passagem recolhia o lixo dos beirais das estradas. O saco que trazia nas costas chegou para as encomendas até entrar em Portugal. Nem um camião TIR o safava de tão árdua tarefa. Desiludido desistiu. Lembro-me de ver nos jornais de então o comentário sobre os limites laterais das nossas estradas: "são autênticas lixeiras", dizia o suico enquanto olhava para o saquito cheio ao fim de 500m de alcatrão.
O sentimento com que este jovem voltou a embalar chocolates não é muito diferente daquele que trouxe na bagagem, nesta última passagem por Portugal. A diferenca é que eu nasci aí e por isso, custa-me um pouco mais a engolir.
A pergunta que eu queria fazer é:
Porque é que somos tão porcos?
A natureza deu-nos recantos magníficos e nós, como terceiro-mundistas que somos, destruimos tudo com betão ou lixo.
Não há desculpa para a falta de civismo que ainda reina em Portugal. Há caixotes do lixo espalhados por todo o lado, há pontos de reciclagem ao pontapé e com legendas que qualquer analfabeto consegue perceber. O que acontece?
Deitam lixo ao calhas para dentro de qualquer ponto de reciclagem e na rua, usam o chão como caixote.
É que nem olham para o lado com um pequeno sentimento de culpa. Tudo acontece de forma natural.
Como podemos ser tão fechados no nosso pequeno mundo, na nossa ignorância?
Há uns dias, deslocava-me na Luisa Todi em Setúbal, quando vi um homem mandar o papel do gelado para o chão. De imediato, a mulher e os dois filhos fizeram o mesmo. Tudo muito calmo e tranquilo.
Todos o fazem sem qualquer complexo de culpa. Ninguém pede que salvem o mundo e cumpram os 10 mandamentos que os gajos da Quercus guardam no bolso. É só não mandar lixo para o chão. Será pedir muito?
Resolvi, estas férias, procurar recantos na costa vicentina até aqui desconhecidos para mim. As paisagens que vi inspiravam qualquer postal.
Um mar lindíssimo, fechado aqui e ali numa enseada perdida. Tudo perfeito enquanto olhava a direito para o mar. Se por acaso me lembrava de baixar a cabeca e olhar para a encosta o cenário era bem diferente. Garrafas de plástico e sacos de lixo bem fechadinhos entre os arbustos. Normalmente com caixotes do lixo a 10m…
Acho piada a estes animais que fecham religiosamente o saco com os restos do frango e o deixam no meio do mato. Por alguma razão, ficam convencidos que estão a fazer uma grande merda ao fechar o saco. Até devem dizer lá na rua que são muito ecologistas porque não espalham lixo.
Numa dessas voltas, dei com uma praia quase deserta (se não contarmos com os hippies!!) entre Lagos e Sagres (Barranco). Estava impecavelmente limpa e os estrangeiros que lá estavam, apesar do acampamento montado, não deixavam qualquer rasto de sujidade. Convém dizer que mesmo naquele fim de mundo, existiam caixotes do lixo. As autarquias tentam, isso ninguém pode negar. Noutra praia ali da zona (Figueira), também impecavelmente limpa, vi uma gorda largar dois sacos de lixo ao fim do dia. Dada a naturalidade com que o fazia e à distância a que me encontrava, assumi que atirava os sacos para um caixote. Mais tarde, passei pelo sítio e vi que ela os tinha atirado pura e simplesmente para o meio dos arbustos. Não havia um único papel no chão. Nada que a pudesse incentivar. Peguei nos dois sacos e transportei-os para fora da praia. 5 kg de restos, garrafas de vidro, etc. O que passará na cabeca desta gente? Querem pequenos paraísos mas apenas por um dia? Porque é que somos tão estúpidamente diferentes?
Em Lagos, enquanto esperava por uma refeicão, observava um autocarro de turistas. Um entrou pela porta da frente, comprou o bilhete e deitou-o para o chão pela porta de trás. Levantei-me, apanhei o bilhete e perante o olhar daquele saloio coloquei-o no caixote que distava uns longínquos 2 metros. Sentei-me. Passado pouco tempo, outro turista entrou e fez o mesmo. Já não me levantei.
Há que reconhecer o óbvio. Nós somos javardos qb e achamos que o chão é um caixote comum, os turistas que invadem o Algarve, são os trolhas de Inglaterra e Alemanha. É o preco a pagar pelo turismo pé-de-chinelo que ali criámos.
As praias estão cheias de campanhas, com distribuicão de latas, para os fumadores não largarem beatas na areia. Reconheco o mérito de quem tem estas iniciativas. Enquanto povo, devíamos ter vergonha de todas as formas que usam para nos explicar o que é ser civilizado. Até o macaco Adriano aprendeu mais depressa.
É lutar contra moinhos de vento. Não vale a pena.
Admitindo o nosso crónico atraso relativamente à europa evoluída, quem sabe daqui a 50 anos conseguimos perceber a diferenca entre o chão e um caixote. Quem sabe.
Até lá, a cada regresso, é preferível olhar para o mar e nunca baixar a cabeca.

quarta-feira, setembro 10, 2008

O bluff


Antes que digam "ah, agora é fácil criticar e tal", deixem-me dizer que já tinha escrito aí para trás que o Queiroz era um nome a evitar para substituir o pingulim.
E porquê?
Porque não tem estofo, sabedoria ou coragem para gerir uma seleccão com a qualidade da portuguesa. Comecando pelos equívocos do 11 (Raul Meireles e P.Ferreira, para além da certidão de nascimento, não têm qualquer característica que lhes permita jogar na seleccão) e da habitual asneira quando tem que mexer no banco (sim, ou acham que no United o Queiroz é que dava as ordens??), Queiroz explicou porque é considerado por alguns como o maior bluff da bola lusa.
Sim, foi campeão com os juniores, mas até onde é que isso pode chegar?
Falhou no Sportém, falhou na seleccão da África do Sul, falhou no Real Madrid e falhou na nossa seleccão aquando da primeira passagem.
Tem como salvacão, o facto de o Quim ter saído da baliza à falsete e de os jogadores terem falhado alguns 200 golos de baliza aberta.
Mesmo com os erros tácticos, esta cambada de meninos de passarelle tinha obrigacão de ganhar aos dinamarqueses. Mais suor e a coisa tinha ido lá. Para a Dinamarca aconteceu um pequeno milagre. Para Portugal, ao fim de dois jogos com um calendário de merda, já estamos de calculadora em punho.
Comecas a mostrar obra Queiroz!

Sumário: apresentacão



Gosto de regressos.
E porquê?
Porque gosto de novidades.
Não no sentido calhandreiro da coisa. No sentido de que algo muda sempre enquanto estamos ausentes.
Comeca logo pelo regresso do céu.
Não há que enganar.
Portugal, Espanha, Franca,Bélgica, Holanda e Alemanha. Todos com um céu limpo. Mal se atravessa o Báltico assiste-se a um congestionamento de nuvens. Chegam mesmo a usar os cotovelos para arranjarem um espaco de céu azul para tapar.
O avião para aterrar em Gotemburgo depende quase exclusivamente dessa maravilha da ciência que é a navegacão por instrumentos.
Estou convencido que o sítio onde os escandinavos mais regularmente viram o sol foi nos episódios do Baywatch.
De entre os regressos, aquele que aprecio menos é o regresso ao trabalho.
Não sei bem porquê.
Tem algo a ver com uma vértebra e o baixo alentejo. Já me explicaram, mas de momento não me ocorre.
O regresso à labuta na Suécia é como a primeira semana no secundário. Sumário: apresentacão.
Por estes lados, ao fim de uma semana de calinadas, é hábito ouvir "ainda estou com a cabeca na praia".
O regresso é por isso doce.
Escusado será dizer que imaginei idêntico cenário para mim. Emigrante sim senhor, mas filho de jesus lord como os demais.
Contudo, passaram-me as ilusões com a rapidez de um TGV (TGV entenda-se: um comboio rápido que não pára em cada santa terrinha. Qualquer semelhanca com o que se prepara em Portugal é pura coincidência).
Desconfiei que algo estava mal quando entrei e olhei para os meus colegas.
Não os vi.
Não é que não tenha tentado, mas os lugares estavam vazios.
Por outras palavras, estava só.
Comecei a bater sola nos corredores e ao fim de algum tempo descobri os meus camaradas de labuta 4 pisos acima.
3 cafés depois lá me explicaram que um careca com cara de PIDE andou a fazer queixas da nossa equipa ao chefe de departamento. "Fomos tramados com F", dizia o meu colega trocando o habitual inglês de Oxford por outro usado nas docas de Newcastle.
Para castigo, fomos todos enviados para lugares no raio de visão do referido chefe. Um tau-tau nunca fez mal a ninguém. É o que a minha avó diz.
Como bónus ficámos também perto do careca, o que embeleza ainda mais o cenário.
Muito bem.
Não era a novidade que esperava, mas marcha.
Quem não tem um lambe-botas por perto que atire a primeira pedra. Todos temos direito ao oxigénio.
Antes que tivesse tempo de comecar a empacotar a tralha que durante 1 ano espalhei com carinho nesta mesa, disseram-me: "...mas há mais".
Bom, aí tirei outro chá e ouvi.
Durante as minhas férias, um colega de outra equipa deveria fazer parte do meu trabalho, segundo um acordo pré-estabelecido entre os dois projectos. Inicialmente, ele teria uma semana para fazer um conjunto de testes a um sistema de airbag. O fornecedor em questão foi mais competente do que se esperava e entregou o dito sistema duas semanas antes. O meu colega, bom rapaz mas ingénuo, disse em reunião de grupo: "planeei para uma semana, como tive duas, não fiz nada".
Ora, este tipo de organizacão nem um sueco papa. Foi um daqueles saltos de fazer corar o Nélson Évora.
O que inicialmente estava previsto para 3 semanas, passou para uma mão-cheia de dias.
E ao que parece tocou-me a mim.
E tem que ser rápido.
Muito bem.
Bebi o meu último trago de chá e deitei-me a pensar.
Perante tal cenário, o que faz um profissional sério e dedicado à causa?
Ainda tive que esperar uns bons 2.5ms, mas a custo, a resposta lá apareceu na minha cabeca.
"Vou jogar à bola."
Não vejo outra solucão.
Sumário: continuacão da aula anterior.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Sweet Home Alabama



Sabendo de antemão que José, the special one, não domina o idioma de Camões, os jornalistas portugueses perguntarão: "Mistã Môôurinhôô, after 2 potatoes from Cardozo, what do you have to say to your players ?"
"Nostro giocatore erano addormentato" responderá Mourinho, que entretanto deixou de dominar português do Allgarve.
Nesse exacto momento, guiado pelas luzes da Catedral, um avião cheio de holandeses sobrevoará os prédios da Av. de Roma (naquela razia clássica) para segundos depois aterrar na Portela.
Adivinhem quem vem lá dentro?
Comeco a fazer contas.
Cada semana passada em portugal representa um mínimo de 2Kg extra. E não é na bagagem.
Huummm…pelo menos 6Kg desta vez.
Só para ganhar motivacão para o jogging de inverno.
Os convívios são sempre feitos com uma mesa no meio.
Acho que é o "ser latino".
Jantarada é uma palavra que ganha todo um novo sentido a cada regresso. Ainda bem.
Talvez pudesse sugerir aqueles sítios onde servem um talo de couve com raspas de cenoura, mas depois chamavam-me nomes.
Férias.
Já me babava por elas.
Grelhados, Sol e o Oceano.
E vocês.
Sim, os do costume.
Que saudades de casa.
Até já.

Ps - Escusado será dizer que na areia da praia não há tomadas!
Ps1 - Depois do Avante há mais.
Ps2 - Cantem lá comigo...

segunda-feira, agosto 11, 2008

A normalidade assumida



O fado do desgracado.
Outra vez.
Nunca me habituarei ao hábito de convivermos alegremente com a derrota.
Enquanto os demais cerram os dentes nós comecamos a pensar nas desculpas que justicam a desilusão.
O engracado, é que fazemos isto antes sequer de comecar a competir.
Claro que me refiro aos jogos olímpicos.
Telma Monteiro, uma das "possíveis medalhas" espalhou-se ao comprido. E aqui acho que o termo espalhar fica bem.
Nada a dizer e muito menos a criticar. Estou certo que a Telma Monteiro queria ganhar e é daquelas atletas que normalmente não se encolhem. Dá gosto ver, mesmo sendo o judo um desporto….epá…chato…para ser simpático. É claro que se esperava mais, para quem aparece no tapete como campeã da europa e vice-mundial. De qualquer forma, dias maus todos temos, por isso há que esperar pela próxima oportunidade.
Queixar-se dos árbitros e coisa e tal é que já não ficou tão bem. É a costela lusa a gritar.
Mas, o que me aborreceu mesmo foi ouvir o jornalista de servico a criar o ambiente para justificar todas as derrotas vindouras. Segundo ele, depois da derrota com a chinesa, Telma estava perturbada e por isso perdia o combate com uma espanhola (muito menos cotada!) que poderia levá-la até à medalha de bronze. Cream of the cream, segundo o mesmo, era perceber até que ponto esta derrota poderia afectar a restante comitiva. Ou seja, se os atletas com as melhores marcas do ano (N.Évora e N.Gomes) não chegarem a uma meldalha é porque a Telma Monteiro não se safou no ippon. Se a V. Fernandes que pulveriza os adversários há alguns anos a esta parte não chegar a uma medalha é porque a Telma não sei quê, não sei quantos. Perder, mesmo para os melhores é algo que se comeca a justificar antes deles calcarem os ténis. É a mentalidade reinante na nacão. Podíamos destes isolados exemplos extrair mais uns quantos do nosso quotidiano e em diversas áreas. A derrota é sempre assumida como natural, a vitória fica para os outros. Em português correcto: deixem-se de merdas pá!
Se o Pedro Álvares Cabral tivesse essa mentalidade, sempre queria ver como é que hoje iam para Fortaleza com tudo incluído por 100 cts (sim, para mim "o conto" é que é a moeda!).
Há mesmo atletas que nem chegam a justificar o duche que tomam em Pequim. Uma miúda do badminton, cujo nome não me lembro, entrou em competicão na manhã do primeiro dia. 20 minutos depois estava despachada para voltar para Lisboa. Tudo muito bem que se perca e tal, epá, mas vai a pequim levar uma tareia de 2 sets em 20 minutos?? Diziam ao Vicente Moura para vestir um calcão e ir atrás da pena e ficava tudo na mesma. Quem sabe até aguentava 25 minutos e ainda poupavam um bilhete de avião. Sim, que Pequim ainda fica um pouco depois de Huelva.
Perder e ganhar faz parte do desporto e enobrece o sempre presente espirito olímpico. Só perder não entra em lado nenhum!
Toca a dar corda aos sapatos que eu quero ouvir o hino!

terça-feira, agosto 05, 2008

ދިވެހިރާއްޖޭގެ ޖުމުހޫރިއްޔ


Enquanto a agência de viagens "Backpack & toothbrush" não vê a luz do dia, vou aproveitando as raras hipótese de viagem que a profissão permite.
Não quero ser mal agradecido (calma patrão, calma!), afinal, até me oferecem um lugar na Ryan Air e tudo. Não sei qual é e isso aumenta a expectativa. A decisão comeca no momento em que abrem a porta e todos corremos arrastando as malas para apanhar aquela vaga da janela.
É aventura, divertimento e porque não, dignidade na labuta.
Ne pas d'argent dizem eles.
Adivinho promocões no Feira-Nova: "Na compra de 1 six-pack Sagres, leve um Volvo".
Deveríamos ir em magote.
Para um daqueles aeroportos com prédios e vida por perto.
Vou só eu.
Para um pasto no meio de nenhures.
E de Ryan Air.
Finalmente consegui usar a expressão magote.
Encaixou como uma luva.
Mas tudo bem.
Passeata é passeata e eu não olho a nomes.
O grande problema mesmo é a profissão.
Não há nada a fazer. Segundo um estudo (eu no google), não há fabricantes ou fornecedores da indústria automóvel num sítio bonito. E isso, lixa-me as passeatas pá.
Já sei, já sei...trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.
Tudo muito bem.
Mas se depois do suor, se proporcionar um jantar com vista para o canal, não dizemos que não, certo?
Para ter uma profissão de sofrimento constante teria escolhido a de ciclista, mesmo com o handicap de não ter sotaque de Viseu.
As "cidades automóveis" são para lá de feias. Tipicamente, é um subúrbio, onde a vista predominante é uma chaminé Chernobyl e toda a "cidade" vive e trabalha no mesmo sítio. Nada fora daquelas paredes existe.
É feio.
Muito.
De certa forma, é como viajar para Lisboa e passar 1 semana na Póvoa de Sto. Adrião.
Desde que vim para a Volvo, o destino é sempre um subúrbio de Estugarda. Feio, que dói.
Desta vez, a bem do olhos, ficarei na cidade. Pelo menos janto sem vista para a chaminé.
A pergunta que se impõe: quando é que a malta da panela de escape se decide a abrir um estaminé (com filtros para poluir pouco!!) nos Alpes, em Roma, Paris ou NY ?
Ou então nas Maldivas.
Esquecam lá essa história da mão de obra barata do Leste. O bom gestor é aquele que aposta nas Maldivas.
Pensem comigo.
Dentro de umas décadas, a subida do nível do mar fará estragos e estas ilhas do Índico desaparecerão. Passaremos a ter vários resorts Atlântida e o pacote da agência incluirá avião+escafandro+hotel. Pequenos ajustes apenas.
Mas agora...agora é que surge a oportunidade caros gestores.
Sabendo que a terra deixará de ser seca, os locais têm que aproveitar os terrenos enquanto estes não se transformam em papa. A especulacão imobiliária funciona ao contrário e o m2 é mais barato do que em Fortaleza. Sim, isso é possível.
O que esperam?
Uma producão de carros com respectivos fornecedores num canto de uma ilha.
Só para não incomodar as pessoas.
Se chatearem muito escolhe-se uma desabitada.
Não deve ser dificil. Existem 993.
Vá, pensem lá nisso.
Ps - Volto para a semana.
Ps1 - O Glorioso conseguiu finalmente ganhar um jogo contra marrecos. Marcaram 1 golo e ganharam 2-1. Valentes.
Ps2 - O título é "republica das maldivas" em xiribiri local. Foi dificl de escrever só com as teclas dos acentos e aspas mas safei-me.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Técnicas de cálculo




Passo os olhos pelo Expresso para saber o que se passa desse lado.
Vejo uma fotografia onde pessoas meio-despidas se refrescam numa fonte do Parque das Nacões.
Olho pela janela e vejo um dilúvio inacreditável.
Fecho de imediato o Expresso e contemplo o fim do verão.
Parece que nem comecou, para ser sincero.
Umas semanas de calor entre Maio e Junho e está a festa feita.
Esta falta de Sol afecta-me mais do que alguma vez poderia imaginar. Quem diria que algo a que nunca liguei poderia ser tão decisivo?
O ano passado, mais ou menos por esta altura, no meu regresso de férias deparei-me com igual cenário. Chuva abundante, daquela que até morde. Umas bananeiras em pano de fundo e estaríamos na Costa Rica.
Na altura, a minha reaccão "natural" foi comecar a procurar emprego em Itália. Chega de chuva pensei eu!
A falta de Sol dá a volta ao miolo e favorece atitudes impensadas. Acho que também faz parte do processo de integracão. Olhar todos os dias para o boletim metereológico na expectativa de um dia quente. Um perfeito sueco, diria.
Este ano, já aceito este dilúvio de forma mais ponderada. Repare-se que nem entrei no Google com as palavras mágicas "lavoro in italia". Há portanto um progresso.
Limito-me a olhar para o calendário e contar os dias.
Ora 1, 2, 3, noves fora nada, 10 e 11.
11 míseros dias e também eu estarei debaixo do vosso Sol.
Não quero saber se levam o frango frito, o garrafão de tinto e 4 chapéus de sol para montar um estaminé anti-vento.
Tem que haver um espacinho para mim.
Não é preciso ser muito grande que eu tenho bebido chá verde.
Basta que seja com vista mar e orientacão SOL.

Nunca uma cadeira fez tanto por nós

quinta-feira, julho 31, 2008

Talento para a prosa

"Segunda-feira parte um navio cheio de petróleo da Venezuela em direccão a Portugal. E não é o resultado de um saque como há 500 anos. Desta vez há um acordo assinado e uma parceria entre os dois países! "

Chavez na sua recente visita a Portugal (RTP)

AC DC, acid house




O grande problema do ar condicionado é não trazer aromas. Como o Epá.
Toda a gente sabe disso.
Embora o Epá seja até à data o melhor gelado da história.
O ar condicionado não faz milagres, limita-se a empurrar ar fresco e tentar renovar o que lá existe. As moléculas de odor entram no movimento em direccão a um filtro. Em teoria, o ar deve regressar fresco e limpo. Na prática sente-se mais frio e espalha-se o cheiro.
E porque é que isto poderá ser um problema numa terra onde o calor não é propriamente o busílis? Por isso mesmo.
A ausência de meses de calor, faz crescer uma certa ansiedade nos locais.
Mal o termómetro bate os 20 graus, aparecem os calcões, enchem as esplanadas, abrem a capota e ligam o ar condicionado (deduzo que nos carros de capota aberta não).
Há que aproveitar cada raio de sol e usar invencões originalmente pensadas para países tropicais. São aqueles 4 dias de loucura.
E o que tenho eu contra? Nada. Rigorosamente nada.
Há um ligeiro problema no odor. Mas é coisa pouca.
O banho por estes lados não é aquela coisa indispensável. Sim senhor, vão ao chuveirinho, mas se falhar um dia aqui ou um dia ali, ninguém se chateia.
O hábito de tirar o sarro foi introduzido pelas cortes francesas, na altura em que os impérios eram aliados e faziam intercâmbio de princesas para fortalecer os lacos.
Ou seja, aprenderam a tomar banho com os franceses.
Promete isto...
Luis XIV, amigo de Dartacão, era segundo Dumas uma jóia de moco, mas banhoca não era com ele. Luis XVI tinha ideias novas e Maria Antoniette já puxava mais para o limpo, mas o povo não perdoou a audácia e fez descer a lâmina. Bonaparte exigia a Josefina uma pele imaculadamente suja. Quando a água se esgotar no planeta, os franceses terão a consciência tranquila.
Honra lhes seja feita.
Mas e os suecos? Num país onde há água em abundância, a heranca francesa é respeitada.
Mais por uns do que por outros. Parece-me que os fiéis seguidores trabalham todos comigo.
Nestes dias de sol, é sempre agradavel entrar num carro e sentir o fresco do AC com aquele piquinho a refugado. Suam em barda e fazem questão de espalhar o odor num raio de 5m.
Ainda tento abrir a janela e cheirar um escape de camião, mas nem isso me vale porque "assim entra o calor pááá!!"
Já no escritório a conversa é outra. Sabendo de antemão quem são os fedorentos, é só passar ao largo de 10m das respectivas secretárias.
Querem marcar uma reunião?
Certo. Mas no jardim camaradas.
Ou então lavam-se.
Ou usam roll-on.
Ou ambos, quem sabe.
Por agora, limito-me a seguir o mapa de guerra.
É só pisar na área verde e estou safo.



Prioridades ( roubado do "Arrastão" do Daniel Oliveira )

"
Portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza: cerca de 2.000.000.

Beneficiários do Rendimento Social de Inserção: 311 mil (quase 40% são menores)

Despesas anuais com o Rendimento Social de Inserção: 371 milhões de euros.
O valor médio da prestação de RSI por beneficiário: 83 euros.

Lucro dos cinco maiores bancos portugueses em 2007: 8,7 milhões de euros por dia.
Perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca: cerca de 700 milhões euros.

Agora comparem o tempo que se dedica a um assunto e a outro. "



Uma pequena achega.
Por muito "pequena" que seja a parcela social desta equacão, continuo a defender a atribuicão da mesma a quem de direito, ou seja, a quem aceita as regras de direitos e deveres previstos na nossa lei.
Quanto aos lucros da banca e perdas nas receitas do Estado por causa dos benefícios usarei a versão Euronews: No comments.

terça-feira, julho 29, 2008

Só 27?

Depois de ler isto, não sei o que é pior.
Se os valores proibidos pagos na administracão da Caixa Geral de Depósitos (sim, eu sei que tiveram um lucro recorde o ano passado...uau, ninguém diria....mas quanto é que ganha um daqueles gajos que desconta os cheques mesmo?)
Se os salários de sultão pagos a administradores de empresas com prejuizo de milhões ano após ano (RTP, CP, Metro de Lisboa e Porto).
Se a permanente injeccão de dinheiro na TAP (deve ser dos poucos sítios onde o gestor está refém) para sustentar aquele lobby de pilotos e hospedeiras (desculpem, assistentes de bordo).
Ou ainda, o facto de alguns destes gestores acumularem participacões em diferentes administracões.
Eu continuo a achar que o Estado deve ter participacões importantes em empresas estratégicas para o país, mas daí ao deboche actual vai um passo gigante.
A este ritmo, de pura distribuicão de tachos, a conclusão é simples: privatizar!

segunda-feira, julho 28, 2008

E para mim, não há nada??

30 fofinhos daqueles do risco ao lado, cara bolachuda e nomes como Martim, Salvador ou Bernardo Maria, resolveram sair da juventude centrista.
A juventude centrista, para quem não sabe, é aquela colectividade de balofos que serve para segurar bandeiras quando o Paulo Portas passa no Bolhão.
Não é que eles sirvam só para isto, eu é que não me lembro de mais nada.
Alegam, estes 30 desiludidos, que o grande mestre promove o "clientelismo" e por isso vão partir para outra praia.
A juventude centrista em causa é a de Setúbal. Pelas minhas contas, isso significa que deixa de existir JC em Setúbal.
E agora?
Não sei, não sei.
O choco nunca mais será o mesmo.
Agora a sério.
Compreendo que saiam.
Ideologia política há muito que não existe no Largo do Caldas, se já nem um emprego se arranja, o que ficam lá a fazer?
Talvez possam tentar o PSD.
Quem sabe aí a sorte da distribuicão de tachos, não seja tão madrasta.
A outra hipótese é arranjar um emprego.
...
Não, nada de dramas.
Tentem primeiro o PSD.

MST, expresso

Acho que vale sempre a pena ler o Miguel S. Tavares. Concorde-se ou não.
Esta semana vale a pena ler 3 vezes.
Pelo menos.





" A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho. "

Ainda assim, este verão vou tentar encontrar uns espacos pouco destruídos entre o alentejo e o algarve. Vá lá...nem tudo pode ser mau.

O início

Sim, eu sei.
Sim, também já ouvi essa.
Sim, são muito jogadores novos.
Sim, eles ainda não se conhecem e não têm "entrosamento".
Sim, maior parte dos titulares ainda estão a banhos.
Sim, já sei que é apenas o início.
Já conheco as rezas todas.
Agora...
O Ed Carlos e o Luis Filipe diviram 5 golos entre eles.
Na baliza do Quim e do Moreira, quero eu dizer.
Florindo, se isto não foi para o teu bloco de notas com um "= fora" à frente de cada nome, mais vale a pena voltares para os rodízios de paella.
Toca a ser prático e evitar erros de casting graves.
Agora ainda se desculpa, dentro de dois meses já não.
Mas eu repito.
Luis Filipe e Ed Carlos para fora!!
Longe, bem longe.
Menos que a Austrália considera-se "nas redondezas".

quinta-feira, julho 24, 2008

John, I have a mission for you


Primeiro a banda sonora.
Hummm...huummm...encontrei, aqui está ela.
Agora sim, posso comecar a escrever.
Sempre que me deito a sonhar gosto de ouvir esta música. Em "repeat" porque a música é pequena e os meus sonhos longos.
Significa isto que ouco o sr. Luis "dia sim, dia não". Poderia ser pior.
Uma colega disse-me há uns dias, que depois de ser mãe, repensou o sentido da vida e passou a valorizar aspectos, até então escondidos, nas 24h diárias.
Antes de meter terceiros nestas coisas, gostaria de pensar no sentido das 8h de trabalho.
Há 1000 (pelo menos) formas diferentes de contribuir para a sociedade. O básico, imagino eu, é apreciar o tempo de trabalho e conseguir ainda assim pagar as contas.
Não deve ser assim tão dificil.
É que bem vistas as coisas, são 40 anos (no mínimo) de enxada nas mãos. Convém encontrar algo com sentido, senão tudo se torna um inferno.
Durante o tempo que trabalhei em Portugal, vi mais papel do que electrões. Não era bem o que imaginava quando fazia exames com o osciloscópio ao lado.
De qualquer forma, o ambiente que por lá se vivia era do melhor que alguma vez vi e que dificilmente encontrarei noutras paragens.
Acho que isso compensava o papel.
Depois de alguns anos achei que devia fazer algo mais técnico, mais "mão na massa".
Os últimos 2,5 anos têm sido passados em ambiente de desenvolvimento e novas tecnologias.
Exactamente o que procurava.
Sinto-me "uau!" ?
Não. Nem por isso.
Por esta altura do campeonato (ou pelo menos dia sim, dia não) imagino que se algum dia trabalhar na NASA direi algo do género: "Sim, mandam os foguetes e controlam os satélites, tudo muito giro, mas a questão é....onde fica a cantina?"
Parece-me que o mundo da engenharia, com todo o seu fascínio, não tem aquela luz que eu imaginava.
Admiro escritores, jornalistas, políticos (poucos pá, poucos!). Engenheiros...huummm...não me lembro assim de nenhum que eu siga na sua especialidade (tirando amigos e familiares!).
Ahh...e o Sócrates não conta. Que eu saiba ele não se destacou a fazer pontes.
Este filosofar de verão, leva-me à profissão de sonho. Num mundo perfeito, essa profissão seria escrever os guias da Lonely Planet. Estou convencido disso. Hoje pelo menos.
De uma forma geral, acho que pagar a renda com aquilo que se escreve ou diz, deve ser um espectáculo. Jornalistas que não estão a recibos verdes: vocês são uns sortudos!
Ora, como toda e qualquer funcão que eu ache interessante me está vedada, o sonho de hoje aparece com a forma de: "Como criar as 8h por dia perfeitas?"
Creio que cheguei a uma conclusão.
Abrir uma agência de viagens de turismo alternativo.
A coisa está pensada e até parece lógica.
O mercado do "vá para Cancun 7 dias tostar dos 2 lados" está gasto.
Em Portugal a classe média está a desaparecer. Os mais pobres não têm dinheiro sequer para o Algarve e os mais ricos não vão para Varadero.
Abre-se um espaco para "férias activas".
Caminhadas nos Alpes, kayak no Adriático, dormir no deserto da Namíbia, encontrar ursos polares na ponta do globo, ver a Terra do Fogo, explorar rios em África.
Há uma série de possibilidades e pouca gente a fazê-lo a partir de Portugal. A Papa-Léguas domina sem rival.
Para tudo bater certo é preciso encontrar 4 pessoas não satisfeitas com o emprego.
Alguém simpático para falar com os clientes. Daquelas pessoas com paciência de Jó. Um financeiro para aguentar as contas e manter os pés do negócio no chão. Um guia de expedicão. Uma expécie de Rambo com gosto pela natureza (este já está!). Uma ou duas pessoas para reconhecer os percursos, estabelecer protocolos com os operadores locais e escrever os roteiros.
Um destes 5 camaradas tem que ser informático para fazer/actualizar a página na net (acho que pode ser o Rambo!).
E pronto...
Custou alguma coisa?
Ahhh...bolas...já me esquecia...o financiamento!
Apresenta-se um caderno bonito, quem sabe até um ppoint e as pessoas que distribuem o dinheiro do quadro comunitário de apoio não resistem. A fundo perdido, que eu também sou filho de Deus.
Está garantido!
Até já tenho o nome: "Sonho de uma noite de verão".
Mas admito mudá-lo para algo mais aventureiro como "passa-montanhas" ou "balaclava adventure agency". Neste último caso acho mesmo que o céu é o limite.
E agora fiquem com esta que eu vou digeri-la.
Ao almoco.
Sim, já são 11h.

terça-feira, julho 22, 2008

Stuff me!

Para ver.
Rever.
Respirar.
Pensar um pouco.
Ver de novo.
Pensar outra vez.
Passar em cada sala de aula depois do sumário.
Respirar.
Pensar mais um pouco.
Partir o cartão de crédito.
Respirar.
Ahh, e ver novamente.

A cela do Milosevic ainda está quente



Tenho uma certa admiracão pela profissão de advogado. A sério, tenho mesmo...

Imagino sempre um nobre cidadão que teve tempo para ler aquele calhamaco com as leis e usa esse conhecimento para defender os injusticados.

Despedidos sem justa causa, enganados por charlatões, fugas ao fisco, corruptos e mais uma série de causas com sentido.

Para mim, o advogado é o Robin dos Bosques sem collants.

Mas eu admito que tenho uns olhos simpáticos.

O advogado de hoje é o gajo que pensou "como é que posso fugir a matemática no 10 ano?" e a "evolucão" da justica, leva-o a procurar todos os buracos no tal calhamaco das leis para anular qualquer julgamento. Há uma cadeira em Direito que se chama "Como usar os buracos da lei em prime time". É o Nabais que a dá.

As escutas do "Apito" são o melhor exemplo. Eles disseram, eu ouvi, mas para o tribunal não vale. Elucidativo.

Pensava eu que os buracos da lei eram uma especialidade lusa, quando vejo isto.

O que se passa é o seguinte.

Karadzic, é acusado de:

"• Um crime de Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia)

• Um crime de cumplicidade em Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia)

• Um crime de exterminação, crime contra a humanidade

• Homicídio como crime contra a humanidade

• Homicídio em violação das leis e usos da Guerra

• Um crime de homicídio constituindo uma grave violação da Convenção de Genebra que regulam a conduta durante a guerra

• Perseguição

• Deportações e outros actos desumanos

• Infligir terror em civis

• Tomada de reféns. "

...

Nada mau para CV.

Se possível fosse destacar o horror entre horrores, o massacre de Srebrenica seria o momento.

8000 Bósnios triturados por balas naquele que foi o maior massacre humano que a Europa conheceu depois da II GG.

Claro que este animal não está sozinho no barco. Mladic foi o general que comandou o genocídio (e que continua em fuga) e os capacetes azuis da ONU também não ficaram bem na fotografia.

Contudo, a única coisa impossível de discutir é se ele é culpado ou não.

O que faz o zeloso advogado numa ocasião destas?

Eu diria para ficar em casa quieto ou pelo menos calado.

Sveta Vujacic, o defensor em causa, afirmou que Karadzic foi detido num autocarro na passada quinta-feira e mantido sob detenção até ter sido presente a tribunal na segunda-feira. Ao que parece, as autoridades apenas mostraram um distintivo antes de o encerrarem numa divisão.

"É absolutamente ilegal”, afirmou o jurista.

Sveta, com um CV destes, o que devias ter dito quando lá chegaste era:

"Ahh, não o cortaram às postas! Óptimo, óptimo. Que alívio! Vamos então preparar a sua defesa senhor Karadzic."

Tendências Outono/Inverno 2009

Canseiraaa...

sexta-feira, julho 18, 2008

Back to the Fountain Farm



Comeco por dizer que nada me move contra ciganos.

Bem pelo contrário.

Pretendo com isto evitar interpretacões racistas deste texto.

Quero escrever sobre uma questão de justica. Apenas.

E esta deve ser igual para todos. Ciganos, Angolanos, Ucranianos, Brasileiros, Chineses ou Portugueses.

Depois da salganhada que aconteceu na Quinta da Fonte, 200 ciganos acamparam na C.M.Loures exigindo um subsídio para procurar nova habitacão.

Têm medo de regressar às suas casas e acusam a comunidade Africana de os perseguir.

Até aqui tudo bem.

Quer dizer...tudo bem não. A situacão é triste e a reaccão de medo compreende-se.

Um advogado (daqueles que aparece sempre que cheira a horário nobre), que imagino eu, representava as famílias ciganas dizia que o presidente da câmara só tinha que "cumprir a palavra dada".

Ora, esta parte é que já me custa mais a perceber.

Pedir todos podemos, receber é que nem por isso.

Estas famílias já vivem em casas atribuídas pela ajuda social, é importante referir isso. O Estado Português já os ajuda, sem que eles facam qualquer contribuicão social.

O caso da comunidade cigana é particular. Por uma questão cultural um cigano nunca trabalha para outro alguém. Tudo bem.

Normalmente montam o seu negócio e vendem roupa.

Tudo bem.

Regra geral não pagam impostos (sim, eu sei que o Quaresma paga...) e não declaram qualquer actividade.

Já não me parece tão bem. E não consigo perceber como é que esta parte se encaixa no conceito cultural.

Chega-se pois a uma situacão peculiar.

Por uma lado, ou por uma questão cultural, determinada etnia recusa-se a integrar uma sociedade no que a deveres diz respeito, mas acha-se no total direito de recorrer a ela quando o assunto são os direitos.

Sejam ciganos, africanos ou nepaleses, não podem exigir sem contribuir, ainda por cima quando têm todos os meios para contribuir.

É esta a base de um estado social.

E o que se assiste é exactamente a destruicão desse estado, com injusticas claras.

Repetidas ainda por cima, já que as actuais casas também caíram do céu.

O que estas famílias podem e devem exigir é seguranca no seu bairro.

Essa é que é a obrigacão da C.M.Loures.

O resto, deve ser encarado como uma provocacão a quem trabalha e paga impostos.

quarta-feira, julho 16, 2008

domingo, julho 13, 2008

Bagdad

Assuntos resolvidos entre ciganos e africanos no meio da rua, ao tiro?
O que mais falta acontecer?
A política de gueto faz-nos o favor de explicar a cada dia que não funciona.
A integracão comeca com a mistura (com os demais) e com ajuda social.
Ajuda social não são subsídios. São bolsas para iniciar uma vida e são exigências de adaptacão ao mercado de trabalho. Ajuda em troca de responsabilidade.
Enfiar "rejeitados" num monte qualquer esquecido (como Salazar fez quando construiu a então distante Chelas) contribui apenas para o conflito e adia a integracão. Banalizar e generalizar o problema, é uma excelente ajuda para os movimentos nacionalistas.

sexta-feira, julho 11, 2008

1+1=3



Ai a saudosa D. Eduarda…
Por alguma estranha razão que desconheco lembrei-me dela hoje.
A D.Eduarda era a minha professora da 3a classe e posso hoje afirmar que foi a primeira mulher a deixar a sua marca na minha vida.
Mais detalhadamente na zona da palma da mão esquerda. Assim em jeito de trilho do eléctrico.
Também foi nessa altura que aprendi que a Molin fazia réguas rígidas e grossas. Quase inquebráveis.
"Tens sempre a resposta na ponta da língua" costumava dizer.
Sempre pensei que aquilo fosse um elogio, mas devia ter desconfiado quando as perguntas não incluíam a tabuada, verbos ou gramática.
Hoje em dia, prefiro imaginar que o que ela queria realmente dizer é que eu gosto de esgrimir argumentos, ou numa visão mais romântica, perceber a essência do Ser-Humano.
Invocando a sempre presente D.Eduarda, respondi à pergunta: "Almocamos cá dentro ou na esplanada?" com um rápido "Cá dentro!"
Surpreendido, o viking diz: "Mas Tiago, estamos em Julho pá!!" ao que me vi forcado a lembrar: "Sim, mas estão 14 graus camarada!"
"E então? É julho…não podemos estar dentro de paredes."
A bem da "integracão" e "novas experiências" acedi.
A esplanada estava cheia de gente com t-shirt, calcões e chinelos. Eu tinha um cobertor. Estava um frio de rachar!
Ainda pensando que aqueles personagens eram diferentes, vesti o meu casaco de chuva e pedalei para casa. No caminho, passando nas avenidas principais, vi centenas de pessoas de t-shirt, raparigas com saias um pouco acima do cinto, sapatos na mão e pés descalcos na calcada.
Claramente todos viviam um cenário de verão.
Sorriam e gesticulavam.
Pareciam alegres.
Havia movimento.
Um típico dia de verão.
Daqueles de Julho.
Mas estava frio.
O chão ainda espelhava a chuva recente.
As nuvens não deixavam passar o mais mísero raio de sol.
Julho com sabor a Novembro, isso já me parecia mais lógico.
Talvez seja eu o esquisito.
Ou será que estavam a filmar o novo James Bond e eu atravessei o set durante a parte das Caraíbas?
Talvez tenha sido isso.
A ver se o meu nome aparece no próximo genérico.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nem tomaram o pequeno-almoco...


Não quero ser populista ou habitante de paragem de autocarro.

É óbvio que a fome em África não desaparece se a malta do G8 comer papas de Nestum.

Mas mesmo assim tenho que dizer isto...

Era mesmo necessário encher o bandulho com uma ementa de 24 pratos, caviar e trufas enquanto se discutiam os quilos de arroz a enviar para a Somália?
Levaram pelo menos tupperwares para trazer os restos?

Esta, custa um bocadinho a papar...

terça-feira, julho 08, 2008

Passas tu ou passas tu?


A nocão de espaco físico, pensava eu, é proporcional à dimensão física de quem o avalia.
Um lutador de sumo evita ruas estreitas, um etíope evita pradarias ventosas.
Esta era a lógica que imperava na minha mente.
Os meus bons camaradas Vikings fazem o favor de me explicar o contrário dia após dia.
Comeco por explicar que menos do que 1,85m é considerado "anão". Significa isto que o quotidiano é preenchido com postes de 2 metros, circulando de cá para lá.
Prova-se por A+B que, para cada um destes postes andantes, a necessidade de espaco é tanto menor, quanto maior for a distância do pescoco ao solo.
Há alguns exemplos clássicos. Comecemos com o da porta.
Se algum dia passarem por uma rua sueca a pé, facam a seguinte experiencia: não se desviem, não dêm passagem em portas e nunca segurem a mesma.
Inicialmente desviava-me, dava passagem e segurava portas.
São regras básicas (do mundo conhecido como "civilizado") e não tão raras quanto isso nas ruas de Lisboa.
Ao fim de algum tempo (meses...) achei que era altura de parar.
Para um sueco, alguém abrir uma porta e ele passar é a coisa mais natural do mundo. Agradecer nem por isso. Lembrar de deixar a outra pessoa passar é virtualmente impossível.
Muito bem.
Resolvi entrar no esquema.
Deixo cair a porta na cara das pessoas, nunca me desvio e passo à frente de todos os que consigo.
Acho que tenho algum talento.
Largo portas como poucos.
Tenho que me lembrar de tirar o modo "viking" do chip quando aterrar na portela, senão passo o dia a ouvir adjectivos para a minha mãe.
De vez em quando chocamos uns com uns outros, largamos um "förlåt" (desculpe) e cada um segue o seu caminho.
É como jogar hóquei no gelo em cada corredor do escritório.
O engracado é ver como mamutes de 120Kg tentam passar mal a porta se abre 20cm. Epá...não dá! Não percebem isso? Ainda se fosse um chinês...
Outra, também clássica, é a fila para pagar no supermercado. Tenho para mim que os Vikings deixam a panela ao lume e vão a correr comprar o arroz. Parecem sempre aflitos. Não conseguem estar mais do que 10cm afastados na fila. E atencão que isto é gente para calcar 47. Ainda estou a meter as compras na passadeira já tenho um par de skis a raspar nos calcanhares.
Esta manhã, na fila para pagar o almoco, estava um velho tão perto, tão perto, tão perto, que lhe conseguia sentir o hálito. Neste caso nem 10m me teriam safo...o velho tinha comido pele de búfalo com molho de cebola, logo pela fresquinha. Que bafo senhores...
Agora com a vossa licenca, vou vestir as cotoveleiras que tenho que ir às compras.

segunda-feira, julho 07, 2008

O Pomar



Pergunto-me quantas cestas de fruta terão Pinto da Costa e Valentim Loureiro distribuído ao longo de duas décadas.
Deve ser coisa para encher uns quantos pomares.
Porquê tanto medo? Existirão assim tantos entalados?
Há uns anos foi descoberto um cheque assinado por PC para que um árbitro fosse ao Brasil com uma agência de viagens de um dos patrocinadores do clube.
Pode parecer ingenuidade…mas cheirou-me a corrupcão na altura.
Quer dizer, eu também tenho bons amigos, mas no máximo oferecem-me uma imperial.
Alguns gritos e o caso foi abafado.
Passados uns anos aparecem escutas com tudo e mais qualquer coisa.
Entre saltos e cambalhotas, o facto de as escutas não serem válidas em tribunal passam a ser argumento de defesa.
Nunca se disse que eram falsas, montagens ou que não queriam dizer bem aquilo…não, apenas que não eram válidas em tribunal.
Isto é o mesmo do que abrir uma linha telefónica para o crime organizado. As provas, ali tão perto, ao abrigo da lei não servem de nada.
Mais umas gritarias e os comprados do costume arranjaram umas penas à medida de PC.
6 pontos e 2 anos sem ser dirigente. Uau…imagino a garrafa de chamapanhe na Areosa.
Chico-espertos como são, esqueceram-se que ao não recorrer admitiam a corrupcão. Não é que não fossem corruptos, esqueceram-se foi de continuar a mentir.
Ao ver a barraca com a UEFA, toca de comecar a mexer os fantoches locais, com Madaíl à cabeca.
Entretanto, junta-se uma malta no conselho de justica para decidir sobre os recursos de PC e do Boavista.
O presidente do mesmo é um jovem que nas horas vagas brinca aos vereadores com Valentim Loureiro na câmara de Gondomar.
No resto do tempo decide sobre recursos do Boavista.
Ahn?? Terei percebido bem??
Incompatibilidade é a primeira coisa que me ocorre.
A segunda é que este jovem tem uns belos pomares.
De qualquer forma, os demais conselheiros acordam e dizem ao jovem para se pôr ao fresco.
Elementar.
Levanta-se o circo e o fantoche comeca a gritar que os demais não podem decidir sem ele.
Ai, ai…o que dirão os teus padrinhos?
Madaíl volta à cena (hoje), para dizer uma mão cheia de nada. Um inquérito ao que se passou na referida reunião foi o grande anúncio.
"Quando não queres que algo aconteca, cria uma comissão", já dizia esse outro benemérito chamado Salazar.
Para qualquer lado o cheiro a corrupcão é por demais evidente.
São apenas dirigentes de futebol, como podem assustar tanta gente com responsabilidade?
É altura do Estado meter mão nisto.
Estado, ONU, Platini ou o exército de libertacão do Suriname.
Tanto faz.
Corram é com esta escória.


Ps - No que diz respeito a bola na relva, quantas páginas e dias mais têm os jornais reservados para a viagem de Rui Costa a Saragoca para contractar o Aimar? Rapaziada, são 900Km e o Maestro não vai de camelo pá! Já não dá para esticar! Mudem lá de assunto.

sábado, julho 05, 2008

Put da crim



Que este gajo queira esticar de toda e qualquer forma o estilo de vida "pagar-a-renda-sem-trabalhar" eu compreendo perfeitamente. Que a D.Quixote entre no jogo, já me parece mais perigoso. Só falta agora o "livro" ser um sucesso e os jornais dizerem "nasceu um escritor". Num país tão pequeno, a velocidade com que absorvemos e damos crédito a lixo, é impressionante. Para não dizer desesperante.

terça-feira, julho 01, 2008

Dressed for success (não me digas que não ouvias quando tinhas 14 anos??)




Um dos meus grandes sonhos é um dia ser o "gajo do laptop".
O "gajo do laptop" é aquele personagem que vai para as reuniões lideradas por outro alguém com um computador portátil, passando de imediato e em surdina a mensagem de que "não se pode desligar nem 10 minutos porque senão o mundo desaba".
Sempre quis ser um gajo destes.
Pelo menos os óculos já ca cantam.
Acho mesmo que basta entrar na sala e fazer um pouco de barulho com as teclas (enquanto os demais falam sobre o tema comum da reunião) para ganhar esse estatuto.
Repare-se. Não é apenas aquela cena do "sou muito ocupado", é também a tentativa de convencer os demais que se ouve (e percebe) um assunto com uma parte do cérebro, enquanto o resto da massa cinzenta dá ordens aos dedos para produzirem uma bela prosa ou aos olhos para lerem patacoadas.
Marcelo, essa ideia de que escrever com os dois bracos ao mesmo tempo te transformaria num prodígio, cai agora por terra, sim?
Aqui há atrasado (uma expressão "para lá do Mondego" dá sempre outra vida ), sentei-me ao lado do "gajo do laptop" mais conceituado aqui do tasco.
Sempre temi pela saúde dele. Marreco, parece carregar o peso do mundo nas costas. Um Karagounis de óculos e bigode não-sei-se-rapo-ou-deixo-crescer-para-parecer-ainda-mais-homenzinho.
Apesar de não ter computador, também não prestei atencão à reunião. A minha missão do dia estava definida e era perceber que decisões não podiam esperar 10 minutos.
Discretamente fixei-me no monitor do dito.
Aqui há que fazer um reparo, se há personagem que consegue ser discreta a olhar sou eu.
Bafejando na sua nuca, vejo-o de tempos a tempos a passar o dedo no rato para evitar o "screen saver". Este é o primeiro e importante passo. Estando qualquer coisa aberta, dá logo impressão de trabalho.
Sabendo que só isso não chegava e vendo que os demais já olhavam com desconfianca, avancou furioso para o teclado.
Vai redigir a mocão de censura da ONU para o Mugabe, pensei!!
Não, parece que não.
Abriu o "mail" e comecou a escrever para um alemão, que por acaso eu sabia quem era.
Diz-lhe em tom muito irritado (sim, um texto também tem tom!): "Olha lá Zé Fritz, ainda espero por aquele documento que disseste que enviavas há 5 minutos atrás!!"
Assim percebo.
Nem estou a ver como o mundo continuaria redondo sem este contributo.
Ainda bem que ele não esperou mais uns minutos e nos ofereceu aquela pianada "in loco".
Escrever isto 10 minutos antes ou depois, seria o mesmo. Melhor, seria tão importante como não escrever nada, já que a pessoa em questão é certa como um relógio suico. Mas o que é a eficiência comparada com o espectáculo?
Nada meus amigos. Nada.
Aposto que há uma lista de "mails" pensados para enviar em cada reunião e optimizar assim a técnica de encher chouricos.
Se os outros vêm o visor, saca-se do "mail" para fornecedores, se estão do outro lado da mesa, "mail" a reservar as férias. O importante é fazer cara de chateado e bater ardentemente nas teclas.
No mundo das multinacionais, onde a medíocridade é mais fácil de esconder, basta um portátil, um par de óculos e alguma "power point engineering" para se ser rei e senhor.
Apetece-me ir para o Alentejo ver o mar!