sábado, janeiro 31, 2009

O entalado

Segundo o jornal de ontem, a carta rogatória das autoridades britânicas contempla 4 nomes de nacionalidade portuguesa. Um deles é o de Sócrates.
São suspeitos de terem solicitado, recebido ou facilitado pagamentos relevantes para o processo.
Independentemente dos 4 anos que a carta demorou a chegar, o facto é que existe e vem com um carimbo difícil de ignorar.
Assim sendo, e dada a gravidade da coisa, não resta outro cenário a Sócrates que não seja um explicacão pública de toda esta salganhada.
Qualquer outra atitude indiciará "rabo preso".
E nesse cenário, as eleicões são a menor das preocupacões de Sócrates.
Espero sinceramente que exista algo com pés e cabeca para se dizer neste momento.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

A República


Tenho andado a fazer contas à vida.
Contas filosóficas, entenda-se.
Não caminho para novo e, embora o Benjamin Pitt me tenha dado alguma esperanca, cheira-me que essas coisas não acontencem fora da Califórnia.
Acompanho as notícias na sua forma "tema do mês".
Depois dos assaltos a bombas, do surto de gripe no natal, vem agora o desemprego.
Todos os dias uma nova multinacional a sair do país. Todos os dias mais não sei quantos na rua, um pouco por todo o mundo.
Já tenho saudades de um belo assalto. Isso é que eram notícias.
Só me faltam 5 anos para a reforma, não tenho PPR e não sei quanto mais tempo consigo passar entre as gotas do despedimento.
Tenho reparado no mercado de emprego em Portugal e constato que está óptimo para quem quer trabalhar ali na zona de Luanda, como quem vai para o Marquês.
As portas fecham-se.
Vem um puto a caminho e isso puxa-me pelo lado responsável. Quero um lugar ao sol, um emprego que me permita descansar durante a reforma que iniciarei aos 35. Dava-me jeito que fosse bem pago também para poder comprar aquele monte em Mora, mesmo ao lado do Sousa Tavares.
Vistas bem as coisas e depois de alguma investigacão cheguei a uma conclusão: quero ser político.
Não porque a crise económica passe ao lado desta classe.
Quero servir o povo.
Não estou preocupado comigo.
Quero apenas servir a comunidade.
Acho que até tenho jeito.
Gosto muito de falar.
Adormeco muito bem em cadeiras fofinhas.
Quero ser deputado.
É isso.
Vereador de uma câmara em Fornos de Algodres não me interessa.
Ministro também não que é preciso responder a muitas perguntas.
Secretário de Estado ainda marcha. Mas no ministério dos negócios estrangeiros. Acho que aí é que posso servir o povo como deve ser.
E comer grandes tachadas de massa de cherne com a Clinton quando ela nos visitar.
Sempre a servir o povo.
Mas o meu sonho é mesmo a AR.
Deputado de um partido de esquerda que não tivesse posicões muito idiotas ou o rabo preso pelo clientelismo.
Bem....
Também não posso querer tudo.
Pronto....um partido que me permitisse fazer 3 mandatos e conseguir aquele PPR à prova de bala.
Agora que está decidido, como é que faco?
Chego a Portugal, preencho a proposta de sócio, pago as cotas, recebo um cartão mas não vejo jogos de borla. Acho que é isso.
E depois?
Como é que faco para repararem em mim?
Tento apanhá-los nos mercados a falar para a RTP e meto-me atrás abanando a cabeca com alguma indignacão?
Já vi uns quantos gajos a fazerem isso com o Portas. Mas é preciso cara de almofada e franja pelo meio da testa. Não tenho hipótese.
Ir a um congresso e dizer umas bardoadas no palanque? Resultou com o Jardim.
Comprar um carro e ir fazer a rodagem? Huum....também já foi feito.
Arranjar um padrinho e esperar que ele chegue a líder? Como? Não conheco ninguém na Teixeira Duarte!
É nestas alturas da vida que uma pessoa percebe que tomou as opcões erradas....
Porquê All-star quando podia muito bem jogar à bola com os sapatos de vela??
Foi o primeiro grande erro. Abandonar prematuramente aqueles belos sapatos.
Nunca ter comprado o casaco verde pelos joelhos que cheirava a cavalarica.
Foi o segundo.
São pré-requisitos para se ser o "benjamim" de alguém nos partidos do bloco central.
Isso e a alergia ao trabalho.
Todo um caminho se definiu aí. Que mal pensado...
Bom, enquanto espero vou continuando a trabalhar.
Só para pagar as contas.
Mas despachem-se com isso que ninguém é benjamim aos 40 anos!
Que chatice...
Logo esta 6f que acordei com uma vontade enorme de servir o povo.
E acho que até digo "povo" com a entoacão correcta.
Com uma cara séria.
Sim, eu sei que daí não dá para ver...
Mas imaginem.
Assim como eu.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Se esta não é a melhor ideia desde a promocão 2X1 na telepizza, vou ali e já volto!

Pegar em 200 contos.
Viajar até o dinheiro acabar.
Relatar o dia-a-dia da viagem num blog.
Convencer um amigo a entrar no barco.
Chegar com esse dinheiro a Dakar.
Transformar esse relato num livro.

Brilhante.

Zlatan Ibrahimovic Franco


"Qual é o país que mais idolatra a sua bandeira?"
Foi a questão que me acordou e que de certa forma deixa a Humanidade no limbo da incerteza.
Tende calma minha gente, como se dizia na Valdozende natal de Jaiminho.
Eu sei a resposta.
Ignoremos o Kosovo que procura uma identidade, ignoremos os demais países dos Balcãs que assumiram essa identidade há relativamente pouco tempo, ignoremos os EUA que tentam há 200 anos meter mais de 40 estados debaixo da mesma bandeira.
Esquecamos pois esta malta.
A resposta é: Suécia.
O esquema da bandeira dá para tudo.
E quando eu digo tudo, é mesmo tudo.
Se vão viajar colocam uma fita amarela e azul na mala para a identificar (o que nos charters para a Tailândia repletos de suecos dá um jeito desgracado).
A roupa dos adultos.
A roupa dos miúdos.
As cores do IKEA.
As portas das casas.
Os palitos de festa.
As mochilas.
As canecas.
Os gorros.
Os alces.
As batatas.
Os brinquedos.
Os morangos.
O festival da cancão.
Já chega.
Não me apetece pensar mais.
Estou convencido que esta história da bandeira é (mais uma das) uma importacão dos EUA, onde a comunidade viking é grande.
Há a comida de plástico, as pipocas de 3Kg, os espectáculos de carros com rodas gigantes a esmagarem outros carros...
Porque não a bandeira?
Que seja.
No entanto, quando pensava que nada mais podia levar as cores da bandeira, eis que chegou uma prenda para o novo inquilino.
Sempre a aprender.
.....
Como é que vou meter o puto ali dentro pá???

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Jogos a brincar?? Só na Playstation!



Pode até parecer um detalhe, mas não é.

Jorge, o Jesus, afirmou depois daquele roubo intenso no estádio da Luz que "A gente é melhores, mas não nos deixam ganhar. Só se for na Playstation."

Certo.

Eu até gosto do Braga. Equipam bem.

Gosto também de ver o finca pé que fazem em todos os jogos até aparecer o do Porto. Aí fazem sempre"o pior jogo da época". O facto de metade da equipa ser emprestada pelos "donos", será certamente uma coincidência.

Segundo rezam os pasquins, no Dragoum a receita foi a mesma. Golo em fora-de-jogo, penalties por assinalar, etc.

A diferenca esteve apenas no discurso.

Jesus Lord desta vez não soltou espuma pelos cantos da boca.

Desfez-se em elogios ao adversário.

Ora...

Ou Jesus como bom católico, depois da primeira estalada na Luz, ofereceu a outra face no Dragoum ou então, também como bom católico, vê um pouco mais longe.

Jesualdo, não te deixes dormir rapaz.

Freeport, the return



Aposto que não sabiam que Freeport é uma cidade nas Bahamas.

Comecamos pois a semana com uma informacão de alto teor cultural que estou certo, revolucionará toda a abordagem ao diálogo na máquina do café ou mesmo no elevador até ao sétimo piso.

Aqui vale a pena arranjar um escândalo. Há o mar, a off-shore, o sol, as praias. Todos os ingredientes clássicos para um escândalo financeiro. Além de tudo, não há um grande leque de opcões nas Bahamas. Nas ruas de Buenos Aires há tango, nos becos de Havana uma salsa, nas ruas de Nassau exibem corridas de 100m. Às sextas passam estafetas. Não há muito mais para oferecer. Se não aparece aqui ou ali um escândalo de lavagem de dinheiro, não vejo como pode o país resisitir à crise. Há algum glamour em gamar nas Bahamas.

Agora...em Alcochete?

Não me parece. Claramente enganaram-se no freeport.

Agora, vamos a factos.

Sócrates, o nosso zé, defende-se das acusacões classificando-as como perseguicões políticas. Do outro lado, justificam a data como uma imposicão das autoridades britânicas que só agoram "desbloquearam" dados para continuar a investigacão.

A mim, que não percebo nada disto, cheira-me a cozinhado.

Acreditar que a investigacão comecou "por acaso" em 2005, que ficou no silêncio durante 3 anos e que, novamente "por acaso" ou coincidência das autoridades britânicas, voltou a aparecer em ano eleitoral...huuuummm...

O mundo não é assim tão grande.

Independentemente da altura em que aparece a notícia, ela não deixa de ser notícia se for verdade. Dito isto, há que perceber duas coisas:

1 - Existiu ou não uma reunião para decidir a distribuicão de "luvas"?

2 - Se sim, estava Sócrates nessa reunião?

Tão simples quanto isto.

Se o tio, primo ou bisavô de Sócrates se metem em cambalachos, pouco importa. São cidadãos individuais que respondem por si.

O que me parece óbvio é o seguinte. Sócrates não é um primeiro-ministro perfeito. Longe disso. Ainda assim, é o melhor PM que o país já viu e o único que tentou organizar as contas do estado e colocar o país na rota do desenvolvimento. Pese o facto de tentar estimular a economia com investimento público (o que na prática significa enriquecer a Somague, Teixeira Duarte, etc), tem combatido alguns poderes instalados e a mediocridade reinante.

Estuda os dossiers e prepara-se. Não há grupo parlamentar que o consiga derrotar nos debates da AR. Tem tido a coragem de tomar algumas medidas muito pouco populares (o maior exemplo é o caso dos professores, onde ainda assim já recuou demais) e ainda assim a base popular mantém-se. A oposicão sabe-o e tenta tudo para o derrotar. Estando a via política tapada, sobra a dos escândalos.


Primeiro Sócrates era homossexual (o que interessava tanto para o cargo como saber se ele usava máquina ou lâmina para fazer a barba...), depois foi o freeport, seguiu-se o curso superior e voltámos ao freeport.
Pode até Sócrates ser um gajo desonesto.
Admito isso.
Pode disfarcar bem.
Mas, enquanto nada se prova, porque não tentam os demais medíocres (50% deles como problemas com a justica ou casos mal parados) vencê-lo no debate, nas propostas, nas idéias ?
Todos os dias o PM faz algo. Há 1000 hipóteses de ser melhor do que ele, de fazer melhor, de ter melhores propostas, de trilhar caminhos alternativos e de conquistar a opinião pública.
Porque não trabalham mais? Porque escolhem sempre a via mais curta?
A nossa oposicão é a mesma que rebentou o orcamento em frotas de mercedes, em submarinos que nunca viram o mar, em estradas desertas, em acordos de exploracão vitalícios.
É a mesma oposicão que acusa o actual PM de ser responsável pela crise em Portugal.
Pergunto...é a dizer/fazer baboseiras destas que se querem afirmar como uma alternativa?
Bem podem rezar por um novo freeport.
Nas Bahamas.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Venha de lá esse abano!







A parte positiva deste texto é o primeiro parágrafo.
Este que vai comecar.
Agora mesmo.
Assim:
Já não trabalho na Volvo!
E acabou.
Muda de linha e faz aquele espacinho.
Ou então não.
O projecto que pagou a renda no último ano e meio acabou agora. O carro (Volvo S60) estará para o ano num concessionário perto de si.
Não sei se anda.
Mas o airbag é um espectáculo.
Ouvi dizer.
E ainda bem que acabou.
Mais duas semanas e perdia o neurónio que ainda me resta.
Sempre queria ver como é que seguia o campeonato sem ele...
Mudei a tralha e estou num sítio diferente.
Este tipo de trabalho faz-me pensar que a tenda é uma aposta de futuro.
Um escritório para 20 pessoas, onde estou sozinho com dois colegas.
A crise também se senta aqui connosco no lugar dos restantes 17.
À minha frente uma parede de vidro com vista para a cidade que se deita no rio.
Ou pelo menos poderia ser assim se os gajos do estaleiro naval tirassem os barcos da frente!
Quem é que se lembra de montar uma Lisnave em frente a uma janela?
Ninguém.
Enquanto olho para o rio (por entre os barcos e o meu colega da foto) chegam as últimas.
O império Volvo continua a cair. Carros, camiões, autocarros, motores para indústria aeronáutica.
Todas as divisões estão a despedir.
Às centenas.
Aqui no estaminé, ainda as cadeiras estão quentes e anuncia-se a segunda vaga de despedimentos.
Dois escritórios fechados na Alemanha, um na Suécia.
No escritório de Gotemburgo será necessário um "reajustamento" no primeiro quadrimestre.
Não há milagres nestas coisas da economia. Reajustar significa cortar cabecas. Matemática simples.
Entretanto comecei um novo projecto para uns camaradas do outro lado do Atlântico.
"Quem é que no edifício fala Português?", perguntaram eles.
Era eu ou as senhoras da limpeza.
Tocou a mim.
Porreiro pá.
Resta esperar pelo segundo round.
Com vista para a Lisnave.



quarta-feira, janeiro 21, 2009

O Vara

Acho que já disse aí algures, quicá umas 30 vezes, que sou admirador confesso de Miguel Sousa Tavares. Nem sempre concordo com o que escreve, mas gosto sempre da forma como o faz. É absolutamente impossível, pelo menos para mim, ler as suas crónicas e não ficar a pensar no estado da Nacão. Acho aliás que o comum dos cidadãos se revê nas suas palavras. Elas não escondem a verdade e tocam nos detalhes que preocupam qualquer pessoa que goste de Portugal, que viva do seu trabalho e que não conte com favores ou cunhas para pagar as contas no final do mês.
A crónica deste sábado, não apenas pelo tema (é apenas um exemplo em 1000...) mas também pela ironia e "leveza", merece ser lida umas 5 vezes.
Ou 3 vá.




"Ultimamente tenho sido industriado num conceito novo sobre a vida que é também uma filosofia de vida: ser "leve". Ser "leve" é o contrário de ser "pesado", é, parece, a capacidade de levar as coisas sempre de uma forma ligeira, de não se preocupar demasiadamente com nada nem dar demasiada importância a coisa alguma. Aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, as pessoas "leves" levam tudo na despreocupada: nada deve ser suficientemente grave ou importante para que deixem de rir e de sorrir todo o tempo e em todas as circunstâncias. Trata-se de um conceito moderno e urbano, que a mim me deixa um pouco baralhado, até porque nos últimos anos tenho aprendido a preferir cada vez mais a chuva no campo do que os dias cinzentos na cidade. É verdade que os portugueses sorriem pouco e que sorrir faz bem à saúde e torna as pessoas mais bonitas. Mas lembro-me de a minha mãe dizer que os que vivem eternamente felizes e despreocupados, sempre a rir ou a sorrir, ou são parvos ou são inconscientes. Sim, porque é difícil distinguir onde acabam as virtudes de ser "leve" e começa a estupidez de ser leviano. A fronteira não é clara e há-de ser estreita.
Mas de uma coisa estou certo: só se pode levar as coisas numa "leve" quando se tem condições para tal. Quem vive em quadros de miséria e carência, quem tem da vida urbana uma paisagem de subúrbios desumanizados, quem tem problemas sérios de saúde, quem viu morrer um filho ou alguém muito próximo e amado, quem viu morrer uma após outra todas as ilusões, ou não é "leve" ou anda a Prozac. Poder ser "leve" é um privilégio, não toca a todos.
Mas tenho andado a pensar seriamente no assunto - tentando, claro, pensar de uma forma "leve", para que faça sentido. Muita gente, e leitores meus, acham que eu me indigno vezes de mais com coisas de mais. Não valeria a pena. Há um tipo que escreve sobre mim num blogue e que se irrita sobremaneira com o que ele acha ser a minha indignação permanente e traça de mim um retrato, até físico, que me deixa abalado. Preocupam-me, então, duas coisas: a minha recorrente indignação, tal como ele a descreve, e o facto de a minha indignação acarretar a indignação dele. Vou tentar mudar, a bem dos dois.
Em vez de dizer que as coisas me indignam ou revoltam, vou passar a dizer suavemente que elas me deprimem. Por exemplo: a história de Armando Vara, promovido ao nível máximo de vencimento na Caixa Geral de Depósitos e para efeitos de reforma futura, depois de já estar há dois meses a trabalhar na concorrência do BCP, é uma história que me deprime. Não, não, acreditem que, apesar de isto envolver o dinheiro que pago em impostos, esta história não me revolta nem me indigna, apenas me deprime. E de forma leve. Eu explico.
Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória. Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica. Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".
Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!
Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido.

Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250.000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava! "

terça-feira, janeiro 20, 2009

In Bruges


Colin Farrell numa interpretacão brilhante.
"In Bruges" é um filme, à falta de melhor adjectivo, esquisito.
Brilhantemente esquisito.
As primeiras palavras deixam-nos a pensar que é uma comédia.
As segundas já nos baralham com o drama.
Ao fim de algum tempo percebemos que é um misto.
Um fotografia lindíssima (Bruges já está na lista!), um argumento "diferente" qb e alguns registos fabulosos, de entre os quais destaco C. Farrell, longe dos papéis de menino bonito que mata todos. Um assassino arrependido, sem o mínimo interesse cultural, com uma fixacão por anões e acompanhado por um sotaque irlandês (que imagino ser o seu sotaque original...) que condimenta muito bem a figura.
A não perder.

No dia em que chega o novo inquilino, vale a pena ver os nós que W. deixou...

Via Arrastão

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Grace, se tens os pés pequenos podias usar chanatas!!




"Grace mandou guarda-costas agarrar profissional do 'Sunday Times'
A primeira dama do Zimbabwe, Grace Mugabe, de 43 anos, agrediu um fotógrafo britânico em plena rua de Hong Kong, na China, quando este tentava captar imagens suas em férias há uma semana. Furiosa por ter sido descoberta a sair do luxuoso hotel Shangri-La, onde ficou hospedada numa suíte que custa cerca de 670 euros por noite, Grace ordenou a um dos seus seguranças que agarrasse Richard Jones, fotógrafo do Sunday Times. E agrediu-o em seguida com ar de louca, segundo relatos de turistas que foram ouvidos por aquele jornal.Os vários cortes que o fotógrafo apresentou na cara foram causados pelos anéis de diamante usados pela mulher de Robert Mugabe. Além disso, refere o semanário, a mulher do Chefe do Estado zimbabweano envergava na altura uma écharpe de caxemira de cor vermelha, uma mala Jimmy Choostyle no valor de 2 200 euros e uns óculos Cavalli. Grace chegou a Hong Kong no dia 9, para visitar a filha, Bona, que está a estudar nesta cidade, mais alguns familiares e amigos. E Mugabe, que tinha estado com ela em Singapura, voltou, entretanto, a casa, um país onde a epidemia de cólera já roubou mais de duas mil vidas, onde a economia está de rastos e a inflação ultrapassa os 231 milhões por cento.Isso faz com que as extravagâncias da primeira dama, a quem os zimbabweanos chamam de disgrace, sejam bastante criticáveis. Antiga secretária e amante de Robert Mugabe, hoje com 84 anos, Grace ascendeu a primeira dama quando a primeira mulher do ditador zimbabweano, Sally, morreu em 1996. Ela e Mugabe tiveram depois três filhos: Bona, Robert e Chatunga. Várias vezes acusada de incentivar as ideias extremistas de Mugabe, outrora considerado um herói da luta anticolonização no Zimbabwe, Grace apoderou-se de várias das quintas que foram retiradas aos fazendeiros brancos britânicos. O seu gosto pelas compras no estrangeiro é conhecido. Antes frequentava as melhores lojas de Paris, de Nova Iorque e de Londres. Mas quando europeus e americanos decidiram impor sanções contra o regime do marido teve que rumar a oriente, tanto para fazer compras, como para passar férias. Assim, Grace e Mugabe passaram a ser vistos mais vezes na Malásia ou na China, o grande aliado que tem evitado o endurecimento das medidas contra o regime do Zimbabwe no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além de lhe vender armas. Mas a pobreza do povo não incomoda Grace que, em 2008, aproveitou a cimeira da FAO em Roma para gastar 80 mil euros em compras nas melhores lojas. Isto enquanto o marido discutia, na reunião, o problema da escassez de alimentos. Mas aquilo que melhor ilustra o desprezo da primeira-dama pelos zimbabweanos é a resposta que um dia deu quando lhe perguntaram se não se sentia mal em usar sapatos Ferragamo enquanto as pessoas morriam à fome no seu país: "Eu tenho pés muito pequenos e por isso só posso usar sapatos Ferragamo."Quanto ao fotógrafo, esse só foi ouvido no sábado à noite pelas autoridades de Hong Kong. O guarda- -costas foi preso pela polícia e as autoridades estão agora a analisar as imagens de videovigilância. À primeira dama, por enquanto, não se sabe o que pode acontecer."



in DN





Convenhamos que em África, continuar a discutir a colonizacão como causa de todos os males, é o mesmo que culpar os aborígenes australianos pela taxa de cancro de pele no país.

Para ti também!



Tenho por Paulo Portas um ódio de estimacão que não me deixa falar do personagem de forma neutra.
Ainda assim, e até porque este fim-de-semana aconteceu o mega congresso da coligacão Paulo Portas - CDS, apetece-me largar uma ou duas postas de pescada.
Eventualmente três.
Mas nunca quatro.
Paulinho da Feiras é, no contexto nacional, um político brilhante. Não pela linha de pensamento ou pelo raio das suas accões, mas pela forma como se movimenta.
É o caso clássico do político nacional que se mexe nas malhas da poder sem qualquer sentido de coisa Pública e apenas com o intuito de se promover, atingir determinados cargos e claro está, encher o bolso. Portas fá-lo como poucos.
Não tem escrúpulos ou princípios, que convenhamos, são requisitos para o trabalho.
Tem uma lata descomunal, que funciona como uma espécie de bónus.
Usa um partido, o dos beatos, como cobertura para ir a votos. Em nome próprio seria mais complicado.
Assim, usa uma estrutura montada há décadas por alguns ilustres como plataforma para as suas ambicões. Pelo caminho, engana meia-dúzia de desgracados que buscam um qualquer tacho público.
Este é o "líder" que se demitiu depois de uma estrondosa derrota, passando os 2 anos seguintes a minar a direccão do próprio partido.
Este é o "líder" que se juntou a um governo PSD para chegar a ministro e se oferece agora para estabelecer uma maioria com Sócrates (embora ele diga que não).
Este é o "líder" que vê nomes antigos abandonarem um partido que está às ordens de uma pessoa e das suas ambicões.
Este é o "líder" que ficou sob investigacão em casos de dinheiros mal parados: os submarinos, a Moderna…este último abafado e com dossiers convenientemente em parte incerta. É a mesma pessoa que debaixo do manto da suspeita vem falar de melhores pensões para os velhos e para os veteranos de guerra.
Fala para o público (é só perder alguns minutos a ouvir as suas intervencões na AR) como se fosse um imaculado exemplo de honestidade, decência e administracão de bens públicos.
Que ele faca pela vida, mexendo-se como uma sardinha fora de água, eu sou obrigado a perceber. Que alguém, para além da própria mãe, ainda acredite que este homem tem alguma preocupacão pelas pessoas a quem pede votos, é que já não consigo encaixar.
Embora não seja um apoiante do PS, espero sinceramente que Sócrates tenha uma nova maioria. Primeiro, a mais importante das razões, porque essa é a única forma de governar em Portugal. Para o bem ou para o mal, tomam-se decisões e evitam-se as trocas de favores na AR para ver propostas aprovadas. Segundo, porque isso representa uma derrota para a direita e poderia (talvez seja eu o utópico...) ajudar os beatos do Largo do Caldas a acordar para a vida.
Paulo Portas representa tudo o que de mau existe na política nacional. Ele não serve, serve-se.
Cheira-me que será um novo Santana, porque também não parece saber fazer mais nada, mas, ainda assim, vale a pena tentar uma nova vassourada em 2009.
É a votar minha gente!

domingo, janeiro 18, 2009

Welcome Obama





Se há coisa dificil de encontrar em política internacional, essa coisa é a supresa.


Torna-se um exercício dificil, a surpresa, quando os olhos do mundo apontam para o mesmo sítio e quando nos movimentamos dentro de tanques.


É complicado...


Israel, decretou unilateralmente o fim da cowboyada em Gaza. O Hamas está de gatas dizem eles e por isso já chega.


O Hamas, de facto o grande responsável por esta guerra, fez tudo o que Israel (o seu criador, já agora...) poderia desejar: provocaram.


Israel, que já tinha o plano tracado, arrasou a Faixa de Gaza (naquilo a que na rua onde cresci se chamaria: "bater em mortos") em duas semanas com a desculpa de se estar a defender. Fê-lo no melhor momento possível...a 2 meses das eleicões internas e com um vazio de poder na casa branca, que lhes permite uma carta ainda mais imaculada do que a habitual brancura. "É a matar freguês", disse W. antes de se despedir.


Ora, segundo rezam os periódicos, o Hamas já só tem fisgas e por isso os israelitas vão voltar para casa. O facto de Obama tomar posse 3f deve ser um mero acaso. Não é que Obama vá retirar o habitual chapéu protector, os israelitas é que ainda não sabem se este vai ser tão papalvo como o anterior.


Na dúvida, escavacam tudo nas últimas horas do W. e fica tudo bem.


O Hamas, que se meteu nisto para recuperar apoio popular e dividir a Palestina em duas (era uma guerra perdida, até aqueles que acreditam nas 40 virgens deviam saber isso), foi dizimado e arrastou consigo uma populacão que já vivia num inferno diário. O que se passou em Gaza não foi uma guerra. Foi um massacre, onde um dos mais poderosos exércitos do mundo despejou bombas num tanque gigante onde por acaso vivem pessoas. O Hamas, usou tudo o que podia para conseguir a condenacão de Israel, transformando o seu povo num alvo a abater.


As baixas provam que não existiu uma guerra. Pouco mais de uma dezena de mortos do lado israelita, contra 1200 palestinianos mais 5000 feridos. Foi um massacre.


Os líderes do Hamas deveriam seguir para Haia. O ministro da defesa de israel e seu pares também. Nós (comunidade internacional), especialmente ingleses e americanos, temos que parar de perdoar os constantes crimes de guerra do estado de israel por caso da dívida eterna do Holocausto.


A situacão do médio oriente nunca terá uma solucão se israel não reconhecer o país vizinho, permitindo que este viva de forma autónoma e com ligacão terrestre entre os seus dois territórios. Isto para comecar. Acho que por esta altura do campeonato, até dão de borla os territórios anexados.


Israel não faz nada sem o apoio dos americanos.


Já é altura da europa entrar no jogo e apertar os calos ao Tio Sam.


quinta-feira, janeiro 15, 2009

Gritai meus amigos!

Estou a tentar ler sobre o que se passa no mundo.
Gaza na faixa e gás na Rússia eram as notícias que procurava.
Deparo com um rol de notícias sobre esse marco nacional que foi o benfica-braga do fim-de-semana passado.
Procuradoria Geral ao barulho, Mesquita Machado a falar em roubos, Jorge Jesus a dizer "a gente é melhores" e etc e tal.
Mas afinal o que aconteceu?
O benfica foi beneficiado (pela primeira vez) esta época ao fim de 12 ou 13 jornadas.
Uhhuuuuu....que arrepio.
Sim senhor, o Braga saiu mal na fotografia. Não custa nada admitir.
Mas meus amigos...isto é assim há 15 anos para as outras cores e nunca vi tal indignacão.
Há escutas telefónicas, há cheques assinados para viagens ao Brasil, há meninas, há fruta, há 17 penalties naquela época inesquecível do Jardel...enfim, o que mais...e nunca vi tanto grito.
Não sou de contabilidades, mas confesso, que ver tanta virgem ofendida me enerva.
Sou obrigado a pesquisar no youtube.
Uns bons 5 minutos, afinal, lances onde o benfica foi gamado são muito raros.
Fiquemo-nos por 2008.
Este campeonato.
Que ainda não vai a metade.
E só lances "chapa 5", daqueles onde nem é preciso colocar o filtro vermelho para ver.
Ahhh!
Vão-se queixar ao Camões, pá!

Caso 6

Caso 5

Caso 4

Caso 3

Caso 2

caso 1

terça-feira, janeiro 13, 2009

1927 - 2009


Divido as pessoas em dois grupos: bom coracão, mau coracão.
Não deixa de ser uma análise simplista, mas é a única que consigo fazer.
Aos primeiros ofereco amizade. Com os segundos não passo do café.
O meu avô, entre defeitos e virtudes, encaixa bem nos primeiros.
Poucas palavras, poucas emocões e toda a mensagem num sorriso ou num olhar.
Para quem o quis perceber, sempre esteve lá a informacão. Era só olhar.
Nem sempre concordámos.
É que ele era teimoso....
Eu não.
Mas ele sim.
Acho que era esse o sal da coisa.
Uma boa troca de argumentos até o convencer a fazer o que eu queria.
No fim tudo ficava resolvido com um sorriso.
Respeito e carinho.
É o que normalmente acontece quando se gosta de alguém apenas, porque sim.
O meu avô resolveu afastar-se.
Para sempre.
Na minha cabeca parece uma ideia sem sentido.
Desde que o conheco que ele é velhote.
Não era suposto continuar assim sempre?
Entretanto percebo que há 20 anos eu achava que pessoas com 50 anos eram já muito velhas. Parece que não é bem assim...
Hoje já acho que até aos 100 é a contar.
De qualquer forma, acho que só há poucos anos, durante um benfica-porto na Luz, me apercebi que o meu avô já não podia tirar o cartão jovem.
A claque do porto estava a jogar ao elástico...ou seria a partir montras? Já não me lembro...
Mas devia ser bom, porque os senhores a cavalo e de cacetete em punho resolveram jogar também.
No meio da confusão, tive que carregar o meu avô, uma vez que, como ele dizia "as pernas já não querem".
Depois de partir para a Suécia, convenci-me que os nossos reencontros seriam eternos.
Também me enganei.
Não tenho por hábito homenagear aqueles de quem gosto quando partem.
Falta-me essa costela lusa.
Tenho antes o hábito de os valorizar enquanto a vida dura, enquanto nos podemos olhar.
Foi o que fiz.
E por isso sinto saudades.
Mestre Zé, obrigado por cada sorriso, obrigado por cada anedota, obrigado por seres amigo e obrigado por cada minuto. Foi muito bom.
À Tua.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

A mercearia


Este natal, acho que posso dizer isso, foi um reencontro com Portugal e com um mundo conhecido.
Felizmente, alguns daqueles que me aquecem o coracão resolveram ajudar-me no combate ao frio e apareceram por estes lados.
A época de festa ainda não acabou já que hoje chegam mais dois ilustres convidados. Um camarada que em 68 estava no mesmo batalhão que eu em Angola (ou foi na Guiné em 69?) veio ajudar-me a apanhar lenha.
Porreiro pá.
Último telefonema: "Queres que te leve alguma coisa? Bacalhau, um tinto alentejano, uma farinheira, um queijo??"
Ora….esta foi a frase que me deixou a pensar.
Este é um ponto comum em todos os que me visitam.
A alheira, o queijo, o bacalhau ou o marquês de borba na mala.
Faz-me pensar.
É um facto que eu tenho saudades da nossa gastronomia.
É também um facto que quando penso em algo que gostava de receber, lembro-me sempre de comida.
Gostava que me trouxessem um bife da portugália com o molho antigo.
É possível?
De qualquer forma, entretenho-me a pensar nesta ligacão do português à Pátria pela barriga.
Será que isto é muito nosso?
Será que um francês quando faz a mala de cartão pede aos amigos que levem baguetes?
Pedirá o italiano massa fresca?
Pedirá o espanhol umas garrafas de Rioja?
Pedirá o alemão salsicha entope canos?
Talvez.
Mas continuo a achar que esta ligacão com os sabores é uma invencão lusa.
Se não é devia ser, já que passamos metade da vida na mesa.
Identifico-me com essa arte da conversa em torno da garfada até que a voz nos doa.
Um coisa é certa, este inverno nada faltará na caverna na altura de hibernar.
Há chourico, alheira, farinheira, queijo, bacalhau, morcela, biscoitos, café delta, superbock, porto, madeira, moscatel e tinto alentejano a perder de vista.
Tivesse eu uns litros de sumol e ninguém me segurava. E um chocolate Regina. Só para fazer aquele bolo alimentar.
Estou pronto.
Os russos podem invadir o reino que eu tenho mantimentos até ao próximo natal.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Ano novo, mesma Fenprof

Sindicatos de professores e governo voltam à mesa das negociacões.
Isto só por si não seria notícia.
Então qual é o facto relevante aqui?
M. Nogueira, o bigode mais conhecido da caixinha mágica debitou mais 2 ou 3 postas dignas de registo.
À pergunta do jornalista: "A fenprof vai cancelar a greve de dia 28?", Nogueira responde: "A greve de dia 28 é agora ainda mais importante! Uma grande adesão dará aos sindicatos uma posicão de forca no início das negociacões!"
Ouvi bem?
No INÍCIO das negociacões?
Primeiro, antes de ouvir o que o governo tem para dizer, gritam na rua e sacam mais um fim-de-semana com ponte. Depois do barulho, sentam-se calmamente na reunião e ouvem a proposta rezando para que esta seja má e dê alguma justificacão ao alarido anterior.
É uma estratégia.
Brilhante se me é permitida a audácia.
Nogueira, aqui para nós, isso não é uma forma de pressão, é antes uma forma de chantagem.
Todos o percebem, inclusivé os professores que pagam cotas para tu estares à 20 anos sem entrar numa sala de aulas.
Pensar que isso dará uma vantagem negocial num país que se espera civilizado (ainda não somos o Burkina Faso!) já é grave, dizer isso em frente a uma camara de televisão, mostra ao nível a que chegou a bandalheira.
Quanto a vocês camaradas professores, estão bem representados.
Até podem quebrar a ministra e deixar tudo como está, agora dignificar a profissão (e melhorar a educacão), não me parece que consigam.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O adeus definitivo ao Cerelac





























Tradicão é tradicão: bolo rei.
Já que não o vendem aqui, fazemos nós.
Portugal na cozinha.
Mais amasso, menos amasso.
Mais fruta, menos fruta.
E só demorou 8 horas...
Passemos à prova.

domingo, janeiro 04, 2009

Euronews



No comments.

Ao intervalo e capaz de partir a louca do IKEA

Ver este benfica jogar é um pesadelo.
Jogam entre zero e nada.
Frente ao último classificado parecem uma cambada de madalenas.
Arrastam-se como quem não recebeu o salário de Janeiro.
A atitude vê-se nos pequenos detalhes.
No lance do golo, Sidnei preferiu levantar o braco e esperar por clemência do árbitro em vez de acompanhar o avancado.
Se eu fosse o treinador, deixava-o uma semana a treinar dentro de um colete de forcas.
É certo que os gajos de preto têm roubado tudo o que podem, mas camaradas, vocês também se metem a jeito.
Não jogam nada pá!
E agora?
Depois deste pato do Moreira metem o terceiro guarda-redes ou já estão todos queimados?
Venha a 2a parte e por favor, corram!
Parece que estiveram 15 dias a enfardar rabanadas...

Gaza on fire



Desta vez é mais difícil apoiar o povo da Palestina, as clássicas vítimas no confronto com Israel.

Se bem que o governo preparava este carnaval há 6 meses, é certo que o Hamas fez tudo o que o governo cessante desejava: despejou uns quantos rockets na fronteira. A partir daí, com o habitual abanar de cabeca americano e cruzar de bracos europeu, foi varrer a faixa de gaza sem dó nem piedade.

O Hamas, em conflito interno com a Fatah, joga uma carta decisiva para a divisão do território Palestiniano. Cisjordânia para um lado e Gaza para outro. Israel une pelas balas ambos os partidos (por agora) e depois da guerra, legitima o que o Hamas quer, ou seja, o controlo da faixa de Gaza.

Imagens repetidas até à naúsea trazem árabes com criancas mortas nos bracos, gritando aos céus e aumentando um ódio já de si imenso.

As televisões captam tudo sem qualquer respeito pelo ser Humano. Falar de vítimas civis em Gaza é tão natural como imaginar o estado de uma loja de porcelanas depois de um elefante lá entrar. Dada a densidade populacional, uma incursão militar só não mataria inocentes se fosse feita com fisgas.

O problema é, como distinguir um inocente? Dizia hoje um rapaz: "Israel quer aniquilar o Hamas, o povo é o Hamas logo Israel quer aniquilar o povo".

Ora, esta matemática não é tão simples mas no clima de ódio, aceita-se.

Por outro lado, ou melhor, do outro lado da fronteira uma Israelita dizia: "um árabe bom é um árabe morto. Eles querem matar-me e aniquilar o meu povo!"

Esta também não é uma regra assim tão simples.

Como desatar o nó?

Chatear os ingleses pela asneira que fizeram há 60 anos?

Chatear os Israelitas por nunca terem cumprido o mapa de ocupacão que lhes deram quando os plantaram ali?

Chatear os árabes por estarem há décadas a embirrar com os Israelitas?

Chatear os povos que chutaram os judeus de todo e qualquer quintal na europa? (incluíndo os Portugueses)

Chatear os americanos por protegerem Israel fruto dos dinheiros para as campanhas do lobby judaico?

Morrem inocentes, na sua maioria na Palestina.

Esse é o facto.

Os responsáveis históricos são muitos.

Desta vez, o principal responsável é o Hamas.

Deram a Israel o motivo que faltava para executarem uma carnificina anteriormente planeada.

É o Hamas que faz do seu povo um gigantesco escudo humano em defesa de uma causa que nunca será resolvida pelas armas.

Pelo menos para o lado da Palestina...

É esse povo que nasce e morre sem saber o que é um país, uma vida familiar, um dia-a-dia sem ameacas.

E por incrível que pareca é esse povo que os apoia.

Decididamente, há coisas que por muito que me esforce, não consigo compreender.