quinta-feira, maio 31, 2007

Take II


Agora é que é!
Vou buscar Nestum a Estocolmo e volto já.
Bom fim de semana.

Os índios

Porque é que fazer greve não altera nada?
Porque é que gritar bem alto "já chega!!" não serve de aviso?
Porque é que ter esperanca no nosso desenvolvimento é uma utopia?
Porque nós somos um país corrupto, de mentalidades fechadas e sem a MÍNIMA nocão do que é a justica, solidariedade social e respeito pelo próximo.
Não passamos de um conjunto de chicos-espertos onde cada um se tenta safar sem olhar para o lado, onde os detentores de cargos públicos com poder de decisão se limitam a alimentar uma rede de interesses, favores e enriquecimentos ilícitos.
Rui Rio, presidente da CMP acusa uma junta de freguesia do PS (Aldoar) de gestão danosa e faz queixa ao DIAP (no Público de hoje).
O que faz o PS local?
Nega as acusacões? Rebate os argumentos? Apresenta provas?
Não.
O PS local diz que se Rui Rio quer acusar a junta socialista, então também deve acusar algumas juntas "laranja" onde o dinheiros públicos vão parar a contas pessoais ou onde as dívidas se acumulam.
O PS não nega a sua desonestidade. Rebate apenas com a desonestidade do próximo.
Quando se imagina que por cada caso conhecido devem existir 100 esquemas encobertos, dá mesmo vontade de perguntar:
Acreditar em quem?
Como?
O nosso país é gerido de norte a sul como se de uma manta de retalhos de tratasse.
A corrupcão é de tal ordem que só um "reset" nos traria uma segunda oportunidade.
Ora vamos lá entao...
Todos para lá de Badajoz aprender durante 20 anos a deixar as mãos longe dos bolsos. Durante esse tempo deixamos o país a soldo da classe política e das empresas públicas.
Sem populacão pagante não há impostos para roubar e mais cedo ou mais tarde saiem dos cargos.
Umas décadas depois, já com outra mentalidade, o povo regressa a uma terra sem lei e comeca a construir uma nova sociedade.
Governantes governam, professores ensinam, alunos aprendem, jornalistas relatam, juizes aplicam leis e por aí fora. Cada um com o seu papel na sociedade. Cria-se uma nova classe devidamente sindicalizada a que se dá o nome, por exemplo, de "ladrões". Inserem-se nesta classe todos os indivíduos que não queiram respeitar as leis da "nova sociedade" e que tentem viver à margem dela. Criam-se resorts no Linhó para residência permanente e oferecem-se empregos na construccão da ferrovia Lisboa - Pequim.
1, 2, 3...diga lá outra vez.

quarta-feira, maio 30, 2007

Ao vivo (III)

Metro da Margem Sul: adesão total.

Ao vivo (II)

Assim é mais dificil...

Segundo o SITAVA, alguns aviões de nível 7, 8 e 9 (que imagino seja o tamanho dos mesmo, mas não faco ideia se são teco-tecos ou jumbotrons) aterraram por sua conta e risco em Faro já que os bombeiros não estavam a postos.
Dá que pensar...
Meus amigos, greve é greve. Há que aguentar e sobretudo não meter vidas em risco em nome dos lucros.
Essa ideia peregrina dos "servicos mínimos" deve ser garantida em hospitais e ponto final. Não se deixa alguém morrer por falta de cuidados em nome do protesto, mas tudo o resto deve efectivamente parar.
"Garantia de servico mínimo" é uma forma de o governo condicionar e furar a greve, que vale a pena lembrar, é um direito de cada um de nós.
A luta deve ser feita em democracia (liberdade) e por democratas.

Ao vivo

A Lisnave está totalmente parada.
Não passam cacilheiros no Tejo.
Os hospitais estão encravados.
O lixo está na rua.
O metro está parado em Lisboa.
Parece que a coisa está a andar...



Ps - Ouvi que na Autoeuropa estão 20 pessoas fora dos portões com bandeiras. Isto quer dizer que os restantes 2980 estão lá dentro?

O rumo



O país pára enquanto o camarada Sócrates faz o seu jogging na Praca Vermelha.
Tem estilo o Zé. Numa vertente um pouco Chavez é certo, mas ainda assim quebra o típico cinzentismo luso. Gosto.
Esperemos que não faca uma visita oficial a Bagdad, senão terá de correr os 100m barreiras.
A CGTP organizou uma greve geral com fundamentacão justa e que de certa forma reflecte o estado de alma da classe trabalhadora. Diz Bagão Félix (último Ministro do Trabalho a lidar com uma GG) que repensou algumas das medidas em aprovacão aquando da greve geral de 2002.
Não disse é se mudou de opinião, mas pelo menos repensou-a...
É lógico que a situacão do país pede protesto e luta. Há muita falta de emprego e principalmente, muito emprego precário. A economia cresce quase na horizontal, os salários congelam, o custo de vida não pára de aumentar. Lisboa tem um dos parques habitacionais mais caros do mundo, ir da nossa capital para Madrid no comboio da CP é mais caro do que ir de comboio entre Gotemburgo e Berlim, Oslo, Estocolmo ou Copenhaga.
Comprar um carro em Portugal é mais caro do que em qualquer país desenvolvido da Europa.
Apesar de termos uma quantidade enorme de alcatrão e autoestradas, as nossas cidades (com Porto e Lisboa à cabeca) são calamidades de trânsito. Não existem políticas de transportes públicos. A mentalidade ainda é a de levar o carro até ao elevador e estacionar em 3a fila.
As empresas privadas estão a trocar o nosso pais pelo Leste Europeu. Passado que está o nosso tempo de país "low cost", não conseguimos aproveitar 20 anos de fundos europeus para evoluir e criar riqueza. Continuamos a ter pouca gente formada (nas áreas que interessam) e ficámos a meio caminho de coisa alguma. Por um lado não temos excelência em nada para oferecer (salvo algumas excepcões, referidas num bom artigo do Nicolau Santos no Expresso) e por outro lado já não podemos competir com salários dos Romenos ou dos Chineses.
Nos últimos anos os bancos apresentaram lucros de 2000 contos ao minuto. O endividamento das famílias enriquece meia dúzia de instituicões que nem em forma de impostos reparte essa riqueza. O crédito suporta a Nacão (lembrei-me agora da CML).
A verdade é que, por muito justa que seja a Greve Geral, é difícil ver resultados práticos tão só porque não há saída para 30 anos de asneiras. No entanto há que protestar. Há que fazer ouvir a voz.
Talvez com algumas décadas de políticas certas e muita formacão (principalmente de mentalidades) se consiga recuperar este atraso crónico.
Os protestos de agora são uma forma de solidariedade para com as geracões futuras. Não há nada que possa ser feito em tempo útil para melhorar a vida de quem agora protesta. Esta é a minha conviccão.
Depois de vaga de emigracão que fugia da guerra colonial, temos agora uma nova vaga que procura melhores condicões de vida. Isto num país membro da UE há quase 20 anos.
Espanha está mesmo aí ao lado e parece outro mundo. Alguns milhares de insatisfeitos têm passado a fronteira e percebe-se porquê.
Lutar pelas geracões futuras é um dever, mas ter uma vida decente HOJE é um direito.

terça-feira, maio 29, 2007

A normalidade

Eu: Bom dia
Ele: 'Dia
Eu: Queria um bilhete de comboio "last minute" entre Gotemburgo e Estocolmo.
Ele: Tem menos do que 26 anos?
Eu: Não.
Ele: Mais do que 65?
Eu: Não.
Ele: Então não pode...
Eu: Não?
Ele: Não.
Eu: Ahhh...
Ele: Pois...
Eu: ...
Ele: Pessoas normais como nós não podem.

De Lisboa a Katmandu (I)

Fazer pisca, mudar de faixa e não ver o gajo de trás a aumentar a velocidade é como comer um bife na portugália sem sujar a camisola.

segunda-feira, maio 28, 2007

Eu sabia que...

...que o Nuno Gomes tinha levado factor 15 para as férias no bar do China.

...que o padeiro da rua do Simão tinha uma unha encravada.

...que o Scolari só gostava do leite com Cola Cao.

...que o Quaresma não gostava do Volare,Volare por a achar muito comercial.

Enfim, tinha conhecimento de uma vasta série de notícias que marcam de uma forma espectacular a vida desportiva do país ao mais alto nível e nesse conjunto de modalidades que se denominam por futebol.
Contudo, ainda não sabia que a Telma Monteiro se sagrou em Belgrado bi-campeã da Europa de judo.
Não é tão espectacular como aquela reportagem de 30 min em que o Ronaldo tenta tocar djambé e falar, mas vá lá, merecia uns minutinhos ou até quem sabe uma páginazita.
Já não digo uma reportagem com a família, os amigos e a porteira que lhe deu aquele raspanete no dia em que ela subiu a uma laranjeira e sujou o quimono.
Isso também era um abuso e retirava tempo às entrevistas com o Figo no Dubai. O que seria inconcebível.

domingo, maio 27, 2007

A reunião


















Não tenho muita paciência para comprar roupa.
Nunca fui a um resort de qualquer coisa.
Não acho particular piada aos penteados do Beckham.
Como estar na moda então? Como pertencer à sociedade galopante deste início de século?
Resolvi aderir ao stress. Achei que era o passo para mim.
Todos os meus colegas falam disso. Uns pintam a casa, outros vão velejar ou optam por fazer ski.
Tudo em nome do relax.
Diz quem o viu que esse relax acaba com o stress. Parece que não se dão.
Perguntei: "Mas como conheceram o stress?"
"Ah...levantar, comer, pensar. Ao mesmo tempo que se respira...é um pulinho para o conhecer."
Estou a ver...
Sempre fui um pouco pastelão e nunca percebi porquê. Dizia-se que "nasci cansado" ao que eu respondia "é de nascenca". Tantos anos de ilusão. A resposta era o stress. Esse malvado.
Conhecido que estava o stress, ficava a faltar a reunião com o relax para acertar os últimos detalhes.
Aqui surgiu um novo problema. Eu não tenho uma casa de madeira para pintar de vermelho (casas típicas cá do sítio), não tenho um veleiro para polir o casco e a neve já derreteu.
Como conhecer o relax então? Novo problema. Mais stress.
Ó vida, ó vida....que dilema, que dilema!!!
Disseram-me que para pobres sem veleiro havia um estaminé onde o relax fazia uns seminários.
Passei por lá e encontrei-o numa reunião de amigos. Dava conselhos ao piscinas, enquanto escutava atentamente o massagens. O saunas chegou atrasado mas também me pareceu bom rapaz. Perguntei se podia conversar um pouco com eles, pedir algumas dicas, saber afinal quem era esse tal de stress. Aquilo é malta tramada para bater língua. Um pouco varina até.
Falaram-me tão mal do stress que saí de lá a vê-lo por um canudo. É gente que não interessa.

sexta-feira, maio 25, 2007

Espelho meu

"Eu não quero um país de bufos!"

"A guerra civil na CML entre PS e PSD vai beneficiar um partido estável como o PP"

Paulo Portas in Grande Entrevista




Este Paulo Portas não é aquele que dirigiu o Independente e que passou os últimos dois anos a minar o próprio partido pois não?

No meio da areia

Assim de repente:

Setubal – 100 000
Almada – 20 000
Seixal – 31 000
Barreiro – 42 000
Palmela – 53 000
Moita – 70 000
Montijo – 27 000
Sesimbra – 38 000
Amora – 50 000
Pinhal Novo – 20 000

habitantes, num total de 800 000 (quase 10% da populacão nacional) a sul do Tejo.

Há várias empresas (com a Autoeuropa à cabeca), centenas de escolas e dezenas de hoteis entre setubal e sesimbra (já que essa é a área que neste caso interessa).
O Poceirão (pequena localidade de Setúbal apontada como alternativa à Ota) tem 4000 habitantes. A Ota tem 1000...
Existem vários argumentos para não fazer um aeroporto na Margem Sul. O ministro não acertou em nenhum.

O João

Passeando na blogosfera lusa descubro que Jonas Thern, o mítico Jonas Thern tem um estaminé de relax aqui bem perto de Gotemburgo.
Macacos me mordam se não arranjo forma de lá ir dar um Hej, Hejsan!!

quinta-feira, maio 24, 2007

O emprego



















Quando vejo alguns dos artistas que se candidataram à CML sou de imediato invadido por 3 pensamentos:

1. A democracia permite atentados à razão e prova-se por A+B que não é perfeita.
2. A linha na constituicão que diz "Qualquer um se pode candidatar desde que..." devia terminar com "tenha ideias".
3. A Carmelinda Pereira arranjou finalmente emprego.

quarta-feira, maio 23, 2007

O algodão quando engana

Acordei e saltei para a tábua.
Rasa? De salvacão? De engomar.
Entre as 1326 ideias que podiam fazer pinball neuronal antes do xixi matinal, foi a "e se vestisse uma camisa passadinha?" que tirou bola extra.
Apenas com um olho aberto e fazendo a danca da chuva, combatia aqueles vincos de 15 dias com a sensacão de ter descoberto a eternidade.
A bexiga gritava "ó génio, tinhas mesmo que vir arrear nos vincos antes do xixizinho pá???"
Os joelhos batiam um no outro "tlec,tlec,tlec" enquanto os bracos desbravavam aquelas ruas de algodão.
Hiiiii...estou mesmo à rasca!!Mas que raio de máquina de lavar é esta?? Parece que usa calhaus para amaciar!! Aiiiiiiiiiii...que desespero!!! Que ciência oculta será esta????
Poderia parar, fazer o xixizinho e voltar. Mas não. Eu não sou assim. Quando comeco tenho que acabar.
Dou mais uns toques de joelho e umas valentes castanhadas com os bracos quando ouco:
"Talvez seja melhor experimentares com água no ferro."
Tecnologia é que me lixa. Sempre foi assim.
No meio da aflicão tele-transportei-me para o início da década de 90 e aterrei nos gloriosos dias do zx spectrum. Minutos e minutos a ver riscas de cores com "load" no meio do monitor, até que "puff". "Tens que afinar o gravador de cassettes com uma chave phillips pá!!!", diziam os tecnológicos. Não, aí a minha lendária paciência já dizia que não. Se entrar sozinho muito bem, se tiver que estar a andar para trás e para a frente com o parafuso, então vou para a rua.
Foi assim que se abriu o mundo do bate-pé e do dois para dois balizas de um passo. Bem hajas gravador manhoso.
Ouvi o tlec,tlec e voltei para o séc.XXI. Não entreguei as armas.
Fui à casa de banho e enchi o ferro.
"Epá, já que aqui estás deixa-me...", dizia a bexiga quando eu puxei dos galões: "Aqui não há lugar para meninos ahn???AGUENTA!!"
Com água a musica foi outra. Destruí por completo os bairros de algodão na zona das mangas e ainda fiz aquele truque do bico do ferro entre os botões. Um mimo. Um luxo!
Sorri uns bons 0,00045 seg enquanto olhava para a obra. Orgulhoso. Sempre a dancar. Sem nunca perder o ritmo e a aflicão.
"Sim, muito giro!! Ó génio, já podemos ir pá?? Estou a rebentar camarada!!!", gritava-me de novo a bexiga.
Parei então de dancar. Aguentei os joelhos e fiz aqueles 3 metros até à casa de banho em ritmo de passeio.
Nestas coisas há que mostrar quem é que segura quem.

Com os dentes de fora

Fazer uma piada sobre o Sócrates e ser posto a andar faz Robert Mugabe corar de vergonha, mas chamar uma ministra ao parlamento para discutir isso é o mesmo que dizer que naqueles estofos de pele só se dorme.

Os manos


Lech e Jaroslaw Kaczynski , eram conhecidos durante a infância no seu bairro de Cracóvia por "papa-óstias".

Só saiam de casa para comungar e apenas viram uma mulher longe das páginas centrais de uma revista já adultos. Como naquele tempo era difícil reconhecer comunistas, essa raça infâme, pelo andar ou corte de cabelo, não falavam com ninguém a caminho da missa para não correrem o risco de serem vistos com um "vermelho". Cruz credo.

Hoje, Lech e Jaroslaw Kaczynski , são respectivamente primeiro-ministro e presidente da Polónia. Uma autêntica pérola no centro do velho continente.

Inspirados nesse grande estadista republicano Joseph McCarthy, resolveram abrir uma "caça às bruxas" em pleno séc.XXI.

Aprovaram uma lei que visa obrigar professores, diplomatas, jornalistas, advogados ou directores de empresas estatais a apresentar um certificado de limpeza comunista pelo Instituto da Memória Nacional.

O que terá um gajo de fazer para ficar comunistamente limpo?

Mudar de passeio quando vê alguém de bóina preta?

Evitar palavras como "patronato", "camarada" e "povo"?

Não manifestar a sua opinião?

Verificar as conviccões políticas de cada um antes de estabelecer uma conversa?

Não percebo.

O que se faz àquela pequena parte que é o PENSAMENTO. Algo que está em nós e que não se pode tirar como a t-shirt do CHE?
Mente-se. É isso que se faz.

A limpeza do cidadão depende da sua capacidade de mentir sobre os seus ideais. Brilhante mundo novo manos beatos. Brilhante!

McCarthy, apesar do seu pensamento limitado (mesmo para a época), ainda fez algo que muitos americanos achavam necessário em plena guerra fria. Não serve de justificacão mas pelo menos percebe-se a estratégia do país, agora os papa-óstias estão a acusar pessoas mortas (tal como o jornalista Riszard Kapuscinsk falecido em Janeiro último) e a desenterrar fantasmas de um regime passado.

Porquê esta perseguicão? Se não há justificacão em tempo algum, muito menos DEPOIS do regime? O que é que isto trará de bom para a Polónia?

O puritano McCarthy, que antecedeu os manos Kaczynski na busca e erradicacão de vermelhos morreu de cirrose antes dos 50 anos. Cirrose fica sempre bem a um defensor da moral e bons costumes.

Acho que antes de se discutir a entrada da Turquia na UE, era bom que a comunidade passasse a mão pelo pêlo dos manos. Só para os acalmar.


terça-feira, maio 22, 2007

A janela comum


Fim de semana de abas largas.
As pontes quando nascem são para todos.
Momentos para tudo e até para cinema. Do bom.
Sinto saudades de algumas salas de Lisboa. É certo que já descobrimos por aqui dois ou três Quartetos, mas embora a qualidade seja boa, a rotatividade deixa muito a desejar. O último filme do Almodovar (Volver) esteve uns bons meses em exibicão. O mesmo é dizer que vistos os 3 ou 4 filmes que as salas apresentam, há que esperam uma eternidade pelos seguintes. Corta um pouco a coisa.
Hoje compreendo, quando vejo a oferta cultural de Lisboa, que não falta aí nada. Filmes, concertos, teatro, musicais, exposicões, etc. Tudo o que interessa passa por Lisboa. E ainda bem para quem aproveita.
Entre dois "quartetos", uma cinemateca e alguns filmes "caídos do céu" tento acompanhar as novidades da sétima arte (poderia ter dito 7a arte, mas este teclado não tem aquele "a" que fica em cima do 7 e assim perde todo o sentido).
Ao passear na baixa (sim, aqui também há baixa, mas sem colinas...) parei em frente a um cinema pipocas+cola de litro+gomas+chão javardo+banda sonora acompanhada de castores. Nada contra.
Gosto de estar num cinema onde um gajo tem um balde de 237468 pipocas e remexe uns bons 30 segundos contra as paredes do balde, tentando encontrar aquela pipoca que o saciará no momento. Nem mais para baixo, nem mais para cima. Exactamente aquela.
Para quem está ao lado pode sempre acompanhar com batidas de pé aquele vrrsshhhhhh,vrsshhhhhh a dois tempos.
Goste-se ou não, quando se é fã do James há que aguentar. Por Sua Majestade, tudo!
Bom, mas não era nada disto que queria dizer...
Olhei para as próximas estreias no referido estaminé: Shrek 3, Die Hard 4, Spider-Man 3 e Piratas das Caraíbas 3.
A frase "já não se inventa nada" nunca me pareceu tão apropriada. Confesso algum preconceito com sequelas, mas vou ter que ver o Shrek. Pelo menos esse.
Bom cinema disse eu no início. Duas sugestões:
Cartas de Iwo Jima, do cowboy Clint, que é um filme muito interessante sobre um relato histórico visto de um lado pouco habitual. Claro que não deixa de ser um americano a ver pelo lado japonês, mas...o filme está bem conseguido e sinceramente, ainda estou para perceber como é que foi ultrapassado pelo "Departed" na corrida aos óscares.
Outra sugestão, mas de encaixe mais complicado é o filme italiano "Tudo sobre o meu pai". Acho que a traducão sueca não é feliz, já que o título original é "Anche libero va bene".
É um filme que retrata a vida de um casal em conflito e a vivência dos filhos, em especial um deles, com esse facto. Mostra como um dos elementos do casal roca o desepero na tentativa de seguir a vida e educar os filhos sozinho. Quase que me apetece dizer que é uma história comum dos nossos dias. Uma câmara numa janela ao acaso apanharia tal argumento. Seja qual for a nossa história de vida, este é um daqueles filmes que não nos deixam indiferentes ou vazios de sentimentos.
É fantástico, mas requer lencinho.

segunda-feira, maio 21, 2007

O erro



Factos são factos. Pouco há a dizer.
Tal como na maior parte das vezes nos últimos 20 anos o FêCêpiê ganhou o campeonato e com toda a justica diga-se.
Numa prova de regularidade quem anda no topo maior parte do tempo merece ganhar. O resto são cantigas. Eu (e mais alguns milhões imagino) ainda entrei de calculadora pensando que um milagre pudesse acontecer. Seria sorte a mais para algo que não se procurou todo o ano. Mais do que a azia de ver a festa dos outros é ouvir o Nando dizer que "não ganhámos nada mas a época não foi um fracasso". Voltamos aos tempos das vitórias morais.
É um fracasso e dos grandes. A nível interno não há desculpas para tantos pontos perdidos, para a miséria na taca e para o afastamento da Uefa perante um grupo de bons rapazes.
O Nando nasceu para perder e é manifestamente incompetente. Não espero que ele o assuma, mas esperava que alguém percebesse.
Há coisas que de facto são simples e nós é que as complicamos. O Fanã-estica-pescoco é de outro campeonato, não se pode sentar naqueles bancos de pele da Ferrari ao lado do Eusébio e do Chalana.
Para o ano há mais, no nosso caso do mesmo. Exactamente do mesmo.
Um sorriso pelo Vitória de Setúbal que deu mais uma cambalhota milagrosa. As tascas do choco agradecem a permanência.
Ah...e esse pormenor de a poucos minutos de se sagrarem campeões, os jogadores do Porto ouvirem no Dragão impropérios contra o terceiro classificado da Liga, que se estendaram durante os festejos na Invicta. O segundo classificado nem entrou nessas contas.
Visto dos Clérigos e por muitos anos que passem, "Máiór" será sempre um, o Glorioso e mais nenhum.

sexta-feira, maio 18, 2007

Cá dentro

Estudos (Quais?) indicam que em 7 décadas Portugal e todo o sul da Europa atingirão um tipo de clima semelhante ao do Sahara. Praia o ano todo pensarão alguns. Para quem quer deixar algo de valor aos filhos, talvez seja altura de substituir as rendas da Nazaré e os servicos da Vista Alegre por accões da Samsung ou qualquer outro fabricante de aparelhos de ar condicionado.
Por outro lado, além de transformar Portugal num deserto, o fenómeno do aquecimento global transformará a Escandinávia numa autêntica Polinésia. Parece que aí é que vai ser.
Então e agora?
Fresquinho. Muito fresquinho.
Enquanto vocês já passeiam as camisas de alca com respiradores ou enchem as t-shirts de generosas rodelas na zona axilar, por aqui ainda se bate o dente. E forte.
Quero ver o vento sim senhor. Mas não o quero sentir.
Do lado de cá da janela o mundo parece bem melhor.
Filmes, música e calor.
Está aberto o fim de semana oficial da sorna.

quinta-feira, maio 17, 2007

Fado

Manuel Monteiro avanca para a CML e tenta o lugar de vereador. Carmona parece ser o senhor que se segue e quer fazer frente aos partidos.
Falta ver quem é a fava que aparece do lado do PP. Até ver, parece que não há ninguém com emprego que esteja disposto a contribuir para a melhoria da autarquia.
A manhã comeca como um fado.
Triste.
Aguenta-te Lisboa.

quarta-feira, maio 16, 2007

A suprema estupidez

Um amigo enviou-me isto.
No meio do drama que é o rapto de uma crianca, os media ingleses (neste caso a cadeia Sky) fazem uma votacão pública sobre o comportamento da nossa policia.
É preciso paciência para aturar estes ilhéus com manias imperialistas...

Lisboa menina e moca


Leio no jornal que o PSD desistiu das eleicões intercalares em Lisboa. Não vejo outra leitura para a apresentacão de Fernando Negrão. A discussão far-se-á à esquerda entre António Costa e Helena Roseta. Se o PS retomar a coligacão com o PCP, as eleicões serão tão disputadas como as da Madeira.
Costa é uma aposta fortíssima de Sócrates que não quer correr riscos na capital. Mostra que aprendeu com a asneira Carrilho e ainda bem.
Como foi o próprio A. Costa enquanto ministro que apertou as autarquias no financiamento, terá um belo bico de obra enquanto autarca para se livrar da dívida acumulada da CML que já se aproxima dos 1300 milhões de euro.
É aqui que pára a minha leitura. Vou tentar perceber por comparacão quanto dinheiro são 1300 milhões de euro.
Na falta de algo melhor vejo o relatório de contas do ano anterior da empresa onde trabalho. Tem um total de 3000 funcionários (a CML tem 10 000 - obrigado Susana :)), escritórios em 14 países, está cotada na bolsa e vive (ou não) com os seus lucros, tal como qualquer empresa privada.
Apresentaram no ano passado, naquele que foi descrito como o melhor de sempre, um lucro de 11 milhões de euro. 11 milhões apenas. Por comparacão o lucro até me deixa preocupado.
A dívida da CML, maior câmara do país e suportada pelos contribuintes ascende a 1300 milhões de euro! Como é que isto é possível? Como é que a CML vive com uma dívida acumulada destas?
Para não fazer a pergunta óbvia que é: Como é que se cria uma dívida destas??
Ninguém pede lucro à vereacão. Apenas boa administracão do dinheiro público e utilizacão do mesmo para resolver os problemas de Lisboa. Problemas esses que não contemplam trocas milionárias de terrenos, obras farónicas desnecessárias (como o túnel) , frotas de carros renovadas a toda a hora e acessores para mexer o café.
Não há imposto que resista a tanta asneira e corrupcão. Para onde caminhamos?
Quem vê o gamanco, até pensa que a autarquia não paga salários. Existirá alguém que ainda pense em servir os Lisboetas em vez de usar a câmara para encher os bolsos ?
Não resisto a percorrer a lista de dívidas por país em cada continente. E não é que há países com dívidas externas menores que a da CML?

terça-feira, maio 15, 2007

Ninguém te mandou voltar aos mercados...


A horta

"Se soubesses o que custa mandar, adoravas ser mandado", dizia o regente nas alturas de aflicão em que a plebe contestava o poder.
Eu até concordo.
Mandar é tramado. Há que ter a ideia. Há que pensar no caminho a seguir.
Mas alguém que pegue na pá e vá abrir a estrada. Essa já não é a funcão do chefe.
Certo.
Lembrei-me agora de umas pessoas que conheco em que um pensa e o outro executa. É a parceria perfeita, se exceptuarmos as vezes em que o executante resolve opinar. Nunca se interfere no trabalho de um artista. Nunca.
A minha chefe é do genero. Mas sem a parte de artista.
Faz-me lembrar aquela personagem dos gatos. Se falasse comigo em português diria: "é melhor fazermos assim e coiso porque por ali pode não ser tão bom derivado da questão que assenta no facto"
É aqui que percebo que um chefe de horta não tem que necessáriamente entender de couves, mas convém ter umas nocões. Vá lá...saber que as batatas não crescem nas árvores, nem nas prateleiras do pingo-doce. É um ponto de partida. Na falta dessas nocões tem que ter muito jogo de cintura e falar de forma a não deixar dúvidas. Mesmo que diga baboseiras. Há que ser convincente.
Entre as minhas 18273498734 qualidades, das quais destaco a confeccão de boca-doce, o conhecimento integral das equipas que disputam a segunda divisão de cricket, zona sul, do Paquistão e o jeito para desenhar cubos tri-dimensionais em reuniões de trabalho, sinto que há também um grande "à vontade" para mandar.
É um feeling nunca testado até ao presente momento. Mandar as postas e alguém que faca....huuummm...acho que sim....acho que é a minha onda.
O mais perto que estive foi aquela vez em que atirei um pau a 10m de distância e o Sebastião ainda o trouxe uns bons 40 cm de volta.
Nunca tinha experimentado a sensacão de ter uma chefe mulher. Para ser sincero acho que lhes está no sangue mandar. E parece-me que chefiam melhor do que os homens, ou pelo menos, estabelecem uma distância de seguranca. Pode ser impressão, mas a experiência mostra-me que um chefe homem vai defender o colaborador perante outros e dar-lhe na cabeca quando estiverem sós. Um desabafo não sai dali e quando chega a altura de entalar é sempre com aquela cara de "desculpa lá pá, mas tem que ser". A sensacão que tenho é que ele dá o corpo às balas. É pelo menos a opinião que tenho do meu ex-chefe em Portugal e daquele com que trabalhei quando cheguei à Suécia. Numa palavra: leais.
As mulheres são mais orientadas para os objectivos e nesse sentido mais eficientes. É apenas a minha opinião. As coisas acontecem. A carroca anda.
Mas quando vem uma bala...anda cá que além de empurrares a carroca ainda serves de escudo.
Claro que não existem verdades absolutas, mas é o que vejo.
Tudo aparece feito. Tempos cumpridos. A equipa produz e a chefinha atinge os objectivos. Eficaz.
Um desabafo dito num dia de chuva? Mais tarde ou mais cedo aparece de volta.
Os objectivos são para atingir. Os caminhos para lá chegar pouco importam.
Na semana passada vejo uma reunião cancelada com um fornecedor americano.
"Ainda não temos os testes e os relatórios prontos, por isso temos que adiar uma semana", escrevia ela.
"Ó Inga, mas eu já fiz os testes e entreguei-te os relatórios. Não os recebeste?", dizia eu, pensando onde tinha falhado.
"Sim Tiago, eu recebi tudo. Mas estou aqui atrasada com outras coisas e utilizei-te como desculpa."
"Ahh, assim tudo bem Inga. Por favor não te acanhes..."

segunda-feira, maio 14, 2007

A tortilha

Estou num quinto andar.
Quente e aconchegado.
Olho para um computador e analiso 0s e 1s. Já viro os olhos e ainda são apenas 2 da tarde..."que esfrega!!!", digo indignado a mim mesmo.
Mudo a musica e procuro algo que me embale o cérebro.
A semana ainda agora comecou e levo logo uma tareia destas para abrir as hostilidades. "Porque é que não fui para deputado??", penso eu enquanto imagino duas palmeiras e uma rede a uni-las.
Era assim que eu imaginava uma ilha quando era miúdo. Duas palmeiras, uma rede e 10 metros de areia. Depois fui viver para uma e percebi que as estradas também eram feitas com alcatrão (menos a que ligava o aeroporto à vila, mas esses são outros 500 paus...)
Aqui e hoje.
Levanto um pouco a cabeca e contemplo a rua. Duas janelas enormes trazem a luz e as linhas antigas do prédio da frente.
Está vento. Tudo abana lá fora.
À minha frente está um gajo.
Mas do outro lado da janela.
Monta andaimes e dista uns bons 20 metros do chão. Toda a estrutura abana. Está mesmo vento.
Anda de um lado para o outro transportando pedacos de madeira.
Está preso a alguma coisa? Sim, à gravidade e ao equilíbrio.
Tudo o que separa aquele gajo de ficar em formato de tortilha é uma tábua que por baixo dele abana como um gigantone no carnaval de Torres Vedras.
Ele não se parece importar muito com o facto. Passeia como quem vê montras no Colombo e volta e meia pára, coca a cabeca e pensa: "Onde terei deixado o martelo?"
Volto a olhar para o computador.
Aproximo-me de um '0'. Chamo para a roda um '1'.
Baixinho para que o Wally não perceba digo: adoro-vos!

1 X 2

Tu queres ver que o Nando sem saber ler nem escrever ainda lá vai?

domingo, maio 13, 2007

Os Jogos Com Fronteiras

Da última vez que vi um festival da eurovisão, lembro-me de ouvir a Dora dizia para eu não ser mau para ela. Não percebi a mensagem.
Acho que rondava os 10 anos e por essa altura o meu conceito de mau era o Sinhôzinho Malta e aquele relógio de pulso de chocalho. Eu nem sequer tinha relógio, como poderia ser mau?
Ainda assim, esperei por uma vitória lusa que no meu imaginário fazia todo sentido afinal, de todas as cancões a concurso, aquela era a única que eu conseguia perceber. Do ponto de vista linguistico. Apenas.
Todas as outras soavam a gritos de guerra. Parecia-me óbvio.
Votacões feitas e a injustica do resultado no meu mundo. Para aliviar a desilusão o meu pai dizia-me que as votacões eram politicas. Fiquei na mesma.
Nunca mais vi um festival e o meu interesse pelo mesmo foi tendendo para zero com o passar do tempo. Acho que é normal na minha geracão. Ninguém liga puto ao festival e toda a gente sabe que as votacões são combinadas. Contudo, a verdade é que nunca tinha prestado um pouco de atencão ao facto.
Ontem, tropecei na tv na altura em que as votacões decorriam. Não sei se sempre foi assim mas o que vi deixou-me a pensar na total inutilidade daquele festival.
A ideia é escolher uma musica. Ponto final.
O que vi, sem excepcão, foi cada pais a atribuir as votacões mais altas aos respectivos vizinhos.
Coincidentemente ninguém apreciou a musiquinha de alguém que estivesse a mais do que 1Km. Gostos.
A coisa foi de tal forma enrolada que me apeteceu perguntar: "Olha lá, isto é pago com dinheiro público?"
Todos os países tiveram 12 pontos atribuidos pelo seu vizinho (Moldávia à Roménia, Chipre à "dona" Grécia e por aí fora, restando sempre espaco para a nossa saloice de dar 12 pontos a Espanha...). Depois, cada bloco votou entre si. Os escandinavos votaram uns nos outros, os de leste também e os dos balcãs também. No caso dos balcãs rocou mesmo o escândalo. Nenhum dos paises das ex-Jugoslávia deu 12,10 ou 8 pts a qualquer país fora do seu antigo território. Ex-Soviéticos fizeram o mesmo. Ora, escusados será dizer que nos 10 primeiros estavam 9 países destes dois blocos.
Que palhacada. Até o Salazar, esse grande visionário, fez votacões "limpas" menos descaradas.
A não ser que os peixes votem ou a ilha do Corvo chegue à placa Americana, não estou a ver como nos podemos safar.
Com mais umas fronteiras terrestres talvez. Mesmo com o Emanuel.
Ou talvez não.

sábado, maio 12, 2007

Uma história

Apresento-vos o Vasa.
A história deste navio fascinou-me e por isso vou partilhá-la.
Primeiro porque me apetece escrever e segundo porque não me apetece limpar a casa.
Pode ser que dê jeito caso um dia seja sujeito ao Search&Destroy na Torre do Tombo.
O Vasa é o maior (e quem sabe único...) navio de guerra do séc.XVII em perfeito estado de conservacão. Está em Estocolmo no museu mais visitado cá da paróquia.
Qual a particularidade histórica deste navio? Ter-se afundado.
Em combate? Não, nem por isso.
O Vasa afundou 15 minutos depois de cheirar o mar pela primeira vez.
Mas voltemos ao início...
Gustavo Adolfo II, além de ter um nome giro, era o Rei da Suécia quando esta se viu embrulhada na guerra dos 30 anos. Para mostrar o seu poderio militar mandou construir o maior e melhor navio de combate alguma vez visto (estas manias das grandezas é que nos lixam sempre..."nos" como quem diz Humanidade ou homem com Ó grande). A 10 de Agosto de 1628, 12 anos depois de iniciada a sua construcão, estava pronto para largar âncora. Toda a cidade se juntou no porto para ver a armada partir em direccão ao Báltico. O Vasa, tal e qual Tolan, na primeira curva (era uma apertada) adornou a estibordo (sim, porque bombordo é a parte que fica para o lado em que se vê terra - o que se aprende quando se trabalha com malta da marinha!) e afundou-se. 12 anos a serrar madeira e 15 minutos depois, estava a obra no lado errado da linha de água.
Criou-se uma comissão para investigar e nenhum culpado foi encontrado (a eficácia das comissões é secular). Contudo, na altura não se descobriu qualquer culpado porque tinha sido o próprio Rei a meter a pata na poca.
A meio da construcão do navio e já com a parte de baixo (a que equilibra o barco) feita, Gustavo lembrou-se de exigir mais canhões. O navio que já tinha mais poder de fogo que uma 6 tiros na mão do Clint Eastwood, ficou transformado no que o Bush apelidaria hoje de potência nuclear.
O problema é que parece que cada canhão daqueles ainda pesava qualquer coisa e o fundo do barco (onde iam as pedras para o equilibrar) já não tinha capacidade para mais contra-peso.
Ordem de Rei não era discutida. Refazer o barco para tornar o seu fundo mais pesado também estava fora de questão porque o tempo apertava. Sendo assim benzeram-se e foram em frente.
O barco partiu para a viagem inaugural com pouco peso para o "encostar à água". Ao primeiro balanco virou-se e ficou a descansar durante 330 anos ali a poucos metros de uma das baías de Estocolmo.
No início da década de 50 um investigador privado (Anders Franzén) resolveu procurar o Vasa.
Foi já na década de 60 que o Vasa passou a linha de água e chegou ao porto de onde tinha saído 340 anos antes. Mais 30 anos passaram para que o navio fosse totalmente recuperado e apresentado como um tesouro mundial e exposto ao público. Mais de 30 anos a recuperar um pouco da sua história. Primeiro um investigador, depois o governo e o país.
Enquanto via o trabalho desta gente pensava em castelos que lutam sozinhos contra o tempo e pedacos de história, da nossa história, que todos os dias caiem porque "a cultura não traz dinheiro".
É obra.
E sem o Emanuel.

sexta-feira, maio 11, 2007

Que festival !

Há duas coisas que empolgam verdadeiramente os suecos: cerveja barata e o festival da eurovisão.
5 rondas internas apuram o vencedor e depois na gala europeia fazem sempre o seu brilharete. Tudo somado são umas valentes e intermináveis horas de transmissão (O Fidel faz discursos mais pequenos...). São gostos e não se discutem. Memórias dos Abba talvez.
No nosso caso a coisa é um pouco diferente. Há umas décadas tínhamos representantes com qualidade (Simone, Tordo, P.Carvalho) mas deixámo-nos disso e resolvemos fazer um intervalo até aos dias de hoje. Com raras excepcões (Sara Tavares), as nossas prestacões têm sido vergonhosas. De tal forma que hoje em dia o festival não é mais do que o expositor da Rosa Lobato Faria. Vencer o festival da cancão em Portugal é um bilhete para o anonimato em 6 meses. O desinteresse do publico nacional no concurso também é grande e isso reflete-se na qualidade dos concorrentes.
Contudo, e quando eu pensava que não se podia piorar o "Banana e Chocolate" da dupla Tó Cruz & Rosa Lobato, eis que vamos para um concurso europeu com uma letra do Emanuel.
É obra.

O Master do Universo Quase Todo

Afinal esta não era uma obra de ficção.
Estamos a ficar um bocadinhos excêntricos demais. Ligeiramente apenas.
E se fosses trabalhar pá?



"Dennis Hope diz ser dono de todo o sistema solar, excepto o Sol e a Terra
Os portugueses já podem adquirir um terreno na Lua, com direito a certificado de propriedade e até um mapa para não se enganarem na cratera. É o que garante o americano Dennis Hope, que esteve ontem em Lisboa na inauguração da primeira embaixada lunar neste país. E o negócio deste californiano, de 59 anos, parece ir de vento em popa. Desde que reivindicou a posse dos corpos celestes do sistema solar (com excepção da Terra e do Sol), há 27 anos, já amealhou nove milhões de dólares.

A ideia de vender pedaços de Lua surgiu após o divórcio. Sem dinheiro, a solução caiu do céu: reivindicar a posse dos planetas e suas luas. Para tal, baseou-se numa lei de 1862, que concede a propriedade de terras devolutas ao primeiro que as reclamar. "Senti-me como os europeus de partida para o Novo Mundo", disse Hope à imprensa no hotel Dom Pedro.

O autodenominado presidente do Governo Galáctico aproveitou uma lacuna no Tratado Espacial (1967), que proíbe os Governos de reclamarem território no espaço, mas é omisso quanto aos indivíduos. Registado como dono do sistema solar, comunicou o facto a Washington, Moscovo e à ONU. Não obtendo resposta, iniciou a venda de terrenos na Lua.

Desde então já vendeu 162 milhões de hectares - 4,5% da superfície da Lua. Um negócio que parece absurdo, mas que convenceu estrelas como Tom Cruise e Nicole Kid-man, bem como os ex-presidentes Jimmy Carter e Ronald Reagan. O próprio George W. Bush já tem um pedaço de Lua, para quando deixar a presidência dos Estados Unidos.

Mas quanto tempo falta para se poder viver na Lua? Hope responde prontamente: dentro de 50 a 75 anos, haverá "uma comunidade permanente". Até lá, o californiano promete andar pelo mundo e dar a conhecer o seu negócio. A procura de terrenos lunares, muito apreciados como presente de casamento, já justificou a abertura de embaixadas em países como Reino Unido e Austrália. E agora Portugal.

Quando lhe perguntam se é um vendedor de sonhos, Hope responde que apenas quer criar "uma sociedade sem os males da Terra". E para os criminosos já tem solução: uma prisão no lado não iluminado da Lua."

in DN
(http://dn.sapo.pt/2007/05/11/internacional/americano_ganha_nove_milhoes_a_vende.html)

quinta-feira, maio 10, 2007

Goucha, tremei!

Depois do Cerelac, Korn Flakes e Mandarin, finalmente a alta cozinha.
Pudim boca doce de duas camadas.
Liso, perfeito, sem grunhos.
Chocolate e caramelo.
Que clássico!
O céu passou a ser o limite.

Search & Destroy

Leio por aí que a internet passou a fazer parte das entrevistas de emprego.
"American way" dizem uns. Não tarda está na Europa, digo eu.
Apesar do nosso verão durar de Maio a Outubro, de os administradores de empresas públicas com um único patrão (o estado) acumularem reformas e de jornais serem processados quando dizem a verdade, ainda figuramos nos relatórios da UE. Isso significa que estamos lá. Na cauda, mas presentes.
Aos típicos 47 testes das entrevistas de emprego existentes, adicionar-se-á um : Google + nome do candidato.
Isso faz-me pensar.
Um gajo com vídeos no youtube a vomitar os sapatos ou coisas do género é de imediato apanhado e perde logo a credibilidade que tenta passar à "a Dra. Susana já o entrevista sim?" com o fatinho da Zara.
A internet é muito gira e coisa e tal, mas também pode ser um bico de obra...
Estar identificado com nome e fotografia pode não ser a coisa mais esperta do mundo quando se pensa no futuro.

(...olho para cima e vejo um desenho numa nuvem)

10 anos depois.
Entro no escritório da EGOR perto das Amoreiras.
"Boa tarde Tiago. Aguarde só um pouco que a Dra. Susana já o vai entrevistar"
Sento-me e leio a Executive do mês anterior. "Existirá alguém nas empresas de recrutamento que não se chame Dra. Susana?", penso.
Ainda o artigo de "Como ser adorado pelos seus subordinados" vai a meio quando ouco: "Tiago Francooooo, pode entrar."
Estico a camisa com as mãos e imagino-a passada. Tenho 40 anos e mantenho-me fiel a certos hábitos. Entro e vejo a Susana. Não tem mais de 30 anos mas a quantidade de cores entre os olhos, bochechas e lábios disparam mais 15. A laca também não ajuda.
Recomponho-me do susto e aperto suavemente aquela mão cheia de anéis e pulseiras de "chibéque".
"Muito bem Tiago, conte-me um pouco da sua história desde que nasceu, por onde passou, o que fez, etc..."
"Bem Susana, eu..."
"Dra."
"Bem Dra. eu..."
"Dra. Susana..."
"Bem Dra. susana eu....não me lembro bem. Já andei por alguns sítios e fiz um pouco de tudo sabe? Nasci ali perto do edifício da Pide, depois fui ver o star wars à Academia Almadense, mais tarde acompanhei o meu pai que era pescador e fomos cacar cachalotes nos Acores. Tirei um curso de Acoreano intensivo e cheguei mesmo a perceber pessoas de Rabo de Peixe. Mais tarde, fazendo fé em alguns relatos locais, regressei a "Portugal". Fui tratador de animais em Sete Rios, montei antenas na zona de Chelas e já farto de choques eléctricos dediquei-me ao oficio de bate-chapas ali para os lados de Palmela."
"Hummm....estou a ver. E nos últimos 10 anos?"
"Um conhecido meu abriu uma oficina lá para o Ártico e precisava de alguém bom a untar juntas. Modéstia à parte Susana..."
"Dra."
"Modéstia à parte Dra. Susana sou um dos cinco melhores untadores de juntas de todo o continente Europeu e quem sabe até de Portugal !"
"E porque resolveu voltar?"
"Ahhhhh...sabe como é Sus..."
"Dra. pá!!! Quer ver o meu livro de cheques???"
"Desculpe lá Dra....uma pessoa habitua-se a chamar os outros pelo nome de baptismo e depois é uma chatice..."
"Dizia que...?"
"Ah...voltei porque já sabe...não há nada como a nossa terra!"
"O sol, o trânsito, o sol, a corrupcão, o sol, os servicos de saúde, o sol, os salários baixos, o bacalhau e sabe como é, o sol!"
"O que fez no Ártico?"
"Fartei-me do oficio de untador e passei a cacar alces."
"Mas isso não dura apenas 15 dias por ano?"
"Sim, é o equivalente a ser deputado aqui, mas o fato é mais giro e o cheiro mais agradável."
"Ahh...muito bem, vamos então passar aos testes de compreensão básica"
"Vamos a isso que até estive a rever a tabuada!!"
"Diga o valor de Pi até à quinquagésima casa decimal"
"Humm...huuuummmm...posso contar pelos dedos??"
"Não!!!"
"Hummm...acho que é...3.14159 26535 89793 23846 26433 83279 50288 41971 69399 37510 "
"Certo. Quantos descendentes estimam os historiadores que Genghis Khan tenha em pleno séc.XXI?"
"16 milhões, segundo a versão do José Hermano"
"Em que sítio foi assassinada a única mulher que casou com James Bond? "
"Na Arrábida migaaaa!!"
"Onde nasceu Freddie Mercury?"
"Zanzibar"
"Hummm...parece-me que você tem as qualificacões mínimas exigidas para fritar hamburgueres na roulotte da Sónia em Alcântara. Não sei se tem aptidões para o kebab...mas veremos. "
"Temos no entanto um problema Sr. Tiago..."
"Ai sim? Não me diga que é por tremer muito das mãos??"
"Não, isso até é bom para deixar a carne mais tenrinha, mas como sabe a nossa agência implementa o modelo Search&Destroy no Google, segundo recomendacões da vários Drs. lá de fora. Alguns da Califórnia e outros da América. Gente que sabe disto."
"Percebo...e o que deu o meu teste?"
"Pesquisando com o seu nome vimos que há uns anos atrás teve problemas com um colega que chupava macãs e outro que cheirava mal."
"Mas era tão irritante sabe?"
"Quem não chupa uma macã de vez em quando sr. Tiago?? Quem não salta um banhinho ou outro sr. Tiago??? O sr. é muito gozão!! Não sei se será uma boa influência no ambiente da roulotte...."
"Eu prometo que sim. Vá lá....quando escrevi isso era novo, não pensava...."
"E que história era aquela da recrutadora de laca e de nome Susana?? Parece que me estava a gozar 10 anos antes de me conhecer!!!"
"Era só uma história que li num livro. Como é que eu podia adivinhar o futuro?? Por favor, para mim era um sonho trabalhar com a Dra. Sónia no kebab!!"
"Devia ter pensado nisso antes. Ninguém o mandou colocar nome e fotografia!! Nem ser gozão!!"
"Mas quem ajudará a Dra. Sónia quando aqueles senhores simpáticos vierem às 5 da manhã da discoteca Luanda e pedirem o "burgue e a mine" ??"
"O emprego vai para o outro candidato, um tal José P. Pereira. Não sabe o valor do Pi mas só escrevia poesia e mostrava obras de arte. Passou com distincão no Search&Destroy!! "


(Puff....abro os olhos e salto da nuvem!!!)

Próximo passo:

For(;;){

Delete();

}

quarta-feira, maio 09, 2007

A oeste nada de novo


Dolce & Gabbana

Estou a ficar velho.
Terei cabelos brancos? Não. Nem um.
Terei dores nas "cruzes"? Não me parece.
Considero o zapping um desporto olímpico?
Penduro-me nas costas do gajo da frente enquanto não chega a minha vez de pagar no supermercado?
Digo na paragem do autocarro: "Eles são todos iguais!!" ?
Uso o clássico jogo de cotovelos nas filas enquanto digo: "Não respeitam os mais velhooooooos!!!!" ??
Não, não, não e não.
Porque estarei então a reconhecer uma maior distância às fraldas?
Por causa das modas. Olho e digo: "Estes putos...."
Mais, assumo aquela verdade soberana: "A juventude está perdida!!"
Há modas que até se conseguem discutir do ponto de vista de "coolidão". Muito, pouco ou assim-assim "cool".
Todos fizémos as nossas figuras de urso. Fazem parte do crescimento. Mas há limites.
Os putos louros cá do norte têm duas formas de mostrar que são homens: ou bebem ou andam com as cuecas de fora. Fumar já passou...
As bebidas mais fortes (que é como quem diz da superbock green para cima...) são vendidas em lojas próprias onde só entram adultos. A grande machadada libertária acontece quando um puto de 16 anos pede a um adulto que lá vá comprar qualquer coisa para ele misturar na gasosa. Depois é só assistir ao desfile. Todas as sextas, putos sem barba atravessam a cidade com sacos brancos nas mãos em direccão a um qualquer espaco onde se embebedam. Depois seguem para a "noite" e por lá ficam até às 22h...quem sabe 22.30h.
Um sueco desde pequeno aprende a beber como um irlandês, mas a poupar como um escandinavo. Beber copos tudo bem, mas toca de enfrascar em casa que é mais barato e quando for para vomitar e gritar, aí sim, já pode ir para a rua.
Enquanto dão este grito do Ipiranga passeiam as cuecas, num traje semelhante ao que usam durante a semana. Talvez este moda tenha passado em Portugal. Quando eu era puto lembro-me de usar as calcas descaídas, não me lembro é de as colocar nos joelhos.
A coisa tem a sua piada para quem vê. Os miudos usam as calcas pouco acima dos joelhos e as cuecas passam a fazer parte da indumentária visivel. Posso afirmar que a Dolce & Gabbana vende muito aqui em Gotemburgo.
O grau de "coolidão" de um puto é directamente proporcional à quantidade de tecido de cueca que ele mostra ao mundo. Ignorando a parte estética da coisa, centro-me na prática.
Com o fundilho das calcas perto do chão, vejo-os a andar como se segurassem uma laranja nos joelhos.
Depois chega o eléctrico...e aí é que é o diabo! Comecam a correr com rapidissimos passos de 10 cm. A perna não abre mais e correr dentro de um saco de batatas seria bem mais fácil.
Mas não perdem a pose...mal entram no eléctrico, toca de ver se as calcas não subiram muito com aquela azáfama.
Tudo pelo estilo.
Estou a ficar velho.

O treino

"A proposta da CT da Autoeuropa de ocupar os dias menos preenchidos, por causa do atraso do novo modelo, para Formação Profissional, é a demonstração de que há sindicalismo para lá da cegueira derrotada, de um lado, e da concessão sem horizonte, do outro"

via Arrastão


Chora, amigo, o povo está contigo!!

terça-feira, maio 08, 2007

O Misha

Nunca gostei de circo.
Talvez veja as coisas pela perspectiva errada. Mas tenho que as ver de alguma forma.
Não gosto de animais que fazem truques. Não gosto de os ver presos em gaiolas. Não gosto de gajos de capacete a voarem sem asas e não percebo qual o interesse de ver um elefante a pisar uma mulher com um biquini de lantejoulas.
Antes que pareca aquele anão (acho que era o Resmunga) que não gostava de nada (ou era um Estrumpfe??) vou ainda dizer que também não gosto de palhacos. Desde os 10 meses, idade em que comecei a rir, que espero por um esgacar de dentes numa actuacão do Batatinha, mas ainda não logrei tal desfecho.
No entanto gosto do nome: palhaco. E gosto ainda mais daquela frase: "Não há dinheiro, não há palhaco!"
Gosto mas não a percebo. Que eu saiba dinheiro e palhaco estão um para o outro como sabonete para um francês: longe!
Apesar de não gostar de circo, o meu trabalho não é muito diferente.
Tal como os palhacos, visto um fato (que no meu caso é uma t-shirt passada ou com menos do que 3 jogos do galo de vincos) e vou para uma arena fazer um numero. A arena tem tijolos em vez de lona e os espectadores resumem-se a empresas. Tudo o resto é igual. Palmas, cheiros e coca-cola.
O tempo que estou em cada sitio é a duracão de cada projecto. Tal como o circo. Enquanto a feira dura estão por lá.
Enquanto escrevo apercebo-me que as semelhancas são maiores do que imaginava algumas linhas atrás.
Adiante...
Estava eu entretido a construir o canhão para a minha próxima actuacão e aparece o Chen: "Tiago, o circo está sem dinheiro!"
"Tu queres ver?", pensei eu enquanto oleava as juntas do canhão....
Como estava emprestado pelo Cardinalli, liguei para o quartel general no descampado do Trancão: "Ó Victor, o Chen diz que anda a vender poucos bilhetes e que está sem dinheiro..."
Antes que pudesse sugerir algo diz o Cardinalli:
"Epá, não há dinheiro, não há palhaco!!"
"Calma Victor...eu sou só o homem-bala!! Sabes que a promocão para palhaco ainda é só um sonho!!!", respondi.
"E a solidariedade entre circos Victor?", continuei.
"Tem juízo pá!! Solidariedade não paga contas!!"
"Há falta de homens-bala e tenho pedidos do circo de Moscovo para um número com o Misha!!"
"Eeeeeeeeeeeeeeeee....o Misha??? Aquele urso com cara de simpático??"
"Sim."
"Posso ir amarrotado Vitinha?"
"Sim."
"Feito"
O circo vai a caminho de Moscovo.



Ps - Moscovo é a chamada figura de estilo...

Os dias loucos na funcão pública


segunda-feira, maio 07, 2007

A miúda



























Tenho acompanhado este caso pelos noticiários da RTP. Hoje reparei que estava nos jornais suecos.
Os raptos de criancas (acreditando que é disso que se trata) acontecem infelizmente a toda a hora e nos quatro cantos do globo. Resgates, redes de pedofilia e mais uma série de actividades ilícitas são as razões conhecidas.
Ainda assim, não é hábito ver (muito) este tipo de coisas no nosso país e também por isso (imagino eu) a tão mediática cobertura.
Além do sofrimento que a crianca de 3 anos deve estar a passar, não consigo deixar de pensar nas palavras, nas vozes trémulas e nos olhares tristes que os pais justificadamente apresentam.
Que dor devem sentir estas pessoas que de um dia para o outro vêm desaparecer um filho. Que pesadelo!
E do outro lado está alguém.
Alguém que causa todo este sofrimento.
Seja por desiquilibrio mental ou por consciente actividade criminosa, torna-se difícil perceber como é que gente desta tem espaco no mundo. Torna-se até complicado perceber em que moldes pode uma sociedade livre permitir liberdade e segundas oportunidadaes a quem não a respeita.
Ódio gera ódio. É um facto.

The Garden e o molho Tsatsiki

Alberto João venceu. Sarkozy também.
O primeiro diz disparates a uma velocidade praticamente imbatível. O segundo também já coleciona alguns.
Alberto diz que não quer "chenêses" nem "indiônes" na Madeira. Sarkozy contenta-se em "limpar" a "escória" do Magrebe.
"Os turcos devem ser um problema do médio oriente. Não os quero por cá.", diz Sarkozy. Alberto não diz nada porque não sabe onde fica a Turquia.
Alberto, The Garden, ganha eleicões com todas as técnicas de populismo que vêm nos manuais. Durante o mandato favorece apoiantes e destrói quem não bebe da mesma fonte. Em campanha corta mais fitas que um alfaiate e oferece mais prendas que o major de Gondomar. Desde 76 que vence. Usa os dinheiros públicos em obras de favorecimento e chama a isso desenvolvimento. Chama nomes a tudo o que mexe e só não tem um fígado como o do Ieltsin porque a poncha não é vodka. Que se saiba a populacão da Madeira não conheceu mais qualidade de vida nestes 30 anos mas a corja do PSD enriqueceu.
Fez uma birra quando Sócrates fechou a torneira dos euro e toca de convocar eleicões populistas. O resultado era óbvio e uma vez mais o dinheiro dos contribuintes serviu para lavar o chão. Gulherme Silva, o papagaio de Alberto João na assembleia já disse que se deve rever a lei de financiamento porque este resultado eleitoral é expressivo. Marques Mendes fez questão de se associar à vitória e apontar Sócrates como o grande derrotado.
Ora...a questão aqui é que as eleicões na Madeira são tão importantes, válidas ou limpas como as que Saddam fazia no Iraque. Era o que faltava, mudar-se seja o que for nos destinos da República, porque o Alberto João fez uma birra e o Jaime Ramos está a ver que os subsídios para as 30 empresas semi-públicas que administra estão a acabar. Ele que volte a vender retretes...
O facto da "oposicão" se querer colar às "eleicões" na Madeira mostra bem o vazio em que vivem. Vale tudo.
Sarkozy recuperou todos os votos de Le Pen. Os mais extremistas perceberam que algumas das suas ideias poderiam finalmente chegar ao Eliseu pelas pernas de um filho de emigrantes. As voltas que a vida dá. Para comemorar a vitória Sarkozy desceu os campos Elísios e bebericou no clássico Fouquet (que parece tem uns sumos de laranja muito especiais!!). Alberto, The Garden, correu para a taberna e encheu a boca de bolo do caco e poncha.
Estilos.

quinta-feira, maio 03, 2007

4 de Maio de 1977, o chamado dia especial

Assim de repente...estou na mesma!

Vende-se


Parece que tem umas luzes no jardim que são um espectáculo!!
O resto das fotografias aqui.

Chamem a polícia...

Alberto João inaugura estradas, estacões de tratamento de águas, quiosques e bancas de algodão doce.
Vale tudo menos arrancar olhos. Nos comícios aproveita e insulta familias de pessoas presentes no local, gerando confusão e ambiente de tasca, no qual se sente em casa. Faz de uma parte da República (que eu saiba a Madeira é autónoma mas não independente) o seu quintal. Corrupcão e enriquecimentos duvidosos fazem parte da administracão. Teias de favores e abusos dos dinheiros públicos de tão óbvios já se tornam macadores. E o que faz o povo madeirense? Aplaude.
O que faz o líder do PSD? Encolhe-se.
Sócrates tenta pela primeira vez em 30 anos abanar o sistema, mas parece que nada acorda aquela gente.
O que se percebe. A senhora que trabalhava na casa do Alberto João passou a ter uma estrada nova à porta de casa. Era uma promessa do Padrinho, que fez questão de explicar em tom ternurento enquanto cortava a fita. Por pouco não me sai uma lágrima. Por muito pouco.
Publicamente este atrasado diz que mandou construir uma estrada para pagar um favor à dita. E ninguém faz nada, ninguém diz nada. Destas acho que nem o Chavez se lembra.
Ao mesmo tempo que este carnaval decorre, na capital do país metade dos vereadores municipais estão debaixo de processos judiciais. Santana comecou e Carmona terminou aquilo que foi o pior pesadelo para a cidade. Lisboa congelada entre tuneis inacabados, terrenos cedidos, obras interminaveis e uma vereacão que procura salvar a pele, politicamente falando. M. Mendes, ele próprio no poleiro errado, tenta arranjar um presidente para estes 2 anos de mandato, apenas e só, para evitar a perda da câmara mais importante do país.
Os lisboetas votam num e aparece outro. Depois do governo, eis que a moda chega às autarquias.
Eu sei que todos os países têm problemas. Mas avancam. No meio dos seus problemas avancam.
Pelas notícias fica a eterna sensacão de que os responsaveis (políticos) servem-se do país e das suas instituicões, em vez de o servir. Um presidente de câmara (algures no norte) tem a mulher e filha como assistentes. A filha (psicóloga) foi escolhida por um "júri" em prejuízo de outra candidata com melhores habilitacões e mais experiência. O pai e presidente da autarquia disse que a filha tinha um estágio de 8 meses na área (UAU!!) e que não percebia o espanto, quando situacões idênticas aconteciam em gabinetes de ministros.
Talvez eu esteja enganado, mas da última vez que olhei para o mapa as nossas fronteiras não tocavam no Suriname. Não há limites para os joguinhos de bastidores ou favorecimentos pessoais? Um pessoa pode aspirar a algo trabalhando e sendo honesta? O mérito serve para algo?
Estarei muito focado nas notícias nacionais e por isso escapam-me os demais problemas ou somos nós que estamos mesmo a andar para trás?

quarta-feira, maio 02, 2007

O pastel de nata

Vi o "derby" no clube português de Estocolmo. Caminhámos uma boa hora em passo de corrida para ver aquela miséria. Se não fosse a "mine" e o pastel de nata, confesso, teria sentido uma enorme frustracão.
Agora que acabou a época em termos matemáticos, na prática nunca existiu desde o anúncio de que o Nando vinha escavacar o ninho da águia, importa fazer um pequeno balanco.
Não é que eu seja um entendido, mas o facto de ter olhos na cara já me coloca alguns degraus acima do engenhêirú.
Ontem, enquanto via o Chelsea-Liverpool lembrei-me do Nuno Gomes. Por oposicão de fase, mas lembrei-me. Os jogadores do Chelsea, numa licão fantástica de táctica passaram 1 hora a despejar bolas do meio campo para a área do Liverpool (boa "special one", por essa eles não esperavam!!). Apesar do requinte táctico duvidoso, reparei que o Drogba, sozinho no meio da defesa do Liverpool, ganhou quase todas as bolas. Depois não se safava é certo, mas era rara aquela que ele não conseguia segurar ou distribuir pelos colegas. E foi exactamente aqui que me lembrei do pontas sedosas. Há pelo menos 10 anos que eu espero ver o Nuno Gomes ganhar uma bola a um central e passá-la a um companheiro, ou então, loucura das loucuras, chutar para a baliza (marcar também já não seria necessário). É claro que para isso ele teria que saltar em qualquer zona do campo excepto e saliento esta parte, excepto nas costas do central. Oportunidades consecutivas dão-se quando ainda há margem de progressão. Aos 30 anos ou percebes do assunto ou não.
A equipa não é brilhante, mas teria servido perfeitamente para algumas alegrias (pelo menos nas competicões nacionais). Um planeamento adequado teria incluído nas compras de julho um avancado eficaz (daqueles grandes que ganham bolas). O Miccoli é bom mas é só um. N.Gomes, Mantorras e Derlei não cabem num clube como o Benfica. O plantel pode ter 25 jogadores mas na prática funciona com 10. Quando jogadores como Katsouranis, Nelson ou Simão não estão presentes ou em forma, não há ninguém que os substitua. De uma defesa que até era o ponto mais forte da equipa, resolveram vender um dos esteios (R. Rocha) e permitir que o Anderson comecasse a distribuir brindes em cada jornada.
O Nando, ignorando por agora os seus conhecimentos técnicos, é um treinador da velha escola mas sem a parte da disciplina. Ou seja, não tem nada que se aproveite. Insiste numa táctica tenha ou não jogadores para ela, não sabe ler o jogo e limita-se a correr atrás do prejuízo nos últimos 10 minutos (quando apela ao Mantorras). Não seria capaz de motivar um carteirista numa boca de metro. Os jogadores não o seguem, ouvem ou respeitam.
Sai mais barato deixar o Rui Costa seguir para treinador ou usar o recurso-maravilha Chalana. Toda e qualquer solucão é melhor do que deixar lá este gajo que nasceu para perder.
Contractar o F. Santos foi um erro e errar é humano. Não aprender com os erros já é burrice.

Enfim, Estocolmo

Um ano depois de desembarcar na aventura escandinava, chegou finalmente a oportunidade de conhecer a capital, Estocolmo.
Dizem os locais (de Gotemburgo) que é uma cidade lindíssima, mas cujos habitantes caminham de nariz apontado ao céu. Explicava-me um colega esta manhã, que aqui em Gotemburgo se usa um dialecto mais "ajavardado". Cidade operária entenda-se. Lá por cima respira-se realeza e colarinhos de renda. Rivalidades que se estendem a qualquer canto do globo (malta para cima do Mondego, já sabem que não estão sós!). Confesso que não percebi a diferenca de dialectos (epá, porque será?) mas senti a atmosfera imperial. Há uma particularidade histórica que contribui para a imensa beleza de Estocolmo. A cidade esteve longe de qualquer uma das guerras mundias e dos seus bombardeamentos. A última batalha remonta aos tempos das invasões dinamarquesas e por isso a parte mais antiga (Gamla Stan) mantém as vielas e edifícios do séc.XVII (e alguns mais antigos). Contudo, a beleza da cidade estende-se para fora da parte mais antiga num raio de quilómetros. Anda-se um dia inteiro e sucedem-se as avenidas históricas, os edifícios antigos, os monumentos seculares. Tudo num estado de conservacão impecável que torna a cidade um pequeno mundo encantado. Há também outro detalhe que lhe confere algum brilho. O facto de estar construída em cima de várias ilhas traz o azul do mar para o quadro idílico.
Museus, palácios, monumentos e pontos de interesse para encher semanas. Além da típica (e muy escandinava) beleza natural.
Visitem que vale a pena.

1 de Maio Universal


Suecos, camaradas e bons rapazes.
Aposto que se procurar bem ainda encontro uma Quinta da Atalaia com renas.
(e por favor não perguntem o que é a Quinta da Atalaia !!)