segunda-feira, setembro 29, 2008
DN de hoje
Esta gaja é estúpida demais para ser real.
The lone ranger
Antes que os espíritos mais revoltados digam que MST é um seguidor de Marx, convém recordar que os factos estão à vista.
Facam um esforco.
Lembrem-se do mundo na era Bill Clinton.
Longe de ser perfeito, não era feito com manchetes de sangue e bombas.
Já Mario Soares dizia (há largos anos) que a Europa devia optar pela via federalista e sem complexos construir um braco armado. Isto não significa que a solucão Europeia passe pela via bélica, longe disso. Basta que sejamos donos do nosso próprio destino, sem dependências de defesa (da Nato) e com capacidade de pressão internacional para evitar ataques não autorizados pela ONU.
Depois de instalar a crise do mercado sem regras, o governo de Washington vem pedir ajuda financeira à UE para soluccionar um problema que é global.
Desculpe?
Vocês sujam e nós limpamos?
Sarah Palin treinada por Kissinger?
Ahhn?
Qual?
Aquele que deveria estar em Haia a ser julgado por crimes contra a Humanidade?
Não sabe quem é Sarkozy? Governadora de um Estado e com 44 anos?
Mas anda tudo doido?
Há alguém que realmente ache que o McCain é um cowboy muito diferente do Bush? Há alguém que concorde com o McCain quando ele diz que o mundo está mais seguro hoje do que na altura do 9/11 ?
Acham mesmo que gente com este nível de ignorância pode ter um brinquedo nas mãos como a casa branca?
Deixem-se lá de tretas sobre o outro candidato ser preto, azul ou amarelo!
Contra mais 4/8 anos de Bush, nem que fosse o coelhinho da Páscoa!
Votem!
Ps - Merkel, Sarkozy e companhia (aqui não te incluso "José Barroso", porque mandas tanto como eu), se por acaso abriram os cordões à bolsa (que é o mesmo que dizer, se sugarem os contribuintes), pecam uma contrapartida: os europeus também votam.
sábado, setembro 27, 2008
90 minutos
. Limpa e sem espinhas (os Calimeros do Lumiar vão ter que se esforcar para arranjar culpas para o árbitro)
. Notas de destaque:
- do banco saíram Di Maria, Aimar e Katsouranis. Longe vão os tempos de 11 para o ano todo.
- Reyes mexeu e fez mexer!
- As camisolas saíram suadas (pouco jeito mas muito esforco)
Importante: Nada de euforias! Era só uma equipa com o Tonel atrás e o Postiga na frente.
Venham os gajos da Camorra.
60 minutos
45 minutos
. Estou muito esperancado que à vigésima falta sobre o Reyes alguém leve um amarelo.
. Este Yebda, dentro da categoria gajos-que-servem-para-distribuir-fruta-e-que-vêm-para-o-Glorioso-por-200cts+passe+sandes de torresmo é um verdadeiro achado. Depois de ver por ali um Michael Thomas ou um Fernando Aguiar, tudo que passe a perna por cima da bola é um maná.
30 minutos
. Na dúvida apita-se para o lado verde.
. O Polga acha que está a jogar basket.
sexta-feira, setembro 26, 2008
O BES é que paga? Ah..ok, então escavaca aí!

Dentro da categoria "anúncio para lá de idiota", o BES acaba de estabelecer um novo recorde e criar a categoria "anúncio feito por um acéfalo".
Um pai de família (ou mãe consoante a versão) relatam orgulhosos o desperdício de água, luz e gáz nos banhos quentes do cão, na internet ligada a noite toda, nas lavagens do carro e mais uma série de idiotices que agora não me lembro.
A mensagem, é, para resumir: "Escavaco o ambiente tanto quanto posso, mas além de não ser civilizado o suficiente para me importar com isso ainda sou mais camelo ao ponto de acreditar que o BES que paga. "
Este texto seria bem mais honesto.
Nada contra o BES (até ouvi dizer que têm lá bons funcionários :) ) mas o departamento de marketing precisa claramente de mais entradas de ar fresco.
quarta-feira, setembro 24, 2008
Let's look at a trailer

segunda-feira, setembro 22, 2008
Quim Butter
sábado, setembro 20, 2008
Queiroz...
quarta-feira, setembro 17, 2008
O Calvário

Hoje o mundo desaba.
Vá lá, também não é preciso exagerar.
Mas mexe.
Um bocadinho pelo menos.
Abana então.
Nem isso?
Pronto...fica tudo na mesma, mas é um dia importante.
Então porquê?
Daqui a pouco, o meu chefe vai entrar numa sala cheia de alemães e suecos para apresentar uma "visão".
A malta de fato pertence à administracão.
Gajos para ganharem alguns 200 contos.
A "visão" que ele vai apresentar, e note-se que aqui o nome não é uma questão estilística - é que não há mais nada para apresentar além de uma visão! - resulta de umas discussões que tivémos ao longo dos últimos meses sobre um novo projecto.
Se os engravatados comprarem a ideia, estou de trouxa aviada. Se não "virem a visão", a vida continua por outro trilho ainda incerto.
Diz-me ele ao telefone: "epá, isto está cheio de gente importante e com fato!"
"E tu?", pergunto eu.
"Eu estou de t-shirt!"
"Corre pá, corre!! Vai a casa, toma banho e veste um fato!!"
"Estou a ficar nervoso", diz ele que é um ferveroso católico.
"Tiago, rezas por mim antes das 15h??"
"Epá..eu não sei!"
"Não sabes o quê? Se tens tempo??"
"Não pá...rezar! Não sei rezar!"
"E agora Tiago e agora??"
"Deixa lá...já discutímos o big bang e essas coisas e..."
"Não comeces com isso Tiago!! Desta vez isto só lá vai com fé!!"
"Hiiiii...e agora?? Onde é que arranjo 1/2 dose de fé??"
"Pronto deixa lá...preocupa-te com o banho, arranja um fato sem nódoas que eu trato da reza!"
"Óptimo, uma simples, daquelas mesmo profundas!!"
"Tudo bem, até logo!!"
Clic...
....
hummm....
avé-maria cheia de graca, a senhora é...
convosco? ou será connosco?
vou à outra...
pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, assim...
assim o quê?
Aiiiiiiiiiiii...porque é que chumbei por faltas na catequeseeeeee???
Só sei aquela dos Xutos " a 13 de maio, na cova de eiria, apareceu brilhando, a virgem maria"...mas acho que não conta como reza....
Que molho de bróculos...
Ora deixa cá ver ....www.google.com
É isso, é isso!! Estou safo!!
Vai António!
terça-feira, setembro 16, 2008
O IKEA que há em nós

Há algo de profundamente injusto com a divisão de tarefas na sociedade sueca.
Cultiva-se o "faca você mesmo".
Tudo muito bem.
É necessário mudar o telhado? Montar uma cozinha? Abrir o motor do carro?
Eles fazem.
Um sueco que não tenha uma bandeira à porta ainda se safa, mas um gajo que não tenha 15 malas de ferramentas da Black&Decker não é ninguém.
Ainda não percebi se esta do "faca você mesmo" é pela extrema forretice local ou se é pelo prazer de usar coisas feitas com suor do próprio.
Diria que é um pouco de ambas.
Admiro e respeito.
Tenho pena de só ter dois dedos em cada mão e não poder contribuir ainda mais para o mundo IKEA.
Mas, e é aqui que a coisa me faz confusão, porque se estende esse mundo a servicos pagos?
Se um gajo escolhe passar o verão em cima do telhado para poupar umas coroas, eu percebo, se eu pagar um servico e ainda assim tiver que trabalhar, aí já não entendo.
O espírito IKEA corre nos restaurantes da cidade. Faca você mesmo, dizem eles. Mas a refeicão é de borla? Não.
Ah, então tudo bem.
Entro no restaurante.
Tiro garfo, faca e guardanapo.
Tiro copo.
Encho copo.
Tiro salada e pão.
Levo manteiga.
Antes de me sentar grito para a cozinha: Abib, queres ajuda para fritar o ovo??
O Abib diz que não.
Óptimo. Com 'p' que o acordo não me diz muito.
Sento-me.
A comida aparece e eu como.
Acabo.
Levanto-me e vou buscar café.
Trago também um bolinho.
Bebo.
Mastigo. Mas pouco que não tenho paciência.
Levanto-me e vou pagar.
Sento-me.
Levanto o prato e separo o lixo.
Restos de comida para aqui, papel para ali, louca suja para lá.
Vou-me embora todo contente.
Elogio o atendimento.
A comida não chega ao estômago.
O exercício feito dentro do restaurante não deixa.
Embrulha corpos danone!
Em nome da justica social, tento alargar o conceito ao meu trabalho. Que diabo, se todos pagam por um servico e fazem metade dele, não deve ser difícil dar-lhes a volta!
Aposto que o meu chefe, apesar de me pagar um salário para trabalhar, não se importa de fazer metade e de nos intervalos me trazer uns cafezinhos. Ah, e de me ler os mails em sueco. Aqueles com mais do que 5 linhas em que tudo parece um concerto de xilofone.
Aí sim, o mundo voltaria a ser um sítio justo.
Hoje no DN

Na semana passada escrevi, nesta mesma coluna, sobre o Cáucaso, o conflito entre a Geórgia e a Rússia (estimulado pela NATO, braço armado dos Estados Unidos) aplacado in extremis pela União Europeia, que percebeu o perigo em que incorria se concretizasse as ameaças feitas. Invocar o regresso à "guerra fria" é um disparate, num mundo de novo multilateral e com diversos centros de poder...
Mais recentemente, Bush permitiu que as forças especiais americanas fizessem incursões no Paquistão, intervindo a partir do Afeganistão, sem sequer avisar o Governo "aliado" do Paquistão. O objectivo era capturar os terroristas da Al-Qaeda e os talibãs nos seus santuários. O que, claro, não aconteceu. A NATO declarou - vá lá! - que as suas tropas não atravessariam a fronteira do Afeganistão, tanto mais que o chefe do Estado-Maior paquistanês, avisou, entretanto, que "o Exército defenderá toda a área da sua soberania"...
Noutra região do mundo - a América Latina -, os conflitos com os Estados Unidos também têm vindo a agudizar-se. Desde, pelo menos, o princípio do séc. XX que a América do Norte considera os seus vizinhos do Sul, incluindo os mexicanos, como seus tutelados, para não dizer "economicamente colonizados". Por isso, após a Segunda Guerra Mundial, a América do Norte interveio militarmente - e sem complexos - em inúmeros países das Caraíbas, da América Central e do Sul. Para tanto, instigada pelos teóricos da "escola de Chicago", promoveu por toda a região ditaduras militares, derrubando, directa ou indirectamente, as democracias existentes. Os casos da República Dominicana, da Guatemala, do Chile, da Argentina, da Nicarágua, pós-Somoza, do Brasil, para não falar da invasão da baía dos Porcos, em Cuba, e do bloqueio ao regime de Fidel Castro, ficaram tristemente célebres.Na década de oitenta do passado século, com o sucesso da Revolução dos Cravos e da transição democrática espanhola, que constituíram uma lição para os Estados Unidos, voltaram as democracias à América Latina, com o beneplácito americano, embora as ambições de tutela económica do grande vizinho do Norte continuassem. Contudo, com os atentados de 11 de Setembro de 2001, no início do primeiro mandato de Bush - fez agora sete anos -, as preocupações prioritárias da América do Norte passaram a ser a "guerra ao terrorismo", com as invasões do Afeganistão e do Iraque e a consequente desestabilização de toda a região do Médio Oriente, incluindo Israel e o agravamento do conflito com a Palestina. Assim, a América Latina passou a um segundo plano e as suas recentes democracias puderam, de algum modo, respirar e consolidar-se. Curiosamente, verificou-se, por via democrática e pacífica, o aprofundamento democrático em toda a região, autonomista, em relação à América do Norte e mais ou menos populista. Do Brasil ao Chile e à Argentina, da Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia ao Paraguai, para só citar os exemplos mais expressivos. Bush parece ter acordado - ou sido alertado pela sineta dos interesses das grandes multinacionais - relativamente a países que procuram gerir os seus interesses, com independência, apoiados pelas populações indígenas, como a Bolívia, mesclados e ricos em petróleo, como a Venezuela. Em tempo de crise, isso gera apetites e invejas. O Brasil de Lula, país emergente, tem sido solidário com os seus vizinhos mais próximos. Daí a infeliz "guerra" de ameaças retóricas - e não só - que levou à expulsão recíproca dos embaixadores. Este facto torna a situação da região bastante explosiva. Quando compreenderá Bush que a sua era terminou e que o melhor para ele - e para a América - seria retirar-se, discretamente, e deixar que a poeira do esquecimento seja benéfica para ele...
segunda-feira, setembro 15, 2008
Churchill, o filósofo
Quando um estado de direito proporciona a um criminoso (está provado, mesmo que a sentenca demore 1000 anos!) uma indemnizacão, ficamos com a certeza que o sol nasce mesmo para todos.
Ou não?
Queres ir a Moscovo? Tira o passe da Lufthansa!

Depois de mais um azar com um avião de uma companhia russa, resolvi fazer uma pequena pesquisa em jornais portugueses.
Aqui vai:
3 de Janeiro de 1994 - Um Tupolev-154 que parte de Irkutsk, na Sibéria, para Moscovo despenha-se matando 124 pessoas.
23 de Março de 1994 - Um Airbus A-310, da transportadora aérea russa Aeroflot, cai perto de Novokuznetsk, matando setenta pessoas. Segundo os investigadores o acidente ficou a dever-se ao jovem filho do piloto ter desligado o piloto automático.
26 de Setembro de 1994 - Vinte seis pessoas morreram quando um Yak-40 se despenhou quando tentava chegar ao aeroporto de Vanara, na Sibéria, para tentar uma aterragem de emergência devido ao mau tempo.
29 de Outubro de 1994 - Um avião de carga Antonov An-12 cai ao aproximar-se do aeroporto de Ust-Ilimsk, a 610 quilómetros Norte da cidade de Irkutsk na Sibéria, fazendo 21 vítimas.
16 de Junho de 1995 - Doze pessoas perderam a vida quando um Antonov An-12 é apanhado pelo mau tempo e cai. O voo tinha partido de Poliny Osipenko, na região de Khabarovsk, para a cidade de Nikolayersk-on-Amur.
8 de Abril de 1995 - Um Il-76 com destino a Petropavlovsk-Kamchatsky, capital da região da península de Kamchatka, despenha-se nas encostas de um vulcão matando 14 pessoas.
7 de Dezembro de 1995 - Um Tu-154 desaparece a caminho da cidade de Khabarovsk. Nunca foram encontrados sobreviventes.
29 de Agosto de 1996 - Cento e quarenta e três pessoas morrem quando um Tu-154 choca com o pico de uma montanha. O avião, com destino à ilha de Spizbergen, na Noruega, transportava mineiros russos e ucranianos e suas famílias para trabalhar no Ártico.
14 de Novembro de 1996 - Um Antonov An-2 cai na região semi-autónoma de Komi, no Norte da Rússia, fazendo 13 mortos.
28 de Novembro de 1996 - Um Ilyushin, um avião de carga da força aérea russa, mata 23 pessoas ao cair na Sibéria.
17 de Dezembro de 1996 - Dezassete pessoas, incluindo o comandante militar do ditrito de Leninegrado, perdem a vida quando um Antonov-12 se despenha num campo de aviação perto de Pskov, no Noroeste da Rússia.
18 de Março de 1997 - Um An-24 a caminho da Turquia perde a cauda a meio do voo e cai vitimando cinquenta pessoas e a tripulação a bordo.
6 de Dezembro de 1997 - Quarenta e oito pessoas morrem quando um Antonov-124, carregando dois aviões de combate Sukhoi, se despenha numa zona periférica de Irkutsk, na Sibéria.
11 de Novembro de 1998 - Um An-12 cai ao descolar de Krasnoyarsk, na Sibéria. No acidente perderam a vida 13 pessoas.
25 de Outubro de 2000 - Oitenta e duas pessoas morrem quando um Ilyushin-18 se despenha numa zona montanhosa georgiana, na Rússia.
3 de Julho de 2001 - Cento e trinta e seis passageiros e nove elementos da tripulação morrem quando um Tupolev 135 cai perto da cidade de Irkutsk, na Sibéria
4 de Outubro de 2001 - Um Tupolev 154 despenha-se no Mar Negro vitimando 76 pessoas
22 de Dezembro de 2002 - Um Airbus da Aeroflot, com 210 pessoas a bordo, foi obrigado a fazer uma aterragem de emergência no aeroporto Schoenefeld, de Berlim, devido a uma pena num dos reactores. Sem feridos.
14 de Setembro de 2008 - Boeing 737 da Aeroflot, despenhou-se na zona dos Urales, no centro da Rússia, provocando a morte a todos os 88 ocupantes.
...apenas nos últimos 15 anos.
Se escarafunchar um pouco mais na net, descubro que a Aeroflot (TAP dos Urais) devia pagar portagens, já que passa mais tempo no chão do que o ar.
É ver aqui.
Na mesma base de dados é possível ver que a gloriosa TAP tem apenas um registo fatal (Madeira em 77), que não se deveu contudo a falha mecânica.
Não meus amigos, há coisas na vida que não dependem dos astros.
A tecnologia é uma delas.
A mala tem o pára-quedas que vem com o bilhete.
sexta-feira, setembro 12, 2008
CIA on the block
Quem disse?
Fidel, Chavez ou Bolivar?
Foi Chavez, o delfim, que segundo esta notícia largou uns mimos para Washington.
Há confrontos na Bolívia e Chavez, no seu espírito azeiteiro, não perde uma oportunidade (suportado pelo petróleo) de se afirmar como o novo Bolivar do séc.XXI.
Para Evo Morales (Bolívia), os EUA estão a incentivar grupos da oposicão e a patrocinar a violência. Há confrontos e mortes a lamentar.
Assim de repente, parece-me que já vi este filme.
Mas onde?
Ah, já sei, na Guatemala, Brasil, Cuba, Equador, Panamá, Nicarágua, Rep. Dominicana e Chile (num 11 de Setembro que não se celebra em Langley).
Depois, quem pode criticar um lunático como Chavez ao vê-lo rejubilar com a chegada de bombardeiros russos a solo venezuelano?
Caminhamos lentamente para uma nova guerra fria.
Só falta o cowboy McCain ( acompanhado da sua anybody-home?Palin) ganhar as eleicões.
quinta-feira, setembro 11, 2008
Se tens o tacho ao lume não te sentes, que isto vai demorar.







Aqui há um bom par de anos, um suico farto da vida perfeita que levava resolveu salvar o mundo.
Pediu licenca de um ano na fábrica de chocolates, meteu um saco às costas e de espeto na mão comecou a correr as estradas da europa em busca de lixo. Doido para uns, ecologista para outros, muito tempo livre para os demais, a verdade é que este Maomé da ecologia chamou a atencão para o facto de usarmos as nossas estradas como caixotes de lixo.
Dirigiu-se a sul passando por Alemanha, Franca e Espanha. A cada passagem recolhia o lixo dos beirais das estradas. O saco que trazia nas costas chegou para as encomendas até entrar em Portugal. Nem um camião TIR o safava de tão árdua tarefa. Desiludido desistiu. Lembro-me de ver nos jornais de então o comentário sobre os limites laterais das nossas estradas: "são autênticas lixeiras", dizia o suico enquanto olhava para o saquito cheio ao fim de 500m de alcatrão.
O sentimento com que este jovem voltou a embalar chocolates não é muito diferente daquele que trouxe na bagagem, nesta última passagem por Portugal. A diferenca é que eu nasci aí e por isso, custa-me um pouco mais a engolir.
A pergunta que eu queria fazer é:
Porque é que somos tão porcos?
A natureza deu-nos recantos magníficos e nós, como terceiro-mundistas que somos, destruimos tudo com betão ou lixo.
Não há desculpa para a falta de civismo que ainda reina em Portugal. Há caixotes do lixo espalhados por todo o lado, há pontos de reciclagem ao pontapé e com legendas que qualquer analfabeto consegue perceber. O que acontece?
Deitam lixo ao calhas para dentro de qualquer ponto de reciclagem e na rua, usam o chão como caixote.
É que nem olham para o lado com um pequeno sentimento de culpa. Tudo acontece de forma natural.
Como podemos ser tão fechados no nosso pequeno mundo, na nossa ignorância?
Há uns dias, deslocava-me na Luisa Todi em Setúbal, quando vi um homem mandar o papel do gelado para o chão. De imediato, a mulher e os dois filhos fizeram o mesmo. Tudo muito calmo e tranquilo.
Todos o fazem sem qualquer complexo de culpa. Ninguém pede que salvem o mundo e cumpram os 10 mandamentos que os gajos da Quercus guardam no bolso. É só não mandar lixo para o chão. Será pedir muito?
Resolvi, estas férias, procurar recantos na costa vicentina até aqui desconhecidos para mim. As paisagens que vi inspiravam qualquer postal.
Um mar lindíssimo, fechado aqui e ali numa enseada perdida. Tudo perfeito enquanto olhava a direito para o mar. Se por acaso me lembrava de baixar a cabeca e olhar para a encosta o cenário era bem diferente. Garrafas de plástico e sacos de lixo bem fechadinhos entre os arbustos. Normalmente com caixotes do lixo a 10m…
Acho piada a estes animais que fecham religiosamente o saco com os restos do frango e o deixam no meio do mato. Por alguma razão, ficam convencidos que estão a fazer uma grande merda ao fechar o saco. Até devem dizer lá na rua que são muito ecologistas porque não espalham lixo.
Numa dessas voltas, dei com uma praia quase deserta (se não contarmos com os hippies!!) entre Lagos e Sagres (Barranco). Estava impecavelmente limpa e os estrangeiros que lá estavam, apesar do acampamento montado, não deixavam qualquer rasto de sujidade. Convém dizer que mesmo naquele fim de mundo, existiam caixotes do lixo. As autarquias tentam, isso ninguém pode negar. Noutra praia ali da zona (Figueira), também impecavelmente limpa, vi uma gorda largar dois sacos de lixo ao fim do dia. Dada a naturalidade com que o fazia e à distância a que me encontrava, assumi que atirava os sacos para um caixote. Mais tarde, passei pelo sítio e vi que ela os tinha atirado pura e simplesmente para o meio dos arbustos. Não havia um único papel no chão. Nada que a pudesse incentivar. Peguei nos dois sacos e transportei-os para fora da praia. 5 kg de restos, garrafas de vidro, etc. O que passará na cabeca desta gente? Querem pequenos paraísos mas apenas por um dia? Porque é que somos tão estúpidamente diferentes?
Em Lagos, enquanto esperava por uma refeicão, observava um autocarro de turistas. Um entrou pela porta da frente, comprou o bilhete e deitou-o para o chão pela porta de trás. Levantei-me, apanhei o bilhete e perante o olhar daquele saloio coloquei-o no caixote que distava uns longínquos 2 metros. Sentei-me. Passado pouco tempo, outro turista entrou e fez o mesmo. Já não me levantei.
Há que reconhecer o óbvio. Nós somos javardos qb e achamos que o chão é um caixote comum, os turistas que invadem o Algarve, são os trolhas de Inglaterra e Alemanha. É o preco a pagar pelo turismo pé-de-chinelo que ali criámos.
As praias estão cheias de campanhas, com distribuicão de latas, para os fumadores não largarem beatas na areia. Reconheco o mérito de quem tem estas iniciativas. Enquanto povo, devíamos ter vergonha de todas as formas que usam para nos explicar o que é ser civilizado. Até o macaco Adriano aprendeu mais depressa.
É lutar contra moinhos de vento. Não vale a pena.
Admitindo o nosso crónico atraso relativamente à europa evoluída, quem sabe daqui a 50 anos conseguimos perceber a diferenca entre o chão e um caixote. Quem sabe.
Até lá, a cada regresso, é preferível olhar para o mar e nunca baixar a cabeca.
quarta-feira, setembro 10, 2008
O bluff

Sumário: apresentacão

Gosto de regressos.
E porquê?
Porque gosto de novidades.
Não no sentido calhandreiro da coisa. No sentido de que algo muda sempre enquanto estamos ausentes.
Comeca logo pelo regresso do céu.
Não há que enganar.
Portugal, Espanha, Franca,Bélgica, Holanda e Alemanha. Todos com um céu limpo. Mal se atravessa o Báltico assiste-se a um congestionamento de nuvens. Chegam mesmo a usar os cotovelos para arranjarem um espaco de céu azul para tapar.
O avião para aterrar em Gotemburgo depende quase exclusivamente dessa maravilha da ciência que é a navegacão por instrumentos.
Estou convencido que o sítio onde os escandinavos mais regularmente viram o sol foi nos episódios do Baywatch.
De entre os regressos, aquele que aprecio menos é o regresso ao trabalho.
Não sei bem porquê.
Tem algo a ver com uma vértebra e o baixo alentejo. Já me explicaram, mas de momento não me ocorre.
O regresso à labuta na Suécia é como a primeira semana no secundário. Sumário: apresentacão.
Por estes lados, ao fim de uma semana de calinadas, é hábito ouvir "ainda estou com a cabeca na praia".
O regresso é por isso doce.
Escusado será dizer que imaginei idêntico cenário para mim. Emigrante sim senhor, mas filho de jesus lord como os demais.
Contudo, passaram-me as ilusões com a rapidez de um TGV (TGV entenda-se: um comboio rápido que não pára em cada santa terrinha. Qualquer semelhanca com o que se prepara em Portugal é pura coincidência).
Desconfiei que algo estava mal quando entrei e olhei para os meus colegas.
Não os vi.
Não é que não tenha tentado, mas os lugares estavam vazios.
Por outras palavras, estava só.
Comecei a bater sola nos corredores e ao fim de algum tempo descobri os meus camaradas de labuta 4 pisos acima.
3 cafés depois lá me explicaram que um careca com cara de PIDE andou a fazer queixas da nossa equipa ao chefe de departamento. "Fomos tramados com F", dizia o meu colega trocando o habitual inglês de Oxford por outro usado nas docas de Newcastle.
Para castigo, fomos todos enviados para lugares no raio de visão do referido chefe. Um tau-tau nunca fez mal a ninguém. É o que a minha avó diz.
Como bónus ficámos também perto do careca, o que embeleza ainda mais o cenário.
Muito bem.
Não era a novidade que esperava, mas marcha.
Quem não tem um lambe-botas por perto que atire a primeira pedra. Todos temos direito ao oxigénio.
Antes que tivesse tempo de comecar a empacotar a tralha que durante 1 ano espalhei com carinho nesta mesa, disseram-me: "...mas há mais".
Bom, aí tirei outro chá e ouvi.
Durante as minhas férias, um colega de outra equipa deveria fazer parte do meu trabalho, segundo um acordo pré-estabelecido entre os dois projectos. Inicialmente, ele teria uma semana para fazer um conjunto de testes a um sistema de airbag. O fornecedor em questão foi mais competente do que se esperava e entregou o dito sistema duas semanas antes. O meu colega, bom rapaz mas ingénuo, disse em reunião de grupo: "planeei para uma semana, como tive duas, não fiz nada".
Ora, este tipo de organizacão nem um sueco papa. Foi um daqueles saltos de fazer corar o Nélson Évora.
O que inicialmente estava previsto para 3 semanas, passou para uma mão-cheia de dias.
E ao que parece tocou-me a mim.
E tem que ser rápido.
Muito bem.
Bebi o meu último trago de chá e deitei-me a pensar.
Perante tal cenário, o que faz um profissional sério e dedicado à causa?
Ainda tive que esperar uns bons 2.5ms, mas a custo, a resposta lá apareceu na minha cabeca.
"Vou jogar à bola."
Não vejo outra solucão.
Sumário: continuacão da aula anterior.
