quarta-feira, outubro 11, 2006

Smolarek? Pode ser um de laranja sff !

Não vi, não ouvi e apenas li (por isso a irritação é controlada).
Fiquei com a sensação que a selecção andou a dormir 90 minutos. Estarei enganado?
Parece-me que vamos voltar aos saudosos tempos da calculadora...

O puzzle

Li no Blasfémias que a Ryan Air abriu duas novas ligações para Portugal (Porto/Faro - Madrid).
Já tinha visto no Metro que a mesma Ryan Air estabelecera uma nova rota entre Madrid e Gotemburgo.
Não resisti a fazer uma simulação em www.ryanair.com
Por menos de 20 contos estaria a comer pastéis de belém acabadinhos de sair, com uma fauna abundante de bigodaças em redor.
De repente senti o meu bolso mais confortável e a minha pele mais quente.
Pode ser um mero exercício de ilusão, mas sabe bem.

O Tágio

- Olá Sr. Lars, o meu nome é Tiago e estou a ligar por causa do anúncio na internet.
- Olá. Está interessado na casa? Como disse que era o seu nome?
- Tiago, é Tiago.
- Ok. E Tágio, diga-me lá. De que país chega?
- De Portugal, venho de Portugal e chamo-me Tiago.
- Ahhh Portugaaal...humhum...estou a ver. E tem emprego?
- Sim, sim e até já tenho identificação sueca e tudo. Posso legalmente entrar no clube de video e alugar um filme.
- Ahh...assim sim Tágio. E quer ver a casa?
- Claro Sr.Lars, até estou aqui por perto...
- Muito bem. Suba então.

(já em casa)

- Muito giro e tal, blábláblá, renda não sei quê, blábláblá e por isso sim. Ficamos com ela.
- Muito bem. Parecem simpáticos e por isso fico mais descansado Tágio....como disse que era o seu nome? Não o quero pronunciar de forma esquisita.
- Tiago. Tiiii-ááááá-guuuuuu.
- Ahh....Tiii-á-gue!!
- Não, não Sr. Lars.....Tiiiiii-áááá-guuuuuuu!!! Como o Santiago de Espanha, mas sem o "San".
- Ti-á-gô !!
- Exacto Sr. Lars!

(1 semana depois no IKEA, onde mais poderia ser?)

- Olá Sr. Lars, que surpresa vê-lo.
- Olá como estão? Falta algo na casa que precisem aqui do IKEA?
- Não, não...íamos a caminho da praia e parámos para um xixi.
- Olhem, deixem-me apresentar-vos a minha namorada. Inga, este é o tal casal de portugueses: a Sofia e o Tágio.
- Franco...Tágio Franco. Muito prazer Inga!

No mesmo prato...

...e bem misturado encontrei arroz, milho, banana, galinha, bróculos, repolho, chili e amendoins.
"Almoço" era como lhe chamavam. "Amendoins??", pensava eu.
Triturei e gostei.
Mais integrado do que isto, só com cuecas de couro, tranças no cabelo e capacete com chifres...

No "King"

Não consigo deixar de me surpreender diariamente com as ciclovias. Talvez denote um certo espírito rural, mas fico fascinado com as condições proporcionadas aos ciclistas. Estradas com duas faixas de rodagem, linhas pintadas no chão, placas de direcção em cada cruzamento, pequenos semáforos com o símbolo da bicicleta, viadutos, tuneis, parques de estacionamento. Sinto-me no "mundo encantado da playmobil", mas desta vez o "boneco" sou eu.
Rodávamos no outro dia numa destas vias quando passámos por um pequeno cinema. Na porta estavam anunciados 3 filmes, sendo que um deles era o "Volver" do Almodovar. Pensámos: "Será o King cá do sítio?". Até ao momento ainda só tínhamos descoberto o "Colombo", o "Vasco da Gama" e as suas doses maciças de "Born in Hollywood" regadas com litros de Cola e toneladas de pipocas (e gomas).
Foi uma alegria geral quando percebemos que aquele espaço passava filmes que em Lisboa costumam aparecer no King ou no Quarteto e em Setúbal, essa bela localidade, no Charlot.
Ontem fomos até lá ver um filme de produção europeia, que retrata a década de 20 na Rep. da Irlanda, no antes e depois da assinatura do tratado com Londres. Para quem viu o "Michael Collins", este filme vai um pouco mais além no período histórico abordado e mostra parte do conflito que estalou entre a facção que concordava com o tratado e a que exigia a independência total da coroa.
É um relato cru e duro de uma das épocas mais sangrentas da história da Rep. da Irlanda. Deixa um pouco de lado o conceito de "luta popular contra o invasor" (embora o ódio aos ingleses seja uma constante) para se centrar mais no indivíduo e na crença de determinado ideal. Há cenas que não me sairão tão cedo da cabeça. Não é um filme fácil de "encaixar" porque contém uma série de momentos que impressionam, tanto durante a ocupação inglesa como depois.
Por outro lado, é absolutamente impossível sair da sala de cinema indiferente. O filme toca-nos, mexe com os nossos sentimentos e faz-nos pensar. A realização está dividida por vários países (entre os quais a Inglaterra e a Rep.Irlanda) e talvez por isso, se evite o clássico conceito "bons" vs "maus".
O Homem e a defesa a qualquer custo dos seus ideiais, parece-me uma boa frase de síntese.

O título original é "THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY" e para quem quiser saber mais qualquer coisa, pode dar um salto aqui.

terça-feira, outubro 10, 2006

Sebastião (10/10/97)


Se eu tivesse hipótese era isto que te fazia.
Uma festa. Uma bela festa com ambas as mãos para te conseguir apanhar essa cabeça do tamanho do mundo. Depois apertava-te um pouco as bochechas e nem me importaria quando me oferecesses um pouco de baba quente. Limpar-me-ia às calças para evitar o "efeito gel" na tua cabeça em novo apertão. Depois abraçava-te enquanto repousavas o queixo no meu ombro. De seguida, com uma lista de baba no ombro a combinar com a da calças, levantar-me-ia e olharia para ti. Apenas para contemplar esse teu eterno olhar de pachorrento.
Depois dava-te algo proibido. Aquelas coisas que o meu pai te dava por baixo da mesa e que tu por norma não recusavas. Um bolo, presunto, sei lá...qualquer coisa que não venha no saco da racção. Eu sei que não és esquisito. Se te oferecem sardinhas enquanto passas não recusas, se um miúdo come uma sandes à beira-mar tu ajudas, se alguém abre a porta do frigorífico tu acordas, se alguém mexe num plástico tu levantas as orelhas (pode ser que seja um donuts, uma bolacha,etc,etc). Se alguém come tu sentas-te a 10 cm e fazes o "olhar-tenho-tanta-fome" ou o clássico "estou-tão-magrinho", que em 95% das vezes resulta em gulodice extra. Falta de apetite nunca foi o teu problema. Lembro-me das recomendações do médico quando eras pequeno: açucar em demasia pode provocar cegueira, ossos finos podem romper o estômago e mais uma panóplia de coisas. Quando eu dizia que não ias ter com o meu pai que dizia: "coitado do cão, só come chocapic!". Era o teu tiro de sorte...uma fatia de queijo, um pedaço de pão (com manteiga, que seco fica açorda no meio da baba ), uma bolacha e por aí fora. Só as uvas é que te aborreciam. Saltavam muito e não as conseguias comer. Mesmo assim, habituei-me também a dizer menos vezes não. Na altura de ir passear levava sempre qualquer coisa a dobrar para dividir contigo. Tal como eu, também ficaste fã dos míticos biscoitos de orelha, de Santa Maria. Hoje é dia de festa. Sim, desde aquele momento em que nasceste na pátria dos Hunos, já passaram 9 anos.
A minha avó deve estar a acordar. Vou ligar para te ouvir. Como é o teu aniversário ela vai deixar-te entrar na sala para te aproximares do telefone.
Se não for assim, vou mover as minhas influências no local e pelo menos o queque de laranja está garantido. Não te preocupes!

segunda-feira, outubro 09, 2006

O miradouro

Fogo de artifício em Gotemburgo (ontem à noite)

Há ideias que o passar do anos amadurecem. Há pensamentos que se reformulam, teorias que se adaptam, momentos que se diluem nas águas do passado. Lembro-me de filosofias lançadas em noites de luar alentejano, de resoluções debatidas no reflexo do Tejo, de cenários tão perfeitamente imaginados que a sua não realização parecia um ultraje.
Não posso dizer que mantenha todos os conceitos com que cresci. Alguns também cresceram (evoluiram?) comigo, outros simplesmente desapareceram. Há um cuja definição se mantém para mim inalterada: felicidade. Não existe como modo de vida. Vive-se a espaços, tão só e apenas. Isso gera em mim uma série de questões, começadas invariavelmente por: "e agora, estás feliz?". Segue-se a constante procura e o infindável cansaço. Planos, objectivos, metas. Traçá-los estabelece o trilho, alcançá-los provoca a felicidade. Mas...e depois? Já está? Já acabou? Começam novos objectivos, novos trilhos, nova busca...o mesmo cansaço.
Passo às coisas mais simples. Os meus familiares estão bem. A Mariana já dá pontapés com fartura e para a semana deve estar "cá fora". O Sebastião está gordo e fala com a minha avó. O meu irmão gosta do novo curso e o futuro parece mais fácil.
Os amigos mais próximos fazem-se notar e não negam as palavras. Todos os pedaços que me formam parecem estar em ordem. Não consigo parar de me preocupar, nunca consigo, não é do meu feitio. Seguro em várias cordas as peças deste puzzle que sou eu. Como qualquer outro ser humano. Uma voz, umas palavras, uma notícia. A felicidade vivida no momento que a define, com a intensidade que o afecto escolhe.
A pergunta repete-se: "Feliz?". Olho então para dentro e observo em redor. Perto de mim tudo parece feito por medida, tudo se parece encaixar, tudo parece ser como sonhei em questionários internos a mim mesmo.
"Feliz então?", volto a insistir.
Como se procurasse um miradouro. Nesse miradouro apenas um banco. Silêncio, paz, descanso e uma vista dislumbrante. Lá sentado eu diria: "Finalmente cheguei e que feliz isso me deixa. Estou descansado."
Depois percebo que não é bem assim.
Quanto mais procuro, mais tenho a certeza que não existe...ou pelo menos não existe como um destino. É apenas um ponto de passagem. Nisso sim, nisso acredito piamente. Todos os dias passo por esse miradouro, sento-me e respiro fundo. Aprecio a paisagem e sigo caminho. Se lá ficasse parado deixaria de ser eu. Percebo agora isso. O que me deixa feliz.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O céu

Já há algum tempo que não experimentava esta sensação.
Olhar para cima e não ver o azul do céu, o dourado do sol ou os contornos das nuvens.
Gosto de um "céu definido". Daqueles onde se percebe o fim de uma nuvem e o início de outra, sempre com um fundo azul celeste. Como aqueles que todos desenhámos no jardim escola. A árvore em cima de terra castanha e de copa verde, as nuvens gordas e esponjosas e o sol, sempre no cantinho da folha, de amarelo pintado e com um sorriso radioso. É esse o céu que gosto.
Nunca parei muito tempo a pensar nisso. Talvez porque toda a vida vivi debaixo desse céu e nunca lhe dei a importância devida. Será por isso que todos o desenhávamos da mesma forma? Teríamos todos a mesma "musa"?
Por esta altura do ano, quando o sol nasce já eu estou a meio caminho do trabalho. Hoje esperei, esperei, mas nada. Não apareceu de manhã, não apareceu na hora de almoço e já não aparecerá. Todo o dia debaixo de uma cortina de cinzento.
O verão foi anormalmente longo para estes lados e já me tinha habituado ao sol novamente. Deduzo que seja a chegada do frio e do tempo mais escuro, anunciado nesta obscura cortina que mandou o sol para outras paragens. Talvez por isso me tenha lembrado do "meu céu", talvez por isso constate como são importantes alguns detalhes a que nunca liguei. Tudo parece mais fácil, alegre e feliz quando acompanhado pela luz.
A adaptação, a verdadeira integração neste novo espaço geográfico acontece quando as diferenças são marcantes. A chuva, a neve e o frio, obrigam a uma busca de actividades nada comuns para um europeu do sul. Todos têm os seus "hobbies", de forma a enfrentarem as longas estadias caseiras no período que se aproxima. É normal coleccionarem carros com mais de 50 anos e passarem o inverno enfiados nas garagens a brincar aos "bate-chapas". Não é o meu estilo sinceramente. Ainda me lembro da cara de espanto (e estupefacção!!) do meu pai quando abrimos um "capot" de um carro pela primeira vez e eu não sabia qual era o cabo do acelerador. "Como é que não sabes??", perguntava ele. Eu sou aquele tipo de homem que quando o carro tem uma avaria não vai a correr abrir o "capot" e olhar para o motor com cara de caso. É indiferente fazê-lo ou não. Depois, tenho a certeza que o melhor que conseguiria era partir algo, o que também não ajuda. Sinceramente brincar aos "bate-chapas" não me seduz. Até sou "caseiro", até gosto de "engonhar" pela casa, mas quantos livros de podem ler, quantos filmes se podem ver, quanto karaokes se podem cantar na playstation antes de ficar farto?
Eles têm as rotinas já definidas porque toda a vida viveram assim. "Não há mau tempo na Suécia, só há roupas inadequadas", dizem eles. Se chove vestem o fato impermeável e vão fazer jogging, vão para os ginásios ou usam um casaco melhor para andar na bicicleta. Se neva, tiram os skis to armário e vão andar à volta de casa. Adaptam as acções do dia ao que o dia lhes permite. E depois, acho-os "rijos". Não se encolhem com a chuva, com a neve ou com o frio. Os putos deixam de "chapinhar" nos lagos e passam a rebolar-se na neve. Ver tudo isto é muito giro, mas não tão fácil de "seguir".
É como se o último passo ficasse por dar. Eu acho que a verdadeira integração numa sociedade passa por adaptar como próprios, os costumes locais. Se eles fazem algo com uma camisola para combater o frio, eu farei com duas, mas não deixarei de fazer.
Sou normalmente optimista e penso em tudo antecipadamente aí uns.....bem uns.....epá....3,4 seg antes de acontecer. O que significa que sabendo de antemão o frio que iria enfrentar, pensei sempre: "Na altura desenrasco-me". O primeiro inverno foi passado no "quente" de casa, tipo urso polar. Cheguei em fevereiro e só queria tentar fugir do frio. Agora, já o enfrentarei de uma forma mais tradicional, não abdicando de actividades exteriores.
Há pouco tempo uma amiga perguntava-me se já me tinha arrependido de ter saído de Portugal. Honestamente, continuo a achar que não existe o sítio perfeito. Por muito que procure, haverá sempre algo que não me agradará. Mais por defeito meu do que propriamente do local. Por aqui, os ventos frios do norte são certamente o que mais me desagrada e o que mais pesa no lado "mau" da balança. Contudo, ainda não chega sequer para equilibrar com o lado "bom" da balança, que dia após dia me vai provando que o frio até se aguenta e é um mal menor.
Apesar disso, não deixo de notar como o cinzento do dia altera o meu estado de espírito, deixando-me mais melancólico e triste. É também uma sensação nova, a que terei que me habituar. Em Portugal, por ter um céu tão radioso e uma quase constante luminosidade, nunca percebi a sua influência no meu bem estar. Aprendi a dar-lhe valor, o que já não é mau.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Solidariedade

Manuela Moura Guedes vai "voltar" (acho piada a este termo neste contexto) a cantar por causas solidárias.
Rui Veloso será o companheiro de tão dedicada tarefa, o que não se pode deixar de considerar um acto de solidariedade para com a MMG e espectadores da TVI.

"With the sound of music..."

Falando em música, acabei de ter o meu momento cultural do dia.
Um arroto anunciando um pequeno almoço de ovos e bacon ecoou nestas paredes.
De seguida o regozijo do dever cumprido com um :"Ohhh mennnnn!!" de imediato secundado com o refrão de "Música no Coração".
Meus amigos, isto é pura arte em movimento.
Ainda bem que o único Neo-Zelandês presente na Escandinávia se senta a meio metro de mim...

Pagam?

Dizem-me que as músicas que passam na rádio têm direitos de autor. Ou seja, cada vez que passam um tema, são obrigados a pagar uma quantia que reverte a favor do autor/grupo que a fez. Isso já justifica a enormidade de antiguidades que se ouve nas antenas do FM. Talvez haja um "pack" de leve 10 e pague 5, se incluirem os Roxette, a Cindy Lauper, a Mariah Carey, a Whitney Houston, o M. Jackson (na fase: "...for you and for me and the entire human race... ") e os Technotronic (sim, também já ouvi...). Até me parece um sistema justo e talvez evite que os músicos morram à fome, mas o que me deixou a pensar foi o que de seguida me perguntaram: "Não acontece o mesmo em Portugal?".
Sinceramente não sei. Ao que parece esta lei dos direitos de autor é "mundial" (se é que isso existe), não se restringe a um país ou a um estado.
Nunca tal ouvi em Portugal. Será que as nossas rádios pagam direitos de autor por cada música que tocam?
Fiquei curioso. Gostava de saber.

O teatro

Nós homens somos uns seres, no mínimo estranhos, para não dizer limitados.
Quando nos aproximamos uns dos outros, não levantamos a perna junto a uma árvore, não nos cheiramos ou lambemos, mas temos os nossos rituais.
A forma mais fácil para uma primeira abordagem, é o clássico tema da bola, dos carros, dos copos ou quem sabe de uma outra loura, se o nivel de "sou-o-maior-lá-da-rua" de um dos "aproximantes" for elevado.
Este ritual não se restringe à tasca do Xico em Cuba do Alentejo ou às oficinas da Lisnave em Cacilhas. Acontece à escala planetária.
Enquanto escrevo, está um chinês do outro lado do mundo a dizer: "Então e o nosso Bê-Fica-san?". É um fenómeno global.
Assim sendo, quando percebem que não sou sueco (o que não é facil porque ao longe pareço o Bnorj Borg, mas mais alto) usam uma destas aproximações clássicas. Carros, por serem o tema de trabalho, não têm tanta piada e poupa-me a algumas vergonhas que passei no meu antigo emprego. Lembro-me do primeiro colega com quem trabalhei (na 1a semana) que me bombardeava com perguntas do modelo x1, v2, z4 ou y7, julgando-me também um aficionado (como 90% das pessoas que trabalham com carros), mas infelizmente (para ele) eu não era um companheiro à altura. Nunca liguei a carros e depois de trabalhar nesse ramo, ainda lhes ligo menos. Lembro-me do "carinho" com que me mostrou as suas fotografias do carro nos pastéis de belém. Eu achei estranho alguém ir aos pasteis com o carro, mas se calhar além do sumol e galão, também servem 1/4 de oleo fresco para acompanhar. Adiante.
O tema dos copos também não é o ideal porque como apanham bebedeiras monstruosas ao fim-de-semana, durante o resto do tempo convém esquecer as figuras tristes. Mulheres...bom, mulheres não porque aqui ainda não desenvolveram o assobio ao ponto de o lançarem do 4ö andar de um andaime, acompanhado da devida legenda de caractér gustativo.
Ora isto quer dizer que sobra a bola. A clássica bola. Para eles a coisa é simples. Internamente pouco mais há do que amadores com boa vontade, pelo que seguem com especial afinco o que alguns compatriotas fazem no estrangeiro. O mesmo é dizer que passam os jogos dessas equipas. O herói nacional do momento chama-se Zlatan Ibrahimovic (e que por acaso é descendente de croatas) e joga na mesma equipa do Figo, que por sua vez é casado com uma sueca (do norte! Essas diferenças também existem por aqui....).
Quando entre eles dizem: "Epá, aquele gajo afinal não é o Bjorn Borg!!" e percebem que sou português, recorrem aos cérebros tripartidos (1 parte bola, 1 parte copos e 1 parte de reserva) e retiram do espaço "bola" a recorrente piada: "Olha lá, os jogadores portugueses fazem todos escola no teatro??"
"Ahahahahahahaha", bradam as hordas Vikings. Da primeira vez ouvi e sorri, da segunda só mostrei 3 dentes, a partir da terceira já fechei mais a boca e abri mais os olhos (sempre na hora de almoço que é quando se pode dicutir :)). Desenhei bandeiras portuguesas onde eles metem suecas (o que é praticamente em todo lado...ó que raio de fascínio pelo trapo), imprimi uma imagem bem grande do Obikwelu a vencer um sueco ao sprint e de vez em quando chateio-os com o facto do herói nacional nem ser um "blablaSSON" qualquer. Resultou. Acabaram-se as piadinhas.
Agora quando abordam o meu país perguntam coisas na vertente turística. Que sitio aconselho, se é caro, como são as praias, que cidades são mais interessantes e por aí fora. Não tarda, recorrendo um pouco ao espírito judeu, estou a montar um negócio de nome "Viking and Son" e a alugar apartamento em Lisboa, para as férias de verão desta malta. O que para o clima a que estão habituados seria todo o ano, tomando Portugal como referência.
Huuuuum....agora que penso nisso....

quarta-feira, outubro 04, 2006

A escorrer baba

Foto de J.Franco que ia a 3Km/h

É um avião?
É uma bala?
É o super-homem?
É uma montagem fotográfica?

Não...é o Sebastião a passar pelo chão a uns estonteantes 2 Km/h!!

É a minha deixa!

O Neo-Zelandês acabou de chegar.
Como se fosse um transatlântico a encostar na doca, enviou um sonoro e audível "blaaarghhhh" quando estava a 10 passos da sua secretária. Satisfeito por tamanho arroto sorriu com um sonoro "ohohohoh".
Orgulhoso da obra feita, sentou-se e antes que a cadeira aquecesse puxou de uma maçã.
Começou a "sorvê-la" como se fosse um calipo.
É claramente a minha deixa. Vou para o laboratório!

Os "pan pipes"

Sou um compulsivo e intratável consumidor de música.
É para mim perfeitamente natural, chegar a casa carregado e sem colocar qualquer saco no chão (ou tirar os sapatos como manda o costume local), ligar o rádio ou o pc para seleccionar a música do momento.
E existe sempre uma música adequada a cada ocasião. Sempre. Se vou para a casa de banho, se me vou vestir, se estou a cozinhar, se estou a escrever,etc,etc...tudo, mas rigorosamente tudo tem que ter banda sonora à altura.
Em Portugal, todas as manhãs a caminho do trabalho ouvia o P.Ribeiro. Na Best, na Comercial, no RCP, não interessava. Continuo a achar que é o melhor locutor de rádio (pelo menos no período em que habitualmente ouvia rádio) e como tal era a minha "companhia" matinal. Teria ouvido a "Romântica" ou o "jogo da mala" na Renascença se ele o apresentasse. Durante os períodos publicitários, fazia "zapping radiofónico" a uma tal velocidade, que não chegava a ouvir nada. Óbviamente aqui não apanho a Comercial ou qualquer outra estação onde esteja o P.Ribeiro e sinceramente tenho pena. Por outro lado, também não apanho nenhuma onde esteja a Lamy, o Malato ou o Nilton (quem é que fez este gajo acreditar que tem piada?) e isso já não é tão mau.
Mas ao fim de 7 meses de rádio "polar", chego à conclusão que nós (portugueses), podemos estar na cauda da Europa em toda e qualquer estatística de crescimento económico, mas meus amigos, nas influências musicais e respectivo acompanhamento, estamos no primeiríssimo mundo.
Até ao momento só distingui dois tipos de emissão.
1 - A "orbital": que passa todo e qualquer "remix" do mais rasco possível. Daqueles tão maus, tão maus, que uma discoteca da beira interior com um sem número de Famel's e Zundapp's 77 na porta, se recusaria a passar.
2 - A "Nostalgia": que passa a malta dos 80's e 90's, com especial relevância para os Roxette (produto local), a Whitney Houston e o seu "One moment in time" e a Mariah Carey na sua fase saia-maior-do-que-o-cinto.
Ora, entre estas duas hipóteses, escolho sempre a "Nostalgia". É normal por isso, vaguear entre alces e vikings abanando o capacete, enquanto canto:
"There's a hero, if you look inside your heart...." ou "give me one moment in timeeeeeeee..."
Hoje um pequeno 25 de Abril aconteceu naquele carro. Não me esqueci da caixa de CD's em casa e pude dar algum descanso à malta do pop electrónico.
O boliviano, companheiro de viagem, disse-me que na terra dele a música "pan pipes" é tradicional. Confesso que esse tipo de música me faz lembrar sempre um elevador de um edifício de escritórios, mas tentei encontrar algo que fosse próximo.
O melhor que arranjei foi um álbum dos resistência. Claro que saltei as canções que o Tim canta, para não alterar aquele conceito "pan pipe".
A coisa funcionou, porque passados 20 minutos ele puxou de uma "almofada de piscina", que encheu com 3 sopros. Encostou-se e dormiu o resto de caminho. De imediato comecei a trocar CD's como quem troca berlindes. Uma música daqui, outra dali, ora canta esta, ora berra aquela. Não há zapping de rádio, tenho que o fazer com o CD. Clã, Jobim, Caetano e uma chegada triunfal com o Jeremy dos Pearl Jam.
Enquanto as ouço lembro-me sempre de alguém. A cada pessoa que me está "próxima" associo sempre um música. Não sei porquê.
Sai de forma natural e é mais um motivo de conforto enquanto me delicio com alguns temas.
Para descrever este actual estado de espírito, usarei uma frase imortalizada por um craque da bola, lá dos lados do Douro:
"Estou feliz por estar contente!"

terça-feira, outubro 03, 2006

O fabuloso destino de John e Abib

John era uma americano, culturalmente falando, acima da média.
Todos os dia almoçava um Big Mac. Ao contrário da maioria dos seus colegas não o fazia com as mãos e recusava-se a empurrar a salada com o dedo.
Usava garfo e faca. Despojos de uma educação europeia. A mãe nascera em Toulose e o pai viera de Nancy. Casaram-se no escaldante Maio de 68, procurando depois refúgio na terra prometida, onde viria a nascer John. Foram operários anos a fio, na companhia onde hoje em dia, John tinha uma importante posição. Envolventes janelas o circundavam no seu elegante escritório, algures no 57ö piso de um arranha céus em Detroit. John, era dos poucos naquele piso que sabiam que do outro lado do rio estava o Canadá. Era por isso respeitado.
Vivia sozinho. Uma vida dedicada ao trabalho e ao estudo do mundo que rodeava Detroit, não deixou a John tempo para a contrução de uma família.
Certo dia, em busca do conforto de uma pelo sedosa, John vagueou pela baixa de Detroit até entrar num bar de nome "Rasputine".
Entre um cognac e um vermute, John reparou numa rapariga de pele branca e cabelo dourado. Pela ausência de raízes pretas, deduziu que não era pintado. John era esperto e de imediato pensou que tão cristalina aparência devia ser de outras paragens.
Estava certo. Inga chegara recentemente da europa, mais concretamente de söfar, uma pequena aldeia no círculo polar ártico, conhecida pelo sol da meia noite. John, apesar de comer de garfo e faca (como os pais ensinaram), tinha estudado nos liceus de Detroit, pelo que para ele a Europa era um conjunto de países até Veneza e a partir daí até ao Japão ficava o território Siberiano. O manual por onde John estudara tinha sido escrito pelo senador McCarthy e por isso, falar com Inga tinha sido como descobrir que o mundo afinal não era plano.
Muito afoito regressou para o escritório, a sua verdadeira casa, e releu os relatórios de contas. Finalmente percebeu que aquela "sucursal" que apresentava sempre resultados negativos não estava encerrada num "gulag", nem era gerida por pessoas movidas a vodka. Afinal até nem estava tão longe assim da sua Veneza-limite-europeu. Animado e aproveitando a diferença horária, John ligou para o escritório do Ártico. Aí pediu para falar com o chefe local. Este, ouvindo aquele cujas fotografias estavam espalhadas pelo corredor, não conseguiu conter uma certa flautulência resultante da emoção. John tinha sido claro. Queria resultados, queria lucros e não aceitava mais as habituais desculpas do frio. "Frio é na Sibéria! Se forem bem agasalhados nas gôndolas, não sentem o frio aí no Ártico!!", dizia.
Totosson, o chefe local não perdeu tempo. Convocou todos os trabalhadores e formou equipas, exigindo resultados, nem que para isso fosse necessário trabalharem 24h sobre 24 horas.
Abib, era um emigrante curdo. O único que não nascera no Ártico e cuja pele não refletia o sol. Fora destacado para trabalhar com Falamuitosson, uma rapariga da terra. Abib já tinha reparado que Falamuitosson gostava de reuniões, de falar, de traçar planos, de dizer "nós", mas quando chegava a altura de "sujar as mãos", ficava normalmante com problemas gástricos e desaparecia.
"Desta vez será diferente! Foi uma ordem do John", pensou Abib.
Quando as 17h chegaram Abib estava só. "Já terão passado as 24h?", pensou. Ainda não tinha visto a sua colega de trabalho e tinha estado a fazer as tarefas de ambos sozinho, durante todo o dia. Estava um pouco aborrecido, mas de repente avistou a sua colega ao longe. Parecia que vinha na sua direcção quando algo interrompeu a passada. Surgira a hipótese de uma boa conversa e Falamuitosson não queria deixar os seus créditos por mão alheias.
Falou calma e descontraídamente durante 3h, esticando de quando em vez o polegar a Abib, dizendo: "Está a correr tudo bem?".
Ao fim das primeiras 2h Abib estava mesmo chateado e prestes a retornar para o seu antigo negócio de Kebab. O limite foi atingido 1h depois, quando o relógio batia as 20h e Falamuitosson continuava descontraídamente a esgotar a gramática local.
No seu Curdistão natal, Abib ter-se-ia levantado e em tom de voz ligeiramente alto diria: "Olha lá, por acaso tenho uma bola vermelha no nariz?? Achas que tenho cara de palhaço??". Abib sentia uma urticária enorme e uma vontade incontrolável de pregar ao profeta, mas no Ártico não se discute e está sempre tudo bem.
Assim, quando 3h depois Falamuitosson se dirigiu a Abib dizendo: "Sabes Abib, estou muito cansada. Dói-me a cabeça e preciso de ir descansar para o conforto do lar. Amanhã é que me vou concentrar nisto a 100%"
Abib sorriu e disse: "Então vemo-nos amanhã. Melhoras e descansa, que hoje foi um dia puxado."

Um despertar diferente

A minha manhã começa com um sorriso.
Será um sorriso gerado por um sentimento de uma basicidade atroz? Sim.
Mas ainda assim dá-me um certo gozo e um alento extra para ir trabalhar? Sim.
Devia disfarçá-lo para não parecer um cromo da bola? Devia.
Consigo? Não.
Desde pequenino, mesmo pequenino, quase de berço que gosto do Braga?Sim, sim,sim.
Era daqueles que há uns meses dizia que o Marcel, esse prodígio do rodízio e do fubá, era um coxo? Sim.
Continuo com a mesma opinião? Sim.
E isso ainda me dá mais gozo? SIM,SIM,SIM.

segunda-feira, outubro 02, 2006

A ofensa

Quim, não fazias a coisa por menos?
Pela conversa do Karim e do Abdul, parece que isso de fingir que te estás a virar para Meca, quando o que queres mesmo é apanhar uma bola, é ofensivo para o profeta.
Não passes por aqueles lados (imagino que comecem a queimar retratos teus), que ainda ficas com a roupa a cheirar a patuscada.

Não me lixem!

" Pedro Feist propõe o aluguer de 379 veículos, considerando que a autarquia disponibiliza viaturas ao presidente, vereadores, directores municipais, directores de departamento e chefes de divisão e apoio aos serviços.
Como tal, a proposta para a abertura de um concurso público internacional para o aluguer das 379 viaturas especifica que, dessas, 18 a 23 terão de ter cilindrada entre 1800 a 2000 centímetros cúbicos (CC), pois destinam-se aos directores municipais ou equiparados, 45 a 60 terão 1500 a 1800 cc, uma vez que serão usadas por directores de departamento ou equiparados, e 200 a 230 terão 1300 a 1500 cc de cilindrada pois destinam-se a chefes de divisão e apoio aos serviços.
Além das viaturas para os quadros municipais acima referidos, a Câmara quer alugar para os serviços 65 a 85 veículos com 1250 a 1600 cc de cilindrada e 7 a 15 veículos com 700 cc de cilindrada.
A proposta de Pedro Feist refere ainda que, no âmbito deste concurso, a autarquia irá alienar do seu parque automóvel, que totaliza 607 viaturas, 178 veículos por 946 mil euros. Das viaturas a alienar, 18 datam de 2003, sendo que oito estavam afectas aos directores municipais ou equiparados.
A proposta refere ainda que alugadas as 379 viaturas, a Câmara ficará com um encargo, a pagar em quatro prestações anuais (2007 a 2010) de 1375 mil euros.
O executivo municipal de Lisboa dispõe de 49 motoristas afectos aos vários gabinetes: oito para o Gabinete da Presidência, seis para o gabinete de Fontão de Carvalho (Finanças e Património), três para Marina Ferreira (Mobilidade), cinco para Pedro Feist (Obras e Higiene Urbana), seis para Gabiela Seara (Urbanismo), quatro para António Prôa (espaço público), quatro para Amaral Lopes (Cultura), três para Sérgio Lipari (Acção Social e Educação), cinco para Maria José Nogueira Pinto (Habitação Social), dois para o gabinete do PS, um para o gabinete do PCP e dois para o gabinete do Bloco de Esquerda. "


(...)
Apetece-me gritar e dar pontapés no Neo-Zelandês que não pára de arrotar atrás de mim. Mas na verdade, não é com ele que estou chateado...O que me enerva neste preciso momento é ter nascido num país de saloios, que comem sardinha e arrotam camarão, que fazem do novo riquismo um estilo de vida e que
à custa do erário público definem, criam e arranjam previlégios impensáveis para funcionários públicos de um país rico, quanto mais para Portugal.
É um país pobre o nosso, sabiam? Porque é que um mero vereador de uma câmara, que espalhou por toda a comunicação social que ia trabalhar sem receber nada (M.Nogueira Pinto) tem 5 motoristas? Porque é que qualquer vereador (e até mesmo presidente) tem um motorista que seja??
Quando é que os altos cargos públicos da nação vão deixar de ser uma autêntica feira de vaidades, um desfile de saloismos terceiro-mundistas e começam realmente a fazer algo pelo país?
Por segundos (apenas isso), consigo ver um sentido na fuga aos impostos.
É muita incompetência, é muita confusão, é muita corrupção e já enjoa, já não é suportável.
Trabalhem e justifiquem o salário, pelo menos isso, cambada de saloios!!
E tu Sócrates, não te encolhas e corta a direito nas despesas da função pública. Começa nas câmaras (incluindo aquela de Viseu do "Mr. Tacho" Fernando Ruas) e acaba nos "institutos públicos" criados uns em cima dos outros, com tarefas repetidas, para albergar a malta do cartão rosa e laranja...
Vá, faz-me lá esse favor Zé. Deixa-me a pensar que os meus impostos não servem para pagar o carro da Maria-ai-que-saudades-do-Salazar-Nogueira Pinto.
Obrigado.

O Buda e a Peste

Não sei se passou um ovni, se alces resolverem atravessar a linha ou se procuravam um gajo de turbante com uma bomba na cintura.
Sei que o comboio parou, sei que esteve imóvel uns bons minutos, sei que me atrasei. O que foi bom.
Fiquei até chateado quando aqui cheguei. Não por ser segunda-feira ou o início da semana, ou qualquer outra coisa do género. Fiquei aborrecido porque não consigo andar no meio de pessoas e ler ao mesmo tempo sem tropeçar. Foi por isso que me custou chegar ao trabalho e ter que, a contra gosto, fechar o "Budapeste".
O livro está no seu último capítulo e o enredo envolve-me cada vez mais. Sentia-me tão "dentro" da história que não estranharia ouvir húngaro quando entrasse nestas portas. Foi até estranho ter que falar inglês. Vizualizava palavras húngaras cuja pronúncia nem sequer imagino e da boca, queriam sair apenas legendas de Camões com sotaque de Vera Cruz.
De volta à realidade, o desejo expresso de que o almoço venha rápido. Ninguém me tira da mesa enquanto não perceber o que vai acontecer ao (K)Costa :)
Depois de olhar para o cartão de ponto pensei nos "profissionais-da-inpiração". Escrevem, cantam, desenham quando querem ou quando a musa criadora dá sinal. Não têm horários, não têm regras rígidas. Esperam pelo momento. A música certa, a paisagem exacta, o acontecimento específico, tudo, mesmo tudo pode funcionar como o "click" criador. E depois, é soltar e deixar ir.
Admiro e invejo essas pessoas. Imagino-os sempre de roupão vermelho, a despertarem num "loft" nova iorquino com chão de madeira, espreguiçando-se enquanto pelas longas janelas vislumbram o corre-corre dos aflitos. Táxis circulam, pessoas correm, toda uma azáfama em torno de um objectivo, prazo ou horário do momento. Esses momentos somados formam os dias, que repetidos originam meses, anos e vidas. O corre-corre garante o salário, denominador comum da sobrevivência e quem sabe algo mais. Mas para ele (o escritor), esse salário também aparece. Só que para isso, não necessita de exercer algo que um diploma lhe diz que sabe, que um CV obriga a saber ou que o mercado necessita desesperadamente. Tem um dom e usa-o. Tão só.
E é por isso que os admiro. Fazem o que realmente gostam, são pagos por isso e não têm horários para falar com a inspiração.
Inventam histórias. Pode existir algo melhor do que inventar histórias? Não o fazemos a toda a hora por toda e qualquer razão? Mesmo que não seja em público ou voz alta, não andamos sempre a contar histórias ao nosso imaginário?
Já admirava o Chico Buarque enquanto "escritor de canções" e acho-o extraordinariamente imaginativo neste seu romance, "Budapeste".
Admiro este tipo de pessoas, admiro muito. Invariavelmente, ocorre-me a mesma pergunta: "Como se entrará neste mundo?"
Bolas...até a Margarida Rebelo Pinto escreve livros.