domingo, maio 31, 2009

Histórias dos Cinco ou o longo capítulo da primeira vez...

Diogo e o mar.
Diogo e o grelhado.


E tudo pela primeira vez.
Quem diria?
Próximos capítulos: "Diogo e o pastel de nata" e "Diogo conhece águia Vitória".

sexta-feira, maio 29, 2009

Imagens do passado



Destino de verão alternativo.
E baratinho.
Ora vejam.

Pernas para que te quero


Uma boa notícia para quem não quer gastar solas nos centros comerciais.

A inauguracão é hoje.


Nota importante: custou 390 000 eur (uns metros de auto-estrada), atravessa o Algarve interior, permite o contacto com a natureza e cria reais possibilidades de actividade ao ar livre. Numa palavra: progresso.


Nós por lá


Se o salário não dava para a renda podias ter pedido ajuda à metrópole ou ao Paulo Portas.
Escusavas era de te ter metido em biscates.

quinta-feira, maio 28, 2009

Como ultrapassar a esquerda pela esquerda

"Em vez de estarmos a fazer a 3a auto-estrada Lisboa-Porto, deveríamos estar a recuperar as cidades"

Assustadoramente óbvio.
O problema é que foi o Paulo Rangel que o disse.
Miguel, Ilda e Avô Cantigas: abram os olhos!

Quando a lata acaba

Foi a ferros, mas foi.

quarta-feira, maio 27, 2009

A minha aposta

Se a bola é redonda, se 2+2 = 4 e se mais uma série de lugares comuns fizerem sentido, o meia-leca vai sorrir esta noite.
Eu pelo menos espero que sim.

terça-feira, maio 26, 2009

Nota de rodapé

Alguém que explique à Ilda Figueiredo, Vital Moreira e principalmente Paulo Portas, que as próximas eleicões contam para o parlamento europeu.
Significa isto que os temas de campanha devem ser os problemas da europa.
Eu sei que a europa é um conjunto de países e que os problemas destes fazem os problemas do todo, mas se comecam a corrida aos mercados e as discussões com os agricultores, não desviam 1cm do discurso e abordagem de qualquer eleicão interna.
Há que envolver os portugueses nos problemas da UE e por incrível que isso possa parecer, estes não acabam no Bolhão.

Já se prendia qualquer coisa...

Vale Tudo recebeu mais uma prenda da Boa-Hora.
11 anos dizem eles.
A minha pergunta é simples:
-quanto tempo mais temos que esperar até ver Vale e Azevedo em Caxias (não é preso em casa no conforto do palácio) a cumprir pena efectiva?
Daquelas mesmo à moda antiga. Com o pijama das riscas, a comer do tabuleiro e a tomar banho com gajos de cabeca rapada.
Esse dejecto humano goza com uma república inteira. Tem não sei quantos mandatos de captura, pedidos de extradicão e por artes mágicas consegue adiar tudo, engonhar sentencas e pelo meio ainda vai dando uns calotes na Unita e no senhorio.
Ainda há quem defenda este tipo de gente, o que não deixa de ser um caso digno de reflexão.
Uma dica para o MP e para a PJ: deixem lá a papelada e as burocracias e centrem-se no que conta. O estado de direito já esgotou a boa vontade. Ele tem mais crimes no CV do que o Sampaio sardas no nariz. Há uma rapaziada ali perto de Gaza que lida com estas coisas e não faz muito barulho. "Mos.." qualquer coisa. Agora não me lembro.

Let the games begin

1. Ilda Figueiredo foi para a porta da Autoeuropa dar panfletos e prometer que vai para o parlamento europeu defender os direitos dos trabalhadores e evitar o aumento dos horários de trabalho.

2. Miguel Portas defende aos microfones da TSF que 36h de aulas são é uma carga muito grande e que a partir dos 16 anos os miudos que não sabem sequer onde fica a Bélgica já devem votar.

3. Nuno Melo defende que fará tudo o que puder por Portugal em Bruxelas (que é o mesmo que dizer "tentar alargar os subsídios até à eternidade" ) e que nem sabe quanto é que vai ganhar no PE.

4. Portas diz que as pessoas sabem que se há partido que não falou mal só por falar e que apresentou alternativas, esse partido foi o CDS (diz lá outra vez??)

5. Rangel não se cala com o provedor e esse é o programa para a europa.

6. Vital anda pelo país em campanha própria e nunca ouviu falar no PS.



Comecou a campanha para as europeias.
O discurso?
É o costume sff!

sábado, maio 23, 2009

Grandes momentos em directo

Finalmente!

O fim do campeonato, o início das primeiras páginas com coxos...

Antes que comece a razia e o verão quente, deixo a minha opinião.
Apesar da época miserável e de mais 365 dias sem títulos (a taca da cerveja não conta), defendo que Quique Flores deve continuar.
As razões são simples:
- foi contratado para um projecto de 2 anos
- o passado ensinou-nos que é a estabilidade que traz sucesso
- já percebeu como funciona a liga portuguesa (imagino eu)
- é humilde o suficiente para aprender com o erros (Léo, etc)
- traz uma elevacão para a Luz que na minha opinião é necessária
- não é um labrego e fala português tão bem como o J.Jesus

E depois há aquela questão de bolso que se prende com as notas que ele tem que receber se for agora para Ayamonte. Notas essas que não devem abundar para os lados da Catedral.
Nada de pânico.
Quique mais um ano.
Luisão, Cardozo, Katsouranis, Aimar, Reyes, DiMaria e todos os outros que sabem atar as botas sozinhos são para segurar.
Balboa e amigos (não são muitos, há que admitir...) a andar e rápido.
Isto se fosse eu a mandar, claro.
E comprava também uns cestos de fruta. Vão dar jeito para o ano.

Os 2% do PIB


Não direi uma grande novidade se constatar que muitas empresas tentam tirar o maior proveito possível desta crise. Estando os governos na disposicão de torrar algum endividamento externo, seria de esperar todo o tipo de abuso. Trabalhadores em (falso) lay-off, falências oportunas, apoios indevidos. De uma forma geral o governo corre a injectar dinheiro sem olhar onde e as empresas querem continuar a lucrar como se não existisse crise.
É tempo de apertar o cinto sim, mas para quem paga impostos. Só para esses.
Dito isto e acrescentando que estou habitualmente do lado mais fraco entre empregado e empregador, tenho, desta vez, que concordar com as palavras de Belmiro de Azevedo.
Não podemos continuar agarrados aos direitos adquiridos como se o mundo à nossa volta tivesse parado de rodar.
É neste sentido que os sindicatos devem funcionar como parceiros e não como pedras no sapato.
Exigir é fácil. A constituicão até diz que todos temos direito ao trabalho...
Mas quem paga? Quem é que dá emprego se não existirem empresas? Como é que as empresas têm lucro se ninguém comprar o seu produto? Como é que as pessoas podem comprar se não tiverem dinheiro?
É tempo de afastarmos os olhos do nosso umbigo e percebermos que o que acontece no nosso quintal depende de uma economia global.
O recente exemplo da Autoeuropa é um bom ponto de partida. Não defendo, nem nunca defendi, que se faca tábua rasa da lei, mas se existiu algum momento na nossa vida para ser flexível, esse momento é o presente. Claro que há uma diferenca entre ser flexível e ser entalado. Ao ouvir a notícia "Autoeuropa não quer pagar sábados!" fiquei um pouco supreendido. É uma realidade que conheco relativamente bem e nunca vi ninguém a trabalhar ali 15 minutos de borla. Pelo menos forcado...
Lá percebi lendo no Expresso que o que a companhia não quer é pagar o sábado a 200% como a lei manda. Oferece-se para pagar como dia normal e a segurar os 250 temporários. Escusado será dizer que isto é contra a lei e que os trabalhadores têm todo o direito de reclamar. Devem é também perceber que se ninguém compra carros e se essa indústria é a mais afectada a nível mundial, o facto não haver despedimentos na fábrica devia ser encarada como um pequeno oásis dentro da realidade actual.
Teria sido também interessante saber, mas nenhum jornalista perguntou, porque razão trabalha a Autoeuropa aos sábados se a producão actual não chega a 50% da capacidade da fábrica?
Posso estar enganado, mas a Autoeuropa não é normalmente uma empresa sem preocupacões sociais ou com abusos relativamente aos seus colaboradores. Claro que tudo isto pode ser uma estratégia (chantagem) para criar o clima certo para encerrar a fábrica (a favor da unidade de Emden) mas sinceramente, duvido.
Um direito é um direito, mas a realidade que nos rodeia não pode ser neste momento ignorada.
Há milhares de despedimentos na indústria automóvel. Em todos os construtores e fornecedores. Os salários estão congelados, o trabalho extra não é pago e os sábados são pagos como um dia normal. Esta é a realidade que vejo, que me toca e que afecta centenas de colegas meus.
Está na lei?
Não, claro que não.
Chama-se flexibilidade e entre outras coisas gera produtividade e emprego.
Parece-me que é a única forma de lidar com as exigências de uma crise mundial. Se formos sérios, claro. Se estivermos a falar de uma atitude bidireccional. Se as cedências cairem todas no lado do colaborador, então já têm outro nome: abuso.

quinta-feira, maio 21, 2009

Long story short


Uma das grandes descobertas do séx.XIX é que o trio pataniscas, óleo a ferver e calcões nunca deram saúde.
Confirma-se.

quarta-feira, maio 20, 2009

Devagar e a passo, mas na direccão certa

Nem tudo corre mal no rectângulo.
No meio da tempestade conseguimos aumentar a competitividade do país.
Palavra de suico.

O nome

Qualquer dia é um bom dia para se comecar a organizar e a devolver credibilidade à classe política.
Depois de Elisa Ferreira ter dito que ia ao Parlamento Europeu dar só o nome, Sócrates, como secretário geral do PS, deveria ter actuado em conformidade.
Tirar Elisa Ferreira das listas para as Europeias e Autárquicas seria o mínimo. Desta forma, o eleitor contribuinte poderia acreditar que o parlamento europeu não é mais do que uma gulag dourado e que os políticos se mexem por conviccões em vez de conveniências.
Assim ficámos apenas a perceber que um tacho será sempre um tacho.
Sócrates falhou.

terça-feira, maio 19, 2009

Desejos para o petit déjeuner


Sim, eu sei que não há.
Mas posso sempre sonhar enquanto mastigo os corn flakes.
Ou não??

Badajoz à vista



O Diogo aprendeu a sorrir.
Ninguém lhe explicou como.
Ele também não perguntou, diga-se.
De um dia para o outro comecou a mostrar o espaco que aguarda a chegada dos dentes. Só porque sim.
Eu agradeci.
Quebra a monotonia entre choros.
E alegra-me.
Dir-me-ão vocês: "Mas ainda não é aquele sorriso Paco Bandeira!!"
Certo.
Por enquanto é apenas um esticar discreto de bochechas, mas estamos claramente no trilho do Paco.

quarta-feira, maio 13, 2009

E a Somália aqui tão perto


Sem qualquer base científica que o justificasse, tinha por certo que a vaga de imigracão do séc.XXI nada tinha a ver com as anteriores, mais especificamente as que aconteceram durante a ditadura. Era minha conviccão que hoje em dia os portugueses já não emigravam para fazer trabalhos que os locais não queriam.

Esta minha nocão, assumidamente errada, baseava-se no facto de o acesso às universidades ser hoje muito mais fácil do que era, por exemplo, há 50 anos atrás.

Vem esta conversa a propósito do debate sobre a imigracão em inglaterra. A crise e a escassez de emprego gera, entre outras coisas, a discussão sobre quem está a mais. Embora as vozes se oucam mais nestes tempos complicados, já em 2007 se tinha feito um estudo que acabou em relatório e documentário (se não me engano do canal 4).

Inglaterra, Irlanda e Suécia foram os únicos países que não impuseram limites para a imigracão quando a UE deixou entrar os novos estados membros. Isto justifica em parte as hordas de estrangeiros que receberam. Assim e em resumo, com mais ou menos flores nas palavras, o que os ingleses queriam era diferenciar por comunidades, quem pesa no orcamento e quem contribui.

Sentei-me a ver o documentário. Mais valia ter ficado quieto.

As estatísticas são aterradoras para a comunidade lusa. Os imigrantes portugueses são dos que contribuem menos (salários mais baixos), são os que abandonam a escola mais cedo e são aqueles cujos filhos têm o pior desempenho na escola inglesa. De imediato pensei que a nossa comunidade seria da " vaga Salazar" e fui ver a média de idades. Novo engano. A média é de 33 anos ou seja, é a minha geracão. Imigracão recente.

No documentário abordam o caso específico português. As nossas estatísticas deixam-nos longe de qualquer povo europeu ou norte-americano (canadianos e americanos são compreensivelmente as comunidades com maior sucesso) e aproximam-nos de paquistaneses e somalis. Acho que não preciso explicar o que é a comunidade paquistanesa em Inglaterra nem referir que maior parte dos somalis ali chegam como refugiados. No entanto, não são apenas as comunidades de primeiro mundo que têm sucesso. Nigerianos, indianos e polacos, entre outros, apresentam altos níveis de educacão e por isso, resultados melhores.

Convém também explicar que "resultados" aqui não são só números. Representam vidas melhores.

O caso polaco foi um contra-ponto ao caso português. Um casal saiu da Polónia assim que estes entraram na UE, uma vez em Inglaterra fizeram aquele tipo de trabalho que ninguém quer assegurando a permanência no país. Sendo pessoas com educacão superior não demoraram muito a arranjar emprego na sua área. O que disse o empregador para deixar 30 ingleses de fora e recrutar o polaco? Tem um cv impecável, a formacão certa, é competente e tem fome de trabalho. Simples. A educacão como base de todo e qualquer sucesso. É por isto que dentro de pouco tempo todos os novos membros de leste vão ultrapassar Portugal na corrida pelo desenvolvimento. Não há volta a dar, não há milagres, não há atalhos. Educacão séria e competente (não vale a pena formar analfabetos) é o ÚNICO caminho.

Fizeram o mesmo ao casal português. Viviam num quarto com um filho e esperavam por uma casa da seguranca social. Tinham empregos não qualificados e o miudo tinha dificuldades na escola atribuidas à falta de bases que trazia de casa. Ainda assim, diziam que estavam muito melhor do que em Portugal porque ali tinham dinheiro para a comida. Imagino o pardieiro de onde saíram.

Depois de ver este documentário e de sentir tamanho murro no estômago resolvi investigar um pouco. Li o relatório e fazendo fé no que se escreve por lá, não há qualquer diferenca entre quem sai hoje de Portugal e quem há 50 anos foi lavar escadas para Paris.

Esquecendo por agora a vergonha de ver patrícios com igual desempenho de refugiados, centremo-nos no que importa. Significa isto que a educacão não evoluiu em Portugal?

Voltei às estatísticas, desta vez da OCDE.

Em 1991 apenas 8% da populacão tinha um curso superior. Em 2002 passámos para 9%. Segundo a OCDE em 2002, 80% da populacão não tinha o secundário concluído. De referir ainda que entre os países da OCDE só México e Turquia têm estatísticas piores. Nos países de primeiro mundo 1/3 da populacão tem um curso superior. No caso do Canadá por exemplo (um dos 5 primeiros países em todos os rankings de desenvolvimento e qualidade de vida) esse número sobe para quase metade da populacão.

Não melhorou. Decididamente só por coincidência geográfica é que nos podemos considerar um membro da UE. A educacão TEM que ser a aposta dos governos dos próximos 30 anos. Não há outro caminho.

As novas oportunidades são uma boa medida, a escolaridade obrigatória também, o magalhães também, a avaliacão de professores também. Há que continuar esse caminho e não virar a cara sempre que a Fenprof e demais medíocres comecam aos gritos. A salvacão do país depende da educacão. Era bom que todos o percebessem. Mas, mais importante de que educar para as estatísticas é educar com qualidade. Facilitar exames (como a prova de matemática do ano passado) para aumentar a taxa de sucesso não serve de nada. Educacão é o caminho, mas com qualidade e exigência. Para formar ignorantes e geracões de incapazes não se incomodem.

terça-feira, maio 12, 2009

Quando a cultura traz cotão

Entrada para o fim-de-semana.
Mesa multicultural.
Algumas cervejas e discussão política animada.
Europeus e africanos discutindo realidades distintas e modelos sociais.
A conversa agradava-me.
Sem saber como o assunto foi parar ao banho.
Pareceu-me má ideia.
Mas eles avancaram.
Um dos africanos explicava orgulhosamente que só tomava dois banhos por semana.
"Dois?"
"Sim, habituei o meu corpo a essa quantidade de banhos."
"Habituaste?"
"Sim. Não trabalho nas obras, estou sentado em frente a um computador, porquê tomar banho?E não cheiro mal. Eu sei que não cheiro mal."
"Mas já perguntaste a alguém?"
"Eu sei que não cheiro. Lavo o sovaco todas as manhãs!"
"Bom...assim já me parece bem mais espectacular."
Por curiosidade e percebendo que era o único estupefacto, resolvi perguntar ao outro africano.
"E tu?"
"Quatro vezes por semana. Mais uma se for ao ginásio."
"É por isso que estragas a pele!", diz o outro africano.
Continuei com o inquérito e passei aos suecos.
"E vocês?"
"Dia sim, dia não. No inverno não suo muito."
"E vocês lá no sul?"
"Bem, nós no sul deixámos de tomar 2 banhos por semana a partir do séc.XIX. O cheiro incomodava e os franceses quando nos tentaram invadir não trouxeram perfumes para a troca!"
Comeca o burburinho na mesa...
"Pois já tinha ouvido dizer que se lavavam mais no sul".
"Um amigo meu tinha uma namorada italiana e teve que comecar a tomar banho todos os dias senão..."
"Eu quando estava na escola tinha que tomar todos os dias porque me sentava entre duas raparigas e..."
Achei melhor interromper com a questão que se impunha.
"Nunca vos passou pela cabeca, pelo menos em adultos, ir ao duche só porque sim? Pelo cheiro a lavado? Pela aquela sensacão boa de ausência de cola?"
Pelos olhares de espanto percebi que não.
Por outro lado, estava ali explicado, preto no branco, porque é que muitos dos meus colegas cheiram a refugado às 9 da manhã.
E o mais incrível é que o ser javardo é aceite como uma diferenca cultural.
É assim e está tudo bem.
Cheira a cebola no tacho com azeite?
Cheira sim senhor.
Mas é fashion.
Pergunto-me, quem terá sido o génio que mudou de assunto?

segunda-feira, maio 11, 2009

Crónica dos bons malandros

Agora que todos estão oficialmente nas posicões combinadas já se pode falar.
Terminou o campeonato e terminou tudo em bem, se me é permitido.
Para a história ficará o vigésimo quarto (se não me engano...) título do Porto.
Isto porque entre nós a história escreve-se com a mesma caneta que o Estaline usava. As partes que não interessam são apagadas.
Pois para mim este ano ficará na memória. Pelas piores razões mas ficará.
Foi o ano em que a corrupcão desportiva atingiu o seu pico, actuando livre e descomplexada. Sem o mínimo de vergonha, foi malhar até partir.
Aproveito também para dizer que apesar do tom vermelho que por vezes me afecta as lentes, não tenho qualquer problema e fair-play em reconhecer a justica da vitória a qualquer adversário. Já o fiz várias vezes, a última das quais no ano passado. Aproveito também para dizer que há muito que defendo que os casos de corrupcão investigados são a ponta do iceberg porque os anos em questão (os do Mourinho) foram aqueles onde o Porto foi esmagadoramnete superior, com um plantel magnífico e com um brilhante treinador. Nesses anos foram justos campeões. Isso não justifica as ilegalidades praticadas e muito menos justifica todas as cambalhotas legais realizadas para invalidar provas que todos ouvimos. Ainda assim e é aqui que quero chegar, o mérito desportivo dessa equipa é inquestionável.
Esse não é contudo o cenário desta época. O Porto venceu o campeonato com uma equipa de bons rapazes (hulk, lisandro e rodriguez/lucho meia época) e sem banco. O Benfica por seu lado tinha claramente o melhor plantel. Uma equipa que se dá ao luxo de deixar N.Gomes, Cardozo, DiMaria e Katsouranis no banco tem que ser campeã, pelo menos em Portugal.
O Sporting como sempre (ou pelo menos desde que os violinos se calaram) não entrou nestas contas. Se não me engano nunca chegaram ao primeiro lugar. Fizeram o seu papel. Calados, obedientes, a chorar na hora certa e a recompensa chega pelo terceiro ano seguido (10Meur). Pode parecer que não, mas para um clube em falência técnica, esta lealdade significa sobrevivência.
A época divide-se em duas partes: antes do Porto-Benfica e depois desse jogo.
Na primeira parte o Benfica andou sempre entre o primeiro e o segundo lugar. Foi vítima de arbitragens como eu nunca vi na minha vida e teve que jogar jornada após jornada contra 14. Não vale a pena dissecar os casos novamente, eles estão espalhados por todo o lado. Setubal, Nacional, Leixoes, Naval, Guimaraes, Rio Ave foram os casos mais gritantes. Custaram pontos e nunca permitiram descolar dos adversários. Apesar dos meses de castanhada, chegámos a Fevereiro, dois meses do fim da época, com a hipótese de recuperar a lideranca. No jogo contra o Porto, dominámos do primeiro ao último minuto e foi mais um penalti de cartola que os salvou. Esse jogo mostrou, entre outras coisas, qual das equipas era superior e mostrou também até onde se iria para atribuir este campeonato aos pagantes.
A partir daqui ainda houve uma ligeira reaccão do Benfica, anulada por uma série de jornadas com o "penalti Lucho". Quando o Porto saiu da liga dos campeões o campeonato já lhes tinha sido entregue. Mesmo assim e com o Benfica de gatas, ainda consegui ver um penalti e golo legal ignorados na Luz (Guimarães) e um árbitro a quem só faltava bater os pontapés de livre (marítimo). Também aqui o objectivo era claro: entregar o segundo de bandeja aos calimeros. Cada um com o seu prémio.
Há erros internos que devem também ser assumidos. Jogar a época toda sem os dois avancados, insistir no Amorim na direita, embirrar com o Léo, a ineficácia a defender (os golos do trofense não cabem nos regionais) e a clara falta de fio de jogo (metade da época foi de chuto para a frente e o Suazo que corresse...) mostram que nos treinos se passa muito tempo em banhos e massagens. A absolutamente miserável prestacão na Uefa e na taca de Portugal são entre outras coisas, motivo de vergonha. Um plantel destes, a jogar em campos inclinados ou não, tinha que suar mais a camisola (vejam o Maxi por exemplo, que é coxo dos dois pés mas não desiste de nada!), tinha que correr mais e tinha sobretudo que ter um pulso firme e motivador por trás. Quique falhou, mas acho que deve continuar.
O fim de época tem sido pouco mais do que penoso e nada justifica a falta de motivacão e empenho que colocam em campo. Que eu saiba os salários chegam todos os meses a tempo e horas. Esse é o único motivo que precisam para deixar a pele em campo, por isso, facam-me o favor! Motivacão preciso eu para os aturar e sofrer durante 90 minutos...e faco-o de borla!
E agora?
O futuro, ao contrário do que dizem os católicos, não pertence a Deus.
Já está a ser planeado e não me parece que seja muito diferente do presente. Guilherme Aguiar prepara-se para voltar para a liga e prolongar os anos dourados.
Os 41 jogadores emprestados (sim, são 41) vão continuar a contribuir na medida das possibilidades e os treinadores emprestados também. O Olhanense que se prepara para subir já tem tudo o que é preciso para o sucesso (jogadores emprestados e Jorge Costa a treinar - uma espécie de Domingos "não estava a olhar" Paciência). Reyes, segundo leio vai seguir o caminho de Rodriguez e mudar-se para Gaia. Parece que não mas campeonatos inclinados com acesso a milhões fazem alguma diferenca. É um ciclo difícil de quebrar. A coisa está portanto bem encaminhada para mais uns anos do mesmo.
Há quem defenda que o Benfica deve sair da liga portuguesa e ingressar na espanhola. Seria engracado. Por um lado o Benfica em Espanha estaria a lutar com o Osasuna para não descer de divisão, por outro lado a liga portuguesa ficaria na bancarrota porque a marca que gera dinheiro não estaria cá (sim, ou acham que são as cores das cadeiras vazias em alvalade que trazem dinheiro?). Neste momento e sem a mama da LC, são os sócios do benfica e adeptos que suportam o clube (vejam as assistências na Catedral, apesar de tudo) e é por isso que eu acho que qualquer solucão fora da liga portuguesa não faz sentido. Há que ficar, roubado ou não, e suar a camisola de Agosto até Maio. Depois logo se vê. Mais cedo ou mais tarde os tribunais funcionarão.

quarta-feira, maio 06, 2009

O camarada Vasco

Nesse tempo longínquo em que os japoneses ainda não tinham inventado a playstation e os putos esfolavam joelhos na rua, Vasco Granja era uma referência.
Parece-me que a minha geracão via os seus programas com uma e uma só dúvida: "Falta muito para a pantera cor-de-rosa ??"
Reconheco hoje o trabalho de divulgacão e as diferentes perspectivas de animacão apresentadas.
Hoje, claro.
Na altura perguntava-me se a Roménia e a Checoslováquia ficavam no bairro do lado.
Ainda assim, Bugs Bunny, Tintin e outros marcavam a diferenca para a animacão sanguinária que hoje se consome.
Aos meus olhos pareceu-me um crescimento mais "saudável" para o qual Vasco Granja, indiscutivelmente, contribuiu.

terça-feira, maio 05, 2009

"That's one small step for [a] man, one giant leap for mankind"


O rio ali em frente é o Göta.
Não é o Tejo.
O céu apresenta-se cinzento e não "azul-fabuloso" (uma cor inventada por mim).
Não resta qualquer dúvida de que não estou na capital do império.
No entanto...
O pequeno-almoco inclui um pastel de nata e o Público em papel.
Se isto não ofusca a aterragem do Nelo e do Buzz, não sei o que vos diga.


segunda-feira, maio 04, 2009

Trettiotvå


Há duas coisas na vida que nunca andam para trás: o tempo e um caranguejo coxo.
Um pequeno piscar de olhos e já está.
Tempo.
Que passou sem avisar.
Visto daqui, tudo aconteceu ontem, tudo são memórias frescas.
Actualizando a contagem dos meus dias, 11680 hoje, mais coisa menos coisa.

sábado, maio 02, 2009

Sobre a agressão a Vital Moreira

Há que lamentar e concluir que entre nós ainda há bárbaros que não sabem o que é a democracia e a liberdade.
A partir daqui evitava-se o folclore...
. Se Vital Moreira devia passar numa manifestacão cheia de militantes comunistas (era o que faltava ter ruas divididas por cores partidárias!)
. Se a CGTP (e por arrasto o PCP) devem ser responsabilizados (desde quando é que um partido pode ser responsável pela educacão individual de cada um de nós??)
. Se alguém deve pedir desculpas (Carvalho da Silva lamentou o facto e isso parece-me suficiente...mais é assumir culpas que não tem)

Atrasados mentais há em todo o lado. Infelizmente Vital Moreira passou perto de um na altura errada. E é isso que há a lamentar. A falta de educacão, de civismo e de cultura democrática.

Espero que não te tenhas esquecido dos "souvenirs"

É assim mesmo rapaz.
Já que é para roubar, fá-lo com estilo.
Não te preocupes com a publicidade. Nas próximas eleicões os otários voltam a votar em ti.

sexta-feira, maio 01, 2009

1 de maio, dia do trabalhador


Aproveitando o sol (estão 22 graus às 7 da manhã aqui no Ártico!) resolvemos dar um salto à ilha aqui em frente onde uns amigos têm uma casa de verão.
Sabendo que estão a fazer obras no jardim ofereci a minha ajuda. O talento não é grande mas sempre dá para cavar uns buracos e alombar com umas pedras.
Ele...visivelmente esperancado diz-me: "já sei onde é que me podes ajudar! Tenho que levantar um muro e..."
Meu deus...este gajo não sabe onde é que se está a meter.
É altura para dizer que antes de colocar o primeiro tijolo já sei qual será o resultado final.