sexta-feira, março 30, 2007

quinta-feira, março 29, 2007

A regra e o esquadro

Quando em 1916 Einstein disse:
"As interacções entre dois corpos explicam-se pela influência de tais corpos sobre o espaço-tempo" pensou, tal como Cavaco, que dificilmente se enganaria. Mas enganou-se. Tal como Cavaco.
Uns anos mais tarde, um cientista Português no desemprego, na tentativa de justificar a bolsa do estado resolveu estudar a mesmíssima teoria. Rapidamente comprendeu que nunca a iria perceber e atalhou colocando-a em questão. O 24 horas na ausência de uma machadada no 45 da Carris resolveu cobrir a história: "Português coloca Einstein em sentido! ", escreveram.
Os taxistas que nesse dia leram o jornal comentavam: "Samos muita xpértos!!"
O tempo passou e ninguém explicou como é que a teoria tinha sido posta em causa. O 24H vendeu qualquer coisa sem sangue e o cientista foi convidado para o próximo Big Brother. Emprego que era bom não apareceu.
Para evitar banalidades do espaco-tempo, direi algo mais concreto como:
"A minha irmã é a pessoa mais organizada do mundo"
A partir daqui criei um axioma e sei que todos o aceitam. Até porque esta é uma verdade praticamente absoluta. Não é que eu conheca assim tanta gente, mas não devem existir muitos no mundo capaz de organizar por tonalidades de cores e distinguir vermelho de encarnado.
Crescer ao lado de tantos detalhes organizacionais apenas serviu para aumentar a frustracao de quem sempre soube que aquele exemplo nunca poderia ser igualado. Enquanto forcava as portas do meu armário entulhado até ao tecto observava a harmonia, ali mesmo ao lado, no armário dela. As portas abriam-se delicadamente e tudo no seu interior ficava no mesmo sítio, as gavetas deslizavam sem encravar, a roupa estava dobrada e a cada movimento esvoacavam pétalas de rosa, num misto de melodia campestre.
Havia vida para além da bandalhice e estava ali tão perto. Tentei. Mas não consegui.
No rescaldo do fracasso, tal como Newton, optei pela reaccão e dediquei-me ao movimento contrário. Hoje digo com algum orgulho que desarrumo como poucos.
Ainda assim gosto de organizacão. Tento redefini-la a cada dia que passa. (Ficariam orgulhosos se vissem o meu armário hoje em dia!!)
Isto a propósito do meu actual emprego.
Diáriamente "faco código a metro", que para quem "trabalha com computadores" significa escrever software.
Não é mais do que escrever textos como estes do blog mas numa língua diferente.
Há decididamente coisas para que tenho mais jeito, mas a ironia do destino colocou o C++ a pagar-me a renda. A vida dá cá umas voltas....
O que se segue? Olaria ou tapetes de Arraiolos?
Bom, antes que me disperse mais.
O Wally acumula as funcões de super-cheiroso, terra-nas-unhas e sebo-no-cabelo com chefe de projecto.
É por ele que passa o código que escrevo para levar o corte PIDEsco da censura.
Pensava eu que ia corrigir do ponto de vista de algoritmia quando o vejo fazer:
"1,2,3,4 e páá´(chapada no space)"
"1,2,3,4 e páá´(chapada no space)"
"1,2,3,4 e páá´(chapada no space)"

O Wally, pensando de forma estruturada e imaginando que alguém poderia ler este código daqui a uns anos, quer tudo formatado de forma rígida.
Está bem pensado de facto. Eu se chegasse daqui a 2 anos também gostava de ler algo que outro escreveu e ter tudo organizado. Mas quer dizer...correr 6000 linhas de código a formatar cada espaco, virgula, ponto, comentário, chaveta, etc de forma a ficar tudo alinhadinho...É UMA VALENTE ESTUCHAAAA !!!
Mas o gajo faz aquilo de forma tão perfeita que dá vontade de emoldurar cada programa. Nunca vi tamanha organizacão no trabalho. Passo o dia a lembrar-me da minha irmã. Sinto que sem os ensinamentos dela tudo isto poderia ser um choque. Assim custa menos.
Mas não disfarco alguma irritacão. Ligeira. Quem sabe pequena. Mas presente.
A intencão é boa e pensar no futuro é porreiro e tal, mas agora....huuummm...agora é que elas mordem.
E depois, um gajo que não se lava estar preocupado com vírgulas alinhadas e 4 espacos para o If, chamem-me esquisito, mas não me cheira bem.

quarta-feira, março 28, 2007

O triângulo

A Sérvia tem uma selecção pouco mais do que banal.
Isto não é uma opinião. É um facto.
Ver uma equipa como a nossa a jogar para o empate meteu dó.
Meireles?? Caneira?? Quaresma no banco 81 minutos??
Tem juízo Scolari!
A Sérvia se tudo correr bem vê o Europeu na RTS (RTP lá do sítio...as coisas que se descobrem enquanto se procura um canal na net). Jogam muito pouco para aspirarem a algo mais.
O nosso adversário directo é a Polónia.
Ah...e aquelas deslocações às fronteiras da Sibéria onde parece que todos estão a perder pontos.
Com uma equipa destas o Europeu não foge. Nem com o Scolari a ajudar!


Ps - Já não via uma triangulação "benfica" na selecção a acabar em golo (Simão-Pontas Sedosas-Tiago) desde os tempos do Eusébio-Coluna-Torres.
Bom, esses também nunca vi, mas "diz que" ninguém fazia farinha deles.

O gelado

A UE, ou melhor, o Tratado de Roma fez agora 50 anos. Já lá vão uns anitos desde que alguém decidiu criar a extinta CEE. Li algumas opiniões sobre se devemos ou não estar contentes com o facto de pertencermos a esse grupo. Eu acho indiscutivelmente que sim. A nossa "identidade nacional" nunca foi posta em causa como defendiam os euro-cépticos e até ao momento a única desvantagem que vislumbro é a criação de novas formas de economia chamadas "subsídio-dependência". Mas bem vistas as coisas, até nisso mantivémos intacta a nossa identidade, na parte dos chicos-espertos. Foi esta União que permitiu que países como Espanha ou Irlanda saíssem do 3º mundo e se tornassem um sítio melhor para viver. É também este espaço comum que nos permite alargar o nosso "quintal" e trabalhar em mais de 20 países com protecção legal. Há uma claro crescimento nos países que aproveitaram os incentivos de Bruxelas. Não é o nosso caso, mas há que olhar para um continente e não para um só país. Há um pequeno e ligeiro problema. É que este espaço único funciona numa base social. Os mais ricos pagam, os mais pobres recebem durante um espaço de tempo e abandonam a condição de sub-desenvolvidos. Isto em teoria. Nós provámos como pode essa teoria falhar.Significa isso que nos países pagadores mais cedo ou mais tarde surgirão vozes de descontentamento. A Alemanha, um dos países que mais paga, já vê gente nas ruas a marchar contra os subsídios atribuídos aos vizinhos Polacos. "Onde vão gastar o nosso dinheiro?", perguntam. Até nisso temos sorte. Poucos se lembram o dinheiro que gastamos e o pouco que fazemos.Li também algumas asneiras como a ausência de guerras para justificar o desenvolvimento europeu das últimas décadas. Se pensarmos que há 11 anos se deu na Ex-Jugoslávia uma limpeza étnica e que Atocha e Londres foram partes de uma guerra que perdura, percebemos que não é bem assim. O desenvolvimento deve-se aos habituais "motores" da Europa. Alemães que mesmo destroçados por uma guerra recuperaram a liderança dos destinos do continente, britânicos, franceses e nos dias que correm, os espanhóis.
Na frase do dia, Luis "The Great" Delgado, disse que "dentro de 50 anos o mundo será tri-partido: UE, EUA e China". Um visionário este rapaz...Maya põe-te a pau!
Se a UE dentro do Velho Continente tem óbvias vantagens para quem dentro dela vive, o mesmo já não se pode dizer na sua influência nos destinos do mundo. O controle da única super-potência é total. Não respeita qualquer acordo ambiental, militar ou diplomático porque ninguém pode fazer mais nada do que "condenar a atitude dos cow-boys". Os chineses estão entretidos a rebentar com tudo o que é escala de crescimento económico e a UE não tem força para se impor ao Tio Sam. Nesse aspecto, uma Europa Federalista e dominante terá que passar por um braço armado. Não para abrir mais focos de guerra, mas para contra-balançar poderes e evitar o Far-West um pouco por toda a parte. No fundo, fazer de ONU mas com resultado. Para mim, enquanto Português, fico feliz por pertencer a um espaço como a UE. Não só pelo desenvolvimento que isso pode (ainda?) trazer ao meu país, mas também pelo aspecto prático de mobilidade. Há uma diferença grande entre um "emigrante do espaço único" e um de fora. Já o comprovei...
E depois, como já li algures, é sempre agradável pedir uma sangria em Madrid e com o troco comprar um gelado em Roma.

Ps - A foto é no espaço europeu da Manta Rota

terça-feira, março 27, 2007

A t-shirt

Feira de turismo de Gotemburgo.
Para mim, e dada a vontade de bater a asa, foi como largar um miúdo numa loja de doces.
Todos os pedacos de terra estavam por lá representados. Escoceses com gaita de foles, Irlandeses com guitarras, Húngaros com violinos, Brasileiros com Baianas a rodar. Cor e som para todos os gostos. Sempre devidamente acompanhado dos petiscos locais e aí gosto de respeitar a tradicão. É para provar? Então quero dois sff !
Saímos de lá carregados de sacos com informacões sobre destinos em cada continente (nem a Oceânia foi esquecida!). As duas únicas coisas que sinceramente não gostei foram o pavilhão americano cravado de bandeiras por todo o lado e com os promotores envergando chapéus de cow-boy (brilhante e moderno...) e o pavilhão de "nuestros hermanos" que no mapa das províncias incluíram Portugal (tenho a certeza que nenhum Texano percebeu pelo mapa que aquilo era outro país...).
Reinava a curiosidade com o stand português. Passámos por lá para recolher informacão para alguns colegas e o que vimos foi uma agradavel surpresa. Uma representacão estatal (IFT) com um enorme espaco dividido por zonas e com um design apelativo. Muito bom gosto e uma representacão de encher o olho.
Lisboa, Madeira, Acores, Algarve, Porto eram os principais destaques. Na zona dos Acores nem a minha querida Santa Maria foi esquecida! As praias do Algarve estavam expostas de forma idílica. Com muita areia e praticamente desertas, recorrendo aquele truque da fotografia de Inverno. Vendia. Vendia muito bem para ser honesto. Como o objectivo é atrair turistas, acho que o IFT fez um excelente trabalho e passou uma imagem de um pais moderno e de bom gosto. Imagens do galo de barcelos e afins ficaram na Portela. E ainda bem.
Quando passámos na zona de Lisboa, vendo-me mexer no guia, o promotor disse-me de imediato em inglês: "Vá a Lisboa. É uma cidade lindíssima."
"Já passo por louro", pensei. Ele de facto não parecia Português e em inglês respondi: "Eu também acho. Mas como nasci lá talvez não seja uma opinião neutra."
Abrindo o sorriso responde-me num português atabalhoado "Ahh nasceu lá? Então tome lá esta t-shirt laranja!!"
Vendo a Sofia e adivinhando o cenário continua. "E você também veio de lá? Então fique com esta verde alfacinha!!"
O rapaz tinha aspecto de holandês radicado em Portugal. Era simpático.
E depois, qualquer pessoa que me ofereca t-shirts, ganha logo um espaco no coracão.
Estava tudo muito giro e coiso e tal, mas faltava a zona mais bonita do país, o Alentejo. Um senhor mais velho, rolico e de bigode aproximou-se. Antes que falasse já sabíamos que era dos "nossos".
"Então e o Alentejo?", perguntámos.
"Schiiiuuuuu!", respondeu a sorrir.
"O Alentejo é só para nós. Levamos lá os amigos mas não contamos a ninguém!!"
Não sei se os Alentejanos ficam contentes, mas para quem lá vai...não está mal pensado.

Ps - para quem quiser aprender algo sobre o nosso país: http://www.visitportugal.com/

segunda-feira, março 26, 2007

Os índios da meia-praia


Na Nova Zelândia o rubgy é o desporto nacional.
Há muito espaco para correr e como nunca aprenderam a fazer nós nas redes de pesca (o que invalida desde logo a construcão da rede da baliza), optaram por virar as jangadas e chutar por cima delas. E fazem-no com sucesso.
Pobres e ricos (não sei se há pobres na Nova Zelândia e também não vou confirmar...) brincam aos "All Blacks" (nome da seleccão) como por aqui ("aí" neste caso - aqui seria: 2-para-2-e-não-vale-bater-com-o-stick) se brinca ao 2-para-2-balizas-de-um-passo.
6 linhas para dizer: Rugby na Nova Zelândia = Jogo do Povo.
Porque não me lembrei disto mais cedo?
Em Portugal não é bem assim.
80% dos gajos que praticam o desporto têm cabelo à CDS-PP e chamam-se Tomaz (com 'Z'), Martim, Bernardo e por aí fora. Correm com a bola na mão enquanto podem com o rabo e mais tarde trocam a lama pela emocão do golfe.
Há 3 razões históricas para o rugby ser um desporto de queques em Portugal:
1) Todo e qualquer beto nasce com os pés para dentro e por isso bola que role sem ser aos 'S' deixa de ser opcão
2) Para poderem usar aquele pólo branco com a rosa que mais tarde descobrem que é a camisola da seleccão inglesa, têm que alinhar no resto do cenário
3) Como circulam em matilha bastou o primeiro ter aparecido

Há outro detalhe associado a esta malta. É que gostam de confusão.
Existem dois tipos de betos. Os da cidade e os do campo.
São praticamente iguais. Excepcão feita na forma de correr.
Os da cidade correm para a frente e aos 'S' tentando agarrar a bola, os dos campo correm para trás e de mãos nas ancas enquanto dizem "ai, ai touro lindo!!!"
Em comum têm aquela vontade de "e se partíssemos qualquer coisa?", desde que obviamente, estejam em grupos de 10.
O beto é um gajo corajoso. Seja ele do campo ou da cidade.
Não é qualquer um que mete o nariz na cueca alheia como faz a malta do rugby quando toca a empurrar. E não será certamente qualquer um que veste uma lantejoula e umas sabrinas e vai para uma arena cheia de pessoas.
Posso ter andado pelos sítio errados e certamente faltar-me-á a razão, mas esta foi a imagem que construí dessa malta (devo ter saído muitos sábados no "Sítio" errado :))
Contudo, pensei que este cenário de terceiro-mundo fosse "aplicado" nas vilas e aldeias onde os benzocas têm cartaz. Quando pensamos que sabemos umas coisas, há sempre um beto por perto para nos explicar que não é bem assim.
A nossa seleccão de rugby (Lobos) conseguiu o feito único na história da modalidade, de garantir a presenca de uma equipa amadora num campeonato do mundo. Fê-lo no Uruguai. Orgulho nacional como não podia deixar de ser. E merecido.
Para festejar o triunfo tudo a marchar para a discoteca e já que estamos aqui "que tal partir qualquer coisa?"
Apesar da culpa não ser certamente deles (a História prova por A+B que um beto nunca tem culpa),
6 ficaram no Uruguai para um convívio com a polícia e voltam mais tarde. Uma noite na choldra sem amaciador e sem o pijama da Burberry para aprenderem.

Dia do Sportém

E o golo do ciganito? Pura poesia.
500 paus em como já adivinhei a próxima crónica do MST...
Parabéns ao Sportém por formar (e vender por tuta e meia) os meninos d'ouro dos seus rivais.
Ah gestores de sangue azul!!

sexta-feira, março 23, 2007

O Corredor

Tudo começa no semáforo.
Paramos, olhamos uns para os outros e rangemos os dentes. Batemos fortemente no pedal e esperamos pelo vermelho. Ele cai.
Começa a corrida dos emigrantes!
Os suecos e escandinavos em geral, param no vermelho para as bicicletas mesmo que o carro mais próximo esteja a dar a curva na Sibéria. Vem do berço. Os alemães imitam e aproveitam a pausa para um golinho no cantil da cerveja quente.
Os mexicanos, chilenos, iraquianos, bósnios, espanhóis, italianos e por aí fora seguem a marcha desde que arranjem 2 seg entre cada carro para passar.
Fiquei confuso.
De um lado o civismo, do outro lado a Natureza.
Não se pode fazer nada contra a vontade do Senhor que como se sabe criou a Natureza.
Depois, uma corrida é uma corrida. Aquece a alma e sobretudo os ossos.
Há muitos semáforos no percurso, mas nenhum se compara ao que antecede "O Corredor".
É uma recta enorme que atravessa 3 campos de futebol e onde se decide diariamente quem chega ao trabalho com as costas mais suadas. É um título cobiçado e por isso as regras de cavalheiros ditam que vale tudo menos tirar olhos.
Arrancámos!
Aí sou um pouco Obikwelu. As mudanças já não funcionam todas e tenho que dar corda aos sapatos numa bem pesadota. A estratégia passa então a ser a clássica "trás para a frente" (até porque ao contrário convenhamos que se tornaria mais dificil) .
Nos primeiros 100m tive que recuperar a posição e agarrei-me a dois iraquianos pelo turbante de forma a aproveitar o túnel de vento criado por aquelas cabeças em "V". Com estes resolvidos apareceu-me o mexicano pela frente. Tinha perto de 100 Kg e batia com os joelhos na pança a cada pedalada. Abanei 3 vezes um chili e vi-o deslizar em "aquaplaning" na sua própria baba. Mais um obstáculo ultrapassado e chego a um gajo de fato, impecavelmente penteado e de óculos escuros. Era o italiano.
Senti a mão a arder com o picante e mandei o chili fora. Um pequena explosão criou uma cratera onde o italiano, distraído com a popa, se espalhou.
É então que vejo uma bicicleta com luzes do "Kit", 2 selins, um side-car e um atrelado. Tinha apanhado o chinês. Pedalava vigorosamente para chegar em primeiro, montar a tenda e vender "ládios" aos mexicanos. Empurrei-o para fora da ciclo-via e um poste entre a bicicleta e o side-car fez o resto.
Normalmente sou uma das pessoas mais simpáticas no hemisfério norte (e estou no top20 do hemisfério sul), mas no "Corredor" não há espaço para sorrisos.
3 ciclistas me separavam agora da vitória.
Lado a lado, dois cabelo-de-ouriço fotografavam-se mutuamente. As bicicletas tinham sensores, propulsores e detectores. Com os japoneses tinha que usar a cabeça...
Reparei que um deles tinha apenas 3 máquinas ao pescoço e atirei ao ar uma velha Kodak descartável. Olharam de imediato para cima e antes que percebessem que não tinha 15 "mega-pixéis" aproveitei o efeito surpresa para os ultrapassar.
Entrei nos últimos 100m já em velocidade cruzeiro com a minha "mái nova" a guinchar por todo o lado. Não percebi quem era o gajo que ia na frente...
Levantei o rabo e fiz o sprint final em estilo Cândido Barbosa mas sem a cara de saloio.
A 50m do fim o meu opositor pensando que nada mais existia para além da sua roda da frente e de trás, levantou os braços agradecendo aos céus pela vitória. Fiquei a pensar "será que é...?"
Fê-lo aos berros como se o Senhor estivesse noutra galáxia e dissipou-me qualquer dúvida. Era um "nuestro hermano".
A gritaria aborreceu o Senhor e a ira divina foi fatal. Acordou de imediato S. Pedro que ao bocejar afastou as nuvens. Imitando o governo português, o sol aproveitou a ausência de oposição para brilhar, ofuscando assim o galego.
Temente ao Senhor, de olhos no chão e rodas em brasa passei-o em cima da meta.
Tinha as costas regadas e o título era meu.
O espanhol ainda veio dizer "rebenta a bolha e não sei quê" mas o "foto-finish" dos japoneses com a minha Kodak não deixou margem para dúvidas.
Bem encharcadinho segui para o trabalho. O olhar cúmplice dos meus colegas não deixava margem para erro. Eles sabiam que eu tinha ganho a clássica das manhãs escandinavas.
Vi respeito e admiração nos olhares.
Torci a t-shirt e limpei o suor da glória. Não cheirava. Nunca cheira.
Sou um dos 5 europeus cujo suor pode ser engarrafado e vendido como Lavanda.
Por outro lado o Wally já tinha chegado e de manga cava perfumara todo o espaço interior.
"Baixa a bola, que aqui quem cheira sou eu!", disse-me em surdina.
Estive tão perto do Olimpo.

quarta-feira, março 21, 2007

Jornal do incrível



"Até na morte Salazar "foi um bom homem que olhou por nós, pois o funeral foi atrasado 15 dias para compor a estrada, vieram cantoneiros de todo o distrito e até electricidade puseram", conta um saudoso Manuel Cordeiro, 76 anos, encostado à ombreira da sua casa no Vimieiro"


"Nasceu pobre e pobre morreu, mas deixou os cofres cheios", conta Maria Natália, que não sendo por Salazar, optava "pelo Barroso, aquele que está na Europa e que também é muito inteligente"


"Que bem era cá preciso, para endireitar isto, que ele tirou-nos da guerra e só errou quando não deixava ir os portugueses ganhar a vida para Angola e Moçambique", conclui Manuel Cordeiro. "


in DN


E não é que o António vai mesmo ser considerado o maior português da galáxia??
Na escala da ignorância devemos estar "taco-a-taco" com os americanos do Texas.
Que caixinha de surpresas desagradáveis Nós somos enquanto povo...

O grau

Vivo num monte.
Não tem chaparros nem ombreiras azuis (forma subtil de dizer que não fica no alentejo).
Não lhe posso chamar colina porque é mais baixa do que aquela onde está castelo de S.Jorge, mas também me parece alto de mais para chamar "lomba".
Tendo em conta que a partir de 150m os locais usam o termo "montanha", parece-me que "monte" é o mínimo que posso dizer.
Como todos os montes tem um problema. A altura.
Sair de lá tudo bem. Voltar nem tanto.
Por estes lados a primavera chegou.
Há sol, há ceu azul, há +1°C às 8 da manhã.
Com estas condicões não há quem segure as bicicletas em casa. Parecem vespas a encher as ruas.
Calor é calor e há que aproveitar.
E eu sou diferente?
Nem pensar! Depois de serrar o meu próprio cadeado e libertar a bicicleta estou pronto para "atacar o monte".
Decidido agarro num alicate de corte e comeco furiosamente a cortar o cadeado com a energia de quem tomou a sua dose reforcada de Ginseng. Tenho um gorro na cabeca. Certo, está 1 grau e o sol brilha, mas o que posso dizer? Ainda não me converti ao calor escandinavo.
O gorro. É um belo gorro. Confortável e com um certo estilo hip-hop, roubado ao meu irmão 10 anos mais novo. Com a barba por fazer e com aquele gorro poderia arrumar carros em Belém sem problemas. Quem sabe até poderia dizer a segunda frase mais emblemática de todo o sempre depois de "100 paus?? Porra...'tá um gajo aqui a trabalhar p'ra isto!!!"
Como Belém estava longe resolvi virar-me para o cadeado. Era dia. Não tinha chegado ainda aquele dia do mês em que faco a barba.
Pais e filhos saindo do prédio para a sua rotina diária e eu, munido do gorro, de alicate nas mãos no meio das bicicletas a tentar safar a minha. Um belo cenário.
Eis quando aparece a velha. Todos os prédios têm uma velha.
Normalmente vivem no rés-do-chão (e não resto-chão), estão reformadas desde o dia em que nascemos e passam o dia de bata e bracos cruzados na janela a ver quem passa. São mais eficazes que um PSP com o corta-unhas. Toda a gente sabe que não há polícia de giro que não aproveite as esquinas para cocar as costas e cortar as unhas. Nunca vi nenhum a correr atrás de bandidos mas já os vi a manejar aquele corta-unhas como samurais.
Sinto dificuldade em manter a linha de raciocínio hoje...
Nova tentativa. A velha.
Aparece e olha para mim da janela. Estabelecemos contacto visual e vejo que a boca dela mexe.
Não percebo as legendas e resolvo tirar os phones interrompendo o Chris Cornell que me dizia que eu sabia o nome dele (se apanharem esta podem entrar no clube do James). Ouco a velha.
"Jag prata liten svenska...Kan du prata engelska med mig?", digo eu pensado que a vou arrumar. Aposto que ela não se safa em inglês!
Do alto dos seus 70 anos espeta-me com um inglês perfeito dos seus dias de glória em Oxford.
"Essa bicicleta é tua??"
("Não, mas achei que esta hora da manhã com toda a gente a passar seria a melhor para a roubar. Até liguei os phones para ficar mais solto!!"), diz o meu lado idiota. Mas a língua não bate no céu da boca e não produzo som. Safei-me.
"É sim senhora. Entalei a chave e agora tenho que serrar o meu próprio cadeado.", digo com aquele sorriso envergonhado enquanto mexo os ombros ilustrando o clássico "é a vida..."
Levanto um pouco o gorro e de imediato ouco: "Ahhh...tu és aquele que prendia a bicicleta aqui debaixo da minha janela e a quem eu já tinha pedido para a tirar dali? "
Reconheceu-me. E que bom é sentir o conforto de quem nos conhece.
Acabei o servicinho cada vez mais incomodado. Sentia cada olhar que passava. Estava de facto a roubar a minha própria bicicleta.
Lancei-me "monte abaixo" (figura de estilo) com o vento a atravessar-me os ossos. Não que estivesse algum, eu é que pedalei muito. A descer sou um ás!
Já sei que no regresso a subida envolve sangue, suor e lágrimas (parece o hino do "sportém") e por isso venho com pouca roupa para não fazer a sauna do costume a subir.
Mas e agora? Agora congelo todos os ossos e pedalo o mais que consigo para aquecer o corpo.
Faco corridas com todos os suecos que apanho no caminho. É uma diversão como qualquer outra...
Chego ao trabalho com a língua de fora e o corpo colado ao selim. "Tenho que repensar esta estratégia de vir sem casaco", diz uma parte de mim, enquanto a outra se descola da bicicleta. Os bracos não mexem e os joelhos não dobram. Desloco-me como se tivesse 3 enciclopédias debaixo dos bracos, esperando que o calor do escritório me devolva à minha forma original.
Pelo caminho uma única paragem, o lixo. Deposito lá o cadeado já sem alma nem fios de aco.
Poderia comprar outro mas deixou de fazer sentido.
A velha já sabe qual é a minha bicicleta.

terça-feira, março 20, 2007

O lado esquerdo

Phi -Phi (Tailandia)




Tenho alguns defeitos.
Sei que são alguns. Nunca os contei. Mas se quisesse contava. O meu número de defeitos é finito. O Portas por exemplo já não consegue dizer o mesmo. Mas está mais bronzeado do que eu e usa camisas passadas pela mãe. O mundo nem sempre é redondo.
Defeitos dizia.
O maior, de longe o maior, é a doenca que me atinge o lado esquerdo do cérebro e me faz vibrar sempre que uma bola deambula entre camisolas vermelhas. Trocava este defeito por outro. Orelhas de abano, pernas de alicate, ceroulas ou discos do Tony Carreira. Qualquer coisa.
Com este lado do cérebro activo, dificilmente perderia horas à procura de todos os canais piratas de televisão na internet, que me permitissem ver jogos como o de ontem.
Dou por mim sentado a ver imagens que saltam de 10 em 10 seg e onde o som aparece 3h antes.
Ainda assim, e por o lado esquerdo do cérebro ser mais convincente que o direito, aguento-me 90 minutos a ver um jogo com uma emotividade relativamente menor que os derbys que fazíamos lá no bairro contra a rua de baixo.
"Os estádios estão vazios" queixam-se (o "eles" que dá para tudo).
Pudera. Os espectáculos (tirando um ou outro jogo) são de uma pobreza franciscana que nos faz pensar na espectularidade da final de sueca dos reformados do comércio.
O que eu vejo (de 10 em 10 seg):
- Uma caixa de fósforos transformada em campo de futebol
- A equipa da casa a defender em meio campo durante 90 minutos. Não fazem uma jogada de ataque, não fazem um remate, não tentam sequer marcar um golo! Passam o tempo todo a chutar para o ar na esperanca que o tempo passe. Jogaram com 11 centrais e o Nuno Gomes a líbero. Grande exibicão do "pontas sedosas" a limpar a área do Estrela.

O que eu ouco:
- O comentador da RTPi a elogiar o esquema táctico do Estrela e a forma como estavam "irrepreensíveis" na defesa.


Serei eu o único a pensar que o objectivo do jogo é chegar ao outro lado do campo (e isso obriga a passar aquela linha grande branca o que é uma chatice para malta "irrepreensível") e quem sabe, num acto de loucura, tentar marcar um golo, ou vá, dois?
Para quem gosta do desporto em si, ver um jogo da nossa liga acarreta uma dor na alma que nos obriga logo a ver um jogo do campeonato inglês ou espanhol, só para "descontrair".
Por outro lado, e esse é que é o grande problema, o Glorioso joga na liga nacional o que me "obriga" a gramar estas pastilhas só para satisfazer o lado esquerdo que não me deixa levantar.
Eu nem quero. Sinceramente até preferia usar esses 90 min para correr atrás de borboletas ou saltar de nenúfar em nenúfar. Mas ele tem cá uma lábia! Enrola-me sempre.
Maldito lado esquerdo!

PS - Traducão em polaco aqui .

domingo, março 18, 2007

O dia


Educar deve ser cá uma dose...
"O leite tem natas!", "Quero bife com batatas fritas!", "O carro tem gasolina??", "Banho?? E o de ontem, não conta??", "Compra láááááááááááááa´!!!!!!!"
Nem vestir as cuecas "do direito" sabemos e já pensamos conhecer o mundo. Nessa altura havia sempre o gajo chato. O "Dr. No" em versão quotidiano. "Não" dizia ele. Devidamente seguido de "podes", "deves", "sabes" e por aí fora.
"Ele não percebe nada disto...", diziamos nós do alto da nossa sabedoria de alguidar. Certezas. Tantas certezas tínhamos. Entretanto crescemos e atingimos a fase do "Ahhh!!!!".
"Ahhh...então é por isto que ele dizia....??? Vendo assim até nem parece mal..."
Os anos passam e crescemos um pouco mais. Chega o dia. Abrimos asas e voamos para destino incerto sabendo apenas que a casa de onde saímos será para sempre "porto seguro". Todos os momentos ficam guardados na memória. Quanto mais tempo passa mais bela é essa memória.
É então que percebemos. É então que eu percebo. Que sorte tive. Que sorte incalculável eu tive! Nem por uma vez ao longo das decisões que formam a história da minha vida me senti só. Nem sempre certo. Muitas vezes errado. Mas nunca só. Nunca!
Houve sempre uma palavra amiga que tentou ajudar. Houve sempre uma força da natureza que me ajudou a derrubar os muros que apareceram no meu caminho. O meu pai.
Por vezes, nas coisas simples do dia-a-dia vejo-me em cenas repetidas. Cenas já vistas no passado mas com outro personagem. Estaremos a ficar parecidos?
A distância separa-nos fisicamente mas o tempo aproxima-nos no "molde". E sabes que mais? Que contente fico quando sem querer me apercebo disso.
Sinto orgulho. Um orgulho enorme de poder apontar para ti e dizer quem é o meu pai.
Um amor enorme por outro ser humano que não se consegue descrever nem tão pouco explicar. Sente-se e pronto. Vive-se com esse conforto. Com esse calor.
Não há distância que modifique isso. Será sempre assim, independente de qualquer geografia ou idade.
O melhor elogio que me ocorre, é dizer que gostava que um filho meu tivesse um dia a mesma sorte que eu tive e continuo a ter. Existem pessoas, poucas, que nos enchem a vida e tu és uma delas.
Feliz dia do Pai.
Tiago
Ps - Não te esqueças de ver o correio hoje ! (E já agora divide o que lá está com o avô. O dia do pai é como o Sol... nasce para todos :))

sexta-feira, março 16, 2007

Desejos simples

Um bom filme
Uma boa música
Uma boa massagem
Umas boas horas de sono

Comeco com a música.

Bom fim-de-semana!

0,99

Adoro ler no jornal uma bela pechincha. "Vá para os galápagos ver tartarugas gigantes! 0,99 Eur com tudo incluído excepto o que faltar!!"
Corro logo para o site e toca de encontrar a promocão. O desejo é tanto maior quanto maior for a necessidade de férias. Nesta altura do campeonato a necessidade de descanso é tal que veria com bons olhos uma visita a Lhasa para fazer puzzles de arroz com monges tibetanos.
Uma companhia aérea (flyme.com) apresentava diáriamente precos fantásticos no Metro (jornal). Era a minha leitura favorita no eléctrico. Procurei semanas a fio e nunca encontrei nada. Rigorosamente nada. Um dia liguei para o servico de clientes e pedi que me encontrassem um data (qualquer) e um destino (qualquer) onde pudesse usufruir dos precos publicitados. Entre desculpas e engonhices, não o fizeram pela simples razão de que não existiam tais bilhetes. Entretanto, na semana passada, essa companhia faliu e já não opera.
Outras aparecerão no mesmo espaco. Proliferam a tal velocidade que se torna dificil distinguir o trigo do joio.
Vi no DN que o governo aprovou uma lei que obriga as companhias a publicitar os precos verdadeiros de forma mais transparente. Pelo menos em Portugal o "0,99 publicitado + 200 eur de taxas em letras miúdas" vai acabar. E ainda bem. Para banha da cobra já bastam os bancos e as seguradoras.
Não tarda estou a votar no PS :)

Os Pêpócas

Afinal o risco ao lado e o vazio de ideias não são os únicos pré-requisitos para se ser miltante da juventude centrista.
Sem 3 nomes, nada feito!

quinta-feira, março 15, 2007

O serrote

Sem vontade de abrir os olhos abafo o despertador.
Aquele toque irritante que me tira o sorriso de manhã. Ainda estou desconcertado com aquele sonho mau. Um brasileiro a meter-me a mau ao bolso. Há com cada sonho...
Levanto-me e faco o primeiro ritual masculino do dia. Cocar o rabo. Dirijo-me arrastando os pés para a casa de banho. Pelo caminho encontro uma factura com o nome AutoSantos....ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.....não foi um sonhoooooo!!!!!
Passa-me rápido. O cérebro ainda procura a luz.
Na casa de banho cumpro o segundo ritual masculino do dia mas em versão "sem pingar". Não sujo nada. Perfeito e imaculado.
Neste pequeno compartimento acontece algo de verdadeiramente fantástico todos os dias. Uma pequenina janela, permite-me ver toda a cidade enquanto a bexiga faz "ahhhhhhhhhhhhhh". Um verdadeiro luxo que me devolve o sorriso de imediato.
Observo o céu. Está limpo e há sol. Perfeito!
Penso na bicicleta. Agora que o carro está inspeccionado, lavado e perfumado, pode ficar estacionado com a capa de plástico até que eu vá fazer o passeio domingueiro ao colombo.
Hoje é dia de pedal.
Adoro ir para o trabalho de bicicleta. Não demoro mais do que 10min e praticamente não é necessário pedalar, já que vivo numa colina. No regresso faco sempre uma etapa de montanha que me permite entre outras coisas chegar encharcado em suor.
Hoje não levo casaco. A descida é rápida e assim evito a sauna a subir.
Grande ideia.
Chego à rua e preparo o cenário. Pneu cheio, corrente oleada e Black Eyed Peas no "computador de bordo".
Pronto que nem um ás.
Vejo as nossas bicicletas. Uma presa ao ferro e a outra presa à primeira. "A mim ninguém me engana!", penso eu enquanto aprecio a qualidade da seguranca imposta.
Escolho a segunda. Deixo a que está presa no ferro.
Meto a chave no cadeado que envolve as duas bicicletas e rodo-a como se fosse manteiga. Suave. Tiro mas nada acontece.
Na minha mão uma parte da chave. No cadeado impecavelmente fechadinho o resto.
De uma só assentada bloqueio as duas bicicletas.
Olho um bom minuto para aquele quadro.
Nada muda nesse minuto.
Escrevo no papel das compras "serrote".
Meto as mãos nos bolsos e sigo a pé como se nada tivesse acontecido.
Estou calmo.
E continuo com sono.
Sobretudo isso.

O perfume

Recebo a chamada do Santos.
O carro acabara de chumbar na inspeccão.
"Ús cára descóbrirâm ú tubo que vái dú pédáu até áu trávão dí tráis cheiú dji férruge...téin qui mudá!!"
"Epá Santos....e quanto é que me roubas mais? "
"Aíii...20 cts da peca e 20 cts da mão dji óbra"
"Huuummm....o "grátis" da manhã já vai em 100 cts Santos..."´
"É cárá...máis ú cárrú fica bônitú, bônitú".
"Áspirámú, lávámú..."
"E perfume, meteram perfume Santos?"
"Clarú cára...Patchouly...párá pôvú irrmãú túdú dú milhó"
Ah bom!

quarta-feira, março 14, 2007

Injeccão

Andava eu a ver se descobria em que canal dava o Glorioso (reparem na letra grande) amanhã, quando parei neste verdadeiro caso de estudo social.
Numa grelha de programacão de meio da semana (que imagino seja uma cópia de qualquer outro dia), a TVI "espeta" com 9h de telenovelas e chachadas do género.
Eu sei que um canal privado é uma comum empresa de capitais. Depende de audiências e ponto final. Mas bolas, quanto lixo podemos consumir enquanto telespectadores?
O único programa de jeito ( o Jornal Nacional tem a MMG e por isso não conta) comeca depois da uma da manhã (o "House") ! Quem é que vai ver seja o que for a essa hora e levantar o esqueleto às 7h para trabalhar??
9h de "Tudo por ti", " Lavo-me para te merecer", " É fogo e queima a valer", " Ai, ai meu amor...que me está a doer".
A quantidade de novelas transmitidas é um dos factores de análise do desenvolvimento social do país.
Brasil, México e Venezuela fazem "Morangos com Acucar" ao pontapé, mas acho que nem eles têm paciência para esta dose diária.

Papoilas saltitantes

Entretanto recorri ao tratamento do costume e já estou mais calmo.

O bilhete

"Desta não me enganas", penso eu triunfante enquanto escrevo num papelinho tudo o que o brasileiro deve fazer para eu levar o carro à inspeccão.
Óleo, pisca e mais meia dúzia de coisas para não permitir grandes liberdades. Tudo escrito no papelinho que decorei para impressionar o Santos.
"Tudo légáu...dô umá chéckáda géráu e você ficá finú"
"Não, não Santos...não é nada disso!! Vamos seguir o papelinho!! Como se fosse um dos 10 mandamentos ok? "
"Ói??"
"Sem nos esticármos na continha quero eu dizer"
Aí o Santos percebeu que eu vinha com a licão estudada e comecou a sambar enquanto a mulher tocava tamborim.
"Máis eu lévú ú carro ná inspeccão prá ocê...é grátisssss....num cóbro máis...."
"Não cobras mais Santos??"
"Não cára....eu vô lá i si ús cára virem rolo nú négócio eu consertú prá ocê. Cê chega i lévá túdú prontxinhú"
"Huuummm...e Santos...em quanto é que fica esse grátis?"
"Vamú nú meu escritório"
Entrámos num espaco de 1x1m. Do lado esquerdo um poster de uma mulher nua. Do lado direito um poster com um homem nú. "Na dúvida segue a esquerda" dizia sábiamente o meu progenitor. Assim fiz.
Entretido vi o Santos a agarrar na folha e máquina de calcular...
"Filtru du óleu"
"Filtrú da gásólinaaa"
"Epá Santos....mas esse eu não quero pá!!"
"Tú é qui sábi...depôis o carro num passa nus gázis...ficá máis cárú..."
"Pfuuuuuuu...está bem Santos"
...
"Fázêmú séguintxe....txe cóbro 25 cts dje trábalho....máis 25 de pecas, óleos, etc"
"50 cts para comecar?"
"É....aí você imagina máis 10 cts dje álgum extra qui sêja necessário"
"Santos, importas-te de me apontar uma pistola?"
"Porquê cára...tú é tâu légáu??"
"Sinto-me mais confortável...vá lá pá."

segunda-feira, março 12, 2007

O mundo num minuto

Vejo aqui que o Santana comecou a dar uso a mais uma das suas 9 vidas (este gajo não consegue arranjar emprego?) .
Por outro lado reparo que o Sr-se-chove-molha classifica Zapatero como "um inesperado chefe do Governo Espanhol". Depois da barraca de Aznar no caso Atocha, "inesperado" não me parece bem o termo. Ao fim de 1000 asneiras podes levantar o cheque-disco...
Constato que o Zé ainda não aprendeu a nomear como gente grande, o que é bom.
Em Felgueiras gamar dá direito a homenagem e isso é sempre giro. E dignifica.
E surpresa das surpresas, a Al-Qaeda resolveu ameacar mais dois países.
Novidades no mundo? Nem por isso.
Segunda-feira como tantas outras?
Sim.
E isso importa?
Não.
E porquê?
Porque tenho raios de sol a entrar na janela.

O Xiquilim

Apetece-me contar uma história.
Não que tenha uma para contar entenda-se.
Mas tenho sono...muito sono. Falar, ainda que em surdina desperta-me. Obrigado pelo jeitinho a quem está desse lado.
Tivesse eu um nome de família com consoantes iguais seguidas ou um primeiro nome de bolacha como xiquilim, pimpim ou tintin e escreveria este texto assim:
"Estive na festa da P. Ela estava chiquérrima como sempre. Vestia um Maria Gambina de arrasar. A comida era boa e sobretudo era de borla. Eu sorria e a minha mãe guardava tudo num tupperware (quantos de vós conseguem escrever esta palavra?) que o Pedro-Menino-Guerreiro tem-se baldado à mesada e os tempos estão difíceis."
Mas como o melhor que arranjei foi um nome de ditador (tudo porque nuestros hermanos não se lembraram ainda de o transformar num dos "Grandes Espanhóis") terei que me contentar com uma descricao mais modesta.
E o que aconteceu?
De facto a festa da P.
Não sei se vestia um Tenente mas tinha meias sem buracos. Sucesso garantido no jet-7 local. A iluminacão do salão estava a cargo do cunhado de P. Pouco percebia de electricidade mas trazia umas meias vermelho Ferrari. Era de Estocolmo e por isso ninguém levou a mal.
Um gajo de Estocolmo está para a Suécia como um madrileno para Espanha. "O mundo no meu quintal", dizem. Ou pelo menos outros dizem que. E para mim nada é tão verdadeiro como um "diz que". Ninguém sabe quem o disse mas todos acreditam que quem o fez sabia algo. É um principio simples e que faz mover o mundo. Acreditar em deus torna-se desnecessário porque o "diz que" explica tudo.
Entre sorrisos e abracos reparei numa garrafa de Pitú. "The one and only" cachaca. Nestas alturas qualquer "modo de preparar" escrito em português nos aproxima das origens.
Jantar de conversas cruzadas e as perguntas. Porquê a Suécia? Há tanto sol em Portugal e por aí fora...
"De que cidade?" pergunta alguém de cara angélica? "Lisboa" digo eu....
"Olha, eu vim de Curitiba na semana passada!!", responde.
"Associou-nos ao povo irmão. Tudo bem...", pensei.
Jantarada terminada e algumas fatias de bolo depois somos chamados à cozinha como "especialistas" para fazer a caipirinha. Orgulhosamente o rapaz mostra o acucar (branco) original que "usávamos" lá. Além de perceber que ele tinha sido enrolado por um qualquercoisaINHO, compreendi finalmente que entre Lisboa e Curitiba não existia qualquer Oceano. Pelo menos para ele.
Que seja. A noite era de festa e mal por mal, antes samba do que fado.

sexta-feira, março 09, 2007

O que eu vi:


- Uma equipa a jogar no pontapé para a frente como se estivesse nos distritais
- Centros a partir do meio-campo para o 1,5m do Miccoli
- Uma defesa reduzida a um passador sem o Luisão
- Um meio campo que sem o Katsouranis parece um coro de meninos
- Uma equipa banal que leva tareias de tudo o que mexe em Franca a vencer um jogo
- O Pauleta a marcar um golo sem um queijo Limiano
- Nulidades chamadas Derlei, João Coimbra e Beto
Agora... eu vi o jogo pela internet num ecrã muito reduzido portantooooooo....posso ter visto mal. Pode ser que seja isso.
Ou então não.
Na dúvida é favor acertar meia-dúzia de passes na Luz. Basta isso.
E Nando...já chega de inventar está bem?
3 toques, remate (na direccão daqueles 7m entre os postes brancos) e golo.
Simples.
Eu contente.
Tu feliz.
Nós amigos.

quinta-feira, março 08, 2007

JET2

Acabo de ouvir na rádio a notícia desta aterragem de emergência em Faro.
O avião viajava de Leeds para Tenerife e embora não exista referência escrita à companhia, eu acho que é a JET2.
Porque será que nestas salganhadas nunca se ouve um nome como Lufthansa, KLM, TAP e por aí fora?
Não existem coincidências nestas coisas. Voar mais barato significa QUASE sempre maior risco de vida.
A escolha de low-costs é cada vez mais complicada porque crescem como cogumelos. Na dúvida, que se lixe o dinheiro e venham os clássicos dos céus! Como diz um homónimo meu para os lados da Autoeuropa: "Eu não tenho asas!!"

O beijo



Aqui há uns anos tive o "prazer" de trabalhar com uma criatura peculiar. Entre outras particularidades dignas de um BBC Vida Selvagem, gostava de falar por siglas. Era no seu mundo algo tremendamente "cool".
"K.I.S.S. !!!" dizia ele em alturas de aperto e o alarme de "Keep It Simple Stupid" soava.
Hoje, num dia que nem-é-bom-nem-mau-antes-pelo-contrário lembrei-me do artista.
KISS é exactamente o que quero hoje. Simples, mas tão simples que nada possa falhar.
Num mundo desenhado com o meu lápis, apanharia um avião para um sítio qualquer e ficaria quieto. Sossegado e iluminado pelo azul do mar. Sem pensar, sem argumentar, sem reagir. Quieto.
Com um bom livro, boa música, com a pele quente e salgada. Sem qualquer preocupacão e a deixar o corpo vencer a luta do cansaco. E porque não? Porque desenho mal, especialmente cenários idílicos. Quando era miúdo desenhava impecavelmente o Dartacão, mas não serve para esta metáfora...
Enquanto não chega esse momento mágico, a bem da sanidade mental, apliquemos o "beijo" dia-após-dia.
Para hoje:
- Feliz dia da mulher !
- Pauleta, faz de conta que tens a camisola da seleccão.
- Dormir quente e confortável
E é só.

quarta-feira, março 07, 2007

Café com cheirinho

Acordo com a calma do costume. Atrasado já não é a forma como descrevo a relacão temporal. É uma forma de vida. É a minha arte.
Corro para o eléctrico que não apanho. Sento-me no seguinte. Lá dentro o condutor faz uma comunicacão. É simpático da parte dele. Vejo gente chateada e a sair. Entre outras ouvi o nome da minha paragem. Passará por lá ou não? Arrisco no sim. O eléctrico arranca e percebo que não.
Sigo a pé. Não estou chateado. Longe disso. Chove mas o meu passo não muda. Estou calmo e descansado no meu mundo. Passo pelo café e penso: "Atrasado por atrasado...". Sou Português e não nego. Sou pastelão e disfarco mal.
Peco um "kaffe". Pareco um moldavo em Sta. Apolónia. Aproxima-se alguém que me faz lembrar o Quasimodo. Era feio, muito feio. Aguento a vontade de comer. Por pouco, por muito pouco.
Resolvo abrir o jornal para me fazer companhia. Na capa Hugo Viana e Miguel aparecem numa salganhada com o herói nacional (Ibrahimovic). A cena não dignificava mas estávamos em maioria na primeira página. Como dizia a Lena d'Água: "falem bem ou mal, mas falem de mim".
Continuo a "leitura". 25 000 iraquianos voam para a Suécia. Parece que estão em guerra civil. Ahhh...como é bela a democracia vista de Washington. Salto para a página cor-de-rosa. O Hugh Grant está por cá a promover o novo filme. Faz de bonzinho, com cara de bébé chorão e sorri bastante. Inédito. Passo nas viagens e Espanha continua ao preco da uva mijona. Palma de Maiorca é o Ceará cá do sítio. Faco uma rápida retrospectiva. Sou um dos poucos portugueses que nunca foi a Benidorm, Fortaleza ou Rep. Dominicana. Mas já comprei caramelos em Badajoz. Não corro qualquer risco de exclusão. Chego ao desporto. Uma entrevista com o Mourinho. Uma foto do Eusébio. Na rádio Nelly Furtado canta "...como uma forca que ninguém pode parar...". Sinto um arrepio. Que rol de coincidências...Estarei na baixa pombalina?
Olho em volta. Ouco viking e não há pastéis de bacalhau. Puff...acaba o sonho. Foram apenas as estrelas a alinharem-se no espaco. Ainda bem que me sentei ali. Volto ao jornal e concentro-me na entrevista. Mourinho diz que é o "special one". Não o melhor do mundo. E porquê? Porque existe outro Mourinho, o pai Félix. Tivesse L.F.Viera nascido uns anos antes e também o Comércio e Indústria de Félix teria arrasado a Europa em 3 anos. Foi apenas uma questão de timing. Gosto da riqueza da língua de Camões.
Vejo o resultado do Porto. Tive pena. Não que nacionalismos me invadam a alma nestas ocasiões. Pagar impostos é que é amar a pátria. Mas estava mesmo com os tripeiros. Umas das poucas coisas que o poeta Artur disse de jeito (além de "vamos fazer coisas bonitas") é que uma equipa se constrói de trás para a frente (comprou o Preud'Homme e esqueceu-se da "frente"). O que é verdade. Ontem deu dó ver o Helton. Quaresma e Pepe mereciam mais. Mourinho merecia menos. Cheio de fotografias de patrícios levanto-me e sigo com redobrada energia. "Para o trabalho e em forca" digo inspirando-me no António. A fúria passa-me rápido. Mantenho o passo e a calma.
Penso como escrevo. Frases curtas. Muitos pontos. Um telegrama ou um texto do Lobo Antunes.
Deve ser bom escrever na Visão. Mesmo que se comece cada texto com "olho lá para fora e vejo o tempo a passar, não sei o que escrever, toca a improvisar". Junta sílabas e paga a renda. Sonho supremo da Nacão. "Diz que"é antipático. Ele, o Lobo.
O Félix é mais simpático. Não escreve, mas é o "special zero". O maior entre os dois maiores.

terça-feira, março 06, 2007

O que um gajo faz para ganhar a vida

(via Arrastao)

O argumento

Um taxista "mete ao bolso" em Lisboa quando leva por Cascais um gajo de turbante que apanhou na Portela e que queria ir para o Areeiro.
Já em Abu Dhabi, idêntica cena acontece quando o gajo de turbante vê alguém sem camisa de dormir e chinelos perguntar a direccão para Khalifa Street.
É a internacionalizacão da profissão. E é uma bencão convenhamos. Que complicada seria a vida se nos deslocássemos e além da barreira linguística tivéssemos outras especificidades. O padeiro faz pão, o espanhol grita, o taxista mete ao bolso, o contructor civil rouba. É assim em todo o mundo e ainda bem. Ajuda na integracão.
Entre os trolhas que andam aqui por casa há um que é o "Engenheiro". É o mais pequeno de todos, mas sabe a tabuada dos 4 e domina a arte da resposta.
Apareceu quando verificámos que um dos chapa-massa gostava do nosso LCD e nessa altura, entre desculpas, prometeu uma "atencão especial" aqui ao estaminé. Antes das 6 semanas inicialmente previstas tudo deveria estar pronto.
As 6 semanas, esse utópico prazo, terminaram 6f passada. Enquanto outros apartamentos estão prontos ou em limpezas finais, o nosso está praticamente na mesma há 1 semana. Não era bem este tipo de "atencão especial" que esperava.
Telefonei. No meio de uma conversa em inglês ele diz:

"Se tivesse lido o contracto (em sueco), teria percebido que nós escrevemos lá "AROUND" 30 dias. Ora hoje é o dia 30."
Perguntei: "Então e o AROUND? É coisa para quantos dias?"
"Não sei. Tenho que ver no escritório.", respondeu.
"Mas não me consegue dizer agora?"
"Não! Nem sei de que apartamento me está a falar."
"Daquele que foi gamado."
"Ahhhhhhh...já sei qual é!!"
"E então? Quando está pronto?"
"Não sei."
"Huuummmm...e 6x7?"
"Também não!"

segunda-feira, março 05, 2007

O maior, depois do Wally


Vejo que não só o António está entre os 10 maiores portugueses de sempre, como se discute também a possibilidade de construir um museu sobre o estado novo na sua Santa Comba natal.
"O dinheiro é da terra..." diz alguém ao DN.
Não minha senhora, o dinheiro não é da terra. O dinheiro é nosso. De todos os que pagam impostos para que o governo possa alimentar as "terras" e respectivas autarquias.
Um museu que explique o que foram o estado novo e Salazar na nossa história, tudo muito bem, mas não me parece que seja esse o intuito da coisa.
Algo me diz que este museu não terá fotografias do Tarrafal...

1 byte = 8 bits

Há sempre um artista que é "O" esperto. Seja qual for o patamar da vida, há sempre um mete-asco por perto.
No outro dia estava num restaurante e pergunta-me o rapaz enquanto deixava a cerveja:
"De que país vens?"
"Portugal", disse eu.
"Ahhh....lembras-te de 2004? Do primeiro jogo? Do último jogo? É desse país que eu venho ", respondeu ele com 20 palavras quando poderia ter dito apenas Grécia. Olhei para ele e enquanto observava aquela penca muito semelhante a um martelo de orelhas, sorria com fair-play e sem vontade nenhuma. O bife ainda não tinha chegado e nestas coisas de cozinhas longe da vista, longe do coracão, não gosto de fiar. Portanto, goza lá, mas traz o bife limpinho.
Na escola havia o gajo dos óculos que respondia a tudo que não lhe perguntavam e que se sentava na primeira fila, porque ao colo da professora não era possível. Não gostava de jogar à bola no intervalo porque ficava sujo e acabava tudo o que era jogo para construir civilizacões. Mais tarde, esse mesmo gajo vai comecar a trabalhar sem que no entanto mude o tipo de abordagem. Deixa de ser "graxinhas" e passa a "lambe-botas", conotacão oficial para um mete-asco no mundo do trabalho. Quem nunca viu um que atire a primeira pedra.
Aqui o camarada Wally está a fazer tudo o que pode para olhar para ele de lado. Sebo, terra e pivete eram os argumentos à partida, mas Wally revela-se um "lambe" de primeira, merecendo por isso 3 referências em cada 5 textos. Há uma paixão óbvia. Parece-me.
Wally entrou na minha lista oficial de gajos a detestar....há sempre 1 ou 2 em cada emprego. Wally ganhou por direito próprio o galardão.
Wally não anda. Voa.
Pode levantar-se e andar 1m para ir buscar café, mas fá-lo com passos decididos e firmes que se ouvem no edifício todo. Wally está em movimento. Wally é um gajo ocupado. Onde vai? Buscar um simples café ou até mictar quem sabe....mas anda como se a sobrevivência do mundo dependesse dele. Nada contra, se isto não aumentasse o pitéu a sovaco.
Reunião de grupo. Cada elemento da equipa diz o que está a fazer, em que projectos está a trabalhar, etc. 1min por pessoa no máximo. Wally faz uma tese em cada palavra. Repete a accão inúmeras vezes e para um distraído parece que está na senda do Santo Graal (vi o código DaVinci ontem...a grande questão é: porque é que não fiquei quieto?? ). E tudo isto com os olhos bem esbugalhados para parecer convincente.
E como não basta ser um mete-asco, Wally é também danado para a paródia no seu mundo de 0's e 1's.
Vai um gajo buscar almoco e diz para Wally:
"Wally, queres Sushi?"
"Sim, por favor"
"Quantos pedacos Wally?"
"1 byte deles por favor"

Wally, o prémio é teu.

sexta-feira, março 02, 2007

O regresso


Nota prévia: Se há altura em que não me dou ao trabalho de fazer copy/paste de cedilha é quando escrevo sobre este moco(com ou sem cedilha)...


Comeco por dizer que não gosto do Paulinho.
Não é que o conheca. Talvez até seja um bom rapaz. Quem sabe até se, por baixo daquele aspecto de vocês-sabem-o-quê-não-assumido, não está um camarada simpático que paga um copo ao irmão enquanto discutem Tolstoi. Pode ser. Quem sabe.
Enquanto político, o Paulinho encerra tudo o que a "profissão" tem de odioso. Calcula cada passo. Faz da demagogia lei. Não defende qualquer ideal que não seja em proveito próprio.
Nada de novo na sua declaracão. Nada de novo no estilo. Ele é o mesmo.
Deve ser triste a vida de militante centrista. Votar num partido que é refém de uma pessoa. Resume-se a isso. Portas não defende os ideais democrata-cristãos. Portas usa o único espaco que consegue para atingir os seus fins políticos que como se sabe ultrapassam em muito qualquer meta centrista.
Depois da passagem pela JSD e de alguns textos em jornais menores, vieram os anos de ouro no Independente. Manipulou a política através do escândalo nas primeiras páginas. Conservador de primeira, gritava "Europa Não" e ofuscava com a identidade da nacão. "Criou" Monteiro e o partido do táxi para levarem a "palavra do senhor" e mais tarde, já sem utilidade política, deixou-o cair para emergir como novo líder. Depois de muitos beijos em peixeiras, conseguiu entalar o cherne que teve que gramar com este empecilho no ministério da defesa. Nessa altura, a bem da coligacão a Europa já não era um bicho-papão e Paulinho assumiu uma nova pele. Os ideais não abanaram, afinal, também nunca existiram. Com a maioria absoluta do PS resolveu iniciar uma travessia no deserto, que no caso dele, foi sol de pouca dura. Até aí se vê o asco da personagem. Um gajo decente e que realmente acha que falhou, muda de vida. Vai para comissário dos refugiados, vai para a linha da frente no Afeganistão. Não interessa. Mostra coragem política e assume os seus erros.
Paulinho não errou. Pelo menos na visão dele.
Paulinho nunca saiu. O congresso que aclamou Ribeiro e Castro não estava previsto. Telmo Correia era o mono que devia ir ao leme enquanto o "Obi-Wan" passeava no deserto.
As contas sairam trocadas e as bases votaram num gajo que se baba enquanto fala. É uma característica de lideranca mais do que suficiente por aqueles lados.
O que faz Paulinho? Usa todos os seus testa-de-ferro para minar o partido durante 2 anos. Destrói tudo para aparecer como D. Sebastião. Os resultados do partido e a sua estabilidade nunca o preocuparam. Apenas condicões para o regresso entraram na equacão.
O CDS-PP, apesar do vazio de ideias assustador, ainda tem um numero considerável de votantes. Será que não topam o esquema do Paulinho? Porque prestam esta vassalagem a um gajo que usa o partido em benefício próprio?
No entanto este regresso traz uma vantagem. Inspiracão para os "Gatos".
O próximo episódio do "Diz que é uma espécie de magazine" servirá de consolo para este flagelo.

Aqui. Está aqui.



Fui o último a chegar.

Ele já lá estava.

Sentado e bem sentado.

De t-shirt. Uma bela t-shirt de manga larga.

Há liberdade. Há muito espaco aberto. Há odor liberto no ar.

Não há sanex. Sobretudo isso.

O Manel

Quando comecei a ligar a este fenomeno de 22 a correr atrás de uma bola, Bento era O guarda-redes.
Sobre ele lembro-me de ouvir dizer que "acertava sempre em qualquer coisa". Saía dos postes decido e no meio da confusão lá aparecia o Bento a socar a bola ou uma cabeça para longe. Pequenino mas rijo. É assim que o recordo. Pertencia ao famoso "Grupo do Barreiro" e fez de irmão mais velho para os meninos de então. Diamantino e Chalana quer o digam. Era da escola antiga. Daquela que veste e sente a camisola. Se por aqueles lados ainda se ouve falar em mística é a pessoas como o Bento que se deve.
Foi uma surpresa. Um desagradável surpresa.
Até sempre.

quinta-feira, março 01, 2007

O paralelo 38


Também há emigrantes portugueses no paralelo?

Brize Continuo

O dia comeca bem.
Para já comeca o que faz logo toda a diferenca.
Tirando aquela malta do sininho e cartaz a anunciar o fim do mundo, gajo que diga "o dia comecou mal" não sabe o quão maravilhoso é o milagre da vida. Esta frase roubei ao Kusturica. Só para não me associarem a PP's e coisas do género. Com estas conversas de vida nunca se sabe.
De qualquer forma eu nunca poderia ser do PP. Tenho caracóis e isso impossibilita a entrada no Largo do Caldas. Se repararem bem não existe um único gajo no PP com caracóis. O único que se aproxima é o Telmo Correia mas como tem medo que notem até está a ficar careca só para disfarcar. Há também aquela ala "Marquês de Pombal" que jogava à sueca no PPM e que passou para o PP quando comecaram a oferecer M&M's nos congressos. Têm caracóis mas são fabricados com "permanentes" e "mises". Não contam.
Bom, mas já me estou a desviar...
O que é algo que até faco bem modéstia à parte.
"Gosto do contacto humano. Há todo um movimento socio-cultural de massas que se aglomera em prol de um objectivo comum. A euforia é levada ao limite e as frustracões são esquecidas por uns minutos. É um espectáculo que cria alegria. Essencialmente isso. Não concordas?"
é a minha forma de dizer: "Vou à bola !".
Gosto de floreados. São mais poéticos. O que posso fazer?
Mas voltando ao assunto....
Essa é outra. O assunto. Poucas coisas na vida atingem a magnitude da felicidade de falar. Meu deus, meu deus....como é bom falar. Seja de que assunto for. Ser mudo deve ser o pior dos castigos.
Pensava eu que falava pelos cotovelos mas entretanto conheci dois gloriosos "T". Há uns anos valentes diga-se.
Um deles estebeleceu o recorde mundial de articulacão de sílabas sem respirar. Foi de setúbal a campomaior sem dar tréguas. Uma performance de encher o olho. Senti-me um aprendiz de feiticeiro. O outro "T", bom, o outro "T" é o recordista nacional de assunto. Comeca no azul do mar, passa por uns "ahhhhhhh" e acaba no imposto da CISA. Nunca esgotamos temas.
Mas essas são contas de outro rosário. Voltemos ao assunto...
Esta do rosário fez-me pensar em latinos. O que me transporta para a noite passada.
Estive numa festa onde eu era o único não colonizado por espanhóis. Já sabia qual era o esquema e de manhã antes de sair de casa pus um pouco de perfume e escolhi umas boas meias. Verde escuro. Sem buracos. Classe e descricão. Só a aniversariante tinha pé-de-gesso turco, mas meus amigos, ela era a protagonista da noite. Regras são regras.
Agora...porque é que o dia comeca bem?
Porque além de ter comecado, o Wally ficou em casa!
O cheira-mal não está cá!!!!!
Respira-se!!Hoje respira-se!!!
É o milagre da vida.