terça-feira, setembro 19, 2006

Ayatollah, diz-me cá...


Depois de ler isto, gostaria de dizer o seguinte:


Há uns meses atrás, um desgraçado qualquer resolveu caricaturar o Maomé. Turbantes, bombas e umas pinceladas de cor e parou tudo.
Aqui "del' Rei", protestos por todo o lado, bandeiras dinamarquesas queimadas, ameças de atentados, jihad, guerra santa, blá,blá...entretanto passou.
Agora o papa, sobre quem recai o dogma da verdade absoluta (inventam com cada uma...), leu a uns estudantes universitários um discurso mediaval (é importante que se note: Medieval) onde alguém dizia que o Maomé trazia coisas más e tentava passar as palavras pela força da espada. É um discurso medieval e pouco importa saber o contexto em que foi dito. A liberdade de expressão significa falar ou opinar, sobre todo e qualquer assunto (sim, todo e qualquer inclui o Maomé, está bem Ayatollah?). Mas o que é que acontece? Toca de vir para a rua queimar mais umas bandeiras (da Alemanha no caso), proclamar "a gota de água" para a guerra santa e misturar cartoons e baboseiras que o papa diz, com assuntos realmente sérios como a invasão do Iraque ou do Afeganistão.
Tudo serve de desculpa para virem para a rua gritar, dar tiros, fazer fogo e armar confusão. Seja um desenho, uma leitura de algo escrito há séculos ou qualquer referência que não agrade ao profeta. Existem razões de queixa, existem povos oprimidos, existem ocupações ilegais, existem interesses sujos, existem jogos políticos e existem inocentes a morrer.
Agora, meter tudo isso no saco da Jihad, sempre que alguém fala do Maomé...tem lá paciência ó Ayatollah!!
Vocês não fazem nada da vida pá? Não se levantam cedo para ir trabalhar? Vão sempre com as roupas a cheirar a fumo? Cada um dos fiéis tem um "set" de bandeiras com um exemplar de cada país europeu e 100 dos EUA (têm mais saída...) para queimar mal alguém diga que o Maomé cheirava mal dos pés?
Não há paciência....com tantos problemas graves que afectam os povos do médio oriente, parecem mais preocupados com o "acessório" do que com o "real".
Ayatollah...tem lá juízo e diz a essa malta que pare com as churrascadas na via pública. O fumo entra nos cobertores que tens sempre nas costas e depois dá mau aspecto, ires trabalhar com aquele cheiro a chamusca.
Não queres que o teu patrão pense que andas na sardinhada durante o almoço, ou queres?

"Helloooo, my name is K. and I was born in the state of Alabaaaaaaaaaaama"


















Acho piada a conferências...tele, video, lata-com-fio, sinais de fumo ou qualquer outra versão, mas conferência. Juntamo-nos para discutir "o" assunto. Normalmente, quando não sou eu que tenho que falar ou "puxar a carroça", abro uma porta secreta e entro num mundo paralelo chamado "detalhes". Começo a imaginar sem limites e isso sim, é que me dá um real prazer...
Ontem, video-conferência entre Espanha, Suécia, EUA e Índia. Os americanos falavam. Os restantes ouviam e colocavam questões. Uma "rodinha" pelos 3 continentes para as apresentações:

- "Olá, sou o B. e estou aqui com a K., vamos apresentar-vos esta maravilha da tecnologia e tentar impingir este SW que talvez nunca usem na vida, que vos custará 10 vezes o preço de mercado e que aumentará o crescente buraco financeiro da vossa empresa, permitindo um encaixe fabuloso para a nossa empresa. Falarei sempre neste tom monocórdico e com a boca cheia de Big-Macs, parecendo que estou a fazer um grande frete."

- "Olá somos o Z,X e Y, trabalhamos com o sistema blá blá, na equipa nheca-nheca e sentamo-nos neste cubo de gelo cá em cima" (3 min)

- "Olá....xirbirixirbirixirbiriirbiri...e......xirbirixiririxirbiri....in India" (10 seg)

- "Hola! Pablo, Espana, Olé!!" (5 seg)

Terminada esta parte, os americanos começaram com 40 minutos de blá-blá-blá, permitindo-me uma divagação sem precedentes. Comecei por pensar na evolução das comunicações. Quer dizer...são milhares de quilómetros de distância física juntos numa pequena caixinha. Basta um "click" e "voilá". Faz-me pensar o que ainda se poderá fazer. Muito, estou certo, já que o Homem não pára de evoluir.
O B. falava sem respirar. Num tom monocórdico, inglês sem sotaque e com volume bastante baixo, como se estivéssemos de facto na mesma sala. Parecia chateado. Falava de forma enfadonha, como se para ele tudo fosse uma chatice. Fazia-me lembrar o Ribeiro e Castro, mas sem aquele tique de sorver a baba.
O ambiente estava criado. Faltava apenas a música do Vitinho (eu era um miúdo nos anos 80) para a minha cabeça se recostar, os olhos fecharem e a boca deixar cair 2 a 3 pingos de baba. A minha colega sueca (que não cresceu com o Vitinho), não exigiu tantos pré-requisitos e foi directa para a sorna.
Tudo parecia bem, mas de vez em quando, no meio daquela melancolia alguém fazia uma pergunta....e aí meus amigos, aí era o fim da soneca. Entrava em acção a K., que pelos vistos era a "que mexia na massa" e estava por dentro dos detalhes técnicos. O volume aumentava uns bons 80db, a voz monocórdica era substituída por uma de "cana rachada" (tipo Fran Duscher da "Nanny") e o sotaque citadino dava lugar a algo da Georgia, Virginia, Alabama ou Texas.
"If you need that formaaaaaaaaat" dizia ela aos berros e arrastando o fim da frase. Aquele sotaque, fez-me imaginar uma infância passada entre os "rodeos" do Texas e "apple pie" feita pela avó na "sweet home Alabááááááma"!!
Acabara o descanso. "Como deixam uma voz destas aproximar-se de qualquer coisa que emita som???", perguntava o meu cérebro. Limitava-me a pedir (já que não consigo rezar) a qualquer entidade divina que ninguém fizesse perguntas. Mas sempre que o B. nos começava a "embalar" lá vinha um "qué-frô":
"Just-a-small-question : xiribirixiribibibiiririxiribiri and xiribirixiribirixiribiri ??" (3 seg)
Ninguém percebia puto. Era impossível perceber aquelas letras unidas sem periodos de respiração. Ah...mas a K. tinha um descodificador de "xiribiri" e os decibéis voltavam de imediato para os níveis de aviso de Tsunami. Foi uma desgraça até ao fim. A comunicação não era "cristalina", mal se percebia o que todos os participantes diziam (ainda bem que o espanhol ficou sempre calado!) e aquela voz ( prova final que deus não existe!) que me provocará pesadelos por 2 semanas, não deixou que o descanso voltasse àquela sala.
A minha colega até saiu com olheiras, tal foi a dificuldade em atingir um sono profundo.

segunda-feira, setembro 18, 2006

O caracol

Sinto-me como se tivesse carragado baldes de massa durante o fim-de-semana...
Saco, saquinho, sacão...mala, malinha, malão. "Tinha ideia que não era tanta coisa!", teimava o meu cérebro em afirmar.
Empacota, carrega, limpa...descarrega, desempacota, limpa. Foi esta a sequência mágica que nos fez chegar à noite de domingo completamente de "rastos".
Entre alguns "brindes lúdicos e com folhos" que o senhorio fez o favor de lá deixar, instalámo-nos e fizemos o reconhecimento do novo espaço. Mais metros (o que significa mais tempo de aspirador nas mãos), mais gavetas (que aposto que na altura da próxima mudança estarão cheias de coisas que aparecem não sei de onde), mas sobretudo mais conforto. Essa é a parte boa.
Na parte do "desempacota" ia aproveitando para dar um olho na tv. Ontem foi dia de eleições na Suécia. Não havia Manuela Moura Guedes a gritar, Pacheco Pereira a filosofar ou M. Sousa Tavares a cascar, o que dificultou a "leitura" dos resultados, mas os clássicos gráficos das percentagens ajudaram!
Ao que parece, a esquerda no poder desde 94, foi derrotada pela aliança de direita. O slogan máximo destes era baixar os impostos. Nos últimos 70 anos, só por 9 anos a esquerda não esteve no poder e, segundo rezam as más linguas, no último mandato da direita (90-94), a dívida externa triplicou num valor semelhante ao que o país acumulou em toda a sua história. Desde então (94) aumentaram os impostos para compensar esta dívida externa, que entretanto se tornou quase insignificante. Os líderes da direita vencedora são fiéis seguidores de Bush e mais conservadores em relação aos emigrantes. De qualquer forma, uma mudança no poder é sempre benéfica e evita a multiplicação de "vícios".
Veremos daqui a 4 anos.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Estava lá e vi

Grande concerto, grande voz, grande presença em palco!
Fillho de peixe NORMALMENTE sabe nadar...neste caso poucas dúvidas restam. Certo?

"Vou por aí às escondidas a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"

Quando o meu chefe alemão (o que me paga!) se reuniu com o meu chefe sueco (o que me controla) em Fevereiro deste ano, apresentaram-me aquele que seria o meu horário de trabalho.
- O máximo: das 6 da manhã às 8 da noite, ao que eu interiormente respondi..."sim, sim... é mesmo disso que venho à procura!!"
- O normal: das 8 da manhã às 16:30h e que me pareceu "jeitoso".
- O mínimo-obrigatório-sem-recurso-a-tretas: das 9h às 14.30h que o meu cérebro assimilou como ideal, mas a vergonha normalmente não me deixa cumprir.
Dito isto...
(....)
Hoje, às 8.40h estava calmamente a sentir a água quente nos ombros. Estava atrasado, muito, muito atrasado, mas ainda assim descontraído. A água quente, provoca em mim a sensação de que o tempo parou. Sei que estou atrasado, sei que aquele duche deve demorar entre 30 a 40 seg., mas acho sempre que esses segundos dão para passar sabão e pensar. Depois, embalado com a água nos dois ombros vou pensando, pensando, pensando. Atraso-me mais, mais e mais, mas aqueles minutos largos (no entanto segundos no meu mundo) permitem-me divagar sobre as mais variadas coisas, pessoas, palavras, gestos, locais, etc. Hoje lembrei-me desta coisa da "blogosfera". Quando há pouco mais de 2 meses o Rui me sugeriu a criação de um blog, confesso que mal sabia o que era. Nunca tinha visto um, não percebia a utilidade e não fazia ideia o que fazer com ele. Gostava de escrever, era a única coisa que ao longe encaixava. Dois meses depois, percebo o esquema. Partilham-se ideias, pensamentos, convicções, musicas, imagens, situações e tudo o mais do nosso quotidiano. No entanto, o que me deixa realmente surpreendido são os "laços virtuais". Pensava usar o meu blog como um espaço de partilha com familiares ou amigos, que esta aventura me fez deixar geográficamente mais longe. Pessoas que me conhecem desde sempre ou há muito tempo. O que não esperava era "virtualmente" adquirir novas simpatias. Nunca foi muito o meu género.
De blog em blog, é normal encontrar histórias interessantes e não raras vezes, textos fantásticos de índole político-social ou humorísticos do dia-a-dia (tipo Seinfeld), os que mais procuro. Já dei por mim a comentar a história de A, B ou C, como se de uma novela se tratasse. Se um blog reflecte o estado de espírito, os pensamentos ou os ideais de quem lá escreve, parece-me natural que se crie uma certa simpatia (ou não) com o autor das palavras. As linhas reflectem quem as escreve e ao lê-las, fico com a sensação que vou conhecendo um pouco mais dessa pessoa. Aparências que desconheço (embora algumas coloquem fotografias :)) e que me fazem imaginar cada detalhe dos seus relatos. De repente, sem dar por isso, sinto-me próximo. Como se de um "laço virtual" se tratasse, como se fossem várias personagens que simplesmente imagino e que de uma forma ou de outra, acabam por fazer parte do meu quotidiano. Acho isto curioso. Tudo começou porque gostava de escrever e sem dar por isso, leio vários "morangos com açucar" e "até amanhã camaradas" ao mesmo tempo. Até aposto que em Dezembro, algures no Colombo a correr em busca dos presentes perdidos, me vou cruzar com alguns sem que no entanto o perceba. Não há rosto, cheiro ou toque. São palavras, apenas palavras que apelam ao imaginário. É essa a riqueza.

Uuuh, excuse me mister, have you seen my mother?

Bom dia!
(Obrigado Xana :))

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Mestre Zé

Liguei, liguei, liguei...mas não atendeste.
Eu sei. É dia de festa e deves tê-lo passado entre o queque de laranja e o néctar de uva, com os amigos do "forrobodó". Tudo bem.
Mas repara, passaram 79 anos desde o dia em que nasceste "lá onde o Sol queima mais" e gostava de te ter felicitado por isso. Além do mais, sabe sempre bem ouvir o teu típico sorriso "sã sã sã" que para mim é a tua imagem de marca, de e para sempre.
Espero que estejas descansadinho a dormir e que tenhas passado este dia da melhor forma possível.
Muitos parabéns pelos teus 79 anitos vôvô!
Saudades.

Tiago

A surpresa

Tinha pensado esta tarde dar um salto ao banco, às finanças, à emigração e a todos os sítios onde legalmente por uma ou outra razão a minha morada aparece, para a alterar. De senha em senha, estava a prever uma tarde de burocracias e filas de espera, em vários balcões.
Pedi ajuda a uma colega, que me informou da oitava maravilha do mundo.
Existe uma instituição pública que se dedica apenas a este assunto. Por internet ou telefone, dizemos qual é o nosso número de identificação (BI local), a morada actual e aquela para onde pretendemos mudar. Eles encarregam-se de informar todas as restantes intituições legais e durante 1 ano (opcional) reencaminham todo o correio que vá parar à morada antiga.
Demorou 5 minutos e nem tive que me levantar daqui.
Ainda estou de boca aberta com a facilidade da acção e com a articulação entre instituições que o permite.
Assim vale a pena pagar impostos...

Hoje



Não estou aqui. Não sei onde estou, mas sei que não estou aqui.
Algures na minha nuvem, distante, muito distante, observo tudo em redor.
Há silêncio, há paz, há harmonia. Agrada-me...sinceramente agrada-me.
Olho em volta e vejo luzes, fios, multímetros, osciloscópios, componentes eléctricos e toda uma panóplia de coisas que em conjunto formam "tecnologia".
Há a sensação de trabalho. Tudo se imagina, tudo se cria, tudo se transforma.
Mas não para mim...hoje não.
O cérebro pede descanso, o corpo pede uma cama. Estas dores de cabeça...estas malditas dores de cabeça que cresceram comigo e provavelmente nunca me largarão, exigem outro pano de fundo.
Apetece-me descansar. Está quase, eu sei que está quase.
Até já.

quarta-feira, setembro 13, 2006

1,5 horas depois...

Nando, Nando, Nando...como te direi?
Consegues ser o pior barrete desde o Santana.
Ora repara no que os meus olhos pouco dados a estatísticas repararam:
- 1º remate à baliza aos 60 minutos de jogo
- 2º jogo oficial, inicio de época, equipa cansada, Copenhaga com muitos mais jogos nas pernas, blá, blá.... e 1ª substituição aos 80 minutos!
- 3 remates em todo o jogo
- número de jogadas com principio, meio e fim = 0
- metade da equipa não percebeu que o Quim não era o único gajo de luvas em campo e corria para o lado errado
- a outra metade (com destaque para o Alcides) não conseguiu parar uma bola e deixá-la num raio de 5m (parecem tábuas!)
- aos 70 minutos de jogo já jogavam à "rabia" para perder tempo (pensavas que do outro lado estava o Barcelona??)

Nando, diz-me, o que é que tu andas aí a fazer pá?
Como é que no meio das escutas telefonicas e das escolhas de árbitros, aqueles artolas ainda tiveram tempo de fazer mais uma asneira e contratar-te?
Mal empregada Bohemia!

Agora


. Depois de andar 1 h de e para o trabalho
. Depois de 10h lá enfiado atrás de "bugs" e soluções
. Depois de correr para a aula de sueco
. Depois de ler que o General Franco foi um herói
. Depois de ouvir o mecânico dizer pela segunda vez em 10 dias: são 40 cts sff!

Cheguei e estou cansado.
Façam-me um favor. Um apenas. Esforcem-se!
Já abri a Bohemia.

A caneca

Quem imita quem?
Ainda não percebi quem o faz.
Se os suecos imitam os americanos, ou se, numa das muitas vagas de emigração levaram para lá os seus hábitos. Tendo em conta que depois de enfiarem os índios nas reservas os americanos construiram apenas 200 anos de história e formaram o seu "povo" com gente de todo o mundo...bom, fico na dúvida.
É normal no fim-de-semana ver muitos suecos de blusão de cabedal, com "popa John Travolta" a passearem os respectivos corvettes, cadillacs, chevrolets, etc, de preferência descapotáveis dos anos 50/60 e nunca, mas nunca com menos de 10m de comprimento...
Há bandeiras por todo o lado, cafés "Sport" com écrans gigantes para verem os vários desportos, muita comida de pacote e mais uma panóplia de coisas que só tinha visto nos filmes ou na terra do Tio Sam.
A última delas é: a Caneca.
Não há filme de hollywood onde o advogado, o polícia, o bombeiro e outros tantos, não tenham por perto a sempre fiel caneca de café. Tal como o computador, a mesa, a caneta e o urinol, a caneca faz parte do economato.
Por aqui, não há reunião ou simples "ajuntamento" popular que dispense tal artefacto. É curioso, nunca tinha visto e cheirava-me apenas a mais uma "americanada". Arranjei uma caneca para mim e toca de ir para as reuniões "chupar" café como os restantes (sim, eles não "bebem"...beber é engolir um líquido sem acordar um morto! Aquele basqueiro que fazem é a chupar o café...).
Já tinha reparado que esta malta não é muito dada aos livros da Bobone. Arrotam de boca aberta , chupam maçãs, chupam café, comem só com um garfo, empurram com o dedo, enfiam os olhos no prato e só os levantam depois de acabarem a palha, tiram a comida dos dentes com os dedos e de boca aberta, etc,etc. O que não tinha reparado ainda é o estado de putrefacção que apresentam as canecas alheias. Há camadas e camadas de café em todo o seu interior e marcas de boca espalhadas em todo o rebordo exterior. Aquelas canecas gritam por água desde o dia em que nasceram. Eu até estou convencido que o raio interior da caneca diminui de tal forma com as "crostas", que pouco espaço lhes sobra para despejar nova dose.
Por outro lado, imagino que de cada vez que despejam café quente, derretem um pouco da crosta da vez anterior, o que deve proporcionar um toque "antigo" ao café. Talvez seja bom.
Vou encher a minha chávena. Dentro de minutos vai começar uma conferência telefónica com uns colegas de Detroit e estou curioso para ouvir o "chupar" de café dos dois lados da linha.
Será em stereo?

Malmö



Para quem vive no sul ou centro da Europa e a visita, é apenas mais uma. Para quem vive mais próximo do circulo polar ártico, é uma verdadeira lufada de ar fresco. O reencontro com o bom gosto, com a história, com a cultura e com o séc.XXI. Foi esta a sensação que me embalou no regresso da visita a Malmö, no limite sul da Suécia. Ligada a Copenhaga por uma ponte, esta cidade (bem como a região) foi outrora território Dinamarquês. Depois de ter conhecido Copenhaga (uma cidade cosmopolita lindíssima), tinha sérias esperanças de encontrar algo parecido em Malmö. Não me desiludi. As influências dinamarquesas estão presentes em cada esquina. O passado e o presente misturam-se com toques de bom gosto. Antes de conhecer Estocolmo (está na fila de espera), digo sem hesitar que Malmö é a cidade mais bonita que já vi em solo sueco.
Hoje em dia, funciona como cidade "irmã" de Copenhaga e nota-se que se publicitam em simultâneo, no que ao turismo diz respeito.
Malmö foi recuperada pelos suecos no séc.XVII, mas ainda assim, ficou com o "estilo" dinamarquês (ainda bem digo eu!!).
Com um pouco mais de esforço, os dinamarqueses podiam ter invadido o território mais a norte. Não lhes custava nada e a mim dava-me um jeitão. Poupavam-me aos cortinados de folhos, "naprons", flores de plástico e móveis brancos...
Malmö dista menos de 300Km...voltaremos lá sempre que a "velha Europa" chamar.

terça-feira, setembro 12, 2006

O Lugar do Norte

Norte de Sta. Bárbara, Sta. Maria, Açores - foto de S.Pedro
Andava a passear por aqui quando encontrei o "vosso" Lugar.
De imediato fiquei com saudades e resolvi atenuá-las viajando nos meus arquivos.
É incrível como se pode (re)descobrir uma pequena porção de terra depois de lá passar vários anos.
A casa de traça típica, o verde que a envolve e o mar que a rodeia, formam pedaços do paraíso. Calma, paz, tranquilidade e muita beleza. É assim que recordo este Lugar. Apetece-me voltar, tenho mesmo que voltar.
Vou dormir e sonhar com o som do Atlântico.
Durmam bem.
Boa noite.

Enquanto dormia

Chegaram lá a casa 3 filmes novos.
O "Ice Age 2" e o "Volver" do Almodovar, nos quais deposito reais esperanças e o "Superman Returns", que verei com o mesmo espiríto do Indiana Jones, Missão Impossível, etc (Bond já é outra conversa!!). Porque quando era pequeno gostava, porque ele é mais rápido do que uma bala, porque veste cuecas por cima do fato, porque, porque, porque..não sei. Vejo e pronto.
Gosto muito de cinema, mas ainda não descobri onde ficam o King e o Quarteto do iceberg. Só aparecem americanadas do pior. Piratas nas Caraíbas, comédias românticas que acabam sempre bem e aqueles filmes das louras no "high-school" fazem as delícias locais. Além do mais, eu que achava 5 eur um abuso para ir ao cinema em Lisboa, ainda acho mais extravagante pagar quase 10 eur pelo cartaz disponível.
Ainda por cima, cada sueco leva para a sala de cinema 1 pacote de gomas, 5L de coca-cola e 2,5Kg de pipocas. Há alturas em que eventualmente se consegue ouvir o filme...
Até ao momento, lembro-me de ter passado por estas salas um grande filme, o Tigre e a Neve do Begnini...mas é um em mil.
Até descobrir o "King" e face ao "menu" disponível, sou obrigado a dizer: Bem hajas banda larga!!!

Diga bom dia com Mokambo

O dia começa bem. Não tive Mokambo, mas descobri que o jogo de 4ªf contra o FC Copenhaga, vai ser transmitido num canal sueco, que por acaso eu tenho. As equipas por estes lados são muito fracas e liga dos campeões é mesmo só na tv. Acabam por "procurar" outras formações que tenham jogadores suecos...o Copenhaga tem 3. Óptimo!! Digo eu... Não preciso de fazer 70 Km e ir para a tasca dos portugueses em Gotemburgo, não preciso de ir para o pub irlandês fazer a cerveja de 1000 paus render 1 hora, não preciso de me mexer nada, mesmo nada. Só tenho que me sentar confortavelmente, abrir a bela Bohemia, quem sabe meter uma alheira na brasa e transpirar das mãos com os nervos... No fim, depois de encaixarem mais 3, estarei chateado e a repetir para mim próprio: "Mas porque é que eu perco horas de vida com estes atrasados??" Mas pelo menos terei poupado muitos Km's e a hipótese de me cruzar com um alce na estrada...o que já não é mau.

segunda-feira, setembro 11, 2006

O meu 11 de Setembro

Muito antes da História marcar este dia de forma tão negativa, já a data em si tinha para mim um significado forte. Mas feliz, entenda-se.
Hoje passam exactamente 79 anos desde o nascimento da minha "Vóvó". É para mim uma pessoa marcante, que representa coragem, determinação e vontade. Costumo imaginar a vida como uma sucessão de bifurcações. Em cada ponto de decisão, opta-se. Algures olhamos para trás e vemos o caminho que fomos traçando. Na minha opinião, numa dessas bifurcações a minha avó optou por um caminho que alterou o rumo da minha família. Primeiro o do meu pai e por arrasto o meu. Sinto-a como alguém que abriu uma porta, que lutou todos os dias da sua vida e que nunca, em fase alguma deixou de estender uma mão.
Sem querer ofender, magoar ou ferir susceptibilidades, a verdade é que sinto por ela um laço único, de quem com ela passou grande parte dos seus primeiros 8 anos de vida. A esmagadora maioria das minha recordações até atingir a 3ª classe, estão pintadas num quadro onde a minha avó é a actriz principal. Não o faço de propósito, é apenas o que a minha memória me traz.
Lembro-me de ir para casa dela, no velhinho prédio da Academia Almadense, enrolado numa manta ao colo do meu pai. Lembro-me de esperar que ela chegasse do trabalho, imaginando que boneco de enfeitar os bolos me traria da pastelaria onde trabalhava, lembro-me de dormirmos no chão porque "era bom para as costas".
Nunca fomos católicos, mas diz-me sempre que lhe telefono que reza por mim. Agora que penso nisso, acho que a minha educação "católica" começou com ela. A uma das minhas infinitas perguntas (tipo: Deus existe?), costumava responder: "Não...nós não acreditamos em nada disso. Mas não se goza...não se goza...nunca se sabe!!". Serviu.
Pede-me sempre que seja poupado e que "olhe pela vida", para nunca ter que pedir nada a ninguém. Ah...e que vista um casaco, porque ela vê na tv as pessoas na neve com casacos grandes!!
De vez em quando mostra-me com algum orgulho uma carta de amor que escrevi na 1ª classe. Certamente não seria amor, certamente as palavras não farão qualquer sentido, mas a verdade é que a minha avó a guarda como um pequeno tesouro. Trocamos sempre uns sorrisos, quando a revemos juntos.
Em segredo já me pediu para passar o nome Franco para um futuro descendente. Tendo eu 3 nomes de família, quer garantir que o dela se perpetua em gerações futuras. Assim será.
Nós, os Franco, somos de lágrima fácil. É rara a vez que a minha avó não se despede de mim em lágrimas. Veja-me no dia, mês ou ano seguinte. É assim, simplesmente assim. Há um laço forte, que os anos não mudam e que a distância não altera. Adoro a minha avó.
Já usas corsários e ténis vermelhos, não será altura de teres e-mail para eu te escrever? Enquanto esse dia não chega, espero que o meu pai te faça chegar estas palavras.
Hoje quando te telefonei disseste: "Claro que estou bem! Estou viva, não havia de estar feliz?"

Se soubesses como sorri ao ouvir-te!
Um beijinho muito grande.
Parabéns!

Tiago

9/11

. Apesar de achar que são os americanos os grandes culpados pelo clima de insegurança que todos nós vivemos nos dias de hoje...

. Apesar de concordar com o que a Ana aqui escreveu...

. Apesar de saber que os mortos que eles espalharam no mundo não cabiam em 4 WTC...

. Apesar de saber que são os interesses energéticos e de armamento que definem a política externa americana...

. Apesar de saber que foram os sucessivos governos de Washington que criaram esta divisão no mundo entre Árabes & outros...

. Apesar de saber que foram W.Bush e seus pares os primeiros responsáveis dos atentados ao WTC...

. Apesar de saber que as verdadeiras razões deste atentado, bem como os seus autores, serão um enigma para gerações futuras...


Apesar de tudo isto, não consigo deixar de pensar no simples turista, que resolveu nesse dia conhecer as torres gémeas. De máquina numa mão e mapa de Manhattan noutra, subiu até ao 108 piso e sem sequer saber onde ficava Cabul ou que governo fantoche andavam os americanos a instalar, viu-se rodeado de fumo e confusão.
Esse turista, tal como milhares de trabalhadores do WTC, de uma infinidade de nacionalidades, não regressaram a casa nesse dia. Perguntei-me vezes sem conta "o que terão pensado?". O que leva alguém a atirar-se de uma janela, a mais de 100 andares do chão? Que desespero sentirá? Que secreta esperança ainda terá ao ponto de saltar de olhos vendados para a morte? Essas imagens nunca me sairão da cabeça...
É claro que vendo o problema como um todo e fazendo uma análise generalista, podemos pensar que os americanos foram cúmplices na chacina de milhares de chilenos depois do golpe do Pinochet, podemos pensar que os vietnamitas morreram queimados com napalm, podemos constatar que diariamente morrem dezenas de Iraquianos depois de os americanos "libertarem" o país, podemos no fundo concluir que o governo do Tio Sam traçou o azar do seu próprio povo (que contudo lhe conferiu novo mandato, o que também dá que pensar).
Mas, se por segundos ignorar tudo isto e pensar novamente no turista, que de calções e mapa na mão, apreciava uma vista porreira, sobra-me uma raiva...
Raiva pela injustiça de quem paga, desespero por quem fica e medo, muito medo pela insegurança que se criou.
Fico incrédulo, estarrecido com os limites da demência humana.
Não é este o mundo que eu quero, não é com este mundo que eu me identifico.

Mãe

clica aqui.

Azia


Até estou com dificuldade em concentrar-me no trabalho...
3 golos, 3 expulsões e aquele idiota do Nando à deriva.
Não vi, mas imagino...mau de mais para ser verdade. Desde o poeta Artur que não aparecia tamanha calamidade para os lados da Luz.
Não quero saber de apitos dourados, de quem compra ou vende árbitros, só quero que ganhem...só isso. Que marquem mais golos do que os outros e que corram!! Que se mexam, que se esforcem, que justifiquem os milhares de contos que ganham, é isso que eu quero.
Nando, a ti que tens esse tique irritante de abanares o pescoço como se a gravata te roubasse todo o oxigénio do mundo, gostava de dizer o seguinte: és um nabo, um tosco, um labrego e um incompetente!!!
Gostava também de te pedir que parasses de dizer "ganhei a taça e o campeonato, blá,blá"...porque isso aconteceu no ano em que o Jardel marcou alguns 50 golos!!! Sabes quantas vezes isso se repete??? Sabes qual é a probabilidade, de tu que nem na Grécia ganhaste fosse o que fosse, ganhares algo?? É nula Nando!!!! Nula!!!
Ahhhhh...maldito vício da bola que se entranha nos ossos.....