segunda-feira, junho 29, 2009

Sulistas e elitistas

Já não ouvia o Menezes há algum tempo. E com muita pena minha.
Há sempre uma escorregadela ao virar da esquina que me diverte ao pequeno-almoco.
Desta vez, a propósito dos investimentos feitos na área metropolitana de Lisboa, defendia uma rebelião das "gentes do norte" .
É sempre bonito este apelo a uma divisão num país minúsculo. É ainda mais bonito ver o presidente da autarquia mais endividada do país falar em investimento público. É também uma pequena pérola ouvir que o dinheiro da 3a ponte sobre o Tejo daria para 30 pontes no Douro. Ahhh...o Tejo. Esse malvado e largo rio. Porque razão não o enchem de areia para as pontes saírem mais em conta?

A banca

A tão badalada qualidade da manta que cobre a banca portuguesa vai, de notícia em notícia, ficando com mais retalhos.
Depois do BPP e do BPN, verdadeiros casos de polícia que acabaram no bolso dos contribuintes, surge Jardim Goncalves e o BCP. Um esquema bastante simples e que durante anos permitiu uma lotaria anual para os administradores com base em resultados "martelados".
Ainda se discutia as implicacões deste caso e já os jornais noticiavam a reabertura do caso Portucale. Se bem se lembram, esta investigacão procura provar alegados favorecimentos ao grupo Espírito Santo por parte de alguns ministros (do CDS/PP) em troca de financiamentos ao partido. O caso Portucale, a ser provado, destapa a promiscuidade que todos sabem existir entre o poder político e a banca. Mostra também como um partido pequeno no governo pode fazer mossa. É bom lembrar que CDS e Paulo Portas, campeão dos processos arquivados, correm as feiras do país a gritar pelos velhos quando há menos de 4 anos enchiam os bolsos. E não vale a pena falar nas fotocópias, nos submarinos, nas promocões, na Moderna. A memória colectiva não pode ser assim tão curta.
Comeco a ficar com pena do regulador. Nem com bolas de ferro presas às pernas se consegue controlar esta malta...
Se a esta confusão dos privados juntarmos as reformas da CGD comecamos a pensar se o colchão não deverá regressar ao papel de fiel amigo.

sábado, junho 27, 2009

...este magnifico automóvel!

Ahh...e mais esta...
Comprar uma ou duas casas de meninas perto de um Lidl (para se arranjar cestos de fruta mais em conta).
E ninguém nos segura!

E ainda...

Ahh....esqueci-me...
Agora é só comprar duas dúzias de marrecos e espalhá-los pela 1a divisão.
E o campeonato não foge.

Estou abismado



Não sou taxista, não tenho nenhum restaurante na Costa da Caparica e não acredito em milagres.
Não percebo de onde vem o dinheiro, não percebo porque assina por 3 anos e não percebo se vem com vontade de correr.
Ainda assim...este camarada vale um cativo para a época.
Em 4 "palavras": fan-tás-ti-co!

sexta-feira, junho 26, 2009

Neverland ranch

Os brilhantes, meias brancas e mão no bolso nunca puxaram muito pela minha admiracão, mas reconheco MJ como uma referência incontornável na história da música, nomeadamente da POP. Juntamente com duas mãos cheias de boas cancões, é isso que ficará na memória.

quinta-feira, junho 25, 2009

Dizem-me que migalheiro também está certo...mas não me soa bem!

Francisco Loucã, na minha opinião, a única oposicão que Sócrates enfrenta na AR tem o péssimo defeito de usar, de quando em vez, a argumentacão do caso isolado ou da demagogia pura.
Quando se debate a educacão a nível nacional, tira da cartola o exemplo de uma escola perdida num bairro de Leiria onde uma crianca com 3 bracos e 4 pernas não tinha direito a subsídio porque não conseguia bater palmas. O contributo para a discussão séria acaba por ser nulo.
Ontem, no debate quinzenal, lembrou Sócrates o candidato a PM que se escandalizava com 7% de desemprego em 2005 e o que diria então, Sócrates o PM, com uma taxa de desemprego de 10% em 2009?
Ora...isto é como responsabilizar o Obama pela invasão do Iraque ou o Manuel Luis Goucha pela ganância de Wall Street.
A taxa de desemprego sobe em todo o lado. A economia portuguesa, como Loucã sabe melhor do que ninguém, é dependente do que se passa além-fronteira. O cenário em Portugal não foge da média europeia, como podem confirmar aqui.
Que culpa tem Sócrates do panorama internacional? O governo tem-se endividado para pagar salários a trabalhadores em lay-off, como foi o caso da indústria automóvel em Dezembro passado e como se prepara para fazer com a Autoeuropa agora (quando o PM diz que o governo está disposto para colaborar com os trabalhadores em lay-off, isso significa dinheiro...). Criaram-se pacotes de incentivo e linhas de crédito para empresas. O que é que ele pode fazer mais para garantir emprego? Criar mais ministérios?
Isto não é uma discussão séria e só empobrece a nossa democracia e os nossos representantes na AR.
Já me tinha habituado a ver dirigentes do PSD, enquanto ministros, assinarem acordos europeus para a alta velocidade (TGV) e depois fingirem que são contra enquanto oposicão. Também já tinha visto o ministro da defesa rebentar o orcamento em dois submarinos e depois, na oposicão, fazer contas para aumentar o subsidio dos velhos e dos agricultores. O que não tinha visto ainda era um reputadíssimo economista culpar uma moeda pela destruicão do mealheiro.

quarta-feira, junho 24, 2009

O ditado

Queria escrever umas coisas sobre a entrevista de Sócrates e sobre o novo fôlego da oposicão (e daquele momento cómico protagonizado por Portas na AR) mas reparei que o F. Madrinha, que percebe muito mais disto do que eu, escreveu uma por uma as palavras que ditei.
Tudo menos aquela referência lá no fim ao M.Crespo...isso já é invencão dele.
É a ler minha gente!



"Pode alguém ser quem não é?

O país político e mediático discutiu esta semana duas questões momentosas do foro psicanalítico sem o esclarecimento das quais, juram líderes e gurus, Portugal não singrará. A primeira é a metamorfose do "animal feroz" em "português suave", conforme enunciado e tese do grande mestre em frases de belo efeito que continua a ser o ex-director do defunto "O Independente". Trata-se de avaliar se, com a derrota nas europeias, o primeiro-ministro se tornou mais humilde e cordato, como pretendem as oposições, enquanto intérpretes únicas e fidelíssimas daquilo que será o desejo dos eleitores... incluindo os do PS. Se mudou, isso significa que cede ao oportunismo e ao marketing eleitoral, pecado em que as oposições jamais caíram ou cairão, como se sabe. Se Sócrates não mudou, então isso quer dizer que se tornou irrecuperável para a sociedade política da modéstia, da autenticidade e das boas maneiras, qualidades que são, como também é sabido, apanágio de todos os líderes em Portugal. Basta olhar para Paulo Portas e Francisco Louçã.
A segunda questão em debate é de natureza ainda mais complexa e visa a explicação da dita mudança de estilo e de atitude. Como o paciente no psicanalista, Sócrates tem de começar por reconhecer os erros e nomeá-los um a um. Sem essa confissão prévia, não tem cura possível... embora com ela também não tenha. Se enumerar todos os erros que cometeu, as oposições dirão que, por causa deles, o primeiro-ministro não merece ser reeleito. Além de que o próprio acto de assumir os erros será sempre, claro está, um mero exercício de falsa humildade. Se se recusar a fazê-lo, tal quer dizer que continua arrogante e intratável, que nada aprendeu com a derrota nas europeias e que, por isso, não merece ser reeleito. É muito fácil, como se vê, ser oposição em Portugal nos dias que correm.
Tudo isto poderia fazer algum sentido se os pecados de Sócrates - estes que agora lhe apontam de assumir uma pose diferente depois de ter perdido as europeias - fossem um exclusivo seu. O censurador CDS/PP, por exemplo, já foi, sob a mesma liderança de Paulo Portas, várias coisas e o seu contrário. E, quanto a poses e atitudes, arrogância e falsa humildade, o mínimo que se pode dizer é que Sócrates tem muito a aprender com os outros líderes - exceptuando talvez Jerónimo de Sousa - e com pelo menos dois terços da classe política, para não falar de outros sectores que lidam de perto com ela.
Se assim não fosse, jamais o primeiro-ministro teria dito a tal frase suicida na SIC-Notícias. O "estou muito contente comigo" é uma pérola que vai ser exibida e glosada até à exaustão nos tempos de antena para as legislativas. E o curioso é que ela diz tudo sobre a propalada mudança de Sócrates, desmentindo-a categoricamente e respondendo com um 'não' rotundo à pergunta da canção de Sérgio Godinho: "Pode alguém ser quem não é"?
No fim desta semana de catarse pós-eleitoral, feita com uma moção de censura inútil e uma entrevista falhada, o mais certo é as oposições descobrirem que, afinal, o 'animal feroz' não mudou assim tanto. Só por desvario, aliás, é que um chefe de Governo sem tempo nem margem para mudar de políticas ou de ministros, hipotecaria a sua própria imagem a um tacticismo eleitoralista cujo único efeito seria afastar os fiéis, depois de todos os outros o terem abandonado. Sócrates pode estar politicamente fragilizado, mas não consta que tenha ensandecido. Os grandes vão atrás
A moção de censura ao Governo foi um golpe táctico bem sucedido para o CDS/PP, apesar da perda de tempo que representou para a Assembleia. Uma semana depois de ter ganho um novo fôlego nas europeias, o mais pequeno dos grandes apareceu a marcar a agenda e a dizer que, com ele, os grandes... vão atrás. Tanto que o PSD correu a votar na sua moção.
Durante uma tarde inteira na TV, Portas apareceu como o verdadeiro challenger de Sócrates à direita. E o voto favorável de um PSD que, além de ter ido a reboque, teve um desempenho mais do que fruste, abrilhantou a iniciativa a ponto de parecer que Portas era o verdadeiro líder do centro-direita. No mais, o debate revelou um Sócrates que nada tinha a ver com a tal história da humildade. E que ganhou folgadamente esse debate, onde a ausência de Paulo Rangel deixou mais a nu as fragilidades de uma bancada do PSD incapaz de cumprir os mínimos. Com debates destes na campanha e o TGV como tema único, a ideia de que as europeias foram uma sondagem fiável para as legislativas pode revelar-se tão enganadora para o PSD como as sondagens anteriores a 7 de Junho o foram para o PS. Entrevista frouxa
Perante a brandura extrema de Ana Lourenço, qual é o 'animal feroz' que não se transforma em 'português suave'? Uma entrevista ao primeiro-ministro é um momento importante na programação de um canal de televisão e as coisas voltaram a não correr bem em Carnaxide. Não haverá meio termo entre a agressividade hostil e o langor em excesso nas entrevistas a Sócrates? Sem dúvida que é mais fácil assistir e criticar do que estar do lado de dentro do ecrã. Mas, num canal que transmite "Sessenta Minutos", é estranho que não faça escola esse modelo de profissionalismo e de equilíbrio em que nenhuma pergunta incómoda fica por fazer, com toda a serenidade e um sorriso. "

Let the force be with you

Os meus colegas multiplicam-se em entrevistas de emprego.
Os chefes passam horas fechados em gabinetes.
Vem aí navalhada.



ps - é desta que vou chapar massa...

segunda-feira, junho 22, 2009

Sem rumo

Ainda sobre as eleicões Europeias.

De onde vem esta autoridade moral que permite ao PSD exigir a cada 15 minutos que o governo vá a banhos? Porque razão dizem desde a noite eleitoral que o governo não tem autoridade para fazer nada até às legislativas?

Porque uma abstencão monstruosa deu uma vitória a um partido sem programa?

É esse o novo fôlego? Já se deram ao trabalho de contar os votos? De facto o PS perdeu votos, mas o PSD pouco ou nada subiu. Isto significa que quem não votou PS não foi a correr entregar o voto ao PSD. É matemática básica.

Achará alguém que o país pode ser governado com dois anos de intervalo? Ao terceiro ano de governo comecam a aparecer as sondagens e no quarto ano a oposicão resolve fingir que existe escudada em eleicões europeias. Isto é o mesmo que aceitar que cada governo tome medidas a bem do país durante dois anos e passe os dois anos seguintes a preparar as eleicões. Se assumirmos que a cada tentativa de reforma, o governo vê a oposicão apoiar todo e qualquer sindicato, concorde ou não com a medida, rapidamente concluímos que o país se torna ingovernável.

Podemos discutir se os projectos em questão (TGV, aeroporto, 3a travessia, auto-estradas, etc) fazem sentido ou não. O que não podemos é fazê-lo à luz das Europeias.

Continuo a achar que o TGV (apenas linha LX-Madrid) faz sentido, bem como o novo aeroporto. Acho toda e qualquer auto-estrada uma asneira, bem como uma nova travessia do tejo.

O endividamento externo do país (que é preocupante, eu sei) deve ser utilizado nesta altura de crise para investimentos cuidados que possam criar riqueza. Pequenas e médias empresas tecnológicas são a solucão. É a excelência e não a quantidade (grandes producões) que podem trazer emprego e desenvolvimento a um país pequeno. A aposta nas energias renováveis continua a ser uma boa aposta. Torrar dinheiro em bancos continua a ser um crime. Permitir derrapagens nas obras públicas também. A fazer fé na imprensa, a SAD do Glorioso (para não lhe chamar A Instituicão!) negociou um contracto com a Somague para a construcão da Catedral pelo valor X. A partir desse valor (ou seja derrapagem) seria a Somague a pagar. Porque não usam os gestores do governo a mesma estratégia? O Vieira só tem a 4a classe, não deve ser assim tão difícil!

O que quero dizer é que o país não pode parar só porque o Rangel escreveu 12 pontos genéricos e sem sentido numa folha A4 e algumas pessoas quiseram ir para a praia em dia de eleicões.

Já chega de asneiras.

Airbus


Enerva-me um pouco esta tendência para a catástrofe.
Sempre que uma desgraca acontece, seja um acidente de avião, um tremor de terra ou um velhote que matou outro à catanada num jogo de dominó, há uma busca incansável por notícias semelhantes.
No dia em que o Airfrance se despenhou logo a imprensa portuguesa relatou uma falha na iluminacão de um TAP que fazia o mesmo percurso. Depois do tsunami os noticiários abriram durante semanas com a pergunta: "e se fosse em Portugal?"
Escusado será dizer que durante o próximo mês qualquer A330 que passe por uma zona de turbulência fará manchete.
Este modelo, apesar de recente, parece-me ter os dias contados a não ser que a Airbus faca uma "lavagem de cara".
Comecar a construir aviões na China não me parece um bom primeiro passo. No meio deste ruído a etiqueta "made in china" não ajuda.
Pessoalmente, comeco a ver o mundo a encolher entre estradas e mares.
Sobra a TAP e as suas oficinas que transformam qualquer caco num ovni e a KLM, que se não me engano, voa com a Boeing.

sábado, junho 20, 2009

Uma francesinha na ribeira

De volta à realidade passo os olhos pelas gordas nos jornais.
Não demoro muito a ficar encravado em novas declaracões de Elisa Ferreira na apresentacão da sua candidatura à C.M.P. Citando de memória, li e ouvi algo como "renunciar a todas essas regalias e lugares dourados no PE...".
Em linguagem naval eu diria: 2 submarinos ao fundo!
Não só o parlamento europeu ficou adjectivado em bom Português de paragem de autocarro como os portuenses ficam a saber (para os que não tinham ouvido na campanha para as Europeias) que Elisa Ferreira larga as regalias SE for eleita para a C.M.P.
Não só percebemos qual o seu espírito de missão no PE, como percebemos também que tudo o que Elisa Ferreira quer é um lugar. Lancou a moeda ao ar e seja cara ou coroa, ganha sempre.
Pergunto-me, caso seja ela a decidir a sua estratégia política, o que lhe terá passado pela cabeca para fazer tais declaracões? Terá pensado que alguém ficaria tocado pelo espírito samaritano de largar a cadeira em Estrasburgo? Não lhe terá ocorrido que tudo o que as pessoas vêm é um político a fazer
tudo para ter um lugar? Um qualquer. Sem moral ou conviccões.
Concorrer a um e um só lugar daria pelo menos a ilusão que se quer servir a causa pública. Assim já é demais. Perdeu-se o respeito por quem vota.
Já o tinha defendido e repito. Sócrates deve retirar Elisa Ferreira de toda e qualquer lista do PS.

quarta-feira, junho 17, 2009

100m barreiras


Um primo muito chegado do Einstein, que por acaso trabalha na administracão aqui do estaminé, constatou que ao fim de 6 meses a despedir "operários" tinha exactamente o mesmo número de chefes. Três razias depois e com mais de 600 engenheiros a cantar no metro, o número de chefes era exactamente o mesmo. Com umas mudancas no organigrama para confundir e não parecer mal mas, cabeca por cabeca, todos nas mesmas cadeiras.
Posto isto, nova comunicacão aos colaboradores para novo despedimento colectivo, agora de 100 pessoas. Escusado será dizer que entre a malta que não usa camisa (onde me incluo) pairou a esperanca de serem outros a levar com o chicote desta vez. Mas convenhamos...ninguém despede 100 chefes. O resultado é óbvio e o grosso dos despedimentos vai afectar a arraia miuda. Ouco palavras de descontentamento entre os meus colegas e não é razão para menos. Em agosto é esperada uma nova vaga de despedimentos (a 4a se não lhes perdi a conta...) e as 1000 pessoas faladas em janeiro como o "pior cenário" já não estão longe. Ao mesmo tempo vemos os mesmos previlégios e regalias para todas as chefias. Que são muitas e desnecessárias dada a reducão de 25% nos quadros da empresa.
Teixeira dos Santos dizia no outro dia que a crise está para durar. Eu diria que 2009 vai ser um ano dolorosamente "longo". Há uma sensacão de desconforto que ninguém disfarca. Vivemos um gigantesco Big Brother esperando pela próxima "nomeacão".
Escapar a isto comeca a ser tão real como passar entre as gotas da chuva.
Estamos claramente em modo "salve-se quem puder" e o cenário na cidade está longe de melhorar.
A crise não abranda e a Suécia continua a ser muito massacrada. Há uma perspectiva de retoma no final deste ano ou no início de 2010. A questão, antes como agora, é saber quem lá chega.

O homem da playstation


A época ainda não comecou e já conto os dias para que acabe.
Um longo e doloroso campeonato para verificar mais um erro flagrante de casting.
Não me interessa saber se Jesus conhece a realidade do futebol nacional, se é um mestre da táctica ou se fala português com sotaque de balneário.
Menos ainda conta o facto de conhecer as esquinas mais escuras da bola lusa.
Interessa-me, isso sim, constatar que passou o ano todo a meter-se a jeito para suceder a Jesualdo Ferreira e que, quando roubado indecentemente contra o Porto, se desfez em elogios ao adversário. Tendo em conta o arraial que montou na Luz, parece-me claro que Jesus é hoje em dia um dos treinadores que fazem parte da grande família dos amigos do "calor da noite". A mesma família que compra árbitros, que distribui 40 jogadores pela 1a divisão e que semeia treinadores em lugares chave. Jesus está no mesmo saco de Carvalhal, Carlos Brito, qualquer um que se sente em Setúbal, Domingos Paciência, Jorge Costa e por aí fora.
Eu sei que ainda se pagam, hoje em dia, as asneiras de Damásio e V. Azevedo (quando é que prendem este gajo??) mas atitudes destas não ajudam.
Quique não era um génio táctico mas tinha grandeza e o tempo jogava a seu favor. O ano passado compraram um jogador (o irmão do outro que parece que levou com uma porta no nariz) que meses antes tinha insultado o público da Luz. Agora contratam (por 2 anos???) um treinador que nos insultou sempre que teve oportunidade no passado campeonato. Qual é o passo seguinte? A águia de prata para o Artur Jorge?
Um clube como o Benfica tem que respeitar a sua história mesmo que isso signifique perder campeonatos.

segunda-feira, junho 15, 2009

domingo, junho 14, 2009

Foi você que pediu algo com azeite e escrito em português?

Sabiam V.Excas que Hamburgo tem um bairro português (portugiesenviertel) recheado de restaurantes e cafés?
Não?
Mais um belo momento trivial então.
E o que é que isto interessa a todos vós que bebeis galões e comeis bitoques? Nada, imagino.
Então e a quem já deita salmão pelos olhos?
Muito, como poderão imaginar.
A caminho camaradas. A caminho e em forca, como dizia o amigo de Santa Comba.
Até para a semana.

quarta-feira, junho 10, 2009

O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas

Pensão e reconhecimento? Sim, mas só se fores um PIDE.
Se andaste de chaimite no Largo do Carmo, temos flores.

(Pssst....Psssst....Cavaco....agora não te esquecas de falar outra vez no "Dia da Raca")

A D.Branca


Confesso alguma dificuldade em perceber o processo do BPP.
Há poucos dias uma associacão de clientes, se não me engano representada por Jaime Antunes (o que diz logo muito do que se procura...), sugeria ao governo uma troca. Eles, clientes, recebiam do Estado o dinheiro que o BPP nunca teve. Em avanco. O Estado por sua vez, ficaria com as aplicacões credíveis (não as accões) que o BPP tem por essa europa fora e recuperava o dinheiro sem qualquer uso do bolso dos contribuintes. O ministro das financas que não é propriamente um atrasado mental, mandou-os pastar de forma educada e sugeriu uma nova solucão que passa pela transferência das aplicacões que estes clientes têm no BPP para outras instituicões. Claro que isto não agradou aos clientes do BPP com aplicacões de fundo garantido. O BPN, como não poderia deixar de ser, veio para a discussão.
Essa monumental asneira do governo espalha-se de norte a sul. Não há camionista, apicultor ou padeiro que não reclame apoios do Estado usando o BPN como exemplo.
Mas voltando ao BPP.
Ouvi com particular espanto as palavras de Jaime Antunes. Escudado no BPN, exigia o mesmo tratamento e o capital reposto. Tenho impressão que até o ouvi dizer "que não percebia esta preocupacão agora com o dinheiro dos contribuintes" depois de não sei quantos milhões injectados no BPN.
Percebo...se esfarraparam o contribuinte, porque não abusar um pouco mais?
A pergunta impõe-se: se um cliente estabelece, de livre vontade, um contracto com uma entidade privada onde essa mesmo entidade se compromete a dar um porco em troca de um chourico, porque razão tem o Estado que ser responsabilizado?
Não tem. É tão simples quanto isso.
Com ou sem BPN, as financas públicas não têm rigorosamente nada a ver com isto.
Não deixo de ter pena dos anónimos que depositaram economias de uma vida no BPP, mas deviam ter pensado nisso quando este banco prometia um retorno muito maior que os demais. Ainda por cima garantido...
Se há coisa que já todos devíamos ter percebido é que num mundo capitalista ninguém dá nada a ninguém e que a multiplicacão de capital com base na especulacão é um edificio sem paredes mestras.
A única coisa a fazer para ajudar os clientes do BPP é vender todos os bens dos administradores e do banco, edifício incluido, e dividir o dinheiro pelos credores. Chegue ou não para pagar tudo o que foi contractado, o Estado não pode meter nem mais um cêntimo dos contribuintes nesta gigantesca D. Branca.
E quanto a essa associacão liderada por Jaime Antunes, ganhem alguma vergonha na cara, engulam o calote e não queiram responsabilizar os outros pelas vossas asneiras.

segunda-feira, junho 08, 2009

Resultados a norte




Por cá ganhou a oposicão (o PS local). O partido do governo (PSD local) teve menos votos mas aguentou os deputados. O grande massacrado da noite foi o PCP local (V). Nesse aspecto é curioso como o PCP português contraria a tendência europeia e resiste ano após ano. Ainda bem digo eu, mas com pena que não seja com a linha renovadora em vez dos clássicos Estalinistas.

A grande surpresa da noite foi o recém criado Partido Pirata, que entre outras coisas defende "a mudanca da legislação das leis autorais, preservacão da privacidade de dados e defesa da abolição gradual do sistema de patentes". Conseguiram eleger um deputado e tiveram mais de 7% dos votos. Este partido vai ganhando simpatias um pouco por toda a europa, principalmente nas camadas mais jovens e até em Portugal já tem seguidores.

La famiglia





Um amigo fez o favor de me enviar isto.
Uma reportagem do Expresso em Marco de 2009 (como eu gostava de apanhar a versão de papel!) sobre as cunhas no governo regional da Madeira.
Eu sei que o dia é de Europeias, mas isto é bom demais para ficar na gaveta.
Percebo agora melhor porque razão não quer o Jardim que o Expresso chegue ao seu quintal.
Sendo a Madeira um bastião laranja há décadas, seria interessante ouvir o que M.Ferreira Leite tem a dizer sobre o assunto.
Em nome da seriedade e rigor, claro.

domingo, junho 07, 2009

E aos 2 segundos espalhou-se...

Discurso de vitória de Rangel:

"As primeiras palavras desta noite são de uma enorme alegria e de esperanca, porque a eleicão de hoje mostrou que há uma alternativa de governo em Portugal!"

Só faltava dizer: "Ahh...e por acaso também vamos mandar uns gajos para Bruxelas para se encherem de ameijoas e batatas fritas!"

Enquanto escrevo isto continuo a ouvir Rangel. Não foi apenas a primeira frase. Todo o discurso é centrado nas legislativas. É fantástico para quem acabou de ser eleito para o parlamento europeu.
Se durante a campanha do PSD a Europa nunca apareceu no programa (admitindo que eles tinham um escondido algures), porque razão apareceria no discurso final?
Foi bem votado camaradas, foi bem votado...

E agora com cores

O PS é claramente o grande derrotado e o único partido que perderá deputados.
Ainda assim a esquerda elege mais deputados.



Contagem às 20.42h

O BE e o PP são os partidos que mais sobem. É bom lembrar que o PP esteve coligado com o PSD em 2004 e que consegue hoje, sozinho, entre 7 a 10%. Isto é o mais próximo que me consigo lembrar de uma catástrofe. Há mesmo várias pessoas que acham que o PP é um partido político e só isso já dá para reflectir.
A CDU mantém o eleitorado fiel. Ilda Figueiredo bem pode agradecer aos alentejanos.
Com estes resultados, Paulo Portas ganha capital de confianca para negociar com o PSD aliancas à direita para as próximas eleicões. Para quem quis castigar Sócrates, espero que se lembrem o que aconteceu quando Portas esteve no governo (uma dica: s-u-b-m-a-r-i-n-o-s).

Primeiras reaccões

Os portugueses aproveitaram as eleicões europeias para um puxão de orelhas ao governo. Sócrates foi penalizado por ser PM e por ter escolhido um cabeca de lista como Vital Moreira. Foi uma desgraca em campanha.
Um PSD sem programa mas com um bem falante Rangel foi suficiente para cativar o voto. Tenho para mim que, dada a vontade de castigar o governo, até o Bugs Bunny teria ganho ao Vital Moreira. O BE sobe como seria de prever porque a esquerda que não aguentou as trapalhadas da Ilda e do Vital, tinha que votar em algum lado.
Um nota curiosa. Os portugueses preferem votar num partido que nas últimas europeias elegeu como cabeca de lista o deputado com mais faltas de presenca no parlamento europeu (Joao de Deus Pinheiro) do que votar num trapalhão com a lingua mas de reconhecido mérito intelectual.

sábado, junho 06, 2009

O milagre

Fontes próximas do local garantem que aos 92 minutos já o Queiroz tinha enchido a fralda.
Como não jogámos rigorosamente nada, o que aconteceu hoje em Tirana entra para o registo dos milagres.
Queiroz ganha mais umas semanas de oxigénio e espero, mas espero mesmo, que use os 4 jogos que faltam para usar um grupo restrito e consagrado de jogadores, com rotinas de jogo. Chega de Boa Mortes, Edinhos e outros que tal.
O 11 nacional tem que ser algo do género: Quim/Eduardo, Miguel, Bosingwa, Pepe, R.Carvalho/ B. Alves, Meireles/Moutinho, Deco (Dani), Simão/Quaresma, Ronaldo, N.Gomes e H.Almeida.
Chega de invencões. Usa os jogadores que estão habituados a andar de avião e que jogam juntos há anos. Quanto à motivacão não há nada a fazer. É mesmo esperar por mais milagres.

Ao intervalo...nada de novo a sul

Esta primeira parte era tão previsível que até o Marcelo Rebelo de Sousa conseguia adivinhar.
No entanto tenho que reconhecer que o Queiroz descobre sempre uma forma de me supreender. Quando pensamos que não há mais lama por baixo, eis que aparece o professor.
Num jogo decisivo como este resolve fazer novas experiências. Luis Boa-Morte? Nem quando era novo tinha lugar na seleccão, quanto mais agora!
Três defesas centrais (o Pepe nunca será um médio) quando se quer ganhar?? Palavras do Obi Wan antes do jogo: "vejam nos olhos dos jogadores a vontade que eles têm de vencer!"
Eu bem olho Queiroz, eu bem olho...
A Dinamarca está a despachar a Suécia e nem isso conseguimos aproveitar.
Dizia o camarada da rádio: "espera-se um abanão de Queiroz ao intervalo!"
Só se ligar ao Scolari e meter o telefone em alta voz.

sexta-feira, junho 05, 2009

Atirar ao ar e depois logo se vê



E já que vocês falaram em fim-de-semana, preparemo-nos pois para o que aí vem.

Uma verdadeira montanha-russa de emocões.

Sabiam que o nome deste divertimento surge dos altos e baixos da política russa nos tempos da revolucão? É pelo menos o que diz o Kapuscinski.

E pronto. Fim do momento trivial pursuit do dia. Voltemos então à vaca fria.

Sábado, teremos a hipótese de ver Queiroz a queixar-se de algo. A minha aposta vai para a relva. Se tudo seguir esta lógica impensável há poucos meses atrás, Queiroz destruirá o pouco que falta de uma seleccão que esteve no top 5 do mundo. O castelo de cartas de Riade e o crédito nunca confirmado desde então chegará ao fim. Perder o mundial é um alto preco a pagar só para ver Queiroz a caminho do Cazaquistão. Mas...assim seja.
Já Domingo a história será outra. Toda a oposicão estará na expectativa de ver o Governo castigado. A Fenprof também. Poucos estarão interessados nas eleicões europeias. O importante é fazer de qualquer acto eleitoral um momento de oposicão. Pergunto-me porque não usam estes partidos ávidos de contestar, o local certo para o fazer? Tivessem eles esta vitalidade na AR e a nossa democracia seria bem mais saudável.
Ainda assim, tenho esperanca que os votantes percebam o que se está a votar e não usem as urnas europeias para contestar políticas internas.
Embora as sondagens coloquem os partidos do centro "taco-a-taco", acho que a esquerda vencerá e que em particular o BE subirá nas intencões de voto. Depois da campanha e vendo pessoas como Elisa Ferreira na lista do PS, espero que Miguel Portas e seus pares tenham algum sucesso. Ilda Figueiredo também não ajudou para uma renovacão no PCP, o que se precebe visto a linha dura continuar no comité central.
Uma nota: BE e PCP partilham a família europeia. Votar num ou noutro é reforcar o mesmo grupo em Bruxelas. A diferenca está na atitude.
Já votar na direita é a mesma coisa que mandar um voto para o esgoto.
O PSD apresentou um programa sem qualquer proposta concreta. O PP nem programa apresentou, pelo menos na página da candidatura. Talvez Portas tenha trocado uns mails com o Nuno Melo, mas para o comum dos mortais não sobrou nada. Também não vale a pena dizer que o PP não é um partido que defende determinada ideologia política mas sim a ambicão de uma só pessoa. Já todos sabem, não é preciso repetir.
Se eu pudesse votar nestas europeias (segundo o consulado este ano não é possível), votaria no BE. Não é por definicão o meu partido, mas curiosamente pareceram-me os "mais europeus" durante a campanha. O que não deixa de ser curioso.
Bom fim-de-semana.

Friday


De cada vez que olho para este miudo pergunto-me o que faco neste escritório.
Conto os dias para a licenca de paternidade. Oito meses a apertar o Diogo por todo o lado, bochechas óbviamente incluídas.
É engracado como um pequeno ser de 2 meses nos enche o coracão. É impressionante como desperta a saudade e os sentimentos.
Felizmente é sexta-feira. Felizmente.

quinta-feira, junho 04, 2009

20 anos

Uma fatia de bolo


Fernando Pinto defende que por trás da greve da Portugália está pura e simplesmente dinheiro. Seguranca e horários de trabalho são, segundo o administrador, camuflagem usada para a verdadeira razão da greve: salários mais altos.
Do lado da TAP, o patrão desta história, há a garantia de que não podem pagar mais aos pilotos da PGA. Por outro lado, a administracão da PGA apela ao fim da greve com medo que o "patrão" se desfaca deles e do prejuízo causado.
Fernando Pinto foi o primeiro gestor da história da TAP a conseguir lucro. Pequeno mas real. Tenho dele uma imagem de competência e seriedade e acho sinceramente que, apesar da TAP ser uma empresa refém dos seus próprios pilotos, ele tem feito um bom trabalho.
Se pensarmos um pouco no assunto não será difícil concordar com as suas palavras.
A TAP é conhecida pelas mordomias de dinheiro e horários de trabalho que proporciona aos seus pilotos, envergonhando qualquer engravatado da Lufthansa ou KLM. Qualquer tentativa de reforma foi derrotada por um sindicato que tem tanto de parceiro social como a Fenprof. O patrão maior (contribuintes) não se queixa e o dinheiro não pára de jorrar.
Assim, neste quadro de lei da selva e com um bolo inesgotável para dividir, não parece lógico que os pilotos da PGA queiram uma fatia maior? Eu acho que faz sentido.
Faz sentido que eles pecam, entenda-se. Dar é outra história.
Com a desculpa do interesse público (com o qual até concordo) suportamos uma companhia com um crónico prejuízo e maus hábitos.
Não conseguir reduzir o desperdicio nem colocar a TAP na realidade nacional em que deveria viver já é mal que chegue para as fincancas públicas, aumentar a factura com a Portugália parece-me de todo irresponsável.

quarta-feira, junho 03, 2009

A crise dos Balcãs

Dei com este documentário da BBC por acaso.
Muitíssimo interessante e esclarecedor de como se mexeram os peões no xadrez dos Balcãs na década de 90.
Apesar do desejo expansionista dos sérvios estar presente em cada episódio, confesso que fiquei com outra opinião sobre Milosevic no final. Mladic e Karadzic foram os principais causadores da desgraca. Isso também fica claro. A forma como os croatas trairam os seus aliados (os muculmanos da Bósnia) também é descrita. Se a este episódio juntarmos a alianca com Hitler durante a IIGG, comecamos a tracar um padrão no comportamento croata. Entre dois países com desejo de conquistar território ficaram os muculmanos,abandonados à sua sorte durante anos e a quem ninguém perguntou nada...
Uma nota para uma declaracão de um secretário de estado americano defendendo a não intervencão (dos EUA ou da NATO, que é a mesma coisa...) com a frase: "Não podemos ser os polícias do mundo!"
Ahn? Do mundo sem petróleo, queria ele dizer.
Depois da IIGG esta foi a maior crise na Europa. Morreram milhares, mudaram-se outros milhares, alteraram-se fronteiras, criaram-se países e nem por isso se dizimaram os ódios. É uma parte importante da nossa história enquanto europeus e um drama que não cabia no final do séc.XX no continente mais evoluído. Em teoria.

















O Walker do Texas

Entretanto já descodifiquei uma das propostas dos suecos para o PE.
O porquê de uma legislacão europeia sobre imigrantes?
Porque, entre outras razões, em 2007, 80% dos refugiados do Iraque foram recebidos apenas por dois países: Suécia e Alemanha.
Acho que ouvi algures "Obrigado W."

terça-feira, junho 02, 2009

A arte de falar sem dizer nada


Tenho recebido no correio pequenos panfletos com as propostas que os partidos suecos defendem para as eleicões europeias. Todos os partidos adoptam uma estratégia semelhante que se prende com a simplicidade das palavras. Um pedaco de papel com 3 ou 4 medidas que querem levar ao parlamento europeu. Propostas concertas, descritas de forma simples e que qualquer eleitor consegue compreender. De certa forma assumem um compromisso pelo qual poderão ser julgados no fim do mandato. Há falta de melhor adjectivo diria, eficaz.
Hoje recebi o papelito do PSD local. Concorde-se ou não, as 3 propostas apresentadas são:
1. Uma pessoa deve saber o que está a comer - exigir que todos os estados membros tenham etiquetas descritivas nos productos alimentícios que exportam. O conteúdo do producto deve ser rigorosamente o que está na etiqueta.
2. Política de imigracão europeia - exigir que se crie uma lei para a imigracão comum a todos e não por estado membro. Isto evita que países que não querem receber determinado tipo de imigrantes se vejam obrigados a aceitá-los depois de estes entraram na UE através de outro estado membro.
3. Direito do cidadão da UE a cuidados médicos sem fronteiras - (exemplo) se um francês tem que esperar 2 anos para ser atendido numa especialidade que em Itália não tem qualquer lista de espera, deve ter o direito de se tratar em Itália como se fosse um cidadão local.
Posso concordar ou não. Mas percebo o que querem dizer e quais serão as suas propostas ou direccão de voto.
Por curiosidade (e sim, as insónias dão-me cabo da cabeca...) resolvi dar um salto à página do PSD português.
O compromisso europeu resulta em 10 pontos. Vagos como convém.
O primeiro:
"1. REPRESENTAR PORTUGAL
Para nós, eleger 22 Deputados ao Parlamento Europeu representa eleger 22 embaixadores do interesse nacional. Acima das querelas partidárias e da inserção em famílias políticas europeias colocamos a defesa dos interesses dos portugueses"
Muito bem. Mas quais são os interesses dos portugueses? E como é que se defende algo que não se descreve?
Mas pode ser que seja só o aquecimento...
Continuando.
"2. GARANTIR O EMPREGO E CRIAR RIQUEZA: APOSTAR NA ECONOMIA
A nossa prioridade é mais e melhor emprego. Precisamos de robustecer a nossa economia tirando mais partido do mercado interno.
Apostamos no investimento no capital humano, na formação, educação, ciência e inovação. Defendemos políticas activas de incentivo às Pequenas e Médias Empresas. Vamos valorizar a agricultura e os agricultores, que têm hoje uma importância estratégica reforçada. Acompanharemos de perto toda a política de combate à actual crise e à forma como o governo português aplica a estratégia europeia, designadamente no que diz respeito à utilização dos fundos comunitários
."
Nesta proposta resolvi pôr a bold apenas o que não era concreto.
Foi relativamente fácil.
Analisando: como é que se cria mais emprego? Que eu saiba parlamentos não criam empregos, isto claro, se descontarmos os que lá se sentam a dizer banalidades.
Como é que se fazem incentivos às pequenas e médias empresas? Como é que se valoriza a agricultura? Como é que pretendem usar os fundos comunitários?
Mais generalista do que isto é impossível. Não há qualquer compromisso e responsabilidade porque não há qualquer proposta. Claro como água.
Não é dificil imaginar que até ao fim da lista se podem ler mais 8 pontos generalistas sobre justica, liberdade, seguranca, etc. Se o PSD tivesse uma só linha a dizer "Queremos um mundo melhor" o efeito seria o mesmo do que o conseguido com o "compromisso europeu".
Em todo aquele enche-chourico de lugares comuns há uma e uma só proposta concreta: o voto favorável para a reconducão de Durão "isto está mau vou dar à sola" Barroso no cargo de presidente da comissão europeia.
É pouco. É muito pobre.
Eu sei que ninguém vai ler os programas dos partidos, mas com declaracões "Miss América" destas como é que querem gerar um debate? Como é que esperam que os portugueses discutam ideias, diferencas e propostas, se tudo o que fazem é apresentar uma mão cheia de nada?
É assim tão difícil?
Vá lá rapaziada. Eu ajudo.
Peguem num papel e numa caneta e sentem-se numa sala.
Todos juntos e a fazer alguma forca.
Não muita para não dar asneira.
Mal apareca uma ideia brilhante ( do género - "criacão de uma lei europeia para planeamento e controlo urbano daqueles mesmo difíceis de alterar e vigiados pelos senhores de Bruxelas ") tomem de imediato nota, não vá a coisa esfumar-se.
Repitam isto meia-dúzia de vezes e têm um programa de campanha honesto.
Depois é só esperar que o Portas não copie.

Filme de terror


Se alguém me perguntasse qual era a minha definicão de inferno a resposta seria fácil: um acidente de avião.
Por todas as razões e mais alguma gostava de saber as causas deste drama no Atlântico.
Não sei se isso será alguma vez possível. As explicacões técnicas que até agora ouvi defendem a tese de que os aviões suportam este tipo de turbulência, que naquela zona normalmente os pilotos evitam o centro da tempestade, que os sistemas eléctricos são redundantes, que o modelo em questão é um dos mais recentes da Airbus, que tinha inspeccão feita em Abril, que tinha chegado de Paris sem qualquer problema.
Enfim...ninguém consegue perceber o que aconteceu.
Mas aconteceu.

Frase do dia (ou como se faz política entre copos de três)

"...e como todos sabemos, há políticos no parlamento a tratar de assuntos da agricultura que só sabem o que é um nabo quando olham para o espelho"



via TSF, um dirigente da CAP (imagino), algures numa manifestacão em Viseu esta manhã

segunda-feira, junho 01, 2009

Dia 1 de Junho

A prenda perfeita para qualquer crianca com mais do que 20 anos....

O "encino"

Vi com alguma preocupacão a manifestacão de professores.
Não pelo que se disse, mas pelo que ficou por dizer.
Uma professora, apanhada pelo microfone da RTP disse que o governo deveria falar com os professores e não com o sindicato. Usando as suas palavras: "falar com quem trabalha e não com quem está no gabinete".
Embora não concorde com este preconceito do "se é sindicalista, não trabalha", concordo com a frase quando aplicada à Fenprof.
Já o disse várias vezes e repito: a Fenprof é o melhor exemplo de sindicalismo de terceiro mundo que existe no nosso país. Não fazem a mínima ideia de qual é o papel de um parceiro social. Seguem a agenda da ala conservadora do PCP (o que a meu ver só rebaixa um partido que tem um papel importante na nossa democracia) e fazem do protesto a forma de diálogo.
Como nunca ouvi da boca de Mário Nogueira uma única proposta alternativa para o modelo de avaliacão resolvi investigar no site da Fenprof (sim, as insónias dão-me tempo para tudo...). Encontrei muitas declaracões de protesto, muitos apelos para a luta, muitos textos a dizer que o modelo não serve....o que não vi foi uma alternativa diferente de deixar tudo como está.
A Fenprof enquanto sindicato destrói qualquer hipótese de nivelar por cima a qualidade do nosso ensino e continua a fazer de escudo para os medíocres. O governo recuou ao ponto de este ano a avaliacão não ser mais do que uma auto-avaliacão. Longe do modelo inicialmente proposto. Lendo por aí vejo várias propostas de modelos para a avaliacão de professores. Normalmente feitas por professores, como faz sentido.
Concorde-se ou não, a avaliacão tem que existir e colocar propostas na mesa é a melhor forma de iniciar o diálogo. E por favor acabem com o choro das horas de trabalho...se passarem 3 dias no mundo real percebem que não são tantas quanto isso. Tem razão aquela professora que diz que o governo deve falar com os professores. Mas como? Como se fala com 100 000 pessoas ao mesmo tempo? Não é possível. Por isso é que existem sindicatos. É suposto representarem a opinião e desejo, pelo menos maioritários, da classe. Se não é esse o caso, porque é que têm o mesmo representante há 20 anos?
E o que dizer do aproveitamento político que em tempo de eleicões (europeias...pequeno detalhe...) toda a oposicão fez? É um vazio de ideias que até assusta. Talvez o barulho de fundo acabe por prejudicar o governo nas urnas. Talvez. Com reformas a meio, eu continuo a achar que não existe neste momento alternativa a José Sócrates.