
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
The boat
Ninguém sabe as causas e a investigacão continua. Por enquanto sabe-se apenas que falhou a pista o que não deixa de ser estranho. O aeroporto de Amsterdão não é propriamente o de Vanuatu...
Contudo e porque esta companhia foi admitida na Star Alliance há relativamente pouco tempo, resolvi investigar um pouco.
Eu, que detesto voar, olho para a Star Alliance como "o clube dos que aterram". Quando a Turkish e a Egyptair foram admitidas fiquei de cabelos em pé. Nada contra esta malta mas o historial fala por si. Espalham-se demais para o meu gosto.
De modo que fui ao amigo google...
Depois fiz o mesmo para a Egyptair, SAS, LOT, United (nestes então era preferível que se dedicassem aos barcos...) , South African, Lufhtansa e TAP.Mais valia ter ficado quieto.
A TAP é (de longe!) a companhia com melhor historial. Um único acidente em décadas.
Ora, sendo um dos meus sonhos dar a volta ao mundo, a pergunta que se impõe ao camarada Fernando Pinto: para quando mais 3000 rotas?
Uma de Gotemburgo para Lisboa, claro...
E nem quero ouvir falar em dinheiro Fanã. Pede ao Zé que ele anda um mãos largas.
Play it again Sam!

Ainda assim, os referidos clientes (usemos os nomes Balsemão & Cia só para facilitar a visualizacão) acham que o governo tem que garantir todos os investimentos feitos.
Trocando por miudos...os investimentos de risco do género "dou 1 e recebo 10" devem agora ser cobertos pelo Estado ou pelo menos 100% do capital investido.
O ministro mandou-os pastar e disse que o BPP (que tinha gerado tais expectativas aos clientes) é que tinha que desatar o nó. Os clientes ficaram insatisfeitos porque a garantia do BPP por si só não vale nada.
Ora...não me parece que fosse essa a opinião há uns anos atrás quando brincavam ao monopólio dos ricos.
O ministro fez o que tinha a fazer. Nada a dizer. Para ser sincero até acho que fez demais...qualquer euro gasto no BPP é um crime. Já foi uma asneira dar uma garantia para os depósitos. Cobrir estes investimentos seria um escândalo.
O que me supreende (apesar de tudo) é a lata de quem vem exigir seja o que for ao governo depois de andar a usar e abusar da especulacão. O que é que nós, contribuintes e comuns mortais, temos a ver com os riscos assumidos de quem quer multiplicar dinheiro sem trabalhar?
Já não há um mínimo de vergonha?
Por acaso dividiram os lucros anteriores com quem está agora a tapar o buraco?
Sejam homenzinhos, tenham vergonha na cara e mastiguem lá o sapo sozinhos.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
A contar
O ponto desfocado
Há uns anos atrás, um amigo economista perguntou-me se estaria interessado em investir na bolsa. Ele sabia que a empresa B ia comprar a empresa A e assim sendo, as accões de A subiriam bastante.
Eu, que sou um leigo na matéria perguntei: "Mas sobem porquê?"
Ele explicou a parte técnica: "Sobem porque sobem. É um fenómeno económico".
Apesar de não ser a minha horta confesso que fiquei desconfiado com tamanho fenómeno.
"Mas como é que se multiplica o dinheiro?", insisti.
"É assim. Um fenómemo. Está nos livros."
"Mas se é assim tão maravilhoso porque não deixam todos de trabalhar e vão antes multiplicar salários para a bolsa? De onde vem esse dinheiro multiplicado? Onde é que se gera a riqueza?"
Acabei por não investir nada. Todo aquele milagre da multiplicacão me pareceu muito artificial.
Escusado será dizer que dinheiro no bolso também não abundava, pelo que preferi não experimentar.
E assim fiquei até hoje.
Leigo e sem multiplicacão de pães.
Prova-se por A+B (gosto desta expressão...) que foi essa ganância sem limites, suportada numa multiplicacão artificial de dinheiro que nos deixou neste cenário de falência diária. Foi o capitalismo absolutamente selvagem que nos trouxe aqui.
Agora pensemos na solucão.
A classe média (a nível mundial) vai-se reduzindo à medida que o desemprego aumenta. Os que ficam com emprego continuam a pagar impostos e esse é o único dinheiro (juntamente com o aumento da dívida externa) que cada país terá para investir no combate contra o desemprego. O investimento público (como se está a fazer em Portugal) não é a melhor forma, mas é neste momento a única de criar alguns empregos, aumentar o consumo e meter o dinheiro a girar. Claro que essa situacão não é suportável eternamente mas cria durante um período (que se esperea curto) mais emprego, esperando que a retoma seja rápida.
Mas como é que isto é feito?
Com os impostos que todos pagamos.
E agora pergunto. Eu contribui 0% para o problema actual, nunca incentivei qualquer especulacão, nunca fugi a qualquer imposto. No meu bolso nunca entrou nada. Porque tem o mesmo bolso que estar na linha da frente para pagar? Porque tenho que estar preocupado diariamente com a crescente instabilidade de emprego para a qual nada contribuí?
Revoltante.
Como diz um amigo...fico um pouco f***** não é?
É altura de sermos solidários. Compreendo isso. Temos que puxar todos para o mesmo lado. Muito bem.
Espero contudo que no fim deste terramoto nada fique igual e que os reguladores apertem o cerco ao milagre da multiplicacão do oxigénio.
No meio desta merda toda ainda ouco economistas americanos a dizer que o estado ao investir dinheiro para segurar emprego e empresas, se está a transformar num estado socialista (que é como eles chamam aos comunistas) e que o país corre o risco de perder a liberdade.
É de bradar aos céus.
Qual é a solucão génio? Se ninguém compra, vende ou produz, como é que se mete a roda a girar de novo?
Quanto mais leio sobre o assunto mais preocupado fico. Não há sítio do mundo que não esteja a engrossar a fila de desempregados. Ninguém está a salvo desta crise. Quanto mais tempo ela durar maior será a possibilidade de sermos arrastados.
Aqui ao lado, na Noruega, o governo vai avancar com investimento público (nas linhas do comboio) para que o desemprego não ultrapasse os 5%.
Claro que há dias, como o de hoje, em que venho para o trabalho anestesiado pela música certa, com a vista do rio e com um céu azul que insiste em me acordar. Nessa altura a crise é apenas um ponto desfocado na fotografia. Em primeiro plano, com uma cara pintada pela minha imaginacão surge o meu filho.
Só faltam 3 semanas e a minha ansiedade comeca a atingir os níveis de "despacha-te puto!!".
Esqueco-me dos Madoffs deste mundo.
A vida é infinitamente bela.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Sesimbra, Loures ou até Rio de Janeiro...é a divertir minha gente!

Deixam-me deprimido.
Ambos.
Sim, os dois.
A importacão de uma festa que não é nossa, comecando por essa aberracão de ver matrafonas em biquini no sul da europa em pleno inverno, não me parece ter qualquer sentido.
Aquela folia do "mamãe eu quero" entre pingas de chuva e casacos, não encontrando melhor adjectivo, direi apenas que é estúpida.
Já temos os santos populares, festa essa típicamente lusa que acontece na altura certa, com calor qb, com a bela sardinha e tinto do garrafão a regar os bailes da mouraria. Evitamos o ridículo do samba com chão molhado.
C-L-A-R-O que se me disserem "mas ó Tiago e no Rio de Janeiro?"
Aí já a música é outra.
Imagino que no Rio de Janeiro a folia esteja em harmonia com o tempo, com o ambiente, com a disposicão, com a tradicão.
Em suma...parece-me que fará sentido.
Até que num destes fevereiros da minha vida eu esteja no Rio de Janeiro rodeado de alegria genuina do Carnaval, continuarei a achar que a vida são muito mais do que 3 dias.
sábado, fevereiro 21, 2009
Vergonha
Para bem do meu coracão só vi a 2a parte.
Não me lembro de ver tamanha miséria desde que o Nelo, o King e o Tavares jogavam neste equipa.
Foi um massacre de bola tal que até acho o resultado porreiro.
Os calimeros não passaram a ser uma boa equipa esta noite. São a mesma merda de sempre. Nós é que resolvemos não aparecer em alvalade.
Uma equipa com N.Gomes, Cardozo, Suazo, Reyes, DiMaria, Aimar, Luisão, Katsouranis e Sidnei não se pode encolher perante Liedson+10. Simplesmente não pode.
Já agora...e tendo em conta que o biafra já nos espetou 10 golos, qual é o treinador que se vai dedicar a estudar formas de o marcar? Ou é preciso fazer um desenho?
Agora, o resultado prático disto.
O campeonato acabou e está entregue ao porto.
Como o povo diz (e com razão) não são estes jogos que decidem campeonatos, são os jogos com os pequenos. Este jogo só se tornou importante depois de uma volta inteira de gamanco culminado com essa cereja, no estádio do dragão.
Hoje o benfica jogou mal e perdeu. Ponto final.
Essa tem sido aliás a grande diferenca. O benfica quando joga mal perde ou empata. O porto jogue bem ou mal, vai ganhando com as ajudas que entretanto se tornaram escandalosamente descaradas. É isso que justifica a classificacão deste momento. O jogo de hoje é apenas um acidente. É (como de costume) o jogo do ano para os calimeros e aquele em que eles decidem o seu campeonato. O porto é que é o adversário.
Contudo e se bem conheco as tendências primavera/verão, hoje foi o fim. As roubalheiras anteriores ainda não tinham afectado muito a equipa porque esta se aguentava no topo da classificacão. Agora, depois de esta exibicão de merda e mesmo admitindo que os árbitros comecem a aligeirar (a obra já está feita), o moral já não deve dar para muito.
A época acabou.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Penalty n 576 para a mesa do fundo sff!
Eu pensava que neste campeonato o Porto só jogava com 14.
Enganei-me.
São mais, bem mais.
Em roma sê romano
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Trollhättan, essa bela localidade

terça-feira, fevereiro 17, 2009
Saudade

Quilómetros de fita com provas de corrupcão desportiva ignoradas e arquivadas porque o tipo de prova não é válida em tribunal.
Acordos assinados entre governos e concessionárias de estradas, sendo o ministro que assina aquele que mais tarde gere do lado privado.
Dinheiro dos contribuintes gasto sem qualquer pudor na construcão de estradas inúteis e no resgate de bancos com actividades ilegais.
Em pleno séc.XXI, Lisboa uma cidade cosmopolita, ainda manda 30% dos seus esgotos para o rio.
Um bloco central que usou e continua a usar 35 anos de democracia para distribuir e multiplicar cargos públicos por gente que nunca trabalhou na vida.
Um país (governo e populacão) que usou 17 anos de fundos da UE para crescer 0% e criar riqueza própria digna de um país como a Namíbia.
Um povo que insiste nas queixas e na dependência do Estado até à náusea.
Uma cultura de chico-espertice que parece querer reinar e onde trabalho e honestidade só dão acesso às filas de trânsito.
Um país destruído pelo cimento e pela corrupcão das autarquias.
Empresas onde o bom funcionário não é o que produz mas o que fica mais tempo.
Escolas que passam miúdos sem que estes tenham o mínimo de aproveitamento em nome das estatísticas, criando uma geracão que mal sabe falar e escrever.
Empregos onde uma geracão de académicos luta por salários que desaparecem na renda da casa.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
A crise
É até eles dizerem que "sim", ou "não"...também serve

sexta-feira, fevereiro 13, 2009
O charuto

Já falei neste assunto, mas volto à carga.
Segundo o site do governo regional dos Acores, foi assinado um acordo com a Bombardier para a renovacão da frota da Sata. A notícia já tem uns meses e não sei se o acordo foi ou vai ser cumprido.
Ainda assim...
Há poucos meses a SAS (Scandinavian Airlines) colocou todos os seus DASH no chão depois de vários incidentes e falhas atribuidas ao construtor. Um novo acordo foi feito e a Bombardier teve que se chegar à frente para lavar a cara. Nessa altura referi este exemplo para justificar o mau negócio que a Sata se preparava para fazer.
Hoje, sem saber se estes aviões já estão ou não nos Acores, volto a insistir na ideia. Esta noite espalhou-se outro destes aviões numa viagem entre NY e Buffalo. Na aviacão não existem coincidências. A taxa de acidentes é baixa e continua a ser o meio de transporte mais seguro (estatisticamente falando). Neste cenário (de poucos acidentes), quando os "azares" acontecem mais a uns do que a outros cria-se uma evidência matemática.
Tudo são números.
Números que devem ser apreciados na altura de decidir.
Uma vez no ar é só confiar na estatística.
Vá César, pensa lá nisso.
Continuo Out

Comeco a ficar preocupado.
Talvez seja altura de comprar a enciclopédia da federacão dos planetas.
Já não chega tentar perceber sueco. Tenho também que perceber dróide.
Tenho um colega que é normalmente bem humorado. Passa a vida a armadilhar tudo o que pode, fala como se não existisse amanhã, sabe do "diz que diz" todo e raramente pensa antes de falar. Filtros não existem.
Podia ser português. Tendo em conta que viveu no Algarve até aos 6 anos e vendo o personagem hoje em dia, acho que ficou qualquer coisa de luso naquela costela viking.
É em resumo boa gente, como se diz na minha terra.
Um destes dias chega ao pé de mim e diz: "Olha lá, o X disse que quando esteve contigo em Portugal conheceu uma amiga tua muito simpática."
"Ah sim, a Y ! É uma amiga de longa data e blá, blá..."
"Olha lá...ela é solteira??"
"Epá...sim...mas o que é que isso interessa??"
"Vá...sabes que eu estou à procura de namorada!!"
"Está bem...está bem....mas não devias tentar nesta cidade primeiro?"
"Epá...já tentei...somos só 500 000....não há muita escolha!"
Fiquei um pouco atónito, dada a frontalidade.
"Mas o que é que queres que eu faca?"
"Porque é que não me apresentas a tua amiga? Ela está no msn??"
"Sabes...na nossa cultura nós gostamos de nos conhecer, ter tempo para falar, procurar a outra metade...esse tipo de coisas. Ainda não estamos na fase de arranjar companhia pelo catálogo. Acho que não te posso ajudar aí camarada...
Se quiseres, vens comigo a Portugal no verão e logo fazes uma tour do amor...somos por natureza um povo simpático e comunicativo.
Comunicacão é o segredo da coisa. Deixa-te lá de pesquisas na net..."
"Mas o X disse-me que as miúdas em Portugal são todas do tamanho de R2D2. É verdade?"
"R2D2?? Quem é esse gajo pá?? Não me digas que também anda de licra com o Spock??"
"Não pá...é o do Luke!!"
"Lucky Luke?? Não era Jolly Jumper??"
"Luke Skywalker Tiago, Luke Skywalker..."
"E esse já era amigo do Spock?"
"Star Wars pá!! Passaste a infância numa caverna??"
"Não, passei-a na rua!!"
"Mas quem é esse R2D2 afinal??"
"Ah...podias ter dito logo...sim, não há muitas portuguesas com 2 metros como tu. Porque não tentas na Noruega?? São mais o teu estilo. Assim para o poste."
"Não...têm uma língua esquisita..."
"Não vais sempre no verão para Espanha? Vê por lá..."
"Falam muito alto..."
"És difícil tu...assim não te safas...vem a Portugal comer um salmonete grelhado e verás a vida sob uma nova perspectiva"
"Na do R2D2?"
"Provavelmente.
Agora que te ajudei, esclarece aqui uma dúvida que me incomoda há uns bons 3 minutos."
"Diz."
"O planeta terra pertence à federacão dos planetas ou não nos misturamos?"
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
O segredo

quarta-feira, fevereiro 11, 2009
O milagre
Sejamos sinceros.Para Portugal chegar ao mundial não precisa de golos, precisa de um milagre.
Mantenho a conviccão de que Queiroz não consegue motivar um gajo que atravessou o Sahara a beber um copo de água.
A equipa não tem alegria, garra ou confianca.
Experiências Queiroz?
Nesta fase da época?
Orlando Sá, Duda, Rolando...quem são esses gajos?
Pepe no meio-campo?
Meireles que não consegue correr mais do que 10 minutos e faz 80% dos passes para trás?
Bruno Alves que até contra a Finlândia consegue fazer penalties?
Ricardo Carvalho, Bosingwa, Nuno Gomes, Simão, Moutinho, Meira. Conheces?
Já não há mais tempo a perder. Queiroz rebentou em meses o prestígio acumulado em 5 anos. Desde os tempos em que tinha que ver Jorge Plácido, Rui Barros e Folha com a camisola da seleccão que não sofria tanto...
Não estaremos presentes no mundial. Ponto final.
A jogar desta forma até podemos considerar isso positivo.
A vergonha é menor...
Em marco, depois do jogo da Suécia, acabará o balão de oxigénio de Queiroz.
Quem sabe até de Madaíl.
E qual será o preco a pagar?
A qualificacão para um mundial com uma equipa de topo.
Podia ser pior.
...
Não pá!
Não podia nada!
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Cebola no tacho com azeite a ferver









Pé na rua e chão branco.
Calma. Devagar. Devagarinho.
O neurónio comunicou lá para baixo e na sala dos motores deixaram de meter lenha. Pé ante pé e mãos nos bolsos.
Vim em passo de turista para o trabalho.
Até tirei fotografias para não desfazer o cenário.
Perdi o eléctrico? Claro.
Mas porquê? Não corri para o apanhar?
Claro que não.
Mas, a questão que verdadeiramente importa: tenho ainda as duas pernas inteiras?
Certo. A direita do apoio e a esquerda para rematar.
Chegar atrasado ao trabalho acho razoável. Perder a futebolada é que não.
Gosto do caminho de cada manhã.
Normalmente faco-o a todo o vapor e nem tenho tempo de olhar para o lado.
Hoje aproveitei para apreciar cada passo.
Todos os dias passo pelo edifício da Ericsson antes de entrar naquele onde trabalho.
Todos os dias digo o mesmo: "Ainda não é hoje que entro neste!"
Mas tiro-lhe as medidas.
Olho lá para dentro e vejo os relógios com a hora de NY, Tóquio...
Janelas grandes.
Design qb.
Pelo menos na recepcão...
Agrada-me.
Há também a vantagem de a crise passar um pouco ao lado desta malta. Não sofrem tanto como a indústria bate-chapa.
De qualquer forma o plano está tracado e se for cumprido, dentro de 2 anos o meu caminho para o trabalho encurta alguns metros.
No fim da passeata entro na Semcon e é aqui que vem a primeira dor do dia.
O cheiro.
Sou um camarada fácil de agradar.
Não peco muito a quem trabalha comigo ou pelo menos a quem se senta nas redondezas.
Banhoca.
É só isso.
Um dos companheiros de labuta já esgotou todas as hipóteses que o meu bom senso tentou arranjar para justificar o cheiro.
De manhã, no fim do dia de trabalho, na festa de Natal vestido a rigor.
Em todas as situacões um denominador comum: o cheiro a refugado.
Não é discreto. Não é suave.
Empesta a sala.
E dói na alma quando se vem a respirar ar puro logo pela fresquinha.
Convenhamos...nós não corremos muito aqui no escritório.
Estamos sentados em frente a um computador.
É só isso.
Não fazemos a maratona.
Não carregamos baldes de massa.
Não esfregamos o chão.
Estamos sentados.
Quietos.
Na melhor das hipóteses mexemos o cérebro mas não há memória de isso ter ligacão directa à axila.
Um simples banho.
Um desodorizante barato.
Já está. Problema resolvido.
É só isso.
Vá lá...séc.XXI, norte da europa, fartura de água. Não há desculpa possível.
És simplesmente javardo.
E agora vou respirar lá para fora.
10.30h...está quase na hora do almoco!
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
domingo, fevereiro 08, 2009
O jogo
A história não engana e nos últimos 15 anos apenas uma vitória para os que equipam bonito. Acho que é mais do que razão para não ver. Ainda assim, por muito que diga o contrário, não perco um...
Hoje, percebi claramente depois do intervalo que o golo do Yebda não estava no guião. O Pedrito comecou a distribuir alguns cartões e a intimidar os jogadores. O katsoraunis foi pisado num joelho, o Reyes levou uma joelhada nas costas. O que aconteceu? Nada. Business as usual. O Benfica defendia bem, tinha mais cantos, mais posse de bola.
Os jogadores do Porto podiam continuar a martelar mais 3h, nunca chegariam ao golo. Até que...
Até que Pedro percebeu que estava a ficar sem tempo e suspirou de alívio quando Lisandro mergulhou. Acho contudo que alguma discricão teria sido aconselhável. Lisandro Lopez estatelou-se por obra de Gasparzinho, o fantasma, a 2 metros do camarada Pedro, estando este de frente para o lance e sem ninguém a tapar. Foi mau de mais para disfarcar. E então? Então nada. Já não há qualquer vergonha neste campeonato. São 7 os jogos onde o Benfica perdeu pontos por causa dos árbitros. Este campeonato tem que ir para o Porto, custe o que custar. Hoje mais do que nunca isso ficou provado. O Benfica tem melhores jogadores e embora jogue normalmente pior (verdade seja dita), hoje foi a melhor equipa em campo. Nada disso interessa.
O Porto pode agradecer a Pedro Proenca este empate e consequente lideranca do campeonato.
Agora podem vir com a beca-beca do costume.
A verdade é só uma.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
O buraco

Alto e pára o baile.
Terei lido e ouvido bem?
A Teixeira Duarte enfrenta uma pequena embrulhada também conhecida como "falência técnica".
Sim, já sei que foram a correr dizer à CMVM que era só impressão. Pudera...
Mas, admitindo que de uma forma ou de outra este gigante do betão está em apuros, vejo-me obrigado a perguntar:
Então rapaziada?
O que se passou?
Contem ao amigo.
Entre metro, TGV, Alcochete e dezenas de estradas inúteis, não vos tocou nada?
E em Angola? Não foram no avião do Cavaco?
Camaradas...camaradas...estou com a ligeira impressão que apostaram no cavalo errado nas eleicões.
Não me digam que o cheque gordo foi para a campanha do Santana?
Como dizia um antigo professor "essa era de caras pá"! Estava-se mesmo a ver que era o Zé que ia papar aquilo depois da barraca do Santana com o Cenoura.
Bom...e agora?
Se não agarram uma das tetas da leiteira do costume (aquela alimentada a impostos) o que pensam fazer?
Podem concorrer no mercado global, que tal?
Já pensaram em falar com os chineses? Luanda é deles...
Vá. Pensem qualquer coisinha...eu sei que vocês conseguem.
Em desespero de causa podem fazer uma vaquinha aí no escritório para um novo cheque.
Estamos em ano de eleicões.
Mas desta vez acertem no cavalo pá!!!
E rapaziada, não é preciso ser um Einstein para perceber quem vai ganhar pois não?
O que fará aquele gajo no Bangladesh?
Diz a estatística que somos 5 milhões.Mais coisa menos coisa.
Eu diria "mais coisa" porque nem todos estão legais e de entre os que estão legais, muitos não passam no consulado para dizer "e aí cara?".
Depois desta estimativa (2002), muitos mais embrulharam a trouxa. Espanha foi particularmente invadida.
Não é por isso de estranhar que os números subam na próxima análise.
Ainda assim, percebe-se a secular frase "há um português em cada canto do mundo".
O mundo até parece pequeno.
As razões para a emigracão no séc.XXI não são as mesmas da metade do séc.XX.
Hoje ninguém sai de Portugal para fugir à fome, a uma ditadura ou a uma guerra. A única ponte comum é a busca de uma vida melhor. Seja lá isso o que for.
Tirando a vontade de experimentar algo novo em passagens breves pelo estrangeiro, ninguém emigra (definitivamente) porque quer. É pelo menos a minha opinião.
É vida é mais fácil quando falamos a nossa língua, comemos a nossa comida e vemos os sorrisos que nos enchem a alma.
Acho que posso dizer por esta altura que "está cientificamente provado".
Sair então porquê?
Porque se constata que há objectivos de vida, padrões de qualidade ou desenvolvimento profissional que estão permanentemente vedados para a maioria.
Sobra uma minoria situada no grupo do "conhece A", "estava no sítio certo na hora B" ou "o meu esforco foi compensado" (estes verdadeiramente raros).
Uma coisa é certa: horários decentes de trabalho, salários competitivos, funcões interessantes, reconhecimento profissional, boas zonas de habitacão, tempo para actividades, dia-a-dia sem trânsito ou empurra-empurra no metro, condicões para criar uma família, saúde e educacão pública de qualidade são factores que dificilmente se interceptam numa mesma vida.
Acho eu que são estas as razões para a emigracão portuguesa do séc.XXI.
Já pensei nisto milhares de vezes, já o disse umas centenas e parece-me que já atinge a dezena, o número de vezes que o escrevi. Nós poderíamos ter tudo isto para o grosso da populacão em Portugal. É isso que mais custa, vendo daqui.
O nosso país é pequeno e por isso fácil de administrar. Tem uma diversidade cultural imensa, uma costa fantástica e uma gastronomia única. O turismo de qualidade deveria por isso estar garantido (não o de massas). Temos gente inteligente em cada canto do mundo desenvolvendo tecnologia de ponta. Porque não o fazem em Portugal criando médias empresas de referência internacional? Temos um clima fantástico (em 70% do ano vá...) e uma boa rede de transportes (se os condutores repeitarem a faixa do "bus"). Porque não usamos bicicletas, andamos a pé ou usamos os transportes públicos (é aqui que se deve exigir ao governo e não nas auto-estradas!) em vez do velho hábito de levar o carro até à sala de jantar? Temos uma oferta cultural (teatro, concertos e espectáculos em geral) que não nos envergonha perante qualquer capital europeia, pelo contrário. Porque passamos uma vida inteira a ver novelas da TVI em vez de sair de casa? Muitas destas actividades são de borla...
Quando acabou a IIGG Portugal era um dos poucos países com dinheiros nos cofres do Estado. Tal como a Suécia por acaso...
Porque não usámos esse dinheiro para desenvolver ("abrir") o país? Porque passámos 30 anos de democracia a criar uma dependência doentia do Estado? Porque nos deixámos envolver pela teia da corrupcão sem qualquer protesto civil?
...
Enfim, o que quero dizer é que não existe razão nenhuma (pelo menos natural) para sermos pobres e atrasados.
E essa é a realidade. Por muito que me custe dizê-lo.
Não fosse a ainda mais miserável Grécia e estaríamos no fundo da tabela em todos os parâmetros de desenvolvimento da UE.
Olhar para Portugal hoje em dia é como olhar para um diamante em bruto que ninguém quer lapidar.
Não me alegra vê-lo daqui. Só me entristece.
Tal como disse lá em cima, a vida é muito mais fácil quando sabemos para que lado o vento sopra.
Perceber que durante o nosso tempo de vida nada mudará, mais do que a constatacão de um facto, é um pequeno pesadelo.
Valeu a pena
terça-feira, fevereiro 03, 2009
The dark side of the moon
É o que rezam os noticiários.
Centro e sul da Europa fustigados pela mãe natureza.
Reportagens em directo do local, uma das grandes especialidades dos jornalistas lusos, mostram-me profissionais da comunicacão de galochas e cabelos ao vento. Há que passar emocão para o ecrã. Quase que abro o chapéu em casa.
Também não será de rejeitar toda o leque de emocões oferecido a quem disfruta de uma boa fila de trânsito dentro do seu anfíbio.
Ouvido no rádio e "8 da manhã...a fila para a ponte 25 de Abril está na segunda ponte do Feijó e.."
Aqui acho que apanham todos os condutores da A2 de supresa. Com esta ninguém contava.
E ouvi-lo com as gotas de chuva a lascar no vidro deve ser aquele conforto.
Estarão os deuses loucos?
Não.
Colhemos apenas os frutos da nossa irresponsabilidade ambiental (em parte).
Bons velhos tempos com 4 estacões.
"Então e tu Tiago?", perguntam desse lado.
Eu estou a bater o dente.
Zero graus, como diria Laplace, são zero graus.
Mas não vejo chuva há semanas.
Vejo é o céu.
Azul.
E o sol.
Amarelo.
Por uma vez na vida parece que estou no lado certo da lua.
Ou então estão mesmo loucos.
Eles.
Os deuses.


