Foi com algum desagrado que vi Sócrates apoiar a candidatura de Elisa Ferreira à C.M.P. Percebo que o faca. A asneira política foi colocá-la em duas listas (não imaginando o barulho que iria causar). Agora resta assumir o erro e esperar pelo melhor.
O significado político é bastante simples de interpretar. Dificilmente R. Rio perderia a C.M.P mas neste caso, atrevo-me a dizer, corre sozinho. Fico também com a sensacão que os portuenses não ficam a perder com a continuidade de Rui Rio.
Em Lisboa o cenário é bem diferente já que recentes sondagens colocam o "menino guerreiro" quase a vencer. Isto é o mais próximo do que me consigo lembrar de uma calamidade pública. Mais uma frota nova de carros, mais não sei quantos acessores, mais um túnel, mais bares e luzes, mais uns milhões para o P. Mayer. É este o programa de Santana Lopes. António Costa que tem andado a apagar fogos (e a fazer umas asneiras em nome próprio como a do porto de Lisboa) corre o risco de pagar também por erros do governo. Espero que não. Lisboa não pode ser mais massacrada.
Há uma possibilidade forte do PSD vencer as próximas eleicões e de procurar um aliado à direita para um governo de maioria. Portas já se disponibilizou. Para MFL ou para Sócrates. Tanto faz desde que chegue a ministro. As ideologias ficam para mais tarde.
O cenário que se avizinha não é muito diferente daquele que existia quando Durão fugiu para Bruxelas. A grande diferenca é que vivemos hoje um crise mundial.
Sim, é mesmo mundial apesar de Portas, Rangel e companhia culparem Sócrates pela mesma...
Imagino o nosso país e a sua capital, governados por gente como Ferreira Leite, Portas e Santana, no meio de uma devastadora crise que ainda não bateu com forca em Portugal. Sim, esta é que é a parte preocupante. O pior da crise ainda está para vir e Portugal tem usado uma almofada governamental que outros países não tiveram.
Um exemplo prático: há quem critique o endividamento do Estado. Sou o primeiro a concordar quando esse dinheiro é aplicado em estradas ou bancos "gestores de fortunas". Aqui pouco me interessa o risco de epidemia da banca. Não podem os contribuintes pagar asneiras privadas. Isso estou certo.
Mas, quando esse endividamento é feito para salvaguardar postos de trabalho, acho que é de louvar. Veja-se o caso da indústria automóvel em Portugal. O governo ofereceu um pacote de incentivos que incluiu pagamento de salários durante períodos sem producão. Esta indústria em Portugal não é apenas a autoeuropa, convém lembrar. Políticas como esta aumentam o endividamento do país. Certo. Mas seguram os postos de trabalho e permitem o consumo (circulacão de dinheiro) durante um período de crise. São medidas temporárias e que perdem efeito se a crise durar muito, mas algo está a ser feito. É bom também recordar que este endividamento coloca o défice um pouco acima daquele que Santana/Durão nos deixaram, o que não deixa de ser um espanto. A grande diferenca, e aqui digo-o com conhecimento de causa, é que em Portugal uma almofada segura alguns empregos (na esperanca que a crise desapareca) enquanto que na Suécia (entre outros membros da UE), o governo não corre a segurar empresas ou empregos. Os que não se aguentam sozinhos, são riscados do mapa. Atrevo-me a dizer que nesta região (costa oeste) há mais despedimentos do que no nosso país inteiro e isso acontece, essencialmente, porque o governo não protege qualquer empresa. É por isso que digo que o pior da crise está ainda por chegar a esse lado. O governo não poderá manter esta política muito mais tempo.
Imaginem contudo que as pessoas que conduziam os destinos da nacão eram os artistas já referidos. Estaríamos certamente pior. Lembro-me de ver MFL recuar numa política quando taxistas ameacaram bloquear Lisboa. Taxistas...
Lembro-me de ouvir Paulo Portas, a plenos pulmões no parlamento, dividir os 116 milhões de derrapagem da Expo pelos velhos e combatentes do Ultramar. O mesmo Portas que deixou um ministério com uma dívida enorme por causa de 2 inúteis submarinos que o país tem agora que pagar e com 24 milhões parados em bolso incerto. É gente que usa e abusa da demagogia na oposicão e falha sempre que tem o poder. Não estamos a falar de surpresas ou desconhecidos. Já foram governo e falharam. O que pode ser diferente agora?
Além desta súbita amnésia que parece afectar os portugueses, Sócrates (segundo Soares o político mais atacado na história da democracia portuguesa) tem ainda que lidar com a mais eficaz das oposicões: o poeta Alegre. Ainda Pinho estava quente e lá veio Alegre espetar mais umas farpas através do Expresso. Xico Loucã, em pré-campanha, aproveitou as palavras do camarada para mais umas patadas. Sócrates sorriu e disse que o PS é um espaco onde impera a liberdade de opinião. Certo. Com amigos destes...
Os reformistas criticam Sócrates por ter mexido pouco, os conservadores criticam por ter mexido qualquer coisa.
Mantenho a opinião. Erraram na banca, erraram nas estradas, erraram na justica.
Travaram uma luta inglória com os professores, completamente sozinhos e vendo a oposicão em peso apoiar um sindicato que se orgulha de fazer greve antes sequer de negociar. Não tiveram na Fenprof um parceiro social nem na oposicão uma voz de interesse nacional. Este caso vai custar-lhes pelo menos a maioria (se não for mais) e é a prova de que em Portugal todos os meios demagógicos servem para fazer oposicão. O interesse do país pouco importa.
A segunda metade da legislatura é feita de erros e confusões. Alguma desorientacão e preparacão de eleicões.
Foi aqui que comecaram os grandes erros deste governo. Foi também aqui que se viu pela primeira vez a oposicão. Não para propor alternativas mas sim para aproveitar a confusão, fosse qual fosse, e à boleia criticar o governo.
Diziam-me em pequeno: na dúvida de qual caminho seguir, escolhe primeiro aquele que tens a certeza de não quereres seguir.
Para as próximas eleicões o cenério é mais ou menos o mesmo. Não estou certo que Sócrates seja o melhor para o país, mas tenho a certeza que MFL e Paulo Portas não são.