terça-feira, fevereiro 23, 2010

Wind of change ou o puto já faz 11 meses...




Bismarck dizia que "só os tolos aprendem com os próprios erros, eu prefiro aprender com os erros dos outros". É um pouco "à la ariano armado aos cucos " mas percebe-se o que o rapaz queria dizer.

Constato olhando para trás que eu nem nos tolos me encaixo. Não há erro que me safe.

Uma das coisas que eu já poderia ter aprendido por esta altura do campeonato era a não planear nada. Sendo que nada é todo o universo futuro para além de 3 dias. Se a memória não me falha, a quantidade de planos que correram da forma tracada correspondem, a ver se não me engano nas contas, a mais ou menos zero. É isso.

Quando vim para a minha licenca de paternidade, para além do óbvio tempo passado com o meu filho, queria "cortar" por uns meses com a minha realidade profissional e rezar aos santinhos para que a economia desse uma daquelas voltas que o Sócrates tanto apregoa. Tracei uma estratégia para mudar a minha carreira depois do verão, para de certa forma fugir ao terror dos despedimentos colectivos que me passaram ao lado durante 14 meses e garantir estabilidade. Mais um ano como o anterior e pedia uma estadia naquele resort da Av. do Brasil.

Infelizmente, por claro defeito ou burrice minha, nunca me consegui desligar da realidade que me envolvia. Há umas semanas recebi o relatório e contas de 2009. Era de fugir. Resumindo a história não havia um único indicador sem um (-) do lado esquerdo e um M(milhões) do lado direito. As perdas ascendem a números que eu nem sei dizer. Depois recebi o plano estratégico para 2010 e 2011. Palavras chave: "reforcar o negócio", "Brasil", "Índia", "China", "Alemanha".

Então e Gotemburgo? É mais bolos vinha lá na última página.

Os sinais estavam lá todos e decidi que a mudanca tinha mesmo que acontecer.

Para que tudo batesse certo nem era preciso a economia ajudar muito, bastava que um ou dois peões se mexessem no tabuleiro de xadrez.

Mas isto claro...era se alguma coisa me caísse no colo numa bandeja. Claro que o plano saiu furado.

Existe um departamento na empresa, um só, que atravessou a crise sem perdas. Um pequeno oásis que recruta colaboradores enquanto o resto da empresa despede mais de 1000. Não é preciso explicar que todos tentam saltar para lá, numa tentativa de garantir alguma estabilidade.

A crise continua a marcar o quotidiano desta cidade. Muito.

É um departamento cheio de cientistas, daqueles com muito acne e calcas debaixo das axilas, com o cabelo a escorrer fula e lancheiras preparadas pelas mães. Não é bem o meu ambiente, até porque tenho enormes dificuldades em ficar com o cabelo oleoso e a minha mãe não sabe receitas de salmão. Mas...se entrar lá significa estabilidade e seguranca, meus amigos, estou disposto até a usar suspensórios.

Tentei durante alguns meses e nada. Os cientistas nem se dignaram a responder. Com o passar do tempo comecei a desistir da ideia e a procurar novas solucões.

Eis quando surge uma oportunidade de me juntar aos oleosos. Chega na pior altura, agora, e para o pior sítio, Estocolmo.

Perante o medo de não voltar a ter outra oportunidade resolvi aceitar. Entretanto reparei que o meu visto também está a acabar. É incrivel como 5 anos pareciam uma eternidade...

Profissionalmente espero conseguir seguranca, pessoalmente, isto é o pior que me podia acontecer.

Depois de 2 meses a ver a evolucão do Diogo no dia-a-dia, a fortalecer lacos e a molhar os olhos a cada sorriso, deixarei de o poder ver todos os dias nos meses que se seguem.

Olhando para o dilema não vejo uma saída airosa. Pela primeira vez na minha vida não tenho resposta ou solucão. Seja qual for o caminho escolhido, ele terá sempre espinhos e buracos.

Isto é o mesmo que um algarvio ir trabalhar para Braga. Felizmente, felizmente, o comboio liga estes 550km em 3h (é por isso que os escandinavos não precisam de TGV...já têm comboios rápidos. Já era altura de pararem, como ouvi ontem no novo programa do Sousa Tavares, com esse mito dos escandinavos que são muito civilizados e não gastam dinheiro em TGVs. Não gastam porque fazem um "Lisboa - Madrid" em 3h, enquanto a CP o faz em 12h).

Não tenho andado com vontade de escrever e sinceramente, mesmo para mim que até gosto da mudanca, isto é muita trapalhada ao mesmo tempo.
Tento garantir o meu futuro e consequentemente o do meu filho. Mesmo sendo essa a principal motivacão, tenho dúvidas, medos e incertezas.
Enfim, a vida é feita de encruzilhadas, riscos e decisões. O tempo dirá se fiz bem ou se cometi um erro do tamanho dos Jerónimos.
Chegado aqui e uma vez tomada a decisão, é fazer como dizia o outro: "Para Estocolmo e em forca"

O Albarcuel segue dentro de momentos, na costa este, quando o sol sorrir um pouco mais.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O profeta


Portanto, deixa cá ver se percebo.
O Vitor Constâncio era até há bem pouco tempo o presidente do Banco de Portugal. Instituicão que além de servir de prateleira dourada deve também, nas horas vagas e em dias de pouco calor, fiscalizar a banca portuguesa.
Se a memória não me falha, nos últimos anos surgiram 3 escândalos na banca de proporcões no mínimo, escandalosas.
No BCP andaram a martelar relatórios para subir artificialmente os prémios dos administradores. No BPP foi o esquema D.Branca que se sabe e que é agora pago por todos. No BPN foi a lavagem de dinheiro que levou à nacionalizacão do banco e a uma factura cujo valor final os contribuintes ainda não conhecem.
Em todos os casos um denominador comum: o Banco de Portugal a ver passar navios.
Nada contra o camarada Vitor mas, convenhamos, não fica bem na fotografia.
O que acontece então a Vitor Constâncio? É nomeado vice-presidente do Banco Central e será responsável por controlar os bancos da zona euro.
Se isto não atinge o nível de espectacularidade máximo, nada atingirá.
Num rectângulo de 600 x 200 km foi a obra que se viu, num palmo de terra ligeiramente maior e que apanha 27 países vai ser um regabofe.
Profissão de futuro na UE? Claramente banqueiro.

domingo, fevereiro 14, 2010

Tudo bons rapazes



Este caso da "Face Oculta" comeca a ficar parecido com um filme B de enredo extraordinariamente manhoso. E aqui manhoso é uma maneira de ser simpático. Há uma misturada de factos que provocam um ruído enorme e sinceramente, até porque estou com dores de estômago (aposto que foi do salmão!!), não me apetece descascar a história outra vez. Já está tudo careca de ouvir esta lenga-lenga.

Há, ainda assim, duas ou três, quem sabe até quatro, consideracões que gostava de fazer.

Voltando muito lá atrás ao jornal de sexta-feira da TVI com M.M.Guedes e apanhando pelo caminho o Mário Crespo, enerva-me ver este duo dinâmico em repetidos encontros agitando a bandeira da liberdade de imprensa e chorando com o lápis azul. A ver se nos entendemos. Em Portugal cada pessoa diz, escreve e grita o que quer. Basta ler jornais e correr a blogosfera para perceber que não há limites. Aquela sábia frase de que "a tua liberdade acaba quando comeca a minha" não faz hoje qualquer sentido. O que Manuela Moura Guedes e Mário Crespo faziam não era jornalismo se assumirmos que um jornalista deve informar e não inventar. MMG há anos que fabrica notícias e opina sobre as mesmas. Qualquer semelhanca entre um telejornal e aquilo que ela fazia, é pura coincidência. Mário Crespo, de uma forma mais ligeira, fazia o mesmo. Para quem lia as colunas dele, de 2 em 2 semanas saía um texto cheio de suspeicões e acusacões (nunca provadas). Em ambos os casos o alvo era sempre o mesmo: Sócrates. Qualquer pessoa no lugar do PM (não deixa de ser humano só porque é figura pública) não ficaria indiferente. Até Mário Soares já escreveu que nenhum político foi tão atacado quanto Sócrates.

Dito isto....

É óbvio que, apesar de isso ser um favor que se presta à Pátria, o governo não pode calar a M.M.Guedes ou interferir em linhas editoriais ou usar empresas públicas para fins políticos. As escutas mostram que fizeram isso, nomeadamente através da PT. As escutas divulgadas pelo "Sol" abrem um porta que dificilmente se fechará. É a devassa total e o fim da privacidade. Há conversas transcritas que não têm qualquer relevância criminal e prestam-se apenas ao bonito servico de criar um big brother político. O que é que interessa o que o Sócrates chama à Ferreira Leite em conversas privadas? Quanto de vocês se referem ao chefe pelo carinhoso "aquele urso" quando estão em casa e por Tó Luis quando estão no trabalho?

Já alguém escreveu que Sócrates vai cair por não saber escolher as amizades, deduzo que numa referência a Armando Vara. Apesar de achar esta devassa pouco recomendável, tal como o resto do país, não posso ignorar o que lá vem escrito. Há claramente um plano tracado para controlar alguma comunicacão social usando a PT e Vara no BCP (com a tal linha de crédito ao Sol). Confesso que ainda não percebi o grau de envolvimento de Sócrates no esquema. Parece-me que essa é a peca que falta.

Depois, e como em todos os escândalos políticos, aparece sempre um pouco de gasolina extra para a fogueira. O camarada de 32 anos, sem cv, colocado pelo PS na PT para se abanar com a golden share com a módica quantia de 2,5M por ano, fica mal no cenário. É boy a mais para um pobre país. E tudo isto numa altura em que a UE mete Portugal e Grécia no mesmo saco, em que o FMI pisca o olho, em que a crise económica continua a fazer vítimas, em que o endividamento externo é galopante e défice um pequeno drama.

Eu pensava que tínhamos batido no fundo. Mas não.

Este cheiro a sangue com a possível queda do governo acordou uns quantos rapazes na São José à Lapa. Aquela manta de retalhos chamada PSD passou a ter 3 candidatos a líder. O próximo presidente do PSD deverá ser PM e por isso, o cheiro a tacho desperta os mais dorminhocos. E que 3! Passos Coelho, Rangel e Aguiar Branco. Passos Coelho está tão preparado para governar como eu. Aguiar Branco faz Santana Lopes parecer um estadista. Rangel, bom, Rangel já é outra fruta. Sabe falar e até parece um político a sério. Para quem está a dormir claro. Assente na vitória das europeias (sendo que uma vitória de qualquer coisa é um feito hoje em dia no PSD) aparece em todo o lado de peito cheio com uma moral divina. Paulo Rangel fez um tristíssimo discurso no parlamento europeu sobre a liberdade de imprensa em Portugal, fazendo queixas do seu próprio país em Estrasburgo. Pouco importa a imagem de terceiro mundo com que todos naquela câmara ficaram de nós. Vale tudo para abater Sócrates. Mas, e isto é que é engracado, foi o mesmo Paulo Rangel que votou CONTRA a criacão de uma comissão que investigaria a liberdade de imprensa na Itália de Berlusconi. Ahh, a harmonia da coerência e a rectidão da espinha. É gente desta que se quer em São Bento!

Os problemas ainda agora comecaram.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Para treino não foi mau

Gostei particularmente da exibicão daquele miudo que disse há umas semanas: "vou defender o spórtém até à morte". Foram 5 minutos de altíssimo nível.
Mas deu jeito. Equilibrou o jogo porque o Benfica também só jogou com 10. Pelas minhas contas o Kardec tocou na bola durante o aquecimento e no intervalo quando tropecou noutra dentro do balneário.
Quanto aos calimeros, a quem aproveito para agradecer a vitória mais fácil dos últimos 20 anos, gostaria de manifestar o meu desagrado para com o esfomeado...15 jogos contra o Glorioso, 11 golos. Já se fazia qualquer coisa em relacão a isso ou não?

domingo, fevereiro 07, 2010

O Zorro

Confesso que não esperava por este tropecão com os choquinhos. Há que dizer que esta equipa não é a mesma que levou 8 na Luz. Tem jogadores novos e o Manuel "eu também enganei os árbitros" Fernandes percebe um pouco mais de bola que o Azenha. Mas ainda assim...esperava mais 3 pontos. Curiosamente, depois de ver o jogo e quando o minuto 93 chegou, fiquei com a certeza que a bola não entraria. Não era justo, não era natural. O Benfica não fez por merecer e, se tirar as lentes vermelhas por um segundo, não custa admitir que os 15 penalties que o Zoro fez ao longo do jogo, me caíram mal. Isso fica para os amigos do norte, nomeadamente quando jogam com este mesmo Setúbal...é sempre uma taca amizade bonita de se ver. Já contra o Benfica, joga-se sempre a final da liga dos campões. Mas é assim mesmo e já sabemos qual a música que temos que dancar na corrida pelo título. Ontem fomos uns verdadeiros pés-de-chumbo. Mas a coisa vai. O título será nosso.
Tenho no entanto uma curiosidade: o que fará o Porto nas Antas contra o Braga? Vence o satélite e corre sozinho ou deixa a equipa B vencer e aposta tudo neles para fazer frente ao Benfca? É tempo de decisões, sendo certo que daqui a até Maio, muita fruta passará de mão em mão.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Estes romanos são doidos!


A lei das financas regionais foi aprovada esta tarde no parlamento. O PS votou contra (menos um deputado que no verão joga à sueca com o Alberto em Porto Santo) e a oposicão votou em bloco a favor.
Para mim, se provas ainda fossem necessárias, isto vem demonstrar por A+B que a oposicão vota contra seja qual for a proposta do governo. Então se o voto contra der uns votos com base no mais primário populismo, ainda melhor.
Trocando a lei por miudos a Região Autónoma da Madeira vai receber mais dinheiro do governo central. E isto é que é o fantástico da questão...é que a Madeira, por acaso, é o maior exemplo de corrupcão e despesismo que existe em Portugal. São estradas feitas para pagar promessas a educadoras de infância, são políticos que em 10 anos passaram de vendedores de retretes a donos de n empresas com negociatas com o governo regional (a sério??), são cunhas em cima de cunhas para membros e apoiantes do PSD, é o corte de verbas a autarquias de outra cor (como foi o caso do Porto Santo até há uns anos), é o Alberto João a passear à grande em Londres com a mulher, é o endividamento da região constantemente perdoado apesar do chorrilho de insultos que aquele animal envia de cada vez que lhe metem um microfone na boca, é uma comunicacão social totalmente controlada, enfim...podia estar aqui até amanhã.
Todos (vocês, que eu já não dou para esse peditório!) os contribuintes a largar o dinheiro dos impostos para o Alberto João o gastar à grande e à francesa. E agora, ainda mais. O que no caso dele significa que em vez de comecar a aumentar a dívida da Madeira dentro de 3 meses, talvez aguente uns 6 quem sabe. Sim, porque estourá-lo todo nem é questão...
Estou convencido que se o Sócrates disser que vai limpar o ar em Portugal para as pessoas terem mais oxigénio, a oposicão vota contra. Até o BE que passa a vida a usar exemplos do despesismo na Madeira....não compreendo, sinceramente não compreendo. Como dizia Sócrates (o outro): "só sei que nada sei".
O Ministro das Financas disse que vai tentar usar todos os meios legais para engatar a lei até 2013.
Acho muito bem e espero que consiga.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

The show must go on

Olha, olha, olha!
Reparei agora que passam hoje 4 anos sobre o dia em que aterrei junto dos esquimós.
Se não é hoje é amanhã, se não é amanhã foi ontem. Princípio de Fevereiro é o que me lembro...
Não me apetece fazer qualquer balanco. Se ainda aqui estou, o balanco está feito...
Mas é ainda assim uma data curiosa. O período de "vamos por 2 anos ver no que dá" já passou. A situacão económica em Portugal não melhora e dificilmente chegará ao pelotão da frente na UE, pelo menos durante o meu tempo de trabalho. Vou vendo regularmente as vagas de emprego desse lado e as palavras chave são "Angola", "Junior" e "Estágio profissional". Leio também as recomendacões do FMI que sugerem uma reducão dos salários para sermos mais competitivos. Desculpe? Seremos o Bangladesh da Europa?
Ao mesmo tempo passou a existir um miúdo cujo futuro e respectivas oportunidades estarão ligadas ao sítio onde crescer. Estes 4 anos ensinaram-me que só pelo facto de se crescer num país escandinavo (qualquer um), a vida torna-se mais fácil e recheada de oportunidades. Eu sei que em teoria todos percebem que uma crianca em Portugal (na maior parte dos casos) não terá as mesmas oportunidades que outra na Suécia, mas, constatar isso no dia-a-dia obriga pelo menos a pensar.
E é isso o assustador da história. Comecar a perceber que o regresso não vai existir. Ou pelo menos nas próximas décadas. A reforma numa casa azul e branca no Alentejo está garantida mas até lá...são muitos invernos.
Claro que, como dizia o rapaz que corria, a vida é como uma caixa de chocolates. Tudo pode acontecer mas, tenho que admitir, o Sol já esteve mais perto.

A walk in the park

Sempre que vejo alguém comer um pastel de nata com a colher do café sinto pena. Do pastel. Não é um fim digno. Toda a gente sabe que o pastel é apertado entre o indicador e o polegar, para atingir a forma de uma canoa e possibilitar assim a sua degustacão sem ser necessário abrir a boca ao ponto de mostrar as cuecas. Depois, uma dentada, máximo duas e rega com sumol. Fecha a matraca e liga a cisterna. Mistura, mistura, mistura. Sempre de bochechas bem cheias. Engole tudo e recupera a forma facial original. É assim que se respeita o pastel e se faz justica ao seu sabor. Qualquer outra forma de o comer não faz sentido.
E isso, como rapidamente se percebe, leva-nos ao jogo de ontem. Também não faz sentido, neste caso, falar dele.
O Leiria não rematou na direccão da baliza uma só vez em 92 minutos. Zero.
O que é que há para dizer?
Assim de repente voto em "nada".

terça-feira, fevereiro 02, 2010

O espantalho

Não morder a mão do dono parece-me positivo.
Mas não era preciso exagerar. Dois golitos bastavam. Assim até parece que eles jogam alguma coisa.


Ps - jogo entre o clube do guarda Abel e os calimeros do Lumiar. O que se ouve na bancada? "Quem não salta é lampião!".....ahhh....a grandeza traduzida em música para os meus ouvidos.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

James on ice



Missão: chegar ao fim das escadas com todos os ossos do lado de dentro da pele.

Já só lá vai de chaimite...

Ouvi ontem uma notícia que me deixou os cabelos de 4 mm em pé.
Estou convencido que não percebi bem ou que estou a interpretar mal.
O Ministro das Financas disse que o orcamento de estado contempla uma verba para cobrir parte do buraco do BPP. O governo assegura os depósitos até 250 000 euro.
Ora como o euro me diz pouco comecei a converter para contos. O raciocinio foi este: "ora a casa que comprei em 2002 custou 100 000 euro e eu lembro-me que isso valia 20 000cts...eh lá...ele está a falar de 50 000 cts!!"
"Mas está tudo doido??", foi a minha primeira reaccão.
A notícia segue e aparece um dirigente de uma associacão que representa esta malta. Diz ele: "A associacão acha esta medida discriminatória".
Bom...fiquei sem adjectivos e senti-me dentro de um filme do Fellini. Confusão, barulho e gritaria.
Aparece então o João Rendeiro a apresentar o seu livro, onde entre outras coisas, diz que não tem culpa nenhuma no que aconteceu já que era "só" o presidente e não lidava com as aplicacões. Enfim, sacudiu a água para cima dos administradores.
Ora, várias interrogacões me assaltam a mente. A primeira e mais incómoda para o meu pobre espírito é esta: "ISTO É MESMO VERDADE OU FUI EU QUE PERCEBI MAL???"
Um grupo de pessoas, de quem eu sinceramente tenho pena porque foram enganadas, decidiu investir o seu dinheiro num banco que oferecia melhores contrapartidas que qualquer outro. Não acharam estranho que o dinheiro se multiplicasse apenas com oxigénio e acreditaram que "o retorno garantido" num mundo capitalista (onde ninguém dá nada a ninguém) era uma verdade absoluta. Ou seja...naquele banco, ao contrário dos demais, o dinheiro multiplicava-se e ninguém se interrogou como era isto possível?
A coisa deu para o torto e comecaram a pedir a intervencão do governo. A maior asneira de Sócrates foi sem qualquer dúvida nacionalizar o BPN. Há 1 ano que os clientes do BPP exigem o mesmo. No caso do BPN usaram a desculpa do "risco de contaminacão da banca" (uma daquelas tangas que deixará uma factura para os nosso netos), no caso do BPP não havia mesmo ponta para pegar. Poucos clientes e poucos balcões não justificavam qualquer "risco de contaminacão".
Mas o pessoal não se calou. Compreendo-os. Se tivesse todas as minhas economias no BPP também gritava pelo Sócrates.
Mas...e esta é a questão, o que é que os demais portugueses têm a ver com essa merda? Porque têm os restantes pagadores de impostos que contribuir para tapar mais este buraco? Por acaso os clientes do BPP distibuiram dinheiro por quem agora os vai safar na altura em que este se multiplicava com base em especulacão?
Como é que se pode criar na populacão um sentido de responsabilidade se ao menor deslize o governo, escudado no dinheiro dos contribuintes, aparece para desenrascar?
Uma pessoa investe dinheiro em aplicacões de risco (se não perceberam que eram de risco é porque acreditavam mesmo no pai natal...) e depois, quando perde dinheiro, os contribuintes restituem-lhe o investimento. Mas isto faz algum sentido?
E, ainda assim, como o governo "só" cobre os depósitos até 50 000 cts as associacões de clientes do BPP ainda reclamam? Mas perdemos a nocão da realidade? Andamos a viver no mundo encantado de Oz?
E o Rendeiro? Passeia tranquilamente na rua, a escrever livros sobre o seu "génio financeiro" em vez de estar na estiva a trabalhar para pagar as dívidas?
Fico indeciso entre comecar a ignorar as notícias de Portugal ou continuar a carregar a bílis.
É nestas alturas que brado aos céus por saber que o dinheiro dos meus impostos fica deste lado do mundo.
Caminhamos a passos largos para a tragédia grega.