segunda-feira, janeiro 08, 2007

O sonho

Ando a ler a biografia não autorizada do Fidel. Há claramente algumas linhas de ficção mas ainda assim sinto-me preso. Ontem, por preguiça de ir buscar este livro sempre arrumado na mochila que me acompanha no comboio, resolvi começar o "Sul" do Sousa Tavares. Escrito por ele e com relatos de viagens devia ser bom. Era pelo menos essa a ideia. As primeiras páginas não desiludiram e adormeci com o céu como limite.
Esta manhã, naquele estado nem-a-dormir-nem-acordado, via a paisagem a caminho do trabalho e pensava em viagens.
Não deve haver nada que me fascine mais. Quando não estou, sonho onde quero estar.
Mais do que descansar ou aproveitar o Sol, gosto de perceber as diferenças, estabelecer comparações, compreender como nos encaixamos no globo.
O mundo é tão grande, com realidades tão distintas que chego a considerar injusto o nosso tempo de vida. Não chega para compreendermos todas as realidades que nos rodeiam.
A minha teoria baseia-se em aproveitar o máximo e tentar ver tudo o que conseguir. Algum dia perderei o medo das companhias aéreas manhosas, da corrupção de leste ou dos atentados e alargarei por fim a rede de destinos. Até lá, ainda há muito para ver.
Por vezes, são estes olhares que me permitem compreender algumas coisas no meu país. Olhar em volta ajuda a perceber quem somos no mundo, para o bem e para o mal. Custa-me por isso compreender o desinteresse de quem não quer espreitar o planeta.
Nas gerações que nos antecederam isso era um previlégio de berço mas nos dias de hoje o mundo está ao alcance de todos. Continua a ser caro atravessá-lo até à Oceânia, mas já se chega ao coração da Europa a preço "Algarve". As low-cost abriram novas portas neste domínio.
Não consigo entender que na minha geração, alguém com emprego estável, veja interesse em torrar a pele e o subsídio de férias invariavelmente, ano após ano, no mesmo destino. Tipicamente Algarve.
Nada contra o turismo dentro de portas. Portugal está cheio de sítios maravilhosos, mas passar toda uma vida sem conhecer outras realidades (quando o preço deixa de ser desculpa), define-nos um pouco enquanto povo.
As férias já são curtas (num mundo justo seriam de 6 meses!!), os 14 salários um previlégio quase exclusivamente Português (por acaso não sei de outro sítio onde tal exista) e mesmo assim, a opção passa quase sempre por 15 dias no Algarve e 200 cts só para alugar uma casa. Apesar de tudo isto choca-me. E irrita-me, para ser sincero.
Até Espanha (que são várias realidades dentro de um só país) já possibilita férias e consequentes descobertas por menos dinheiro que os "Algarves". É pura falta de interesse, nada mais.
Até pode dar-se o caso de se descobrir que a praia da Quarteira e o bar do Paulo China são os sítios que mais gostamos. Mas como se descobre isso se nunca se viu nada diferente?
Tento elaborar sempre uma lista de destinos. Nunca consigo. A escolha é demasiado grande e perco-me a tentar encaixar tudo nos dias de férias até à reforma (não pode ser aos 30??).
As paisagens da Nova Zelândia, a China e a sua muralha, Moscovo e a sua praça, o Adriático croata, a Viena clássica, as neves do Kilimanjaro, a paz do Tibete, os trilhos da Patagónia, as praias do Índico...bolas, tantos sítios que gostava de ver e rever.
Ainda estou para perceber porque é que nunca pensei trabalhar nessa área...
Não ver é não sonhar. Viver sem sonhar é uma chatice.

A máquina

A comunidade portuguesa no estrangeiro passou a ser oficialmente de 5 milhões e mais 2.
No elegante consulado de Gotemburgo (belo tacho!) acrescentámos 2 nomes aos cerca de 3000 que povoam estas paragens.
Sinto-me mais descansado. Caso os Dinamarqueses resolvam invadir esta paróquia estou certo que o meu consulado me vai procurar e informar a minha família. Por outro lado, o objectivo maior (votar no referendo) não foi atingido. Destina-se apenas a residentes em Portugal (é favor votar bem, em consciência, perceber o que se está a votar, perceber o atraso que vivemos e no fim escolher "SIM" ok?).
Ao tentar esclarecer isso voltei a ligar para o consulado (que funciona das 9 às 12h...belo tacho, não sei se já tinha dito...) e uma também elegante máquina disse-me: "Por motivo de doença o consulado está hoje encerrado". Esclarecedor.
Até a máquina já sabe os truques.

Para o ano o mundo será redondo

A culpa é óbviamente minha.
Leio porque quero. Ninguém me obriga e portanto não me posso queixar...
Mas o blog é meu e por isso digo o que me apetece! Vou-me queixar!
Queixo-me essencialmente de mim, mas queixo-me..."tenho língua é para falar", como diz o poeta de Pias, Mestre Zé.
Voltei a ler o Luis Delgado e voltei a ficar chateado pelos 5 minutos perdidos. É muito tempo.
Podia beber um café, ler a crónica do Ruben de Carvalho, cantar o último hit dos Europe (aqui ainda vendem DVDs), ver um piscar de olho num filme do M. de Oliveira ou trabalhar para espantar o frio.
O que não podia de forma alguma era ler este mono. Mas está feito. Resta-me dissecar...
Uma página cheia com as "antevisões" políticas para 2007. Todos os jornais o fizeram usando os seus analistas, o DN teve que usar o Delgado.
Se ele tivesse escrito na sua "análise"...

- No Iraque continuarão a rebentar bombas
- Os Iranianos continuarão a não gostar dos Israelitas
- Portugal vai estar em crise
- Se chover vai molhar

...a profundidade ideológica seria a mesma.
Gosto particularmente destes parágrafos:

"Com optimismo exagerado ou não, o facto é que 2007 terá de ser um ano de clarificação, e de resultados, como pediu o Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, e só isso ajudará à motivação nacional.
O Governo tem de começar a mostrar obra, e daquela que se vê e não contesta, e será obrigado, sob pena de não ter mais tempo, a fazer a mais profunda e difícil das reformas, na administração pública. Será igualmente o período em que as pessoas serão afectadas directamente por tudo o que foi decidido, ou não, no ano passado, a todos os níveis.
Uma coisa é certa, o Iraque está obrigado a encontrar uma saída política urgente, se não quer acabar numa guerra civil de alta intensidade, onde apenas dominará o fanatismo e o caos.
Com o Irão está tudo por resolver, e acertar, com Israel a ficar cada vez mais impaciente, e o mesmo se coloca em relação à Coreia do Norte, onde domina a imprevisibilidade dos seus dirigentes. Um perigo que passa de ano para ano.

Para o bem e para o mal, 2007 será um ano interessante, que merece ser visto e vivido.
"

Delgado, o que se espera de um analista não é que diga que o Governo deve reformar a administração pública ou apresentar resultados. Isso é o que qualquer gajo diz no café. Tu, com esse aspecto de quem sabe do que fala, devias era explicar com que passos se faria a reforma e como ela afectaria os trabalhadores (e não uses essa do "a todos os níveis" pá...). Explicar que obra deve ser apresentada e quais são os resultados esperados.
Um analista é um "conselheiro não-oficial" do Governo.. O Sócrates tira boas dicas todos os Sábados na coluna do Sousa Tavares :)
"O Iraque tem que encontrar uma solução", "Com o Irão está tudo por resolver", "um perigo que passa de ano para ano"...bolas Delgado, onde é que foste buscar tamanha inspiração? Às tuas crónicas anteriores??
Se algum dia fores ao Google e escreveres LUIS DELGADO pode ser que venhas parar a este texto e nesse caso explica-me uma coisa: Como é que alguém como tu consegue mascarar-se tantos anos como analista político, ir a telejornais "opinar" e escrever em jornais como o DN? Qual é a tua cunha?
Desta é que é. Desta é que não leio mais nenhuma.

O jeitoso

Bolo-rei caseiro!
Massa fofa!
O tira-teimas num telemóvel perto de si :)
Quem é que não tem jeito com as mãos agora, quem é??

A notícia...

...até é boa.
Mas tinham mesmo que fazer aquele trocadilho mais do que previsível com o David e Golias?

Sem abrigo

Este fim de semana (que foi de 3 dias! Ahh...aí não??Olha....deixem lá...sempre têm o Sol:)) fiz quase tudo o que queria há algum tempo: nada, nada e um pouco mais de nada. Deixei a pele das costas agarrada ao sofá depois do tempo que por lá passei. Filmes, filmes e mais filmes. Cheguei a ligar o neurónio naquela parte de mastigar para evitar morder a língua ou a bochecha, mas quanto ao resto foi só fazer cházinho e ronha em dose industrial. O momento energético do fim de semana aconteceu na estreia do forno. Sim, é verdade, aquilo funciona mesmo! Lasanha bem caseira (sim pai, já consigo fazer uma lasanha...) e toca de voltar para o sofá que o tempo não estava para marés.
Acordei hoje como se neste céu cinzento o Sol dançasse para mim. O corpo agradeceu e o cérebro bateu palmas. Pronto para retomar o trabalho fui para o comboio do costume. Estava calmo. Tranquilo e com uma boa disposição à prova de bala.
Chega o gordo.
Não o conheço, nunca o tinha visto mais magro.
Senta-se ao meu lado e não segura todo o seu ser numa cadeira. Há uma parte que cai como lava para a minha cadeira e aconchega-me do frio. Tudo bem..."gordos são sempre simpáticos", diz o poeta.
Este tinha aquele tipo de cara-lontra. Só de olhar para calvice prematura, para as 3 bogas que formavam o pescoço e para a expressão pouco enrugada que lhe moldava a face, percebia-se que era uma daqueles casos crónicos que aos 35 anos diz com orgulho no café: "Sair de casa dos meus pais?? Para quê?? Tenho comida e roupa lavada??". Entretanto fez 36 anos e pediu uma prima muito distante que até sabe fazer esparguete à bolonhesa (única forma de largar a mama) em casamento. Ofuscou-me logo pela manhã com os 3kg de ouro necessários para abraçar aquele dedo gorduchinho.
Começo a ver o meu filme. Tento concentrar-me no ecrã mas pelo canto do olho vejo este faminto badocha a trincar os dedos. 1, 2, 3, 4...troca de mão...1,2,3,4 e polegar. Não há descanso para as cabeças dos dedos e passados alguns minutos resolvi fechar os olhos. Aquela carnificina logo de manhã estava a deixar-me mal disposto. De vez em quando abria os olhos e via-o a olhar para o polegar, como quem admira um bilhete de lotaria premiado ou diz: "epá...este ainda respira!!!" Sem demoras reininciava a delapidação de peles a uma velocidade estonteante. O comboio ia em silêncio e não o vi cuspir nada, pelo que de pequeno almoço estamos falados. Eu saí do comboio passados 45 min e a refeição ainda estava nas entradas. Pelo tamanho da mala ele devia ir para Oslo, o que significava mais 3h de esfola-peles. Numa outra altura da minha vida isto ter-me-ia estragado o dia, mas depois de um fim de semana Zen, fiquei apenas com vontade de chamar o Guterres e a sua malta de apoio aos refugiados.
Aqueles dedos ficaram sem tecto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Guylian


Há entre mim e Guylian uma relação especial.
Conhecemo-nos algures na década de 90 quando o Carrefour (Euromarché na altura) se resolveu instalar em Telheiras e trazer estes chocolatinhos dos seus primos Belgas. Desde a primeira dentada que disse aos meus botões: "Estará aqui o sucessor da mítica sombrinha Regina?". Mais de 10 anos depois sou obrigado a dizer que sim e a afirmar a pés juntos que nunca existiu ou existirá um chocolate como Guylian.
O nosso relacionamento é fugaz, quase passageiro mas sempre marcante. Rasga-se o plástico que o envolve e só descanso quando vejo o fundo à caixa. Normalmente uso o clássico "a solo" ou "com leite", mas em dias de inspiração rego-os com um bom chá fresco ou Sumol (este só para verdadeiros apreciadores).
Hoje foi dia de descanso por estes lados (véspera do dia dos Reis) e entre um filme e uma música o assalto constante ao frigorifico para a segunda metade da caixa. Está feito.
Junto isto a todas as iguarias do Natal, ao borrego no Alentejo, ao tinto de Pias, aos bifes da Lusitana e todo o deboche gastronómico destas semanas que passaram e percebo porque trouxe dentro de mim 3Kg extra de Portugal.
Paciência. Os sabores ficam e o jogging ganha novo sentido.
A cada passo uma "transpiradela" com aroma Belga.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O desgaste rápido

Passando os olhos pela notícias reparo que a malta da bola ameaça fazer greve.
Aí está um sindicato de que não se ouve falar muito mas que também parece ter razões de queixa.
Corro mais umas linhas e chego ao motivo da queixa: dinheiro. Não será algo original, mas ainda assim fico curioso de perceber como é que esta classe pode ter falta dele.
Ao que parece os futebolistas têm um regime especial de pagamento do IRS, que na prática lhes permite fazer descontos apenas sobre parte do salário (60% julgo). Isto significa que quase metade vai em regime de "off-shore" para o bolso. A alta competição é tida em conta como profissão de desgaste rápido, tal como mineiros e pescadores. Acho piada meterem jogadores da bola no mesmo saco de mineiros e pescadores. Qualquer semelhança no que toca a desgaste e dinheiro, será nestes casos pura coincidência.
Evitando aquelas análises populistas do "ganham milhares e não pagam nada", gostava de perceber porque é que um futebolista profissional não desconta o mesmo que qualquer trabalhador?
É um facto que trabalham menos anos, mas qualquer profissional (I liga e Divisão de Honra) ganha em Portugal umas boas centenas e em média muito mais do que qualquer Português. Porque pagam menos impostos?
Porque tem o comum do Português que ganha 100 cts contribuir mais(proporcionalmente) para o orçamento de estado do que um jogador que recebe milhares ou um banco que cresce 10 vezes mais que qualquer empresa em solo nacional?
Há aqui qualquer coisa de injusto. Digo eu.
Sócrates, não te encolhas e aperta com eles!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Mértola

Foto de S. Pedro
Acolhedora, histórica, bonita e organizada.
Reflectindo no Guadiana as suas influências Romanas, Mouras e Cristãs, Mértola é um verdadeiro mimo do interior alentejano.
Ali tão perto e ainda por conhecer.
Adorei.

"Não há dinheirooooo"

Esperava encontrar esta semana a nova colega ("diz que" é uma Mexicana) para começar a passar informação antes de mudar de emprego.
Fontes próximas asseguram (sempre quis usar estas 3 palavras seguidas) que só para a semana é que ela aparece. Posso por isso descansar das férias e activar o neurónio da productividade mais tarde.
O que me apetece mesmo é escrever por isso vou divagar um pouco. (Quando acabares de ler já vais atrasada para dormir Mãe :))
No caminho para o trabalho, enquanto contemplava a lua (Sol,Sol, só lá para as 8.30h...), pensava na melhor forma de programar este mês e explicar à minha colega as suas novas responsabilidades, principais tarefas, protocolos e sistemas com que terá de trabalhar. Isso é para mim o mais difícil de fazer. Não sei explicar nada. Não tenho paciência, nem jeito e tudo que seja repetir mais do que meia vez já me aborrece. Eu tenho a perfeita consciência que não conseguiria explicar a um piolho o que é um fio de cabelo.
Começo devagar e pausadamente. Ao fim de 30 seg já fiz 50 setas tentando encurtar o caminho e a explicação. Sinto que prestei um serviço à Nação (não, não me refiro ao Porto...reparem que acaba em "ão") ao não optar pela carreira de professor.
Algo surgirá. Para a semana logo penso nisso...
Nestas 3 semanas aconteceu muita coisa sobre as quais me apetece falar. Não é que seja necessário acontecer algo para eu falar. Falo como quem respira, mas neste caso há mesmo assunto.
Saddam, Mértola, fundos da União Europeia para o interior alentejano, invasão Etíope na Somália, Europa a 27, IRS a 100% nos salários da bola e outros que tais são assuntos sobre os quais me apetece escrever, mas ficarão para próximos "posts".
O alvo do momento é essa bela instituição chamada CTT.
Começo por dizer que acho que enquanto serviço (isto é: carta enviada/carta recebida) são absolutamente excepcionais mas no que toca ao atendimento ao público deixam muito a desejar. Nesta época natalícia enchi-me de coragem e fui levantar a reforma dos meus avós. Na primeira abordagem ao tema deparei-me com mais de 50 pessoas a fazer o mesmo. Como existiam 3 lugares sentados, resolvi encostar-me no balcão a ler um romance que por lá estava anunciado. Não me lembro o nome do livro, mas o personagem principal tentava refazer a sua vida uns anos depois de uma atentado das Brigadas Vermelhas (Itália). O tempo foi passando e quando chegou a minha vez já ia no quarto capítulo. Mal chego perto da senhora e mostro o vale, vejo aqueleabanar a cabeça de olhos fechados e sem dizer nada. Não há nada pior (pelo menos que me lembre agora) do que esperar 1h num qualquer balcão e depois ver aquele abanar de cabeça claro-que-não-há-e-parece-me-bem-além-de-lógico-que-o-compreendas.
Eu, que tentava levantar a fortuna que os meus avós recebem de pensão perguntei: "Se já não há dinheiro para as pensões porque não colocaram um aviso?" ao que a senhora respondeu: "a minha colega avisou em voz alta quando acabou!!". Antes que ela me explicasse como é que as pessoas que entraram depois desse glorioso momento poderiam evitar 1 hora a secar porque ninguém conseguiu escrever numa folha de papel "NÃO HÁ DINHEIRO!!!!", resolvi tentar a sorte noutro lado.
Mal entrei perguntei: "Ainda há dinheiro?". "Sim", foi o que ouvi. Mais 1h e quando chegou a minha vez, ou melhor, quando QUASE chegou a minha vez acabou o dinheiro. Bom...saí e despejei alguns palavrões para relaxar. Não muitos que a minha vóvó estava por perto e não ouve assim tão mal.
Na terceira tentativa cheguei cedo aos correios (10h talvez) e a resposta foi a mesma. Ora, aí comecei a ficar chateado. Em Portugal a partir das 8h da manhã a população com mais de 75 anos está ou no centro de saúde ou nos correios. Isto é um clássico, não vale a pena discutir. Apesar das reformas serem uma miséria, no mês de Dezembro multiplicam a miséria por 2. Sabendo disto, aquela malta que anda de gravata na administração dos CTT nunca pensou em aumentar o "budget" nesse período ou diminuir os intervalos de entrega do mesmo? Alguns dias depois e à quinta tentativa lá consegui resgatar as pensões. A ferros mas foi!!
CTT e Dezembro? Não, obrigado!

O consumo

"Vive o Natal, não o consumas" foi a frase que me fez pensar.
Estava escrita numa parede do Bairro Alto, com aquela tinta preta e letra torta que normalmente a JCP usa para escrever palavras de ordem.
Também tive que entrar nos 20Km estafetas entre o Colombo-Fórum Almada-Vasco da Gama para as compras de última hora e não deixo de ficar estupefacto com o consumo desmedido a que esta época obriga.
Ninguém tem lata de substituir as prendas apenas pelo espírito, pela reunião familiar, pelo convívio e por tudo o que não sendo material nos traz brilho aos olhos. Claro que Natal sem prendas não é Natal, mas não me parece lógico recorrer (ainda mais) ao crédito para "entrar no espírito" . Durante o ano todo vejo repetida a notícia de crise e famílias endividadas e quando chega a Dezembro mal se consegue andar no Colombo. Li algures que entre dia 20 e 24 de Dezembro o País (habitantes) gastou 1000 eur por segundo (ou minuto??) em compras de Natal.
Convenhamos que não está mau para tempo de crise...
Eu gosto do Natal. Mas pelas conversas, jantaradas e momentos. O resto tende a "consumir-se" com o tempo.

O regresso

Sou recebido por uma luz.
Chama-se Sol e também aqui não se esconde.
O céu azul deixa-me baralhado. É o mesmo, exactamente o mesmo.
É agradável regressar assim. Não há o choque esperado depois de 3 semanas sem ver uma gota de chuva ou um dia sem céu.
Dezembro, dia 31...o Alentejo e uma t-shirt em cima da pele. Consequência do aquecimento global e mau por isso, mas um recarregar de energias que o corpo agradece.
Sento-me no lugar de sempre e pela janela vejo a montanha dos alces. "Montanha????", dizia o meu pai enquanto se ria no autocarro turístico....são apenas 170m de facto, mas enchem a minha janela num "wallpaper" nada virtual.
Olho para o fundo verde e faço um balanço dos dias que passaram. 3 semanas vividas a correr, inicialmente pensadas para encaixar um sem número de actividades, pessoas e momentos. Ingenuidade de "emigrante ano 1".
O tempo é curto para ver a família, amigos e descansar. Cada reencontro teve para mim algo de especial e não os trocaria por nada, mas quando os vejo numa perspectiva exterior sinto que os vivi com um cronómetro na mão.
Tento ver a coisa pelo lado positivo. Há familiares e amigos que gostam de mim e "exigem" a minha presença. Isso é bom. Estar sozinho no mundo deve ser uma chatice.
Por outro lado há a parte prática da coisa: termina agora o meu primeiro ano de "mala de cartão" e usei todos os dias de férias para ir a Portugal. A sensação de descanso é nula. Nestes dias de Dezembro percorri mais de 3000 Km numa área pouco maior que a grande Lisboa. Por pouco não fazia novas amizades nas portagens...
Depois, como se não bastasse o cansaço, fica o bichinho da saudade ainda bem vivo. Pouco tempo com A, café a correr com B, falta de tempo para ver C, etc,etc. Nota de rodapé para o segundo ano de emigrante: ir a Portugal ver amigos e família sim, mas deixar alguns dias de férias para "pastar" por outras paragens senão o neurónio rebenta...
Aviso à navegação: MEXAM-SE!!!! Setúbal e Gotemburgo são hospitaleiras e acolhedoras :))
No fim de tudo chega o maldito dia de despedir. Detesto despedidas. Tento passar indiferente aos "adultos". Estarão iguais daqui a uns meses e isso serve-me de consolo e ilusão. Mas...e a Mariana? Todos os dias crescerá e alcançará novos feitos e apercebo-me que não verei nada disso. Fico triste. Ela é tão bonitinha. Arranjarei forma de a visitar. 6 meses parecem uma vida...
E o meu avô? Parece tão frágil. Tenho medo. Não quero sentir que deixei de fazer algo e abraço-o. Abraço-o e envolvo-o. Não lhe digo "até já".
Não tenho jeito para me despedir. Faltam-me pensamentos bons, ilusões e sentidos. Sobram-me lágrimas.
Adorei viver novamente debaixo de sol,sol e sol, rever alguns amigos e estar próximo da minha família. Adorei conhecer a Mariana (já tinha dito que ela é linda??) e descobrir novos locais. Volto de coração cheio e isso proporciona-me alegria neste início de ano.
É o que fica.

domingo, dezembro 17, 2006

Uma semana depois...

Feito:
1 - Aperto na Mariana
2 - Abraço na família
3 - Lágrimas no Sebastião
4 - Abraço nos amigos
5 - Bife na Lusitana
6 - Morcela no Vina
7 - Compras na Fnac
8 - Taxistas na segunda circular
9 - Traços contínuos, sentidos proibidos e semáforos vermelhos
10 - Sado,Tejo e sol
11 - Gurosan e o sol a nascer
12 - Casino, luz e diversão
13 - Sorrisos tal como imaginados
14 - Bola de Berlim, pastel de nata e galão
15 - Andar na rua com o pescoço quente do sol


Por fazer:
- travesseiro em Sintra
- mais jantaradas que ainda não vi os sorrisos todos
- a futebolada da ordem
- Glorioso ao vivo
- 3Kg em massa adiposa com os doces de Natal
- passeata e relax (sim, é suposto descansar...)
- abraços, abraços e mais abraços (que bom é cá estar!!)



Como não tenho grandes oportunidades de passar por aqui durante este período de férias, aproveito para deixar aos visitantes do blog um sincero voto de boas festas.
Feliz Natal para todos!

Tiago

segunda-feira, dezembro 11, 2006

O pêndulo

Como fazer o tempo passar num aeroporto?
Contar o número de pessoas que trazem meias brancas (ainda é um hit por estes lados)?
Ler o quão generosa foi a Natureza com o Pinochet?
Ver a cara do Nando depois de mais um resultado à sua altura perante a poderosa Naval?
Ou fazer o cálculo dos ventos, rotas e coisas do género, para o caso do piloto me pedir umas dicas?
Isto...é isto mesmo.
Desde que vi o Tom Cruise a fazer as equacões do pêndulo numa janela, acho perfeitamente razoável eu fazer também os meus cálculos e prever como vai correr a viagem.
Não é que saiba...mas penso nisso com fartura.
Chove. Não é aquela chuva molha parvos...chove copiosamente. Enquanto escrevo olho para a pista e reparo que a malta do follow me anda de escafandro. O meu aviãozito chegou e não gostei do que vi. "Aviãozito" é a palavra.
Tenho impressão que até o Morais Sarmento quando foi pescar a S.Tomé levou um maior...
Com tanta água, vento e nuvens gordas (o céu neste momento é uma miragem) esperava um hidroavião com uma ponta de diamante para furar esta camada espessa de flocos...

yuhhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.....só um momento que vou ali saltar.....
(3 min depois)

Assim é que é falar. O teco teco vai-se embora e acabou de chegar um avião maior da mesma companhia...é o meuuuuuuuu!!!
Bloco de notas para as malvas e ponto final na matemática! A constante de aceleracão do vento também me estava aqui a encravar as contas!
Estão a sair uns quantos alemães do avião e trazem aquelas cores rosadas o que significa que aquilo não abanou. Já estou descansado.
Mariana, prepara as bochechas que eu estou a caminho!

PS - Desta vez nem "c com cedilha" havia para o famoso copy paste...
PS1 - Ricardo, já compraste os bilhetes para o Bond (ou ainda usas o truque do "paga que eu depois dou")?
PS2 - Pai, 15.45h de hoje! Sou aquele alto, louro e de olhos azuis :)

Vou a casaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa :))

sexta-feira, dezembro 08, 2006

O sol

6.30h da manhã.
Debaixo de mim um banco de comboio.
Vermelho, confortável e quente. Pede-me que deixe os olhos fechados mais 45 min.
Preparo a música e tento não contariar a vontade dos ossos.
Nas mãos algumas gotas de "Little London" ainda escorrem do casaco.
Abro um jornal que me tenta embalar.
A cada folha que passa mais as letras me fogem e os sonhos começam a bater na porta dos fundos.
Já com o braço movido a ilusões chego à página central.
A porta fecha-se e os sonhos não entram.
Os olhos abrem-se em simultâneo e o sorriso acompanha-os.
O Tejo apareceu. Calmo, quieto e perfeito.
Longe, bem longe, reflecte nos meus olhos o brilho do entardecer.
Tento absorver aquelas 3 páginas com imagens e descrições de Lisboa. Não há qualquer novidade, tudo me é familiar, mas quero ler. Quero perceber como retratam a minha cidade. Mas não consigo.
Olhei em volta e todos absorviam a mesma informação. Todos conseguiram ouvir o que aquelas folhas tinham para contar, excepto eu.
Mas o calor aconchegou-me e o sorriso não mais me largou.
Todos perceberam Lisboa, mas só eu a senti.
Segunda é ao vivo e a cores.
Hoje é dia de sorrir.
Bom dia.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Usseira

Eu pensava que a publicidade massiva e os mails de SPAM com o "compre isto", "faça aquilo" e "viaje de borla" eram exclusivos de marcas duvidosas do outro lado do Atlântico, de companhias aéreas low cost e de empresas espanholas. Mas parece que me enganei. A tecnologia chega a todo o lado e em Óbidos, mais concretamente na Usseira, também já se vendem sonhos pela internet.
A construtora local contratou o Jorge Paulo e juntou-se ao Séc.XXI. O Jorge Paulo é o engenheiro lá do sítio. Manda nos Ucrânianos todos e é o único que chega ao fim do dia sem cheirar a suor. Tem uma bela pulseira de prata e usa sapato de vela com sola branca. Começou a usar a internet quando popa e franja se juntavam num só penteado. No MIRC tinha o nick "sensível" e era um sucesso até ao primeiro encontro.
Com tão vastos conhecimentos de HTML foi a mais valia que permitiu à Construtora da Usseira entrar na corrida da modernidade.
Hoje, depois de ler a coluna da Pimpinha Jardim no Correio da Manhã e entre páginas da Bola, tirou os pés da mesa e descobriu-me.
De boca bem aberta, limpou o queijo dos dentes com o palito de plástico do canivete suíço e em seguida encheu umas quantas caixas de correio com a moradia "o meu sonho".
"Por hoje 'tá feito! Quem quer vir comuér??", perguntou.

Quim, o bolas


Confesso que fiquei admirado.
Admirado por uma primeira parte de altíssimo nível onde o MU foi reduzido a uma equipa banal.
Um Simãozinho inspirado e um R. Rocha à prova de bala. No fim dos 45 min. pensei: "tu queres ver que...?", mas depois apareceu o Quim.
Disse para ele mesmo: "Já que estou aqui e uma vez que faltam 15 seg para o árbitro apitar para o intervalo, vou fazer uma saída à Ricardo". E fez.
Imagino que para os restantes 10, que estavam a exibir-se sem falhas e com uma determinação rara, aquilo tenha sido uma valente machadada de desânimo.
Pouco mais há para contar. Os restantes golos foram claramente obtidos numa fase em que a crença já não existia. O Ryan Giggs marca 1 golo de cabeça de 4 em 4 anos. Ontem fê-lo sem oposição numa zona onde R. Rocha e Luisão estavam insuperáveis. O poeta Artur costumava dizer que uma equipa contrói-se de trás para a frente. Agora que penso nisso, foi a única coisa de jeito que ele disse e valeu o fabuloso Preud'Homme (tenho sempre pena deste desgraçado que teve que jogar tantos anos com gajos como o Nelo e o Tavares...).
O Quim é um bom rapaz, um excelente guarda-redes para equipas de meio da tabela, mas não tem o estofo que se exige para este nível. Não sei se algum dos outros faria melhor, mas ele comprometeu e muito. Depois de uns quantos frangos na Liga, chegou a vez de se exibir nos grandes palcos.
De uma forma geral só o Porto cumpriu a sua obrigação. O SCP, no grupo onde estava tinha necessariamente que chegar à Uefa (mais seria um feito) e o SLB era obrigado a passar à fase seguinte. O Celtic levou chapa 3 em cada deslocação que fez. É uma equipa má demais para estar na fase seguinte. É uma vergonha não passar num grupo de chacha destes. Parabéns ao Porto que mostrou fibra de campeão (se bem que aquele joguinho de ontem parece ter sido combinado :)) e quanto aos outros, ainda que com obrigações diferentes, tiveram um destino comum e falharam. Há que assumir.
Dentro da miséria, espero pelo menos que as camisolas vermelhas façam uma boa campanha na Uefa. O que também seria atípico, mas veremos.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

E não é que isto funciona mesmo?


Sorri M.
Estás nos apanhados :)

"Retiro o que disse...


...e meto flores", dizia o meu pai em cada argolada.
É também o que me apetece dizer. Fui injusto e com a mesma velocidade que critiquei, reconheço agora o erro.
A caixinha chegou e para se retratarem do atraso até me deram 2 :) A minha consciência não me deixava comer todas as calorias se não me retratasse no mesmo sítio onde mostrei a desilusão inicial. Desculpem lá qualquer coisinha e Fröhliche Weihnachten para vocês também!

"PUF"


Chamam-lhe "teatro do sonhos".
A recente vitória no Derby (em Portugal só há um:)) deixa-me naquele estado de "epá...talvez...e porque não?". Sonho. Sonho um bocadito. Só um 'cadito, como diz a minha avó.
Ainda o sonho vai a meio e aparece a imagem do Fanã.
FanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanãFanã e "PUF"....deixo o "teatro dos sonhos". Eles são mais fortes, eles são mais ricos, eles não têm o Fanã.
Talvez a sorte ajude, talvez o Simão esteja em noite sim, talvez o Luisão acerte uma cabeçada. Se todos os "se" funcionarem para o lado de cá, então talvez haja uma hipótese. Pequenina, pequenina, mas existirá.
A desilusão não virá hoje. Este desfecho foi escolhido no jogo com o Celtic. Era esse o adversário directo.
Ouvir um vice-presidente dizer que "tinham no grupo os líderes dos campeonatos inglês, escocês e dinamarquês", enquanto o Fanã esticava o pescoço e dizia que "a uefa já está garantida", custa-me um pouco.
Ora meus amigos...neste grupo a única equipa que consegue entrar no relvado sem tropeçar nas botas é exactamente o MU. As restantes são apenas um conjunto de bons rapazes. Este grupo era o mais fácil. Ir à Uefa é um fiasco e deve ser assumido. Esconderem-se atrás da "grandeza" do FC Copenhaga ou do Celtic, é humilhante. Percam e digam: "Não conseguimos!", não o façam parecer a coisa mais natural do mundo.
De qualquer forma e porque doente, é doente...estarei com os olhos no estádio pela internet.
Tiago, desta vez não será preciso o Skype. Do Pólo Norte chegou-me uma televisão via internet. É como estar sentado em frente à Sporttv, mas de borla e sem ter que ouvir o Vitor-bagaço-Manuel :)
A probabilidade de ganharem é tão grande como a de atravessar a VCI e ouvir português, mas ainda assim, vá lá...esforcem-se um 'cadito.

terça-feira, dezembro 05, 2006

O aperto

Ontem foi a última aula de Sueco (no fim do primeiro nível quase que consigo dizer "Olá, chamo-me Tágio e venho de Portugal"). Lá para Fevereiro há mais, mas ontem cada um de nós teve que apresentar um pouco a sua terra natal. Para preparar o texto fui ver a história de Lisboa na "Wikipedia" sueca. Ao rever as fotografias (que belas fotografias de Lisboa voam na net!) senti um aperto de saudade. Não é que ela não exista de uma forma constante e permanente, mas acentua-se quando "vemos" o nosso cantinho à beira-mar plantado. Ainda por cima retratado por imagens tão fantásticas.
Este desejo do regresso a casa é bom. Traz-me conforto e calor. Depois de 3 buzinadelas de taxistas, umas horas passadas na 2a circular e alguns empurrões no Colombo isto passa-me, mas até lá, penso no Tejo, nas ruas estreitas de Lisboa, na vista do Castelo, no sabor de Belém e porque não, na caminhada à sombra da maior árvore da galáxia, no sempre divino Terreiro do Paço.
As pessoas. Essas sim disparam a ansiedade do regresso e molham-me os olhos. As pessoas que formam verdadeiramente o País na versão escolhida por mim. Tantos esqueletos que quero abraçar e tantas bochechas que quero beijar. Gosto da efusividade latina no reencontro. O sorriso, o abraço, o aperto. São tão nossos.
Tudo muda e como diz uma amiga "o tempo não pára mesmo", mas eu imagino os sorrisos tal como os deixei, os abraços semi-abertos e as discussões regadas com o mesmo tinto alentejano. Podemos agora reunir-nos em casas próprias, talvez a tasca do Bairro Alto já tenha um fumo que não combina com os fatos, talvez a hora de deitar se ajuste com a dos rebentos e pode até ser que adormecer às 7 da manhã suado e com a música a estalar nos ouvidos já não tenha tanta piada, mas os sorrisos são os mesmos. O gosto de vos rever é exactamente o mesmo e a vossa voz imaginada traz a mesma entoação.
A distância torna a memória selectiva e limpa todas as confusões. Só quem marca percorre de quando em vez as janelas do cérebro. Eu não escolho e nem tenho o trabalho de tentar perceber. É natural e por isso genuíno.
3 semanas. Terei 3 semanas para rever pessoas que me marcaram e cuja saudade reflecte a sua importância. Como adoro pensar nisso!
Tinhas razão quando dizias "o tempo não pára".
E ainda bem.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

O pirilampo


Chega a noite (ou seja as 4 da tarde) e começam a aparecer os pirilampos na cidade. Faça frio, chuva ou neve, aí estão eles de fatos bem apertados, quentes qb e com pontos brilhantes para nenhum carro lhes passar por cima. Fazem o jogging de fim do dia e dão corpo à máxima: "mente sã em corpo são!". Inclusivé com os actuais fabulosos 10 graus, andam doidos de calor.
Detesto correr (a não ser que vá atrás de uma bola), mas esta actividade local deixa uma pessoa com peso na consciência se ficar em casa. O estilo "Robin Hood em collants" também não é o que me cai melhor...mas...ahh...que se lixe a taça! Em Roma sê Romano brada o povo e o povo não mente.
Camisolinha tamanho Simão, collants (epá...isto já não tive coragem de mostrar...) quentinhos e brilho radioso para ofuscar os outros pirilampos. Estou pronto para deambular na escuridão.
Dei cabo de metade da caixa de bombons (que maravilha...assim ainda sabem melhor!) do Poncho e está na hora de pagar!!
Puf,puf,puf...até jááááááá!!!!

O chocolatinho (de leite)

Há várias formas de encarar as 8h pagas do dia.
Um contributo válido para a sociedade, uma tentativa de ser útil, a pura necessidade de pagar a renda ou uma forma de ocupar o tempo sem pesar na segurança social do país. Dentro destas expectativas, existem os detalhes que contribuem para que essas 8h sejam boas, más, assim-assim ou chove-não-molha. Os detalhes marcam a diferença. Adoro detalhes e ainda mais diferenças.
Janela virada para a serra, colegas simpáticos, salário, ar condicionado, café da Colômbia, pouca saloiada, etc são aspectos que marcam positiva ou negativamente o dia de trabalho. Mas há um detalhe que supera os restantes: o chocolatinho.
O chocolatinho, ou melhor a caixinha de chocolatinhos que cada funcionário recebe antes do Natal é O detalhe. Como diz o meu avôzinho: "o que é doce nunca amargou" e meus amigos, chocolate de leite é a terceira melhor coisa do mundo.
Estava eu a beber um belo café aguado, quando o Poncho me perguntou: "Também tinhas uma caixa de chocolates em cima da tua mesa?". Logo pela fresquinha isto despertou-me um "click". Convém referir que eu e o Poncho formamos 66,6% do departamento electrónico da minha empresa aqui na Suécia e que nunca passou pela cabeça do nosso chefe que não estivéssemos contentes com algo. Depois de eu apresentar a minha carta de demissão, a chefia percebeu a realidade e passou a paparicar o Poncho, para que ele não fizesse o mesmo. Ora, a única diferença entre mim e o Poncho é o facto de eu JÁ ter apresentado a carta de demissão. Ele fará o mesmo esta semana, mas como eles não sabem, ainda sacou a bela da caixinha.
Se fosse outra coisa....mas o chocolatinho é que me custa...
Comparado com esta afronta, tudo o resto parece insignificante. Meus amigos, esta é a razão pela qual se trabalha 1 ano inteiro! Chega Dezembro e com ele vem a caixinha. "Para o Poncho com desejos de um Feliz Natal", contava o bilhete devidamente assinado pelo chefe. Vazia, a minha secretária estava vazia!
Todas as semanas o meu chefe (que forma os restantes 33,3%) me sorri e continua a pedir ajuda e explicações técnicas para as funções que tem que desempenhar aqui na Saab. Eu sempre achei aquele sorriso forçado, mas nunca recusei qualquer ajuda. Faz parte do meu trabalho até ao último dia de contracto.
MAS...e este é um valente mas....se sou só funcionário para "dobrar a giga" e quando chega ao momento de enfardar chocolate, sou o "gajo que se vai embora", bom, aí estamos conversados. Em bom Português: "Hádem cá vir!!!!"
É que fico mesmo chateado (não sei se já tinha dito)....chocolate de leite, 1 quadradinho por cada dia do mês...ora isso no meu calendário são 31 bombons páááááá!!!!!
Enrolarem-me no salário, falta de visão estratégica, manifesta incompetência na liderança e coisas do género eu até já não me importava. Mas o chocolatinho pá?? 500 paus deve ter custado a caixa e eu ficava tão contente...o que é que lhes custava pá????
O Poncho é que foi esperto...enrola-os e ainda papa o chocolatinho...
Ele disse-me há pouco que precisava de perder 10Kg. Vou até à secretária dele ajudar um pouco. É Natal, sinto-me bondoso!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

No comments

Nando,
o que é que foi isto pá??
Sorte Nandinho...foi sorte...e logo no derby dos "derbys".
Mas tudo bem, serve.
Entrada de ouro no fim de semana.
O resto é música.

Momento

Pausa para café.
Saltos pela casa e Chris Cornell a plenos pulmões.
É a canção do momento.
Bom fim de semana por esses lados.
(Tiago, daqui a umas horas abro a carlsberg :))


You Know My Name - Chris Cornell

If you take a life
Do you know what you'll give?
Odds are you won't like what it Is.
When the storm arrives

Would you be seen with me?
By the merciless eyes I've deceived
I've seen angels fall from blinding heights

And you yourself are nothing so divine
Just next in line

(Chorus)
Arm yourself because no one else here will save you

The odds will betray you
And I will replace you
You can't deny the prize it may never fulfill you
It longs to kill you
Are you willing to die?
The coldness burns through my veins
You know my name

If you come inside
Things will not be the same
When you return to my eyes
And if you think you've won

You never saw me change
The game that we have been playing

I've seen diamonds cut through harder men
Then you yourself but if you must pretend
You may meet your end

(Chorus)

Try to hide your hand
Forget how to feel (forget how to feel)
Life is gone
At just a spin of the wheel (spin of the wheel)

(Chorus)

You Know My Name

Está quase...


Também quero Mariana!
Também te quero pegar ao colo e encher essas bochechinhas de beijos.
Mais 10 dias. Apenas mais 10 dias e vou finalmente conhecer-te!
Só por isso o dia começa com um sorriso.
És tão lindaaaaaa!!
Bom dia.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Isto quer dizer que tenho pouca barba??

via a camarada do frio.

Lúcia, volta para o festival da canção!!!

Para aquilo que o meu organismo gosta, a minha rotina diária ultrapassa todos os limites estabelecidos à nascença.
Já a noite ia alta no Bairro Alto quando resolvi "aparecer". Rezam as crónicas que a minha mãe se torcia por todos os lados há muitas horas e dizia em voz de barítono: "saaaaaaaaaaaiiiiiiii". Mas não, com essa não me convenceram. Cá fora estava frio e eu já me aconchegara por aqueles lados. Além do mais, o gajo da bata branca fazia-me uma espera para me aplicar o chamado "tau-tau", seguido de choro (meu) e sorriso (dele).
Podia ser novo, mas não era parvo. No entanto, depois de mais umas voltas no carrocel resolvi fazer a vontade à minha mãe e vim ver afinal o que havia de tão engraçado cá fora. A marca desse momento ficou.
Na minha memória ficou o registo de que deitado e quente é que estou bem e ao longo dos anos tenho-me esforçado por ser justo com a história.
Levantar da cama (onde estou deitado e quente) é para mim a tarefa mais difícil das várias que constituem o comportamento humano. Normalmente, dou-me ao trabalho de perder 1 min a adiar o despertador 1m e achar que nesse 1m, realmente descanso algo. Eu sou tão preguiçoso que todos os dias o meu primeiro pensamento é: "como é que me desenrasco para ficar aqui mais 3h???"
A única forma de conseguir cumprir horários é usar os transportes públicos. Isso faz com que o meu segundo pensamento quando acordo seja: "se não estou às 6.30h na estação perco o comboio!". Aí sim, entro nos últimos "só mais 5 min" e levanto-me pronto a bater mais um record de tempo.
Neste momento a minha melhor marca está em 10 min (banho+vestir+peq.almoço comido em duas dentadas) e 11 se tiver que meter gel e dar 4 dentadas no pão.
Com este ritmo/rotina, chego à noite de sexta-feira e o que quero mesmo é desligar o cérebro e vegetar. Como adoro cinema, essa é normalmente a segunda companhia escolhida para essa noite. No "king" cá do sítio ou na sala lá de casa, há sempre um filme que me apetece ver e que acho apropriado para o momento de relax. É também nessas alturas que dou a oportunidade aos filmes "SIC-domingo-à-tarde" de me passarem pelos olhos. Não obrigam a pensar e isso é o que quero nestes momentos.
Por norma, a 6f é uma bom dia para ver filmes na TV. A oferta é variada e a qualidade razoável.
Na semana passada, davam em simultâneo (mais ou menos): "O Santo" (Val Kilmer, E.Shue), "Love actually" (Hugh Grant, Emma Thompson,Liam N.), "What Lies Beneath" (H.Ford, M.Pfeiffer) e mais 2 ou 3 que agora não me lembro.
Recordo-me que já os tinha visto todos excepto o "Love actually". Já sabia que era um filme "Hugh Grant", mas recordava-me de ter sido muito falado em Portugal no natal de 2003 (provavelmente por causa da participação da Lúcia Moniz) e pensei que podia ser um bom "desligar-de-fim-de-dia".

(tudo o que foi dito antes era a parte introdutória, o que eu queria mesmoooooo partilhar vem agora)

Enganei-me. O filme é um "Hugh Grant" típico, com tudo o que isso pode ter de mau e sem o sorriso da J. Roberts. Mas o pior mesmo foi ver o papel da Lúcia Moniz. Todo o argumento retrata aquela comédia(s) romântica(s) que não aquece nem arrefece (mas ajuda a adormecer) excepção feita ao papel da Lúcia Moniz. Foi aqui que fiquei incrédulo com a publicidade que o filme teve no nosso país.
Nós, Portugueses, somos retratados de uma forma que nem o Kusturica se lembraria para os ciganos bósnios.
Numa das cenas finais, um inglês vai até à cidade onde a personagem da Lúcia M. vive. Se bem percebi retrata a comunidade portuguesa de Marselha. São todos gordos, de bigodes farfalhudos, a filha grita com o pai, chama estúpida à irmã (sempre a falar como uma varina), o pai quase que vende a filha, enfim, juntam no mesmo quadro tudo o que de mau existe no nosso povo e distorcem com exagero e mau gosto a nossa realidade. Senti-me revoltado.
Porque raio teve esse filme tanta publicidade em Portugal se no meio daquela história de "love is in the air" somos caricaturados como vendedores de camelos???
Passou-me o sono. O objectivo de descanso e relax não foi atingido.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A maior do mundo e arredores galácticos

Na última aula de Sueco a professora contou-me que tinha visto nas notícias a maior árvore de natal da Europa, montada pela 2a vez em Lisboa.
Sorri e tentei partilhar o entusiasmo dela a descrever a imensidão da árvore, mas não consegui.
Ela, que não sabe o que é sentir frio dentro de casa, não ter uma rede de esgotos decentes ou ver o prédio do lado em risco de cair, passeia pela sua cidade contemplando as iluminações de Natal, que são bonitas diga-se, mas modestas quando comparadas com as da minha cidade.
Aqui, dá-se uma importância grande ao Natal. Há lojas que praticamente só vendem decorações para esta época e nota-se que há um envolvimento popular no espírito, ou não fosse o Pai Natal originário da Lapónia (Finlandesa). No entanto, não se reflectem em tentativas de grandiosidade saloias como "a maior árvore da Europa" na cidade que tem falta de dinheiro (pelo menos o Carmona queixa-se!) para resolver questões básicas que afectam a sua população.
Pouco importa se a árvore é paga pelo banco A ou B. Ainda pior. Os bancos são os maiores beneficiados da crise no país (por causa dos sucessivos recursos ao crédito) e dos que menos impostos pagam. No fundo, cada um de nós contribui um pouco para aquela árvore (pelo menos os clientes do Millenium).
Porquê uma ostentação de riqueza (e saloice da grossa) numa cidade que tem tantos problemas com falta de dinheiro? Já não há pessoas a dormir nos respiradores do Martim Moniz? Já não há casas a ruir nas colinas? Já não há lixo pela calçada pombalina? Já há saneamento básico (a funcionar) e instalações eléctricas decentes nas partes velhas da cidade? Já demoliram a última barraca? O trânsito já deixou de ser caótico?
Não quero ser utópico e sei que os problemas não se resolvem com ou sem árvore, mas é uma simples questão de atitude.
É dar importância às aparências e deixar para segundo plano o que realmente importa. Se o Millenium quer fazer a árvore com os lucros que deveria deixar nos impostos, tudo bem. Que se transforme isso num caso de orgulho nacional, já acho mais preocupante.
A minha professora deve ter ficado a pensar que em Lisboa tudo são rosas e que a árvore é a "cereja no topo do bolo".
Claro que eu não tive coragem de lhe dizer que somos um povo que "come sardinha e arrota camarão", mas senti-me envergonhado.
Porque é que não transportamos esta mania das grandezas para as coisas que realmente marcam a diferença numa cidade, num povo e num país?
Algo do género:
"Lisboa, a cidade mais segura OU limpa OU confortável OU barata OU menos poluída OU com menos carros OU com menos acidentes OU com mais espectáculos OU mais verde OU qualquer coisa deste género, da Europa"
Claro que se passar pela P. do Comércio vou admirar a árvore (sangue luso, é sangue luso...), mas certamente não a divulgarei como uma proeza Nacional.
Não é que não goste do "acessório", mas acho que já é tempo de nos concentrarmos no "essencial".

terça-feira, novembro 28, 2006

O toquezinho

Há mais alguém que passe a vida a dar "toquezinhos" nos fios dos phones para conseguir ouvir nos dois ouvidos ou sou só eu?
O "mau contacto" nestes artigos ao fim de 2 meses vem incluído no preço e é obrigatório ou sou eu que tenho muita falta de jeito e estrago tudo?

O ditado

Ao passar os olhos pelo DN parei neste artigo do L.Delgado.
Com tudo estruturado por pontos pensei: "queres ver que foi desta que ele pensou um pouco antes de escrever?"
Depois de ler a respectiva análise ao falhanço no Iraque (que provavelmente pediu à Paula Sá para lhe ditar), fui obrigado a manter a minha opinião de "como é que um gajo destes escreve no DN??".
Eliminando as partes de pura opinião (que só por si explicam tudo, mas...), não consigo deixar de destacar 3 pérolas:

1- "Na verdade, o Pentágono, o Departamento de Estado e a Casa Branca concentraram-se apenas nas operações militares, que, convenhamos, foram conduzidas de uma forma brilhante e extraordinariamente eficaz. Metade das forças reunidas dez anos antes, para a "Tempestade no Deserto", com uma missão duplamente mais difícil do que em 1991, desencadearam um ataque que em três semanas derrubou o regime e tornou inoperacional um dos maiores Exércitos da região."

2 - "Rumsfeld, na verdade, deveria ter "acabado" aí, no preciso momento em que era necessário consolidar a paz e transferir o poder para os moderados iraquianos. É o primeiro grande erro dos EUA, e a partir desse momento, à falta de qualquer plano, começa tudo a correr mal. Rumsfeld não abdica da euforia da vitória fulminante e entra em conflito aberto com Powell, sem que a Casa Branca consiga impor uma visão e um calendário para o futuro."

3- "Pior: à falta de uma oposição iraquiana, decapitada por Saddam ao longo de décadas, não emerge um líder inquestionável, ou seguro, como no Afeganistão."



1) Constato que subiram para 3 o número de pessoas que realmente acreditam nisto. Além do Delgado, o próprio Saddam e aquele cómico ministro da comunicação também pareciam acreditar. Para o resto do mundo, o exército Iraquiano estava ultrapassado e muito debilitado por causa do conflito no Golfo em 91, no tempo do papá Bush. Os efectivos e meios materiais eram em 2003 muito inferiores. Das 40 divisões do exército regular, restavam agora 17.
Saddam viveu de um "bluff" que ninguém acreditou.

2) O primeiro erro dos EUA aconteceu muito antes de qualquer soldado chegar a Bagdad. Não pela forma escolhida para a "transição democrática" mas sim por uma invasão não autorizada pela ONU e com fundamentos falsos (até a casa branca assumiu o "erro" das armas de destruição maciça, etc, etc).

3) Hamid Karzai foi escolhido pelos EUA para suceder ao regime dos Talibãs. Ficou provada a fraude eleitoral, mas Karzai foi declarado vencedor.
Os Talibãs reorganizam-se no sul do país e este ano já morreram mais de 4000 pessoas, com as contantes revoltas e guerrilhas.
A situação no Afeganistão (5 anos depois da invasão) não é tão grave como no Iraque (e isto apenas porque não é possível um caos maior), mas as balas continuam a voar, as pessoas a morrer, o regime político em constante sobressalto e o país a depender quase exclusivamente da ajuda internacional. É esta a definição de um líder inquestionável e seguro?

Delgado, cá para nós que ninguém nos ouve: tu acreditas mesmo no que escreves?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Arnold Bond


Isto é que não foi bem o que eu esperava...
Muito músculo e pouca classe, resume a minha mente ao sair da sala.
Para um verdadeiro fã do James Bond, o que realmente importa não é o argumento...esse segue um padrão e divide-se em 4 partes distintas. Depois, quem procura uma boa história e uma trama de interesse, não vê um James Bond.
O verdadeiro entusiasta entra no cinema a pensar:
- Que países visitará ao longo do filme?
- Como será feita a entrada? Tum-tum-tum a passo e tiro para o alvo ou salto de pára-quedas com a bandeira inglesa?
- Terão feito algum remix em cima do tum-tum-tum?
- Conseguirei perceber o vídeo do genérico de abertura?
- O James safa-se sempre com pinta?
Enfim, são este tipo de coisas que um BONDista procura em cada filme.
A entrada correu mal....o clássico caminhar e disparar para o alvo foi substituído por um salto "amacacado" seguido de disparo. Ora isto muda logo tudo. Uma pessoa já não se sente em casa.
Depois, pela primeira vez os corpos em exibição não são os das "bond girls" mas sim o do Daniel Craig. De tanga, nú ou de camisa molhada, arranja-se de tudo e isto meus amigos, não é o conceito do 007. Para isso é que se criaram as personagens das "bond girls". Exactamente para o James poder ser gordo e barrigudo e não ter que andar nú pela praia. No fundo, é como se no papel do "gentleman" inglês estivesse o Schwarzenegger...convenhamos que não é o que se espera.
O Bond é como o Macgyver. Safa-se porque tem um laser no relógio que corta o vidro por onde entra o ar que lhe permite respirar, enquanto chega com o polegar ao calcanhar e carrega no botão que activa as hélices, cujo movimento gera electricidade que por sua vez derrete o cubo de gelo onde estava preso.
É assim que a coisa acontece.
No caso do Daniel Craig ele parte tudo....apenas isso. Não é elaborado e parece que estamos a ver o Exterminador Implacável, em versão smoking.
Estas foram para mim as desilusões.
Quanto ao resto há a salientar uma boa história com fim em aberto (uma novidade) o que deixa entender que o 22ö bond não demorará outros 4 anos (em 2008 já cá está!), excelente fotografia nas Bahamas, Montenegro e Itália (Veneza) e uma supreendente canção de abertura na voz do Chris Cornell (Soundgarden/Audioslave).
Um pouco mais de chá e este Craig toma-lhe o jeito.
2008 e já ali.

Baldes de massa


Há alguns anos que as minhas segundas feiras incluem no seu ritual uma vista de olhos nos anúncios de emprego.
Hoje em dia continuo a fazê-lo, não com a "vontade" de quem procura, mas com a curiosidade do "nunca se sabe". Independentemente do meu olhar sobre essas linhas, há anos que o anúncio é o mesmo.
No que a engenharias diz respeito, fico com a sensação que em Portugal não se faz mais nada que não seja misturar água, areia e cimento (e brita por vezes). O betão parece ter vida própria.
O jornalista que trata deste caderno deve ser o mais folgado no Expresso. Troca "obra" por "projecto" e está feita a edição desta semana. Até já ouvi dizer que o Balsemão quando quer dar férias extra a alguém manda-o para o caderno de emprego.
Isto deixa-me um pouco estupefacto porque simplesmente não consigo entender como é que se constrói tanto, durante tanto tempo seguido e em tão pouco espaço. Já há mais habitações do que habitantes...quando é que pára o betão e cresce qualquer coisa verde?
Depois, há a preocupação pessoal...eu nunca achei piada a Mercedes, não tenho a unha do mindinho grande, bigodes farfalhudos e correntes de ouro nos pêlos do peito também nunca me atraíram e sei fazer contas de somar. Não tive por isso a mínima hipótese de seguir engenharia civil...
E agora? E no regresso?Aiii.....
Queres ver que ainda tenho que ir "chapar" massa se quiser voltar a comer choco frito?
Ricardo, há ponta para mim???

sexta-feira, novembro 24, 2006

Bond, James Bond

Problema resolvido.
O meu colega Poncho passou pela FNAC no quarto dele e arranjou-me o Casino Royale em DVD.
Hoje há premiere lá em casa também!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Dilema

Sou fã incondicional do Bond. Ao contrário do post anterior aqui não há qualquer razão, é mesmo PORQUE SIM! Nessa condição atravesso o seguinte dilema: - O filme estreia amanhã. Durante as próximas semanas as salas estarão cheias e não há nada pior do que ver um 007 com a banda sonora de pipocas e gomas. Um pessoa perde a concentração no filme e ZÁS, lá se vai a percepção do enredo. Quem é a bond girl boa? Em que altura é que a bond girl má se apaixona pelos James e deixa o gajo que quer dominar o mundo? Que número tem este na Spectre? Que tecnologias estarão incorporadas no carro? Ficará o reduto dos maus a arder ou afundar-se-á na última parte do filme? Quantos veículos motorizados destruirá o Bond sem desmanchar o penteado? Tudo isto deve ser atentamente observado para não se perder o fio à meada (sempre quis usar esta expressão!) o que invalida a sala de cinema nas próximas 3 semanas. Por outro lado, não consigo aguentar tanto tempo sabendo que o filme anda por aí! Resta-me a pergunta:

ALGUÉM TEM UMA CÓPIA* DESTE FILME EM DVD??

Obrigado.

* - Caso algum dia venha a desempenhar um cargo político e os meus opositores venham aqui chafurdar para me entalar, aproveito para escrever que obviamente refiro uma CÓPIA autorizada e comprada na FNAC, de preferência aquela do Colombo que tem sempre um cheiro mais activo.

No Sado

Setúbal, foto de R.Rodrigues
Estava a ver a "nossa janela" (obrigado Ricardo!) quando o Sousa Tavares apareceu para almoçar comigo.
Não falou muito. Preferiu escrever.
Gosto de o ler. Mesmo quando não concordo.
Com letras ilustrou o Alentejo com passagem nos salmonetes de Setúbal.
A beleza de cada recanto, a tranquilidade respirada, a generosidade da Natureza. O pequeno paraíso no despovoado Alentejo.
Concordo em absoluto ou não fosse o Alentejo a minha região preferida do país. Há a ligação familiar e depois há tudo o resto: as melhores praias do País, os sabores da tradição, as gentes mais sorridentes, o interior mais pitoresco, as recordações de tempos passados.
Os salmonetes de Setúbal comidos à setubalense também já cá cantam. Dão muito trabalho para a minha agilidade peixe-espinhas-faca-comida-arrefecer-camisola-nódoa, mas o sabor compensa o "esforço".
Enquanto juntava as letras que me escrevera, sentia-me mais perto de casa, com o Sado na janela e o Alentejo do outro lado.
Na aparente harmonia em que me deixara, resolveu perguntar-me:
"Como pode alguém viver fora de Portugal?"
Acordei das memórias. Em sobressalto inspirei duas vezes e pensei na resposta.
Novas experiências? Evolução pessoal? Crescimento profissional? Contacto com o 1ö mundo?
Será isto Miguel? Ou será a simples vontade de conseguir comprar um Monte aí ao lado desse onde escreves estas palavras?
Não sei. Talvez um pouco de tudo para não ser hipócrita.
Sair do País de origem nunca é fácil. Pode ser bom, necessário ou imperativo, mas não me parece que alguém o faça "só porque sim".
Por muito que se tente atenuar a distância, ela está lá e não há nada, rigorosamente nada que compense essas lágrimas.
Gosto de te ler, mas imaginar-te a ver o céu estrelado no teu monte alentejano enquanto divagas: "Como é possível alguém viver fora de Portugal?", dá um pouco aquela sensação de não perceberes o mundo em que vivemos, tão pouco o País que temos.
A corrupção dita leis, as oportunidades distribuem-se por meia-dúzia e os lobbies governam. Tu bebes o tinto à lareira e perguntas: "Como é possível..."
Eu também gosto muito de Portugal e ainda gostaria mais se tivesse crescido ao longo destes 20 anos com os sucessivos quadros de apoio da UE (como Espanha por exemplo). Nesse cenário, teríamos desenvolvido a nossa economia, criado empresas e emprego. Eu e uns quantos milhares mais poderíamos ter desenvolvimento pessoal e profissional, aumentos superiores a 0% e não sorrir apenas porque: "vá lá, vá lá...ainda temos emprego."
Em resposta à tua pergunta Miguel digo-te que sim, é possível.
Mas custa e inclui lágrimas.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Com um sorriso

Foto de A.Pingo


Para lá fui com o Sol a iluminar o verde da montanha, o azul do céu e o vermelho vivo das casas
típicas.
Quando saí de lá, já o Sol se queria esconder, mas iluminou-me ainda assim, com algum esforço e naquele tom alaranjado de quem quer fugir.
O frio não quer aparecer e a chuva resolveu dar um descanso. Num perfeito dia de primavera fui e vim de lá com o sorriso que só o Sol me faz chegar.
O "lá" é o trabalho...
Tendo em conta a altura do ano e a localização geográfica, percebe-se que não passei "lá" muito tempo.
Entrei às 10 e saí às 15h, igualando o recorde de um funcionário público e ficando apenas a 30 min de um funcionário daquela empresa que tem edifícios numerados na Portela (brincadeira Ana, brincadeira!!!) .
O fim do dia chega e a sensação de cansaço não. Tenho a impressão que descobri o meu horário ideal...

O sushi

Já em Lisboa tinha descoberto os prazeres da comida japonesa.
Fiquei fã, mas os preços do Rock&Sushi ou do Estado Líquido não permitem que se encare esta arte oriental com a leveza de quem entra na telepizza.
Sabe bem e paga-se ainda melhor.
Curiosamente deste lado, onde tudo é mais caro, a pizza e o sushi estão ao mesmo nível (no que a coroas diz respeito) .
Na Suécia, se alguém fizesse uma lista de restaurantes ordenados de forma crescente por preço, teria que ser algo do género:

1 - Pizza e Kebab (nos Turcos, Sírios, Iranianos, Curdos, Iraquianos)
2 - Sushi
3 - Tailandês e Chinês
4 - Pizza (no Italiano)
5 - Pub's Irlandeses e restaurantes suecos em geral

Como esta malta em regra só almoça (sim, a parte do jantar passa à frente e amanhã é um novo dia), ou pelo menos só faz uma refeição de garfo (faca não, só mesmo o garfo é que é utilizado), é muito normal os restaurantes terem menus de almoço.
Ora os japoneses que já são baratos, durante o período de almoço ficam uns mãos largas e em alguns come-se por menos de 1000 escudos.
Há um ali no centro da cidade que tem um rapazito cá fora o dia todo a segurar uma placa com a seguinte informação: "Menu de almoço=700 paus". Nunca percebi porque é que não deixam a placa presa e dão descanso ao pobre rapaz.
Bom, mas isto para dizer que (com alguma surpresa minha), pude continuar a minha descoberta de sabores orientais por estas paragens e tornar o sushi tão comum como o bife com ovo a cavalo (que saudades de um belo bife!!!).
Como convém, já sei qual é o japonês que faz o melhor sushi da cidade e bolas, é mesmo de comer e chorar por mais.
Já estou tão craque nos pauzinhos, que quando me sentar na Portugália diante daquela molhanga, vou manejar o pão com 2 palitos...
Hoje foi noite de bola. Na falta da bifana e do "corato", agarrei-me ao sushi como gente grande e foi um ver se te avias.
Agora, de barriga cheia, com o sorriso da chapa 3 e com a saudade na almofada, dou o dia por finalizado.
Amanhã há mais.
Boa noite e sayonara.

terça-feira, novembro 21, 2006

Intervalo


O Tiago bebe Sagres do outro lado, eu aposto na Carlsberg...é a minha singela contribuição para os dinamarqueses.
A imagem está razoável e o som é parecido comigo. Tarde, mas chega.
As camisolas vermelhas bailam e as redes já balançaram 3 vezes.
Estes vikings de Copenhaga são fraquitos, fraquitos...mas alegram-me a alma e fazem-me esquecer o Fanã.
Até à próxima desilusão, são os maiores.
Mais 3 na segunda parte por favor, que ainda não acabei a cervejola!

São papoilas saltitantes

Aqui a beber irish coffee ou em casa pelo Skype (Tiago, isso já funciona???), hoje é dia de: são papoilas saltitantes!!!!

M26

Capitólio, Havana

Há pouco tempo vi o filme "Lost City" (acho que o referi algures aí atrás) e...
(...)
Calma, antes de continuar este texto tenho que fazer nova pausa cinematográfica para dizer que o "Babel" é um extraordinário filme que merece ser visto e pensado. O argumento roda em torno de 4 histórias (Japão, México, Marrocos e Tunísia), ligadas por um objecto comum, uma arma (claro que esta é a minha interpretação e vale o que vale...).
Com Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal (dos "Diários de Che Guevara") nos principais papéis, chega-nos um drama onde a falta de comunicação, de solidariedade e de simples entendimento entre povos, retrata o nosso quotidiano.
A não perder!
(...)
...dizia que há umas semanas vira o "Lost City". Um filme que retrata a Havana dos anos 50/60 antes e depois da revolução.
A visão de Andy Garcia (que é cubano) pode ser apreciada neste filme e sinceramente, identifico-me bastante com ela.
Ver este filme fez-me pensar no regime de Castro. Algo que faço com alguma frequência diga-se, sem que o consiga perceber. Por muito que se leia ou se investigue sobre a revolução cubana, toda a verdade, ideais passados e presentes, alianças e estratégias, morrerão com Fidel. Poderão os historiadores fazer o seu trabalho, mas duvido que o comum dos seres tenha alguma vez a certeza das motivações de Castro ao longo destas décadas. A não ser que seja um iluminado como o Luís Delgado...mas isso já é outra história.
O caminho para o trabalho foi feito no meio desta teia.
O período de Baptista foi terrível para o povo cubano e a revolução dos "barbudos" não trouxe o que se esperava.
Parece-me quase senso comum, mas não o consigo entender na sua totalidade.
Confesso-me um admirador da história cubana e do romantismo que envolve o M26 (Mov. Revolucionário 26 de Julho) .
Em teoria tudo parece simples. Evitando os chavões "imperialistas", direi apenas o que a história confirma: Baptista era um fantoche dos EUA e Havana uma espécie de casino de Miami. Lavagem de dinheiro, jogo e muita prostituição.
Algumas famílias devidamente alinhadas e com boa vida, miséria e mais miséria para a maioria do povo cubano.
Querer derrubar um regime destes e devolver o país aos seus, é ideológicamente perfeito e acho que ninguém contesta isso. A forma como foi feita a revolução, o discurso de Fidel em sua própria defesa (o famoso: "A história me absolverá"), a vida na Sierra Maestra, o mito de Che Guevara, tudo isso ajudou a criar uma simpatia (pelo menos para mim) em torno deste movimento. O pior vem depois.
Tento perceber o que move ou o que moveu Fidel. Pura paixão pelo país? Sentido de justiça? Sede de poder?
Eu até acho que as suas convicções foram mudando com as alterações no xadrez político do globo.
É preciso não esquecer que foi Washington a primeira capital a reconhecer o governo dos "Barbudos". O corte de relacções que mais tarde aconteceu, numa altura de Guerra Fria, obrigou-o a escolher o "outro lado".
Criado que estava o inimigo, havia que o enfrentar e fortalecer a posição interna. Nunca entendi por exemplo porque ficaram os Cubanos privados da sua liberdade. Porque não podem circular livremente? Hoje se pudessem, Fidel ficaria praticamente só, mas no início não foi assim. Com a política certa ninguém sairia da sua terra natal, não mais do que em qualquer outro país.
A medicina em Cuba é verdadeiramente fabulosa. A percentagem de académicos é muito elevada mas a partir daí nada mais funciona. A queda da URSS deixou Cuba à sua mercê e dos turistas e nos últimos anos, as trocas médicos-por-petróleo com a Venezuela, foram um verdadeiro balão de oxigénio.
O que interessa ser médico se o salário obtido a carregar malas num hotel é tremendamente superior? O que interessa ter uma taxa quase nula de desemprego se para isso é necessário colocar 5 pessoas nas tarefas de uma? Não há produtividade e a economia gerada na ilha não aconchega sequer os problemas do embargo.
Circulando nas ruas de Havana dificilmente se encontra um polícia magro. As forças de intervenção estão sempre bem alimentadas. O museu da revolução tem em cada parede frases escritas pelo próprio Fidel e dezenas de gráficos comparativos do antes e depois da revolução. Claro que segundo estes o "céu" chegou depois de 1959.
Na rua, as pessoas falam olhando para os lados. Há medo.
Sem querer ser simplista, isto são sinais de que o regime político é uma ditadura.
Há relatos de como os comandantes da revolução foram afastados (Che, Cienfuegos, etc), numa tentativa de justificar a sede de poder dos irmãos Fidel. Imagino que nunca a verdade chegará a nós. Fidel sabe o que sente, mas certamente não o dirá.
Para quem imagina o romantismo da revolução, passear em Havana traz a lágrima e a constatação que não é bem assim.
Antes de 59 viviam um inferno e depois da chegada de "El Comandante", os cubanos também não viram o céu.
Eu continuo a achar que a revolução tinha o seu lugar na história. Foi uma oportunidade para um povo. Apenas uma oportunidade, infelizmente não mais do que isso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Conhecendo

Vänersborg

Trollhättan

Helsinborg (praia de areia)

Malmö (monumento à paz)

Helsinborg (praia de areia)
Boa noite.

Chapa 3

Estava aqui a ver isto e surgiram-me estas questões:
1 - Quim: Porque é que não marcaste tu os dois primeiros golos do Braga? Já viste se algum do teus antigos colegas se aleijava num joelho a rematar de tão longe?
2 - Nando: Numa das vezes em que atirares a mona para o lado, com esse toque de pescoço, aproveita e olha para um gajo que está aí com cara de saloio e cabelinho à Simão. Chama-se Moreira e o Shéu pode explicar-te em que posição joga.
3 - Vieira: agora que o sócio do Porto se foi embora, tu és o único infiltrado, mas ao que parece ainda mandas as postas por aí, sendo assim pergunto-te:
3.1 - Quantos pontos tem o Nando que perder mais para perceberes a asneira que fizeste no verão?
3.2 - Quantas tareias é preciso levar com chapa 3 para perceberes que o Nando pensa que um quadrado tem 3 lados diferentes e 1 igual a si mesmo?
3.3 - Quando é que vais entender que com esse plantel qualquer nabo com o QI de um gorila (que é 20% superior ao do Nando) limpava o campeonato?
3.4 - Será assim tão difícil de ver que o Nando é capaz de desmotivar um lobo no meio de um rebanho?
Acordeeeeeeeemmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!
Já não aguento chapa 3 com tudo o que é mija na escada!!!!

Massa fofa

As cadeiras no refeitório da Saab são de "costas abertas". Refiro-me a uma abertura que não deve ultrapassar os 50X30 cm...
Sentei-me no lugar de sempre. Perto de uma janela para comer com a companhia do céu.
Quando tirei os olhos do prato reparei na cadeira que estava à minha frente.
Apertado, muito apertado, nesses 50X30 cm estava um rabo. Por cima desse rabo estava uma senhora. Em conjunto pesariam entre 120 a 130 Kg, que eu não sou dado a exageros.
A senhora, ligando pouco a conceitos estéticos ou ao facto do meu almoço me poder cair mal, trouxe as calças que usava há 40Kg atrás e que pouco ultrapassavam os joelhos. Para mim, sobrou a imagem de um senhor rabo....grande, grande, muito grande, apertado, apertado, bem apertadinho entre o seu ser e os limites da cadeira. Um mundo branco, com crateras esponjosas e bogas fatiadas.
Quanto mais não queria olhar, mais espreitava na esperança de uma corrente de ar fazer o meu indelicado trabalho de: "Ó Faxavor!!!! Importa-se??? Tou a tentar comer!!!"
Mas não. Nenhum frio incomodou aquela imensidão e até ao último golo de café foi ver a pele entalada na madeira, sem tabu nem pudor e com muito sofrimento (pelo menos para mim).
A pizza? Estava boa. Massa fofa, massa muito fofa.

Desafio do SPAM II

Começo a semana com o chamado SPAM.
Aceitando o desafio da Florença Maria das Dores , deixo aqui o regulamento, utilizando para isso a táctica mais conhecida no mundo informático denominada "Copy and Paste" ou "Ctrl C, Ctrl V" para os realmente batidos:
"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Dito isto, vamos ao sumo:

1 - Em pequeno, depois de ler a colecção do Axtérix e de ter percebido o que era um "Pilum" (lança de legionário), nunca mais consegui dormir de barriga para cima com medo que uma dessas coisas me entrasse no umbigo. Não suporto qualquer toque no umbigo ainda hoje.

2 - Por muito complicada que esteja a minha vida, tenho sempre aquele canto do cérebro que no domingo ao fim do dia me diz: "E o Benfica? Quanto é que ficou??"

3 - Sinto que no dia em que avistar um semáforo amarelo a 20m e não acelerar, estarei muito próximo de ser civilizado.

4 - A pontualidade não quer nada comigo. Raramente chego a horas seja para o que for e cada vez tento mais, mas não consigo. É mais forte do que eu. Nem para nascer apareci a horas.

5 - Por muitos armários que tenha, uso sempre as costas das cadeiras para fazer "pirinéus" de roupa. Se eu fosse designer do IKEA desenharia um conjunto de 10 cadeiras presas pelos pés e alinhadas pelas costas e chamar-lhes-ia "Back Seat Closet".

E como SPAM que é SPAM tem que seguir feliz e contente pelas malhas do TCP/IP fora (parte tecnológica do post), passarei a batata à Catarina Santos, Sandrinha, Rosa, Nuno Sousa e Inês.
O que eu queria mesmo era "entalar" outros tantos, mas isto do blog limita :) (safaste-te Hugo!)

quinta-feira, novembro 16, 2006

Momentos

Arquipélago Sul de Gotemburgo, ilha de Styrsjö (Nov 06)

Chewie, o Wookie




Estreei-me no cinema com o Bambi. Não me lembro quem me levou, mas acho que chorei...
Já mais tarde, homem de barba rija e a poucos meses dos 7 anos, fui com o meu primo mais velho ver o "Star Wars". Saímos de casa e passados 43 segundos estávamos a entrar na clássica (não velha, atencão!!) Academia Almadense. Ambos "vivíamos" no prédio do cinema, mas como ele se encostava pelo terceiro andar não fomos tão rápidos nesse dia...
Nunca fui grande fã de ficção científica mas na década de 80 aquelas espadas a laser faziam furor. Além do mais, aquele barulho "uoomm, uooom" de cada vez que as ligavam, preenchia o meu imaginário. Hoje em dia já não consigo achar tanta piada...mas tudo tem o seu tempo.
Quando o George Lucas precisou de renovar os azulejos da mansão de Beverly Hills inventou aquela história de mais 3 argumentos que tinha escrito há 20 anos e que esses sim, eram o início da história e troca o passo...fiquei com a sensação de "fazer render o peixe" e a história deixou o imaginário infantil onde alegremente a tinha colocado. O Hugo bem me tentou explicar aquelas trocas todas do Império, mas já não sabe ao mesmo e as espadas também não fazem "uoommmm,uoommm".
Foi no entanto nesta saga que conheci o mais mítico personagem da história do cinema: o Chewbacca.
Chewie para os amigos e Chibáca para os portugueses em geral.
Quando saímos do cinema, deixei o meu primo entretido com a namorada daquela semana e fui reflectir sobre este assunto:
"O que levará um gajo a vestir um fato de macaco e reduzir todas as suas falas a um original: Uóóóóóóóóóóó ????"
Pensei, pensei, pensei e não consegui perceber o que motivava um "actor" a perdurar na história da 7a arte como o-único-gajo-no-mundo-que-não-estando-num-filme-do-Manoel-de-Oliveira-tinha-menos-deixas-que-Conan-o-bárbaro.
Essa era a meu ver a única vantagem da cara dele estar tapada. No entanto gostava também de ver quem estava por baixo daquele fato de macaco e emitia tais grunhidos.
Concluí, enquanto comia o saudoso super-maxi, que quando tivesse 18 anos ia perceber tudo (para qualquer coisa da vida a minha avó dizia sempre: quando tiveres 18 anos vais perceber! Eu até achava que no dia em que fizesse 18 anos uma enciclopédia me cairía na cabeça em forma de raio ou um velhinho de barba branca, sandálias e cajado na mão me mostraria um livro tamanho-repartição-pública-daqueles-que-se-viram-as-folhas-com-os-dois-braços cheio de respostas).
Nada disso aconteceu. Mas apareceu a internet. Não é tão filosófico como o velhinho, mas ajuda e não tem aquele cheiro esquisito.
A luz chegou (em forma de wikipedia) e com ela a verdade, que limpou a imagem que construíra do camarada Chibáca.
Ao contrário do que eu ignorantemente pensara, esta personagem não se resumia a um macaco de pêlo longo que olhava para o céu enquanto dizia "uoóóóóóóóóó"!!!
Chewbacca é um Wookiee (não um macaco), filho de Attichitcuk, marido de Mallatobuck e pai de Lumpawarrump. Não está no registo oficial, mas eu arriscaria que também é irmão do DodaShikaverana.
É sofisticado (o que se nota no sotaque que coloca no fim do uóóóóóóóó) e leal (também não me parece que faça amizades com facilidade).
Percebe "Basic" a linguagem da galáxia mas não a consegue falar devido à sua estrutura vocal. Usa por isso a sua lingua mãe, o Shyriiwook (afinal não é Uóóóóóóóóó).
Tendo em conta a riqueza da mesma, quase que jurava que qualquer um de nós a podia acrescentar no CV e quem sabe concorrer a um tacho na terra dos JEDI.
Segundo a descrição da wikipedia, Chewie tem em si um pouco de urso e camelo (não bastava a voz), o que só lhe fica bem.
Agora estou a imaginar a cara do gajo (Peter Mayhew) que "interpretou" este papel depois de ler o argumento:
"George!!Epá George!! Não me lixes pá!!"
"Que foi Peter?"
"O meu personagem é um macaco de pêlo longo George!!!"
"Um Wookie Peter, é um Wookie"
"Wookie?? Mas todas as deixas são grunhidos George!!!'Tás-me a queimar pá!!!"
"Shyriiwookiano Peter, é Shyriiwookiano...uma das linguas da galáxia"
"Não é uóóóóóóó George???"
"Não Peter....é algo sofisticadíssimo!!Vais ser um sucesso!! E abraças o Harrison Ford na nave várias vezes!!"
"Bom, se é assim.....UÓÓÓÓÓÓÓÓ!!!!!!"

terça-feira, novembro 14, 2006

A recta

Se há coisa que me enerva é a "recta". Segmentos, semi, qualquer tipo de rectas.
Para mim um caderno de linhas é uma verdadeira pauta musical. A mesma frase desliza por cima e por baixo da linha como um Fá-Sol-Lá-Si-Dó, mas nunca em cima. Isso não.
Desenhar uma recta também é como trepar uma parede de "limos". Há sempre aquele momento em que o braco falha e aparece aquele "pico" na linha.
Caminhar em linha recta...bom, isso é que é uma tarefa que me põe à prova. Normalmente, quando a pessoa ao meu lado já está a raspar na tinta de areia da parede, percebo que não consigo caminhar paralelo ao passeio.
Depois há as paragens de autocarros. Estão sempre numa recta, nunca numa curva.
No meus tempos da secundária Zeca Afonso, costumava apanhar o autocarro no fim de uma recta enorme (sim Ricardo, na paragem do CorrerD'Água!).
Mal saía da casa da minha mãe já estava a ver a paragem e ainda faltava 1Km para lá chegar. Escusado será dizer que praticava diariamente a modalidade olímpica "corrida-pó-autocarro", na especialidade maratona.
É que fazer aquele "sprint" da moda e em 3 passos estar no autocarro, ainda vá...agora gramar essa pastilha como eu fazia, era como dar 2 voltas ao Jamor com 2 fardos de palha às costas (sim, não me digam que vocês não tinham aquelas mochilas de 1x1 metro bem atestadas de livrinhos para todas as disciplinas??). E na década de 90 não existia Sanex, o que deve ser encarado como muito mais do que um detalhe!
Fiquei a detestar ainda mais as rectas.
Esta manhã lembrei-me disto novamente. O frio congelava-me as rótulas e eu deslocava-me (numa recta) naquele passo caracol que me define. Ao fundo aparece o eléctrico e a história repete-se. "Merda" diz o meu íntimo, mas já era tarde. A mensagem partira 0,1 seg antes do cérebro para os joelhos que rapidamente comecaram a dobrar 4 vezes mais depressa. Peito para fora, boca em posicão de puf,puf, cacos de gelo a saltarem pela friccão das pernas e aí estava eu uma vez mais a mostrar a minha versatilidade no atletismo, desta vez nos jogos olímpicos de inverno, especialidade meio-fundo.
Qual Carl Lewis entrei no eléctrico disparado como uma seta e depois de fazer ricochete numa parede encostei-me num banco. "Puf,puf,puf...foi apertado...puf,puf,puf...irra....puf,puf,puf....mas consegui....". Encostei as costas e relaxei. Quando esperava uma curva para a esquerda apareceu uma para a direita: "Merda!", repetiu o meu ser. "Eléctrico errado!!", foi a mensagem que disparou nas minhas entranhas. Deixei-me de mariquices e parti para uma nova especialidade, o decatlo. Depois dos 200m e do meio fundo, chegavam os 3000 barreiras até à estacão de comboios. Pé no chão, computador às costas e cachecol ao vento como uma bandeira americana num filme do Clint Eastwood. A cada passada um novo salto pelos canteiros. A respiracão ofegante e o fumo da boca anunciar a passagem, tal qual "cavalo de ferro" no antigo Far-West.
Uns bons minutos depois a chegada à estacão com as solas em brasa. Ainda verificava os estragos no sanex quando um bárbaro anuncia nas colunas que o meu comboio estava a partir. Nada me honra mais do que uma boa olímpiada afinal era o espírito de Pierre de Coubertain que estava em causa.
Lancei-me na modalidade rainha e fiz os 100m em pouco mais de 10seg (o Obikwelu tem um tempo melhor mas corre de pijama e sem o pc às costas).
Uma vez mais a parede foi acolhedora e "reflectiu-me" para uma cadeira, ao lado da qual se sentava o camarada boliviano. Cheiroso, descansado e de olhos fechados perguntou-me: "Perfume novo?"



PS - sem "C cedilha" que este teclado não tem essa letra e não me apeteceu fazer "copy paste"

segunda-feira, novembro 13, 2006

Chiiiiii, é o Kaverna!!!!!

A manhã começou bem porque o calor me envolveu no acordar.
A manhã continuou bem porque a paisagem se pintou de branco para me iluminar.
A manhã promete continuar bem porque um sorriso me invadiu a cara.
Invadiu durante uma reunião e quer aqui ficar.
Ninguém contou anedotas e o assunto não era particularmente cómico.
O colega que estava ao meu lado tinha um bafo demolidor de café e isso também não me fez sorrir.
Do outro lado do telefone estava um gajo chamado Subhash Dodachikaverana. Isso já me agradou.
Ninguém percebeu o nome.
Ninguém se atreveu a repeti-lo.
Ele não se ofendeu e deve ter achado natural.
Eu aguentei-me como pude.
"Não rias, não rias...por favor não comeces a rir", dizia aquele lado responsável de mim (pequeno, pequenitoooo).
Como é que a mãe o chamaria para jantar? Era apenas isto que me interessava em toda aquela discussão. Como é que ela acabaria de dizer o nome antes da comida arrefecer?
E os amigos? Será que o chamavam Subby? Ou Chika? Talvez Kaverna?
Eu tentei. Mas não consegui...o sorriso veio e vai ficar mais uns minutos, pelo menos.

domingo, novembro 12, 2006

"UM"

Há muitos, muitos, mas mesmo muitos anos atrás, por vicissitudes (bela palavra...) da vida, costumava viajar regularmente entre Lisboa e Santa Maria (Açores). Nessa altura, tudo aquilo tinha para mim um fascínio enorme. O aeroporto, os aviões, a azáfama entre destinos, o corre-corre de última hora, as refeições a bordo (um verdadeiro luxo quando comparadas com as actuais sandochas). Por ser menor de 12 anos e viajar sozinho, a TAP fazia o favor de me pôr uma "trela" com a palavra "UM" e de me dispensar uma simpática hospedeira (sim, já sei que hoje em dia se chamam "assistentes de bordo", mas eu ainda gosto mais do outro nome e não o considero ofensivo). A "trela" não me agradava muito, mas a hospedeira 1m mais alta do que eu, abundantemente perfumada, fazia-me sentir gente grande. Os meus momentos de eleição aconteciam quando o avião dava aquele "coice" para se fazer à pista e 2h mais tarde, já perto da meia-noite, quando sobrevoava Lisboa e me encantava com a quantidade de luzes. Deve vir daí o meu fascínio por luzes (Tóquio, tenho que ir a Tóquio!!). Hoje em dia já não é bem assim. Nada me agrada mais do que viajar, mas voar é que já não exerce o mesmo fascínio. Não deixo de ir para lado nenhum e planeio tudo com entusiasmo, mas quando chega o dia de embarcar encho o cérebro de lógicas para justificar o sucesso da viagem. O meu momento preferido nos dias de hoje acontece em terra e resume-se a estar no aeroporto, a mirar atentatamente aquele enorme quadro das partidas e imaginar o sem número de destinos que consigo alcançar a partir daquele mesmo local. Enquanto escrevo isto, estou a bordo de um avião da SAS que me devolve a Gotemburgo. Deveria estar dentro de um "autocarro com asas" da Ryan Air, mas o dia foi propício em aventuras (fica para outro post e não mãe, não me aconteceu nada!) e acabei por perdê-lo...Já tinha a minha lógica mental preparada para o outro: "epá, os bilhetes são baratos mas eles não poupam na manutenção dos aviões. As cadeiras são fixas, têm mais lugares no avião, as hospedeiras ganham menos, etc,etc...mas os motores são bons e novos, etc,etc....e tudo corre bem, blá,blá". Quando perdemos o avião e fomos recambiados para outro aeroporto pensei: "Epá, agora é que vai ser, uma companhia a sério, com aviões grandes e de um país rico, de certeza que não poupam em nada....é tudo à grande, os mecânicos são altamente especializados e usam toalhetes em vez do desperdício, etc,etc". Mal entro no avião sento-me ao lado de um dos motores. Tem a palavra "Scandinavian" gravada. Começam as mensagens em catadupa: "Escandinavo pá....pertence ao governo norueguês, sueco e dinamarquês. Como é que pode correr mal? Não pode pá!!"Mal o chão começa a fugir todas as lógicas perdem o sentido. É alto, é muito alto e como diz um colega homónimo: "eu não tenho asas!!". O meu pavor com estas coisas é tal que há uns meses um amigo perguntou-me: "Então e Dublin, como foi?" ao que eu respondi: "foi porreiro, havia pouco vento, o avião não abanou, céu limpo, boa visibilidade". Ele, na sua boa vontade disse-me: "Quando eu te pergunto pela viagem, refiro-me à cidade, povo, paisagens, essas coisas e não propriamente ao percurso aéreo". Acho que foi aí que percebi que as alturas me ocupam muito espaço de "processamento". Em todo o caso, não há ponta do mundo que eu não queira ver e tenho a certeza não será o medo das alturas a impedir uma viagem. Para qualquer percurso arranjarei uma boa lógica ou então repito este exercício, o da escrita e dos pensamentos da saudade, que diga-se, são uma ajuda enorme para me alhear um pouco e tentar ultrapassar este medo. Agora que reparo nisso, já há luzes a anunciar a "Lisboa" desta noite. O tempo afinal passou rápido e o vôo foi um constante deslizar numa auto-estrada (daquelas novas sem buracos). A escrita foi a fiel companheira e ajudou a encher os minutos... ou então foi a confirmação da lógica escolhida para hoje.... ou será que a SAS tem mesmo aviões que se desviam dos buracos do ar? Queres ver que perdi o medo de voar? Luzes! Lá em baixo!! Adoro luzes!! Que bonitas são vistas daqui....

quinta-feira, novembro 09, 2006

As coisas simples da vida

Sento-me e respiro fundo.
Estico os braços e penso no que me falta fazer.
Não me quero esquecer de nenhum detalhe e tento preparar-me o melhor possível para a tarefa que me espera amanhã em Frankfurt.
De repente o calendário absorve a minha atenção. A minha mente ignora as preocupações que há 3,8 seg atrás pareciam importantes.
"Faltam 15 dias para a estreia do novo Bond" diz-me ela.
Se a mensagem vem de quem define o que é importante, quem sou para discutir?
Prioridades são prioridades.
Tenho que passar os olhos por aqui e ouvir isto agora....só aquela parte do início, o "tum-turum-tum-tum-tum...", mas tem que ser agora.

A Paloma

Ontem foi um daqueles dias que (nas 8h pagas!!) valem apenas pelo fim.
Frio na rua e suor no corpo. Nervos acumulados, incertezas de última hora e um sem número de objectivos em paralelo.
Num mundo perfeito todos estariam felizes no fim, mas não inventaram ainda esse mundo.
Assim sendo, resta o eterno bailado dos elefantes na loja da Vista Alegre, vendo quem se consegue mexer partindo o menor número possível de pratos.
Faltou apenas alguém chamado Paloma para me sentir num episódio de uma novela venezuelana.
Cintura a bailar, conversas cruzadas, interesses diferentes e a certeza de que não me mexo naturalmente nestes relacionamentos institucionais.
Gosto de dizer o que me vai na alma e abrir a boca "sem pensar". Não será a atitude mais inteligente, mas há um canal que a liga ao coração sem passar pelo cérebro. Defeito de fabrico.
O jogo: Eu vs cliente, eu vs empresa A, eu vs empresa B, empresa A vs cliente, empresa B vs cliente, empresa A vs Empresa B.
São muitas combinações para ficarmos todos a sorrir. Há boas intenções e profissionalismo qb, mas no fim sabemos que alguém vai ficar entalado ou pelo menos "partir mais pratos". Também estes movimentos são totalmente novos para mim. Não posso dizer que goste e os nervos convertidos em suor desgastaram o sanex (que diga-se, aguenta tudo e mais alguma coisa. Óptimo produto! Nervos? Sim..Odores? Não!!).
O sorriso veio no fim com alguma sensação de alívio. Ser honesto não foi o mais profissional, mas foi o mais importante para a minha consciência.
Entrei na loja de patins e passei nos corredores sem abanar a louça. Sinto-me bem. E aliviado, muito aliviado.
Como se não bastasse a minha própria novela, a GM resolveu arranjar uns episódios extra e uns gajos de salários altos resolveram dar uns gritos.
Gritos significam movimento. É preciso levantar pó do chão e circular pessoas. Fazer testes, ensaios, reuniões, beber café noutra sala, levantar folhas ou mostrar power points. Qualquer coisa serve. É a chamada estratégia do "tudo-vai-ficar-na-mesma-mas-pelo-menos-a-malta-que-ganha-como-gente-grande-percebe-que-nos-estamos-a-mexer".
Desta vez também me toca a mim e por isso vou beber um cafézinho a Frankfurt, parece que é enriquecido com cevada.
Aproveito para comprar salsichas e quem sabe umas flores :)
Até já e se for caso disso, um bom fim-de-semana.

Tiago

Ps - sim Mãe, eu telefono.