quarta-feira, agosto 30, 2006

O urso

A cantina aqui do estaminé só abre às 7h. Por essa razão, costumo trazer uma bela "sandocha" quando venho mais cedo.
Nunca me esqueço de nada, quer dizer... raramente me esqueço de qualquer coisa...epá, de tempos a tempos falha-me a memória...ok, há dias que são maus...isso, é isso...hoje esqueci-me da "sandocha"!
Mal a cantina abriu, corri para lá capaz de devorar um leitão! É como ir ao supermercado quando se tem fome...dá sempre asneira! Compra-se tudo e mais alguma coisa, sem que a maior parte chegue a ver o fundo do tacho em prazo útil de validade.
Uma sandes seria normalmente suficiente, mas deparei-me com uma fotografia ilustrativa de um menu de pequeno-almoço. Era comparativamente mais barato e parecia muito. Isso bastou-me. Eu sou aquele tipo de pessoa que vai para um rodízio com calças largas e que come até ficar com a sensação de que retirou qualquer hipótese de lucro à casa. Nunca perceberei isto...gosto de pensar que são influência paternas, para encontrar alguma lógica na coisa :)
O menu tinha a sempre desejada "sandocha", o leite, o ovo e uma pratalhada de maizena. Na fotografia percebi que colocavam canela em metade do prato e doce de morango na outra metade. Aquilo pareceu-me estranho, mas tradição é tradição, pelo que segui os costumes locais.
Quando acabei, estava entre o estado "e agora??" e o "aiiiiiiii". Arrastei-me para o meu sítio e comecei a resolver equações sem solução, pensando no que me espera. Decididamente não tenho estômago para todos os hábitos alimentares escandinavos. Eles já me explicaram que ingerem muitas calorias, para criarem uma massa adiposa que os aquece durante o inverno. "Ahh...como os ursos?", pensei.

A Manuela


















Gosto muito dos Clã. Acho-os por esta altura do campeonato a melhor banda em Portugal.
Mas mais do que dos Clã, gosto especialmente da sua vocalista, a Manuela Azevedo. Sinto que nela, a canção é um mero acessório. Seja qual for, está sempre garantida uma interpretação excepcional.
Além dos temas da própria banda, já a ouvi a interpretar Ornatos, Xutos, Rui Veloso (a melhor versão de sempre do "Bairro do Oriente"), Variações, entre outros. O denominador comum é sempre a qualidade. Eu até acho, que ela tornaria uma música do Tony Carreira suportável se a cantasse (tenho-a mesmo em boa conta!!).
Ainda bem que o país perdeu esta advogada :)
No site dos Clã, somos recebidos com um "souvenir" do concerto em Paris. Vale a pena passar por lá.
"Taco-a-taco" com a "francesinha", a Manuela é do melhor que o Porto viu nascer :)

A surpresa do dia...

...foi encontrar uma amiga de infância, com quem não falava há anos.
Aconteceu enquanto navegava nas páginas do DN.
Adoro estes acasos :)

terça-feira, agosto 29, 2006

O "Business Coordinator"

Quando cá cheguei, a pessoa responsável por "inputar" (adoro estes "inglesismos"...) as horas, controlar os carros da empresa e fazer o trabalho administrativo (ou de "Business coordination" como lhe gostam de chamar) era um homem. Era simpático e flexível. Todo o fluxo profissional corria como faca quente em manteiga. Ainda havia tempo para umas piadas, para beber um copo e até para jogar PS2, já que chegámos a dividir casa. Não complicava, acho que era esse o segredo...ele não complicava.
Era um homem. Esta parte é importante, embora só agora eu perceba isso.
Há poucas semanas foi substituído por uma senhora, a quem o mundo parece ter feito mal. Tem sempre uma cara de 1,5m e eu até perco a vontade de dizer seja o que for. Não sou muito destas coisas, mas esta senhora parece um pastor de Viseu, 5 meses depois de entrar na GNR e regalar-se com a autoridade do cargo: "Bom...parece que vou ter que o autuar e tal..."
Será impressão minha, ou o mulherio de uma forma geral, gosta um bocadinho mais de recorrer ao complicómetro sob capa de seriedade?? Eu não me considero machista, pelo que a pergunta é sincera...
Ontem perguntei-lhe (por mail): "Dona Tetéia, alguém requisitou o carro para amanhã?" ao que ela respondeu: "O Tiago só requisitou o carro até hoje às 17h."
Imaginando alguma dificuldade de Inglês liguei e disse: "Olá Dona Tetéia, como está? Olhe, alguém requisitou o carro para amanhã?" e do outro lado do telefone chegou: "É o único carro que temos disponível neste momento."
Apeteceu-me dizer (bem alto!!) o quanto apreciava todas aquelas filosofias, mas o que precisava mesmo era de uma resposta à minha pergunta. Sim ou Não, bastaria para me satisfazer.
Mas percebi que era o mesmo do que pedir a Lua. Desisti, dizendo: "Eu entrego o carro hoje."
Surda, parva, complicada, implicante ou incompetente? Ainda estou a tentar perceber.
Por enquanto apenas irritante. Muito!!!

O Comunismo(II)

Média salarial por grupos profissionais na Suécia(menos um '0' para valor aprox. em Eur)

Toda a reflexão anterior veio a propósito da realidade com que me vou deparando no meu dia-a-dia. Na escandinávia há uma real aproximação de classes.
Segundo as estatísticas do governo sueco, entre os 10 grupos de ocupação profissional mais comuns, há um fosso de 300 contos. Tirando os altos executivos que andam na casa dos 700 contos (salário que qualquer acessor de acessor de vereador em Portugal tem...), os restantes 9 grupos recebem entre 320 e 600 contos. Claro que isto é uma estatística, não mais do que isso, mas dá que pensar. No fundo, a toda a gente é garantido um mínimo bastante razoável para um vida descansada. Como exemplo, a diferença estatística entre um engenheiro e um camionista são 140 contos, sendo que o camionista recebe 360. Os salários são discutidos e impostos pelos sindicatos. Há força e pressão, mas também há justiça. Há uma tabela onde cada pessoa, consoante a área e os anos de experiência tem direito a um salário mínimo. A partir daí estimula-se o mérito e a competência, mas o mínimo (razoável na minha opinião está sempre assegurado ).
No outro dia, contaram-nos uma história sobre a vizinha Noruega. O governo adquiriu carros pequenos para os seus ministros (não sei se eram Lupos, mas eram carros bastante modestos) e o povo de imediato se indignou. "Para que precisam de carros? Não podem continuar a usar os transportes??" disseram. Achei piada, quando me lembrei que o Santana (como é que um atrasado desses foi primeiro-ministro do nosso país??) mal entrou, encomendou não sei quantos carros de luxo para renovar toda a frota do governo, por si já de luxo. Resta dizer que a Noruega é o país mais rico do mundo.
A minha professora de sueco explicou-nos que o "PS" local está no poder há 70 anos, nos últimos 20 em coligação com o "PCP" e com os "Verdes".
Eu não sei se tudo isto acontece porque está a "esquerda" no poder ou porque as mentalidades são simplesmente diferentes. Não sei, mas isto parece-me mais justo e mais social. Mais próximo da tal utopia.

O Comunismo(I)

Algures entre um episódio do Dartacão e do He-Man, perguntei ao meu pai o que era isso do comunismo. Em pequeno era muito chato (mais...) e passava o dia a perguntar...tudo, mesmo tudo. Essas explicações começaram há muitos anos, continuaram em cada primeiro fim-de-semana de Setembro e perduram como tópico em muitas conversas. É uma explicação dinâmica eu diria e como qualquer conceito definido pelo Homem, nunca está "fechado". A história redefine-se todos os dias.
Lembro-me que em pequeno, aquela da "sociedade sem degraus" me pareceu boa. Fazia sentido e tornava o mundo equilibrado. No entanto, ao olhar à volta não via nada disso. Primeiro na minha rua, depois no bairro, na cidade, no país e mais tarde no mundo. As diferenças existem por toda a parte e quanto mais crescemos, mais compreendemos a infinidade de degraus que nos separa uns dos outros. "Utopia" foi a palavra que se seguiu. Era um ideal bom, mas impossível de atingir. Muito bem, ficava a intenção.
Comecei a construir a minha definição de comunismo, partindo da tal utopia e chegando a uma estado social, justo. Justiça social também é outra utopia, mas ainda assim uma aproximação de classes e redução de "degraus" parecia-me o caminho certo.
Não me parece justo, e falando em casos concretos de empresas portuguesas, que um operador fabril ganhe 80 contos e que o administrador da empresa ganhe 800. Não acho económicamente saudável um funcionário público progredir na carreira apenas porque está vivo, seja qual for o seu desempenho. Não acho razoável um investigador científico viver com bolsas de 150 contos com duração de 1 ano. Parece-me desumano, abdicar da vida pessoal para estar enfiado num escritório das 8h às 22h, seja qual for o salário. Não acho normal um engenheiro ganhar 200 e tal contos em empresas como a Siemens, Autoeuropa, etc e ter hipóteses NULAS de progressão na carreira. Parece-me excessivo o que se paga (principalmente em ajudas de custo ) a deputados, vereadores, assessores e toda essa gigantesca máquina de consumir dinheiro que é a função pública. Defendo lugares políticos bem pagos, pois só assim, se conseguem os melhores executantes. Mas defendo A posição, em vez DAS posições. Um vereador deve ser competente e bem pago, para não acumular tachos (que a lei nem devia permitir!), mas não deve ter 10 assessores pagos a peso de ouro. Um para ler cada secção do jornal...
Todos estes desiquilíbrios (juntamente com a corrupção), criam muitos e muitos, talvez demasiados, degraus na nossa sociedade. Os salários em Portugal vão desde os vários mil-contos por mês até aos 30 contos. Isto provoca um buraco enorme e cria desigualdades impossíveis de gerir. Claro que eu acho que um alto e competente quadro deve ser bem pago. Uma pessoa que legisla a nação não tem sobre os ombros a mesma responsabilidade que o outro que está a picar bilhetes na Carris. Isso está claro. O que não me parece lógico é que o que pica bilhetes na carris tenha tão pouco. Nivelar sim, mas por cima. Aqui surge outro problema, que é o do nosso país ser pobre...bom, mas quanto a isso há uma história de mais de 15 anos de vergonha e desperdício de fundos comunitários.
Segundo os dados da UE (vi no jornal da 2), os portugueses são os menos produtivos da União. Passam muito tempo nos locais de trabalho, mas produzem muito pouco. Isto faz-me pensar. De uma forma geral, os salários são maus, o reconhecimento nulo e os aumentos 0% ou congelados. O pessoal fica o dia todo na sorna e não tem motivação para mais. Chegámos a um ponto em que o aumento de 0% é bom, porque significa manutenção do posto de trabalho. Estagnámos, no geral o país estagnou.

segunda-feira, agosto 28, 2006

O Cadillac

Cadillac BLS


Novas tarefas "abordadas": "sistemas de comunicação" dizem eles. Muito genérico e a permitir pano para mangas, digo eu. Especificação de funções para hoje, nova reunião amanhã. Para já o cenário proposto agrada-me e o novo desafio estimula-me. Veremos amanhã se percebi tudo bem...
O mesmo é dizer que hoje terei um carga de trabalho, em tudo semelhante à de um funcionário público, quando o relógio bate as 14.59h.
Neste período de enche chouriços, aproveito para referir as saudades que tenho da rádio em portugal. No domingo, fui dar uma volta pela costa (com chuva e tudo!!) e o rádio é o pior aliado que se pode ter por perto. As estações locais, com muitoooooo raras excepções, só passam "pastilhada", "martelos" e "all aboard...de fato-treino...turururu"!!!!!. A paisagem carregada de cores magníficas tende a descontrair, mas a música (que se procura ser de ambiente!!!) deixa qualquer um num estados psicótico ao fim de 10 min. É como estar entalado no garrafão da 25 de abril e ouvir durante 2 horas o "caribe mix" ou o "scatman jack"!! Em termos musicais, principalmente no que de bom de vai fazendo por esse mundo fora, Portugal está anos-luz à frente desta malta. A rádio que por aqui se faz é um misto de Cidade, com Popular e Romântica. Mau demais para ser verdade! Nota para mim mesmo: nunca mais deixar os CD's em casa!!!
Entretanto, chega-me uma novidade profissional que me faz pensar. A fotografia que está em cima, é a do novo Cadillac (BLS) que a GM introduziu no mercado europeu. Foi através deste novo projecto que a minha empresa entrou na GM Sueca e por "arrasto", que eu "desaguei" por estes lados. Ora segundo as últimas informações os europeus querem tanto este carro como um saco de sarna, e neste momento a linha de montagem faz 1 carro por dia. Meus amigos, neste ramo isto é o que se pode chamar um autêntico desastre! Apesar de estar a trabalhar para outras plataformas (Opel Vectra / Saab 95), a verdade é que fico um pouco apreensivo com esta recusa do mercado. São os sinais e há que saber interpretá-los. (Não mãe, não te assustes, ninguém me vai despedir!!!). Se eu estivesse no lugar dos gestores da minha empresa (que é alemã), começava a dar corda aos sapatos e a procurar novos projectos...mas isso é só uma ideia...
Entretanto, segundo os "cabeças" da GM, o grupo vai apostar mais no marketing e tentar impingir a "lata" aos europeus....boa rapazes, grande ideia!!
Queria mesmo era ir para casa, isso é que era...detesto encher chouriços!!

sábado, agosto 26, 2006

Hoje

Árvore na praça central de Trollhattan, foto S.Pedro

A chuva não deixou cumprir os planos fora de portas. A bicicleta, o lago ou o piquenique espreitam novas oportunidades, quem sabe amanhã.
"Oficialmente" o verão já acabou. Ainda assim, os suecos não abdicam das suas actividades no exterior. Para nós a "ambientação" ainda não chega a esse ponto...chuva é mesmo amiga do dvd e do sofá...
Para amanhã escolhemos o "last minute". Se fizer sol vamos conhecer uma cidade na costa, banhada pelo mar do Norte. Nesse caso, nada me tira uma bela banhoca! Se a água chegar pelas nuvens, vamos visitar um amigo nosso a Gotemburgo, o Rembrandt.
Bem longe daqui, a minha avó materna está a completar 79 anos. Capita, eu diria que estás como o aço :) Fiquei contente de saber que estás a jantar com as tuas filhotas. Já não vai sendo muito hábito, com muita pena minha e mais uma razão para assinalar esse facto com um sorriso.
Também fiquei contente de ouvir o meu irmão. Disse uma daquelas parvoíces que gosta de bradar ao telefone, mas fico feliz de ouvir a voz dele. Já soa a homenzinho, o que é bom.
Espero que tenham passado uma noite agradável.
Muitos parabéns!

Tiago

sexta-feira, agosto 25, 2006

Economia dos sonhos

Como diria o PPereira: Retratos do trabalho em Oslo






Leio nos jornais que a General Motors apresenta vários milhões de prejuízo na sua terra natal. Ao que parece, os americanos não pegam nas "latas" que fabricam e assim sendo, as crises sucedem-se. Já criaram "bancos de trabalho", que significa em poucas palavras, pagar o salário e libertar o funcionário para outras actividades. Estudar, pescar, pastar...o que ele quiser. No fundo pagam, porque não conseguem despedir todos. Outros não têm tanta sorte e são simplesmente despedidos (como aconteceu agora na Azambuza). Ao que parece, o maior construtor mundial, é um gigante queijo suiço, por onde o dinheiro sai como areia fina numa mão aberta. Contudo, sempre que entro na reunião de equipa das sextas-feiras, parece que tudo isto é virtual. São apresentados projectos até 2011. Carros que fazem "Chao-Chao" para os chineses, Corvettes com bancos de aba larga para os badochas americanos, modelos cheios de luzes para os japoneses, Saab's bem grandalhões para os suecos meterem os filhos, os cães, as bicicletas e as canoas, etc,etc. Naquele espaço não há crise, prejuízos ou lucros baixos. Há apenas novidades...mais, mais e mais.
Não sou economista, mas numa análise de merceeiro e atendendo que sai mais do que entra ($ entenda-se), pergunto-me como é que esta malta sobrevive e mais do que isso, não pára de investir, desenvolver e construir...
A economia não é certamente uma ciência exacta.
Bom, vou andando...começa daqui a 5 minutos e ainda tenho que andar (a pé!!!!) 10 metros. Quero ver se não me atraso...

Azeitei

Lagoa do Fogo, São Miguel

Estou bem disposto. Acordo sempre bem disposto, mas hoje tudo parece encaixar. Encontrei o que procurava e o sorriso não engana. Além do mais é sexta-feira! Os planos acumulam-se para sábado e domingo. Da infindável lista, se cumprirmos 70% será um sucesso! Não há nada melhor do que uma sexta-feira, especialmente se calhar a dia 25...a sensação de conforto é logo outra. Pedalei antes das 7 da manhã, por essa hora e mesmo em Agosto, os ares do Norte são bem fresquinhos e trazem-me enxurradas de oxigénio para o cérebro. Acho que acabam por ter um efeito de "gás hilariante"! A habitual passagem pela agência, mostra-me que hoje Corfu (Grécia) e Split (Croácia) distam apenas 30 contos. Isso, estranhamente, ainda me deixa mais feliz. Split é uma cidade banhada pelo Adriático de inspiração Veneziana lindíssima. Corfu pelas imagens que vi, também merece uma visita :) (para pensar...) Chego ao trabalho sequinho que nem uma passa e sorridente. Apetece-me cantar, saltar, dançar um samba em cima da mesa, pular, abraçar o Banji, ver golos do glorioso, falar,falar,falar, escrever, escrever, escrever,enfim, estou feliz! Como não posso fazer isso tudo, afinal quero continuar empregado na próxima segunda-feira, vou meter aqui esta malta a saltar. É o refrão que passa na Catedral sempre que as redes "balançam"! Sim, eu sei que é um pouco (ou mesmo muito!) azeiteiro, mas o que fazer?? Hoje estou assim!!!

Saudades



Que vontade de te apertar esses ossos!

Bom dia Sebastião...

quinta-feira, agosto 24, 2006

Já...

...te entalei! Acabei de comprar um cornetto!!!
Sluuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuurp!!!
Ahn?? Que tal?? Gostas??Gostas??

Ora aí está ela!

Como não estive por aqui de manhã, ele guardou-a para depois de almoço...sempre atento este porreiraço do outro lado do mundo!
Saaaaaaaaai uma maçã (enorme, deduzo pelo tempo que ela já leva a ruminar!!) bem fresquinha e sumareeeeeeentaaaa para a mesa de trás!!!!!

(In)definições

Castelo de Kronoborg, Dinamarca (que serviu de inspiração para o Hamlet de W.S.)







Sabia que o dia começava com uma reunião. Depois de 1 mês, é tempo do Banji regressar a casa, pelo que o meu chefe marcou uma reunião para ver o "estado da coisa". Para mim era importante perceber se ele assumia o meu projecto a partir da Índia ou se ia trabalhar com o meu "apoio". Não gosto de "apoios", mas ainda gosto menos de tarefas mal definidas...
Desde que o despertador tocou, dei 572 voltas na cama, dizendo para o meu sub-consciente: "Banji...chefe..reunião...atrasado".
Engonhei, engonhei, engonhei....a minha preguiça atinge dimensões que eu próprio desconheço e depois, alguns minutos antes da reunião começar, resolvi levantar-me. Entre os meus defeitos, este será provavelmente o pior...não chego a horas a nada. Por vezes até acho que vou conseguir, mas há sempre qualquer coisa que não deixa. É como se o tempo parasse e eu assumisse que para mim, apenas para mim, o relógio deixa de funcionar. Eu faço coisas como combinar às 18h na Expo e 18.05h em Alcochete, e o pior é que por minutos ainda acho isso possível...
Despachei-me o mais rápido que consegui e pedalei com a força que as pernas me dispensaram. Só não queria chegar aqui a suar...não há nada pior que chegar com as costas molhadas e sentir aquele aconchego da cadeira, numa sala bem quentinha. De vez em quando levantava a camisola e deixava o ar (bem frescote por sinal!) percorrer o meu corpo. Tudo parecia correr bem, mas na última recta, sempre aquele última e fatídica recta entre a Volvo e a Saab, libertou-se o primeiro pingo. E quando isto acontece, não há nada a fazer. Os restantes pingos sentem-se confiantes e começam a imitar o primeiro, criando uma coreografia digna de parque aquático, com escorregas e afins. Cheguei molhadito, mas fui tão rápido que 10 minutos ainda me separavam do início da reunião. Fui para a casa de banho, levei a sempre fiel "courrier" e despi-me. Uns minutos a ler e o corpo a secar. "Menos mal", pensei. O meu suor cheira praticamente a água de rosas (até já pensei engarrafá-lo), pelo que fiquei "como novo".
Na dita reunião o meu chefe sugeriu um período de transição, em que eu devia funcionar como "alô teleseguro, aqui fala a Marta" para o Banji. Mais ou menos até ao Natal...Afinal o Natal não é sempre que um homem quer e vou ter que gramar com o "apoio" até Dezembro.
Todas esta situação causa em mim uma certa revolta. Quando aqui cheguei tive 1 semana para aprender tudo. O rapaz que na altura me explicou bebia 20 cafés por dia. A partir das 10 da manhã tinha um hálito impossível de suportar num raio de 1Km, pelo que me apressei a "esmifrar" toda a informação que consegui (será impressão minha ou estes gajos não gostam mesmo de água e sabão??).
O Banji está aqui há 1 mês e se eu não for perguntar como está tudo, ele também não se mexe para perguntar, esclarecer, compreender...Entra mais tarde, sai mais cedo e faz 30 pausas por dia com os restantes amigos da terra natal, que juntamente com as suas popas-anos-70-inspiradas-no-john-travolta-no-filme-Grease passeiam alegremente no "recreio". Depois de 1 mês de treino chegou uma situação real e eu pedi ao Banji para a fazer, como teste a tudo o que tinha aprendido. Passados dois dias, falando em linguagem de '0' e '1', continuava num "loop" sem conseguir dar um único passo. Claro que quando há uma falha de comunicação, ela pode ser do emissor, do receptor ou de ambos...mas sinceramente, eu não acho que ele se esforce minimamente e tenho consciência que expliquei tudo, o melhor que consegui. Não é que isso me chateie. Ele é que sentirá as dificuldades no futuro, mas quanto mais depressa me libertar deste projecto, mais rapidamente começarei outro...estar nos "intermédios" é que não me agrada e desmotiva-me bastante. Além do mais, não estou com vontade caso as dificuldades continuem, de ganhar uma viagem na Air Chamuça para ir dar "apoio" no local.
Vá Banji, dá lá corda aos sapatos e não me lixes!
Amanhã há uma nova reunião com o chefe, para definição de novos projectos. Esta já é uma música que me agrada dançar. Aposto que chego a horas...

Tecnologia no séc.XXI

O dia começa com a notícia do estado actual da Mariana. Tem neste momento 1,730 Kg e "perna longa". Prevê-se que nasça com 50 -51 cm e 3,3 -3,4 Kg.
(...)
A tecnologia do séc.XXI não pára de me supreender...fabuloso!
Só falta perceberem pela ecografia se a miúda gosta de jaquinzinhos ou prefere pastéis de bacalhau...
Bom dia.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Mais um(a)

. história mal explicada. Carlos de Sousa chegou a Setúbal com uma reputação imaculada, depois da autarquia ter sido totalmente delapidada pelo executivo de Mata Cáceres (PS). Sai no meio de uma confusão que ninguém percebe e onde o PCP mostra uma atitude que sinceramente não compreendo. Sem mais informação e visto aqui de longe, parece que a cidade fica a perder.

. tupolev que se despenhou. Não será altura de tecnicamente se verificar as falhas mais do que óbvias destes aviões? (Para o tempo de vida de uma aeronave, era relativamente novo - 1992)

. pergunta sem resposta...mas eu arriscava a Kim Basinger (embora o "Never Say Never" não pertença à lista oficial da saga 007).

O Safar


Sim, eu sei que os outros gajos eram uns coxos, mas não consigo disfarçar a minha alegria...
Não sou taxista, bombeiro, nem camionista, mas o que fazer? Também vibro com o Glorioso...já foi pior, caminho tranquilamente para a redenção :)
Ganharam, estão lá e o nosso "maestro" fez pela vida. Óptimo!
Apenas uma pequena nota de rodapé. Quando vi que o guarda-redes austríaco se chamava Safar, imaginei os trocadilhos idiotas que no dia seguinte fariam caso o Benfica ganhasse.
Como é óbvio, não me enganei. Digam-me: para ser jornalista desportivo é mesmo necessário ser tão básico?

A mochila



Acordei.
Meio pastelão e com os olhos fechados dirigi-me para a casa de banho. Encostei-me na parede antes de ir para o duche. Nessa mesma parede estava o suporte eléctrico das toalhas. Estava ligado (a Sofia tinha-me avisado 1h antes..). Queimei-me. O "processo" de acordar estava concluído...
Porque me encostei? Para ganhar balanço? A casa não é propriamente o palácio de Queluz....maldita mania de me encostar.
Banho tomado e "roll-on" colocado, só para meter inveja ao Banji. Olhei para o céu e estava com cara de "sim-não-está-a-chover-mas-aquele-negro-no-céu-espera-apenas-que-te-sentes-na-bicicleta-para-largar-um-dilúvio". Arrisquei. Peguei na pasteleira mais bonita de Trollhättan, deixei os cestinhos em casa por causa do atrito ao vento e pedalei o mais rápido que pude. Sempre naquele limite antes do "pinguinho-de-suor-começar-a-escorrer-no-meio-das-costas", pedalei contente, devidamente embalado pelas "músicas da manhã". O "saiu para a rua" é sempre uma excelente escolha para a primeira pedalada, sempre.
Cheguei aqui antes de tudo. Antes que a chuva me apanhasse, antes que o suor pensasse sequer invadir o espaço do "roll-on", antes que a música terminasse. Perfeito. O início que eu queria!
Pelo caminho um sueca perguntou-me onde ficava a escola "xpto", o que me leva a concluir que já sou "local" :) Quando passei no parque de campismo, vi-o quase deserto. Sim, o verão acabou por estes lados. Já vim de botas e casaco, mas mesmo assim, ao passar na rua principal encostei-me ao lado esquerdo e passei de bicicleta pelas montras das agências. Nos 0,5 segundos dessa passagem não consegui ler a habitual folha dos "sista minuten" (last minute), mas consegui ver imagens de malta de fato de banho a chapinhar na água, entre grandes sorrisos. É sempre revigorante :)
Esta sequência levou-me a pensar na melhor compra dos últimos 4 dias e meio. Um autêntico IKEA para colocar nas costas, em promoção por estarmos em fim de época. Traz espaço térmico, talheres para 4 pessoas, copos de pé alto que permitem estar num pasto rodeado de vacas a beber um tinto com uma classe ímpar, uma tábua para cortar o pão, um saca-rolhas, pratos e uma "gentil" oferta de um "termo". "Termo" este que aguenta um chá quente por 24 h, o que me deixou francamente admirado! Meus amigos, isto é o sonho de qualquer amante da natureza, que acha piada ao aproveitamento de espaços.
Aposto que o meu pai está a olhar para a fotografia e a pensar: "bolas, ainda não tenho uma destas!!"
Se o sol deixar, esta mochila vai ser usada até à exaustão. Se não deixar, uso-a em casa...gosto mesmo de abrir aquilo e ver tudo arrumadinho, pronto a usar.
Que tal um piquenique?
Adoro uma boa compra!

Ontem


Nós em Vanersborg, foto de "temporizador, esse fiel amigo"




As emoções foram mais do que muitas.
O coração encheu-se, as lágrimas correram, os sentimentos misturaram-se. É bom lavar a alma, de uma forma ou de outra aprende-se sempre e crescemos um pouco mais.
Foi estranho este acordar...parece que falta algo, parece que não está cá tudo. Mas eu encontro. Eu procuro e encontro. Encontro sempre.
Um início calmo e um dia tranquilo, é o que quero.
Bom dia.

terça-feira, agosto 22, 2006

Olá Mariana


Será que daqui a uns anos estas palavras estarão por aqui? Quando tu souberes ler e interpretar estas frases, não existirá algo mais avançado, começado por GWW (Galaxy Wide Web) que impossibilite a tua visita a este espaço? Será nessa altura a Internet uma coisa dos "cotas"? E os cotas, chamar-se-ão "cotas"? Já muitos tentaram e poucos conseguiram, transportar para o espaço visual aquilo que nós imaginamos ser o futuro. Não me atrevo a tentar. Sempre me ensinaram que o melhor da festa é esperar por ela. Sei no entanto que tu chegarás nesse futuro, não muito longínquo segundo os entendidos da medicina. Ainda não nos conhecemos. Já me prometeram umas fotografias a preto e branco, mas ainda não chegaram.
É sempre bom começar as apresentações pelo nome. É educado e evita confusões. O meu é Tiago e alguém te dirá que sou o teu "tio". Tu Mariana, serás o primeiro bébé a nascer de um núcleo familiar muito peculiar, que como estou certo, perceberás. Alguém te explicará também, que o teu nome em tempos mais distantes, tinha uma entoação diferente vinda do outro lado do Atlântico. Mas nessa altura, a tua mãe a braços com a Barbie Diamantes não fazia ideia do quão próximo poderia ser aquele nome no futuro.
Sinto alguma ansiedade. Quero ver como sorris, como andas, como falas...quero que venhas "cá para fora" percebes?
Como serás? Com os olhos do Tiago e as bochechas da Carolina? Com o cabelo da Carolina e o nariz do Tiago? Será que também vais raspar os dentes durante a noite? Será que também vais escrever cada pensamento num "post-it"?
O teu nome, é tudo o que sei e já gosto tanto de ti. Talvez seja um reflexo do que a tua mãe representou para mim ao longo da minha vida. A tua mãe...repara, ainda há uns dias brincávamos no mar naquele velho colchão da Mobil, com o verde a compor o cenário na ilha do sol e agora é...a tua mãe.
Não consigo articular as letras na ordem certa e descrever-te como é bom este sentimento que fazes crescer em mim. Consigo sentir, mas como explicá-lo? Não faço ideia...
Pela memória passam-me ideias, desejos e vontades que gostava de partilhar contigo. Teremos tempo, teremos muito tempo...
Para já, importa que estejas saudável e bem aconchegada no quentinho. Não tenhas pressa, que isto "cá fora" é uma selva :) (este era o símbolo que se usava para imitar um sorriso, como que a dizer que a pessoa sorria enquanto escrevia a frase...era o chamado "espírito jovem").
Sabes Mariana? Estou realmente feliz com a tua vinda. Espero ter a possibilidade de to dizer mal resolvas aparecer.
Em todo o caso, estarão à tua espera pessoas absolutamente fantásticas, como estou certo, concordarás.
Eu também te quero ver, quero muito.

Um beijinho Mariana

Tiago

Baptista Bastos, "O Parlamento e o mal-estar"

Por me rever inteiramente nestas palavras, não resisti a publicá-las...


"
Deputados de todos os partidos deram mil e novecentas faltas, durante o primeiro ano da X Legislatura. «Mas justificadas», alegaram, apressuradamente, os faltosos.
As «justificações» baseiam-se em desculpas mais ou menos hilariantes, mais ou menos aceitáveis. Revelam, porém, um panorama de laxismo que não deixa indiferente a massa pública, e cava um fosso cada vez mais acentuado, entre o português comum, e aqueles, «escolhidos» e «eleitos», cuja maioria de nomes e de acções é totalmente desconhecida por todos nós.
O Parlamento surge, a nossos olhos vulgares, como um emprego (não um trabalho: um emprego), habitualmente atribuído como benesse a quem se portou bem e foi lisonjeiramente obediente ao partido e, sobretudo, ao chefe. A sinecura é de tal ordem que há quem se ofereça, desavergonhadamente, para deputado, baseando a oferta na «importância» do seu nome, ou da «mediatização» pessoal. Embora, o resultado tenha sido decepcionante, a verdade é que, nesta feira do «oferece-se» e «aceita-se», a falta de pudor converteu-se em «normalidade».
A realidade que existe tem sido substituída pela realidade que o sujeito imagina ou fantasia. Entramos nos domínios do delírio. E o delírio é um problema que transcende, inclusive, os limites da psicopatologia e da psiquiatria e invade aqueles que consideramos normais. Estamos, portanto, num terreno ambíguo. No entanto, no caso dos deputados da nação, a perda do sentido da realidade é parcial. Quanto se trata dos proventos, das ajudas de custo, das «missões» pagas, das prebendas, eles manifestam uma solicitude sem faltas.
Nem sempre as coisas foram assim. Mas a festa durou pouco tempo. Os aparelhos partidários abençoaram este e aquele e amaldiçoaram outros tantos. O nível decaiu assustadoramente. Ou não assustadoramente. A seguir, será pior.
O respeito devido à instituição foi rapidamente sovado. Confundiu-se veemência e agressividade vocabular com ordinarice, grosseria, insulto e injúria. Sob a capa da impunidade o que, amiúde, se ouve no Parlamento, é de fazer corar um eguariço. Além do que os espancamentos ao idioma chegam a atingir as raias dos tratos de polé. Diz-se: o Parlamento é a imagem desdobrada do País. Não é. Apesar de escabroso e funesto e ignorante, Portugal ainda é habitado por quem salva a honra do convento. Estamos mal. O Parlamento está pior.
Os problemas da pátria não são discutidos, exactamente porque a esmagadora maioria dos deputados não os conhece ou os ignora absolutamente. Na opinião dos portugueses, eles estão lá para governar a vidinha, adormecem um pouco após lautos almoços, intrigam levemente, bocejam e bradam: «Apoiado!», quando alguém, da sua bancada, afirmou algo de imponderável e, as mais das vezes, incompreensível. De vez em quando, alguns deles largam umas bojardas nas televisões, assinam o ponto e vão celeremente embora para os seus empregos bem remunerados e obtidos através da rede de conhecimentos proporcionada pela funçanata.
Este assunto das mil e novecentas faltas é um incidente no áspero acidente da «nomeação» dos «eleitos». Durante anos, fui contra os círculos uninominais. Entendia que esse método propiciava a ascensão do caciquismo mais sórdido. A verdade é que, no sistema actual, o caciquismo também existe, embora mascarado. Chamam-lhes os «dinossauros», estimável enunciação destinada a encobrir a manutenção no poder, sabendo-se que todo o poder corrompe e que o poder prolongado corrompe absolutamente.
Nos círculos uninominais, e no exercício de funções com prazos circunscritos, a vigilância será, eventualmente, muito mais acentuada e eficaz. Haverá, de certeza, outros berbicachos a surgir; todavia, a prática democrática implica o correr de riscos.
Os deputados, cheios se compaixão por eles mesmos, afirmam-se mal pagos. E audazes comentadores sublinham que as elites fogem a sete pés, não só do Parlamento como das empresas públicas. No privado auferem proventos maiores. Mas foi através do Parlamento e de cargos exercidos em empresas públicas que eles conseguiram lugares «privados» muito bem remunerados. O Parlamento, os ministérios, a «gestão» pública forneceram uma legião de pessoas (homens e mulheres) a companhias particulares, com os benefícios que se conhecem. Esta gente não está, não esteve, nunca estará interessada em resolver, ou ajudar a resolver, os dilemáticos problemas com que a sociedade portuguesa se defronta, especialmente aqueles mais indefesos, mais pobres, mais sem segurança.
Seria bom que o «jornalismo de investigação» se debruçasse sobre este indecoro moral. Digo «moral» porque tudo é feito no estrito respeito pelas leis? por eles próprios organizadas e estatuídas. O mal-estar em que vive a esmagadora maioria dos nossos concidadãos deve-se a essa repugnante indiferença dos que (quase todos) se declaram «eivados do espírito de missão», e somente se preocupam com as suas vidas miseráveis e repulsivas. O «jornalismo de investigação» prestaria assinalável serviço acaso revelasse para onde foram, onde estiveram e onde estão, desde há trinta anos, os que fizeram carreira em São Bento, plataforma giratória para se devotarem a outros santos.
Os escândalos morais sucedem-se. Como sou dos portugueses que pagam os impostos (também não sei como fazê-lo!), sou dos portugueses que pagam as reformas sumptuosas, o descalabro das acumulações, a vida airada desta gente sem grandeza nem qualidade. Não se importam connosco, não se preocupam com o País, não gostam de nós. Podemos gostar desta gente? "

Será isto bom?

" Você é "Take On Me" dos A-Ha (1985): O seu lema é o de nunca perder a sua pose sempre muito cool. Gosta de impor respeito naqueles que o rodeiam e é capaz daqueles olhares que congelam (no bom ou no mau sentido) o seu alvo. De espírito prático mas por vezes demasiado durão "

(...)

eu sabia que aquela da sombrinha de chocolate da Regina me ia tramar...

Na minha nuvem



Chove. Chove copiosamente como se não existisse amanhã. Estes gigantes louros que avisto da minha cadeira indicam-me que não estou na Costa Rica e que esta violência na janela não é o "El Nino", mas apenas o "fim do verão", segundo eles. Em tom de brincadeira dizem que fui eu que trouxe o mau tempo...nunca por aqui tinha chovido tanto nesta altura. Como??Eu?? Nem expliquei que no meu país estão mais de 30 graus e que a única coisa que eu podia trazer seria calor, muito.
O vidro balança com o vento e com o som dos relâmpagos. A minha barriga tenta imitá-lo e faz-me contorcer com dores. Maldito Sérvio...porque é que comi tanta salada com vinagre?? Nunca mais aprendo...
Não consigo ver o céu, tudo é cinzento, escuro e molhado.
Estes dias deprimem-me, não consigo evitá-lo. Quero ouvir música e levitar, soltar a imaginação e descobrir-me em paragens que o meu quotidiano teima em esconder. Não sei se existem, nem sequer sei onde ficam. Consigo senti-las e isso chega para me aquecer.
Envolto nestes pensamentos fui a uma agência de viagens, ver o que me reservava o "last minute". Tenho esta mania. Passo por uma agência de viagens e tenho que "decorar" a montra toda. Tenho que ver os preços, os destinos, as opções e imaginar-me em cada um desses sítios, colocando a mim próprio os prós e contras de cada escolha. Vejo as cidades onde fui e que gostava de rever, penso nas que não conheço e estabeleço uma prioridade para a descoberta. Normalmente para o fim da lista ficam aquelas onde habitualmente há atentados. Eu sei que isso pode acontecer em qualquer sítio, mas se há sítios onde DE CERTEZA acontecem, acabo por evitar. Gosto de fazer os cálculos e imaginar quanto custaria aquele "pequeno sonho", ou "aquele" ou ainda "o outro". Durante estes segundos a minha mente gira em torno de novas culturas, novas visões, novas sensações, novas aprendizagens.
Em regra, as viagens para destinos de praia nunca me seduziram. Para um português, com 800Km de costa e praia quase todo o ano, sempre me pareceu extremamente redutor ir para um "resort" e estar lá 1 semana a torrar ao sol. Sempre vi o viajar como uma hipótese de aprender, ver e falar com as gentes locais, enfim, ter experiências novas. Misturar água e cidade, sempre me pareceu por isso a melhor opção. No entanto, sempre quis ir a um desses "sítios de postal", onde tudo parece talhado pela natureza e as águas calmas e cristalinas. Ficará para um dia, estou certo.
Desta vez, passei a fase da montra e fui perguntar umas informações. Deve ser deseperante apanhar com um chato como eu, que faz 30000 perguntas, leva panfletos, preços de hotéis e tenta 5000 combinações possíveis de viagem e no fim diz: "Já tenho o que preciso para pensar. Adeus e muito obrigado." Nem uma toalha de praia me conseguem vender...
A senhora muito pacientemente explicou-me que na opção "last minute" o cliente compra um lugar no avião e um hotel para uma (ou duas) semana(s), mas apenas no aeroporto sabe qual é a "palhota" onde vai dormir. Um exemplo: num "last minute" para o Algarve, sabemos que aterramos em Faro e dormimos algures entre Sagres e Vila Real de Sto.António...Não me agrada muito confesso. Sou um bocado comichoso com o hotel. Não tenho dinheiro, mas tenho vícios (ninguém é perfeito!) e se dormir num sítio contra a minha vontade, já não é a mesma coisa...
A mesma funcionária, deu-me a entender que os preços variavam com o tempo (clima). Se chove é mais caro sair do país, se faz sol é mais barato. Tudo bem, eu espero...
Em todo o caso, com ou sem opção "last minute", constatei que é possível nesta altura do ano e por aproximadamente 40 contos ir para destinos tão variados como Turquia, Chipre, Espanha, Portugal, Croácia, Montenegro, Bulgária, Grécia, Tunísia, entre outros...claro que este pessoal procura essencialmente destinos de praia e sol, pois não há muito disso por aqui (pelo menos, não na forma a que nós europeus do sul estamos habituados), mas entre esses destinos, há alguns que deixam misturar o mar com a boa e velha cultura europeia. O que me agrada!
Se não é isto é aquilo, se não é aquilo é o outro. Sonhar, sonhar sem limite. Aí está algo para que tenho jeito!

Pergunta para queijo


Segundo esta notícia, um canal de tv americano deixou no ecrã durante 10 minutos a seguinte interrogação: "Bush é estúpido?"
(...)
Consta que 99,9% da população mundial (parece que a mãe ainda está indecisa) respondeu em 3 segundos, sem pestanejar e sem a ajuda dos 50:50...

segunda-feira, agosto 21, 2006

A matemática



Tal como o algodão, também a matemática não engana. É uma ciência exacta, dizem os estudiosos. Pois bem, quem sou eu para duvidar?

Os "0,1" ficam como oferta, que eu hoje estou um mãos largas!

Até amanhã :)

Pizza ou palha, eis a questão...

Já passaram 5 horas. O relógio bate as 11 da manhã e já tenho o dia quase feito. Bom!!
Expliquei umas coisas ao Banji, fiz mais um metro de código e como dizia um ex-colega "já ganhei o almoço". Aqui começa verdadeiramente o problema.
Normalmente iria ao refeitório comer qualquer tipo de palha com molho, mas esta manhã, o meu colega Boliviano (há de tudo por estes lados) pediu-me para devolver um dos carros da empresa onde trabalhamos, que fica muito próximo de minha casa. "Tudo bem", disse-lhe. Esta inesperada "chave-na-mão" deu-me outras ideias. Se abrir a minha carteira, encontro um papelinho mágico que indica o consumo de 11 pizzas no
Sérvio. Ora, isto significa que a próxima é uma "gentil oferta" dele...huuuummmm....por um lado tenho a palha, que é saudável e custa 1000 paus, por outro tenho a pizza que faz mal e é de borla....
Bolas...porque é que o Boliviano me entregou a chave??
(...)
Ahh...que se lixe...vou à pizza!!! Logo faço 5Km para compensar!!!

Amanhã...

Lago em Lilla Edet, Suécia


...começam as aulas de sueco. Espera-nos por isso uma nova e mais difícil pescaria. O objectivo é conseguir "produzir" alguns destes sons bárbaros e dizer algo como "Txaraan" quando chegamos e "Heidoooo" quando partimos. Chamar-me-ei "Tióóógue" e passarei a trabalhar na "Sóóóób". Quando for a Portugal, poderei misturar algumas palavras, confirmando assim o meu estatuto de emigrante. Nunca poderei na praia gritar enquanto despejo o tinto : "Jean Pierreeee!!Jean Pierreeeee!! Vien ici imediatamente mon petit estupor!!" ou pedir no restaurante: "beer, big one...but bem fresquinha!!", mas tentarei não defraudar as tradições que durante anos se espalharam pelas aldeias e areais portugueses. Quero ver se não me esqueço do azulejo com a santa para meter na entrada da vivenda "meu sonho" e o mercedes com a matrícula estrangeira já está encomendado. Para não ser confundido com qualquer taxista, evitarei o uso daqueles óculos escuros estilo "Cobra" e do bigode. Chamarei aos meus filhos Gustafsson e Ericsson e pintarei o cabelo de louro.

Bom, acho que estou pronto para as aulas!!

Ps - O neo-zelandês acabou de chegar. Está a chover e ele veio de bicicleta. Fiquei preocupado, não fosse ele ficar doente ou com falta de energias. Entretatanto e para me descansar, gentilmente arrotou duas vezes como que me dizendo nesses momentos de poesia: "Está tudo bem pá!! Comi que nem um alarve e estava só há espera de te ver, para demonstrar o quão reforçado e abundante foi o meu pequeno-almoço!!" Óptimo, assim fico bem mais descansado. Sempre gostei da partilha de experiências e culturas.

Notícias do dia

No DN, vejo esta notícia e deduzo que os trabalhadores da Opel (Azambuja) e respectivas comissões sindicais ainda não tenham percebido qual é o conceito de economia para os americanos. Infelizmente o nosso governo não tem qualquer peso nestas ocasiões...
No mesmo jornal, confirmo que a trégua no médio oriente é tão real como o interesse dos americanos em "ajudar os povos". Com cobertura dos EUA e sem que as NU tenham capacidade (bélica entenda-se) para fazer seja o que for, Israel pode decidir o que fazer, como se não fosse um dos peões do tabuleiro. Na luta contra o terrorismo leio algo que me assusta e me faz pensar onde estaremos seguros?
Nas artes, registo para o novo livro de Saramago (As pequenas memórias) e para a "defesa" de Grass por parte do Nobel português.

As bagas (III)


Uma luz acendeu-se no meu destino e afinal pode ser que o tempo seja o mestre. Passada a fase do boca-doce e do mandarim e já com razoável sucesso no Tiramissú, eis a nova aventura. Depois da apanha das bagas descrita aqui, os anfitriões desse momento devolveram-nos a visita. Preparámos um piquenique ao detalhe. Até comprámos umas daquelas malas que trazem os pratos, talheres e copos todos bonitos...o nosso amigo sueco ficou particularmente encantado com a elegância dos copos (sim, porque eram de plástico mas tinham pé alto!!) e aquela mala "sport billy" foi um sucesso. O chouriço "pata negra" que a Teresa, Ana e Sónia nos trouxeram e o tinto alentejano com as cervejolas "Abadia" que o meu Pai&Anabela por cá deixaram, fizeram o resto. A "cereja no topo" foi a tarte que tentámos fazer com as bagas. Quando saiu do forno, confesso, o aspecto não era o melhor, mas estava absolutamente deliciosa. O creme de baunilha, também feito por nós, ajudou a dar o "toque sueco".
Na imagem está a última fatia, de uma tarte que durou apenas algumas horas.
Depois do Tiramissú, foi a minha segunda obra de arte. Claro que não fiz tudo sozinho...foi uma "joint-venture" com a Sofia :) Mas eu é que eu espalhei a massa na base e aí reside todoooooo o segredo da coisa!!!

O Rui



Quando era pequeno tentei explicar ao meu pai, por todas as formas e feitios, que não tirava as mãos dos bolsos não por preguiça ou comodidade. Fazia-o apenas para evitar males maiores. A minha falta de jeito manual é algo que nunca conseguirei entender. Atinge o limite do impossível. Já consegui fazer um boca-doce intragável (algo que é só juntar leite e pó!!!), já consegui fazer pudim mandarim e não meter açucar, é normal ficar com o "anel" na mão sempre que abro uma lata (e a lata fica fechada), enfim, podia agora gastar mais 1000 linhas a enumerar outros tantos exemplos, mas não é esse o tema de hoje. Não resisto porém a dizer que no sábado montei um candeeiro e consegui partir a cabeça de um parafuso. Ora, quantas vezes na vida é que ficamos com a cabeça de um parafuso na mão??? Bom, depois de partir tudo o que consegui, lá montei o candeeiro. Eu até tenho boa vontade, jeito é que nenhum e deve ser por isso que recorria aos "préstimos" do meu pai para me safar dos trabalhos manuais na escola. Terei certamente outras qualidades (todos temos), mas meus amigos, com as mãos sou uma desgraça.

Esta introdução (longaaaa) vem a propósito do Rui. Conheci-o algures no início de 2005. A ocasião era a "ajuda" para pintar a casa de Setúbal. O Rui é o pai da Sofia e como é óbvio nestas situações eu queria causar boa impressão, ou pelo menos, não causar muito má...Enquanto eu e a Sofia fomos trabalhar, o Rui foi adiantando "serviço" e começou por forrar o chão da casa toda para evitar os pingos no chão e afins. Eu, como saía mais cedo do que a Sofia (vantagens de trabalhar na Autoeuropa :)) fui andando para casa para "ajudar". Mal cheguei e sempre tentando causar boa impressão, fui forrar os rodapés. Escusado será dizer que ficou tudo mal..."estava nervoso, as mãos tremiam", pensei. Depois, já de trincha e rolo na mão, fui salpicando as paredes todas e deixando tinta a escorrer por todo o lado. Num quadro impressionista teria sido um sucesso, mas naquelas paredes não era o pretendido...O Rui, sempre paciente e simpático lá ia "tapando os buracos" e sempre com um sorriso sincero, não me deixava sentir tão mal. No entanto e apesar do Rui provavelmente pensar "como é que é possível??", eu ainda tinha reservado a minha "master piece" para o fim. Entre um sobe e desce de escadote, tropecei na ÚNICA lata que estava em todo o chão da casa. Uma, apenas uma lata estava naquele chão e eu consegui dar-lhe um pontapé, vertendo os 20L de tinta que lá estavam...O Rui tinha forrado o chão para o proteger de pingos e eu acabara de entornar LITROS de tinta. "Já está!!!", pensei...."Isto sim, é deixar uma marca..", acrescentei. Qualquer pessoa ficaria com os nervos à flor da pele, com tanta asneira. Mas o Rui não...ajudou a limpar, sempre com paciência e sem nunca perder a boa disposição. Passado este episódio, digo com agrado que tenho conhecido o Rui ao longo destes quase 2 anos e que tem sido para mim um infindável prazer. Simpático e paciente, parece nunca perder o sorriso, além de cozinhar como poucos.

O Rui hoje faz 58 anos e esta é a minha forma de o homenagear. Achei que a Elis Regina e o Tom Jobim me podiam ajudar a compor o momento, afinal, festa é festa :)

Muitos parabéns.

1 abraço

Tiago

sexta-feira, agosto 18, 2006

Estou cansado

O meu pai costumava dizer-me: "nasceste cansado" dada a minha natural facilidade e até perícia para me sentar, arrastar os pés, encostar a qualquer parede e nunca tirar as mãos dos bolsos.
Embora isso seja verdade e engonhar se tenha tornado entretanto uma forma de arte, tenho-me sentido mais cansado do que é normal. "É da idade...já não tenho vida para isto", penso.
Trabalho desde os 24, tenho 29...pergunto-me se não estará na altura da reforma? Ou então, quem sabe se o Zé (Sócrates) não me arranja um tacho na Assembleia da República? Em termos de actividade seria mais descontraído do que uma reforma e ainda podia dormir calmamente como o resto da malta naqueles cadeirões, que pelo menos na tv parecem bastante confortáveis. Claro que em casa poderia desligar a tv quando as baboseiras ditas ultrapassassem as 10 por minuto, já "in loco" tudo seria diferente, uma vez que não tenho a opção "off" instalada nos ouvidos. Assim, sabendo eu de antemão que o Pedro (o Santana) resolveu voltar para o parlamento (para um tal PPD/PSD...), a probabilidade da minha doce reforma se transformar numa profissão de desgaste rápido tornar-se-ia real, pelo que não será essa a melhor escolha.
E autarca?? Eu acho que daria um bom autarca...podia ficar com o pelouro dos andaimes na câmara de Lisboa. Desde que nasci que os vejo aos milhares pela cidade, portanto deve, na minha opinião, existir alguém que se responsabilize por eles. Só pelos andaimes, nada mais! Não queria tratar das obras e afins, não, nada disso! Isso era coisa para dar muito trabalho! Tinha que escolher de que construtor civil queria receber luvas, tinha que receber uma casa em zona protegida, tinha que estar sempre a ouvir aquele gajo dos óculos da Quercus, tinha que discutir por tudo e por nada com o Sá Fernandes...não, isso também não era para mim!
Autarca talvez não seja a resposta. Reforma ou esperar por ela de uma forma descansada...é isso que eu quero!
Então e se fosse para "sombra de político" ? Isso é um cargo interessante...bastava vestir um fato azul com gravata amarela e usar aquele cabelo "acabei-de-sair-do-seminário-mas-acho-super-bem-esta-franjinha-em-cima-dos-olhos-igual-a-todos-os-meus-amigos-fofos". Depois era só aparecer atrás de um Paulo Portas numa conferência de imprensa e abanar a cabeça em sinal de aprovação (sempre a sorrir, esta parte é muito importante), sempre que ele respirar. Isto sim era tacho para estar descansado...mas por outro lado tinha que estar a 1m do P.Portas, o que me provoca arrepios só de imaginar. Depois o meu cabelo tem muitos caracóis para o referido penteado...bolas, também não dá!!
E comentador de bola??Epá...isso é que era!!! Eu gosto do desporto-rei, dificilmente seria imparcial (não quero ser original!!!) e acho que também consigo dizer: "Aí está Liedson, 26 anos, 1 metro e meio, 40Kg, nado e criado em terras de Vera Cruz, fã de Robert de Niro e de bóbó de camarão, ex-empacotador do Pão de Açucar...pára na coxa e cola na grama. Sente uma brisa e cai...penalty, sem margem para dúvida!!"...mas calma, depois teria que falar com os "expert" da bola como o Mozer e ouvi-lo dizer "simão sábõrósa", aguentar o Vitor Manuel e aquela voz de bagaço, ou aturar o Toni depois de 1L de rosé...huuummm...talvez não seja bem o que procuro...
Bom, não chego a nenhuma conclusão...
Reparo agora que são 3 da tarde, o que significa que a minha semana está feita. O Banji hoje não cheirava mal, o Neo-Zelandês não comeu a maçã e só arrotou de boca aberta duas vezes, pelo que foi um dia porreiro.
Como não me surgiu qualquer ideia para a reforma, voltarei 2f...até lá, bom fim-de-semana para todos.

Tiago

E porque hoje é 6f...

Lisboa, Terreiro do Paço














...e o sofá não quer companhia para o fim-de-semana, aqui ficam algumas sugestões.
Para quem já não tem férias e quer dar uma "escapadela" no fim de semana a Tap está com uma promoção para Barcelona (69 eur s/ taxas - Lisboa) e para Estocolmo (149 eur - Porto e Faro).
A Tagus está com um pacote para Roma (avião+4 noites) por 400 eur e uma promoção para Bilbao (46 eur - só avião). Para quem quer ver a exposição de pintores Russos patente no Guggenheim (muito boa segundo reza a "crítica"), é uma excelente oportunidade.
Deixando o avião na garagem, há Flamenco hoje no Porto com entrada gratuita (21.30h nos jardins da Casa da Bonjóia ). Em Portimão, hoje e amanhã, sobe ao palco do auditório municipal a ópera Madame Butterfly (10 eur).
No cinema destaque para a estreia de "Sonhar com Xangai" e claro, para a "obrigação" da geração de 70 ir ver o "Regresso". Não interessa se é bom ou mau...é o homem-bala e ponto final. As memórias de outros tempos obrigam-nos a ir.
Para quem gosta de artesanato, turismo e patuscadas, começa hoje mais uma edição da Fatacil em Lagoa (os Xutos tocam lá amanhã :)).
Um fim de semana passado numa Pousada de Portugal aproveitando os descontos de última hora, também me parece uma boa escolha para o fim de semana.
Nas praias, a sempre fantástica e tranquila costa alentejana, nomeadamente a Comporta e o Malhão (entre V. N. de Mil Fontes e Porto Côvo).
Se nada disto agradar e se o sofá for mesmo o fiel amigo, então porque não convidar o "Fiel Jardineiro" em DVD para se juntar à festa?

Anúncio...

...simplesmente brilhante :)
E se tiverem um alemão por perto, dá sempre jeito...

Passando os olhos pelo DN...


...concluo que não suporto mesmo esta mulher e toda aquela pose de "que saudades do Estado Novo, da nobreza e do sangue azul, isto da plebe a correr de um lado para o outro é uma chatice!!". Vejo que o Isaltino até se pode entalar, o que seria algo inédito em Portugal e por isso me deixa feliz. Algo me diz que se ele tivesse (ainda) o apoio do PSD, seria mais um Valentim, mas veremos...só acredito depois de ver.
"Lá fora" tudo na mesma. Na Palestina a confusão perdura e no Líbano tenta-se que o exército libanês desarme o Hezbollah. Tendo em conta que o Hezbollah é o único dos dois com real capacidade militar, quase que se adivinha o passo seguinte (bravo ONU !!).
No Kosovo os 90% de Albaneses tentam negociar a independência (apesar da brutalidade dos Sérvios no conflito que durou até 99, se o Kosovo for independente vai abrir um precedente grave para futuras vagas de emigração).
Na secção "boa vida" (que eu nunca perco :)) descubro uma das 10 melhores praias do mundo, algurem em Ko Samui, uma ilha no Golfo da Tailândia.

As bagas (II)

A minha leitora "mais assídua", fez o favor de me enviar uma imagem das ditas bagas, para compôr o texto, com uma ilustração.
Ora reparem na caixinha cheia de pequeninas bagas azuis. Agora imaginem algumas dezenas de bagas vermelhas ali no meio, retiradas uma a uma com uma pinça. Isto depois de a usar, para separar as folhas que também vêm agarradas às bagas. Estes suecos têm cá uma paciência...bom, mas valeu a pena. O resultado final foi uma divina obra de arte, mas fotografias disso é que já só há em versão raio-x.
Bom dia.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Boa noite




















Foto de S. Pedro (Copenhaga)

Nem a saudosa Vila Faia teve tantos capítulos

Capítulo MCDXCV (1495):

"A Imprensa francesa noticiou ontem o interesse do Lyon em Simão. Segundo os jornais daquele país, o capitão benfiquista entrou nas cogitações do clube de Tiago devido à provável saída de Gouvou e do fracasso nas negociações por Ribéry, um dos destaques da selecção gaulesa durante o Mundial. Todavia, este interesse deverá esbarrar na intransigência dos responsáveis encarnados, que agora pretendem manter o camisola 20 nos quadros do clube. Aliás, é possível que nos próximos dias seja anunciada a continuidade de Simão na Luz, pelo menos até 2010, altura em que expira o seu vínculo contratual.
Entretanto, segundo a Imprensa espanhola, o Valência ainda não desistiu do extremo encarnado e vai voltar à carga nas próximas horas para tentar chegar a uma plataforma de entendimento com o jogador. Também neste caso, as negociações não deverão chegar a bom porto, pois tanto o jogador como o Benfica não ficaram muito satisfeitos com a forma como decorreu o processo negocial. "

O Apoio

Hoje lembrei-me do meu antigo emprego. "Apoio" foi a palavra que me avivou a memória.
O meu antigo chefe, disse-me a dada altura que eu devia "apoiar" outras equipas que tal como aquela onde me inseria, trabalhavam com componentes eléctricos/electrónicos. Na altura achei que não era boa idéia. Isto do apoio é muito giro, quando os "apoiados" se mexem. Quando não é o caso, o "apoiante" passa a ser o responsável e como quem não quer a coisa começa a fazer o trabalho dos "apoiados". Conhecendo o leque de "apoiados" vi logo no que ia dar. Não gritei sozinho, por norma nestas coisas o Tiago era (e deve continuar a ser) um fiel aliado. De nada serviu, tive que levar com malta que achava que "assentos" serviam para "assentar"...
Pensei nisto, quando o meu actual chefe, que não domina a língua do poeta, me disse que eu devia apoiar a equipa que vai continuar o meu projecto, agora na Índia. Ele não disse "apoio", mas o "support" levou ao mesmo raciocínio de outros tempos.
De imediato comecei a perguntar (a mim próprio):

Se eu neste momento não percebo o Banji e ele está aqui ao meu lado, como será por telefone?? Como vou descodificar aquele inglês de "quê frô" com um "poc" no fim de cada frase, sem ler nos lábios??
Como é que o Banji vai testar a aplicação construída e resolver as falhas, se o testador está aqui na Suécia?
Não encontrei respostas.

Huummmm....duas vezes não me enrolam....ou enrolam?

Descobrir

Portinho da Arrábida
Setúbal e os seus "cantinhos" entre o mar e a serra, foram para mim uma inesperada e agradável surpresa. Sinto saudades do sítio e das suas paisagens como se fosse um natural da terra do "choco friteee migaa". Embora a mudança para a terra do Sado tenha pouco mais de um ano (agora interrompida), o sítio que para mim era uma mera passagem para o litoral Alentejano, passou a fazer parte do meu bem estar e das minhas memórias. Estou a lembrar-me de uma bela banhoca nestas águas (que estavam tão claras como na imagem!!)em Outubro do ano passado (Outubro...que maravilha, poder tomar banho no mar em Outubro!).
Claro que ter "bons embaixadores" ajuda qualquer local e neste aspecto, o Luís N., o Pedro "Migazinha" R., o mítico Outubrus Bar, a diversidade de espaços da Luisa Todi, o sado na janela, a vista da pousada e a fabulosa pizza do 56, funcionam para mim como uma envolvente local que procuro não perder.
Daqui a uns meses (?) há mais. E ainda bem.

Gostei esta manhã de...

...ler que o Sebastião "ajudou" o meu pai a pintar na casa dos meus avós.

...ver o meu colega Neo-Zelandês chegar com uma camisola tão amarrotada que faz a minha parecer passada (assim já aguento melhor aquele barulho com a maçã).

...saber que o sistema solar pode afinal ter 12 planetas.

...saber que em Portugal choveu e que os bombeiros agradeceram.

...ler que foram presos (espero que por mais de 24h !!) vários incendiários.

...verificar que muitos "caloteiros" pagaram os impostos antes de ser actualizada a lista de devedores (já que não há civismo, fica pelo menos a vergonha...).

As bagas

"Parque de estacionamento" na costa oeste sueca (sem arrumadores!!)
Os últimos dias não têm deixado tempo para sentir saudades de casa, tal tem sido a actividade "social" por estes lados (ups...por segundos senti-me a Cinha Jardim a escrever no Público sobre as festas de verão no Algarve: "Hoje fui ao T. O Santana estava giríssimo e aqueles caracóis no fim do cabelo ficam-lhe cada vez melhor. O C.Castro estava muito patusco e quase parecia um homem. A comida, ai a comida...estava magnífica! Felizmente convidam-me para estas coisas, senão sempre queria ver como me desenrascava para comer...").
Voltando ao tema e sem mais distracções.
Depois da fantástica visita do meu pai e da Anabela (a foto foi uma das 1236356 que ele tirou...agora que comprou uma máquina "sem rolo" não quer outra coisa :)) e dos momentos bem passados, recebemos umas amigas de Portugal (que até farinheira trouxeram!!!!) e repetimos a dose. Com alguns sustos pelo meio (rochas lisas e chuva nunca mais, certo Sónia??), voltámos a ter algum "calor de casa" e mais uns momentos agradáveis. Espero que tenham partido com vontade de voltar. Foi um gosto ter-vos por cá!
Seguimos a semana com um jantar convívio numa casa típicamente sueca de um colega de trabalho da Sofia, o que aconteceu ontem.
A "desculpa" para o encontro, era a "apanha" de umas bagas azuis, que entre outras coisas servem para fazer uma fantástica tarte. Envolta numa magnífica paisagem, onde o verde das árvores se misturava com o azul do lago, descobrimos a casa (vermelha como manda a regra por estes lados!!) dos nossos anfitriões.
Todo aquele ambiente me fazia lembrar filmes como "A casa no lago", mas começo a perceber que é algo bastante comum e acessível, para os povos do norte.
Mal cheguei, percebi que já estava "fora de pé". Os donos da casa receberam-nos de galochas calçadas e perguntaram-me qual era a altura da minha sola. Ao olhar para os meus ténis "design-que-na-primeira-gota-ficam-logo-encharcados-porque-isto-da-rede-é-muito-giro-mas-não-protege-comprados-naquela-loja-de-malta-esquisita-no-Saldenha" e reparando no monte que íamos "escalar", senti-me como se estivesse de botas alentejanas com sola rasa a perseguir pinguins no pólo sul...o que é que eu pensava?? Que eles íam apanhar as bagas no Jumbo???
Resolvido o problema inicial com o típico "que se lixe", seguímos encosta acima na busca do afamado tesouro. O casal de suecos tinham aproximadamente mais 30 anos do que nós e subiam aqueles montes como se tivesses cascos no lugar dos pés. Eu ainda tentei apertar o passo, mas depois de me espalhar, deixei-me de ideias tristes. Apesar de ser o fim de estação para estas bagas, apanhámos o suficiente para várias tartes (que espero eu consigamos fazer!!!).
Depois de "peneirar" as bagas separando-as das folhas e das outras bagas vermelhas (hiiiii paciência de chinês!!!), fizémos (ou melhor, vimos como se faz...) uma tarte que foi servida depois de jantar. Posso dizer-vos que foi a tarte mais fantástica que alguma vez provei. Sobrou apenas uma fatia...a vergonha não me deixou comê-la e o remorso perseguiu-me durante todo o regresso para casa. Que tarte tão boaaaaaa!!!!
Por via das dúvidas e como não sabíamos se o convívio incluía jantar, fomos preparados com um belo tinto de Reguengos (obrigado Pai :)). Na altura certa, recorrendo ao plano B "sacámos" do tinto e "voilá"...um sucesso! Adoraram e combinámos novo encontro, para provarem outra "pomada" alentejana. A senhora de início achava melhor beber cerveja, afinal o jantar era galinha e para eles, o vinho deve ser acompanhado de carne "mais fina". Depois do terceiro copo, bem mais solta e sorridente, concordou com a escolha do vinho e elogiou-o desmedidamente.
Entre conversas e experiências, partilhámos e aprendemos com pessoas de uma simpatia e simplicidade, que nos fazem corar e sorrir. A vida parece simples e o quotidiano envolto em harmonia.
Kayak, ski e outras actividades, ficaram já na agenda. O próximo encontro é já no domingo (sábado não podem porque vão procurar amoras de kayak!!) para um piquenique junto de umas quedas de água em Trollhättan. Eles vão ter connosco de bicicleta. Julgo que são 50Km para cada lado, o que do alto dos seus 60 anos, parece não os preocupar minimamente.

terça-feira, agosto 15, 2006

José Régio














Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,E
nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.


José Régio

O Bengt Gustafsson





De vez em quando, nos passos que damos ao longo da vida, cruzamo-nos com pessoas cujo encanto e magia, não nos deixam outra alternativa que não seja sorrir.
Bengt Gustafsson é um desses casos.
Estava eu em "visita turística" pela cidade onde vivo, quando resolvi entrar numa exposição de um Bengt Gustafsson, que nunca ouvira falar. A primeira dificuldade foi exactamente essa parte: entrar. A exposição, construída a partir de "desperdício metalúrgico", está montada numa antiga fábrica, onde toda a maquinaria pesada, carris e ferros esquecido, adormeceu ao longo dos anos. Ténues luzes iluminam cada obra e no resto impera a escuridão. Foram precisos alguns minutos para os olhos se adaptarem à nova luminosidade e evitarem males maiores. Cair naquele chão com ferro por todo o lado não é aconselhável.
Mal conseguimos dar dois passos, apareceu um "velhote" simpático que no seu inglês bonacheirão nos explicou a exposição e a sua origem. Percebemos que era o próprio autor que o fazia.
Pouco tempo passou, até a conversa extravazar a arte e entrar na estrada que percorrera para ali chegar.
Bengt, era uma operário metalúrgico da antiga Nohab , que entre outras coisas produzia locomotivas. Os tempos ditaram o fecho das instalações (em Trollhättan) e toda essa antiga zona industrial está hoje transformada em escritórios, museus e zona de turismo. Bengt, usou a sua perícia para trabalhar o ferro, para se dedicar à concepção de obras de arte. Com muito sucesso, na minha opinião.
Manteve uma antiga "oficina" da Nohab, onde parece que o tempo parou. Os carris com os carrinhos de transporte ainda lá estão, há ferro e ferramentas por todo o lado, prensas, bancadas de trabalho, todo o ambiente onde outrora ele e os seus colegas exerciam a sua profissão.
O efeito visual é excepcional e as obras muito bonitas. Infelizmente, aquelas que considero mais interessantes não estão no site (www.bengtgustafsson.se) mas já dá para ter uma idéia.
Depois de ter descoberto a exposição, voltámos lá quando a minha família nos visitou e regressámos este fim-de-semana com 3 amigas acabadinhas de chegar de Portugal.
A simpatia do Bengt é contagiante! Mal entrámos perguntou: "Gostam de Jazz??". Depois de uma resposta positiva, mostrou-nos um pequeno orgão que tinha pedido emprestado no museu da ciência (que fica em frente da sua exposição) e no qual, mesmo funcionando apenas o lado esquerdo do teclado, enfrentava com alegria os períodos de menor ocupação.
Um palco improvisado com duas cadeiras estava montado em cima de um carril. Bengt deliciou-nos com um ritmo e alegria, difíceis de esquecer. Disse-nos que estava a aprender o "chega de saudade", pelo que aqui fica a minha singela contribuição para o inspirar.
Falou-nos encantado de Portugal e referiu com agrado, o facto de cada rotunda ter normalmente uma obra de arte no centro (confesso que nunca tinha pensado nisso!!). Aqui usam-se flores, para azar do Bengt.
Mais do que o artista e o seu trabalho, fica a pessoa e uma simpatia contagiante.
Afinal sempre há esperança...

segunda-feira, agosto 14, 2006

Chega!

Um bocadinho de utopia.
Por uns curtos minutos não quero pensar em mais nada...

Inacreditável

Vi isto neste blog e fiquei com uma revolta tal, que pensei várias vezes antes de o publicar também. Esconder não resolve, mostrar não ajuda...apesar de tudo, acho que temos sempre o direito a conhecer para formar opinião. As imagens são chocantes, mas muito mais chocante é a atitude.
Qual será o limite da demência humana? Existirá limite?
Pobre Ser Humano...

O meu colega neo-zelandês voltou

As férias terminaram e 4 semanas depois aí está ele. Muito simpático e prestável, como todos os que neste estaminé habitam.
Também muito pouco dado a modos, tal como os restantes, no que a "etiqueta" concerne. Não peço que sejam seguidos os 10 mandamentos da Paula Bobone, já me habituei a vê-los comer com a cabeça dentro do pratos e até já acho engraçado quando tiram comida da boca, não com 1, mas sim 2 dedos, ao mesmo tempo que falam.
Tudo bem..."são descendentes de Vikings", digo para os meus botões. Mas e o Neo-Zelandês?? Qual é a história ancestral dele?? Qual é a sórdida razão que o leva todos os dias por esta hora a comer uma maçã, e a fazer um ensurdecedor barulho, como se chupasse 3 Kg de esparguete com 2L de molho bolonhesa?
Como pode uma maçã ter tanto sumo? Será que as compra já podres?
Devo oferecer-lhe uma palhinha para que consiga comer melhor a maçã??
Eu sei, sou eu que sou esquisito...

Betão armado

Semanalmente recebo a "newsletter" do ExpressoEmprego. Continuo a ficar admirado com as vagas que todas as segundas-feiras aparecem no meu e-mail. Se disser que 70% das mesmas são para Eng.Civis, directores de obra, trolhas e toda essa malta do "ó boaaaaaaaaaa", acho que não estou a mentir.
Respeito como é óbvio, toda e qualquer profissão, mas neste caso em concreto, invariavelmente uma pergunta assalta o meu espírito: ainda há espaço para construir qualquer coisa feita de cimento em Portugal?
Há mais casas do que pessoas, a população está a envelhecer...estarei a perceber mal ou o sentido da coisa deveria ser rejuvenescer o povo, aumentar o número de habitantes e só depois construir mais casas?
Ou serão pontes? Auto-estradas quem sabe?
Não acham que já chega? Não acham que já temos "dormitórios" com fartura?
Será assim tão necessário criar aberrações paisagistícas (caras ou baratas) como telheiras, loures, almada e afins?
Não podemos simplesmente conservar o parque habitacional que temos (e que serve para as próximas 10 gerações!!) e acabar com a especulação imobiliária para que todos tenham acesso a uma casa? Meter o "lobby" do cimento no mesmo saco dos seus congéneres farmacêuticos, petrolíferos, médicos,etc e mandá-los todos para a Sibéria, não tornaria o país mais "leve"?
Meter a malta do "ó lindaaaaaaaaaaaa" a embelezar as nossas cidades e parques, não os tornaria um "bem" mais rentável para a restante sociedade? Até a Expo que começou por ser uma zona habitacional agradável, já vai num corropio de gruas e blocos de cimento a perder de vista...
Sim, eu sei que estou a ser utópico. Os pobres trolhas não têm culpa nenhuma e limitam-se a aproveitar o emprego que o "país rendido aos barões do cimento" lhes proporciona, mas revolta-me e destrói a imagem natural do nosso país, que por sinal, é muito bonita.

Sem dúvida...

...a melhor notícia do dia, da semana, do mês e do ano.
Dúvido que algo se resolva, que se fechem feridas ou que a paz chegue de uma forma duradoura.
Mas pelo menos, no imediato, deixam de morrer civis inocentes a cada minuto. Isso só por si, já é algo de fantástico.
O resto se verá.

domingo, agosto 13, 2006

De Portugal...


...chegaram 3 amigas.
Acondicionado entre cuecas e camisolas, um saco apareceu.
Pequeno, simples, comum, de plástico como tantos outros. Uma pequena diferença para os demais. 24 caracteres azuis. 24 caracteres azuis, com uma mensagem de inúmeras recordações e deliciosos paladares. Foi ali que tudo começou, foi ali que sorriu com aquele ar angelical, foi ali que guardei uma imagem eterna. Duas simples frases que iluminaram os meus olhos e me fizeram sorrir, num misto de espanto e alegria.
Uma vez aberto, libertou 4 caixas que repetiam a mensagem até à exaustão. Todo o quadro se compôs juntando aquele inconfundível aroma à imagem da perdição. Finalmente puderam respirar, finalmente puderam aparecer! 24 magníficos Pastéis de Bélem! 24...um por cada caracter da mensagem que desde 1837 ostentam.
O que dizer? Nada, rigorosamente nada...
Qual a sensação? Indescritível!
Quantos existem nestes momento? 2, apenas 2...mas não passam o pequeno almoço de amanhã!
Pastéis de Belém, os míticos Pastéis de Belém na terra dos Vikings!!!
Que maravilha....