sexta-feira, setembro 29, 2006
Dicas & sugestões
. Ben Harper no pavilhão atlântico (aposto que ainda há 1 bilhete)
. Jazz com fartura em Oeiras (este fim de semana)
. José Pedro Gomes e António Feio no Villaret (fico curioso...)
. Músicas do mundo em Mafra
. Paris, Londres e Dublin de "graça"
se tudo isto falhar, há sempre os "pastéis de Belém" em Lisboa e as francesinhas do "capas negras" no Porto :)
Bom fim de semana!
Tiago Reis
para ti e só para ti que estás quase a fazer anos, olha o que eu descobri.
É quase uma prenda antecipada ou não fosses tu um fã deste belo risco ao meio. (via Vodka Atónito)
Os suspeitos do costume
Redefinindo o conceito de "atrasado" (quase que conseguia "vencer" o meu colega que dá 1 passo para a frente e 2 para trás e que normalmente aparece 2 horas depois dos outros...) fiz o caminho para o trabalho envolto no verde magnífico da paisagem e com um sol esplendoroso a realçar o azul do céu. A plenos pulmões cantei cada uma das 17 músicas que compõem o álbum "Nesta Cidade" dos Xutos, na sua vertente mais acústica. Cheguei aqui com a boa disposição que caracteriza uma sexta-feira, elevada ao expoente neperiano. Gosto dos Xutos, gosto mesmo. Não é que os ache brilhantes músicos, não é que individualmente me encham as medidas, mas no conjunto formam um poço de inesgotável energia. Há muito, muito tempo atrás (algures em 85), lembro-me de na ilha de Sta. Maria ir a casa de um recém-chegado colega do meu pai. Vinha fresco da cidade (Lisboa) e trazia com ele os ventos da moda. Na altura, já passada a fase "banda sonora do Dartacão a 33 rotações", vagueava algures pelos êxitos dos Ministars (nunca Onda Choc...não eram "cool"). "Maria Madalena, you're the preacher of the night" e refrões do género, faziam as minhas delícias de então. Na referida casa desse colega, "fui apresentado" a dois LP's (tenho saudades do vinil confesso!) de uma banda com poucos anos de estrada, os Xutos. Chamavam-se "Ao vivo no Rock Rendez Vouz" (onde apresentaram alguns temas entre outras bandas) e "1978-1982" o primeiro álbum de originais. O meu pai fez o favor de os gravar em K-7 (daquelas de 90 min) que passados 20 anos ainda existem, algures no meu espólio. Não percebia o conteúdo das letras, nessa altura de carácter mais social e de intervenção, mas os refrões agradavam-me e para desgosto do coro Santo Amaro de Oeiras, tive que colocar de lado os Ministars. Os álbuns seguintes ("Circo de Feras" e "88") apareceram lá em casa a pedido, numa das deslocações do meu pai a Lisboa. Representaram a "explosão" nacional da banda e para mim, a confirmação de uma sonoridade que me agradava. Os anos passaram e cada um dos álbuns foi religiosamente comprado (mesmo aqueles que acho muito fracos), porque os Xutos já estão para mim como o James Bond. Mesmo que nem sempre goste, fazem parte da minha vida. Não me lembro de um ano onde não os visse ao vivo pelo menos uma vez (até porque fazem parte do cartaz vitalício do Avante!!). Como diz o Rui a propósito do assunto: "Ah, vais ver os Xutos e aquele recente sucesso, o "Circo de Feras"? É um facto que as melhores músicas e álbuns já têm quase duas décadas, mas continuo a ter prazer quando as ouço. Se pensar um pouco....a voz do Tim é um pouco difícil de "encaixar", o Kalú tem energia e pouco mais, o Zé Pedro fala muito e não toca nada, o João Cabeleira toca muito e simplesmente não fala (o Gui é normal :)), mas depois em palco, resultam em algo contagiante e que vai atravessando gerações. Claro que não os acho melhores com a idade. A qualidade tende a piorar e o Tim parece querer "azeitar" a solo. Aquele primeiro álbum do "queria ser astronauta e blá, blá" até me deu pena. Timóteo, tem mas é juízo e escreve um Circo de Feras 2 para o Rui ir comigo a um concerto. Vinha a pensar nisto tudo enquanto conduzia e ouvia aquela malta a percorrer temas escritos ao longo de 25 anos. Não me lembro quantos concertos vi, mas guardo com particular saudade o acústico no Tivoli, onde gravaram este mesmo álbum (lembras-te Rita L. ?), o primeiro RiR com o Tiago, o que serviu de base ao DVD há 2 anos no Pav.Atlântico com o Ricardo e o primeiro, o primeirinho de todos, no final da década de 80 no festival Maré de Agosto. Nesse e com a ajuda do Henrique Mariante, que sempre esteve nas "entranhas" do festival, consegui ir aos bastidores e ver a minha t-shirt autografada pelos 5 membros da banda. Um deles, o Kalú, até me pediu para segurar a cerveja enquanto assinava o "pau da bateria" (desculpa lá Rui...não sei se se chama baqueta, ou baquete, ou baguete, ou seja lá o que for...). Não só tinha um ídolo da altura bem perto, como estava a cheirar cerveja pela primeira vez na vida. Anos mais tarde o meu pai disse-me: "aquela t-shirt estava muito amarela e foi para a máquina"...que desgosto (diria "Meu Deus" se acreditasse) senti. As assinaturas ficaram mais claras, mas não desapareceram...menos mal. Poucas bandas/músicos em Portugal atravessam gerações (em vida) como os Xutos têm feito (lembro-me do S.Godinho, R.Veloso...) e apesar de não olhar para eles como o fazia em miudo, ainda gosto de quando em vez de abrir o baú e ouvir uns "clássicos". Tudo é verde, o sol radia, o corpo não sente frio, é sexta-feira e ouvi xutos. Estou contente, estou mesmo bem disposto. No caminho de regresso o boliviano vai gramar com o álbum inteirinho...aposto que vai adorar!
Excelência
A Superbrands Portugal, uma entidade independente que tem como objectivo promover o reconhecimento das marcas excepcionais em vertentes como domínio de mercado, aceitação, longevidade, fidelização e goodwill (empatia), elegeu este ano, pela primeira vez, um clube de futebol como preenchendo todos os requisitos. Estiveram quatro clubes em análise, mas apenas o Benfica mereceu a distinção de marca de excelência, juntando assim o seu nome a um grupo de mais 33 marcas de top a nível nacional, todas reconhecidas pela opinião pública como sendo nomes de grande credibilidade, como por exemplo a Galp, Bom Petisco, a Brisa, Millenium BCP, Optimus, Vodafone, PT, entre outras. "
(...)
E golos?? Jogadas?? Fanã na rua?? Pontos ganhos??Também se arranjam S. Excelência??
quinta-feira, setembro 28, 2006
O Gramma do Texas
Quando era miúdo (para não começar com "Era uma vez..."), o pequeno-almoço era A refeição lá de casa. Não é que a actividade gástrica não se repetisse noutros horários, mas O pequeno-almoço ao fim de semana, era o que eu preferia.Muitas vezes queixava-me de ser muito cedo, afinal ao meio dia ainda eu procurava a cabeça perdida algures entre Santos e o Bairro Alto na noite anterior. Queixava-me porque o leite tinha natas, queixava-me porque o queijo tinha coisas verdes, queixava-me por tudo e mais alguma coisa embalado pelo sono.
A mesa tinha sempre uma enorme variedade de coisas. Quando hoje em dia penso nisso, até tenho vergonha de ter aberto a boca para falar mal...mas enfim, idiotices de quem nunca tinha usado uma gillette (não é que agora use muito, mas essa é outra história).
O meu pai dizia então: "Ainda vão ter saudades..."
E tinha razão. Mais do que a refeição, era todo aquele debate de ideias que me fascinava, embora só mais tarde o tivesse percebido. Hoje em dia e já sem sono, continuo a achar que aquele queijo com bolas verdes não é bom...nestas coisas sou muito simples e não há como o bom e velho queijo de batata (flamengo).
Serve isto para puxar a brasa a uma recorrente discussão e a um tema que nunca se esgota. Há quem defenda que os EUA funcionam como uma espécie de ditadura. Não será bem assim na minha opinião, mas parece-me que não têm a noção exacta de tudo o que se passa no mundo. Só passei por aqueles lados uma vez na minha vida e poucas referências ao exterior (nas televisões) me lembro de ter visto.
Eu não sei se a informação chega ao americanos "modificada" ou se simplesmente não chega (será isto possível nos dias de hoje com a internet completamente aberta?). Contudo, fico com a sensação que de vez em quando se faz "engenharia nos media", de forma a condicionar a opinião pública.
Ocultar, esconder ou alterar informação é uma forma de reduzir e condicionar a liberdade, o que contraria os pregões de moral e bons costumes defendidos pelos sucessivos governos norte-americanos.
Este tipo de práticas era comum nalguns regimes comunistas tão duramente criticados. Assim de repente, lembro-me de um exemplar do Gramma (jornal oficial do governo Cubano) que guardei por achar piada, tal era a manipulação exercida. Nesse jornal apenas apareciam notícias fantásticas de Cuba e da Venezuela. Galinha que pôs ovos gigantes, encontro de velhos em Havana com mais do que 100 anos, medalha de ouro para o desportista X, pessoas muito contentes com o Chavez em Caracas e por aí fora. No resto do mundo era a revolta dos mineiros na Bolívia, cancro em Londres, morte nos EUA e tudo do mais negro que se possa pintar.
Eu achei aquilo irreal demais para ser verdade e não resisti a comprar o jornal (que é escrito em várias línguas, incluíndo português). Mas quer dizer, o regime Cubano limita os acessos à internet, não deixa os habitantes saírem de Cuba a não ser que alguém pague por isso e fazem o possível para que os cubanos pensem que vivem num paraíso. Não vivem é um facto, mas estão longe do inferno que a ignorância ilustra para muitos no resto do mundo.
Pediram a vários americanos para identificarem geográficamente onde ficava o Irão. Todos diziam (com a boca cheia de hamburgueres) que eram terroristas e toca de invadir, mandar bombas e toda essa mística do faroeste, mas quando lhes pediram para apontar no mapa a zona onde estavam os "maus", indicaram a Austrália.
Eu sei que um povo com tamanha mistura de raças, credos e religiões, não se pode rotular como um só. Também acho que alguma imprensa europeia nos faz chegar o que de pior se vê do outro lado do oceano, mas continuo a acreditar que na sua maioria, os norte-americanos não sabem o mundo que os rodeia e muito menos o que pensa deles.
Fiquei espantado com as capas da "Newsweek". Isto é "cosmética popular" do mais básico que possa existir.
Já sei que não são como os cubanos, já sei que podem viajar...mas saberão que existe mundo para lá do texas?
Terapia de grupo
Escrevo sozinho, como se o fizesse para um diário, mas por vezes esqueço-me que isto é um espaço público e que quem lê pode não interpretar como eu penso na altura de articular as letras.
A escrita traduz tudo. A tristeza passa, a alegria é notada, a euforia saloia não consegue ser disfarçada.
O colorido das palavras tende a reflectir o estado de espírito. Quem me conhece, "ouve-me" enquanto está a ler, quem não sabe quem eu sou, imagina um personagem. É o que eu faço quando leio textos na blogosfera. Crio os meus próprios personagens.
Claro que existem problemas neste mundo virtual. Se estiver triste ou procupado porque rebentou um carro armadilhado perto de casa e não comentar, tudo fica na mesma, mas se o escrever já sei que vou receber um telefonema da minha mãe a perguntar se tenho as duas pernas. É natural neste "mundo de partilha".
A verdade é que apesar de nem sempre o achar correcto, sinto mesmo a necessidade de escrever, relatar, desabafar, como se estas linhas encerrassem algo só meu e me permitissem lavar a alma.
Se algo me revolta, se algo me aborrece, gosto de usar a terapia da escrita. Nada muda, nada se altera. Mas eu sinto-me mais leve e talvez seja egoísta da minha parte pensar assim, mas ajuda-me.
Isto tudo para dizer que sou rancoroso. Não quero, não gosto, mas tenho que o admitir. Se algo me desagrada fico a matutar e não há forma do pensamento me abandonar. Posso ultrapassar, posso até ignorar mais tarde, mas jamais esqueço e de tempos a tempos, o desagrado volta.
(agora mudem de blog, porque vou carpir algumas lágrimas e desabafar para a tela...)
Tenho consciência da tarefa que abracei quando vim para aqui. Trabalho como consultor e a minha empresa usa-me para tentar entrar num mercado até aqui desconhecido para eles. Por um lado tenho que ter um bom desempenho e provar ao cliente que a minha empresa deve cá estar e por outro lado tenho que provar à minha empresa que fizeram bem em contratar-me lá atrás do sol posto. Compreendo que o grau de exigência seja maior para um funcionário externo do que para um da casa. São as leis do mercado. Eu sabia as regras do jogo e aceitei-as. Não sou o tipo de pessoa de usar gravata (mas já passo as t-shirts!!), não tenho aquela pose idiota de serviçal e não estabeleço "distâncias de segurança". Dou-me bem com toda a gente, sorrio sem problemas e o facto de ser mais novo que a maioria dos meus colegas, não quer dizer que estivesse a vender choco em Setúbal ou tapetes em Arraiolos.
Até aqui, tudo correu bem e devo dizer que os meus dois supervisores suecos sempre foram atenciosos e socialmente preocupados com o meu bem estar.
Ontem, talvez estivessem num mau dia. Quero pensar que foi isso.
Há 8 meses comecei a "construir" uma aplicação que é hoje usada por todo o grupo GM. Não fazia ideia no inicio de como o fazer. Tive que dizer que sabia, que acontecia, que não sei quê e tal...é a outra lei do mercado, a de arranjar emprego.
Uma vez cá, recorri ao espírito português do desenrasca (toca a ler o manual antes que eles percebaml!!!) e tenho algum orgulho no que fiz passados 7 meses. Na Alemanha, EUA, Suécia, Espanha, Índia e em vários fornecedores como Siemens, Bosch, etc usam uma ferramenta de trabalho que fui eu que fiz. Envaidece-me e não me fica bem dizê-lo, mas não fazia a mínima ideia de como ultrapassar este obstáculo e sinto um alívio muito grande por ter conseguido.
Terminada esta tarefa, foi-me dito isto:
"Temos um equipamento melhor do mundo e arredores, faz pãezinhos quentes, tira bicas e ainda faz metade do trabalho do departamento. Há 1 ano que andamos a tentar torná-lo operacional mas ainda não conseguimos. Seria bom que o fizesses em 3 semanas."
O meu primeiro pensamento foi: "Se é tão importante porque é que não o têm a funcionar há mais tempo??".
Mas tudo bem. Toca a ler o manual e começar do zero. Este equipamento deve funcionar em cima de uma plataforma electrónica. No caso concreto em cima da plataforma que simula o Cadillac e na outra que simula o Opel Vectra. A máquina começou a funcionar ao fim de 15 dias na primeira plataforma.
A segunda plataforma, estava a ser contruída ao mesmo tempo que eu tentava perceber como funcionava o equipamento. Não era possível que funcionasse enquanto a construção não estivesse completa, o que aconteceu esta semana.
Ontem, pedi para sair mais cedo, pois queria inscrever-me nas aulas de sueco (entre outras coisas como a natural integração, não me sinto bem de estar nas reuniões de equipa e ter 20 pessoas a falar inglês só porque eu não entendo sueco). A esse pedido, o meu chefe respondeu:
"o que eu queria mesmo, era ter a máquina a funcionar o mais rápido possível, mas se o status da plataforma não te permite concluir o teu trabalho, então aceito que saias mais cedo".
Confesso que me custou a encaixar. Uma coisa é sorrir, outra é ser tomado por estúpido.
Agradeci e a morder os dentes respondi que iria para a bancada concluir a minha tarefa. As aulas ficariam para mais tarde. No fim do dia de trabalho, escrevi-lhe dizendo que tudo estava a funcionar e que a máquina estava pronta para ser utilizada pelo departamento. Tentei ser profissional e não mostrar qualquer rancor. Foi como engolir um sapinho.
Num mundo ideal eu diria:
"Aquela máquina cujo botão de on/off procuras há 1 ano, está a funcionar, 2 dias depois da plataforma ter ficado pronta. Já poderia estar há mais tempo se te dignasses a ler o manual em vez de parares 3 vezes por dia para café e passares o restante tempo a fazer tabelas excel com planeamentos de tarefas que não fazes a mínima ideia como se executam!!"
Eu não quero palmadas nas costas, mas não suporto injustiça.
Tudo o que me foi exigido até hoje foi entregue sempre antes de tempo e nunca disse não a nada. No total tive 15 dias de férias, quando todos os meus colegas tiveram 5 ou 6 semanas. Nem quando o meu pai aqui esteve fiquei em casa. Qualquer sueco tiraria essa semana para a família, a anterior para preparar e a seguinte para relaxar. A partir das 14h começam a sair, precisam dum dia todo para preparar um mail onde devem dizer "sim" ou "não". Se estão com stress vão para casa, se são 14.30h é melhor "falarmos amanhã", se me pedem algo para a semana seguinte eu entrego no dia seguinte.
Não sou perfeito, longe disso, mas tenho a consciência que me tenho esforçado o mais que posso e quando olho em volta, não tenho problemas em dizer que ando bem mais depressa que a maioria. Eu sei que sou obrigado a isso por ser estrangeiro e por pertencer a uma empresa externa. Mas porra, ninguém me está a fazer caridade...eu faço mais do que suficiente para justificar o meu salário.
Um bocado de respeito e consideração não fica mal a ninguém.
Fala comigo como se eu me estivesse a baldar ou a desleixar nas minhas funções?? Deu-me 3 semanas, 2 das quais com a plataforma completamente destruída, para algo que não fizeram num ano completo e queixa-se de quê?? Está pronto, está feito. Demorei dois dias desde que a plataforma foi finalizada. Sempre quero ver quando é que começam a usar a "urgência"!!!
Depois, chego ao meu sítio e lá do fundo da sala, o meu outro supervisor diz: "Tiago, anda cá!"
Foi tão rude, que o sueco que estava ao lado dele disse: "epá, nem sff??"
Cheguei lá e respondi a uma pergunta que um menino da 4 classe não faria...depois, no regresso, aquele "Tiago, anda cá!" bateu-me como um pica-pau durante todo o caminho para casa. Só faltava ter estalado os dedos e pedido um café....
Eu gosto de brincar, gosto de ambiente descontraído, mas aproximo-me de todos sem excepção com educação. Não faço sorrisos idiotas, mas falo com respeito e educação. O profissionalismo não nos obriga a andar como se tivéssemos engolido um garfo, mas obriga-nos a ser educados, ter respeito e ser justos.
Sinceramente, quero acreditar que estes dois colegas tiveram dias maus ou são simplemente bronhos e não pensaram no que escreveram/disseram.
Mas para mim a coisa fica mais difícil. Já não consigo olhar para eles com a mesma simpatia e isso é que me chateia, não tenho jeito para não gostar de alguém.
Mas sou rancoroso, o que posso fazer?
Ps - mãe, só tu deves ter chegado aqui, por isso fica o resumo: não te preocupes porque não estou a chorar nas paredes. Fiquei irritado, desabafei ontem e aqui. Mando umas valentes broas da boca para fora e já me sinto melhor. É a chamada terapia de grupo.
quarta-feira, setembro 27, 2006
terça-feira, setembro 26, 2006
Por favor Fanã, vai-te embora!
O Skype e uma simples câmara fazem milagres e consigo (com uma imagem razoável) ver finalmente as camisolas vermelhas a bailar.
Durante a primeira parte pensei que os gajos do manchester não soubessem para que lado ficava a baliza. Mas claro. Falta de ideias, falta de remates que acertassem na baliza, falta de convicção e falta de leitura de jogo. Tudo, exclusivamente tudo da responsabilidade daquele artolas de gola apertada.
Na primeira vez que rematou à baliza o manchester marcou. Não existe justiça neste negócio, só eficácia.
O que fez o Fanã? Foi a correr meter um avançado. Reagiu, apenas isso, o que é a primeira imagem de marca de um perdedor. Qualquer nabo que soubesse ler o jogo, teria mexido na equipa quando ela dominava e tinha os ingleses encostados. Qualquer Mourinho reforçava o meio campo ou ataque nessa altura para chegar ao golo.
A Liga dos Campeões já foi e é pena. Qualquer outro treinador "limpava" esta qualificação com o mesmo grupo de jogadores.
Fica a satisfação de ver finalmente uma jogatana no conforto do lar, com Bohemia e comentários em português (e ruído do estádio, que é muito importante nestas paixões acéfalas).
O Skype é o maior, o Fanã não!
O sonho dos meus amigos é ter um GTI
Repete vezes sem conta o sonho de ter um daqueles comandos para destrancar o carro. É simples e eu acho-lhe piada.
Goza comigo várias vezes por ter comprado um BMW velho (17 anitos bem formosos). Diz-me que é o carro típico dos iraquianos.
O carro dele, muito mais novo (92!), é japonês, tem tecto de abrir, leitor MP3 (onde esta manhã ouvimos uma banda famosa do Uruguai nos anos 60 - os Beatles lá do sítio) e 140 cavalos, o que para ele é um motivo de orgulho. "It's a GTI man!!!", diz-me várias vezes.
Pouco passavam das 6 da manhã quando ele me apanhou perto de casa. Nem cheguei a entrar no carro e já aquela porcaria não arrancava. Ainda com os olhos fechados, mãos na chapa e toca a fazer força para acordar.
Com o pinguinho a ameaçar o Sanex, aquela lata decidiu pegar e lá entrei. Ainda nem tinha tirado o casaco, quando as luzes do rádio começaram a piscar, o painel de instrumentos a imitar uma árvore de natal e só faltava o "Spock" no banco de trás para aquilo ser a "Enterprise".
No meio daquela confusão e ainda cheio de orgulho ele disse: "it's a GTI man!!!".
A 80Km/h (nem mais, nem menos) percorremos os 80 Km de distância. No rádio, os ditos uruguaios esfolavam gatos. Foi uma cena digna de se ver...sentia-me num filme do Kusturica! Só faltavam as galinhas a voar e os ciganos a saltar.
Com o carro estacionado em frente ao meu departamento, viémos trabalhar desconhecendo se "Sua Alteza GTI" resolveria trabalhar no regresso.
Essa hora aproxima-se e ele já me está a cravar para empurrar. Somos os dois únicos "cabelo escuro" num raio de 1Km, pelo que a cena promete.
Dois latinos no meio de centenas de louros a empurrar um carro a cair de maduro (já disse que é GTI?). Ainda pensam que o estamos a gamar e toca a fugir à frente das hordas Vikings.
Eu já lhe dei o toque para evitarmos cenas terceiro mundistas. Pede ajuda a um dos cavalos para empurrar e ainda sobram 139 para o levar até Gotemburgo.
Afinal, é um GTI.
Figarooooooo
O peixe estava delicioso, as batatas acabadinhas de sair, o molho com um ligeiro sabor a alho e de aspecto espesso.
A salada bem temperada, regada com algo cor-de-rosa, cuja essência desconheço mas sabor aprovo.
Um néctar de bagas vermelhas para molhar os lábios e refrescar a alma, que estes 20 graus dão cabo de mim!
A companhia do Chico (o Buarque), que em português de Vera Cruz me relatava a experiência de Budapeste. Envolvente, cada vez mais envolvente.
Depois, com vontade de fazer a "siesta" dirigi-me para o laboratório. Deserto, completamente deserto. Coloquei bem alta a música do momento e sozinho por lá cantei.
De repente, como que num passe de magia, naquele "emaranhado de fios e luzes" tudo começou a funcionar. Cantei ainda mais.
Passada a euforia gravei tudo, não fosse o diabo tecê-las. Nestas coisas do "0" e "1", a verdade de hoje é a mentira de amanhã.
E infelizmente, se há coisa que me falta é paciência para procurar verdades.
Mas funciona. Agora funciona...amanhã logo se vê!
Fazendo "axels" triplos com saída à retaguarda, saltarei por estes corredores fora partilhando a minha alegria com os meus colegas, ao mesmo tempo que a plenos pulmões cantarei Fígaro, de Rossini.
É o mínimo que posso fazer. Estou feliz.
Terminal A
. Para quem gosta de simular centenas de ligações aéreas, até compreender que nenhuma custará 1 eur.
. Para quem acredita que algo barato e com qualidade existe mesmo.
Ou para quem como eu, gosta simplemente de olhar para vários destinos e sonhar com eles, fica aqui um site fresquinho, fresquinho, enviado por quem anda sempre de olho nestas novidades.
Os caramelos

Ontem não foi um dia famoso.
A minha colega resolveu adoecer e apesar de não fazer muita diferença a sua presença, a verdade é que despejaram para cima de mim as coisas que ela devia fazer. Só agora percebo que não faz a mínima ideia de como executar o projecto que lhe foi atribuído. Para ser sincero, nem eu. Mas já percebi que ela espera que apareça daqui a solução. Num passo de mágica devo criar uma solução para um problema que desconheço e que me parece que a pessoa que me devia explicar, também não faz ideia. Não está fácil, mas algo se desenrascará...é sempre assim. O "em-cima-do-joelho-lusitano-e-sem-dar-por-isso-voilá" continua a ser uma verdadeira padroeira de milagres.
Andei todo o dia atrás de uma falha, cuja resolução é para mim tão óbvia como a localização do triângulo das Bermudas e com os neurónios já em "sleep mode" (Dica-que-pretende-dar-ao-texto-um-pouco-de-classe-tecnologica ), resolvi perder dois autocarros e correspondentes comboios, o que me fez chegar a casa mais de 14h depois de ter acordado.
Estava aborrecido e por isso escolhi a companhia de uns textos do DN da edição de ontem. Ainda foi pior. Depois de os ler, não só despertei, como fiquei pior que estragado.
Vi que o Cavaco estava de visita a Espanha. Só 10 seg mais tarde e 3 "clicks" depois, é que me lembrei que esse rapaz é o nosso presidente.
Não me consigo habituar à ideia de que o Cavaco é de facto o presidente da República Portuguesa. A minha memória é de imediato bombardeada com aquelas imagens de uma campanha passada, dele a comer bolo algures numa praça e a falar de boca cheia cuspindo todos em redor com migalhas de bolo enquanto dizia, "o povo, eu gosto muito do povo". Mas enfim, faz uma boa aliança com o Sócrates, não chateia, não veta as reformas e isso já é qualquer coisa.
Mas o que realmente me deixou impressionado, foi o que li, relativamente à vizinha Espanha. Há 12 anos consecutivos que crescem acima da média europeia e são neste momento a 8a economia mundial. Oitava? Há uns anos só enrolavam caramelos e tocavam castanholas e agora são um dos motores do mundo.
De onde partiram? Do mesmo ponto que nós. Exactamente do mesmo ponto que nós. Com 4 vezes a nossa população e um dos maiores territórios europeus, conseguiram organizar-se, investir, criar riqueza, criar postos de trabalho e desenvolvimento. Possuem hoje uma série de multinacionais e não estão dependentes do investimento estrangeiro. Usaram os fundos comunitários para o que eles realmente servem. As exportações portuguesas para o "mundo" diminuiram muito, mas para Espanha aumentaram e é por isso que temos o fabuloso crescimento de 0,00000000000000001% em vez de qualquer coisa negativa e consequente recessão.
Isto deixa-me realmente deprimido. Gosto muito de Portugal. É bonito, tem sol, tem paisagens maravilhosas, tem gente inteligente. Porque não podemos ser um país desenvolvido quando tivémos condições de sobra para o ser? Porque razão não fizémos o mesmo?? Temos um território mais pequeno, menos gente para organizar...teria sido assim tão difícil? Os finlandeses (5 milhões), os Noruegueses e os Suecos (9 milhões), os Irlandeses (3 milhões), a Eslovénia (2 milhões) com populações (e territórios nalguns casos) inferiores à portuguesa conseguiram organizar-se, criar riqueza (antes e durante a UE - excepto a Noruega) e distribuí-la por todos. A Eslovénia, que ainda agora entrou para a UE, já tem o mesmo nível de vida que Portugal e criou todas as bases para crescer de forma sustentada.
Porque é que não cortam, simplesmente CORTAM com todas as regalias idiotas que se atribuem a alguns cargos públicos? Porque é que não impedem a acumulação de tachos? Porque é que não prendem os corruptos? Porque é que não combatem os "lobbies"? Porque é que não exigem resultados aos que recebem subsídios? Porque é que não criam turismo de qualidade e acabam com a destruição da costa algarvia? Porque é que não metem os presos (corruptos incluídos), de catana na mão, a abrir caminhos no mato para turismo de natureza, em vez de estarem a consumir o dinheiro dos impostos a dormir o dia todo? Porque é que se gastam milhares de contos com estádios para estarem às moscas ?(para não falar na saloice do estatuto de "utilidade pública" que lhes atribuem para sacar ajudas do estado!! Quem é que usa qualquer uma dessas infraestruturas sem ser o próprio clube? Onde é que está a "utilidade pública"?? )
Porque é que nós transformámos os subsídios em salários e não os usámos como o início de algo? Como será depois de 2013?
Isto chateia-me. Chateia-me mesmo!
E revolta-me.
segunda-feira, setembro 25, 2006
O dilema

Fanã,
já te escrevi como Nando, mas hoje, olho para ti e surge-me esta palavra: Fanã.
Tenho um problema. Não será bem um problema, é mais um dilema e achei que tu serias a pessoa certa para me ajudar.
Ora escuta lá atentamente este relato existencial...
No início deste ano, quando resolvi mudar-me de armas e bagagens para o Iceberg, para mal dos meus pecados e vergonha dos da minha espécie, não fiquei muito preocupado com o frio, com arranjar um bom casado ou botas quentes. Para todos os acessórios pensava: "Logo me desenrasco". Mas havia um Fanã, um em especial, que me fez correr 3 lojas da TV Cabo na véspera de me vir embora. Exacto...esse mesmo, o maravilhoso e "liga-se-em-todo-o-lado" kit da TV Cabo. Pensei que podia ver os noticiários, pensei que podia 30 por uma linha, mas cá para nós, o que eu queria mesmo era ver aquelas camisolas vermelhinhas a correr de um lado para o outro.
Não será tão erudito como discutir Guernica de Picasso, não terá o encanto de uma orquestra em Viena, não será luminoso como um espectáculo na Broadway , não terá o impacto científico de discutir um James Bond com base nas leis de Newton nem tão pouco a classe de um Chardonnay com o Sena a meia luz no horizonte.
Não, nada disso. É simples, imperceptível, injustificado, ilógico, mas deixa-me contente. Compreendes Fanã? Eu gosto mesmo daquelas camisolitas, ali de um lado para o outro ou em versão erudita "aos pontapés a uma bola". Já tentei lavar-me com escova de arame, já fui ver o hoquei no gelo (ainda dizem que o boxe é violento!), já tentei fazer a terapia do "Ah, eles é que ganham o dinheiro" e nada resulta.
Sou Touro de signo, vou ao avante desde os 14 anos, o que queres que te diga Fanã? Gosto do vermelho...gosto das bandeiras no ar (com ou sem o Che), gosto de ouvir o hino do Piçarra antes de começarem os jogos, gosto de comer aquela bifana nas roulottes que circundam o estádio...falando nisso, já lá foste Fanã? São bem boas! Custam 500 paus e mal dás uma dentada ficas com a bifana toda nos dentes e o pão na mão. Cai mostarda para a camisola (vermelha), limpas com o dedo e voltas a comer, entretanto já está um gordo de bigode, todo transpirado a ver se consegue tirar uma mini e vai-se esfregando em ti. Ficas com mostarda no peito e listas de suor nas costas. Mas é o convívio entendes? É o povo que numa paixão acéfala, corre para ver o maior coxo que consigas imaginar, desde que vista a camisolinha vermelha.
Tento desta forma explicar-te algo que nem eu próprio entendo. Gosto, desde sempre e não sei porquê. Mas gosto mesmo!
E isto leva-me a outro patamar de problemas. É aqui que tu entras...
Como dizia algures lá atrás, numa loja da TV Cabo levei aquela ensaboadela de vendilhão. Dizia ele: "Como eu costumo dizer, isso é só chegar ali fora, apontar a 30 graus Oeste e já está". As propinas pagas obrigavam-me a perceber que "não era bem assim", mas o meu cérebro dizia "vermelho, vermelho, vermelho" e lá vim eu de parabólica às costas.
Agora imagina esta cena Fanã. Chego ao aeroporto e 5 colegas alemães estão à minha espera. Eu devia aparecer agasalhado e com uma mala daquelas giras, com rodinhas que dão sempre outra pinta. Mas não...desembarco com uma parabólica às costas. Não sei se estás a imaginar o cenário. Os alemães pensaram que era um escudo e perguntaram-me se também trazia espada. A brincadeirinha foi gira e tal, quebrou o gelo mas, com um bacalhau no outro ombro, um jarro de tinto, bigode e um fio de ouro, teria sido mais fácil.
Mas eu pensei: "Eles não percebem, eles não percebem...é o Glorioso e mais não sei quê".
Entretanto, na minha primeira casa (dividida com esses alemães) fiquei num quarto virado a Este...foi azar. Na segunda casa (já sozinho), fiquei virado a Norte e um pouco aborrecido. A equipa jogava bem, marcava golos, acabava os jogos com 11 (pede os vídeos...sim, sim...os gajos eram os mesmos...sim,sim...a sério..) e eu estava cá sozinho e nada de camisolas vermelhas. Passo seguinte, o amigo Google. Bastou escrever "portugueses em Gotemburgo" e dei logo com uma associação, que além de Superbock e bifanas, tinha os canais portugueses. Fiquei animado. Meti-me num taxi de um iraquiano, que me gamou no preço (mas ainda assim era mais barato do que ir ao estádio) e rapidamente cheguei a esse local, onde a média de idades rondava os 70 anos e nas paredes se anunciava "Quim Tostas" para o próximo baile. Mas havia camisolas vermelhas a bailar e isso Fanã, era tudo o que interessava.
Quando a equipa chegou longe na liga dos campeões (epá, a liga dos campeões é uma competição de clubes na europa que...olha, pede ao Shéu que ele explica-te!!), os jogos davam em qualquer bar e por isso, a troco de um Fidel Castro (só sei que tem Ginger Ale e Rum), conseguia aguentar-me uma hora e meia num bar bem perto de casa, sem gastar muito (cada cerveja são 1000 paus Fanã!!) e sem necessitar de recorrer ao velho truque: "era um copo de água, um palito e um guardanapo sff", enquanto via a bola.
Isto tudo foi antes de tu chegares. Como vês, eu mexia-me para ver 11 toscos de vermelho a correr.
Agora é que me surge o dilema. Tu apareces lá da estância de férias e deves ter dito no balneário, enquanto davas aquele irritante toque de pescoço:
"Epá...isto não tem nada que saber...é chegar ao meio campo e centrar para o Jardel. Ou o gajo saca um penalti ou a bola tabela naquela cabeça de gigantone e já está"
O problema Fanã...é que o Jardel não está por esses lados e essa malta parece perdida, não é? Eles são os mesmo que ganharam ao Liverpool (bolas Fanã...é um clube que também veste de vermelho, lá na terra dos Beatles...olha, o Chalana explica-te!!), mas agora não correm, não marcam, não esperam pelos 90 minutos para irem tomar banho...Fanã...é o que se chama: "dedo de treinador".
E agora repara nesta curiosidade do destino. Pela terceira vez mudei de casa e esta tem uma varanda virada para.....para Fanã? Exacto!! Oeste Fanã!! Aposto que todos os graus estão lá....até os mágicos 30 que preciso para te ver! Há 8 meses que esperava por isto, mas agora surge-me a inquietação.
A antena está lá parada esperando algo. Basta ligar para a TV Cabo (o que não é tão simples quanto isso, mas eu encararia como um "mais um esforço, leite??Suchard Express!!") e depois acederia a pagar 10 contos por mês (o que são 10 cervejas, 20 cafés, 20 noites de estacionamento para o carro, passe de comboio para 15 dias, etc,etc) para finalmente, no conforto do lar, ver essas reluzentes camisolas vermelhas.
Por isso diz-me, para eu não me enervar e não me arrependar mais tarde:
a) pensas tirar um "fast learning with Mourinho" no próximo mês?
b) existe a real possibilidade da equipa terminar o jogo com 11 jogadores? (o Shéu e o Chalana não contam)
c) achas que consegues perder por menos do que 2 com o Manchester?
d) rachas comigo a renda da TV Cabo?
e) importas-te de ler numa conferência de imprensa a seguinte frase? "Eu sou incompetente. Tento, mas não sei mais. É muita areia para a minha charrete!"
f) podes comprar camisas de colarinho largo, para não teres tanta falta de ar?
g) seria pedir muito que não te deixasses fotografar com este estilo de "epá, não sei, não sei!!!" ?
h) Existe a hipótese de te pirares rápido e ligeiro?
Espero que me compreendas. Eu não tenho nada contra ti, não consigo é encontrar qualquer coisa (mesmo que pequena) a favor.
sexta-feira, setembro 22, 2006
Em roma, sê romano
Já são quase 4h e ainda estou aqui. Ai, ai, ai...quando é que eu deixo de trabalhar até tarde???
Deixo-vos com o mais recente sucesso nestas paragens. Malta nova, som electrónico, penteados giros. Enfim, são as novas tendências..."diz" que são bons!
Bom fim-de-semana.
A língua
Ela não se referia às respostas sobre o conteúdo do programa de ensino, mas às respostas (tipo..."nhanhanhanha") que eu não conseguia conter.
Na altura pensei que isto fosse um elogio. 20 anos depois percebi que não.
Essa professora, que diariamente me dava boleia para a escola e cujo nome infelizmente não me recordo (o que me fica bastante mal diga-se, mas tive uma diferente em cada ano), deve ter dito ao meu pai:
- "Já reparou como o seu filho responde tão rápido, principalmente se for uma assunto extra-programa?"
...e mais tarde ao marido:
- "Chato...e irritante!!!Hiiii que miúdo chatooo!!"
Ela tinha razão e os anos seguintes provaram a sua sábia tese.
Não há nada que eu goste mais do que falar. Não suporto o silêncio.
Eu sou aquela pessoa que engole sem mastigar para não perder minutos de conversa.
Os meus familiares acompanharam o meu crescimento com o seguinte espírito:
2 anos - "Que giro, diz tantas palavras!"
6 anos - "Que engraçado, até já manifesta opinião"
8 anos - "Fala tanto. É sempre assim?"
10 anos - "Chatinho, é um bocadinho chatinho"
12 anos - "Onde é que se desliga?"
De quem terei apanhado isto? Penso eu tantas vezes...
Desconfio sempre do meu pai. Ele fala pelos cotovelos, mas é mais paciente. Lembro-me que nos nossos pequenos almoços de fim-de-semana, nas alturas em que os 4 falávamos aos mesmo tempo, tentámos instaurar uma assembleia democrática e nesse contexto cada um colocava o braço no ar, esperando a sua vez de falar. Os temas em discussão eram sempre apaixonantes (para mim pelo menos) e para ser sincero, ficava pior que estragado quando não conseguia falar. Já o meu pai esperava em silêncio repetindo de 5 em 5 min ao "presidente da mesa": "já chegou a minha vez?" . Normalmente a resposta era "não", mas quando a vez dele chegava, 30 min no mínimo estavam garantidos. Falava, falava, falava...mas mastigava e não parecia tão sôfrego como eu.
Para mim, a pena capital é queimar a lingua ou meter muita comida na boca.
Divido as pessoas em dois grupos. Aquelas com que consigo almoçar sozinho e as do grupo "pois é".
Com as primeiras a coisa corre assim:
Eu: "blablablablablablablablabla"
Ele/Ela: "blablablablablablablabla"
Eu: "Ah sim?"
Ele/Ela: "Sim e blablablablablablablabla"
Eu: "Isso quer dizer que blablablablablablablabla"
Ele/Ela: "Exacto e foi por isso que eu blablablabla"
...e por aí fora durante horas.
Com as segundas:
Eu: "blablablablablablablablabla"
Ele/Ela: "Pois é..."
Eu: "Mas não achas que blablablablablabla"
Ele/Ela: "É a vida..."
Eu: "(...)"
Ele/Ela: "Então e o nosso benfica??"
Eu: "Olha, lembrei-me agora que tenho que ir para Cacilhas a nado. Manda-me um mail para combinarmos algo, ok?"
No entanto, apesar de simpatizar mais com almas tagarelas como eu, a verdade é que não podem ultrapassar determinado limite, senão vão parar ao grupo "pois é" porque não as consigo ouvir.
Eu acho que é preciso ter uma lata fenomenal...ser chato e não querer aturar chatos. Mas é a verdade e quem diz a verdade não merece castigo.
quinta-feira, setembro 21, 2006
"Nice, very nice"
É simpático, educado, dos poucos que não tira comida dos dentes e mede, sem exagero, 3 metros e meio.
Segundo as regras da empresa, qualquer empregado tem o direito de folga no seu 50ö aniversário, pelo que o departamento resolveu promover um almoço de convívio na véspera. Hoje.
Acabo de chegar de lá.
É impressionante como um simples almoço pode ser uma mistura de Circo Chen com o Avante.
Começo pelo fim.
Não há "parabéns a você, nesta data querida...lálálálá". Levantam-se e em uníssono cantam algo parecido com "Avante camarada, avante...junta a tua à minha voz". Não percebi a letra, mas a música agradou-me. No fim fazem um grito viking que me soou a :"Hurra, Hurra, Hurra, Hurra, Hurra" e por momentos pensei que fossem invadir a mesa vizinha e sequestrar todas as doses de alfafa com molho.
Quando me aproximei da mesa, reparei que ao meu lado estava sentado o gajo mais estranho que habita neste quilómetro quadrado. Para quem viu o filme "melhor é impossível", onde o J.Nicholson interpretava uma daquelas pessoas que mete os pés só em determinados quadrados do passeio enquanto se deslocam (sempre os queria ver num passeio de calçada portuguesa), é exactamente um desse clube que estava ao meu lado.
Só que ele não o faz apenas com os pés. Faz com tudo.
Tenho que fazer um parêntesis...
(...)
Já tinha reparado, que no refeitório ele demorava mais ou menos 2 horas a almoçar, dividindo o tempo da seguinte forma:
- olhar para o menu (10 min)
- no buffet da salada, meter a colher na taça da cenoura raspada e tirá-la ainda vazia. Repetir esta acção 5 vezes. (5 min)
- olhar para a sala e escolher uma mesa (5 min)
- deslocar-se até essa mesa (10 min)
- uma vez na mesa, puxar a cadeira e olhar para ela. Não sentar...apenas olhar. (10 min)
- uma vez sentado, ajeitar o garfo e a faca, raspando-os um no outro. Ajeitar também o prato, o copo, o guardanapo e a boca. (5 min)
- com tudo aparentemente pronto para comer, inicia-se a minha parte preferida. Ajeita a cadeira e anda com ela para trás a para a frente até estar bem encaixado (10 min)
- enche um garfo de comida, levanta-o e olha para ele. Despeja alguma de volta para o prato. Repete isto 3 vezes e com o garfo praticamente só com inox, coloca-o na boca. (5 min)
- repete este processo 157 (a diferentes velocidades) vezes e vê o fundo do prato.(60 min)
- levanta o guardanapo e olha para ele. Limpa a boca de um lado para o outro e volta a olhar. Repete isto 7 vezes e com a boca bem limpa, levanta-se dando por concluída a refeição. (10 min)
(...)
Voltando ao assunto....
Estava este personagem a encher o prato à minha frente e eu preocupado. Só tínhamos 1h para comer. Ele nem ia conseguir chegar a sentar-se...
Depois, queria aguentar-me sem rir. Manter a pose de estado. Mas nestas coisas, quanto mais me seguro, pior é. Aguentei na salada, aguentei nos talheres, mas quando ele começou a balançar a cadeira, um suor frio percorreu-me a espinha e soltei uns sorrisos idiotas. Arranjei uma tanga qualquer para não parecer mal....aiiiii, este gajo dá-me cabo da pose de "gentleman".
Entretanto, a mesa encheu-se de silêncio. Não brincam em serviço quando toca a dar ao dente. Eu não suporto silêncio numa mesa, mas não sabendo a língua não conseguia quebrá-lo. Em todo o caso, esse problema não existiu. De garfo em riste (apenas garfo, não há cá mariquices de facas!!), começaram violentamente a castigar os pratos, fazendo-os gritar até à exaustão. Foi um autêntico recital de louça, um star wars sem jedis, um combate de INOX versus IKEA. Todos riscados e em chamas, os pratos agradeceram quando ficaram vazios.
Eu tenho o péssimo defeito de comer depressa. Sei disso.
Senti-me um pouco melhor hoje. Fui o penúltimo a terminar (o gajo do lado ainda estava a mirar o garfo) e perto deles parecia que tinha crescido na corte de Luis XV. O viking que se sentou à minha frente não demorou mais do que 2 minutos a levantar a cabeça (sinal que já acabou de comer), mas ao olhar para ele percebi que não estava totalmente satisfeito. A cereja, faltava a cereja.
Eis senão, quando coloca o dedo na boca e com algum custo retira umas boas gramas de carne de porco. Satisfeito, olhou para elas e sorveu-as como se não existisse amanhã. Agora sim, estava a refeição concluida.
Já perfeitamente controlado e com os sorrisinhos parvos guardados na gaveta, resolveram fazer circular na mesa a prenda que o departamento havia comprado.
Era uma belo fio de prata. Grosso, bem grosso e reluzente. Já tinha visto barcos presos com fios mais finos. Voltei a fazer das tripas coração e deixei apenas 3 dentes de fora, segurando os outros, enquanto dizia : "Nice...very nice".
A equipa
Todos pensam, todos mexem, todos ajudam. É este o conceito.
Noutros tempos, digo-o com alguma vergonha, não fui um bom "trabalhador de equipa". Queria era "despachar-despachar" e ver o resultado final pronto. Toda a envolvente que conduz ao fundo do túnel, era para mim um acessório.
Pobre Rui, que ainda sofreste umas amarguras com aqueles circuitos malfadados...
Mais tarde, azares e azelhices depois, acabei por ter que trabalhar sozinho e isso ensinou-me a ligar mais ao tal túnel.
Dizia um professor meu: "1 é pouco, 2 são bons, 3 já são uma manifestação! "
O terceiro elemento era apelidado como o "gajo que tirava cafés". Ou seja, não contribuia nada para o trabalho em causa.
Esta conversa vem a propósito da minha actual situação. Trabalho com uma colega, que supostamente me deve "educar" nos projectos que agora realiza, para que passem para minha responsabilidade. Ao mesmo tempo, devemos criar novas soluções para tarefas que devem ser realizadas já.
É simpática, muito disponível e bastante atenciosa, esta minha colega. O único problema é que parece não querer usar o cérebro.
É normal estarmos de volta de um problema, "em busca do bug perdido" e eu não a vejo pensar, tentar, mexer, executar...sei lá, inventar!!!
Quieta, de braços cruzados, vai falando sobre coisas do quotidiano, vai falando com outras pessoas e de vez em quando pergunta-me "porque não está a funcionar?". Além de ter pouca paciência para falhas (enervam-me coisas que não funcionam à primeira), ainda tenho menos paciência para sorrir e ser simpático com conversa de chacha e de ocasião tipo: "Ah, sabes? Não está a funcionar porque eu tenho um gozo enorme a procurar falhas enquanto tu fazes perguntas estúpidas!! E que tal se desligasses um fio qualquer sem eu ver para me divertir um pouco mais?? Ahn, que tal??"
O meu chefe quer e acha que trabalhamos em conjunto.
Agora, estava na bancada de testes com ela, pior que estragado porque um sistema que ontem funcionava, hoje no meio daquela salganhada de fios já não funciona. Enquanto praguejava em português para me descontrair, ela dizia: "Mas o que será??" e olhava para o lado para falar sobre Badminton com um gajo de 2,5 metros.
Chega o meu chefe, que num ar muito aflito me diz: "Desculpa lá Tiago, mas preciso da colega por uma hora para outra tarefa. Estás por tua conta!"
Epá...chefinho, isso é que não!! E agora como é que me desenrasco?? Eu não sei onde é que fica a máquina de café!!!Chefeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
Globalização?

Bombas, bombas, bombas.
Em aviões, em carros, em edifícios, em todo o lado.
Quando era pequeno esses relatos apareciam mais espaçados (ou pelo menos eu não ligava tanto). ETA era quase sempre o nome associado. Para quem cresceu em Portugal nos anos 80/90, acho que era essa a noção que tinha de terrorismo. Entretanto cresci e o conceito também. Talvez eu esteja mais atento, talvez os problemas se multipliquem, talvez o mundo multi-cultural seja mesmo uma utopia, mas nomes como Bagdad, Cabul, Damasco, Beirute, Istambul, Tchetchénia, Egipto, Indonésia, Belfast e outros que tal, passaram a figurar nos alinhamentos dos telejornais pelas mesmas razões. Bombas, bombas e mais bombas.
Com a recente crise do Iraque a coisa tomou proporções de banalidade. Todos os dias mais não sei quantas bombas, mais não sei quantos mortos...passam a ser números, apenas isso. Fica a sensação de distância, de indiferença, de que estamos noutro planeta. Em Portugal ouvia vária vezes (e repetia interiormente): "somos pobres e terceiro-mundistas, mas não nos metemos em confusões". É verdade. Quase um pequeno paraíso, pelo menos nesse aspecto.
Eu confesso que a onda crescente de violência me faz pensar em mais 1000 coisas que nunca havia pensado. Escolho a dedo as companhias de aviação que utilizo, escolho os meus destinos de férias evitando aqueles que algures no tempo tiveram bombas (adorava ir a Istambul, mas tenho medo), escolhi os países para onde mandei CV's de acordo com o apoio dado ou não à invasão do Iraque (o que colocou cidades como Londres ou NY de parte) e dou por mim em infinitas paranóias, como se conseguisse prever onde estou ou não seguro.
Sempre me senti seguro em Portugal e procurei a mesma sensação uma vez afastado. Fiquei com alguns receios no nosso país, depois do idiota do "José Barroso" servir champanhe aos amigos Toni, Jorge e Aznar na base das lajes, mas sempre achei que os gajos da Al-Qaeda pudessem (como a maioria do mundo) pensar que Portugal era uma província de Espanha e talvez rebentar qualquer coisa em Madrid.
Quando vim para aqui sabia que a Suécia tinha aberto as portas à emigração, muito mais do que qualquer outro país escandinavo. Um exemplo: no fim da guerra do Kosovo a Suécia acolheu 80000 Kosovares enquanto a Finlândia recebeu 8.
Nas grandes cidades existem gangs de chilenos, albaneses, sírios e por aí fora. Há associações criminosas ao estilo Vito Corleone (uma delas chama-se "Bandidos") que "oferecem protecção" e quem não pagar...tem o destino traçado. Imagino que esta seja a realidade de qualquer sítio multi-cultural, onde vivem pessoas que se integram e contribuem para a sociedade e outras que nem por isso.
Neste últimos dois dias rebentaram dois carros armadilhados em Gotemburgo. O primeiro, em Hisigen, nos subúrbios da cidade. Uma zona onde vivem muitos portugueses, dada a proximidade com uma das fábricas da Volvo. A outra, rebentou ontem na "Vasaplatsen", mesmo no centro da cidade.
Vejo-a da janela e passo por lá pelo menos duas vezes por dia.
Ninguém sabe bem a razão destes atentados, mas desconfiam (os jornais) que os "bandidos" estão na origem dos mesmos. Vinganças por depoimentos em tribunal, pagamentos não efectuados, rivalidades entre gangs são as hipóteses que a imprensa de hoje noticia.
Para mim, que voltei a passar lá hoje, que não devo nada a ninguém e que estou a descontar para o governo sueco, ecoa-me no cérebro a seguinte questão: existe algum canto do mundo onde possa estar descansado?
quarta-feira, setembro 20, 2006
A data
Tudo bem, eu não sou esquisito.
De improviso e com imaginação, criaremos o tempo e a habitual boa disposição.
Com sorrisos.
Os mesmos que preenchem todos os dias.
Algo verde no prato e um bom José de Sousa a acompanhar.
Uma vela, uma melodia e as luzes da cidade a preencherem a noite da janela.
Por fim, os dois. Apenas isso.
Parabéns.
Um pequeno susto (pelo menos para mim)
Electricidade cortada, linhas telefónicas sem vida e um aperto no coração.
A distância, as horas de espera, a impossibilidade de me mexer...ahhhhh...como destesto isso!!
Veio a luz, veio o sinal telefónico, veio a voz.
Estão todos bem. Assim sim, isso é que é falar !
A Mariana está a dormir, as telhas aguentaram-se e o Flash parece que vai agora chatear os Galegos.
Chato este Gordon...
A t-shirt
Foi ontem, por volta das 8 da noite que a minha vida mudou.
De repente, anos e anos de rugas, vincos e deformações texteis ficaram para trás das costas. Até esse momento, eu era um "jovem descontraído" como gosto de pensar..."mal vestido e amarrotado" como outros olhos me observavam.
Acabou-se aquele "bater-de-t-shirt-ainda-molhada-para-ficar-esticadinha", acabaram-se as bocas matinais "olha lá, foi o cão que rebolou em cima dessa camisa??", acabaram os vincos da t-shirt a simular um tabuleiro de xadrez nas costas, acabaram-se as espreitadelas para o espelho e consequente mensagem interior: "epá, desta vez não ficou assim tão mau" ou "bolas, tenho quase 30 anos...quando é que começo a passar a ferro??"
Destemido entrei na cave do prédio, onde estão as máquinas de lavar e secar roupa. Aí encontrei um cilindro, não mais do que 1m de compimento, uma cadeira e um pedal.
Excluída que estava a hipótese de ser um rolo compressor para asfaltar estradas, tentei colocar lá uma camisola.
Carreguei no pedal e como que por magia, 5 seg depois, recebia-a num estado que ela própria desconhecia desde aquele fatídico dia em que a desembrulhei na loja.
Tinha descoberto o último grito da tecnologia no mundo da engomadoria, desenvolvido em segredo por 5 gajos de metro e meio, algures entre Osaka e Okinawa, em exclusivo absoluto para aquela cave que tudo transformou.
Não queria acreditar...1 pedal, 1 cadeira e um cilindro quente. O paraíso ali ao virar da esquina. Sentia-me como Indiana Jones no momento em que percebeu que o cálice do carpinteiro tinha que ser de madeira, o que não é menos brilhante.
Uma força apoderou-se de mim e comecei a passar todas as minhas t-shirts, como se estivesse numa linha de montagem.
(...)
48 seg depois, tinha um saco cheio de roupa passadinha a ferro.
Orgulhosamente, vesti uma dessas obras de arte esta manhã....tudo foi diferente!
Abri o casaco e por entre o frio matinal que se fazia sentir, exibi a minha lisa e imaculada t-shirt.
Os bárbaros, ofuscados por tal brilho comentavam:
- Ericsson: "Já viste aquele gajo?? Com este frio...será doido??"
- Gustavsson: "Mas reparaste naquela t-shirt sem vincos?"
- Carlsson: "Terá usado ferro?"
- CáJósson: "Huummm....algo tão perfeito....parece que usou um cilindro!!"
- Todos - CáJósson: "Ahahahah...toda a gente sabe que não existe essa tecnologia no mundo da engomadoria!!!"
O cilindro será o meu Santo Graal e aquela cave o Templo Perdido. (isso fará do meu pai o Sean Connery??)
Hoje tenho reunião de avaliação com o meu chefe sueco.
Nada pode correr mal. Estou confiante e gosto de mim. Não bebi "matinal" mas passei a T-shirt.
"Não"...não sabemos o quê, mas "Não"!!
Confesso que esta é uma "classe" que normalmente me enerva um pouco. Continuo a achar que é a profissão mais importante do mundo, afinal têm sobre os ombros a responsabilidade de educar o "futuro do país", mas assumem posições (ou os seus sindicatos assumem) que não os dignificam.
A ministra da educação quer avaliar os professores e fazê-los evoluir na carreira por mérito e não porque estão vivos. Acabar com o clássico "antiguidade é um posto". Parece-me uma boa ideia.
Como em qualquer sector (que não público), tenta-se premiar quem mais faz. Há uma base, um "mínimo social garantido" para todos, mas a partir daí separa-se o "trigo do joio" e cria-se desenvolvimento. Tem lógica e adequa-se no tempo.
O que dizem os sindicatos? Não, não e não! Nota-se que os sindicatos dos professores não são parceiros sociais, não procuram evoluções para a classe, não entram no séc.XXI. Limitam-se a "contestar por contestar" e tentar não perder cada um dos previlégios idiotas que o estado novo lhes conferiu.
Estas atitudes só descredibilizam o movimento sindical e fazem-nos parecer um grupo de marretas. O slogan é: "chupar, chupar, chupar... contra o trabalho, marchar, marchar, marchar!"
Há problemas de carreira, há instabilidade profissional, há insegurança nas escolas...queixem-se disso!! Agora, querer o "emprego para a vida", sem fazerem nada por isso...tenham lá paciência, mas o saco dos contribuintes não é azul e tem fundo.
terça-feira, setembro 19, 2006
Ayatollah, diz-me cá...

Depois de ler isto, gostaria de dizer o seguinte:
Há uns meses atrás, um desgraçado qualquer resolveu caricaturar o Maomé. Turbantes, bombas e umas pinceladas de cor e parou tudo.
Aqui "del' Rei", protestos por todo o lado, bandeiras dinamarquesas queimadas, ameças de atentados, jihad, guerra santa, blá,blá...entretanto passou.
Agora o papa, sobre quem recai o dogma da verdade absoluta (inventam com cada uma...), leu a uns estudantes universitários um discurso mediaval (é importante que se note: Medieval) onde alguém dizia que o Maomé trazia coisas más e tentava passar as palavras pela força da espada. É um discurso medieval e pouco importa saber o contexto em que foi dito. A liberdade de expressão significa falar ou opinar, sobre todo e qualquer assunto (sim, todo e qualquer inclui o Maomé, está bem Ayatollah?). Mas o que é que acontece? Toca de vir para a rua queimar mais umas bandeiras (da Alemanha no caso), proclamar "a gota de água" para a guerra santa e misturar cartoons e baboseiras que o papa diz, com assuntos realmente sérios como a invasão do Iraque ou do Afeganistão.
Tudo serve de desculpa para virem para a rua gritar, dar tiros, fazer fogo e armar confusão. Seja um desenho, uma leitura de algo escrito há séculos ou qualquer referência que não agrade ao profeta. Existem razões de queixa, existem povos oprimidos, existem ocupações ilegais, existem interesses sujos, existem jogos políticos e existem inocentes a morrer.
Agora, meter tudo isso no saco da Jihad, sempre que alguém fala do Maomé...tem lá paciência ó Ayatollah!!
Vocês não fazem nada da vida pá? Não se levantam cedo para ir trabalhar? Vão sempre com as roupas a cheirar a fumo? Cada um dos fiéis tem um "set" de bandeiras com um exemplar de cada país europeu e 100 dos EUA (têm mais saída...) para queimar mal alguém diga que o Maomé cheirava mal dos pés?
Não há paciência....com tantos problemas graves que afectam os povos do médio oriente, parecem mais preocupados com o "acessório" do que com o "real".
Ayatollah...tem lá juízo e diz a essa malta que pare com as churrascadas na via pública. O fumo entra nos cobertores que tens sempre nas costas e depois dá mau aspecto, ires trabalhar com aquele cheiro a chamusca.
Não queres que o teu patrão pense que andas na sardinhada durante o almoço, ou queres?
"Helloooo, my name is K. and I was born in the state of Alabaaaaaaaaaaama"

Acho piada a conferências...tele, video, lata-com-fio, sinais de fumo ou qualquer outra versão, mas conferência. Juntamo-nos para discutir "o" assunto. Normalmente, quando não sou eu que tenho que falar ou "puxar a carroça", abro uma porta secreta e entro num mundo paralelo chamado "detalhes". Começo a imaginar sem limites e isso sim, é que me dá um real prazer...
Ontem, video-conferência entre Espanha, Suécia, EUA e Índia. Os americanos falavam. Os restantes ouviam e colocavam questões. Uma "rodinha" pelos 3 continentes para as apresentações:
- "Olá, sou o B. e estou aqui com a K., vamos apresentar-vos esta maravilha da tecnologia e tentar impingir este SW que talvez nunca usem na vida, que vos custará 10 vezes o preço de mercado e que aumentará o crescente buraco financeiro da vossa empresa, permitindo um encaixe fabuloso para a nossa empresa. Falarei sempre neste tom monocórdico e com a boca cheia de Big-Macs, parecendo que estou a fazer um grande frete."
- "Olá somos o Z,X e Y, trabalhamos com o sistema blá blá, na equipa nheca-nheca e sentamo-nos neste cubo de gelo cá em cima" (3 min)
- "Olá....xirbirixirbirixirbiriirbiri...e......xirbirixiririxirbiri....in India" (10 seg)
- "Hola! Pablo, Espana, Olé!!" (5 seg)
Terminada esta parte, os americanos começaram com 40 minutos de blá-blá-blá, permitindo-me uma divagação sem precedentes. Comecei por pensar na evolução das comunicações. Quer dizer...são milhares de quilómetros de distância física juntos numa pequena caixinha. Basta um "click" e "voilá". Faz-me pensar o que ainda se poderá fazer. Muito, estou certo, já que o Homem não pára de evoluir.
O B. falava sem respirar. Num tom monocórdico, inglês sem sotaque e com volume bastante baixo, como se estivéssemos de facto na mesma sala. Parecia chateado. Falava de forma enfadonha, como se para ele tudo fosse uma chatice. Fazia-me lembrar o Ribeiro e Castro, mas sem aquele tique de sorver a baba.
O ambiente estava criado. Faltava apenas a música do Vitinho (eu era um miúdo nos anos 80) para a minha cabeça se recostar, os olhos fecharem e a boca deixar cair 2 a 3 pingos de baba. A minha colega sueca (que não cresceu com o Vitinho), não exigiu tantos pré-requisitos e foi directa para a sorna.
Tudo parecia bem, mas de vez em quando, no meio daquela melancolia alguém fazia uma pergunta....e aí meus amigos, aí era o fim da soneca. Entrava em acção a K., que pelos vistos era a "que mexia na massa" e estava por dentro dos detalhes técnicos. O volume aumentava uns bons 80db, a voz monocórdica era substituída por uma de "cana rachada" (tipo Fran Duscher da "Nanny") e o sotaque citadino dava lugar a algo da Georgia, Virginia, Alabama ou Texas.
"If you need that formaaaaaaaaat" dizia ela aos berros e arrastando o fim da frase. Aquele sotaque, fez-me imaginar uma infância passada entre os "rodeos" do Texas e "apple pie" feita pela avó na "sweet home Alabááááááma"!!
Acabara o descanso. "Como deixam uma voz destas aproximar-se de qualquer coisa que emita som???", perguntava o meu cérebro. Limitava-me a pedir (já que não consigo rezar) a qualquer entidade divina que ninguém fizesse perguntas. Mas sempre que o B. nos começava a "embalar" lá vinha um "qué-frô":
"Just-a-small-question : xiribirixiribibibiiririxiribiri and xiribirixiribirixiribiri ??" (3 seg)
Ninguém percebia puto. Era impossível perceber aquelas letras unidas sem periodos de respiração. Ah...mas a K. tinha um descodificador de "xiribiri" e os decibéis voltavam de imediato para os níveis de aviso de Tsunami. Foi uma desgraça até ao fim. A comunicação não era "cristalina", mal se percebia o que todos os participantes diziam (ainda bem que o espanhol ficou sempre calado!) e aquela voz ( prova final que deus não existe!) que me provocará pesadelos por 2 semanas, não deixou que o descanso voltasse àquela sala.
A minha colega até saiu com olheiras, tal foi a dificuldade em atingir um sono profundo.
segunda-feira, setembro 18, 2006
O caracol
Saco, saquinho, sacão...mala, malinha, malão. "Tinha ideia que não era tanta coisa!", teimava o meu cérebro em afirmar.
Empacota, carrega, limpa...descarrega, desempacota, limpa. Foi esta a sequência mágica que nos fez chegar à noite de domingo completamente de "rastos".
Entre alguns "brindes lúdicos e com folhos" que o senhorio fez o favor de lá deixar, instalámo-nos e fizemos o reconhecimento do novo espaço. Mais metros (o que significa mais tempo de aspirador nas mãos), mais gavetas (que aposto que na altura da próxima mudança estarão cheias de coisas que aparecem não sei de onde), mas sobretudo mais conforto. Essa é a parte boa.
Na parte do "desempacota" ia aproveitando para dar um olho na tv. Ontem foi dia de eleições na Suécia. Não havia Manuela Moura Guedes a gritar, Pacheco Pereira a filosofar ou M. Sousa Tavares a cascar, o que dificultou a "leitura" dos resultados, mas os clássicos gráficos das percentagens ajudaram!
Ao que parece, a esquerda no poder desde 94, foi derrotada pela aliança de direita. O slogan máximo destes era baixar os impostos. Nos últimos 70 anos, só por 9 anos a esquerda não esteve no poder e, segundo rezam as más linguas, no último mandato da direita (90-94), a dívida externa triplicou num valor semelhante ao que o país acumulou em toda a sua história. Desde então (94) aumentaram os impostos para compensar esta dívida externa, que entretanto se tornou quase insignificante. Os líderes da direita vencedora são fiéis seguidores de Bush e mais conservadores em relação aos emigrantes. De qualquer forma, uma mudança no poder é sempre benéfica e evita a multiplicação de "vícios".
Veremos daqui a 4 anos.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Estava lá e vi
Fillho de peixe NORMALMENTE sabe nadar...neste caso poucas dúvidas restam. Certo?
"Vou por aí às escondidas a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"
- O máximo: das 6 da manhã às 8 da noite, ao que eu interiormente respondi..."sim, sim... é mesmo disso que venho à procura!!"
- O normal: das 8 da manhã às 16:30h e que me pareceu "jeitoso".
- O mínimo-obrigatório-sem-recurso-a-tretas: das 9h às 14.30h que o meu cérebro assimilou como ideal, mas a vergonha normalmente não me deixa cumprir.
Dito isto...
(....)
Hoje, às 8.40h estava calmamente a sentir a água quente nos ombros. Estava atrasado, muito, muito atrasado, mas ainda assim descontraído. A água quente, provoca em mim a sensação de que o tempo parou. Sei que estou atrasado, sei que aquele duche deve demorar entre 30 a 40 seg., mas acho sempre que esses segundos dão para passar sabão e pensar. Depois, embalado com a água nos dois ombros vou pensando, pensando, pensando. Atraso-me mais, mais e mais, mas aqueles minutos largos (no entanto segundos no meu mundo) permitem-me divagar sobre as mais variadas coisas, pessoas, palavras, gestos, locais, etc. Hoje lembrei-me desta coisa da "blogosfera". Quando há pouco mais de 2 meses o Rui me sugeriu a criação de um blog, confesso que mal sabia o que era. Nunca tinha visto um, não percebia a utilidade e não fazia ideia o que fazer com ele. Gostava de escrever, era a única coisa que ao longe encaixava. Dois meses depois, percebo o esquema. Partilham-se ideias, pensamentos, convicções, musicas, imagens, situações e tudo o mais do nosso quotidiano. No entanto, o que me deixa realmente surpreendido são os "laços virtuais". Pensava usar o meu blog como um espaço de partilha com familiares ou amigos, que esta aventura me fez deixar geográficamente mais longe. Pessoas que me conhecem desde sempre ou há muito tempo. O que não esperava era "virtualmente" adquirir novas simpatias. Nunca foi muito o meu género.
De blog em blog, é normal encontrar histórias interessantes e não raras vezes, textos fantásticos de índole político-social ou humorísticos do dia-a-dia (tipo Seinfeld), os que mais procuro. Já dei por mim a comentar a história de A, B ou C, como se de uma novela se tratasse. Se um blog reflecte o estado de espírito, os pensamentos ou os ideais de quem lá escreve, parece-me natural que se crie uma certa simpatia (ou não) com o autor das palavras. As linhas reflectem quem as escreve e ao lê-las, fico com a sensação que vou conhecendo um pouco mais dessa pessoa. Aparências que desconheço (embora algumas coloquem fotografias :)) e que me fazem imaginar cada detalhe dos seus relatos. De repente, sem dar por isso, sinto-me próximo. Como se de um "laço virtual" se tratasse, como se fossem várias personagens que simplesmente imagino e que de uma forma ou de outra, acabam por fazer parte do meu quotidiano. Acho isto curioso. Tudo começou porque gostava de escrever e sem dar por isso, leio vários "morangos com açucar" e "até amanhã camaradas" ao mesmo tempo. Até aposto que em Dezembro, algures no Colombo a correr em busca dos presentes perdidos, me vou cruzar com alguns sem que no entanto o perceba. Não há rosto, cheiro ou toque. São palavras, apenas palavras que apelam ao imaginário. É essa a riqueza.
quinta-feira, setembro 14, 2006
O Mestre Zé
Liguei, liguei, liguei...mas não atendeste.Eu sei. É dia de festa e deves tê-lo passado entre o queque de laranja e o néctar de uva, com os amigos do "forrobodó". Tudo bem.
Mas repara, passaram 79 anos desde o dia em que nasceste "lá onde o Sol queima mais" e gostava de te ter felicitado por isso. Além do mais, sabe sempre bem ouvir o teu típico sorriso "sã sã sã" que para mim é a tua imagem de marca, de e para sempre.
Espero que estejas descansadinho a dormir e que tenhas passado este dia da melhor forma possível.
Muitos parabéns pelos teus 79 anitos vôvô!
Saudades.
Tiago
A surpresa
Pedi ajuda a uma colega, que me informou da oitava maravilha do mundo.
Existe uma instituição pública que se dedica apenas a este assunto. Por internet ou telefone, dizemos qual é o nosso número de identificação (BI local), a morada actual e aquela para onde pretendemos mudar. Eles encarregam-se de informar todas as restantes intituições legais e durante 1 ano (opcional) reencaminham todo o correio que vá parar à morada antiga.
Demorou 5 minutos e nem tive que me levantar daqui.
Ainda estou de boca aberta com a facilidade da acção e com a articulação entre instituições que o permite.
Assim vale a pena pagar impostos...
Hoje

Não estou aqui. Não sei onde estou, mas sei que não estou aqui.
Algures na minha nuvem, distante, muito distante, observo tudo em redor.
Há silêncio, há paz, há harmonia. Agrada-me...sinceramente agrada-me.
Olho em volta e vejo luzes, fios, multímetros, osciloscópios, componentes eléctricos e toda uma panóplia de coisas que em conjunto formam "tecnologia".
Há a sensação de trabalho. Tudo se imagina, tudo se cria, tudo se transforma.
Mas não para mim...hoje não.
O cérebro pede descanso, o corpo pede uma cama. Estas dores de cabeça...estas malditas dores de cabeça que cresceram comigo e provavelmente nunca me largarão, exigem outro pano de fundo.
Apetece-me descansar. Está quase, eu sei que está quase.
Até já.
quarta-feira, setembro 13, 2006
1,5 horas depois...
Consegues ser o pior barrete desde o Santana.
Ora repara no que os meus olhos pouco dados a estatísticas repararam:
- 1º remate à baliza aos 60 minutos de jogo
- 2º jogo oficial, inicio de época, equipa cansada, Copenhaga com muitos mais jogos nas pernas, blá, blá.... e 1ª substituição aos 80 minutos!
- 3 remates em todo o jogo
- número de jogadas com principio, meio e fim = 0
- metade da equipa não percebeu que o Quim não era o único gajo de luvas em campo e corria para o lado errado
- a outra metade (com destaque para o Alcides) não conseguiu parar uma bola e deixá-la num raio de 5m (parecem tábuas!)
- aos 70 minutos de jogo já jogavam à "rabia" para perder tempo (pensavas que do outro lado estava o Barcelona??)
Nando, diz-me, o que é que tu andas aí a fazer pá?
Como é que no meio das escutas telefonicas e das escolhas de árbitros, aqueles artolas ainda tiveram tempo de fazer mais uma asneira e contratar-te?
Mal empregada Bohemia!
Agora

. Depois de andar 1 h de e para o trabalho
. Depois de 10h lá enfiado atrás de "bugs" e soluções
. Depois de correr para a aula de sueco
. Depois de ler que o General Franco foi um herói
. Depois de ouvir o mecânico dizer pela segunda vez em 10 dias: são 40 cts sff!
Cheguei e estou cansado.
Façam-me um favor. Um apenas. Esforcem-se!
Já abri a Bohemia.
A caneca
Ainda não percebi quem o faz.
Se os suecos imitam os americanos, ou se, numa das muitas vagas de emigração levaram para lá os seus hábitos. Tendo em conta que depois de enfiarem os índios nas reservas os americanos construiram apenas 200 anos de história e formaram o seu "povo" com gente de todo o mundo...bom, fico na dúvida.
É normal no fim-de-semana ver muitos suecos de blusão de cabedal, com "popa John Travolta" a passearem os respectivos corvettes, cadillacs, chevrolets, etc, de preferência descapotáveis dos anos 50/60 e nunca, mas nunca com menos de 10m de comprimento...
Há bandeiras por todo o lado, cafés "Sport" com écrans gigantes para verem os vários desportos, muita comida de pacote e mais uma panóplia de coisas que só tinha visto nos filmes ou na terra do Tio Sam.
A última delas é: a Caneca.
Não há filme de hollywood onde o advogado, o polícia, o bombeiro e outros tantos, não tenham por perto a sempre fiel caneca de café. Tal como o computador, a mesa, a caneta e o urinol, a caneca faz parte do economato.
Por aqui, não há reunião ou simples "ajuntamento" popular que dispense tal artefacto. É curioso, nunca tinha visto e cheirava-me apenas a mais uma "americanada". Arranjei uma caneca para mim e toca de ir para as reuniões "chupar" café como os restantes (sim, eles não "bebem"...beber é engolir um líquido sem acordar um morto! Aquele basqueiro que fazem é a chupar o café...).
Já tinha reparado que esta malta não é muito dada aos livros da Bobone. Arrotam de boca aberta , chupam maçãs, chupam café, comem só com um garfo, empurram com o dedo, enfiam os olhos no prato e só os levantam depois de acabarem a palha, tiram a comida dos dentes com os dedos e de boca aberta, etc,etc. O que não tinha reparado ainda é o estado de putrefacção que apresentam as canecas alheias. Há camadas e camadas de café em todo o seu interior e marcas de boca espalhadas em todo o rebordo exterior. Aquelas canecas gritam por água desde o dia em que nasceram. Eu até estou convencido que o raio interior da caneca diminui de tal forma com as "crostas", que pouco espaço lhes sobra para despejar nova dose.
Por outro lado, imagino que de cada vez que despejam café quente, derretem um pouco da crosta da vez anterior, o que deve proporcionar um toque "antigo" ao café. Talvez seja bom.
Vou encher a minha chávena. Dentro de minutos vai começar uma conferência telefónica com uns colegas de Detroit e estou curioso para ouvir o "chupar" de café dos dois lados da linha.
Será em stereo?
Malmö

Para quem vive no sul ou centro da Europa e a visita, é apenas mais uma. Para quem vive mais próximo do circulo polar ártico, é uma verdadeira lufada de ar fresco. O reencontro com o bom gosto, com a história, com a cultura e com o séc.XXI. Foi esta a sensação que me embalou no regresso da visita a Malmö, no limite sul da Suécia. Ligada a Copenhaga por uma ponte, esta cidade (bem como a região) foi outrora território Dinamarquês. Depois de ter conhecido Copenhaga (uma cidade cosmopolita lindíssima), tinha sérias esperanças de encontrar algo parecido em Malmö. Não me desiludi. As influências dinamarquesas estão presentes em cada esquina. O passado e o presente misturam-se com toques de bom gosto. Antes de conhecer Estocolmo (está na fila de espera), digo sem hesitar que Malmö é a cidade mais bonita que já vi em solo sueco.
Hoje em dia, funciona como cidade "irmã" de Copenhaga e nota-se que se publicitam em simultâneo, no que ao turismo diz respeito.
Malmö foi recuperada pelos suecos no séc.XVII, mas ainda assim, ficou com o "estilo" dinamarquês (ainda bem digo eu!!).
Com um pouco mais de esforço, os dinamarqueses podiam ter invadido o território mais a norte. Não lhes custava nada e a mim dava-me um jeitão. Poupavam-me aos cortinados de folhos, "naprons", flores de plástico e móveis brancos...
Malmö dista menos de 300Km...voltaremos lá sempre que a "velha Europa" chamar.
terça-feira, setembro 12, 2006
O Lugar do Norte
Andava a passear por aqui quando encontrei o "vosso" Lugar.De imediato fiquei com saudades e resolvi atenuá-las viajando nos meus arquivos.
É incrível como se pode (re)descobrir uma pequena porção de terra depois de lá passar vários anos.
A casa de traça típica, o verde que a envolve e o mar que a rodeia, formam pedaços do paraíso. Calma, paz, tranquilidade e muita beleza. É assim que recordo este Lugar. Apetece-me voltar, tenho mesmo que voltar.
Vou dormir e sonhar com o som do Atlântico.
Durmam bem.
Boa noite.
Enquanto dormia
O "Ice Age 2" e o "Volver" do Almodovar, nos quais deposito reais esperanças e o "Superman Returns", que verei com o mesmo espiríto do Indiana Jones, Missão Impossível, etc (Bond já é outra conversa!!). Porque quando era pequeno gostava, porque ele é mais rápido do que uma bala, porque veste cuecas por cima do fato, porque, porque, porque..não sei. Vejo e pronto.
Gosto muito de cinema, mas ainda não descobri onde ficam o King e o Quarteto do iceberg. Só aparecem americanadas do pior. Piratas nas Caraíbas, comédias românticas que acabam sempre bem e aqueles filmes das louras no "high-school" fazem as delícias locais. Além do mais, eu que achava 5 eur um abuso para ir ao cinema em Lisboa, ainda acho mais extravagante pagar quase 10 eur pelo cartaz disponível.
Ainda por cima, cada sueco leva para a sala de cinema 1 pacote de gomas, 5L de coca-cola e 2,5Kg de pipocas. Há alturas em que eventualmente se consegue ouvir o filme...
Até ao momento, lembro-me de ter passado por estas salas um grande filme, o Tigre e a Neve do Begnini...mas é um em mil.
Até descobrir o "King" e face ao "menu" disponível, sou obrigado a dizer: Bem hajas banda larga!!!
Diga bom dia com Mokambo
segunda-feira, setembro 11, 2006
O meu 11 de Setembro
Muito antes da História marcar este dia de forma tão negativa, já a data em si tinha para mim um significado forte. Mas feliz, entenda-se.Hoje passam exactamente 79 anos desde o nascimento da minha "Vóvó". É para mim uma pessoa marcante, que representa coragem, determinação e vontade. Costumo imaginar a vida como uma sucessão de bifurcações. Em cada ponto de decisão, opta-se. Algures olhamos para trás e vemos o caminho que fomos traçando. Na minha opinião, numa dessas bifurcações a minha avó optou por um caminho que alterou o rumo da minha família. Primeiro o do meu pai e por arrasto o meu. Sinto-a como alguém que abriu uma porta, que lutou todos os dias da sua vida e que nunca, em fase alguma deixou de estender uma mão.
Sem querer ofender, magoar ou ferir susceptibilidades, a verdade é que sinto por ela um laço único, de quem com ela passou grande parte dos seus primeiros 8 anos de vida. A esmagadora maioria das minha recordações até atingir a 3ª classe, estão pintadas num quadro onde a minha avó é a actriz principal. Não o faço de propósito, é apenas o que a minha memória me traz.
Lembro-me de ir para casa dela, no velhinho prédio da Academia Almadense, enrolado numa manta ao colo do meu pai. Lembro-me de esperar que ela chegasse do trabalho, imaginando que boneco de enfeitar os bolos me traria da pastelaria onde trabalhava, lembro-me de dormirmos no chão porque "era bom para as costas".
Nunca fomos católicos, mas diz-me sempre que lhe telefono que reza por mim. Agora que penso nisso, acho que a minha educação "católica" começou com ela. A uma das minhas infinitas perguntas (tipo: Deus existe?), costumava responder: "Não...nós não acreditamos em nada disso. Mas não se goza...não se goza...nunca se sabe!!". Serviu.
Pede-me sempre que seja poupado e que "olhe pela vida", para nunca ter que pedir nada a ninguém. Ah...e que vista um casaco, porque ela vê na tv as pessoas na neve com casacos grandes!!
De vez em quando mostra-me com algum orgulho uma carta de amor que escrevi na 1ª classe. Certamente não seria amor, certamente as palavras não farão qualquer sentido, mas a verdade é que a minha avó a guarda como um pequeno tesouro. Trocamos sempre uns sorrisos, quando a revemos juntos.
Em segredo já me pediu para passar o nome Franco para um futuro descendente. Tendo eu 3 nomes de família, quer garantir que o dela se perpetua em gerações futuras. Assim será.
Nós, os Franco, somos de lágrima fácil. É rara a vez que a minha avó não se despede de mim em lágrimas. Veja-me no dia, mês ou ano seguinte. É assim, simplesmente assim. Há um laço forte, que os anos não mudam e que a distância não altera. Adoro a minha avó.
Já usas corsários e ténis vermelhos, não será altura de teres e-mail para eu te escrever? Enquanto esse dia não chega, espero que o meu pai te faça chegar estas palavras.
Hoje quando te telefonei disseste: "Claro que estou bem! Estou viva, não havia de estar feliz?"
Se soubesses como sorri ao ouvir-te!
Um beijinho muito grande.
Parabéns!
Tiago
9/11
Apesar de achar que são os americanos os grandes culpados pelo clima de insegurança que todos nós vivemos nos dias de hoje.... Apesar de concordar com o que a Ana aqui escreveu...
. Apesar de saber que os mortos que eles espalharam no mundo não cabiam em 4 WTC...
. Apesar de saber que são os interesses energéticos e de armamento que definem a política externa americana...
. Apesar de saber que foram os sucessivos governos de Washington que criaram esta divisão no mundo entre Árabes & outros...
. Apesar de saber que foram W.Bush e seus pares os primeiros responsáveis dos atentados ao WTC...
. Apesar de saber que as verdadeiras razões deste atentado, bem como os seus autores, serão um enigma para gerações futuras...
Apesar de tudo isto, não consigo deixar de pensar no simples turista, que resolveu nesse dia conhecer as torres gémeas. De máquina numa mão e mapa de Manhattan noutra, subiu até ao 108 piso e sem sequer saber onde ficava Cabul ou que governo fantoche andavam os americanos a instalar, viu-se rodeado de fumo e confusão.
Esse turista, tal como milhares de trabalhadores do WTC, de uma infinidade de nacionalidades, não regressaram a casa nesse dia. Perguntei-me vezes sem conta "o que terão pensado?". O que leva alguém a atirar-se de uma janela, a mais de 100 andares do chão? Que desespero sentirá? Que secreta esperança ainda terá ao ponto de saltar de olhos vendados para a morte? Essas imagens nunca me sairão da cabeça...
É claro que vendo o problema como um todo e fazendo uma análise generalista, podemos pensar que os americanos foram cúmplices na chacina de milhares de chilenos depois do golpe do Pinochet, podemos pensar que os vietnamitas morreram queimados com napalm, podemos constatar que diariamente morrem dezenas de Iraquianos depois de os americanos "libertarem" o país, podemos no fundo concluir que o governo do Tio Sam traçou o azar do seu próprio povo (que contudo lhe conferiu novo mandato, o que também dá que pensar).
Mas, se por segundos ignorar tudo isto e pensar novamente no turista, que de calções e mapa na mão, apreciava uma vista porreira, sobra-me uma raiva...
Raiva pela injustiça de quem paga, desespero por quem fica e medo, muito medo pela insegurança que se criou.
Fico incrédulo, estarrecido com os limites da demência humana.
Não é este o mundo que eu quero, não é com este mundo que eu me identifico.
Azia

Até estou com dificuldade em concentrar-me no trabalho...
3 golos, 3 expulsões e aquele idiota do Nando à deriva.
Não vi, mas imagino...mau de mais para ser verdade. Desde o poeta Artur que não aparecia tamanha calamidade para os lados da Luz.
Não quero saber de apitos dourados, de quem compra ou vende árbitros, só quero que ganhem...só isso. Que marquem mais golos do que os outros e que corram!! Que se mexam, que se esforcem, que justifiquem os milhares de contos que ganham, é isso que eu quero.
Nando, a ti que tens esse tique irritante de abanares o pescoço como se a gravata te roubasse todo o oxigénio do mundo, gostava de dizer o seguinte: és um nabo, um tosco, um labrego e um incompetente!!!
Gostava também de te pedir que parasses de dizer "ganhei a taça e o campeonato, blá,blá"...porque isso aconteceu no ano em que o Jardel marcou alguns 50 golos!!! Sabes quantas vezes isso se repete??? Sabes qual é a probabilidade, de tu que nem na Grécia ganhaste fosse o que fosse, ganhares algo?? É nula Nando!!!! Nula!!!
Ahhhhh...maldito vício da bola que se entranha nos ossos.....
