Entro e sento-me.
Aconchego-me perto da coluna.
A música comeca.
É Jin-Seng ao vivo em Kuala Lumpur.
Parece pan-pipes, mas não, é claramente Jin-Seng.
A minha falta de cultura não me deixa perceber quando muda a faixa.
É agora? Não, ainda não.
20 minutos passaram e já ouvi o refrão 17 vezes.
Tremo em cada uma delas.
É envolvente demais.
O picante queima-me a língua.
Já lá vão 3 copos de água.
Os olhos ardem e o nariz pinga.
Um arrepio percorre-me as costas e aí vem ele de novo.
Uma assoadela rápida para não o perder.
Fecho os olhos do ardor.
Pareco um fadista mas mais magro.
Abro os pulmões e acompanho Jin:
"Tin tin pon cái há mê
si fu cadê aiê ô
laramidô catré pu ahn
pasi bô laranje é bôm"
no encore e lavado em lágrimas, não desiludo Jin:
"xanziiiiiiiiiiii, aiêêê qui bômmmm
vodi ô lorenzi ié
más qui son eu ti dô"
Amanhã almoco no tailandês de novo.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Uma rosa a florir na tapada
Nada me move contra o cheiro. Gosto até. Até não...gosto muito. Assim é que é. Gosto muito.Consigo diferenciar limara de 8x4 e isto meus amigos, não está ao alcance de qualquer faro. Gosto de malta com faro apurado. Como o Slash. O Slash era um perdigueiro muito bonito e de olhar doce que fizeram o favor de me oferecer há muitos anos atrás. Como qualquer miudo com 15 anos na década de 90, os meus heróis comecavam (sim, ne pas cedilha...) no Caniggia, passavam pelas Tchin-Tchin do colpo grosso e acabavam no Slash, esse mítico personagem da guitarra que conseguia tapar a cara em todos os posters da Bravo. E ainda bem que tapava. A cara era um susto, mas ouvi-lo tocar o tema do padrinho era um mimo! Ora, o meu cãozinho ganhou o nome do meu herói da guitarra. Tinha um belo faro, mas nunca apanhou nenhum coelho. Ele tentava, mas não há assim tantos no Lumiar. Fazia sucesso na rua ainda assim. "Slash, vamos para casa", dizia eu. "Celeste, que nome bonito para uma cadelinha!!", diziam as velhotas que passavam. Eu ainda cantava o refrão de "Paradise City" para as chamar ao meu mundo, mas em vão.
No faro ia eu...
Se entro em Belém, cheiro a canela de Goa.
Se vou ao Martim Moniz, não me foge o caril
Vejo a rosa a florir na tapada, sei que é Lisboa
Se vou no 15 da Carris em hora de ponta, são cheiros mil
Tenho portanto uma panóplia de prateleiras de memória onde os mais diversos cheiros são arquivados para futura comparacão. E já agora, não sou queque. "Ah e tal cheiras mal e não brinco contigo! ".
Não, nem pensar. Cheirosos ou não, a amizade não escolhe limites nasais. Além do mais, sejamos sinceros, quem nunca passou um dia inteiro a jogar à bola num campo de terra e depois, suadinho, suadinho, toca de dormir com os lencóis de flanela agarrados às costas. Aiiiii a juventude pré-strawberry-with-sugar-and-internet.
E aquela parte em que marcávamos um golo e nos abracávamos de forma a juntar as cabecas e permitir assim o tráfego de piolhos inter-penteados-vanilla-ice? Bons tempos.
Aguento praticamente tudo. Praticamente.
Axila ou vulgo sovaco, é que me fere mais. E porquê? Porque o roll-on, é depois da pizza com banana, a grande invencão do séc.XX. Ao alcance de todas as bolsas e com resultados milagrosos não deixa qualquer desculpa para zebras mortas penduradas debaixo dos bracos. Não, não...
Nos dias de hoje, um gajo que às 8 da manhã cheira a sovaco é parente próximo de um suíno. Até dá para barrar sem tomar banho....fica-se com aquele cheiro a francês, mas bolas, sempre confunde o odor. Lamento dizê-lo, mas não existem desculpas para ser javardo em pleno séc. XXI. Esses gloriosos dias acabaram.
Aquele cheiro que pica e que a cada movimento empesta o ar circundante. É esse que me incomoda!
Agosto, 35 graus e aquelas rodelas de cebola a decorar a camisa logo pela fresquinha. Mas aqui? Aqui?? Neva há não sei quantas horas seguidas, "0" é uma miragem para o termómetro e o gajo que se senta a 1m de mim já empestou a sala??
Já não bastava o sebo no cabelo, a terra nas unhas e aquela cara de Wally.
Epá Wally, não me lixes, vai-te lavar!
Ou então mete roll-on.
Vá lá.
Vá lá Wally...
Não, não dói.
Não Wally, também não queima.
Sim Wally, cheira bem.
Siiiiiiiiiiim Wally...cheira a rosas!!
Se florescem na tapada?? Diz que sim Wally, diz que sim!!
terça-feira, fevereiro 27, 2007
A justiça dos Homens
"O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) das Nações Unidas decidiu ontem que a Sérvia não cometeu um genocídio contra a Bósnia durante a guerra de 1992-1995. "Este é o resumo daquela que para mim é a notícia do dia. Daria para rir se o assunto não fosse tão dramático. Para a mais alta instância judiciária da ONU a Sérvia "não cometeu genocídio através dos seus órgãos ou pessoas". Isto em língua de gente significa tão só que não existirão indemnizações para os Bósnios-Muçulmanos (nem sequer para as famílias daqueles desgraçados que foram assassinados debaixo dos olhos dos capacetes azuis em Srebrenica) . E que puxão de orelhas dá a ONU aos Sérvios?
- Considera que não fizeram nada para impedir a morte de 8000 pessoas no enclave de Srebrenica. (UAU!! Uns génios estes gajos da ONU!! Será que não fizeram nada porque foram exactamente os sérvios-bósnios a ordenar essa chacina??Huummm...parece-me que sim.)
- Exigem cooperação para capturar os fugitivos Radovan Karadzic e Ratko Mladic. Ex-líderes político e militar dos sérvios bósnios, respectivamente, considerados como dois dos maiores responsáveis pelo massacre de Srebrenica. Ou seja, por um lado a Sérvia não pode responder enquanto país por acções de pessoas, mas por outro lado tem que ajudar a prender um responsável político que representava (ou dirigia) o país durante a guerra. Claro como água. Um país nunca pode ser culpado de nada. Concordo. Mas os seus governos têm que responder por atitudes de governos anteriores (ou o Milosevic andou a ver a banda passar?) . De facto o território Sérvio não deve ser responsabilizado (como é que se faz isso??), mas o governo tem que pagar indeminizações aos muçulmanos da Bósnia. A fazer fé na resolução da ONU não existem culpados ou intenções. Depois há esta palhaçada do Karadzic e do Mladic. Acho que até o sérvio onde vou comer pizza de vez em quando sabe dizer em que ilha espanhola eles estão. O governo sérvio não os entrega porque não quer. Eles são heróis nacionais, ou seja, valem votos. Como podem não ser responsabilizados estes gajos?? Srbrenica não pode ser directamente ligada ao estado Sérvio. Então pode ser ligada a quem? Quem é que apoiava os sérvios da Bósnia? Há também uma particularidade interessante no funcionamento das instituições. Quem julga o massacre é a mesma instituição que falhou na altura de o evitar. É idiota dizer que os Sérvios não fizeram nada para evitar algo que os próprios queriam. Já sobre a ONU não se poderá dizer o mesmo. Eram os capacetes azuis holandeses os responsáveis pela segurança do enclave e foram eles que confiaram o transporte dos bósnios-muçulmanos aos bósnios-sérvios. Se isto não é uma argolada, não sei o que poderá ser. Não interessa se estavam mal armados ou se eram poucos. A ONU falhou na sua missão. Agora julga e ainda por cima mal. Esperam enterrar definitivamente o conflito assim, dizem os responsáveis da ONU.
Ahn??
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
O café com leite
Já outras fotografias necessitam de palavras. Esta por exemplo.Munique foi o paradeiro deste fim-de-semana. E porquê?
E porque não? Uma novidade é sempre uma novidade e além disso, 2 dias com duche dentro de casa é um mimo apreciado por estes lados. Depois, e passe a publicidade, não há promocões (ups...parece que hoje também não temos cedilha) como a dessa low cost Luft-não-sei-quê !
E o que há para dizer de Munique? Coisas. Essencialmente isso.
É uma cidade cosmopolita, com um conjunto de pracas monumentais que não nos deixam esquecer que estamos na Europa (esta dica tirei da Rotas&Destinos). Tem uma arquitectura "mista" onde estilos mais clássicos estão "paredes-meias" com estruturas modernas. Um clássico na bombardeada Alemanha dos anos 40. Come-se bem e não se bebe cervejola com menos de meio litro. Há uma enorme oferta cultural e de espacos de lazer. Destaque para um parque enorme na zona norte da cidade onde os bávaros passeiam, praticam desporto, visitam a torre chinesa ou bebem chá no pavilhão japonês.
Nota também para a evolucão em duas rodas. Tal como em qualquer cidade europeia que se preze, Munique está carregada de vias para caminhar ou pedalar (Carmona, acorda pá!!).
Os antigos palácios do governo (Residenz), a actual câmara (Rathaus), as inúmeras igrejas (com destaque para a da "N. Senhora" FraueKirche) e os museus de arte justificam bem uma visita à capital da Baviera.
Para estadias mais prolongadas é bom lembrar que os alpes estão apenas à distância de "um saltinho".
Problemas: basicamente os alemães.
Ehhhhhhhhhhhhhhhh...lá estou eu a exagerar!!!
Não é bem assim...mas passo a explicar. Sou um admirador do povo alemão comeco por dizer. Recuperaram um país retalhado pelos Aliados, completamente esburacado e na miséria. Construiram em algumas décadas o motor do Continente. Económica ou politicamente falando.
Isto é óbvio e tudo muito giro e tal. MAS, quando me desloco enquanto turista o que quero é lidar com gente educada. Não precisam de ser simpáticos. Basta que sejam educados.
Da mesma forma que não gosto da simpatia forcada porque o turismo é a única fonte de rendimento (cubanos/brasileiros e por aí fora), também não gosto daquele ar de frete "ai-que-chatice-tenho-que-responder" ou do saudosimo nacionalista "aqui-na-GLORIOSA-ALEMANHA-um-café-é-assim!!!" .
Claro que há gente simpática em todo o lado, mas a imagem geral de um povo é algo tão injusto como permanente (e aqui não me refiro a caracóis (e se me referisse a caracóis não seriam daqueles de comer com o palito)).
No posto de turismo da principal praca de Munique (a que está na foto antes da Mariana) ouvi a resposta mais genial de sempre para a pergunta: "Que sítios podemos ver na volta de autocarro pela cidade?"
"Os principais", disse ela com ar de quem prestava um exemplar servico.
É certo que não têm no turismo a sua principal indústria, mas os camaradas podiam fazer um esforco maior, a bem de um país com cidades monumentais e paisagens fabulosas.
Uma última e importante dica sobre a cidade. É no seu museu de arte moderna que está exposta uma das versões do quadro mais conhecido de Van Gogh ("Sunflower"). Um dos quadros mais famosos do mundo e cuja origem se deve apenas a uma tentativa de decoracão. Van Gogh pintou-o 2 anos antes de morrer para alegrar o quarto onde esperava receber Gauguin, que muito admirava e que nunca apareceu.
Em resumo, Munique vale a pena (e agora vou terminar à Luis Delgado) por muitas e determinadas coisas.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
O soquete
Nota prévia: este teclado não tem "c com cedilha" e hoje não me apetece fazer "copy/paste". Já todos receberam aquele mail com as frases mal construídas para provar que o cérebro humano as consegue decifrar, portanto, estão habilitados para o que se segue.
(...)
Hábitos são hábitos. Não se discutem ou ajuízam. Vivem-se tão só. Ou então não.
Todos nós (...) nova pausa, desta vez para explicar o intervalo que compreende nós :
- malta que nasceu depois do 25 de Abril e que não teve o previlégio de conhecer esse visionário do post anterior
- malta que muito antes dos 30 percebeu que algo estava errado na frase: "Pai, empresta-me dinheiro para o café"
- malta que acha possível disfarcar roupa não passada a ferro
- malta para quem "shampoo" e gel de banho são uma e a mesma coisa
- enfim, malta que se apelida como um país e ainda acha isso "cool"
Dizia então - todos nós lidamos com o drama diário de vestir sem passar a ferro, disfarcando os vincos de toda a forma e feitio, chegando mesmo a acreditar que quem nos olha não os vê. Esta é a preocupacão máxima que consigo ter na indumentária. Talvez seja a única. Mas tenho a certeza que é a máxima. Tento também não vestir vermelho e verde em simultâneo, a não ser que em redor todos o facam e veja cá de cima do terceiro anel (há 4 milhões de pessoas que não vão perceber esta parte) 10 gajos a cantarem "...contra os canhões marchar,marchar" e 1 a fazer "playback". Resume-se a isto o meu conceito de estética.
Resumia-se melhor dizendo. Hoje em dia a meia, vulgo "soquete", desempenha o papel principal (tal como na cancão da grande Adelaide). E porquê?
Pela simples razão desta malta não usar sapatos dentro de casa.
As chanatas imortalizadas pelos alemães de meia branca no Guincho são por aqui um verdadeiro sucesso. Chegam de manhã ao trabalho, descalcam-se e toca de passear a chanata, excepto quando metem os pés em cima da mesa. Aí a coisa é mais refinada e ficam de meias. Um olhar mais desatento poderia pensar que estão com os "skis" calcados, mas ao segundo olhar reconhece-se a peúga branca 46/47.
Há também a componente social. Qualquer visita a amigos ou festa, é feita com idêntico ritual de entrada.
"Olá, olá" e toca a tirar a sapatola. É higiénico sim senhor e não arrasta lixo pela casa, mas convenhamos, retira um pouco de dignidade ao momento. Smoking e dry martini. Gel, perfume e conversas entre dentes sobre Guernica de Picasso e em pano de fundo: todos de meioca! Huummmmm....
Um gajo que queira dar nas vistas não leva uma camisa berrante ou um penteado idiota, mas sim uma meia turca, bem branca e com aquelas raquetes cruzadas. É o sucesso garantido.
Cheira-me que nunca atingirei o estrelato. Gosto de um belo soquete preto. Além de me poder abastecer na gaveta do meu pai, sinto uma seguranca tremenda quando tenho que escolher duas no monte.
Na semana passada, depois de alguém que por ali trabalha nos gamar a casa, o chefe da empresa de construcão apareceu para assumir as óbvias responsabilidades. Com cimento por todo o lado, descalcou-se e entrou. Foi porreiro porque com as meias limpou um pouco daquele encardido chão de obras.
Enquanto se discutiam custos, seguros e porquês eu só pensava: "sendo este gajo chefe de uma empresa de trolhas, não podia ter trazido uma meia sem buracos? Como posso eu dar credibilidade a um gajo que vem aqui discutir com buracos nas meias??". Há todo um ar de seriedade associado a uma meia imaculada.
E o cholé? (sempre quis escrever esta palavra)
Não há. É tão simples quanto isto. Não há.
Quando uma pessoa anda na rua com -5 graus a última coisa em que os pés pensam é transpirar.
Portanto, regras básicas para evitar vergonhas:
- meias sem manchas
- meias sem buracos
- meias iguais
- meias escuras se não tiverem fio de prata
- meias brancas se tiverem fio de prata
Neva há dois dias (mudanca subtil de assunto). Caminhei com neve até ao joelho para chegar ao trabalho.
Não vejo outra hipótese. Vou-me descalcar.
(...)
Hábitos são hábitos. Não se discutem ou ajuízam. Vivem-se tão só. Ou então não.
Todos nós (...) nova pausa, desta vez para explicar o intervalo que compreende nós :
- malta que nasceu depois do 25 de Abril e que não teve o previlégio de conhecer esse visionário do post anterior
- malta que muito antes dos 30 percebeu que algo estava errado na frase: "Pai, empresta-me dinheiro para o café"
- malta que acha possível disfarcar roupa não passada a ferro
- malta para quem "shampoo" e gel de banho são uma e a mesma coisa
- enfim, malta que se apelida como um país e ainda acha isso "cool"
Dizia então - todos nós lidamos com o drama diário de vestir sem passar a ferro, disfarcando os vincos de toda a forma e feitio, chegando mesmo a acreditar que quem nos olha não os vê. Esta é a preocupacão máxima que consigo ter na indumentária. Talvez seja a única. Mas tenho a certeza que é a máxima. Tento também não vestir vermelho e verde em simultâneo, a não ser que em redor todos o facam e veja cá de cima do terceiro anel (há 4 milhões de pessoas que não vão perceber esta parte) 10 gajos a cantarem "...contra os canhões marchar,marchar" e 1 a fazer "playback". Resume-se a isto o meu conceito de estética.
Resumia-se melhor dizendo. Hoje em dia a meia, vulgo "soquete", desempenha o papel principal (tal como na cancão da grande Adelaide). E porquê?
Pela simples razão desta malta não usar sapatos dentro de casa.
As chanatas imortalizadas pelos alemães de meia branca no Guincho são por aqui um verdadeiro sucesso. Chegam de manhã ao trabalho, descalcam-se e toca de passear a chanata, excepto quando metem os pés em cima da mesa. Aí a coisa é mais refinada e ficam de meias. Um olhar mais desatento poderia pensar que estão com os "skis" calcados, mas ao segundo olhar reconhece-se a peúga branca 46/47.
Há também a componente social. Qualquer visita a amigos ou festa, é feita com idêntico ritual de entrada.
"Olá, olá" e toca a tirar a sapatola. É higiénico sim senhor e não arrasta lixo pela casa, mas convenhamos, retira um pouco de dignidade ao momento. Smoking e dry martini. Gel, perfume e conversas entre dentes sobre Guernica de Picasso e em pano de fundo: todos de meioca! Huummmmm....
Um gajo que queira dar nas vistas não leva uma camisa berrante ou um penteado idiota, mas sim uma meia turca, bem branca e com aquelas raquetes cruzadas. É o sucesso garantido.
Cheira-me que nunca atingirei o estrelato. Gosto de um belo soquete preto. Além de me poder abastecer na gaveta do meu pai, sinto uma seguranca tremenda quando tenho que escolher duas no monte.
Na semana passada, depois de alguém que por ali trabalha nos gamar a casa, o chefe da empresa de construcão apareceu para assumir as óbvias responsabilidades. Com cimento por todo o lado, descalcou-se e entrou. Foi porreiro porque com as meias limpou um pouco daquele encardido chão de obras.
Enquanto se discutiam custos, seguros e porquês eu só pensava: "sendo este gajo chefe de uma empresa de trolhas, não podia ter trazido uma meia sem buracos? Como posso eu dar credibilidade a um gajo que vem aqui discutir com buracos nas meias??". Há todo um ar de seriedade associado a uma meia imaculada.
E o cholé? (sempre quis escrever esta palavra)
Não há. É tão simples quanto isto. Não há.
Quando uma pessoa anda na rua com -5 graus a última coisa em que os pés pensam é transpirar.
Portanto, regras básicas para evitar vergonhas:
- meias sem manchas
- meias sem buracos
- meias iguais
- meias escuras se não tiverem fio de prata
- meias brancas se tiverem fio de prata
Neva há dois dias (mudanca subtil de assunto). Caminhei com neve até ao joelho para chegar ao trabalho.
Não vejo outra hipótese. Vou-me descalcar.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
O Oliveira

Quando eu nasci o tempo da ditadura já tinha passado. O do PREC também. Nunca senti na pele qualquer abalo social descrito na nossa história recente.
Todos os relatos chegaram pela boca de quem cá andava antes de mim.
Vem isto a propósito daquele concurso de "O maior português de toda a galáxia" que a RTP está a promover. Confesso que não sei o actual estado do mesmo e nunca lhe liguei muito. É uma consulta popular. Vale o que vale. Fiquei um pouco estupefacto quando vi que um miúdo qualquer dos "morangos com açucar", essa obra-prima nacional, estava entre os 100+, mas lembrei-me de imediato que isto aconteceu no mesmo sítio onde o "Big Show Sic" do Baião foi líder de audiências durante anos. Visto assim é mais fácil de entender.
No entanto, fico um pouco mais pensativo com a consulta popular quando constato que Salazar está entre os 10+. Acho isto verdadeiramente fantástico. Se o sistema de votos reflecte a preferência do povo e se o número de votantes for considerável, então parece-me que temos aqui um caso de estudo.
Como poderá tanta gente viver em Democracia e admirar Salazar?
Tento colocar-me numa dessas cabeças e perceber a razão do saudosimo. Tirando aquelas famílias que na metrópole ou nas colónias viviam com os benefícios do estado e hoje sentem falta dos criados e demais regalias, não vejo como pode um povo sentir saudades de um ditador.
Há uns iluminados que defendem de boca cheia que Salazar nos "safou" da II Guerra Mundial. Ora isso é mais uma daquelas lendas que se vão construíndo nas páginas rosa da nossa História. É um pouco como a época dos descobrimentos que todos aprendemos na escola aos 12 anos. As descobertas marítimas são heróicamente descritas. As trocas comerciais, as matérias primas e o cristianismo. Tudo ilustrado com fotografias dos indígenas a sorrir. Mais tarde, alguns percebem que as trocas comerciais são no fundo exploração e escravatura e que o cristianismo foi o violar, arrasar e assassinar tribos inteiras de indígenas.
Com o "safar" da II Guerra Mundial acontece algo parecido. Salazar não evitou nada. Franco sim.
Na primeira metade da II GG, Franco, claramente favorável ao Eixo (apesar do acordo de não-agressão com Portugal e do apoio de Salazar na guerra civil) pensou entrar no conflito e responder à falange espanhola que defendia a anexação de Portugal e o controlo do Atlântico a partir da Peninsula Ibérica. Tardou nessa decisão e com o virar dos acontecimentos a favor dos Aliados manteve-se definitivamente neutro. Para a nossa posição neutra na II GG terão contribuído mais as asneiras de Mussolini na Grécia (que obrigou Hitler a adiar a invasão da USSR para um época de inverno onde se viria a inverter o rumo desta ) do que a "astúcia" de Salazar.
Ainda assim, durante este período, Portugal "vendeu" as Lajes aos Aliados e armas aos alemães. Foi dos poucos países europeus que conseguiu fazer dinheiro durante a guerra, sem perder vidas ou danificar estruturas. No fim da década de 40 tínhamos uma situação que nos permitiria dar um salto em frente. O que fez Salazar? Iniciou este crónico atraso de décadas que agora ostentamos com orgulho. Enquanto os outros países se reconstruíram, libertaram as colónias e criaram riqueza, Salazar proclamou o "orgulhosamente sós" e levou o país para a ruína num política colonionalista sem sentido nem razão. Perdemos vidas, muito dinheiro e deixámos as nossas partes do "Império" em África entre os países mais pobres do mundo. É esse o nosso legado. Antes disto, já havia destruído a assembleia da I República e criado uma ditadura de partido único (o Estado Novo). Não havia liberdade de escrita ou pensamento. As eleições eram uma fachada onde até os mortos votavam. Criou as mais terríveis prisões. Torturou e assassinou todos os que manifestaram opinões ou visões diferentes da sua.
O que importa que fosse poupado, ou que não gastasse dinheiro do Estado em proveito próprio ou que passasse todas as férias no forte de Caxias? É ele o principal culpado pelo nosso atraso e por décadas de tortura e morte.
Como pode um homem destes ser lembrado por um povo?
Maldita cadeira que não se partiu mais cedo!
Todos os relatos chegaram pela boca de quem cá andava antes de mim.
Vem isto a propósito daquele concurso de "O maior português de toda a galáxia" que a RTP está a promover. Confesso que não sei o actual estado do mesmo e nunca lhe liguei muito. É uma consulta popular. Vale o que vale. Fiquei um pouco estupefacto quando vi que um miúdo qualquer dos "morangos com açucar", essa obra-prima nacional, estava entre os 100+, mas lembrei-me de imediato que isto aconteceu no mesmo sítio onde o "Big Show Sic" do Baião foi líder de audiências durante anos. Visto assim é mais fácil de entender.
No entanto, fico um pouco mais pensativo com a consulta popular quando constato que Salazar está entre os 10+. Acho isto verdadeiramente fantástico. Se o sistema de votos reflecte a preferência do povo e se o número de votantes for considerável, então parece-me que temos aqui um caso de estudo.
Como poderá tanta gente viver em Democracia e admirar Salazar?
Tento colocar-me numa dessas cabeças e perceber a razão do saudosimo. Tirando aquelas famílias que na metrópole ou nas colónias viviam com os benefícios do estado e hoje sentem falta dos criados e demais regalias, não vejo como pode um povo sentir saudades de um ditador.
Há uns iluminados que defendem de boca cheia que Salazar nos "safou" da II Guerra Mundial. Ora isso é mais uma daquelas lendas que se vão construíndo nas páginas rosa da nossa História. É um pouco como a época dos descobrimentos que todos aprendemos na escola aos 12 anos. As descobertas marítimas são heróicamente descritas. As trocas comerciais, as matérias primas e o cristianismo. Tudo ilustrado com fotografias dos indígenas a sorrir. Mais tarde, alguns percebem que as trocas comerciais são no fundo exploração e escravatura e que o cristianismo foi o violar, arrasar e assassinar tribos inteiras de indígenas.
Com o "safar" da II Guerra Mundial acontece algo parecido. Salazar não evitou nada. Franco sim.
Na primeira metade da II GG, Franco, claramente favorável ao Eixo (apesar do acordo de não-agressão com Portugal e do apoio de Salazar na guerra civil) pensou entrar no conflito e responder à falange espanhola que defendia a anexação de Portugal e o controlo do Atlântico a partir da Peninsula Ibérica. Tardou nessa decisão e com o virar dos acontecimentos a favor dos Aliados manteve-se definitivamente neutro. Para a nossa posição neutra na II GG terão contribuído mais as asneiras de Mussolini na Grécia (que obrigou Hitler a adiar a invasão da USSR para um época de inverno onde se viria a inverter o rumo desta ) do que a "astúcia" de Salazar.
Ainda assim, durante este período, Portugal "vendeu" as Lajes aos Aliados e armas aos alemães. Foi dos poucos países europeus que conseguiu fazer dinheiro durante a guerra, sem perder vidas ou danificar estruturas. No fim da década de 40 tínhamos uma situação que nos permitiria dar um salto em frente. O que fez Salazar? Iniciou este crónico atraso de décadas que agora ostentamos com orgulho. Enquanto os outros países se reconstruíram, libertaram as colónias e criaram riqueza, Salazar proclamou o "orgulhosamente sós" e levou o país para a ruína num política colonionalista sem sentido nem razão. Perdemos vidas, muito dinheiro e deixámos as nossas partes do "Império" em África entre os países mais pobres do mundo. É esse o nosso legado. Antes disto, já havia destruído a assembleia da I República e criado uma ditadura de partido único (o Estado Novo). Não havia liberdade de escrita ou pensamento. As eleições eram uma fachada onde até os mortos votavam. Criou as mais terríveis prisões. Torturou e assassinou todos os que manifestaram opinões ou visões diferentes da sua.
O que importa que fosse poupado, ou que não gastasse dinheiro do Estado em proveito próprio ou que passasse todas as férias no forte de Caxias? É ele o principal culpado pelo nosso atraso e por décadas de tortura e morte.
Como pode um homem destes ser lembrado por um povo?
Maldita cadeira que não se partiu mais cedo!
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Última hora

"A Comissão Política Regional do PSD/Madeira reúne-se hoje, no Funchal, em sessão extraordinária, seguida de comunicação aos madeirenses em que o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, poderá anunciar a sua demissão.
Os sociais-democratas madeirenses consideram que as regras do jogo estão desvirtuadas, devido aos cortes financeiros impostos pela nova Lei das Finanças Regionais, ocorridos no meio do mandato 2004/2008. Por isso, o PSD/Madeira - em função do programa que apresentou em 2004 e que agora não pode concretizar devido aos cortes do Orçamento de Estado - poderá anunciar hoje a demissão e provocar eleições regionais antecipadas, que terão de ser convocadas pelo presidente da República, Cavaco Silva. "
Os sociais-democratas madeirenses consideram que as regras do jogo estão desvirtuadas, devido aos cortes financeiros impostos pela nova Lei das Finanças Regionais, ocorridos no meio do mandato 2004/2008. Por isso, o PSD/Madeira - em função do programa que apresentou em 2004 e que agora não pode concretizar devido aos cortes do Orçamento de Estado - poderá anunciar hoje a demissão e provocar eleições regionais antecipadas, que terão de ser convocadas pelo presidente da República, Cavaco Silva. "
in Agência Lusa
Se existir um único Madeirense, entre os 2 e 97 anos, que acredite nisto então o problema tornar-se-á sério. Já vi profissionais de poker fazerem "bluffs" menos descarados.
O dirigentes do PSD-Madeira têm gerido a seu belo prazer os orçamentos enviados pelo governo central, mais em benefício próprio do que na criação de riqueza (refiro-me à riqueza da ilha obviamente..). Enquanto o labrego da foto insultava tudo e todos (contribuintes que lhe pagam o salário incluídos), Guterres e companhia assumiam as dívidas da Região Autónoma. Enquanto proclamava uma zona rica, Alberto João criava dívidas e vendia uma ilusão. Agora, com um orçamento mais reduzido e sem ter como alimentar os "lobbies" que o suportam, vira-se para o último recurso do político: o bluff.
Neste caso o bluff da vitimização utilizado até à exaustão pelo menino-guerreiro-Lopes. Se o governo central tiver juízo não cederá a pressões e A. João terá que ir novamente a eleições. Claro que ganhará, porque os habitantes da Madeira estão presos numa enorme teia de favores (ou gostam de Ditaduras Cor-de-Rosa...) e certamente usará a "força popular" para se promover, mas passada a festa e os litros de poncha que tanto gosta, terá que se desenrascar com menos dinheiro. Em suma, terá que gerir e fazer menos disparates, coisa para a qual não é minimamente dotado. Pode ser que nessa altura os Madeirenses percebam o que toda a gente já viu das Fiji até ao Corvo.
Sócrates, não te encolhas!!
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
O Mehari
Nunca gostei de transportes públicos. Cheiros, vícios, hábitos. Tudo em dose extra.Hoje em dia sou fã. Não há fila, ninguém empurra, há muito espaço e permitem-me observar uma infinidade de gente esquisita. Gosto de gente esquisita. Um amigo meu dizia-me várias vezes: "És tão esquisito!" ao que eu respondia: "Esquisito és tu! E ainda por cima amarelo!". Ele respondia e iniciávamos um ciclo infinito de argumentos. Ele nunca percebeu o infinito. Eu também não. Sabia que elevado a -1 e multiplicado por "a" dava 0. Pouco mais. Ele nem isso. Entretando fizémos 12 anos e parámos de discutir. O infinito continuou igual para ambos.
Sentado no banco em frente olhava para ela. Cabelo e olhos bem carregados de Dyrup preto. Roupa escura, furos por todo o lado e tatuagem dos "Evanescense". Tudo muito bem. Modas são modas e eu cheguei a pensar que fazer aquela cena dos dedos do Vanilla Ice era "cool". Malta lá da rua achava que a t-shirt "Bad" do M. Jackson é que era, mas a luva de brilhantes nunca me convenceu.
Parei nos lábios. O inferior para ser mais preciso. Não era belo. Não era vermelho. Não dava a mínima vontade de olhar. É como passar num acidente: sabemos que nada muda, sabemos que podemos ver alguém preso por fita-cola mas não conseguimos deixar de olhar. Há também o bónus de encravar o trânsito e isso para quem descende de Viriato tem um sabor especial. Sempre gostei do Viriato.
O Viriato, segundo reza a lenda arreou forte e feio em tudo o que era guarnição romana que queria ir passar férias lá para a aldeia dele na S. da Estrela. Na altura ainda não havia tradição no Ski mas o queijinho já era um mimo. Um Astérix em versão lusa que César apenas dobrou oferecendo sestércios e uma quadriga com A/C a alguns comandantes da confiança de Viriato. Foi a primeira obra da corrupção no território que viria a ser Portugal. Gostei dum texto do Sousa Tavares sobre a corrupção. Segundo ele, sem ela, estaríamos ao nível da Finlândia. Trocar o sol pelo frio e o meu nome por Jukka Rakkinen não sei se me agradava, mas o galo de barcelos pela Nokia já me parece bom negócio.
Mas olhei. Olhei e reparei atentamente naquele lábio inferior. Um "piercing" em forma de anel cobria toda a zona central e eu, fazendo aquela cara de quem está a comer polpa de tomate bem quentinha, não deixava de olhar. O meu pai nunca me perguntou porque ia à casa de banho com a boca cheia sempre que comíamos "cannelloni" bem regados de polpa de tomate. Desenvolvi bons músculos nas bochechas à custa disso. Discutia a campanha presidencial da Lurdes Pintassilgo, sem cuspir ninguém de vermelho e sem dar a entender que me estava a queimar. Lembro-me dessa campanha. Coligação Democrática Unitária soava-me bem. Também gostava daquele senhor simpático das bochechas, mas a minha vizinha de baixo votava na Lurdes e tinha um Mehari. Eu não podia votar mas podia andar no Mehari a agitar bandeiras. Gostava do anúncio "Mehari...Citroen....com capota, sem capota, ele é jipe, é camião...Mehari...Citroen".
Pensava eu o que levaria alguém a meter um pouco de chapa nos lábios? Ela já era desagradável ao olhar, para quê piorar um cenário de horror? Pensei na comida. Como tiraria os restos de massa presos entre o lábio e a chapa? Haverá palito versão "macaco-hidráulico" que a safe? O palito está entre os 15 objectos mais detestáveis do mundo. O mundo não seria um lugar melhor se, em vez daquele pente castanho escuro/claro que usamos no bolso de trás, carregássemos uma bela escova de dentes? Pensem nisso.
Uma vez ofereci um paliteiro ao meu avô. Era grande e metálico. Talvez um pouco pesado para usar no bolso como ele fazia com o palito, mas com uma mola muito gira que fazia disparar o palito quase directo aos caninos. No lugar de "o mais destestável" está o palito que vem com o canivete suiço. Aí a limpeza é apenas uma ilusão. O resto de bife passa dos dentes para um pedaço de plástico que por sua vez é limpo com a pressão do indicador contra o polegar. Estes são de imediato passados nas calças. Os germes ficam bem arrumadinhos dentro do canivete, os dedos com gordura e as calças com a bela mancha. Escapa-me a parte da limpeza. O canivete suiço é uma invenção do Macgyver. É o único gajo no mundo que nos consegue convencer que blusões de aviador, ténis com a língua de fora e uma tesoura num canivete têm de facto alguma utilidade.
Depois veio o beijo. Como conseguiria ela beijar alguém? Apesar de tudo o "piercing" ainda era o mais bonito daquele quadro, mas admitindo um corajoso e aventureiro, qual seria a sensação? Fria talvez.
E se a placa tiver algumas rebarbas e o namorado não for da Transilvânia? O que fazer com o sangue?
Enchidos? Não me parece.
Decido levantei-me para a questionar. Parei. Olhei em volta e desisti. Não gosto que esperem por mim e a minha paragem olhava-me pela janela.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
O falsete
Primeira experiência no espectáculo sobre o gelo.
Sem Catedral ou Glorioso que nos aqueça, embarcámos no derby local de hóquei no gelo. 12 000 pessoas num "pavilhão Atlântico" e os No Name Boys cá do sítio a gritarem Frölundaaaaaaaa, a equipa que representa Gotemburgo na elite do hóquei nacional.
Quando entrei nem sabia de onde é que vinham os outros gajos, mas os "nossos" vestiam de vermelho.
É um critério como outro qualquer. A escolha estava feita.
A parte seguinte e mais dificil, perceber as regras.
O contacto físico não só é permitido como faz parte do jogo. É normal ver um jogador a desinteressar-se do disco e ir em direcção ao seu adversário com o objectivo de o derrubar e parar a jogada. Imaginem o Paulinho Santos ou o Jorge Costa de patins e capacete. É praticamente o mesmo mas mais discreto.
Houve mesmo uma jogada em que um jogador perdeu o stick (não sei como se escreve isto...) e até o recuperar derrubou todos os adversários que conseguiu com bloqueios de corpo. E tudo muito bem...o jogo segue.
Depois há uma regra bastante gira. Quando o disco vai no ar, qualquer jogador o pode agarrar e colocar no chão para continuar a jogar. Não pode é aproveitar isso para passar o disco a um companheiro com a mão...é um vale-tudo, mas com regras!
Podem agredir-se mas sem usar os sticks, o que é porreiro porque parecendo que não deve aleijar.
O espectáculo montado à volta do desporto é um clássico "American show". Todos os minutos mortos são aproveitados com música, luz e anúncios. A entrada da equipa em campo faz-se com fogo de artíficio e rock da pesada para intimidar o adversário.
Tudo muito giro mas...e o jogo? Bom, o jogo não foi bem o que eu esperava.
A "minha" equipa levou uma valente tareia de 6-0. O que é algo muito pouco usual por aqui. É como o Glorioso ir a alvalade ganhar 6-3. Acontece uma vez na vida e falamos disso para sempre (meu rico menino d'ouro!).
O guarda-redes da outra equipa era claramente o Preud-Homme cá do sítio. Defendeu tudo. Já o "nosso" (reparem como o bichinho se apodera de mim...qualquer dia nem sei ir do Colombo para a Luz!) guarda-redes era mais fraquinho e mesmo numa visão leiga da matéria, acho que me apercebi de 2 ou 3 franguitos. Devia ter desconfiado quando ouvi o nome do artista (na foto): Fal-Sete Ricardosson.
Portanto...luzes e cor tudo muito bem. Patinar e marcar golos é que nem tanto.

Sem Catedral ou Glorioso que nos aqueça, embarcámos no derby local de hóquei no gelo. 12 000 pessoas num "pavilhão Atlântico" e os No Name Boys cá do sítio a gritarem Frölundaaaaaaaa, a equipa que representa Gotemburgo na elite do hóquei nacional.
Quando entrei nem sabia de onde é que vinham os outros gajos, mas os "nossos" vestiam de vermelho.
É um critério como outro qualquer. A escolha estava feita.
A parte seguinte e mais dificil, perceber as regras.
O contacto físico não só é permitido como faz parte do jogo. É normal ver um jogador a desinteressar-se do disco e ir em direcção ao seu adversário com o objectivo de o derrubar e parar a jogada. Imaginem o Paulinho Santos ou o Jorge Costa de patins e capacete. É praticamente o mesmo mas mais discreto.
Houve mesmo uma jogada em que um jogador perdeu o stick (não sei como se escreve isto...) e até o recuperar derrubou todos os adversários que conseguiu com bloqueios de corpo. E tudo muito bem...o jogo segue.
Depois há uma regra bastante gira. Quando o disco vai no ar, qualquer jogador o pode agarrar e colocar no chão para continuar a jogar. Não pode é aproveitar isso para passar o disco a um companheiro com a mão...é um vale-tudo, mas com regras!
Podem agredir-se mas sem usar os sticks, o que é porreiro porque parecendo que não deve aleijar.
O espectáculo montado à volta do desporto é um clássico "American show". Todos os minutos mortos são aproveitados com música, luz e anúncios. A entrada da equipa em campo faz-se com fogo de artíficio e rock da pesada para intimidar o adversário.
Tudo muito giro mas...e o jogo? Bom, o jogo não foi bem o que eu esperava.
A "minha" equipa levou uma valente tareia de 6-0. O que é algo muito pouco usual por aqui. É como o Glorioso ir a alvalade ganhar 6-3. Acontece uma vez na vida e falamos disso para sempre (meu rico menino d'ouro!).
O guarda-redes da outra equipa era claramente o Preud-Homme cá do sítio. Defendeu tudo. Já o "nosso" (reparem como o bichinho se apodera de mim...qualquer dia nem sei ir do Colombo para a Luz!) guarda-redes era mais fraquinho e mesmo numa visão leiga da matéria, acho que me apercebi de 2 ou 3 franguitos. Devia ter desconfiado quando ouvi o nome do artista (na foto): Fal-Sete Ricardosson.
Portanto...luzes e cor tudo muito bem. Patinar e marcar golos é que nem tanto.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
domingo, fevereiro 11, 2007
Sim!
Dissémos nós pondo fim a um isolamento europeu, pelo menos nesta matéria.
A TSF andou aqui por casa e trouxe-nos o referendo a diferentes vozes. O "SIM" recebido às 21h (locais) originou o sorriso e a satisfação de quem prefere ver o País caminhar na direcção do séc.XXI em vez de se perder em utopias. (Foi também uma bela desculpa para uma ginginha de Óbidos!)
63% dos votantes pensaram o mesmo e graças a eles Portugal juntou-se à lista de países onde a mulher não penalizada judicialmente por uma decisão que em si já representa uma penalização (ou ainda alguém tem dúvidas disso?). Nota negativa para a abstenção. Mostrámos uma vez mais que enquanto povo temos algo a aprender com a cidadania.
Ouvi as intervenções de alguns movimentos e dos partidos com assento parlamentar e não consegui deixar de ter pena da dupla Ribeiro Casto & M. Mendes. Não pela derrota (embora o segundo não tenha assumido uma posição) mas pelos discursos.
M. Mendes, optando sempre pelo discurso neutro e pela repetição da posição partidária de há 8 anos atrás, não se cansou de dizer que esta não era uma votação de cariz partidário. O que é falso. Qualquer campanha que seja feita com partidos políticos na defesa e debate de ideias, tem obviamente cariz político/partidário (conclusão Laplaciana ou "Delgadiana"). Além do mais, Mendes no seu discurso "politicamente correcto" endereçou os parabéns aos movimentos de defesa da despenalização e aos movimentos de defesa da vida! Ups..para quem quer ser "neutro", essa dos "movimentos de defesa da vida" fez-te cair o pézinho para o chinelo. "Gaffe chefinho!!", dir-te-á um desses assessores que te lê o jornal enquanto tu tentas subir para a cadeira. Posição assumida (ainda que de forma subtil) e como tal, derrota política. A prova de que este referendo é uma cartada política (ou que pode ser), é que exactamente a mesma discussão serviu de trampolim para P.Portas iniciar a vida política fora do "Independente". Na altura, orfão de vitórias eleitorais, Paulinho das Feiras fez do referendo a "Fénix" do PP. Agarrou-se então a esse resultado como se de um sufrágio presidencial se tratasse e a verdade é que o PP não mais parou de crescer até "obrigar" o PSD a ter que os gramar no governo. O mesmo referendo serviu agora de "última marcha" para R.Castro (o Paulinho já está há espera para voltar ao trono). Ao discursar R.Castro explicou porque é que o PP parece o ministro da informação do Saddam. Vivem numa realidade que apenas eles conhecem e que há muito se desligou do exterior. Apesar dos resultados nacionais (e das restantes posições europeias na matéria - detalhe MUITO importante), mostrou-se convicto da razão continuar do seu lado e dos restantes brasonados do Largo do Caldas. "Toda a Europa se equivocou. Sei onde estou e para onde quero ir!", esqueceu-se de acrescentar. Nada me move contra a direita, mas a nossa é patética, ridícula e saudosista do estado-novo.
Politiquices à parte fica a nova lei. Isso sim, o que mais importa.
Parabéns a nós, os Portugueses.
Estou doido para ver o "Metro" de amanhã!
A TSF andou aqui por casa e trouxe-nos o referendo a diferentes vozes. O "SIM" recebido às 21h (locais) originou o sorriso e a satisfação de quem prefere ver o País caminhar na direcção do séc.XXI em vez de se perder em utopias. (Foi também uma bela desculpa para uma ginginha de Óbidos!)
63% dos votantes pensaram o mesmo e graças a eles Portugal juntou-se à lista de países onde a mulher não penalizada judicialmente por uma decisão que em si já representa uma penalização (ou ainda alguém tem dúvidas disso?). Nota negativa para a abstenção. Mostrámos uma vez mais que enquanto povo temos algo a aprender com a cidadania.
Ouvi as intervenções de alguns movimentos e dos partidos com assento parlamentar e não consegui deixar de ter pena da dupla Ribeiro Casto & M. Mendes. Não pela derrota (embora o segundo não tenha assumido uma posição) mas pelos discursos.
M. Mendes, optando sempre pelo discurso neutro e pela repetição da posição partidária de há 8 anos atrás, não se cansou de dizer que esta não era uma votação de cariz partidário. O que é falso. Qualquer campanha que seja feita com partidos políticos na defesa e debate de ideias, tem obviamente cariz político/partidário (conclusão Laplaciana ou "Delgadiana"). Além do mais, Mendes no seu discurso "politicamente correcto" endereçou os parabéns aos movimentos de defesa da despenalização e aos movimentos de defesa da vida! Ups..para quem quer ser "neutro", essa dos "movimentos de defesa da vida" fez-te cair o pézinho para o chinelo. "Gaffe chefinho!!", dir-te-á um desses assessores que te lê o jornal enquanto tu tentas subir para a cadeira. Posição assumida (ainda que de forma subtil) e como tal, derrota política. A prova de que este referendo é uma cartada política (ou que pode ser), é que exactamente a mesma discussão serviu de trampolim para P.Portas iniciar a vida política fora do "Independente". Na altura, orfão de vitórias eleitorais, Paulinho das Feiras fez do referendo a "Fénix" do PP. Agarrou-se então a esse resultado como se de um sufrágio presidencial se tratasse e a verdade é que o PP não mais parou de crescer até "obrigar" o PSD a ter que os gramar no governo. O mesmo referendo serviu agora de "última marcha" para R.Castro (o Paulinho já está há espera para voltar ao trono). Ao discursar R.Castro explicou porque é que o PP parece o ministro da informação do Saddam. Vivem numa realidade que apenas eles conhecem e que há muito se desligou do exterior. Apesar dos resultados nacionais (e das restantes posições europeias na matéria - detalhe MUITO importante), mostrou-se convicto da razão continuar do seu lado e dos restantes brasonados do Largo do Caldas. "Toda a Europa se equivocou. Sei onde estou e para onde quero ir!", esqueceu-se de acrescentar. Nada me move contra a direita, mas a nossa é patética, ridícula e saudosista do estado-novo.
Politiquices à parte fica a nova lei. Isso sim, o que mais importa.
Parabéns a nós, os Portugueses.
Estou doido para ver o "Metro" de amanhã!
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
A solução é...votar SIM!

Sentado no eléctrico a caminho do trabalho, enquanto pensava no meu jogo de bola gamado, tentava (tentava repito!) ler o "Metro" local. Parei no título: "Portugiser röstar om legalisering av aborter" que me cheirou ao referendo de Domingo. Pelo pouco que percebi, parece que o "Sim" está com alguma vantagem segundo as estatísticas. Depois, mostravam 20 estados membros onde a interrupção não era penalizada e referenciavam Malta como a excepção. Como não estavam lá todos, resolvi investigar um pouco. Além do caso conhecido português reparei que em praticamente toda a Europa a interrupção é permitida a pedido da mulher (maioria - verde escuro), por razões sociais e económicas (verde claro) e depois a laranja e vermelho os países que apenas permitem o aborto por, respectivamente, razões de saúde e risco de vida para a mulher. Polónia, Chipre e Irlanda...quem diria?
Ou seja, em praticamente todos os países europeus (em que "Deus" circula sem ditar leis) já perceberam que a interrupção voluntária da gravidez, por muito complexa que seja a sua discussão (e isto parece-me óbvio!), é uma decisão que afecta sobretudo um ser individual, pelo que a ele compete escolher.
Ouvi na rádio um tempo de antena de um movimento pelo NÃO cujo nome não me lembro (também não é importante, 2f já não existem...). Uma senhora que mal conseguia articular 2 frases seguidas defendia que a solução não era "matar" mas sim ter apoios do estado para criar empregos, gerar riqueza, melhorar as condições de vida e permitir assim aos portugueses criar condignamente mais "vidas". Fantástico!
Esta mulher consegue em 30 seg criar um cenário que 33 anos de democracia ainda não conseguiram. Resolver um problema invocando uma utopia fica sempre bem, principalmente em tempo de campanha.
Haja seriedade e alguma consciência social.
Façamos um esforço enquanto povo para abdicar do nosso clássico terceiro-mundismo em relação aos nossos parceiros europeus.
Segunda-feira quero exibir o "Metro" com orgulho.
"Nunca aconteceu antes!!"
Há sempre um "mas isto nunca aconteceu antes!!" que me acontece de tempos a tempos.
Algures aí atrás referi que andavam a mudar a casa de banho aqui no prédio.
Durante 6 semanas, algumas dezenas de trabalhadores entram e saiem em todos os apartamentos enquanto os moradores estão nos seus locais de trabalho. Há sempre aquele desconforto de ter gente estranha em casa e ainda por cima sozinha, mas avisaram-me que por aqui "é assim".
Muito bem. Em Roma sê Romano, já dizia o Júlio. Contudo, eu não nasci em Roma e tenho alguma dificuldade em confiar no alheio. Resolvi guardar algumas coisas no inicio das obras. Aquelas pequenas coisas que têm pouco valor financeiro mas que são uma chatice para arranjar, como documentos, ficheiros de trabalho e por aí fora. Nunca pensei em nada "grande" confesso.
Ontem, ainda a empurrar o último pedaço de sushi chegamos a casa e reparamos num espaço vazio na parede. Nesse mesmo espaço costumava estar um LCD. Ao lado desse LCD habitava a minha fiel playstation. Habitava é também o tempo certo.
Dentro da playstation o meu único jogo (de BOLA claro!!) foi também no "pacote oferta".
A minha noção de civilização, primeiro mundo e coisas do género ficou um pouco abalada.
Atravessamos a europa e somos gamados dentro de casa por alguém que andou por lá a trabalhar. Esta é nova!
A companhia não foge e assume as despesas (também era melhor...), mas para mim o estrago maior está feito. Como confiar a partir daqui?
Depois começo a pensar nos detalhes. Como o fizeram, porquê, será alguém que continua por lá, será por sermos os únicos estrangeiros do prédio e mais uma série de suposições que obviamente nunca conseguirei confirmar. No fim aquela raiva miudinha. Detesto ser gamado!!
"Isto nunca aconteceu!" diz o chefe da obra.
"Não me digas ?", penso eu enquanto "alargo" o conceito de "sociedades evoluídas".
Algures aí atrás referi que andavam a mudar a casa de banho aqui no prédio.
Durante 6 semanas, algumas dezenas de trabalhadores entram e saiem em todos os apartamentos enquanto os moradores estão nos seus locais de trabalho. Há sempre aquele desconforto de ter gente estranha em casa e ainda por cima sozinha, mas avisaram-me que por aqui "é assim".
Muito bem. Em Roma sê Romano, já dizia o Júlio. Contudo, eu não nasci em Roma e tenho alguma dificuldade em confiar no alheio. Resolvi guardar algumas coisas no inicio das obras. Aquelas pequenas coisas que têm pouco valor financeiro mas que são uma chatice para arranjar, como documentos, ficheiros de trabalho e por aí fora. Nunca pensei em nada "grande" confesso.
Ontem, ainda a empurrar o último pedaço de sushi chegamos a casa e reparamos num espaço vazio na parede. Nesse mesmo espaço costumava estar um LCD. Ao lado desse LCD habitava a minha fiel playstation. Habitava é também o tempo certo.
Dentro da playstation o meu único jogo (de BOLA claro!!) foi também no "pacote oferta".
A minha noção de civilização, primeiro mundo e coisas do género ficou um pouco abalada.
Atravessamos a europa e somos gamados dentro de casa por alguém que andou por lá a trabalhar. Esta é nova!
A companhia não foge e assume as despesas (também era melhor...), mas para mim o estrago maior está feito. Como confiar a partir daqui?
Depois começo a pensar nos detalhes. Como o fizeram, porquê, será alguém que continua por lá, será por sermos os únicos estrangeiros do prédio e mais uma série de suposições que obviamente nunca conseguirei confirmar. No fim aquela raiva miudinha. Detesto ser gamado!!
"Isto nunca aconteceu!" diz o chefe da obra.
"Não me digas ?", penso eu enquanto "alargo" o conceito de "sociedades evoluídas".
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
O chuckie egg
Sou optimista.
Sou sempre optimista.
Se alguém me disser: "Arranja-me uma fatia da lua sff", eu não digo que não. Digo apenas que vou desenrascar qualquer coisa..."Não" é que não pode ser.
Ainda não aprendi a usar essa palavra ou pelo menos a jogá-la como "Ás de trunfo" nos momentos certos. O que convenhamos, atrapalha um pouco.
Primeiras impressões do projecto a que disse "SIM":
1 - Ahhn???
2 - Como??
3 - Eeeeeeeeee.....
Estou como o aprendiz do feiticieiro mas sem aquel chapéu giro com estrelas.
Do meu lado esquerdo está um gajo que serviu de inspiração para os bonecos do Wally. Mesmo sem a camisola listada, não tenho qualquer dúvida. Foi a partir desta cara que se começou a criar a mítica série "onde está Wally? ". Além desse trabalho de "modelo" para bonecos de plástico e BD, este meu colega também desenvolveu SW para satélites antes de aqui chegar. É um daquela espécie que lê os códigos de barras em vez dos preços quando vai ao Jumbo.
Do meu lado direito outro artista. Com uns belos 100kg, abana o edifício sempre que se mexe ou tosse. Neste último caso (o da tosse) estou sempre a ver para que lado lhe vai saltar o pulmão esquerdo. Pareço o Ricardo a defender "penalties" mas sem a voz de falsete.
Também ele denota um certo afecto pela tecnologia. Não há cartazes de mulheres nuas, fotografias de bola e muito menos uma qualquer jante de liga leve, há sim um orgulhoso painel onde se pode ler: "My microcontroller CAN BEAT THE HELL out of your microcontroller!!". Ora meus amigos, isto é a prova dos 9 para quem quer perceber se caiu num ninho de 0s e 1s.
Ainda andava eu a perceber as regras do "bate-pé" e já esta malta arranjava vidas infinitas para acabar o Chuckie Egg no Spectrum.
A vantagem óbvia, uma vez passada a fase da "canoa" (linguagem informática para dizer: "apanhar bonés" - com esta dica será que entro no clube 0s e 1s ???), é que posso aprender muitoooooooooooo com este pessoal.
Um optimista. Não sei se já tinha dito...
Sou sempre optimista.
Se alguém me disser: "Arranja-me uma fatia da lua sff", eu não digo que não. Digo apenas que vou desenrascar qualquer coisa..."Não" é que não pode ser.
Ainda não aprendi a usar essa palavra ou pelo menos a jogá-la como "Ás de trunfo" nos momentos certos. O que convenhamos, atrapalha um pouco.
Primeiras impressões do projecto a que disse "SIM":
1 - Ahhn???
2 - Como??
3 - Eeeeeeeeee.....
Estou como o aprendiz do feiticieiro mas sem aquel chapéu giro com estrelas.
Do meu lado esquerdo está um gajo que serviu de inspiração para os bonecos do Wally. Mesmo sem a camisola listada, não tenho qualquer dúvida. Foi a partir desta cara que se começou a criar a mítica série "onde está Wally? ". Além desse trabalho de "modelo" para bonecos de plástico e BD, este meu colega também desenvolveu SW para satélites antes de aqui chegar. É um daquela espécie que lê os códigos de barras em vez dos preços quando vai ao Jumbo.
Do meu lado direito outro artista. Com uns belos 100kg, abana o edifício sempre que se mexe ou tosse. Neste último caso (o da tosse) estou sempre a ver para que lado lhe vai saltar o pulmão esquerdo. Pareço o Ricardo a defender "penalties" mas sem a voz de falsete.
Também ele denota um certo afecto pela tecnologia. Não há cartazes de mulheres nuas, fotografias de bola e muito menos uma qualquer jante de liga leve, há sim um orgulhoso painel onde se pode ler: "My microcontroller CAN BEAT THE HELL out of your microcontroller!!". Ora meus amigos, isto é a prova dos 9 para quem quer perceber se caiu num ninho de 0s e 1s.
Ainda andava eu a perceber as regras do "bate-pé" e já esta malta arranjava vidas infinitas para acabar o Chuckie Egg no Spectrum.
A vantagem óbvia, uma vez passada a fase da "canoa" (linguagem informática para dizer: "apanhar bonés" - com esta dica será que entro no clube 0s e 1s ???), é que posso aprender muitoooooooooooo com este pessoal.
Um optimista. Não sei se já tinha dito...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
O país irmão
O Paulinho
Farto de rádio sueca (eu até me quero integrar, mas já não aguento a Melanie C, os Roxette e a Whitney Houston!!) comecei a aderir às rádios portuguesas na net. Neste caso a Comercial que vai dando notícias e alguma boa música. Parei uma boa meia-hora a ouvir os tempos de antena favoráveis ao SIM e ao NÃO no referendo do próximo domingo. Logo aqui a diferença.
Um único espaço de 3 min dedicado ao SIM (apresentado pelo J.C.Malato) e o restante tempo de antena dividido por uma série de movimentos com nomes de ocasião publicitando o NÃO. Ora, só por aqui se percebe a diferença de apoios. Mas além da luta desigual no plano financeiro, registei também a repetição até à exaustão da frase "liberalização do aborto não!". Uma vez mais publicidade enganosa e construída apenas com o objectivo de criar ruído e confusão. Movimentos e mais movimentos com um discurso comum e totalmente falso. Nem por uma vez a pergunta em questão foi discutida nestes tempos de antena. Não há uma autoridade para a comunicação social que controle este tipo de coisas??
Depois, o momento de ouro: num desses tempos de antena apareceu o Paulinho-das-Feiras-Portas. Com aquele tom sereno e sensato (Há que reconhecer que é um excelente político. Lata não lhe falta... ) foi o único a evitar a frase chavão e disse em tom altivo: "Não há mulheres presas por abortar", tentando com isto refutar os argumentos evocados por parte da esquerda (BE principalmente). De facto não há mulheres presas (mais uma razão para modificar uma lei que de tão absurda só serve para fazer circo nos tribunais) em Portugal por terem abortado. Fico portanto a saber que para o Paulinho, o simples facto de comparecer em tribunal, uma instituição pública, para ser julgado por uma lei da idade média não é mal que baste. Isto dito por alguém, que quando chamado a prestar contas em tribunal por desvios financeiros, respondeu por carta. Elucidativo! Lata não lhe falta, repito.
Apesar das contrariedades da campanha, espero que o País vote para sair da idade média.
Um único espaço de 3 min dedicado ao SIM (apresentado pelo J.C.Malato) e o restante tempo de antena dividido por uma série de movimentos com nomes de ocasião publicitando o NÃO. Ora, só por aqui se percebe a diferença de apoios. Mas além da luta desigual no plano financeiro, registei também a repetição até à exaustão da frase "liberalização do aborto não!". Uma vez mais publicidade enganosa e construída apenas com o objectivo de criar ruído e confusão. Movimentos e mais movimentos com um discurso comum e totalmente falso. Nem por uma vez a pergunta em questão foi discutida nestes tempos de antena. Não há uma autoridade para a comunicação social que controle este tipo de coisas??
Depois, o momento de ouro: num desses tempos de antena apareceu o Paulinho-das-Feiras-Portas. Com aquele tom sereno e sensato (Há que reconhecer que é um excelente político. Lata não lhe falta... ) foi o único a evitar a frase chavão e disse em tom altivo: "Não há mulheres presas por abortar", tentando com isto refutar os argumentos evocados por parte da esquerda (BE principalmente). De facto não há mulheres presas (mais uma razão para modificar uma lei que de tão absurda só serve para fazer circo nos tribunais) em Portugal por terem abortado. Fico portanto a saber que para o Paulinho, o simples facto de comparecer em tribunal, uma instituição pública, para ser julgado por uma lei da idade média não é mal que baste. Isto dito por alguém, que quando chamado a prestar contas em tribunal por desvios financeiros, respondeu por carta. Elucidativo! Lata não lhe falta, repito.
Apesar das contrariedades da campanha, espero que o País vote para sair da idade média.
domingo, fevereiro 04, 2007
O autocarro
Entretanto, andava eu nas lides cinematográficas e esqueci-me totalmente que o "maior" estava a jogar (estarei a caminho da cura?).Saldo final da jornada: menos mal...
Não vi nenhum jogo mas li algumas declarações.
A malta do boavista (Pacheco incluído) referiu sorte, sorte e mais sorte para justificar o nulo na Luz. Ora isto fez-me pensar.
O J. Pacheco é o inventor da técnica do "autocarro" (só da técnica...a expressão pertence ao Setubalense mais charmoso em terras de sua majestade!) que consiste em colocar 11 jogadores dentro da baliza a levar boladas do adversário durante 90 min evitando assim males maiores. É o clássico "empata".
Normalmente, quando uma equipa do Pacheco faz 2 remates e consegue 1 canto em todo o jogo ele diz: "merecíamos ter ganho!! "
Bom, se desta vez ele diz: "tivémos sorte!", eu já não preciso de ver imagens do jogo.
Os gajos do Boavista passaram a linha de meio-campo uma vez e foi quando se dirigiam para os balneários. Aposto!
Azar, foi azar Nando. Desta passa....
Cinema
Fim-de-semana de cinema. Decorre o 30º Festival Internacional de cinema de Gotemburgo. Hipótese de ver bons filmes (que normalmente não aparecem no circuito comercial) a preços mais reduzidos.
Duas boas dicas:
"I only wanted to live" - Documentário feito em 94 sobre os judeus italianos deportados para Auschwitz durante a ocupação alemã. Muito forte e profundamente verdadeiro, eu diria que é de visionamento obrigatório para que não fiquem dúvidas sobre o maior drama humano do séc.XX .
"Holly" (foto) - Filme baseado no drama da prostituição infantil no Cambodja. Um assombro.
O negócio da prostituição de menores é a maior fonte de rendimentos da economia Cambodjana. Desde as autoridades até aos tentáculos da mafia, todos estão envolvidos na exploração infantil. O argumentista (presente na sala) referiu as dificuldades (ameaças de morte incluídas) experimentadas na rodagem do filme. Todo o negócio é exposto (as imagens são do "districto vermelho" e não de estúdio) e por isso a irritação das autoridades locais. Um desempenho fantástico de alguns consagrados (como Chris Penn) mas principalmente a revelação ao mundo de uma perfeita desconhecida (que segundo o argumentista foi descoberta a 5 min de embarcarem para o Cambodja) no papel de Holly (rapariga da foto). Se tiverem oportunidade não percam este filme.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Posso tirar 3 fotos chefe?
Ainda não consigo fechar a boca de espanto. Sinto-me um campónio que apanhou a "caminete" da carreira e foi visitar o Colombo. Estou perfeitamente nas nuvens.
Apresentações feitas e toca de conhecer o estaminé. Um edifício de 6 pisos numa zona em tudo idêntica à Expo (há uns anos não era uma lixeira mas era paragem de má fama...Cais do Sodré cá do sítio!). Ao meu lado uma parede de vidro permite-me olhar para o rio e ver do outro lado o centro da cidade. Neste preciso momento está um "Titanic" a dar a volta e a iniciar viagem rumo à Alemanha. Todos estão sentados. Eu sou o único em pé e colado à janela a apreciar a manobra (ainda vão pensar que nunca vi água!).
No piso de baixo uma sala de aula para aeróbica, capoeira, boxe, etc. Outra com bicicletas de spinning e uma terceira com máquinas tão modernas que nem descobri onde estava o "ON". No canto do edifício e bem em cima do rio a minha parte preferida: uma enorme sala revestida a madeira com sauna, solário e jacuzzi.
Imagino horas bem passadas por aqui. Não sei se será a trabalhar, mas isso são outros "500 paus" (nunca percebi esta expressão, mas gosto)!
A cantina, forrada com elementos "design", pinturas originais e luzes coloridas, parece um daqueles restaurantes "new generation" do bairro alto. Sempre, sempre com vista para o rio. Não é o Tejo, mas é o Göta :)
Ao almoço havia bacalhau (fresco) e uma carne com um aspecto excelente que só de olhar me fez salivar.
O meu chefe (que já trabalhou em Lisboa e comia bacalhau no Bairro Alto) disse-me: "Olha, há bacalhau! Eu sei que vocês portugueses são doidos por bacalhau e conseguem cozinhá-lo de 1000 formas!"
"1001", disse eu enquanto trocava a saliva pelo amor à patria...
Estou tão fascinado com o que me rodeia que entre as 374 ideias que me atravessam o pensamento, nenhuma me manda trabalhar.
Sem dar nas vistas (e parecer ainda mais campónio) tenho que tirar umas fotos para mandar para os meus pais. Vocês têm que ver isto!
Apresentações feitas e toca de conhecer o estaminé. Um edifício de 6 pisos numa zona em tudo idêntica à Expo (há uns anos não era uma lixeira mas era paragem de má fama...Cais do Sodré cá do sítio!). Ao meu lado uma parede de vidro permite-me olhar para o rio e ver do outro lado o centro da cidade. Neste preciso momento está um "Titanic" a dar a volta e a iniciar viagem rumo à Alemanha. Todos estão sentados. Eu sou o único em pé e colado à janela a apreciar a manobra (ainda vão pensar que nunca vi água!).
No piso de baixo uma sala de aula para aeróbica, capoeira, boxe, etc. Outra com bicicletas de spinning e uma terceira com máquinas tão modernas que nem descobri onde estava o "ON". No canto do edifício e bem em cima do rio a minha parte preferida: uma enorme sala revestida a madeira com sauna, solário e jacuzzi.
Imagino horas bem passadas por aqui. Não sei se será a trabalhar, mas isso são outros "500 paus" (nunca percebi esta expressão, mas gosto)!
A cantina, forrada com elementos "design", pinturas originais e luzes coloridas, parece um daqueles restaurantes "new generation" do bairro alto. Sempre, sempre com vista para o rio. Não é o Tejo, mas é o Göta :)
Ao almoço havia bacalhau (fresco) e uma carne com um aspecto excelente que só de olhar me fez salivar.
O meu chefe (que já trabalhou em Lisboa e comia bacalhau no Bairro Alto) disse-me: "Olha, há bacalhau! Eu sei que vocês portugueses são doidos por bacalhau e conseguem cozinhá-lo de 1000 formas!"
"1001", disse eu enquanto trocava a saliva pelo amor à patria...
Estou tão fascinado com o que me rodeia que entre as 374 ideias que me atravessam o pensamento, nenhuma me manda trabalhar.
Sem dar nas vistas (e parecer ainda mais campónio) tenho que tirar umas fotos para mandar para os meus pais. Vocês têm que ver isto!
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