segunda-feira, setembro 25, 2006

O dilema


Fanã,
já te escrevi como Nando, mas hoje, olho para ti e surge-me esta palavra: Fanã.
Tenho um problema. Não será bem um problema, é mais um dilema e achei que tu serias a pessoa certa para me ajudar.
Ora escuta lá atentamente este relato existencial...
No início deste ano, quando resolvi mudar-me de armas e bagagens para o Iceberg, para mal dos meus pecados e vergonha dos da minha espécie, não fiquei muito preocupado com o frio, com arranjar um bom casado ou botas quentes. Para todos os acessórios pensava: "Logo me desenrasco". Mas havia um Fanã, um em especial, que me fez correr 3 lojas da TV Cabo na véspera de me vir embora. Exacto...esse mesmo, o maravilhoso e "liga-se-em-todo-o-lado" kit da TV Cabo. Pensei que podia ver os noticiários, pensei que podia 30 por uma linha, mas cá para nós, o que eu queria mesmo era ver aquelas camisolas vermelhinhas a correr de um lado para o outro.
Não será tão erudito como discutir Guernica de Picasso, não terá o encanto de uma orquestra em Viena, não será luminoso como um espectáculo na Broadway , não terá o impacto científico de discutir um James Bond com base nas leis de Newton nem tão pouco a classe de um Chardonnay com o Sena a meia luz no horizonte.
Não, nada disso. É simples, imperceptível, injustificado, ilógico, mas deixa-me contente. Compreendes Fanã? Eu gosto mesmo daquelas camisolitas, ali de um lado para o outro ou em versão erudita "aos pontapés a uma bola". Já tentei lavar-me com escova de arame, já fui ver o hoquei no gelo (ainda dizem que o boxe é violento!), já tentei fazer a terapia do "Ah, eles é que ganham o dinheiro" e nada resulta.
Sou Touro de signo, vou ao avante desde os 14 anos, o que queres que te diga Fanã? Gosto do vermelho...gosto das bandeiras no ar (com ou sem o Che), gosto de ouvir o hino do Piçarra antes de começarem os jogos, gosto de comer aquela bifana nas roulottes que circundam o estádio...falando nisso, já lá foste Fanã? São bem boas! Custam 500 paus e mal dás uma dentada ficas com a bifana toda nos dentes e o pão na mão. Cai mostarda para a camisola (vermelha), limpas com o dedo e voltas a comer, entretanto já está um gordo de bigode, todo transpirado a ver se consegue tirar uma mini e vai-se esfregando em ti. Ficas com mostarda no peito e listas de suor nas costas. Mas é o convívio entendes? É o povo que numa paixão acéfala, corre para ver o maior coxo que consigas imaginar, desde que vista a camisolinha vermelha.
Tento desta forma explicar-te algo que nem eu próprio entendo. Gosto, desde sempre e não sei porquê. Mas gosto mesmo!
E isto leva-me a outro patamar de problemas. É aqui que tu entras...
Como dizia algures lá atrás, numa loja da TV Cabo levei aquela ensaboadela de vendilhão. Dizia ele: "Como eu costumo dizer, isso é só chegar ali fora, apontar a 30 graus Oeste e já está". As propinas pagas obrigavam-me a perceber que "não era bem assim", mas o meu cérebro dizia "vermelho, vermelho, vermelho" e lá vim eu de parabólica às costas.
Agora imagina esta cena Fanã. Chego ao aeroporto e 5 colegas alemães estão à minha espera. Eu devia aparecer agasalhado e com uma mala daquelas giras, com rodinhas que dão sempre outra pinta. Mas não...desembarco com uma parabólica às costas. Não sei se estás a imaginar o cenário. Os alemães pensaram que era um escudo e perguntaram-me se também trazia espada. A brincadeirinha foi gira e tal, quebrou o gelo mas, com um bacalhau no outro ombro, um jarro de tinto, bigode e um fio de ouro, teria sido mais fácil.
Mas eu pensei: "Eles não percebem, eles não percebem...é o Glorioso e mais não sei quê".
Entretanto, na minha primeira casa (dividida com esses alemães) fiquei num quarto virado a Este...foi azar. Na segunda casa (já sozinho), fiquei virado a Norte e um pouco aborrecido. A equipa jogava bem, marcava golos, acabava os jogos com 11 (pede os vídeos...sim, sim...os gajos eram os mesmos...sim,sim...a sério..) e eu estava cá sozinho e nada de camisolas vermelhas. Passo seguinte, o amigo Google. Bastou escrever "portugueses em Gotemburgo" e dei logo com uma associação, que além de Superbock e bifanas, tinha os canais portugueses. Fiquei animado. Meti-me num taxi de um iraquiano, que me gamou no preço (mas ainda assim era mais barato do que ir ao estádio) e rapidamente cheguei a esse local, onde a média de idades rondava os 70 anos e nas paredes se anunciava "Quim Tostas" para o próximo baile. Mas havia camisolas vermelhas a bailar e isso Fanã, era tudo o que interessava.
Quando a equipa chegou longe na liga dos campeões (epá, a liga dos campeões é uma competição de clubes na europa que...olha, pede ao Shéu que ele explica-te!!), os jogos davam em qualquer bar e por isso, a troco de um Fidel Castro (só sei que tem Ginger Ale e Rum), conseguia aguentar-me uma hora e meia num bar bem perto de casa, sem gastar muito (cada cerveja são 1000 paus Fanã!!) e sem necessitar de recorrer ao velho truque: "era um copo de água, um palito e um guardanapo sff", enquanto via a bola.
Isto tudo foi antes de tu chegares. Como vês, eu mexia-me para ver 11 toscos de vermelho a correr.
Agora é que me surge o dilema. Tu apareces lá da estância de férias e deves ter dito no balneário, enquanto davas aquele irritante toque de pescoço:
"Epá...isto não tem nada que saber...é chegar ao meio campo e centrar para o Jardel. Ou o gajo saca um penalti ou a bola tabela naquela cabeça de gigantone e já está"
O problema Fanã...é que o Jardel não está por esses lados e essa malta parece perdida, não é? Eles são os mesmo que ganharam ao Liverpool (bolas Fanã...é um clube que também veste de vermelho, lá na terra dos Beatles...olha, o Chalana explica-te!!), mas agora não correm, não marcam, não esperam pelos 90 minutos para irem tomar banho...Fanã...é o que se chama: "dedo de treinador".
E agora repara nesta curiosidade do destino. Pela terceira vez mudei de casa e esta tem uma varanda virada para.....para Fanã? Exacto!! Oeste Fanã!! Aposto que todos os graus estão lá....até os mágicos 30 que preciso para te ver! Há 8 meses que esperava por isto, mas agora surge-me a inquietação.
A antena está lá parada esperando algo. Basta ligar para a TV Cabo (o que não é tão simples quanto isso, mas eu encararia como um "mais um esforço, leite??Suchard Express!!") e depois acederia a pagar 10 contos por mês (o que são 10 cervejas, 20 cafés, 20 noites de estacionamento para o carro, passe de comboio para 15 dias, etc,etc) para finalmente, no conforto do lar, ver essas reluzentes camisolas vermelhas.
Por isso diz-me, para eu não me enervar e não me arrependar mais tarde:


a) pensas tirar um "fast learning with Mourinho" no próximo mês?
b) existe a real possibilidade da equipa terminar o jogo com 11 jogadores? (o Shéu e o Chalana não contam)
c) achas que consegues perder por menos do que 2 com o Manchester?
d) rachas comigo a renda da TV Cabo?
e) importas-te de ler numa conferência de imprensa a seguinte frase? "Eu sou incompetente. Tento, mas não sei mais. É muita areia para a minha charrete!"
f) podes comprar camisas de colarinho largo, para não teres tanta falta de ar?
g) seria pedir muito que não te deixasses fotografar com este estilo de "epá, não sei, não sei!!!" ?
h) Existe a hipótese de te pirares rápido e ligeiro?


Espero que me compreendas. Eu não tenho nada contra ti, não consigo é encontrar qualquer coisa (mesmo que pequena) a favor.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Em roma, sê romano

Bolas...nem dei pelo tempo passar!!
Já são quase 4h e ainda estou aqui. Ai, ai, ai...quando é que eu deixo de trabalhar até tarde???
Deixo-vos com o mais recente sucesso nestas paragens. Malta nova, som electrónico, penteados giros. Enfim, são as novas tendências..."diz" que são bons!

Bom fim-de-semana.

A língua

"O Tiago tem sempre a resposta na ponta da língua", dizia a professora que me mostrou pela primeira vez uma régua Molin de 50cm, algures na 3ä classe.
Ela não se referia às respostas sobre o conteúdo do programa de ensino, mas às respostas (tipo..."nhanhanhanha") que eu não conseguia conter.
Na altura pensei que isto fosse um elogio. 20 anos depois percebi que não.
Essa professora, que diariamente me dava boleia para a escola e cujo nome infelizmente não me recordo (o que me fica bastante mal diga-se, mas tive uma diferente em cada ano), deve ter dito ao meu pai:
- "Já reparou como o seu filho responde tão rápido, principalmente se for uma assunto extra-programa?"
...e mais tarde ao marido:
- "Chato...e irritante!!!Hiiii que miúdo chatooo!!"
Ela tinha razão e os anos seguintes provaram a sua sábia tese.
Não há nada que eu goste mais do que falar. Não suporto o silêncio.
Eu sou aquela pessoa que engole sem mastigar para não perder minutos de conversa.
Os meus familiares acompanharam o meu crescimento com o seguinte espírito:
2 anos - "Que giro, diz tantas palavras!"
6 anos - "Que engraçado, até já manifesta opinião"
8 anos - "Fala tanto. É sempre assim?"
10 anos - "Chatinho, é um bocadinho chatinho"
12 anos - "Onde é que se desliga?"
De quem terei apanhado isto? Penso eu tantas vezes...
Desconfio sempre do meu pai. Ele fala pelos cotovelos, mas é mais paciente. Lembro-me que nos nossos pequenos almoços de fim-de-semana, nas alturas em que os 4 falávamos aos mesmo tempo, tentámos instaurar uma assembleia democrática e nesse contexto cada um colocava o braço no ar, esperando a sua vez de falar. Os temas em discussão eram sempre apaixonantes (para mim pelo menos) e para ser sincero, ficava pior que estragado quando não conseguia falar. Já o meu pai esperava em silêncio repetindo de 5 em 5 min ao "presidente da mesa": "já chegou a minha vez?" . Normalmente a resposta era "não", mas quando a vez dele chegava, 30 min no mínimo estavam garantidos. Falava, falava, falava...mas mastigava e não parecia tão sôfrego como eu.
Para mim, a pena capital é queimar a lingua ou meter muita comida na boca.
Divido as pessoas em dois grupos. Aquelas com que consigo almoçar sozinho e as do grupo "pois é".
Com as primeiras a coisa corre assim:
Eu: "blablablablablablablablabla"
Ele/Ela: "blablablablablablablabla"
Eu: "Ah sim?"
Ele/Ela: "Sim e blablablablablablablabla"
Eu: "Isso quer dizer que blablablablablablablabla"
Ele/Ela: "Exacto e foi por isso que eu blablablabla"
...e por aí fora durante horas.
Com as segundas:
Eu: "blablablablablablablablabla"
Ele/Ela: "Pois é..."
Eu: "Mas não achas que blablablablablabla"
Ele/Ela: "É a vida..."
Eu: "(...)"
Ele/Ela: "Então e o nosso benfica??"
Eu: "Olha, lembrei-me agora que tenho que ir para Cacilhas a nado. Manda-me um mail para combinarmos algo, ok?"


No entanto, apesar de simpatizar mais com almas tagarelas como eu, a verdade é que não podem ultrapassar determinado limite, senão vão parar ao grupo "pois é" porque não as consigo ouvir.
Eu acho que é preciso ter uma lata fenomenal...ser chato e não querer aturar chatos. Mas é a verdade e quem diz a verdade não merece castigo.

Bicicletas na rua (espero eu)

Ora aí está uma iniciativa que me apraz saudar e desejar que se multiplique por 365.

Afirmação/pergunta do dia

LFVieira: "Em 2011 seremos um colosso europeu!"

Tiago: "E esta noite??"

quinta-feira, setembro 21, 2006

E agora pai?

Com 3 IKEAS em Lisboa como é que te vais desenrascar?

"Nice, very nice"

Um colega faz amanhã 50 anos.
É simpático, educado, dos poucos que não tira comida dos dentes e mede, sem exagero, 3 metros e meio.
Segundo as regras da empresa, qualquer empregado tem o direito de folga no seu 50ö aniversário, pelo que o departamento resolveu promover um almoço de convívio na véspera. Hoje.
Acabo de chegar de lá.
É impressionante como um simples almoço pode ser uma mistura de Circo Chen com o Avante.
Começo pelo fim.
Não há "parabéns a você, nesta data querida...lálálálá". Levantam-se e em uníssono cantam algo parecido com "Avante camarada, avante...junta a tua à minha voz". Não percebi a letra, mas a música agradou-me. No fim fazem um grito viking que me soou a :"Hurra, Hurra, Hurra, Hurra, Hurra" e por momentos pensei que fossem invadir a mesa vizinha e sequestrar todas as doses de alfafa com molho.
Quando me aproximei da mesa, reparei que ao meu lado estava sentado o gajo mais estranho que habita neste quilómetro quadrado. Para quem viu o filme "melhor é impossível", onde o J.Nicholson interpretava uma daquelas pessoas que mete os pés só em determinados quadrados do passeio enquanto se deslocam (sempre os queria ver num passeio de calçada portuguesa), é exactamente um desse clube que estava ao meu lado.
Só que ele não o faz apenas com os pés. Faz com tudo.
Tenho que fazer um parêntesis...
(...)
Já tinha reparado, que no refeitório ele demorava mais ou menos 2 horas a almoçar, dividindo o tempo da seguinte forma:
- olhar para o menu (10 min)
- no buffet da salada, meter a colher na taça da cenoura raspada e tirá-la ainda vazia. Repetir esta acção 5 vezes. (5 min)
- olhar para a sala e escolher uma mesa (5 min)
- deslocar-se até essa mesa (10 min)
- uma vez na mesa, puxar a cadeira e olhar para ela. Não sentar...apenas olhar. (10 min)
- uma vez sentado, ajeitar o garfo e a faca, raspando-os um no outro. Ajeitar também o prato, o copo, o guardanapo e a boca. (5 min)
- com tudo aparentemente pronto para comer, inicia-se a minha parte preferida. Ajeita a cadeira e anda com ela para trás a para a frente até estar bem encaixado (10 min)
- enche um garfo de comida, levanta-o e olha para ele. Despeja alguma de volta para o prato. Repete isto 3 vezes e com o garfo praticamente só com inox, coloca-o na boca. (5 min)
- repete este processo 157 (a diferentes velocidades) vezes e vê o fundo do prato.(60 min)
- levanta o guardanapo e olha para ele. Limpa a boca de um lado para o outro e volta a olhar. Repete isto 7 vezes e com a boca bem limpa, levanta-se dando por concluída a refeição. (10 min)
(...)
Voltando ao assunto....
Estava este personagem a encher o prato à minha frente e eu preocupado. Só tínhamos 1h para comer. Ele nem ia conseguir chegar a sentar-se...
Depois, queria aguentar-me sem rir. Manter a pose de estado. Mas nestas coisas, quanto mais me seguro, pior é. Aguentei na salada, aguentei nos talheres, mas quando ele começou a balançar a cadeira, um suor frio percorreu-me a espinha e soltei uns sorrisos idiotas. Arranjei uma tanga qualquer para não parecer mal....aiiiii, este gajo dá-me cabo da pose de "gentleman".
Entretanto, a mesa encheu-se de silêncio. Não brincam em serviço quando toca a dar ao dente. Eu não suporto silêncio numa mesa, mas não sabendo a língua não conseguia quebrá-lo. Em todo o caso, esse problema não existiu. De garfo em riste (apenas garfo, não há cá mariquices de facas!!), começaram violentamente a castigar os pratos, fazendo-os gritar até à exaustão. Foi um autêntico recital de louça, um star wars sem jedis, um combate de INOX versus IKEA. Todos riscados e em chamas, os pratos agradeceram quando ficaram vazios.

Eu tenho o péssimo defeito de comer depressa. Sei disso.
Senti-me um pouco melhor hoje. Fui o penúltimo a terminar (o gajo do lado ainda estava a mirar o garfo) e perto deles parecia que tinha crescido na corte de Luis XV. O viking que se sentou à minha frente não demorou mais do que 2 minutos a levantar a cabeça (sinal que já acabou de comer), mas ao olhar para ele percebi que não estava totalmente satisfeito. A cereja, faltava a cereja.
Eis senão, quando coloca o dedo na boca e com algum custo retira umas boas gramas de carne de porco. Satisfeito, olhou para elas e sorveu-as como se não existisse amanhã. Agora sim, estava a refeição concluida.
Já perfeitamente controlado e com os sorrisinhos parvos guardados na gaveta, resolveram fazer circular na mesa a prenda que o departamento havia comprado.
Era uma belo fio de prata. Grosso, bem grosso e reluzente. Já tinha visto barcos presos com fios mais finos. Voltei a fazer das tripas coração e deixei apenas 3 dentes de fora, segurando os outros, enquanto dizia : "Nice...very nice".

A equipa

Gosto sempre de trabalhar em equipa.
Todos pensam, todos mexem, todos ajudam. É este o conceito.
Noutros tempos, digo-o com alguma vergonha, não fui um bom "trabalhador de equipa". Queria era "despachar-despachar" e ver o resultado final pronto. Toda a envolvente que conduz ao fundo do túnel, era para mim um acessório.
Pobre Rui, que ainda sofreste umas amarguras com aqueles circuitos malfadados...
Mais tarde, azares e azelhices depois, acabei por ter que trabalhar sozinho e isso ensinou-me a ligar mais ao tal túnel.
Dizia um professor meu: "1 é pouco, 2 são bons, 3 já são uma manifestação! "
O terceiro elemento era apelidado como o "gajo que tirava cafés". Ou seja, não contribuia nada para o trabalho em causa.
Esta conversa vem a propósito da minha actual situação. Trabalho com uma colega, que supostamente me deve "educar" nos projectos que agora realiza, para que passem para minha responsabilidade. Ao mesmo tempo, devemos criar novas soluções para tarefas que devem ser realizadas já.
É simpática, muito disponível e bastante atenciosa, esta minha colega. O único problema é que parece não querer usar o cérebro.
É normal estarmos de volta de um problema, "em busca do bug perdido" e eu não a vejo pensar, tentar, mexer, executar...sei lá, inventar!!!
Quieta, de braços cruzados, vai falando sobre coisas do quotidiano, vai falando com outras pessoas e de vez em quando pergunta-me "porque não está a funcionar?". Além de ter pouca paciência para falhas (enervam-me coisas que não funcionam à primeira), ainda tenho menos paciência para sorrir e ser simpático com conversa de chacha e de ocasião tipo: "Ah, sabes? Não está a funcionar porque eu tenho um gozo enorme a procurar falhas enquanto tu fazes perguntas estúpidas!! E que tal se desligasses um fio qualquer sem eu ver para me divertir um pouco mais?? Ahn, que tal??"
O meu chefe quer e acha que trabalhamos em conjunto.
Agora, estava na bancada de testes com ela, pior que estragado porque um sistema que ontem funcionava, hoje no meio daquela salganhada de fios já não funciona. Enquanto praguejava em português para me descontrair, ela dizia: "Mas o que será??" e olhava para o lado para falar sobre Badminton com um gajo de 2,5 metros.
Chega o meu chefe, que num ar muito aflito me diz: "Desculpa lá Tiago, mas preciso da colega por uma hora para outra tarefa. Estás por tua conta!"
Epá...chefinho, isso é que não!! E agora como é que me desenrasco?? Eu não sei onde é que fica a máquina de café!!!Chefeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!

Globalização?

Vasaplatsen, Gotemburgo (20/09/06)

Bombas, bombas, bombas.
Em aviões, em carros, em edifícios, em todo o lado.
Quando era pequeno esses relatos apareciam mais espaçados (ou pelo menos eu não ligava tanto). ETA era quase sempre o nome associado. Para quem cresceu em Portugal nos anos 80/90, acho que era essa a noção que tinha de terrorismo. Entretanto cresci e o conceito também. Talvez eu esteja mais atento, talvez os problemas se multipliquem, talvez o mundo multi-cultural seja mesmo uma utopia, mas nomes como Bagdad, Cabul, Damasco, Beirute, Istambul, Tchetchénia, Egipto, Indonésia, Belfast e outros que tal, passaram a figurar nos alinhamentos dos telejornais pelas mesmas razões. Bombas, bombas e mais bombas.
Com a recente crise do Iraque a coisa tomou proporções de banalidade. Todos os dias mais não sei quantas bombas, mais não sei quantos mortos...passam a ser números, apenas isso. Fica a sensação de distância, de indiferença, de que estamos noutro planeta. Em Portugal ouvia vária vezes (e repetia interiormente): "somos pobres e terceiro-mundistas, mas não nos metemos em confusões". É verdade. Quase um pequeno paraíso, pelo menos nesse aspecto.
Eu confesso que a onda crescente de violência me faz pensar em mais 1000 coisas que nunca havia pensado. Escolho a dedo as companhias de aviação que utilizo, escolho os meus destinos de férias evitando aqueles que algures no tempo tiveram bombas (adorava ir a Istambul, mas tenho medo), escolhi os países para onde mandei CV's de acordo com o apoio dado ou não à invasão do Iraque (o que colocou cidades como Londres ou NY de parte) e dou por mim em infinitas paranóias, como se conseguisse prever onde estou ou não seguro.
Sempre me senti seguro em Portugal e procurei a mesma sensação uma vez afastado. Fiquei com alguns receios no nosso país, depois do idiota do "José Barroso" servir champanhe aos amigos Toni, Jorge e Aznar na base das lajes, mas sempre achei que os gajos da Al-Qaeda pudessem (como a maioria do mundo) pensar que Portugal era uma província de Espanha e talvez rebentar qualquer coisa em Madrid.
Quando vim para aqui sabia que a Suécia tinha aberto as portas à emigração, muito mais do que qualquer outro país escandinavo. Um exemplo: no fim da guerra do Kosovo a Suécia acolheu 80000 Kosovares enquanto a Finlândia recebeu 8.
Nas grandes cidades existem gangs de chilenos, albaneses, sírios e por aí fora. Há associações criminosas ao estilo Vito Corleone (uma delas chama-se "Bandidos") que "oferecem protecção" e quem não pagar...tem o destino traçado. Imagino que esta seja a realidade de qualquer sítio multi-cultural, onde vivem pessoas que se integram e contribuem para a sociedade e outras que nem por isso.
Neste últimos dois dias rebentaram dois carros armadilhados em Gotemburgo. O primeiro, em Hisigen, nos subúrbios da cidade. Uma zona onde vivem muitos portugueses, dada a proximidade com uma das fábricas da Volvo. A outra, rebentou ontem na "Vasaplatsen", mesmo no centro da cidade.
Vejo-a da janela e passo por lá pelo menos duas vezes por dia.
Ninguém sabe bem a razão destes atentados, mas desconfiam (os jornais) que os "bandidos" estão na origem dos mesmos. Vinganças por depoimentos em tribunal, pagamentos não efectuados, rivalidades entre gangs são as hipóteses que a imprensa de hoje noticia.
Para mim, que voltei a passar lá hoje, que não devo nada a ninguém e que estou a descontar para o governo sueco, ecoa-me no cérebro a seguinte questão: existe algum canto do mundo onde possa estar descansado?

quarta-feira, setembro 20, 2006

A data

Calha hoje. Assim, como quem não quer a coisa, no meio da semana.
Tudo bem, eu não sou esquisito.
De improviso e com imaginação, criaremos o tempo e a habitual boa disposição.
Com sorrisos.
Os mesmos que preenchem todos os dias.
Algo verde no prato e um bom José de Sousa a acompanhar.
Uma vela, uma melodia e as luzes da cidade a preencherem a noite da janela.
Por fim, os dois. Apenas isso.
Parabéns.

Um pequeno susto (pelo menos para mim)

O Flash Gordon apareceu sem avisar. Ontem era suposto ser no grupo central, esta manhã descubro que foi no oriental, exactamente em Sma.
Electricidade cortada, linhas telefónicas sem vida e um aperto no coração.
A distância, as horas de espera, a impossibilidade de me mexer...ahhhhh...como destesto isso!!
Veio a luz, veio o sinal telefónico, veio a voz.
Estão todos bem. Assim sim, isso é que é falar !
A Mariana está a dormir, as telhas aguentaram-se e o Flash parece que vai agora chatear os Galegos.
Chato este Gordon...

A t-shirt

7 anos depois de estar a viver sozinho (ou pelo menos fora da casa de um dos meus progenitores) o momento chegou.
Foi ontem, por volta das 8 da noite que a minha vida mudou.
De repente, anos e anos de rugas, vincos e deformações texteis ficaram para trás das costas. Até esse momento, eu era um "jovem descontraído" como gosto de pensar..."mal vestido e amarrotado" como outros olhos me observavam.
Acabou-se aquele "bater-de-t-shirt-ainda-molhada-para-ficar-esticadinha", acabaram-se as bocas matinais "olha lá, foi o cão que rebolou em cima dessa camisa??", acabaram os vincos da t-shirt a simular um tabuleiro de xadrez nas costas, acabaram-se as espreitadelas para o espelho e consequente mensagem interior: "epá, desta vez não ficou assim tão mau" ou "bolas, tenho quase 30 anos...quando é que começo a passar a ferro??"
Destemido entrei na cave do prédio, onde estão as máquinas de lavar e secar roupa. Aí encontrei um cilindro, não mais do que 1m de compimento, uma cadeira e um pedal.
Excluída que estava a hipótese de ser um rolo compressor para asfaltar estradas, tentei colocar lá uma camisola.
Carreguei no pedal e como que por magia, 5 seg depois, recebia-a num estado que ela própria desconhecia desde aquele fatídico dia em que a desembrulhei na loja.
Tinha descoberto o último grito da tecnologia no mundo da engomadoria, desenvolvido em segredo por 5 gajos de metro e meio, algures entre Osaka e Okinawa, em exclusivo absoluto para aquela cave que tudo transformou.
Não queria acreditar...1 pedal, 1 cadeira e um cilindro quente. O paraíso ali ao virar da esquina. Sentia-me como Indiana Jones no momento em que percebeu que o cálice do carpinteiro tinha que ser de madeira, o que não é menos brilhante.
Uma força apoderou-se de mim e comecei a passar todas as minhas t-shirts, como se estivesse numa linha de montagem.
(...)
48 seg depois, tinha um saco cheio de roupa passadinha a ferro.
Orgulhosamente, vesti uma dessas obras de arte esta manhã....tudo foi diferente!
Abri o casaco e por entre o frio matinal que se fazia sentir, exibi a minha lisa e imaculada t-shirt.
Os bárbaros, ofuscados por tal brilho comentavam:


- Ericsson: "Já viste aquele gajo?? Com este frio...será doido??"
- Gustavsson: "Mas reparaste naquela t-shirt sem vincos?"
- Carlsson: "Terá usado ferro?"
- CáJósson: "Huummm....algo tão perfeito....parece que usou um cilindro!!"
- Todos - CáJósson: "Ahahahah...toda a gente sabe que não existe essa tecnologia no mundo da engomadoria!!!"

O cilindro será o meu Santo Graal e aquela cave o Templo Perdido. (isso fará do meu pai o Sean Connery??)
Hoje tenho reunião de avaliação com o meu chefe sueco.
Nada pode correr mal. Estou confiante e gosto de mim. Não bebi "matinal" mas passei a T-shirt.

"Não"...não sabemos o quê, mas "Não"!!

Ontem lia um artigo do Sousa Tavares no Expresso sobre os professores.
Confesso que esta é uma "classe" que normalmente me enerva um pouco. Continuo a achar que é a profissão mais importante do mundo, afinal têm sobre os ombros a responsabilidade de educar o "futuro do país", mas assumem posições (ou os seus sindicatos assumem) que não os dignificam.
A ministra da educação quer avaliar os professores e fazê-los evoluir na carreira por mérito e não porque estão vivos. Acabar com o clássico "antiguidade é um posto". Parece-me uma boa ideia.
Como em qualquer sector (que não público), tenta-se premiar quem mais faz. Há uma base, um "mínimo social garantido" para todos, mas a partir daí separa-se o "trigo do joio" e cria-se desenvolvimento. Tem lógica e adequa-se no tempo.
O que dizem os sindicatos? Não, não e não! Nota-se que os sindicatos dos professores não são parceiros sociais, não procuram evoluções para a classe, não entram no séc.XXI. Limitam-se a "contestar por contestar" e tentar não perder cada um dos previlégios idiotas que o estado novo lhes conferiu.
Estas atitudes só descredibilizam o movimento sindical e fazem-nos parecer um grupo de marretas. O slogan é: "chupar, chupar, chupar... contra o trabalho, marchar, marchar, marchar!"
Há problemas de carreira, há instabilidade profissional, há insegurança nas escolas...queixem-se disso!! Agora, querer o "emprego para a vida", sem fazerem nada por isso...tenham lá paciência, mas o saco dos contribuintes não é azul e tem fundo.

terça-feira, setembro 19, 2006

Ayatollah, diz-me cá...


Depois de ler isto, gostaria de dizer o seguinte:


Há uns meses atrás, um desgraçado qualquer resolveu caricaturar o Maomé. Turbantes, bombas e umas pinceladas de cor e parou tudo.
Aqui "del' Rei", protestos por todo o lado, bandeiras dinamarquesas queimadas, ameças de atentados, jihad, guerra santa, blá,blá...entretanto passou.
Agora o papa, sobre quem recai o dogma da verdade absoluta (inventam com cada uma...), leu a uns estudantes universitários um discurso mediaval (é importante que se note: Medieval) onde alguém dizia que o Maomé trazia coisas más e tentava passar as palavras pela força da espada. É um discurso medieval e pouco importa saber o contexto em que foi dito. A liberdade de expressão significa falar ou opinar, sobre todo e qualquer assunto (sim, todo e qualquer inclui o Maomé, está bem Ayatollah?). Mas o que é que acontece? Toca de vir para a rua queimar mais umas bandeiras (da Alemanha no caso), proclamar "a gota de água" para a guerra santa e misturar cartoons e baboseiras que o papa diz, com assuntos realmente sérios como a invasão do Iraque ou do Afeganistão.
Tudo serve de desculpa para virem para a rua gritar, dar tiros, fazer fogo e armar confusão. Seja um desenho, uma leitura de algo escrito há séculos ou qualquer referência que não agrade ao profeta. Existem razões de queixa, existem povos oprimidos, existem ocupações ilegais, existem interesses sujos, existem jogos políticos e existem inocentes a morrer.
Agora, meter tudo isso no saco da Jihad, sempre que alguém fala do Maomé...tem lá paciência ó Ayatollah!!
Vocês não fazem nada da vida pá? Não se levantam cedo para ir trabalhar? Vão sempre com as roupas a cheirar a fumo? Cada um dos fiéis tem um "set" de bandeiras com um exemplar de cada país europeu e 100 dos EUA (têm mais saída...) para queimar mal alguém diga que o Maomé cheirava mal dos pés?
Não há paciência....com tantos problemas graves que afectam os povos do médio oriente, parecem mais preocupados com o "acessório" do que com o "real".
Ayatollah...tem lá juízo e diz a essa malta que pare com as churrascadas na via pública. O fumo entra nos cobertores que tens sempre nas costas e depois dá mau aspecto, ires trabalhar com aquele cheiro a chamusca.
Não queres que o teu patrão pense que andas na sardinhada durante o almoço, ou queres?

"Helloooo, my name is K. and I was born in the state of Alabaaaaaaaaaaama"


















Acho piada a conferências...tele, video, lata-com-fio, sinais de fumo ou qualquer outra versão, mas conferência. Juntamo-nos para discutir "o" assunto. Normalmente, quando não sou eu que tenho que falar ou "puxar a carroça", abro uma porta secreta e entro num mundo paralelo chamado "detalhes". Começo a imaginar sem limites e isso sim, é que me dá um real prazer...
Ontem, video-conferência entre Espanha, Suécia, EUA e Índia. Os americanos falavam. Os restantes ouviam e colocavam questões. Uma "rodinha" pelos 3 continentes para as apresentações:

- "Olá, sou o B. e estou aqui com a K., vamos apresentar-vos esta maravilha da tecnologia e tentar impingir este SW que talvez nunca usem na vida, que vos custará 10 vezes o preço de mercado e que aumentará o crescente buraco financeiro da vossa empresa, permitindo um encaixe fabuloso para a nossa empresa. Falarei sempre neste tom monocórdico e com a boca cheia de Big-Macs, parecendo que estou a fazer um grande frete."

- "Olá somos o Z,X e Y, trabalhamos com o sistema blá blá, na equipa nheca-nheca e sentamo-nos neste cubo de gelo cá em cima" (3 min)

- "Olá....xirbirixirbirixirbiriirbiri...e......xirbirixiririxirbiri....in India" (10 seg)

- "Hola! Pablo, Espana, Olé!!" (5 seg)

Terminada esta parte, os americanos começaram com 40 minutos de blá-blá-blá, permitindo-me uma divagação sem precedentes. Comecei por pensar na evolução das comunicações. Quer dizer...são milhares de quilómetros de distância física juntos numa pequena caixinha. Basta um "click" e "voilá". Faz-me pensar o que ainda se poderá fazer. Muito, estou certo, já que o Homem não pára de evoluir.
O B. falava sem respirar. Num tom monocórdico, inglês sem sotaque e com volume bastante baixo, como se estivéssemos de facto na mesma sala. Parecia chateado. Falava de forma enfadonha, como se para ele tudo fosse uma chatice. Fazia-me lembrar o Ribeiro e Castro, mas sem aquele tique de sorver a baba.
O ambiente estava criado. Faltava apenas a música do Vitinho (eu era um miúdo nos anos 80) para a minha cabeça se recostar, os olhos fecharem e a boca deixar cair 2 a 3 pingos de baba. A minha colega sueca (que não cresceu com o Vitinho), não exigiu tantos pré-requisitos e foi directa para a sorna.
Tudo parecia bem, mas de vez em quando, no meio daquela melancolia alguém fazia uma pergunta....e aí meus amigos, aí era o fim da soneca. Entrava em acção a K., que pelos vistos era a "que mexia na massa" e estava por dentro dos detalhes técnicos. O volume aumentava uns bons 80db, a voz monocórdica era substituída por uma de "cana rachada" (tipo Fran Duscher da "Nanny") e o sotaque citadino dava lugar a algo da Georgia, Virginia, Alabama ou Texas.
"If you need that formaaaaaaaaat" dizia ela aos berros e arrastando o fim da frase. Aquele sotaque, fez-me imaginar uma infância passada entre os "rodeos" do Texas e "apple pie" feita pela avó na "sweet home Alabááááááma"!!
Acabara o descanso. "Como deixam uma voz destas aproximar-se de qualquer coisa que emita som???", perguntava o meu cérebro. Limitava-me a pedir (já que não consigo rezar) a qualquer entidade divina que ninguém fizesse perguntas. Mas sempre que o B. nos começava a "embalar" lá vinha um "qué-frô":
"Just-a-small-question : xiribirixiribibibiiririxiribiri and xiribirixiribirixiribiri ??" (3 seg)
Ninguém percebia puto. Era impossível perceber aquelas letras unidas sem periodos de respiração. Ah...mas a K. tinha um descodificador de "xiribiri" e os decibéis voltavam de imediato para os níveis de aviso de Tsunami. Foi uma desgraça até ao fim. A comunicação não era "cristalina", mal se percebia o que todos os participantes diziam (ainda bem que o espanhol ficou sempre calado!) e aquela voz ( prova final que deus não existe!) que me provocará pesadelos por 2 semanas, não deixou que o descanso voltasse àquela sala.
A minha colega até saiu com olheiras, tal foi a dificuldade em atingir um sono profundo.

segunda-feira, setembro 18, 2006

O caracol

Sinto-me como se tivesse carragado baldes de massa durante o fim-de-semana...
Saco, saquinho, sacão...mala, malinha, malão. "Tinha ideia que não era tanta coisa!", teimava o meu cérebro em afirmar.
Empacota, carrega, limpa...descarrega, desempacota, limpa. Foi esta a sequência mágica que nos fez chegar à noite de domingo completamente de "rastos".
Entre alguns "brindes lúdicos e com folhos" que o senhorio fez o favor de lá deixar, instalámo-nos e fizemos o reconhecimento do novo espaço. Mais metros (o que significa mais tempo de aspirador nas mãos), mais gavetas (que aposto que na altura da próxima mudança estarão cheias de coisas que aparecem não sei de onde), mas sobretudo mais conforto. Essa é a parte boa.
Na parte do "desempacota" ia aproveitando para dar um olho na tv. Ontem foi dia de eleições na Suécia. Não havia Manuela Moura Guedes a gritar, Pacheco Pereira a filosofar ou M. Sousa Tavares a cascar, o que dificultou a "leitura" dos resultados, mas os clássicos gráficos das percentagens ajudaram!
Ao que parece, a esquerda no poder desde 94, foi derrotada pela aliança de direita. O slogan máximo destes era baixar os impostos. Nos últimos 70 anos, só por 9 anos a esquerda não esteve no poder e, segundo rezam as más linguas, no último mandato da direita (90-94), a dívida externa triplicou num valor semelhante ao que o país acumulou em toda a sua história. Desde então (94) aumentaram os impostos para compensar esta dívida externa, que entretanto se tornou quase insignificante. Os líderes da direita vencedora são fiéis seguidores de Bush e mais conservadores em relação aos emigrantes. De qualquer forma, uma mudança no poder é sempre benéfica e evita a multiplicação de "vícios".
Veremos daqui a 4 anos.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Estava lá e vi

Grande concerto, grande voz, grande presença em palco!
Fillho de peixe NORMALMENTE sabe nadar...neste caso poucas dúvidas restam. Certo?

"Vou por aí às escondidas a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"

Quando o meu chefe alemão (o que me paga!) se reuniu com o meu chefe sueco (o que me controla) em Fevereiro deste ano, apresentaram-me aquele que seria o meu horário de trabalho.
- O máximo: das 6 da manhã às 8 da noite, ao que eu interiormente respondi..."sim, sim... é mesmo disso que venho à procura!!"
- O normal: das 8 da manhã às 16:30h e que me pareceu "jeitoso".
- O mínimo-obrigatório-sem-recurso-a-tretas: das 9h às 14.30h que o meu cérebro assimilou como ideal, mas a vergonha normalmente não me deixa cumprir.
Dito isto...
(....)
Hoje, às 8.40h estava calmamente a sentir a água quente nos ombros. Estava atrasado, muito, muito atrasado, mas ainda assim descontraído. A água quente, provoca em mim a sensação de que o tempo parou. Sei que estou atrasado, sei que aquele duche deve demorar entre 30 a 40 seg., mas acho sempre que esses segundos dão para passar sabão e pensar. Depois, embalado com a água nos dois ombros vou pensando, pensando, pensando. Atraso-me mais, mais e mais, mas aqueles minutos largos (no entanto segundos no meu mundo) permitem-me divagar sobre as mais variadas coisas, pessoas, palavras, gestos, locais, etc. Hoje lembrei-me desta coisa da "blogosfera". Quando há pouco mais de 2 meses o Rui me sugeriu a criação de um blog, confesso que mal sabia o que era. Nunca tinha visto um, não percebia a utilidade e não fazia ideia o que fazer com ele. Gostava de escrever, era a única coisa que ao longe encaixava. Dois meses depois, percebo o esquema. Partilham-se ideias, pensamentos, convicções, musicas, imagens, situações e tudo o mais do nosso quotidiano. No entanto, o que me deixa realmente surpreendido são os "laços virtuais". Pensava usar o meu blog como um espaço de partilha com familiares ou amigos, que esta aventura me fez deixar geográficamente mais longe. Pessoas que me conhecem desde sempre ou há muito tempo. O que não esperava era "virtualmente" adquirir novas simpatias. Nunca foi muito o meu género.
De blog em blog, é normal encontrar histórias interessantes e não raras vezes, textos fantásticos de índole político-social ou humorísticos do dia-a-dia (tipo Seinfeld), os que mais procuro. Já dei por mim a comentar a história de A, B ou C, como se de uma novela se tratasse. Se um blog reflecte o estado de espírito, os pensamentos ou os ideais de quem lá escreve, parece-me natural que se crie uma certa simpatia (ou não) com o autor das palavras. As linhas reflectem quem as escreve e ao lê-las, fico com a sensação que vou conhecendo um pouco mais dessa pessoa. Aparências que desconheço (embora algumas coloquem fotografias :)) e que me fazem imaginar cada detalhe dos seus relatos. De repente, sem dar por isso, sinto-me próximo. Como se de um "laço virtual" se tratasse, como se fossem várias personagens que simplesmente imagino e que de uma forma ou de outra, acabam por fazer parte do meu quotidiano. Acho isto curioso. Tudo começou porque gostava de escrever e sem dar por isso, leio vários "morangos com açucar" e "até amanhã camaradas" ao mesmo tempo. Até aposto que em Dezembro, algures no Colombo a correr em busca dos presentes perdidos, me vou cruzar com alguns sem que no entanto o perceba. Não há rosto, cheiro ou toque. São palavras, apenas palavras que apelam ao imaginário. É essa a riqueza.

Uuuh, excuse me mister, have you seen my mother?

Bom dia!
(Obrigado Xana :))

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Mestre Zé

Liguei, liguei, liguei...mas não atendeste.
Eu sei. É dia de festa e deves tê-lo passado entre o queque de laranja e o néctar de uva, com os amigos do "forrobodó". Tudo bem.
Mas repara, passaram 79 anos desde o dia em que nasceste "lá onde o Sol queima mais" e gostava de te ter felicitado por isso. Além do mais, sabe sempre bem ouvir o teu típico sorriso "sã sã sã" que para mim é a tua imagem de marca, de e para sempre.
Espero que estejas descansadinho a dormir e que tenhas passado este dia da melhor forma possível.
Muitos parabéns pelos teus 79 anitos vôvô!
Saudades.

Tiago

A surpresa

Tinha pensado esta tarde dar um salto ao banco, às finanças, à emigração e a todos os sítios onde legalmente por uma ou outra razão a minha morada aparece, para a alterar. De senha em senha, estava a prever uma tarde de burocracias e filas de espera, em vários balcões.
Pedi ajuda a uma colega, que me informou da oitava maravilha do mundo.
Existe uma instituição pública que se dedica apenas a este assunto. Por internet ou telefone, dizemos qual é o nosso número de identificação (BI local), a morada actual e aquela para onde pretendemos mudar. Eles encarregam-se de informar todas as restantes intituições legais e durante 1 ano (opcional) reencaminham todo o correio que vá parar à morada antiga.
Demorou 5 minutos e nem tive que me levantar daqui.
Ainda estou de boca aberta com a facilidade da acção e com a articulação entre instituições que o permite.
Assim vale a pena pagar impostos...

Hoje



Não estou aqui. Não sei onde estou, mas sei que não estou aqui.
Algures na minha nuvem, distante, muito distante, observo tudo em redor.
Há silêncio, há paz, há harmonia. Agrada-me...sinceramente agrada-me.
Olho em volta e vejo luzes, fios, multímetros, osciloscópios, componentes eléctricos e toda uma panóplia de coisas que em conjunto formam "tecnologia".
Há a sensação de trabalho. Tudo se imagina, tudo se cria, tudo se transforma.
Mas não para mim...hoje não.
O cérebro pede descanso, o corpo pede uma cama. Estas dores de cabeça...estas malditas dores de cabeça que cresceram comigo e provavelmente nunca me largarão, exigem outro pano de fundo.
Apetece-me descansar. Está quase, eu sei que está quase.
Até já.

quarta-feira, setembro 13, 2006

1,5 horas depois...

Nando, Nando, Nando...como te direi?
Consegues ser o pior barrete desde o Santana.
Ora repara no que os meus olhos pouco dados a estatísticas repararam:
- 1º remate à baliza aos 60 minutos de jogo
- 2º jogo oficial, inicio de época, equipa cansada, Copenhaga com muitos mais jogos nas pernas, blá, blá.... e 1ª substituição aos 80 minutos!
- 3 remates em todo o jogo
- número de jogadas com principio, meio e fim = 0
- metade da equipa não percebeu que o Quim não era o único gajo de luvas em campo e corria para o lado errado
- a outra metade (com destaque para o Alcides) não conseguiu parar uma bola e deixá-la num raio de 5m (parecem tábuas!)
- aos 70 minutos de jogo já jogavam à "rabia" para perder tempo (pensavas que do outro lado estava o Barcelona??)

Nando, diz-me, o que é que tu andas aí a fazer pá?
Como é que no meio das escutas telefonicas e das escolhas de árbitros, aqueles artolas ainda tiveram tempo de fazer mais uma asneira e contratar-te?
Mal empregada Bohemia!

Agora


. Depois de andar 1 h de e para o trabalho
. Depois de 10h lá enfiado atrás de "bugs" e soluções
. Depois de correr para a aula de sueco
. Depois de ler que o General Franco foi um herói
. Depois de ouvir o mecânico dizer pela segunda vez em 10 dias: são 40 cts sff!

Cheguei e estou cansado.
Façam-me um favor. Um apenas. Esforcem-se!
Já abri a Bohemia.

A caneca

Quem imita quem?
Ainda não percebi quem o faz.
Se os suecos imitam os americanos, ou se, numa das muitas vagas de emigração levaram para lá os seus hábitos. Tendo em conta que depois de enfiarem os índios nas reservas os americanos construiram apenas 200 anos de história e formaram o seu "povo" com gente de todo o mundo...bom, fico na dúvida.
É normal no fim-de-semana ver muitos suecos de blusão de cabedal, com "popa John Travolta" a passearem os respectivos corvettes, cadillacs, chevrolets, etc, de preferência descapotáveis dos anos 50/60 e nunca, mas nunca com menos de 10m de comprimento...
Há bandeiras por todo o lado, cafés "Sport" com écrans gigantes para verem os vários desportos, muita comida de pacote e mais uma panóplia de coisas que só tinha visto nos filmes ou na terra do Tio Sam.
A última delas é: a Caneca.
Não há filme de hollywood onde o advogado, o polícia, o bombeiro e outros tantos, não tenham por perto a sempre fiel caneca de café. Tal como o computador, a mesa, a caneta e o urinol, a caneca faz parte do economato.
Por aqui, não há reunião ou simples "ajuntamento" popular que dispense tal artefacto. É curioso, nunca tinha visto e cheirava-me apenas a mais uma "americanada". Arranjei uma caneca para mim e toca de ir para as reuniões "chupar" café como os restantes (sim, eles não "bebem"...beber é engolir um líquido sem acordar um morto! Aquele basqueiro que fazem é a chupar o café...).
Já tinha reparado que esta malta não é muito dada aos livros da Bobone. Arrotam de boca aberta , chupam maçãs, chupam café, comem só com um garfo, empurram com o dedo, enfiam os olhos no prato e só os levantam depois de acabarem a palha, tiram a comida dos dentes com os dedos e de boca aberta, etc,etc. O que não tinha reparado ainda é o estado de putrefacção que apresentam as canecas alheias. Há camadas e camadas de café em todo o seu interior e marcas de boca espalhadas em todo o rebordo exterior. Aquelas canecas gritam por água desde o dia em que nasceram. Eu até estou convencido que o raio interior da caneca diminui de tal forma com as "crostas", que pouco espaço lhes sobra para despejar nova dose.
Por outro lado, imagino que de cada vez que despejam café quente, derretem um pouco da crosta da vez anterior, o que deve proporcionar um toque "antigo" ao café. Talvez seja bom.
Vou encher a minha chávena. Dentro de minutos vai começar uma conferência telefónica com uns colegas de Detroit e estou curioso para ouvir o "chupar" de café dos dois lados da linha.
Será em stereo?

Malmö



Para quem vive no sul ou centro da Europa e a visita, é apenas mais uma. Para quem vive mais próximo do circulo polar ártico, é uma verdadeira lufada de ar fresco. O reencontro com o bom gosto, com a história, com a cultura e com o séc.XXI. Foi esta a sensação que me embalou no regresso da visita a Malmö, no limite sul da Suécia. Ligada a Copenhaga por uma ponte, esta cidade (bem como a região) foi outrora território Dinamarquês. Depois de ter conhecido Copenhaga (uma cidade cosmopolita lindíssima), tinha sérias esperanças de encontrar algo parecido em Malmö. Não me desiludi. As influências dinamarquesas estão presentes em cada esquina. O passado e o presente misturam-se com toques de bom gosto. Antes de conhecer Estocolmo (está na fila de espera), digo sem hesitar que Malmö é a cidade mais bonita que já vi em solo sueco.
Hoje em dia, funciona como cidade "irmã" de Copenhaga e nota-se que se publicitam em simultâneo, no que ao turismo diz respeito.
Malmö foi recuperada pelos suecos no séc.XVII, mas ainda assim, ficou com o "estilo" dinamarquês (ainda bem digo eu!!).
Com um pouco mais de esforço, os dinamarqueses podiam ter invadido o território mais a norte. Não lhes custava nada e a mim dava-me um jeitão. Poupavam-me aos cortinados de folhos, "naprons", flores de plástico e móveis brancos...
Malmö dista menos de 300Km...voltaremos lá sempre que a "velha Europa" chamar.

terça-feira, setembro 12, 2006

O Lugar do Norte

Norte de Sta. Bárbara, Sta. Maria, Açores - foto de S.Pedro
Andava a passear por aqui quando encontrei o "vosso" Lugar.
De imediato fiquei com saudades e resolvi atenuá-las viajando nos meus arquivos.
É incrível como se pode (re)descobrir uma pequena porção de terra depois de lá passar vários anos.
A casa de traça típica, o verde que a envolve e o mar que a rodeia, formam pedaços do paraíso. Calma, paz, tranquilidade e muita beleza. É assim que recordo este Lugar. Apetece-me voltar, tenho mesmo que voltar.
Vou dormir e sonhar com o som do Atlântico.
Durmam bem.
Boa noite.

Enquanto dormia

Chegaram lá a casa 3 filmes novos.
O "Ice Age 2" e o "Volver" do Almodovar, nos quais deposito reais esperanças e o "Superman Returns", que verei com o mesmo espiríto do Indiana Jones, Missão Impossível, etc (Bond já é outra conversa!!). Porque quando era pequeno gostava, porque ele é mais rápido do que uma bala, porque veste cuecas por cima do fato, porque, porque, porque..não sei. Vejo e pronto.
Gosto muito de cinema, mas ainda não descobri onde ficam o King e o Quarteto do iceberg. Só aparecem americanadas do pior. Piratas nas Caraíbas, comédias românticas que acabam sempre bem e aqueles filmes das louras no "high-school" fazem as delícias locais. Além do mais, eu que achava 5 eur um abuso para ir ao cinema em Lisboa, ainda acho mais extravagante pagar quase 10 eur pelo cartaz disponível.
Ainda por cima, cada sueco leva para a sala de cinema 1 pacote de gomas, 5L de coca-cola e 2,5Kg de pipocas. Há alturas em que eventualmente se consegue ouvir o filme...
Até ao momento, lembro-me de ter passado por estas salas um grande filme, o Tigre e a Neve do Begnini...mas é um em mil.
Até descobrir o "King" e face ao "menu" disponível, sou obrigado a dizer: Bem hajas banda larga!!!

Diga bom dia com Mokambo

O dia começa bem. Não tive Mokambo, mas descobri que o jogo de 4ªf contra o FC Copenhaga, vai ser transmitido num canal sueco, que por acaso eu tenho. As equipas por estes lados são muito fracas e liga dos campeões é mesmo só na tv. Acabam por "procurar" outras formações que tenham jogadores suecos...o Copenhaga tem 3. Óptimo!! Digo eu... Não preciso de fazer 70 Km e ir para a tasca dos portugueses em Gotemburgo, não preciso de ir para o pub irlandês fazer a cerveja de 1000 paus render 1 hora, não preciso de me mexer nada, mesmo nada. Só tenho que me sentar confortavelmente, abrir a bela Bohemia, quem sabe meter uma alheira na brasa e transpirar das mãos com os nervos... No fim, depois de encaixarem mais 3, estarei chateado e a repetir para mim próprio: "Mas porque é que eu perco horas de vida com estes atrasados??" Mas pelo menos terei poupado muitos Km's e a hipótese de me cruzar com um alce na estrada...o que já não é mau.

segunda-feira, setembro 11, 2006

O meu 11 de Setembro

Muito antes da História marcar este dia de forma tão negativa, já a data em si tinha para mim um significado forte. Mas feliz, entenda-se.
Hoje passam exactamente 79 anos desde o nascimento da minha "Vóvó". É para mim uma pessoa marcante, que representa coragem, determinação e vontade. Costumo imaginar a vida como uma sucessão de bifurcações. Em cada ponto de decisão, opta-se. Algures olhamos para trás e vemos o caminho que fomos traçando. Na minha opinião, numa dessas bifurcações a minha avó optou por um caminho que alterou o rumo da minha família. Primeiro o do meu pai e por arrasto o meu. Sinto-a como alguém que abriu uma porta, que lutou todos os dias da sua vida e que nunca, em fase alguma deixou de estender uma mão.
Sem querer ofender, magoar ou ferir susceptibilidades, a verdade é que sinto por ela um laço único, de quem com ela passou grande parte dos seus primeiros 8 anos de vida. A esmagadora maioria das minha recordações até atingir a 3ª classe, estão pintadas num quadro onde a minha avó é a actriz principal. Não o faço de propósito, é apenas o que a minha memória me traz.
Lembro-me de ir para casa dela, no velhinho prédio da Academia Almadense, enrolado numa manta ao colo do meu pai. Lembro-me de esperar que ela chegasse do trabalho, imaginando que boneco de enfeitar os bolos me traria da pastelaria onde trabalhava, lembro-me de dormirmos no chão porque "era bom para as costas".
Nunca fomos católicos, mas diz-me sempre que lhe telefono que reza por mim. Agora que penso nisso, acho que a minha educação "católica" começou com ela. A uma das minhas infinitas perguntas (tipo: Deus existe?), costumava responder: "Não...nós não acreditamos em nada disso. Mas não se goza...não se goza...nunca se sabe!!". Serviu.
Pede-me sempre que seja poupado e que "olhe pela vida", para nunca ter que pedir nada a ninguém. Ah...e que vista um casaco, porque ela vê na tv as pessoas na neve com casacos grandes!!
De vez em quando mostra-me com algum orgulho uma carta de amor que escrevi na 1ª classe. Certamente não seria amor, certamente as palavras não farão qualquer sentido, mas a verdade é que a minha avó a guarda como um pequeno tesouro. Trocamos sempre uns sorrisos, quando a revemos juntos.
Em segredo já me pediu para passar o nome Franco para um futuro descendente. Tendo eu 3 nomes de família, quer garantir que o dela se perpetua em gerações futuras. Assim será.
Nós, os Franco, somos de lágrima fácil. É rara a vez que a minha avó não se despede de mim em lágrimas. Veja-me no dia, mês ou ano seguinte. É assim, simplesmente assim. Há um laço forte, que os anos não mudam e que a distância não altera. Adoro a minha avó.
Já usas corsários e ténis vermelhos, não será altura de teres e-mail para eu te escrever? Enquanto esse dia não chega, espero que o meu pai te faça chegar estas palavras.
Hoje quando te telefonei disseste: "Claro que estou bem! Estou viva, não havia de estar feliz?"

Se soubesses como sorri ao ouvir-te!
Um beijinho muito grande.
Parabéns!

Tiago

9/11

. Apesar de achar que são os americanos os grandes culpados pelo clima de insegurança que todos nós vivemos nos dias de hoje...

. Apesar de concordar com o que a Ana aqui escreveu...

. Apesar de saber que os mortos que eles espalharam no mundo não cabiam em 4 WTC...

. Apesar de saber que são os interesses energéticos e de armamento que definem a política externa americana...

. Apesar de saber que foram os sucessivos governos de Washington que criaram esta divisão no mundo entre Árabes & outros...

. Apesar de saber que foram W.Bush e seus pares os primeiros responsáveis dos atentados ao WTC...

. Apesar de saber que as verdadeiras razões deste atentado, bem como os seus autores, serão um enigma para gerações futuras...


Apesar de tudo isto, não consigo deixar de pensar no simples turista, que resolveu nesse dia conhecer as torres gémeas. De máquina numa mão e mapa de Manhattan noutra, subiu até ao 108 piso e sem sequer saber onde ficava Cabul ou que governo fantoche andavam os americanos a instalar, viu-se rodeado de fumo e confusão.
Esse turista, tal como milhares de trabalhadores do WTC, de uma infinidade de nacionalidades, não regressaram a casa nesse dia. Perguntei-me vezes sem conta "o que terão pensado?". O que leva alguém a atirar-se de uma janela, a mais de 100 andares do chão? Que desespero sentirá? Que secreta esperança ainda terá ao ponto de saltar de olhos vendados para a morte? Essas imagens nunca me sairão da cabeça...
É claro que vendo o problema como um todo e fazendo uma análise generalista, podemos pensar que os americanos foram cúmplices na chacina de milhares de chilenos depois do golpe do Pinochet, podemos pensar que os vietnamitas morreram queimados com napalm, podemos constatar que diariamente morrem dezenas de Iraquianos depois de os americanos "libertarem" o país, podemos no fundo concluir que o governo do Tio Sam traçou o azar do seu próprio povo (que contudo lhe conferiu novo mandato, o que também dá que pensar).
Mas, se por segundos ignorar tudo isto e pensar novamente no turista, que de calções e mapa na mão, apreciava uma vista porreira, sobra-me uma raiva...
Raiva pela injustiça de quem paga, desespero por quem fica e medo, muito medo pela insegurança que se criou.
Fico incrédulo, estarrecido com os limites da demência humana.
Não é este o mundo que eu quero, não é com este mundo que eu me identifico.

Mãe

clica aqui.

Azia


Até estou com dificuldade em concentrar-me no trabalho...
3 golos, 3 expulsões e aquele idiota do Nando à deriva.
Não vi, mas imagino...mau de mais para ser verdade. Desde o poeta Artur que não aparecia tamanha calamidade para os lados da Luz.
Não quero saber de apitos dourados, de quem compra ou vende árbitros, só quero que ganhem...só isso. Que marquem mais golos do que os outros e que corram!! Que se mexam, que se esforcem, que justifiquem os milhares de contos que ganham, é isso que eu quero.
Nando, a ti que tens esse tique irritante de abanares o pescoço como se a gravata te roubasse todo o oxigénio do mundo, gostava de dizer o seguinte: és um nabo, um tosco, um labrego e um incompetente!!!
Gostava também de te pedir que parasses de dizer "ganhei a taça e o campeonato, blá,blá"...porque isso aconteceu no ano em que o Jardel marcou alguns 50 golos!!! Sabes quantas vezes isso se repete??? Sabes qual é a probabilidade, de tu que nem na Grécia ganhaste fosse o que fosse, ganhares algo?? É nula Nando!!!! Nula!!!
Ahhhhh...maldito vício da bola que se entranha nos ossos.....

sexta-feira, setembro 08, 2006

Palpita-me...


que será este o "vencedor".
Situa-se numa pequena elevação, rodeada de verde e com uma vista magnífica sobre Gotemburgo.
É central e permite chegar a pé ou de bicicleta, a todos os pontos de interesse da cidade.
Está totalmente mobilado, tem lareira, cozinha equipada e até colunas espalhadas pela casa (isto é que eu gosto mesmo!!!). ADSL para ligar para Portugal e um quarto extra caso apareça uma visita lusófona, mas bom, bom,bom é saber que o Sebastião também pode vir. Ele perguntou: "É um cão ou um cavalo?" e eu disse: "Um cão, um cão...não ladra, não corre, não chateia...só dorme!". "Não há qualquer problema!!", disse ele. Música para os meus ouvidos...
Ainda tentei negociar a renda (português que é português...) mas a "porreirice" sueca não chegou a tal. Que seja!
Antes de dizer que sim, ainda vamos a Gotemburgo esta tarde ver mais umas coisas. É sempre bom ter a certeza de algo antes de assinar um contracto. Autorização pedida e liberdade concedida. O meu chefe é muito "social", pelo que o meu fim-de-semana começa dentro de 40 minutos, ao meio-dia mais precisamente.
Se tudo correr bem, a casa fica tratada hoje e nós com o fim-de-semana livre para ir conhecer Malmoe, bem lá no sul, encostadinha à Dinamarca. Veremos...
Adoro correrias!!
Bom fim-de-semana para todos e até jáááááá Sebastião!!!

quinta-feira, setembro 07, 2006

Que moleza...

Marstrand - ilha fortificada na costa oeste sueca, foto de J.Franco
Estou com uma preguiça desgraçada.
Apetece-me quase tudo menos estar aqui...sinto cada osso do meu corpo a pedir descanso. Lembrei-me de um ex-colega de trabalho, o Murteira, que normalmente me dava uns "amassos" nos ombros sempre que passava pela minha secretária. Que jeito me dava agora uma massagem Murteira!!!
Sempre que vejo a Autoeuropa nos noticiários (o que acontece muito :)) lembro-me dos meus antigos colegas. Não é uma empresa perfeita, não nos enche os bolsos e não me enchia as medidas profissionalmente, mas tem um ambiente e um conjunto de pessoas verdadeiramente fantástico. Trabalhar num "open space" com 50 pessoas, sempre com movimento e conversas cruzadas, era algo que para mim compensava tudo o resto. Nunca havia silêncio (o que para mim é óptimo), palhaçada também não acabava e ainda arranjávamos tempo para trabalhar. Encontrei pessoas muito competentes que pacientemente me explicaram tudo no início. Acima de tudo, encontrei bons colegas e tive a sorte de fazer alguns amigos. Digamos que 85% das pessoas naquele departamento eram simpáticas e boas companhias. Se tivermos em conta que a perfeição não existe, parece-me uma média de fazer inveja :)
Se a Autoeuropa tivesse uns aumentos um bocadinho, só um bocadinho maiores que 0%, seria uma empresa quase perfeita...ah...podiam correr com alguns energúmenos também (dos 15%), mas essa já é outra história.
Apetece-me fechar um bocado os olhos. Vou aqui discretamente ouvir Morcheeba que é sempre apropriado para estas ocasiões de relax :)
Zzzzzzzzzz

quarta-feira, setembro 06, 2006

Volta cimento!


Gosto de imaginar que a Suécia não é mais do que um gigantesco pasto com um "polvilhado" de edifícios.
Sinto-me bem nessa realidade, tudo me parece equilibrado, saudável, verde e com muito menos cimento. Tudo bem, tudo óptimo...até hoje.
Desde que aqui cheguei não tive qualquer trabalho ou preocupação com a parte habitacional. Só tive que me instalar, o que me "alheou" um pouco da realidade local.
Agora, é preciso mudar para Gotemburgo. Rápido, muito rápido para as "tradições" locais. A suécia tem 3 grandes cidades. Nenhuma é maior do que Lisboa, mas para o conceito nórdico de cidade são grandes. Estocolmo, Gotemburgo e Malmoe (na ponta sul do país). Com 1.7, 1.4 e 1.0 milhões de habitantes respectivamente, estas 3 cidades albergam mais de 1/3 da população do país (9 milhões). Se imaginarem que a área total é equivalente a 5 vezes Portugal e que os prédios não abundam, percebem que mudar de casa para uma destas 3 cidades não é assim tão trivial.
Comecei há uns dias uma batalha contra o tempo que me tem servido de curso intensivo imobiliário. Estava habituado ao manjar de ofertas que existe em Portugal, onde em média, existem 2 apartamentos por cada português. Aqui, a maior parte das construtoras e imobiliárias são empresas estatais, ou seja, não se constrói por "dá cá aquela palha".
A escassez de casas origina um mercado de aluguer que roça o escandaloso. Qualquer pessoa, pede 200 contos por uma caixa de fósforos no centro da cidade e acha que está tudo muito bem. Quaisquer 60 m2, são logo divididos em 2 ou 3 quartos, para rentabilizar ao máximo o imóvel. Deve ser este total aproveitamento de espaços que inspira os designers do IKEA. A competição é de tal forma feroz, que as pessoas inscrevem-se em listas de espera e é normal existirem centenas de interessados para o mesmo apartamento. Depois, mediante o salário, as referências, a empresa onde trabalha, o aspecto, o facto de fumar, de ter filhos, de usar roll-on, de fazer risco ao lado ou ter uma cárie, os proprietários escolhem a quem alugam o respectivo espaço sagrado.
Num dos inúmeros telefonemas que fiz, ouvi o dono da imobiliária dizer: "Temos 4000 pessoas na fila, tem que se inscrever e blá,blá", ao que eu respondi: "Mas eu não tenho 10 anos para esperar, preciso de me mudar em 15 dias e blá,blá...olhe, ofereço-lhe uma renda mais alta do que aquela que pede e blá,blá,blá" e aí ele disse: "Bom, esse apartamento não pode ser mas lembrei-me agora de outro e coiso tal e não sei quê"...
Ou seja, o sistema tem falhas e a "luva" é eficaz. Descobri as formas de "furar" a fila e os critérios iniciais deixaram de fazer sentido. Bairros periféricos conhecidos como "Bagdad", "Pequena Beirute" e "Somália" estavam colocados de parte. Casas com aqueles cortinados de 5cm cheios de folhos, espelhos com dourados e candeeiros de "diamantes" estilo salão de baile também estavam inicialmente excluídos. Agora, depois de constatar a dura realidade, qualquer mesquita com o Bin Laden como vizinho serve...
No
site da moda onde tudo se compra, tudo se vende e tudo se troca, faço "refresh" de 5 em 5 minutos. É que mal aparece uma casa, temos menos de 4h para a "resgatar". Nunca vi tamanha selva...
200 contos de renda fariam na minha cabeça sentido para um palacete...agora já os ofereço por qualquer conjunto de paredes. A parte do "vivendo e aprendendo" também me vai ensinando. Uma casa perto de um lago que me agradava, "desapareceu" mal a palavra "Sebastião" foi referida...."o meu filho tem asma e depois os pêlos ficam no ar, lá,lá,lá"...aprendi a lição. Ele vem na mesma, mas ninguém saberá.

Entratanto, chega-me a notícia de um "milagre". Um apartamento de 100m2 mesmo no centro da cidade, numa zona boa, com móveis ao estilo IKEA (única, única, mas mesmo única hipótese de não serem pirosos), perto de um parque enorme, com uma boa vista sobre a cidade e livre até ao próximo verão (altura em que o dono regressa dos EUA...existe por aqui um fascínio enorme por cowboys e botas texanas!). Tudo isto por pouco mais de 200 contos. É um autêntico milagre. Vamos vê-lo amanhã...mas eu aposto que algo vai correr mal. Seria sorte a mais.
Em todo o caso, como não sei rezar, vou já treinar as respostas certas para:

1 - Onde trabalha?
2 - Dá-se bem com os seus colegas?
3 - Embirra com mais alguém além do Banji?
4 - Acredita em deus?
5 - Vai à casa de banho mais do que 3 vezes por dia?
6 - Lava-se?
7 - Prefere limara ou 8x4?
8 - Bebe cerveja enquanto vê futebol?
9 - Dá pontapés nas portas quando o glorioso perde?
10 - Acha o Lenine um bom rapaz?
11 - Concorda que os Vikings não eram bárbaros?
12 - Baba-se a comer?
13 - Cospe dentro de casa? (na rua sei que não perguntam porque para eles é o desporto nacional!!!)
14 - Acha os ABBA melhores que os Beatles?

uffff.....dizia eu que não gostava do lobby do cimento....

sexta-feira, setembro 01, 2006

Festa, A festa



Hoje começa A festa.
Para mim, independentemente da cor das bandeiras que por lá seguem o vento, o Avante é a maior festa que se realiza em Portugal. Não se resume a um conjunto de concertos, não se limita a umas latas de cerveja, não se define por uma simples "rentree" política.
O Avante é um conjunto de todas as ofertas que se podem pedir para um fim de semana. Há música (normalmente boa e variada), teatro, feiras de livros e de discos (com vinil e tudo!), exposições de pintura e de fotografia, debates, seminários e palestras, os comícios que marcam a "rentree" do PCP, uma gastronomia riquíssima de todas as regiões portuguesas além de uma quantidade apreciável de gastronomia estrangeira. Existem espaços para praticar desporto, para ver e experimentar leis da física ou para simples diversão, conceito "feira popular".
A única dificuldade da festa é a dormida. A zona onde esta se realiza é puramente habitacional, pelo que as pessoas que não querem usar o parque de campismo (e venham de longe), têm que recorrer às cidades vizinhas para dormir. Em todo o caso, Lisboa está apenas a 20Km (Mãe, agora que penso nisso...vivendo tu a 1Km da festa, já pensaste em alugar quartos?? :)).
Enquanto pedalava de manhã para o trabalho, vinha a cantarolar a Carvalhesa. Seja qual for a cor política, para quem vive o Avante, esta melodia fica como eterna recordação (normalmente do fecho da festa).
Este ano, pela primeira vez em mais de uma década vou falhar A festa. Tenho pena, por tudo o que ela representa, por tudo o que ela normalmente me oferece e pelas pessoas que lá conheço ou reencontro. Seria uma boa oportunidade de pagar um copo ao meu irmão (sim, porque o contrário 'tá quieto!!) , de disfrutar da companhia do Rui, da Mizé, do Nuno e da Ana, mas enfim, ficará para o ano. Espero eu! ( divirtam-se muito e mandem-me fotografias sff !!!!)
Este fim-de-semana, na minha opinião, o programa cultural da grande Lisboa (e porque não do País??) tem o Avante como passagem obrigatória.
Tal como fiz aqui, volto a afirmar que a festa tem um carácter muito generalista e interessante, para afastar aqueles que políticamente não se encontram nas ideologias do PCP. É uma pena perderem tal manifestação cultural ou passarem uma vida sem entrar no recinto, porque acham que é "uma festa de comunas", como já ouvi a alguns "iluminados".
Para quem quiser mais informações, deixo o site oficial.
Depois de ver o programa, não resisto a dizer que se lá estivesse, no concerto de encerramento (Domingo), "fugiria" a 7 pés do Palco 25 de Abril em direcção ao 1º de Maio. Palpita-me que vai ser beeeeeeem melhor por esses lados :)
Vão, não há mesmo festa como esta!




PROGRAMA (Música)

1 de Setembro

Palco 25 de Abril
22h00 - Olga Prats, Miguel Borges Coelho, Coro Lopes Graça e Orquestra Sinfonietta de Lisboa (maestro Vasco Pierce de Azevedo)

Auditório 1º de Maio
21h30 - Djumbai Jazz
22h30 - Carla Pires, António Zambujo e Liana (Homenagem a Alain Oulman)
23h30 - Cristina Branco


AvanTeatro
00h45 - Quarteto Maria João Matos


2 de Setembro

Palco 25 de Abril
15h00 - The Vicious 5
16h00 - Kussondulola + Té Macedo + Prince Wadada + Kilandukilo
17h30 - Tito Paris
19h00 - Led On (Tributo a Led Zeppelin)
20h30 - Peatbog Faeries
22h00 - Gaiteiros de Lisboa + Manuel Rocha
23h00 - Xutos e Pontapés

Auditório 1º de Maio
15h00 - Mandrágora
16h00 - Telectu + Carlos Zíngaro + Chris Cutler
17h00 - Contra3aixos
18h00 - A Naifa
19h00 - Tim
20h00 - Quinteto Mário Santos
21h00 - Luísa Basto
22h00 - Laurent Filipe
23h00 - Taraf de Haidouks


AvanTeatro
00h45 - Canções de Vitor Jara: Celeste Amorim, André Santos e Nuno Tavares


3 de Setembro

Palco 25 de Abril
14h30 - Yellow W Van
15h30 - Navegante + Nancy Vieira + O Ó Que Som Tem?
16h30 - Obrint Pas
20h00 - Babylon Circus
21h00 - Boss AC + Melo D + Sam The Kid + Chullage + Diana e Bambino + B Boys


Auditório 1º de Maio
14h00 - Toque de Caixa
15h00 - Andrés Stagnaro
15h30 - Mawaca + Janita Salomé
16h30 - Ritinha Lobo
19h30 - Orquestra de Jazz de Matosinhos com Chris Cheek
20h30 - Sérgio Godinho

AvanTeatro
20h30 - 17 Canções Tradicionais Brasileiras de Lopes Graça: Coro de Câmara da Universidade de Lisboa (maestro José Robert)
21h30 - Roncos do Diabo

quinta-feira, agosto 31, 2006

Carta aberta ao Sebastião


Tenho-te telefonado mas nem sempre atendes. Quando te ouço, consigo perceber que está calor. Ou pelo menos eu imagino que sim. Tens mesmo que respirar assim tão alto? Pareces uma locomotiva no velho oeste...mas isso descansa-me, indica-me que estás bem.
Sabes, depois de alguns tempos de incerteza, as coisas por aqui começam a definir-se. Vou mudar pela terceira vez de casa, nesta aventura sueca, mas parece-me que desta vez chegará algo com carácter menos provisório. Gotemburgo é o próximo destino (achamos nós) e por alguma razão, enquanto imagino os detalhes de mais este "salto", não consigo deixar de te incluir nele. Como é normal nestas trapalhadas, tudo aconteceu do dia para a noite e as próximas semanas serão de agitação, correria, telefonemas, procuras,etc. É por isso também que queria falar contigo. Já te sussurei várias vezes, que desde que aqui cheguei, penso na forma de te trazer. Acho que ficas melhor, que preferes o frio, que gostas da minha companhia, que, que, que...
Mas a verdade é que nunca te perguntei não é Sebastião? Nunca te perguntei se queres deixar a companhia da minha avó, que te dedica atenção todas as 24h do dia, nunca te perguntei se queres deixar os 10 gatos que metem a cabeça no teu prato enquanto comes, nunca te perguntei o que verdadeiramente preferes.
Assumo que és meu, porque em 97 chegaram ao pé de mim com um "peluche" talvez com 5Kg, com uma fita no pescoço e me disseram: "Feliz Natal... é o Sebastião! ". Não te consigo reduzir a uma prenda, mas a verdade é que foste a melhor prenda que alguma vez tive. Penso muitas vezes que só te falta falar...mas nem isso. O teu olhar diz tudo.
Infelizmente, tiveste que cumprir todos os saltos que a minha própria vida deu. Juntos passámos por mais de 6 casas durante 8 anos, até que nos separámos por um tempo que eu não consegui prever. Foi mais um "salto", mas desta vez sem hipótese de te arrastar. Não sei se a solução foi a melhor para ti, mais uma vez não te perguntei. Foi a melhor que consegui, isso tenho a certeza.
Desde então, questiono-me diariamente se a minha "figura" não estará no teu imaginário substituída pela da "vóvó". Ela tem sido excepcional contigo, eu sei. Para acalmar a minha consciência ouço com alegria os relatos que ela me faz das vossas conversas. Imagino-te bem. Mas tenho muitas saudades.
"É um cão" já ouvi. Não, não é um cão. É o Sebastião.
Choro com saudades tuas e preocupo-me contigo mais, do que com a esmagadora maioria dos Humanos que conheço. É por te conhecer, que fico indignado quando autênticos atrasados mentais, abandonam outros como tu, para poderem comer sardinhas na Quarteira, durante o mês de Agosto.
Uma vez mais não sei o que é melhor para ti. Tento imaginar, tento perceber pelas tuas reacções. Se abanas a cauda é bom, se pedes festas é bom, mas quer dizer...tu és simples e mostras sempre tamanho afecto, como perceber as tuas amarguras?
Andas sempre de um lado para o outro e parece que "tudo bem". Água, muita água, um bom pedaço de parede para babar enquanto dormes e festas...são as tuas exigências. Nada mais.
Estarei a ser egoísta? Acharei que o melhor para mim é o melhor para ti? Quererei apenas satisfazer as minhas saudades sem uma vez mais te perguntar o que preferes?
Não sei...quero acreditar que não. Gosto realmente de ti, acho que sabes disso. Sei que faço o que julgo ser o melhor para ti, mas como ter a certeza?
Uma das imagens mais fortes que guardarei sempre, és tu a caminhar na minha direcção, com as 4 patas feridas, depois de 2 dias perdido (como é que deste com a A5 meu pastelão??). Mesmo sem te conseguires mexer, fizeste um esforço enorme para andar e mostrar que sentias a minha falta. Nessa, como em tantas outras vezes não segurei as lágrimas. Diz a minha avó que os Franco são de lágrima fácil, talvez seja isso...
Tenho tantas e boas recordações tuas. Já vais fazer 9 anos. Devias por esta altura comportar-te como um adulto, mas continuas com o mesmo espírito daquele cãozinho que eu levava ao colo à rua para não "inundar" o elevador. Hoje tens mais 70 Kg e babas-te um pouco mais, de resto nada mudou.
Um novo salto aproxima-se Sebastião. Ainda não sei em que moldes, mas sei que está definitivamente mais perto. Isso eu sei.
Espero estar certo, espero ir ao encontro dos teus desejos. Oxalá o perceba depois no teu olhar...
Faz as malas meu cãozinho lindo, também vais aprender sueco.

O Pedro


Chama-se Pedro, mas podia ser Jó, tal é o tamanho da paciência que o caracteriza. Pelo menos é assim que eu o "vejo". Os nossos caminhos cruzaram-se pela segunda vez quando uma transferência interna o sentou, exactamente à minha frente, nos meus tempos de Autoeuropa.
Já o conhecia, pois tínhamos trabalhado na mesma equipa quando entrei para a companhia. Fiquei contente na altura por "ganhar" aquele novo colega. O Pedro é daqueles que não enganam à primeira vista. É simples, normalmente bem disposto e de sorriso fácil. A acompanhar aquela infinita paciência, ostenta uma bondade tão invulgar quanto cativante. Costumo defini-lo como um "livro aberto". O que é, está ali...descoberto, sem truques, sem capas.
Basta o Atlântico trazer umas ondas para ele passear a prancha e o filhote Henrique (que não resisti a colocar ao lado do pai babado) estar bem, para se preencher o quadro de requisitos da felicidade.
Lembro-me com alguma saudade da boa disposição que ele imprimia às 8h de trabalho. Em determinada altura, quase que comecei a gostar da "Madonna-na-fase-do-maiô-cor-de-rosa", tal era a quantidade de vezes que ele repetia aquele álbum. Mas divertia-me vê-lo bem disposto a abanar-se e a cantar, enquanto a incredulidade reinava à volta.
Todas as manhãs me chateava com o facto das minhas camisolas gritarem desesperadamente por ferro de engomar. Acho que até cheguei a comprar algumas (era a única forma de as usar passadas a ferro) para o calar...

Não havia dia que não imitasse na perfeição aquele sotaque carregado dos "Charrocos", não fosse ele um Setubalense convertido...migaaaaaaa :)
Chegou pela porta do "colega" e instalou-se calmamente na sala dos "amigos". O Pedro hoje faz 35 anos.

Se estivesse por Setúbal, certamente arranjaríamos uns minutos para ir aos famosos e calóricos bolos quentes, mas como a distância não o permite, aguardarei pela próxima "onda", algures em Dezembro.
Até lá, deixo-te aqui uma musiquinha que acho que não conheces...

Parabéns.

quarta-feira, agosto 30, 2006

O urso

A cantina aqui do estaminé só abre às 7h. Por essa razão, costumo trazer uma bela "sandocha" quando venho mais cedo.
Nunca me esqueço de nada, quer dizer... raramente me esqueço de qualquer coisa...epá, de tempos a tempos falha-me a memória...ok, há dias que são maus...isso, é isso...hoje esqueci-me da "sandocha"!
Mal a cantina abriu, corri para lá capaz de devorar um leitão! É como ir ao supermercado quando se tem fome...dá sempre asneira! Compra-se tudo e mais alguma coisa, sem que a maior parte chegue a ver o fundo do tacho em prazo útil de validade.
Uma sandes seria normalmente suficiente, mas deparei-me com uma fotografia ilustrativa de um menu de pequeno-almoço. Era comparativamente mais barato e parecia muito. Isso bastou-me. Eu sou aquele tipo de pessoa que vai para um rodízio com calças largas e que come até ficar com a sensação de que retirou qualquer hipótese de lucro à casa. Nunca perceberei isto...gosto de pensar que são influência paternas, para encontrar alguma lógica na coisa :)
O menu tinha a sempre desejada "sandocha", o leite, o ovo e uma pratalhada de maizena. Na fotografia percebi que colocavam canela em metade do prato e doce de morango na outra metade. Aquilo pareceu-me estranho, mas tradição é tradição, pelo que segui os costumes locais.
Quando acabei, estava entre o estado "e agora??" e o "aiiiiiiii". Arrastei-me para o meu sítio e comecei a resolver equações sem solução, pensando no que me espera. Decididamente não tenho estômago para todos os hábitos alimentares escandinavos. Eles já me explicaram que ingerem muitas calorias, para criarem uma massa adiposa que os aquece durante o inverno. "Ahh...como os ursos?", pensei.

A Manuela


















Gosto muito dos Clã. Acho-os por esta altura do campeonato a melhor banda em Portugal.
Mas mais do que dos Clã, gosto especialmente da sua vocalista, a Manuela Azevedo. Sinto que nela, a canção é um mero acessório. Seja qual for, está sempre garantida uma interpretação excepcional.
Além dos temas da própria banda, já a ouvi a interpretar Ornatos, Xutos, Rui Veloso (a melhor versão de sempre do "Bairro do Oriente"), Variações, entre outros. O denominador comum é sempre a qualidade. Eu até acho, que ela tornaria uma música do Tony Carreira suportável se a cantasse (tenho-a mesmo em boa conta!!).
Ainda bem que o país perdeu esta advogada :)
No site dos Clã, somos recebidos com um "souvenir" do concerto em Paris. Vale a pena passar por lá.
"Taco-a-taco" com a "francesinha", a Manuela é do melhor que o Porto viu nascer :)

A surpresa do dia...

...foi encontrar uma amiga de infância, com quem não falava há anos.
Aconteceu enquanto navegava nas páginas do DN.
Adoro estes acasos :)

terça-feira, agosto 29, 2006

O "Business Coordinator"

Quando cá cheguei, a pessoa responsável por "inputar" (adoro estes "inglesismos"...) as horas, controlar os carros da empresa e fazer o trabalho administrativo (ou de "Business coordination" como lhe gostam de chamar) era um homem. Era simpático e flexível. Todo o fluxo profissional corria como faca quente em manteiga. Ainda havia tempo para umas piadas, para beber um copo e até para jogar PS2, já que chegámos a dividir casa. Não complicava, acho que era esse o segredo...ele não complicava.
Era um homem. Esta parte é importante, embora só agora eu perceba isso.
Há poucas semanas foi substituído por uma senhora, a quem o mundo parece ter feito mal. Tem sempre uma cara de 1,5m e eu até perco a vontade de dizer seja o que for. Não sou muito destas coisas, mas esta senhora parece um pastor de Viseu, 5 meses depois de entrar na GNR e regalar-se com a autoridade do cargo: "Bom...parece que vou ter que o autuar e tal..."
Será impressão minha, ou o mulherio de uma forma geral, gosta um bocadinho mais de recorrer ao complicómetro sob capa de seriedade?? Eu não me considero machista, pelo que a pergunta é sincera...
Ontem perguntei-lhe (por mail): "Dona Tetéia, alguém requisitou o carro para amanhã?" ao que ela respondeu: "O Tiago só requisitou o carro até hoje às 17h."
Imaginando alguma dificuldade de Inglês liguei e disse: "Olá Dona Tetéia, como está? Olhe, alguém requisitou o carro para amanhã?" e do outro lado do telefone chegou: "É o único carro que temos disponível neste momento."
Apeteceu-me dizer (bem alto!!) o quanto apreciava todas aquelas filosofias, mas o que precisava mesmo era de uma resposta à minha pergunta. Sim ou Não, bastaria para me satisfazer.
Mas percebi que era o mesmo do que pedir a Lua. Desisti, dizendo: "Eu entrego o carro hoje."
Surda, parva, complicada, implicante ou incompetente? Ainda estou a tentar perceber.
Por enquanto apenas irritante. Muito!!!

O Comunismo(II)

Média salarial por grupos profissionais na Suécia(menos um '0' para valor aprox. em Eur)

Toda a reflexão anterior veio a propósito da realidade com que me vou deparando no meu dia-a-dia. Na escandinávia há uma real aproximação de classes.
Segundo as estatísticas do governo sueco, entre os 10 grupos de ocupação profissional mais comuns, há um fosso de 300 contos. Tirando os altos executivos que andam na casa dos 700 contos (salário que qualquer acessor de acessor de vereador em Portugal tem...), os restantes 9 grupos recebem entre 320 e 600 contos. Claro que isto é uma estatística, não mais do que isso, mas dá que pensar. No fundo, a toda a gente é garantido um mínimo bastante razoável para um vida descansada. Como exemplo, a diferença estatística entre um engenheiro e um camionista são 140 contos, sendo que o camionista recebe 360. Os salários são discutidos e impostos pelos sindicatos. Há força e pressão, mas também há justiça. Há uma tabela onde cada pessoa, consoante a área e os anos de experiência tem direito a um salário mínimo. A partir daí estimula-se o mérito e a competência, mas o mínimo (razoável na minha opinião está sempre assegurado ).
No outro dia, contaram-nos uma história sobre a vizinha Noruega. O governo adquiriu carros pequenos para os seus ministros (não sei se eram Lupos, mas eram carros bastante modestos) e o povo de imediato se indignou. "Para que precisam de carros? Não podem continuar a usar os transportes??" disseram. Achei piada, quando me lembrei que o Santana (como é que um atrasado desses foi primeiro-ministro do nosso país??) mal entrou, encomendou não sei quantos carros de luxo para renovar toda a frota do governo, por si já de luxo. Resta dizer que a Noruega é o país mais rico do mundo.
A minha professora de sueco explicou-nos que o "PS" local está no poder há 70 anos, nos últimos 20 em coligação com o "PCP" e com os "Verdes".
Eu não sei se tudo isto acontece porque está a "esquerda" no poder ou porque as mentalidades são simplesmente diferentes. Não sei, mas isto parece-me mais justo e mais social. Mais próximo da tal utopia.