quinta-feira, setembro 11, 2008

Se tens o tacho ao lume não te sentes, que isto vai demorar.






















































































































Aqui há um bom par de anos, um suico farto da vida perfeita que levava resolveu salvar o mundo.
Pediu licenca de um ano na fábrica de chocolates, meteu um saco às costas e de espeto na mão comecou a correr as estradas da europa em busca de lixo. Doido para uns, ecologista para outros, muito tempo livre para os demais, a verdade é que este Maomé da ecologia chamou a atencão para o facto de usarmos as nossas estradas como caixotes de lixo.
Dirigiu-se a sul passando por Alemanha, Franca e Espanha. A cada passagem recolhia o lixo dos beirais das estradas. O saco que trazia nas costas chegou para as encomendas até entrar em Portugal. Nem um camião TIR o safava de tão árdua tarefa. Desiludido desistiu. Lembro-me de ver nos jornais de então o comentário sobre os limites laterais das nossas estradas: "são autênticas lixeiras", dizia o suico enquanto olhava para o saquito cheio ao fim de 500m de alcatrão.
O sentimento com que este jovem voltou a embalar chocolates não é muito diferente daquele que trouxe na bagagem, nesta última passagem por Portugal. A diferenca é que eu nasci aí e por isso, custa-me um pouco mais a engolir.
A pergunta que eu queria fazer é:
Porque é que somos tão porcos?
A natureza deu-nos recantos magníficos e nós, como terceiro-mundistas que somos, destruimos tudo com betão ou lixo.
Não há desculpa para a falta de civismo que ainda reina em Portugal. Há caixotes do lixo espalhados por todo o lado, há pontos de reciclagem ao pontapé e com legendas que qualquer analfabeto consegue perceber. O que acontece?
Deitam lixo ao calhas para dentro de qualquer ponto de reciclagem e na rua, usam o chão como caixote.
É que nem olham para o lado com um pequeno sentimento de culpa. Tudo acontece de forma natural.
Como podemos ser tão fechados no nosso pequeno mundo, na nossa ignorância?
Há uns dias, deslocava-me na Luisa Todi em Setúbal, quando vi um homem mandar o papel do gelado para o chão. De imediato, a mulher e os dois filhos fizeram o mesmo. Tudo muito calmo e tranquilo.
Todos o fazem sem qualquer complexo de culpa. Ninguém pede que salvem o mundo e cumpram os 10 mandamentos que os gajos da Quercus guardam no bolso. É só não mandar lixo para o chão. Será pedir muito?
Resolvi, estas férias, procurar recantos na costa vicentina até aqui desconhecidos para mim. As paisagens que vi inspiravam qualquer postal.
Um mar lindíssimo, fechado aqui e ali numa enseada perdida. Tudo perfeito enquanto olhava a direito para o mar. Se por acaso me lembrava de baixar a cabeca e olhar para a encosta o cenário era bem diferente. Garrafas de plástico e sacos de lixo bem fechadinhos entre os arbustos. Normalmente com caixotes do lixo a 10m…
Acho piada a estes animais que fecham religiosamente o saco com os restos do frango e o deixam no meio do mato. Por alguma razão, ficam convencidos que estão a fazer uma grande merda ao fechar o saco. Até devem dizer lá na rua que são muito ecologistas porque não espalham lixo.
Numa dessas voltas, dei com uma praia quase deserta (se não contarmos com os hippies!!) entre Lagos e Sagres (Barranco). Estava impecavelmente limpa e os estrangeiros que lá estavam, apesar do acampamento montado, não deixavam qualquer rasto de sujidade. Convém dizer que mesmo naquele fim de mundo, existiam caixotes do lixo. As autarquias tentam, isso ninguém pode negar. Noutra praia ali da zona (Figueira), também impecavelmente limpa, vi uma gorda largar dois sacos de lixo ao fim do dia. Dada a naturalidade com que o fazia e à distância a que me encontrava, assumi que atirava os sacos para um caixote. Mais tarde, passei pelo sítio e vi que ela os tinha atirado pura e simplesmente para o meio dos arbustos. Não havia um único papel no chão. Nada que a pudesse incentivar. Peguei nos dois sacos e transportei-os para fora da praia. 5 kg de restos, garrafas de vidro, etc. O que passará na cabeca desta gente? Querem pequenos paraísos mas apenas por um dia? Porque é que somos tão estúpidamente diferentes?
Em Lagos, enquanto esperava por uma refeicão, observava um autocarro de turistas. Um entrou pela porta da frente, comprou o bilhete e deitou-o para o chão pela porta de trás. Levantei-me, apanhei o bilhete e perante o olhar daquele saloio coloquei-o no caixote que distava uns longínquos 2 metros. Sentei-me. Passado pouco tempo, outro turista entrou e fez o mesmo. Já não me levantei.
Há que reconhecer o óbvio. Nós somos javardos qb e achamos que o chão é um caixote comum, os turistas que invadem o Algarve, são os trolhas de Inglaterra e Alemanha. É o preco a pagar pelo turismo pé-de-chinelo que ali criámos.
As praias estão cheias de campanhas, com distribuicão de latas, para os fumadores não largarem beatas na areia. Reconheco o mérito de quem tem estas iniciativas. Enquanto povo, devíamos ter vergonha de todas as formas que usam para nos explicar o que é ser civilizado. Até o macaco Adriano aprendeu mais depressa.
É lutar contra moinhos de vento. Não vale a pena.
Admitindo o nosso crónico atraso relativamente à europa evoluída, quem sabe daqui a 50 anos conseguimos perceber a diferenca entre o chão e um caixote. Quem sabe.
Até lá, a cada regresso, é preferível olhar para o mar e nunca baixar a cabeca.

quarta-feira, setembro 10, 2008

O bluff


Antes que digam "ah, agora é fácil criticar e tal", deixem-me dizer que já tinha escrito aí para trás que o Queiroz era um nome a evitar para substituir o pingulim.
E porquê?
Porque não tem estofo, sabedoria ou coragem para gerir uma seleccão com a qualidade da portuguesa. Comecando pelos equívocos do 11 (Raul Meireles e P.Ferreira, para além da certidão de nascimento, não têm qualquer característica que lhes permita jogar na seleccão) e da habitual asneira quando tem que mexer no banco (sim, ou acham que no United o Queiroz é que dava as ordens??), Queiroz explicou porque é considerado por alguns como o maior bluff da bola lusa.
Sim, foi campeão com os juniores, mas até onde é que isso pode chegar?
Falhou no Sportém, falhou na seleccão da África do Sul, falhou no Real Madrid e falhou na nossa seleccão aquando da primeira passagem.
Tem como salvacão, o facto de o Quim ter saído da baliza à falsete e de os jogadores terem falhado alguns 200 golos de baliza aberta.
Mesmo com os erros tácticos, esta cambada de meninos de passarelle tinha obrigacão de ganhar aos dinamarqueses. Mais suor e a coisa tinha ido lá. Para a Dinamarca aconteceu um pequeno milagre. Para Portugal, ao fim de dois jogos com um calendário de merda, já estamos de calculadora em punho.
Comecas a mostrar obra Queiroz!

Sumário: apresentacão



Gosto de regressos.
E porquê?
Porque gosto de novidades.
Não no sentido calhandreiro da coisa. No sentido de que algo muda sempre enquanto estamos ausentes.
Comeca logo pelo regresso do céu.
Não há que enganar.
Portugal, Espanha, Franca,Bélgica, Holanda e Alemanha. Todos com um céu limpo. Mal se atravessa o Báltico assiste-se a um congestionamento de nuvens. Chegam mesmo a usar os cotovelos para arranjarem um espaco de céu azul para tapar.
O avião para aterrar em Gotemburgo depende quase exclusivamente dessa maravilha da ciência que é a navegacão por instrumentos.
Estou convencido que o sítio onde os escandinavos mais regularmente viram o sol foi nos episódios do Baywatch.
De entre os regressos, aquele que aprecio menos é o regresso ao trabalho.
Não sei bem porquê.
Tem algo a ver com uma vértebra e o baixo alentejo. Já me explicaram, mas de momento não me ocorre.
O regresso à labuta na Suécia é como a primeira semana no secundário. Sumário: apresentacão.
Por estes lados, ao fim de uma semana de calinadas, é hábito ouvir "ainda estou com a cabeca na praia".
O regresso é por isso doce.
Escusado será dizer que imaginei idêntico cenário para mim. Emigrante sim senhor, mas filho de jesus lord como os demais.
Contudo, passaram-me as ilusões com a rapidez de um TGV (TGV entenda-se: um comboio rápido que não pára em cada santa terrinha. Qualquer semelhanca com o que se prepara em Portugal é pura coincidência).
Desconfiei que algo estava mal quando entrei e olhei para os meus colegas.
Não os vi.
Não é que não tenha tentado, mas os lugares estavam vazios.
Por outras palavras, estava só.
Comecei a bater sola nos corredores e ao fim de algum tempo descobri os meus camaradas de labuta 4 pisos acima.
3 cafés depois lá me explicaram que um careca com cara de PIDE andou a fazer queixas da nossa equipa ao chefe de departamento. "Fomos tramados com F", dizia o meu colega trocando o habitual inglês de Oxford por outro usado nas docas de Newcastle.
Para castigo, fomos todos enviados para lugares no raio de visão do referido chefe. Um tau-tau nunca fez mal a ninguém. É o que a minha avó diz.
Como bónus ficámos também perto do careca, o que embeleza ainda mais o cenário.
Muito bem.
Não era a novidade que esperava, mas marcha.
Quem não tem um lambe-botas por perto que atire a primeira pedra. Todos temos direito ao oxigénio.
Antes que tivesse tempo de comecar a empacotar a tralha que durante 1 ano espalhei com carinho nesta mesa, disseram-me: "...mas há mais".
Bom, aí tirei outro chá e ouvi.
Durante as minhas férias, um colega de outra equipa deveria fazer parte do meu trabalho, segundo um acordo pré-estabelecido entre os dois projectos. Inicialmente, ele teria uma semana para fazer um conjunto de testes a um sistema de airbag. O fornecedor em questão foi mais competente do que se esperava e entregou o dito sistema duas semanas antes. O meu colega, bom rapaz mas ingénuo, disse em reunião de grupo: "planeei para uma semana, como tive duas, não fiz nada".
Ora, este tipo de organizacão nem um sueco papa. Foi um daqueles saltos de fazer corar o Nélson Évora.
O que inicialmente estava previsto para 3 semanas, passou para uma mão-cheia de dias.
E ao que parece tocou-me a mim.
E tem que ser rápido.
Muito bem.
Bebi o meu último trago de chá e deitei-me a pensar.
Perante tal cenário, o que faz um profissional sério e dedicado à causa?
Ainda tive que esperar uns bons 2.5ms, mas a custo, a resposta lá apareceu na minha cabeca.
"Vou jogar à bola."
Não vejo outra solucão.
Sumário: continuacão da aula anterior.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Sweet Home Alabama



Sabendo de antemão que José, the special one, não domina o idioma de Camões, os jornalistas portugueses perguntarão: "Mistã Môôurinhôô, after 2 potatoes from Cardozo, what do you have to say to your players ?"
"Nostro giocatore erano addormentato" responderá Mourinho, que entretanto deixou de dominar português do Allgarve.
Nesse exacto momento, guiado pelas luzes da Catedral, um avião cheio de holandeses sobrevoará os prédios da Av. de Roma (naquela razia clássica) para segundos depois aterrar na Portela.
Adivinhem quem vem lá dentro?
Comeco a fazer contas.
Cada semana passada em portugal representa um mínimo de 2Kg extra. E não é na bagagem.
Huummm…pelo menos 6Kg desta vez.
Só para ganhar motivacão para o jogging de inverno.
Os convívios são sempre feitos com uma mesa no meio.
Acho que é o "ser latino".
Jantarada é uma palavra que ganha todo um novo sentido a cada regresso. Ainda bem.
Talvez pudesse sugerir aqueles sítios onde servem um talo de couve com raspas de cenoura, mas depois chamavam-me nomes.
Férias.
Já me babava por elas.
Grelhados, Sol e o Oceano.
E vocês.
Sim, os do costume.
Que saudades de casa.
Até já.

Ps - Escusado será dizer que na areia da praia não há tomadas!
Ps1 - Depois do Avante há mais.
Ps2 - Cantem lá comigo...

segunda-feira, agosto 11, 2008

A normalidade assumida



O fado do desgracado.
Outra vez.
Nunca me habituarei ao hábito de convivermos alegremente com a derrota.
Enquanto os demais cerram os dentes nós comecamos a pensar nas desculpas que justicam a desilusão.
O engracado, é que fazemos isto antes sequer de comecar a competir.
Claro que me refiro aos jogos olímpicos.
Telma Monteiro, uma das "possíveis medalhas" espalhou-se ao comprido. E aqui acho que o termo espalhar fica bem.
Nada a dizer e muito menos a criticar. Estou certo que a Telma Monteiro queria ganhar e é daquelas atletas que normalmente não se encolhem. Dá gosto ver, mesmo sendo o judo um desporto….epá…chato…para ser simpático. É claro que se esperava mais, para quem aparece no tapete como campeã da europa e vice-mundial. De qualquer forma, dias maus todos temos, por isso há que esperar pela próxima oportunidade.
Queixar-se dos árbitros e coisa e tal é que já não ficou tão bem. É a costela lusa a gritar.
Mas, o que me aborreceu mesmo foi ouvir o jornalista de servico a criar o ambiente para justificar todas as derrotas vindouras. Segundo ele, depois da derrota com a chinesa, Telma estava perturbada e por isso perdia o combate com uma espanhola (muito menos cotada!) que poderia levá-la até à medalha de bronze. Cream of the cream, segundo o mesmo, era perceber até que ponto esta derrota poderia afectar a restante comitiva. Ou seja, se os atletas com as melhores marcas do ano (N.Évora e N.Gomes) não chegarem a uma meldalha é porque a Telma Monteiro não se safou no ippon. Se a V. Fernandes que pulveriza os adversários há alguns anos a esta parte não chegar a uma medalha é porque a Telma não sei quê, não sei quantos. Perder, mesmo para os melhores é algo que se comeca a justificar antes deles calcarem os ténis. É a mentalidade reinante na nacão. Podíamos destes isolados exemplos extrair mais uns quantos do nosso quotidiano e em diversas áreas. A derrota é sempre assumida como natural, a vitória fica para os outros. Em português correcto: deixem-se de merdas pá!
Se o Pedro Álvares Cabral tivesse essa mentalidade, sempre queria ver como é que hoje iam para Fortaleza com tudo incluído por 100 cts (sim, para mim "o conto" é que é a moeda!).
Há mesmo atletas que nem chegam a justificar o duche que tomam em Pequim. Uma miúda do badminton, cujo nome não me lembro, entrou em competicão na manhã do primeiro dia. 20 minutos depois estava despachada para voltar para Lisboa. Tudo muito bem que se perca e tal, epá, mas vai a pequim levar uma tareia de 2 sets em 20 minutos?? Diziam ao Vicente Moura para vestir um calcão e ir atrás da pena e ficava tudo na mesma. Quem sabe até aguentava 25 minutos e ainda poupavam um bilhete de avião. Sim, que Pequim ainda fica um pouco depois de Huelva.
Perder e ganhar faz parte do desporto e enobrece o sempre presente espirito olímpico. Só perder não entra em lado nenhum!
Toca a dar corda aos sapatos que eu quero ouvir o hino!

terça-feira, agosto 05, 2008

ދިވެހިރާއްޖޭގެ ޖުމުހޫރިއްޔ


Enquanto a agência de viagens "Backpack & toothbrush" não vê a luz do dia, vou aproveitando as raras hipótese de viagem que a profissão permite.
Não quero ser mal agradecido (calma patrão, calma!), afinal, até me oferecem um lugar na Ryan Air e tudo. Não sei qual é e isso aumenta a expectativa. A decisão comeca no momento em que abrem a porta e todos corremos arrastando as malas para apanhar aquela vaga da janela.
É aventura, divertimento e porque não, dignidade na labuta.
Ne pas d'argent dizem eles.
Adivinho promocões no Feira-Nova: "Na compra de 1 six-pack Sagres, leve um Volvo".
Deveríamos ir em magote.
Para um daqueles aeroportos com prédios e vida por perto.
Vou só eu.
Para um pasto no meio de nenhures.
E de Ryan Air.
Finalmente consegui usar a expressão magote.
Encaixou como uma luva.
Mas tudo bem.
Passeata é passeata e eu não olho a nomes.
O grande problema mesmo é a profissão.
Não há nada a fazer. Segundo um estudo (eu no google), não há fabricantes ou fornecedores da indústria automóvel num sítio bonito. E isso, lixa-me as passeatas pá.
Já sei, já sei...trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.
Tudo muito bem.
Mas se depois do suor, se proporcionar um jantar com vista para o canal, não dizemos que não, certo?
Para ter uma profissão de sofrimento constante teria escolhido a de ciclista, mesmo com o handicap de não ter sotaque de Viseu.
As "cidades automóveis" são para lá de feias. Tipicamente, é um subúrbio, onde a vista predominante é uma chaminé Chernobyl e toda a "cidade" vive e trabalha no mesmo sítio. Nada fora daquelas paredes existe.
É feio.
Muito.
De certa forma, é como viajar para Lisboa e passar 1 semana na Póvoa de Sto. Adrião.
Desde que vim para a Volvo, o destino é sempre um subúrbio de Estugarda. Feio, que dói.
Desta vez, a bem do olhos, ficarei na cidade. Pelo menos janto sem vista para a chaminé.
A pergunta que se impõe: quando é que a malta da panela de escape se decide a abrir um estaminé (com filtros para poluir pouco!!) nos Alpes, em Roma, Paris ou NY ?
Ou então nas Maldivas.
Esquecam lá essa história da mão de obra barata do Leste. O bom gestor é aquele que aposta nas Maldivas.
Pensem comigo.
Dentro de umas décadas, a subida do nível do mar fará estragos e estas ilhas do Índico desaparecerão. Passaremos a ter vários resorts Atlântida e o pacote da agência incluirá avião+escafandro+hotel. Pequenos ajustes apenas.
Mas agora...agora é que surge a oportunidade caros gestores.
Sabendo que a terra deixará de ser seca, os locais têm que aproveitar os terrenos enquanto estes não se transformam em papa. A especulacão imobiliária funciona ao contrário e o m2 é mais barato do que em Fortaleza. Sim, isso é possível.
O que esperam?
Uma producão de carros com respectivos fornecedores num canto de uma ilha.
Só para não incomodar as pessoas.
Se chatearem muito escolhe-se uma desabitada.
Não deve ser dificil. Existem 993.
Vá, pensem lá nisso.
Ps - Volto para a semana.
Ps1 - O Glorioso conseguiu finalmente ganhar um jogo contra marrecos. Marcaram 1 golo e ganharam 2-1. Valentes.
Ps2 - O título é "republica das maldivas" em xiribiri local. Foi dificl de escrever só com as teclas dos acentos e aspas mas safei-me.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Técnicas de cálculo




Passo os olhos pelo Expresso para saber o que se passa desse lado.
Vejo uma fotografia onde pessoas meio-despidas se refrescam numa fonte do Parque das Nacões.
Olho pela janela e vejo um dilúvio inacreditável.
Fecho de imediato o Expresso e contemplo o fim do verão.
Parece que nem comecou, para ser sincero.
Umas semanas de calor entre Maio e Junho e está a festa feita.
Esta falta de Sol afecta-me mais do que alguma vez poderia imaginar. Quem diria que algo a que nunca liguei poderia ser tão decisivo?
O ano passado, mais ou menos por esta altura, no meu regresso de férias deparei-me com igual cenário. Chuva abundante, daquela que até morde. Umas bananeiras em pano de fundo e estaríamos na Costa Rica.
Na altura, a minha reaccão "natural" foi comecar a procurar emprego em Itália. Chega de chuva pensei eu!
A falta de Sol dá a volta ao miolo e favorece atitudes impensadas. Acho que também faz parte do processo de integracão. Olhar todos os dias para o boletim metereológico na expectativa de um dia quente. Um perfeito sueco, diria.
Este ano, já aceito este dilúvio de forma mais ponderada. Repare-se que nem entrei no Google com as palavras mágicas "lavoro in italia". Há portanto um progresso.
Limito-me a olhar para o calendário e contar os dias.
Ora 1, 2, 3, noves fora nada, 10 e 11.
11 míseros dias e também eu estarei debaixo do vosso Sol.
Não quero saber se levam o frango frito, o garrafão de tinto e 4 chapéus de sol para montar um estaminé anti-vento.
Tem que haver um espacinho para mim.
Não é preciso ser muito grande que eu tenho bebido chá verde.
Basta que seja com vista mar e orientacão SOL.

Nunca uma cadeira fez tanto por nós

quinta-feira, julho 31, 2008

Talento para a prosa

"Segunda-feira parte um navio cheio de petróleo da Venezuela em direccão a Portugal. E não é o resultado de um saque como há 500 anos. Desta vez há um acordo assinado e uma parceria entre os dois países! "

Chavez na sua recente visita a Portugal (RTP)

AC DC, acid house




O grande problema do ar condicionado é não trazer aromas. Como o Epá.
Toda a gente sabe disso.
Embora o Epá seja até à data o melhor gelado da história.
O ar condicionado não faz milagres, limita-se a empurrar ar fresco e tentar renovar o que lá existe. As moléculas de odor entram no movimento em direccão a um filtro. Em teoria, o ar deve regressar fresco e limpo. Na prática sente-se mais frio e espalha-se o cheiro.
E porque é que isto poderá ser um problema numa terra onde o calor não é propriamente o busílis? Por isso mesmo.
A ausência de meses de calor, faz crescer uma certa ansiedade nos locais.
Mal o termómetro bate os 20 graus, aparecem os calcões, enchem as esplanadas, abrem a capota e ligam o ar condicionado (deduzo que nos carros de capota aberta não).
Há que aproveitar cada raio de sol e usar invencões originalmente pensadas para países tropicais. São aqueles 4 dias de loucura.
E o que tenho eu contra? Nada. Rigorosamente nada.
Há um ligeiro problema no odor. Mas é coisa pouca.
O banho por estes lados não é aquela coisa indispensável. Sim senhor, vão ao chuveirinho, mas se falhar um dia aqui ou um dia ali, ninguém se chateia.
O hábito de tirar o sarro foi introduzido pelas cortes francesas, na altura em que os impérios eram aliados e faziam intercâmbio de princesas para fortalecer os lacos.
Ou seja, aprenderam a tomar banho com os franceses.
Promete isto...
Luis XIV, amigo de Dartacão, era segundo Dumas uma jóia de moco, mas banhoca não era com ele. Luis XVI tinha ideias novas e Maria Antoniette já puxava mais para o limpo, mas o povo não perdoou a audácia e fez descer a lâmina. Bonaparte exigia a Josefina uma pele imaculadamente suja. Quando a água se esgotar no planeta, os franceses terão a consciência tranquila.
Honra lhes seja feita.
Mas e os suecos? Num país onde há água em abundância, a heranca francesa é respeitada.
Mais por uns do que por outros. Parece-me que os fiéis seguidores trabalham todos comigo.
Nestes dias de sol, é sempre agradavel entrar num carro e sentir o fresco do AC com aquele piquinho a refugado. Suam em barda e fazem questão de espalhar o odor num raio de 5m.
Ainda tento abrir a janela e cheirar um escape de camião, mas nem isso me vale porque "assim entra o calor pááá!!"
Já no escritório a conversa é outra. Sabendo de antemão quem são os fedorentos, é só passar ao largo de 10m das respectivas secretárias.
Querem marcar uma reunião?
Certo. Mas no jardim camaradas.
Ou então lavam-se.
Ou usam roll-on.
Ou ambos, quem sabe.
Por agora, limito-me a seguir o mapa de guerra.
É só pisar na área verde e estou safo.



Prioridades ( roubado do "Arrastão" do Daniel Oliveira )

"
Portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza: cerca de 2.000.000.

Beneficiários do Rendimento Social de Inserção: 311 mil (quase 40% são menores)

Despesas anuais com o Rendimento Social de Inserção: 371 milhões de euros.
O valor médio da prestação de RSI por beneficiário: 83 euros.

Lucro dos cinco maiores bancos portugueses em 2007: 8,7 milhões de euros por dia.
Perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca: cerca de 700 milhões euros.

Agora comparem o tempo que se dedica a um assunto e a outro. "



Uma pequena achega.
Por muito "pequena" que seja a parcela social desta equacão, continuo a defender a atribuicão da mesma a quem de direito, ou seja, a quem aceita as regras de direitos e deveres previstos na nossa lei.
Quanto aos lucros da banca e perdas nas receitas do Estado por causa dos benefícios usarei a versão Euronews: No comments.

terça-feira, julho 29, 2008

Só 27?

Depois de ler isto, não sei o que é pior.
Se os valores proibidos pagos na administracão da Caixa Geral de Depósitos (sim, eu sei que tiveram um lucro recorde o ano passado...uau, ninguém diria....mas quanto é que ganha um daqueles gajos que desconta os cheques mesmo?)
Se os salários de sultão pagos a administradores de empresas com prejuizo de milhões ano após ano (RTP, CP, Metro de Lisboa e Porto).
Se a permanente injeccão de dinheiro na TAP (deve ser dos poucos sítios onde o gestor está refém) para sustentar aquele lobby de pilotos e hospedeiras (desculpem, assistentes de bordo).
Ou ainda, o facto de alguns destes gestores acumularem participacões em diferentes administracões.
Eu continuo a achar que o Estado deve ter participacões importantes em empresas estratégicas para o país, mas daí ao deboche actual vai um passo gigante.
A este ritmo, de pura distribuicão de tachos, a conclusão é simples: privatizar!

segunda-feira, julho 28, 2008

E para mim, não há nada??

30 fofinhos daqueles do risco ao lado, cara bolachuda e nomes como Martim, Salvador ou Bernardo Maria, resolveram sair da juventude centrista.
A juventude centrista, para quem não sabe, é aquela colectividade de balofos que serve para segurar bandeiras quando o Paulo Portas passa no Bolhão.
Não é que eles sirvam só para isto, eu é que não me lembro de mais nada.
Alegam, estes 30 desiludidos, que o grande mestre promove o "clientelismo" e por isso vão partir para outra praia.
A juventude centrista em causa é a de Setúbal. Pelas minhas contas, isso significa que deixa de existir JC em Setúbal.
E agora?
Não sei, não sei.
O choco nunca mais será o mesmo.
Agora a sério.
Compreendo que saiam.
Ideologia política há muito que não existe no Largo do Caldas, se já nem um emprego se arranja, o que ficam lá a fazer?
Talvez possam tentar o PSD.
Quem sabe aí a sorte da distribuicão de tachos, não seja tão madrasta.
A outra hipótese é arranjar um emprego.
...
Não, nada de dramas.
Tentem primeiro o PSD.

MST, expresso

Acho que vale sempre a pena ler o Miguel S. Tavares. Concorde-se ou não.
Esta semana vale a pena ler 3 vezes.
Pelo menos.





" A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho. "

Ainda assim, este verão vou tentar encontrar uns espacos pouco destruídos entre o alentejo e o algarve. Vá lá...nem tudo pode ser mau.

O início

Sim, eu sei.
Sim, também já ouvi essa.
Sim, são muito jogadores novos.
Sim, eles ainda não se conhecem e não têm "entrosamento".
Sim, maior parte dos titulares ainda estão a banhos.
Sim, já sei que é apenas o início.
Já conheco as rezas todas.
Agora...
O Ed Carlos e o Luis Filipe diviram 5 golos entre eles.
Na baliza do Quim e do Moreira, quero eu dizer.
Florindo, se isto não foi para o teu bloco de notas com um "= fora" à frente de cada nome, mais vale a pena voltares para os rodízios de paella.
Toca a ser prático e evitar erros de casting graves.
Agora ainda se desculpa, dentro de dois meses já não.
Mas eu repito.
Luis Filipe e Ed Carlos para fora!!
Longe, bem longe.
Menos que a Austrália considera-se "nas redondezas".

quinta-feira, julho 24, 2008

John, I have a mission for you


Primeiro a banda sonora.
Hummm...huummm...encontrei, aqui está ela.
Agora sim, posso comecar a escrever.
Sempre que me deito a sonhar gosto de ouvir esta música. Em "repeat" porque a música é pequena e os meus sonhos longos.
Significa isto que ouco o sr. Luis "dia sim, dia não". Poderia ser pior.
Uma colega disse-me há uns dias, que depois de ser mãe, repensou o sentido da vida e passou a valorizar aspectos, até então escondidos, nas 24h diárias.
Antes de meter terceiros nestas coisas, gostaria de pensar no sentido das 8h de trabalho.
Há 1000 (pelo menos) formas diferentes de contribuir para a sociedade. O básico, imagino eu, é apreciar o tempo de trabalho e conseguir ainda assim pagar as contas.
Não deve ser assim tão dificil.
É que bem vistas as coisas, são 40 anos (no mínimo) de enxada nas mãos. Convém encontrar algo com sentido, senão tudo se torna um inferno.
Durante o tempo que trabalhei em Portugal, vi mais papel do que electrões. Não era bem o que imaginava quando fazia exames com o osciloscópio ao lado.
De qualquer forma, o ambiente que por lá se vivia era do melhor que alguma vez vi e que dificilmente encontrarei noutras paragens.
Acho que isso compensava o papel.
Depois de alguns anos achei que devia fazer algo mais técnico, mais "mão na massa".
Os últimos 2,5 anos têm sido passados em ambiente de desenvolvimento e novas tecnologias.
Exactamente o que procurava.
Sinto-me "uau!" ?
Não. Nem por isso.
Por esta altura do campeonato (ou pelo menos dia sim, dia não) imagino que se algum dia trabalhar na NASA direi algo do género: "Sim, mandam os foguetes e controlam os satélites, tudo muito giro, mas a questão é....onde fica a cantina?"
Parece-me que o mundo da engenharia, com todo o seu fascínio, não tem aquela luz que eu imaginava.
Admiro escritores, jornalistas, políticos (poucos pá, poucos!). Engenheiros...huummm...não me lembro assim de nenhum que eu siga na sua especialidade (tirando amigos e familiares!).
Ahh...e o Sócrates não conta. Que eu saiba ele não se destacou a fazer pontes.
Este filosofar de verão, leva-me à profissão de sonho. Num mundo perfeito, essa profissão seria escrever os guias da Lonely Planet. Estou convencido disso. Hoje pelo menos.
De uma forma geral, acho que pagar a renda com aquilo que se escreve ou diz, deve ser um espectáculo. Jornalistas que não estão a recibos verdes: vocês são uns sortudos!
Ora, como toda e qualquer funcão que eu ache interessante me está vedada, o sonho de hoje aparece com a forma de: "Como criar as 8h por dia perfeitas?"
Creio que cheguei a uma conclusão.
Abrir uma agência de viagens de turismo alternativo.
A coisa está pensada e até parece lógica.
O mercado do "vá para Cancun 7 dias tostar dos 2 lados" está gasto.
Em Portugal a classe média está a desaparecer. Os mais pobres não têm dinheiro sequer para o Algarve e os mais ricos não vão para Varadero.
Abre-se um espaco para "férias activas".
Caminhadas nos Alpes, kayak no Adriático, dormir no deserto da Namíbia, encontrar ursos polares na ponta do globo, ver a Terra do Fogo, explorar rios em África.
Há uma série de possibilidades e pouca gente a fazê-lo a partir de Portugal. A Papa-Léguas domina sem rival.
Para tudo bater certo é preciso encontrar 4 pessoas não satisfeitas com o emprego.
Alguém simpático para falar com os clientes. Daquelas pessoas com paciência de Jó. Um financeiro para aguentar as contas e manter os pés do negócio no chão. Um guia de expedicão. Uma expécie de Rambo com gosto pela natureza (este já está!). Uma ou duas pessoas para reconhecer os percursos, estabelecer protocolos com os operadores locais e escrever os roteiros.
Um destes 5 camaradas tem que ser informático para fazer/actualizar a página na net (acho que pode ser o Rambo!).
E pronto...
Custou alguma coisa?
Ahhh...bolas...já me esquecia...o financiamento!
Apresenta-se um caderno bonito, quem sabe até um ppoint e as pessoas que distribuem o dinheiro do quadro comunitário de apoio não resistem. A fundo perdido, que eu também sou filho de Deus.
Está garantido!
Até já tenho o nome: "Sonho de uma noite de verão".
Mas admito mudá-lo para algo mais aventureiro como "passa-montanhas" ou "balaclava adventure agency". Neste último caso acho mesmo que o céu é o limite.
E agora fiquem com esta que eu vou digeri-la.
Ao almoco.
Sim, já são 11h.

terça-feira, julho 22, 2008

Stuff me!

Para ver.
Rever.
Respirar.
Pensar um pouco.
Ver de novo.
Pensar outra vez.
Passar em cada sala de aula depois do sumário.
Respirar.
Pensar mais um pouco.
Partir o cartão de crédito.
Respirar.
Ahh, e ver novamente.

A cela do Milosevic ainda está quente



Tenho uma certa admiracão pela profissão de advogado. A sério, tenho mesmo...

Imagino sempre um nobre cidadão que teve tempo para ler aquele calhamaco com as leis e usa esse conhecimento para defender os injusticados.

Despedidos sem justa causa, enganados por charlatões, fugas ao fisco, corruptos e mais uma série de causas com sentido.

Para mim, o advogado é o Robin dos Bosques sem collants.

Mas eu admito que tenho uns olhos simpáticos.

O advogado de hoje é o gajo que pensou "como é que posso fugir a matemática no 10 ano?" e a "evolucão" da justica, leva-o a procurar todos os buracos no tal calhamaco das leis para anular qualquer julgamento. Há uma cadeira em Direito que se chama "Como usar os buracos da lei em prime time". É o Nabais que a dá.

As escutas do "Apito" são o melhor exemplo. Eles disseram, eu ouvi, mas para o tribunal não vale. Elucidativo.

Pensava eu que os buracos da lei eram uma especialidade lusa, quando vejo isto.

O que se passa é o seguinte.

Karadzic, é acusado de:

"• Um crime de Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia)

• Um crime de cumplicidade em Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia)

• Um crime de exterminação, crime contra a humanidade

• Homicídio como crime contra a humanidade

• Homicídio em violação das leis e usos da Guerra

• Um crime de homicídio constituindo uma grave violação da Convenção de Genebra que regulam a conduta durante a guerra

• Perseguição

• Deportações e outros actos desumanos

• Infligir terror em civis

• Tomada de reféns. "

...

Nada mau para CV.

Se possível fosse destacar o horror entre horrores, o massacre de Srebrenica seria o momento.

8000 Bósnios triturados por balas naquele que foi o maior massacre humano que a Europa conheceu depois da II GG.

Claro que este animal não está sozinho no barco. Mladic foi o general que comandou o genocídio (e que continua em fuga) e os capacetes azuis da ONU também não ficaram bem na fotografia.

Contudo, a única coisa impossível de discutir é se ele é culpado ou não.

O que faz o zeloso advogado numa ocasião destas?

Eu diria para ficar em casa quieto ou pelo menos calado.

Sveta Vujacic, o defensor em causa, afirmou que Karadzic foi detido num autocarro na passada quinta-feira e mantido sob detenção até ter sido presente a tribunal na segunda-feira. Ao que parece, as autoridades apenas mostraram um distintivo antes de o encerrarem numa divisão.

"É absolutamente ilegal”, afirmou o jurista.

Sveta, com um CV destes, o que devias ter dito quando lá chegaste era:

"Ahh, não o cortaram às postas! Óptimo, óptimo. Que alívio! Vamos então preparar a sua defesa senhor Karadzic."

Tendências Outono/Inverno 2009

Canseiraaa...

sexta-feira, julho 18, 2008

Back to the Fountain Farm



Comeco por dizer que nada me move contra ciganos.

Bem pelo contrário.

Pretendo com isto evitar interpretacões racistas deste texto.

Quero escrever sobre uma questão de justica. Apenas.

E esta deve ser igual para todos. Ciganos, Angolanos, Ucranianos, Brasileiros, Chineses ou Portugueses.

Depois da salganhada que aconteceu na Quinta da Fonte, 200 ciganos acamparam na C.M.Loures exigindo um subsídio para procurar nova habitacão.

Têm medo de regressar às suas casas e acusam a comunidade Africana de os perseguir.

Até aqui tudo bem.

Quer dizer...tudo bem não. A situacão é triste e a reaccão de medo compreende-se.

Um advogado (daqueles que aparece sempre que cheira a horário nobre), que imagino eu, representava as famílias ciganas dizia que o presidente da câmara só tinha que "cumprir a palavra dada".

Ora, esta parte é que já me custa mais a perceber.

Pedir todos podemos, receber é que nem por isso.

Estas famílias já vivem em casas atribuídas pela ajuda social, é importante referir isso. O Estado Português já os ajuda, sem que eles facam qualquer contribuicão social.

O caso da comunidade cigana é particular. Por uma questão cultural um cigano nunca trabalha para outro alguém. Tudo bem.

Normalmente montam o seu negócio e vendem roupa.

Tudo bem.

Regra geral não pagam impostos (sim, eu sei que o Quaresma paga...) e não declaram qualquer actividade.

Já não me parece tão bem. E não consigo perceber como é que esta parte se encaixa no conceito cultural.

Chega-se pois a uma situacão peculiar.

Por uma lado, ou por uma questão cultural, determinada etnia recusa-se a integrar uma sociedade no que a deveres diz respeito, mas acha-se no total direito de recorrer a ela quando o assunto são os direitos.

Sejam ciganos, africanos ou nepaleses, não podem exigir sem contribuir, ainda por cima quando têm todos os meios para contribuir.

É esta a base de um estado social.

E o que se assiste é exactamente a destruicão desse estado, com injusticas claras.

Repetidas ainda por cima, já que as actuais casas também caíram do céu.

O que estas famílias podem e devem exigir é seguranca no seu bairro.

Essa é que é a obrigacão da C.M.Loures.

O resto, deve ser encarado como uma provocacão a quem trabalha e paga impostos.

quarta-feira, julho 16, 2008

domingo, julho 13, 2008

Bagdad

Assuntos resolvidos entre ciganos e africanos no meio da rua, ao tiro?
O que mais falta acontecer?
A política de gueto faz-nos o favor de explicar a cada dia que não funciona.
A integracão comeca com a mistura (com os demais) e com ajuda social.
Ajuda social não são subsídios. São bolsas para iniciar uma vida e são exigências de adaptacão ao mercado de trabalho. Ajuda em troca de responsabilidade.
Enfiar "rejeitados" num monte qualquer esquecido (como Salazar fez quando construiu a então distante Chelas) contribui apenas para o conflito e adia a integracão. Banalizar e generalizar o problema, é uma excelente ajuda para os movimentos nacionalistas.

sexta-feira, julho 11, 2008

1+1=3



Ai a saudosa D. Eduarda…
Por alguma estranha razão que desconheco lembrei-me dela hoje.
A D.Eduarda era a minha professora da 3a classe e posso hoje afirmar que foi a primeira mulher a deixar a sua marca na minha vida.
Mais detalhadamente na zona da palma da mão esquerda. Assim em jeito de trilho do eléctrico.
Também foi nessa altura que aprendi que a Molin fazia réguas rígidas e grossas. Quase inquebráveis.
"Tens sempre a resposta na ponta da língua" costumava dizer.
Sempre pensei que aquilo fosse um elogio, mas devia ter desconfiado quando as perguntas não incluíam a tabuada, verbos ou gramática.
Hoje em dia, prefiro imaginar que o que ela queria realmente dizer é que eu gosto de esgrimir argumentos, ou numa visão mais romântica, perceber a essência do Ser-Humano.
Invocando a sempre presente D.Eduarda, respondi à pergunta: "Almocamos cá dentro ou na esplanada?" com um rápido "Cá dentro!"
Surpreendido, o viking diz: "Mas Tiago, estamos em Julho pá!!" ao que me vi forcado a lembrar: "Sim, mas estão 14 graus camarada!"
"E então? É julho…não podemos estar dentro de paredes."
A bem da "integracão" e "novas experiências" acedi.
A esplanada estava cheia de gente com t-shirt, calcões e chinelos. Eu tinha um cobertor. Estava um frio de rachar!
Ainda pensando que aqueles personagens eram diferentes, vesti o meu casaco de chuva e pedalei para casa. No caminho, passando nas avenidas principais, vi centenas de pessoas de t-shirt, raparigas com saias um pouco acima do cinto, sapatos na mão e pés descalcos na calcada.
Claramente todos viviam um cenário de verão.
Sorriam e gesticulavam.
Pareciam alegres.
Havia movimento.
Um típico dia de verão.
Daqueles de Julho.
Mas estava frio.
O chão ainda espelhava a chuva recente.
As nuvens não deixavam passar o mais mísero raio de sol.
Julho com sabor a Novembro, isso já me parecia mais lógico.
Talvez seja eu o esquisito.
Ou será que estavam a filmar o novo James Bond e eu atravessei o set durante a parte das Caraíbas?
Talvez tenha sido isso.
A ver se o meu nome aparece no próximo genérico.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nem tomaram o pequeno-almoco...


Não quero ser populista ou habitante de paragem de autocarro.

É óbvio que a fome em África não desaparece se a malta do G8 comer papas de Nestum.

Mas mesmo assim tenho que dizer isto...

Era mesmo necessário encher o bandulho com uma ementa de 24 pratos, caviar e trufas enquanto se discutiam os quilos de arroz a enviar para a Somália?
Levaram pelo menos tupperwares para trazer os restos?

Esta, custa um bocadinho a papar...

terça-feira, julho 08, 2008

Passas tu ou passas tu?


A nocão de espaco físico, pensava eu, é proporcional à dimensão física de quem o avalia.
Um lutador de sumo evita ruas estreitas, um etíope evita pradarias ventosas.
Esta era a lógica que imperava na minha mente.
Os meus bons camaradas Vikings fazem o favor de me explicar o contrário dia após dia.
Comeco por explicar que menos do que 1,85m é considerado "anão". Significa isto que o quotidiano é preenchido com postes de 2 metros, circulando de cá para lá.
Prova-se por A+B que, para cada um destes postes andantes, a necessidade de espaco é tanto menor, quanto maior for a distância do pescoco ao solo.
Há alguns exemplos clássicos. Comecemos com o da porta.
Se algum dia passarem por uma rua sueca a pé, facam a seguinte experiencia: não se desviem, não dêm passagem em portas e nunca segurem a mesma.
Inicialmente desviava-me, dava passagem e segurava portas.
São regras básicas (do mundo conhecido como "civilizado") e não tão raras quanto isso nas ruas de Lisboa.
Ao fim de algum tempo (meses...) achei que era altura de parar.
Para um sueco, alguém abrir uma porta e ele passar é a coisa mais natural do mundo. Agradecer nem por isso. Lembrar de deixar a outra pessoa passar é virtualmente impossível.
Muito bem.
Resolvi entrar no esquema.
Deixo cair a porta na cara das pessoas, nunca me desvio e passo à frente de todos os que consigo.
Acho que tenho algum talento.
Largo portas como poucos.
Tenho que me lembrar de tirar o modo "viking" do chip quando aterrar na portela, senão passo o dia a ouvir adjectivos para a minha mãe.
De vez em quando chocamos uns com uns outros, largamos um "förlåt" (desculpe) e cada um segue o seu caminho.
É como jogar hóquei no gelo em cada corredor do escritório.
O engracado é ver como mamutes de 120Kg tentam passar mal a porta se abre 20cm. Epá...não dá! Não percebem isso? Ainda se fosse um chinês...
Outra, também clássica, é a fila para pagar no supermercado. Tenho para mim que os Vikings deixam a panela ao lume e vão a correr comprar o arroz. Parecem sempre aflitos. Não conseguem estar mais do que 10cm afastados na fila. E atencão que isto é gente para calcar 47. Ainda estou a meter as compras na passadeira já tenho um par de skis a raspar nos calcanhares.
Esta manhã, na fila para pagar o almoco, estava um velho tão perto, tão perto, tão perto, que lhe conseguia sentir o hálito. Neste caso nem 10m me teriam safo...o velho tinha comido pele de búfalo com molho de cebola, logo pela fresquinha. Que bafo senhores...
Agora com a vossa licenca, vou vestir as cotoveleiras que tenho que ir às compras.

segunda-feira, julho 07, 2008

O Pomar



Pergunto-me quantas cestas de fruta terão Pinto da Costa e Valentim Loureiro distribuído ao longo de duas décadas.
Deve ser coisa para encher uns quantos pomares.
Porquê tanto medo? Existirão assim tantos entalados?
Há uns anos foi descoberto um cheque assinado por PC para que um árbitro fosse ao Brasil com uma agência de viagens de um dos patrocinadores do clube.
Pode parecer ingenuidade…mas cheirou-me a corrupcão na altura.
Quer dizer, eu também tenho bons amigos, mas no máximo oferecem-me uma imperial.
Alguns gritos e o caso foi abafado.
Passados uns anos aparecem escutas com tudo e mais qualquer coisa.
Entre saltos e cambalhotas, o facto de as escutas não serem válidas em tribunal passam a ser argumento de defesa.
Nunca se disse que eram falsas, montagens ou que não queriam dizer bem aquilo…não, apenas que não eram válidas em tribunal.
Isto é o mesmo do que abrir uma linha telefónica para o crime organizado. As provas, ali tão perto, ao abrigo da lei não servem de nada.
Mais umas gritarias e os comprados do costume arranjaram umas penas à medida de PC.
6 pontos e 2 anos sem ser dirigente. Uau…imagino a garrafa de chamapanhe na Areosa.
Chico-espertos como são, esqueceram-se que ao não recorrer admitiam a corrupcão. Não é que não fossem corruptos, esqueceram-se foi de continuar a mentir.
Ao ver a barraca com a UEFA, toca de comecar a mexer os fantoches locais, com Madaíl à cabeca.
Entretanto, junta-se uma malta no conselho de justica para decidir sobre os recursos de PC e do Boavista.
O presidente do mesmo é um jovem que nas horas vagas brinca aos vereadores com Valentim Loureiro na câmara de Gondomar.
No resto do tempo decide sobre recursos do Boavista.
Ahn?? Terei percebido bem??
Incompatibilidade é a primeira coisa que me ocorre.
A segunda é que este jovem tem uns belos pomares.
De qualquer forma, os demais conselheiros acordam e dizem ao jovem para se pôr ao fresco.
Elementar.
Levanta-se o circo e o fantoche comeca a gritar que os demais não podem decidir sem ele.
Ai, ai…o que dirão os teus padrinhos?
Madaíl volta à cena (hoje), para dizer uma mão cheia de nada. Um inquérito ao que se passou na referida reunião foi o grande anúncio.
"Quando não queres que algo aconteca, cria uma comissão", já dizia esse outro benemérito chamado Salazar.
Para qualquer lado o cheiro a corrupcão é por demais evidente.
São apenas dirigentes de futebol, como podem assustar tanta gente com responsabilidade?
É altura do Estado meter mão nisto.
Estado, ONU, Platini ou o exército de libertacão do Suriname.
Tanto faz.
Corram é com esta escória.


Ps - No que diz respeito a bola na relva, quantas páginas e dias mais têm os jornais reservados para a viagem de Rui Costa a Saragoca para contractar o Aimar? Rapaziada, são 900Km e o Maestro não vai de camelo pá! Já não dá para esticar! Mudem lá de assunto.

sábado, julho 05, 2008

Put da crim



Que este gajo queira esticar de toda e qualquer forma o estilo de vida "pagar-a-renda-sem-trabalhar" eu compreendo perfeitamente. Que a D.Quixote entre no jogo, já me parece mais perigoso. Só falta agora o "livro" ser um sucesso e os jornais dizerem "nasceu um escritor". Num país tão pequeno, a velocidade com que absorvemos e damos crédito a lixo, é impressionante. Para não dizer desesperante.

terça-feira, julho 01, 2008

Dressed for success (não me digas que não ouvias quando tinhas 14 anos??)




Um dos meus grandes sonhos é um dia ser o "gajo do laptop".
O "gajo do laptop" é aquele personagem que vai para as reuniões lideradas por outro alguém com um computador portátil, passando de imediato e em surdina a mensagem de que "não se pode desligar nem 10 minutos porque senão o mundo desaba".
Sempre quis ser um gajo destes.
Pelo menos os óculos já ca cantam.
Acho mesmo que basta entrar na sala e fazer um pouco de barulho com as teclas (enquanto os demais falam sobre o tema comum da reunião) para ganhar esse estatuto.
Repare-se. Não é apenas aquela cena do "sou muito ocupado", é também a tentativa de convencer os demais que se ouve (e percebe) um assunto com uma parte do cérebro, enquanto o resto da massa cinzenta dá ordens aos dedos para produzirem uma bela prosa ou aos olhos para lerem patacoadas.
Marcelo, essa ideia de que escrever com os dois bracos ao mesmo tempo te transformaria num prodígio, cai agora por terra, sim?
Aqui há atrasado (uma expressão "para lá do Mondego" dá sempre outra vida ), sentei-me ao lado do "gajo do laptop" mais conceituado aqui do tasco.
Sempre temi pela saúde dele. Marreco, parece carregar o peso do mundo nas costas. Um Karagounis de óculos e bigode não-sei-se-rapo-ou-deixo-crescer-para-parecer-ainda-mais-homenzinho.
Apesar de não ter computador, também não prestei atencão à reunião. A minha missão do dia estava definida e era perceber que decisões não podiam esperar 10 minutos.
Discretamente fixei-me no monitor do dito.
Aqui há que fazer um reparo, se há personagem que consegue ser discreta a olhar sou eu.
Bafejando na sua nuca, vejo-o de tempos a tempos a passar o dedo no rato para evitar o "screen saver". Este é o primeiro e importante passo. Estando qualquer coisa aberta, dá logo impressão de trabalho.
Sabendo que só isso não chegava e vendo que os demais já olhavam com desconfianca, avancou furioso para o teclado.
Vai redigir a mocão de censura da ONU para o Mugabe, pensei!!
Não, parece que não.
Abriu o "mail" e comecou a escrever para um alemão, que por acaso eu sabia quem era.
Diz-lhe em tom muito irritado (sim, um texto também tem tom!): "Olha lá Zé Fritz, ainda espero por aquele documento que disseste que enviavas há 5 minutos atrás!!"
Assim percebo.
Nem estou a ver como o mundo continuaria redondo sem este contributo.
Ainda bem que ele não esperou mais uns minutos e nos ofereceu aquela pianada "in loco".
Escrever isto 10 minutos antes ou depois, seria o mesmo. Melhor, seria tão importante como não escrever nada, já que a pessoa em questão é certa como um relógio suico. Mas o que é a eficiência comparada com o espectáculo?
Nada meus amigos. Nada.
Aposto que há uma lista de "mails" pensados para enviar em cada reunião e optimizar assim a técnica de encher chouricos.
Se os outros vêm o visor, saca-se do "mail" para fornecedores, se estão do outro lado da mesa, "mail" a reservar as férias. O importante é fazer cara de chateado e bater ardentemente nas teclas.
No mundo das multinacionais, onde a medíocridade é mais fácil de esconder, basta um portátil, um par de óculos e alguma "power point engineering" para se ser rei e senhor.
Apetece-me ir para o Alentejo ver o mar!

quinta-feira, junho 26, 2008

Istambul














Vista sobre o bairro Sultanahmet














Para a posteridade com as filhas do Batman















Sem o Ricardo também eu...















Fim do estreito do Bósforo e início do Mar Negro














Aya Sofia













Bazar das especiarias













Cisterna Bizantina (cenário de From Russia with Love)















Sahiba e Azime














Mesquita azul















Mar da Marmara





O relato fica para mais tarde.
É uma cidade imperdível.

segunda-feira, junho 23, 2008

I'm going to Martinica



Ouco as notícias do dia.
Apanho a coisa a meio…"foi emitido um mandato europeu de captura e ..."
Olá…alguém que se pôs ao fresco!
Mas quem? Quem?
A Felgueiras outra vez?
"...Vale e Azevedo, vizinho de Abramovich no bairro mais caro de Londres. Administra uma empresa que negoceia etanol em parceria com Glen Holden, um ex-administrador da SAD do Benfica entre 97 e 2000. Desloca-se de Bentley com motorista Argelino..."
O crime compensa em Portugal.
Já são exemplos a mais: Vale, Felgueiras, Valentim, Avelino, Alberto João, o número 2 do PSD-Madeira (o gajo que vendia retretes), Isaltino, Mata Cáceres…
Temos, não o que merecemos, mas aquilo que permitimos.
Na semana passada ouvi alguém (do Ministério Público deduzo) dizer que o Vale estava em paradeiro incerto.
O Correio da Manhã descobriu-o em Londres a viver um conto de fadas há 2 anos (à atencão do Ministério: deve ter sido necessária uma investigacão complicadíssima!).
Entretanto, anunciam por todo o lado que se ele não estiver em casa à espera da Scotland Yard vai ser difícil apanhá-lo porque o "mundo hoje em dia é muito grande e viajar é fácil".
Certo. Também tenho reparado no crescimento do Globo….há mesmo quem diga que Aljezur está quase paredes-meias com Meca.
Seria até atencioso mandarem um postal ao dito: "Olhe, vamos a caminho! Se quiser dar corda aos sapatos, lembramos que a Air France está com umas promocões óptimas para Martinica".

E porque o Sol fugiu daqui...



Apetece-me escrever.
Pela janela só vejo cinzento e isso pede um pouco de fado.
O euro…vamos a isso.
Melhor ainda, vamos resumir o fracasso com um nome: Ricardo.
Fracasso porquê? Porque para uma seleccão como a nossa as meias finais eram o objectivo mínimo.
Vencer o europeu nunca me pareceu possível. A seleccão não tem avancados e muito menos um guarda-redes capaz de garantir os servicos mínimos.
Os defesas (apesar do P. Ferreira) e os médios são do melhor que há, mas não chegam para tudo.
O desiquilibrio é grande.
No início escrevi que ainda iríamos chorar a lesão do Quim e não me enganei.
Não é que ele seja um fora de série (e provavelmente o Scolari optaria sempre pelo Falsete), mas claramente não compromete uma equipa inteira.
Os alemães passaram a semana a dizer que o Ricardo era o elo mais fraco da seleccão e que nos cruzamentos cacava borboletas. Que novidade…
Limitaram-se a dizer o que todos já sabíamos.
E o que fez aquele rapazito para provar o contrário?
Nada. Rigorosamente nada.
Em vez de sair às bolas determinado, ao murro, pontapé ou cabecada (ai, meu rico Bento!!), ficava sempre a meio caminho, de cócoras, olhos fechados e encolhido.
Sim o Ballack fez falta, sim o P. Ferreira parecia um passador e sim a seleccão deu meia hora de avanco aos alemães, mas não tenhamos dúvidas que foi o Ricardo que entregou a eliminatória.
Eu imagino a cara dos restantes que tinham que correr atrás do prejuízo de cada vez que o Ricardo metia água.
Também imagino as palavras.
A um guarda-redes de uma seleccão como a Portuguesa não se pedem milagres ou feitos extraordinários. Não tem que ser um Buffon…basta não enterrar e os outros 10 fazem o resto.
Tirando aquela defesa sem luvas no Euro2004 (que ninguém lhe exigia), o Ricardo já comprometeu o suficiente para uma geracão (vejam o vídeo com os golos da Alemanha e o da Grécia na final do Euro2004…são iguais. Significa isto que em 4 anos a evolucão nos pontos fracos foi nula).
Ficaram também alguns mistérios por esclarecer…
Porquê entregar a bracadeira ao ronaldo quando ele claramente ainda não é um líder da seleccão? Porque passou o Quaresma ao lado da competicão? Logo ele que chegou lá em excelente forma? Não existe um lateral esquerdo em Portugal?
De qualquer forma, reconheco que estamos a galáxias de distância das seleccões que até meio da década de 90 nem as fases finais atingiam. Estar lá deixou de ser questão e ganhar a competicão passou a ser um objectivo.
Um salto enorme em 12 anos, para o qual Scolari contribuíu muito.
Tenho pena que se vá embora, apesar da convocatória incluir os amigos e não os atletas em melhor forma.
Facam-me um favor e deixem de fora nomes como Manuel José, Carlos Queiróz e outros que tal.
Essa treta do "tem que falar português" já não faz sentido.
Não podemos voltar atrás no tempo…
Precisamos de milagreiros como o Guus Hiddink ou o Leo Beenhakker. Gente que mete malta a correr….
Dificilmente arranjaremos outro grupo de qualificacão tão fácil, outro grupo na fase final tão chacha e eliminatórias tão acessíveis.
Franca, Holanda, Itália, Espanha…e Gregos. Todos do "outro lado".
Até à final, a Alemanha era a única equipa que poderia assustar.
Não assustou ninguém (excepto o Ricardo).
A história deu-nos mama dois europeus seguidos e por duas vezes, mandámos a sorte fora.
Scolari, já que vais andando, obrigado e até qualquer dia. Ganhaste o teu lugar no Rectângulo.
Para quem chega, read my lips: "é preferível um espantalho no centro da baliza com os bracos bem abertos, do que o Ricardo na sua eterna busca pela borboleta perdida".

terça-feira, junho 17, 2008

Catch James, if you can



No que toca a escolher heróis sou relativamente simples.
Não me interessa se voa, corre muito ou parte rochas com os dedos.
É o passaporte do dito que me desperta a atencão.
Um gajo cheio de carimbos merece a minha admiracão.
Há quem resolva seguir os passos do Profeta, percorrer o trilho do Che ou imitar o Willy Fog.
Tudo muito giro.
Pensei, pensei, pensei.
Concluí que seguir os passos do James Bond é que é a "cena" para mim.
Dediquei uns bons 39 segundos a este pensamento e atribui-lhe o título de "objectivo de vida segundo a minha disposicão no dia 17 de Junho".
São 21 filmes com uma média de 4 destinos por película.
É fazer a conta como dizia o poeta.
Isto é que é herói.
Há aqui um puro e desinteressado talento na escolha do modelo a seguir.
Parece-me claro.
O vigésimo segundo filme vem a caminho e já ouvi falar na Bolívia.
Muy bien.
Em cada regresso a Portugal, peixe grelhado e uma banhoca no set de "On Her Majesty's Secret Service" .
"Esta é de borla!", como dizia um antigo professor.
A semana passada acabou com vista para "The world is not enough" e amanhã, darei uma ajudinha ao velho Sean em "From Russia with love".
Todas as semanas deviam ser assim.
Tudo em nome do meu ídolo de infância.
Claro.
De set em set, até igualar os passos do mais desenrascado dos heróis.
Afigura-se no entanto difícil a minha missão.
De 2 em 2 anos, mais 4 destinos enchem a lista e o meu período de férias nem por isso aumenta.
Sim, eu também acho uma injustica.
A semana passada pensei mandar o meu cv para a Lonely Planet.
Trabalhar com guias de viagem, tendo em conta o tempo de "reconhecimento" mais escrita no local, parece-me ser uma aposta de futuro.
Entretanto lembrei-me que tinha que pagar a renda e congelei o pensamento.
Lá voltarei.
Mas não desisto do objectivo de vida criado no presente dia.
A não ser que me lembre de um novo amanhã.
Até ver, os passos do Bond são como os diamantes, eternos.
A minha vontade também.
Sean, aguenta o barco!
Até para a semana.


segunda-feira, junho 16, 2008

Neighbor's chicken is better than mine




Um dos grandes temas que envolve a Humanidade em geral, e os meus colegas em particular, é a discussão sobre as borlas no local de trabalho.
O café é grátis, a fruta é grátis, o chá é grátis.
De quando em vez também aparecem uns bolinhos e uns almoços grátis.
"Grátis" é uma palavra bastante apreciada por aqui.
"Forreta" também.
Um sueco se for de férias 1 semana aluga a casa para não perder dinheiro. E isto é mesmo assim...
O facto de terem tudo mais ou menos garantido deixa-os mal habituados. Parece-me.
Na escola a comida é de graça mas queixam-se da qualidade.
No trabalho o café é oferecido, mas não vem do Brasil.
As bananas são porreiras mas vêm da Costa Rica. Queriam Chiquita do Panamá.
Alguns pensam que o Panamá fica perto de Gibraltar.
Mas querem as bananas.
Na cantina por onde passei, todas as refeições tinham arroz e batata frita. O brinde era saber o que acompanhava. Na altura achava aquilo porreiro, afinal, nem 400 paus custava...se fosse de graça nem perguntava "o que é isto na sopa?".
Sempre que vou a reuniões fora do mundo Volvo, noto que os primeiros comentários dos meus colegas vão sempre para a máquina de café.
"O vosso é muito melhor!" dizem repetidamente.
Big Mac, se me ouves aí em Detroit, tu que andas sempre a contar os trocos, começa por cortar despesas nas máquinas de café.
Ao que parece eles não gostam mesmo e ainda poupas 15 paragens por dia para café e xixizinho.
Vai por mim que sou cigano.
No que me diz respeito não olho a nomes.
A cavalo dado não se olha o dente, diz el pueblo.
Eu ainda estou na fase do "De graça??A sério??", quem sabe se daqui a uns meses não exigirei também chocolate, mas do belga!!
Mudando o flanco ao jogo (adoro pincelar o texto com uma ou outra expressão do mestre Gabriel), acabo de ver esse encontro de amigos entre a Áustria e a Alemanha.
Em nome da decência, o resultado certo seria (-)2(-)2. Atente-se na escala real.
Ambas (sim Luís, as duas) as selecções jogam entre zero e nada.
A oferta "Kinder supresa" do Europeu está feita e foi para a Suiça.
Contra os alemães a palavra de ordem é "cilindrar".
Menos ais, menos ais...
Scolari já vimos do'qui cê é capaiz
Para ganhar é preciso ter fé
e bola no pé...iô!
Big Mac, mestre Gabriel e Pac Man. Arrisco na erudição.
Muito importante também, evitar cruzamentos ou qualquer outra situação que envolva o Falsete.
Ele não toca. Nós ganhamos.

sexta-feira, junho 13, 2008

Tempo de partir


Bom fim-de-semana.

Shaken, not sturbed



Acabou o bloqueio dos camionistas.
Quatro dias ao estilo Guatemala.
Atropelos, pedrada, polícia e palavras de ordem.
Lino anunciou o acordo e parecia satisfeito.
Mau sinal para a malta do volante, pensei.
Na rua dizia um camionista: "o governo oferece-nos uma mão cheia de nada!"
Pediam 30% nas portagens 24h por dia.
Ui, ui, ui meus amigos.
As portagens. Logo nas portagens.
Lino foi falar com os grupos privados que controlam as estradas.
Pediu uma reduccão nas tarifas e prometeu mais tráfego (ou seja, disse que tudo ficava na mesma).
A Brisa chegou-se um bocadinho à frente e disse que aceitava uma reducão desde que esta não ultrapasse o tecto dos 2,5 milhões. A partir daí fica por conta do estado.
A Aenor (Mota-Engil / Jorge Coelho) e a Lusoponte (F. do Amaral) ainda não se mexeram mas vão também fazer pela vida, mediante contrapartidas.
Estes grupos privados, que já se agarram à mama do Estado como panda no bambu, aceitam mexer um pouco nos lucros monstruosos, a troco de pequenos rebucados chamados "aeroporto de alcochete", "3a ponte sobre o Tejo" e "TGV".
Na prática, esta crise dos transportes vai apenas gerar mais lucros às concessionárias/construtoras.
Os camionistas ficam mais ou menos na mesma e o governo larga mais uns milhares para os grupos do costume.
Há que mexer e agitar, para ficar tudo na mesma.

terça-feira, junho 10, 2008

Stop and stare



Aqui há uns dias tive uma visão que teima em desaparecer do meu espírito.
Estava num seminário e saía da sala de conferências a pensar no dia de ontem.
Cá fora, deparo-me com um ser estranho cujo género me parecia dúbio.
A 10m notava a forma do cabelo. Preto, escorrido, a fazer aquela conchinha gira. É uma mulher. Ou o Nuno Gomes.
Alguns passos depois comecei a descobrir um bigode.
Mais dois passos e confirmei a cara de mulher.
Abrandei o passo com medo.
Um metro depois percebi que o bigode era grosso e espigado.
Muito perto da personagem não consegui desviar o olhar.
Era uma mulher sim, com um bigode bem farfalhudo e rapado 15 dias antes.
Nestas situacões não consigo olhar discretamente.
Páro de andar e fico a olhar com cara de parvo.
Aquilo era uma coisa inacreditável.
Acho que até fiz olhos de chinês e aquela cara de "arghhh que nojo pá!!!".
Desde então as palavras "bandas" e "cera" aparecem em todos os meus sonhos.
Porquê meu deus? Ainda por cima estava a dirigir-me para o almoco…
Esta imagem está a aborrecer-me tanto que resolvi usar a terapia da partilha.
Bom almoco.

domingo, junho 08, 2008

Empurra, com força e para fora!


A manifestação de alunos que vi nestes dias nos noticiários, foi das coisas mais tristes a que já assisti.
Nada contra o direito que qualquer um de nós tem de se manifestar, mas convenhamos, ver putos de 10 anos aos gritos levanta logo aquela questão básica: sabem porque reclamam?
Não, não sabiam. E é óbvio que não podiam saber. Se soubessem não tinham 10 anos. Torna-se também lógico que os miúdos foram usados como arma de arremesso, por parte dos graúdos. E aposto que não foram os pais...
Se assim não fosse, que sentido faria reclamar o estatuto do aluno (admitindo que há algo para reclamar...) 10 meses depois da sua aplicação?
Voltando a quem mexe os cordéis, os professores, estranho estes gritos constantes. Não foram eles que assinaram o acordo para este ano? Porquê tanto banzé antes de cumprirem o primeiro ano de avaliações a que se comprometeram?
Há ainda um problema de fundo que não consigo perceber, e aqui, incluo também a oposição para quem, na falta de opções, usa esta agitação como um oásis político: para quem não concorda com a avaliação (professores e oposição) qual é a alternativa? Ainda não ouvi ninguém dizer que o modelo do governo não presta mas que este, aquele ou o outro seriam melhores. Não chega gritar e dizer não. Há que sugerir novos caminhos, caso contrário, debate-se a demagogia e os interesses do momento. Não se avança. Mas aqui também não há novidade.
Eu percebo que um professor não queira ser avaliado. Só gostava é que explicasse porquê. Não quero, porque não, ensiram-me em pequeno que não consta dos manuais de respostas.
Todo e qualquer profissional é avaliado. E sim, uma avaliação é quase sempre injusta, mas estamos todos sujeitos a elas. É a única forma conhecida (mesmo com as injustiças praticadas) de separar quem trabalha de quem se coça nas paredes. Quererão os professores um reconhecimento de classe como aquele que Alberto Garden aplicou na off-shore? "Aqui, não se aplica nenhuma avaliação de professores este ano!! Todos foram já avaliados e com muito bom!!"
Camaradas, nem o Estaline se lembrava de uma destas. Todos diferentes, todos iguais. Que motivação tem um profissional quando sabe que o esforço tem a mesma recompensa que a inutilidade? Décadas de administração pública com progressão por idade não nos ensinaram nada?
Sou o primeiro a defender a luta sindical e a reinvindicação de melhores condições para qualquer classe profissional mas a Fenprof não procura nada disso. Defende a mediocridade e a limita todo e qualquer tipo de evolução. E têm conseguido.

1,20m


Agora que me habituei a ver a nossa selecção em fases finais, crio sempre expectativas próximas do "tragam a lua sff".
Emocionalmente é sempre assim.
Mas quando o jogo se aproxima começo a pensar nas nossas falhas e a justificar o porquê de uma ilusão ser, afinal de contas, uma ilusão.
É o típico fado.
Desta vez lembrei-me da nossa qualificação.
Chegámos aos queijinhos sem ganhar a um único adversário directo. E aqui falo dessas potências da bola mundial chamadas Polónia, Sérvia e Finlândia.
Durante 2 anos, esta seleccção mostrou ter apenas uma táctica. O Scolari baptizou-a de "Ronaldo toma a bola e desenrasca-te".
Jogo de equipa recebia sempre a mesma resposta. Quê??
Assim sendo e vendo que estávamos num grupo onde as vedetas vestiam todas de quinas ao peito, imaginei a catástrofe perante equipas aguerridas que valem pelo seu conjunto.
Quando hoje me sentei com um grupo de amigos, acompanhados da saudosa superbock, estava longe de imaginar o manjar que me seria servido.
Ronaldo desapareceu e a equipa jogou como uma verdadeira equipa.
Suor e sacrifício do primeiro ao último minuto.
Um grande jogo de quase toda a gente.
Quase porque o Ricardo estava lá.
Das poucas vezes que teve que tocar na bola explicou a todos porque é que não devia lá estar.
Um cruzamento para o meio dos centrais faz o "labreca" largar a chamada pinguinha na cueca.
Ou muito me engano, ou ainda vamos chorar o Quim.
Uma surpresa chamada N. Gomes. A falhar como de costume, mas a lutar por cada bola.
Um super-Pepe a justificar a camisola.
Um míudo de 21 anos, com 1,20m de altura, a encher todo o meio-campo. João Moutinho, és o maior!
Hoje, até deu gosto.

quarta-feira, junho 04, 2008

Haben sie wasser ohne borbulhas? Da torneira pá!

Contrariando as minhas primeiras impressões, Estugarda revela-se uma cidade de detalhes em cada curva.
O clássico e o contemporâneo lado a lado, naquela que é uma imagem de marca da Alemanha bombardeada.
O design forra os cafés e restaurantes.
O inglês é uma língua gira mas nunca ouviram falar nela.
Dos 15 aos 90: "Ich spreche kein english".
E apontar consegues?
É o que safa. A linguagem visual.
As bandeirinhas vindas da China enchem os carros locais e antecipam o Euro.
Cada um coloca a sua.
A Alemanha é um pais cheio de emigrantes. Muitas nacionalidades.
Já que embarcaram na onda das bandeiras (imagino que em Portugal as janelas estejam cheias...), seria de esperar uma grande variedade de cores ao vento.
Turcas pelo menos...
No entanto, além da bandeira local, ainda só vi outra nos carros que deslizam pela cidade.
Vejam lá se adivinham qual...
E muitas.
Sim, a nossa comunidade deve ser grande por estes lados.
Também já ouviram falar em água, mas só a usam para o banho.
Matar a sede é virtualmente impossível.
Da torneira sai ferro em estado líquido, nos cafés só aparece água com bolhas e quando a sensação de Sahara me atravessa a garganta não tenho outro remédio senão beber Evian.
Beber Evian ou água acabadinha de sair do ferro de engomar é aquilo a que alguém chamou "même merde".
Cheguei com sede e provavelmente só a vou matar quando regressar à Suécia.
Mas, o que eu queria dizer mesmo, é que Estugarda é uma cidade catita, ou num Português mais cuidado, jeitosa.
Agora com a vossa licença vou comer um joelhinho de porco para saciar a sede.

segunda-feira, junho 02, 2008

Skrea Strand ou "Só faltava o gajo da língua da sogra"


O que se passa aqui é muito simples.
Sol, muito.
Água cristalina.
Praia de areia.
Mas não é daquela areia das obras.
Areia que aconchega.
E onde?
Comporta? Malhão? Galé? Caparica?
Não.
Aqui mesmo ao virar da esquina, numa terreola a sul de Gotemburgo.
Parece que já lá está há alguns séculos.
Eu descobri-a ontem.
Foi como estar em casa.
Dizia-me um colega esta manhã: "Destesto areia! 5 minutos e fico com os calcoes, os pés...ahhh...areia por todo o lado!! Prefiro as praias de rocha."
"Mas não achas que é mais suave para a soneca na areia ?", insisti.
"Sim, é...mas depois entra areia para os calcões, e para o cabelo e ahhhhhh!!"
Tal e qual.
Raspei-me na areia como se fosse um sarnento.
Praia, com areia e perto de casa?
Quase 30 graus no início de Junho??
O que é que se pode pedir mais?
Golos ao Nuno Gomes?
Não abusemos da sorte...
(Ps - O estaminé fica encerrado para descanso do pessoal durante a semana. É tempo de ir comer salsicha fresca e cevada de litro mais a sul)