segunda-feira, agosto 31, 2009

Então e se explicassem ao polícia que a ciclovia é para bicicletas?

Nestas coisas do "ouvi dizer que mas afinal parece que não" nada bate o velho método da sola. É só deslizar no chão e gastar o taco a bom ritmo. Estamos em movimento para ver, ouvir e sentir. Neste caso a cidade.
Gostei do que vi. E refiro-me agora a Lisboa.
Ruas fechadas aos carros, edifícios em recuperacão na baixa pombalina, largos renovados, esplanadas e espacos design, zonas nocturnas com vida, o Tejo visto bem de perto, espacos para caminhar, parques arranjados. A cidade está a mudar, para melhor.
Aos poucos parece recuperar a grandeza de outros tempos enquanto entra no séc.XXI com ares de modernidade e bom gosto. Talvez tenha apenas percorrido as ruas certas mas o que vi deixou-me feliz e orgulhoso. Há muito ainda a fazer mas em cada curva fiquei com a sensacão de que a cidade avanca no trilho certo. Arrepio-me só de pensar que o Santana pode deitar a mão a tudo isto e bradar aos céus as "necessidades fundamentais de Lisboa" tipo parque Mayer e outras que tal...
A sério que não percebo como é que o Costa não tem isto no papo...chega a ser gritante.
Virando um pouco o flanco ao jogo (um pouco de Gabriel Alves nunca destoa), para vocês que estão ainda de férias e que entretanto se fartaram de ler o Rio das Flores porque o enredo entre Estremoz e Lisboa já não vos motiva, deixo uma sugestão para degustar no sol do ALLgarve. É só imprimir aqui e aqui.
São bem aborrecidos como convém mas facam o esforco para o voto nas legislativas ser feito em consciência, evitando a clássica do "mas eles são todos iguais".
Ainda não os li na íntegra (mas curei-me das insónias). Fiquei-me por uma "leitura na diagonal" para parecer esperto como o Marcelo, mas já reparei que num deles só há verdades e políticas sérias praticadas por arguidos da justica. Por acaso também reparei que nesse mesmo programa, tudo o que foi medida polémica (tipo avaliacão dos professores, etc) dos últimos 4 anos levou um "cancelar" no início da frase. Nada eleitoralista e até bastante sério. Não fosse este um grupo de gente séria.
Arguida.
Mas séria.

segunda-feira, agosto 24, 2009

World Wrestling Entertainment

O Manuel Machado, que não pertence ao grupo da taca amizade mas que mesmo assim não costuma espalhar muitas brasas disse, no fim do jogo de hoje, o seguinte:

"A partir do minuto 66, abriu-se um ciclo e deu início a outro jogo. Este ano, a Liga de Clubes chamou à atenção para a moderação dos discursos e eu quero colaborar, ser ameno e ter bom senso ao falar daquilo que se passou daí para a frente. Nem discuto a justeza da marcação da grande penalidade. A bola bateu no pé e depois na mão. O árbitro assinalou canto e, a dez metros do lance, não conseguiu ver aquilo que o fiscal de linha viu a 40. Houve duas decisões e, sabendo que isso gerou um momento de revolta, o árbitro deve ter a sensibilidade para perceber a reacção dos jogadores e ter contenção na mostragem dos cartões. O que acabou por acontecer foi o final do espectáculo desportivo. O que se passou a partir daí vale zero, porque uma equipa com oito jogadores de campo a jogar contra o FC Porto só podia levar a acontecessem vários golos porque já não tínhamos argumentos para apresentar"
Eu acrescento:
- ultimos 20 minutos
- possibilidade de não vencer pela 2a vez
- Nacional a defender bem
- um oportunidade caída do céu e de imediato aproveitada pelo assalariado da bandeira
Todos os ingredientes do costume. Curiosamente num lance em tudo semelhante à mão do defesa do marítimo que na semana passada foi "casual". Note-se no entanto que o defesa do marítimo estava a jogar no estádio da luz, o que faz toda a diferenca. Um exercício de simples estatistica mostra que em 3 lances semelhantes (2 na luz e 1 no dragão) só não foi marcado aquele que favorecia o Glorioso. Pode ser coincidência. Pode certamente. Mas eu também posso ser o Peter Pan a beber um capuccino na praia do malhão com a Sininho e nem por isso vos chateio com tal hipótese.
No último jogo de preparacão (contra o Milão), depois de mais uma calinada do árbitro português de servico nessa tarde, ouvi um camarada na bancada de trás gritar: "calma com isso páááá...a roubalheira só comeca para a semanaaaaa!!!".
Não é preciso ser o Merlin nem o Panoramix (este não tinha tanto jeito para adivinhar mas em pocões ninguém o batia) para perceber que o grito antecipava o futuro.
Agora...o que eu não esperava, sinceramente, é que este ano comecassem tão cedo.
Estão em grande forma!

domingo, agosto 23, 2009

O herói de Lockerbie


É sempre um erro, talvez até um exercício de ignorância, tentar perceber outra cultura partindo dos princípios que regem a nossa. Quando penso no mundo muculmano tento sempre não usar em demasia os meus "olhos ocidentais", o que nem sempre consigo, admito.
Tento perceber o que motiva esta gente e a sua guerra santa. Tento perceber o atraso em que vivem e tento até perceber por que razão insistem nesta divisão de um mundo em duas partes. Há paises mais brandos e há outros que seguem o corão de forma mais radical. Acho que não corro um risco muito grande se disser que não há nenhum país de maioria muculmana que seja desenvolvido. Parecendo que não esta é uma boa base para início de raciocínio.
Vem esta reflexão a propósito de Abdelbaset Ali Mohmed Al Megrahi, bombista de Lockerbie que as autoridades escocesas libertaram, num gesto de caridade, para que este pudesse morrer em casa. Lembro que este Abdelbaset foi condenado pelo atentado de Lockerbie, uma matanca de civis inocentes nos céus da Escócia, de forma cobarde (como todos os atentados terroristas) e injusta. Civis inocentes. Esta parte é importante. Gente que nada tinha a ver com as "causas" que supostamente defendia este bombista e demais envolvidos (incluindo o nunca condenado khadaffi). A obra que este homem deixou foi uma cobarde chacina de incocentes. Tão somente.
A atitude das autoridades escocesas tem que ser encarada como um gesto humanitário para alguém que vive os seus últimos dias. Pessoalmente acho que ele deveria ter ficado na prisão até o coracão parar de bater mas respeito a decisão. O que não consigo perceber de forma alguma é a recepcão de herói de que foi alvo em Tripoli. O que pensaria aquele mar de gente? Que um cobarde que mete bombas num avião e mata centenas de inocentes ganha um lugar no céu por investir contra os "infiéis"? Que a guerra santa justifica qualquer morte desde que não seja a de um muculmano? Eu até compreendo que a divisão do mundo actual exista. Palestina, Afeganistão e Iraque (com o atrasado do W. Bush na linha da frente) contribuíram para extremar os ódios e "validar guerras santas" por todo o lado. Mas era este o cenário em 88? Não.
Sinto-me tentado a alinhar no pensamento comum que defende que para um radical islâmico, dentro da miséria em que vive, nada mais justifica o seu dia-a-dia para além de uma guerra.
É bom fazer esta distincão. Refiro-me a um radical. E acho que não preciso de explicar que não vejo todos os muculmanos como radicais. O seu a seu lugar...
Vivem sem água, luz ou empregos e concentram todos os esforcos de uma vida (normalmente curta) em guerras religiosas. Para um ocidental seria apenas o voltar ao tempo dos bárbaros. Procuro, ainda assim, encontrar motivacões culturais que originem tamanha diferenca de pensamento. Confesso a minha dificuldade. Não percebo como a vergonha de partilhar a nacionalidade com alguém como Al Megrahi se pode tranformar num orgulho e num motivo de exaltacão patriótica.
Sinto apenas uma revolta, nada mais.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Depois do Allgarve, o Allqueva...


Apetece-me falar.
Aliás...apetece-me relatar.
Histórias, momentos, pessoas e sorrisos.
Mas não sei por onde começar.
Não sei mesmo.
Não me lembro de isto me ter acontecido alguma vez na vida.
Querer falar e não conseguir.
Pegando por aqui ou por ali, o resultado vai ser sempre o mesmo: 3 metros de prosa.
Quem é que lê 3 metros de prosa com este calor?
Quem camaradas?
Ninguém.
Quem é que a escreve?
Também não me parece que seja eu.
Vou seguir um aviso amigo: "sempre que te der a energia, deita-se na relva e ouve qualquer coisa zen".
Quando me falam em zen lembro-me de elevadores. Com canções de flautas.
O conceito não deve ser bem esse mas ainda estou a meio das lições.
Pronto...já tentei. Logo se faz qualquer coisinha melhor.
Vou ver se encontro um pedaço de relva.
Não tenho flautas mas desenrasco uma pianada do Clayderman.