sexta-feira, novembro 16, 2007
Os autocarros da Carris
Não assuntos daqueles "epááá, a comida hoje tinha só 3L de molho!!", mas daqueles que podem "transpirar segredos lá para fora". Até parece que estão a inventar a roda…
Eu não quero correr esse risco, não vá o xibinho de servico ser português e investigar entradas aqui no blog.
Era o que faltava, ser entalado por falar de carros. Logo eu que gosto tanto de carros e compro a Turbo desde que deixei a Bravo!!
No entanto há uma pequena história que queria contar e que aprendi aqui dentro. É uma informacão útil e sempre ajuda a quem quer comprar um carro.
Estou a trabalhar num projecto numa empresa que faz veiculos com rodas (ligeiros, pesados e para a malta do cimento), motores para a Nasa, motores para barcos e mais meia dúzia de coisas. É aquela marca que faz "cáminetes" para a Carris.
Ora, nessa marca, estou a trabalhar com o sistema de seguranca passiva (airbag). Esse sistema por sua vez é fornecido por uma empresa alemã que faz electrodomésticos, ferramentas, componentes para indústria e mais uma panóplia de coisas. Ahh, e foi fundada por um gajo chamado Roberto.
Acho que ainda não disse nada que me entale…
Bom. Ao trabalhar com este sistema, tenho a oportunidade de verificar a tal mais valia sueca na concepcão de sistemas de seguranca automóvel.
Há que dizer que de facto esta malta não brinca em servico. O fornecedor em questão, depois de ter ganho o projecto, tem que cumprir mais de 5000 requisitos técnicos.
5000! Nestas últimas semanas, não temos feito mais nada que não seja lamber papel.
O mundo inteiro em formato A4 para que o balão rebente na altura certa. Estou admirado com o detalhe a que se consegue chegar..
Não sei se as outras marcas fazem isto. Sinceramente duvido.
A mensagem é: se querem seguranca, comprem "autocarros Carris" !
Ps - Xibinho, se estás a ler isto, repara que não falei em marcas e por isso ninguém percebeu. Por outro lado se perceberam, imagina o efeito publicitário e vai lá comer o teu big mac !
Ps2 - A única excepcão para esta publicidade é para aqueles que vivem na terra do Tio Sam e têm filhos em idade de cadeira de bébé, mas com peso de bezerrinho. Para esses é melhor não.
Ps3 - Xibinho, não estou a dizer nada pá!! Imagina lá os problemas legais e pensa como estou a ser amigo. Mas também não te procupes, não há putos gordos aí desse lado. Vá, atira-te lá ao Double Cheese!
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pataniscas com arroz de tomate

segunda-feira, novembro 12, 2007
Os 3 dias

"Perfeita, perfeita, só a Super Bock."
O que não é verdade.
"Perfeita, perfeita, provavelmente só a super bock."
Assim já podia ser.
Mas parece que aquela do "provavelmente" traria problemas.
Isto porque, perfeito, perfeito, só este fim-de-semana que passou.
Reviver 12 anos em 3 dias e ficar com a sensacão que só a idade mudou.
Ok…já ninguém usa all-star também.
A galhofa é a mesma, a cumplicidade está lá e as complicacões também.
Todos diferentes, todos iguais.
A expectativa confirmou-se e o conforto da amizade voltou comigo. O calor da alma agradece.
Londres a cidade que nunca dorme (até às 3 da manhã queria eu dizer...).
Parar no metro por 10 segundos para olhar para o mapa e sentir toda a gente a bater-me no ombro: "sorry mate". O mundo parece correr naquelas ruas. E sempre com pressa.
Falam-se todas as línguas conhecidas e não há rua em que a de Camões não apareca.
Come-se enfarte de miocárdio (bacon, feijões,cogumelos, pão, sumo, café, tomate, ovo) pela manhã e ao lanche "please, give me one pastel de nata".
O jantar é jamaicano e no pub a guiness quer provar que não sabe a café.
Todos falam alto, mesmo os que não são espanhóis. A vida parece correr bem aos locais, pelo menos na happy hour.
Uma sopa de nacionalidades onde ninguém é estranho. Apenas mais um.
E luzes. Tantas luzes a anunciar espactáculos. Como eu gosto de luzes.
As gargalhadas produzidas fizeram-me voar mais alto que o avião no regresso.
Viver, viver e viver. Dormir, nem tanto. É aí que todos percebemos que já não temos 20 anos. Os empregadores desculpam os olhos fechados do dia com a quantidade de dentes de fora. Percebem que estamos felizes. "Estás moidinho?", pergunta. Sim, bastante. Mas com a tacha bem arreganhada. Amanhã é que é chefe!
Entro no avião para regressar. Está atrasado e não é hábito. "Pedimos desculpa pelo atraso" diz o capitão. "Viémos agora do Porto onde tivémos alguns problemas"…ahhhh…home sweet home. Ninguém faz problemas como nós. Somos até extraordináriamente bons na concepcão de problemas.
"Vamos voar na velocidade máxima para compensar o atraso", conclui.
Antes de adormecer debato internamente a polémica. Se eles podem andar mais depressa porque não o fazem sempre? Não há engarrafamentos ou multas por excesso de velocidade…deve existir uma razão, mas deixo-a para mais tarde.
Sonho com um sorriso.
Acordo e vejo-o. Melhor do que no sonho. O fim-de-semana continua perfeito.
Janto com jazz em pano de fundo. Estou embalado e prestes a desistir na luta contra o sono. Três dias perfeitos a terminar.
Eis quando o neurónio da bola me diz: "olha lá…não te vais deitar sem saber os resultados pois não??"
Ahhh..é verdade, já nem me lembrava. O Tate e o museu da ciência adormeceram o neurónio da bola. Mas por pouco tempo.
Sento-me sem óculos e olho para o monitor.
Conto 6.
Mais 3.
E mais 2.
Levanto-me e vou buscar os óculos.
Conto 6.
3.
Olha...e 2.
Festejo mentalmente esses 11 golos. Não me mexo muito porque tenho os ossos a dormir. Estalo apenas dois dedos.
Fico na dúvida de quais gosto mais. Se dos 3 do braga ou dos 2 do estrela. Os 6 do Glorioso também foram giros, mas ganhar ao Pacheco até o Celtic conseguia.
Não estou a ver um fim-de-semana destes a acontecer tão depressa mas isso também não interessa agora.
É tempo de dormir.
Perfeito.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Milan Kundera: a insustentável leveza do ser

15:15h de um dia qualquer...
Gotemburgo: E que tal um café em Londres?
Lisboa 1: Tou nessa.
Lisboa 2: Grande ideia!
Porto Santo: Ehhhh….grande ideia! Mas….e se….ehhhhh…em vez de Londres fosse Barcelona que é mais quente?
Gotemburgo: Barcelona era óptimo, mas a ligacão a partir daqui não é boa. Para Londres há 3 vôos diários da Ryan Air e são mais baratos que uma sandes de almôndegas!
Porto Santo: Ehhh…Está bem!
Lisboa 1: Está decidido então. Eu trato do hotel.
Lisboa 2: Yhuuuu…pints!!!!
Porto Santo: Mas um baratinho e….
Gotemburgo: Olha, achei este em Piccadilly. Uma camarata sem wc. Barata, cheirosa e central.
Lisboa 1: Andei a ver na zona e o preco é bom.
Lisboa 2: Concordo!! Siga!!
Porto Santo: Alto, alto!! Estive a ler e a água no duche não tem uma pressão boa. Sem jacuzzi é que não!!
Gotemburgo: …
Lisboa 1: …
Lisboa 2: …
Lisboa1: Já tenho vôo. Para mim e para PS.
Lisboa 2: Vou marcar o meu mesmo, mesmo na véspera.
Gotemburgo: Também já marquei.
Porto Santo: Simples não foi?? Yhuuuu!! Piccadilly!!!
Lisboa 1: Vemo-nos lá então.
Lisboa 2: Até lá.
Gotemburgo: Até.
15:25h desse mesmo dia qualquer
O "lá" é hoje.
O estaminé está a fish&chips até domingo.
Bom fim-de-semana para todos.
terça-feira, novembro 06, 2007
Terca-Feira Super Bock
Vai ser interessante ver a companhia de azeiteiros Portas & Santana a atirarem-se a Sócrates como gato a bofe.
Nunca percebi o que é um bofe.
Será que se escreve assim?
Imagino sempre o bofe como o recheio daquelas latas de pasta de atum que os gatos comem e que de quando em vez aparecem nos "couvert" com o nome de tartex.
Esta do "couvert" fez-me lembrar outras praias e uma conhecida que à pergunta "deseja alguma couvert? " respondeu "Que houver o quê?"
Ele era chico-esperto. Ela não sabia francês.
Ou pelo menos é assim que eu imagino.
Já perdi outra vez o fio.
O que conduz.
Duas curiosidades motivam o meu interesse pelo debate: quantas vezes honrará Santana o seu líder espiritual Sá Carneiro com a palavra "PPD" e quantas ideias dignas de oposicão surgirão da ala direita. O meu palpite é, respectivamente, 21-0.
Terminado este clássico, comeca outro.
Entra o glorioso em campo para arrefinfar uma bela tareia na Naval de Glasgow.
85 minutos de pontapé para o ar e lá para os 87, que antes disso é cedo, numa molhada qualquer o Luisão estica os alicates e bola na rede.
É isto. Pode parecer emocão, mas não.
É pura ciência.
SOS emigra

Nada mais errado. Nada mais errado camaradas.
Terei ofendido alguém que sendo democrata-cristão não se reveja em tal plural ?
Não me parece. Não me parece camaradas.
Ups...saiu-me de novo.
Dizia eu que a vida pode ser simples. E pode. Realmente pode.
Mas para quem não ouve a TSF. Especialmente o respectivo fórum. O mundo parece desabar todas as manhãs ali.
Passa-se o seguinte ou em português corrente "ixto é assim": na tentativa de me concentrar para acertar no 0 ou no 1 (*1) - e aqui tenho que interromper de novo...dirão V.Excs., quicá um pouco estupefactas que é um clássico 50-50, ou é 0 ou é 1e que mesmo sem concentracão a coisa vai lá com sorte, ao que terei de responder dizendo que com um 0 ou com um 1 (e reparem como os dois "uns" seguidos podem confundir) se coloca um homem ou um babuíno, o animal e não o adjectivo calão de ofensa, na Lua - (*2) tenho a tendência de ouvir a rádio comercial de manhã.
Dica: Para uma leitura sem falhas, saltem de *1 para *2.
O problema, e se não existisse um problema eu não estaria a escrever, é que por volta das 11 da manhã locais os generosos 100Mb que me trazem as ondas de FM codificadas comecam a presentear-me com magníficos minutos de silêncio e mensagens eloquentes como "buffering, please wait".
11 da manhã, o estômago a pedir almoco por cá e 10h em Portugal, hora em que vocês chegam ao trabalho depois de gritarem com 5 pessoas diferentes no trânsito.
Como maior parte dos empregadores ainda não tiveram a feliz ideia de vos bloquear outros sites além da "ABola" e do "Record", o servidor da "média capital" fica entupido em menos de nada (com nada pertencente a um intervalo de 30 segundos) e eu tenho que optar entre Viking ou a TSF.
Normalmente opto pela TSF. Sempre ouco as notícias. Sim, as tais que passam de 20 em 20 minutos, mas prontossss, sempre mantenho o contacto com a língua e ouco o Camacho a dizer "salir a ganar!" 15 vezes.
Há também aqueles momentos em que a TSF passa música. Mas esses 3 minutos de glória coincidem com o meu xixi matinal. Nunca apanho a Adelaide Ferreira e o seu recente sucesso "I would give everything to have you here".
Quando "mudo" para a TSF, certo como "em siracusa pitágoras contou aos seus netos, o quadrado da hipotenusa é a soma do quadrado dos catetos" apanho sempre alguém a berrar. E não raras vezes alguém de Viseu. Mesmo na gritaria é dificil esconder aqueles "jjjjjj".
Hoje o tema era o caso "Ana Brandão" que só conseguiu a reforma com intervencão de um ministro.
Relembro que o objectivo desta salsa é ter melodia nos meus ouvidos para me concentrar no trabalho.
O fórum avanca e eu comeco mentalmente a entrar nele. E a música, quando vem a música? Ah...agora....não, é o Cristiano Ronaldo a dizer que se não "Crresse" não rendia.
Um senhor diz que aqui há 5 anos reformavam os funcionários públicos por dá cá aquela palha. "50 anos e estão em casa!! Maravilha!", dizia renegando a arte da labuta para outros. É que parece que cansa. "Hoje uma pessoa morre a trabalhar!", continua indignado.
Fico com a sensacão que o país usa casos excepcionais de doenca justificada para generalizar o estado da Nacão. Esqueco o 0 e 1 e tiro o auricular. Não, não está a resultar.
"Hejsan, Mann... Jag måsta prata med dig! Ska vi gå till fika på klockan 14??Jaha...precis!!!"...epá também não resulta. Os solucos não ajudam.
Volto ao auricular....
"...Comeco por mandar um beijo para a Sra. Ana Brandão e para todas as Anas deste país...", diz um novo ouvinte. Será que se referiu também à minha mãe?
Já passou meia-hora e estou exactamente no mesmo 0.
A música deixa-me concentrado, a ausência dela nem tanto.
Muitas baboseiras ditas aos berros também não me dão saúde.
As ondas do FM luso não passam de Espanha. Esbarram naquele touro de cartão da auto-estrada.
Mas chegam aí. Por acaso chegam aí.
E se vocês, em vez de ouvirem pela net, levassem um daqueles rádios dos chineses e desamparassem o servidor? Um clássico do escritório ao lado da fotografia do "mái novo".
Ahn? Que tal?
Incentivam as transacões económicas com a China e distribuem solidariedade pelos patrícios espalhados pelo globo.
Bonito. E de camarada.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Ready? Set...Go!

Não temos tempo uns para os outros.
Pode ser impressão minha, mas parece-me que tudo aparece antes do momento em que dedicamos atencão a alguém importante.
Primeiro os exames, depois os trabalhos, um pouco mais à frente os empregos, depois quem sabe os filhos, a vida familiar e por aí fora.
Tempo, que no fundo é a única coisa que temos, parece ser o elemento não existente. Uma questão de gestão dirão os especialistas.
Quem sabe.
Qual é afinal o objectivo de correr sem saber para onde? Há uma reunião, há um exame, há um acontecimento, há uma série de coisas onde é necessário marcar presenca.
Tudo muito bem.
Mas alguma vez deixará de haver? Chegará o dia em que seremos donos do nosso tempo? De todo o nosso tempo?
Acho que não. E sinceramente espero que não. A vida tem mais cor quando alguém nos quer ver.
Mas na impossibilidade de chegar a todo o lado, não devemos nós dar mais atencão a quem realmente importa?
Um telefonema, um jantar, uma concessão de tempo.
Uma simples linha para que do outro lado se perceba que essa pessoa conta. Pelo menos para nós.
Dir-me-ão que a vida é um caderno de responsabilidades.
Ser adulto significa ter contas para pagar. Para tal é necessário um emprego, que por sua vez exige que alguém no departamento de recursos humanos diga "parece-me que este gajo é o tal". Para encontrar esse artista dos recursos humanos é necessário pedalar e 800Km passam a correr. Sem darmos por isso já tentámos tudo até Badajoz.
Acreditamos que esta coisa do "sem fronteiras" é mesmo verdade e dizemos "porque não?".
E é aqui que aparecem algumas supresas. Temporais.
O corre-corre desaparece e por razões óbvias a vida fica mais calma. Páro para pensar.
Constato que distando alguns milhares de quilómetros, vejo o mesmo número de vezes algumas das pessoas que não estavam a mais de 20 Km da minha porta. Daquelas importantes.
A diferenca é que agora percebo isso. Não correr dá-me tempo para pensar.
E pensar dá sempre jeito para compreender. Coisas.
Do outro lado ainda se corre.
Lembro-me de como há uns anos atrás, combinar um simples jantar no B. Alto com um grupo de 10 pessoas era um pesadelo. Comecávamos com um dia e entre "nesse dia não estou cá" e "aí vou ao casamento daquele primo em 3 grau" acabávamos 3 meses depois.
Não tínhamos muito mais do que 20 anos. O que é que a vida pode exigir de tão complicado a miúdos de 20 anos? No entanto, todos achavam normal aquelas agendas preenchidas. Agendas. E 20 anos. Não combinam.
Cheguei a combinar dos dois lados da ponte V. da Gama com 5 min. de diferenca e achar no mais ingénuo dos sonhos que isso seria possível.
No que me diz respeito estou cansado de correr. Não faz sentido.
Sento-me aqui e observo quem corre. 1 dia, 2 dias, uma semana, 1 mês, 1 ano.
O tempo passou a ter mais valor. Tal como o Sol, finalmente consegui dar-lhe algum valor. O mar sem ondas sente-se só e nós, por muita correria que consigamos encaixar no mesmo dia, não criaremos momentos se não lhe dispensarmos atencão suficiente.
E o que nos puxa belo brilho no olho?
Um bom momento com quem nos acompanha diariamente?
Uma boa conversa com um amigo que seguiu outra estrada?
Um jantar num ambiente familiar?
Tudo. Eu diria que tudo.
E criamos nós as condicões para tal?
Olhe que não. Olhe que não.
quarta-feira, outubro 31, 2007
O projecto
Ligo-me ao telejornal.
Um rapaz com fato e gravata fala da importância do projecto para a região de Castelo Branco.
Qualquer actividade, nem que seja beber a bica com a mão esquerda, quando descrita por uma pessoa de gravata passa a ter o nome de "projecto".
"Com este projecto pretendemos ligar as pessoas à sua terra nos momentos de lazer, nos momentos de passeio, etc. Agora já não precisam de ir para Lisboa ou Coimbra.", diz visivelmente agradado com o "projecto".
Mas o quê? O que terá acontecido em C. Branco para retirar Albicastrenses dos pastéis de belém?? Um jardim? Um museu? Um oceanário?
Fizeram o primeiro grande centro comercial. 75 lojas, cinemas e um modelo. Uma loucura!
Agora percebo. Já não há necessidade daqueles momentos de lazer fantásticos nos jardins do Colombo ou nas galerias do Vasco da Gama.
E como nestas coisas não fazemos nada por menos, no dia da inauguracão o edil local cortou a fita de uma nova estrada que por acaso passa mesmo lá ao lado. Quando aquele rio de Bruxelas secar, sempre quero ver como é que estes "projectos" importantes para o bem estar da Nacão se realizam.
Uma notícia.
O rectângulo está na mesma.
Ora onde é que está aqueleeee botãoooo....ehhhh...está aqui....off
terça-feira, outubro 30, 2007
Do mesmo pedestal
Depois de um país inteiro andar atrás de uma crianca inglesa (algo que nunca foi feito por qualquer dos desaparecidos lusos e imagino eu, por nenhuma das centenas de criancas que desaparecem no Reino Unido diariamente), da beatificacão precoce que a comunicacão social concedeu aos McCann, do apoio concedido pelos populares (e aqui não foi apenas com palmadinhas nas costas...também houve dinheiro a entrar no banco!) e das intermináveis horas de divulgacão na televisão do estado, temos que ler barbaridades e insultos deste atrasado mental sobre um caso que resulta de uma negligência (na melhor das hipóteses) dos pais e tudo, porque a PJ se limitou a investigar a única hipótese que restava.
Já é muito fish and chips para um dia.
O gajo do lencol

domingo, outubro 28, 2007
Uma semana a contribuir para o crescimento do PIB
Pela primeira vez, esta época, foi um prazer ver um jogo de futebol do Glorioso. O jeito, ou a falta dele continua lá, mas pelo menos as camisolas sairam bem suadas. Correram do princípio ao fim e atenuaram com esforco as falhas tácticas do Camacho.
Gostei. Gostei mesmo.
Ahh...e também gostei do momento humorístico do fim. O treinador de uma equipa que jogou contra 10 durante mais de 1 hora, vem queixar-se da arbitragem.
Clubes pequenos, mentes pequenas.
Além do mais, o Marítimo é uma das equipas que concorre em desigualdade com as demais (100% financiados pelo Tio Alberto, que é como quem diz nós!), por isso a vitória ainda me sabe melhor.
Sim, o PIB português vai levar um empurrão esta semana e cheira-me que o sueco também.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Um conto de Natal *
Quantas vezes escrevemos um número por extenso? Entre 0 e zero vezes.
Dizia…17.30h.
Saio do trabalho e preparo-me para percorrer os 200m de alcatrão que me deixam perto do carro.
Está frio. Não é fresquinho. É um frio bem gostoso.
Sinto-o em cada osso. Um dia comecarei a usar casaco. Prometo.
150m depois avisto o meu carro. Está só no parque. Também, o que se poderia esperar a esta hora da madrugada?
Desvio o olhar para um canteiro. Não tem mais do que 70 cm de largura. Atravessá-lo não é muito civilizado mas evita os último 20m do percurso.
Depois de 180m ao frio, não fazer aqueles 20 parece-me razoável.
Vejo que tenho que pisar uma ou até duas ervas daninhas para atravessar o canteiro. Olho para os lados e não há ninguém da Quercus por perto. Avanco.
Dou umas bicadas com a chave na chapa até conseguir acertar com a fechadura. Luvas também teriam sido umas companheiras fantásticas.
Entro e sinto gelo em estado puro. Ligo o carro e a "sofage" comeca a empurrar ar frio. A/C é para meninos.
Acelero o mais que consigo até ao primeiro semáforo e o cheiro a gasolina mistura-se com o ar. Estou gaseado mas um pouco mais quente.
Vem de baixo o ar. Está apontado para os pés.
Percorre os pedais, atravessa as solas, vem pelos joelhos e quando chega ao pescoco já aconchega.
E cheira.
Cheira?
Não é suposto cheirar.
Mas cheira e não é a ferro de engomar.
Olho em volta e estou só.
Cheira muito mal.
Epá não pode ser. Não acredito. Queres ver que pisei? 180m de alcatrão e 70 cm de terra e pisei? Naqueles 70 cm e dois passos?
As dúvidas arrastam-se até ao terceiro semáforo. Rezo pelo vermelho que acontece. Disparo porta fora e no meio do gelo miro as solas.
O direito. Logo o direito!! Está lá. E agora? E agora?
No minuto que o vermelho me concede olho para o alcatrão em busca de um pauzinho de perna de pau. Nada, rigorosamente nada.
A estrada está extraordinariamente limpa. Só há alcatrão. Que saudades do eixo norte-sul e das suas bermas cheias de latas, paus de gelado e demais utensílios imprescindíveis.
Não quero entrar no carro. Raspo no alcatrão liso e fica tudo na mesma.
Aparece o verde e o gajo de trás apita indiferente ao meu fado.
Entro e procuro solucões.
Mas é o direito. O do acelerador. Não dá para não usar!
E se for de meia?
Epá não dá. O pedal já tem amostras. Sujava a meia.
E se trocar as pernas? Huumm...espalho material pelas calcas.
E agora pá? E agora? Como? Como?
Agora aguenta.
Mas desliga o ar quente está bem?
* - de Charles Dickens (adaptacão livre)
quinta-feira, outubro 25, 2007
O mundo ao contrário
Fala numa cena alta e hiperbólicamente espectacular chamada World Cyber Games.
Diz ele, são as olimpíadas dos jogos electrónicos. O paraíso dos Geeks, digo eu.
Já estou a ver um ginásio enorme em Singapura com malta de óculos e borbulhas a pontapear processadores a cada "game over"!
"Temos jogos de shooting, racing, fighting e futebol", relata entusiasmado.
E futeboling?? Não há futeboling pá??
Orgulhoso explica que em 5 anos a organizacão conseguiu 74 países participantes. Os jogos olímpicos (aqueles onde a malta usa calcões) demoraram décadas para atingir tal marca, completa.
Jogos olímpicos para nhónhós da playstation...
Afinal a profecia estava certa.
PS - Depois admiram-se quando estes putos perguntam qual é o número de telefone da Lara Croft
quarta-feira, outubro 24, 2007
Os rapazes de Glasgow
Guarda-redes passa para o central, sai charuto para a frente e logo se vê o resto. Repetem durante 90 minutos e está a táctica feita. Para quem os vê o pensamento de rótulas partidas torna-se uma constante.
Agora...o que dizer de uma equipa que não consegue ganhar a esta malta?
Ouco o comentador dizer: "10 remates à baliza, bolas no poste e na barra, grandes defesas de Boruc...é muito azar de Cardozo!!!"
Não meu amigo. Azar é tropecar no degrau do autocarro e entre os 32 dentes possíveis de partir, conseguir escavacar aquele que se tinha substituido ontem por um pivot de ouro. Isso é que é azar.
Numa baliza com mais de 7m, acertar em ferros de alguns cm é uma prova de perícia.
É tudo....
(gooooooooooooolooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!)
...
Sim, estava a escrever com o jogo a andar....
E não é que o Cardozo acertou naquele espaco que existe entre os postes?
Espero que isto sirva para acabarem com conversas de "azar" e tangas do género.
Corram e tenham atitude!
E agora deixa lá ver se ganham mesmo isto...afinal, 1,5 minutos contra este colosso ainda pode dar asneira.
Portela+1000
Há que dizer, antes de qualquer coisa, que a razão base da greve é justa. Um piloto com 65 anos a transportar 200 pessoas não é um quadro apetecível. Um avião não é um autocarro da Carris e a especificidade da profissão tem que ser reconhecida, mais não seja, em nome da seguranca.
Os pilotos alegam que devem ter igualdade no tratamento quando comparados com os controladores aéreos (desgaste, risco, etc). Quanto a estes últimos tenho as minhas dúvidas, mas adiante.
Dito que a base da greve é justa, há então que pensar no outro lado da moeda.
Também pela especificidade da profissão de piloto, o respectivo sindicato deve pensar nas consequências de uma greve destas. Um piloto da TAP é extraordinariamente bem pago para fazer o seu trabalho e goza de uma série de regalias que o comum trabalhador não tem. A TAP enquanto empresa, não tem capacidade de resposta para os problemas comuns do dia-a-dia, quanto mais para uma paralizacão deste género. Os prejuízos da TAP são pagos um pouco por todos nós e não me parece que alguém consiga beneficiar com isso. Nem os próprios pilotos.
O sindicato, ao fazer esta greve, sabe que está a atar totalmente os pés da empresa e ao mesmo tempo a chantagear o governo.
O governo por sua vez, justifica o aumento da idade, com o facto dos pilotos de reformarem aos 60 e depois irem voar para outras companhias em Espanha. Embora não concorde com o argumento, gostaria ainda assim de ouvir o sindicato dizer qualquer coisa.
Por fim, e numa altura em que o governo pede ao sindicato uma discussão à mesa, este confirma a greve por mais não sei quantos dias.
Se o governo abre a porta o sindicato deve aproveitar e voltar à greve, apenas e se verificar más intencões do governo. Mas para isto há que falar antes.
Ao agir assim (e admitindo que o tempo para conversar não estava esgotado), mostra que não é um parceiro social, que não se preocupa coma empresa pública que lhe paga as cotas e que não vislumbra qualquer horizonte para lá do próprio umbigo.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Amor com intervalo para socos
Monsenhor Luciano Guerra e publicada no "Notícias de Sábado", suplemento semanal do "DN", de 6 de Outubro 2007)
Jornalista: Havia vidas desgraçadas quando não existiam divórcios…
Monsenhor LG: Havia e hoje também há. No tempo em que não havia divórcios, havia situações bastante dolorosas, mas a pessoa resignava-se. A mulher dizia: calhou-me este homem, não tenho outra possibilidade, vou fazer o que posso. Ao passo que hoje as pessoas querem safar-se de uma situação e caem noutras piores.
Jornalista: Na sua opinião, uma mulher agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Monsenhor LG: Depende do grau da agressão.
Jornalista: O que é isso do grau da agressão?
Monsenhor LG: Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.
Jornalista: Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Monsenhor LG: Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso de gravidade suficiente para deixar o homem que a amava.
Cancro da mama
É fácil, barato (pronto, é de borla porque não são vocês que pagam a internet aí no trabalho), ocupa uns bons 4 segundos e dá muito mais do que milhões.
domingo, outubro 21, 2007
Mariana, uma ano depois

sexta-feira, outubro 19, 2007
O tratado
É muita gente a falar ao mesmo tempo e ninguém se entende.
Muito bem. Há que estabelecer ordem na mesa.
Portugal perde 2 eurodeputados, tal como os países mais pequenos.
Perde o controlo da sua zona económica exclusiva (que é a maior da UE).
O tratado, permite que 6 países (Franca, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e não sei qual é o outro) tenham a maioria do parlamento europeu (56%).
Espanha e Itália ganharam deputados. No caso italiano até tiveram que aumentar o número de lugares no parlamento para os agradar.
Os polacos, que desde o início estavam a encravar o processo, conseguiram tudo o que pretendiam (com o apoio da Franca) e em troca mandam uns quantos rapazes de capacete para o Chade. Um tratado de onde o actual governo polaco sai feliz, é sempre de desconfiar.
Admitindo que em democracia faz algum sentido que os países com mais pessoas (os tais 6) tenham mais peso (de voto) que os restantes, não deixa de ser curioso pensar em como é que o nosso país poderá sair beneficiado com um tratado que coloca 21 a dependerem de 6.
Não nego a justica de "fala mais quem representa mais gente", mas gostava apenas de perceber como ficamos no meio da festa.
Zé, faz-me lá o favor e vai à RTP explicar com calma o que é que ganhámos com isto.
E podes saltar aquela parte de ter "Lisboa" num documento word.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Para onde olhas tu?
terça-feira, outubro 16, 2007
O Pascoal


segunda-feira, outubro 15, 2007
Diga bom dia com Mokambo

Ao nível do micróbio dificilmente encontrarei outro viveiro tão rico como a mesa da sala de reuniões aqui do departamento.
Poderia mesmo dizer, caso fosse um especialista em microbiologia (ciência que como todos sabem estuda o desenvolvimento do micróbio desde a idade da pedra), que a minha flora microbiana humana (vão ao google que eu também tive algum trabalho) aumenta exponencialmente (voltem lá) quando me sento naquela sala.
A mesa é um verdadeiro maná para a bicharada. Papéis, pedacos de bolo, sandochas com molhanga, restos de café e solas de sapatos. Tudo misturado com o requinte que se exige. Aqui há atrasado (como diz a malta a norte do Mondego) enquanto à volta da mesa se discutia algo (devia ser importante mas já não me lembro) o gajo que se sentava na direccão dos meus olhos fazia um piquenique. Numa mão tinha um pacote de leite e na outra uma sandes típica da suécia. Na mesa ficavam apenas os restos da degustacão. Esta sandocha tem algumas particularidades que em princípio a afastariam de qualquer sala de reuniões. Mas aqui e para um gajo que vem trabalhar com calcas de fato de treino e meias brancas nas sandálias impossible is nothing.
A sandes consiste numa fatia de pão com uma folha de alface, um molho roxo e duas almôndegas coladas nessa pasta. Para ser simpático direi apenas que é difícil comer tal repasto sem sujar o queixo e a testa. Ao mesmo tempo.
Contudo, tenho que reconhecer pelo estilo que o artista dominava o terreno de jogo. Enquanto os outros discutiam qualquer coisa (não me lembro mesmo), ele pegava numa almôndega e dava-lhe uma trinca. Depois, com a metade que sobrava voltava a mergulhar na molhanga e comia. No fim, para puxar lustro ao dedos fazia aquele sluurrp tão bom que evita qualquer desperdício. No meio da operacão há um bocado de molhanga roxa que cai na mesa. O drama? O horror? Não.
O mesmo dedo passa pela mesa e salva aquele pedaco de pasta. Dirige-se novamente para a boca para outro sluuuurp, agora com muito mais sumo. No fim, com a cabeca do dedo brilhante e orgulhosa, chega aquele aconchego que só as calcas podem trazer. Foi-se o brilho.
Sempre que lhe perguntavam algo era possível ver a betoneira em accão. Leite, pasta roxa e o castanho da almôndega. De facto não me lembro do que falávamos.
Repasto terminado e nada como esticar as pernas. Quem não gosta de um belo alongar de joanetes? Mas debaixo da mesa? Porquê? Quando se pode meter as solas em cima do tampo e recolher de forma eficiente os restos que o dedo não apanhou.
Por esta altura restava-me apenas uma dúvida. Que contorcionismo usaria para lamber as chanatas?
domingo, outubro 14, 2007
Pernas para que te quero
sexta-feira, outubro 12, 2007
O Al
Excluída que estava a hipótese "Nobel do Ambiente", Al Gore partilhou o Nobel da Paz.O planeta agradece.
Bush e os republicanos é que nem por isso.
quinta-feira, outubro 11, 2007
E já que falo no...
Che e no Camilo Cienfuegos, ei-los a sorrir na primeira fotografia.
Não resisto a deixar aqui a versão dos franceses Zebda.
Lenda por lenda, que tenha uma pouco de bateria à mistura e aquela "concertina" de Buenos Aires.
O Ernesto

Passam este mês 40 anos sobre a morte de Che Guevara ( 9 Outubro 67 ).
Um pouco por toda a blogosfera abordou-se o tema "mito vs carrasco".
A direita e os seus orgãos oficiais (DN por exemplo) apressam-se a desmontar a imagem romântica do revolucionário. A esquerda defende-o, no que é possível defender.
A fotografia que está aí em cima, tirada em 60 por Albert Korda, serviu de inspiracão para a pintura (a vermelho) de Jim Fitzpatrick em 1968. É a segunda imagem mais reproduzida do mundo. Isso acontece porque depois do dia 9 de Outubro de 67, o dia em que Che foi assassinado, criou-se um mito.
Convém referir isto: Che Guevara não morreu em combate. Foi capturado e executado no dia seguinte para ser mostrado ao mundo. Como um animal.
A CIA sem querer criou um herói e Fidel, que foi o primeiro a mandá-lo para a morte, apanhou a onda e transformou-o na bandeira da revolucão.
As ideias de Che Guevara já não faziam sentido no século em que ele viveu. Queria unir a América Latina tal como Bolivar e achava que a luta armada era o caminho.
Uns anos antes alguém disse o mesmo: Estaline.
Por aqui se percebe que para Che Guevara a revolucão não era um meio para atingir a paz mas sim uma forma de vida. Viveu e morreu por esse ideal.
O bom senso obriga a dizer que Che era doido.
O problema é que a história reescreve-se a cada dia que passa e é interpretada individualmente. O bom senso não faz parte disto.
Para mim há um Che Guevara antes da Sierra Maestra e depois desse período.
Confesso a minha simpatia pela personagem que ajudou Cuba a livrar-se de um governo fantoche que servia apenas para gerir uma colónia de jogo e prostituicão para os vizinhos de Miami, que assistia um inimigo ferido como se de um companheiro se tratasse, que trabalhou nos campos cubanos, que ensinou camponeses a ler e que acreditava que o seu esforco poderia melhorar algo na vida dos que o rodeavam. Essa é a parte da lenda, que apesar de romântica, não deixa de ser verdade. Esta é a parte do personagem que para mim forma o mito e não mudará por muitas limpezas que a história da direita faca.
Se Che Guevara soubesse naquilo em que Fidel transformaria Cuba, talvez não tivesse passado 3 anos na Sierra Maestra, mas essa é outra história.
Depois dos primeiros anos em Cuba, regressou a faceta "revolucão a qualquer preco" e a quantidade de disparates não mais terminou até ao dia 9 de Outubro de 67.
Esta mistura de Bolivar com Estaline não cabe no séc.XX.
Contudo, não deixa de ser curioso constatar que, se por acaso Che tivesse continuado em Cuba a governar com Fidel, dificilmente se teria tornado num mito.
Estou certo que estaria igualmente morto, mas não por uma bala inimiga.
Basta pensar no que aconteceu a Cienfuegos e a todos os outros comandantes da revolucão que fizeram sombra a Fidel.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Buda e seu amigo Peste
Tudo o que define uma capital europeia está lá: arquitectura, história, cultura, confusão, trânsito e sujidade. Quase que me senti em casa (nessa desse lado).
A única coisa totalmente nova foi constatar que algumas pessoas vivem em edifícios cravados com marcas de bala. Na revolucão dos cravos bastou-nos a forca da palavra. Parece que não mas poupa a componente arquitectónica.
O tempo de passagem foi curto mas deu para perceber que a cidade merece uma nova visita.
Como qualquer turista que se preze dei uma voltinha no Danúbio e qual não foi o meu espanto quando a bordo a banda tocou o Danúbio Azul! Nem sei como se lembraram desta.
A parte histórica de Buda (império austro-húngaro) é lindíssima e a área cosmopolita de Peste mostra a abertura da cidade ao ocidente. Se é que faz sentido falar disso hoje em dia...
Os banhos de vapor e as águas quentes são por si só um bom cartão de visita.
Há também a experiência para um dia contar aos netos do que significa visitar uma cidade com 50 vikings. Desconfio que esta malta é educada com nestum de cevada e água de alambique.
O único problema de Budapeste, na minha opinião, é ter muitos húngaros.
Que malta ANTIPÁTICA. Falar inglês só mesmo na televisão e no canal da BBC, sorrir é um verbo desconhecido e educacão, também não me parece que seja um dos pontos fortes.
Fiquei com a sensacão que cada um dos húngaros com quem tive de falar (falar aqui é uma forca de expressão) tinha o pior emprego do mundo, tal era o frete para mexer cada braco.
Depois de pedir uma refeicão (se é que a um panado se pode chamar isso) pedi uma cola quando a senhora já distava 10 cm do frigorífico e ao ver a sua expressão de "dasseeeee" agradeci ao deuses o facto de já não existirem por ali os pelotões de fuzilamento.
Para uma cidade tão turistica, uma pequena formacão de "como ser educado em 10 licões" para quem trabalha nos sítios mais visitados, seria uma verdadeira dádiva.
Agora que penso nisso, vou comecar a prestar atencão se nos "sitios do turista" em Lisboa quem nos visita é recebido com sorrisos ou não.
É que eu tenho a sensacão que somos simpáticos.
Ou vá lá, acolhedores.


O regresso ao batente
quinta-feira, outubro 04, 2007
Destino: Budapeste

Os camaradas de labuta, sempre alerta com o bem estar do proletariado, resolveram fazer um "ing" para fortalecer o espírito de grupo.
"Team building" é o nome e consiste num power point a dizer "sei onde estou e para onde quero ir" e coisas do género.
Parece é que o power point está num computador Húngaro e por isso, eu e mais 50 camaradas, temos que dar um salto a Budapeste para o ver.
Regresso 3f a estas lides (é um power point enorme).
Até lá, despeco-me com um out off office sui generis que acabei de receber de um colega.
Hi There!
If you have received this message, you have succesfully sent an email to ...
I´m out of the office until tuesday. (07-10-09)
If this is an Urgent matter, like End of the World urgent and Bruce Willis can't save us, you can contact me via Cell phone ...
Bom fim de semana.
Comer sem mastigar
É muito tempo sem ninguém por perto para falar. E isso é um verdadeiro tormento.
Se o silêncio fosse bom a surdez seria uma dádiva.
Há falta de melhor falo comigo. É óptimo porque na maior parte das vezes acabo por ter razão.
Discutíamos o jogo de ontem. Eu e eu.
Tentei fugir à conversa fingindo que não era coisa que me incomodasse, mas logo percebi que não valia a pena. Não só me incomoda como me tira a boa disposicão.
Fica aqui a bater-me no miolo como um pica-pau. Há que discutir o tema.
Assim, eu e eu, lembrámo-nos da frase lapidar de Nuno Gomes no final do jogo: "Fazemos tudo bem mas não conseguímos chegar ao golo!"
E com isto entro numa subida tramada.
Espero pela recta para organizar ideias.
Já está.
O golo. Comecemos por aqui.
"blá,blá…chegar ao golo".
Os sócios, as recordes do guiness, as pessoas que comem corato com mine na roulotte, a senhora que vende bandeiras em frente ao Colombo, o Máximo taxista, o Barbas, os salários de realeza, os benefícios fiscais, os kits do orelhas, cada bancada do novo estádio, o centro de estágio, os jornais desportivos, o merchandising, o naming e todos os "ing" que se inventam quando não há guita, servem apenas para que essa palavrita tão simples e universal exista: golo.
É para isso que tudo o resto mexe. Para que durante 90 minutos vocês consigam dizer "golo" mais uma vez (pelo menos) do que os mancebos que correm do outro lado.
No fundo é apenas isso.
Ora…se essa parte não existe, há que repensar o que fazer da vida.
Imaginem um cirurgião a dizer:
"epá…eu abro bem com o bisturi e troco umas válvulas no coracão, mas naquela parte de fechar outra vez é que me atrapalho!"
Sim, eu sei. A frase "com o coracão nas mãos" ganharia um novo sentido, mas não seria prático além de que sujaria muito.
Peguem neste exemplo e repitam-no com qualquer área da sociedade.
Faco as paredes mas o tecto não. Lavro a terra mas não coloco sementes. Ensino a ler mas sem falar. Apanho turistas na Portela e levo-os pelo caminho mais curto sem os enganar.
Coisas sem sentido. Percebem?
Se o resto da sociedade seguisse o vosso exemplo, o mundo ficaria muito próximo daquele idealizado pelo Loucã.
Que tal usar esse belo relvado para criar vacas e entrar no mundo dos lacticínios.
O "ing" ficaria assegurado com o merchandisING de chocolates. Estaria na primeira fila para comprar um belo chocolating com o nome "Gloriosing".
Agastado com o debate que tive comigo chego ao trabalho.
As pernas acompanham o desgaste.
Segue-se a banhoca e duas reuniões.
2 fatias de bolo em cada reunião.
Valeu a pena pedalar.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Em Outubro
Mau de mais para ser verdade.
Isto para quem não os vê jogar.
Para quem vê não resta outra hipótese que não seja encarar: não jogam uma merda!
Estes ucranianos (e não quero saber quantos brasileiros do Nordeste compraram) nunca tinham ganho um jogo fora de casa na LC. Assim como o Sportém.
Mais baixo que isto já não dá. A sério. Não dá mesmo.
E agora Orelhas?
Vais assumir responsabilidades ou chutas para canto outra vez?
Visto do céu (Gotemburgo)

"Que gelo!", digo olhando para a pele das mãos.
Não a vejo. A pele.
As luvas não deixam.
Outubro. Ainda agora chegou.
Recebo-o de luvas e forro polar.
Para quê as mariquices? Não largo o polar desde Agosto…Ahh!
Limpo a "cacimba" do banco e sento-me. Ninguém quer um triângulo marcado no rabo. A não ser que goste de asa delta. Mas sem asa.
Escolho a primeira música e acordo o pedal. Monte abaixo deslizando no vento.
Entre a brisa os meus ouvidos filtram a música.
"fuuuuuuu….the girl from…..fchuuuuuuu….ipanema goes walking….fchuuuuuu".
Bem hajas cotonete.
Há uns meses o caminho para o trabalho demorava 2 músicas completas. Ou 0,5 músicas no caso do Danúbio Azul.
Agora, com menos do que 15 não me safo.
Trabalhar na ilha do lado "obriga-me" a passar a 25 de Abril cá do sítio. A cidade vista dali e com a música certa anima qualquer manhã.
O frio? Desapareceu há 7 músicas e algumas corridas na ciclovia.
As pessoas que estão a alguns metros de mim, apesar de não terem conhecimento do facto, estão sempre a disputar a contagem de montanha de 1a categoria.
Estatísticamente, de cada vez que vou naquela pose de "alta montanha" (sorriso aflito, cara de arghhhhh, mãos a deslizar nos punhos e rabo no ar para o balanco) a subir uma qualquer parede do caminho, passa ao meu lado na ciclovia um puto numa scooter para que eu de pulmão bem aberto possa absorver cada uma das octanas libertadas.
Quem foi o jumento que se lembrou de fazer uma lei permitindo scooters numa via para bicicletas? Também eu gostava de saber para lhe dar um calduco na careca.
Os gajos que fazem leis são sempre carecas.
Também se prova estatísticamente.
Quando chego ao trabalho, páro a bicicleta no parque e deixo-me cair para o lado. É a forma mais fácil de descolar.
Noutro sítio talvez me sentisse estranho por entrar no estaminé com calcas à Robin Hood, mas sou claramente o mais discreto. O parque está cheio e o que não falta é malta de collants a caminho dos balneários.
Os balneários.
Essa é outra que também me intriga.
No parque estão dezenas de bicicletas. No balneário conto as toalhas com duas mãos.
Huuummm….
À volta da Volvo só há arbustos. As casas de habitacão mais próximas estão longe e maior parte das pessoas atravessam a ponte.
Para a subir, estou certo que algum suor deve escorrer no meio das costas.
Por outro lado há muita malta a cheirar a Patchouly durante o dia.
Acho que há aqui material para investigar.
Ou então é impressão.
No nariz.
terça-feira, outubro 02, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
O bit
1 ou 0. Em sintonia com ele ou totalmente desligado.
Foi esse o bálsamo do fim de semana.
Fechei a porta do mundo e fiz em dois dias tudo o que não consegui fazer nos últimos meses.
Mar, verde, chuva na janela, música, cinema, água com cloro aquecida, tinto de Estremoz, grelhador, dormir e mais uma série de conceitos misturados sem ordem, critério ou tempo.
Chego segunda a cantar.
"The singing guy is in the building!", diz o meu chefe.
Não me atrapalha o refrão. Sigo com os dentes de fora.
Só então reabro a porta ao mundo.
"É favor entrar", digo-lhe enquanto preparo um chá.
E ele não se faz rogado…"o Menezes não sei quê e o meia leca foi de vela, blá,blá...".
Fico confuso. Para quem é de esquerda ver o PSD a chafurdar na lama é fantástico, mas para quem paga impostos, ter um governo sem oposicão ainda é pior. Mendes era mau, Menezes é claramente pior. Os laranjinhas encontraram o seu Portas (o Paulo) e com o governo de Durão bem presente na memória, não consigo ver nada de bom. Soares resumiu da melhor forma estas eleicões: "Foi uma desgraca! "
Está dito.
Ainda assaltado pelos pensamentos da laranja, continuava a mergulhar o saco de chá.
Já colocava mel em cima do queijo, quando o mundo cheio de saudades minhas me dizia que no derby dos derbys, o Adu foi ceifado na área sem qualquer apito do senhor de preto.
"E pronto…já comecam as cobrancas daquele penalty na taca da cerveja...", pensei deixando cair um pouco de mel no polegar.
O primeiro ranger de dentes da semana. E logo na parte do mel que exige concentracão máxima.
"Mas os queques também tiveram um penalty por mão do...", "Áhh…cala-te!!!", interrompi-o.
"Desde que o Jardel tropecou nos pés e sacou aquele penalty sozinho na área com o Argel a 2m, que os queques gastaram os créditos para o século!!", concluí.
Coloquei a rodela de tomate e acalmei-me.
A primeira dentada foi fabulosa. Um pouco de queijo, um pouco de tomate, um pouco de pão.
Não veio a rodela inteira como naquelas bifanas de elástico em que ficamos com o pão na mão e metade do porco nos lábios.
O mel não escorreu para a mesa.
Bobone orgulhar-se-ia.
Aprecio a metade da rodela que ficou no pão, quando vejo o mundo a correr na minha direccão para dizer "E sabes que mais? A FENPROF não quer que os professores sejam avaliados e blá,blá.. "
A rodela desliza pelo pão e aterra na mesa. Estou nervoso.
"Porque mistura a FENPROF direitos adquiridos com sub-desenvolvimento?", penso eu olhando para a rodela de tomate que nunca chegará a ser cortada por um dente meu.
Escorre um pouco de mel.
O quadro está inevitavelmente estragado.
O mundo a 1 tem os seus encantos.
Mas e a próxima sexta?
Falta muito?
sexta-feira, setembro 28, 2007
Outro planeta
Sempre quis comecar uma frase assim.
Mas não sei como a continuar.
Fica o registo para mais tarde ler e pensar "porque escrevi isto?".
Mudo então o flanco ao jogo e recomeco.
O intercâmbio cultural enriquece-nos. Um dos aliciantes de viver fora do nosso espaco é perceber o que é que para os outros é comum.
Qual é a sardinha dos outros povos? Onde é que meia branca dá estilo? Será que cuspir para o chão é normal? O palito deve seguir o café?
E por aí fora.
Há também a razão que leva cada um a sair do seu país. Normalmente não desperta tantos sorrisos mas ilustra o que nos separa para além das fronteiras. Aprende-se mais numa conversa do que em 7 livros.
O meu novo colega veio há mais de 15 anos da Eritreia. Quer dizer, quando ele de lá saiu o país chamava-se Etiópia. Já a Suécia lhe tinha aberto as portas quando o nome mudou para Eritreia.
Histórias de chacinas, fugas pelo deserto, noites ao relento com temperaturas negativas, perdas de familiares e mais uma série de horrores que normalmente nos chegam documentados em livros e filmes. Contado na primeira pessoa e com uma naturalidade de quem sabe que aquilo não existe apenas nos filmes.
Fiquei calado e quieto a ouvir.
Perguntou-me então porque tinha eu emigrado? Que queixas tinha eu do meu país natal?
O bom senso mandou-me estar calado e continuar a ouvir.
quinta-feira, setembro 27, 2007
O voto
quarta-feira, setembro 26, 2007
O Quim

Em termos de qualidade de servicos não há nada pior do que um monopólio, mas isso deve ter passado ao economista de Boliqueime.
Agora, em 2007 e reagindo às noticias da construcão de uma terceira travessia sobre o Tejo, a Lusoponte resolveu calcar os saltos altos e dizer que terá que ser indemnizada por cada carro que não passar pela 25 de Abril ou Vasco da Gama.
Em 1994 o ministro das obras públicas que assinou este contrato único no nosso país chamava-se Joaquim Ferreira "corta fitas" do Amaral.
O presidente do conselho de administracão que agora reclama chama-se apenas Joaquim Ferreira do Amaral.
Melhor do que isto só se o Cardozo bater o pontapé de baliza, parar de peito no meio campo e meter no extremo, correr na linha e cruzar, para depois num último esforco aparecer a cabecear no centro da área.
Vou ser obrigado a usar um chavão de paragem de autocarro:
"Eles não governam, governam-se !"
terça-feira, setembro 25, 2007
Salvador II
Há já algum tempo que quero dizer duas ou três coisitas sobre a malta do "atira melão", mas, por coincidência do destino dei hoje no DN com um artigo escrito pelo João Miguel Tavares, que ou muito me engano, ou foi ditado por mim.
É tão chapa 5 do que penso que não resisto a fazer um post "Luis Delgado".
Ora aqui vai: Ctrl+C e sem tirar os dedos Ctrl+V
"Mais uma palavra elogiosa sobre a selecção portuguesa de râguebi e a sua paixão pela pátria e o seu amadorismo tão profissional e o seu extraordinário esforço e como devemos estar todos tão orgulhosos e como eles são um exemplo para nós - e eu regurgito. A sério. Se os elogios parvos tivessem açúcar estávamos todos diabéticos. Agradecia que os admiradores do râguebi não me imaginassem já a ser violentamente placado contra um muro de cimento. Juro por todos os santinhos que nada tenho contra a modalidade. Gosto muito de ver os jogos e quase me comovo com a haka neozelandesa. Mas para tudo existe uma medida certa. Sim, os rapazes portugueses são esforçados. Têm o seu mérito. Parecem simpáticos na televisão. Não são dados a peneiras como os tipos do futebol. E cantam o hino nacional com um tal entusiasmo que se Louis Pasteur fosse vivo ainda os vacinava. Mas daí a transformá-los nos maiores heróis da Nação só porque andam num campeonato do mundo a perder os jogos todos (e por muitos) é capaz - digo eu - de ser um bocadinho exagerado. Dir-me-ão: "Ah, e tal, são amadores, passaram muitos anos a lavar as suas próprias camisolas, e veja onde eles chegaram." Até pode ser. Embora, tendo em conta os estratos sociais de onde vem a maior parte daquela rapaziada, seja bem mais provável que tenha sido a dona Mariazinha ou a menina Svetlana a lavar-lhes a camisola. Mas passemos ao lado das questões de classe, ainda que elas expliquem muita coisa. O certo é que, mesmo tendo em conta os objectivos (modestos) anunciados, a selecção ainda não cumpriu nenhum. Contra a equipa da Escócia os portugueses queriam perder por menos de 30 e encaixaram 56-10. Contra a Nova Zelândia queriam que os All Blacks não chegassem aos 100 pontos e perderam por 108-13. Contra a Itália nem percebi qual era o objectivo e levaram 31-5. Mas o mais extraordinário é que, percam por quantos perderem, os "lobos" têm sempre garantidas umas festas na cabeça por parte da comunicação social. Título do Público após o 31-5: "Ficou a sensação que era possível derrotar a Itália." Ficou a sensação, ficou. Eu às vezes também tenho a sensação que podia jogar melhor à bola que o Messi. Que podia ser mais esperto que o Bill Gates. E que a Nicole Kidman podia perfeitamente sussurrar-me ao ouvido: "Ao pé de ti, o Tom Cruise é um badameco." São sensações. Não costumo é puxá-las para título de jornal. Mas, de quando em quando, a Pátria dá nisto: elege os seus heróis, fecha as cortinas do pensamento, e chora muito a ouvir o hino nacional. É esquisito. Mas é assim. "
O Salvador

A grua

O meu carro é muito mais velho e barato do que aquele que tinha em Portugal, não existe um sítio a que possa chamar a minha aldeia, não vivo num minúsculo caixote para poupar dinheiro, não penso construir uma vivenda no futuro e se algum dia tal me passar pela cabeca, os azulejos ficarão na loja. Quando me perguntam o que faco não recorro à palavra "chefe" para qualquer descricão.
Contudo, tal como qualquer emigrante que se preze, gosto muito do meu país. Não vejo flores onde elas não existem, mas adoro o nosso cantinho à beira-mar plantado.
Talvez seja por gostar tanto de Portugal que a cada regresso fico deprimido com coisas que outrora não me diziam nada.
Mal saio da Portela a primeira coisa que faco é contemplar o azul do céu. Não há luz como a de Lisboa.
Assim que baixo um pouco a cabeca comeco a contar gruas. Facam esse exercício. Estejam onde estiverem, digam-me se conseguem olhar à volta e não ver uma única grua. Deve ser difícil.
A zona da expo é um bom exemplo. Perto do rio, com alguns espacos verdes e zonas de passeio, era no início um bom projecto. Há 10 anos que as gruas não abandonam aquela área e por esta altura há expo até sacavém. Os caos urbanístico reina totalmente. Não há qualquer limite para a construcão.
Telheiras também é outro caso engracado de analisar. Um arquitecto holandês de renome já classificou a zona como um caos. Para nós é apenas uma das zonas mais caras da cidade, onde estar na sombra de prédios e entalado entre vias rápidas, pode ser de alguma forma um luxo.
Dentro de Lisboa há prédios a cair em ruas históricas e construcões novas um pouco por todo o lado. Recuperacão do parque habitacional existente não é nula, mas anda perto.
Fora de Lisboa a situacão ainda piora. Escolham uma auto-estrada de acesso à cidade. Qualquer uma. A paisagem é igual. Quilómetros e quilómetros sem nada e de repente um amontoado de prédios alinhados em todas as direccões da rosa dos ventos, velhos, sujos e feios. Há medida que estes morros de cimento vão envelhecendo, opta-se pela política de "deixa cair" e contrói-se um novo morro um pouco mais longe de Lisboa. Esta estratégia (ou falta dela) serve apenas para encher os bolsos aos contrutores civis e não melhora em nada a situacão dos habitantes. Ninguém quer viver numa casa velha, ninguém quer comprar uma casa velha.
Uma casa nova hoje, deixa de o ser ao fim de duas décadas sem cuidados. Não é preciso ser muito esperto para compreender que este ciclo vicioso destrói a imagem do país (sim, porque não se resume à grande Lisboa), incentiva os pedidos de crédito e alimenta construtores que sem estes atentados ao PDM já teriam há muito fechado portas.
Detesto a conversa do "lá fora é que é", mas a verdade é que a comparacão ajuda-nos pelo menos a perceber a nossa realidade.
O prédio onde vivo em Gotemburgo tem mais de 70 anos e não é dos mais velhos. Não vejo uma grua na cidade e as pessoas vivem em casas que podem ter até 200 anos! Não estão a cair de podre. São recuperadas e conservadas ao longo dos anos.
Com isto preserva-se o estilo da cidade e optimiza-se a ocupacão das casas. Não há apartamentos vazios! Não há cimento a engolir cada canteiro.
A contrucão é permitida em zonas muito específicas e em quantidade reduzida. Não se destrói nada e não se alteram PDM's consoante as luvas ou financiamentos a partidos de construtoras.
Lisboa é uma cidade lindíssima, é verdade. Só não sei até quando.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Diz que sim, mas afinal parece que não
Para quem sabe que nasceu sem asas, andar de avião é sempre um conjunto de rezas muito próprias. Nunca aprendi o pai-nosso-que-estás-no-céu-santificado-seja-o-vosso-nome-assim-bem-como-a-nós-amén pelo que recorro a técnicas mais "Amélie Poulain". "Se não abanar mais do que 3 vezes prometo que nunca mais falo mal da tap! Se desta me safar prometo fazer a barba todas as semanas!" e por aí fora.quinta-feira, setembro 13, 2007
O caminho da fé

quarta-feira, setembro 12, 2007
O azar, o árbitro e os meninos maus. A culpa é deles. Só deles.
- viagens muito longas e cansativas para o extremo da europa (como se fossem a pé com o saco às costas), onde meninos maus correm muito e os campos são batatais apenas para os nossos jogadores
- empates fora e "vitórias" em casa chegam
- substituir pela cartilha seja lá qual for a situacão de jogo e insistir em colocar o melhor jogador do momento (Quaresma) nos 20 min finais.
- insistir no ricardo que ao fim de 30 anos a jogar à bola ainda não percebeu o que fazer num cruzamento além de rezar
Qual a nova desculpa para passar 180 min a jogar em casa, com estádios cheios, sem a mínima vontade de correr e a poupar esforcos assim que se coloca a vencer por um golo de diferenca?
Ah...já sei! O árbitro que não viu o fora de jogo.
É que não sei se fui o único a reparar no facto, mas ao fim de 9 jogos ainda conseguimos a proeza de estar atrás da Finlândia.
Da Finlândia meus amigos...
Facam-me um favor e ganhem os próximos jogos por 15-0.
E deixem-se de mariquices.
O mundo encantado de Maria
O relógio marca 00.20h.Aqui. Apenas aqui.
Aí, onde a história acontece o dia 11 de Setembro ainda não acabou.
E hoje, desde há um tempo a esta parte, é o teu dia.
Há um tempo que te pode parecer muito, mas que para mim comecou ontem.
Não é que nos tenhamos conhecido ontem. Não, nada disso. Mas os dias correm depressa quando se está em boa companhia. Depressa demais se perguntares a minha opinião.
Todos crescemos com heróis por perto. De papel, de plástico, de carne e osso. Os meus partiam do imaginário e eram construídos com pedacos do dia, frases soltas e atitudes. Numa palavra: reais.
Na minha primeira nocão de espaco, o mundo comecava naquela escola primária do portão verde, das gémeas e da árvore grande e acabava 20m abaixo na escadaria da Academia. Aí tu representavas o meu porto de abrigo. A minha primeira forma de conforto.
A porta da carrinha abria e eu saia com aquela bata azul aos quadrados. Do chão da carrinha para o teu colo. Do teu colo para casa. Tu estavas lá. Sempre.
Em dias de sorte com um boneco vestido de vermelho com uma perna no ar e uma bola colada. Os verdes e azuis deixavas a decorar um "parabéns" alheio. Bem hajas pela escolha.
Com ou sem boneco, sentia uma alegria enorme mal a carrinha subia em direccão à Capitão Leitão. Eu sabia que depois da curva à direita tu estarias lá. E isso para mim era o que contava.
Era. E é.
Eu sei que já não me levas ao colo. É mais ao contrário.
Mas toca a todos.
A forma como olhas o mundo pode não ser a mesma todos os dias.
A forma como eu olho para ti, essa não muda, continua feita de sorrisos.
És a minha vóvó. A melhor avó do mundo (mesmo daquele que ultrapassa a Capitão Leitão!).
E hoje fazes 80 aninhos.
A 2 dias de te abracar deixo-te um beijinho.
Muitos parabéns!
Tiago
ps - Quem é esse galã da boina?? Saídinho da casca...

segunda-feira, setembro 10, 2007
Cérebro sem uso para a troca
Raras vezes me identifico com o que por lá se escreve e as ideologias vincadamente de direita (daquela bem ao canto) também me dizem pouco.
Blogues com escribas de 3 nomes deixam-me sempre apreensivo...nunca veio nada de jeito da boca (ou teclado) de um Tomás Barnabé de Vasconcelos, ainda assim, alguém escreveu que é a pluralidade no debate que nos enriquece.
Nem sempre. Nem sempre.
Alturas há em que a liberdade conquistada permite blasfémias a mais.
Sobre comemorar o Avante escrevem:
"Não seria muito diferente celebrar a peste negra, o holocausto, o último tsunami ou a SIDA"
A estupidez tem limites. Mesmo para estes gajos.
domingo, setembro 09, 2007
Vocês que percebem de bola...
no grupo de Portugal são apuradas directamente 1 ou 2 equipas?
...é que se são duas, vou já baixar o ritmo cardíaco e ver um 007 !
Os amigos de Scolari
Vozinha de falsete mãos de manteiga...ahh!!
(Se 4f o Quim e o Quaresma não forem titulares é porque o "feijão com arroz" não percebe nada disto)
quinta-feira, setembro 06, 2007
Suspiro
quarta-feira, setembro 05, 2007
Posso Sff Partir ?
Tenho sempre alguma dificuldade em digerir estas notícias porque acho que em Portugal não deve ser fácil ser polícia (tirando os GNR...do Algarve. Não os do Iraque). O apoio não aparece de lado nenhum. Nem nas ruas, nem por parte de quem os tutela.
No entanto, é frequente aqui e ali saber-se de um ou outro que se esticou para além do cacetete (isto escreve-se assim?).
Normalmente o próprio corpo policial abafa estas questões. Se há coisa que não convém é que a populacão desconfie de uma instituicão porque meia dúzia de saloios vestem um fato azul e passam a pensar que são gente. É compreensível.
Gente que não interessa há um pouco por todo o lado e azares acontecem. Mesmo com cacetete.
Já não acho tão normal que um comissário quando confrontado com o vídeo aponte armas para fora com pérolas destas:
"Nem sempre o que parece é "
" Não temos a certeza que sejam polícias "
Claro que pode ser um bando de malta que em Janeiro se mascarou de PSP e na falta de música arranjou um gajo para fazer de tambor.
Mas mesmo admitindo este cenário, altamente provável, é melhor passar para a opinião pública a imagem de que se vai tentar arrumar a casa em vez de defender o indefensável.
Ou não?
Som prá Carola
Hoje, como estou um mãos largas no que a dicas de índole cultural diz respeito, salto do queque de cenoura para algo ainda mais típico da Suécia.
A Carola.
A Carola, pelo que percebi já ganhou a Eurovisão e ganha ano sim, ano não o festival da cancão local.
É noticia quando prova um vestido novo, quando tropeca, quando perde peso no lábio superior e quando prescinde de acucar no café. É uma verdadeira star local. Convém também dizer que a imprensa cor-de-rosa Sueca faz a Caras parecer o suplemento cultural do Expresso.
Portugal teria a sua Carola caso Iei Or não fosse sopinha de massa. Ninguém me convence do contrário. "... fui até Timor, já fui um conquistador!!" fez a sua parte. Foi Iei Or que sucumbiu ao sopismo e nos arredou da glória vocal.
Carola essa, sem papas na língua, vai de cancão em cancão até ao triunfo final.
Tem uma nova batida. E não é nada má.
Tenho impressão que o próximo festival também já lá canta.
terça-feira, setembro 04, 2007
Cenoura sem sopa
Na Grécia

Nem só palavras trocam o seu lugar com uma imagem.
Uma ideia, uma recordacão ou um pouco de nós pode perfeitamente ser substituido por uma imagem.
Há dias, no salto em salto que caracteriza a blogsfera dei com a fotografia aqui de cima.
Tanto branco. E que envolvência verde bonita.
Aposto que é numa ilha grega antes dos incêndios.
Afinei um pouco o globo ocular para focar a imagem. A torre da igreja chamou e contou-me um segredo.
"Não entraste aqui muitas seu ateu desgracado, mas encardiste as paredes com boladas várias vezes."
"Cada um exprime a fé como sabe", defendi-me.
Qual Grécia...
A igreja tinha um bom pedaco de relva que servia para diversas actividades, das quais destaco, futeboladas fenomenais e troca de piolhos na altura de comemorar os golos. O mundo pré-playstation era bem mais piolho-friendly. Ainda gostava de saber o que é que a malta que trabalhava naquela fábrica dos pentes-arranca-cabelo-e-quem-sabe-um-ou-outro-piolho faz hoje em dia.
Dentro da igreja também aconteciam coisas mas o meu pai não me deixava ir. Parafraseava a minha avó: "Tiago, nós não acreditamos…mas não gozamos, nunca se sabe!"
Pelo menos a primeira parte fixei.
A poucos metros desse relvado estava o "Só-para-entregar" e a sua fabulosa coleccão de James Bond. Mais perto ainda estava a casa onde eu vivia, logo por cima da vizinha que tinha um "com-capota-sem-capota-ele-é-jipe-é-camião".
Nessa altura queria crescer rapidamente para andar à beira-mar num Mehari. E também queria que me explicassem como é que o Mário Soares tinha ganho à L. Pintassilgo se a malta lá da rua tinha votado nela. Sinto que os apanhei nesta.
Recordei pessoas, momentos e bolos de aniversário.
O poder da mente, da memória ou da fotografia?
Passei aqui uns anos e nas minhas recordacões não existia todo este verde a envolver o cenário.
Agora já existe.
Gracas a uma imagem roubada descaradamente aqui.
Eu sabia...
| You Belong in Barcelona |
![]() When it comes to Europe, you don't want to decide between culture and fun. You want art by day and a big party by night. Barcelona is ideal for you. You can check out some Picasso, eat some tapas, take a siesta, and then dance all night! |
segunda-feira, setembro 03, 2007
O sotaque
Imagine-se Sharon Stone no Instinto Fatal com sotaque do Louisiana.
Ou Zeta Jones a driblar infra-vermelhos e falando com Sir No-Rules-Great-Scotch com sotaque operário de Manchester em vez daquela sinfonia de Cardiff.
E porque não Catarina Furtado dizendo a Diogo Infante: "Báis às ántás?" enquanto bebe delicadamente um martini.
(...)
Não dá pois não?
Há dias que esta ideia me atravessa o espírito na categoria de coisas-que-assumimos-porque-sim.
Para quando uma musa com sotaque de rabo-de-peixe*?
* - vão ao google ou perguntem à professora de geografia












