quinta-feira, novembro 30, 2006

Isto quer dizer que tenho pouca barba??

via a camarada do frio.

Lúcia, volta para o festival da canção!!!

Para aquilo que o meu organismo gosta, a minha rotina diária ultrapassa todos os limites estabelecidos à nascença.
Já a noite ia alta no Bairro Alto quando resolvi "aparecer". Rezam as crónicas que a minha mãe se torcia por todos os lados há muitas horas e dizia em voz de barítono: "saaaaaaaaaaaiiiiiiii". Mas não, com essa não me convenceram. Cá fora estava frio e eu já me aconchegara por aqueles lados. Além do mais, o gajo da bata branca fazia-me uma espera para me aplicar o chamado "tau-tau", seguido de choro (meu) e sorriso (dele).
Podia ser novo, mas não era parvo. No entanto, depois de mais umas voltas no carrocel resolvi fazer a vontade à minha mãe e vim ver afinal o que havia de tão engraçado cá fora. A marca desse momento ficou.
Na minha memória ficou o registo de que deitado e quente é que estou bem e ao longo dos anos tenho-me esforçado por ser justo com a história.
Levantar da cama (onde estou deitado e quente) é para mim a tarefa mais difícil das várias que constituem o comportamento humano. Normalmente, dou-me ao trabalho de perder 1 min a adiar o despertador 1m e achar que nesse 1m, realmente descanso algo. Eu sou tão preguiçoso que todos os dias o meu primeiro pensamento é: "como é que me desenrasco para ficar aqui mais 3h???"
A única forma de conseguir cumprir horários é usar os transportes públicos. Isso faz com que o meu segundo pensamento quando acordo seja: "se não estou às 6.30h na estação perco o comboio!". Aí sim, entro nos últimos "só mais 5 min" e levanto-me pronto a bater mais um record de tempo.
Neste momento a minha melhor marca está em 10 min (banho+vestir+peq.almoço comido em duas dentadas) e 11 se tiver que meter gel e dar 4 dentadas no pão.
Com este ritmo/rotina, chego à noite de sexta-feira e o que quero mesmo é desligar o cérebro e vegetar. Como adoro cinema, essa é normalmente a segunda companhia escolhida para essa noite. No "king" cá do sítio ou na sala lá de casa, há sempre um filme que me apetece ver e que acho apropriado para o momento de relax. É também nessas alturas que dou a oportunidade aos filmes "SIC-domingo-à-tarde" de me passarem pelos olhos. Não obrigam a pensar e isso é o que quero nestes momentos.
Por norma, a 6f é uma bom dia para ver filmes na TV. A oferta é variada e a qualidade razoável.
Na semana passada, davam em simultâneo (mais ou menos): "O Santo" (Val Kilmer, E.Shue), "Love actually" (Hugh Grant, Emma Thompson,Liam N.), "What Lies Beneath" (H.Ford, M.Pfeiffer) e mais 2 ou 3 que agora não me lembro.
Recordo-me que já os tinha visto todos excepto o "Love actually". Já sabia que era um filme "Hugh Grant", mas recordava-me de ter sido muito falado em Portugal no natal de 2003 (provavelmente por causa da participação da Lúcia Moniz) e pensei que podia ser um bom "desligar-de-fim-de-dia".

(tudo o que foi dito antes era a parte introdutória, o que eu queria mesmoooooo partilhar vem agora)

Enganei-me. O filme é um "Hugh Grant" típico, com tudo o que isso pode ter de mau e sem o sorriso da J. Roberts. Mas o pior mesmo foi ver o papel da Lúcia Moniz. Todo o argumento retrata aquela comédia(s) romântica(s) que não aquece nem arrefece (mas ajuda a adormecer) excepção feita ao papel da Lúcia Moniz. Foi aqui que fiquei incrédulo com a publicidade que o filme teve no nosso país.
Nós, Portugueses, somos retratados de uma forma que nem o Kusturica se lembraria para os ciganos bósnios.
Numa das cenas finais, um inglês vai até à cidade onde a personagem da Lúcia M. vive. Se bem percebi retrata a comunidade portuguesa de Marselha. São todos gordos, de bigodes farfalhudos, a filha grita com o pai, chama estúpida à irmã (sempre a falar como uma varina), o pai quase que vende a filha, enfim, juntam no mesmo quadro tudo o que de mau existe no nosso povo e distorcem com exagero e mau gosto a nossa realidade. Senti-me revoltado.
Porque raio teve esse filme tanta publicidade em Portugal se no meio daquela história de "love is in the air" somos caricaturados como vendedores de camelos???
Passou-me o sono. O objectivo de descanso e relax não foi atingido.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A maior do mundo e arredores galácticos

Na última aula de Sueco a professora contou-me que tinha visto nas notícias a maior árvore de natal da Europa, montada pela 2a vez em Lisboa.
Sorri e tentei partilhar o entusiasmo dela a descrever a imensidão da árvore, mas não consegui.
Ela, que não sabe o que é sentir frio dentro de casa, não ter uma rede de esgotos decentes ou ver o prédio do lado em risco de cair, passeia pela sua cidade contemplando as iluminações de Natal, que são bonitas diga-se, mas modestas quando comparadas com as da minha cidade.
Aqui, dá-se uma importância grande ao Natal. Há lojas que praticamente só vendem decorações para esta época e nota-se que há um envolvimento popular no espírito, ou não fosse o Pai Natal originário da Lapónia (Finlandesa). No entanto, não se reflectem em tentativas de grandiosidade saloias como "a maior árvore da Europa" na cidade que tem falta de dinheiro (pelo menos o Carmona queixa-se!) para resolver questões básicas que afectam a sua população.
Pouco importa se a árvore é paga pelo banco A ou B. Ainda pior. Os bancos são os maiores beneficiados da crise no país (por causa dos sucessivos recursos ao crédito) e dos que menos impostos pagam. No fundo, cada um de nós contribui um pouco para aquela árvore (pelo menos os clientes do Millenium).
Porquê uma ostentação de riqueza (e saloice da grossa) numa cidade que tem tantos problemas com falta de dinheiro? Já não há pessoas a dormir nos respiradores do Martim Moniz? Já não há casas a ruir nas colinas? Já não há lixo pela calçada pombalina? Já há saneamento básico (a funcionar) e instalações eléctricas decentes nas partes velhas da cidade? Já demoliram a última barraca? O trânsito já deixou de ser caótico?
Não quero ser utópico e sei que os problemas não se resolvem com ou sem árvore, mas é uma simples questão de atitude.
É dar importância às aparências e deixar para segundo plano o que realmente importa. Se o Millenium quer fazer a árvore com os lucros que deveria deixar nos impostos, tudo bem. Que se transforme isso num caso de orgulho nacional, já acho mais preocupante.
A minha professora deve ter ficado a pensar que em Lisboa tudo são rosas e que a árvore é a "cereja no topo do bolo".
Claro que eu não tive coragem de lhe dizer que somos um povo que "come sardinha e arrota camarão", mas senti-me envergonhado.
Porque é que não transportamos esta mania das grandezas para as coisas que realmente marcam a diferença numa cidade, num povo e num país?
Algo do género:
"Lisboa, a cidade mais segura OU limpa OU confortável OU barata OU menos poluída OU com menos carros OU com menos acidentes OU com mais espectáculos OU mais verde OU qualquer coisa deste género, da Europa"
Claro que se passar pela P. do Comércio vou admirar a árvore (sangue luso, é sangue luso...), mas certamente não a divulgarei como uma proeza Nacional.
Não é que não goste do "acessório", mas acho que já é tempo de nos concentrarmos no "essencial".

terça-feira, novembro 28, 2006

O toquezinho

Há mais alguém que passe a vida a dar "toquezinhos" nos fios dos phones para conseguir ouvir nos dois ouvidos ou sou só eu?
O "mau contacto" nestes artigos ao fim de 2 meses vem incluído no preço e é obrigatório ou sou eu que tenho muita falta de jeito e estrago tudo?

O ditado

Ao passar os olhos pelo DN parei neste artigo do L.Delgado.
Com tudo estruturado por pontos pensei: "queres ver que foi desta que ele pensou um pouco antes de escrever?"
Depois de ler a respectiva análise ao falhanço no Iraque (que provavelmente pediu à Paula Sá para lhe ditar), fui obrigado a manter a minha opinião de "como é que um gajo destes escreve no DN??".
Eliminando as partes de pura opinião (que só por si explicam tudo, mas...), não consigo deixar de destacar 3 pérolas:

1- "Na verdade, o Pentágono, o Departamento de Estado e a Casa Branca concentraram-se apenas nas operações militares, que, convenhamos, foram conduzidas de uma forma brilhante e extraordinariamente eficaz. Metade das forças reunidas dez anos antes, para a "Tempestade no Deserto", com uma missão duplamente mais difícil do que em 1991, desencadearam um ataque que em três semanas derrubou o regime e tornou inoperacional um dos maiores Exércitos da região."

2 - "Rumsfeld, na verdade, deveria ter "acabado" aí, no preciso momento em que era necessário consolidar a paz e transferir o poder para os moderados iraquianos. É o primeiro grande erro dos EUA, e a partir desse momento, à falta de qualquer plano, começa tudo a correr mal. Rumsfeld não abdica da euforia da vitória fulminante e entra em conflito aberto com Powell, sem que a Casa Branca consiga impor uma visão e um calendário para o futuro."

3- "Pior: à falta de uma oposição iraquiana, decapitada por Saddam ao longo de décadas, não emerge um líder inquestionável, ou seguro, como no Afeganistão."



1) Constato que subiram para 3 o número de pessoas que realmente acreditam nisto. Além do Delgado, o próprio Saddam e aquele cómico ministro da comunicação também pareciam acreditar. Para o resto do mundo, o exército Iraquiano estava ultrapassado e muito debilitado por causa do conflito no Golfo em 91, no tempo do papá Bush. Os efectivos e meios materiais eram em 2003 muito inferiores. Das 40 divisões do exército regular, restavam agora 17.
Saddam viveu de um "bluff" que ninguém acreditou.

2) O primeiro erro dos EUA aconteceu muito antes de qualquer soldado chegar a Bagdad. Não pela forma escolhida para a "transição democrática" mas sim por uma invasão não autorizada pela ONU e com fundamentos falsos (até a casa branca assumiu o "erro" das armas de destruição maciça, etc, etc).

3) Hamid Karzai foi escolhido pelos EUA para suceder ao regime dos Talibãs. Ficou provada a fraude eleitoral, mas Karzai foi declarado vencedor.
Os Talibãs reorganizam-se no sul do país e este ano já morreram mais de 4000 pessoas, com as contantes revoltas e guerrilhas.
A situação no Afeganistão (5 anos depois da invasão) não é tão grave como no Iraque (e isto apenas porque não é possível um caos maior), mas as balas continuam a voar, as pessoas a morrer, o regime político em constante sobressalto e o país a depender quase exclusivamente da ajuda internacional. É esta a definição de um líder inquestionável e seguro?

Delgado, cá para nós que ninguém nos ouve: tu acreditas mesmo no que escreves?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Arnold Bond


Isto é que não foi bem o que eu esperava...
Muito músculo e pouca classe, resume a minha mente ao sair da sala.
Para um verdadeiro fã do James Bond, o que realmente importa não é o argumento...esse segue um padrão e divide-se em 4 partes distintas. Depois, quem procura uma boa história e uma trama de interesse, não vê um James Bond.
O verdadeiro entusiasta entra no cinema a pensar:
- Que países visitará ao longo do filme?
- Como será feita a entrada? Tum-tum-tum a passo e tiro para o alvo ou salto de pára-quedas com a bandeira inglesa?
- Terão feito algum remix em cima do tum-tum-tum?
- Conseguirei perceber o vídeo do genérico de abertura?
- O James safa-se sempre com pinta?
Enfim, são este tipo de coisas que um BONDista procura em cada filme.
A entrada correu mal....o clássico caminhar e disparar para o alvo foi substituído por um salto "amacacado" seguido de disparo. Ora isto muda logo tudo. Uma pessoa já não se sente em casa.
Depois, pela primeira vez os corpos em exibição não são os das "bond girls" mas sim o do Daniel Craig. De tanga, nú ou de camisa molhada, arranja-se de tudo e isto meus amigos, não é o conceito do 007. Para isso é que se criaram as personagens das "bond girls". Exactamente para o James poder ser gordo e barrigudo e não ter que andar nú pela praia. No fundo, é como se no papel do "gentleman" inglês estivesse o Schwarzenegger...convenhamos que não é o que se espera.
O Bond é como o Macgyver. Safa-se porque tem um laser no relógio que corta o vidro por onde entra o ar que lhe permite respirar, enquanto chega com o polegar ao calcanhar e carrega no botão que activa as hélices, cujo movimento gera electricidade que por sua vez derrete o cubo de gelo onde estava preso.
É assim que a coisa acontece.
No caso do Daniel Craig ele parte tudo....apenas isso. Não é elaborado e parece que estamos a ver o Exterminador Implacável, em versão smoking.
Estas foram para mim as desilusões.
Quanto ao resto há a salientar uma boa história com fim em aberto (uma novidade) o que deixa entender que o 22ö bond não demorará outros 4 anos (em 2008 já cá está!), excelente fotografia nas Bahamas, Montenegro e Itália (Veneza) e uma supreendente canção de abertura na voz do Chris Cornell (Soundgarden/Audioslave).
Um pouco mais de chá e este Craig toma-lhe o jeito.
2008 e já ali.

Baldes de massa


Há alguns anos que as minhas segundas feiras incluem no seu ritual uma vista de olhos nos anúncios de emprego.
Hoje em dia continuo a fazê-lo, não com a "vontade" de quem procura, mas com a curiosidade do "nunca se sabe". Independentemente do meu olhar sobre essas linhas, há anos que o anúncio é o mesmo.
No que a engenharias diz respeito, fico com a sensação que em Portugal não se faz mais nada que não seja misturar água, areia e cimento (e brita por vezes). O betão parece ter vida própria.
O jornalista que trata deste caderno deve ser o mais folgado no Expresso. Troca "obra" por "projecto" e está feita a edição desta semana. Até já ouvi dizer que o Balsemão quando quer dar férias extra a alguém manda-o para o caderno de emprego.
Isto deixa-me um pouco estupefacto porque simplesmente não consigo entender como é que se constrói tanto, durante tanto tempo seguido e em tão pouco espaço. Já há mais habitações do que habitantes...quando é que pára o betão e cresce qualquer coisa verde?
Depois, há a preocupação pessoal...eu nunca achei piada a Mercedes, não tenho a unha do mindinho grande, bigodes farfalhudos e correntes de ouro nos pêlos do peito também nunca me atraíram e sei fazer contas de somar. Não tive por isso a mínima hipótese de seguir engenharia civil...
E agora? E no regresso?Aiii.....
Queres ver que ainda tenho que ir "chapar" massa se quiser voltar a comer choco frito?
Ricardo, há ponta para mim???

sexta-feira, novembro 24, 2006

Bond, James Bond

Problema resolvido.
O meu colega Poncho passou pela FNAC no quarto dele e arranjou-me o Casino Royale em DVD.
Hoje há premiere lá em casa também!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Dilema

Sou fã incondicional do Bond. Ao contrário do post anterior aqui não há qualquer razão, é mesmo PORQUE SIM! Nessa condição atravesso o seguinte dilema: - O filme estreia amanhã. Durante as próximas semanas as salas estarão cheias e não há nada pior do que ver um 007 com a banda sonora de pipocas e gomas. Um pessoa perde a concentração no filme e ZÁS, lá se vai a percepção do enredo. Quem é a bond girl boa? Em que altura é que a bond girl má se apaixona pelos James e deixa o gajo que quer dominar o mundo? Que número tem este na Spectre? Que tecnologias estarão incorporadas no carro? Ficará o reduto dos maus a arder ou afundar-se-á na última parte do filme? Quantos veículos motorizados destruirá o Bond sem desmanchar o penteado? Tudo isto deve ser atentamente observado para não se perder o fio à meada (sempre quis usar esta expressão!) o que invalida a sala de cinema nas próximas 3 semanas. Por outro lado, não consigo aguentar tanto tempo sabendo que o filme anda por aí! Resta-me a pergunta:

ALGUÉM TEM UMA CÓPIA* DESTE FILME EM DVD??

Obrigado.

* - Caso algum dia venha a desempenhar um cargo político e os meus opositores venham aqui chafurdar para me entalar, aproveito para escrever que obviamente refiro uma CÓPIA autorizada e comprada na FNAC, de preferência aquela do Colombo que tem sempre um cheiro mais activo.

No Sado

Setúbal, foto de R.Rodrigues
Estava a ver a "nossa janela" (obrigado Ricardo!) quando o Sousa Tavares apareceu para almoçar comigo.
Não falou muito. Preferiu escrever.
Gosto de o ler. Mesmo quando não concordo.
Com letras ilustrou o Alentejo com passagem nos salmonetes de Setúbal.
A beleza de cada recanto, a tranquilidade respirada, a generosidade da Natureza. O pequeno paraíso no despovoado Alentejo.
Concordo em absoluto ou não fosse o Alentejo a minha região preferida do país. Há a ligação familiar e depois há tudo o resto: as melhores praias do País, os sabores da tradição, as gentes mais sorridentes, o interior mais pitoresco, as recordações de tempos passados.
Os salmonetes de Setúbal comidos à setubalense também já cá cantam. Dão muito trabalho para a minha agilidade peixe-espinhas-faca-comida-arrefecer-camisola-nódoa, mas o sabor compensa o "esforço".
Enquanto juntava as letras que me escrevera, sentia-me mais perto de casa, com o Sado na janela e o Alentejo do outro lado.
Na aparente harmonia em que me deixara, resolveu perguntar-me:
"Como pode alguém viver fora de Portugal?"
Acordei das memórias. Em sobressalto inspirei duas vezes e pensei na resposta.
Novas experiências? Evolução pessoal? Crescimento profissional? Contacto com o 1ö mundo?
Será isto Miguel? Ou será a simples vontade de conseguir comprar um Monte aí ao lado desse onde escreves estas palavras?
Não sei. Talvez um pouco de tudo para não ser hipócrita.
Sair do País de origem nunca é fácil. Pode ser bom, necessário ou imperativo, mas não me parece que alguém o faça "só porque sim".
Por muito que se tente atenuar a distância, ela está lá e não há nada, rigorosamente nada que compense essas lágrimas.
Gosto de te ler, mas imaginar-te a ver o céu estrelado no teu monte alentejano enquanto divagas: "Como é possível alguém viver fora de Portugal?", dá um pouco aquela sensação de não perceberes o mundo em que vivemos, tão pouco o País que temos.
A corrupção dita leis, as oportunidades distribuem-se por meia-dúzia e os lobbies governam. Tu bebes o tinto à lareira e perguntas: "Como é possível..."
Eu também gosto muito de Portugal e ainda gostaria mais se tivesse crescido ao longo destes 20 anos com os sucessivos quadros de apoio da UE (como Espanha por exemplo). Nesse cenário, teríamos desenvolvido a nossa economia, criado empresas e emprego. Eu e uns quantos milhares mais poderíamos ter desenvolvimento pessoal e profissional, aumentos superiores a 0% e não sorrir apenas porque: "vá lá, vá lá...ainda temos emprego."
Em resposta à tua pergunta Miguel digo-te que sim, é possível.
Mas custa e inclui lágrimas.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Com um sorriso

Foto de A.Pingo


Para lá fui com o Sol a iluminar o verde da montanha, o azul do céu e o vermelho vivo das casas
típicas.
Quando saí de lá, já o Sol se queria esconder, mas iluminou-me ainda assim, com algum esforço e naquele tom alaranjado de quem quer fugir.
O frio não quer aparecer e a chuva resolveu dar um descanso. Num perfeito dia de primavera fui e vim de lá com o sorriso que só o Sol me faz chegar.
O "lá" é o trabalho...
Tendo em conta a altura do ano e a localização geográfica, percebe-se que não passei "lá" muito tempo.
Entrei às 10 e saí às 15h, igualando o recorde de um funcionário público e ficando apenas a 30 min de um funcionário daquela empresa que tem edifícios numerados na Portela (brincadeira Ana, brincadeira!!!) .
O fim do dia chega e a sensação de cansaço não. Tenho a impressão que descobri o meu horário ideal...

O sushi

Já em Lisboa tinha descoberto os prazeres da comida japonesa.
Fiquei fã, mas os preços do Rock&Sushi ou do Estado Líquido não permitem que se encare esta arte oriental com a leveza de quem entra na telepizza.
Sabe bem e paga-se ainda melhor.
Curiosamente deste lado, onde tudo é mais caro, a pizza e o sushi estão ao mesmo nível (no que a coroas diz respeito) .
Na Suécia, se alguém fizesse uma lista de restaurantes ordenados de forma crescente por preço, teria que ser algo do género:

1 - Pizza e Kebab (nos Turcos, Sírios, Iranianos, Curdos, Iraquianos)
2 - Sushi
3 - Tailandês e Chinês
4 - Pizza (no Italiano)
5 - Pub's Irlandeses e restaurantes suecos em geral

Como esta malta em regra só almoça (sim, a parte do jantar passa à frente e amanhã é um novo dia), ou pelo menos só faz uma refeição de garfo (faca não, só mesmo o garfo é que é utilizado), é muito normal os restaurantes terem menus de almoço.
Ora os japoneses que já são baratos, durante o período de almoço ficam uns mãos largas e em alguns come-se por menos de 1000 escudos.
Há um ali no centro da cidade que tem um rapazito cá fora o dia todo a segurar uma placa com a seguinte informação: "Menu de almoço=700 paus". Nunca percebi porque é que não deixam a placa presa e dão descanso ao pobre rapaz.
Bom, mas isto para dizer que (com alguma surpresa minha), pude continuar a minha descoberta de sabores orientais por estas paragens e tornar o sushi tão comum como o bife com ovo a cavalo (que saudades de um belo bife!!!).
Como convém, já sei qual é o japonês que faz o melhor sushi da cidade e bolas, é mesmo de comer e chorar por mais.
Já estou tão craque nos pauzinhos, que quando me sentar na Portugália diante daquela molhanga, vou manejar o pão com 2 palitos...
Hoje foi noite de bola. Na falta da bifana e do "corato", agarrei-me ao sushi como gente grande e foi um ver se te avias.
Agora, de barriga cheia, com o sorriso da chapa 3 e com a saudade na almofada, dou o dia por finalizado.
Amanhã há mais.
Boa noite e sayonara.

terça-feira, novembro 21, 2006

Intervalo


O Tiago bebe Sagres do outro lado, eu aposto na Carlsberg...é a minha singela contribuição para os dinamarqueses.
A imagem está razoável e o som é parecido comigo. Tarde, mas chega.
As camisolas vermelhas bailam e as redes já balançaram 3 vezes.
Estes vikings de Copenhaga são fraquitos, fraquitos...mas alegram-me a alma e fazem-me esquecer o Fanã.
Até à próxima desilusão, são os maiores.
Mais 3 na segunda parte por favor, que ainda não acabei a cervejola!

São papoilas saltitantes

Aqui a beber irish coffee ou em casa pelo Skype (Tiago, isso já funciona???), hoje é dia de: são papoilas saltitantes!!!!

M26

Capitólio, Havana

Há pouco tempo vi o filme "Lost City" (acho que o referi algures aí atrás) e...
(...)
Calma, antes de continuar este texto tenho que fazer nova pausa cinematográfica para dizer que o "Babel" é um extraordinário filme que merece ser visto e pensado. O argumento roda em torno de 4 histórias (Japão, México, Marrocos e Tunísia), ligadas por um objecto comum, uma arma (claro que esta é a minha interpretação e vale o que vale...).
Com Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal (dos "Diários de Che Guevara") nos principais papéis, chega-nos um drama onde a falta de comunicação, de solidariedade e de simples entendimento entre povos, retrata o nosso quotidiano.
A não perder!
(...)
...dizia que há umas semanas vira o "Lost City". Um filme que retrata a Havana dos anos 50/60 antes e depois da revolução.
A visão de Andy Garcia (que é cubano) pode ser apreciada neste filme e sinceramente, identifico-me bastante com ela.
Ver este filme fez-me pensar no regime de Castro. Algo que faço com alguma frequência diga-se, sem que o consiga perceber. Por muito que se leia ou se investigue sobre a revolução cubana, toda a verdade, ideais passados e presentes, alianças e estratégias, morrerão com Fidel. Poderão os historiadores fazer o seu trabalho, mas duvido que o comum dos seres tenha alguma vez a certeza das motivações de Castro ao longo destas décadas. A não ser que seja um iluminado como o Luís Delgado...mas isso já é outra história.
O caminho para o trabalho foi feito no meio desta teia.
O período de Baptista foi terrível para o povo cubano e a revolução dos "barbudos" não trouxe o que se esperava.
Parece-me quase senso comum, mas não o consigo entender na sua totalidade.
Confesso-me um admirador da história cubana e do romantismo que envolve o M26 (Mov. Revolucionário 26 de Julho) .
Em teoria tudo parece simples. Evitando os chavões "imperialistas", direi apenas o que a história confirma: Baptista era um fantoche dos EUA e Havana uma espécie de casino de Miami. Lavagem de dinheiro, jogo e muita prostituição.
Algumas famílias devidamente alinhadas e com boa vida, miséria e mais miséria para a maioria do povo cubano.
Querer derrubar um regime destes e devolver o país aos seus, é ideológicamente perfeito e acho que ninguém contesta isso. A forma como foi feita a revolução, o discurso de Fidel em sua própria defesa (o famoso: "A história me absolverá"), a vida na Sierra Maestra, o mito de Che Guevara, tudo isso ajudou a criar uma simpatia (pelo menos para mim) em torno deste movimento. O pior vem depois.
Tento perceber o que move ou o que moveu Fidel. Pura paixão pelo país? Sentido de justiça? Sede de poder?
Eu até acho que as suas convicções foram mudando com as alterações no xadrez político do globo.
É preciso não esquecer que foi Washington a primeira capital a reconhecer o governo dos "Barbudos". O corte de relacções que mais tarde aconteceu, numa altura de Guerra Fria, obrigou-o a escolher o "outro lado".
Criado que estava o inimigo, havia que o enfrentar e fortalecer a posição interna. Nunca entendi por exemplo porque ficaram os Cubanos privados da sua liberdade. Porque não podem circular livremente? Hoje se pudessem, Fidel ficaria praticamente só, mas no início não foi assim. Com a política certa ninguém sairia da sua terra natal, não mais do que em qualquer outro país.
A medicina em Cuba é verdadeiramente fabulosa. A percentagem de académicos é muito elevada mas a partir daí nada mais funciona. A queda da URSS deixou Cuba à sua mercê e dos turistas e nos últimos anos, as trocas médicos-por-petróleo com a Venezuela, foram um verdadeiro balão de oxigénio.
O que interessa ser médico se o salário obtido a carregar malas num hotel é tremendamente superior? O que interessa ter uma taxa quase nula de desemprego se para isso é necessário colocar 5 pessoas nas tarefas de uma? Não há produtividade e a economia gerada na ilha não aconchega sequer os problemas do embargo.
Circulando nas ruas de Havana dificilmente se encontra um polícia magro. As forças de intervenção estão sempre bem alimentadas. O museu da revolução tem em cada parede frases escritas pelo próprio Fidel e dezenas de gráficos comparativos do antes e depois da revolução. Claro que segundo estes o "céu" chegou depois de 1959.
Na rua, as pessoas falam olhando para os lados. Há medo.
Sem querer ser simplista, isto são sinais de que o regime político é uma ditadura.
Há relatos de como os comandantes da revolução foram afastados (Che, Cienfuegos, etc), numa tentativa de justificar a sede de poder dos irmãos Fidel. Imagino que nunca a verdade chegará a nós. Fidel sabe o que sente, mas certamente não o dirá.
Para quem imagina o romantismo da revolução, passear em Havana traz a lágrima e a constatação que não é bem assim.
Antes de 59 viviam um inferno e depois da chegada de "El Comandante", os cubanos também não viram o céu.
Eu continuo a achar que a revolução tinha o seu lugar na história. Foi uma oportunidade para um povo. Apenas uma oportunidade, infelizmente não mais do que isso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Conhecendo

Vänersborg

Trollhättan

Helsinborg (praia de areia)

Malmö (monumento à paz)

Helsinborg (praia de areia)
Boa noite.

Chapa 3

Estava aqui a ver isto e surgiram-me estas questões:
1 - Quim: Porque é que não marcaste tu os dois primeiros golos do Braga? Já viste se algum do teus antigos colegas se aleijava num joelho a rematar de tão longe?
2 - Nando: Numa das vezes em que atirares a mona para o lado, com esse toque de pescoço, aproveita e olha para um gajo que está aí com cara de saloio e cabelinho à Simão. Chama-se Moreira e o Shéu pode explicar-te em que posição joga.
3 - Vieira: agora que o sócio do Porto se foi embora, tu és o único infiltrado, mas ao que parece ainda mandas as postas por aí, sendo assim pergunto-te:
3.1 - Quantos pontos tem o Nando que perder mais para perceberes a asneira que fizeste no verão?
3.2 - Quantas tareias é preciso levar com chapa 3 para perceberes que o Nando pensa que um quadrado tem 3 lados diferentes e 1 igual a si mesmo?
3.3 - Quando é que vais entender que com esse plantel qualquer nabo com o QI de um gorila (que é 20% superior ao do Nando) limpava o campeonato?
3.4 - Será assim tão difícil de ver que o Nando é capaz de desmotivar um lobo no meio de um rebanho?
Acordeeeeeeeemmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!
Já não aguento chapa 3 com tudo o que é mija na escada!!!!

Massa fofa

As cadeiras no refeitório da Saab são de "costas abertas". Refiro-me a uma abertura que não deve ultrapassar os 50X30 cm...
Sentei-me no lugar de sempre. Perto de uma janela para comer com a companhia do céu.
Quando tirei os olhos do prato reparei na cadeira que estava à minha frente.
Apertado, muito apertado, nesses 50X30 cm estava um rabo. Por cima desse rabo estava uma senhora. Em conjunto pesariam entre 120 a 130 Kg, que eu não sou dado a exageros.
A senhora, ligando pouco a conceitos estéticos ou ao facto do meu almoço me poder cair mal, trouxe as calças que usava há 40Kg atrás e que pouco ultrapassavam os joelhos. Para mim, sobrou a imagem de um senhor rabo....grande, grande, muito grande, apertado, apertado, bem apertadinho entre o seu ser e os limites da cadeira. Um mundo branco, com crateras esponjosas e bogas fatiadas.
Quanto mais não queria olhar, mais espreitava na esperança de uma corrente de ar fazer o meu indelicado trabalho de: "Ó Faxavor!!!! Importa-se??? Tou a tentar comer!!!"
Mas não. Nenhum frio incomodou aquela imensidão e até ao último golo de café foi ver a pele entalada na madeira, sem tabu nem pudor e com muito sofrimento (pelo menos para mim).
A pizza? Estava boa. Massa fofa, massa muito fofa.

Desafio do SPAM II

Começo a semana com o chamado SPAM.
Aceitando o desafio da Florença Maria das Dores , deixo aqui o regulamento, utilizando para isso a táctica mais conhecida no mundo informático denominada "Copy and Paste" ou "Ctrl C, Ctrl V" para os realmente batidos:
"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Dito isto, vamos ao sumo:

1 - Em pequeno, depois de ler a colecção do Axtérix e de ter percebido o que era um "Pilum" (lança de legionário), nunca mais consegui dormir de barriga para cima com medo que uma dessas coisas me entrasse no umbigo. Não suporto qualquer toque no umbigo ainda hoje.

2 - Por muito complicada que esteja a minha vida, tenho sempre aquele canto do cérebro que no domingo ao fim do dia me diz: "E o Benfica? Quanto é que ficou??"

3 - Sinto que no dia em que avistar um semáforo amarelo a 20m e não acelerar, estarei muito próximo de ser civilizado.

4 - A pontualidade não quer nada comigo. Raramente chego a horas seja para o que for e cada vez tento mais, mas não consigo. É mais forte do que eu. Nem para nascer apareci a horas.

5 - Por muitos armários que tenha, uso sempre as costas das cadeiras para fazer "pirinéus" de roupa. Se eu fosse designer do IKEA desenharia um conjunto de 10 cadeiras presas pelos pés e alinhadas pelas costas e chamar-lhes-ia "Back Seat Closet".

E como SPAM que é SPAM tem que seguir feliz e contente pelas malhas do TCP/IP fora (parte tecnológica do post), passarei a batata à Catarina Santos, Sandrinha, Rosa, Nuno Sousa e Inês.
O que eu queria mesmo era "entalar" outros tantos, mas isto do blog limita :) (safaste-te Hugo!)

quinta-feira, novembro 16, 2006

Momentos

Arquipélago Sul de Gotemburgo, ilha de Styrsjö (Nov 06)

Chewie, o Wookie




Estreei-me no cinema com o Bambi. Não me lembro quem me levou, mas acho que chorei...
Já mais tarde, homem de barba rija e a poucos meses dos 7 anos, fui com o meu primo mais velho ver o "Star Wars". Saímos de casa e passados 43 segundos estávamos a entrar na clássica (não velha, atencão!!) Academia Almadense. Ambos "vivíamos" no prédio do cinema, mas como ele se encostava pelo terceiro andar não fomos tão rápidos nesse dia...
Nunca fui grande fã de ficção científica mas na década de 80 aquelas espadas a laser faziam furor. Além do mais, aquele barulho "uoomm, uooom" de cada vez que as ligavam, preenchia o meu imaginário. Hoje em dia já não consigo achar tanta piada...mas tudo tem o seu tempo.
Quando o George Lucas precisou de renovar os azulejos da mansão de Beverly Hills inventou aquela história de mais 3 argumentos que tinha escrito há 20 anos e que esses sim, eram o início da história e troca o passo...fiquei com a sensação de "fazer render o peixe" e a história deixou o imaginário infantil onde alegremente a tinha colocado. O Hugo bem me tentou explicar aquelas trocas todas do Império, mas já não sabe ao mesmo e as espadas também não fazem "uoommmm,uoommm".
Foi no entanto nesta saga que conheci o mais mítico personagem da história do cinema: o Chewbacca.
Chewie para os amigos e Chibáca para os portugueses em geral.
Quando saímos do cinema, deixei o meu primo entretido com a namorada daquela semana e fui reflectir sobre este assunto:
"O que levará um gajo a vestir um fato de macaco e reduzir todas as suas falas a um original: Uóóóóóóóóóóó ????"
Pensei, pensei, pensei e não consegui perceber o que motivava um "actor" a perdurar na história da 7a arte como o-único-gajo-no-mundo-que-não-estando-num-filme-do-Manoel-de-Oliveira-tinha-menos-deixas-que-Conan-o-bárbaro.
Essa era a meu ver a única vantagem da cara dele estar tapada. No entanto gostava também de ver quem estava por baixo daquele fato de macaco e emitia tais grunhidos.
Concluí, enquanto comia o saudoso super-maxi, que quando tivesse 18 anos ia perceber tudo (para qualquer coisa da vida a minha avó dizia sempre: quando tiveres 18 anos vais perceber! Eu até achava que no dia em que fizesse 18 anos uma enciclopédia me cairía na cabeça em forma de raio ou um velhinho de barba branca, sandálias e cajado na mão me mostraria um livro tamanho-repartição-pública-daqueles-que-se-viram-as-folhas-com-os-dois-braços cheio de respostas).
Nada disso aconteceu. Mas apareceu a internet. Não é tão filosófico como o velhinho, mas ajuda e não tem aquele cheiro esquisito.
A luz chegou (em forma de wikipedia) e com ela a verdade, que limpou a imagem que construíra do camarada Chibáca.
Ao contrário do que eu ignorantemente pensara, esta personagem não se resumia a um macaco de pêlo longo que olhava para o céu enquanto dizia "uoóóóóóóóóó"!!!
Chewbacca é um Wookiee (não um macaco), filho de Attichitcuk, marido de Mallatobuck e pai de Lumpawarrump. Não está no registo oficial, mas eu arriscaria que também é irmão do DodaShikaverana.
É sofisticado (o que se nota no sotaque que coloca no fim do uóóóóóóóó) e leal (também não me parece que faça amizades com facilidade).
Percebe "Basic" a linguagem da galáxia mas não a consegue falar devido à sua estrutura vocal. Usa por isso a sua lingua mãe, o Shyriiwook (afinal não é Uóóóóóóóóó).
Tendo em conta a riqueza da mesma, quase que jurava que qualquer um de nós a podia acrescentar no CV e quem sabe concorrer a um tacho na terra dos JEDI.
Segundo a descrição da wikipedia, Chewie tem em si um pouco de urso e camelo (não bastava a voz), o que só lhe fica bem.
Agora estou a imaginar a cara do gajo (Peter Mayhew) que "interpretou" este papel depois de ler o argumento:
"George!!Epá George!! Não me lixes pá!!"
"Que foi Peter?"
"O meu personagem é um macaco de pêlo longo George!!!"
"Um Wookie Peter, é um Wookie"
"Wookie?? Mas todas as deixas são grunhidos George!!!'Tás-me a queimar pá!!!"
"Shyriiwookiano Peter, é Shyriiwookiano...uma das linguas da galáxia"
"Não é uóóóóóóó George???"
"Não Peter....é algo sofisticadíssimo!!Vais ser um sucesso!! E abraças o Harrison Ford na nave várias vezes!!"
"Bom, se é assim.....UÓÓÓÓÓÓÓÓ!!!!!!"

terça-feira, novembro 14, 2006

A recta

Se há coisa que me enerva é a "recta". Segmentos, semi, qualquer tipo de rectas.
Para mim um caderno de linhas é uma verdadeira pauta musical. A mesma frase desliza por cima e por baixo da linha como um Fá-Sol-Lá-Si-Dó, mas nunca em cima. Isso não.
Desenhar uma recta também é como trepar uma parede de "limos". Há sempre aquele momento em que o braco falha e aparece aquele "pico" na linha.
Caminhar em linha recta...bom, isso é que é uma tarefa que me põe à prova. Normalmente, quando a pessoa ao meu lado já está a raspar na tinta de areia da parede, percebo que não consigo caminhar paralelo ao passeio.
Depois há as paragens de autocarros. Estão sempre numa recta, nunca numa curva.
No meus tempos da secundária Zeca Afonso, costumava apanhar o autocarro no fim de uma recta enorme (sim Ricardo, na paragem do CorrerD'Água!).
Mal saía da casa da minha mãe já estava a ver a paragem e ainda faltava 1Km para lá chegar. Escusado será dizer que praticava diariamente a modalidade olímpica "corrida-pó-autocarro", na especialidade maratona.
É que fazer aquele "sprint" da moda e em 3 passos estar no autocarro, ainda vá...agora gramar essa pastilha como eu fazia, era como dar 2 voltas ao Jamor com 2 fardos de palha às costas (sim, não me digam que vocês não tinham aquelas mochilas de 1x1 metro bem atestadas de livrinhos para todas as disciplinas??). E na década de 90 não existia Sanex, o que deve ser encarado como muito mais do que um detalhe!
Fiquei a detestar ainda mais as rectas.
Esta manhã lembrei-me disto novamente. O frio congelava-me as rótulas e eu deslocava-me (numa recta) naquele passo caracol que me define. Ao fundo aparece o eléctrico e a história repete-se. "Merda" diz o meu íntimo, mas já era tarde. A mensagem partira 0,1 seg antes do cérebro para os joelhos que rapidamente comecaram a dobrar 4 vezes mais depressa. Peito para fora, boca em posicão de puf,puf, cacos de gelo a saltarem pela friccão das pernas e aí estava eu uma vez mais a mostrar a minha versatilidade no atletismo, desta vez nos jogos olímpicos de inverno, especialidade meio-fundo.
Qual Carl Lewis entrei no eléctrico disparado como uma seta e depois de fazer ricochete numa parede encostei-me num banco. "Puf,puf,puf...foi apertado...puf,puf,puf...irra....puf,puf,puf....mas consegui....". Encostei as costas e relaxei. Quando esperava uma curva para a esquerda apareceu uma para a direita: "Merda!", repetiu o meu ser. "Eléctrico errado!!", foi a mensagem que disparou nas minhas entranhas. Deixei-me de mariquices e parti para uma nova especialidade, o decatlo. Depois dos 200m e do meio fundo, chegavam os 3000 barreiras até à estacão de comboios. Pé no chão, computador às costas e cachecol ao vento como uma bandeira americana num filme do Clint Eastwood. A cada passada um novo salto pelos canteiros. A respiracão ofegante e o fumo da boca anunciar a passagem, tal qual "cavalo de ferro" no antigo Far-West.
Uns bons minutos depois a chegada à estacão com as solas em brasa. Ainda verificava os estragos no sanex quando um bárbaro anuncia nas colunas que o meu comboio estava a partir. Nada me honra mais do que uma boa olímpiada afinal era o espírito de Pierre de Coubertain que estava em causa.
Lancei-me na modalidade rainha e fiz os 100m em pouco mais de 10seg (o Obikwelu tem um tempo melhor mas corre de pijama e sem o pc às costas).
Uma vez mais a parede foi acolhedora e "reflectiu-me" para uma cadeira, ao lado da qual se sentava o camarada boliviano. Cheiroso, descansado e de olhos fechados perguntou-me: "Perfume novo?"



PS - sem "C cedilha" que este teclado não tem essa letra e não me apeteceu fazer "copy paste"

segunda-feira, novembro 13, 2006

Chiiiiii, é o Kaverna!!!!!

A manhã começou bem porque o calor me envolveu no acordar.
A manhã continuou bem porque a paisagem se pintou de branco para me iluminar.
A manhã promete continuar bem porque um sorriso me invadiu a cara.
Invadiu durante uma reunião e quer aqui ficar.
Ninguém contou anedotas e o assunto não era particularmente cómico.
O colega que estava ao meu lado tinha um bafo demolidor de café e isso também não me fez sorrir.
Do outro lado do telefone estava um gajo chamado Subhash Dodachikaverana. Isso já me agradou.
Ninguém percebeu o nome.
Ninguém se atreveu a repeti-lo.
Ele não se ofendeu e deve ter achado natural.
Eu aguentei-me como pude.
"Não rias, não rias...por favor não comeces a rir", dizia aquele lado responsável de mim (pequeno, pequenitoooo).
Como é que a mãe o chamaria para jantar? Era apenas isto que me interessava em toda aquela discussão. Como é que ela acabaria de dizer o nome antes da comida arrefecer?
E os amigos? Será que o chamavam Subby? Ou Chika? Talvez Kaverna?
Eu tentei. Mas não consegui...o sorriso veio e vai ficar mais uns minutos, pelo menos.

domingo, novembro 12, 2006

"UM"

Há muitos, muitos, mas mesmo muitos anos atrás, por vicissitudes (bela palavra...) da vida, costumava viajar regularmente entre Lisboa e Santa Maria (Açores). Nessa altura, tudo aquilo tinha para mim um fascínio enorme. O aeroporto, os aviões, a azáfama entre destinos, o corre-corre de última hora, as refeições a bordo (um verdadeiro luxo quando comparadas com as actuais sandochas). Por ser menor de 12 anos e viajar sozinho, a TAP fazia o favor de me pôr uma "trela" com a palavra "UM" e de me dispensar uma simpática hospedeira (sim, já sei que hoje em dia se chamam "assistentes de bordo", mas eu ainda gosto mais do outro nome e não o considero ofensivo). A "trela" não me agradava muito, mas a hospedeira 1m mais alta do que eu, abundantemente perfumada, fazia-me sentir gente grande. Os meus momentos de eleição aconteciam quando o avião dava aquele "coice" para se fazer à pista e 2h mais tarde, já perto da meia-noite, quando sobrevoava Lisboa e me encantava com a quantidade de luzes. Deve vir daí o meu fascínio por luzes (Tóquio, tenho que ir a Tóquio!!). Hoje em dia já não é bem assim. Nada me agrada mais do que viajar, mas voar é que já não exerce o mesmo fascínio. Não deixo de ir para lado nenhum e planeio tudo com entusiasmo, mas quando chega o dia de embarcar encho o cérebro de lógicas para justificar o sucesso da viagem. O meu momento preferido nos dias de hoje acontece em terra e resume-se a estar no aeroporto, a mirar atentatamente aquele enorme quadro das partidas e imaginar o sem número de destinos que consigo alcançar a partir daquele mesmo local. Enquanto escrevo isto, estou a bordo de um avião da SAS que me devolve a Gotemburgo. Deveria estar dentro de um "autocarro com asas" da Ryan Air, mas o dia foi propício em aventuras (fica para outro post e não mãe, não me aconteceu nada!) e acabei por perdê-lo...Já tinha a minha lógica mental preparada para o outro: "epá, os bilhetes são baratos mas eles não poupam na manutenção dos aviões. As cadeiras são fixas, têm mais lugares no avião, as hospedeiras ganham menos, etc,etc...mas os motores são bons e novos, etc,etc....e tudo corre bem, blá,blá". Quando perdemos o avião e fomos recambiados para outro aeroporto pensei: "Epá, agora é que vai ser, uma companhia a sério, com aviões grandes e de um país rico, de certeza que não poupam em nada....é tudo à grande, os mecânicos são altamente especializados e usam toalhetes em vez do desperdício, etc,etc". Mal entro no avião sento-me ao lado de um dos motores. Tem a palavra "Scandinavian" gravada. Começam as mensagens em catadupa: "Escandinavo pá....pertence ao governo norueguês, sueco e dinamarquês. Como é que pode correr mal? Não pode pá!!"Mal o chão começa a fugir todas as lógicas perdem o sentido. É alto, é muito alto e como diz um colega homónimo: "eu não tenho asas!!". O meu pavor com estas coisas é tal que há uns meses um amigo perguntou-me: "Então e Dublin, como foi?" ao que eu respondi: "foi porreiro, havia pouco vento, o avião não abanou, céu limpo, boa visibilidade". Ele, na sua boa vontade disse-me: "Quando eu te pergunto pela viagem, refiro-me à cidade, povo, paisagens, essas coisas e não propriamente ao percurso aéreo". Acho que foi aí que percebi que as alturas me ocupam muito espaço de "processamento". Em todo o caso, não há ponta do mundo que eu não queira ver e tenho a certeza não será o medo das alturas a impedir uma viagem. Para qualquer percurso arranjarei uma boa lógica ou então repito este exercício, o da escrita e dos pensamentos da saudade, que diga-se, são uma ajuda enorme para me alhear um pouco e tentar ultrapassar este medo. Agora que reparo nisso, já há luzes a anunciar a "Lisboa" desta noite. O tempo afinal passou rápido e o vôo foi um constante deslizar numa auto-estrada (daquelas novas sem buracos). A escrita foi a fiel companheira e ajudou a encher os minutos... ou então foi a confirmação da lógica escolhida para hoje.... ou será que a SAS tem mesmo aviões que se desviam dos buracos do ar? Queres ver que perdi o medo de voar? Luzes! Lá em baixo!! Adoro luzes!! Que bonitas são vistas daqui....

quinta-feira, novembro 09, 2006

As coisas simples da vida

Sento-me e respiro fundo.
Estico os braços e penso no que me falta fazer.
Não me quero esquecer de nenhum detalhe e tento preparar-me o melhor possível para a tarefa que me espera amanhã em Frankfurt.
De repente o calendário absorve a minha atenção. A minha mente ignora as preocupações que há 3,8 seg atrás pareciam importantes.
"Faltam 15 dias para a estreia do novo Bond" diz-me ela.
Se a mensagem vem de quem define o que é importante, quem sou para discutir?
Prioridades são prioridades.
Tenho que passar os olhos por aqui e ouvir isto agora....só aquela parte do início, o "tum-turum-tum-tum-tum...", mas tem que ser agora.

A Paloma

Ontem foi um daqueles dias que (nas 8h pagas!!) valem apenas pelo fim.
Frio na rua e suor no corpo. Nervos acumulados, incertezas de última hora e um sem número de objectivos em paralelo.
Num mundo perfeito todos estariam felizes no fim, mas não inventaram ainda esse mundo.
Assim sendo, resta o eterno bailado dos elefantes na loja da Vista Alegre, vendo quem se consegue mexer partindo o menor número possível de pratos.
Faltou apenas alguém chamado Paloma para me sentir num episódio de uma novela venezuelana.
Cintura a bailar, conversas cruzadas, interesses diferentes e a certeza de que não me mexo naturalmente nestes relacionamentos institucionais.
Gosto de dizer o que me vai na alma e abrir a boca "sem pensar". Não será a atitude mais inteligente, mas há um canal que a liga ao coração sem passar pelo cérebro. Defeito de fabrico.
O jogo: Eu vs cliente, eu vs empresa A, eu vs empresa B, empresa A vs cliente, empresa B vs cliente, empresa A vs Empresa B.
São muitas combinações para ficarmos todos a sorrir. Há boas intenções e profissionalismo qb, mas no fim sabemos que alguém vai ficar entalado ou pelo menos "partir mais pratos". Também estes movimentos são totalmente novos para mim. Não posso dizer que goste e os nervos convertidos em suor desgastaram o sanex (que diga-se, aguenta tudo e mais alguma coisa. Óptimo produto! Nervos? Sim..Odores? Não!!).
O sorriso veio no fim com alguma sensação de alívio. Ser honesto não foi o mais profissional, mas foi o mais importante para a minha consciência.
Entrei na loja de patins e passei nos corredores sem abanar a louça. Sinto-me bem. E aliviado, muito aliviado.
Como se não bastasse a minha própria novela, a GM resolveu arranjar uns episódios extra e uns gajos de salários altos resolveram dar uns gritos.
Gritos significam movimento. É preciso levantar pó do chão e circular pessoas. Fazer testes, ensaios, reuniões, beber café noutra sala, levantar folhas ou mostrar power points. Qualquer coisa serve. É a chamada estratégia do "tudo-vai-ficar-na-mesma-mas-pelo-menos-a-malta-que-ganha-como-gente-grande-percebe-que-nos-estamos-a-mexer".
Desta vez também me toca a mim e por isso vou beber um cafézinho a Frankfurt, parece que é enriquecido com cevada.
Aproveito para comprar salsichas e quem sabe umas flores :)
Até já e se for caso disso, um bom fim-de-semana.

Tiago

Ps - sim Mãe, eu telefono.

terça-feira, novembro 07, 2006

O Delgado

Há duas profissões que particularmente admiro: professor e jornalista.
Professor pelo lado romântico da coisa. Sobre os seus ombros têm as sucessivas formações das gerações seguintes. São eles a base do sistema de ensino e é o sistema de ensino (e os seus resultados) a base de qualquer país. Em teoria parece-me algo fantástico, na prática não lhes consigo dar o crédito devido por achar que a classe está desgastada com os seus contra-producentes dirigentes sindicais. Tudo o que um sindicato não deve ser está representado nas Fenprof e companhia. Não são parceiros sociais, são apenas pragas.
Se tivesse que criar um manual do sindicalista perfeito, colocaria como exemplos a não seguir aquele gajo que há 20 anos aparece nos jornais a reclamar de tudo e nunca deve ter dado uma aula na vida e no capítulo "trampolim para uma bancada parlamentar (qualquer desde que seja dentro da assembleia e com direito a ajudas de custo)" o Torres Couto. Bom, mas já me estou a desviar do assunto e o sindicalismo ficará para outra oportunidade...mas enervam-me, é isso, enervam-me...e depois custa-me mais a parar....bolas....agora é que é!
Admirando muito a profissão, nunca a quis seguir. Paciência exige-se e eu não consigo explicar a um peixe onde encontrar água. Não tenho jeito e por isso nunca pensei nisso. Percebo agora que ao fazer isso prestei um enorme serviço à comunidade e não engrossei a lista de professores-não-tenho-jeito-nenhum-para-isto-mas-não-sei-que-curso-tirar-e-este-até-não-tem-matemática-e-depois-logo-se-vê-afinal-sempre-me-dão-emprego-para-a-vida-e-se-os-putos-não-perceberem-paciência!
Professores sim senhora...mas com jeito para a arte. Sim, porque ensinar é uma arte.
Agora jornalista já é outra conversa. Isso sempre me pareceu uma profissão apaixonante. Aliás, naquele caderninho das profissões que nos distribuíam aos 18 anos (na altura das decisões...que injustiça!) a profissão de jornalista aparecia com um coração e a legenda: "profissão de paixão".
Traduzindo para o mercado de trabalho queria dizer desemprego...isto na versão lá de casa.
No entanto, para aqueles que a podem exercer livremente, com alguma criatividade e sem muita censura, deve ser verdadeiramente fantástico. Um autêntico Indiana Jones no mundo das profissões. Se o cheque permitir uma vida descansada, então é ouro sobre azul.
Mas é aqui que o entusiasmo pára. O mundo dos media parece-me, visto de fora, bastante fascinante, mas depois constato que abre espaço para verdadeiras aberrações sob forma de opinião válida. Uma pequena feira de vaidades na nossa pequena praça.
Concorde-se ou não com a posição defendida, ler textos do Sousa Tavares, Prado Coelho, Clara Ferreira Alves, etc são um estímulo ao nosso próprio pensamento. Podemos até estar em total oposição, mas há que reconhecer a argumentação e defesa de uma ideia.
Já casos como o do Luis Delgado, e cito este isoladamente porque o acho o mais escandaloso, deixam-me um pouco confuso.
Costumava ler a Clara F. Alves no Diario Digital quando escrevia por lá. Na coluna de baixo estava o Delgado e comecei a ler também os textos dele (até aqui pouco sabia deste personagem).
Ao fim de uns quantos artigos percebi que não era coincidência e que o homem não desenvolvia muita mais do que aquilo. Depois reparei que também escrevia no DN e até aparecia como comentador convidado em alguns noticiários.
Ora, isto causa-me mesmo algum espanto porque até ao dia de hoje, ainda não vi 3 linhas escritas por este rapaz que saíssem da sua própria cabeça.
As análises que faz são do maior senso comum que se pode imaginar....dignas de um concurso Miss Mundo: "Quero paz para o Mundo" e "Guerra é mau"
Dei por mim a ficar tão irritado depois de o ler, que semana após semana o voltava a fazer esperando por algo saído do cérebro...mas nada.
De forma que ganhei uma certa "irritação" de cada vez que este gajo aparece a dizer uma baboseira (tenho impressão que é ele que escreve os discursos do Bush).
No último artigo no DN, usa uma biografia não autorizada do Fidel para criticar toda a esquerda e por pouco dizia que a vida dos cubanos era faustosa nos tempos do Baptista. Assume como verdade divina uma biografia não autorizada e toca de relatar as palavras de quem escreveu o livro (esse pelo menos tem uma opinião e defendeu-a...).
Enerva-me...este gajo enerva-me....
Com tantos jornalistas com dificuldades em arranjar emprego e com um cérebro fresquinho para usar, dão tempo de antena a um mono destes.
De qualquer forma, e mesmo admitindo a existência de uns quantos Delgados por essas redacções fora, tenho que reconhecer que a profissão de jornalista tem um brilho que me continua a encantar.

Depois de ler isto...


"O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, considerou hoje que a condenação à morte por enforcamento de Saddam Hussein "é um feito histórico para a jovem democracia iraquiana".
Bush disse que o veredicto "é um marco nos esforços do povo iraquiano para substituir o regime de um tirano por um regime assente na lei". "É um enorme feito para a jovem democracia iraquiana e para o seu Governo constitucional", acrescentou o chefe de Estado norte-americano, antes de entrar no avião que o levará até ao Nebraska e ao Kansas, para participar na campanha dos candidatos republicanos, a dois dias das eleições para o Congresso.

O homem que um dia incutiu o medo nos corações dos iraquianos teve que ouvir iraquianos livres a testemunhar os actos de tortura e homicídios que ordenou", continuou Bush. O Presidente norte-americano defendeu que "as vítimas do regime" de Saddam "receberam uma amostra da justiça que muitos pensaram que nunca se concretizaria".
Saddam Hussein foi hoje condenado à morte por enforcamento pelo tribunal especial que julgou o massacre de 148 civis na localidade xiita de Dujail, em 1982. Awad Hamed Al-Bander, antigo líder do Tribunal Revolucionário iraquiano, e Barzan Ibrahim al-Tikriti, um dos três meios-irmãos de Saddam e ex-chefe dos serviços secretos, foram também condenados à morte por enforcamento. O ex-vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadan foi condenado a prisão perpétua pelos mesmos crimes."

in Publico


...e não sendo um defensor do regime do Saddam ou de qualquer ditadura, pergunto-me, como é que é possível dizer tanta asneira e ainda assim não receber qualquer censura, crítica ou pelo menos uma valente tareia de cinto com fivela?
Democracia? Livres? Mas este atrasado refere-se ao país que ele invadiu e onde morrem dezenas de pessoas por dia desde que este flagelo da humanidade chamado Bush disse: "It's over!" ??
O Iraque vive em clima de guerra civil, misturado com guerrilha da minoria sunita e com mais baixas entre os soldados do que durante o período da invasão. É a isto que este anormal chama "democracia" e "povo livre" quando sorri ao mundo perante uma pena capital? Não é que o Saddam mereça qualquer compaixão enquanto ser humano, mas o povo iraquiano depois destes anos de sofrimento viu alguma coisa melhor no seu dia-a-dia? Não me parece, sinceramente não me parece.
Como é que estes americanos conseguiram eleger o Bush para um segundo mandato? Não me entra na cabeça...
Não consigo deixar de pensar como o mundo seria diferente se a trafulhice do governador da Flórida (irmão do Bush) tivesse sido sancionada como deveria e Al-Gore eleito presidente em 2000.
Para mim, esse é um daqueles momentos que muda o curso da história e daqui por muitos anos ficará como o desvio que conduziu o planeta para uma política de sangue, conflito e dor.

segunda-feira, novembro 06, 2006

A democracia (via osdiasuteis.blogspot.com)

Quando chegar o debate do estado da nação lá em casa, a minha bancada vai propor uma moção sobre o tema:
"Retomar a discussão da antena com os canais portugueses e respectiva instalação, mesmo que isso transforme a nossa varanda na única do prédio com tal objecto e nos faça passar por Iranianos em busca da Al-Jazzera"
Andava sem argumentos que justificassem tal confronto de ideias na câmara dos comuns.
Agora, arranjei um e na próxima assembleia magna ninguém me pára.
Momentos como este justificam 1,5h em frente a uma televisão! (Ou então não...)
É a democracia no seu esplendor.

O estrelato

Cabelo, conversa e imagem. Paulo Bento no estrelato...com tranquilidade.

O Obélix


Nunca gostei de transportes públicos.
Digam o que disserem, não há conforto como o do veículo próprio munido de um bom leitor de cd's.
Desde que comecei a usar o comboio entre a cidade onde vivo e aquela onde trabalho, esta opinião sofreu um forte abalo. O comboio em questão liga Gotemburgo (que não é a capital da Suécia, para que conste) a Oslo, passando pelo meu apeadeiro: Trollhättan ( momento cultural do post: cidade da Saab e "Hollywood" local onde se fez Dogville com a N.Kidman e Dancer in the dark, com a Bjork).
Os lugares são espaçosos e reclináveis, o comboio silencioso, a máquina de chá/café sempre a jeito e a velocidade ultrapassa em muito os 50Km/h exigidos no alcatrão. É como andar de avião, mas sem asas e em cima de carris. Bom, até porque as alturas não são o meu forte.
Batiam as 6.30h da matina e lá estava eu perto do local de partida do "meu" comboio. À minha frente apenas o lugar. O comboio tinha ficado encalhado num fjord qualquer.
Batendo os dentes olhei para o placar que anunciava um autocarro de substituição. 80Km para norte, entre curvas e velocidades de 60 Km/h, não era o que tinha pensado para iniciar a semana...mas, vamos a isso.
Segui os outros da minha espécie (uma pessoa vai conhecendo as caras que seguem o mesmo destino) e entrei num autocarro (daqueles tipo expresso) cheio até ao tecto. À minha frente ia o Pepe Mexicano. Na verdade não sei de onde ele vinha e que nome carregava, mas aquele sotaque espanhol, a pele de índio, o cabelo de ouriço e sobretudo a forma como furava a fila, deu-me a entender que não brincava com trenós quando era pequeno. Depois, admitindo que era Mexicano só se podia chamar Pepe.
Adiante...
O Pepe sentou-se ao lado de um sueco (num banco de 2 lugares) e eu sentei-me do outro lado onde estavam dois lugares vazios.
Quando pensava que ia fazer a viagem à larga entra mais uma fornada de gente. De imediato começam a distribuir-se pelos lugares vagos e eu aproveitei para os colocar mentalmente, como se de um jogo de batalha naval se tratatasse, em sítios longe do meu metro quadrado. Estava em grande ritmo e com uma taxa de sucesso de 100% quando avisto a Fricarnes.
A Fricarnes era uma moça robusta e vista de cima parecia um sombrero (senti que o Pepe olhou para ela com um carinho especial). Numa luta perdida, as roupas tentavam entrincheirar aqueles pedaços de carne que a cada passo no corredor do autocarro atingiam ora os passageiros da esquerda, ora os passageiros da direita. Parecia o Godzilla (o que eu gostava destes desenhos quando era puto!!) a sair do mar e a escavacar prédios enquanto passeava nas ruas de NY.
Os meus olhos já bem afastados das órbitas levavam ao cérebro a mensagem: "A gorda vai sentar-se ao meu lado! A gorda vai sentar-se ao meu lado! A gorda vai sentar-se ao meu lado!"
Que fique claro, eu não tenho nada contra gordos. Como diz alguém que muito admiro: "um gordo é alguém que está sempre feliz"
Tudo muito bem. Empiricamente diria o mesmo. Não me lembro de nenhum gordo carrancudo ou mal disposto por natureza e para ser sincero, sempre gostei mais do Obélix do que do Astérix. Mas que eu saiba, o Obélix nunca andou de expresso.
Não digo isto por mal, mas os lugares num autocarro têm uma dimensão física finita. Rabos de 1x1m simplesmente não deveriam ser permitidos nas redondezas.
A moça sentou-se e ajeitou-se. Isto foi processo para uns bons 10 minutos. Ajeitar as carnes, recolher o excedente que caía para o lado do chão e colocar debaixo do rabo parte das bogas que fugiam para cima de mim. Foi como encaixar o Dumbo na gaiola do Tweety.
Eram 6.45h da manhã e eu parecia um pega-monstro colado ao vidro, respirando naqueles 20 cm que me restaram depois dela espalhar todo o seu ser.
80 Km com os ossos sobrepostos, numa viagem em tudo semelhante a um Lisboa-Caldas pela N10, mas respeitando os limites de velocidade (que agonia!!).
Ao fim de 50 Km o grito de revolta. Virei-me de lado e encaixei metade de mim numa massa esponjosa. Era a gorda ali tão perto!
Contudo, a outra metade de mim ficou com algum espaço para se mexer, coçar, respirar e todos os restantes "ar" indispensáveis para quem vai mais de 1h na mesma posição. A gorda ficou chateada, mas os meus ossos agradeceram.
Já no destino a vingança apareceu. Com a calma e tempo necessários levantou-se para sair e neste movimento soltou algumas das abas presas debaixo de si. Eu, que estava distraído e envolvido no milagre da chegada, levei uma valente sapatada, como se uma raia gigante ali tivesse passado e voltei de imediato para as imediações do vidro. Colado. Bem coladinho.
Mais de 1m de raio, deveria dar direito a viajar no porão ou então no tejadilho preso com elásticos.
Agora o Obélix é que era! Simpático e bonacheirão. "Forte, não gordo!", dizia ele.
Transportes públicos é que nunca gostei.

quinta-feira, novembro 02, 2006

E porque amanhã é feriado...

...vou correr para a oficina do brasileiro para ir buscar o carro.
Fim-de-semana é para descansar e não me sinto merecedor de tamanha honra, a não ser que o inicie com um valente gamanço.
Bom fim-de-semana.

Tiago

Um gajo já não pode dizer a verdade...


"É fundamental tirarem o maior proveito possível dos estudos. Se não o fizerem, podem acabar encurralados no Iraque."

J.Kerry (Senador Democrata derrotado por W.Bush nas últimas eleições presidenciais falando a um grupo de estudantes)






A linha mais conservadora nos EUA tem cá uma lata. Desculpas? Porquê? Por não atirar areia para os olhos dos miúdos?









Seja bem-vindo quem vier por bem

"Dubliner". O nome era "Dubliner".
Num assombro de fé faltei à aula de sueco e sentei-me no "Dubliner" para ver o glorioso. Pensei: "hoje é o dia D!!".
O pub é irlandês, mas os jogos do Celtic passam por lá. Simpatias entre "Ihéus". O clássico "Irish Coffee" como companhia que o frio já o exigia e um golo (de bebida) em cada 10 minutos, para fazer render o material por 2 horas.
Olhei à volta e percebi que estava só entre escoceses. Não é que perceba a real diferença entre um escocês e um irlandês, mas as camisolas verdes e os cachecóis listados foram uma boa dica.
O jogo em si foi o que se sabe. Meia dúzia de boas jogadas contra uma equipa de coxos (como é que estes gajos marcaram 3 golos em Glasgow?), onde a nota de destaque vai inteirinha para aquele central (Caldwell). Alto, louro e tosco, este rapaz consegui sozinho marcar mais golos que o Mantorras e fazer mais assistências que o Nuno Assis. Um verdadeiro mimo e uma jóia caída do céu. Aposto que depois desta "vitória" o Fanã puxou dos galões e disse um sem número de baboseiras. O apuramento é muito difícil ainda assim e eu fico a pensar, como é que se consegue não passar num grupo onde estão estes rapazes de Glasgow e o grupo coral de Copenhaga. É difícil conseguir falhar, mas graças a ti Nando, isso também será possível.
A cada golo do Celtic na própria baliza e soltava o lábio superior e com algum jeito sorria. Entre gritos de desânimo acompanhados de vernáculo "Sheakspeariano", aquecia a alma com o meu cálice irlandês e seguia a estrada da descrição.
Eis quando surge uma verdadeira jogada e o Benfica marca finalmente um golo, o terceiro do jogo. Uma alma lusa, que não eu, não segurou o impulso e gritou GOOOOOlllllllooooooooooo!!! O bar ficou em silêncio a olhar para ele e eu percebi que não estava só. Entre os dentes disse-lhe: "shhhiiiuuu...olha que não saímos daqui vivos...".
5 gajos à minha frente começaram a praguejar e um deles disse: "epá, este aqui atrás também é Português!" (não sei como é que perceberam, eu nem tenho bigode), ao que respondi: "Sim. E então?". "Então, que este é o primeiro golo que o teu clube marca...os outros foram oferecidos!". Concordei e bebemos um copo. É afinal isso que mais conta para quem nasceu na "Ilha". "Seja bem-vindo quem vier por bem", mas de copo na mão.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Cultura e lazer

Pequenos portugueses. Aqui.

O Antímio

"Neve", disse ele.
"12 graus ontem e 0 graus hoje", disse ele.
"Ventos do Pólo Norte e coisa e tal", disse ele.
"Não se enganou o Antímio de Azevedo louro", digo eu.
Manhã escurinha e as janelas de casa a fazer "uuuuuuuuuu" com o vento. Agasalhado tentei abrir a porta do prédio para sair. Não consegui.
Com o pão na boca e a usar as duas mãos disse dois palavrões (o que com a boca cheia de pão e perto de um vidro não é a mais brilhante das ideias) e forcei a porta. Lá fora um mundo novo. Branco, muito branco e ventoso. Mas bonito.
Com um sorriso nos lábios deslizei rua abaixo ("deslizar" é o termo). Atrasado como manda a cartilha e a boa tradição familiar, tentei correr para não perder o eléctrico. Foi um belo momento.
Saltinho aqui, saltinho a ali e sempre aquela expectativa de ver qual dos pés fugia primeiro. Um verdadeiro bailado na tentativa de manter o rabo longe do gelo.
Já no comboio deixei-me embalar pela paisagem coberta de branco. É isto que para mim é verdadeiramente novo e ainda não me fartei :)
Na saída do "pouca-terra-pouca-terra" um novo momento circense. 50 da minha espécie a deslizarem com os pés em círculos, tentando chegar ao autocarro ao mesmo tempo que lutavam para manter os ossos nos devidos locais. Sair do comboio e caminhar sobre lava descalço teria sido um processo bem mais simples. Pela primeira vez desde que apanho estes transportes o autocarro não estava lá. Sempre que o comboio chega, o autocarro está lá quieto e bonitinho à nossa espera. Hoje o motorista resolveu tomar um pequeno almoço reforçado (quem sabe com o camarada Neo-Zelandês!) e depois do número de circo ficámos todos numa fila aguardando pacientemente a sua chegada. Fazia vento e nevava. O frio era mais do que muito (vá lá que não vim só de t-shirt...). Com um fraque e dispostos em círculo, estaríamos a filmar uma cena da "Marcha dos Pinguins" (um filme fantástico já que perguntam :)).
É o primeiro dia de neve pós-Verão aqui por estes lados (Sul) e confesso, agrada-me bastante. Uns sapatos com pregos, um bom casaco e não fica a faltar nada para apreciar a magnífica paisagem.
A chegada da neve marca um dia de decisões para mim. O próximo salto está definido e a escolha feita. "Estar feliz por estar contente" (como dizia o outro poeta) é o meu actual estado de espírito, mas quando volto a meter os pés na Terra, lembro-me das partes mais sensíveis e delicadas deste processo: comunicar que...
Deixar portas sempre abertas é o lema e mexer bem a cintura é o jogo. Sair a bem, entrar com um sorriso. "Nunca se sabe o dia de amanhã", diz a minha avózinha e com razão.
De qualquer forma está feito. Partes interessadas notificadas, apertos de mão e palmadinhas nas costas. Em Janeiro começo no logótipo (com acento) vermelho e a última pergunta aqui foi: "algum Português que conheças pode ocupar a tua posição?" (estou a ligar-te Rui!!!!)
A neve. Adoro dias de neve.