terça-feira, janeiro 30, 2007

Até já

Cape North (Noruega)





Fim da 1ª etapa em terras escandinavas. Ou pelo menos é esse o sentimento que domina.
Ontem fechei o projecto que me trouxe até aqui. Amanhã começo outro. Numa cidade diferente, noutra empresa e sobretudo com novos colegas.
Esta última parte (a humana) é a que me pesa em tempo de mudança. Trabalhar por projectos torna os "saltos" mais frequentes e quase parte do quotidiano. Confesso que nunca tinha pensado nisso como uma parte deste todo.
Não gosto. Decididamente não gosto da mudança. Sinto-me bem com desafio novos, gosto de conhecer pessoas mas não me quero despedir delas.
Nunca tive jeito para despedidas.
Mesmo sabendo que podem ser definitivas, na minha cabeça tudo não passa de um claro "até já".
A integração nunca foi um problema para mim. Já o dizer adeus...ui,ui!
Tenho tido a sorte (acho eu) de trabalhar em sítios com muita gente. O meu anterior departamento tinha 50 pessoas (mais coisa menos coisa) e o actual deveria rondar as 30. Ora, para alguém como eu, isto significa que vou gostar muito de alguns, dar-me bem com a maioria e não suportar 3 ou 4. É esta a média...
Ontem despedi-me dos meus primeiros colegas suecos, cuja simpatia e ajuda ao longo deste ano foram um contra-exemplo para o mítico "frio nórdico". Graças a eles a vontade de continuar a trabalhar por estes lados não arrefeceu, bem pelo contrário.
Bolo (nada se faz aqui sem um bolo!), prendas e um "até já".
O local de trabalho acaba por ser o sítio onde passamos maior parte do nosso tempo activo (válido para todos excepto: sindicalistas, deputados e vereadores casados com a B. Guimarães) e como tal, o bom ambiente torna-se uma necessidade básica para a sanidade mental.
De uma forma geral acho que fazer um amigo no meio profissional, nos dias que correm, é um verdadeiro luxo. Confirmo a minha sorte.
Ainda hoje manifesto saudades a alguns dos colegas que deixei em Portugal e cujos ossos tento mais ou menos rever nos regressos ao "cantinho".
Amanhã começa tudo de novo. Novas pessoas, novas histórias, novos detalhes.
Veremos.

O meu poeta

Sempre gostei dos clássicos discos de vinil. Habituei-me a percorrer os incontáveis exemplares que o meu pai foi acumulando ao longo dos anos enquanto não chegava a minha vez de fazer escolhas musicais. A música sempre circulou lá por casa. Fui um privilegiado. Cresci a ouvir Elis Regina, Nat King Cole, Vinicius, Sérgio Godinho, Paul Simon, Fausto, Zeca Afonso, Vangelis (as vezes que esta K7 passava nos passeios à volta da ilha!!), Leonard Cohen, Chico Buarque, Beatles, Pink Floyd, Dire Straits e mais uma série de consagrados. Lembro-me de receber os meus primeiros discos de vinil com alguma emoção: o triplo álbum dos Xutos ao vivo no Restelo e os incontornáveis Europe (desse país longínquo!) com as suas belas permanentes e fios de prata finos e justos ao pescoço (moda essa que se mantém por estas paragens...).
Duas décadas depois dou por mim a redescobrir canções que faziam a banda sonora do meu dia-a-dia. Para cada momento que vivo há uma canção que aparece. Não a escolho, não a procuro. Aparece simplesmente. Sempre foi assim e sempre será.
Lembro-me de ouvir este "saravá" na década de 80 e não perceber o significado da palavra nem a função desta na música.
Hoje percebo. Por isso ela apareceu.
Não há nada mais concreto, envolvente e significativo do que uma música a ilustrar um pensamento. O meu hoje está em Portugal, bem perto do meu avô.

Tempo de pensar, ouvir e reviver.

Poeta, meu poeta camarada
Poeta da pesada,
Do pagode e do perdão
Perdoa essa canção improvisada
Em tua inspiração
De todo o coração,

Da moça e do violão, do fundo,
Poeta, poetinha vagabundo
Quem dera todo mundo fosse assim feito você
Que a vida não gosta de esperar
A vida é pra valer,
A vida é pra levar,
Vinícius, velho, saravá

Poeta, poetinha vagabundo
Virado, viramundo,
Vira e mexe, paga e vê
Que a vida não gosta de esperar

A vida é pra valer
A vida é pra levar
Vinícius, velho, saravá

A vida é pra valer
A vida é pra levar
Vinícius, velho, saravá

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Tempo para xixi

O dia corre mais do que eu.
A 48h de me pirar resolveram descobrir um problema. Toda a gente sabe que os problemas não existem. São frutos da imaginação humana. Apenas isso.
Ainda assim executo este corre-corre com um sorriso nos lábios.
"Diz que" o Glorioso papou 3 pontos a uns e 2 a outros. Isso muda tudo. Até há quem diga que a economia portuguesa dispara (aproveita Sócrates!!).
E claro...até me sentia mal se não abrisse a boca para dizer:
"Luisão, és grandeeeeeeeeeeeeeee!!!!!"
("Tióóóógueee"......grita um Viking lá ao fundo)
"Ahnn??O quê?? Vou jááááá!!!! É o meu "benfique" pá...the "glorious one" as we say down there!!!

O que eu gostava disto :)

"Você é Duarte e Companhia: Quem olha para si e se guia só pelas aparências não dá grande coisa por si. Grande erro! Trapalhão mas muito desenrascado, você lá consegue sempre resolver as coisas à sua maneira. É certo que não tem grande estilo ou técnica, mas é impossível não sentir carinho por si.

Chinês: Eu não sêle chinês, eu sêle japonês!"

Trapalhão? Eu? (Onde é que este gajo me viu a trabalhar com as mãos??)

O filho do Viking

A propósito da língua, lembrei-me das terminações dos nomes de família desta malta.
Os "son". Eriksson, Magnusson, Johansson, Carlsson e por aí fora.
Traduzido à letra significa o "filho do" Erik, do Magnus, do Johan, etc.
Pensava eu nisto quando conheci o meu novo colega de departamento. Chama-se Vikingsson. O filho do Viking portanto.
Fiquei intrigado com tal apelido. Se a história não enganar, qualquer escandinavo terá algures um ascendente Viking.
Queres ver que descobri o Silva cá do sítio?

Jag prata inte svenskaaaaaaaaa!!!!!!

Tem que ser. Tem mesmo que ser!
Tenho que aprender esta língua bárbara. Custe o que custar!
Ao fim de um ano pouco mais do que contar e dizer meia dúzia de frases consigo. Ver telejornais e perceber alguma coisa é mentira. Sinto-me num quadro de Babel.
É um facto que as notícias do mundo chegam pela internet em inglês ou nos noticiários da RTP, mas bolas, não é a mesma coisa do que ver um telejornal (ainda por cima os telejornais aqui duram 30min e não passam em rodapé: "Não perca na 4a parte a velhinha de Cabeceiras de Cima que descobriu aos 97 anos que gostava de hip-hop!!").
Além do mais, a integração não é total até se dominar o dialecto local. Esta é pelo menos a minha convicção.
Pela primeira vez na vida sinto-me "prejudicado" por todos serem simpáticos e instruídos. Toda a gente fala inglês. Todaaaaaaaa!
A senhora da cantina fala inglês, o condutor do autocarro fala inglês, o polícia que me mandou soprar no balão falava inglês... em qualquer café, restaurante ou banca de cachorros falam inglês (bom, o último era de cabo verde...). Resumindo, não há a "necessidade" de aprender a língua porque todos me percebem. O que é mau. Ou pelo menos exige mais força de vontade da minha parte (o que é ainda pior).
Os meus colegas...bem, esses então são de uma simpatia que até coro. Entro numa sala onde estão 20 pessoas a falar e em 5 seg mudam para inglês. Como se tivessem um interruptor na língua.
Não há hipótese de me sentir deslocado. Tudo é feito para que esteja integrado e nesse aspecto todos são excepcionais (até os desconhecidos!).
Mas vá...agora toca a serem antipáticos que é para eu aprender a falar bárbaro, está bem??
Tack..que é como quem diz, obrigadinho pá!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A juntar assinaturas para a causa

(via gatofedorento.blogspot.com)

"A COMO É QUE ESTÁ O COPY/PASTE?

Gostava imenso que Luís Delgado fosse acometido de um ataque de icterícia. Quem não gostava?, perguntará o leitor. Concedo que a aspiração é vulgar. Mas eu anseio por ver o Luís Delgado com a pele amarela para demonstrar que é essa a única característica que o separa de um boneco dos Simpsons. Investi tempo e trabalho nesta tese, e gostava de a ver confirmada antes de morrer: para mim, Luís Delgado e Waylon Smithers são uma e a mesma pessoa. Luís Delgado é, aliás, um dos meus temas de conversa preferidos. Posso dizer que sou um estudioso do homem e da obra. Se me permitem, quero deixar aqui um subsídio para uma futura biografia que, espero, não tarde. Delgado inaugurou no nosso país uma técnica especial de escrever artigos de opinião que consiste em citar na sua crónica grossos nacos das crónicas de outros, e depois assinar. Vimos como o fez na altura de um arremedo de polémica que travou, no DN, com Prado Coelho. Convido-os agora a verem o que fez na coluna que mantém no Diário Digital. Sob o título “A Clara diz tudo!”, Delgado escreve uma crónica de cinco parágrafos. Um é seu, os outros quatro são de Clara Ferreira Alves. E o que é giro é isto: onde está a crónica da Clara que Delgado cita abundantemente? Noutro site? Num livro? Num jornal que Delgado teme que não tenha sido lido pelos seus leitores? Não. Está também no Diário Digital. O link para a crónica da Clara fica meio centímetro abaixo da de Luís Delgado. Ou seja, o leitor do Diário Digital pode escolher entre a crónica de Clara Ferreira Alves ou o resumo alargado dos melhores trechos da crónica de Clara Ferreira Alves, seleccionados por Delgado. Que luxo. Lanço só uma questão: quanto pagam os jornais (digitais e em papel) pelos best of de Luís Delgado? A como é que está o copy/paste, hoje em dia?
RAP"

quarta-feira, janeiro 24, 2007

No Hawai



Não faço idéia se este serviço de localização tem a mínima credibilidade, mas parece-me que sim.
Quem aparece por aqui vem essencialmente de Lisboa (divirto-me a percorrer as zonas e nomes das ruas para tentar encontrar alguém conhecido) o que faz algum sentido.
De vez em quando aparecem casos estranhos como este.
O que terá escrito um gajo em Honolulu no Google para aqui vir parar?
O que eu queria mesmo...mesmo, mesmo...era ver uma pinta amarela aparecer ali para os lados da Sibéria :)

Os Marcel(l)os

Com a chegada da primavera Marcelista surgiu um novo programa na RTP chamado "Conversa em família". Destinava-se sobretudo a fazer passar a mensagem do novo presidente do conselho de ministros do estado novo. Com uma abordagem mais "pedagógica" e numa toada menos agressiva, procurava afastar-se da imagem do seu antecessor e da brutalidade do regime. Mais flores para a mesma mensagem e claro está, para o mesmo regime. A televisão como meio de influenciar os povos. Um clássico.
Umas décadas depois, já sem "família para conversar", é outro Marcelo que passa a mensagem ao povo. Este, com menos um "L" e apadrinhado pelo primeiro, tornou-se num exemplo perfeito de como a "travessia no deserto" pode mudar a imagem de um político em Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa enquanto líder do PSD (e da oposição) nunca venceu qualquer eleição e foi um líder de transição (termo que o próprio usa para M. Mendes...) entre F. Nogueira e D. Barroso. Em tempo de votos nunca os seus ideais conquistaram o eleitorado. Quando em 99 saiu da "política activa" iniciou a habitual travessia do deserto (tal como Guterres e Portas, sendo que a deste último parece estar quase a acabar infelizmente...). Encontrou nos media, televisão entenda-se, a forma de encurtar esse trajecto e protagonizar uma fantástica "lavadela facial". O mesmo homem cuja opinião não contava para efeitos eleitorais, passou a ser a referência nacional para qualquer assunto. Confesso que nessa altura comecei a ver o jornal da TVI e a aguentar mais de 1h de Moura Guedes para o ouvir. É um bom orador e desdobra bem uma análise política. Fá-lo com termos "populares" e sem grandes prisões. Ora casca aqui, ora casca ali e vai emergindo como o novo neutro. Há também que reconhecer o excelente trabalho de criação feito em seu redor. Dorme 4h por dia, escreve 2 textos diferentes em simultâneo com ambas as mãos e lê "na diagonal" 50 livros por semana para os apresentar no jornal. Nasce um supra-sumo.

(Não queria interromper este texto que só eu vou ler na íntegra, mas tenho que fazer um pergunta aqui: o que é LER NA DIAGONAL?
1. Ler sílabas em cada linha e juntá-las diagonalmente?
2. Ler o prefácio?
3. Ler os restantes títulos do autor?
4. Ler a morada da editora?
5. Ler o resumo da obra na contra-capa?
6. Ler de 10 em 10 páginas?
7. Pedir ao Pacheco Pereira que nos faça um resumo?

Irrita-me esta expressão! )

Durante a escapadela do José "The Cherne" Barroso para a comissão europeia, passando pelo "menino guerreiro Santana" e terminando no "ganda nóia Mendes", foi observando e comentando como se de um corpo estranho se tratasse. O "lift" feito na TVI permitiu que fosse várias vezes apontado como o próximo presidente do PSD. Uma espécie de D. Sebastião Laranjada (tal como o eterno Vitorino do outro lado). Claro que nunca se meteu nesse lodo e continuou a ver a sua credibilidade crescer na ordem inversa da do PPD/PSD (adoro quando o Santana evoca esta sigla Carneirista...não consegui resistir...bom, continuando que isto ainda vai no adro..). Opinar e definir uma estratégia política em frente à Manuela Moura Guedes é dificil porque é necessário olhar para ela, mas voltar a ser julgado em votos é infinitamente pior (e daí...), pelo que ficar na posição de "professor de Portugal" tem sido uma escolha inteligente. Imagino que Marcelo seja um bom professor. Sabe como passar a mensagem em frente às câmaras (o padrinho ensinou!) e é hoje umas das vozes mais respeitadas em Portugal. Ora é exactamente isso que me preocupa. Nada pessoal, mas está a chegar a data do referendo e Marcelo juntou a sua voz aos apoiantes do NÃO. Claro que não se espera que um filho do estado novo vote sim, mas a forma como aborda o problema pode gerar ainda mais confusão e beneficiar novamente o NÃO. Acusa o PS de alterar a pergunta para condicionar a resposta e evita assim discutir a própria questão, distancia-se de partidos políticos mas enumera os típicos argumentos de direita (com destaque para a típica banalização da atitude da mulher na altura de decidir abortar). Continuo com a sensação que os apoiantes do NÃO se mexem mais e denotam uma maior organização. Apenas tentam baralhar mas fazem-no de forma organizada. Isso preocupa-me.

terça-feira, janeiro 23, 2007

2 dias depois...

Esta semana começaram as obras aqui em casa (e no resto do prédio) de renovação da casa de banho.
6 semanas. 6 longas semanas obrigado a recorrer ao "yellow submarine".
A empresa de construção instalou um contentor (amarelo) na rua onde todos podemos tomar a bela banhoca. Se estivesse nos Barbados provavelmente levantar-me-ia e de chinelos, calções e toalha no ombro faria tão agradável tarefa com um sorriso nos lábios. Aqui nem tanto.
6 da manhã, noite bem alta e neve a cair e tudo o que não quero ver é o "yellow submarine".
A alternativa é o sempre amigo dodot ou puro e simplesmente nada. Não, também não me parece. Vamos ao "yellow submarine" então.
Tempo contado para o comboio e a água não apareceu. "Ah e tal está frio e por isso congelei nos canos", disse. Caracóis ao alto, olhos de chinês e a coçadela no cocoruto: "E agora?"
Corre para aqui, corre para ali e nada. Com a natureza não se brinca e não havia negociação que acabasse aquela greve. Esperei, esperei, esperei.
Já mais tarde e com a ajuda do Sol arranjei umas estalactites caídas do chuveiro que me permitiram recuperar aquela sensação de "ahhhhhhhh".
Tarde de mais. Já o comboio tinha partido. E o outro e o outro...
Pensei: "Que se lixe, trabalho a partir de casa!". O que também foi uma bonita ideia.
Ao fim de 4h de martelo pneumático a ecoar-me nos ouvidos entra aqui um gajo que diz: "Vai ficar em casa? É que agora é que vamos fazer barulho!" Imaginei o Apocalipse ou a implosão do prédio. Fora isso não estava a ver como é que podiam fazer mais chinfrim.
Contudo, há que dizer que nunca vi obras como estas. A companhia encarregou-se de forrar todo o chão da casa e levantar "paredes de plástico" para que as restantes divisões não fiquem com muito pó. Fiquei impressionado. Façam barulho por favor!
Toda a manhã nevou e a cidade apresenta-se como um postal escandinavo. A altura de neve é tal que estou indeciso se devo usar o elevador ou atirar-me de trenó pela janela.
Agora que falo nisso...vou dar umas escorregadelas na neve e já volto.
Já bebi 3 canecas de chá e vejo aqui da janela uma moita que está mesmo a pedi-las.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

O mesmo nabo visto por outros

Andava a passear pelo vodka-atónito quando percebi que não estava só:

...

"Vamos começar com uma citação de um velho conhecido nosso:
"Começa a ser caricata a guerra entre Ana Gomes e Luis Amado sobre os voos da CIA, como se daí surgisse um grande espanto nacional ou um imenso escândalo internacional. Aviões alugados pela CIA passaram pela Base das Lajes e outros aeroportos nacionais? Obviamente que sim, como eventualmente todos os dias passam por muitos países europeus. Levavam prisioneiros para Guantanamo ou outros locais? Vá lá saber-se, mas olhar e analisar a História em retrospectiva é sempre um exercício ridículo e perda de tempo e dinheiro. Convém ter os pés assentes na terra, por poucas vezes que seja: a CIA não é propriamente uma polícia política de uma ditadura, sem controlo nem vigilância dos poderes instituídos e constitucionais da democracia mais estabilizada do mundo. Será que não temos mais nada que fazer?",

pergunta-nos Luis Delgado, na sua diatribe semanal no DN, entre outros disparates do mesmo quilate (o senhor desta vez estava inspirado, parecia mesmo como nos bons velhos tempos). Gostei particularmente da frase "olhar e analisar a História em retrospectiva é sempre um exercício ridículo e perda de tempo e dinheiro". De facto, como todos sabemos, deve-se analisar a História entrando numa máquina do tempo e dirigindo-nos para o futuro."

in Vodka-Atónito
...
Brilhante!
Refiro-me à malta do Vodka-Atónito.

Inacreditável!

Notícia no DN de hoje:

"Quem votar 'sim' fica sem funeral religioso

"Os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas", garante o cónego Tarcísio Alves, pároco há cinco anos em Castelo de Vide (Portalegre). A excomunhão automática atinge ainda "todos os intervenientes na execução do crime, como, por exemplo, médicos e enfermeiros", sublinha, enquanto consulta página a página o Código Canónico."Se um católico aceitar a liberalização do aborto incorre na censura da excomunhão e não poderá ser reintegrado na comunidade cristã sem intervenção do bispo", sustenta ainda. Doutorado pela Universidade Católica de Salamanca em Direito Canónico, Tarcísio Alves tem distribuído nos últimos tempos, pelos paroquianos, um boletim informativo em que adverte os devotos para os "perigos" de votar "sim" no próximo referendo e as consequências, junto da Igreja, que poderão sobrevir. "Não fui eu que inventei estas regras, está tudo bem explícito no Cânone 1398" sublinha.Mas o vigário judicial da diocese de Portalegre e Castelo Branco vai mais longe ao alertar os fiéis para "outros perigos" que podem surgir, se no próximo referendo o voto recair no "sim". "Se votar no 'sim' ou se se abstiver, poderá estar também a cometer um pecado mortal gravíssimo. No referendo até as irmãs vão sair dos conventos porque senão também incorrem num pecado de omissão", adverte. Para o clérigo trata-se de "um caso grave", porque todos aqueles católicos que violarem as leis da Igreja sobre este ponto "não podem casar, baptizar-se e nem poderão ter um funeral religioso - Cânone 1331."Tarcísio Alves garantiu ao DN que "não faz política nem fala do caso durante as missas de domingo, mas no seu boletim paroquial e através de e-mails". O cónego promete continuar a "esclarecer a população e a prova disso passa pela edição, ainda hoje, de mais um boletim que no último parágrafo apela mais uma vez ao voto no 'não'". A comunidade católica de Castelo de Vide encara estes "avisos" de forma natural e aplaude a atitude do cónego. "Acho bem que expliquem os perigos do aborto às pessoas, principalmente a nós, os mais velhos, que nunca estudámos. O que sabemos é através daquilo que vemos na televisão", diz Piedade Godinho à entrada da igreja. "

...

O comentário final mostra um Portugal profundo (se bem que Castelo de Vide é já ali...) que eu teimo em acreditar. O papel deste pároco não é muito diferente do clero nos tempos da inquisição. Qualquer saber diferente do da Igreja não é válido. O povo, na sua ignorância continua a acreditar em quem parece ser a fonte fidedigna de informação. O papel da igreja é de todo lamentável. Há formas e formas de defender uma ideia, por muito estúpida que seja. Isto, é apenas aproveitar a ignorância e ingenuidade popular. Para mim, é a igreja no seu expoente máximo. Curioso é também o facto de os "esclarecimentos" prestados por este cónego à população, nem se aproximarem da questão a que eles serão chamados a votar.



quarta-feira, janeiro 17, 2007

A passagem

Apesar de poucas vezes a ter vivido, acredito que a sensação seja uma constante. Arrastar. É a palavra que me salta nos dedos.
Mudar de emprego implica viver aqueles últimos dias de "chove-não-molha". A cabeça já vai longe, o corpo não quer estar aqui e o dia-a-dia é atravessado no sacrifício das 8h com a interminável "passagem de pasta".
Por estes lados isso é algo normal. Quem sai dedica as últimas semanas a ensinar quem entra. Para mim é um esforço maior do que atravessar o Tejo a nado desviando-me dos cacilheiros.
É difícil arranjar pessoas da área neste momento (eu bem liguei para Portugal...) e isso alargou o prazo inicialmente estabelecido para explicar tudo a quem me substituisse. No meio de algumas peripécias apareceu a minha nova colega Mexicana. O sangue latino mantém-se portanto.
O mês de janeiro destina-se a este "encher de chouriços" e só em Fevereiro começo a minha nova etapa. A solo e mais importante, a 10 min de casa.
Ainda assim, reuni-me esta semana com o meu novo chefe e o novo "cliente". Não me habituo a esta palavra. Cheira-me a tudo menos trabalho...adiante.
No elevador já dentro do prédio do cliente perguntei: "Qual o objectivo da reunião? Gosto sempre de ter os últimos 30 seg para me preparar...".
Ele respondeu: "Querem conhecer-te e discutir detalhes".
Mais vago só se naqueles 10 seg de elevador tivéssemos o seguinte diálogo:
"Olha lá...e a reunião é para quê?"
"Falar."
"Ahnn...e sobre o quê?"
"Coisas."
"Ahnn."
De qualquer forma imaginei que os meus "novos colegas" quisessem discutir pormenores técnicos e dar-me um primeiro "cheirinho" da minha parte na obra.
Enganei-me. Mal lá cheguei conheci a minha nova chefe de projecto, que do alto dos seus 2 metros segurava o meu CV. Estava portanto na última entrevista. Isso de já sermos colegas ainda estava por decidir.
Estava descontraído demais e fora apanhado de surpresa. Não tinha violino, reco-reco ou chinquilho, tudo elementos essenciais para uma entrevista de emprego. Num último esforço e entre 4 gotas de suor tirei do bolso a gaita de beiços que me acompanha sempre. Ecoando nas paredes uma banda sonora digna de Clint Eastwood (dos tempos de "cow-boy" no "saloon") contei como limpara cada pedra da muralha da China com uma escova de dentes. Vi sorrisos e por isso, luz.
Passada que estava esta fase, começámos a entrar na discussão técnica e foi a minha vez de fazer perguntas. Quando percebi que o projecto já estava atrasado questionei se seria necessário trabalhar fora de horas ao que a minha nova chefinha respondeu:
"Nós somos uma empresa típicamente sueca. Trabalhamos as 40h e mais nada. Temos filhos e família. "
"E se não conseguir entregar o projecto a tempo?", perguntei.
"Bom, algo se arranjará, mas não à custa da nossa vida pessoal."
Eu não sei se é isto que se pretende numa economia competitiva e sem fronteiras. Não sei se trabalhar menos horas mas fazê-lo de forma produtiva é o mais correcto ou se o segredo de vencer no mercado é mesmo trabalhar mais horas e sempre de forma produtiva (atenção que trabalhar 10h e passar 6 delas na máquina de café ou a ver ppoints não conta...).
Sei é que ver a preocupação com o bem estar pessoal (de cada colaborador) à frente de tudo o resto me fez sentir bem. Isso eu sei.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

A pergunta

Gotemburgo há 1,4 min atrás



Não posso dizer que me agrade.
Não é o céu que procuro e que me apetece ver quando abro os olhos, mas é o que Janeiro resolve trazer.
Já não me deprime. Habituo-me a observá-lo no conforto de casa. Cada vez mais o cognome "Little London" se encaixa nesta cidade.
Consta que escolhi a dedo a altura para cá vir parar. O verão passado foi o mais quente dos últimos anos enquanto o inverno foi o mais gelado das últimas 5 décadas. Este outono foi o mais quente de que há memória e Janeiro traz as temperaturas mais quentes desde 77. Em resumo, desde que cá cheguei que vivo o mês/estação "mais" de qualquer coisa. Tudo bem.
Contemplei o escuro do céu e percorri toda a cidade com o olhar. Passei pela "velha capela" e fixei aí a minha atenção. Clero, vigia e controlo foram as palavras que escorregaram no pensamento.
Por associação de ideias fui ao encontro do referendo que os Portugueses de preparam para votar.
Tenho lido algumas coisas sobre a matéria e fiquei também bastante impressionado com as campanhas publicitárias que correm nas ruas de Lisboa. Sobre este assunto, convém dizer que os apoiantes do "Não" têm sido bem mais objectivos (e nem sempre honestos) na defesa da causa. Imagino que seja propositado, mas ainda assim não acho muito honesto fazer cartazes publicitários defendendo o "Não" sobre questões que nem a voto vão. Baralha, confunde, choca e ajuda a que a ignorância prevaleça. Beneficia por isso o "Não".
Aconselho umas passagens por este blog onde algumas destas questões são abordadas.
No próximo dia 11 não se vai decidir se se concorda com o acto de abortar ou não, se uma vida começa com 1 dia ou 1 mês, se é criminoso trazer à luz do dia uma criança sem condições para a criar, se abortar no estrangeiro é exclusivo das apoiantes do "Não" ou se um colectivo tem o direito de substituir uma mulher numa decisão pessoal. A única pergunta feita aos portugueses é:
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado."

"Despenalização". É esta a palavra chave.
É sobre isto que se deve dizer "SIM" ou "NÃO". Deve ou não ir parar a tribunal uma mulher que decida abortar?
É apenas isto que se pergunta. Tudo o resto são fantochadas e campanhas de desinformação, que volto a dizer, os apoiantes do "NÃO" têm feito com mestria.
Votar "SIM" é mostrar que não queremos mais o nosso crónico atraso em relação ao resto da Europa, mas é acima de tudo mostrar que entendemos a pergunta que nos é feita.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Finalmente: um nevão!

Que dia fabuloso.
Saio de Gotemburgo com o chão sequinho e mal ponho o pé na cidade onde trabalho ofusco-me com a brancura.
Apenas 80 Km para norte, mas o suficiente para a minha janela ser invadida por flocos de neve.
Branco, branco e mais branco.
As montanhas (as tais dos 180m !!) estão cobertas, os carros no parque pintaram-se de igual. Só as árvores (sem folhas) se mantêm de negro triste e as bicicletas com as cores originais devido ao telheiro que as protege (mas quem é que vem de bicicleta com um tempo destes??).
Que belo nevão!
Vou andando. Apetece-me fazer um boneco de neve enquanto espero pelo comboio :)

O atestado

Rezam as crónicas que nos meus 800 Km de terra preferidos os professores voltaram a "vencer uma batalha". Os respectivos sindicatos, com a ajuda dos tribunais, conseguiram anular uma reforma governativa.
Não conseguiram aumentos salariais, progressões justas na carreira, salas em condições para preparar ou dar aulas e muito menos alguma organização e estabilidade. Conseguiram apenas evitar a substituição de colegas "doentes" por outros que estivessem presentes no local de trabalho e com horário livre.
Todos os argumentos apresentados pelos sindicatos (especificidade da matéria, falta de conhecimentos do professor substituto, recusa de "entretenimento" dos alunos durante 1h, etc, etc) caíram por terra quando exigiram que esse mesmo tempo fosse pago como hora extra. No fundo, mais dinheiro traria mais conhecimento ou imaginação para "entreter". Foi essa a mensagem que passaram.
O que a classe disse a todo o país (quando o sindicato fala o país ouve a "classe") é que quer continuar a baldar-se com atestados fraudulentos (outro flagelo da função pública: o atestado) e durante esse período nada pode ser feito para continuar a actividade, porque os restantes professores continuarão de braços cruzados. Claro que a aprovação de uma medida destas colocaria os professores como primeiros juízes da própria classe e foi isto que quiseram evitar.
Eu percebo que o sindicato (dirigido pelos mesmos há 20 anos) queira uma medida destas. Já não percebo que as novas gerações de professores continuem a pactuar com algo que está manifestamente mal há décadas. Acho normal a existência de ideias "diferentes" antes de se apanhar os "vícios" de vários anos de profissão. Contudo, parece exactamente ser a classe mais nova de professores que entra para a função pública não para ensinar e passar conhecimento, mas sim para fugir ao desemprego crónico de cursos sem saída e usar todos os buracos que a lei permite (ainda) para não fazer nada.
Nunca tomando a parte pelo todo, é esta a justificação que encontro para não haver uma renovação nos quadros sindicais.
Por outro lado, também não consigo perceber como é que um tribunal pode anular uma decisão de um governo democráticamente eleito. Ou melhor, percebendo que isso está contemplado na nossa constituição, pergunto-me apenas o que terá passado pela cabeça do juíz deste processo para tomar tal decisão?
E que tal incluir nas reformas um "toquezinho" na constituição?
Vá Zé, pensa lá nisso.

Ganhar...

...dois jogos sem marcar um único golo é sempre giro.
A última vez que tinha visto isto foi quando o Beto (o outro, aquela eterna promessa que vai todos os anos para o R.Madrid) marcou duas vezes e o Sporting perdeu 2-1.
Ainda assim, menos mal...fica o dinheiro.
1,2 milhões que podem ser usados para aconchegar os árbitros na época que vem (sim, que o Pintinho habituou-os mal e agora é mais...upa,upa...puxadote) ou então quem sabe, outro carregamento de brasileiros perna-de-pau provenientes do corinthias alagoano. Agora, pagar os impostos é que não!! Deixem-se lá de modernices.
Vá...voltem lá para casa e toca de perder pontos no próximo jogo fora da Luz.
Eu sei que a paragem foi longa mas as tradições são para manter.

O sonho

Ando a ler a biografia não autorizada do Fidel. Há claramente algumas linhas de ficção mas ainda assim sinto-me preso. Ontem, por preguiça de ir buscar este livro sempre arrumado na mochila que me acompanha no comboio, resolvi começar o "Sul" do Sousa Tavares. Escrito por ele e com relatos de viagens devia ser bom. Era pelo menos essa a ideia. As primeiras páginas não desiludiram e adormeci com o céu como limite.
Esta manhã, naquele estado nem-a-dormir-nem-acordado, via a paisagem a caminho do trabalho e pensava em viagens.
Não deve haver nada que me fascine mais. Quando não estou, sonho onde quero estar.
Mais do que descansar ou aproveitar o Sol, gosto de perceber as diferenças, estabelecer comparações, compreender como nos encaixamos no globo.
O mundo é tão grande, com realidades tão distintas que chego a considerar injusto o nosso tempo de vida. Não chega para compreendermos todas as realidades que nos rodeiam.
A minha teoria baseia-se em aproveitar o máximo e tentar ver tudo o que conseguir. Algum dia perderei o medo das companhias aéreas manhosas, da corrupção de leste ou dos atentados e alargarei por fim a rede de destinos. Até lá, ainda há muito para ver.
Por vezes, são estes olhares que me permitem compreender algumas coisas no meu país. Olhar em volta ajuda a perceber quem somos no mundo, para o bem e para o mal. Custa-me por isso compreender o desinteresse de quem não quer espreitar o planeta.
Nas gerações que nos antecederam isso era um previlégio de berço mas nos dias de hoje o mundo está ao alcance de todos. Continua a ser caro atravessá-lo até à Oceânia, mas já se chega ao coração da Europa a preço "Algarve". As low-cost abriram novas portas neste domínio.
Não consigo entender que na minha geração, alguém com emprego estável, veja interesse em torrar a pele e o subsídio de férias invariavelmente, ano após ano, no mesmo destino. Tipicamente Algarve.
Nada contra o turismo dentro de portas. Portugal está cheio de sítios maravilhosos, mas passar toda uma vida sem conhecer outras realidades (quando o preço deixa de ser desculpa), define-nos um pouco enquanto povo.
As férias já são curtas (num mundo justo seriam de 6 meses!!), os 14 salários um previlégio quase exclusivamente Português (por acaso não sei de outro sítio onde tal exista) e mesmo assim, a opção passa quase sempre por 15 dias no Algarve e 200 cts só para alugar uma casa. Apesar de tudo isto choca-me. E irrita-me, para ser sincero.
Até Espanha (que são várias realidades dentro de um só país) já possibilita férias e consequentes descobertas por menos dinheiro que os "Algarves". É pura falta de interesse, nada mais.
Até pode dar-se o caso de se descobrir que a praia da Quarteira e o bar do Paulo China são os sítios que mais gostamos. Mas como se descobre isso se nunca se viu nada diferente?
Tento elaborar sempre uma lista de destinos. Nunca consigo. A escolha é demasiado grande e perco-me a tentar encaixar tudo nos dias de férias até à reforma (não pode ser aos 30??).
As paisagens da Nova Zelândia, a China e a sua muralha, Moscovo e a sua praça, o Adriático croata, a Viena clássica, as neves do Kilimanjaro, a paz do Tibete, os trilhos da Patagónia, as praias do Índico...bolas, tantos sítios que gostava de ver e rever.
Ainda estou para perceber porque é que nunca pensei trabalhar nessa área...
Não ver é não sonhar. Viver sem sonhar é uma chatice.

A máquina

A comunidade portuguesa no estrangeiro passou a ser oficialmente de 5 milhões e mais 2.
No elegante consulado de Gotemburgo (belo tacho!) acrescentámos 2 nomes aos cerca de 3000 que povoam estas paragens.
Sinto-me mais descansado. Caso os Dinamarqueses resolvam invadir esta paróquia estou certo que o meu consulado me vai procurar e informar a minha família. Por outro lado, o objectivo maior (votar no referendo) não foi atingido. Destina-se apenas a residentes em Portugal (é favor votar bem, em consciência, perceber o que se está a votar, perceber o atraso que vivemos e no fim escolher "SIM" ok?).
Ao tentar esclarecer isso voltei a ligar para o consulado (que funciona das 9 às 12h...belo tacho, não sei se já tinha dito...) e uma também elegante máquina disse-me: "Por motivo de doença o consulado está hoje encerrado". Esclarecedor.
Até a máquina já sabe os truques.

Para o ano o mundo será redondo

A culpa é óbviamente minha.
Leio porque quero. Ninguém me obriga e portanto não me posso queixar...
Mas o blog é meu e por isso digo o que me apetece! Vou-me queixar!
Queixo-me essencialmente de mim, mas queixo-me..."tenho língua é para falar", como diz o poeta de Pias, Mestre Zé.
Voltei a ler o Luis Delgado e voltei a ficar chateado pelos 5 minutos perdidos. É muito tempo.
Podia beber um café, ler a crónica do Ruben de Carvalho, cantar o último hit dos Europe (aqui ainda vendem DVDs), ver um piscar de olho num filme do M. de Oliveira ou trabalhar para espantar o frio.
O que não podia de forma alguma era ler este mono. Mas está feito. Resta-me dissecar...
Uma página cheia com as "antevisões" políticas para 2007. Todos os jornais o fizeram usando os seus analistas, o DN teve que usar o Delgado.
Se ele tivesse escrito na sua "análise"...

- No Iraque continuarão a rebentar bombas
- Os Iranianos continuarão a não gostar dos Israelitas
- Portugal vai estar em crise
- Se chover vai molhar

...a profundidade ideológica seria a mesma.
Gosto particularmente destes parágrafos:

"Com optimismo exagerado ou não, o facto é que 2007 terá de ser um ano de clarificação, e de resultados, como pediu o Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, e só isso ajudará à motivação nacional.
O Governo tem de começar a mostrar obra, e daquela que se vê e não contesta, e será obrigado, sob pena de não ter mais tempo, a fazer a mais profunda e difícil das reformas, na administração pública. Será igualmente o período em que as pessoas serão afectadas directamente por tudo o que foi decidido, ou não, no ano passado, a todos os níveis.
Uma coisa é certa, o Iraque está obrigado a encontrar uma saída política urgente, se não quer acabar numa guerra civil de alta intensidade, onde apenas dominará o fanatismo e o caos.
Com o Irão está tudo por resolver, e acertar, com Israel a ficar cada vez mais impaciente, e o mesmo se coloca em relação à Coreia do Norte, onde domina a imprevisibilidade dos seus dirigentes. Um perigo que passa de ano para ano.

Para o bem e para o mal, 2007 será um ano interessante, que merece ser visto e vivido.
"

Delgado, o que se espera de um analista não é que diga que o Governo deve reformar a administração pública ou apresentar resultados. Isso é o que qualquer gajo diz no café. Tu, com esse aspecto de quem sabe do que fala, devias era explicar com que passos se faria a reforma e como ela afectaria os trabalhadores (e não uses essa do "a todos os níveis" pá...). Explicar que obra deve ser apresentada e quais são os resultados esperados.
Um analista é um "conselheiro não-oficial" do Governo.. O Sócrates tira boas dicas todos os Sábados na coluna do Sousa Tavares :)
"O Iraque tem que encontrar uma solução", "Com o Irão está tudo por resolver", "um perigo que passa de ano para ano"...bolas Delgado, onde é que foste buscar tamanha inspiração? Às tuas crónicas anteriores??
Se algum dia fores ao Google e escreveres LUIS DELGADO pode ser que venhas parar a este texto e nesse caso explica-me uma coisa: Como é que alguém como tu consegue mascarar-se tantos anos como analista político, ir a telejornais "opinar" e escrever em jornais como o DN? Qual é a tua cunha?
Desta é que é. Desta é que não leio mais nenhuma.

O jeitoso

Bolo-rei caseiro!
Massa fofa!
O tira-teimas num telemóvel perto de si :)
Quem é que não tem jeito com as mãos agora, quem é??

A notícia...

...até é boa.
Mas tinham mesmo que fazer aquele trocadilho mais do que previsível com o David e Golias?

Sem abrigo

Este fim de semana (que foi de 3 dias! Ahh...aí não??Olha....deixem lá...sempre têm o Sol:)) fiz quase tudo o que queria há algum tempo: nada, nada e um pouco mais de nada. Deixei a pele das costas agarrada ao sofá depois do tempo que por lá passei. Filmes, filmes e mais filmes. Cheguei a ligar o neurónio naquela parte de mastigar para evitar morder a língua ou a bochecha, mas quanto ao resto foi só fazer cházinho e ronha em dose industrial. O momento energético do fim de semana aconteceu na estreia do forno. Sim, é verdade, aquilo funciona mesmo! Lasanha bem caseira (sim pai, já consigo fazer uma lasanha...) e toca de voltar para o sofá que o tempo não estava para marés.
Acordei hoje como se neste céu cinzento o Sol dançasse para mim. O corpo agradeceu e o cérebro bateu palmas. Pronto para retomar o trabalho fui para o comboio do costume. Estava calmo. Tranquilo e com uma boa disposição à prova de bala.
Chega o gordo.
Não o conheço, nunca o tinha visto mais magro.
Senta-se ao meu lado e não segura todo o seu ser numa cadeira. Há uma parte que cai como lava para a minha cadeira e aconchega-me do frio. Tudo bem..."gordos são sempre simpáticos", diz o poeta.
Este tinha aquele tipo de cara-lontra. Só de olhar para calvice prematura, para as 3 bogas que formavam o pescoço e para a expressão pouco enrugada que lhe moldava a face, percebia-se que era uma daqueles casos crónicos que aos 35 anos diz com orgulho no café: "Sair de casa dos meus pais?? Para quê?? Tenho comida e roupa lavada??". Entretanto fez 36 anos e pediu uma prima muito distante que até sabe fazer esparguete à bolonhesa (única forma de largar a mama) em casamento. Ofuscou-me logo pela manhã com os 3kg de ouro necessários para abraçar aquele dedo gorduchinho.
Começo a ver o meu filme. Tento concentrar-me no ecrã mas pelo canto do olho vejo este faminto badocha a trincar os dedos. 1, 2, 3, 4...troca de mão...1,2,3,4 e polegar. Não há descanso para as cabeças dos dedos e passados alguns minutos resolvi fechar os olhos. Aquela carnificina logo de manhã estava a deixar-me mal disposto. De vez em quando abria os olhos e via-o a olhar para o polegar, como quem admira um bilhete de lotaria premiado ou diz: "epá...este ainda respira!!!" Sem demoras reininciava a delapidação de peles a uma velocidade estonteante. O comboio ia em silêncio e não o vi cuspir nada, pelo que de pequeno almoço estamos falados. Eu saí do comboio passados 45 min e a refeição ainda estava nas entradas. Pelo tamanho da mala ele devia ir para Oslo, o que significava mais 3h de esfola-peles. Numa outra altura da minha vida isto ter-me-ia estragado o dia, mas depois de um fim de semana Zen, fiquei apenas com vontade de chamar o Guterres e a sua malta de apoio aos refugiados.
Aqueles dedos ficaram sem tecto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Guylian


Há entre mim e Guylian uma relação especial.
Conhecemo-nos algures na década de 90 quando o Carrefour (Euromarché na altura) se resolveu instalar em Telheiras e trazer estes chocolatinhos dos seus primos Belgas. Desde a primeira dentada que disse aos meus botões: "Estará aqui o sucessor da mítica sombrinha Regina?". Mais de 10 anos depois sou obrigado a dizer que sim e a afirmar a pés juntos que nunca existiu ou existirá um chocolate como Guylian.
O nosso relacionamento é fugaz, quase passageiro mas sempre marcante. Rasga-se o plástico que o envolve e só descanso quando vejo o fundo à caixa. Normalmente uso o clássico "a solo" ou "com leite", mas em dias de inspiração rego-os com um bom chá fresco ou Sumol (este só para verdadeiros apreciadores).
Hoje foi dia de descanso por estes lados (véspera do dia dos Reis) e entre um filme e uma música o assalto constante ao frigorifico para a segunda metade da caixa. Está feito.
Junto isto a todas as iguarias do Natal, ao borrego no Alentejo, ao tinto de Pias, aos bifes da Lusitana e todo o deboche gastronómico destas semanas que passaram e percebo porque trouxe dentro de mim 3Kg extra de Portugal.
Paciência. Os sabores ficam e o jogging ganha novo sentido.
A cada passo uma "transpiradela" com aroma Belga.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O desgaste rápido

Passando os olhos pela notícias reparo que a malta da bola ameaça fazer greve.
Aí está um sindicato de que não se ouve falar muito mas que também parece ter razões de queixa.
Corro mais umas linhas e chego ao motivo da queixa: dinheiro. Não será algo original, mas ainda assim fico curioso de perceber como é que esta classe pode ter falta dele.
Ao que parece os futebolistas têm um regime especial de pagamento do IRS, que na prática lhes permite fazer descontos apenas sobre parte do salário (60% julgo). Isto significa que quase metade vai em regime de "off-shore" para o bolso. A alta competição é tida em conta como profissão de desgaste rápido, tal como mineiros e pescadores. Acho piada meterem jogadores da bola no mesmo saco de mineiros e pescadores. Qualquer semelhança no que toca a desgaste e dinheiro, será nestes casos pura coincidência.
Evitando aquelas análises populistas do "ganham milhares e não pagam nada", gostava de perceber porque é que um futebolista profissional não desconta o mesmo que qualquer trabalhador?
É um facto que trabalham menos anos, mas qualquer profissional (I liga e Divisão de Honra) ganha em Portugal umas boas centenas e em média muito mais do que qualquer Português. Porque pagam menos impostos?
Porque tem o comum do Português que ganha 100 cts contribuir mais(proporcionalmente) para o orçamento de estado do que um jogador que recebe milhares ou um banco que cresce 10 vezes mais que qualquer empresa em solo nacional?
Há aqui qualquer coisa de injusto. Digo eu.
Sócrates, não te encolhas e aperta com eles!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Mértola

Foto de S. Pedro
Acolhedora, histórica, bonita e organizada.
Reflectindo no Guadiana as suas influências Romanas, Mouras e Cristãs, Mértola é um verdadeiro mimo do interior alentejano.
Ali tão perto e ainda por conhecer.
Adorei.

"Não há dinheirooooo"

Esperava encontrar esta semana a nova colega ("diz que" é uma Mexicana) para começar a passar informação antes de mudar de emprego.
Fontes próximas asseguram (sempre quis usar estas 3 palavras seguidas) que só para a semana é que ela aparece. Posso por isso descansar das férias e activar o neurónio da productividade mais tarde.
O que me apetece mesmo é escrever por isso vou divagar um pouco. (Quando acabares de ler já vais atrasada para dormir Mãe :))
No caminho para o trabalho, enquanto contemplava a lua (Sol,Sol, só lá para as 8.30h...), pensava na melhor forma de programar este mês e explicar à minha colega as suas novas responsabilidades, principais tarefas, protocolos e sistemas com que terá de trabalhar. Isso é para mim o mais difícil de fazer. Não sei explicar nada. Não tenho paciência, nem jeito e tudo que seja repetir mais do que meia vez já me aborrece. Eu tenho a perfeita consciência que não conseguiria explicar a um piolho o que é um fio de cabelo.
Começo devagar e pausadamente. Ao fim de 30 seg já fiz 50 setas tentando encurtar o caminho e a explicação. Sinto que prestei um serviço à Nação (não, não me refiro ao Porto...reparem que acaba em "ão") ao não optar pela carreira de professor.
Algo surgirá. Para a semana logo penso nisso...
Nestas 3 semanas aconteceu muita coisa sobre as quais me apetece falar. Não é que seja necessário acontecer algo para eu falar. Falo como quem respira, mas neste caso há mesmo assunto.
Saddam, Mértola, fundos da União Europeia para o interior alentejano, invasão Etíope na Somália, Europa a 27, IRS a 100% nos salários da bola e outros que tais são assuntos sobre os quais me apetece escrever, mas ficarão para próximos "posts".
O alvo do momento é essa bela instituição chamada CTT.
Começo por dizer que acho que enquanto serviço (isto é: carta enviada/carta recebida) são absolutamente excepcionais mas no que toca ao atendimento ao público deixam muito a desejar. Nesta época natalícia enchi-me de coragem e fui levantar a reforma dos meus avós. Na primeira abordagem ao tema deparei-me com mais de 50 pessoas a fazer o mesmo. Como existiam 3 lugares sentados, resolvi encostar-me no balcão a ler um romance que por lá estava anunciado. Não me lembro o nome do livro, mas o personagem principal tentava refazer a sua vida uns anos depois de uma atentado das Brigadas Vermelhas (Itália). O tempo foi passando e quando chegou a minha vez já ia no quarto capítulo. Mal chego perto da senhora e mostro o vale, vejo aqueleabanar a cabeça de olhos fechados e sem dizer nada. Não há nada pior (pelo menos que me lembre agora) do que esperar 1h num qualquer balcão e depois ver aquele abanar de cabeça claro-que-não-há-e-parece-me-bem-além-de-lógico-que-o-compreendas.
Eu, que tentava levantar a fortuna que os meus avós recebem de pensão perguntei: "Se já não há dinheiro para as pensões porque não colocaram um aviso?" ao que a senhora respondeu: "a minha colega avisou em voz alta quando acabou!!". Antes que ela me explicasse como é que as pessoas que entraram depois desse glorioso momento poderiam evitar 1 hora a secar porque ninguém conseguiu escrever numa folha de papel "NÃO HÁ DINHEIRO!!!!", resolvi tentar a sorte noutro lado.
Mal entrei perguntei: "Ainda há dinheiro?". "Sim", foi o que ouvi. Mais 1h e quando chegou a minha vez, ou melhor, quando QUASE chegou a minha vez acabou o dinheiro. Bom...saí e despejei alguns palavrões para relaxar. Não muitos que a minha vóvó estava por perto e não ouve assim tão mal.
Na terceira tentativa cheguei cedo aos correios (10h talvez) e a resposta foi a mesma. Ora, aí comecei a ficar chateado. Em Portugal a partir das 8h da manhã a população com mais de 75 anos está ou no centro de saúde ou nos correios. Isto é um clássico, não vale a pena discutir. Apesar das reformas serem uma miséria, no mês de Dezembro multiplicam a miséria por 2. Sabendo disto, aquela malta que anda de gravata na administração dos CTT nunca pensou em aumentar o "budget" nesse período ou diminuir os intervalos de entrega do mesmo? Alguns dias depois e à quinta tentativa lá consegui resgatar as pensões. A ferros mas foi!!
CTT e Dezembro? Não, obrigado!

O consumo

"Vive o Natal, não o consumas" foi a frase que me fez pensar.
Estava escrita numa parede do Bairro Alto, com aquela tinta preta e letra torta que normalmente a JCP usa para escrever palavras de ordem.
Também tive que entrar nos 20Km estafetas entre o Colombo-Fórum Almada-Vasco da Gama para as compras de última hora e não deixo de ficar estupefacto com o consumo desmedido a que esta época obriga.
Ninguém tem lata de substituir as prendas apenas pelo espírito, pela reunião familiar, pelo convívio e por tudo o que não sendo material nos traz brilho aos olhos. Claro que Natal sem prendas não é Natal, mas não me parece lógico recorrer (ainda mais) ao crédito para "entrar no espírito" . Durante o ano todo vejo repetida a notícia de crise e famílias endividadas e quando chega a Dezembro mal se consegue andar no Colombo. Li algures que entre dia 20 e 24 de Dezembro o País (habitantes) gastou 1000 eur por segundo (ou minuto??) em compras de Natal.
Convenhamos que não está mau para tempo de crise...
Eu gosto do Natal. Mas pelas conversas, jantaradas e momentos. O resto tende a "consumir-se" com o tempo.

O regresso

Sou recebido por uma luz.
Chama-se Sol e também aqui não se esconde.
O céu azul deixa-me baralhado. É o mesmo, exactamente o mesmo.
É agradável regressar assim. Não há o choque esperado depois de 3 semanas sem ver uma gota de chuva ou um dia sem céu.
Dezembro, dia 31...o Alentejo e uma t-shirt em cima da pele. Consequência do aquecimento global e mau por isso, mas um recarregar de energias que o corpo agradece.
Sento-me no lugar de sempre e pela janela vejo a montanha dos alces. "Montanha????", dizia o meu pai enquanto se ria no autocarro turístico....são apenas 170m de facto, mas enchem a minha janela num "wallpaper" nada virtual.
Olho para o fundo verde e faço um balanço dos dias que passaram. 3 semanas vividas a correr, inicialmente pensadas para encaixar um sem número de actividades, pessoas e momentos. Ingenuidade de "emigrante ano 1".
O tempo é curto para ver a família, amigos e descansar. Cada reencontro teve para mim algo de especial e não os trocaria por nada, mas quando os vejo numa perspectiva exterior sinto que os vivi com um cronómetro na mão.
Tento ver a coisa pelo lado positivo. Há familiares e amigos que gostam de mim e "exigem" a minha presença. Isso é bom. Estar sozinho no mundo deve ser uma chatice.
Por outro lado há a parte prática da coisa: termina agora o meu primeiro ano de "mala de cartão" e usei todos os dias de férias para ir a Portugal. A sensação de descanso é nula. Nestes dias de Dezembro percorri mais de 3000 Km numa área pouco maior que a grande Lisboa. Por pouco não fazia novas amizades nas portagens...
Depois, como se não bastasse o cansaço, fica o bichinho da saudade ainda bem vivo. Pouco tempo com A, café a correr com B, falta de tempo para ver C, etc,etc. Nota de rodapé para o segundo ano de emigrante: ir a Portugal ver amigos e família sim, mas deixar alguns dias de férias para "pastar" por outras paragens senão o neurónio rebenta...
Aviso à navegação: MEXAM-SE!!!! Setúbal e Gotemburgo são hospitaleiras e acolhedoras :))
No fim de tudo chega o maldito dia de despedir. Detesto despedidas. Tento passar indiferente aos "adultos". Estarão iguais daqui a uns meses e isso serve-me de consolo e ilusão. Mas...e a Mariana? Todos os dias crescerá e alcançará novos feitos e apercebo-me que não verei nada disso. Fico triste. Ela é tão bonitinha. Arranjarei forma de a visitar. 6 meses parecem uma vida...
E o meu avô? Parece tão frágil. Tenho medo. Não quero sentir que deixei de fazer algo e abraço-o. Abraço-o e envolvo-o. Não lhe digo "até já".
Não tenho jeito para me despedir. Faltam-me pensamentos bons, ilusões e sentidos. Sobram-me lágrimas.
Adorei viver novamente debaixo de sol,sol e sol, rever alguns amigos e estar próximo da minha família. Adorei conhecer a Mariana (já tinha dito que ela é linda??) e descobrir novos locais. Volto de coração cheio e isso proporciona-me alegria neste início de ano.
É o que fica.