segunda-feira, janeiro 28, 2008

No lado do Sol



Nunca me esqueci de nada. Rigorosamente nada. No campo do esquecimento sou praticamente uma lenda. Olho para as malas e sei que não falta nada. Está lá tudo. Comprimidos para a malária, purificadores de água e repelente bomba para mosquitos. Tudo o que se pode querer numas férias de sonho. Ao principio pensei: "Africa...huum...isto com um calcãozito e duas t-shirts faz-se!" Mas não. Parece que não.

Entre medicamentos e material de montanha enchemos uma mala. Sim pai, por acaso foi a tua. Vou levá-la a passear um bocadinho está bem?Os GNRs do Iraque não estão tão bem equipados. É a sensacão que me dá. Pronto para a aventura parto para a minha primeira experiência no continente africano. Vou de espírito aberto e com vontade de ver como se vive na Tanzânia. As montanhas, a vida selvagem, o Índico e espero eu, gente simpática, abrirão novos capítulos na história da minha vida. Enquanto escrevo vejo as imagens do vizinho Quénia. Não estamos no mesmo século, infelizmente.

Volto ao estaminé dentro de 3 semanas. Mais bronzeado espero. Mais mordido de certeza.

domingo, janeiro 27, 2008

Poesia

Talvez vocês não percebam.
Refiro-me a vocês.
Sim, vocês, os 4 milhões aí do rectângulo.
Sei que não compreendem.
Para os restantes 6 milhões isto é pura poesia.
Não interessa se passaram 45 minutos encostados à bandeirola de canto a queimar tempo. Não interessa o sufoco da 2a parte. Não interessa aquele banco miserável. Não importa se o Luis Filipe não partiu uma perna durante os treinos da semana. Embora neste último caso eu continue a insistir nas minhas rezas.
Tudo o que conta é que um paraguaio escreveu mais um canto dos Lusíadas.
Arte meus amigos.
Arte.
E agora posso dormir.
De tacha arreganhada.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

A lei

Estou fã do Prós e Contras.
Não só os temas discutidos me interessam, como ali se define o rumo do país.
Sim, a Assembleia da República também é importante, mas comparativamente com a quantidade de decisões que saltam do estúdio da RTP não passam de uma reunião de tupperwares.
Nos dias que correm, a opinião pública é influenciada por espacos destes. E se não tivesse colocado um ponto final diria: ponto final.
O Sócrates deve ver cada programa de bloco de notas na mão.
A lei do tabaco.
Durante duas horas médicos, advogados, historiadores e donos de restaurantes tentaram compreender a lei.
Sá Fernandes, como bom advogado que é, procurou interpretar a lei e procurar linhas que explicassem conceitos técnicos que eles manifestamente não entendia. Aproveitou até para fazer um pouco de politiquice de alguidar, abusando da paciência daquele médico simpático e educado que se sentou à sua frente. Não é o George, é o outro com o nome cheio de Ks.
Platão apareceu na conversa e por aí se percebe a capacidade técnica dos oradores.
Os restaurantes perguntavam como podem cumprir a lei, a ASAE dizia que só precisavam do certificado de um técnico, o Sá Fernandes perguntava como se mede o ar, o George invocava Platão e o Assis Ferreira mostrava-se um benemérito colocando os casinos a cumprir uma lei "só por que nos apetece".
O governo, com as excepcões acabou por arranjar sarna para se cocar.
"Mas porque é que não tirámos as alíneas todas deixando apenas a de É PROÍBIDO FUMAR ?", perguntava Sócrates entre dois golos de um reserva do Esporão no apartamento do Marquês.
Eis que, na 3a parte do programa deixam falar um engenheiro. Estava só e por isso direi, o engenheiro.
Arrumou com as duas primeiras horas do programa dizendo que os actuais ventiladores não serviam para nada. Não basta ir um técnico ao restaurante montar um exaustor. É necessário um projecto de engenharia, que estude o espaco, veja a concentracão de fumo e conceba as melhores saídas. Em Portugal, segundo ele, só engenheiros credenciados podem fazer tais projectos.
Por acaso, são os engenheiros pertencentes à associacão que ele representa. Um detalhe.
Como era o único técnico presente, ninguém ousou duvidar. Fátima Campos Ferreira fez o resto. "Os restaurantes têm aqui a resposta que procuravam", disse. Não basta um técnico e um exaustor mas sim um projecto de engenharia assinado por um engenheiro certificado. A ASAE papou, a lei diz apenas que tem que ser alguém certificado e na falta de outro alguém aquela associacão arranjou tacho para os próximos 10 anos.
Agora, cada tasco terá que pedir a um gabinete de engenharia um projecto para limpar o fumo. A palavra projecto aqui muda tudo. Engrandece a coisa. Eis como se cria um lobby em directo.
Profissão de futuro: engenheiro que assina papéis relacionados com fumo.
Zé, aqui só para nós, não teria sido mais fácil fazer uma lei apenas com uma linha:
"É proibido fumar em todo e qualquer espaco interior de acesso público."
Aqui por cima faz-se isso e parece que ninguém se importa de fumar na rua.
E olha que faz frio pá!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

As classes sociais: abastados, ricos e muito ricos

Entrevista ao director do colégio Valssassina, cujo nome já não me lembro, mas sei que é sopa de massa:

P: Mas o vosso colégio é elitista?
R: Não, temos várias classes sociais.
P: Qual é a mensalidade de um aluno do secundário?
R: 400 e tal euro.

O funcionário do mês de Janeiro



As redaccões das televisões cheiram a modernidade.
Desde que importámos o modelo "Tio Sam" do open space, podemos não só ver o José Rodrigues dos Santos a emocionar-se, como ainda percebemos tudo o que anda ali por trás.
Gosto do pormenor de quem passa ter sempre um papel na mão. Passar em prime time com as mãos nos bolsos não contribuía para aquela imagem de redaccão movimentada que se conhece dos filmes.
Há no entanto um personagem de quem tenho sempre pena. Aquele desgracado que está sentado de costas com o monitor virado para a nossa televisão. Durante 2 horas, sim porque é o mesmo no jornal da tarde e no telejornal, todo o país vê o "trabalho" do rapaz. Significa isto que há pelo menos um funcionário público (no caso da RTP) que só pode jogar solitária durante 6 horas. Isto não só é violento como ao que parece provoca desgaste rápido. O sindicato dos quadros do estado tem uma escala de rotatividade para que não toque sempre ao mesmo a perda do recorde na solitária. Há também um subsídio já sacado ao governo para estas horas de trabalho extra. Se repararem com alguma atencão, este personagem tem que fingir um ar compenetrado e mesmo de costas isso não é fácil de fazer. Normalmente apoia-se no cotovelo esquerdo e segura a cabeca entre o indicador e polegar. Além das tendinites no braco esquerdo, cria diversas atrofias no braco direito porque não o pode mexer.
E quando vem aquela urticária? Uiiiiii.
Imaginem o José Rodrigues dos Santos com a lágrima a relatar as cheias em Mocambique e um gajo por trás a cocar-se como se o mundo estivesse a acabar.
Não pode ser.
Todas as regalias para o desgracado que estóicamente aguenta esta esfrega de manhã e à noite são poucas.
Mas vale a pena.
É moderno.
Muito Daily Planet.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Os chenêses

Entro na sala.
Procuro a torta.
Bolas. Todos os lugares em volta estão ocupados.
Sven, passa aí uma fatia sff.
Jonas, pede aí ao Erik para cortar uma fatia para o Tiago.
Ruuh,ruuh,ruuh (serra IKEA).
Toma Jonas.
Obrigado Erik.
Toma Sven.
Obrigado Jonas.
Toma Tiago.
Obrigado Sven, Jonas e Erik.
Mexo o chá. Amora silvestre.
Chomp, chomp, chomp....slurrrp, slurrrp, slurrpp.
Ahhh...o bolo alimentar está feito e olho agora atentamente para o power point.
Já lá vão uns bons 63 segundos de observacão. Chega.
Olho em redor e observo os nativos.
Viking, viking, viking, chinês, viking, viking, viking.
Olha, nunca tinha visto o chinês.
Sven, mais uma fatia sff. Este gosto a canela dá cabo de mim.
Vou-me apresentar. Fica sempre bem.
Meto a música e sai a frase:
My name is Franco, Tiago Franco.
Mas pode tratar-me por Tiago.
Prazer.
My name is Po.
Chu Fong Soy Lin Tang Ming Po.
Chu Fong Soy Lin Tang Ming para facilitar.
O prazer é meu.

domingo, janeiro 20, 2008

Objectivo: Europa e América do Norte


Resultado: It's over ! Mas over mesmo e não aquele do Bush.
Adenda: Os turcos lá em baixo aguentaram mais um round depois da foto!

sábado, janeiro 19, 2008

Os desbocados

Já não há respeito.
Nos saudosos tempos do Humberto Coelho bastava um simples levantar de braco e o fora de jogo estava assinalado.
Entravam na catedral e mal seguravam os joelhos.
Eu ainda não andava por cá, mas era bonito de ser ver. Diz que.
Hoje, qualquer badameco vai ao estádio da luz convencido de que qualquer resultado que não seja uma goleada aos coxos de vermelho é "injusto".
O artolas do leixões depois de jogar 90 minutos para o empate disse "que a vitória lhes assentava bem", hoje é o penteadinho do feirense que reclama os louros de encostar o glorioso às cordas.
Camaradas, a ver se nos entendemos.
Eles não jogam nada, têm a moral em baixo e o Luis Filipe ainda tem as duas pernas.
Tudo verdade.
Mas a estátua do Eusébio ainda está lá ou não?
As camisolas ainda são papoilas saltitantes ou não?
Vamos lá a ter respeito pela "instituicão".
Hum, hum, hum....e hum??



Ps - Há alguma razão para que o LFMenezes apareca rodeado de jornalistas nos mais diversos sítios a comentar toda e qualquer notícia? Sousa Tavares, tu abre o olho senão ficas no desemprego.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Servico público

A RTP faz verdadeiro servico público com o seu conteúdo on-line.
Apesar de já não pagar impostos em Portugal (ATENCÃO malta das financas: como a Suécia é um dos países que contribui na UE e Portugal é dos que recebe, ao pagar aqui, acabo por entregá-lo no mesmo sítio, ok?), fico contente por vocês que pagam.
E aposto que vocês também ficam contentes de saber que esses impostos permitem um investimento no canal público, que possibilitam por sua vez que a comunidade emigrante acompanhe notícias, debates e novidades do rectângulo.
Contentes?
Óptimo.
Via o debate no prós e contras sobre a Ota, Alcochete e o relatório do LNEC.
Maravilha.
Conclusão óbvia: ninguém leu o relatório que supostamente se discutiria.
O Miguel Sousa Tavares leu, mas não foi convidado.
Para lembrar: As palavras de um ex-comandante da TAP sobre a seguranca em Alcochete. Existe, é perfeita para a navegacão aérea DESDE que os autarcas não permitam a construcão de prédios em cima das pistas, como aconteceu ao longo das décadas na Portela.
Para esquecer: O dia em que o presidente da C.M das Caldas da Rainha nasceu. O típico autarca português sem qualquer argumento que não seja a defesa dos lobbies que o suportam. Entre outras pérolas fez questão de explicar como encomendar estudos viciados. A honestidade fica clara e a inteligência também. Fernando Costa e os seus 20 anos de autarca, envergonham qualquer bom português.
E agora até logo, que está na hora do telejornal.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Em Londres



British Airways?

A falhar uma aterragem em Heathrow?

Não há lógica que suporte a minha teoria.

Bom...sobra a Lufthansa, a KLM e a sempre amiga TAP.

Sócrates o discípulo de Platão...ou seria ao contrário?



Todos temos um objecto preferido.
Na minha idade esse objecto devia ser a playstation acompanhada do fiel amigo Pro Evolution Soccer. Reconheco-o.
Mas não é.
Isto não significa que não tenha treinado Tiago (no verão, no verão...).
Para mim, o objecto mais espectacular e que mais gosto de contemplar é o mapa mundo.
Um folha de papel com algumas cores, nomes de cidades e fronteiras faz-me pensar horas a fio.
Ver as velhas fronteiras europeias, as sempre em mudanca e rectilínias fronteiras africanas, a imensidão da Sibéria e as incontáveis ilhas do pacífico.
O sonho comanda a vida e se há talento que eu tenho é o de sonhar. Acordar é que é mais dificil.
Ver este sítio, perceber como vive aquele povo, conhecer a evolucão do mundo como um só espaco e concluir onde e como nos encaixamos nele.
Olho para o mapa.
Penso nos sítios onde decididamente não quero ir. São poucos, muito poucos. Os dedos das mãos chegam para contar.
Volto a olhar.
E os que quero conhecer?
Bolas…ainda por cima só vou viver 120 anos. Não dá tempo de ir a todo o lado.
Proridades.
Sydney ou Vancouver?
Andes ou Himalaias?
Pacífico ou Índico?
Phi-Phi ou Bora-Bora?
Moscovo ou Pequim?

Não consigo.
Podia ficar aqui mais 3 dias a escrever locais por onde quero passar.
Será estranha a sede de conhecer e de aprender?
Acho que não. Estranho é recusar o conhecimento ao ponto de não perceber onde é o que meu quintal se situa.
Exemplo:
Alguém que passe na Amazónia tem a possibilidade de ver paisagens maravilhosas e de observar um dos últimos recantos verdes do planeta.
Além da beleza natural, há ainda a hipótese de ver como vivem as populacões indígenas. A experiência, serve não só para revelar novos credos e culturas, mas explica também (em parte) os dramas da ocupacão portuguesa.
Há sempre algo a aprender sobre nós e sobre quem nos rodeia em cada curva.
Se eu fosse dentista ou um gajo desses que tem um consultório com uma sala de espera, enchia as paredes e mesas de mapas.
É uma alternativa à clássica Maria e TvGuia que normalmente saltitam nesses espacos.
Os pacientes perderiam a hipótese de relacionar gravidez com escova de dentes, mas perceberiam que a Eslováquia não é a outra metade da Eslovénia.
Há algo de mágico ao olhar para um mapa.
A Oceânia é já ali. Basta-me desviar um pouco o olhar. Mais um salto e passo nos Urais. Estico um dedo e toco no Sahara. O google earth é particularmente cruel neste ponto. Cada m2 do planeta está lá. Um simples click e estou em sítios do meu imaginário com fotografias reais.
É impossivel ver sem sonhar.
Como é que há gente que não tem curiosidade de ver o que nos rodeia?
Este é que é para mim o grande mistério.
Isso e o tempo para a reforma.

terça-feira, janeiro 15, 2008

A orquestra

Calmo e tranquilo ligo o rádio.
O cd é o mesmo há 2 meses.
Um dia, sim um dia, vou trazer aquela caixinha onde guardo outras opcões musicais.
Mas com calma que a preguica será sempre uma forma de arte.
Rodo a chave.
O carro pega.
E é isto.
Pega e não chateia.
Neste país tropical, o velhote, a um ano de completar a sua primeira vintena pega sempre ao primeiro esticão. Valente!
Sigo o caminho e canto as músicas que já sei de cor desde os 14 anos (sim Tiago, é esse ao vivo no armazém 22!).
O carro acompanha como pode. Eu canto e ele, entre molas velhas e chapa cansada, faz a percussão.
Já conheco todos os ritmos que ele usa para entrar no espectáculo. Mas respeito-o. Quem não ginga preso por arames?
Puxava eu pelo pulmão quando ele desafina. Crác diz ele, quando ali entrava sempre com um tóing.
Huummm....baixei o rádio e deixei-o cantar a solo.
Esperava o tóing, tóing da mola velha ao passar na lomba. Insistia no crác, crác desafinado.
Parei. Debaixo deste sol que tipicamente enche a escandinávia em janeiro, dei aquela volta de quem percebe do assunto .
Olhei para os quatro pneus. Abanei-os com o pé.
nhonga, nhonga diziam eles. Tudo bem.
Ao quarto ouvi tlim, tlim.
Resolvi tirar as mãos dos bolsos.
Baixei-me e de cócoras (que bela palavra para se escrever) abracei o pneu. Dei-lhe um abanão dizendo em surdina: "Então pá? Que mariquice é essa? Aqui está frio e eu quero voltar para a sofage !!".
Ele não se sensibilizou e respondeu com um tlim, tlim, tlim.
"Quero o Santos!!!", gritou.
Muito bem. Não gosto de gente contrariada e passei no Santos.
Xiiiii cára!! Partiu essa pécá nú amortecedô. Tem qui tirá e metê nôvú.
Quanto?
Aí...miú dá peca, míu-dôis míu prá mexê...
Humm....
I si muda dum ládú, têm qui mudá dú outrú.
Mas...
É Tjiágú...sinão, numa semana quebrô ú outrú támbéin!!
Quanto?
Aí.....máis miú.....
Total?
5000 miú, maís coisa, menús coisa.
Fazemos o seguinte Santos, no domingo vou de férias e...
Ai é? Vái prá ondji? Vái com a isposa? Jóia dji pessôa! Tudo dji bôm prá vocêis!
..e por isso arranjo no regresso. Dentro de um mês passo cá.
Máis porrrquê? Diz à hóra i ú vôo e nóis vamú lâ pegar o carro nú aéróporrto. Quando tú chega, aí deixâmú o carro ti esperêndú!
Quanto?
Náda. É camaradágem com ús clientxes.
Se é camaradagem tudo bem.
A propósito, conheces o BES ?




Ps - Tenho que fazer esta nota para não deixar uma impressão errada. O Santos, a pessoa que me desenrasca todas as dores do carro, tem, ao contrário dos servicos suecos, uma disponiblidade total 12h por dia. Qualquer coisa que seja necessária fazer no carro ele faz, nem que a oficina esteja a 5 minutos de fechar. Resolve os problemas mecânicos, eléctricos, lava o carro, vai com ele à inspeccão e nunca diz que não.
Tem um jogo de anca muito brasileiro a que eu acho piada e ao qual dou valor enquanto emigrante. Ele não foge do trabalho. Não o faz de graca, mas é um autêntico faz-tudo.
No outro dia liguei e perguntei se eles vendiam pneus. Eu sei que não vendem, mas a resposta foi: "Claro, é a nossa especialidade!". Desligou o telefone e foi a um fornecedor de pneus buscá-los. Desenrasca-se e cobra por isso. A camaradagem de ir buscar o carro ao aeroporto deve-lhe ter passado pela cabeca enquanto falávamos ao telefone.
Ali há tudo. Como na farmácia.
Basta levar o dinheiro. Em nota! Cartões são para jogar ao monopólio.

Há água no Terreiro do Paco !!

Mas dentro da estacão do metro.
Toca a chapar massa.
Ou a oferecer barbatanas com o correio da manhã.
Mais semana menos ano, a obra fica pronta.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Do telejornal e jornais (online), coisas que enervam:

1- 7 em cada 10 famílias portuguesas só bebem água engarrafada

Ora meu amigos, como sabem, esta água engarrafada está rodeada por todos os lados de plástico que demora 500 anos até se decompor (a não ser que facam como o macaco Adriano e passem no ponto verde). A pergunta que se impõe é esta:
Que mariquice é essa camaradas?
Exceptuando o território algarvio, basta dar um pontapé em qualquer zona no resto do rectângulo e uma fonte de luso fresquinha comeca a jorrar. Água da torneira em Portugal é um verdadeiro luxo. Deixem lá o novo riquismo e sejam amigos do ambiente. O Al Gore agradece e aquele gajo careca com óculos-onde-está-o-Wally da Quercus também.


2- Crónicas a comparar fumadores com judeus no gueto de Varsóvia

Gente que escreve coisas normalmente com sentido (MST e Inês Pedrosa à cabeca), entram numa espiral de angústia, disparando para todo o lado e comparando coisas incomparáveis. Que eu saiba, ainda não há fornos para fumadores…
Ninguém lhes pede (aos fumadores) que deixem de fumar. A única coisa que se tenta com esta lei, é dar o direito de escolha sobre o acto. Quem quer fuma, quem não quer não fuma. Até aqui essa opcão não existia. É que os pulmões não distinguem fumo activo de fumo passivo.
Defeitos de fabrico, eu sei.
Fumadores, escrevam ao criador e apresentem aí as vossas reclamacões.


3- Optimus laranja

Aquela publicidade da Optimus com as bolas laranja é provavelmente, a coisa mais estúpida e irritante do mundo. Bloqueia o acesso aos conteúdos e enche o ecrã impossibilitando por um certo tempo o visionamento das notícias. É esta a técnica de marketing? Irritar as pessoas?
Como diz o meu avô: "O que é que foram fazer à escola?"


4- Jamais

A discussão em torno de Alcochete resume-se ao jamais de M. Lino. Há um milhão de coisas a discutir como o porquê da Portela+1 ter ficado na gaveta, os custos desta obra, a nova travessia do Tejo, a especulacão imobiliária que deve ser travada para que daqui a 20 anos o novo aeroporto não tenha habitacões a 2Km e por aí fora.
O que interessa é crucificar um ministro. Por muitas asneiras que ele diga (e se as diz!), o interesse público deve sobrepor-se a isso. Pelo menos nas cabecas (e perguntas) dos jornalistas.


5- Cavar a terra

Colegas do Tiago (na 3a pessoa como o Jardel) que aparecem pela fresquinha no pequeno-almoco das 8h com as unhas cheias de terra. Vá lá pá! Início da semana! Não podias ter tomado uma banhoca?
Sim, eu sei que não apareceu no telejornal. Mas devia.

sábado, janeiro 12, 2008

Just another day

Um árbitro a roubar qb.
O benfica a não jogar nada.
90 minutos de vida perdidos nesta merda.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

O mecenas


Já sei, já sei, já sei!
O BES paga 10% das contas.
Está escrito em todas as paragens e passa na rádio de 5 em 5 minutos.
Logo, não há razão para duvidar.
Aliás, se há coisa pela qual a banca é famosa é pela sua altruísta capacidade de dar.
Tudo no anúncio é claro. Pausadamente dizem que pagam isto e pagam aquilo.
Um banco a pagar contas? Que espectáculo!
Deve valer a pena.
Por acaso gostava. Gostava mesmo que o BES me pagasse as contas.
A ver se consigo perceber os últimos 5 seg do anúncio. Naquela parte em que o locutor se apercebe que está quase a acabar o tempo e comeca a falar sem vírgulas.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Conta-me histórias daquilo que eu não vi

Al-Kahder, Belém


Assim de repente, quem vê o nome Al-Kahder, pensa logo em Belém e em pastéis.
Admito que sim.
Contudo, embora se observe uma quantidade de cimento assinalável, esta imagem não reflecte Portugal mas sim a Cisjordânia.
Há uns meses soube-se que o governo português tinha oferecido à Palestina este mimo que nos custou 2 milhões de dólares.
A pergunta óbvia seria:
"Para que é que um território sem lei, identidade, tecto, governo, paz, emprego e esperanca de vida quer um campo de futebol?"
Eu comecaria por arranjar casas de banho e tectos sem lona. Mas é uma opinião.
Ignorando o conteúdo da oferta, há que perceber que o nosso estado mais conhecido como o mamão da UE, de vez em quando tem que largar algum.
Os acordos de cooperacão a isso obrigam.
Mas, e quando chega a vez de largar dinheiro no rectângulo, o governo tem (de vez em quando) umas paragens, vá lá, cerebrais.
Ouco hoje que os retroactivos do aumento das pensões (desde Dezembro 07) vão ser pagos em prestacões ao longo do ano. Alguns casos chegam mesmo a 9 eur e por isso, em suaves prestacões de 1 eur a coisa fica mais fácil.
O secretário de estado diz que assim o governo não dá tudo no primeiro mês e as pessoas não notam a diferenca a partir de Fevereiro. Não gastam tudo logo no primeiro mês. É assim mesmo! Com 9 eur no bolso os velhos largavam a sueca no jardim e ainda eram capazes de comer alguns 3 bolos no café. Engasgavam-se e era uma chatice com a baba e por aí fora.
O governo não só dá uns aumentos espectaculares, como gere as financas de cada velho e ainda lhes poupa a saúde.
Tudo bem pensado!
Ou será que os cofres do estado estão às moscas?
Não, isso não acredito.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

O gajo dos condensadores

Poucos dias depois do natal, num convívio daqueles que enchem a alma desta vez na Casa da Morna (que cachupa meus amigos, que cachupa!), pergunta-me uma amiga se o meu terror de voar se prendia com alguma má experiência.
Define "má experiência".
Para quem não gosta de voar um poco de ar pode ser a pior coisa do mundo, para quem dorme e baba a viagem toda, é apenas mais um minuto. É a sensacão de nada poder fazer e de entregar o destino ao gajo que apertou os parafusos, ao outro que testou o sistema de navegacão e rezar para que o responsável pelos testes no motor não tenha adormecido. É psicológico. Aceito.
Ainda assim, foi com espirito de "vamos a isto" que entrei no Porto, esta 5f, no vôo de regresso para Estocolmo.
A Ryan Air não é muito diferente da Barraqueiro. Aterra, encosta bem longe de uma manga, mete o lixo num saco e enquanto saiem uns, já estão outros a subir a escada. Mete 1a e segue.
O gajo da gasolina mal tem tempo para desengatar o tubo.
Entro no avião e parece que estou no cinema da Luisa Todi. Não há lugar marcado.
Na dúvida opto pela fila da esquerda. Sai-me mais natural.
Já eu estava sentado quando se abate um dilúvio no Sá Carneiro.
Neste cenário o avião levanta vôo.
Comeca a furar as nuvens e após 30 seg no ar vê-se um clarão seguido de um barulho de rebentamento sobre a asa esquerda.
Aqui abro espaco para a retórica: um doce para quem adivinhar o nome do artista que se sentou nesse lugar.
As pessoas no avião assustam-se e gritam. Eu vejo o clarão e digo: "#¤%&% o motor rebentou!!!"
Ao meu lado, uma voz calma acrescenta: "Não foi o motor. Repara que o avião continua a subir."
Sempre quis ter uma discussão sobre rebentamento de motores no ar. Descontrai-me.
Passado algum tempo e já com o avião direito, o comandante veio explicar que tinha sido um relâmpago e tal, por isso agora relax e vamos seguir viagem.
Relax?
Nessas 3,5h a única coisa que fiz foi olhar para o motor.
Ah...e pedir aquele tinto manhoso que eles por lá vendem.
Ao meu lado vejo gente a ler, a dormir, a ressonar. Já não estão assustados.
Tudo bem.
Eu fico agoniado por todos.
Tenho a sensacão que disse "nunca mais vou a Portugal com nuvens" o que é uma coisa com um sentido que um dia conseguirei perceber.
Agora dizem vocês, ou dizes tu Hugo, mas não sabes que o avião quando leva com um raio tem um comportamento de gaiola de Faraday ?
Essa é a parte bela da ciência. Todos acreditam mas ninguém quer testar. Numa esplanada, a beber um café e com os pés no chão tudo faz sentido. A 5Km do chão até em Deus acredito.
...
Acho que isto conta como má experiência.

sábado, janeiro 05, 2008

O meu sonho

Ver o Benfica sofrer um golo e o culpado não ser o Luis Filipe.

Olá 2008

Long, long time ago...vá, 20 anos para ser mais preciso, coincidia o número de velas do meu bolo de aniversário com o número que o maestro usa nas costas quando Lisboa aparecia aos meus olhos como o centro do mundo. Dos sítios por onde o destino me fazia passar, Lisboa era a maior, a que tinha mais luzes, mais carros, mais lojas e mais confusão.
Lembro-me de levantar vôo em S.Miguel e 2h depois ficar encantando com a quantidade de luzes com que Lisboa me recebia. Era A cidade.
Os anos passaram e as voltas alargaram-se.
A observacão contínua de outras realidades tem a enorme desvantagem de nos situar em várias escalas. Retira a magia.
Há pouco menos de uma semana, passava na baixa pombalina e perguntava-me porque gosto tanto de Lisboa?
Tem uma luminosidade única e foi a cidade onde nasci e passei parte da minha vida. Objectivamente são estas as razões que ainda posso apontar.
Os restantes atributos que fizeram de Lisboa uma cidade esplendorosa estão hoje no seu estado "américa latina".
A cidade projectada pelo M. do Pombal (até deve dar voltas no túmulo...) está hoje totalmente em ruínas. Há prédios sem tinta, paredes partidas e fachadas a corar de vergonha. No centro histórico! Maior parte dos edíficios estão sujos e em mau estado de conservacão. Felizmente existem bancos naquela zona senão ficava tudo transformado num autêntico galinheiro. As casas na colina do castelo esperam que um vento mais forte as encoste ao chão.
Qualquer ruela tem prédios a cair. Perto da Alameda, Saldanha, Campo Pequeno, Praca de Espanha, etc, etc. Escolham.
Fora do centro histórico o conceito arquitectónico chama-se "bloquismo".
Blocos e blocos de cimento arrasam qualquer pequeno canteiro. Meter um cão a mijar é hoje em dia uma aventura. Um exemplo clássico: telheiras.
Uma das zonas mais caras da cidade com prédios a perder de vista, entalados entre a 2a circular e o eixo N-S. Vista de sonho.
Aliás, todas as vias rápidas que atravessam a cidade têm uma grande vantagem: fazem uma espécie de "taipal" para a construcão de prédios. Quando toca, está bom.
O rio. Lisboa foi bafejada pela natureza com um rio enorme que a contorna durante largos Km's até encontrar o Oceano.
Até sair de Lisboa eu pensava que era normal um rio existir apenas para ter cacilheiros. Depois de ver meia dúzia de cidades, percebi que as pessoas podem ler um livro num jardim com vista para o rio, que podem andar de kayak, almocar ou beber um café numa esplanada enquanto vêm o seu reflexo na água e por aí fora. Lisboa, deve ser das poucas (para não dizer única) cidades europeias com rio onde a populacão não o consegue aproveitar.
Aproveitar?
Eu diria: ver!
Tapumes em Sta. Apolónia, contentores no poco do bispo, um mamarracho novo no C. do Sodré, docas em algés, etc,etc.
É difícil ver o Tejo. E não é por ele ser pequeno...
Madrid, Barcelona, Valência, Paris, Londres, Munique, Dresden, Estugarda, Frankfurt, Dublin, Zurique, Budapeste, Ljubljana, Zagreb, Split, Oslo, Helsínquia, Estocolmo, Gotemburgo, Copenhaga, Veneza são algumas das cidades europeias que têm o seu centro histórico conservado. Algumas delas totalmente desfeitas na II GG ou na guerra dos balcãs estão hoje em condicões de receber turistas e de proporcionar bem estar a quem lá vive.
A II GG não passou por Lisboa. Depois de 1755 as únicas calamidades foram a corrupcão, políticos de algibeira e uma populacão pouco activa para meter governantes na ordem.
Enquanto outras capitais conservam (pelo menos) o seu centro histórico, nós deixamos o nosso cair. Nem deixámos que lá viva ninguém, nem retiramos proveitos turisticos. Para não ir mais longe, penso apenas o que fariam os espanhóis se tivessem uma cidade com o potencial de Lisboa.
Rio, Mar, Sol, Arquitectura, História, Beleza Natural, Gastronomia, Museus, Espectáculos. Está lá tudo. Mal aproveitado, mas está.
Objectivamente, recorrendo aos olhos da razão, tenho que me esforcar para encontrar o esplendor de Lisboa no presente.
Sobra-me a emocão e o bater do coracão.
Essa não muda, nunca mudará. Felizmente.
Lisboa é a minha cidade.
Mas perde cor em cada regresso.