sábado, maio 31, 2008

sexta-feira, maio 30, 2008

Tiago Johansson, o viking




1 - Fiz 5 pausas para café e bolos.
2 - Combinei um jantar com um mês de antecedência.
3 - Verifiquei a previsão do tempo para sábado
4 - Almocei às 11
5 - Encostei-me a uma parede com cara de parvo a apanhar sol
6 - Disse que na Noruega é tudo muito caro
7 - Cuspi 2 vezes para o alcatrão
8 - Numa reunião sugeri outra reunião para agendar uma nova reunião
9 - Quando me pediram para escrever um mail respondi que "ia tentar, se tivesse tempo"
10 - Saí antes das 15h porque tive um dia muito stressante

quinta-feira, maio 29, 2008

terça-feira, maio 27, 2008

The cuspidela



O sol parece não querer abandonar as terras escandinavas.
Dias bonitos, sem chuva, um sol agradável e a t-shirt eleita novamente como toilette diária.
A saudade do pastel de nata esfuma-se (mas não desaparece) quando à simplicidade do dia se adiciona uma gota de sol.
" É mesmo isto! ", penso admitindo que a busca chegou ao fim.
Apesar da alegria interior, comporto-me de forma que, pelo menos para os meus padrões, me parece normal.
Gosto do sol, mas ele não me é estranho.
Muito menos novidade.
Já os locais não pensam o mesmo.
Cada raio de sol é aproveitado como se fosse o último.
A pele de bébé desaparece aos 30 anos e aos 50, é normal ver mulheres com 500 rugas por cm2 na zona do pescoco. Ficam com a pele em estado cortica, mas não perderam 1 minuto de sol.
Basta andar pela cidade a observar.
Pessoas encostadas a uma parede durante a hora de almoco.
O gajo do lixo estaciona o camião, tira a camisola e estende-se num banco.
A miuda na paragem do eléctrico, parada, de olhos fechados, virada para o sol como se uma estátua fosse.
Gente de biquini nos parques da cidade.
Não há ninguém no espaco interior.
As esplanadas enchem.
E atencão que o termómetro nem marca os 20 graus.
Em Lisboa, apesar dos 8 meses de sol, é raro ver tamanha devocão.
Há malta que anda despida e tal, mas é só ali na Av. do Brasil, perto daquela casa grande cor-de-rosinha.
De entre as formas que os vikings têm de abracar o sol, há uma que me diverte particularmente.
Mal o termómetro ultrapassa os sufocantes 18 graus, descalcam-se.
Andam pela cidade de chanatas na mão.
Não há o chamado cócó de cão semeado pelos passeios, o que desde logo, evita o slalom ginasticado e aquele desconforto de recorrer ao pauzinho de super maxi na sola dos pés.
Isso é óptimo sem dúvida.
O problema é que toda a imundice que não existe no dejecto animal é compensada com o vazamento pulmonar, also known as, the cuspidela.
Cuspir está para um sueco como cocar para um taxista com calca de vinco.
Eles e elas, passam o ano a forrar o pavimento para nos meses de verão calcarem a obra.
Por mim, tudo bem.
A este propósito, relato ainda a sofreguidão do passeio aqui em frente ao estaminé.
Depois de passar o portão da Volvo, tenho que andar não mais de 50m em alcatrão antes de entrar no escritório. Nesse percurso, faco o possível por me desviar das bombas da manhã.
Imagino-os sempre antes de entrar para o escritório: "Argghhh…só posso cuspir daqui a 3h….vou aproveitar cada metro deste alcatrão!!"
É penoso.
Fazê-lo descalco…ainda deve ser mais.
Mas enfim.
O sol está aí.
Vale tudo.

segunda-feira, maio 26, 2008

O vaso



Não há forma de fugir ao festival da cancão.
Pensar que na última vez que olhei para isso, a Dora chamava-me mau.
Aqui, nestes 2 anos de convívio viking, não há como ignorar o chamado, espectáculo.
As eliminatórias internas demoram alguns 6 meses…todo o sagrado sábado há um concurso numa aldeia qualquer de onde sai um vencedor que passa para a semi-final, daí para a final e depois para a eurovisão. Quando finalmente parece que acabou, comecam as eliminatórias para o ano seguinte.
O quadro de Roland Garros, é tabuada de meninos perante a complexidade local para achar um Armando Gama.
Dito isto, vem aquela parte em que assumo que vi a parte da votacão (não sem antes ir a correr ao youtube ver qual era a cancão portuguesa).
Segunda feira, ou há 10 minutos atrás, no pequeno almoco com os camaradas esse tema is "ser debatido".
Integracão a quanto obrigas.
Adiante.
A cancão portuguesa não envergonha.
Sim senhor.
Os noruegueses mandaram 4 louras bombásticas, os gregos uma Shakira e os macedónios uma Mariah Carey.
Nós mandámos um vaso.
Mas com boa voz.
O concurso não era de "I personally believe..." por isso tudo bem.
O vasinho cantava como gente grande.
Porreiro pá.
Mas e depois?
Depois vem aquela parte da votacão em que 1 minuto de conversa se traduz sempre em barraca nacional, mas em língua de Sua Majestade.
Ainda com o "good night" (como saudacão de entrada) do ano passado presente na memória vejo Sabrina sorrir.
Tremi.
Vejo-a ler o ponto e imagino um gajo lá atrás: "mostra os dentes e lê isto !"
Ela, falha todos os tempos, provoca um silêncio ensurdecedor no auditório, diz que gostou muito de lá estar o ano passado e que fez muitos amigos (informacão fulcral para se perceber a pontuacão).
Tudo em inglês de Albufeira.
Com o devido respeito, não se arranja alguém nos quadros da RTP que não nos envergonhe 1 minuto a falar inglês?
Estou certo que sim.
Vejam lá isso rapaziada.
O Clímaco ainda mexe!
O concurso?
Isso é o que menos importa.
A eurovisão é, há décadas, um concurso de fronteiras. Cada um vota nos vizinhos.
Até que os peixes votem, ficaremos sempre entalados.
Tudo bem.
Só não percebo porque é que continuam a meter cancões no meio disto.
A Russia venceu e venceu bem.
Só com a separacão dos países da URSS conseguiu algumas 15 fronteiras e mais uns quantos vizinhos.
Posso ser só eu, mas parece-me que isto garante umas 10 eurovisões.
Pelo menos.
Mas o vasito cantava…
E bem!

quarta-feira, maio 21, 2008

Tóka tu mi, again?



Sempre que falo de taxistas lembro-me do aeroporto de Lisboa. Estão um para o outro como a canela para o pastel.
E isso fez-me pensar em duas perguntas chave para colocar na pasta de clientelismo público:

1 - Existirá algum aeroporto de capital europeia, onde o taxi seja o único transporte disponível para abandonar as instalacões?

2 - Existirá algum aeroporto no MUNDO em que o "temporariamente em obras" seja definitivo?


Não e não.
O aeroporto de Lisboa é um verdadeiro case study.
Se a matemática não me engana, a primeira vez que lá entrei tinha 8 anos. Eu sei que a pele ilude, mas isso já foi há mais de duas décadas .
Desde então, não me lembro de ver o aeroporto sem obras. O engracado disto é que como as obras são permanentes, uma pessoa habitua-se a ter o aeroporto sempre naquele estado.
Já não se questiona o porquê, simplesmente porque sempre foi assim.
Cada chegada funciona como um mini-quiz: "Qual será a porta certa desta vez?".
A monotonia nunca chega.
Há no entanto um detalhe que me parece importante. Nesta mama de obras públicas intermináveis, nunca pensaram em fazer uma ligacão decente para o centro da cidade.
Repare-se que quando o aeroporto foi construído estava nos "arredores", hoje já a cidade chegou até ele, mas mesmo assim só com um taxi se consegue sair de lá.
É obra.
Nem metro, nem comboio, nem ligacões decentes de autocarro.
O lobby dos taxis não deixa.
Não me lixem pá!
Para uma cidade europeia (já nem digo capital...), o aeroporto de Lisboa é uma vergonha e um espelho do que a corrupcão e o clientelismo público podem fazer.

Are you tóka tu mi ?


Ondas moduladas em frequência trazem-me notícias desse lado.
Uma gera-me particular comichão e mete taxistas. Não tenho nada contra estes profissionais e...
Não, deixemo-nos de politicamente correcto...enervam-me! E muito!!
Depois do 15 aumento no preco do combustível, a ANTRAL exigiu ao governo um subsídio para o gasóleo profissional (entre outras coisas que assim de repente até parecem fazer sentido, como o transporte de criancas).
Quando ouco falar em subsídios comeco a cocar-me...apesar da pobreza reinante, os subsídios jorram para toda e qualquer idiotice.
E também por isso, qualquer badameco se sente no direito de pedir subsídios como quem pede bicas. Os fundos comunitários não geram desenvolvimento e criam maus vícios, é o que me parece.
Mas voltando ao protesto...
Subsídio para taxistas.
Porquê?
Porque a sua profissão depende do gasóleo?
E então?
Que ramo de actividade não sofre com o aumento dos combustíveis?
Por acaso o desgracado que compra o L123 para Cacilhas, vai pedir um subsídio para módulos, sempre que a Carris aumenta o preco dos bilhetes para acompanhar o preco do barril?
As viagem de táxi não são pagas a peso de amigo, os taxistas enquanto classe profissional nem sequer pagam os mesmo impostos que o comum dos cidadãos, porque razão têm que ser ajudados pelo governo (contribuintes) num assunto que prejudica o mais comum dos mortais?
Quando Ferreira Leite era a ministra das financas do Cherne, tentou meter esta malta a pagar impostos como qualquer um de nós.
O que aconteceu?
Ameacaram parar os carros e a ministra encolheu-se...
Agora enquanto candidata à lideranca do PSD mostra aquela aura de séria, competente e implacável. Enquanto ministra teve medo de meia-dúzia de gajos de bigode.
E depois esta de parar os carros faz-me sempre rir.
Querem parar os carros?
E então? Qual é o problema? Quem é que prejudicam?
Alguém vai para o trabalho de carro? O transporte e distribuicão de produtos são feitos de taxi?
Assim que me lembre, a única e grande calamidade que pode acontecer é um turista chegar à Portela e não precisar de passar por Sintra para chegar ao Marquês.
Que parem...e em zonas de parquímetro para atestarem um pouco os cofres das autarquias.
Agora se disserem: "Não, não...encostam os Mercedes todos na via pública de forma a engatar o máximo possível o trânsito!"
Ora aí a situacão já pia mais fino.
Nesse caso, há que tirar os GNR's da engorda dos quartéis e limpar o pó dos chaimites. Umas "vou ter que o autuar" , umas borrifadas de canhões de água e aquela companhia fofa que só os pastores alemães conseguem fazer, e a coisa vai ao sítio.
Era o que faltava o país ser governado por chantagens e ainda por cima, de taxistas.
Ó Florêncio da ANTRAL, tem mas é juízo pá.

segunda-feira, maio 19, 2008

Etiquetar, essa nobre profissão


Sentei-me com um camarada na cantina a comer a fabulosa gröt.
Esta fotografia é mesmo da mixórdia in loco (a do post anterior veio da net).
O doce afinal dá ainda mais classe a uma mistela que roca o Olimpo.
Agora que olho para a imagem, constato que aquele "volvo" escrito no prato talvez não seja uma boa aproximacão para um sítio onde as câmeras em telemóveis dão despedimento.
Afinal este é um espaco público...
E se me chamarem à sala do mauzão e me oferecerem um par de patins??
Bem...já deito carros pelos olhos...analisando por este prisma, talvez ande a tirar fotografias a menos.
Mas dizia eu que falava com um camarada sobre filmes.
"O rambo IV, viste?", pergunta ele enquanto cospe gröt.
Antes que eu respondesse, a estocada final: "É tão bom como os outros, mas a violência é muito melhor. Não levam tiros e caiem mortos como amélias...vês mesmo a perna a partir-se em 3 sítios diferentes!! "
"Ainda não vi...mas essa do osso convenceu-me! A ver se não perco!"
"Olha, e aquele do puto em Cabul com os papagaios, viste?", pergunto eu.
"Não, não gosto de filmes com diálogos!", diz com a resposta pronta.
"Mais accão!! Movimento!! Pouca conversa!!"
"Como nos do Chaplin?"
"Não ligo a música clássica".

Uma tarde bem passada


















































































Sueco que é sueco tem uma carrinha Volvo, uma casa vermelha e um barco.
A semana passada um colega perguntou-me se não queria acompanhar a viagem inaugural desta época. No que toca a barcos estou quase no nível "cacilheiro", pelo que não recusei.
O barco, a caminho de uns respeitáveis 40 anos obriga a fazer a questão chave: "tens colete salva-vida?"
A costa sueca é bastante segura e o mar parece uma piscina. Há milhares de ilhas que formam uma espécie de barreira natural. É mais difícil dar um mergulho na Figueira da Foz ou nos Salgados...
Ainda assim, a ferrugem no motor e o peso de um dos tripulantes (umas quantas sacas de cimento) obrigou-me a fazer contas de cabeca.
Há que dizer que o barquinho se aguentou como um leão!
Devagar, devagarinho, mas chegámos ao destino.
Com um mar sem ondas, só conseguimos sentir a ondulacão quando outros barcos passavam perto...é preciso dizer que todos os barcos passaram por nós. Todos. Não sei a quantos "nós" navegava, mas reparei num gajo de kayak a fazer sinais de luzes.
A paisagem essa estava lá e tivémos todo o tempo do mundo para a aproveitar. Gostei também de passar num controlo de velocidade da polícia marítima...estou quase certo que nos safámos.
Foi uma tarde bem passada e a confirmacão de que o mar me traz paz de espírito.
PS - O terceiro episódio de "Os Contemporâneos" confirmou a péssima escrita e mostrou que o Nuno Lopes é decididamente de outros campeonatos.

quinta-feira, maio 15, 2008

Lá no gueto



Diz-me ele com cara de caso: "Já saiu a comunicacão com a viagem de Outono"
"Não me digas?", digo eu pouco habituado a estas mamas.
"Este ano o destino é Varsóvia", diz ele com o ar pouco satisfeito de quem toma estas regalias como certas.
Depois de 3 cambalhotas, 5 pulos e 2 gritos Ipiranga, recomponho-me e finjo aquele ar de quem está habituado a estas andancas.
"Varsóvia?? Ah sim?? Humm…estou a ver."
"Pelo menos o vodka é barato.", diz o viking manifestamente desanimado.
"Grandaa saloio!", relato de mim para mim.
"Aposto que Alicante, caramelos e litros de cevada faziam mais o teu estilo", continua o meu íntimo a debitar.
"E tu Tiago, já sabes se vais?"
"Eu? Se vou passar um fim-de-semana a uma capital europeia com avião e hotel oferecidos pela companhia? Huummm…deixa-me cá pensar…é díficil esta...
Acho que preferia Ayamonte, mas sou capaz de fazer um esforco."

Grrrrrrööööööötttttt



Há uns tempos descobri uma coisa chamada gröt.
É uma papa que esta malta come normalmente ao pequeno-almoco.
Existem umas quantas variedades e a minha perferida, coincidência das coincidêncas, é a que tem arroz (risgröt).
Para quem já comeu papas de maizena, é mais ou menos a mesma coisa, mas com bagos de arroz.
Os locais comem a mistela com doce e canela. Sinto que já é chafurdice a mais e fico-me pela canela.
O sabor em si é de acordar um morto. Acho que isto até cria depêndencia…parece que estou a comer arroz-doce durante o pequeno almoco.
Que maravilha!
Contam-me que esta papa aparece nos hábitos alimentares porque é muito nutritiva e calórica. Para quem "pega no pesado" às 6 da manha e vai almocar 5 horas depois (11h - hora nacional do repasto), dá jeito comer algo que demore tempo a queimar.
Tudo muito giro para quem alomba sacos de cimento.
Aqui não.
Aqui ninguém pega no pesado.
A linha de montagem está a mais de 2Km e na zona coberta por esta cantina estão apenas os escritórios de engenharia da Volvo.
2000 manguelas de chanatas, meias brancas e cu sentado.
A papa nesta cantina serve apenas para a engorda!
Cada colherada contribui para o o bloco de cimento que entretanto vai nascendo dentro de mim. No fim, tudo o que quero é uma sesta.
A fome, essa, aparece só na manha seguinte.
Estou a racão. Uma vez por dia.
Não raras vezes digo a mim próprio que já chega desta mistela, mas na manhã seguinte procuro o cheiro da canela.
Desta é que foi.
Não enfardo mais disto!
Vou meditar um pouco sobre o assunto.
Durante a sesta.

quarta-feira, maio 14, 2008

Laugh out loud, para a próxima




Resolvi dar uma vista de olhos na nova série da RTP, os Contemporâneos.
Dar uma vista de olhos é uma maneira de dizer, já que "papei" os dois primeiros episódios.
O que queria agora saber era, resumidamente, quem me vai devolver a hora perdida.
Tudo parece encaixar…situacões com potencial, bons actores e imagino eu, boas condicões de trabalho, além do horário nobre.
Mas a verdade é que, pelo menos para mim, o riso foi uma chama inexistente.
Talvez seja humor séc.XXI ou até XXII, mas chegou a meter pena ver consagrados como M. Rueff ou N. Lopes arrastarem-se em sketches continuamente sem piada.
Percebo que ficar com o lugar/horário dos gato fedorento e tentar a mesma audiência é praticamente impossível, mas estes dois primeiros episódios marcam uma tentativa de criar um "novo humor" tão original, tão original, tão diferente, que só por mera coincidência se pode apelidar de humor.
Epá…não tem piada!! Nenhuma!!
Sim senhor, regra geral as audiências em Portugal não significam qualidade. Lembremo-nos do Camilo, Malucos do Riso e Big Show Sic. Fica a apresentacão dos gostos feita, mas sinceramente, reconhecendo o devido valor de quem interpreta, sobra a crítica para quem escreve.
Nuno Markl não escreve nada com piada para televisão há anos (não digo desde sempre porque acho que ele fazia parte dos argumentistas da Herman Enciclopédia).
Nada contra o dito. Gostava de o ouvir nos tempos da Comercial com o Homem Que Mordeu o Cão e não raras vezes gosto de ouvir o que tem para dizer.
Mas a escrever textos para televisão, convenhamos, tem andado um pouco desinspirado.
Não sei quem mais escreve no programa, mas também não está a ajudar.
Uma dica: se vão manter o estilo na escrita, por favor encurtem os sketches. Rápido e indolor.

domingo, maio 11, 2008

Apollo, give me five!
















A Suécia tem uma particularidade, não original certamente, mas que me agrada e preenche o capítulo entitulado "descobertas".
Se escolher ao acaso um ponto no mapa encostado à costa, este ou oeste, por muito pequeno, desconhecido ou remoto que seja, é dificil encontrar algo feio.
São necessárias 3 vidas para explorar a costa sueca, o que, trocado por miúdos, significa que tenho sarna para me cocar durante todo o tempo que resolver ficar em terras de sua majestade. A Silvia de Copacabana, não a Isabel de Windsor.
E isto do ficar, resume-se basicamente ao estado de espírito, que entre outras coisas é alimentado a sol.
Em pleno mês de Maio, o sol oferece uns fantásticos 25 graus, tão inesperados quanto desejados.
Escusado será dizer que nas ruas, hordas de vikings correm para os parques, de grelhadores em punho e tão pouca roupa quanto possível (aqui excluo por razões óbvias a fatia maioritária de emigrantes que vai para o parque enrolada em lencóis bronzear as sobrancelhas).
Para mim, o calor não me traz recordacões de casa.
Não me lembro de andar de bicicleta, ou usar os "imensos" espacos verdes de Lisboa para jogar à bola, ler ou fazer piqueniques. A única coisa que me aparece na memória é o "proibido pisar" em cada canteiro.
Mas traz-me felicidade e uma sensacão enorme de bem-estar.
Com sol a paisagem escandinava torna-se quase familiar. A sua beleza é inquestionável, mas é quando o mar reflete os raios de sol que eu mais me identifico com ela.
As ciclo-vias, autênticas cidade de lego, o mar, os lagos, os parques naturais, tudo a minutos de distância e conservados de forma a proporcionar bem estar a quem os visita.
Em alturas dessas, não há outro sítio onde quisesse estar.
Tudo parece perfeito.
A paz de espirito aparece com o som do grelhador, com o Expresso na relva, com uma bracada no mar.
Tempo de jantar.
Lá fora.

sexta-feira, maio 09, 2008

É fruta ou chocolate



Duas boas notícias chegam do rectângulo.
Nesta coisa da civilizacão nós gostamos de ir devagar, mas quando arrancamos, ninguém nos pára.
Em jeito de locomotiva.
Daquelas a lenha como nos livros do Lucky Luke.
É aquele gajo que entalava sempre a sombra e discutia com o Jolly Jumper.
O Jolly Jumper era aquele cavalo de crina loura.
Discutia com o Luke porque sabia falar. E bem.
Tinha personalidade forte e não se misturava com os demais quadrúpedes.
Mas era só uma BD.
Não era a sério.
Com BD quero dizer banda desenhada.
Estou a tentar introduzir mais siglas na minha vida, acho que ainda tenho poucas.
Agora que divaguei 10 linhas vou voltar às notícias.
Mentes brilhantes do ISCTE (sigla) e de mais duas ou três universidades cujos nomes me escapam da língua para os dedos, entregaram um estudo sobre a parque habitacional luso.
Ao que parece há uns milhares de casas desocupadas e o estudo indica que a aposta deve ser feita na recuperacão de edificios, travando assim a construcão ao desbarato.
O governo seguindo as indicacões, prepara-se para dar incentivos fiscais, a quem optar por alugar casa em vez de comprar.
Brilhante!
Isto é uma daquelas decisões que orgulham qualquer pagador de impostos que não seja construtor civil.
E bastaram 20 anos para perceberem isto! Nem quero imaginar o que os próximo 80 anos de UE nos reservam.
Consta também que os professores do ISCTE que fizeram o estudo, andavam no secundário quanto o país entrou na defunta CEE, pelo que se compreende o intervalo de 20 anos.
Ainda bem que estes génios resolveram estudar este tema, senão o país em geral e o governo em particular, nunca teriam percebido o rumo a tomar.
Mas, e como se diz na paragem do 101, antes tarde do que nunca.
O 101 é aquele expresso que vai do Campo Grande para o Lumiar.
Demorava uma ou duas eternidades, não me lembro agora, a passar.
Tinha sempre que me safar com o 7 ou 36, mas depois "dava muito à pata" para chegar a casa.
Na altura, andar 100 ou 500m, era como ir para a escola de Redley ou Reebok.
Na minha escola não deixavam entrar ninguém de Reebok.
Não combinava com o pólo da Amarras.
Nem com o jornal "a bola" em versão gigante e a preto e branco.
Tive que chatear o meu pai para me comprar uns Redley.
Não dava jeito para jogar à bola, mas também nunca foi problema porque os meus colegas só gostavam de rugby.
Rugby é um desporto muito giro, mas tem que ser jogado por gordos com 3 nomes próprios, um dos quais obrigatoriamente Maria.
Tiago Maria Filipe
Ahhh…falhei por um.
Depois de Quim era o meu sonho.
Agora é que me perdi…
Espera lá, deixa-me ler para trás…isso…já sei.
Ainda que chegue tarde, esta medida é uma aproximacão aos costumes do primeiro mundo.
Trava o betão, trava a destruicão urbanistica (se é que ainda há alguma coisa para destruir), trava os endividamentos das famílias com o crédito e pode, quem sabe, acalmar essa ideia Lusa de que temos que pagar uma casa 60 anos para a deixar para os filhos.
Cada geracão que faca pela vida.
Ainda a pensar na habitacão, leio no jornal de hoje que o governo aprovou nova medida para impedir a construcão num raio de 25Km do novo aeroporto de Alcochete.
Bolas…2 decisões contra o betão seguidas??
E esta chega a tempo e horas, já que o aeroporto ainda não existe.
Com esta Zé, já ganhaste pelo menos mais um voto.
O que me trará o jornal de sábado?
Pinto da Costa preso e FócuPorto com menos 10 títulos?
Administracão do Porto de Lisboa ganha estadia de 20 anos no Custóias Inn?
Zonas verdes em frente ao rio Tejo?
Até estou com medo...

quinta-feira, maio 08, 2008

Shave on you !



Sei que tenho uma cara comum.
Daquelas "tenho a sensacão que te conheco de algum lado".
E por mim tudo bem.
Gosto que as pessoas olhem para mim e se lembrem de alguém.
Jóia, como diz o povo irmão.
A semana passada, degustava eu a minha bola de berlim num café local (do rectângulo) quando sinto uma pancada na parte de trás da cabeca.
O clássico "calduco".
Limpo o acucar das bochechas e viro-me.
Era um simpático velhote que muito sorridente disse: "Então estás bom?" ao que eu educamente respondi: "Estou bem, obrigado."
Ao ver que não corri para o abraco, o sorriso comecou a desaparecer e já com cara de desconfiado disparou a segunda pergunta: "Olha lá, tu não és o Quim, filho do Tóino da Ribeira ?".
"Sempre sonhei ser um Quim! Cajó e Tozé já não causam aquele impacto. E acho que o meu pai adorava ser Tóino, mas não, não sou eu.", respondi.
"Epááááá, é que pareces mesmo!", diz ele com o sorriso a alargar novamente.
"Imagina se tivesse batido com mais forca!!", termina o simpático ancião achando que aquele calduco tinha sido um mimo.
Volto para a minha bola de berlim conformado com o status de "pareces toda a gente".
De regresso ao meu quotidiano, deparo-me com semelhante questão na aula de sueco.
"Já te vi algures!", diz uma colega.
Ela é iraniana.
O "algures" fica em Teerão.
O que me assusta.
"Não digas, não digas, não digas...", entretenho-me a pensar.
"És iraniano não és?", pergunta ela com a certeza da resposta.
Já está! Ela disse.
A desilusão vem com a confirmacão do rectângulo que me viu nascer.
Ainda assim tive que repetir 3 vezes que tinha a certeza de que não era Iraniano.
Dou por mim a pensar se uma nova estratégia de ataque à barba não fará sentido.
Prova-se que os habituais 15 dias de intervalo me podem trazer dissabores.
Quim, ainda vá que não vá, mas sinceramente, Abdulah, já não estou para isso.

quarta-feira, maio 07, 2008

Bitoque sem óleo



Para vocês é apenas mais um dia.
Aposto que já bebericaram um galão.
Duvido um pouco da bola de berlim, afinal o verão está à porta e devem querer passear a silhueta em frente ao Barbas.
Talvez o pastel de nata.
Sim, aposto que quem fugiu do "chefe, é um galão e sandes mista" caiu no "amigo, uma bica e um nata, ó faxavor".
No almoco alguém vai engolir um bitoque.
Certo como o destino.
O avião que me trouxe de Portugal aterrou numa sala cheia de suecos, alemães e chineses.
Tiro areia da Figueirinha dos sapatos e o polvo à lagareiro ainda me escorre na beica (sempre gostei desta palavra…) enquanto à minha volta se discutem questões técnicas cheias de siglas.
É incrivel como a nossa vida se resume a um conjunto de códigos.
VCC, SRS, VP, E2, SWRS, FDJ e por aí fora numa lista que termina depois de 100.
E fazem uma conversa inteira com isto…
FDJ? Que raio…
"Final Data Judgement" diz um gajo acordado.
"Falam com o Schwarzenegger nesse dia?", pergunto eu.
Saberá esta gente que eu memorizo o código do multibanco, do cartão de crédito, do telemóvel, da porta de casa, do acesso ao banco pela internet, do bilhete de identidade, do cartão de contribuinte, do miles & more, do skype, dos sistemas da volvo, do outlook, de uma dúzia de servidores pirata para ver a bola, dos cartões de acesso no trabalho, dos telefones dos parentes próximos e amigos mais chegados, dos telefones das casas onde vivi até aos 20 anos e do numero de identificacão sueco?
Tenho mesmo que ler documentos onde, tirando o "and" tudo é uma sigla?
Tudo na vida é um número ou uma sigla?
Não me parece.
Detalhes sem fim para rebentar o balão no momento certo. Que esfrega monumental, ainda por cima quando se está a pensar numa sardinhada.
Entre siglas vejo "further discussion to be taken" e salto logo para o meu mundo.
Se mais tarde discutimos, tudo bem.
Posso agora pensar no bitoque.
É incrivel a falta que faz um bitoque.
Para vocês será óleo e batata. Para mim é mais um estado de alma.
Gente a gritar nos cafés, taxistas a buzinar na rua, espanhóis à cotoveleda em Belém, o céu azul como só nós temos.
A confusão familiar.
A nossa confusão.
E a distância traz-me a saudade.
Quase sempre.
Sempre que esqueco a raiva que senti ao ver o verde da Luisa Todi destrúido por um novo parque de estacionamento. Saltam árvores e aparece mais betão, esse desígnio nacional.
Entristece só de pensar. Enraivece quando se percebe que estamos sós nesta destruicão de património.
Procuro o Tejo em Lisboa e não o vejo.
Qualquer cidade europeia que tenha a sorte de ter um rio por perto aproveita-o em beneficio dos seus habitantes e visitantes.
Aproveitar é um sinónimo de espacos verdes, esplanadas, ciclovias.
Deve ser dificil encontrar outra cidade europeia com 14 Km de costa onde pouco mais do que 3 podem ser usados por quem paga impostos.
Os 2Km da expo e mais umas migalhas em Belém. Tudo o resto são contentores, tapumes e atentados urbanísticos.
Pergunto-me como podemos ser tão estúpidos ao ponto de vermos passivamente a destruicão da beleza natural do nosso país.
Tudo é permitido, ninguém se queixa.
Os bons exemplos que a velha europa nos traz, no que a urbanismo diz respeito, são totalmente ignorados.
Agora como há 40 anos, orgulhosamente sós.
Enerva.
Bastante.
Principalmente quando se gosta.
Será possível ficar emocionado a olhar para uma fotografia de um bitoque?
É. Por incrivel que pareca é.
Aquilo somos nós. Tudo ao monte, sem ordem, cheio de ingredientes indesejados, mas com um sabor dificil de igualar.
Sinto aquela comichão de quem olha pela janela e vê outra realidade.
Vejo a Mariana (bolas, que a miúda está gira!), vejo a minha família, vejo alguns amigos e quase consigo sentir o calor do churrasco na pele.
Ainda por cima hoje faz anos um daqueles que faz falta.
Como o bitoque, mas sem óleo (parabéns Rui!).
Agosto está já aí.
Sim, no vosso calendário não, mas no meu é um pequeno salto.





































terça-feira, abril 29, 2008

The left wing



Enquanto procurávamos lugar para estacionar….
Emigrante 1: Olha ali! Um lugar vago! Esquerda, esquerda!

(Carro virava para a direita)

Emigrante 1:
Outro ali! Direita, direita!

(Carro virava para a esquerda)

Emigrante 1: Huumm..olha ali aquele! Faca, faca, faca!
Emigrante 2: Faca?
Emigrante 1: Sim, de que lado é que usas a faca?
Emigrante 2: Como só com um garfo.
Emigrante 1: huumm..
Emigrante 2: Agora. Na Eritreia usava só as mãos.
Emigrante 1: Ok, então esquece a faca. Foi um mau exemplo. Mas porque é que não acertas com os lados? Também só andavas em frente?

(Alguns minutos depois)

Emigrante 2: Olha lá, vocês europeus têm o hábito de lavar as mãos antes de comer não é?
Emigrante 1: Não sabia que era um hábito específico deste Continente...
Emigrante 2: Não, não é. Na nossa cultura também existe esse hábito.
Emigrante 1: Então porquê a pergunta?
Emigrante 2: Se lavam as mãos, para que é que usam talheres??

A estratégia


Tenho andado a pensar na táctica.
Aperto primeiro a bochecha esquerda?
Penduro-me logo na direita?
Amasso as duas ao mesmo tempo?
Ou alternadamente?
E durante este processo que espaco real de bochecha sobra para eu a encher de beijos?
Estou confuso.
E até nervoso.
Vou pensar enquanto como um pastel.
É coisa para demorar.
Uma semana pelo menos.
Até lá.

sexta-feira, abril 25, 2008

O 25



Quem não vive determinado momento tem que o assimilar por relatos de terceiros.
Seja num livro de história, num documentário ou nas palavras de alguém que estava lá.
É o problema de não se viver eternamente. Há sempre qualquer coisa que perdemos pelo caminho.
Se o Indiana Jones não tivesse gasto o cálice para curar a ferida do pai, quem sabe, quem sabe, hoje não poderíamos ter o Graal engarrafado no Corte Inglês.
Mas enfim, pelo Sean, também vale tudo.
Este é outro dos grande problemas da Humanidade: a capacidade que temos de divagar e misturar temas.
Nós, aí do rectângulo somos muito bons na arte de divagar.
Esforco-me por não envergonhar a raca.
O 25 de Abril.
Não estava lá e por isso não vi, mas rezam os livros que foi uma revolucão fantástica.
Cravos no lugar de balas e gritos de ordem em vez de sangue.
Tudo pacifico, tudo bem aceite e o Marcelo no chaimite a caminho de Copacabana (com paragens em Tenerife, Mindelo e F.de Noronha para abastecer ).
Porreiro.
Pá.
Os livros de história relatam de forma apaixonada a nossa revolucão.
Quem os escreveu também disse que o Pedro Álvares Cabral encontrou rodízio, caipirinha e indíos sorridentes quando meteu as botas fora do barco.
As queimadelas das palhotas e demais actividades efectuadas no fim do respasto não constam desses capítulos.
É engracado como as fotografias dos manuais do 2 ano têm sempre os índios a sorrir e com flores para receber os navegadores.
Parece que aguardavam ansiosamente a nossa chegada com uma constante interrogacão no ar "Será que se perderam no caminho?"
Não, esses eram os espanhóis que nunca acertavam na curva, ali depois das Canárias.
Ufffff….já estou fora de contexto outra vez.
Acontece-me por vezes.
Apesar de tudo, é assim que vejo o 25 de Abril.
De forma apaixonada e sempre com a sensacão poética da liberdade que chegou.
O depois é que é pior.
Os exageros do PREC, os sucessivos erros feitos em décadas de democracia, o surgimento de uma classe política corrupta, a falta de estratégia (e investimento) na educacão, o progresso constantemente adiado.
Mas isso não se comemora hoje.
Amanhã, amanhã logo se fala disso.
Hoje comemora-se a conquista da liberdade.
É possível falar, escrever e decidir sem outra censura que não seja a do voto.
Somos donos do nosso próprio destino.
Ainda não sabemos o que fazer com ele, é certo.
Mas lá chegaremos.
Dia duplo para mim.
Além da revolucão dos cravos, este dia (uns anos antes…mas poucos, poucos!!!) marca também o nascimento da minha progenitora.
Apesar de não ter marcado presenca no largo do carmo em 74 para gritar com o Marcelo, apareci por lá 3 anos mais tarde para conhecer a minha mãe.
Lembro-me que o nosso primeiro encontro foi de cortar a respiracão.
O cordão umbilical enrolou-se no meu pescoco e enquanto o gajo da bata me puxava eu jogava ao elástico.
Foi bem castico.
Recordo-o com saudade.
Tirando a parte do esticão, até acho que foi bom para primeiro encontro.
Uma coisa que nunca te perguntei e que agora me ocorre: como é que nesse metro e meio que se estende da cabeca aos pés arranjaste espaco para um cordão umbilical que parecia a cauda do godzilla?
Além do mais não foi muito correcto da tua parte desmaiares neste processo todo.
Sabes quanto tempo tive que estar nu ao frio, até que tu acordasses, para te abracar?
Já estiveste nua numa sala de hospital, com aquele inox e cheiro a água oxigenada por todo o lado?
Pois.
Não é agradável.
Mas depois abracaste-me.
E o calor voltou.
Mãe é mãe, dizem uns.
Mãe é como o 25 de Abril digo eu: Sempre.
Muitos parabéns (até terca!)