terça-feira, julho 31, 2007

O fim do mito

Durante décadas, nós, Seres Humanos com tendência capilar na zona da baixa bochecha, fomos afastados da tela da criacão, mais conhecida entre mundanos por "fogão".
Responsabilidade maior da outra variante humana neste capítulo das artes, que nunca quis partilhar o Graal da sapiência.
Na clandestinidade trocámos receitas, adquirimos conhecimentos e partilhámos experiências. Quem não passou bilhetinhos na primária com a quantidade secreta de água para fazer gelatina de morango, que dê um passo em frente. Comecámos a crescer em várias frentes e da clandestinidade conseguimos lancar as vozes da discórdia. O camarada Goucha, com aquele disfarce genial do bigode, foi o nosso Ipiranga no canal do estado.
Goucha abriu o caminho para uma nova geracão. Seguiram-se os nomes franceses, as escolas de coktails, chapéus de meio metro, toucas para segurar o cabelo e cozinheiros carecas. A integracão no reduto do inimigo foi conseguida depois de décadas de luta.
Todos os segredos foram desvendados e o mundo tornou-se um lugar mais justo.
Todos?
Não. Um segredo resiste e resistirá sempre contra o invasor numa pequena aldeia protegida por Toutatis, o deus dos ovos de aviário.
Nesse paradeiro incerto, último bastião da sabedoria culinária, está codificada a receita da omolete no Santo Graal.
Anos e anos de tentativas. Sonhos desfeitos no momento de "dobrar" a omolete. O sorriso de quem está por perto e a humilhacão de comer uma vez mais ovos mexidos.
O Graal era apenas uma lenda, mas as nossas angústias diziam-nos que existia.
Partimos no vento da esperanca.
Passámos desfiladeiros, andámos de liana e desafiámos as leis da Física.
Quando as forcas nos abandonaram uma visão surgiu.
Era Afonso Henriques, ele próprio, sentado a fazer uma paciência enquanto guardava a porta do Graal.
"Altoooo, têm cartão da casa??", perguntou-nos visivelmente irritado.
Esforco inglório. A odisseia presa num detalhe. Calcões e ténis não davam entrada naquela casa.
"Esse aí pode entrar!!", dizia Afonso para James, que depois de 5 dias de pó continuava com o smoking e o cabelo impecávelmente limpos.
James não nos abandonou na porta e tudo parecia perdido. Num golpe de génio, o camarada Indiana lembrou-se daquela história do carpinteiro e do Latim.
Conseguimos entrar!
No limiar das forcas chegámos ao Graal. O Santo Graal estava ali!
Abrimos a primeira página.
Era o índice.
Pág. 45 - Como virar a omolete?
41, 42,43...estávamos impacientes e o suor das mãos colava as folhas.
44,... aguentámos a respiracão...
45 - USE DUAS ESPÁTULAS












segunda-feira, julho 30, 2007

Trapalhoni

Em junho de 2008, em vez de ouvir:

"Não fomos campeões porque toda a época foi planeada a contar com o Simão e como ele saiu fiquei baralhado com a geometria do meio campo, mas por outro lado deu imenso jeito porque já estava a ficar com poucas desculpas para esta minha sina de perdedor nato. "

...preferia ver o Trapalhoni a abanar aqueles sornas...
Mas isso sou eu, que embirro com malta que consegue perder com o "Manel Zé".

Na cantina entre emigrantes

Eu: Hej, hej (Olá)
Tin Po: Hej
Eu: Kan jag titta på lunch? (posso ver a mixórdia de hoje?)
Tin Po: Ja visst ! (claro pá!)
Eu: Ehhhhhhh Tin....det stora merda än en gång??? (Tin, essa merda outra vez???)
Tin Po: ¤#"%&+?=#½....
Eu: lugna ner Tin, lugna ner Tin !!! Jag kan förstå inte kinesiska!!! (calma Tin, calma Tin!!! Chinês não vale pá!!!)
Eu: Jag blick lik ronald och... (é que já pareco o Ronald e ...)
Tin Po: Vilket Ronald?? Cristiano?? (Qual Ronald?? O Cristiano??)
Eu: Nej Tin Po!! Den McDonald, Roland McDonald Tin!! (Não Tin, o Ronald McDonald pá!!!)
Tin Po: ????
Eu: Sedan siste vecka jag bara åt hamurgare med ost!!! (Desde a semana passada que so mordo hamburger com queijo Tin!!!!)
Tin Po: Och ... ? (e...?)
Tin Po: Vill du föredra bitoque med ägg à la mamma ??? (queres um bitoque com ovinho queres??)
Eu: Ja, ja!! (sim, sim!!)
Tin Po: Ja? (sim??)
Eu: Ja, ja!!
Tin Po: Jag har inte ! (Não tenho pá!!)
Eu: Tin Po e se fosses #¤%&"#¤%¤%& !!!
Tin Po: Prata du kinesiska???? (falas chinês??)
Eu: ...e além disso #"#%&/(?!"£$...

(Fez-se silêncio. Olhámos uns bons 30 segundos um para o outro até que ele disse:)

Tin Po: Den hamburgare....med ost? (o hamburger...com queijo?)
Eu: Ja. Och inge lök tack. (sim e sem cebola sff)
(...)
Eu: Den barnen...? (Os putos...?)
Tin Po: De är bra, man Tu Fong, min lilla är sjuk... (Estão bem, mas o Tu Fong, o meu mái novo está doente...)
Eu: Raign? (apanhou chuva?)
Tin Po: Nej...något på mat... (não, qualquer coisa na comida...)

Ingmar Bergman


Morreu esta manhã, em Fårö, aos 89 anos.

Em boa companhia


Ouco uma metereologista em tom algo triste: "Em Faro estará um pouco mais fresco, já que não passará dos 34 graus..."

Ahnn?? Fresco?? Comeco aos saltos na cadeira enquanto ela me volta a interromper: "...e em Beja a temperatura atingirá os 42 graus."

Ahhh...assim já percebo. No Alentejo respira-se à vez e por isso no resto do país está "mais fresco". Ouvi dizer que no Sahara estão 50 graus. Sorte daquela malta em Beja...

Estou aqui a pensar em dois ou três camaradas que estão neste momento em lisboa e trabalham de camisinha. Pagava 500 paus para ver essas rodelas!

Com metade dessa temperatura aventurei-me numa das 152637348949474940 ilhas que formam a costa oeste da Suécia.

Marstrand foi o destino de 4 portugueses e um grelhador portátil. Sol, vento qb (o suficiente para estimular o braseiro) e uma paisagem fabulosa. Estas caixas com carvão que se compram nos supermercados são, depois da pizza de banana, a grande invencão do séc.XXI . Sinto que estou a descobrir novas funcionalidades nestas mãos tão maltratadas pelo jeito. Se um dia voltar para Portugal, e admitindo que não vou tirar engenharia civil, porque não abracar uma carreira de grelhador profissional de choco na Luisa Todi? A pensar.

sexta-feira, julho 27, 2007

St. Andrews, Escócia

E eu que pensava que a Escócia era famosa apenas pelas Highlands,

pelo monstro do Loch Ness


e pelo Sean Connery!






Praias de fina areia.
Vivendo e aprendendo.

18 meses


Tenho com o vil metal uma relacão muito "Mário Soares": "O que é preciso é uma boa ideia. O dinheiro logo se vê!"

Nunca fui muito organizado nesta vertente da vida, mas diga-se também que nunca houve muito para organizar. Falta-me aquele conceito de acumular para dias de tempestade.

Nada contra, mas na minha educacão o dia-a-dia foi sempre mais importante.
Passa agora um ano e meio sobre a decisão de fazer a mala de cartão e, se por segundos afastar as saudades, posso afirmar que a vida se tornou mais fácil (sim, retirando a chuvaaaa!!!).

Do ponto de vista prático, financeiro e social entenda-se. A falta que algumas pessoas me fazem acompanha-me em cada passo.

Mas, e analisando de uma forma fria, consigo perceber como neste espaco de tempo o dia-a-dia se simplificou, quando comparado com o (meu) quotidiano português. Tal como em Portugal, 1/3 do meu salário fica nos cofres do estado, mas o retorno é bem diferente. Felizmente, vou a um hospital 1 vez em cada 10 anos, mas caso queira passar por lá, pago igualmente uma taxa moderadora mas apenas até um determinado limite, a partir daí é de borla (o mesmo acontece com os medicamentos). No sistema de saúde os únicos profissionais privados são os dentistas (aposto que são brasileiros!), tudo o resto é público. Que eu saiba não existem por aqui hospitais privados...

Em Portugal, nos últimos 6 anos sempre que tive que ir a um hospital (normalmente como acompanhante), recorri quase sempre a privados para evitar as horas de fila. Claro que fazia isso porque a empresa onde trabalhava tinha um seguro para os funcionários que cobria 80% das despesas, caso contrário seria impossível. Acho que tinha sorte nesse aspecto, mas do ponto de vista global (de funcionamento das instituicões) não me parece boa política. Aproxima-nos muito do sistema de saúde "Tem seguro? Então operamos!" americano. A esse propósito, a gestora do grupo financeiro (cujo nome não me lembro) responsável por aquele novo hospital privado perto do Colombo, dizia que em 7 anos o investimento está recuperado e que melhor que o negócio da saúde, só o do armamento. Honesta.

Do ponto de vista cultural também vejo retorno dos impostos. Muitos museus são de borla ou apresentam tarifas anuais simbólicas. Os transportes públicos são relativamente baratos (passes) e qualquer bairro, vila ou cidade tem instalacões desportivas cujo acesso é gratuito. Relvados e mais relvados para maravilhosas futeboladas (sim, está científicamente comprovado que bola é cultura! Li na revista de ciência "ABola"!).
Não há muitas auto-estradas, mas as que existem são grátis e todas as restantes estradas apresentam condicões impecáveis de circulacão. As ciclovias invadem o país de norte a sul.
Há ainda um enorme retorno que é visível na área da educacão. A formacão escolar é totalmente grátis (para os pais). Até ao 12 ano ninguém pága nada e na altura de entrar para o ensino superior, é o aluno que contrái um empréstimo com o estado (bolsa) que pagará a um ritmo de 100 eur por mês (exemplo) quando entrar no mercado de trabalho. As bolsas permitem que os míudos aluguem um quarto enquanto estudam no ensino superior. É normalmente o primeiro salto para a autonomia e a verdade é que são eles que o pagam. Para os progenitores não sobra qualquer despesa, para além dos impostos óbviamente. Isto significa que ter 35 anos e dizer "Pai, dá-me dinheiro para o café!!" não tem grandes hipóteses de acontecer por estes lados. As creches, que normalmente levem uma boa fatia de salários no nosso país, são públicas na Suécia. Se a isso juntarmos o tempo de maternidade/paternidade (pode chegar a mais de um ano) e os dias para passar com o filho até ele atingir os 7 anos, percebemos porque é que este é o país com a maior taxa de natalidade na Europa.

Tudo isto acontece pagando eu o mesmo nível de impostos que pagava em Portugal.

As casas (comparativamente) são mais baratas e o seu pagamento não leva uma % tão grande do salário todos os meses. O valor do salário mínimo nacional ronda os 1300 eur.

18 meses depois posso dizer que este salto teve uma aterragem num colchão de penas.

Não existem mundos perfeitos é um facto, mas tenho que admitir que esta malta se esforca.

Curiosamente esta constatacão não me abre o sorriso, deixa-me é a pensar: "Porque é que em Portugal não é assim?"
(sim, sim, eu sei a resposta...mas a 3000 Km de distância a pergunta ganha outro sentido)

O nome

Ahhhhhhhhhhhhhh.....então o "não-lhe-digo-de-que-país-vem-senão-você-descobre-logo" era o Angelo Di Maria ?

Quem???

quinta-feira, julho 26, 2007

O Adu vem aí

Enquanto explicava o negócio Simão, LFV disse que mesmo sem ele:

"Estamos a construir a maior equipa dos últimos 10 anos "

Dos últimos 10 anos?? Assim é que é falar presidente!!
(3 seg depois...)
Consultei uma gaveta da memória onde guardo os nomes que nunca darei a um filho. A saber:

King, Nelo, Paredão, Marcelo, Hassan, Luiz Gustavo, Tavares, Pringle, Paulo MAdeira, Ronaldo, Rojas, G. Charles, Dean Saunders, Beto, Calado, Taument, Porfirio, P. Nunes, Paulão, Akwá, Derlei, Cadete, Paulo Almeida, Amoreirinha, João Pereira, Clóvis, Bruno Caires, Kenedy, Andrade, Everson, Karadas, Fernando Aguiar, Panduru, Dudic, Okunowo, Tote, Pesaresi, J.Manuel.Pinto, Argel, José Soares, Jorge Soares, Tahar, Bruno Basto.


Não fiquei mais descansado.

...e continua a piorar...

...agora com coisas bem mais sérias.
O parlamento Sérvio recusou qualquer solucão de independência para o Kosovo e promete reagir a qualquer tentativa internacional de a implementar.
Ainda não foi desta.

O dia comeca mal

Compreendo que se queira ir embora.
Aqui (aí melhor dizendo) era o símbolo da equipa mas com talento a mais para uma liga da II divisão europeia.
Espanha, inglaterra ou itália deve ser o seu destino.
Mais dinheiro, maior visibilidade. Percebe-se.
Depois de tudo o que deu ao clube, ainda ofereceu o lucro da venda. Nada mau, nada mau mesmo. Muitos que por ali cresceram (Paulos Sousas, Hugo Leais e por aí fora...) não tiveram semelhante atitude.
Profissional até ao fim.
Agora, e digo isto por lhe desejar sucesso, dificilmente teria escolhido pior. O Atlético de Madrid (por muito dinheiro que lhe ofereca) é a par do Inter de Milão o maior "torra-jogadores" de que me lembro. Vive na sombra do Real, luta por lugares na Uefa e será para sempre o clube de Gil y Gil.
De qualquer forma, espero que tenha sucesso e que salte para o Real ou para o Barcelona no próximo ano.
Simãozinho, és o maior!



Ps - Agora sempre estou para ver a prenda que aí vem...
Ps1 - Este ano o terceiro lugar vai ser mais difícil...

quarta-feira, julho 25, 2007

Atchim !

Pertenco a uma maioria que acredita em tudo o que vê e em quase tudo o que lê.
Há bem pouco tempo, 1/3 dos habitantes do globo iam ser dizimados pela gripe das aves. Estudos, primeiras páginas, aberturas de telejornais, peritos, médicos, governos, vacinas, planos de fuga para a Lua (espera...isso era naquele 007 com o Jaws...).
De repente, tudo o vento levou. Desapareceu o fim do mundo versão pena dos telejornais.
Como ainda hoje comi galinha, sei que elas continuam por aí, por isso pergunto:
Tomaram todas Cortigripe ou já não estão na moda?

Simplex

Inserido no Simplex, o novo projecto "Casa Pronta" arrancou ontem.
Não sei se funcionará bem ou mal, mas só o facto de eliminar mais de 10 registos/certidões torna-o uma bencão.
Visto de longe, Portugal parece ganhar forma.

O Mandrake




E agora com esta história dos submarinos...24 milhões passados para uma conta do mesmo GES, que se especula ter servido para financiar o CDS-PP...

Huuummm...não sei Paulinho, não sei.

Parece-me que tu e a tua malta andam a meter algum ao bolso.

Ahhhhh...longe vão os tempos em que, do alto da moral que te assiste, abrias telejornais dizendo que os 116 milhões de "derrapagem" da Expo98 dariam mais não sei quantos euro por mês para cada pensionista.

Lembras-te? Dizias isto enquanto passeavas o teu blazer com quadrados e aquele chapéu de agricultor no mercado do Bolhão.

O que fazer agora com este processo?

Não me digas que os arquivos também vão desaparecer como no caso Moderna?

Originalidade. Por favor, alguma originalidade.

O PCP de João Amaral e Carlos Brito



O comunismo “não é um estado que deve ser criado, nem um ideal sobre o qual a realidade deverá regular-se” mas o “movimento real para abolir o actual estado de coisas” como Marx e Engels apontaram



"As velhas concepções, métodos e práticas de organização comunista codificados no período estalinista e generalizados como “modelo” para todo o mundo, bem como a concepção e a prática de socialismo que vigorou durante grande parte do século XX, foram definitivamente rejeitadas pelos trabalhadores e pelos povos. "




"Aprender com a degenerescência de um projecto revolucionário e com uma concepção de sociedade e de partido historicamente fracassadas.

- Quais as razões porque o processo libertador e emancipador aberto pela revolução de 1917 na Rússia entrou pelo caminho da degenerescência, poucos anos decorridos?

- Quais foram as verdadeiras razões da implosão do “socialismo real” na União Soviética e nos outros países do Leste, pesem embora os esforços e os sacrifícios desenvolvidos por sucessivas gerações?

- Por que motivo a generalidade dos partidos comunistas está a perder aceleradamente a sua influência, ao ponto de se terem transformado, em muitos países, em formações partidárias de natureza residual?


A direcção do PCP opôs-se sempre ao livre exame destas questões como se este debate, pela complexidade e impacto histórico dos acontecimentos envolvidos, não fosse absolutamente decisivo em relação ao futuro do projecto comunista. "


Excertos do Manifesto da Renovação Comunista


terça-feira, julho 24, 2007

A culpa como moeda

As cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestiniano detidos desde 1999 sob a acusação de terem inoculado o HIV em crianças líbias, chegaram a Sófia.
"Com base na convicção categórica da sua inocência", o Presidente Gueorgui Parvanov exerceu o direito de perdão. Na Bulgária serão inocentes, na Líbia certamente culpados.
Culpados que Muammar Kadafi trocou por dinheiro, caminhos de ferro, auto-estradas, tratamentos e obras em hospitais. A UE assume a culpa.
A verdade? Bom, essa ficará a cargo de Hollywood.

Olho de lince

Bazaruto, Mocambique
Segundo um estudo da Fundacão Europeia para a Melhoria das Condicões de Vida e de Trabalho, os portugueses têm em média 36 dias úteis de descanso (24 dias de férias + 12 feriados). Segundo o mesmo estudo, os valores entre todos os estados membros da UE variam entre um mínimo de 26 na Estónia e um máximo de 42 na Suécia.


O Pin & Pon



O actual presidente da Bolívia, Evo Morales, passou os 10 anos anteriores à sua eleicão a correr o país, nomeadamente as zonas de maioria india, ajudando-os a obter bilhetes de identidade e consequentemente direito de voto. Foi assim que em 2005 a Bolívia, um país de maioria indígena, conseguiu pela primeira vez ter um índio no mais alto cargo da nacão. Simples e justo.
No PSD contam-se espingardas antes do combate de final anunciado. Menezes tentou a solucão "Evo Morales" sabendo que com os actuais votantes poucas hipóteses teria. Ainda assim, mesmo sem essas condicões, Menezes que persegue a lideranca do partido há uns anos, decidiu avancar. Na sua sede de protagonismo e de "candidato anunciado desde sempre", ficou entalado e não teve outra hipótese senão correr contra a parede.
Marques "Pin e Pon" Mendes que já se preparava para falar para o ar, recebeu este bónus de bracos abertos. A existência de uma oposicão validará a sua vitória aos olhos do partido e depois da desgraca de Lisboa, Menezes acabou por ser a verdadeira luz no fundo do túnel.
Nenhum deles será oposicão real para Sócrates, o que é pena do ponto de vista de governacão do país, mas para Mendes esta argolada de Menezes será o passaporte para 2 anos mais calmos.
Em 2009, Pin e Pon será devorado depois das legislativas, mas nessa altura já Menezes terá gasto todos os cartuchos. Rui Rio estará livre do "compromisso" com o Porto e entre outros habitués, o menino guerreiro aparecerá para animar a malta.
Pin e Pon, sê um verdadeiro camarada e manda uma caixinha de "Mon Cheri" ao Menezes.
Amigos destes não se arranjam ao virar da esquina.


Foto roubada descaradamente aqui.

segunda-feira, julho 23, 2007

Ver mais longe

Na sua recente visita à Albânia, W. Bush (antes de lhe gamarem o relógio) prometeu a independência do Kosovo. Ficou-lhe bem. E como as asneiras do Afeganistão/Iraque não lhe ocupam tempo suficiente, resolveu dar a palavra de ordem nos Balcãs.
Num revivalismo da Guerra Fria temos Putin a apoiar a causa Sérvia e Bush do lado Albanês. Mais do que discutir a inevitabilidade do aparecimento de um novo, miserável e instável país, gostava de me debrucar sobre o fundamento dos gritos Albaneses.
Deixo bem claro que neste momento, dada a história recente do território e as tentativas de limpeza étnica feitas por S. Milosevic e seus pares, não há outro caminho que não seja a independência do Kosovo. Tentar integrar a minoria Sérvia do Kosovo e "transformar" os guerrilheiros Albaneses em políticos, são os passos que se seguem. Uma vez conseguida a independência comecará a luta interna pelo poder. Adivinham-se os próximos capítulos.
Compreende-se que Moscovo seja o único aliado de Belgrado. A Rússia tem dentro das suas fronteiras alguns territórios que decerto tentarão seguir os passos dos Albaneses do Kosovo.
É este precedente que me parece grave. A Sérvia vai perder 1/5 do seu território porque a maioria que lá vive assim prefere. O Kosovo, território pertencente ao império Otomano até 1912, foi integrado na Sérvia e não no principado da Albânia (criado nesse ano) apesar da sua maioria Albanesa. Durante a II Guerra Mundial foi anexada à Albânia (pelos Italianos) e no fim do conflito ganhou autonomia dentro da Jugoslávia de Tito. Em 1974, Milosevic, esse atrasado mental, fez o favor de acabar com a autonomia, dando origem a uma série de conflitos que culminam com a guerra da independência. Claro que o nacionalismo Sérvio foi sempre uma acendalha neste conflito, e os erros na sua gestão acumularam-se, mas a verdade é que este território (bem ou mal) sempre integrou as suas fronteiras. O Kosovo não tem qualquer estrutura própria (mesmo depois destes 8 anos de administracão ONU) que suporte um regime democrático. Sairá de um problema para outro. Mas por escolha própria.
Comparando por absurdo, o que faríamos nós se dentro de 40 anos, os actuais 300 000 ucranianos que vivem em Portugal tivessem uma comunidade de 1 milhão, residente por exemplo no Alentejo e quisessem a independência do território?
Sim, eu sei, é idiota. Mas, ainda assim, aposto que há 100 anos disseram o mesmo em Belgrado.
Da nossa parte (comunidade internacional) deveria ter surgido uma mediacão do conflito (em tempo útil) e uma tentativa de preparacão de novos dirigentes, durante este período de transicão.
Sendo a Ex-Jugoslávia uma miscelânea étnica sem igual em todo o continente Europeu e dada a manifesta inexistência de organizacão, resta-me desejar boa sorte aos novos líderes Kosovares. Bem vão precisar dela.
Ps - Só para que não fiquem dúvidas ou colagens nacionalistas. Nada me move contra qualquer movimento de emigracão (como é óbvio!). O exemplo dos ucranianos foi apenas isso, um exemplo. Qualquer pessoa que venha para trabalhar (e ainda por cima com qualificacões) é sempre bem-vinda.

Acho...

...que esse aí em baixo está encravado e estraga a OST (Original Sound Track) do post e sem música camaradas, não vamos lá.
Nova tentativa, com os mesmos jovens em Munique nesse ano louco de 83.
Que belo dia de sol estava...

It's Raining Again

Felizmente não estou a perder nenhum amigo, mas a parte da chuva confirma-se.
O Outono chegou. Por acaso até simpatizo com essa estacão. As cores avermelhadas, as folhas a voar, o frio nas costas do vento que nos remete para a lareira, para o livro, para o filme debaixo da manta do ikea. Tudo muito bem.
Mas a seu tempo. Não em Julho!
Desde que cheguei de férias não me lembro de um único dia sem chuva. Molha-parvos, dilúvio, tropical e por aí fora. Chuva, chuva e mais chuva. Já estou farto. Dá-me cabo dos nervos.
Se há coisa que me enerva mais do que ouvir PPD-PSD é ouvir chuva a toda a hora fora do contexto já descrito (lareira, livro, etc). Agora não. Agora quero sair do trabalho e ir para o lago ou para o mar. É essa a água que eu quero. Não cái do céu. Está lá quietinha. Olhando, sorrindo e esperando por mim.
Qual será a excepcão? Este horrível mês de Julho ou passado mês de Julho cheio de sol e bons momentos? Qual deles será o "típico" cá do burgo? Cheira-me que terei que esperar outro ano para perceber. De qualquer forma comeco a entender o fascínio que aqui existe pelo sol e a debandada geral que acontece em Outubro/Novembro para a Tailândia. É que isto abana mesmo o sistema nervoso!
Por estas alturas sinto-me preparado para uma tese de doutoramento sobre o tempo e a sua influência no Homem. Teria conversa para qualquer elevador. Mesmo aqueles nos arranha-céus. Comecarei uma estatística de pluviosidade. Se no final do ano perceber que preciso de penas e barbatanas para viver aqui, faco a mala de cartão e vou para Yucatan.
Parece que há vagas para barman e até têm vôos directos para Lisboa. Se há gajo com jeito nas mãos para fazer uma "tequilla sunrise" sou eu!

sexta-feira, julho 20, 2007

Lá em cima...há planícies sem fim, há estrelas...

Adoro os debates sobre o estado da Nacão.
Se vendessem packs avião+hotel até ia para as galerias da Assembleia da República bater palmas. É melhor do que ir ao circo.
A TSF faz-me o favor de transmitir toda a sessão em directo e a Volvo, para não ficar atrás em simpatia, não bloqueia o servidor. Assim, as mãos escrevem, os olhos passeiam em relatórios técnicos e os ouvidos trazem o pulsar do País.
Para não variar, do alto do seu posto, o Comandante Sócrates está a dizimar a oposicão. A bancada do PSD debandou depois da intervencão de M&M (que não derrete nas mãos), mostrando bem a sua postura naquele que é o debate mais importante na AR. É o que se chama o voto bem entregue.
Sócrates pinta a manta como quer. Espero da oposicão contra-argumentos que me permitam perceber quem mente menos. Pelas palavras de Sócrates deduzo que o país está a crescer económicamente, a reduzir as despesas, a aumentar o emprego, a cativar mais multinacionais (Siemens-Nokia, Cisco, etc), a incentivar a natalidade, a apoiar com subsídios os emigrantes mais necessitados e a reformar a administracão pública. Nem sempre medidas populares mas na sua maioria correctas, dada a nossa realidade.
O estranho mesmo, é que pelas palavras da oposicão...confirmo.

O menino guerreiro

Olha, olha quem acabou de chegar...
É sempre giro ler opiniões (e críticas) sobre a CML e a sua governacão.
Principalmente, quando esses reparos vêm de alguém que contribuiu tanto para o caos actual.
Gosto do tom moralista. Aguardo pelos restantes capítulos.
Aquele em que ele fala dos acessores-cogumelo que tinha, o outro em que conta a espectacular aventura de comprar um carro de 24 000 cts para o presidente da CML (que se não me engano era ele) e por aí fora.
É preciso lata para ser político. Convém até ter alguma.
Mas tu abusas menino-guerreiro.

quinta-feira, julho 19, 2007

O meu umbigo

Nós, Portugueses, conseguimos em tudo ver um pouco do nosso umbigo.
O jornalismo de especulacão que cresce a cada dia é um excelente exemplo do que digo. Por vezes oico coisas que me fazem pensar se os jornalistas têm linhas editoriais para seguir ou se apelam a um fantástico sentido de oportunidade.
Em qualquer tragédia que aconteca por esse mundo fora, conseguimos sempre ser a notícia. Se um Tsunami arrasa a costa da Tailândia a notícia não é a morte de 20 000 tailandeses mas a sim a do "português que escapou por pouco e por acaso fez este filme pirata que passamos a seguir". Ontem, no meio daquela calamidade que aconteceu no Brasil, o jornalista da RTP conseguiu o momento "Daily Star" da noite ao dizer "....blá,blá...nesta pista de Congonhas, em tudo semelhante à da Portela, com uma estrada mesmo ao lado...".
Os defensores da Ota certamente alinharam no "Pois, eu não disse?? Podia ter sido na Portela!! "
O problema é que parece que entre a Portela e Congonhas a única semelhanca é mesmo a estrada adjacente. Problemas no escoamento da água, pista curta, sucessivos avisos dos pilotos e histórico de acidentes só mesmo do outro lado do Atlântico.
Mas o que é que isso interessa? Importante mesmo é desinformar.

A notícia

Numa zona do globo onde a escassez de água foi uma das alavancas do conflito, descobriu-se agora um gigantesco lago subterrâneo. Se acreditasse em forcas divinas diria que: "Deus não dorme".
Mais do que qualquer politiquice de algibeira, esta é a verdadeira oportunidade para o Darfur. Espero que a ONU consiga evitar mais combates, desta vez pelo controle dos novos recursos.
Haja esperanca.

quarta-feira, julho 18, 2007

A/C de toda e qualquer pessoa que venha referida no meu BI e/ou que saiba a cor dos meus olhos ou que não saiba ainda falar e se chame Mariana


A amora de Santa Maria

Olhar para a Mariana faz-me sempre pensar. Depois de largar umas lágrimas claro.
Está mais e mais bonita e cresce a olhos vistos. Atingiu rapidamente aquele formato de "já te posso apertar!!". Assim de repente, e de uma forma totalmente isenta, não me lembro de alguma vez ter visto uma bébé tão bonita. Poderia ser uma mera opinião, mas é uma facto. Mariana, se estás a ler isto (é porque já tens no mínimo 6 anos, se bem que a Carolina é capaz de te por a ler aos 4), fica a saber que me enches de alegria.
"Como cresceu!!" leva-me a perguntar "será que come fermento??". Daqui para a culinária foi um curto passo.
Pelas minhas contas, que mesmo não sendo as do Cavaco raramente me enganam, passam agora 8 anos desde que comecei a viver sozinho.
"Sozinho" aqui não é sinónimo de "só". Significa apenas que o meu pai para entrar no meu quarto ao meio-dia todos os sábados e dizer "pequeno-almooooooco" tinha que andar mais 20 Km. "Só" é uma palavra que felizmente nunca fez parte do meu dicionário.
Desde 99 muita coisa aconteceu na minha vida. Aspectos interessantes, outros nem tanto.
Mas há um que me apraz destacar: a destreza culinária.
Em tempos idos reinava a preguica e os primeiros contactos com o tacho não foram dignos desse nome. Confesso.
Cérelac, pudim Mandarin e pasta carbonara. Sim, essas mesmo, as traves mestras da arte de bem comer. Tentei dominá-las sem sucesso. Papa com grunhos, pudim sem acucar e pasta colada. Nessa altura, surgiu uma padroeira que me oferecia belos tupperwares (adoro esta palavra - lembro-me logo das coleccões que a minha avó faz para o meu enxoval desde que nasci) de "sopa de entulho". Tiago R., se a tua mãe não passa por aqui, manda-lhe "aquele abraco"! A sopa de entulho tinha tudo o que alguém pode querer da vida no mesmo prato. Couve, feijão, batata e por aí fora. O ponto óptimo era atingido no momento em que a colher fazia um ângulo de 90 graus com a base do prato sem qualquer contacto da derme humana. Era a perfeicão em forma vegetal. Esta imagem mudou a forma como olhava para o repasto e criou em mim o gosto pela haute cuisine.
Passei os últimos anos a desenvolver esta arte e é com algum orgulho que relato a chegada à internacionalizacão.
Abandonei as traves mestras e lancei-me em pratos refinados. O cérelac foi substituido pelo Nestum, o Mandarin pelo Boca Doce (3 camadas com bolacha no meio) e a Carbonara por Sushi (certo, não o faco mas como-o com pauzinhos...além do mais é só enrolar arroz! Até com a boca consigo fazer isso!). Se isto não é requinte, então não sei.
Pensava eu que já estava no nível Goucha quando o génio me invade pela manhã na forma de um pequeno almoco inter-continental, cuja patente aqui registo.
Dentro de um pão sueco coloco duas fatias de queijo dinamarquês. Barro um pouco de doce de amora caseiro que a cada dentada me traz o sabor das silvas de Santa Maria. Salto de continente cortando duas fatias numa banana da Colômbia. Fecho o pão e dou aquele toque na parte de cima para "acalcar". Vejo pedacos da banana a sair pelos lados e percebo que atingi o ponto. Acompanho tudo com café italiano devidamente temperado com leite norueguês.
"Sande & galão" dizem vocês. "Pequeno almoco variado, de influência bi-continental e de elevado requinte", digo eu.

terça-feira, julho 17, 2007

O chaimite

O contacto com o mundo afinal cria alguma dependência.
No regresso de férias tentei recuperar as notícias dos últimos dias, comecando por aquelas que dizem respeito ao meu país. Passei os olhos pelas entrevistas e debates que a RTP fez aos candidatos à CML e assustei-me com o vazio. Fiquei um pouco perplexo quando ouvi o Câmara Pereira. Eu sei que não é para ser levado a sério, eu sei que é um partido monárquico e já sei que sóbrio ele se atrapalha, mas ainda assim há um limite que se espera de uma candidato político. Limite de estupidez. Quando questionado sobre o plano de reabilitacão de M. J. Nogueira Pinto disse: "Ahn?? Ahh..epá...não sei...mas pelo que li não!! Deixem Lisboa como está!! Lisboa é uma cidade linda!!". Durante todo o tempo de antena que a RTP lhe deu limitou-se a dizer que Belém era uma zona emblemática porque tinham partido caravelas para...uhhhh...ehhh..marrocos?? A jornalista até completava as frases. Ele não conseguiu terminar uma. Há que conseguir pelo menos falar para brincar aos políticos. Já não digo acertar, basta conseguir falar.
Depois, já com os resultados conhecidos (obrigado RTP pela tv online!!) um pormenor que me parece interessante de analisar. O PNR consegui 1% dos votos. 1% em 100 significaria que J.P.Coelho teria votado nele próprio. Como parece que votaram mais do que 100 pessoas, já acho preocupante um partido de fachada e com ideais nazis ter mais de 15 000 votos.
Também achei caricato aquele número do Paulinho das Feiras do "vou convocar um congresso para me dizerem que sou o maior e venho já". Narana Coissoró fez sobre este assunto o melhor comentário: "passámos a pertencer ao clube dos pequenos". O Paulinho tem muitos defeitos mas por norma é um bom estratega político. Desta vez espalhou-se em toda a linha. Fez mal em correr com a Nogueira Pinto, fez um combate desleal a Ribeiro e Castro (e para azar dele toda a gente percebeu), escolheu um mau candidato para Lisboa e cereja das cerejas, fez destas eleicões um teste à sua lideranca. Paulinho, nem os teus opositores tracariam uma melhor estratégia para ti.
Uma última nota para Carmona. Para mim, e pelas razões erradas, o grande vencedor da noite. Concorreu como independente e com arguidos na lista. Fez o papel de vítima do PSD e de repente, todos os buracos de que foi responsável ou co-responsável (convém não esquecer que ele foi o n 2 do Santana) desapareceram. Os processos que sobre a sua vereacão caíram num passe de mágica evaporaram-se em plena campanha. É de artista. Até o impasse na altura de se recandidatar foi de uma leitura clara. Há interesses privados em Lisboa presos na vereacão de Carmona. A queda da câmara ia deixando tudo em águas de bacalhau, mas com a nova "equipa independente" esse problema está resolvido. Não espero melhorias na CML. Oxalá eu me engane.
Já longe da CML li outra notícia que me deixou espantado. Ou então não.
Alberto João, dono e senhor de uma parte do território português, não deixa que uma lei aprovada pela AR seja respeitada no seu quintal. Alberto sobrepôe-se à República e tem a lata de dizer que não acredita que Lisboa lhe vá impôr essa lei de uma forma "colonialista".
Porque é que não pegamos nos militares que estão a dormir nos quartéis e não fazemos um golpe de estado na Madeira? Assim de repente parece-me uma medida de foro democrático extremamente adequada.
Será que os chaimites ainda pegam?

segunda-feira, julho 16, 2007

Os dias













































































































































O regresso à realidade coloca-me problemas que entretanto já tinham fugido do cartaz.
Roupa passada. Horários. Barba feita. Supermercado.
Ahnn??
Nos últimos 15 dias tive apenas uma preocupacão (várias vezes por dia): "Como passar este rio sem molhar os pés?". O que normalmente era resolvido com aquela técnica muito científica do "que se lixe".
As férias resolveram acabar. Uma pena. Estávamos a criar uma saudável e proveitosa cumplicidade quando elas me abandonaram. Tal como Paulinho "Uhhh-acho-que-fiz-asneira-ao-colocar-a-minha-lideranca-em-questão" Portas, também eu necessito deste dia para reflectir.
Corro algumas das fotografias tiradas pelo grupo. E ponho-me a pensar.
Sinto que uma aventura foi concluída com êxito. Durante uma semana caminhámos entre vales e montes em pleno Ártico num total de 120 Km. Fizémo-lo na época baixa mas nunca pensámos que isso fosse problemático. O Kungsleden era para todos nós um trilho turístico. Da minha parte imaginava-o quase de passadeira vermelha...
A realidade foi bem diferente. A época baixa para caminhadas acontece logo após o término da época de Ski (que acaba em Junho). Isto significa que o gelo das montanhas está a derreter criando vários riachos e vales perfeitamente alagados. Aquilo que todos pensavam ser um rota fácil passou a ser uma aventura diária. Para ser sincero, nessa vertente, a satisfacão de ter chegado ao fim ainda é maior.
Depois do primeiro dia (o único feito com os pés secos) de caminhada, entrámos em zonas de trilhos rochosos onde cada passo tinha que ser pensado para evitar pés ou tornozelos partidos. Escusado será dizer que ninguém tinha botas...Não fomos de chinelinho, mas os calcões não faltaram.
Seguiram-se zonas de neve até ao joelho onde percebemos pela primeira vez que os pés secos seriam uma ilusão. Ao fim de 4 dias e 86Km chegámos ao refúgio base do Kebnekaise, a montanha cujo topo queríamos atingir. Entre mazelas físicas, picadelas de melga e muito cansaco, resolvemos ficar todo o quinto dia de molho. Cartas, sauna e sono. Pouco mais.
No dia seguinte, com novo ânimo e pernas um pouco mais frescas, tentámos a subida ao pico da Suécia. 9Km num desnível de 1600m. 10 a 15h de caminho.
Foi a parte mais perigosa do percurso. Neve, alguns penhascos e muito vento. O topo foi atingido e a satisfacão gozada apenas 7 horas depois. Já debaixo de um duche quente.
Ás paisagens que admirámos ao longo de todo o percurso juntámos a vista do topo da Suécia. Silêncio e imensidão. Imagens que guardarei.
O regresso à civilizacão foi feito na manhã seguinte. De helicóptero.
As mochilas estavam mais leves mas já ninguém as queria carregar. Ver o último trilho bem alagadinho também foi um belo momento. "Percorrê-lo" com os pés a 200m de altura, parecendo que não, cansa menos. E não molha.
Nunca passei por uma experiência destas. As pernas sairam cansadas mas a alma chegou limpa. Inesquecível.
Na segunda semana resolvemos descer a costa da Noruega (de carro). Mais de 1800 Km de fjords numa paisagem única e vibrante a cada curva. A Noruega é um país lindíssimo e a "Auto-estrada do Ártico" o percurso mais bonito que alguma vez fiz. "Auto-estrada" é o nome que vem nos guias. Mas é apenas um nome. Não existem auto-estradas na Noruega (e parece que TGV's também não...malta pooobre....). A "auto-estrada do Ártico" é uma nacional cheia de curvas que contorna os imensos fiordes que recortam a Noruega. 1800 Km numa só faixa que passaram a correr.
Escolhemos um fiorde e por lá ficámos em paz. A vista do Atlântico acordou-nos todos os dias. Rena e bacalhau (ou "bacalao" como escrevem os locais) em vez de febra e sardinha. Nada mau. Nada mau mesmo. Que dias.
E que bom foi receber esta malta por cá. Custou-me tanto ver-vos entrar no terminal de embarque de novo.
Mas fica a recordacão. Uma boa recordacão. Com imagens. Muitas.
Terminada esta comeco já a pensar na próxima. Não durante muito tempo. Apenas hoje.
É a única forma que conheco de aguentar esta segunda-feira.
Bom dia.