terça-feira, abril 29, 2008

The left wing



Enquanto procurávamos lugar para estacionar….
Emigrante 1: Olha ali! Um lugar vago! Esquerda, esquerda!

(Carro virava para a direita)

Emigrante 1:
Outro ali! Direita, direita!

(Carro virava para a esquerda)

Emigrante 1: Huumm..olha ali aquele! Faca, faca, faca!
Emigrante 2: Faca?
Emigrante 1: Sim, de que lado é que usas a faca?
Emigrante 2: Como só com um garfo.
Emigrante 1: huumm..
Emigrante 2: Agora. Na Eritreia usava só as mãos.
Emigrante 1: Ok, então esquece a faca. Foi um mau exemplo. Mas porque é que não acertas com os lados? Também só andavas em frente?

(Alguns minutos depois)

Emigrante 2: Olha lá, vocês europeus têm o hábito de lavar as mãos antes de comer não é?
Emigrante 1: Não sabia que era um hábito específico deste Continente...
Emigrante 2: Não, não é. Na nossa cultura também existe esse hábito.
Emigrante 1: Então porquê a pergunta?
Emigrante 2: Se lavam as mãos, para que é que usam talheres??

A estratégia


Tenho andado a pensar na táctica.
Aperto primeiro a bochecha esquerda?
Penduro-me logo na direita?
Amasso as duas ao mesmo tempo?
Ou alternadamente?
E durante este processo que espaco real de bochecha sobra para eu a encher de beijos?
Estou confuso.
E até nervoso.
Vou pensar enquanto como um pastel.
É coisa para demorar.
Uma semana pelo menos.
Até lá.

sexta-feira, abril 25, 2008

O 25



Quem não vive determinado momento tem que o assimilar por relatos de terceiros.
Seja num livro de história, num documentário ou nas palavras de alguém que estava lá.
É o problema de não se viver eternamente. Há sempre qualquer coisa que perdemos pelo caminho.
Se o Indiana Jones não tivesse gasto o cálice para curar a ferida do pai, quem sabe, quem sabe, hoje não poderíamos ter o Graal engarrafado no Corte Inglês.
Mas enfim, pelo Sean, também vale tudo.
Este é outro dos grande problemas da Humanidade: a capacidade que temos de divagar e misturar temas.
Nós, aí do rectângulo somos muito bons na arte de divagar.
Esforco-me por não envergonhar a raca.
O 25 de Abril.
Não estava lá e por isso não vi, mas rezam os livros que foi uma revolucão fantástica.
Cravos no lugar de balas e gritos de ordem em vez de sangue.
Tudo pacifico, tudo bem aceite e o Marcelo no chaimite a caminho de Copacabana (com paragens em Tenerife, Mindelo e F.de Noronha para abastecer ).
Porreiro.
Pá.
Os livros de história relatam de forma apaixonada a nossa revolucão.
Quem os escreveu também disse que o Pedro Álvares Cabral encontrou rodízio, caipirinha e indíos sorridentes quando meteu as botas fora do barco.
As queimadelas das palhotas e demais actividades efectuadas no fim do respasto não constam desses capítulos.
É engracado como as fotografias dos manuais do 2 ano têm sempre os índios a sorrir e com flores para receber os navegadores.
Parece que aguardavam ansiosamente a nossa chegada com uma constante interrogacão no ar "Será que se perderam no caminho?"
Não, esses eram os espanhóis que nunca acertavam na curva, ali depois das Canárias.
Ufffff….já estou fora de contexto outra vez.
Acontece-me por vezes.
Apesar de tudo, é assim que vejo o 25 de Abril.
De forma apaixonada e sempre com a sensacão poética da liberdade que chegou.
O depois é que é pior.
Os exageros do PREC, os sucessivos erros feitos em décadas de democracia, o surgimento de uma classe política corrupta, a falta de estratégia (e investimento) na educacão, o progresso constantemente adiado.
Mas isso não se comemora hoje.
Amanhã, amanhã logo se fala disso.
Hoje comemora-se a conquista da liberdade.
É possível falar, escrever e decidir sem outra censura que não seja a do voto.
Somos donos do nosso próprio destino.
Ainda não sabemos o que fazer com ele, é certo.
Mas lá chegaremos.
Dia duplo para mim.
Além da revolucão dos cravos, este dia (uns anos antes…mas poucos, poucos!!!) marca também o nascimento da minha progenitora.
Apesar de não ter marcado presenca no largo do carmo em 74 para gritar com o Marcelo, apareci por lá 3 anos mais tarde para conhecer a minha mãe.
Lembro-me que o nosso primeiro encontro foi de cortar a respiracão.
O cordão umbilical enrolou-se no meu pescoco e enquanto o gajo da bata me puxava eu jogava ao elástico.
Foi bem castico.
Recordo-o com saudade.
Tirando a parte do esticão, até acho que foi bom para primeiro encontro.
Uma coisa que nunca te perguntei e que agora me ocorre: como é que nesse metro e meio que se estende da cabeca aos pés arranjaste espaco para um cordão umbilical que parecia a cauda do godzilla?
Além do mais não foi muito correcto da tua parte desmaiares neste processo todo.
Sabes quanto tempo tive que estar nu ao frio, até que tu acordasses, para te abracar?
Já estiveste nua numa sala de hospital, com aquele inox e cheiro a água oxigenada por todo o lado?
Pois.
Não é agradável.
Mas depois abracaste-me.
E o calor voltou.
Mãe é mãe, dizem uns.
Mãe é como o 25 de Abril digo eu: Sempre.
Muitos parabéns (até terca!)

quarta-feira, abril 23, 2008

Aniversário triste (via Arrastão)



Passam agora (por estes dias) 502 anos sobre um daqueles capítulos da nossa história que não aparece em nenhum manual.
O clero sempre foi o início de todos os males.
Há 500 anos e hoje.
Vale a pena ler.

terça-feira, abril 22, 2008

Expira

Constato agora que a escrita me acalmou.
Articular as letras do pensamento, por alguma razão que desconheco, é de facto a melhor terapia.
O martelo esse, até prova em contrário, continua a ser a mais extraordinária ferramenta de trabalho.

Apesar de tudo o martelo continua a ser uma óptima ferramenta de trabalho


Por vezes dou por mim a pensar como os ciclos da nossa vida se tocam.

O nosso comportamentos, atitude e personalidade, que imagino eu, se devem comecar a forma lá pelas alturas da creche, perseguem-nos sem qualquer piedade ao longo da vida.

O conhecimento evolui, o gosto refina-se, mas bem lá no fundo, para o bem e para o mal, as nossas entranhas são o que são.

Quem não teve um colega na creche que chorava em cada intervalo? Quem não se lembra do gordo da primária que passava o tempo a fazer queixinhas? Ou aquele do cabelo seboso e borbulhas gigantes que fazia as delicias da professora no 7 ano?

Esta malta, cedo ou tarde, acaba por crescer e não tão poucas vezes quanto isso, arranja emprego.

O que é uma pena.

Perto de outras pessoas.

O que é um desastre.

O seboso do 7 ano, é típicamente aquele artolas que quando chega ao mundo do trabalho escolhe a via b) para progredir na carreira.

Os genes estão lá. Se ele sempre foi lambe-botas quando as notas eram de papel, agora que a coisa até mete dinheiro de metal, a estratégia não muda.

Trabalho fica para os demais.

Quem não tem um (pelo menos!!) lambe-lambe por perto que dê um passito em frente.

Para os lambe-lambe, o senhor Bill Portas (por norma o herói desta malta) inventou, ou pagou a um indiano para inventar, a "ferramenta de trabalho" do mundo moderno: o mail.

Sem o mail nada existe.

Nada é oficial.

Muito bem.

Ignorando por ora as facilidades introduzidas na comunicacão, vou focar-me no campo CC.

Este campo, foi certamente invencão de um seboso que queria, entre outras coisas, colocar o respectivo chefe em lugar de destaque.

"Acabei de inventar isto e repara como tu, ó chefinho, recebes a notícia num campo diferente da gentalha".

É esta a mensagem.

Há também uma outra funcionalidade, muito praticada por estes sebosos a que vulgarmente se chama: "o entalanco".

Um queixinhas, será sempre um queixinhas.

Com 5 anos é pelo gelado, com 15 é porque alguém copiou por ele, com 30 é porque quer lamber rabos.

Acho que se pode escrever rabo na net.

Não é falta de educacão.

Se bem que sempre me ensinaram que rabo é para macaco e cu para ser humano.

Já me estou a distrair...clássico.

Fica rabo.

E para quem os quer lamber, o "CC" é tudo o que se pode desejar na vida.

Não te obriga a ver ninguém, a falar ou a olhar nos olhos.

É cobarde apenas.

Dizes o que queres e depois logo se vê.

Hoje fui entalado por um seboso.

Estou assim como direi...um pouco,epá, "lixado".

Deve ser por isso que divago tanto em volta de um simples "CC".

Num assunto de trabalho, e para evitar atrasos no desenvolvimento do projecto, combinámos uma "solucão temporária" e que devia ser executada durante um certo período de tempo.

Para quem anda nestas andancas, uma licenca de SW "emprestada" até que a nova chegasse.

Isto permitia cumprir os prazos e não prejudicar ninguém.

Acordo de cavalheiros e vamos a isso.

Hoje, este viking labrego e invertebrado , sem qualquer consulta prévia escreve-me dizendo que o nosso acordo tinha que ser de imediato interrompido.

Além de inventar razões nunca invocadas por mim, de fingir que tudo era novidade para ele, fez ainda o clássico CC para o respectivo chefe.

A lambidela ficou por isso assegurada.

Não é a primeira a que assisto.

Cheira-me que será a última.


segunda-feira, abril 21, 2008

A minha desculpa é que gosto muito de pizza com kebab, e a vossa?




É no momento em que digo a mim próprio, com toda a calma e naturalidade, "mastigámos (este é um blog de família, não conjugo o verbo mamar!) 10 golos numa semana ", que percebo que o sofrimento prolongado nos torna imunes.

As primeiras vergastadas ainda me deixaram marcas no lombo, agora entre um sorriso e outro, só me fazem cócegas.

Ainda assim, sim, porque desligar totalmente ainda não consigo (mas lá chegarei...), se eu tivesse orelhas de abano, bigode farfalhudo e usasse "hum, hum" como vírgula em cada frase, estou certo que teria alguma vergonha e descobria, também calma e tranquilamente, a porta que dá acesso ao exterior.

Em gíria popular "punha-me na alheta" que é um sítio sui generis e até frequentado por pessoas de boas famílias.

Fervo por dentro, mas estou calmo...descontraído....

Ups...as 12 badaladas. Tempo para o tão apreciado repasto de palha e molho com os demais vikings.

Então até já.





Ps - Na passada semana, no campeonato da Inatel cá do sítio, joguei contra uma equipa que tinha entre os seus vikings o Pontus Kåmark, que entre outras coisas, fazia parte daquela seleccão sueca que ganhou o bronze no mundial de 94. Acho que me saí melhor que o Luis Filipe e ele, apesar dos 39 anos, mexe-se mais do que o EdCarlos.

Maestro, não se arranja uma vaga para 2009? 1000 brasas por mês (das antigas ahnn?) e ainda engraxo as botas!!

quinta-feira, abril 17, 2008

Parece que é quadrada


5 golos em 20 minutos?
Nem nos saudosos tempos do 2-para-2-balizas-de-um-passo se conseguiu tal recorde.
Mau de mais para ser verdade.
Por favor vão de férias e metam os juniores a jogar.
Arrastam-se como se os salários não chegassem para uma torrada e um galão ao pequeno-almoco.
Que vergonha.
Que raiva me dá ver esta gente.
Parece que receber milhares para jogar à bola é um sufoco.
Irra...que azia!
E depois fico a pensar nesta merda dias a fio.
Falta muito para acabar a época?
Chegou a comecar?
E o Euro? Está quase?
É que já estou com saudades de ver alguém a correr atrás da bola.
Olhar também é giro, mas não chega.
E enerva-me.
Pode ser que aquele rapazinho da Madeira, que ao que parece gosta de correr, traga alguma alegria aos 6 milhões desiludidos.
Mas porque é que ele corre tanto?
Aposto que o salário dá para uma torrada ao pequeno-almoco. Ou papas de aveia. Mas em Manchester a aveia é barata. Toda a gente sabe disso.
O gajo corre que se farta.
Nunca gostei muito dele.
Mas lá que corre...
Dá gosto ver.
E aquele United?
Também é vermelho...
Uma troca por uns dias. Só para me acalmar.
Que azia!

terça-feira, abril 15, 2008

Sempre quis ter um urso



Nas alturas de maior tormento encontro sempre os mesmos dois remédios. O primeiro, clássico e infalível é o de correr atrás de uma bola (com mais malta por perto que eu não sou doido). Desligo a massa cinzenta e confio apenas no neurónio do "passa e chuta". Transpirar ainda é remédio santo.
O outro, não tão clássico, é o de escrever sem sentido. As letras, as palavras e depois as frases, têm o seu quê de terapêutico.
Por estes dias entrego-me a uma das minhas leituras preferidas: os livros do Lonely Planet. Cada vez mais me convenco de que viajar é o que mais me fascina. Conhecer, conhecer e conhecer. Estes livros, apesar de serem guias, vêm sempre bem apetrechados do contexto histórico e político do destino em questão. Aprende-se por isso muito para além da exacta localizacão do museu X ou da igreja Y.
Um destes dias, passando os olhos no guia da Europa Ocidental parei nas páginas de Portugal. 650 por 230Km (ou qualquer coisa do género) diziam eles. Fiquei indignadíssimo. Como poderiam cometer um erro de palmatória destes? Estavam a surripiar pelos menos 200 Km pensei eu…
Fui ao Google Earth e constatei que não só estavam certos, como tinham usado a mesma ferramenta para "medir".
Só 650 Km?? Bolas…é mais pequeno do que sempre pensei…
O meu primeiro pensamento para esta nova realidade foi: quantas auto-estradas se encaixam em 650 X 230Km ?
Não tenho nada contra auto-estradas, bem pelo contrário, mas acho que "enough is enough"…
Já se podia ter comecado a tirar dinheiro do alcatrão a favor das universidades, hospitais e olha, lembrei-me desta agora, creches.
Há 15 anos atrás. Pelo menos!
Frequentemente, usam a Escandinávia como exemplo para "desenvolvimento sem auto-estradas", mas há um caso bem mais interessante: a Irlanda (Rep.).
Há umas décadas fugiam todos da fome em barcos com destino marcado: EUA.
Hoje, depois de terem usado os fundos da UE para a educacão e criacão de empresas, não conseguem ocupar todas as profissões que geram (a populacão em pouco ultrapassa os 4 milhões). Recorrem a mão de obra estrangeira e chamam de volta os emigrantes com novos incentivos (daquele que se mete no bolso).
Apesar do sucesso, continuam a usar as estradas nacionais como vias de comunicacão. A ligacão entre Dublin e Galway, duas das principais cidades, faz-se em 4h (mais coisa menos coisa). São pouco mais do que 200 km…
A estrada que as liga tem apenas uma via em cada sentido e é ladeada por muros de pedra e pastos com vacas. Para quem já foi aos Acores, torna-se fácil perceber a imagem.
Até os irlandeses, autores de frase tão famosas como: "Nada nos parará até Bagdad…a não ser que abram um pub no caminho!" conseguiram perceber o que pode e deve ser um desenvolvimento sustentado. Porque é que nós temos que ser patos bravos?
Vejo o caso "Jorge Coelho". A sensacão é de desilusão.
Apesar de se saber há muito que era um dos homens fortes dos bastidores do PS, sempre o vi como alguém que anda na vida pública para servir.
Esta passagem para a Mota-Engil não podia ter acontecido. Simplesmente não podia.
Mesmo admitindo que há obras públicas a fazer e que qualquer ministro tem apenas meia dúzia de grandes construtoras para escolher. Mesmo dando o benefício da dúvida de que foi honesto e tentou defender o Estado em cada acordo. Mesmo pensando que como qualquer profissional tem o direito de voltar para a vida privada, nunca, mas nunca poderia ter escolhido esta via. Há centenas de formas de voltar para a vida privada sem "rebentar" com a imagem. Quem tem cargos públicos de destaque, tem que perceber que certos saltos, a bem da dignidade, têm que estar proibidos. Caso contrário, verdade ou não, fica na opinião popular um calculismo total durante a vida de governante com único propósito de encontrar reformas douradas.
O porta-voz do PSD (um gajo qualquer de gravata cujo nome não me lembro) apareceu a criticar, escândalo dos escândalos, o acordo entre a RTP2 e a jornalista Fernanda Câncio, para uma série de 10 episódios sobre bairros de lata.
O argumento "não faz sentido encomendar programas a uma entidade externa" mostra que o porta-voz do PSD percebe como funciona esta coisa dos conteúdos para TV…Há que arranjar alguém para definir uma estratégia de ataque no PSD. O Menezes tem a habilidade de um elefante numa loja de vasos Ming.
Segundo consta, Fernanda Câncio já era jornalista antes de ser namorada de Sócrates…mas para Menezes, uma hipótese de crítica, mesmo que vazia vem sempre a calhar. Curioso foi ainda constatar que sobre o caso Coelho nem uma palavra. Esse sim, poderia ser alvo de crítica política, mas do PSD nem uma palavra.
Huummm…vem-me à cabeca o nome Ferreira do Amaral. Rabo preso. Bloco central no seu melhor.
Vendo daqui há um misto de tristeza e de desespero.
Tristeza porque não aprendemos nada com os nossos erros e fazemos da corrupcão um activo político. Desespero porque cada vez mais constato que Portugal não poderá proporcionar qualidade de vida aos seus habitantes (pelo menos a maioria) nos próximos 50 anos.
Esta parte dos 50 anos atrapalha-me um pouco.
Mas é só um pouco.
Enquanto escrevo ouco a confirmacão da reeleicão (com maioria absoluta!) do Berlusconi. Fantástico.
Um empresário corrupto, que usou a imunidade parlamentar para fugir aos processos que pendiam sobre si, mereceu pela 3a vez a confianca dos italianos.
Também não estão mal vocês.
Va bene, va bene...

sexta-feira, abril 11, 2008

Keep the friday rhythm


Ele (chefe) de casaco vestido e a caminho da porta: "Tiago, trabalhas até tarde hoje?"
Eu a olhar para o relógio: "Sim, hoje fico até tarde. Mais 2 horas pelos menos!
Ele já a dobrar a esquina e com perna e meia de fora: "Se tem que ser tudo bem. Mas tira depois umas horas para ti e principalmente não saias depois das 16h!!"

quarta-feira, abril 09, 2008

Ulanbaatar



Porque vais com tanta sede ao pote?
Aí está uma frase que nunca compreendi…
A secura na goela é algo cuja quantidade não pode por nós ser definida.
Assim…como ir ao pote doseando a sede?
Devo ir e dizer a mim próprio: "Vou, mas é só por desporto. Nem sequer tenho sede." Ou " Estou sequinho, sequinho, mas vou fingir que não para o pote não desconfiar".
Não.
Isto não faz sentido.
Há decididamente frases no nosso léxico que são idiotas.
Para ser simpático.
Vou molhar a goela que o café fez-me secura.
Podem não ter notado, mas entre aquele ponto (o da secura) e esta letra (o "L" ali atrás quando eu estava a dizer que…bom, acho que passei a ideia) passaram alguns segundos.
Levantei-me mesmo para ir ao pote.
Aproveitei também para trazer uma banana.
Todos os dias vejo 6 fruteiras ali na entrada do estaminé.
As bananas estão sempre em maioria.
Não fosse a neve a raspar a janela e poderia muito bem estar na Costa Rica.
Este é um dos meus grandes problemas.
Divago.
Ir com sede ao pote apesar de ser uma frase sem sentido, define a forma como eu vou ao correio.
Tenho sempre a esperanca que um familiar ou amigo me mande um postal de Ulanbaatar ("google it").
Já repararam como uma actividade empresarial criou um novo verbo?
Isto sim, é uma medida do sucesso…
Mas não queria entrar nessa discussão agora.
Divaguei.
De Ulanbaatar, Port Moresby ou até mesmo Chelas.
Um postal com uma letra daquelas dificeis e que se percebe que foi escrito no joelho.
Mesmo a correr lembrei-me de ti, é a mensagem desses momentos.
Mas isso nunca acontece.
E porquê?
Porque o mail, o sms, mms, o postal electrónico e mais uns quantos parentes, nos formatam em arial 10.
Já não há espaco para o velho manuscrito onde tão talentosamente escrevia uma linha e borrava ao passar com a mão a seguir.
Ou mesmo para aquele espécie de hieróglifo que teimava em nunca entrar nesse mítico espaco chamado "linha".
Pautada, quadriculada ou lisa, são para mim sinónimos.
No fim saía sempre torto.
Mas lá está…alguém que recebesse um texto com linhas diagonais onde o canto inferior direito estava totalmente em branco, reconhecia-o imediatamente como meu.
Com o arial 10, somos todos iguais.
Ainda assim, sabendo que pelo correio de papel só chegam contas, vou sempre com "sede ao pote".
No outro dia, surpresa das supresas, não tinha apenas contas.
Um simpático senhor fez o favor de imprimir no jornal uma notícia sobre o 1ö prémio da lotaria, que ao que parece me saiu.
Fiquei um pouco atónito.
Nunca joguei na lotaria na minha vida.
Mas espera lá….já me tinham avisado que na Suécia tudo era de graca.
Queres ver que as taludas também são de borla??
Bom, se está no jornal, é verdade.
O 24 horas ainda não chegou a estas paragens.
Por outro lado, 41.6 milhões sempre dão para uns tremocos.
Está decidido então.
Despeco-me amanhã.
Talvez vá a Ulanbaatar.
E sou até capaz de mandar um postal.

terça-feira, abril 08, 2008

O dia 8 de um Abril passado



Há não muito tempo, uma senhora na zona ribeirinha de Gaia explicava-me que 77 tinha sido um dos melhores anos para o vinho do Porto.
É portanto correcto afirmar, não metafóricamente, que 77 é uma boa colheita.
Passando o facto para o ano de nascimento tenho para mim que a verdade se mantém.
Contudo, confesso alguma inveja pelos chamados "filhos da revolucão".
Malta que considerou que o PREC seria o momento para mais uma agitadela.
A sequência, nas palavras de um vereníssimo Prof. J.H.Saraiva, seria mais ou menos esta:
"Acabou a ditadura!!"
"Vivaaaa!!"
"Podemos dizer o que nos apetecer menos falar mal do socialismo!!"
"Podemooos!!"
"O PREC está a escavacar tudo mas como podemos falar em grupos de mais do que 3, não nos importamos!! "
"Nãooooo!!"
"O bloco central está a preparar-se para criar um rolo compressor de dinheiro chamado "lobby do betão" !!"
"Ãoooooooooooo!!"
"25 de Abril sempre"
"Sempreeee!!"
"Vamos ao cinema ver o John Wayne!!"
"Vamosssss"
"Ahhh…o Cunhal está a usar o cinema para um comicio!! "
"Nãoooooo???"
"Vamos ver o ZIP ZAP do Julio Isidro então!!"
"Largaaaaaaa!!"

E era isto. As criancas eram geradas.
Décadas depois o estilo total surge na frase: "Sou filho da revolucão!"
Depois de Tordesilhas, o largo do Carmo e o gajo em cima do chaimite foram OS momentos.
Nascer na ressaca de tais acontecimentos dá logo outro brilho ao chamado, BI.
Se me é permitida a confidência, simpatizo com filhos da revolucão.
Acho que trazem no sorriso o encanto da liberdade e nos bracos o conforto do mundo.
Ou então são os meus olhos.
Mas é com eles que vejo.
E ainda bem.
Parabéns Sofia.

terça-feira, abril 01, 2008

Arbeit macht frei


O tempo anda a correr mais do que eu.

Também já ando a ficar velhote e os ossos pesam.

Se não fosse isso ainda o apanhava!!

A ele, ao tempo.

Para a semana dedico-me à nobre arte de articular letras em formato Luso neste espaco.

Para já tenho que continuar a chapar massa e rapidinho, do outro lado do mar do norte.

Troco o salmão pela cervejola, mas só por uns dias.

Até lá, auf wiedersehen!

Bolas...já sabia que isto ia acontecer...CID garantido para o dia todo!!

Adio, adieu...lá lá lá KEn Lee....

sexta-feira, março 28, 2008

Olhar para o lado II

...mas com esta conversa toda esqueci-me do que queria dizer.
Por continuar a usar a comunicação social portuguesa para saber o que se passa no mundo, de vez em quando (não raras vezes), apanho a chamada "camada de nervos", com as notícias internas.
A última dava conta de um exótico projecto de lei que visava a proibição de piercings (já não me lembro se era zó nas zonas genitais, mas é irrelevante para o caso). Segundo a notícia, a fiscalização (uma nova ASAE mais vocacionada para o genital) também está prevista. Já estou a ver aqueles putos todos furados de cuecas na mão no metro enquanto os senhores do bigode averiguam.
Que um deputado (PS) tenha esta alucinação, eu ainda compreendo. Que uma bancada inteira (ainda por cima a que sustenta o governo) ache normal, é que já me parece um pouco mais surreal. Vão trabalhar camaradas.
Com tantas coisas importantes que o governo tem para decidir nos próximos tempos, estão a criar trabalho extra com uma lei que até faria os irmão polacos corarem de vergonha?
Zé...veste o fato-de-treino e vai dar umas 20 voltas ao Terreiro do Paço pá.
Vais ver que depois de oxigenares o cérebro percebes o rídiculo da questão.
Ahh...e não te esqueças da ponte sff.

Olhar para o lado




Já aqui cheguei há 2 anos.

O tempo passa a correr quando estamos a gelar o sim-senhor.

Continuo, como não podia deixar ser muitíssimo ligado a Portugal. E quando digo ligado não me refiro às saudades do peixe grelhado, dos jogos na catedral, da t-shirt 10 meses por ano, dos amigos, da família ou de pastéis de nata. Refiro-me, isso sim, ao facto de continuar a usar os mesmos utensílios de informação e até a manter hábitos que vêem daí.

Seria de esperar que usasse, por exemplo, os media locais para saber o que se passa no mundo. Contudo, continuo a acompanhar quase diariamente as notícias de Portugal e a usar os jornais portugueses para saber o que se passa no mundo. Não sei porque o faço sinceramente.

Uma das razões será a impressão de "24 horas" que os jornais locais me causam. As capas têm sempre facada ou mexerico...

A outra será, provavelmente, o facto de dividir o meu dia por 3 línguas das quais só uma me sai sem pensar. Quando chega a altura de receber mais informação, a preguiça vence e quero que ela chegue da forma mais directa possível. Farto de ouvir a Whitney Houston nas rádios locais comecei a sintonizar o programa da manhã na Comercial. Depois de assistir ao vivo a uma espécie de luta greco-romana a que eles chamam hoquéi no gelo, resolvi procurar piratas e descobrir sites onde pudesse ver o Benfica. Também é doloroso, mas não tanto.

As futeboladas semanais deixaram de ter caras de muitos anos e passaram a ser feitas com paquistaneses, iranianos, chilenos, ganeses, etíopes, franceses, italianos, chineses e claro, suecos.

No fundo, faço o possível por me integrar mas arrasto um pouco da minha vida anterior comigo. As partes que me interessam claro !

Acho que é natural...

A verdade é que por muito que me custe ver o rumo de Portugal, não passa um dia em que não pense no rectângulo e não consigo deixar de ter esta vida dupla.

Sinto-me bem aqui, mas tenho pena de não estar lá.

Será isto possível?

É.

Num mundo perfeito, trabalhava aqui e quando saísse (às 16.30h obviamente) lanchava em Belém (mas no meu sonho ia para lá de bicicleta e chegava vivo), via um filme no King e adormecia perto do Sado.

No fim-de-semana acordava na figueirinha, almoçava um salmonete e lá pelo jantar fazia um grelhado junto a um dos inúmeros lagos de Gotemburgo.

O que me dava jeito era que o Bill Gates investisse num portal do tempo, à la star trek, ou numa perspectiva mais "realista", que o Sócrates fizesse uma ponte (inaugurada com feijoada de salmão) entre Lisboa e Gotemburgo.

Discute-se agora a terceira travessia do Tejo e parece-me incrível que ninguém tenha ainda atirado este proposta para a mesa. Lisboa-Barreiro com portagens em Gotemburgo e Paris, que parece que também há lá dois ou três gajos.

Estou certo que há fundos naquele saco azul chamado UE. Depois de 30 auto-estradas ninguém vai achar estranho.

Vá Zé...pensa lá nisso que eu estou a salivar por um "sááái um nata e um galão!!!"

quarta-feira, março 26, 2008

Quo vadis?

Luis, Luis, Luis...
Se me telefonares e disseres: "Tjiago, eu quíria ter meismo, meismo, meismo a cérteza qui não léváva meia dúzia dji bábáca párá ú Europeu e por isso fíz úmas expérimentacões "
Eu pergunto: "Mas ó Luis, depois de não ganhar à Finlândia, Sérvia, Polónia e Itália, não era altura de se criar um fio de jogo para dar ânimo aos nossos fashion boys ? "
"Fio dje...?"
"Jogo Luis, jogo pá! Passa, desmarca, chuta, essas coisas!"
"Banco é caixa e ..."
"Não Luis, assim não vamos lá..."
"Tive pouco tempo para treinar ús mininú e ..."
"Não, com essa também não. Que eu saiba os gregos não se juntaram no mês passado. Aquele larga fruta do meio campo ainda há 3 dias estava em Lisboa a comer pastéis!"
"Pingulim é matraquilho e ..."
"Bom, vamos lá a isto que eu ajudo. Fazemos como no Fêcêpê. Na véspera de cada jogo o Sousa Tavares explica a estratégia no jornal e o pepsodent copia linha por linha. Como tu não lês o MST porque ele te chama nomes, puxa aí da caneta..."
"Cardasso é atacadô"
"Caneta Luis que eu tenho que me ir deitar...nem todos trabalhamos 1 dia por mês."
"Manda aí cára!!"
"Dizes ao Deco para parar de comer tapas cheias de azeite para ver se perde aquela bocha..."
"Tapa?? Para defendê ú mininú??"
"Não pá!! Daquelas para mastigar!! O gajo está gordo e não pode com o croissant!!"
"Ah...legáu!"
"Esqueces os seguintes nomes: Caneira, Ricardo Falsete, Carlos Martins, R. Meireles (mas quem é que se chama Meireles??) e P. Ferreira.
Decoras estes: Petit, Bosingwa, Nani e Maniche."
"E é só cárá??"
"Não. Alinhas estes 11: Quim, Miguel, Bosingwa, R. Carvalho, B. Alves, Petit, Moutinho (ou Deco se ele estiver sem bocha), Quaresma, Nani, Ronaldo e H. Almeida"
"Não tem Ricardo Falsétxe???"
"Não. Pelo menos contra equipas que jogam com extremos e fazem cruzamentos para a área."
"Máis, máis...téin time qui joga sem álás???"
"Não. Não é maravilhoso?"
"E dipóis?"
"Depois dizes ao Bruno Alves para limitar o número de ossos partidos para uma tíbia por jogo e ao Ronaldo para não passar a bola a ninguém. É preferível que ele centre para a sua própria cabeca. Os pontapés de baliza podem ser marcados por outro gajo...mas não o B. Alves que ainda parte uma perna.
E é isto...
Tomaste notas?"
" Isso cára...isso...olha...comú sí ixcréve Fálsetxe?"

A pontaria

Na aula de sueco a professora distribui uns jornais...
"Escolham um artigo para falarem sobre ele", diz.
Procuro em 3 jornais e vejo um que me parece interessante.
Estou pronto.
"Muito bem, agora facam grupos de 3 e apresentem o vosso tema."
Há 2 brasileiros, 1 ucraniana, 1 grego, 1 inglesa, 1 alemão e 1 italiano.
Sou sempre separado dos brasileiros para evitar que Camões se meta quando o viking emperra.
O grego fica com a ucraniana e com a inglesa.
Acabo no grupo do italiano e do alemão.
O primeiro fala sobre a tecnologia VoIP (voice over IP para os filósofos).
O segundo discute um artigo que descreve uma ilha sueca.
"E tu Tiago? Que artigo escolheste para falar?", perguntam em coro.
"Este aqui da Gestapo".

A galheta

Depois de ler esta notícia do Expresso e ver o vídeo fico na dúvida sobre o que me choca mais.
A gritante falta de educacão da miúda em questão, a passividade dos demais enquanto assistem à cena ou a exclusiva preocupacão em que ninguém atrapalhasse o momento cinematográfico por parte do atrasado mental que filma a "paródia".
É em casa que se educa e não raras vezes, os miúdos são o espelho dos pais.
Há ali algumas criancas (nomeadamente a protagonista e o "realizador") que não têm a mínima nocão do que é o respeito pelo próximo ou o que significa viver em sociedade.
É quando vejo animaizinhos destes, que me lembro sempre de uma frase repetida por quem viveu outras eras: "Sacudir o pó de vez em quando não faz mal e educa."
Ahhh...o poder milagroso do clássico par de estalos.
Aposto que os papás desta nova estrela, até acham que a professora não tinha nada que mexer no telemóvel da menina.
Sindicatos coca-saco do costume: facam o favor de fingir que ainda têm principios a defender e levantem a voz.
Este é que é um assunto que afecta (e prejudica) os professores.

quinta-feira, março 20, 2008

Öland, com aquele Ö dificil de dizer



No que toca à religião os suecos são muito esclarecidos: luteranos na forma encontrada para falar com Jesus All Mighty e católicos quando toca a papar feriados.

Eu, que estou para a religião como o Menezes está para as ideias, gosto ainda assim de um bom feriado.

"Rumo a Este", dizemos olhando para o mapa (sim, daqueles de papel, como antigamente...não queriam que num carro com 20 anos estivesse um tom-tom pois não???).

3f há mais.

Ate lá, forca nos chocolates e toca a engordar.

Boa páscoa.

Ou como aprendi ontem: Glad Påsk!