sexta-feira, abril 27, 2007

A Bobone

Mesmo de saída tropeco nisto (via origemdasespecies.blogspot.com). A entrevista completa está aqui, mas o destaque vai todo para esta pérola:

P: Além de escrever livros sobre etiqueta e "boas maneiras", como ocupa o seu tempo?
R: Sou professora e dirijo uma "Pós-graduação"de gestão de eventos na Universidade Lusófona de Lisboa. Actualmente sou professora das cadeiras de Etiqueta, Imagem, Protocolo e Eventos Internacionais, o que me agrada bastante, porque é também uma experiência muito aliciante e enriquecedora.

...hummmm...
Pós-graduacão de gestão de eventos. Aí está a pós-graduacão que faltava e sem a qual o país não se safava.
Drs. que de uma forma mais profissional possam soprar os balões, fazer os canapés e quem sabe até escolher o copo de pé alto. Lembro-me agora de ver o reitor da Lusófona a reclamar num programa da RTP (prós e contras) que os alunos das privadas estavam em desvantagem porque o Estado não os apoiava (com dinheiro entenda-se). Como pode o estado apoiar uma coisa destas? Estes gajos inventam todo e qualquer tipo de curso, sem o mínimo interesse ou saída, onde o objectivo único é o lucro. Neste caso basta a sala, talheres do IKEA e a Bobone. Nem quadro é necessário por causa da alergia ao giz.
Parece que há uma cadeira onde ensinam a diferenca entre o garfo de carne e de peixe, mas já é mais elaborada e ficou para o Doutoramento em " Como fazer festas sem pipocas".

E de repente...

...tudo muda.
Chega a voz e traz conforto.
Não há milagres ou ilusões infantis.
Apenas notícias de uma aparente acalmia e início de recuperacão.
Dentro do quadro é um respirar profundo.
Mestre Zé, não sei se vais rir quando acordares, mas eu já o faco pelos dois.
O fim-de-semana segue mais a norte, lá para os lados da capital.
Até quarta-feira para quem aqui passa e bom fim de semana.


Ps - Já agora...e se não for pedir muito, era uma tareia nos lagartos sff.

Sã, sã, sã

Dias de inexistência. Dias que estão no calendário mas que nada acrescentam.
Vivem-se sem cor, melodia ou destino. Passam simplesmente.
Um sorriso que se apaga e uma voz que se esconde.
A certeza de ver o fim. Hoje, amanhã ou já ali.
E de nada poder fazer. Nada, rigorosamente nada.
Saber do sofrimento e rejeitá-lo. Não querer ouvir. Não querer saber. Ele estava bem. Ele sorria. Foi apenas há 15 dias. Há 15 dias!
Ser egoísta ao ponto de ter medo do telefone. O silêncio é de ouro. Aqui vale tudo. Significa que não há novidades. Especialmente más.
Que distância de merda. Que incapacidade de lidar com a dor de quem gosto.
Volta lá para casa Mestre Zé.
E sorri.
Vá lá.

A tribo



Sempre gostei de malta animada.

O resto aqui.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril

Longe e sem feriado
Comemoro a dobrar
Hoje há bolo de aniversário
E adeus a Salazar

Numa data que seria nacional
Reconheco a pontaria
Alguns anos antes
Nascera a Ana Maria

No cenário da Revolucão
Com o Carmo já deserto
Conhecêmo-nos em pura aflicão
Numa cama ali bem perto

29 anos passaram diz o tempo
Estava uma noite de luar
Não sei se soprava o vento
Mas lembro-me de ouvir gritar

Antes que ouca um suspiro
Esclareco em nome do bem
A Ana Maria a que me refiro
É a senhora minha Mãe

Que conta nova primavera
Sem ver o tempo a passar
Tenho palavras mas quem me dera
Estar à distância de um olhar

Fica com o meu beijo
E esta linha de diário
Um sorriso como desejo
Um feliz aniversário

Dizer era no fundo o que queria
Já sem o conforto do ventre
Mãe, hoje é o teu dia
25 de Abril, agora e sempre.

terça-feira, abril 24, 2007

A dúvida

Fico sempre pensativo quando se aproxima o 25 de Abril.
Não que o tenha vivido, o que tenho pena, mas o significado da data sempre exerceu em mim um certo fascínio.
Fascínio pelo desconhecido. Por esse mundo que me relatam onde tudo parece retirado de um conto de histórias sórdidas e sombrias.
Eu não sei o que significa estar na rua a escolher as palavras. Não faco ideia o que é estar numa frente de batalha a defender uma causa inexistente. A maior tortura que já apanhei foi a segunda circular com 35 graus e sem ar condicionado no carro. Parecendo que não ainda está um pouco longe do "forno" no Tarrafal.
Como toda a geracão dos filhos de Abril sou um previligiado. E por isso penso.
Qual terá sido a sensacão depois daquele cerco ao quartel do Carmo? Que terão pensado no momento em que perceberam que a Ditadura ia finalmente cair? Como terá sido o sorriso daqueles que em África descobriram que tinham ganho um passaporte para a vida?
Tenho sempre a sensacão que a geracão que viveu Abril compreende e valoriza melhor o mundo em que vivemos. Há um claro termo de comparacão que a minha geracão desconhece. Há um conjunto de valores que nos passam ao lado. Há uma solidariedade que não nos diz nada. Parecemos desconhecer a sorte que o ano de nascimento nos trouxe.
Há algo de especial na nossa revolucão. Sem tiros. Sem sangue. A revolucão dos cravos.
À ditadura do "Botas" e do Marcelo, seguiu-se um período de novos exageros (PREC) e de êxtase colectivo, onde as energias nem sempre foram bem canalizadas. As 3 décadas de Democracia não nos deram o que queríamos e sobretudo deveríamos ter atingido enquanto país, mas trouxe-nos a liberdade.
É apenas disso que me lembro nesta altura. Não das asneiras cometidas em Democracia (isso ocupa-me o resto do ano) ou do saudosimo Salazarista dos últimos tempos. Penso apenas nas dificuldades que outros passaram para que eu pudesse falar livremente. Penso em tantos nomes sem rosto que pagaram com a vida o previlégio que hoje nos assiste de ver, ouvir e falar.
Já alguém dizia (acho que era aquele rapaz de cartola e charuto): "A Democracia não é perfeita, mas é a melhor que temos."

segunda-feira, abril 23, 2007

A primeira barreira ao som

Quando se ouve uma língua que nos é praticamente estranha durante muito tempo seguido, comecam-se a criar musicas para os sons. Ainda que não se perceba o conteúdo, a sonoridade está lá e cria uma pequena habituacão.
A reunião do grupo onde trabalho passou a ser em sueco desde Marco passado.
Esforco-me, luto contra as palavras, mas ao fim de meia-dúzia de frases só os sons finais entram no meu ouvido.
Calmamente vou adormecendo embalado por aquele xilofone de "bóka, ó, iz, mén, unen, anan, iógue".
O ouvido comeca a filtrar e entra em estado de alerta. Ao primeiro "Tiago" a mensagem corre a 3E8 m/s do cérebro para os olhos que de imediato se abrem. Tento evitar mas não consigo. Reuniões dão-me sono. Quando entendo a língua aguento 30min, quando tudo se resume a sons, comeco a construir músicas que me embalam ao fim de 5min.
Sei que tinha potencial para ser um grande deputado, mas perdi-me claramente na escolha de carreira.
Um destes dias quando chegar a minha vez de falar vou serrar presunto 10min em português. Gostava que também eles tivessem a oportunidade de se auto-embalarem com um xilofone gramatical.
Pior do que o estado de sonolência que isto me provoca só as asas que ganho sem me levantar. Uma vez embalado comeco a flutuar e os pensamentos chegam de todo o lado.
Recebia esta mensagem divina:
"O meu pai vai trazer Nestum de chocolate"
"O meu pai vai trazer Nestum de chocolate"
"O meu pai vai trazer Nestum de chocolate"
"O meu pai vai trazer Nestum de chocolate"
Quando ouco em sueco: "Quem quer tirar a próxima segunda-feira ?"
Na mesma velocidade a mensagem seguiu para o braco direito que antes do cérebro dizer "com calma pá!!", já estava no ar.
São reflexos, que posso eu fazer?
Estava a tentar perceber o contexto há pelo menos 100 frases e aquela caiu-me no ouvido como se fosse em português.
Ele há coisas...

A arte


"Marques Mendes promete 80 por cento do rendimento da UE em 2013 se vencer em 2009"
in Publico



A política como arte mais antiga de jogar com as palavras.
Mendes mente com todos os dentes porque sabe que é mais provável crescer 5 cm do que vencer as eleicões de 2009.
Ainda assim, marca com algum humor o desespero e falta de ideias de uma oposicão dizimada pelo José, Ex-Eng. e actual Sr.

sexta-feira, abril 20, 2007

Marisa Monte - Universo Ao Meu Redor (Programa do Jô)

Ainda há 15 dias chegou lá a casa e não pára de rodar.
Marisa Monte e o seu Universo.
Uma grande surpresa (e uma excelente escolha alexandra!).
A caminho do fim de semana aproveito e ouco só mais uma vez :)
Então até já.

quinta-feira, abril 19, 2007

178/243

Mais 178 mortos e 243 feridos.
"It's over", disse aquele acéfalo.
Assiste-se a uma contagem diária de cadáveres e olha-se com aquela sensacão de filme já visto.
Morrem pessoas todos os dias no Iraque desde que as forcas da coligacão declararam o fim das hostilidades.
Bush e Blair lideraram um conjunto de governos que arrasou um país e o deixou bem pior do que estava antes de ser "democrata".
Maior parte dos governos já retiraram as suas tropas e vão assobiando para o ar. Os americanos não podem fazer o mesmo mas também já não querem lá estar.
Os despojos de guerra afinal de pouco serviram. Nem se consegue andar na rua, quanto mais reconstruir edifícios...
Saddam está morto e figura no panteão do Youtube. O que ganharam os iraquianos?
Uma guerra civil e constantes atentados da minoria Sunita.
Qual é a saída para isto? Como colocar Curdos, Xiitas e Sunitas debaixo do mesmo governo?
Uma coisa parece ser óbvia...não é com a arte estrangeira que a coisa vai. Por aí os interesses e resultados práticos são sobejamente conhecidos.
O governo fantoche dificilmente controlará o país depois da retirada total da coligacão (não é que agora se controle seja o que for) e passar a seguranca para as forcas iraquianas, entretanto treinadas por ingleses e americanos, mais do que uma saída airosa é um novo atentado.
Não há uma saída boa para esta crise. Pergunto-me se existirá sequer alguma...
Se naquela tórrida noite de 6 de Outubro de 1945 , depois do jantar à luz de velas no Burguer Inn, o George (sem W.) e a Barbara tivessem usado preservativo a história ter-se-ia escrito com menos páginas de sangue. Mas já se sabe, no Texas as pessoas são pelos valores da família. Matam uns quantos na cadeira eléctrica sim senhor, mas nascem outros tantos pela ausência de contracepcão.
O George W. é O responsável principal pela situacão no Iraque. Não estará isolado, mas a História não deixará de o colar a cada massacre. Pelo menos aquela for escrita a norte do Maine e a sul de Nova Iorque.
A tese de dividir o país em três não será boa, pois criará novos problemas (deslocacão, fronteiras, novos extremismos), mas ainda assim, parece ser a única com a possibilidade (ainda que ligeira) de restabelecer a paz no médio prazo.

quarta-feira, abril 18, 2007

O tímpano




Quatro meses depois e ainda ouco música nos dois tímpanos.

Dobra, puxa, abana e não há maus contactos, fita-cola ou jetinhos.

O som passa e ponto final.

Chamam-se "Fuzion Labs Noiz iPod Earphones" e têm essa particularidade que os distinguem dos demais: funcionam!

Auriculares que não se estragam ao fim de 15 dias! O mundo deixou de fazer sentido...

O que se segue? Farturas sem óleo??

Steven Jobs passou a figurar na minha galeria de heróis.

Segundo consta largou a escola cedo mas parece que tinha jeito para os computadores.

Os importantes e os outros



Para provar o que disse no post anterior fica uma imagem de uma campanha (que julgo estar a passar em Portugal) e que me parece bastante infeliz.

Não há respeito por profissões sem título.

Tão simples quanto isso!

E um bocadinho terceiro-mundista...

Ps - Há cartazes com isto nas ruas??

terça-feira, abril 17, 2007

É o costume Dr.?

Estive a ver a entrevista do Sócrates na RTP.
Comeco por dizer que o acho o melhor PM que Portugal teve em Democracia. Pelo menos desde que me lembro de ligar a estas coisas.
Fiquei com a clara sensacão que ele está com o rabo preso. O que me desilude enquanto votante.
Que me lembre, foi a primeira vez que vi o nosso PM a enrolar-se numa entrevista.
Aquela de trocar a escola mais antiga de engenharia do país (o Isel existe há 150 anos) pela UNI por causa do "prestígio" pareceu-me um pouco forcada. Contam-se pelos dedos das mãos as universidades privadas que em Portugal servem para algo mais do que retirar dinheiro aos pais. A Uni não entra nessa contagem.
Isto para não falar na história do mesmo professor (ligado ao PS) dar 4 notas de enfiada e outras coisas que tal.
O próprio assumiu que nunca teve intencão de exercer engenharia e que apenas continuou os estudos para se valorizar. Isto já acredito, mas numa versão um pouco diferente.
Nós somos o país dos títulos. Não tiramos cursos para nos valorizarmos como profissionais mas sim para termos algo antes do nome. De preferência nos cheques ou no cartão de crédito. Isto porque ao pedirmos o pastel de nata e a bica, achamos bem mais giro que o gajo do lado de lá do balcão nos chame Dr. a vida toda e nunca chegue a descobrir o nosso nome. Se funciona assim em cada esquina, na Assembleia da República não será diferente e nesse sentido, convém ter um curso qualquer, para que o nome próprio nunca venha só. É tudo uma questão de status.
Somos o país da UE que mais cursos de engenharia tem. Algumas especialidades ainda ninguém descobriu para que servem, mas já existem nas universidades do passa-para-cá-50cts-por-mês.
Temos cursos sem saída nenhuma que continuam a formar alunos para as filas do desemprego.
Tiram-se cursos de sociologia-aplicada-ao-crescimento-dos-rabanetes-em-dias-pares-de-meses-ímpares e no fim, vive-se do fundo de desemprego. Mas nos cheques que nunca são passados o nome é antecedido de "Dr."
E isso é o que parece contar.
Nós não temos canalizadores, electricistas, médicos, engenheiros, advogados, carpinteiros e alfaiates. Temos os Drs. e os outros. E ninguém quer ser "outro". Todos querem ser Doutores. Podem não ter emprego, mas fazem sucesso ao pedir a bica.
Há uma falta enorme de quadros médios e técnicos especializados no nosso país. Qualquer técnico de computadores ou desenhador industrial, arranja emprego do dia para a noite com um curso técnico-profissional. E não raras vezes bem pago. Mas nós (enquanto sociedade) não valorizamos isso. Um bom canalizador ganha fortunas, mas quem quer ter um filho canalizador?? Antes vê-lo tirar Filosofia das Aves Migratórias na Universidade do Cacém e pagar 60 cts todos os meses durante uns anos, para que ele possa escrever Dr. no impresso do centro de desemprego.
Não se discutem as qualificacões do PM. Elas são irrelevantes para a funcão. Discute-se isso sim como as conseguiu. Depois de o ouvir, fiquei ainda mais com a sensacão que a escolha da Independente não foi apenas pelo "prestígio".
Parece-me que queria um título na sociedade dos títulos e limitou-se a encontrar a forma mais rápida de o conseguir.
Certamente não terá sido o primeiro e muito menos o último.
Mas também... agora que penso nisso, o que poderia ser diferente nesta entrevista?
O que poderia ele dizer?
Que como qualquer Português queria um título?
Que lhe dava jeito para os debates não ser chamado Zé??
Que estava um professor na Uni que lhe aviava cadeiras como pãezinhos quentes??
Não. Acho que ele não podia dizer isto.
Parecia mal. Depois ainda diziam "ah e tal, uns são filhos e outros enteados!!"
Já se sabe como é o povo...não entende estas coisas do pedigree.

Ps - sim mãe, sou eu na foto.

Tira nódoas

Parece que o DN fez uma limpeza no balneário dos comentadores.
Malta que tenha entrado alguma vez na festa do Avante foi posta a andar.
Critérios dignos de qualquer estado novo. Volta lápis azul!
Lá se vai a coluna do Ruben de Carvalho...
Mas nem tudo são más notícias.
No meio da confusão houve um gajo qualquer de gravata que leu duas crónicas do Delgado e se chocou ao ler que a chuva era molhada. Acho que seguiu o mesmo caminho.
Essa é a parte boa. A única.

segunda-feira, abril 16, 2007

As rodelas na camisa

Confesso que não vi.
Nem me lembrava que o Glorioso jogava hoje.
Acabo de verificar o resultado e sinceramente, não esperava outra coisa.
O jogo com o Porto decidia o título. Outra coisa que não fosse a vitória deitava tudo por terra e foi o que aconteceu. Daí para a frente todo o descalabro se percebe.
Esta equipa não é brilhante mas era mais do que suficiente para vencer o campeonato. Espremida à la Trapalhoni é certo, mas com um pouco mais de arte, o quadro pintava-se em tons mais agradáveis.
Ora arte é o que não abunda no quintal do Nando. Numa só semana entregou o campeonato ao Porto e perdeu o acesso às meias-finais da Uefa contra um grupo de bons rapazes.
Qualquer um dos três treinadores que por lá passou antes (Trapattoni, Koeman e Camacho) teria feito bem melhor. Acho que até o Chalana (que tem a vantagem de não ser engenheiro e por isso não misturar geometria com os 4 gajos do meio campo) fazia umas flores com esta equipa.
Claro que é fácil falar depois da asneira feita, mas no meu caso, limito-me a repetir o que disse no início da época: o Nando nasceu para perder.
É certo que ninguém me encomendou sermão mas a azia tem que sair por algum lado.
"Mas no Sportém aconteceu o mesmo", dizem os atentos aos fenómenos do girabola.
Tudo bem. Aí tudo bem.
Naquele toldo amarelo que parece uma banca de jornais a que eles chamam entrada, porta 10-A ou qualquer coisa assim do género isso é normal.
Eles estão lá para fazer o contra-ponto.
"Ai não me deixam jogar? Então vou pedir ao meu tio Visconde que compre um clube só para mim!"
"Ah agora resolveram ganhar 30 campeonatos?? Então vamos ganhar aqui meia-dúzia só para chatear!!"
O Sportém existe para nos apercebermos por comparação o tamanho do nosso clube.
Eles serão sempre a sombra. Perder é normal. Ganhar torna-se um feito.
Se o Nando meteu a pata na poça por aqueles lados foi apenas mais um. Está tudo bem. Alguém se lembra quem foi o treinador do Belenenses há 4 anos? Com o Sport passa-se o mesmo.
Mas do lado de cá da segunda circular a história é outra.
Não há espaço para artolas. Quer dizer...o Artur Jorge também fez "coisas bonitas", mas esse era poeta e já se sabe, a pena será sempre mais forte do que a espada.
O Nando só ganhou alguma coisa na vida no ano em que o Jardel marcou alguns 50 golos. Convenhamos, até o Rato Mickey se safava...
LFV, eu agora vou-me deitar e amanhã quando acordar não quero ler nada do género:
"Renovei o contracto do Nando por mais 2 anos" está bem?
Eu estou longe Luís e não me consigo libertar do vício.
Sê amiguinho e chama o Camacho outra vez que ele já está farto de paella e rioja.
E eu estou farto do Nando. Fartinho, fartinho Luís.

O refugado


Sempre fui mais "praia" do que "montanha", mas o caminho para a velhice vai abrindo novos trilhos entre o verde. O silêncio de um vale é um tónico para a alma. Os sons da natureza em perfeita harmonia e uma paisagem de cortar a respiracão. Limpa-se a mente.
E aprende-se sempre mais qualquer coisa...
"Pensão completa" ganhou um novo sentido nas gavetas da imaginacão. Pelo menos para mim.
Como o dia era passado longe do hotel nas pistas fiquei intrigado quando me disseram que o "pacote" incluia "almoco". Como funcionaria?
"No pequeno almoco, fazem umas sandochas e levam para as pistas", disse-me a senhora do hotel.
"Brilhante!", pensei eu. No fundo, isso é o que toda a gente faz. Quem não embrulha uma sandocha e a traz discretamente no bolso que ponha a mão no ar. E é exactamente por isso que é genial!
Sabendo que todos o fazem, o hotel torna a prática oficial e chama-lhe almoco. O gasto é o mesmo e fazem o brilharete da pensão completa. Estes noruegueses são ricos e não é por acaso. Espertalhões. Nem sei como é que os espanhóis nunca se lembraram desta.
Pensava eu que por estes lados era tudo à larga, mas não. A poupanca corre nas veias escandinavas. O que é óptimo para eles. Para mim, que não sou nórdico, admito alguma estranheza em determinadas formas de poupar. Ver 7 ou 8 homens de meia idade num espaco de 1,5m2 a aproveitar o mesmo chuveiro para usarem apenas uma moeda de 10Kr (aprox.1 eur) torna-se um pequeno exagero. Não podiam dispensar mais um eurito e evitar aquele chocalhar mútuo de panca? Era até mais higiénico e os meus olhos teriam agradecido.
Tinham até a suprema lata de tentar usar duches de malta que não conheciam. Naquela da camaradagem...
Não, não amigo. Pobrezinho mas honrado. Torneira fechada e vai lá meter moedinha se queres tirar o cheiro a refugado. Poupar é muito giro mas tem limites, que diabo!
É apenas uma questão de atitude. Forretice extra abala-me o espírito.
Coroas à parte, os escandinavos são pessoas muito simpáticas e bastante acolhedoras. Talvez eu ande por sítios estranhos mas já não é a primeira vez que ouco: "Nunca tinha visto um português por aqui !"
O fascínio de me sentir exótico!

quarta-feira, abril 11, 2007

O salto

A passagem por Portugal foi curta mas boa.
Ver o meu avô no aeroporto foi O momento.
Sol, peixe grelhado e gente que nos abraca.
O conforto de ouvir algo que se percebe e de ver sorrir quem sempre nos acompanhou. Adorei.
Num país de brandos costumes pouca coisa mudou. A segunda circular continua em forma e a proporcinar belas filas de trânsito a qualquer hora do dia. Os títulos ainda valem mais do que as accões e Sócrates, depois de ter dizimado consecutivamente a oposicão na Assembleia, tem que provar se teve favores na secretaria ou não. Vale a pena perceber o carácter e a honestidade do personagem, quanto ao resto, é absolutamente irrelevante se é engenheiro ou não para o cargo que ocupa. É indescutívelmente um bom primeiro-ministro. Resta saber se foi honesto.
Nos jornais nacionais leio coisas como "Avril Lavigne, a cantora canadense..." ou "a não sei quantas queria cursar medicina" e percebo que os brasileiros já não se dedicam apenas a arrancar dentes.
No regresso a alegria de trazer os mesmos Kg dentro de mim. Fiz todas as asneiras que podia e abusei nos doces com fartura, mas no último almoco em Portugal apanhei uma intoxicacão que me limpou tudo e deixou 2 dias sem comer. Aquele bacalhau à Gomes Sá foi amigo e compensou os 25 doces da casa que comi em 4 dias.
Para quem por cá passa fica um até já. A estadia na Suécia resume-se a pouco mais de um dia. Amanhã é dia de rumar às montanhas norueguesas e tentar descê-las sem partir as pernas (é uma forma de expressão mãe!).
Até para a semana.

quarta-feira, abril 04, 2007

Nota de rodapé

Nos próximos dias estarei pela avenida mais arborizada do país (aposto que não sabem qual é!) e nestas coisas do verde, já se sabe como é, não há internet.
Até para a semana e boa páscoa para todos.

Tiago

Home sweet home

Três meses depois já perdi os 2Kg que trouxe de Portugal.
O borrego, os pastéis e o tinto alentejano saíram à forca de pedal em muitas gotas de suor.
Conquistá-los foi incomparavelmente mais fácil.
O que fazer então?
Voltar ao ponto de partida.
Lusitânia de Carnaxide? Pode ser.
Até amanhã então.
Desse lado.

A descoberta

Numa futebolada de emigrantes.

Ele: De onde vens?
Eu: Portugal e tu?
Ele: Bolas! Não é óbvio?
Eu: Não.
Ele: Não se vê logo que sou chinês??
Eu: Não poderias ser coreano?
(pausa)
Ele: Realmente nós parecemos todos iguais...
Eu: Era a sensacão que me dava também. Mas dito por ti parece que tem mais significado.

terça-feira, abril 03, 2007

No minuto seguinte...

Fiquei aqui um pouco a pensar nestes monos do PNR.
Esta malta não faz a mínima ideia do que significa viver em Democracia.
Nem sequer seguem ou respeitam qualquer valor Democrático.
No entanto, é essa mesma Democracia que lhes permite espaco e visibilidade para dizerem aquele monte de asneiras a que chamam "programa político".
Ironias da liberdade.

No meu cantinho


Recorda-se Salazar com saudade.
Permite-se que o PNR coloque esta aberracão no Marquês do Pombal.
Já tivémos dias melhores.

domingo, abril 01, 2007

Assim só para nós que ninguém nos ouve..

...o resultado parece-me justo.
Domínio do Porto na primeira parte, massacre do Glorioso na segunda (e isto sem ser faccioso claro!).
Com um pouco mais de arte até tínhamos ganho, mas com o Miccoli sozinho na frente é difícil.
O pontas sedosas esteve quase a ganhar uma bola de cabeca. Para a próxima é que é.
Gostei do arsenal de truques tripeiro para perder tempo. O Adriano percorreu pelo menos 3 Km só com as costas. Ouvi dizer que o Jaime Pacheco até tirou notas, porque parece que os jogos do boavista estão a ficar aquém dos 20 min úteis planeados.
Ainda assim foi um bom jogo. Valeu a pena ligar o Skype :)