sexta-feira, dezembro 07, 2007

Sobe, sobe, balão sobe II


"É preciso aparecer para não que não se esquecam de enviar o salário" diz um filósofo que eu muito aprecio.
Confesso que esta máxima se aplica no momento, dada a quantidade de coisas a preparar neste mês. Há tanto para fazer, tantos detalhes importantes, que as 8h por dia aqui no estaminé não dão jeito nenhum.
Reparo agora que o conceito de "férias activas" se aplica também ao planeamento. Ainda não estamos lá e já estou cansado.
Garrafas que não congelem, botas com asas, casacos com 3 camadas, saco-cama versão sibéria, vacinas para 15 tipos de moscas diferentes, como dar grojas, como evitar ajudas desnecessárias, como beber água, como mictar sem acertar numa cobra, como respirar com pouco oxigénio, como evitar dentadas de leões, o que fazer caso um elefante peca um amendoim, como tomar banho sem água…
Mas não é só meter um pé à frente do outro e seguir?
Parece que não.
Pergunto-me se um africano que vem caminhar para o Alpes leva vacinas, esconde o dinheiro no sapato e usa pastilhas para meter na água?
Não é preciso responderem.
Perguntava-me uma pessoa cuja opinião é para mim muito importante: "Mas afinal, qual é a piada de subir e descer montanhas?"
Fiquei a pensar. Será a paisagem que se descobre a cada passo? Serão os diferentes tipos de vegetacão que nos envolvem consoante a altura? Será a descoberta de um novo limite físico? Será o atingir um ponto alto e dizer "consegui"?
Talvez seja o desafio. O simples desafio imposto.
Então e uma vez lá em cima?
Epá…observa-se a paisagem durante uns segundos porque o frio não permite mais e desce-se. É isso.
Para trás ficaram 5 dias de esforco. Tudo por aqueles 30 seg.
Sim, acho que é pelo desafio.
Se não fosse assim, não chegar ao topo não deixaria de ser uma frustracão. E para mim, não atingir o objectivo, será uma frustracão.
Mas depois alarguei o pensamento para o nosso dia-a-dia. O que é que não é um desafio?
Nada. Rigorosamente nada.
Até estar em casa a fazer zapping entre 40 canais da tv cabo é um desafio. Já tentaram ver um jogo de futebol, um filme e um noticiário ao mesmo tempo? Dá-me cabo da cabeca!
A senhora da agência já foi rebaptizada para Jó. Respondeu e continua a responder às minhas 37 perguntas diárias com uma paciência fantástica.
Apesar de alguns cuidados sérios que devemos ter, nada, rigorosamente nada, entre doencas, animais selvagens, montanha, frio, falta de oxigénio e por aí fora me preocupa.
Para aquilo que realmente devo olhar, passo despreocupadamente pelas brasas. É no acessório que, como de costume, centro os meus olhos: o avião.
Os vôos internos deveriam ser feitos numa companhia chamada Zanair. Uma rápida pesquisa no Google mostrou-me dois espalhancos este ano. Num deles a porta abriu-se em pleno voo, no outro não acertaram com a pista ao aterrar.
Isto é que me tira o sono.
Oxigénio e leões não me dizem nada.
Pedi para ir noutra companhia que também já tinha investigado: Precision Air.
Registo impecável nas bases de dados de acidentes e aviões bem catitas.
Até têm os horários em pdf.
Estou safo.


terça-feira, dezembro 04, 2007

Aiiiiiiii meu Paraguaiiiiii

Assim já é outra cowboyada !!



PS - O Luis Filipe em 10 minutos e 5 posses de bola conseguiu perdê-las todas. Janeiro está finalmente aí!

sexta-feira, novembro 30, 2007

O Ipiranga

"Greve, greve, era os funcionários públicos irem para o seu local de trabalho e ficarem o dia todo sem fazer nada!!"

in TSF

Um dia no circo



O poder de concentracão não chegou naquela noite fria de Maio, lá para os lados do teatro S. Luis.
Reconheco-o.
A minha vida seria bem mais simples se por alguma razão eu me conseguisse focar num tema, digamos, durante 5 minutos.
Para comecar. Mais tarde tentaria os 10.
Mas não consigo. Tudo serve para mudar a rota do pensamento.
Para alguém como eu, uma reunião de trabalho é um autêntico maná sociológico.
Entro, abro a agenda e sigo as discussões. Enquanto a coisa é dividida e a palavra roda, sim senhor, mas se alguém se apodera do som por mais do que 5 minutos, os meus ouvidos entram em curto-circuito e comeco a contar as tomadas da sala. Um passatempo tão digno como qualquer outro.
Esta manhã estive umas horas numa sala onde um carequinha falava com uma voz de cana rachada, em tom baixo e num ritmo monocórdico. Não devem existir dois no mundo com esta capacidade vocal.
Ele comecava a falar e eu ouvia: "nhêêêêêêêêêêêmmm" como se fosse um bimotor a hélice. "Nhêêêêêêêêêêêmmm" e quando eu pensava que ele ia parar…."nhêêêêêêêêêêêmmm". Minutos e minutos naquele reco-reco sem respirar.
De cada vez que ele comecava eu contava o tempo de reco-reco sem respirar. Nunca aguentei até ao fim. Este gajo devia ter um cantinho no Guiness de reco-reco humano.
Isto foi o que eu trouxe da reunião. E tenho a sensacão que o tema não era reco-reco.
Aqui há uns dias, uma equipa da V. onde eu estava incluído recebeu uma equipa de alemães para 3 dias de serra presunto.
Eles, os alemães, chegam todos de camisa branca e gravata. O algodão não engana por aqueles lados. Os meus colegas tomam banho. É um dia importante.
Menos para um. Entre nós, há um personagem que não é de protocolos e aparece com uma t-shirt azul cueca com uma gigantesca cabeca de leão (parece o cartaz do circo Chen). Nem na praca de espanha se encontra material daquele. Senta-se, tira as chanatas e comeca a cocar os pés. O cabelo escorre sebo e são apenas 8 da manhã. Os meus 5 minutos de concentracão ainda não terminaram mas já percorro um mundo paralelo.
Estou certo que são os meus olhos. Não há filtro para nada. Tudo o que não interessa é captado e processado.
Intervalo para almoco.
Na sorte dos lugares o Chen calha ao meu lado. Almoco com cheiro a refugado para mim. E não vem do prato.
Comeco a ouvir "tin tin tim tlan tin tim"….procuro um xilofone que não encontro.
Olho para o prato do Chen e vejo um malabarismo fantástico. Ele ajeita a comida entre o garfo e a faca a uma velocidade 3E8 m/s provocando um som bem catita. No fim, também com uma rapidez assinalável, empurra a comida para a faca e mete-a na boca. E isto sem nunca se cortar.
Nunca lhe explicaram que o garfo era aquele dos 3 biquinhos. E fica claro também que o poder de observacão não é o forte do Chen. Bom, mas também para ver como os outros comiam ele teria que levantar a cabeca para mais do que 5 cm do prato e isso já seria um novo processo.
Voltamos para a sala.
O Chen está satisfeito com o almoco.
Encosta-se e enquanto lhe fazem uma pergunta aproveita para limpar o salão.
Já vai na fase da resposta quando tenta atirar o produto da limpeza para a carpete.
Está colado.
Parece que não sai.
Os alemães olham para o Chen enquanto ele sacode o braco e responde à pergunta.
Ahhh…finalmente conseguiu.
O gorilinha jaz agora na carpete.
Os meus 5 minutos da tarde acabaram.

quarta-feira, novembro 28, 2007

SOS Emigrante II

Para quem quer ver o Glorioso:

http://www.livefoot.info/portal/benfica.html
ou
http://4.livefooty.doctor-serv.com/wed28.11/Benfica_Milan.html
ou
http://myp2p.eu/broadcast.php?matchid=2605&part=sports

Para quem quer ver o FóCuPorto:

http://4.livefooty.doctor-serv.com/wed28.11/Liverpool_Porto.html
ou
http://myp2p.eu/broadcast.php?matchid=2599&part=sports


Servico público, eu sei.

Um dia Glorioso

Via Rascunho Virtual


00:30 - Nuno Assis vai para a noite.
00:31 - Nuno Assis toma um comprimido, supostamente um suplemento vitamínico.
00:43 - Nuno Assis é o rei da festa.
06:00 - Nuno Gomes acorda.
06:15 - Nuno Gomes começa a pentear-se.
06:45 - Nuno Gomes acaba de pentear-se.
06:46 - Nuno Gomes aplica uma panóplia de cremes hidratantes e produtos capilares nos quais se inclui muco nasal de Cristiano Ronaldo.
07:00 - Nuno Assis sai da discoteca.
07:10 - Nuno Assis grita ao ver uma árvore correr na sua direcção.
08:00 - Bynia toma o pequeno alomoço.
08:01 - Bynia chora.
08:02 - Bynia parte uma chávena à cabeçada.
08:03 - Bynia chora.
08:04 - Bynia parte a torradeira à dentada.
08:05 - Bynia chora.
08:06 - A mulher de Bynia acorda.
08:07 - Bynia cumprimenta a mulher com uma entrada de carrinho.
08:08 - Bynia chora.
08:25 - Bynia atropela 3 pessoas no caminho do treino.
08:26 - Bynia chora e diz que foi sem intenção.
08:32 - Cardozo bate com o carro num poste de electricidade.
08:40 - Bynia entra no balneário.
08:42 - Leo esconde-se dentro de uma chuteira.
08:47 - Nuno Assis deixa cair um saquinho com um pó branco.
08:49 - Luisão pergunta a Nuno Assis paraa que é que ele quer um saco de farinha.
09:00 - Início do treino.
09:01 - Corrida à volta do campo.
09:02 - Luisão corre no sentido contrário ao dos colegas.
09:03 - Rodríguez dá uma volta de avanço aos restantes companheiros.
09:04 - Coentrão cai devido à deslocação do ar provocada pela passagem de Rodríguez.
09:06 - Rui Costa está cansado.
09:20 - Camacho manda os jogadores treinar o jogo de cabeça.
09:21 - Camacho chama um infantil para treinar com Leo.
09:25 - Cardozo cabeceia para a bancada.
09:32 - Há uma rajada de vento.
09:33 - Coentrão cai com a força do vento.
09:39 - Cardozo acerta na bola com o nariz.
09:45 - Camacho manda os jogadores juntarem-se 2 a 2 para treinarem o um-para-um.
09:46 - Bynia fica sem par.
09:47 - Luisão oferece-se para ficar com Bynia.
09:48 - Bynia dá uma joelhada na cabeça de Luisão.
09:49 - Bynia chora por ter magoado Luisão.
09:50 - Luisão desculpa Bynia dizendo: “Não faz mal, mais alto, menos alto não faz diferença”.
09:54 - Coentrão cai.
09:56 - Yu Dabao tenta fintar Katsouranis.
09:57 - Yu Dabao aparece de perna partida.
10:00 - Mantorras sai do treino para ser operado ao joelho.
10:05 - Mantorras volta ao treino depois de mais uma recuperação em tempo record.
10:08 - Nuno Gomes falha um golo em cima da linha.
10:10 - David Luiz lesiona-se, após entrada de Bynia.
10:11 - Departamento médico estima o tempo de paragem de David Luiz em 3 semanas.
10:12 - David Luiz é dado como apto.
10:13 - David Luiz lesiona-se.
10:21 - Mantorras perde o joelho.
10:30 - Peladinha.
10:31 - Camacho põe Petit, Bynia e Katsouranis na mesma equipa.
10:32 - A outra equipa foge do campo.
10:33 - Camacho reformula as equipas, pondo Bergessio e Nuno Gomes na mesma.
10:34 - Quim, guarda redes da equipa adversária, aproveita para ir ao café.
10:35 - Bergessio remata para a bancada.
10:37 - Bergessio remata para o banco de suplentes.
10:40 - Camacho testa Maxi Pereira a defesa direito.
10:43 - Nuno Assis queixa-se de dores de dentes e pede para ir tomar um analgésico.
10:45 - Nuno Assis regressa ao treino.
10:46 - Nuno Assis pega na bola, corre o campo todo, finta 6 adversários, passa impune a uma entrada de Bynia e marca golo.
10:48 - Quim regressa com um jornal.
10:49 - Quim encosta-se ao poste da baliza a ler o jornal.
10:50 - Nuno Assis marca o 4º golo em 5 minutos.
10:51 - Camacho testa Maxi Pereira a ponta de lança.
10:52 - Bergessio encontra o jelho de Mantorras e atira-o para a bancada.
10:53 - Quim vira a página do jornal, provocando a queda de Coentrão.
10:54 - Luís Filipe Vieira acusa Pinto da Costa de estar por trás do desaparecimento da Maddie.
10:55 - Bergessio é convidado para ser o 49º argentino a jogar na selecção nacional de rugby.
10:56 - Bynia entra a pés juntos ao poste da baliza.
10:58 - O poste parte.
10:59 - Bynia chora.11:00 - Luisão vai fazer de poste.
11:01 - Luís Filipe vai marcar Luisão.
11:02 - Cardozo remata e acerta em Luisão.
11:04 - Camacho testa Maxi Pereira a poste de baliza.
11:05 - Cardozo acerta em Maxi Pereira.
11:06 - Maxi Pereira grito de dor.
11:07 - O grito de Maxi Pereira faz cair Coentrão.
11:08 - Quim continua a ler o jornal.
11:09 - Camacho põe Zoro na equipa de Quim.
11:10 - Quim volta imediatamente para a baliza.
11:11 - Miguelito pergunta o que está a fazer no Benfica.
11:14 - Rui Costa marca um golo com a bengala.
11:16 - Nelson faz 2 cruzamentos.
11:17 - Nelson junta-se a Bergessio na selecção de rugby
11:18 - Quim sofre o 5º golo em menos de 10 minutos.
11:21 - Leo atira-se para cima de Andrés Diaz.
11:22 - Falta, obstrução claríssima de Andrés Diaz.
11:25 - Camacho pergunta a Andrés Diaz quem é ele.
11:28 - Adu entra em campo.
11:30 - Acaba o treino.
11:31 - Adu marca o golo da vitória.
11:32 - Os jogadores recolhem ao balneário.
11:33 - Luís Filipe continua em campo à procura do jogador que tem de marcar.
11:35 - Mantorras continua no campo à procura do joelho.
11:42 - Os jogadores vão tomar banho.
11:43 - Luisão deixa cair o chuveiro em cima do próprio pé.
11:44 - A queda do chuveiro lesiona Mantorras.
11:45 - Os jogadores descobrem que a água foi cortada por falta de pagamento.
11:46 - Bynia parte um chuveiro à cabeçada.
11:47 - Bynia chora.
11:52 - É encontrado um limão no cacifo de Nuno Assis.
12:00 - Conferência de imprensa de Camacho.
12:05 - Camacho diz que Bynia “juega con muchas ganas”.
12:06 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
12:10 - Camacho diz necessitar de reforços.
12:15 - Camacho diz que joga sempre com 2 avançados.
12:22 - Camacho diz que joga sempre com 11 jogadores, mesmo com Miguelito em campo.
12:27 - Camacho, irritado com os jornalistas, dá um murro na mesa.
12:28 - Coentrão cai.
12:42 - É apresentado um novo jogador para a equipade basquetebol do Benfica, que joga a poste.
12:43 - Cardozo acerta no novo jogador de basket.
13:00 - Almoço dos dirigentes da SAD.
13:10 - Manuel Vilarinho começa a ficar vermelho.
13:14 - Manuel Vilarinho ri muito alto.
13:23 - Manuel Vilarinho canta Quim Barreiros.
13:35 - Durante o seu almoço, Cardozo acerta com o garfo no lábio.
13:45 - Bynia vai almoçar com Petit e Katsouranis.
13:46 - Bynia, Petit e Katsouranis entram no restaurante.
13:47 - O restaurante fica vazio.
13:48 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
13:56 - Bynia espeta um garfo em Petit.
13:57 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
14:00 - Camacho demite-se.
14:01 - Manuél José começa a elogiar o Benfica.
14:12 - Nuno Gomes vai ao cabeleireiro.
14:21 - Mantorras torce o pulso ao por o carro a trabalhar.
14:23 - Luís Filipe Vieira torna-se o melhor amigo de José veiga.
14:24 - Luís Filipe Vieira torna-se o pior inimigo de José veiga.
14:30 - Camacho reconsidera e reassume o cargo de treinador.
14:31 - Manuel José cala-se.
14:45 - Rui Costa vai fazer a sesta.
15:00 - Luís Filipe Vieira apresenta o novo administrador da SAD, portista de coração.
15:43 - Um pobre pede uma esmola a Bergessio.
15:44 - Bergessio atira uma moeda ao pobre.
15:45 - A moeda vai para ao outro lado da rua.
16:00 - É contratado um novo tratador de relva, sportinguista de coração.
16:20 - Cardozo vai ao cinema.
16:21 - Cardozo compra um pacote de pipocas.
16:22 - Cardozo entra na sala ao lado da do seu filme.
16:25 - Cardozo acerta com uma mão cheia de pipocas nos lábios.
16:45 - Cardozo lá consegue comer uma pipoca.
17:15 - Bergessio vai jogar Bowling
17:18 - Bergessio faz um strike na pista do lado.
18:00 - Rui Costa vai jantar.
19:00 - Rui Costa vai dormir.
20:03 - Luís Filipe Vieira anuncia a contratação de Rachid Ahmed Mohammed, ponta de lança argelino.
20:04 - Rachid Ahmed Mohammed é emprestado ao Estrela da Amadora.
20:06 - Rachid Ahmed Mohammed fica no plantel do benfica.
20:07 - Rachid Ahmed Mohammed é afinal um bombista suicída.
20:09 - Rachid Ahmed Mohammed rebenta com o centro de estágio.
20:10 - Bynia chora e diz que não fez por mal.
20:13 - Luís Filipe Vieira foge dos restos do centro de estágio.
20:15 - Luís filipe Vieira é perseguido pelo presidente da Câmara Municipal do Seixal, que o persegue com várias facturas na mão.
21:10 - Adu bebe uns canecos.
21:13 - Adu escreve isto.

Os 500 paus



O carro assinala a bela marca de 190000 Km. Grita pelo Santos e eu faco-lhe a vontade.
Ligo e antes de acabar a frase já o Santos disse: "Tráiz ele prá cá".
É a grande diferenca entre o Santos e os outros mecânicos. Não há listas de espera nem agendas. A qualquer hora e em qualquer dia, é o lema.
Claro que isso aparece na factura, mas nada na vida é de borla.
"Santos, este mês estou com as calcas na mão. Revisão baratinha e não te estiques muito a encontrar problemas! "
Ri-se e concorda.
"Ah, e já agora mete os pneus de inverno sff."
Não há problema. Nunca há problema.
Ali há tudo.
Telefona-me umas horas depois.
"Aí Tjiágú…seu cárro tá bôm. Ele tá bôm. Óleo, filtrú, travão, lúiz trásêira e..."
"Pronto, pronto, pronto…diz-me lá a dolorosa!", interrompo. O dinheiro tem que ir no bolso. Não há cartões ou qualquer outra coisa que sirva para diminuir o lucro. Nota na mão à taxista.
Chego para levantar o carro e como sempre ele explica-me a factura. Olhamos para um papel destinado a um gajo chamado Thiago.
"Isso foi X, áquilo Y e depóis trocámú o outro e foi máis Z…hiii…ólhá aí cára…isquéci di cóbrá a mudanca di pineu"
"Ahh…largaaaa…não mexe Santos!! Fica pelo Natal!!"
"Hii cára…txi cobro 24 córoa (500 paus) pela mudanca dos 4 pineu! Fica cônta cérta i ájuda nú trôcu!! Vái…nórmalmentje cóbrú 250 córoa!!"
"Está bem Santos! Fica por 500 paus."
"Isso Tjiago, isso. Di gráca nem bêijú prá mámâe!"

segunda-feira, novembro 26, 2007

O S. Nicolau

A assembleia reuniu.
De um lado os representantes da esquerda.
Do outro lado o centro-esquerda.
Deputados do "centro para lá" não têm assento no hemiciclo.
Nada contra. Foi apenas coincidência.
O tema em debate foi o Natal.
Na especialidade: "Qual a prenda que o S. Nicolau fará o favor de dar aos deputados, depois de estes se terem portado tão bem ao longo desta legislatura?"
O líder da bancada parlamentar do centro-esquerda pede a palavra: "Desde pequeno que tenho o sonho de ver o tecto de África!"
Interrompe o líder da bancada esquerda-esquerda: "Daquelas casas cheirosas dos Masai-Mara?"
"Kilimanjaro, Sr. Deputado!! Kilimanjaro!!", diz o lider do centro-esquerda.
"Peco a defesa da bancada!!", responde a esquerda clássica.
"Perto do Kilimanjaro está o Índico e ..."……"Sr. Deputado, a assembleia não permite floreados! Tem que ir directo ao assunto!", interrompe o presidente.
"Irei Sr. Presidente, irei…Exijo banho no Índico!!"
O presidente da assembleia interpela a bancada centro-esquerda: "Kilimanjaro e chec-chec no Índico são as propostas na mesa. O centro-esquerda concorda ?"
Faz-se silêncio e pausa para xixi. Os debutados do centro-esquerda voltam e em coro cantam: "Góstú muito di txi vê, leãozinho, caminhando sob ú sóu!!"
Os da esquerda-clássica ajudam com "Um filhótxe dji leão, ráiú da manhã!!!""
O presidente da assembleia capta a mensagem e dirige-se para ambas as bancadas: "Juntando as propostas temos Kilimanjaro, perseguicão de elefantes e chec-chec no Índico! A assembleia vai deliberar!!"
Silêncio nas bancadas.
Som de teclas na mesa do presidente.
Tlec…tlec…tlec…www.swedbank.se…tlec..tlec…
"A presidência da assembleia decidiu que o código de conduta português será aplicado neste caso. Haverá lugar a "engenharia financeira"!"
O mesmo é dizer, o S. Nicolau chegou em Novembro.
Dia 20 de Janeiro, a aventura comeca.











domingo, novembro 25, 2007

Domingos, o mestre

Apesar do penteado que fielmente aguentas em cima do pescoco desde 1990, daquela mania irritante de meteres o dedo no ar de cada vez que te enganavas a chutar e de teres uma virtude no lugar de um apelido, ganhaste hoje um lugar no meu álbum de amigos.
Essa de deixar o Pedro Roma no banco foi de mestre.
Não para a tua equipa.
Mas de mestre.

sábado, novembro 24, 2007

O facto

O Luis Filipe só não ganha o prémio de "o mais irritante no municipal de Coimbra" porque está lá um gajo chamado Domingos Paciência.

sexta-feira, novembro 23, 2007

O auge

Depois disto, a culinária não tem muito mais para me oferecer.
Estou paredes-meias com o Goucha nos tempos do bigode.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Sem goleiro é mélhó

"WLAN Hotspot?" anuncia a televisão do quarto do hotel.
WLAN? Quarta-feira? Jogo da seleccão? O portátil aqui perto?
Huummm...senti potencial no momento.
Passo na recepcão e depois daquele "eine fråga bitte" para cortar o gelo, vou directo ao assunto: "Quanto custa?"
4 euro por hora diz a simpática menina.
Fica quase mais caro do que ir ao Dragôun. Mas que se lixe, doenca é doenca. Vejo o jogo e não ouco tripeiros. O que pode correr mal?
...
Tudo. Ou pelo menos tudo em 90 minutos.
Quando a festa comecou após mais este empate, confesso que fiquei preocupado. Estamos no euro é verdade, e isso é o mais importante, mas não ganhámos um único jogo contra adversários directos. Polónia, Sérvia e Finlândia. Potências do mundo do esférico eu sei.
Este apuramento foi de uma pobreza tal que as expectativas para o campeonato da europa não podem ser altas. Eu pelo menos não as tenho.
Mas é claro que vou devorar os jogos todos...a não ser que já esteja curado.
Vejo muitas tatuagens, penteados giros e pouca vontade de sujar os calcões.
Cópias baratas do Beckham mas com jeito para jogar à bola. Que no entanto parecem não querer usar.
Pelo menos estamos lá, ao contrário do nosso habitual bombo da festa nestas coisas. A Inglaterra resolveu não ir ao euro e isso só piora o cenário para nós. O falsete não vai poder defender sem luvas e por aí fora.
Valeu a pena pagar para ver.
Não tanto pelo jogo mas pelas declaracões finais do Scolari.
"O que faltou para Portugal conseguir marcar?" pergunta o jornalista com voz de quem sabe da coisa.
"Faltôu à Fiuândia nãu tê lá ú góleirú!!"´
...
Lá em campinas não jogam 11 contra 11?



(O público do Dragão, apesar do dialecto imperceptível, apoiou a seleccão do principio ao fim. Juntamente com o apuramento, foi o ponto alto da noite !)

domingo, novembro 18, 2007

Fui

O tempo tem mais olhos do que barriga.
Diz a Susana.
Não é bem o tempo. É mais a vontade.
Bom, talvez seja um pouco dos dois.
Quatro linhas escritas e consegui não dizer nada.
Acho que tenho um jeito natural para isto.
Agora até poderia ir por aqui fora e comecar a encher chouricos como quem chama por mim.
Com esta saída diria logo se seria chuva ou quem sabe gente. Gente sei que não será certamente e a chuva parece que não anda por aqui.
Em Gotemburgo quero eu dizer. Frio sim senhor. Daquele que racha penicos. Mas chuva, nem vê-la! Um Outono como há muito não via. Há um ano vá.

Vontade:

Não tem aparecido. Em forma de letra pelo menos. Apetece-me jogar à bola, ver filmes, ler a courrier, ouvir música, ver o telejornal.
Escrever, é que nem tanto.
Deve ser por isso que ando um pouco afastado daqui.
É que no blog não vejo filmes, não jogo à bola e não leio o jornal. Só dá mesmo para escrever.

Tempo:

Tem sido dedicado a outras coisas. Nomeadamente a preparar a próxima viagem, a aprender salsa (não é aquela da cozinha) e a lamber Km's de papel com especificacões técnicas. Direi com alguma confianca que estou farto de airbags e afins!

E a coisa não vai melhorar. Pelo menos na próxima semana. Estarei numa terreola perto de Estugarda.
Estão por lá os maiores experts da galáxia em lambidela de papel. Pelo menos foi a história que me venderam.

Para a semana há mais.
Para quem passa por aqui um sentido "volto já!"

sexta-feira, novembro 16, 2007

Os autocarros da Carris

Não há muito tempo, um colega aqui do tasco foi chamado à cadeirinha dos senhores de gravata para justificar porque é que falava de assuntos de trabalho durante o seu tempo livre.
Não assuntos daqueles "epááá, a comida hoje tinha só 3L de molho!!", mas daqueles que podem "transpirar segredos lá para fora". Até parece que estão a inventar a roda…
Eu não quero correr esse risco, não vá o xibinho de servico ser português e investigar entradas aqui no blog.
Era o que faltava, ser entalado por falar de carros. Logo eu que gosto tanto de carros e compro a Turbo desde que deixei a Bravo!!
No entanto há uma pequena história que queria contar e que aprendi aqui dentro. É uma informacão útil e sempre ajuda a quem quer comprar um carro.
Estou a trabalhar num projecto numa empresa que faz veiculos com rodas (ligeiros, pesados e para a malta do cimento), motores para a Nasa, motores para barcos e mais meia dúzia de coisas. É aquela marca que faz "cáminetes" para a Carris.
Ora, nessa marca, estou a trabalhar com o sistema de seguranca passiva (airbag). Esse sistema por sua vez é fornecido por uma empresa alemã que faz electrodomésticos, ferramentas, componentes para indústria e mais uma panóplia de coisas. Ahh, e foi fundada por um gajo chamado Roberto.
Acho que ainda não disse nada que me entale…
Bom. Ao trabalhar com este sistema, tenho a oportunidade de verificar a tal mais valia sueca na concepcão de sistemas de seguranca automóvel.
Há que dizer que de facto esta malta não brinca em servico. O fornecedor em questão, depois de ter ganho o projecto, tem que cumprir mais de 5000 requisitos técnicos.
5000! Nestas últimas semanas, não temos feito mais nada que não seja lamber papel.
O mundo inteiro em formato A4 para que o balão rebente na altura certa. Estou admirado com o detalhe a que se consegue chegar..
Não sei se as outras marcas fazem isto. Sinceramente duvido.
A mensagem é: se querem seguranca, comprem "autocarros Carris" !



Ps - Xibinho, se estás a ler isto, repara que não falei em marcas e por isso ninguém percebeu. Por outro lado se perceberam, imagina o efeito publicitário e vai lá comer o teu big mac !

Ps2 - A única excepcão para esta publicidade é para aqueles que vivem na terra do Tio Sam e têm filhos em idade de cadeira de bébé, mas com peso de bezerrinho. Para esses é melhor não.

Ps3 - Xibinho, não estou a dizer nada pá!! Imagina lá os problemas legais e pensa como estou a ser amigo. Mas também não te procupes, não há putos gordos aí desse lado. Vá, atira-te lá ao Double Cheese!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Pataniscas com arroz de tomate


Biombo-Humano-Abanador-De-Cabeca-Para-Fazer-Número-Atrás-Do-Ministro-Sempre-Que-Este-Fala-Para-A-Comunicacão-Social: "Alberto, Alberto, não achas que isso vai dar asneira?"

Alberto Costa: "Não pá! Meia dúzia de trocos!"

BHADCPFNADMSQEFPACS: "Mas olha que o Zé disse para não darmos bandeira até 2009...olha as eleicões Beto!!"

AC: "Deixa-te de mariquices pá! O Zé está ocupado com os gémeos polacos e os engates do Sarkozy, vai lá lembrar-se disto..."

BHADCPFNADMSQEFPACS: "Mas Beto, olha que na Noruega compraram um Lupo para um ministro e foi um deus nos acuda!!"

AC: "Bárbaros! São uns bárbaros esses gajos!!"

BHADCPFNADMSQEFPACS: "É que sempre são 35 000 cts Beto....e se comprássemos uns Clio?? Com A/C claro!!"

AC: "Nem penses! O Santana comprou Mercedes para a CML e eu agora é que vou ser o pelintra não??"

BHADCPFNADMSQEFPACS:"E achas que vais mesmo precisar de uma caixa para 6 CDs ?"

AC: "Já viste o caos em que está Lisboa? Só para ir do Terreiro do Paco até Belém consigo ouvir o duplo dos Queen ao vivo em Wembley 86. Um clássico! Friends will be friends...."

BHADCPFNADMSQEFPACS: "Bom, se é assim...Mas Beto, nós não temos dinheiro para pagar!"

AC: "Nós? Pagar? Agora é que me deixaste confuso!"


in aqui

segunda-feira, novembro 12, 2007

Os 3 dias



"Perfeita, perfeita, só a Super Bock."
O que não é verdade.
"Perfeita, perfeita, provavelmente só a super bock."
Assim já podia ser.
Mas parece que aquela do "provavelmente" traria problemas.
Isto porque, perfeito, perfeito, só este fim-de-semana que passou.
Reviver 12 anos em 3 dias e ficar com a sensacão que só a idade mudou.
Ok…já ninguém usa all-star também.
A galhofa é a mesma, a cumplicidade está lá e as complicacões também.
Todos diferentes, todos iguais.
A expectativa confirmou-se e o conforto da amizade voltou comigo. O calor da alma agradece.
Londres a cidade que nunca dorme (até às 3 da manhã queria eu dizer...).
Parar no metro por 10 segundos para olhar para o mapa e sentir toda a gente a bater-me no ombro: "sorry mate". O mundo parece correr naquelas ruas. E sempre com pressa.
Falam-se todas as línguas conhecidas e não há rua em que a de Camões não apareca.
Come-se enfarte de miocárdio (bacon, feijões,cogumelos, pão, sumo, café, tomate, ovo) pela manhã e ao lanche "please, give me one pastel de nata".
O jantar é jamaicano e no pub a guiness quer provar que não sabe a café.
Todos falam alto, mesmo os que não são espanhóis. A vida parece correr bem aos locais, pelo menos na happy hour.
Uma sopa de nacionalidades onde ninguém é estranho. Apenas mais um.
E luzes. Tantas luzes a anunciar espactáculos. Como eu gosto de luzes.
As gargalhadas produzidas fizeram-me voar mais alto que o avião no regresso.
Viver, viver e viver. Dormir, nem tanto. É aí que todos percebemos que já não temos 20 anos. Os empregadores desculpam os olhos fechados do dia com a quantidade de dentes de fora. Percebem que estamos felizes. "Estás moidinho?", pergunta. Sim, bastante. Mas com a tacha bem arreganhada. Amanhã é que é chefe!
Entro no avião para regressar. Está atrasado e não é hábito. "Pedimos desculpa pelo atraso" diz o capitão. "Viémos agora do Porto onde tivémos alguns problemas"…ahhhh…home sweet home. Ninguém faz problemas como nós. Somos até extraordináriamente bons na concepcão de problemas.
"Vamos voar na velocidade máxima para compensar o atraso", conclui.
Antes de adormecer debato internamente a polémica. Se eles podem andar mais depressa porque não o fazem sempre? Não há engarrafamentos ou multas por excesso de velocidade…deve existir uma razão, mas deixo-a para mais tarde.
Sonho com um sorriso.
Acordo e vejo-o. Melhor do que no sonho. O fim-de-semana continua perfeito.
Janto com jazz em pano de fundo. Estou embalado e prestes a desistir na luta contra o sono. Três dias perfeitos a terminar.
Eis quando o neurónio da bola me diz: "olha lá…não te vais deitar sem saber os resultados pois não??"
Ahhh..é verdade, já nem me lembrava. O Tate e o museu da ciência adormeceram o neurónio da bola. Mas por pouco tempo.
Sento-me sem óculos e olho para o monitor.
Conto 6.
Mais 3.
E mais 2.
Levanto-me e vou buscar os óculos.
Conto 6.
3.
Olha...e 2.
Festejo mentalmente esses 11 golos. Não me mexo muito porque tenho os ossos a dormir. Estalo apenas dois dedos.
Fico na dúvida de quais gosto mais. Se dos 3 do braga ou dos 2 do estrela. Os 6 do Glorioso também foram giros, mas ganhar ao Pacheco até o Celtic conseguia.
Não estou a ver um fim-de-semana destes a acontecer tão depressa mas isso também não interessa agora.
É tempo de dormir.
Perfeito.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Milan Kundera: a insustentável leveza do ser


15:15h de um dia qualquer...



Gotemburgo: E que tal um café em Londres?
Lisboa 1: Tou nessa.
Lisboa 2: Grande ideia!
Porto Santo: Ehhhh….grande ideia! Mas….e se….ehhhhh…em vez de Londres fosse Barcelona que é mais quente?
Gotemburgo: Barcelona era óptimo, mas a ligacão a partir daqui não é boa. Para Londres há 3 vôos diários da Ryan Air e são mais baratos que uma sandes de almôndegas!
Porto Santo: Ehhh…Está bem!
Lisboa 1: Está decidido então. Eu trato do hotel.
Lisboa 2: Yhuuuu…pints!!!!
Porto Santo: Mas um baratinho e….
Gotemburgo: Olha, achei este em Piccadilly. Uma camarata sem wc. Barata, cheirosa e central.
Lisboa 1: Andei a ver na zona e o preco é bom.
Lisboa 2: Concordo!! Siga!!
Porto Santo: Alto, alto!! Estive a ler e a água no duche não tem uma pressão boa. Sem jacuzzi é que não!!
Gotemburgo: …
Lisboa 1: …
Lisboa 2: …
Lisboa1: Já tenho vôo. Para mim e para PS.
Lisboa 2: Vou marcar o meu mesmo, mesmo na véspera.
Gotemburgo: Também já marquei.
Porto Santo: Simples não foi?? Yhuuuu!! Piccadilly!!!
Lisboa 1: Vemo-nos lá então.
Lisboa 2: Até lá.
Gotemburgo: Até.

15:25h desse mesmo dia qualquer





O "lá" é hoje.
O estaminé está a fish&chips até domingo.
Bom fim-de-semana para todos.

terça-feira, novembro 06, 2007

Ao intervalo

A constatacão óbvia: Deus existe, vê filmes do Sean Connery e bebe whisky de malte.

Terca-Feira Super Bock

Santana, o tal que não se manca, volta hoje ao parlamento para liderar a oposicão no debate sobre o orcamento.
Vai ser interessante ver a companhia de azeiteiros Portas & Santana a atirarem-se a Sócrates como gato a bofe.
Nunca percebi o que é um bofe.
Será que se escreve assim?
Imagino sempre o bofe como o recheio daquelas latas de pasta de atum que os gatos comem e que de quando em vez aparecem nos "couvert" com o nome de tartex.
Esta do "couvert" fez-me lembrar outras praias e uma conhecida que à pergunta "deseja alguma couvert? " respondeu "Que houver o quê?"
Ele era chico-esperto. Ela não sabia francês.
Ou pelo menos é assim que eu imagino.
Já perdi outra vez o fio.
O que conduz.
Duas curiosidades motivam o meu interesse pelo debate: quantas vezes honrará Santana o seu líder espiritual Sá Carneiro com a palavra "PPD" e quantas ideias dignas de oposicão surgirão da ala direita. O meu palpite é, respectivamente, 21-0.
Terminado este clássico, comeca outro.
Entra o glorioso em campo para arrefinfar uma bela tareia na Naval de Glasgow.
85 minutos de pontapé para o ar e lá para os 87, que antes disso é cedo, numa molhada qualquer o Luisão estica os alicates e bola na rede.
É isto. Pode parecer emocão, mas não.
É pura ciência.

SOS emigra


Poderão vocês pensar que a vida é simples.
Nada mais errado. Nada mais errado camaradas.
Terei ofendido alguém que sendo democrata-cristão não se reveja em tal plural ?
Não me parece. Não me parece camaradas.
Ups...saiu-me de novo.
Dizia eu que a vida pode ser simples. E pode. Realmente pode.
Mas para quem não ouve a TSF. Especialmente o respectivo fórum. O mundo parece desabar todas as manhãs ali.
Passa-se o seguinte ou em português corrente "ixto é assim": na tentativa de me concentrar para acertar no 0 ou no 1 (*1) - e aqui tenho que interromper de novo...dirão V.Excs., quicá um pouco estupefactas que é um clássico 50-50, ou é 0 ou é 1e que mesmo sem concentracão a coisa vai lá com sorte, ao que terei de responder dizendo que com um 0 ou com um 1 (e reparem como os dois "uns" seguidos podem confundir) se coloca um homem ou um babuíno, o animal e não o adjectivo calão de ofensa, na Lua - (*2) tenho a tendência de ouvir a rádio comercial de manhã.
Dica: Para uma leitura sem falhas, saltem de *1 para *2.
O problema, e se não existisse um problema eu não estaria a escrever, é que por volta das 11 da manhã locais os generosos 100Mb que me trazem as ondas de FM codificadas comecam a presentear-me com magníficos minutos de silêncio e mensagens eloquentes como "buffering, please wait".
11 da manhã, o estômago a pedir almoco por cá e 10h em Portugal, hora em que vocês chegam ao trabalho depois de gritarem com 5 pessoas diferentes no trânsito.
Como maior parte dos empregadores ainda não tiveram a feliz ideia de vos bloquear outros sites além da "ABola" e do "Record", o servidor da "média capital" fica entupido em menos de nada (com nada pertencente a um intervalo de 30 segundos) e eu tenho que optar entre Viking ou a TSF.
Normalmente opto pela TSF. Sempre ouco as notícias. Sim, as tais que passam de 20 em 20 minutos, mas prontossss, sempre mantenho o contacto com a língua e ouco o Camacho a dizer "salir a ganar!" 15 vezes.
Há também aqueles momentos em que a TSF passa música. Mas esses 3 minutos de glória coincidem com o meu xixi matinal. Nunca apanho a Adelaide Ferreira e o seu recente sucesso "I would give everything to have you here".
Quando "mudo" para a TSF, certo como "em siracusa pitágoras contou aos seus netos, o quadrado da hipotenusa é a soma do quadrado dos catetos" apanho sempre alguém a berrar. E não raras vezes alguém de Viseu. Mesmo na gritaria é dificil esconder aqueles "jjjjjj".
Hoje o tema era o caso "Ana Brandão" que só conseguiu a reforma com intervencão de um ministro.
Relembro que o objectivo desta salsa é ter melodia nos meus ouvidos para me concentrar no trabalho.
O fórum avanca e eu comeco mentalmente a entrar nele. E a música, quando vem a música? Ah...agora....não, é o Cristiano Ronaldo a dizer que se não "Crresse" não rendia.
Um senhor diz que aqui há 5 anos reformavam os funcionários públicos por dá cá aquela palha. "50 anos e estão em casa!! Maravilha!", dizia renegando a arte da labuta para outros. É que parece que cansa. "Hoje uma pessoa morre a trabalhar!", continua indignado.
Fico com a sensacão que o país usa casos excepcionais de doenca justificada para generalizar o estado da Nacão. Esqueco o 0 e 1 e tiro o auricular. Não, não está a resultar.
"Hejsan, Mann... Jag måsta prata med dig! Ska vi gå till fika på klockan 14??Jaha...precis!!!"...epá também não resulta. Os solucos não ajudam.
Volto ao auricular....
"...Comeco por mandar um beijo para a Sra. Ana Brandão e para todas as Anas deste país...", diz um novo ouvinte. Será que se referiu também à minha mãe?
Já passou meia-hora e estou exactamente no mesmo 0.
A música deixa-me concentrado, a ausência dela nem tanto.
Muitas baboseiras ditas aos berros também não me dão saúde.
As ondas do FM luso não passam de Espanha. Esbarram naquele touro de cartão da auto-estrada.
Mas chegam aí. Por acaso chegam aí.
E se vocês, em vez de ouvirem pela net, levassem um daqueles rádios dos chineses e desamparassem o servidor? Um clássico do escritório ao lado da fotografia do "mái novo".
Ahn? Que tal?
Incentivam as transacões económicas com a China e distribuem solidariedade pelos patrícios espalhados pelo globo.
Bonito. E de camarada.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Ready? Set...Go!



Não temos tempo uns para os outros.
Pode ser impressão minha, mas parece-me que tudo aparece antes do momento em que dedicamos atencão a alguém importante.
Primeiro os exames, depois os trabalhos, um pouco mais à frente os empregos, depois quem sabe os filhos, a vida familiar e por aí fora.
Tempo, que no fundo é a única coisa que temos, parece ser o elemento não existente. Uma questão de gestão dirão os especialistas.
Quem sabe.
Qual é afinal o objectivo de correr sem saber para onde? Há uma reunião, há um exame, há um acontecimento, há uma série de coisas onde é necessário marcar presenca.
Tudo muito bem.
Mas alguma vez deixará de haver? Chegará o dia em que seremos donos do nosso tempo? De todo o nosso tempo?
Acho que não. E sinceramente espero que não. A vida tem mais cor quando alguém nos quer ver.
Mas na impossibilidade de chegar a todo o lado, não devemos nós dar mais atencão a quem realmente importa?
Um telefonema, um jantar, uma concessão de tempo.
Uma simples linha para que do outro lado se perceba que essa pessoa conta. Pelo menos para nós.
Dir-me-ão que a vida é um caderno de responsabilidades.
Ser adulto significa ter contas para pagar. Para tal é necessário um emprego, que por sua vez exige que alguém no departamento de recursos humanos diga "parece-me que este gajo é o tal". Para encontrar esse artista dos recursos humanos é necessário pedalar e 800Km passam a correr. Sem darmos por isso já tentámos tudo até Badajoz.
Acreditamos que esta coisa do "sem fronteiras" é mesmo verdade e dizemos "porque não?".
E é aqui que aparecem algumas supresas. Temporais.
O corre-corre desaparece e por razões óbvias a vida fica mais calma. Páro para pensar.
Constato que distando alguns milhares de quilómetros, vejo o mesmo número de vezes algumas das pessoas que não estavam a mais de 20 Km da minha porta. Daquelas importantes.
A diferenca é que agora percebo isso. Não correr dá-me tempo para pensar.
E pensar dá sempre jeito para compreender. Coisas.
Do outro lado ainda se corre.
Lembro-me de como há uns anos atrás, combinar um simples jantar no B. Alto com um grupo de 10 pessoas era um pesadelo. Comecávamos com um dia e entre "nesse dia não estou cá" e "aí vou ao casamento daquele primo em 3 grau" acabávamos 3 meses depois.
Não tínhamos muito mais do que 20 anos. O que é que a vida pode exigir de tão complicado a miúdos de 20 anos? No entanto, todos achavam normal aquelas agendas preenchidas. Agendas. E 20 anos. Não combinam.
Cheguei a combinar dos dois lados da ponte V. da Gama com 5 min. de diferenca e achar no mais ingénuo dos sonhos que isso seria possível.
No que me diz respeito estou cansado de correr. Não faz sentido.
Sento-me aqui e observo quem corre. 1 dia, 2 dias, uma semana, 1 mês, 1 ano.
O tempo passou a ter mais valor. Tal como o Sol, finalmente consegui dar-lhe algum valor. O mar sem ondas sente-se só e nós, por muita correria que consigamos encaixar no mesmo dia, não criaremos momentos se não lhe dispensarmos atencão suficiente.
E o que nos puxa belo brilho no olho?
Um bom momento com quem nos acompanha diariamente?
Uma boa conversa com um amigo que seguiu outra estrada?
Um jantar num ambiente familiar?
Tudo. Eu diria que tudo.
E criamos nós as condicões para tal?
Olhe que não. Olhe que não.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Confirma-se

Na taca da liga ficaram apenas as equipas pequenas.

O projecto

Quero saber notícias do rectângulo.
Ligo-me ao telejornal.
Um rapaz com fato e gravata fala da importância do projecto para a região de Castelo Branco.
Qualquer actividade, nem que seja beber a bica com a mão esquerda, quando descrita por uma pessoa de gravata passa a ter o nome de "projecto".
"Com este projecto pretendemos ligar as pessoas à sua terra nos momentos de lazer, nos momentos de passeio, etc. Agora já não precisam de ir para Lisboa ou Coimbra.", diz visivelmente agradado com o "projecto".
Mas o quê? O que terá acontecido em C. Branco para retirar Albicastrenses dos pastéis de belém?? Um jardim? Um museu? Um oceanário?
Fizeram o primeiro grande centro comercial. 75 lojas, cinemas e um modelo. Uma loucura!
Agora percebo. Já não há necessidade daqueles momentos de lazer fantásticos nos jardins do Colombo ou nas galerias do Vasco da Gama.
E como nestas coisas não fazemos nada por menos, no dia da inauguracão o edil local cortou a fita de uma nova estrada que por acaso passa mesmo lá ao lado. Quando aquele rio de Bruxelas secar, sempre quero ver como é que estes "projectos" importantes para o bem estar da Nacão se realizam.
Uma notícia.
O rectângulo está na mesma.
Ora onde é que está aqueleeee botãoooo....ehhhh...está aqui....off

Os seguidores de Santana

terça-feira, outubro 30, 2007

Nada mau...

I am worth $2,231,690 on HumanForSale.com
How much are you worth?

Do mesmo pedestal

Seja qual for a verdade atrás do caso McCann, a dor que envolve o casal deve ser respeitada. Não embalando na onda de "eles são culpados", acho que faz sentido a PJ procurar todos os caminhos possíveis, principalmente quando todos os outros parecem não levar a lado nenhum. Vejo com algum desagrado a forma como alguns colunistas retratam o nosso povo pelos olhos deste caso.
Depois de um país inteiro andar atrás de uma crianca inglesa (algo que nunca foi feito por qualquer dos desaparecidos lusos e imagino eu, por nenhuma das centenas de criancas que desaparecem no Reino Unido diariamente), da beatificacão precoce que a comunicacão social concedeu aos McCann, do apoio concedido pelos populares (e aqui não foi apenas com palmadinhas nas costas...também houve dinheiro a entrar no banco!) e das intermináveis horas de divulgacão na televisão do estado, temos que ler barbaridades e insultos deste atrasado mental sobre um caso que resulta de uma negligência (na melhor das hipóteses) dos pais e tudo, porque a PJ se limitou a investigar a única hipótese que restava.
Já é muito fish and chips para um dia.

O gajo do lencol


Os ingleses estão para a Europa como os americanos estão para o mundo. Acham sempre que olham para os demais um degrau acima. Politicamente são aliados históricos e percebe-se porquê. De certa forma, e à sua escala, aceitam o fardo da conducão dos destinos do globo na era pós-guerra fria.

Bush condena todas as ditaduras que não lhe dão cavaco ou que não foram instituídas pela CIA. Por um lado diz que Saddam é mau para o povo e desata ao tiros em defesa dos desprotegidos, por outro lado faz umas negociatas com a família real Saudita que é não é propriamente aquele tipo de gente que se preocupa mais com o bem estar dos seus. A não ser que pedras na cabeca contem como terapia.

Gordon Brown, acabadinho de chegar não quer deixar créditos por mãos alheias. For Queen and Country disse ele ao telefone ao Zé, o nosso, sobre o possível boicote à cimeira UE-África.

Não se senta na mesma mesa de Mugabe. E faz ele muito bem. Eu também não me sentaria a não ser que lhe pudesse dar uns carolos.

Nada a dizer. O legado de Mugabe no Zimbabwe fala por ele e "destruicão de um país" passou a ter uma nova entrada no dicionário. Não sei se cabe a Brown o papel de defensor da moral, mas enfim, está no seu direito de homem livre.

No entanto, apesar de todo o "escabeche" com Mugabe, recebe em Londres o rei saudita Abdallah. Aí está uma atitude que encheu de orgulho Bush. Pai e filho. Estavam ambos num churrasco no rancho do Texas quando disse o ancião: "Este Brown de Inglaterra é um dos nossos!" ao que terá respondido o rebento: "Onde fica Inglaterra Dad??"

A Arábia Saudita não tem uma taxa de inflacão como o Zimbabwe é certo. Mas também nenhum outro país do mundo tem. Mugabe tortura os seus opositores e não permite eleicões livres. As asneiras cometidas desde a expulsão dos colonos e respectiva distribuicão das fazendas pelos amigos, deixaram o país arruinado e a populacão a morrer de fome sem grandes opcões que não sejam os campos de refugiados. Não se pode dizer que a vida corra muito bem por aqueles lados. Principalmente para quem não tem amigos no governo.

Já na Arábia Saudita a coisa pia mais fino. Caso contrário não seriam recebidos em Londres.

A Arábia Saudita não tem constituicão, nem partidos políticos. É uma monarquia absolutista assente no Corão.

A polícia religiosa pode molester e deter qualquer pessoa que quebre o código moral do país (se cocam um pouco acima do joelho já está!). Os castigos para o que esta polícia denomina como crime incluem amputacões, decapitacões e espancamentos. Este último para os gajos com mais sorte. Tudo isto, apoiado pela família real saudita que não permite partidos políticos, eleições, sindicatos, associações independentes legais ou organizações de direitos humanos. A comunicacão social e o acesso à internet são totalmente controlados. A entrada no país de organizações internacionais não-governamentais de direitos humanos não é permitida. Mesmo nos casos que envolvem crimes capitais ou crimes puníveis com amputacão dos membros, os julgamentos são secretos e sumários, com uma duracão que varia de cinco minutos a duas horas, em geral. Confissões obtidas sob tortura, coacão ou fraude são frequentemente usadas como prova no tribunal, e os acusados não têm direito a advogado ou à oportunidade adequada para construir a sua defesa.

Bom, digamos que a família real Saudita está para o seu povo como óleo de fígado de bacalhau está para qualquer um de nós. Dá arrepios e não faz crescer.

Sabendo então que esta malta dos lencóis ainda ensinava uns truques a Mugabe, porque se senta Brown com Abdallah para um gostoso fish and chips em Buckingham?

Cheira-me que é petróleo.

Nomeadamente 1/4 da producão mundial. Sim, é capaz de ser isso.

Também pode ser o novo contrato de venda de 72 Eurofighter Typhoon no valor de nove mil milhões de dólares. Sim, também pode ser isso.

Ou será que são os restantes milhões do contrato para aquisicão de armas ? Sim, talvez haja aí qualquer coisa.

Não sei. Estas coisas da moral deixam-me sempre baralhado.

Mas uma coisa sei. De certeza que é For Queen and Country.

domingo, outubro 28, 2007

Uma semana a contribuir para o crescimento do PIB

Pela primeira vez, esta época, foi um prazer ver um jogo de futebol do Glorioso. O jeito, ou a falta dele continua lá, mas pelo menos as camisolas sairam bem suadas. Correram do princípio ao fim e atenuaram com esforco as falhas tácticas do Camacho.
Gostei. Gostei mesmo.
Ahh...e também gostei do momento humorístico do fim. O treinador de uma equipa que jogou contra 10 durante mais de 1 hora, vem queixar-se da arbitragem.
Clubes pequenos, mentes pequenas.
Além do mais, o Marítimo é uma das equipas que concorre em desigualdade com as demais (100% financiados pelo Tio Alberto, que é como quem diz nós!), por isso a vitória ainda me sabe melhor.
Sim, o PIB português vai levar um empurrão esta semana e cheira-me que o sueco também.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Um conto de Natal *

Dezassete e trinta. Horas.
Quantas vezes escrevemos um número por extenso? Entre 0 e zero vezes.
Dizia…17.30h.
Saio do trabalho e preparo-me para percorrer os 200m de alcatrão que me deixam perto do carro.
Está frio. Não é fresquinho. É um frio bem gostoso.
Sinto-o em cada osso. Um dia comecarei a usar casaco. Prometo.
150m depois avisto o meu carro. Está só no parque. Também, o que se poderia esperar a esta hora da madrugada?
Desvio o olhar para um canteiro. Não tem mais do que 70 cm de largura. Atravessá-lo não é muito civilizado mas evita os último 20m do percurso.
Depois de 180m ao frio, não fazer aqueles 20 parece-me razoável.
Vejo que tenho que pisar uma ou até duas ervas daninhas para atravessar o canteiro. Olho para os lados e não há ninguém da Quercus por perto. Avanco.
Dou umas bicadas com a chave na chapa até conseguir acertar com a fechadura. Luvas também teriam sido umas companheiras fantásticas.
Entro e sinto gelo em estado puro. Ligo o carro e a "sofage" comeca a empurrar ar frio. A/C é para meninos.
Acelero o mais que consigo até ao primeiro semáforo e o cheiro a gasolina mistura-se com o ar. Estou gaseado mas um pouco mais quente.
Vem de baixo o ar. Está apontado para os pés.
Percorre os pedais, atravessa as solas, vem pelos joelhos e quando chega ao pescoco já aconchega.
E cheira.
Cheira?
Não é suposto cheirar.
Mas cheira e não é a ferro de engomar.
Olho em volta e estou só.
Cheira muito mal.
Epá não pode ser. Não acredito. Queres ver que pisei? 180m de alcatrão e 70 cm de terra e pisei? Naqueles 70 cm e dois passos?
As dúvidas arrastam-se até ao terceiro semáforo. Rezo pelo vermelho que acontece. Disparo porta fora e no meio do gelo miro as solas.
O direito. Logo o direito!! Está lá. E agora? E agora?
No minuto que o vermelho me concede olho para o alcatrão em busca de um pauzinho de perna de pau. Nada, rigorosamente nada.
A estrada está extraordinariamente limpa. Só há alcatrão. Que saudades do eixo norte-sul e das suas bermas cheias de latas, paus de gelado e demais utensílios imprescindíveis.
Não quero entrar no carro. Raspo no alcatrão liso e fica tudo na mesma.
Aparece o verde e o gajo de trás apita indiferente ao meu fado.
Entro e procuro solucões.
Mas é o direito. O do acelerador. Não dá para não usar!
E se for de meia?
Epá não dá. O pedal já tem amostras. Sujava a meia.
E se trocar as pernas? Huumm...espalho material pelas calcas.
E agora pá? E agora? Como? Como?
Agora aguenta.
Mas desliga o ar quente está bem?




* - de Charles Dickens (adaptacão livre)

quinta-feira, outubro 25, 2007

O mundo ao contrário

Ouco um rapazito na TSF com pronúncia de quem "bái ô dragoum".
Fala numa cena alta e hiperbólicamente espectacular chamada World Cyber Games.
Diz ele, são as olimpíadas dos jogos electrónicos. O paraíso dos Geeks, digo eu.
Já estou a ver um ginásio enorme em Singapura com malta de óculos e borbulhas a pontapear processadores a cada "game over"!
"Temos jogos de shooting, racing, fighting e futebol", relata entusiasmado.
E futeboling?? Não há futeboling pá??
Orgulhoso explica que em 5 anos a organizacão conseguiu 74 países participantes. Os jogos olímpicos (aqueles onde a malta usa calcões) demoraram décadas para atingir tal marca, completa.
Jogos olímpicos para nhónhós da playstation...
Afinal a profecia estava certa.


PS - Depois admiram-se quando estes putos perguntam qual é o número de telefone da Lara Croft

quarta-feira, outubro 24, 2007

Os rapazes de Glasgow

Num mundo ideal e concebido por mim, o Celtic nunca jogaria fora da ilha. Nada contra os rapazes, mas no que respeita ao tratamento da bola ficaram presos ao início do séc.XX.
Guarda-redes passa para o central, sai charuto para a frente e logo se vê o resto. Repetem durante 90 minutos e está a táctica feita. Para quem os vê o pensamento de rótulas partidas torna-se uma constante.
Agora...o que dizer de uma equipa que não consegue ganhar a esta malta?
Ouco o comentador dizer: "10 remates à baliza, bolas no poste e na barra, grandes defesas de Boruc...é muito azar de Cardozo!!!"
Não meu amigo. Azar é tropecar no degrau do autocarro e entre os 32 dentes possíveis de partir, conseguir escavacar aquele que se tinha substituido ontem por um pivot de ouro. Isso é que é azar.
Numa baliza com mais de 7m, acertar em ferros de alguns cm é uma prova de perícia.
É tudo....

(gooooooooooooolooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!)

...
Sim, estava a escrever com o jogo a andar....
E não é que o Cardozo acertou naquele espaco que existe entre os postes?
Espero que isto sirva para acabarem com conversas de "azar" e tangas do género.
Corram e tenham atitude!
E agora deixa lá ver se ganham mesmo isto...afinal, 1,5 minutos contra este colosso ainda pode dar asneira.

Portela+1000

O aeroporto da Portela, um clássico da confusão lusa, enfrenta por estes dias um caos maior por causa da greve dos pilotos.
Há que dizer, antes de qualquer coisa, que a razão base da greve é justa. Um piloto com 65 anos a transportar 200 pessoas não é um quadro apetecível. Um avião não é um autocarro da Carris e a especificidade da profissão tem que ser reconhecida, mais não seja, em nome da seguranca.
Os pilotos alegam que devem ter igualdade no tratamento quando comparados com os controladores aéreos (desgaste, risco, etc). Quanto a estes últimos tenho as minhas dúvidas, mas adiante.
Dito que a base da greve é justa, há então que pensar no outro lado da moeda.
Também pela especificidade da profissão de piloto, o respectivo sindicato deve pensar nas consequências de uma greve destas. Um piloto da TAP é extraordinariamente bem pago para fazer o seu trabalho e goza de uma série de regalias que o comum trabalhador não tem. A TAP enquanto empresa, não tem capacidade de resposta para os problemas comuns do dia-a-dia, quanto mais para uma paralizacão deste género. Os prejuízos da TAP são pagos um pouco por todos nós e não me parece que alguém consiga beneficiar com isso. Nem os próprios pilotos.
O sindicato, ao fazer esta greve, sabe que está a atar totalmente os pés da empresa e ao mesmo tempo a chantagear o governo.
O governo por sua vez, justifica o aumento da idade, com o facto dos pilotos de reformarem aos 60 e depois irem voar para outras companhias em Espanha. Embora não concorde com o argumento, gostaria ainda assim de ouvir o sindicato dizer qualquer coisa.
Por fim, e numa altura em que o governo pede ao sindicato uma discussão à mesa, este confirma a greve por mais não sei quantos dias.
Se o governo abre a porta o sindicato deve aproveitar e voltar à greve, apenas e se verificar más intencões do governo. Mas para isto há que falar antes.
Ao agir assim (e admitindo que o tempo para conversar não estava esgotado), mostra que não é um parceiro social, que não se preocupa coma empresa pública que lhe paga as cotas e que não vislumbra qualquer horizonte para lá do próprio umbigo.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Amor com intervalo para socos

( Extractos da entrevista feita por Pedro Almeida Vieira ao reitor do Santuário de Fátima,
Monsenhor Luciano Guerra e publicada no "Notícias de Sábado", suplemento semanal do "DN", de 6 de Outubro 2007)


Jornalista: Havia vidas desgraçadas quando não existiam divórcios…
Monsenhor LG: Havia e hoje também há. No tempo em que não havia divórcios, havia situações bastante dolorosas, mas a pessoa resignava-se. A mulher dizia: calhou-me este homem, não tenho outra possibilidade, vou fazer o que posso. Ao passo que hoje as pessoas querem safar-se de uma situação e caem noutras piores.

Jornalista: Na sua opinião, uma mulher agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Monsenhor LG: Depende do grau da agressão.

Jornalista: O que é isso do grau da agressão?
Monsenhor LG: Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.

Jornalista: Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Monsenhor LG: Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso de gravidade suficiente para deixar o homem que a amava.

Cancro da mama

É favor passar por aqui e carregar no botão cor-de-rosa.
É fácil, barato (pronto, é de borla porque não são vocês que pagam a internet aí no trabalho), ocupa uns bons 4 segundos e dá muito mais do que milhões.

domingo, outubro 21, 2007

Mariana, uma ano depois


Dirão os mais distraídos: "Que fantástico Gauguin nos seus tempos de Martinica!!"
Mas não. Não é disso que se trata, embora me sinta tentado a revelar que se Gauguin tivesse um modelo destes, dificilmente teria partido para terras tão longínquas.
Na imagem está aquela que até aos dias de hoje, e até prova em contrário, ganhou o título de "a bébé mais bonita da porcão de terra formada pelo juncão do hemisfério norte com o hemisfério sul". Sem desprimor para os demais rebentos espalhados pelo mundo, mas é um título individual e alguém teria que o ganhar.
Na imagem já se percebe a forte personalidade e a disciplina que a Mariana impõe lá em casa.
O peixe, segundo consta, não queria brincar e teve que levar um correctivo. A tartaruga era a próxima do menú e enquanto tentava fugir ficou com uma pata presa. Acho que também não se safou inteira.
O tempo passa muito depressa. Eu sei que esta constatacão é uma banalidade, mas olhar para esta fotografia e para a que está aí em cima, faz-me perceber que este ano, este primeiro ano da vida da Mariana passou num abrir e fechar de olhos. Ela já corre (ajudada), farta-se de falar (ou pelo menos ela acha que sim) e jorra vida por cada poro. Ahh...e tem um sorriso que derrete qualquer um!
Bolas...que saudades.
Hoje vi-a. Não ao vivo. A internet não muda o mundo, mas torna-o mais pequeno.
Ela sorriu, falou num dialecto próprio e fez-me por uns minutos sentir que estava ali ao lado.
Das suas pequenitas mãos voou um beijo que fez questão de soprar. Corajoso partiu de uma pequena ilha no Atlântico a bateu aqui à porta. Abri e recebi-o.
Senti. Senti tanto.
E a saudade apertou. Um bocadinho mais.
Parabéns Mariana pelo teu primeiro ano de vida!
Tiago

sexta-feira, outubro 19, 2007

O tratado

O novo tratado de Lisboa, histórico como alguns lhe chamaram, tem como objectivo imediato tornar os processos mais fáceis depois do alargamento para 27.
É muita gente a falar ao mesmo tempo e ninguém se entende.
Muito bem. Há que estabelecer ordem na mesa.
Portugal perde 2 eurodeputados, tal como os países mais pequenos.
Perde o controlo da sua zona económica exclusiva (que é a maior da UE).
O tratado, permite que 6 países (Franca, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e não sei qual é o outro) tenham a maioria do parlamento europeu (56%).
Espanha e Itália ganharam deputados. No caso italiano até tiveram que aumentar o número de lugares no parlamento para os agradar.
Os polacos, que desde o início estavam a encravar o processo, conseguiram tudo o que pretendiam (com o apoio da Franca) e em troca mandam uns quantos rapazes de capacete para o Chade. Um tratado de onde o actual governo polaco sai feliz, é sempre de desconfiar.
Admitindo que em democracia faz algum sentido que os países com mais pessoas (os tais 6) tenham mais peso (de voto) que os restantes, não deixa de ser curioso pensar em como é que o nosso país poderá sair beneficiado com um tratado que coloca 21 a dependerem de 6.
Não nego a justica de "fala mais quem representa mais gente", mas gostava apenas de perceber como ficamos no meio da festa.
Zé, faz-me lá o favor e vai à RTP explicar com calma o que é que ganhámos com isto.
E podes saltar aquela parte de ter "Lisboa" num documento word.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Para onde olhas tu?


Admiro sempre quem me faz sorrir.

Admiro sempre quem fala pelos cotovelos.

Admiro sempre quem encara a vida com bom humor.

Admiro muito mais alguém que consiga reunir estas três características.

Certo. Admiro o Tiago.

Acho que era aqui que queria chegar.

Ainda por cima teve a sorte de os pais abrirem a lista telefónica no nome certo.

A existência do Tiago, comprova científicamente que eu não sou a pessoa mais faladora do mundo. Se não me engano, lembro-me de o ver encarar a vida de duas formas: a rir ou a sorrir.

Ás vezes apetece-me perguntar: "Olha lá, tu não tens problemas?"

Mas não vale a pena. Eu já sei a resposta e comeca com um fulgurante "ehhhhhhhh...."

Faz agora 12 anos que ouvi este ehhhhhhhhhh pela primeira vez. Tínhamos 18 anos.

Ora 3x9 27, significa isso que estás a bater os 30 hoje!

Toca a todos.

O melhor elogio que posso fazer ao Tiago, sendo que a palavra amigo não chega, é que não me lembro nestes 12 anos de o ouvir pedir, exigir ou reclamar fosse o que fosse.

Conjuga o verbo dar e em troca oferece sorrisos.

Conhecer alguém assim é uma verdadeira dádiva. Sim, porque a sorte já não entra neste campeonato.

Está sempre presente, sempre.

Ainda hoje, mesmo com a distância que a pequena ilha dourada impõe.

Mais três semanas e vamos todos poder rir contigo num palco diferente.

Os outros ficarão encantados por saber que resolveste oferecer umas rodadas de pints em plena Londres para comemorar o teu aniversário.

Se há gajo mãos largas és tu :)

Ou era surpresa??

Muitos parabéns!


terça-feira, outubro 16, 2007

O Pascoal


Para a RTPi, a nocão de servico público para a malta que só vê bacalhau no natal, resume-se às transmissões do "portugal no coracão", grupos corais na Venezuela e ponto cruz no Luxemburgo.

Telejornais e bola que o povo gosta, está quieto!

Se vocês soubessem o trabalho que me dão para vos encontrar no mundo da pirataria, escreviam cá para casa a pedir desculpa, devolviam o IRS a dobrar e ainda me ofereciam 9 Kg de bacalhau Pascoal.

A propósito:

(PUB)

É bacalhau, é Pascoal!


Um azar nunca vem só


segunda-feira, outubro 15, 2007

Diga bom dia com Mokambo



Ao nível do micróbio dificilmente encontrarei outro viveiro tão rico como a mesa da sala de reuniões aqui do departamento.
Poderia mesmo dizer, caso fosse um especialista em microbiologia (ciência que como todos sabem estuda o desenvolvimento do micróbio desde a idade da pedra), que a minha flora microbiana humana (vão ao google que eu também tive algum trabalho) aumenta exponencialmente (voltem lá) quando me sento naquela sala.
A mesa é um verdadeiro maná para a bicharada. Papéis, pedacos de bolo, sandochas com molhanga, restos de café e solas de sapatos. Tudo misturado com o requinte que se exige. Aqui há atrasado (como diz a malta a norte do Mondego) enquanto à volta da mesa se discutia algo (devia ser importante mas já não me lembro) o gajo que se sentava na direccão dos meus olhos fazia um piquenique. Numa mão tinha um pacote de leite e na outra uma sandes típica da suécia. Na mesa ficavam apenas os restos da degustacão. Esta sandocha tem algumas particularidades que em princípio a afastariam de qualquer sala de reuniões. Mas aqui e para um gajo que vem trabalhar com calcas de fato de treino e meias brancas nas sandálias impossible is nothing.
A sandes consiste numa fatia de pão com uma folha de alface, um molho roxo e duas almôndegas coladas nessa pasta. Para ser simpático direi apenas que é difícil comer tal repasto sem sujar o queixo e a testa. Ao mesmo tempo.
Contudo, tenho que reconhecer pelo estilo que o artista dominava o terreno de jogo. Enquanto os outros discutiam qualquer coisa (não me lembro mesmo), ele pegava numa almôndega e dava-lhe uma trinca. Depois, com a metade que sobrava voltava a mergulhar na molhanga e comia. No fim, para puxar lustro ao dedos fazia aquele sluurrp tão bom que evita qualquer desperdício. No meio da operacão há um bocado de molhanga roxa que cai na mesa. O drama? O horror? Não.
O mesmo dedo passa pela mesa e salva aquele pedaco de pasta. Dirige-se novamente para a boca para outro sluuuurp, agora com muito mais sumo. No fim, com a cabeca do dedo brilhante e orgulhosa, chega aquele aconchego que só as calcas podem trazer. Foi-se o brilho.
Sempre que lhe perguntavam algo era possível ver a betoneira em accão. Leite, pasta roxa e o castanho da almôndega. De facto não me lembro do que falávamos.
Repasto terminado e nada como esticar as pernas. Quem não gosta de um belo alongar de joanetes? Mas debaixo da mesa? Porquê? Quando se pode meter as solas em cima do tampo e recolher de forma eficiente os restos que o dedo não apanhou.
Por esta altura restava-me apenas uma dúvida. Que contorcionismo usaria para lamber as chanatas?

domingo, outubro 14, 2007

Pernas para que te quero


Ora aí está rapaziada!
Baku fica depois do sol posto, o relvado é usado para plantar batatas durante a semana, a viagem foi muito cansativa e a bordo não havia bacalhau à lagareiro, mas e este mas é importante, quando correm tudo parece diferente não é?

sexta-feira, outubro 12, 2007

O Al

Excluída que estava a hipótese "Nobel do Ambiente", Al Gore partilhou o Nobel da Paz.
O planeta agradece.
Bush e os republicanos é que nem por isso.

quinta-feira, outubro 11, 2007

E já que falo no...

Che e no Camilo Cienfuegos, ei-los a sorrir na primeira fotografia.
Não resisto a deixar aqui a versão dos franceses Zebda.
Lenda por lenda, que tenha uma pouco de bateria à mistura e aquela "concertina" de Buenos Aires.

O Ernesto










Passam este mês 40 anos sobre a morte de Che Guevara ( 9 Outubro 67 ).

Um pouco por toda a blogosfera abordou-se o tema "mito vs carrasco".

A direita e os seus orgãos oficiais (DN por exemplo) apressam-se a desmontar a imagem romântica do revolucionário. A esquerda defende-o, no que é possível defender.

A fotografia que está aí em cima, tirada em 60 por Albert Korda, serviu de inspiracão para a pintura (a vermelho) de Jim Fitzpatrick em 1968. É a segunda imagem mais reproduzida do mundo. Isso acontece porque depois do dia 9 de Outubro de 67, o dia em que Che foi assassinado, criou-se um mito.

Convém referir isto: Che Guevara não morreu em combate. Foi capturado e executado no dia seguinte para ser mostrado ao mundo. Como um animal.

A CIA sem querer criou um herói e Fidel, que foi o primeiro a mandá-lo para a morte, apanhou a onda e transformou-o na bandeira da revolucão.

As ideias de Che Guevara já não faziam sentido no século em que ele viveu. Queria unir a América Latina tal como Bolivar e achava que a luta armada era o caminho.

Uns anos antes alguém disse o mesmo: Estaline.

Por aqui se percebe que para Che Guevara a revolucão não era um meio para atingir a paz mas sim uma forma de vida. Viveu e morreu por esse ideal.

O bom senso obriga a dizer que Che era doido.

O problema é que a história reescreve-se a cada dia que passa e é interpretada individualmente. O bom senso não faz parte disto.

Para mim há um Che Guevara antes da Sierra Maestra e depois desse período.

Confesso a minha simpatia pela personagem que ajudou Cuba a livrar-se de um governo fantoche que servia apenas para gerir uma colónia de jogo e prostituicão para os vizinhos de Miami, que assistia um inimigo ferido como se de um companheiro se tratasse, que trabalhou nos campos cubanos, que ensinou camponeses a ler e que acreditava que o seu esforco poderia melhorar algo na vida dos que o rodeavam. Essa é a parte da lenda, que apesar de romântica, não deixa de ser verdade. Esta é a parte do personagem que para mim forma o mito e não mudará por muitas limpezas que a história da direita faca.

Se Che Guevara soubesse naquilo em que Fidel transformaria Cuba, talvez não tivesse passado 3 anos na Sierra Maestra, mas essa é outra história.

Depois dos primeiros anos em Cuba, regressou a faceta "revolucão a qualquer preco" e a quantidade de disparates não mais terminou até ao dia 9 de Outubro de 67.

Esta mistura de Bolivar com Estaline não cabe no séc.XX.

Contudo, não deixa de ser curioso constatar que, se por acaso Che tivesse continuado em Cuba a governar com Fidel, dificilmente se teria tornado num mito.

Estou certo que estaria igualmente morto, mas não por uma bala inimiga.

Basta pensar no que aconteceu a Cienfuegos e a todos os outros comandantes da revolucão que fizeram sombra a Fidel.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Buda e seu amigo Peste

Pensava eu que Budapeste era uma cidade bonita. E é mesmo.
Tudo o que define uma capital europeia está lá: arquitectura, história, cultura, confusão, trânsito e sujidade. Quase que me senti em casa (nessa desse lado).
A única coisa totalmente nova foi constatar que algumas pessoas vivem em edifícios cravados com marcas de bala. Na revolucão dos cravos bastou-nos a forca da palavra. Parece que não mas poupa a componente arquitectónica.
O tempo de passagem foi curto mas deu para perceber que a cidade merece uma nova visita.
Como qualquer turista que se preze dei uma voltinha no Danúbio e qual não foi o meu espanto quando a bordo a banda tocou o Danúbio Azul! Nem sei como se lembraram desta.
A parte histórica de Buda (império austro-húngaro) é lindíssima e a área cosmopolita de Peste mostra a abertura da cidade ao ocidente. Se é que faz sentido falar disso hoje em dia...
Os banhos de vapor e as águas quentes são por si só um bom cartão de visita.
Há também a experiência para um dia contar aos netos do que significa visitar uma cidade com 50 vikings. Desconfio que esta malta é educada com nestum de cevada e água de alambique.
O único problema de Budapeste, na minha opinião, é ter muitos húngaros.
Que malta ANTIPÁTICA. Falar inglês só mesmo na televisão e no canal da BBC, sorrir é um verbo desconhecido e educacão, também não me parece que seja um dos pontos fortes.
Fiquei com a sensacão que cada um dos húngaros com quem tive de falar (falar aqui é uma forca de expressão) tinha o pior emprego do mundo, tal era o frete para mexer cada braco.
Depois de pedir uma refeicão (se é que a um panado se pode chamar isso) pedi uma cola quando a senhora já distava 10 cm do frigorífico e ao ver a sua expressão de "dasseeeee" agradeci ao deuses o facto de já não existirem por ali os pelotões de fuzilamento.
Para uma cidade tão turistica, uma pequena formacão de "como ser educado em 10 licões" para quem trabalha nos sítios mais visitados, seria uma verdadeira dádiva.
Agora que penso nisso, vou comecar a prestar atencão se nos "sitios do turista" em Lisboa quem nos visita é recebido com sorrisos ou não.
É que eu tenho a sensacão que somos simpáticos.
Ou vá lá, acolhedores.






















































O regresso ao batente


Com a vontade de um deputado em dia de ponte.
Qualquer coisa sobre Budapeste lá mais para a frente.
Primeiro há que descolar os olhos.
Bom dia.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Destino: Budapeste


Os camaradas de labuta, sempre alerta com o bem estar do proletariado, resolveram fazer um "ing" para fortalecer o espírito de grupo.
"Team building" é o nome e consiste num power point a dizer "sei onde estou e para onde quero ir" e coisas do género.
Parece é que o power point está num computador Húngaro e por isso, eu e mais 50 camaradas, temos que dar um salto a Budapeste para o ver.
Regresso 3f a estas lides (é um power point enorme).
Até lá, despeco-me com um out off office sui generis que acabei de receber de um colega.

Hi There!
If you have received this message, you have succesfully sent an email to ...
I´m out of the office until tuesday. (07-10-09)
If this is an Urgent matter, like End of the World urgent and Bruce Willis can't save us, you can contact me via Cell phone ...

Bom fim de semana.

Comer sem mastigar

Bater perna durante 45 minutos logo pela fresquinha oferece-me, além das dores (a idade não perdoa), muito tempo para pensar.
É muito tempo sem ninguém por perto para falar. E isso é um verdadeiro tormento.
Se o silêncio fosse bom a surdez seria uma dádiva.
Há falta de melhor falo comigo. É óptimo porque na maior parte das vezes acabo por ter razão.
Discutíamos o jogo de ontem. Eu e eu.
Tentei fugir à conversa fingindo que não era coisa que me incomodasse, mas logo percebi que não valia a pena. Não só me incomoda como me tira a boa disposicão.
Fica aqui a bater-me no miolo como um pica-pau. Há que discutir o tema.
Assim, eu e eu, lembrámo-nos da frase lapidar de Nuno Gomes no final do jogo: "Fazemos tudo bem mas não conseguímos chegar ao golo!"
E com isto entro numa subida tramada.
Espero pela recta para organizar ideias.
Já está.
O golo. Comecemos por aqui.
"blá,blá…chegar ao golo".
Os sócios, as recordes do guiness, as pessoas que comem corato com mine na roulotte, a senhora que vende bandeiras em frente ao Colombo, o Máximo taxista, o Barbas, os salários de realeza, os benefícios fiscais, os kits do orelhas, cada bancada do novo estádio, o centro de estágio, os jornais desportivos, o merchandising, o naming e todos os "ing" que se inventam quando não há guita, servem apenas para que essa palavrita tão simples e universal exista: golo.
É para isso que tudo o resto mexe. Para que durante 90 minutos vocês consigam dizer "golo" mais uma vez (pelo menos) do que os mancebos que correm do outro lado.
No fundo é apenas isso.
Ora…se essa parte não existe, há que repensar o que fazer da vida.
Imaginem um cirurgião a dizer:
"epá…eu abro bem com o bisturi e troco umas válvulas no coracão, mas naquela parte de fechar outra vez é que me atrapalho!"
Sim, eu sei. A frase "com o coracão nas mãos" ganharia um novo sentido, mas não seria prático além de que sujaria muito.
Peguem neste exemplo e repitam-no com qualquer área da sociedade.
Faco as paredes mas o tecto não. Lavro a terra mas não coloco sementes. Ensino a ler mas sem falar. Apanho turistas na Portela e levo-os pelo caminho mais curto sem os enganar.
Coisas sem sentido. Percebem?
Se o resto da sociedade seguisse o vosso exemplo, o mundo ficaria muito próximo daquele idealizado pelo Loucã.
Que tal usar esse belo relvado para criar vacas e entrar no mundo dos lacticínios.
O "ing" ficaria assegurado com o merchandisING de chocolates. Estaria na primeira fila para comprar um belo chocolating com o nome "Gloriosing".
Agastado com o debate que tive comigo chego ao trabalho.
As pernas acompanham o desgaste.
Segue-se a banhoca e duas reuniões.
2 fatias de bolo em cada reunião.
Valeu a pena pedalar.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Em Outubro

Fora da Liga dos Campeões e fora da discussão pelo campeonato nacional.
Mau de mais para ser verdade.
Isto para quem não os vê jogar.
Para quem vê não resta outra hipótese que não seja encarar: não jogam uma merda!
Estes ucranianos (e não quero saber quantos brasileiros do Nordeste compraram) nunca tinham ganho um jogo fora de casa na LC. Assim como o Sportém.
Mais baixo que isto já não dá. A sério. Não dá mesmo.
E agora Orelhas?
Vais assumir responsabilidades ou chutas para canto outra vez?

Visto do céu (Gotemburgo)


"Que gelo!", digo olhando para a pele das mãos.
Não a vejo. A pele.
As luvas não deixam.
Outubro. Ainda agora chegou.
Recebo-o de luvas e forro polar.
Para quê as mariquices? Não largo o polar desde Agosto…Ahh!
Limpo a "cacimba" do banco e sento-me. Ninguém quer um triângulo marcado no rabo. A não ser que goste de asa delta. Mas sem asa.
Escolho a primeira música e acordo o pedal. Monte abaixo deslizando no vento.
Entre a brisa os meus ouvidos filtram a música.
"fuuuuuuu….the girl from…..fchuuuuuuu….ipanema goes walking….fchuuuuuu".
Bem hajas cotonete.
Há uns meses o caminho para o trabalho demorava 2 músicas completas. Ou 0,5 músicas no caso do Danúbio Azul.
Agora, com menos do que 15 não me safo.
Trabalhar na ilha do lado "obriga-me" a passar a 25 de Abril cá do sítio. A cidade vista dali e com a música certa anima qualquer manhã.
O frio? Desapareceu há 7 músicas e algumas corridas na ciclovia.
As pessoas que estão a alguns metros de mim, apesar de não terem conhecimento do facto, estão sempre a disputar a contagem de montanha de 1a categoria.
Estatísticamente, de cada vez que vou naquela pose de "alta montanha" (sorriso aflito, cara de arghhhhh, mãos a deslizar nos punhos e rabo no ar para o balanco) a subir uma qualquer parede do caminho, passa ao meu lado na ciclovia um puto numa scooter para que eu de pulmão bem aberto possa absorver cada uma das octanas libertadas.
Quem foi o jumento que se lembrou de fazer uma lei permitindo scooters numa via para bicicletas? Também eu gostava de saber para lhe dar um calduco na careca.
Os gajos que fazem leis são sempre carecas.
Também se prova estatísticamente.
Quando chego ao trabalho, páro a bicicleta no parque e deixo-me cair para o lado. É a forma mais fácil de descolar.
Noutro sítio talvez me sentisse estranho por entrar no estaminé com calcas à Robin Hood, mas sou claramente o mais discreto. O parque está cheio e o que não falta é malta de collants a caminho dos balneários.
Os balneários.
Essa é outra que também me intriga.
No parque estão dezenas de bicicletas. No balneário conto as toalhas com duas mãos.
Huuummm….
À volta da Volvo só há arbustos. As casas de habitacão mais próximas estão longe e maior parte das pessoas atravessam a ponte.
Para a subir, estou certo que algum suor deve escorrer no meio das costas.
Por outro lado há muita malta a cheirar a Patchouly durante o dia.
Acho que há aqui material para investigar.
Ou então é impressão.
No nariz.

segunda-feira, outubro 01, 2007

O bit

Mölle, Suécia

Não há creme revigorante que tenha o poder da linguagem binária aplicada ao mundo.
Não é que use cremes (e enquanto escrevo cuspo
para o chão numa prova total de virilidade!!!) mas comeco a perceber qualquer coisa do universo digital.
1 ou 0. Em sintonia com ele ou totalmente desligado.
Foi esse o bálsamo do fim de semana.
Fechei a porta do mundo e fiz em dois dias tudo o que não consegui fazer nos últimos meses.
Mar, verde, chuva na janela, música, cinema, água com cloro aquecida, tinto de Estremoz, grelhador, dormir e mais uma série de conceitos misturados sem ordem, critério ou tempo.
Chego segunda a cantar.
"The singing guy is in the building!", diz o meu chefe.
Não me atrapalha o refrão. Sigo com os dentes de fora.
Só então reabro a porta ao mundo.
"É favor entrar", digo-lhe enquanto preparo um chá.
E ele não se faz rogado…"o Menezes não sei quê e o meia leca foi de vela, blá,blá...".
Fico confuso. Para quem é de esquerda ver o PSD a chafurdar na lama é fantástico, mas para quem paga impostos, ter um governo sem oposicão ainda é pior. Mendes era mau, Menezes é claramente pior. Os laranjinhas encontraram o seu Portas (o Paulo) e com o governo de Durão bem presente na memória, não consigo ver nada de bom. Soares resumiu da melhor forma estas eleicões: "Foi uma desgraca! "
Está dito.
Ainda assaltado pelos pensamentos da laranja, continuava a mergulhar o saco de chá.
Já colocava mel em cima do queijo, quando o mundo cheio de saudades minhas me dizia que no derby dos derbys, o Adu foi ceifado na área sem qualquer apito do senhor de preto.
"E pronto…já comecam as cobrancas daquele penalty na taca da cerveja...", pensei deixando cair um pouco de mel no polegar.
O primeiro ranger de dentes da semana. E logo na parte do mel que exige concentracão máxima.
"Mas os queques também tiveram um penalty por mão do...", "Áhh…cala-te!!!", interrompi-o.
"Desde que o Jardel tropecou nos pés e sacou aquele penalty sozinho na área com o Argel a 2m, que os queques gastaram os créditos para o século!!", concluí.
Coloquei a rodela de tomate e acalmei-me.
A primeira dentada foi fabulosa. Um pouco de queijo, um pouco de tomate, um pouco de pão.
Não veio a rodela inteira como naquelas bifanas de elástico em que ficamos com o pão na mão e metade do porco nos lábios.
O mel não escorreu para a mesa.
Bobone orgulhar-se-ia.
Aprecio a metade da rodela que ficou no pão, quando vejo o mundo a correr na minha direccão para dizer "E sabes que mais? A FENPROF não quer que os professores sejam avaliados e blá,blá.. "
A rodela desliza pelo pão e aterra na mesa. Estou nervoso.
"Porque mistura a FENPROF direitos adquiridos com sub-desenvolvimento?", penso eu olhando para a rodela de tomate que nunca chegará a ser cortada por um dente meu.
Escorre um pouco de mel.
O quadro está inevitavelmente estragado.
O mundo a 1 tem os seus encantos.
Mas e a próxima sexta?
Falta muito?