quinta-feira, junho 28, 2007

Um daqueles que parece que não acaba

A língua portuguesa é rica. Substancialmente rica para que nos fiquemos pelo sim ou não. Eu sou claramente um filho de Viriato e tenho o péssimo defeito de não gostar da simplicidade.
Porquê dizer "Sim" quando se pode dizer "Não é não e também não é talvez. Concluímos então que é sim."
Enriquece o discurso e complica a coisa. Para complicar há poucos como eu a nível planetário. Parece que há um qualquer coisa Lino que me quer apanhar, mas ainda é um rookie na arte de florear o discurso.
Os cães antes de se sentarem dão 1,5 voltas. Nem uma, nem duas...uma e meia. Podiam simplesmente sentar-se. Mas não. Volta e meia primeiro.
E eu percebo-os. Quem é que se senta quando pode dar um rodopio antes. A única excepcão a esta tendência canina era o grande e inigualável Sebastião que para marcar a diferenca abria as 4 patas e atirava-se para o chão. "Voltinhas são para maricas" dizia ele naqueles 3 segundos antes do primeiro ressono.
O que eu quero dizer com estas linhas é que gosto de flores no discurso. Pronto era isso.
Agora onde é que isso nos leva?
É que eu tenho aqui uma série de ideias dispersas que gostava de meter sob a forma de frases com mais ou menos sentido. Tendo em conta a minha habitual capacidade de divagacão não estou a prever que isto termine antes dos 10 000 caractéres. Por isso, e encara isto como um aviso amigo, se não te chamas João Franco ou Ana Maria (vocês são obrigados...) talvez seja boa ideia abrires "a bola" para veres que o Benfica comprou o "Bergesso" (rico nome) pela sétima vez esta semana ou passares a qualquer outro tipo de leitura menos macuda (ou será com "ss"?? Bolas...atingi o formato "emigrante"), como por exemplo o manifesto de Karl Marx na versão polaca.
Maaaaaaas....se passares esta linha, depois não me chames nomes.
Este é o último post da primeira vaga. Reparo agora que o blog não tem descanso desde 3 de julho de 2006 e como as coisas estão, é melhor dar-lhe algum descanso antes que o Carvalho da Silva me venha bater à porta com a conversa do proletariado. Tudo comecou com uma imagem do Alentejo (porque será?) e foi-se compondo com pedacos de mim. Não gosto de reler o que escrevo porque as emocões não se repetem e sem elas nem todas as palavras parecem fazer sentido. Mas enfim, para o bem e para o mal, sou eu.
Amanhã vou de férias e no dia 3 de Julho de 2007 estarei bem longe do mundo virtual (felizmente!!), pelo que aproveito para fazer um pequeno balanco deste primeiro ano. Desde que o Rui R. me sugeriu a abertura do estaminé, passaram por aqui aproximadamente 500 posts e 25 000 visitantes. Digo aproximadamente porque algures em Dezembro, na mudanca para a versão beta do blogger o contador de visitas foi ao ar e acho que alguns posts também. Não faco ideia quais, mas lembro-me que o contador andava nos 13 000. O actual existe desde Janeiro.
"Conheci" algumas pessoas interessantes e sobretudo descobri espacos de leitura fantásticos. Foi também uma forma de estar mais próximo de familiares e amigos de longa data.
Se é verdade que a blogosfera pode ser um recanto para anónimos e cobardes frustrados, também é verdade que pode ser um sítio previligiado para nos informarmos, para estimular o debate e para não raras vezes largar umas valentes gargalhadas. Tem sido uma experiência bastante agradável ler por aí. Aproveito também para agadecer: a quem passa por esta praia, conhecendo-me ou não, e me dá o previlégio de ler o que escrevo, um muito obrigado.
Esta noite comeca uma nova aventura. Longe de todo e qualquer barulho ou confusão. Quatro camaradas aterram em Gotemburgo, para se juntarem a mim e à Sofia numa passeata nos confins do mundo. Dentro do circulo polar ártico vamos fazer parte do Kungsleden, o trilho mais famoso na Suécia, com o objectivo de chegar ao topo do Kebnekaise, a montanha mais alta cá do burgo (o que não quer dizer que seja muito alta...). Dizem os locais que uma vez no topo, num dia limpo, avista-se 1/8 do território nacional. Nota para mim: levar os óculos.
No cardápio da montanha nada faltará. O mundo do "é só juntar água" passou a ter um novo sentido para mim. Nem o velho e fiel Nestum faltará. Espera-nos um total de 110 Km durante 6 dias de pura natureza. A mente vai sair de lá limpa. Sei que vai.
No fim da nossa caminhada, se "sobrevivermos" aos mosquitos que devoram os Samis (povos originários da Lapónia sueca) todos os anos, seguiremos para Flåm, uma pequena vila na costa oeste Norueguesa (na foto), onde estão os maiores fjords do mundo. Explorá-los de kayak é o objectivo.
Montanha, verde. Água, azul. Coisas simples é tudo o que o corpo pede e o cérebro agradece.
Já estou totalmente fora deste escritório. E acho que ninguém me leva a mal.
A teoria está estudada mas tudo é desconhecido. E essa é a parte boa. A descoberta.
Olho pela janela e vejo chuva. Vim trabalhar de casaco. Está frio. Não me poderia incomodar menos. O desejo de férias é tal que até podem cair pinguins do céu. Vistas daqui, as 24h de comboio que nos esperam até ao Ártico são um autêntico Spa. Nada me tira a boa disposicão neste momento. Rigorosamente nada.
Há mosquitos com fartura no norte ? Eles que venham..."até os comiémos carago!!"
Para quem aqui chegou, fica um desejo de umas excelentes férias e de um bom descanso.
Eu e o Albarcuel voltamos na segunda metade de Julho.
Até lá.

Tiago

quarta-feira, junho 27, 2007

Alô Vidiguêraaaaa!!!

No fórum da TSF discute-se o novo código do trabalho.
Todos os participantes (ouvintes) mostram a sua revolta com este "ataque" à classe trabalhadora.
Diferencas à parte, deixo as palavras de um ouvinte da Vidigueira.

"Em Portugal querem impôr meia-hora de almoco.
Em Espanha ainda se dorme a sesta.
Veja o que eles têm crescido a dormir!
Onde está a diferenca? É nos trabalhadores ou nos governos??"


E não é que ele tem razão?
(mas não deixaria de a ter se dissesse também que os espanhóis trabalham depois da siesta, com a particularidade de trabalho e ver power points não serem uma e a mesma coisa)

Para lá da ilha do Corvo

O governo vai levar à AR uma proposta para a alteracão do código de trabalho.
Destaco duas das linhas desse documento:
1 - Permitir a justa causa no despedimento por incompetência
2 - Reduzir o número de férias (fim dos 3 dias extra para a assiduidade)
A primeira, vista a olho nú parece-me boa. Estimula a produtividade e combate os inúteis. O único problema está no avaliador dessa incompetência. Injusticas acontecerão de certo, mas é urgente estimular a produtividade.
Já da segunda não posso dizer o mesmo. Aproxima-nos claramente do modelo americano onde as férias são um prémio. Na minha opinião as férias são uma necessidade e um direito adquirido em democracia. Se um trabalhador for estimulado para produzir 8h por dia durante 10 ou 11 meses, deve ter direito a um período de descanso.
Para quem trabalha, uma ou duas semana de férias por ano (EUA) não são nada. Não é possível recuperar.
Os povos escandinavos gozam 5 a 6 semanas de férias no verão, mas produzem muito durante o resto do ano.
Não se pense que trabalham mais do que 40h por semana. Não há horários das 9h às 21h. Por volta das 16.30h comeca a debandada geral (em qualquer tipo de emprego...não é só nas fábricas!). Só que durante o tempo que estão no emprego estão a trabalhar. Tão simples quanto isso.
Reduzir as férias dos trabalhadores não é uma solucão. Formacão (nas empresas) e produtividade são as chaves.

terça-feira, junho 26, 2007

Ora puxem lá os olhinhos à chinês...


Eles não têm os olhos em bico.
Nós é que os temos redondos demais.

O outro Nando

Fernando Seara escreve hoje no DN um artigo revolucionário sobre o novo aeroporto.
Bem ao seu estilo defende uma série de banalidades e usa o senso comum como um grande achado.
Temos que fazer bons investimentos, país periférico, usar o que já temos, estudar bem...blá,blá,blá.
Um Luis Delgado em versão "travesseiros da Piriquita".
Onde é que Seara deixa de usar o senso comum e dá algum toque pessoal (neste caso cómico) ao artigo? É na altura em que veste o fato de autarca e defende não só a Portela+1, como a Portela+2 ou ainda a Portela+3.
Para ser mais preciso:
"Para a metrópole de Lisboa existem outras opções Portela + 1 (Sintra ou Montijo), Portela + 2 (Sintra e Montijo), Portela + 3 (Sintra, Montijo e Alverca)."
Mesmo vindo de um autarca isto não deixa de ser caricato. Seja qual for a opcão, segundo Seara, Sintra está lá sempre.
O que Seara não se lembrou é que o +1,+2 ou +50 devem ser plataformas de apoio com boas ligacões a Lisboa, afinal será esse o destino preferencial de quem usa esses aeroportos.
Da última vez que olhei para o mapa, Sintra e Lisboa estavam ligadas por esse pesadelo de alcatrão chamado IC19. Um turista que chegasse a Sintra e quisesse ir para Lisboa estava sempre entalado. Assim de repente só vejo o lobby dos taxistas a lucrarem com isso (como acontece na Portela mas em distâncias maiores).
Ou por acaso Seara inclui na solucão Sintra uma nova auto-estrada e novas ligacões de metro/comboio e espera ainda assim algo barato?
Sintra é um concelho dormitório de Lisboa (com uma das maiores densidades populacionais da UE como ele próprio admitiu em campanha eleitoral) onde prédios crescem todos os dias e onde qualquer aeroporto estaria dentro de um parque habitacional dentro de alguns anos.
A solucão Portela+1 é uma forma de rentabilizar o que já existe. Mandar o +1 para Sintra onde o acesso à capital se faz num caos digno de Saigão, não me parece boa ideia.
Primeiro porque o acesso que existe já não chega para quem lá vive, quanto mais para quem visita. Depois, convenhamos, do ponto de vista turístico não existe qualquer mais valia de ter os visitantes encravados no trânsito 30 minutos depois de chegarem ao nosso país. A não ser que o objectivo seja o de os confrontar com o quotidiano luso. Aí sim, Sintra e o slogan "Venha a Lisboa e teste a sua destreza ao volante!" serão um sucesso.
Alcochete é sem sombra de dúvidas a melhor das solucões apresentadas até ao momento.
Vá, vai lá comer o travesseiro e evita dizer mais disparates está bem Nandinho? Pede ajuda à Judite no próximo artigo. Vais ver que corre melhor.

O resto aqui.

segunda-feira, junho 25, 2007

Os tele-tubbies

Ver o telejornal deixa-me sempre a matutar...
A Siemens e a Nokia vão criar um novo centro tecnológico em Portugal. De rajada empregam 150 engenheiros e até 2010 esperam ter um total de 500 tele-tubbies altamente especializados nas áreas de IT e Telecom.
Emprego especializado é sem dúvida o caminho que um país pequeno como o nosso deve seguir e nesse sentido confesso que a notícia me entusiasmou.
A Siemens tem tradicão em Portugal e ao que parece ("diz que") a unidade lusa figura entre as melhores no mundo da multinacional alemã. Este novo investimento prova-o.
Mas, e o mas é que é o diabo, será que a Siemens quer os tele-tubbies super-hiper-mega especializados e vai pagar por isso (olha, como fazem naquele país...ahhh...hummm...escapa-me o nome...Alemanha...é isso...Alemanha) ou quer os melhores, os mais, os tais e coiso e continua a oferecer aqueles contratos fabulosos de 6 meses+ 800 eur+160 horas de oxigénio ?

O Dalton

O Berardo tem a partir de hoje um museu pago pelo estado. Os encargos ficam para quem paga impostos e dentro de 10 anos o Estado tem direito de preferência na compra da coleccão.
Joe, que bem poderia ser o Dalton, disse num tom ensaiado de aborrecimento e numa língua que me pareceu Latim, que não era preciso ir para a "univesidód" para perceber que tinha feito um mau negócio pois a futura venda das obras seria feita ao preco de 2007.
"Mas eu estou nisto pela cultura!", disse Joe o Samaritano enquanto olhava para alguns quadros que estavam dentro de caixotes há décadas e cujos autores desconhecia de todo.
Depois de "Estou nisto pelo nosso benfica!", o "Estou nisto pela cultura!".
Joe, tu não sejas tão mãos largas pááá!!! Olha que eles abusam!!

Um lugar ao Sol

Ponte de Alvsborgs (Gotemburgo - Hisingen)



Gosto de pontes.
De as ver ao longe.
De as atravessar em dias de sol.
De as contemplar da janela de um avião.
De as observar sentado na margem.
Ao que consta, nós (os Portugueses), somos "do melhor" que há em toda a galáxia a construir pontes.
Ouvi esta verdade da boca de um camarada que trabalha na área e que achava o Martin Pringle um fenómeno, mas ainda assim acho que ele tem razão. Se fosse necessário ligávamos o Sol a Marte com uma ponte de juntas reforcadas (parece que aquilo queima...)
Agora, ter uma ponte a passar debaixo dos pneus do meu carro todos os dias para chegar ao trabalho...huummm...já não me agrada tanto.
A teoria é uma coisa linda e faz-nos pensar que o mundo pode ser plano, mas a realidade é bem mais aborrecida.
Sempre disse que preferia vender bolas de berlim na costa da caparica a ter que ser mais um a engrossar as filas da 25 de Abril todas as manhãs. Nunca percebi porque razão as rádios fazem a cobertura matinal do trânsito nessa zona. O que é que muda de dia para dia??
A frase "a fila comeca na segunda ponte do Feijó" só não é o maior clássico dos "media" nacionais porque o grande Fernando se lembrou de comecar a dizer "E esta "hein"??" quando filmava o Adolfo (aquele do III qualquer coisa...) nos tempos da BBC.
Como não sou de intrigas, resolvi vir trabalhar para uma ilha. As aulas de geografia explicaram-me e passo a citar: "uma ilha é um espaco de terra rodeado de água por todos os lados". Era nesta parte que eu devia ter desconfiado que as pontes iam deslizar debaixo de mim. Fazia aquele raciocinio rápido do "ponte - duas faixas - muitas pessoas - carros encravados" e dizia "Não, nem pensar! Têm cá bolas de berlim??"
Mas não. Pensei: "Isso é LÁ...AQUI as pontes são mesmo a passagem para a outra margem".
Teoria? Linda de se pensar.
Realidade? Complicadita.
Além das encravadelas habituais a ponte está a ser reparada (com corte de faixas) entre Abril e Setembro de 2007.
1,5 horas foi o tempo para o dia de hoje. Conseguia fazer aqueles 12 Km mais depressa se fosse a gatinhar em cima de vidros partidos e com urtigas nas palmas das mãos.
Cheguei atrasado como é óbvio. Perdi uma reunião o que nem é assim tão mau...mas perdi também o pequeno-almoco que a empresa semanalmente oferece. Ora isso é que já não é aceitável!!
Depois desta esfrega levei outra para estacionar.
Lembrei-me de um mail que circulava por aí com um power point cheio de moralismos. Era brasileiro. Os brasileiros gostam muito de fazer power points cheios de moral e com pan-pipes a garantir a banda sonora.
Este em particular relatava o civismo escandinavo. "Na fábrica da Volvo os suecos que chegam mais cedo estacionam nos lugares mais afastados da entrada para que aqueles que vêm fora de hora não tenham que se atrasar ainda mais".
Na altura estacionava no parque de uma fábrica da VW e só conseguia lugar da fila J para trás. Embalado no pan-pipe posso jurar que me caiu uma lágrima com a candura escandinava.
Hoje, ao chegar com uma hora de atraso a essa mesma fábrica da Volvo pensei: "Epá, vou directo para a primeira fila...é garantido que tenho lá um lugar!!!"
Por incrível que isso possa parecer não tinha. Mas o power point do brasileiro dizia que sim!!! E tinha pan-pipes!!!Bolas...já não se pode confiar em ninguém.
E aqui convém explicar que o parque da Volvo comeca a um metro da minha janela e acaba num sítio onde o regresso se faz de avião. durante os 20 minutos em que andei para chegar à entrada pensava no brasileiro e nos pan-pipes. Quantos gajos de Corijutiburionópolis não pensarão que a vida na Europa se faz de nenúfar em nenúfar ao som de Mozart ?
Mas nem tudo é mau. O sol escandinavo apareceu em forca e proporcionou-me uma sauna fantástica no carro. Prova de fogo para o novo Nivea "no white marks".
Sequinho e sem rodelas na t-shirt.
Passou com distincão.

quinta-feira, junho 21, 2007

E agora toca a rodar em sentido contrário...

0,3

...é a percentagem de aumento real dos salários dos portugueses prevista pela OCDE para o próximo ano, o valor mais baixo entre os países da organização.
Quanto é que dá 0,3 x nada ?

O lado certo


Há vários motivos para estar a sorrir.
Sim, eu sei que não se vê desse lado. Mas estou.
Ora reparem….
Viram??
Bom…em frente…
Amanhã é feriado em terras de Sua Majestade.
Isabel II ? Balduíno I ? João Carlos de Madrid? Não.
O bom e velho Carlos Gustavo comemora com a plebe a chegada do maior dia do ano. A tradicão manda dancar à volta de um pau com fitas, a realidade transporta-os para o coma alcoólico. É o chamado dia "vale tudo menos arrancar olhos".
Só isto, o feriado não o arrancar olhos, seria razão para sorrir.
Mas há mais…
Hoje é quinta-feira, dia da semana em que um jornal local "oferece" um James Bond, neste caso o décimo de uma coleccão que eu vou papar por inteira. O Derlei vai para o Sportém e o Negrão entalou-se no debate. Bónus.
Mas há o detalhe que faz o dia e este acontece com a última cancão que ouco antes de sair do carro. Num cd gentilmente roubado a um amigo que faz vida a vender tapetes na P. de Espanha ouvia o refrão de "Jeremy" dos Pearl Jam. Antes de sair do carro voei para os finais da década de 90 e lembrei-me do H. Uma daquelas pessoas que a vida afasta mas que fica sempre no lado bom da memória.
Como se tudo isto não bastasse, entrei na última semana de espera pelas tão desejadas férias. Passaram 2 anos desde as últimas dignas desse nome.
Em junho de 2005 acampava no lago Bled (na foto) preparando a subida ao Triglav (a montanha mais alta da Eslovénia) e dentro de 1 semana, estarei a caminho do Ártico para uma caminhada de 100Km seguida de Kayak nos Fjords noruegueses. As companhias são de luxo e falam todas português. Um pequeno sonho.
O Mundo está a rodar claramente para o lado certo.

quarta-feira, junho 20, 2007

O Picasso

Nunca tinha ouvido o Berardo a bater com a língua no céu da boca.
Já sabia que acumulara riqueza com especulacão bolsista e que usava a velha máxima "dinheiro gera dinheiro". Não cria nada, limita-se a mexer.
Contudo, talvez influenciado pela sua imensa coleccão de arte, tinha dele uma ideia diferente.
A recente OPA sobre O Maior (nome pelo qual é conhecida "A Instituicão" - cognome d' Glorioso - para alguns "o nosso Benfique" ) "obrigou-o" a falar um pouco mais em público. Em 3 frases que ele não conseguiu articular percebi que alguém lhe tinha explicado que "o gajo dos triângulos" era o Picasso.
O Berardo é como se diz num sítio onde passei parte da minha infância: um labrego.
E o que tenho eu contra labregos? Nada.
Desde que, e esta parte reveste-se de especial importância, não venham largar postas no "nosso benfique".
Num dia diz "nô quéru mandá, sô quér ajudá" e no outro "ú bênfique nô é um lôr de ticeira idád".
Ora...ninguém dá nada a ninguém neste mundo e pelo que sei, foi o Berardo que inventou esta frase.
Sendo assim, fico apreensivo com a entrada do "mecenas" em cena. De bola não percebe nada, solidariedade não é com ele e ao que consta não perde dinheiro nas negociatas, o que significa que vai promover a sua imagem e sacar o pouco que ainda há para sacar por aqueles lados.
Há que manter a dignidade e dizer claramente que o dinheiro não pode comprar tudo!
Além do mais, mesmo num clube de base popular, há que reconhecer que este Berardo ultrapassa todos os taxistas da nossa centenária história!

terça-feira, junho 19, 2007

O talochas



Há um certo toque de injustica no mundo.
Talvez seja o meu olhar distorcido da realidade.
Mas é o meu.
Um pescador não pesca meia sardinha.
Um lenhador não serra meia árvore.
Um engenheiro aeronáutico não faz um avião sem asas.
Um professor primário não ensina o abc e salta o d.
Sendo assim, porque é que um eng. civil não faz uma estrada onde as tampas de esgoto e o alcatrão estejam ao mesmo nível?
Complexo? Camiões passam e abatem o solo e coisa e tal?
Huuumm….não me convence…
Os camiões têm o mesmo peso antes e depois do "abate", por isso, assim com olho de merceeiro parece-me que é a malta da brita que se engana nas contas.
E porque é que isto me atrapalha?
Por causa do CD. Tudo se resume a isso.
Andar de carro sem música é como passear no calcadão sem ser gamado. Ora, aqui comeca o meu problema.
No carro não apanho a Comercial. As rádios suecas estão ao nível da Renascenca nos gloriosos anos 80. Mas sem a parte do jogo da mala. São muito bons rapazes estes Vikings sim senhor, mas as rádios fazem-me crer que a Romântica até nem era má…
Tenho que recorrer ao cd e fazer karaoke no trânsito. Estilos.
Chego às tampas. Percebo pouco de alcatrão mas já percebi que as tampas desniveladas não são um exclusivo nacional. Claramente nos cursos de engenharia civil há uma lacuna. Algures entre "Andaimes III" e "Talochas IV" poderiam leccionar "Fio de Prumo I", que parece que dá um jeitão nestas coisas.
E isto porquê?
Porque é infinitamente mais difícil para o japonês que me fez o rádio prever o buraco e adiantar o laser, do que o talochas fazer a estrada direita.
Ou estou a ver mal?

segunda-feira, junho 18, 2007

A Wavrinsky Plats


O grande problema dos momentos bons é não tenderem para infinito
(->+00 para os aficionados ).
Chegam ao fim. Têm sempre que chegar ao fim.
Nunca gostei de despedidas. Nem sequer aprendi a lidar com elas.
Divido-me. Sempre.
Entre a saudade de quem parte e a recolha dos bons momentos que me deixaram.
Opto sempre pelo segunda.
Saudade traz lágrima e a recordacão aparece com um sorriso.
Escolha essa. A do sorriso.
Cada momento revisitado na sala privativa da minha memória.
Um desfile de imagens e momentos que me fazem esquecer o tempo e perceber a sorte que tenho por conhecer gente assim.
Em Setembro há mais.

sexta-feira, junho 15, 2007

Quando pensava que já tinha visto tudo...

Um Gajo Qualquer Daqueles Que Usa A Águia De Ouro Na Lapela: Presidente, presidente... o Joe lancou uma OPA sobre o Glorioso!
Presidente: Sobre o quê?
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Sobre a Instituicão!!
Presidente: Ahh! Bom…vamos já chamar os jornais e dizer que isso é uma invencão de alguma comunicacão social para destabilizar o spór lisbô e benfic.
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Mas é mesmo verdade Presidente. Foi o próprio Joe que disse.
Presidente: Mas qual Joe?? O Dalton??
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Nãoooo…o Berardo.
Presidente: Está no apito dourado?
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Não. É aquele que tem uma coleccão de arte a ser conservada de borla pelos servicos do CCB!
Presidente: CCB? Estão na liga de honra??
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Esqueca, esqueca…concentremo-nos na OPA. O que fazer?
Presidente: Com a OPA que nos lancaram?
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Simmmmmmm.
Presidente: Epá não sei se estamos interessados...
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: Olhe que não é hostil!
Presidente: Quem??
U.G.Q.D.Q.U.A.A.D.O.N.L: A OPA presidente, a OPA não é hostil!!
Presidente: Está bem, mas joga com os dois pés ??

Lá vamos, cantando e rindo...levados, levados sim... (II)

Esta coisa da carreira está a ocupar-me muito tempo de processamento cerebral.
"Não sabes o que queres!!", dizem os experimentados da vida.
Decidi encontrar-me com o meu gestor de vida.
É um tipo afável, careca e de bigode. Tem óculos e isso transporta-o de imediato para o lado dos sabichões.
Não me venham com conversas de que isso não quer dizer nada e coiso e tal...
Lembro-me que há uns anos atrás um dos elementos dos Excesso (o que sabia ler) lancou aquela moda de óculos sem graduacão, apenas para parecer mais intelectual quando dizia "houveram tempos em que era hospedeiro, aliás comissário de bordo, na tap". E parecia mesmo.
Portanto, o meu gestor de vida também a sabe toda. Caso contrário não seria o meu gestor de vida.
Mas o que é isso de um gestor de vida perguntam vocês desse lado?
(vozes em surdina...)
É uma invencão dos povos nórdicos para lidar com as encruzilhadas da vida. Vou comer o bife, meto molho de amora silvestre ou atiro-me de cabeca no sabor da carne?
No fundo, é uma mistura de gestor de conta com psicólogo, mas sem aquela parte de explicar os traumas de infância e muito mais útil para pessoas como eu para quem as contas bancárias são apenas zonas de passagem de dinheiro. Não há nada para gerir.
GV: O que o traz cá camarada?
T: Tenho uma dúvida...
GV: Não temos todos? Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Sabendo que nada sei, já sei algo mais e ....
T: Calma, calma...antes que esgote os chavões filosóficos deixe-me dizer o que me apoquenta!
GV: Claro, claro...diga lá então...
T:Sinto que falhei na vida camarada...chuiff (cai-me uma lágrima..)
GV: Mas porquê camarada?
T: Fiz 30 anos e ainda não estou reformado. Todos os meus amigos que trabalharam 6 meses na edp, cgd ou cml já almocam em Londres e jantam em Paris...
GV: Mas Tiago, quantos deles podem dizer que contribuem para a sociedade civil? Quandos deles podem orgulhar-se de ter pago com impostos alguns tijolos do estádio da luz?
T: Bem....chuifff...vendo assim...
GV: Está a ver? Vá, agora vá descansar e são 100 eur sff....
T: Espere camarada, espere...mas há mais!!
GV: Bom, então vou ligar a tarifa pós-laboral...
T: Não gosto de óleo nas unhas.
GV: Entendo...mas não acha fashion aquele risquinho preto?
T: Não..e sabe, para mim uma corrente serve para passear um cão...
GV: Não percebo...
T: Rear bumper é um ritmo caribenho...
GV: Huummm?
T: Uma manteigueira é uma peca para colocar manteiga...
GV: Explique-se!
T: Uma jante de inox ou de liga leve traz-me a mesma felicidade, cilindros só me incomodam quando não consigo ouvir o rádio, estofos em pele ou em cortica são igualmente bem-vindos. Ó homem...não gosto de carros percebe?
GV: Tudo muito bem...gostos não se discutem...mas qual é o problema?
T: É que eu trabalhei na VW, na Saab e agora na Volvo. Sinto que algo está mal...sinto que de alguma forma estou no caminho errado...algures numa encruzilhada antes de o conhecer entrei na estrada errada.
GV: Acha?
T: Dá-me essa sensacão...
GV: Humm...pode ser...mas não tenho a certeza. Os factos não são claros...
T: Já me tinham dito que você era bom nisto...bolas....e se é...
GV: São anos de praia camarada, anos de praia. Mas diga-me...admitindo que está na área errada, o que gostaria mesmo de fazer?
T: Nada.
GV: E sente que tem as qualificacões para isso? Não é uma área fácil camarada...
T: Modéstia fora disto...sinto que tenho "the touch".
GV: Já pensou concorrer à CML?
T: Até gostava!! Tenho algumas ideias para a cidade e ...
GV: Não!!! Esqueca!!! Com ideias não vamos lá...lamento. Deputado já pensou?
T: Custa-me um pouco a dormir sentado...principalmente em cadeiras de pele. Escorrego.
GV: Eu disse-lhe que era uma área dificil camarada...pensam que é só rebébéu pardais ao ninho, mas isto é uma arte...
T: Bolas...você é brilhante camarada...está claramente na profissão certa.
GV: E imagine que quando acabei o curso de Filosofia não sabia o que fazer da vida!
T: Não me diga camarada??
GV: Sim. Depois das calendas gregas ficámos um pouco sem mercado. É uma profissão de risco...
T: Mas como chegou a este consultório no Rato e a esta tarifa fantástica de 100 eur/10 min.
GV: Trabalho, trabalho e mais trabalho. Vagueava um dia nos corredores da faculdade entre as dúvidas de Platão e algumas de minha autoria quando...
T: Quando??
GV: Quando aparece um colega meu de curso, nunca mais me esqueco do Penteadinho...
T: Penteadinho?
GV: Sim, o Penteadinho tinha sempre o cabelo impecavelmente arranjado e nem quando corria se desmanchava. Com ele vi a luz em 1976.
(...nuvem de fumo...)
P: Epá, preenche aqui esta ficha com os teus dados!!
GV: Para quê?
P: É para arranjarmos assinaturas para trazer o Sócrates a Lisboa para um seminário.
GV: O do Platão??
P: Não pá...um gajo de Castelo Branco. Parece que também tem umas teorias...vá preenche lá isso.
GV: Mas olha lá, que rosa é esta aqui no canto da folha ??
P: É de um grupo qualquer que segue aquele gajo das bochechas que estava em Franca...porra pá, só lês o Diário de Aristóteles???
GV: Bom, tudo bem. Morada....nome...telefone...bi....já está!
P: Pronto...aparece na reunião e traz uma fotografia para o cartão de membro.
GV: Membro?? Olha lá...esse clube tem facilidades de desconto na Maconde ou tickets refeicão??
P: Acho que sim.
GV: Ahhh...assim é que é falar Manuel Maria!

O fim dos Sargentos gordos

A antiguidade vai deixar de ser um posto nas Forças Armadas. O relatório final sobre a reestruturação das carreiras militares, apresentado em 16 de Março passado ao general CEMGFA e aos chefes dos ramos, propõe que as promoções por antiguidade terminem logo no início da carreira de oficial de alferes para tenente -, passando a ser exclusivamente por mérito daí em diante, até ao topo da carreira. Programa-se uma carreira de 12/15 anos nos oficiais até chegar a oficial superior (ou seja, passar de capitão a major). O projecto já circulava em relação à Força Aérea mas agora torna-se claro que a ideia é estendê-la a todos os ramos. E, aliás, é também proposta para a classe dos sargentos. Nas praças, as promoções serão automáticas até ao fim dos contratos (12 anos, no máximo), podendo depois candidatar-se a sargento.O documento aborda também o acesso dos oficiais aos quadros permanentes das Forças Armadas. A proposta é que isso aconteça logo no posto de alferes (segundo-tenente, na Armada), que é o posto mais baixo entre os oficiais - e logo após terminada a formação superior. Contudo, alvitra, em alternativa, "uma visão mais radical" e, por isso, "eventualmente mais difícil de ser aceite e de implementar": a de "a instituição militar não se comprometer tão cedo com efectivos com vínculo permanente, admitindo-se que apenas da promoção a tenente ou a capitão ocorresse o ingresso nos quadros permanentes das Forças Armadas".Para os oficiais, o relatório propõe dois tipos essenciais de carreiras, sugerindo-se ainda, como hipótese, uma terceira via, que no entanto se admite poder ficar resumida a sargentos (a chamada "carreira técnica"). As duas carreiras essenciais serão as de "comando" e as de "apoio". Na primeira pode chegar-se ao topo e na segunda não. A escolha entre uma e outra, por opção própria (associada ao mérito) far-se-á na passagem do posto de capitão para major."Sacrifício da própria vida"O documento começa por definir alguns conceitos. Por exemplo, o de "condição militar" em que se sublinha a "disponibilização" dos militares "para o sacrifício da própria vida em defesa da Pátria", esperando-se por isso que eles "esperem por parte do Estado compensações ajustadas".Refere, por outro lado, o de "família militar", "entidade que integra os militares e os respectivos agregados familiares". O que aqui é sugerido é que se tenha em conta o facto de, por lei, "os interesses pessoais e familiares" do militares estarem subordinados "aos interesses de serviço", implementando-se um "sistema de apoio social" que permita "minorar o impacto das exigências da condição militar na família".
Para se chegar à fase das soluções começou-se pelo diagnóstico. E esse é negro. A lista dos "problemas e disfunções" das carreiras militares tem 15 pontos e começa pelo óbvio: "Envelhecimento dos quadros." Depois refere, nomeadamente, "congestionamento de carreiras", "limitações à mobilidade funcional e geográfica", "incertezas no apoio na doença e no apoio social complementar", "reorganização do sistema educativo de acordo com os critérios de Bolonha", "perda de competitividade das carreiras militares", "dificuldade de retenção de militares altamente qualificados" (e aqui o exemplo máximo é o dos pilotos da Força Aérea, em permanente "deserção" para a aviação civil, por receberem mal e voarem pouco). Para esta imensa lista de problema é proposta uma ainda maior lista de soluções.

in DN

quinta-feira, junho 14, 2007

O guerrilheiro

Mendes, o Marques, esticou-se.
Do alto do seu metro e cinquenta e oito disse, que em nome do superior interesse da Nacão e prestígio além-Badajoz, iria parar a oposicão interna ao Governo durante a presidência Portuguesa da UE.
"Tréguas em nome da nossa imagem", disse Marques "El pibe" Guevara.
Sócrates, o Zé, educado como sempre agradeceu. E sorriu acenando.
Mas não percebeu. E por isso ficou a matutar:
"Oposicão? Que é que isso quer dizer? Aposto que é um código qualquer…sacana do anão!!"

A águia

50% do território sueco é verde. 10% são lagos e vá lá, 40% (como sabem esta escala acaba em 100) é área urbana. Nesta última fatia (a dos 40%) talvez 60% sejam prédios e 40% sejam casas de madeira vermelhas, com um mastro de 10m à porta, uma carrinha volvo e uma autocaravana no jardim.
Isto para dizer que num "rectângulo" com mais de 2000 Km no seu maior lado (já pareco o Arquimedes...) pasto é coisa que não falta.
E pronto, era isto que queria dizer...
Continuando.
A utilizacão dos espacos verdes é por aqui total. Aparece um raio de sol e correm para se rebolar na relva. De férias, aos sábados ou durante o dia de trabalho. Sun rules, dizem os mais hip-hop.
Entre os dois edifícios onde trabalho há um pequeno jardim. Um canteiro na escala escandinava, um pulmão verde com uma placa "proibido pisar a relva" na escala lusa.
A meio da manhã e a meio da tarde os meus colegas deitam-se na relva, tiram os sapatos e conversam com o sol.
Generais e soldados rasos sentam-se no mesmo pasto deitando por terra qualquer hipótese de seleccão hierárquica.
Este misto de relax/ambiente de trabalho é novo para mim. Mas cria proximidades. E eu gosto de proximidades. Transporta-me de novo para o sul da Europa.
Agrada-me mas arrasta um novo problema...é que uma pessoa abusa logo. Está-nos no sangue.
Já não consigo olhar para o meu superior hierárquico com os olhos de "sim chefe", mas sim com os olhos de "diz lá pá!".
E porquê?
Ontem ele era a voz de comando, hoje é apenas o gajo que se descalca na relva e ouve as meias gritarem enquanto as unhas as trespassam.
Por mim tudo bem. Mas bater continência fica mais dificil...pá.

terça-feira, junho 12, 2007

Tiro no barco de 3 canos

OTA ao fundo?
Terei ouvido bem?
Campo de tiro de Alcochete como alternativa?
Assim de repente...parece-me bem!
Mais próximo de Lisboa e com a ponte novinha, novinha mesmo ali.
É só atravessar a Vasco da Gama e usar a estacão do Oriente como ligacão aos vários pontos da cidade.
Mas só uma questão...essa zona não está cheia de passarada?? Vejam lá isso que diz quem sabe que penas e reactores não combinam.
Mas alto e pára o baile....os municípios do Oeste chamaram o chefe Lino para uma reunião hoje onde levará uns belos puxões de orelha.
"Que conversa é essa pá???", será o tema discutido.
O presidente da CM Alenquer disse que cada dia sem OTA é um prejuízo enorme para a região. Há investimentos parados, estradas por fazer, casas para vender e, drama dos dramas, os milhões de habitantes que vivem em Alenquer e trabalham em Paris, têm que diariamente ir para a Portela para apanhar a carreira 737 e acabam por chegar um pouco atrasados.
Uma macada (com "c de cedilha").

Lá vamos, cantando e rindo...levados, levados sim...

Gosto tanto de carros como de melgas em noites secas de verão.
Entre um fiat 600 e um bmw z qualquer coisa tenho dúvidas de glamour.
Trabalhei na VW, na Saab e esta semana comecei na Volvo.
Huumm...
Talvez esteja na altura de perguntar a mim mesmo o que quero ser quando for grande.
Ou isso, ou ceder aos encantos de uma assinatura da Turbo e da Autohoje.

sexta-feira, junho 08, 2007

O mercúrio


Oito da manhã perto de um céu azul.
Cabelo rapado ao vento e tempo para poesia:

...And I know
I may end up failing too
But I know
You were just like me with someone disappointed in you...

A busca filosófica de Linkin Park em decibéis dignos de um sinal vermelho.
Ténis, calcas e uma t-shirt impecavelmente passada mas amarrotada no processo de "dobragem" juntavam-se na farpela do dia.
Estava original. Um pouco só. Mas tremendamente original.
A estrada estava vazia. A luz vermelha sorria apenas para mim.
Lá fora, em meu redor, um conjunto de vidas circulava em bicicletas, skates, skis com rodas, patins, trotinetes e camelos.
Só o meu rodinhas queimava óleo. A vergonha da diferenca.
Dentro do carro sentia-me um aprendiz de talibã preso em 3 pecas de roupa.
Não ia trabalhar de biquini ou fato de banho. Ó fardo da adaptacão...porque me tratais assim?
Hordas de vikings desfilavam em tom minimalista. Homens de negócios de blazer e calcões, executivas de biquini e mala Chanel. Cada m2 de relva preenchido com uma toalha, assador e chapéu de palha. Pareceu-me ver o Barbas.
Estava com fome. Procurei o gajo das bolas de berlim, mas só encontrei o da "é frut' óóóóó chicláti".
Desenrascou. Continuei com fome mas mais fresco. Bem precisava.
A t-shirt atraía todos os raios de Sol e a "sofage" presenteava-me com a fresca brisa de BP Ultimate.
Quem me mandou ignorar os avisos?
Eu sabia que estariam 20 graus de manhã....que pioneira ideia foi essa de vir de calcas???
Nunca me perdoarei.
Envolto na vergonha vasculhei as previsões e verifiquei que o mercúrio vai bater no 28. Uhuuuuuuu....vai ficar tudo doido.
Depois de almoco a cidade despe-se de preconceitos e abraca a tendência Fonte-da-Telha-junto-ao-Meco. Mas sem a parte da argila.
O que retira algum colorido.
E é pena.

quarta-feira, junho 06, 2007

Realidade

...vim parar aqui.

Ficcão científica

Via Arrastão dei com esta história.
O drama do tacho.
Depois, sem saber ler nem escrever...

O dia nacional


Todos os países têm o seu dia nacional. Levanta-se a bandeira, canta-se o hino (no caso do americanos com a mão no peito) e dá-se tempo de antena aos PNR's locais.
Ahh...e não se trabalha.
Pensava eu que todo e qualquer dia nacional assinalava a data da independência ou a queda da mornarquia. Nada mais falso.
O dia nacional da Suécia (que entra no calendário dos feriados apenas desde 2005) comemora, ora deixa lá ver se não me engano, nada. É isso, nada.
Os noruegueses comemoram efusivamente o seu dia nacional. Oslo enche-se de bandeiras, desfiles e música. Os emigrantes noruegueses deste lado da fronteira fazem questão de desfilar também com pompa e circunstância.
Os suecos torcem um pouco o nariz, o que é natural, já que os noruegueses comemoram no seu dia nacional o adeus sueco.
Vai daí estes gajos pensaram: "Ai é??? Bandeiras na rua e tal???Também vamos criar aqui um feriado para a malta ir para o Ikea!!"
Foi assim que em 2005 Carl GustavXVI perguntou à rainha:
"Ó Silvia!! Quando é que nos safámos dos dinamarqueses??"
"Oi??", respondeu Silvia que viveu até aos 18 anos no Rio de Janeiro.
"Deixa lá..."
"Carl, acho que foi a 6 de junho de 1523 pá", acrescentou Björn Borg que estava no jardim a bater bolas com o príncipe.
"Serve!", disse Carl com um brilho nos olhos.
E pronto.
Foi isto que aconteceu.
Ninguém liga puto.
Mas está sol.
E não se trabalha.
O resto é ficcão.
Vou ao Ikea.

terça-feira, junho 05, 2007

Ctrl+C, Ctrl+V


Ouvir a TSF enquanto trabalho tem duas vantagens óbvias.
Uma é não perder o contacto com a língua (sim, porque com este embrulho de idiomas não tarda estou na Costa da Caparica a dizer ao mái novo: "Johan Francooo, Johan Francoooo, komma här äter uma sandochaaa !!!") e a outra é saber o que se passa no meu cantinho.
Discutia-se a "Flexiguranca" com o António Perez Metello (acho que se escreve assim...) em estúdio e os ouvintes a mandarem as suas postas por telefone.
Dizia um desempregado do Porto que na "Flexiguranca" anda ele há 20 anos entre recibos verdes e ausência de todo e qualquer direito social. Percebi a ironia e embora até ache que a flexibilidade possa ser boa para o nosso país, não me parece que ela possa existir como cópia do tão elogiado sistema dinamarquês.
Na Dinamarca, um país com pouco mais de 5 milhões de habitantes, qualquer semelhanca com Portugal será pura coincidência. É um facto que por lá o sistema é liberal qb e que a circulacão de trabalhadores não só cria mais emprego como faz crescer a economia, mas isso só acontece porque os empregadores dinamarqueses também são flexíveis. Isto significa que um dinamarquês que vá a uma entrevista de emprego com 35 anos não está excluído pela sua idade. Isto significa também que a mesma empresa permite rotatividade interna e muitas horas de formacão, aumentando o trabalhador as suas áreas de conhecimento e futuras possibilidades de emprego.
Há ainda aquele pormenor da educacão que nos entala sempre...
Os portugueses com estudos superiores rondam os 10% e destes, 20% saiem do país em busca de algo mais do que Sol e choco frito. Quer isto dizer, em tracos gordos, que ou o índice de formacão da populacão cresce rapidamente ou se mudam mentalidades e faz-se a seleccão por qualquer outra coisa que não a formacão académica. Esta já me parece mais utópica, mas há quem tenha visto elefantes a voar...
É que na Dinamarca, além da flexibilidade se aplicar às mentalidades de empregados e empregadores, ela é feita à custa de uma populacão onde 31,5% das pessoas concluiram uma formacão académica. Convenhamos que assim é mais fácil.
Copiar o modelo dinamarquês e esperar que ele funcione na nossa realidade, é como tentar fazer uma gemada de ovos Kinder.

Who comes and crosses the river

Há duas formas de combater o trânsito matinal:
Descobrir ruas alternativas ou ouvir a Manuela Azevedo. Hoje juntei as duas hipóteses com sucesso e deslizei numa rua paralela à segunda circular cá do burgo. Do outro lado tudo entupido. Do lado de cá, eu e a Manuela calmamente a deixar o vento entrar ao som do Bairro do Oriente.
Cheguei ao trabalho a pensar na malta do norte. Do nosso norte entenda-se. "Vocês" falam com uma musiquinha muito própria, o que não deixa de ser caricato para um país tão pequeno. Aqui "há atrasado" conheci um casal de portugueses que se mudou para estas paragens, vindos da Maia. Malta simpática e com sotaque bem carregado como se exige. Entre aulas comuns de sueco e futeboladas vamo-nos conhecendo e aquela sonoridade do "nuórte" fica-me no ouvido.
A verdade, agora que penso nisso, é que não me lembro de alguma vez ter conhecido um nortenho antipático. A agilidade de termos (maneira simpática de caracterizar a lingua solta) de um nortenho quebra qualquer barreira e estabelece logo o sorriso como obrigatório. Gosto de ouvir.
Não nos conhecemos nas primeiras 4 frases e nas 7 seguintes aquela voz já nos parece familiar.
"Vocês" são malta simpática. E engracados.
Nunca nunca conversa dizer: "Mas olha lá, o Pintinho compra árbitros ou não?" e temos o camarada do norte sempre do lado certo.
É certo que eu chego ao tasco e digo: "Uma imperial por favor", mas acho muito mais piada a "oube lá, dá-me um fino morcon".
Simpatizo com malta do norte (tirando o M. Serrão) e acho que na sua presenca, ao contrário do que é habitual, não sinto necessidade de falar só para poder apreciar cada termo carregado de "bês" e "ús".
Ups...nóbe horas...já me estaba a esqueciêr...bou bebér ún cimbálínú carago.

segunda-feira, junho 04, 2007

O degrau

Hoje antes de entrar no autocarro reparei num miúdo que parecia o David Bowie com 15 anos. Chapéu de aba, cabelo laranja e roupa preta. O puto tinha um certo estilo e parecia divertido. Sorria enquanto falava com duas miudas que estavam ali mesmo ao lado. Não consegui evitar olhar porque à parte toda a naturalidade o miúdo estava numa cadeira de rodas. Tal como eu esperava por um transporte público.
Os autocarros têm uma porta (no meio) para cadeiras de rodas, mas o miudo tentou entrar pela porta de trás, onde os degraus estão fixos. Sozinho não conseguiu e as miudas, ao tentarem ajudar fizeram com que caisse em cima do degrau. Riam-se de uma forma inocente enquanto as portas se fechavam automaticamente entalando o miudo que não perdia a boa disposicão com a cena. Num autocarro cheio ninguém mexeu um braco para o puxar ou sequer avisar o motorista que entretanto arrancou. A cena obviamente incomodou-me e arrastei o miudo para dentro do autocarro. Coloquei-o em cima da cadeira perante olhares que então se tinham desviado do jornal. Era como pegar num peso morto. Um puto que não devia ter mais de 15, 16 anos e não conseguia fazer algo aparentemente tão simples como subir um degrau.
Olhou para mim e voltou a sorrir, dizendo obrigado.
Assim que me passou a raiva pela falta de solidariedade daqueles breves segundos fiquei com as lágrimas no olhos imaginando o que o teria deixado assim.
Eu sei que pena é o pior sentimento que se pode dispensar, mas porra, pobre miudo.
Uma pessoa não perde muito tempo a pensar na sorte que tem. Eu pelo menos.
Todos os meus problemas deixaram de fazer sentido naquele momento.

El Comandante ainda mexe...


O líder do PC Vietnamita foi uma semana de férias para Varadero com um pacote da avião, hotel e uma daquelas pulseiras que dão para comer 24h por dia. Farto de enfardar mangas e mojitos, resolveu dar um salto a Havana para um xadrez político com quem sabe.
Ao chegar ao número 10 da Calle de la Revolucion, Nong Duc Manh terá perguntado a Fidel: "Vai sair para o seu jogging? Se quiser posso voltar mais tarde..."
O Barbudo olha para o relógio, sopra duas vezes e diz ao mano: "Raul, vai pelo Malecón que eu já te apanho. E Raúl...quantas vezes já te disse para não correres com os óculos escuros??"
Puxando o calcanhar para o rabo e girando a anca para não arrefecer diz a Nong: "Vá...tira lá esse resto de hortelã dos dentes e vamos despachar isto antes que o Raul se perca!"