segunda-feira, janeiro 21, 2008
Os chenêses
Procuro a torta.
Bolas. Todos os lugares em volta estão ocupados.
Sven, passa aí uma fatia sff.
Jonas, pede aí ao Erik para cortar uma fatia para o Tiago.
Ruuh,ruuh,ruuh (serra IKEA).
Toma Jonas.
Obrigado Erik.
Toma Sven.
Obrigado Jonas.
Toma Tiago.
Obrigado Sven, Jonas e Erik.
Mexo o chá. Amora silvestre.
Chomp, chomp, chomp....slurrrp, slurrrp, slurrpp.
Ahhh...o bolo alimentar está feito e olho agora atentamente para o power point.
Já lá vão uns bons 63 segundos de observacão. Chega.
Olho em redor e observo os nativos.
Viking, viking, viking, chinês, viking, viking, viking.
Olha, nunca tinha visto o chinês.
Sven, mais uma fatia sff. Este gosto a canela dá cabo de mim.
Vou-me apresentar. Fica sempre bem.
Meto a música e sai a frase:
My name is Franco, Tiago Franco.
Mas pode tratar-me por Tiago.
Prazer.
My name is Po.
Chu Fong Soy Lin Tang Ming Po.
Chu Fong Soy Lin Tang Ming para facilitar.
O prazer é meu.
domingo, janeiro 20, 2008
Objectivo: Europa e América do Norte
sábado, janeiro 19, 2008
Os desbocados
Nos saudosos tempos do Humberto Coelho bastava um simples levantar de braco e o fora de jogo estava assinalado.
Entravam na catedral e mal seguravam os joelhos.
Eu ainda não andava por cá, mas era bonito de ser ver. Diz que.
Hoje, qualquer badameco vai ao estádio da luz convencido de que qualquer resultado que não seja uma goleada aos coxos de vermelho é "injusto".
O artolas do leixões depois de jogar 90 minutos para o empate disse "que a vitória lhes assentava bem", hoje é o penteadinho do feirense que reclama os louros de encostar o glorioso às cordas.
Camaradas, a ver se nos entendemos.
Eles não jogam nada, têm a moral em baixo e o Luis Filipe ainda tem as duas pernas.
Tudo verdade.
Mas a estátua do Eusébio ainda está lá ou não?
As camisolas ainda são papoilas saltitantes ou não?
Vamos lá a ter respeito pela "instituicão".
Hum, hum, hum....e hum??
Ps - Há alguma razão para que o LFMenezes apareca rodeado de jornalistas nos mais diversos sítios a comentar toda e qualquer notícia? Sousa Tavares, tu abre o olho senão ficas no desemprego.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Servico público
Apesar de já não pagar impostos em Portugal (ATENCÃO malta das financas: como a Suécia é um dos países que contribui na UE e Portugal é dos que recebe, ao pagar aqui, acabo por entregá-lo no mesmo sítio, ok?), fico contente por vocês que pagam.
E aposto que vocês também ficam contentes de saber que esses impostos permitem um investimento no canal público, que possibilitam por sua vez que a comunidade emigrante acompanhe notícias, debates e novidades do rectângulo.
Contentes?
Óptimo.
Via o debate no prós e contras sobre a Ota, Alcochete e o relatório do LNEC.
Maravilha.
Conclusão óbvia: ninguém leu o relatório que supostamente se discutiria.
O Miguel Sousa Tavares leu, mas não foi convidado.
Para lembrar: As palavras de um ex-comandante da TAP sobre a seguranca em Alcochete. Existe, é perfeita para a navegacão aérea DESDE que os autarcas não permitam a construcão de prédios em cima das pistas, como aconteceu ao longo das décadas na Portela.
Para esquecer: O dia em que o presidente da C.M das Caldas da Rainha nasceu. O típico autarca português sem qualquer argumento que não seja a defesa dos lobbies que o suportam. Entre outras pérolas fez questão de explicar como encomendar estudos viciados. A honestidade fica clara e a inteligência também. Fernando Costa e os seus 20 anos de autarca, envergonham qualquer bom português.
E agora até logo, que está na hora do telejornal.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Em Londres

British Airways?
A falhar uma aterragem em Heathrow?
Não há lógica que suporte a minha teoria.
Bom...sobra a Lufthansa, a KLM e a sempre amiga TAP.
Sócrates o discípulo de Platão...ou seria ao contrário?

Todos temos um objecto preferido.
Na minha idade esse objecto devia ser a playstation acompanhada do fiel amigo Pro Evolution Soccer. Reconheco-o.
Mas não é.
Isto não significa que não tenha treinado Tiago (no verão, no verão...).
Para mim, o objecto mais espectacular e que mais gosto de contemplar é o mapa mundo.
Um folha de papel com algumas cores, nomes de cidades e fronteiras faz-me pensar horas a fio.
Ver as velhas fronteiras europeias, as sempre em mudanca e rectilínias fronteiras africanas, a imensidão da Sibéria e as incontáveis ilhas do pacífico.
O sonho comanda a vida e se há talento que eu tenho é o de sonhar. Acordar é que é mais dificil.
Ver este sítio, perceber como vive aquele povo, conhecer a evolucão do mundo como um só espaco e concluir onde e como nos encaixamos nele.
Olho para o mapa.
Penso nos sítios onde decididamente não quero ir. São poucos, muito poucos. Os dedos das mãos chegam para contar.
Volto a olhar.
E os que quero conhecer?
Bolas…ainda por cima só vou viver 120 anos. Não dá tempo de ir a todo o lado.
Proridades.
Sydney ou Vancouver?
Andes ou Himalaias?
Pacífico ou Índico?
Phi-Phi ou Bora-Bora?
Moscovo ou Pequim?
…
Não consigo.
Podia ficar aqui mais 3 dias a escrever locais por onde quero passar.
Será estranha a sede de conhecer e de aprender?
Acho que não. Estranho é recusar o conhecimento ao ponto de não perceber onde é o que meu quintal se situa.
Exemplo:
Alguém que passe na Amazónia tem a possibilidade de ver paisagens maravilhosas e de observar um dos últimos recantos verdes do planeta.
Além da beleza natural, há ainda a hipótese de ver como vivem as populacões indígenas. A experiência, serve não só para revelar novos credos e culturas, mas explica também (em parte) os dramas da ocupacão portuguesa.
Há sempre algo a aprender sobre nós e sobre quem nos rodeia em cada curva.
Se eu fosse dentista ou um gajo desses que tem um consultório com uma sala de espera, enchia as paredes e mesas de mapas.
É uma alternativa à clássica Maria e TvGuia que normalmente saltitam nesses espacos.
Os pacientes perderiam a hipótese de relacionar gravidez com escova de dentes, mas perceberiam que a Eslováquia não é a outra metade da Eslovénia.
Há algo de mágico ao olhar para um mapa.
A Oceânia é já ali. Basta-me desviar um pouco o olhar. Mais um salto e passo nos Urais. Estico um dedo e toco no Sahara. O google earth é particularmente cruel neste ponto. Cada m2 do planeta está lá. Um simples click e estou em sítios do meu imaginário com fotografias reais.
É impossivel ver sem sonhar.
Como é que há gente que não tem curiosidade de ver o que nos rodeia?
Este é que é para mim o grande mistério.
Isso e o tempo para a reforma.
terça-feira, janeiro 15, 2008
A orquestra
O cd é o mesmo há 2 meses.
Um dia, sim um dia, vou trazer aquela caixinha onde guardo outras opcões musicais.
Mas com calma que a preguica será sempre uma forma de arte.
Rodo a chave.
O carro pega.
E é isto.
Pega e não chateia.
Neste país tropical, o velhote, a um ano de completar a sua primeira vintena pega sempre ao primeiro esticão. Valente!
Sigo o caminho e canto as músicas que já sei de cor desde os 14 anos (sim Tiago, é esse ao vivo no armazém 22!).
O carro acompanha como pode. Eu canto e ele, entre molas velhas e chapa cansada, faz a percussão.
Já conheco todos os ritmos que ele usa para entrar no espectáculo. Mas respeito-o. Quem não ginga preso por arames?
Puxava eu pelo pulmão quando ele desafina. Crác diz ele, quando ali entrava sempre com um tóing.
Huummm....baixei o rádio e deixei-o cantar a solo.
Esperava o tóing, tóing da mola velha ao passar na lomba. Insistia no crác, crác desafinado.
Parei. Debaixo deste sol que tipicamente enche a escandinávia em janeiro, dei aquela volta de quem percebe do assunto .
Olhei para os quatro pneus. Abanei-os com o pé.
nhonga, nhonga diziam eles. Tudo bem.
Ao quarto ouvi tlim, tlim.
Resolvi tirar as mãos dos bolsos.
Baixei-me e de cócoras (que bela palavra para se escrever) abracei o pneu. Dei-lhe um abanão dizendo em surdina: "Então pá? Que mariquice é essa? Aqui está frio e eu quero voltar para a sofage !!".
Ele não se sensibilizou e respondeu com um tlim, tlim, tlim.
"Quero o Santos!!!", gritou.
Muito bem. Não gosto de gente contrariada e passei no Santos.
Xiiiii cára!! Partiu essa pécá nú amortecedô. Tem qui tirá e metê nôvú.
Quanto?
Aí...miú dá peca, míu-dôis míu prá mexê...
Humm....
I si muda dum ládú, têm qui mudá dú outrú.
Mas...
É Tjiágú...sinão, numa semana quebrô ú outrú támbéin!!
Quanto?
Aí.....máis miú.....
Total?
5000 miú, maís coisa, menús coisa.
Fazemos o seguinte Santos, no domingo vou de férias e...
Ai é? Vái prá ondji? Vái com a isposa? Jóia dji pessôa! Tudo dji bôm prá vocêis!
..e por isso arranjo no regresso. Dentro de um mês passo cá.
Máis porrrquê? Diz à hóra i ú vôo e nóis vamú lâ pegar o carro nú aéróporrto. Quando tú chega, aí deixâmú o carro ti esperêndú!
Quanto?
Náda. É camaradágem com ús clientxes.
Se é camaradagem tudo bem.
A propósito, conheces o BES ?
Ps - Tenho que fazer esta nota para não deixar uma impressão errada. O Santos, a pessoa que me desenrasca todas as dores do carro, tem, ao contrário dos servicos suecos, uma disponiblidade total 12h por dia. Qualquer coisa que seja necessária fazer no carro ele faz, nem que a oficina esteja a 5 minutos de fechar. Resolve os problemas mecânicos, eléctricos, lava o carro, vai com ele à inspeccão e nunca diz que não.
Tem um jogo de anca muito brasileiro a que eu acho piada e ao qual dou valor enquanto emigrante. Ele não foge do trabalho. Não o faz de graca, mas é um autêntico faz-tudo.
No outro dia liguei e perguntei se eles vendiam pneus. Eu sei que não vendem, mas a resposta foi: "Claro, é a nossa especialidade!". Desligou o telefone e foi a um fornecedor de pneus buscá-los. Desenrasca-se e cobra por isso. A camaradagem de ir buscar o carro ao aeroporto deve-lhe ter passado pela cabeca enquanto falávamos ao telefone.
Ali há tudo. Como na farmácia.
Basta levar o dinheiro. Em nota! Cartões são para jogar ao monopólio.
Há água no Terreiro do Paco !!
Toca a chapar massa.
Ou a oferecer barbatanas com o correio da manhã.
Mais semana menos ano, a obra fica pronta.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Do telejornal e jornais (online), coisas que enervam:
Ora meu amigos, como sabem, esta água engarrafada está rodeada por todos os lados de plástico que demora 500 anos até se decompor (a não ser que facam como o macaco Adriano e passem no ponto verde). A pergunta que se impõe é esta:
Que mariquice é essa camaradas?
Exceptuando o território algarvio, basta dar um pontapé em qualquer zona no resto do rectângulo e uma fonte de luso fresquinha comeca a jorrar. Água da torneira em Portugal é um verdadeiro luxo. Deixem lá o novo riquismo e sejam amigos do ambiente. O Al Gore agradece e aquele gajo careca com óculos-onde-está-o-Wally da Quercus também.
2- Crónicas a comparar fumadores com judeus no gueto de Varsóvia
Gente que escreve coisas normalmente com sentido (MST e Inês Pedrosa à cabeca), entram numa espiral de angústia, disparando para todo o lado e comparando coisas incomparáveis. Que eu saiba, ainda não há fornos para fumadores…
Ninguém lhes pede (aos fumadores) que deixem de fumar. A única coisa que se tenta com esta lei, é dar o direito de escolha sobre o acto. Quem quer fuma, quem não quer não fuma. Até aqui essa opcão não existia. É que os pulmões não distinguem fumo activo de fumo passivo.
Defeitos de fabrico, eu sei.
Fumadores, escrevam ao criador e apresentem aí as vossas reclamacões.
3- Optimus laranja
Aquela publicidade da Optimus com as bolas laranja é provavelmente, a coisa mais estúpida e irritante do mundo. Bloqueia o acesso aos conteúdos e enche o ecrã impossibilitando por um certo tempo o visionamento das notícias. É esta a técnica de marketing? Irritar as pessoas?
Como diz o meu avô: "O que é que foram fazer à escola?"
4- Jamais
A discussão em torno de Alcochete resume-se ao jamais de M. Lino. Há um milhão de coisas a discutir como o porquê da Portela+1 ter ficado na gaveta, os custos desta obra, a nova travessia do Tejo, a especulacão imobiliária que deve ser travada para que daqui a 20 anos o novo aeroporto não tenha habitacões a 2Km e por aí fora.
O que interessa é crucificar um ministro. Por muitas asneiras que ele diga (e se as diz!), o interesse público deve sobrepor-se a isso. Pelo menos nas cabecas (e perguntas) dos jornalistas.
5- Cavar a terra
Colegas do Tiago (na 3a pessoa como o Jardel) que aparecem pela fresquinha no pequeno-almoco das 8h com as unhas cheias de terra. Vá lá pá! Início da semana! Não podias ter tomado uma banhoca?
Sim, eu sei que não apareceu no telejornal. Mas devia.
sábado, janeiro 12, 2008
Just another day
O benfica a não jogar nada.
90 minutos de vida perdidos nesta merda.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
O mecenas

quinta-feira, janeiro 10, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
Al-Kahder, Belém

segunda-feira, janeiro 07, 2008
O gajo dos condensadores
Poucos dias depois do natal, num convívio daqueles que enchem a alma desta vez na Casa da Morna (que cachupa meus amigos, que cachupa!), pergunta-me uma amiga se o meu terror de voar se prendia com alguma má experiência.Define "má experiência".
Para quem não gosta de voar um poco de ar pode ser a pior coisa do mundo, para quem dorme e baba a viagem toda, é apenas mais um minuto. É a sensacão de nada poder fazer e de entregar o destino ao gajo que apertou os parafusos, ao outro que testou o sistema de navegacão e rezar para que o responsável pelos testes no motor não tenha adormecido. É psicológico. Aceito.
Ainda assim, foi com espirito de "vamos a isto" que entrei no Porto, esta 5f, no vôo de regresso para Estocolmo.
A Ryan Air não é muito diferente da Barraqueiro. Aterra, encosta bem longe de uma manga, mete o lixo num saco e enquanto saiem uns, já estão outros a subir a escada. Mete 1a e segue.
O gajo da gasolina mal tem tempo para desengatar o tubo.
Entro no avião e parece que estou no cinema da Luisa Todi. Não há lugar marcado.
Na dúvida opto pela fila da esquerda. Sai-me mais natural.
Já eu estava sentado quando se abate um dilúvio no Sá Carneiro.
Neste cenário o avião levanta vôo.
Comeca a furar as nuvens e após 30 seg no ar vê-se um clarão seguido de um barulho de rebentamento sobre a asa esquerda.
Aqui abro espaco para a retórica: um doce para quem adivinhar o nome do artista que se sentou nesse lugar.
As pessoas no avião assustam-se e gritam. Eu vejo o clarão e digo: "#¤%&% o motor rebentou!!!"
Ao meu lado, uma voz calma acrescenta: "Não foi o motor. Repara que o avião continua a subir."
Sempre quis ter uma discussão sobre rebentamento de motores no ar. Descontrai-me.
Passado algum tempo e já com o avião direito, o comandante veio explicar que tinha sido um relâmpago e tal, por isso agora relax e vamos seguir viagem.
Relax?
Nessas 3,5h a única coisa que fiz foi olhar para o motor.
Ah...e pedir aquele tinto manhoso que eles por lá vendem.
Ao meu lado vejo gente a ler, a dormir, a ressonar. Já não estão assustados.
Tudo bem.
Eu fico agoniado por todos.
Tenho a sensacão que disse "nunca mais vou a Portugal com nuvens" o que é uma coisa com um sentido que um dia conseguirei perceber.
Agora dizem vocês, ou dizes tu Hugo, mas não sabes que o avião quando leva com um raio tem um comportamento de gaiola de Faraday ?
Essa é a parte bela da ciência. Todos acreditam mas ninguém quer testar. Numa esplanada, a beber um café e com os pés no chão tudo faz sentido. A 5Km do chão até em Deus acredito.
...
Acho que isto conta como má experiência.
domingo, janeiro 06, 2008
sábado, janeiro 05, 2008
Olá 2008
Long, long time ago...vá, 20 anos para ser mais preciso, coincidia o número de velas do meu bolo de aniversário com o número que o maestro usa nas costas quando Lisboa aparecia aos meus olhos como o centro do mundo. Dos sítios por onde o destino me fazia passar, Lisboa era a maior, a que tinha mais luzes, mais carros, mais lojas e mais confusão.Lembro-me de levantar vôo em S.Miguel e 2h depois ficar encantando com a quantidade de luzes com que Lisboa me recebia. Era A cidade.
Os anos passaram e as voltas alargaram-se.
A observacão contínua de outras realidades tem a enorme desvantagem de nos situar em várias escalas. Retira a magia.
Há pouco menos de uma semana, passava na baixa pombalina e perguntava-me porque gosto tanto de Lisboa?
Tem uma luminosidade única e foi a cidade onde nasci e passei parte da minha vida. Objectivamente são estas as razões que ainda posso apontar.
Os restantes atributos que fizeram de Lisboa uma cidade esplendorosa estão hoje no seu estado "américa latina".
A cidade projectada pelo M. do Pombal (até deve dar voltas no túmulo...) está hoje totalmente em ruínas. Há prédios sem tinta, paredes partidas e fachadas a corar de vergonha. No centro histórico! Maior parte dos edíficios estão sujos e em mau estado de conservacão. Felizmente existem bancos naquela zona senão ficava tudo transformado num autêntico galinheiro. As casas na colina do castelo esperam que um vento mais forte as encoste ao chão.
Qualquer ruela tem prédios a cair. Perto da Alameda, Saldanha, Campo Pequeno, Praca de Espanha, etc, etc. Escolham.
Fora do centro histórico o conceito arquitectónico chama-se "bloquismo".
Blocos e blocos de cimento arrasam qualquer pequeno canteiro. Meter um cão a mijar é hoje em dia uma aventura. Um exemplo clássico: telheiras.
Uma das zonas mais caras da cidade com prédios a perder de vista, entalados entre a 2a circular e o eixo N-S. Vista de sonho.
Aliás, todas as vias rápidas que atravessam a cidade têm uma grande vantagem: fazem uma espécie de "taipal" para a construcão de prédios. Quando toca, está bom.
O rio. Lisboa foi bafejada pela natureza com um rio enorme que a contorna durante largos Km's até encontrar o Oceano.
Até sair de Lisboa eu pensava que era normal um rio existir apenas para ter cacilheiros. Depois de ver meia dúzia de cidades, percebi que as pessoas podem ler um livro num jardim com vista para o rio, que podem andar de kayak, almocar ou beber um café numa esplanada enquanto vêm o seu reflexo na água e por aí fora. Lisboa, deve ser das poucas (para não dizer única) cidades europeias com rio onde a populacão não o consegue aproveitar.
Aproveitar?
Eu diria: ver!
Tapumes em Sta. Apolónia, contentores no poco do bispo, um mamarracho novo no C. do Sodré, docas em algés, etc,etc.
É difícil ver o Tejo. E não é por ele ser pequeno...
Madrid, Barcelona, Valência, Paris, Londres, Munique, Dresden, Estugarda, Frankfurt, Dublin, Zurique, Budapeste, Ljubljana, Zagreb, Split, Oslo, Helsínquia, Estocolmo, Gotemburgo, Copenhaga, Veneza são algumas das cidades europeias que têm o seu centro histórico conservado. Algumas delas totalmente desfeitas na II GG ou na guerra dos balcãs estão hoje em condicões de receber turistas e de proporcionar bem estar a quem lá vive.
A II GG não passou por Lisboa. Depois de 1755 as únicas calamidades foram a corrupcão, políticos de algibeira e uma populacão pouco activa para meter governantes na ordem.
Enquanto outras capitais conservam (pelo menos) o seu centro histórico, nós deixamos o nosso cair. Nem deixámos que lá viva ninguém, nem retiramos proveitos turisticos. Para não ir mais longe, penso apenas o que fariam os espanhóis se tivessem uma cidade com o potencial de Lisboa.
Rio, Mar, Sol, Arquitectura, História, Beleza Natural, Gastronomia, Museus, Espectáculos. Está lá tudo. Mal aproveitado, mas está.
Objectivamente, recorrendo aos olhos da razão, tenho que me esforcar para encontrar o esplendor de Lisboa no presente.
Sobra-me a emocão e o bater do coracão.
Essa não muda, nunca mudará. Felizmente.
Lisboa é a minha cidade.
Mas perde cor em cada regresso.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Férias no estrangeiro

Olha lá, o natal não é na segunda-feira?
Acho que não. Não é só quando um homem quer? Epá não. É já na segunda!!
E o bacalhau pá?? O bacalhau??
Não sei. Bacalhau nestas águas da Noruega sabes que não tem muita saída...
É verdade. É melhor dar corda aos sapatos para Portugal. Lá há muito bacalhau.
Sim, é melhor apanhar a carreira 27 da Ryan Air. Hiiii....mas isso não vai para o Porto?
Vai.
Mas só custa uma sandes de torresmo e o choque cultural não é tão grande.
Ai sim?
Sim, falam todos estrangeiro.
Temos até Coimbra para afinar o sotaque. A partir daí falam a mesma língua que nós.
Hum...visto assim...
Além do mais podemos ver a maior, aliás a Máiór, árvore de natal da europa.
A do Terreiro do Paco?
Dos Aliados, este ano está nos Aliados.
Não podem ver nada que ficam logo com ciúmes.
Que pena...logo foram retirar esse marco cultural da capital. Que chatice...
Bom, vamos andando que eu estou doido para comecar a ronda das capelas olá-pai-bom-dia-olá-avó-boa-tarde-olá-mãe-boa-noite.
E o almoco?
Olha, já que vamos para o estrangeiro eu apostava numa francesinha.
Capa negra?
Porque não?
Imperial?
Fino.
Bica?
Cimbalino.
Serve.
Mariana, aguenta o sono sff. Estou a caminho.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
O dia 20 deste mês
quarta-feira, dezembro 19, 2007
O oceanário

Há 11 anos atrás, um ficheiro excel com o título "orcamento" tinha na linha "total" o valor de 165 M de euro. Já era um valor que arrepiava.
Para que é que estou a dizer isto? Sei lá eu quantas notas de conto dão 165 Milhões de euro.
De qualquer forma, era para cima de 200 contos de certeza.
Água fora e água dentro, a obra terminou e parece que o ministro já deu uma voltinha.
A derrapagem - tenho que fazer aqui uma pausa para sugerir
à malta das obras que adicione uma coluna no excel que enviam para o ministério com o título "derrapagem". É tão clássico e tão galinha dos ovos de ouro que me parece justa a sua inclusão no orcamento inicial - levou a construcão deste pedaco da linha azul para uns valentes 299 Milhões de euro. Mais de 400 contos parece-me.
Ainda assim o pormenor do 299 cheira-me a esturro.
Eu acho que foram 300 mas por vergonha colocaram um 299 à "la Lidl".
Vamos deixar o dinheiro de lado.
Como diz o Mário Soares, o que o país precisa é de ideias, o dinheiro logo aparece.
Tal e qual Marocas.
Depois de 11 anos a partir pedra, ainda assim, não tiveram tempo de fazer uma vistoria em condicões. Falta de tempo. Há que cumprir prazos. Entende-se.
Pelo menos é o que diz o chefe dos bombeiros. A seguranca não está garantida.
Mas esta malta dos bombeiros quer é aparecer nas notícias.
Certo.
Deixa lá ver se entendo: 11 anos para fazer duas estacões de metro, o dobro do orcamento e dúvidas na seguranca ?
Três perguntas:
1 - Quantas casas novas comprou o presidente da Teixeira Duarte?
2 - O passe do metro traz barbatanas?
3 - Quanto tempo vai demorar o P. Portas a dizer que com os 134 M da derrapagem o estado poderia comprar uma placa nova e dois penicos de cerâmica para cada velho do país?
Que saudades do meu cantinho.
Ainda bem que é natal.
terça-feira, dezembro 18, 2007
Os descobrimentos fora da cartilha

O jingle e o bell

Quentinhas.
Cantarolei nos recantos da alma esta parte da cancão algumas vezes durante o fim-de-semana.
Porquê?
Porque deslizei o corpo pelas ruas de Estocolmo com a temperatura a chegar aos -8 graus e não menos importante do que isso, porque não sei o resto da letra.
Apesar do frio (para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente,para a próxima levar roupa quente) atingir aquele limite do "quero ir a correr para casa arrancar a pele num duche a escaldar" fiquei novamente com a sensacão de que Estocolmo foi retirada de um quadro idílico.
Olhando numa volta completa (agora é que são os 360 Futre) respira-se beleza arquitectónica sem interrupcões.
Porque é que não fazem cidades destas na Costa Rica ou em países quentes sem furacões?
A dúvida que ensombra a Humanidade (sim João Pinto, leva "H").
De regresso ao plateau da labuta deparo com fotografias e mais fotografias. Na festa de natal da empresa os meus colegas fizeram o favor de se portarem como japoneses. Há um desencanto natural nas máquinas digitais.
Em tempo idos, outrora para os mais versados, o momento kodak era escolhido a dedo. O rolo de 24 ou 36 era poupado para "aquelas fotografias que valiam mesmo a pena e coiso e tal". Agora, como os cartões de 64874849 Gb possibilitam 263849404038202 fotografias, o momento kodak foi substituido pelo dia kodak.
Cada movimento é gravado. O sorriso branco, o sorriso com espargos nos caninos, o sorriso com restos de massa nos lábios, o sorriso com café nos molares e o sorriso digestivo com discussão filosófica.
Não há qualquer hipóteses da memória arquivar as suas próprias recordacões e construir o seu imaginário.
Está lá tudo.
Para mais tarde recordar.
Em 12637485 fotografias daquelas 3 horas.
Retira um pouco de encanto à coisa.
Além do mais, cada um dos vikings bebeu alguns 10 copos de schnapps (uma espécie de aguardente que vem numas garrafinhas miniatura). O que é que estes gajos querem recordar?
"Vamos a uma bagaceira Tiago!" diziam eles.
Não, não e não.
Com essa não me enganais ó jovem Viking.
Quero uma daquelas com cores e sabor a sumo.
A mim ninguém me engana.
E posso provar.
Em fotografia.
sábado, dezembro 15, 2007
sexta-feira, dezembro 14, 2007
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Porque é que a escolaridade obrigatória deve diminuir

Este Natal não estou particularmente no espírito.
Ainda aguardo calmamente que o verão chegue e já cá está o velhote dos Oh!Oh!Oh!
O centro comercial de Gotemburgo, o único que por cá existe, enche-se de malta até ao tecto para torrar as coroas que saltam de carteira em carteira.
Por ser o único espaco do género, concentram-se aí todas as tentativas de cravar dinheiro durante a época festiva.
Cartões de crédito, produtos naturais contra pele casca de laranja, liga dos amigos dos escaravelhos do sudoeste asiático e mais uma série de causas em tudo relacionadas com o Natal.
Ora, eu não estou no espírito.
Acho que já disse isto.
E apesar de todos os apelos para torrar a coroa, não sinto a mínima vontade de o fazer.
O subsídio de natal, essa imaculada invencão, é uma quase-exclusividade do rectângulo. O mesmo é dizer, que por muito solidário que eu queira ser com os escaravelhos que sofrem na Tailândia, o bolso está igual aos restantes meses.
Estabeleco por isso uma estratégia que me parece genial para não ser massacrado pelos 275 promotores que enchem os corredores do Nordstan (Colombo local). Ando rápido e aceno, sorrindo com um fabuloso "ursäkta, jag kan prata inte svenska" (desculpe, n falo sueco).
A resposta invariavelmente é: No problem sir! What about this credit card?
Na feira
Até poderia ser natural, ou aceitável, a sua falta de preparacão, uma vez que tinha acabado de jogar monopoly com o Mugabe.
Ouvi o debate em directo.
Na altura, os jornalistas acusaram Sócrates de não conseguir responder a P. Portas.
O noticiário da RTP repetiu-o.
Para quem se limitou a ver o telejornal, ficou a sensacão de que Portas saiu por cima. O que é falso.
Portas perguntou a Sócrates quantos polícias existiam nos quadros das forcas de seguranca actualmente e quantas admissões estavam previstas.
Isto é o mesmo que perguntar a um astronauta quantos fragmentos encontrou a caminho da Lua. Ainda assim, mesmo admitindo a estupidez da pergunta, há ainda o "pequeno" detalhe de o debate se centrar no tema da educacão.
Paulinho das feiras fez uma pergunta demagógica, fora do tema em debate e foi iluminado pelos jornalistas como se tivesse descoberto a pólvora nas cadeiras da assembleia.
Nada mau para quem acusa o governo de controlar os noticiários, especialmente o da RTP.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
O clube dos chorões
por Liedson, num pasquim qualquer
(É uma questão de tentarem jogar à bola em vez de passarem o tempo a chorar)
Hoje sim, amanhã não, depois quem sabe

O grande problema de ter um patrão americano, além do trabalho extra para explicar onde fica a Suécia, é não ter dois dias seguidos com a mesma estratégia.
"Money rules" dizem eles…
Jan 2007 - num escritório com vista em Detroit, daquela marca que fazia o carro da Makepeace (e se não sabem quem é a Makepeace é favor sairem do meu blog!!!)
"Quero um carro com asas e ventosas na chapa para acompanhar a Voyager XV na próxima viagem à Lua", diz o gordo chefe lambuzando os dedos com KFC.
"Mas isso é um bocado estúpido", diz o gordo mais leve enquanto tira o ketchup das orelhas.
"Não quero saber. Eu acho giro!"
"Mas estamos um pouco apertados de dinheiro e os lucros não são famosos. Isto para não dizer que NÃO existem!"
"Bom, mas quem é que manda afinal??"
"Tu gordo, tu é que és o boss!"
"Carro com asas e ventosas para 2010 sff!!!"
"Muito bem! E quem é que o faz??"
"Épá…podem ser aqueles gajos louros lá no Maine!"
"Maine? Não temos nenhum tasco no Maine."
"Então quem são os gajos do Norte?"
"Norte da Europa?"
"Da quê?"
"Já percebi. Os suecos."
"Isso, isso, os suecos do Maine. Toca a andar com o projecto."
Dez 2007 - no mesmo sítio mas com mais ketchup
"Gordo, gordo…não temos dinheiro para as asas!! Eu avisei-te que não tinhamos dinheiro!!"
"Epá…e agora??"
"Agora pergunto eu pá? Ou já não és o boss??"
"Cancela, cancela tudo!!"
"Mas já torrámos uns milhões nisto..."
"Que se lixe!! Os gajos do Maine que parem com tudo!!"
"Suécia."
"Isso."
"E o que fazemos com o mercado?? Já anunciámos o modelo com asas!!"
"Huuummm…deixa-me pensar…deixa-me soltar o génio….já sei, já sei…continuamos a vender o mesmo carro que temos hoje em dia e oferecemos um happy meal! Ninguém vai dar pela falta das asas!!"
"Brilhante gordo, brilhante!! É por isso que és o N 1 !!"
"Os gajos do Maine que voltem a cacar marmotas!!"
"Gordo, já agora, porque é que comprámos aquele tasco na Europa se não temos dinheiro para mandar cantar um cego?"
"Não sei, também disse que era mau negócio. Aquilo lá para o Alaska é muito frio. Passa-me o ketchup e limpa as orelhas sff."
terça-feira, dezembro 11, 2007
Choque de culturas II

sexta-feira, dezembro 07, 2007
Na tenda com...
A comunicacão social portuguesa não colabora.
Na rádio tudo se resume a Mugabe.
Deve estar cá ou não, é o único ditador ou não, vai deixar o G. Brown amuado ou não, etc, etc.
Já ouvi um chefe da polícia (de Viseu) dizer que as camaratas para as forcas da seguranca cheiram mal e que só aguentou 5 minutos lá dentro.
Já ouvi um emigrante português em Harare dizer que as escolas são fantásticas, os espacos desportivos muito bons e que o único problema é a economia que "parece que não está tão boa" ("parece" que a inflaccão em julho rondava os 8000%...é capaz de ser um problema sim) .
Já ouvi alguém dizer que o Khadaffi montou um loja do cidadão à porta da tenda para empresários portugueses.
Tudo muito giro.
E lá dentro?
O que se passa?
Já estabeleceram parcerias, já discutiram os direitos humanos ou ainda estão a jogar à bisca?
A reforma é já ali
Um dos anúncios diz-me para comecar a pensar na reforma a partir dos 30 anos.
Olá...isto interessa-me.
Diz a voz do anúncio que afinal não falta assim tanto para parar de trabalhar.
É verdade. Já só faltam 2 horas.
Mas como é que ele sabe?
Sobe, sobe, balão sobe II

Confesso que esta máxima se aplica no momento, dada a quantidade de coisas a preparar neste mês. Há tanto para fazer, tantos detalhes importantes, que as 8h por dia aqui no estaminé não dão jeito nenhum.
Reparo agora que o conceito de "férias activas" se aplica também ao planeamento. Ainda não estamos lá e já estou cansado.
Garrafas que não congelem, botas com asas, casacos com 3 camadas, saco-cama versão sibéria, vacinas para 15 tipos de moscas diferentes, como dar grojas, como evitar ajudas desnecessárias, como beber água, como mictar sem acertar numa cobra, como respirar com pouco oxigénio, como evitar dentadas de leões, o que fazer caso um elefante peca um amendoim, como tomar banho sem água…
Mas não é só meter um pé à frente do outro e seguir?
Parece que não.
Pergunto-me se um africano que vem caminhar para o Alpes leva vacinas, esconde o dinheiro no sapato e usa pastilhas para meter na água?
Não é preciso responderem.
Perguntava-me uma pessoa cuja opinião é para mim muito importante: "Mas afinal, qual é a piada de subir e descer montanhas?"
Fiquei a pensar. Será a paisagem que se descobre a cada passo? Serão os diferentes tipos de vegetacão que nos envolvem consoante a altura? Será a descoberta de um novo limite físico? Será o atingir um ponto alto e dizer "consegui"?
Talvez seja o desafio. O simples desafio imposto.
Então e uma vez lá em cima?
Epá…observa-se a paisagem durante uns segundos porque o frio não permite mais e desce-se. É isso.
Para trás ficaram 5 dias de esforco. Tudo por aqueles 30 seg.
Sim, acho que é pelo desafio.
Se não fosse assim, não chegar ao topo não deixaria de ser uma frustracão. E para mim, não atingir o objectivo, será uma frustracão.
Mas depois alarguei o pensamento para o nosso dia-a-dia. O que é que não é um desafio?
Nada. Rigorosamente nada.
Até estar em casa a fazer zapping entre 40 canais da tv cabo é um desafio. Já tentaram ver um jogo de futebol, um filme e um noticiário ao mesmo tempo? Dá-me cabo da cabeca!
A senhora da agência já foi rebaptizada para Jó. Respondeu e continua a responder às minhas 37 perguntas diárias com uma paciência fantástica.
Apesar de alguns cuidados sérios que devemos ter, nada, rigorosamente nada, entre doencas, animais selvagens, montanha, frio, falta de oxigénio e por aí fora me preocupa.
Para aquilo que realmente devo olhar, passo despreocupadamente pelas brasas. É no acessório que, como de costume, centro os meus olhos: o avião.
Os vôos internos deveriam ser feitos numa companhia chamada Zanair. Uma rápida pesquisa no Google mostrou-me dois espalhancos este ano. Num deles a porta abriu-se em pleno voo, no outro não acertaram com a pista ao aterrar.
Isto é que me tira o sono.
Oxigénio e leões não me dizem nada.
Pedi para ir noutra companhia que também já tinha investigado: Precision Air.
Registo impecável nas bases de dados de acidentes e aviões bem catitas.
Até têm os horários em pdf.
Estou safo.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Aiiiiiiii meu Paraguaiiiiii
domingo, dezembro 02, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
O Ipiranga
in TSF
Um dia no circo

O poder de concentracão não chegou naquela noite fria de Maio, lá para os lados do teatro S. Luis.
Reconheco-o.
A minha vida seria bem mais simples se por alguma razão eu me conseguisse focar num tema, digamos, durante 5 minutos.
Para comecar. Mais tarde tentaria os 10.
Mas não consigo. Tudo serve para mudar a rota do pensamento.
Para alguém como eu, uma reunião de trabalho é um autêntico maná sociológico.
Entro, abro a agenda e sigo as discussões. Enquanto a coisa é dividida e a palavra roda, sim senhor, mas se alguém se apodera do som por mais do que 5 minutos, os meus ouvidos entram em curto-circuito e comeco a contar as tomadas da sala. Um passatempo tão digno como qualquer outro.
Esta manhã estive umas horas numa sala onde um carequinha falava com uma voz de cana rachada, em tom baixo e num ritmo monocórdico. Não devem existir dois no mundo com esta capacidade vocal.
Ele comecava a falar e eu ouvia: "nhêêêêêêêêêêêmmm" como se fosse um bimotor a hélice. "Nhêêêêêêêêêêêmmm" e quando eu pensava que ele ia parar…."nhêêêêêêêêêêêmmm". Minutos e minutos naquele reco-reco sem respirar.
De cada vez que ele comecava eu contava o tempo de reco-reco sem respirar. Nunca aguentei até ao fim. Este gajo devia ter um cantinho no Guiness de reco-reco humano.
Isto foi o que eu trouxe da reunião. E tenho a sensacão que o tema não era reco-reco.
Aqui há uns dias, uma equipa da V. onde eu estava incluído recebeu uma equipa de alemães para 3 dias de serra presunto.
Eles, os alemães, chegam todos de camisa branca e gravata. O algodão não engana por aqueles lados. Os meus colegas tomam banho. É um dia importante.
Menos para um. Entre nós, há um personagem que não é de protocolos e aparece com uma t-shirt azul cueca com uma gigantesca cabeca de leão (parece o cartaz do circo Chen). Nem na praca de espanha se encontra material daquele. Senta-se, tira as chanatas e comeca a cocar os pés. O cabelo escorre sebo e são apenas 8 da manhã. Os meus 5 minutos de concentracão ainda não terminaram mas já percorro um mundo paralelo.
Estou certo que são os meus olhos. Não há filtro para nada. Tudo o que não interessa é captado e processado.
Intervalo para almoco.
Na sorte dos lugares o Chen calha ao meu lado. Almoco com cheiro a refugado para mim. E não vem do prato.
Comeco a ouvir "tin tin tim tlan tin tim"….procuro um xilofone que não encontro.
Olho para o prato do Chen e vejo um malabarismo fantástico. Ele ajeita a comida entre o garfo e a faca a uma velocidade 3E8 m/s provocando um som bem catita. No fim, também com uma rapidez assinalável, empurra a comida para a faca e mete-a na boca. E isto sem nunca se cortar.
Nunca lhe explicaram que o garfo era aquele dos 3 biquinhos. E fica claro também que o poder de observacão não é o forte do Chen. Bom, mas também para ver como os outros comiam ele teria que levantar a cabeca para mais do que 5 cm do prato e isso já seria um novo processo.
Voltamos para a sala.
O Chen está satisfeito com o almoco.
Encosta-se e enquanto lhe fazem uma pergunta aproveita para limpar o salão.
Já vai na fase da resposta quando tenta atirar o produto da limpeza para a carpete.
Está colado.
Parece que não sai.
Os alemães olham para o Chen enquanto ele sacode o braco e responde à pergunta.
Ahhh…finalmente conseguiu.
O gorilinha jaz agora na carpete.
Os meus 5 minutos da tarde acabaram.
quarta-feira, novembro 28, 2007
SOS Emigrante II
http://www.livefoot.info/portal/benfica.html
ou
http://4.livefooty.doctor-serv.com/wed28.11/Benfica_Milan.html
ou
http://myp2p.eu/broadcast.php?matchid=2605&part=sports
Para quem quer ver o FóCuPorto:
http://4.livefooty.doctor-serv.com/wed28.11/Liverpool_Porto.html
ou
http://myp2p.eu/broadcast.php?matchid=2599&part=sports
Servico público, eu sei.
Um dia Glorioso
00:30 - Nuno Assis vai para a noite.
00:31 - Nuno Assis toma um comprimido, supostamente um suplemento vitamínico.
00:43 - Nuno Assis é o rei da festa.
06:00 - Nuno Gomes acorda.
06:15 - Nuno Gomes começa a pentear-se.
06:45 - Nuno Gomes acaba de pentear-se.
06:46 - Nuno Gomes aplica uma panóplia de cremes hidratantes e produtos capilares nos quais se inclui muco nasal de Cristiano Ronaldo.
07:00 - Nuno Assis sai da discoteca.
07:10 - Nuno Assis grita ao ver uma árvore correr na sua direcção.
08:00 - Bynia toma o pequeno alomoço.
08:01 - Bynia chora.
08:02 - Bynia parte uma chávena à cabeçada.
08:03 - Bynia chora.
08:04 - Bynia parte a torradeira à dentada.
08:05 - Bynia chora.
08:06 - A mulher de Bynia acorda.
08:07 - Bynia cumprimenta a mulher com uma entrada de carrinho.
08:08 - Bynia chora.
08:25 - Bynia atropela 3 pessoas no caminho do treino.
08:26 - Bynia chora e diz que foi sem intenção.
08:32 - Cardozo bate com o carro num poste de electricidade.
08:40 - Bynia entra no balneário.
08:42 - Leo esconde-se dentro de uma chuteira.
08:47 - Nuno Assis deixa cair um saquinho com um pó branco.
08:49 - Luisão pergunta a Nuno Assis paraa que é que ele quer um saco de farinha.
09:00 - Início do treino.
09:01 - Corrida à volta do campo.
09:02 - Luisão corre no sentido contrário ao dos colegas.
09:03 - Rodríguez dá uma volta de avanço aos restantes companheiros.
09:04 - Coentrão cai devido à deslocação do ar provocada pela passagem de Rodríguez.
09:06 - Rui Costa está cansado.
09:20 - Camacho manda os jogadores treinar o jogo de cabeça.
09:21 - Camacho chama um infantil para treinar com Leo.
09:25 - Cardozo cabeceia para a bancada.
09:32 - Há uma rajada de vento.
09:33 - Coentrão cai com a força do vento.
09:39 - Cardozo acerta na bola com o nariz.
09:45 - Camacho manda os jogadores juntarem-se 2 a 2 para treinarem o um-para-um.
09:46 - Bynia fica sem par.
09:47 - Luisão oferece-se para ficar com Bynia.
09:48 - Bynia dá uma joelhada na cabeça de Luisão.
09:49 - Bynia chora por ter magoado Luisão.
09:50 - Luisão desculpa Bynia dizendo: “Não faz mal, mais alto, menos alto não faz diferença”.
09:54 - Coentrão cai.
09:56 - Yu Dabao tenta fintar Katsouranis.
09:57 - Yu Dabao aparece de perna partida.
10:00 - Mantorras sai do treino para ser operado ao joelho.
10:05 - Mantorras volta ao treino depois de mais uma recuperação em tempo record.
10:08 - Nuno Gomes falha um golo em cima da linha.
10:10 - David Luiz lesiona-se, após entrada de Bynia.
10:11 - Departamento médico estima o tempo de paragem de David Luiz em 3 semanas.
10:12 - David Luiz é dado como apto.
10:13 - David Luiz lesiona-se.
10:21 - Mantorras perde o joelho.
10:30 - Peladinha.
10:31 - Camacho põe Petit, Bynia e Katsouranis na mesma equipa.
10:32 - A outra equipa foge do campo.
10:33 - Camacho reformula as equipas, pondo Bergessio e Nuno Gomes na mesma.
10:34 - Quim, guarda redes da equipa adversária, aproveita para ir ao café.
10:35 - Bergessio remata para a bancada.
10:37 - Bergessio remata para o banco de suplentes.
10:40 - Camacho testa Maxi Pereira a defesa direito.
10:43 - Nuno Assis queixa-se de dores de dentes e pede para ir tomar um analgésico.
10:45 - Nuno Assis regressa ao treino.
10:46 - Nuno Assis pega na bola, corre o campo todo, finta 6 adversários, passa impune a uma entrada de Bynia e marca golo.
10:48 - Quim regressa com um jornal.
10:49 - Quim encosta-se ao poste da baliza a ler o jornal.
10:50 - Nuno Assis marca o 4º golo em 5 minutos.
10:51 - Camacho testa Maxi Pereira a ponta de lança.
10:52 - Bergessio encontra o jelho de Mantorras e atira-o para a bancada.
10:53 - Quim vira a página do jornal, provocando a queda de Coentrão.
10:54 - Luís Filipe Vieira acusa Pinto da Costa de estar por trás do desaparecimento da Maddie.
10:55 - Bergessio é convidado para ser o 49º argentino a jogar na selecção nacional de rugby.
10:56 - Bynia entra a pés juntos ao poste da baliza.
10:58 - O poste parte.
10:59 - Bynia chora.11:00 - Luisão vai fazer de poste.
11:01 - Luís Filipe vai marcar Luisão.
11:02 - Cardozo remata e acerta em Luisão.
11:04 - Camacho testa Maxi Pereira a poste de baliza.
11:05 - Cardozo acerta em Maxi Pereira.
11:06 - Maxi Pereira grito de dor.
11:07 - O grito de Maxi Pereira faz cair Coentrão.
11:08 - Quim continua a ler o jornal.
11:09 - Camacho põe Zoro na equipa de Quim.
11:10 - Quim volta imediatamente para a baliza.
11:11 - Miguelito pergunta o que está a fazer no Benfica.
11:14 - Rui Costa marca um golo com a bengala.
11:16 - Nelson faz 2 cruzamentos.
11:17 - Nelson junta-se a Bergessio na selecção de rugby
11:18 - Quim sofre o 5º golo em menos de 10 minutos.
11:21 - Leo atira-se para cima de Andrés Diaz.
11:22 - Falta, obstrução claríssima de Andrés Diaz.
11:25 - Camacho pergunta a Andrés Diaz quem é ele.
11:28 - Adu entra em campo.
11:30 - Acaba o treino.
11:31 - Adu marca o golo da vitória.
11:32 - Os jogadores recolhem ao balneário.
11:33 - Luís Filipe continua em campo à procura do jogador que tem de marcar.
11:35 - Mantorras continua no campo à procura do joelho.
11:42 - Os jogadores vão tomar banho.
11:43 - Luisão deixa cair o chuveiro em cima do próprio pé.
11:44 - A queda do chuveiro lesiona Mantorras.
11:45 - Os jogadores descobrem que a água foi cortada por falta de pagamento.
11:46 - Bynia parte um chuveiro à cabeçada.
11:47 - Bynia chora.
11:52 - É encontrado um limão no cacifo de Nuno Assis.
12:00 - Conferência de imprensa de Camacho.
12:05 - Camacho diz que Bynia “juega con muchas ganas”.
12:06 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
12:10 - Camacho diz necessitar de reforços.
12:15 - Camacho diz que joga sempre com 2 avançados.
12:22 - Camacho diz que joga sempre com 11 jogadores, mesmo com Miguelito em campo.
12:27 - Camacho, irritado com os jornalistas, dá um murro na mesa.
12:28 - Coentrão cai.
12:42 - É apresentado um novo jogador para a equipade basquetebol do Benfica, que joga a poste.
12:43 - Cardozo acerta no novo jogador de basket.
13:00 - Almoço dos dirigentes da SAD.
13:10 - Manuel Vilarinho começa a ficar vermelho.
13:14 - Manuel Vilarinho ri muito alto.
13:23 - Manuel Vilarinho canta Quim Barreiros.
13:35 - Durante o seu almoço, Cardozo acerta com o garfo no lábio.
13:45 - Bynia vai almoçar com Petit e Katsouranis.
13:46 - Bynia, Petit e Katsouranis entram no restaurante.
13:47 - O restaurante fica vazio.
13:48 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
13:56 - Bynia espeta um garfo em Petit.
13:57 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
14:00 - Camacho demite-se.
14:01 - Manuél José começa a elogiar o Benfica.
14:12 - Nuno Gomes vai ao cabeleireiro.
14:21 - Mantorras torce o pulso ao por o carro a trabalhar.
14:23 - Luís Filipe Vieira torna-se o melhor amigo de José veiga.
14:24 - Luís Filipe Vieira torna-se o pior inimigo de José veiga.
14:30 - Camacho reconsidera e reassume o cargo de treinador.
14:31 - Manuel José cala-se.
14:45 - Rui Costa vai fazer a sesta.
15:00 - Luís Filipe Vieira apresenta o novo administrador da SAD, portista de coração.
15:43 - Um pobre pede uma esmola a Bergessio.
15:44 - Bergessio atira uma moeda ao pobre.
15:45 - A moeda vai para ao outro lado da rua.
16:00 - É contratado um novo tratador de relva, sportinguista de coração.
16:20 - Cardozo vai ao cinema.
16:21 - Cardozo compra um pacote de pipocas.
16:22 - Cardozo entra na sala ao lado da do seu filme.
16:25 - Cardozo acerta com uma mão cheia de pipocas nos lábios.
16:45 - Cardozo lá consegue comer uma pipoca.
17:15 - Bergessio vai jogar Bowling
17:18 - Bergessio faz um strike na pista do lado.
18:00 - Rui Costa vai jantar.
19:00 - Rui Costa vai dormir.
20:03 - Luís Filipe Vieira anuncia a contratação de Rachid Ahmed Mohammed, ponta de lança argelino.
20:04 - Rachid Ahmed Mohammed é emprestado ao Estrela da Amadora.
20:06 - Rachid Ahmed Mohammed fica no plantel do benfica.
20:07 - Rachid Ahmed Mohammed é afinal um bombista suicída.
20:09 - Rachid Ahmed Mohammed rebenta com o centro de estágio.
20:10 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
20:13 - Luís Filipe Vieira foge dos restos do centro de estágio.
20:15 - Luís filipe Vieira é perseguido pelo presidente da Câmara Municipal do Seixal, que o persegue com várias facturas na mão.
21:10 - Adu bebe uns canecos.
21:13 - Adu escreve isto.
Os 500 paus

O carro assinala a bela marca de 190000 Km. Grita pelo Santos e eu faco-lhe a vontade.
Ligo e antes de acabar a frase já o Santos disse: "Tráiz ele prá cá".
É a grande diferenca entre o Santos e os outros mecânicos. Não há listas de espera nem agendas. A qualquer hora e em qualquer dia, é o lema.
Claro que isso aparece na factura, mas nada na vida é de borla.
"Santos, este mês estou com as calcas na mão. Revisão baratinha e não te estiques muito a encontrar problemas! "
Ri-se e concorda.
"Ah, e já agora mete os pneus de inverno sff."
Não há problema. Nunca há problema.
Ali há tudo.
Telefona-me umas horas depois.
"Aí Tjiágú…seu cárro tá bôm. Ele tá bôm. Óleo, filtrú, travão, lúiz trásêira e..."
"Pronto, pronto, pronto…diz-me lá a dolorosa!", interrompo. O dinheiro tem que ir no bolso. Não há cartões ou qualquer outra coisa que sirva para diminuir o lucro. Nota na mão à taxista.
Chego para levantar o carro e como sempre ele explica-me a factura. Olhamos para um papel destinado a um gajo chamado Thiago.
"Isso foi X, áquilo Y e depóis trocámú o outro e foi máis Z…hiii…ólhá aí cára…isquéci di cóbrá a mudanca di pineu"
"Ahh…largaaaa…não mexe Santos!! Fica pelo Natal!!"
"Hii cára…txi cobro 24 córoa (500 paus) pela mudanca dos 4 pineu! Fica cônta cérta i ájuda nú trôcu!! Vái…nórmalmentje cóbrú 250 córoa!!"
"Está bem Santos! Fica por 500 paus."
"Isso Tjiago, isso. Di gráca nem bêijú prá mámâe!"
segunda-feira, novembro 26, 2007
O S. Nicolau
De um lado os representantes da esquerda.
Do outro lado o centro-esquerda.
Deputados do "centro para lá" não têm assento no hemiciclo.
Nada contra. Foi apenas coincidência.
O tema em debate foi o Natal.
Na especialidade: "Qual a prenda que o S. Nicolau fará o favor de dar aos deputados, depois de estes se terem portado tão bem ao longo desta legislatura?"
O líder da bancada parlamentar do centro-esquerda pede a palavra: "Desde pequeno que tenho o sonho de ver o tecto de África!"
Interrompe o líder da bancada esquerda-esquerda: "Daquelas casas cheirosas dos Masai-Mara?"
"Kilimanjaro, Sr. Deputado!! Kilimanjaro!!", diz o lider do centro-esquerda.
"Peco a defesa da bancada!!", responde a esquerda clássica.
"Perto do Kilimanjaro está o Índico e ..."……"Sr. Deputado, a assembleia não permite floreados! Tem que ir directo ao assunto!", interrompe o presidente.
"Irei Sr. Presidente, irei…Exijo banho no Índico!!"
O presidente da assembleia interpela a bancada centro-esquerda: "Kilimanjaro e chec-chec no Índico são as propostas na mesa. O centro-esquerda concorda ?"
Faz-se silêncio e pausa para xixi. Os debutados do centro-esquerda voltam e em coro cantam: "Góstú muito di txi vê, leãozinho, caminhando sob ú sóu!!"
Os da esquerda-clássica ajudam com "Um filhótxe dji leão, ráiú da manhã!!!""
O presidente da assembleia capta a mensagem e dirige-se para ambas as bancadas: "Juntando as propostas temos Kilimanjaro, perseguicão de elefantes e chec-chec no Índico! A assembleia vai deliberar!!"
Silêncio nas bancadas.
Som de teclas na mesa do presidente.
Tlec…tlec…tlec…www.swedbank.se…tlec..tlec…
"A presidência da assembleia decidiu que o código de conduta português será aplicado neste caso. Haverá lugar a "engenharia financeira"!"
O mesmo é dizer, o S. Nicolau chegou em Novembro.
Dia 20 de Janeiro, a aventura comeca.

domingo, novembro 25, 2007
Domingos, o mestre
Essa de deixar o Pedro Roma no banco foi de mestre.
Não para a tua equipa.
Mas de mestre.
sábado, novembro 24, 2007
O facto
sexta-feira, novembro 23, 2007
O auge
quarta-feira, novembro 21, 2007
Sem goleiro é mélhó
WLAN? Quarta-feira? Jogo da seleccão? O portátil aqui perto?
Huummm...senti potencial no momento.
Passo na recepcão e depois daquele "eine fråga bitte" para cortar o gelo, vou directo ao assunto: "Quanto custa?"
4 euro por hora diz a simpática menina.
Fica quase mais caro do que ir ao Dragôun. Mas que se lixe, doenca é doenca. Vejo o jogo e não ouco tripeiros. O que pode correr mal?
...
Tudo. Ou pelo menos tudo em 90 minutos.
Quando a festa comecou após mais este empate, confesso que fiquei preocupado. Estamos no euro é verdade, e isso é o mais importante, mas não ganhámos um único jogo contra adversários directos. Polónia, Sérvia e Finlândia. Potências do mundo do esférico eu sei.
Este apuramento foi de uma pobreza tal que as expectativas para o campeonato da europa não podem ser altas. Eu pelo menos não as tenho.
Mas é claro que vou devorar os jogos todos...a não ser que já esteja curado.
Vejo muitas tatuagens, penteados giros e pouca vontade de sujar os calcões.
Cópias baratas do Beckham mas com jeito para jogar à bola. Que no entanto parecem não querer usar.
Pelo menos estamos lá, ao contrário do nosso habitual bombo da festa nestas coisas. A Inglaterra resolveu não ir ao euro e isso só piora o cenário para nós. O falsete não vai poder defender sem luvas e por aí fora.
Valeu a pena pagar para ver.
Não tanto pelo jogo mas pelas declaracões finais do Scolari.
"O que faltou para Portugal conseguir marcar?" pergunta o jornalista com voz de quem sabe da coisa.
"Faltôu à Fiuândia nãu tê lá ú góleirú!!"´
...
Lá em campinas não jogam 11 contra 11?
(O público do Dragão, apesar do dialecto imperceptível, apoiou a seleccão do principio ao fim. Juntamente com o apuramento, foi o ponto alto da noite !)
domingo, novembro 18, 2007
Fui
Diz a Susana.
Não é bem o tempo. É mais a vontade.
Bom, talvez seja um pouco dos dois.
Quatro linhas escritas e consegui não dizer nada.
Acho que tenho um jeito natural para isto.
Agora até poderia ir por aqui fora e comecar a encher chouricos como quem chama por mim.
Com esta saída diria logo se seria chuva ou quem sabe gente. Gente sei que não será certamente e a chuva parece que não anda por aqui.
Em Gotemburgo quero eu dizer. Frio sim senhor. Daquele que racha penicos. Mas chuva, nem vê-la! Um Outono como há muito não via. Há um ano vá.
Vontade:
Não tem aparecido. Em forma de letra pelo menos. Apetece-me jogar à bola, ver filmes, ler a courrier, ouvir música, ver o telejornal.
Escrever, é que nem tanto.
Deve ser por isso que ando um pouco afastado daqui.
É que no blog não vejo filmes, não jogo à bola e não leio o jornal. Só dá mesmo para escrever.
Tempo:
Tem sido dedicado a outras coisas. Nomeadamente a preparar a próxima viagem, a aprender salsa (não é aquela da cozinha) e a lamber Km's de papel com especificacões técnicas. Direi com alguma confianca que estou farto de airbags e afins!
E a coisa não vai melhorar. Pelo menos na próxima semana. Estarei numa terreola perto de Estugarda.
Estão por lá os maiores experts da galáxia em lambidela de papel. Pelo menos foi a história que me venderam.
Para a semana há mais.
Para quem passa por aqui um sentido "volto já!"
sexta-feira, novembro 16, 2007
Os autocarros da Carris
Não assuntos daqueles "epááá, a comida hoje tinha só 3L de molho!!", mas daqueles que podem "transpirar segredos lá para fora". Até parece que estão a inventar a roda…
Eu não quero correr esse risco, não vá o xibinho de servico ser português e investigar entradas aqui no blog.
Era o que faltava, ser entalado por falar de carros. Logo eu que gosto tanto de carros e compro a Turbo desde que deixei a Bravo!!
No entanto há uma pequena história que queria contar e que aprendi aqui dentro. É uma informacão útil e sempre ajuda a quem quer comprar um carro.
Estou a trabalhar num projecto numa empresa que faz veiculos com rodas (ligeiros, pesados e para a malta do cimento), motores para a Nasa, motores para barcos e mais meia dúzia de coisas. É aquela marca que faz "cáminetes" para a Carris.
Ora, nessa marca, estou a trabalhar com o sistema de seguranca passiva (airbag). Esse sistema por sua vez é fornecido por uma empresa alemã que faz electrodomésticos, ferramentas, componentes para indústria e mais uma panóplia de coisas. Ahh, e foi fundada por um gajo chamado Roberto.
Acho que ainda não disse nada que me entale…
Bom. Ao trabalhar com este sistema, tenho a oportunidade de verificar a tal mais valia sueca na concepcão de sistemas de seguranca automóvel.
Há que dizer que de facto esta malta não brinca em servico. O fornecedor em questão, depois de ter ganho o projecto, tem que cumprir mais de 5000 requisitos técnicos.
5000! Nestas últimas semanas, não temos feito mais nada que não seja lamber papel.
O mundo inteiro em formato A4 para que o balão rebente na altura certa. Estou admirado com o detalhe a que se consegue chegar..
Não sei se as outras marcas fazem isto. Sinceramente duvido.
A mensagem é: se querem seguranca, comprem "autocarros Carris" !
Ps - Xibinho, se estás a ler isto, repara que não falei em marcas e por isso ninguém percebeu. Por outro lado se perceberam, imagina o efeito publicitário e vai lá comer o teu big mac !
Ps2 - A única excepcão para esta publicidade é para aqueles que vivem na terra do Tio Sam e têm filhos em idade de cadeira de bébé, mas com peso de bezerrinho. Para esses é melhor não.
Ps3 - Xibinho, não estou a dizer nada pá!! Imagina lá os problemas legais e pensa como estou a ser amigo. Mas também não te procupes, não há putos gordos aí desse lado. Vá, atira-te lá ao Double Cheese!
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pataniscas com arroz de tomate

segunda-feira, novembro 12, 2007
Os 3 dias

"Perfeita, perfeita, só a Super Bock."
O que não é verdade.
"Perfeita, perfeita, provavelmente só a super bock."
Assim já podia ser.
Mas parece que aquela do "provavelmente" traria problemas.
Isto porque, perfeito, perfeito, só este fim-de-semana que passou.
Reviver 12 anos em 3 dias e ficar com a sensacão que só a idade mudou.
Ok…já ninguém usa all-star também.
A galhofa é a mesma, a cumplicidade está lá e as complicacões também.
Todos diferentes, todos iguais.
A expectativa confirmou-se e o conforto da amizade voltou comigo. O calor da alma agradece.
Londres a cidade que nunca dorme (até às 3 da manhã queria eu dizer...).
Parar no metro por 10 segundos para olhar para o mapa e sentir toda a gente a bater-me no ombro: "sorry mate". O mundo parece correr naquelas ruas. E sempre com pressa.
Falam-se todas as línguas conhecidas e não há rua em que a de Camões não apareca.
Come-se enfarte de miocárdio (bacon, feijões,cogumelos, pão, sumo, café, tomate, ovo) pela manhã e ao lanche "please, give me one pastel de nata".
O jantar é jamaicano e no pub a guiness quer provar que não sabe a café.
Todos falam alto, mesmo os que não são espanhóis. A vida parece correr bem aos locais, pelo menos na happy hour.
Uma sopa de nacionalidades onde ninguém é estranho. Apenas mais um.
E luzes. Tantas luzes a anunciar espactáculos. Como eu gosto de luzes.
As gargalhadas produzidas fizeram-me voar mais alto que o avião no regresso.
Viver, viver e viver. Dormir, nem tanto. É aí que todos percebemos que já não temos 20 anos. Os empregadores desculpam os olhos fechados do dia com a quantidade de dentes de fora. Percebem que estamos felizes. "Estás moidinho?", pergunta. Sim, bastante. Mas com a tacha bem arreganhada. Amanhã é que é chefe!
Entro no avião para regressar. Está atrasado e não é hábito. "Pedimos desculpa pelo atraso" diz o capitão. "Viémos agora do Porto onde tivémos alguns problemas"…ahhhh…home sweet home. Ninguém faz problemas como nós. Somos até extraordináriamente bons na concepcão de problemas.
"Vamos voar na velocidade máxima para compensar o atraso", conclui.
Antes de adormecer debato internamente a polémica. Se eles podem andar mais depressa porque não o fazem sempre? Não há engarrafamentos ou multas por excesso de velocidade…deve existir uma razão, mas deixo-a para mais tarde.
Sonho com um sorriso.
Acordo e vejo-o. Melhor do que no sonho. O fim-de-semana continua perfeito.
Janto com jazz em pano de fundo. Estou embalado e prestes a desistir na luta contra o sono. Três dias perfeitos a terminar.
Eis quando o neurónio da bola me diz: "olha lá…não te vais deitar sem saber os resultados pois não??"
Ahhh..é verdade, já nem me lembrava. O Tate e o museu da ciência adormeceram o neurónio da bola. Mas por pouco tempo.
Sento-me sem óculos e olho para o monitor.
Conto 6.
Mais 3.
E mais 2.
Levanto-me e vou buscar os óculos.
Conto 6.
3.
Olha...e 2.
Festejo mentalmente esses 11 golos. Não me mexo muito porque tenho os ossos a dormir. Estalo apenas dois dedos.
Fico na dúvida de quais gosto mais. Se dos 3 do braga ou dos 2 do estrela. Os 6 do Glorioso também foram giros, mas ganhar ao Pacheco até o Celtic conseguia.
Não estou a ver um fim-de-semana destes a acontecer tão depressa mas isso também não interessa agora.
É tempo de dormir.
Perfeito.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Milan Kundera: a insustentável leveza do ser

15:15h de um dia qualquer...
Gotemburgo: E que tal um café em Londres?
Lisboa 1: Tou nessa.
Lisboa 2: Grande ideia!
Porto Santo: Ehhhh….grande ideia! Mas….e se….ehhhhh…em vez de Londres fosse Barcelona que é mais quente?
Gotemburgo: Barcelona era óptimo, mas a ligacão a partir daqui não é boa. Para Londres há 3 vôos diários da Ryan Air e são mais baratos que uma sandes de almôndegas!
Porto Santo: Ehhh…Está bem!
Lisboa 1: Está decidido então. Eu trato do hotel.
Lisboa 2: Yhuuuu…pints!!!!
Porto Santo: Mas um baratinho e….
Gotemburgo: Olha, achei este em Piccadilly. Uma camarata sem wc. Barata, cheirosa e central.
Lisboa 1: Andei a ver na zona e o preco é bom.
Lisboa 2: Concordo!! Siga!!
Porto Santo: Alto, alto!! Estive a ler e a água no duche não tem uma pressão boa. Sem jacuzzi é que não!!
Gotemburgo: …
Lisboa 1: …
Lisboa 2: …
Lisboa1: Já tenho vôo. Para mim e para PS.
Lisboa 2: Vou marcar o meu mesmo, mesmo na véspera.
Gotemburgo: Também já marquei.
Porto Santo: Simples não foi?? Yhuuuu!! Piccadilly!!!
Lisboa 1: Vemo-nos lá então.
Lisboa 2: Até lá.
Gotemburgo: Até.
15:25h desse mesmo dia qualquer
O "lá" é hoje.
O estaminé está a fish&chips até domingo.
Bom fim-de-semana para todos.
terça-feira, novembro 06, 2007
Terca-Feira Super Bock
Vai ser interessante ver a companhia de azeiteiros Portas & Santana a atirarem-se a Sócrates como gato a bofe.
Nunca percebi o que é um bofe.
Será que se escreve assim?
Imagino sempre o bofe como o recheio daquelas latas de pasta de atum que os gatos comem e que de quando em vez aparecem nos "couvert" com o nome de tartex.
Esta do "couvert" fez-me lembrar outras praias e uma conhecida que à pergunta "deseja alguma couvert? " respondeu "Que houver o quê?"
Ele era chico-esperto. Ela não sabia francês.
Ou pelo menos é assim que eu imagino.
Já perdi outra vez o fio.
O que conduz.
Duas curiosidades motivam o meu interesse pelo debate: quantas vezes honrará Santana o seu líder espiritual Sá Carneiro com a palavra "PPD" e quantas ideias dignas de oposicão surgirão da ala direita. O meu palpite é, respectivamente, 21-0.
Terminado este clássico, comeca outro.
Entra o glorioso em campo para arrefinfar uma bela tareia na Naval de Glasgow.
85 minutos de pontapé para o ar e lá para os 87, que antes disso é cedo, numa molhada qualquer o Luisão estica os alicates e bola na rede.
É isto. Pode parecer emocão, mas não.
É pura ciência.
SOS emigra

Nada mais errado. Nada mais errado camaradas.
Terei ofendido alguém que sendo democrata-cristão não se reveja em tal plural ?
Não me parece. Não me parece camaradas.
Ups...saiu-me de novo.
Dizia eu que a vida pode ser simples. E pode. Realmente pode.
Mas para quem não ouve a TSF. Especialmente o respectivo fórum. O mundo parece desabar todas as manhãs ali.
Passa-se o seguinte ou em português corrente "ixto é assim": na tentativa de me concentrar para acertar no 0 ou no 1 (*1) - e aqui tenho que interromper de novo...dirão V.Excs., quicá um pouco estupefactas que é um clássico 50-50, ou é 0 ou é 1e que mesmo sem concentracão a coisa vai lá com sorte, ao que terei de responder dizendo que com um 0 ou com um 1 (e reparem como os dois "uns" seguidos podem confundir) se coloca um homem ou um babuíno, o animal e não o adjectivo calão de ofensa, na Lua - (*2) tenho a tendência de ouvir a rádio comercial de manhã.
Dica: Para uma leitura sem falhas, saltem de *1 para *2.
O problema, e se não existisse um problema eu não estaria a escrever, é que por volta das 11 da manhã locais os generosos 100Mb que me trazem as ondas de FM codificadas comecam a presentear-me com magníficos minutos de silêncio e mensagens eloquentes como "buffering, please wait".
11 da manhã, o estômago a pedir almoco por cá e 10h em Portugal, hora em que vocês chegam ao trabalho depois de gritarem com 5 pessoas diferentes no trânsito.
Como maior parte dos empregadores ainda não tiveram a feliz ideia de vos bloquear outros sites além da "ABola" e do "Record", o servidor da "média capital" fica entupido em menos de nada (com nada pertencente a um intervalo de 30 segundos) e eu tenho que optar entre Viking ou a TSF.
Normalmente opto pela TSF. Sempre ouco as notícias. Sim, as tais que passam de 20 em 20 minutos, mas prontossss, sempre mantenho o contacto com a língua e ouco o Camacho a dizer "salir a ganar!" 15 vezes.
Há também aqueles momentos em que a TSF passa música. Mas esses 3 minutos de glória coincidem com o meu xixi matinal. Nunca apanho a Adelaide Ferreira e o seu recente sucesso "I would give everything to have you here".
Quando "mudo" para a TSF, certo como "em siracusa pitágoras contou aos seus netos, o quadrado da hipotenusa é a soma do quadrado dos catetos" apanho sempre alguém a berrar. E não raras vezes alguém de Viseu. Mesmo na gritaria é dificil esconder aqueles "jjjjjj".
Hoje o tema era o caso "Ana Brandão" que só conseguiu a reforma com intervencão de um ministro.
Relembro que o objectivo desta salsa é ter melodia nos meus ouvidos para me concentrar no trabalho.
O fórum avanca e eu comeco mentalmente a entrar nele. E a música, quando vem a música? Ah...agora....não, é o Cristiano Ronaldo a dizer que se não "Crresse" não rendia.
Um senhor diz que aqui há 5 anos reformavam os funcionários públicos por dá cá aquela palha. "50 anos e estão em casa!! Maravilha!", dizia renegando a arte da labuta para outros. É que parece que cansa. "Hoje uma pessoa morre a trabalhar!", continua indignado.
Fico com a sensacão que o país usa casos excepcionais de doenca justificada para generalizar o estado da Nacão. Esqueco o 0 e 1 e tiro o auricular. Não, não está a resultar.
"Hejsan, Mann... Jag måsta prata med dig! Ska vi gå till fika på klockan 14??Jaha...precis!!!"...epá também não resulta. Os solucos não ajudam.
Volto ao auricular....
"...Comeco por mandar um beijo para a Sra. Ana Brandão e para todas as Anas deste país...", diz um novo ouvinte. Será que se referiu também à minha mãe?
Já passou meia-hora e estou exactamente no mesmo 0.
A música deixa-me concentrado, a ausência dela nem tanto.
Muitas baboseiras ditas aos berros também não me dão saúde.
As ondas do FM luso não passam de Espanha. Esbarram naquele touro de cartão da auto-estrada.
Mas chegam aí. Por acaso chegam aí.
E se vocês, em vez de ouvirem pela net, levassem um daqueles rádios dos chineses e desamparassem o servidor? Um clássico do escritório ao lado da fotografia do "mái novo".
Ahn? Que tal?
Incentivam as transacões económicas com a China e distribuem solidariedade pelos patrícios espalhados pelo globo.
Bonito. E de camarada.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Ready? Set...Go!

Não temos tempo uns para os outros.
Pode ser impressão minha, mas parece-me que tudo aparece antes do momento em que dedicamos atencão a alguém importante.
Primeiro os exames, depois os trabalhos, um pouco mais à frente os empregos, depois quem sabe os filhos, a vida familiar e por aí fora.
Tempo, que no fundo é a única coisa que temos, parece ser o elemento não existente. Uma questão de gestão dirão os especialistas.
Quem sabe.
Qual é afinal o objectivo de correr sem saber para onde? Há uma reunião, há um exame, há um acontecimento, há uma série de coisas onde é necessário marcar presenca.
Tudo muito bem.
Mas alguma vez deixará de haver? Chegará o dia em que seremos donos do nosso tempo? De todo o nosso tempo?
Acho que não. E sinceramente espero que não. A vida tem mais cor quando alguém nos quer ver.
Mas na impossibilidade de chegar a todo o lado, não devemos nós dar mais atencão a quem realmente importa?
Um telefonema, um jantar, uma concessão de tempo.
Uma simples linha para que do outro lado se perceba que essa pessoa conta. Pelo menos para nós.
Dir-me-ão que a vida é um caderno de responsabilidades.
Ser adulto significa ter contas para pagar. Para tal é necessário um emprego, que por sua vez exige que alguém no departamento de recursos humanos diga "parece-me que este gajo é o tal". Para encontrar esse artista dos recursos humanos é necessário pedalar e 800Km passam a correr. Sem darmos por isso já tentámos tudo até Badajoz.
Acreditamos que esta coisa do "sem fronteiras" é mesmo verdade e dizemos "porque não?".
E é aqui que aparecem algumas supresas. Temporais.
O corre-corre desaparece e por razões óbvias a vida fica mais calma. Páro para pensar.
Constato que distando alguns milhares de quilómetros, vejo o mesmo número de vezes algumas das pessoas que não estavam a mais de 20 Km da minha porta. Daquelas importantes.
A diferenca é que agora percebo isso. Não correr dá-me tempo para pensar.
E pensar dá sempre jeito para compreender. Coisas.
Do outro lado ainda se corre.
Lembro-me de como há uns anos atrás, combinar um simples jantar no B. Alto com um grupo de 10 pessoas era um pesadelo. Comecávamos com um dia e entre "nesse dia não estou cá" e "aí vou ao casamento daquele primo em 3 grau" acabávamos 3 meses depois.
Não tínhamos muito mais do que 20 anos. O que é que a vida pode exigir de tão complicado a miúdos de 20 anos? No entanto, todos achavam normal aquelas agendas preenchidas. Agendas. E 20 anos. Não combinam.
Cheguei a combinar dos dois lados da ponte V. da Gama com 5 min. de diferenca e achar no mais ingénuo dos sonhos que isso seria possível.
No que me diz respeito estou cansado de correr. Não faz sentido.
Sento-me aqui e observo quem corre. 1 dia, 2 dias, uma semana, 1 mês, 1 ano.
O tempo passou a ter mais valor. Tal como o Sol, finalmente consegui dar-lhe algum valor. O mar sem ondas sente-se só e nós, por muita correria que consigamos encaixar no mesmo dia, não criaremos momentos se não lhe dispensarmos atencão suficiente.
E o que nos puxa belo brilho no olho?
Um bom momento com quem nos acompanha diariamente?
Uma boa conversa com um amigo que seguiu outra estrada?
Um jantar num ambiente familiar?
Tudo. Eu diria que tudo.
E criamos nós as condicões para tal?
Olhe que não. Olhe que não.










