Gosto sempre de trabalhar em equipa.
Todos pensam, todos mexem, todos ajudam. É este o conceito.
Noutros tempos, digo-o com alguma vergonha, não fui um bom "trabalhador de equipa". Queria era "despachar-despachar" e ver o resultado final pronto. Toda a envolvente que conduz ao fundo do túnel, era para mim um acessório.
Pobre Rui, que ainda sofreste umas amarguras com aqueles circuitos malfadados...
Mais tarde, azares e azelhices depois, acabei por ter que trabalhar sozinho e isso ensinou-me a ligar mais ao tal túnel.
Dizia um professor meu: "1 é pouco, 2 são bons, 3 já são uma manifestação! "
O terceiro elemento era apelidado como o "gajo que tirava cafés". Ou seja, não contribuia nada para o trabalho em causa.
Esta conversa vem a propósito da minha actual situação. Trabalho com uma colega, que supostamente me deve "educar" nos projectos que agora realiza, para que passem para minha responsabilidade. Ao mesmo tempo, devemos criar novas soluções para tarefas que devem ser realizadas já.
É simpática, muito disponível e bastante atenciosa, esta minha colega. O único problema é que parece não querer usar o cérebro.
É normal estarmos de volta de um problema, "em busca do bug perdido" e eu não a vejo pensar, tentar, mexer, executar...sei lá, inventar!!!
Quieta, de braços cruzados, vai falando sobre coisas do quotidiano, vai falando com outras pessoas e de vez em quando pergunta-me "porque não está a funcionar?". Além de ter pouca paciência para falhas (enervam-me coisas que não funcionam à primeira), ainda tenho menos paciência para sorrir e ser simpático com conversa de chacha e de ocasião tipo: "Ah, sabes? Não está a funcionar porque eu tenho um gozo enorme a procurar falhas enquanto tu fazes perguntas estúpidas!! E que tal se desligasses um fio qualquer sem eu ver para me divertir um pouco mais?? Ahn, que tal??"
O meu chefe quer e acha que trabalhamos em conjunto.
Agora, estava na bancada de testes com ela, pior que estragado porque um sistema que ontem funcionava, hoje no meio daquela salganhada de fios já não funciona. Enquanto praguejava em português para me descontrair, ela dizia: "Mas o que será??" e olhava para o lado para falar sobre Badminton com um gajo de 2,5 metros.
Chega o meu chefe, que num ar muito aflito me diz: "Desculpa lá Tiago, mas preciso da colega por uma hora para outra tarefa. Estás por tua conta!"
Epá...chefinho, isso é que não!! E agora como é que me desenrasco?? Eu não sei onde é que fica a máquina de café!!!Chefeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
quinta-feira, setembro 21, 2006
Globalização?
Vasaplatsen, Gotemburgo (20/09/06)

Bombas, bombas, bombas.
Em aviões, em carros, em edifícios, em todo o lado.
Quando era pequeno esses relatos apareciam mais espaçados (ou pelo menos eu não ligava tanto). ETA era quase sempre o nome associado. Para quem cresceu em Portugal nos anos 80/90, acho que era essa a noção que tinha de terrorismo. Entretanto cresci e o conceito também. Talvez eu esteja mais atento, talvez os problemas se multipliquem, talvez o mundo multi-cultural seja mesmo uma utopia, mas nomes como Bagdad, Cabul, Damasco, Beirute, Istambul, Tchetchénia, Egipto, Indonésia, Belfast e outros que tal, passaram a figurar nos alinhamentos dos telejornais pelas mesmas razões. Bombas, bombas e mais bombas.
Com a recente crise do Iraque a coisa tomou proporções de banalidade. Todos os dias mais não sei quantas bombas, mais não sei quantos mortos...passam a ser números, apenas isso. Fica a sensação de distância, de indiferença, de que estamos noutro planeta. Em Portugal ouvia vária vezes (e repetia interiormente): "somos pobres e terceiro-mundistas, mas não nos metemos em confusões". É verdade. Quase um pequeno paraíso, pelo menos nesse aspecto.
Eu confesso que a onda crescente de violência me faz pensar em mais 1000 coisas que nunca havia pensado. Escolho a dedo as companhias de aviação que utilizo, escolho os meus destinos de férias evitando aqueles que algures no tempo tiveram bombas (adorava ir a Istambul, mas tenho medo), escolhi os países para onde mandei CV's de acordo com o apoio dado ou não à invasão do Iraque (o que colocou cidades como Londres ou NY de parte) e dou por mim em infinitas paranóias, como se conseguisse prever onde estou ou não seguro.
Sempre me senti seguro em Portugal e procurei a mesma sensação uma vez afastado. Fiquei com alguns receios no nosso país, depois do idiota do "José Barroso" servir champanhe aos amigos Toni, Jorge e Aznar na base das lajes, mas sempre achei que os gajos da Al-Qaeda pudessem (como a maioria do mundo) pensar que Portugal era uma província de Espanha e talvez rebentar qualquer coisa em Madrid.
Quando vim para aqui sabia que a Suécia tinha aberto as portas à emigração, muito mais do que qualquer outro país escandinavo. Um exemplo: no fim da guerra do Kosovo a Suécia acolheu 80000 Kosovares enquanto a Finlândia recebeu 8.
Nas grandes cidades existem gangs de chilenos, albaneses, sírios e por aí fora. Há associações criminosas ao estilo Vito Corleone (uma delas chama-se "Bandidos") que "oferecem protecção" e quem não pagar...tem o destino traçado. Imagino que esta seja a realidade de qualquer sítio multi-cultural, onde vivem pessoas que se integram e contribuem para a sociedade e outras que nem por isso.
Neste últimos dois dias rebentaram dois carros armadilhados em Gotemburgo. O primeiro, em Hisigen, nos subúrbios da cidade. Uma zona onde vivem muitos portugueses, dada a proximidade com uma das fábricas da Volvo. A outra, rebentou ontem na "Vasaplatsen", mesmo no centro da cidade.
Vejo-a da janela e passo por lá pelo menos duas vezes por dia.
Ninguém sabe bem a razão destes atentados, mas desconfiam (os jornais) que os "bandidos" estão na origem dos mesmos. Vinganças por depoimentos em tribunal, pagamentos não efectuados, rivalidades entre gangs são as hipóteses que a imprensa de hoje noticia.
Para mim, que voltei a passar lá hoje, que não devo nada a ninguém e que estou a descontar para o governo sueco, ecoa-me no cérebro a seguinte questão: existe algum canto do mundo onde possa estar descansado?
quarta-feira, setembro 20, 2006
A data
Calha hoje. Assim, como quem não quer a coisa, no meio da semana.
Tudo bem, eu não sou esquisito.
De improviso e com imaginação, criaremos o tempo e a habitual boa disposição.
Com sorrisos.
Os mesmos que preenchem todos os dias.
Algo verde no prato e um bom José de Sousa a acompanhar.
Uma vela, uma melodia e as luzes da cidade a preencherem a noite da janela.
Por fim, os dois. Apenas isso.
Parabéns.
Tudo bem, eu não sou esquisito.
De improviso e com imaginação, criaremos o tempo e a habitual boa disposição.
Com sorrisos.
Os mesmos que preenchem todos os dias.
Algo verde no prato e um bom José de Sousa a acompanhar.
Uma vela, uma melodia e as luzes da cidade a preencherem a noite da janela.
Por fim, os dois. Apenas isso.
Parabéns.
Um pequeno susto (pelo menos para mim)
O Flash Gordon apareceu sem avisar. Ontem era suposto ser no grupo central, esta manhã descubro que foi no oriental, exactamente em Sma.
Electricidade cortada, linhas telefónicas sem vida e um aperto no coração.
A distância, as horas de espera, a impossibilidade de me mexer...ahhhhh...como destesto isso!!
Veio a luz, veio o sinal telefónico, veio a voz.
Estão todos bem. Assim sim, isso é que é falar !
A Mariana está a dormir, as telhas aguentaram-se e o Flash parece que vai agora chatear os Galegos.
Chato este Gordon...
Electricidade cortada, linhas telefónicas sem vida e um aperto no coração.
A distância, as horas de espera, a impossibilidade de me mexer...ahhhhh...como destesto isso!!
Veio a luz, veio o sinal telefónico, veio a voz.
Estão todos bem. Assim sim, isso é que é falar !
A Mariana está a dormir, as telhas aguentaram-se e o Flash parece que vai agora chatear os Galegos.
Chato este Gordon...
A t-shirt
7 anos depois de estar a viver sozinho (ou pelo menos fora da casa de um dos meus progenitores) o momento chegou.
Foi ontem, por volta das 8 da noite que a minha vida mudou.
De repente, anos e anos de rugas, vincos e deformações texteis ficaram para trás das costas. Até esse momento, eu era um "jovem descontraído" como gosto de pensar..."mal vestido e amarrotado" como outros olhos me observavam.
Acabou-se aquele "bater-de-t-shirt-ainda-molhada-para-ficar-esticadinha", acabaram-se as bocas matinais "olha lá, foi o cão que rebolou em cima dessa camisa??", acabaram os vincos da t-shirt a simular um tabuleiro de xadrez nas costas, acabaram-se as espreitadelas para o espelho e consequente mensagem interior: "epá, desta vez não ficou assim tão mau" ou "bolas, tenho quase 30 anos...quando é que começo a passar a ferro??"
Destemido entrei na cave do prédio, onde estão as máquinas de lavar e secar roupa. Aí encontrei um cilindro, não mais do que 1m de compimento, uma cadeira e um pedal.
Excluída que estava a hipótese de ser um rolo compressor para asfaltar estradas, tentei colocar lá uma camisola.
Carreguei no pedal e como que por magia, 5 seg depois, recebia-a num estado que ela própria desconhecia desde aquele fatídico dia em que a desembrulhei na loja.
Tinha descoberto o último grito da tecnologia no mundo da engomadoria, desenvolvido em segredo por 5 gajos de metro e meio, algures entre Osaka e Okinawa, em exclusivo absoluto para aquela cave que tudo transformou.
Não queria acreditar...1 pedal, 1 cadeira e um cilindro quente. O paraíso ali ao virar da esquina. Sentia-me como Indiana Jones no momento em que percebeu que o cálice do carpinteiro tinha que ser de madeira, o que não é menos brilhante.
Uma força apoderou-se de mim e comecei a passar todas as minhas t-shirts, como se estivesse numa linha de montagem.
(...)
48 seg depois, tinha um saco cheio de roupa passadinha a ferro.
Orgulhosamente, vesti uma dessas obras de arte esta manhã....tudo foi diferente!
Abri o casaco e por entre o frio matinal que se fazia sentir, exibi a minha lisa e imaculada t-shirt.
Os bárbaros, ofuscados por tal brilho comentavam:
- Ericsson: "Já viste aquele gajo?? Com este frio...será doido??"
- Gustavsson: "Mas reparaste naquela t-shirt sem vincos?"
- Carlsson: "Terá usado ferro?"
- CáJósson: "Huummm....algo tão perfeito....parece que usou um cilindro!!"
- Todos - CáJósson: "Ahahahah...toda a gente sabe que não existe essa tecnologia no mundo da engomadoria!!!"
O cilindro será o meu Santo Graal e aquela cave o Templo Perdido. (isso fará do meu pai o Sean Connery??)
Hoje tenho reunião de avaliação com o meu chefe sueco.
Nada pode correr mal. Estou confiante e gosto de mim. Não bebi "matinal" mas passei a T-shirt.
Foi ontem, por volta das 8 da noite que a minha vida mudou.
De repente, anos e anos de rugas, vincos e deformações texteis ficaram para trás das costas. Até esse momento, eu era um "jovem descontraído" como gosto de pensar..."mal vestido e amarrotado" como outros olhos me observavam.
Acabou-se aquele "bater-de-t-shirt-ainda-molhada-para-ficar-esticadinha", acabaram-se as bocas matinais "olha lá, foi o cão que rebolou em cima dessa camisa??", acabaram os vincos da t-shirt a simular um tabuleiro de xadrez nas costas, acabaram-se as espreitadelas para o espelho e consequente mensagem interior: "epá, desta vez não ficou assim tão mau" ou "bolas, tenho quase 30 anos...quando é que começo a passar a ferro??"
Destemido entrei na cave do prédio, onde estão as máquinas de lavar e secar roupa. Aí encontrei um cilindro, não mais do que 1m de compimento, uma cadeira e um pedal.
Excluída que estava a hipótese de ser um rolo compressor para asfaltar estradas, tentei colocar lá uma camisola.
Carreguei no pedal e como que por magia, 5 seg depois, recebia-a num estado que ela própria desconhecia desde aquele fatídico dia em que a desembrulhei na loja.
Tinha descoberto o último grito da tecnologia no mundo da engomadoria, desenvolvido em segredo por 5 gajos de metro e meio, algures entre Osaka e Okinawa, em exclusivo absoluto para aquela cave que tudo transformou.
Não queria acreditar...1 pedal, 1 cadeira e um cilindro quente. O paraíso ali ao virar da esquina. Sentia-me como Indiana Jones no momento em que percebeu que o cálice do carpinteiro tinha que ser de madeira, o que não é menos brilhante.
Uma força apoderou-se de mim e comecei a passar todas as minhas t-shirts, como se estivesse numa linha de montagem.
(...)
48 seg depois, tinha um saco cheio de roupa passadinha a ferro.
Orgulhosamente, vesti uma dessas obras de arte esta manhã....tudo foi diferente!
Abri o casaco e por entre o frio matinal que se fazia sentir, exibi a minha lisa e imaculada t-shirt.
Os bárbaros, ofuscados por tal brilho comentavam:
- Ericsson: "Já viste aquele gajo?? Com este frio...será doido??"
- Gustavsson: "Mas reparaste naquela t-shirt sem vincos?"
- Carlsson: "Terá usado ferro?"
- CáJósson: "Huummm....algo tão perfeito....parece que usou um cilindro!!"
- Todos - CáJósson: "Ahahahah...toda a gente sabe que não existe essa tecnologia no mundo da engomadoria!!!"
O cilindro será o meu Santo Graal e aquela cave o Templo Perdido. (isso fará do meu pai o Sean Connery??)
Hoje tenho reunião de avaliação com o meu chefe sueco.
Nada pode correr mal. Estou confiante e gosto de mim. Não bebi "matinal" mas passei a T-shirt.
"Não"...não sabemos o quê, mas "Não"!!
Ontem lia um artigo do Sousa Tavares no Expresso sobre os professores.
Confesso que esta é uma "classe" que normalmente me enerva um pouco. Continuo a achar que é a profissão mais importante do mundo, afinal têm sobre os ombros a responsabilidade de educar o "futuro do país", mas assumem posições (ou os seus sindicatos assumem) que não os dignificam.
A ministra da educação quer avaliar os professores e fazê-los evoluir na carreira por mérito e não porque estão vivos. Acabar com o clássico "antiguidade é um posto". Parece-me uma boa ideia.
Como em qualquer sector (que não público), tenta-se premiar quem mais faz. Há uma base, um "mínimo social garantido" para todos, mas a partir daí separa-se o "trigo do joio" e cria-se desenvolvimento. Tem lógica e adequa-se no tempo.
O que dizem os sindicatos? Não, não e não! Nota-se que os sindicatos dos professores não são parceiros sociais, não procuram evoluções para a classe, não entram no séc.XXI. Limitam-se a "contestar por contestar" e tentar não perder cada um dos previlégios idiotas que o estado novo lhes conferiu.
Estas atitudes só descredibilizam o movimento sindical e fazem-nos parecer um grupo de marretas. O slogan é: "chupar, chupar, chupar... contra o trabalho, marchar, marchar, marchar!"
Há problemas de carreira, há instabilidade profissional, há insegurança nas escolas...queixem-se disso!! Agora, querer o "emprego para a vida", sem fazerem nada por isso...tenham lá paciência, mas o saco dos contribuintes não é azul e tem fundo.
Confesso que esta é uma "classe" que normalmente me enerva um pouco. Continuo a achar que é a profissão mais importante do mundo, afinal têm sobre os ombros a responsabilidade de educar o "futuro do país", mas assumem posições (ou os seus sindicatos assumem) que não os dignificam.
A ministra da educação quer avaliar os professores e fazê-los evoluir na carreira por mérito e não porque estão vivos. Acabar com o clássico "antiguidade é um posto". Parece-me uma boa ideia.
Como em qualquer sector (que não público), tenta-se premiar quem mais faz. Há uma base, um "mínimo social garantido" para todos, mas a partir daí separa-se o "trigo do joio" e cria-se desenvolvimento. Tem lógica e adequa-se no tempo.
O que dizem os sindicatos? Não, não e não! Nota-se que os sindicatos dos professores não são parceiros sociais, não procuram evoluções para a classe, não entram no séc.XXI. Limitam-se a "contestar por contestar" e tentar não perder cada um dos previlégios idiotas que o estado novo lhes conferiu.
Estas atitudes só descredibilizam o movimento sindical e fazem-nos parecer um grupo de marretas. O slogan é: "chupar, chupar, chupar... contra o trabalho, marchar, marchar, marchar!"
Há problemas de carreira, há instabilidade profissional, há insegurança nas escolas...queixem-se disso!! Agora, querer o "emprego para a vida", sem fazerem nada por isso...tenham lá paciência, mas o saco dos contribuintes não é azul e tem fundo.
terça-feira, setembro 19, 2006
Ayatollah, diz-me cá...

Depois de ler isto, gostaria de dizer o seguinte:
Há uns meses atrás, um desgraçado qualquer resolveu caricaturar o Maomé. Turbantes, bombas e umas pinceladas de cor e parou tudo.
Aqui "del' Rei", protestos por todo o lado, bandeiras dinamarquesas queimadas, ameças de atentados, jihad, guerra santa, blá,blá...entretanto passou.
Agora o papa, sobre quem recai o dogma da verdade absoluta (inventam com cada uma...), leu a uns estudantes universitários um discurso mediaval (é importante que se note: Medieval) onde alguém dizia que o Maomé trazia coisas más e tentava passar as palavras pela força da espada. É um discurso medieval e pouco importa saber o contexto em que foi dito. A liberdade de expressão significa falar ou opinar, sobre todo e qualquer assunto (sim, todo e qualquer inclui o Maomé, está bem Ayatollah?). Mas o que é que acontece? Toca de vir para a rua queimar mais umas bandeiras (da Alemanha no caso), proclamar "a gota de água" para a guerra santa e misturar cartoons e baboseiras que o papa diz, com assuntos realmente sérios como a invasão do Iraque ou do Afeganistão.
Tudo serve de desculpa para virem para a rua gritar, dar tiros, fazer fogo e armar confusão. Seja um desenho, uma leitura de algo escrito há séculos ou qualquer referência que não agrade ao profeta. Existem razões de queixa, existem povos oprimidos, existem ocupações ilegais, existem interesses sujos, existem jogos políticos e existem inocentes a morrer.
Agora, meter tudo isso no saco da Jihad, sempre que alguém fala do Maomé...tem lá paciência ó Ayatollah!!
Vocês não fazem nada da vida pá? Não se levantam cedo para ir trabalhar? Vão sempre com as roupas a cheirar a fumo? Cada um dos fiéis tem um "set" de bandeiras com um exemplar de cada país europeu e 100 dos EUA (têm mais saída...) para queimar mal alguém diga que o Maomé cheirava mal dos pés?
Não há paciência....com tantos problemas graves que afectam os povos do médio oriente, parecem mais preocupados com o "acessório" do que com o "real".
Ayatollah...tem lá juízo e diz a essa malta que pare com as churrascadas na via pública. O fumo entra nos cobertores que tens sempre nas costas e depois dá mau aspecto, ires trabalhar com aquele cheiro a chamusca.
Não queres que o teu patrão pense que andas na sardinhada durante o almoço, ou queres?
"Helloooo, my name is K. and I was born in the state of Alabaaaaaaaaaaama"

Acho piada a conferências...tele, video, lata-com-fio, sinais de fumo ou qualquer outra versão, mas conferência. Juntamo-nos para discutir "o" assunto. Normalmente, quando não sou eu que tenho que falar ou "puxar a carroça", abro uma porta secreta e entro num mundo paralelo chamado "detalhes". Começo a imaginar sem limites e isso sim, é que me dá um real prazer...
Ontem, video-conferência entre Espanha, Suécia, EUA e Índia. Os americanos falavam. Os restantes ouviam e colocavam questões. Uma "rodinha" pelos 3 continentes para as apresentações:
- "Olá, sou o B. e estou aqui com a K., vamos apresentar-vos esta maravilha da tecnologia e tentar impingir este SW que talvez nunca usem na vida, que vos custará 10 vezes o preço de mercado e que aumentará o crescente buraco financeiro da vossa empresa, permitindo um encaixe fabuloso para a nossa empresa. Falarei sempre neste tom monocórdico e com a boca cheia de Big-Macs, parecendo que estou a fazer um grande frete."
- "Olá somos o Z,X e Y, trabalhamos com o sistema blá blá, na equipa nheca-nheca e sentamo-nos neste cubo de gelo cá em cima" (3 min)
- "Olá....xirbirixirbirixirbiriirbiri...e......xirbirixiririxirbiri....in India" (10 seg)
- "Hola! Pablo, Espana, Olé!!" (5 seg)
Terminada esta parte, os americanos começaram com 40 minutos de blá-blá-blá, permitindo-me uma divagação sem precedentes. Comecei por pensar na evolução das comunicações. Quer dizer...são milhares de quilómetros de distância física juntos numa pequena caixinha. Basta um "click" e "voilá". Faz-me pensar o que ainda se poderá fazer. Muito, estou certo, já que o Homem não pára de evoluir.
O B. falava sem respirar. Num tom monocórdico, inglês sem sotaque e com volume bastante baixo, como se estivéssemos de facto na mesma sala. Parecia chateado. Falava de forma enfadonha, como se para ele tudo fosse uma chatice. Fazia-me lembrar o Ribeiro e Castro, mas sem aquele tique de sorver a baba.
O ambiente estava criado. Faltava apenas a música do Vitinho (eu era um miúdo nos anos 80) para a minha cabeça se recostar, os olhos fecharem e a boca deixar cair 2 a 3 pingos de baba. A minha colega sueca (que não cresceu com o Vitinho), não exigiu tantos pré-requisitos e foi directa para a sorna.
Tudo parecia bem, mas de vez em quando, no meio daquela melancolia alguém fazia uma pergunta....e aí meus amigos, aí era o fim da soneca. Entrava em acção a K., que pelos vistos era a "que mexia na massa" e estava por dentro dos detalhes técnicos. O volume aumentava uns bons 80db, a voz monocórdica era substituída por uma de "cana rachada" (tipo Fran Duscher da "Nanny") e o sotaque citadino dava lugar a algo da Georgia, Virginia, Alabama ou Texas.
"If you need that formaaaaaaaaat" dizia ela aos berros e arrastando o fim da frase. Aquele sotaque, fez-me imaginar uma infância passada entre os "rodeos" do Texas e "apple pie" feita pela avó na "sweet home Alabááááááma"!!
Acabara o descanso. "Como deixam uma voz destas aproximar-se de qualquer coisa que emita som???", perguntava o meu cérebro. Limitava-me a pedir (já que não consigo rezar) a qualquer entidade divina que ninguém fizesse perguntas. Mas sempre que o B. nos começava a "embalar" lá vinha um "qué-frô":
"Just-a-small-question : xiribirixiribibibiiririxiribiri and xiribirixiribirixiribiri ??" (3 seg)
Ninguém percebia puto. Era impossível perceber aquelas letras unidas sem periodos de respiração. Ah...mas a K. tinha um descodificador de "xiribiri" e os decibéis voltavam de imediato para os níveis de aviso de Tsunami. Foi uma desgraça até ao fim. A comunicação não era "cristalina", mal se percebia o que todos os participantes diziam (ainda bem que o espanhol ficou sempre calado!) e aquela voz ( prova final que deus não existe!) que me provocará pesadelos por 2 semanas, não deixou que o descanso voltasse àquela sala.
A minha colega até saiu com olheiras, tal foi a dificuldade em atingir um sono profundo.
segunda-feira, setembro 18, 2006
O caracol
Sinto-me como se tivesse carragado baldes de massa durante o fim-de-semana...
Saco, saquinho, sacão...mala, malinha, malão. "Tinha ideia que não era tanta coisa!", teimava o meu cérebro em afirmar.
Empacota, carrega, limpa...descarrega, desempacota, limpa. Foi esta a sequência mágica que nos fez chegar à noite de domingo completamente de "rastos".
Entre alguns "brindes lúdicos e com folhos" que o senhorio fez o favor de lá deixar, instalámo-nos e fizemos o reconhecimento do novo espaço. Mais metros (o que significa mais tempo de aspirador nas mãos), mais gavetas (que aposto que na altura da próxima mudança estarão cheias de coisas que aparecem não sei de onde), mas sobretudo mais conforto. Essa é a parte boa.
Na parte do "desempacota" ia aproveitando para dar um olho na tv. Ontem foi dia de eleições na Suécia. Não havia Manuela Moura Guedes a gritar, Pacheco Pereira a filosofar ou M. Sousa Tavares a cascar, o que dificultou a "leitura" dos resultados, mas os clássicos gráficos das percentagens ajudaram!
Ao que parece, a esquerda no poder desde 94, foi derrotada pela aliança de direita. O slogan máximo destes era baixar os impostos. Nos últimos 70 anos, só por 9 anos a esquerda não esteve no poder e, segundo rezam as más linguas, no último mandato da direita (90-94), a dívida externa triplicou num valor semelhante ao que o país acumulou em toda a sua história. Desde então (94) aumentaram os impostos para compensar esta dívida externa, que entretanto se tornou quase insignificante. Os líderes da direita vencedora são fiéis seguidores de Bush e mais conservadores em relação aos emigrantes. De qualquer forma, uma mudança no poder é sempre benéfica e evita a multiplicação de "vícios".
Veremos daqui a 4 anos.
Saco, saquinho, sacão...mala, malinha, malão. "Tinha ideia que não era tanta coisa!", teimava o meu cérebro em afirmar.
Empacota, carrega, limpa...descarrega, desempacota, limpa. Foi esta a sequência mágica que nos fez chegar à noite de domingo completamente de "rastos".
Entre alguns "brindes lúdicos e com folhos" que o senhorio fez o favor de lá deixar, instalámo-nos e fizemos o reconhecimento do novo espaço. Mais metros (o que significa mais tempo de aspirador nas mãos), mais gavetas (que aposto que na altura da próxima mudança estarão cheias de coisas que aparecem não sei de onde), mas sobretudo mais conforto. Essa é a parte boa.
Na parte do "desempacota" ia aproveitando para dar um olho na tv. Ontem foi dia de eleições na Suécia. Não havia Manuela Moura Guedes a gritar, Pacheco Pereira a filosofar ou M. Sousa Tavares a cascar, o que dificultou a "leitura" dos resultados, mas os clássicos gráficos das percentagens ajudaram!
Ao que parece, a esquerda no poder desde 94, foi derrotada pela aliança de direita. O slogan máximo destes era baixar os impostos. Nos últimos 70 anos, só por 9 anos a esquerda não esteve no poder e, segundo rezam as más linguas, no último mandato da direita (90-94), a dívida externa triplicou num valor semelhante ao que o país acumulou em toda a sua história. Desde então (94) aumentaram os impostos para compensar esta dívida externa, que entretanto se tornou quase insignificante. Os líderes da direita vencedora são fiéis seguidores de Bush e mais conservadores em relação aos emigrantes. De qualquer forma, uma mudança no poder é sempre benéfica e evita a multiplicação de "vícios".
Veremos daqui a 4 anos.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Estava lá e vi
Grande concerto, grande voz, grande presença em palco!
Fillho de peixe NORMALMENTE sabe nadar...neste caso poucas dúvidas restam. Certo?
Fillho de peixe NORMALMENTE sabe nadar...neste caso poucas dúvidas restam. Certo?
"Vou por aí às escondidas a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"
Quando o meu chefe alemão (o que me paga!) se reuniu com o meu chefe sueco (o que me controla) em Fevereiro deste ano, apresentaram-me aquele que seria o meu horário de trabalho.
- O máximo: das 6 da manhã às 8 da noite, ao que eu interiormente respondi..."sim, sim... é mesmo disso que venho à procura!!"
- O normal: das 8 da manhã às 16:30h e que me pareceu "jeitoso".
- O mínimo-obrigatório-sem-recurso-a-tretas: das 9h às 14.30h que o meu cérebro assimilou como ideal, mas a vergonha normalmente não me deixa cumprir.
Dito isto...
(....)
Hoje, às 8.40h estava calmamente a sentir a água quente nos ombros. Estava atrasado, muito, muito atrasado, mas ainda assim descontraído. A água quente, provoca em mim a sensação de que o tempo parou. Sei que estou atrasado, sei que aquele duche deve demorar entre 30 a 40 seg., mas acho sempre que esses segundos dão para passar sabão e pensar. Depois, embalado com a água nos dois ombros vou pensando, pensando, pensando. Atraso-me mais, mais e mais, mas aqueles minutos largos (no entanto segundos no meu mundo) permitem-me divagar sobre as mais variadas coisas, pessoas, palavras, gestos, locais, etc. Hoje lembrei-me desta coisa da "blogosfera". Quando há pouco mais de 2 meses o Rui me sugeriu a criação de um blog, confesso que mal sabia o que era. Nunca tinha visto um, não percebia a utilidade e não fazia ideia o que fazer com ele. Gostava de escrever, era a única coisa que ao longe encaixava. Dois meses depois, percebo o esquema. Partilham-se ideias, pensamentos, convicções, musicas, imagens, situações e tudo o mais do nosso quotidiano. No entanto, o que me deixa realmente surpreendido são os "laços virtuais". Pensava usar o meu blog como um espaço de partilha com familiares ou amigos, que esta aventura me fez deixar geográficamente mais longe. Pessoas que me conhecem desde sempre ou há muito tempo. O que não esperava era "virtualmente" adquirir novas simpatias. Nunca foi muito o meu género.
De blog em blog, é normal encontrar histórias interessantes e não raras vezes, textos fantásticos de índole político-social ou humorísticos do dia-a-dia (tipo Seinfeld), os que mais procuro. Já dei por mim a comentar a história de A, B ou C, como se de uma novela se tratasse. Se um blog reflecte o estado de espírito, os pensamentos ou os ideais de quem lá escreve, parece-me natural que se crie uma certa simpatia (ou não) com o autor das palavras. As linhas reflectem quem as escreve e ao lê-las, fico com a sensação que vou conhecendo um pouco mais dessa pessoa. Aparências que desconheço (embora algumas coloquem fotografias :)) e que me fazem imaginar cada detalhe dos seus relatos. De repente, sem dar por isso, sinto-me próximo. Como se de um "laço virtual" se tratasse, como se fossem várias personagens que simplesmente imagino e que de uma forma ou de outra, acabam por fazer parte do meu quotidiano. Acho isto curioso. Tudo começou porque gostava de escrever e sem dar por isso, leio vários "morangos com açucar" e "até amanhã camaradas" ao mesmo tempo. Até aposto que em Dezembro, algures no Colombo a correr em busca dos presentes perdidos, me vou cruzar com alguns sem que no entanto o perceba. Não há rosto, cheiro ou toque. São palavras, apenas palavras que apelam ao imaginário. É essa a riqueza.
- O máximo: das 6 da manhã às 8 da noite, ao que eu interiormente respondi..."sim, sim... é mesmo disso que venho à procura!!"
- O normal: das 8 da manhã às 16:30h e que me pareceu "jeitoso".
- O mínimo-obrigatório-sem-recurso-a-tretas: das 9h às 14.30h que o meu cérebro assimilou como ideal, mas a vergonha normalmente não me deixa cumprir.
Dito isto...
(....)
Hoje, às 8.40h estava calmamente a sentir a água quente nos ombros. Estava atrasado, muito, muito atrasado, mas ainda assim descontraído. A água quente, provoca em mim a sensação de que o tempo parou. Sei que estou atrasado, sei que aquele duche deve demorar entre 30 a 40 seg., mas acho sempre que esses segundos dão para passar sabão e pensar. Depois, embalado com a água nos dois ombros vou pensando, pensando, pensando. Atraso-me mais, mais e mais, mas aqueles minutos largos (no entanto segundos no meu mundo) permitem-me divagar sobre as mais variadas coisas, pessoas, palavras, gestos, locais, etc. Hoje lembrei-me desta coisa da "blogosfera". Quando há pouco mais de 2 meses o Rui me sugeriu a criação de um blog, confesso que mal sabia o que era. Nunca tinha visto um, não percebia a utilidade e não fazia ideia o que fazer com ele. Gostava de escrever, era a única coisa que ao longe encaixava. Dois meses depois, percebo o esquema. Partilham-se ideias, pensamentos, convicções, musicas, imagens, situações e tudo o mais do nosso quotidiano. No entanto, o que me deixa realmente surpreendido são os "laços virtuais". Pensava usar o meu blog como um espaço de partilha com familiares ou amigos, que esta aventura me fez deixar geográficamente mais longe. Pessoas que me conhecem desde sempre ou há muito tempo. O que não esperava era "virtualmente" adquirir novas simpatias. Nunca foi muito o meu género.
De blog em blog, é normal encontrar histórias interessantes e não raras vezes, textos fantásticos de índole político-social ou humorísticos do dia-a-dia (tipo Seinfeld), os que mais procuro. Já dei por mim a comentar a história de A, B ou C, como se de uma novela se tratasse. Se um blog reflecte o estado de espírito, os pensamentos ou os ideais de quem lá escreve, parece-me natural que se crie uma certa simpatia (ou não) com o autor das palavras. As linhas reflectem quem as escreve e ao lê-las, fico com a sensação que vou conhecendo um pouco mais dessa pessoa. Aparências que desconheço (embora algumas coloquem fotografias :)) e que me fazem imaginar cada detalhe dos seus relatos. De repente, sem dar por isso, sinto-me próximo. Como se de um "laço virtual" se tratasse, como se fossem várias personagens que simplesmente imagino e que de uma forma ou de outra, acabam por fazer parte do meu quotidiano. Acho isto curioso. Tudo começou porque gostava de escrever e sem dar por isso, leio vários "morangos com açucar" e "até amanhã camaradas" ao mesmo tempo. Até aposto que em Dezembro, algures no Colombo a correr em busca dos presentes perdidos, me vou cruzar com alguns sem que no entanto o perceba. Não há rosto, cheiro ou toque. São palavras, apenas palavras que apelam ao imaginário. É essa a riqueza.
quinta-feira, setembro 14, 2006
O Mestre Zé
Liguei, liguei, liguei...mas não atendeste.Eu sei. É dia de festa e deves tê-lo passado entre o queque de laranja e o néctar de uva, com os amigos do "forrobodó". Tudo bem.
Mas repara, passaram 79 anos desde o dia em que nasceste "lá onde o Sol queima mais" e gostava de te ter felicitado por isso. Além do mais, sabe sempre bem ouvir o teu típico sorriso "sã sã sã" que para mim é a tua imagem de marca, de e para sempre.
Espero que estejas descansadinho a dormir e que tenhas passado este dia da melhor forma possível.
Muitos parabéns pelos teus 79 anitos vôvô!
Saudades.
Tiago
A surpresa
Tinha pensado esta tarde dar um salto ao banco, às finanças, à emigração e a todos os sítios onde legalmente por uma ou outra razão a minha morada aparece, para a alterar. De senha em senha, estava a prever uma tarde de burocracias e filas de espera, em vários balcões.
Pedi ajuda a uma colega, que me informou da oitava maravilha do mundo.
Existe uma instituição pública que se dedica apenas a este assunto. Por internet ou telefone, dizemos qual é o nosso número de identificação (BI local), a morada actual e aquela para onde pretendemos mudar. Eles encarregam-se de informar todas as restantes intituições legais e durante 1 ano (opcional) reencaminham todo o correio que vá parar à morada antiga.
Demorou 5 minutos e nem tive que me levantar daqui.
Ainda estou de boca aberta com a facilidade da acção e com a articulação entre instituições que o permite.
Assim vale a pena pagar impostos...
Pedi ajuda a uma colega, que me informou da oitava maravilha do mundo.
Existe uma instituição pública que se dedica apenas a este assunto. Por internet ou telefone, dizemos qual é o nosso número de identificação (BI local), a morada actual e aquela para onde pretendemos mudar. Eles encarregam-se de informar todas as restantes intituições legais e durante 1 ano (opcional) reencaminham todo o correio que vá parar à morada antiga.
Demorou 5 minutos e nem tive que me levantar daqui.
Ainda estou de boca aberta com a facilidade da acção e com a articulação entre instituições que o permite.
Assim vale a pena pagar impostos...
Hoje

Não estou aqui. Não sei onde estou, mas sei que não estou aqui.
Algures na minha nuvem, distante, muito distante, observo tudo em redor.
Há silêncio, há paz, há harmonia. Agrada-me...sinceramente agrada-me.
Olho em volta e vejo luzes, fios, multímetros, osciloscópios, componentes eléctricos e toda uma panóplia de coisas que em conjunto formam "tecnologia".
Há a sensação de trabalho. Tudo se imagina, tudo se cria, tudo se transforma.
Mas não para mim...hoje não.
O cérebro pede descanso, o corpo pede uma cama. Estas dores de cabeça...estas malditas dores de cabeça que cresceram comigo e provavelmente nunca me largarão, exigem outro pano de fundo.
Apetece-me descansar. Está quase, eu sei que está quase.
Até já.
quarta-feira, setembro 13, 2006
1,5 horas depois...
Nando, Nando, Nando...como te direi?
Consegues ser o pior barrete desde o Santana.
Ora repara no que os meus olhos pouco dados a estatísticas repararam:
- 1º remate à baliza aos 60 minutos de jogo
- 2º jogo oficial, inicio de época, equipa cansada, Copenhaga com muitos mais jogos nas pernas, blá, blá.... e 1ª substituição aos 80 minutos!
- 3 remates em todo o jogo
- número de jogadas com principio, meio e fim = 0
- metade da equipa não percebeu que o Quim não era o único gajo de luvas em campo e corria para o lado errado
- a outra metade (com destaque para o Alcides) não conseguiu parar uma bola e deixá-la num raio de 5m (parecem tábuas!)
- aos 70 minutos de jogo já jogavam à "rabia" para perder tempo (pensavas que do outro lado estava o Barcelona??)
Nando, diz-me, o que é que tu andas aí a fazer pá?
Como é que no meio das escutas telefonicas e das escolhas de árbitros, aqueles artolas ainda tiveram tempo de fazer mais uma asneira e contratar-te?
Mal empregada Bohemia!
Consegues ser o pior barrete desde o Santana.
Ora repara no que os meus olhos pouco dados a estatísticas repararam:
- 1º remate à baliza aos 60 minutos de jogo
- 2º jogo oficial, inicio de época, equipa cansada, Copenhaga com muitos mais jogos nas pernas, blá, blá.... e 1ª substituição aos 80 minutos!
- 3 remates em todo o jogo
- número de jogadas com principio, meio e fim = 0
- metade da equipa não percebeu que o Quim não era o único gajo de luvas em campo e corria para o lado errado
- a outra metade (com destaque para o Alcides) não conseguiu parar uma bola e deixá-la num raio de 5m (parecem tábuas!)
- aos 70 minutos de jogo já jogavam à "rabia" para perder tempo (pensavas que do outro lado estava o Barcelona??)
Nando, diz-me, o que é que tu andas aí a fazer pá?
Como é que no meio das escutas telefonicas e das escolhas de árbitros, aqueles artolas ainda tiveram tempo de fazer mais uma asneira e contratar-te?
Mal empregada Bohemia!
Agora

. Depois de andar 1 h de e para o trabalho
. Depois de 10h lá enfiado atrás de "bugs" e soluções
. Depois de correr para a aula de sueco
. Depois de ler que o General Franco foi um herói
. Depois de ouvir o mecânico dizer pela segunda vez em 10 dias: são 40 cts sff!
Cheguei e estou cansado.
Façam-me um favor. Um apenas. Esforcem-se!
Já abri a Bohemia.
A caneca
Quem imita quem?
Ainda não percebi quem o faz.
Se os suecos imitam os americanos, ou se, numa das muitas vagas de emigração levaram para lá os seus hábitos. Tendo em conta que depois de enfiarem os índios nas reservas os americanos construiram apenas 200 anos de história e formaram o seu "povo" com gente de todo o mundo...bom, fico na dúvida.
É normal no fim-de-semana ver muitos suecos de blusão de cabedal, com "popa John Travolta" a passearem os respectivos corvettes, cadillacs, chevrolets, etc, de preferência descapotáveis dos anos 50/60 e nunca, mas nunca com menos de 10m de comprimento...
Há bandeiras por todo o lado, cafés "Sport" com écrans gigantes para verem os vários desportos, muita comida de pacote e mais uma panóplia de coisas que só tinha visto nos filmes ou na terra do Tio Sam.
A última delas é: a Caneca.
Não há filme de hollywood onde o advogado, o polícia, o bombeiro e outros tantos, não tenham por perto a sempre fiel caneca de café. Tal como o computador, a mesa, a caneta e o urinol, a caneca faz parte do economato.
Por aqui, não há reunião ou simples "ajuntamento" popular que dispense tal artefacto. É curioso, nunca tinha visto e cheirava-me apenas a mais uma "americanada". Arranjei uma caneca para mim e toca de ir para as reuniões "chupar" café como os restantes (sim, eles não "bebem"...beber é engolir um líquido sem acordar um morto! Aquele basqueiro que fazem é a chupar o café...).
Já tinha reparado que esta malta não é muito dada aos livros da Bobone. Arrotam de boca aberta , chupam maçãs, chupam café, comem só com um garfo, empurram com o dedo, enfiam os olhos no prato e só os levantam depois de acabarem a palha, tiram a comida dos dentes com os dedos e de boca aberta, etc,etc. O que não tinha reparado ainda é o estado de putrefacção que apresentam as canecas alheias. Há camadas e camadas de café em todo o seu interior e marcas de boca espalhadas em todo o rebordo exterior. Aquelas canecas gritam por água desde o dia em que nasceram. Eu até estou convencido que o raio interior da caneca diminui de tal forma com as "crostas", que pouco espaço lhes sobra para despejar nova dose.
Por outro lado, imagino que de cada vez que despejam café quente, derretem um pouco da crosta da vez anterior, o que deve proporcionar um toque "antigo" ao café. Talvez seja bom.
Vou encher a minha chávena. Dentro de minutos vai começar uma conferência telefónica com uns colegas de Detroit e estou curioso para ouvir o "chupar" de café dos dois lados da linha.
Será em stereo?
Ainda não percebi quem o faz.
Se os suecos imitam os americanos, ou se, numa das muitas vagas de emigração levaram para lá os seus hábitos. Tendo em conta que depois de enfiarem os índios nas reservas os americanos construiram apenas 200 anos de história e formaram o seu "povo" com gente de todo o mundo...bom, fico na dúvida.
É normal no fim-de-semana ver muitos suecos de blusão de cabedal, com "popa John Travolta" a passearem os respectivos corvettes, cadillacs, chevrolets, etc, de preferência descapotáveis dos anos 50/60 e nunca, mas nunca com menos de 10m de comprimento...
Há bandeiras por todo o lado, cafés "Sport" com écrans gigantes para verem os vários desportos, muita comida de pacote e mais uma panóplia de coisas que só tinha visto nos filmes ou na terra do Tio Sam.
A última delas é: a Caneca.
Não há filme de hollywood onde o advogado, o polícia, o bombeiro e outros tantos, não tenham por perto a sempre fiel caneca de café. Tal como o computador, a mesa, a caneta e o urinol, a caneca faz parte do economato.
Por aqui, não há reunião ou simples "ajuntamento" popular que dispense tal artefacto. É curioso, nunca tinha visto e cheirava-me apenas a mais uma "americanada". Arranjei uma caneca para mim e toca de ir para as reuniões "chupar" café como os restantes (sim, eles não "bebem"...beber é engolir um líquido sem acordar um morto! Aquele basqueiro que fazem é a chupar o café...).
Já tinha reparado que esta malta não é muito dada aos livros da Bobone. Arrotam de boca aberta , chupam maçãs, chupam café, comem só com um garfo, empurram com o dedo, enfiam os olhos no prato e só os levantam depois de acabarem a palha, tiram a comida dos dentes com os dedos e de boca aberta, etc,etc. O que não tinha reparado ainda é o estado de putrefacção que apresentam as canecas alheias. Há camadas e camadas de café em todo o seu interior e marcas de boca espalhadas em todo o rebordo exterior. Aquelas canecas gritam por água desde o dia em que nasceram. Eu até estou convencido que o raio interior da caneca diminui de tal forma com as "crostas", que pouco espaço lhes sobra para despejar nova dose.
Por outro lado, imagino que de cada vez que despejam café quente, derretem um pouco da crosta da vez anterior, o que deve proporcionar um toque "antigo" ao café. Talvez seja bom.
Vou encher a minha chávena. Dentro de minutos vai começar uma conferência telefónica com uns colegas de Detroit e estou curioso para ouvir o "chupar" de café dos dois lados da linha.
Será em stereo?
Malmö

Para quem vive no sul ou centro da Europa e a visita, é apenas mais uma. Para quem vive mais próximo do circulo polar ártico, é uma verdadeira lufada de ar fresco. O reencontro com o bom gosto, com a história, com a cultura e com o séc.XXI. Foi esta a sensação que me embalou no regresso da visita a Malmö, no limite sul da Suécia. Ligada a Copenhaga por uma ponte, esta cidade (bem como a região) foi outrora território Dinamarquês. Depois de ter conhecido Copenhaga (uma cidade cosmopolita lindíssima), tinha sérias esperanças de encontrar algo parecido em Malmö. Não me desiludi. As influências dinamarquesas estão presentes em cada esquina. O passado e o presente misturam-se com toques de bom gosto. Antes de conhecer Estocolmo (está na fila de espera), digo sem hesitar que Malmö é a cidade mais bonita que já vi em solo sueco.
Hoje em dia, funciona como cidade "irmã" de Copenhaga e nota-se que se publicitam em simultâneo, no que ao turismo diz respeito.
Malmö foi recuperada pelos suecos no séc.XVII, mas ainda assim, ficou com o "estilo" dinamarquês (ainda bem digo eu!!).
Com um pouco mais de esforço, os dinamarqueses podiam ter invadido o território mais a norte. Não lhes custava nada e a mim dava-me um jeitão. Poupavam-me aos cortinados de folhos, "naprons", flores de plástico e móveis brancos...
Malmö dista menos de 300Km...voltaremos lá sempre que a "velha Europa" chamar.
terça-feira, setembro 12, 2006
O Lugar do Norte
Norte de Sta. Bárbara, Sta. Maria, Açores - foto de S.Pedro
Andava a passear por aqui quando encontrei o "vosso" Lugar.De imediato fiquei com saudades e resolvi atenuá-las viajando nos meus arquivos.
É incrível como se pode (re)descobrir uma pequena porção de terra depois de lá passar vários anos.
A casa de traça típica, o verde que a envolve e o mar que a rodeia, formam pedaços do paraíso. Calma, paz, tranquilidade e muita beleza. É assim que recordo este Lugar. Apetece-me voltar, tenho mesmo que voltar.
Vou dormir e sonhar com o som do Atlântico.
Durmam bem.
Boa noite.
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